Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sábado, 29 de outubro de 2011

DA OCUPAÇÃO DA FFLCH/USP – JUVENTUDE ÀS RUAS


Basta da repressão de Rodas! É hora de construir um grande movimento contra o projeto da reitoria!

No dia 27/10, a PM, que há meses revista e prende estudantes e trabalhadores na USP, com justificativas como “ter olhado feio”, tentou prender mais 3 estudantes. Quase mil estudantes se organizaram para impedir, e a PM respondeu com cassetetes, bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula, deixando vários feridos. Em resposta, os estudantes decidiram ocupar a administração da FFLCH, contra a PM e os processos políticos a estudantes e trabalhadores.

Rodas: reprimir para precarizar e privatizar!

Rodas se utilizou da morte de um estudante para consolidar a presença ostensiva da PM no campus, com o pretexto da segurança. Trazer segurança é abrir radicalmente a universidade para que seja ocupada e usufruída pela população, o povo pobre e a juventude negra, que só entra na USP pelo trabalho precário, nunca pra estudar, e que a PM massacra cotidianamente nas periferias. A PM, ao contrário, entra na universidade para mantê-la elitista - dissolvendo greves, como tentou em 2009, e reprimindo aqueles que lutam por uma universidade pública e democrática – e racista, abordando e expulsando prioritariamente jovens negros, o que a reitoria racista combina com a ameaça de molição do Núcleo de Consciência Negra da USP, único espaço que, há décadas, debate a questão negra na universidade. FORA PM!

Além da PM, a reitoria reprime com processos administrativos e criminais que indicam a demissão por justa causa, por participação em atos políticos, de dirigentes do SINTUSP e ativistas – entre eles os únicos votantes contrários à entrada da PM no campus no conselho gestor -, e a eliminação de um estudante por lutar por políticas de permanência estudantil e vagas no CRUSP, se apoiando em um decreto formulado em 1972, durante a vigência do AI-5! REVOGAÇÃO DE TODOS OS PROCESSOS AOS LUTADORES!

A repressão está a serviço da implementação de um ataque estratégico à universidade, com demissões, terceirização e precarização do ensino, privatizando a USP. Rodas implementa esse projeto apoiado em uma estrutura de poder autocrática e em um estatuto da ditadura. Para combater a repressão, é preciso combater o projeto a cujo serviço ela está, e a estrutura de poder que a implementa. FORA RODAS! DISSOLUÇÃO DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO! POR UMA ASSEMBLEIA ESTATUINTE LIVRE E SOBERANA!

O setor dos professores da FFLCH que representam a burocracia universitária, e que sempre estiveram contra o movimento em defesa da universidade, como na greve das trabalhadoras terceirizadas da União por seus salários de miséria atrasados, no dia 27 se puseram a negociar com a PM para que os estudantes assinassem o B.O.. Buscaram a todo custo dividir os estudantes, jogando uns contra os outros. No fim, entregaram os estudantes para a polícia. FORA SANDRA NITRINI, diretora da FFLCH!

A gestão do DCE entrega estudantes para a polícia!

A gestão do DCE, dirigida pelo PSOL, após reunião de mais de meia hora a portas fechadas – por um cordão formado entre eles e a guarda universitária! -, se incorporou à política da burocracia universitária que coagia os estudantes a irem para a delegacia, e formou um corredor humano para escoltar os 3 estudantes para dentro da viatura! É um salto na política de não tomar qualquer medida para defender os estudantes perseguidos, tendo uma coexistência pacífica com a implementação do projeto da reitoria, e trabalhando contra a organização do movimento estudantil, deixando de convocar assembleias frente aos ataques de Rodas. Não à toa a ocupação teve que tomar medidas para impedir que essa direção se alçasse sobre o movimento, como impedi-la de assumir responsabilidade pela comunicação. Ainda assim, a gestão do DCE (PSOL) dá entrevistas à imprensa com posições que são suas, e não do movimento! Só faltou defender a instalação na USP das UPPs que o PSOL passou a reivindicar no morro do Alemão!

O DCE é a entidade dos estudantes da USP. Todos os seus recursos, finanças, contatos e diretores devem estar a serviço do movimento de ocupação e das resoluções que os estudantes tomem, sob estrito controle das assembleias. Devem construir os atos e assembleias convocados pelo movimento, e estar a serviço de ganhar apoio e massificar a luta contra a repressão e o projeto de Rodas.

O PSTU, que está na direção de alguns CAs, tem seguido integralmente a política da gestão do DCE, se negado a criticá-la (!), e votado em sua defesa. Chamamos os companheiros do PSTU a romper com essa política de aproximação do PSOL a qualquer custo, e com a defesa da linha da gestão do DCE, para que possa estar efetivamente ao lado da ocupação. Que convoque assembleias de curso de emergência desde as entidades que dirigem, como o CAELL e o CAHIS, para organizar e massificar o movimento nos cursos. O mesmo vale para a gestão do CEUPES, na Ciências Sociais, que teve diretores escoltando estudantes para o a delegacia junto com o DCE!

As estratégias que não combatem a reitoria

Por um lado, a gestão do DCE (PSOL), seguida pelo PSTU, defende uma universidade segura, sem questionar verdadeiramente seu elitismo e falta de democracia, e por isso faz parte de sua estratégia negociar pequenas reformas nos instrumentos de repressão e tratá-las como “vitórias”. Por outro, correntes como o MNN, que se mantiveram completamente ausentes das lutas do último período, como a greve das terceirizadas da União, e parte dos setores que se reivindicam “autonomistas”, vêm a ocupação como um fim em si, como se por si mesma fosse expulsar a PM e revogar os processos, e por isso mesmo não dão um combate real contra a burocracia do DCE, ou seja, contra o apoio que ela tem em um amplo setor de estudantes.

Massificar o movimento a partir da ocupação!

Para servir ao combate à reitoria, a ocupação deve ser, primeiro, um polo para massificar-se num grande movimento em toda a universidade, se ligando aos estudantes nos cursos e nas salas de aula, a partir de assembleias de curso.
Em segundo lugar, unificar-se com outros setores em luta, num movimento estadual, como os trabalhadores da USP - se integrando ao Comitê Unificado contra a Repressão, convocado pelo Sintusp e integrado por dezenas de entidades e intelectuais -, e dando TODO APOIO aos trabalhadores da UNICAMPque estão em greve por isonomia salarial, questionando esse mesmo projeto de universidade, e organizando a convocação de um encontro de estudantes e trabalhadores da três universidades estaduais. E é preciso construí-lo desde a ocupação e as assembleias de curso, votando delegações. Chamamos também a ANEL a impulsioná-lo em todo o estado, bem como o PSOL que está na diretoria do Sindicato dos Trabalhadores e do DCE da UNICAMP , para realizá-lo com a maior urgência, de modo que que sirva para unificar os setores em luta!

Fora PM, da USP, dos morros e favelas!

É preciso questionar o conteúdo de classe da universidade e se ligar a todos os setores reprimidos pelo Estado, e à juventude que não tem acesso à universidade: nosso “Fora PM!” deve ecoar o grito da juventude pobre massacrada nas periferias, da população violentada pelas UPPs nos morros, dos ambulantes reprimidos no centro, dos trabalhadores assassinados no campo; deve aproveitar as condições da universidade para denunciar o papel cumprido pela polícia, suas milícias e torturadores, que levam adiante um verdadeiro genocídio estatal para conter a insatisfação e as contradições geradas pelo próprio capitalismo.

Construir uma fração combativa no ME! Por uma campanha militante nas eleições estudantis!

É preciso construir, a partir dessa luta, uma grande fração do movimento estudantil, que se ligue aos trabalhadores, à juventude e aos setores oprimidos para combater a política de Rodas. As eleições estudantis podem jogar contra esse objetivo, levando o ME a campanhas despolitizadas, disputando votos por fora da tarefa urgente de combater a PM, os processos, o PROADE e as demissões, a precarização do ensino, a terceirização e a privatização do conhecimento. Chamamos os estudantes que queiram atuar na contramão dessa tendência a construir conosco chapas de combate ao projeto de Rodas, para levar a frente uma grande campanha militante nas eleições estudantis!

Juventude Às Ruas – LER-QI e independentes

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Juventude às Ruas ao lado dos trabalhadores da Unicamp em greve, por uma universidade que esteja a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!



Há uma semana os trabalhadores da Unicamp decidiram decretar greve contra as políticas de ataque que a Reitoria vinha implementando no último período. Para a Reitoria os trabalhadores não possuem nenhuma importância para o funcionamento da Universidade, e isso se demonstrou quando quebrou o acordo de isonomia salarial (direito de receber o mesmo salário, pelo mesmo serviço, tendo o mesmo empregador) que havia sido firmado concedendo reajustes salariais somente para professores.
Nós, da Juventude às Ruas, nos colocamos desde o primeiro momento ao lado desses trabalhadores em greve, nos solidarizando com essa luta pela isonomia que, mais do que justa, vem acompanhada de uma luta contra a repressão aos lutadores, pelo direito de greve (que vem sendo minado pelo governo Dilma, vide a greve dos Correios), de lutar por seus direitos. Estivemos junto a esses lutadores prestando solidariedade ativa a essa greve, com cartazes de apoio e falas que mostravam que essa luta deve ser uma só, travada com aliança entre os trabalhadores e os estudantes, pois sabemos que a reitoria que ataca os salários dos trabalhadores e ataca também seu direito de greve, ao processar criminalmente 9 deles pela greve de 2010, é a mesma reitoria que ataca os estudantes. Ataca também mulheres, jovens, pobres e negros que são diariamente explorados pela terceirização, que lhes impõe a vil precarização da vida! Uma universidade onde os trabalhadores só possuem espaço para ocupar precárias condições de trabalho!
Expressão disso ocorreu ha pouco tempo quando os trabalhadores terceirizados do bandejão também paralisaram contra as péssimas condições de trabalho às quais estão submetidos. Isso mostra a real necessidade da efetivação, sem concurso público, desses trabalhadores, e da necessidade de que os trabalhadores efetivos junto ao Sindicato dos trabalhadores da Unicamp tomem para si essa luta, que significa lutar pela unidade dos trabalhadores, a exemplo das lutas que tem travado o SINTUSP!
Exigimos por isso em primeiro lugar o imediato atendimento por parte da reitoria da reivindicação da isonomia salarial, sem que isso seja um ataque futuro, como fizeram na USP, oferecendo um plano de carreira que implementava uma série de ataques contra os trabalhadores,  como os que vimos na UNICAMP com G34, estágio probatório e uma série de manobras no sentido de abrir espaço para perseguições, assédio moral e repressão. Não deixaremos passar nenhum ataque e repressão que possa vir contra a greve que está em curso! Em defesa de uma real aliança operário-estudantil, contra as punições, pela isonomia salarial já, e pela efetivação sem concurso público dos terceirizados! Infelizmente na assembléia geral dos estudantes o PSOL (do DCE) e PSTU não tiveram acordo em construir imediatamente um comitê em solidariedade aos trabalhadores! Mas nós vamos continuar dialogando com todos estudantes e com todos os CAs a necessidade de um comitê para organizar nossa solidariedade ativa aos trabalhadores e aumentar a mobilização, discutindo em assembléias nos institutos a possibilidade de paralisar nossas aulas, com alguns indicativos de greve, para colocar todas as nossas forças a serviço dos trabalhadores. ÀS RUAS!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Diante das eleições do DCE UFRJ: Não vote nas chapas que estão ao lado do governo e da reitoria!

Boletim especial Juventude às Ruas | UFRJ | out 2011


Nós estudantes da UFRJ vivenciamos nesse semestre um processo de mobilização por demandas importantes de assistência estudantil, tais como a ampliação e construção de bandejões, aumento do valor e números de bolsas estudantis, mais vagas no alojamento, creches e entre vários outros. Foi também neste semestre que vários processos de lutas estudantis que ocuparam reitorias nas universidades pelo país para conquistar suas pautas mostrando que não mais aceitaram a herança de precarização do Governo Lula, continuada por Dilma com o Reuni. É preciso dizer que o REUNI por prever uma importante expansão de vagas, porém sem o necessário aumento de verbas para garantir estrutura física, qualidade no ensino, contratação de professores e trabalhadores efetivos nas universidades, é um dos fatores responsáveis da precarização da educação pública: precarizando nossos currículos, dividindo bacharelados e licenciatura, aprofundando na precarização dos trabalhadores e avançando em precarizar o trabalho docente; criação de cursos pagos dentro da universidade, não destinando verbas necessárias para garantir assistência estudantil (bolsas, bandejão de qualidade e sem trabalho semi-escravo, ampliação do acervo da biblioteca e extensão de seu funcionamento, alojamento para todos).

Em meio a esse cenário na UFRJ entramos num momento de eleições para o DCE e se faz fundamental debatermos os programas e as práticas políticas propostas pelas chapas que estão na disputa. Para limpar os campos é fundamental dizer que a UFRJ precisa de um DCE que seja representado por uma chapa de luta, com um programa político anti-governista, pró operário e anti imperialista, independente do governo e da Reitoria.

O contrário disso vemos na Chapa 1 “Mãos a obra” que se diz independente em seus materiais e em meio ao descontentamento da juventude aos partidos políticos da burguesia e da “ordem”, omitem o fato de que são integrantes do mesmo partido do governo Dilma, sendo composta por integrantes do PC do B – UJS e do PT (que compõem a direção majoritária da UNE). Essa chapa é o braço do governo no movimento estudantil defendendo um projeto elitista de educação que mantém a universidade pública restrita a uma pequena parcela da juventude enquanto põe milhões de reais nas mãos dos monopólios da educação como é a política de compra de vagas nas universidades com o PROUNI.

Essa chapa é a mesma que foi a linha de frente desde o início ao lado do governo Lula na implementação do REUNI nas Universidades Federais em 2007, contra milhares de estudantes que se enfrentavam com o governo e reitoria com ocupações e greves para barrar esta ataque que aprofundou a precarização da educação. É preciso frisar que ainda hoje as correntes dessa chapa defendem com “democratização da educação” o REUNI, PROUNI e NOVO ENEM.

Neste semestre na UFRJ, os servidores técnicos fizeram uma greve de mais de cem dias, os professores do estado ficaram em greve e acampados por quase dois meses, os operários da construção civil do Maracanã entraram em greve contra as péssimas condições de salário. Nas últimas semanas os trabalhadores dos Correios fizeram uma brava greve por melhores salários, tendo que impor a continuidade da greve por cima da burocracia sindical (a mesma da UNE, e não por coincidência PCdoB e PT) que trai os trabalhadores em nome da aliança com o governo em troca de migalhas. Além disso, essa categoria vem sendo fortemente atacada por Dilma com a MP 532 que abre a empresa estatal para a privatização, e consequentemente, para empregos cada vez mais precários e condições de trabalho cada vez piores. É por todos esses ataques de Lula e Dilma contra a juventude e a classe trabalhadora que devemos nos colocar de forma intransigente contra as chapas atreladas aos governos e à Reitoria, e lutar por um outro projeto de universidade.

A chapa 3 “Correnteza”, que quase nada difere da chapa 1 e que também se coloca como oposição ao DCE, se diz independente, mas a sua proposta de diálogo às “propostas” da reitoria, demonstram de qual lado realmente estão. Assumem que fizeram campanha em defesa do atual Reitor como se isso nada significasse, mas escondem um importante elemento: todos sabemos que em todas as universidades federais os reitores são escolhidos a dedo por ninguém menos que a presidente e o Ministério da Educação! Isso significa que o projeto implantado nas universidades, e também na UFRJ, não será o projeto que a juventude e os trabalhadores querem e necessitam.

Não podemos confiar numa chapa que marcadamente chamou apoio ao atual Reitor nas últimas eleições! Para arrancar nossas conquistas precisamos de um movimento estudantil independente e combativo, que questione a estrutura arcaica e antidemocrática da universidade, onde as decisões que interferem diariamente a vida dos milhares de estudantes não são tomadas pelos mesmos e nem pelos trabalhadores, mas sim por uma excludente burocracia acadêmica em espaços também nada democráticos como o Consuni. Não podemos ter qualquer tipo de ilusão nessa burocracia! Só a luta dos estudantes aliada à classe trabalhadora é capaz de transformar essa universidade elitista, machista, racista e homofóbica, que reflete as mesmas contradições da sociedade de classes em que estamos inseridos.

A juventude do mundo em luta não vai pagar pela crise da burguesia!

Ao longo desse ano, pudemos ver no cenário internacional a juventude como linha de frente na derrubada de ditaduras sanguinárias na Primavera Árabe, que segue aberta com as crescentes mobilizações da população no Egito contra a Junta Militar que mantém o regime ditatorial, com os indignados na Espanha, com a juventude que combate a polícia contra os planos de austeridade da crise Grega, assim como em Portugal e agora também na Colômbia e nos EUA, com o movimento Occupy Wall Street, questionando como a crise no sistema financeiro vem sendo despejada nas costas da população no mundo todo.

No Chile há mais de 4 meses também vemos a importante mobilização dos estudantes em luta por uma educação gratuita e de qualidade para todos, questionando os pilares da ditadura pinochetista que mantém a educação privatizada a serviço do lucro e reprime fortemente os lutadores. O governo assassino de Piñera, que junto à polícia tiraram a vida do estudante Manuel Gutiérrez em uma das manifestações em agosto, cria agora a Lei de Segurança Nacional, que significa um brutal ataque aos estudantes, dos quais podem ser presos por até 3 anos ao ocuparem universidades, escolas ou simplesmente “atrapalhar o trânsito durante os protestos”! Temos que reivindicar o espírito combativo dos nossos irmãos chilenos, que além de lutar contra Piñera e a polícia, também lutam contra a burocracia estudantil representada pelo PC, suas figuras públicas como Camila Vallejo, e a Concertación, que negociam migalhas com o governo pelas costas dos estudantes! Assim como no Brasil, só através da auto-organização desde as bases do movimento assim como sua independência dos governos e dos patrões, e através da aliança dos estudantes com os trabalhadores em luta no país, haverá vitória. Há pouco mais de um mês, Camila Vallejo veio ao Brasil marchar com a UNE e sentar-se com Dilma, dizendo o grande absurdo de que o Brasil e seu modelo de educação são grandes exemplos para os estudantes chilenos!

Queremos gritar com todas as forças que a UNE, o governo e os parlamentares do Brasil não são exemplo para os setores em luta! Para nós a combatividade dos estudantes chilenos e sua dura luta é que são exemplo para toda a América Latina!

Precisamos de um DCE de luta e construído pela base que questione a universidade elitista e racista! 
Por isso diante da necessidade de combater o governo e a reitoria chamamos a votar criticamente nas chapas 2 e 4...

Para derrotar as chapas governista e da reitoria chamamos a votar criticamente nas chapas da esquerda anti-governista, a Chapa 2 “Não temos tempo a perder” (Pstu, Psol e independentes) e a Chapa 4 “Quem vem com tudo não Cansa” (Coletivo Marxista e independentes), forças políticas que junto à setores de independentes compõem parte importante do movimento estudantil na UFRJ.

Apesar de todas as diferenças de práticas política e programa, achamos que os estudantes têm que escolher, apoiar e votar nas chapas anti-governistas, independentes e de esquerda, e que as Chapas 2 e 4 representam essa posição e por isso muitas vezes lutamos lado a lado, ainda que esta não represente na prática, programa e estratégia a alternativa que acreditamos ser necessária para construir um DCE pela base com a realização de assembléias gerais da UFRJ amplamente divulgadas e construídas em cada sala de aula, curso, unidade, e que seja aliado aos trabalhadores em suas lutas.

Precisamos de um DCE se coloque numa perspectiva de se aliar com trabalhadores, que defenda uma educação gratuita de qualidade e para todos, pelo fim do vestibular e pelo livre acesso, pelo fim dos monopólios privados da educação, pois a maioria da juventude permanece alijada da universidade gratuita e relegada ao ensino pago dos monopólios privados da educação.

Um DCE que seja porta voz das demandas da população dentro e fora da universidade, denunciando e lutando contra a precarização da vida, que mantém a maioria da população a base de salários precários, saúde miserável, custo de vida caro, educação precária, transportes caros, sem acesso a cultura, lazer e esportes, além da repressão policial que militariza a vidas das pessoas nos morros e favelas, criminalizando a pobreza e naturalizando o assassinato constante da juventude negra e pobre. Que seja linha de frente no combate as opressões, ao machismo, a homofobia, ao racismo e contra a ingerência da Igreja e do Estado sobre nossos corpos e nossa vida. Que se alie a classe trabalhadora em cada luta, cada batalha para golpear esse sistema de miséria e opressão. Que coloque o potencial que a juventude e o movimento estudantil tem historicamente de mudar a história para fazer diferença na luta de classes. Não vamos nos contentar com aquilo que julgamos possível, mas iremos lutar de forma intransigente por tudo aquilo que julgamos necessário!

As eleições são um momento de politização, mas muitas vezes na corrida necessária para disputar os votos se acaba perdendo o importante de tudo: a necessidade de refletir e tomar medida em nossa organização para conquistar nossas demandas, como nos organizar e ampliar o movimento para vencer em nossa batalha contra a privatização da universidade, contra a perpetuação de uma universidade elitista e racista onde os negros tem pouquíssimo acesso nas salas de aulas como estudantes mas tem uma cota de 100% para limpar o chão como trabalhadores terceirizados. Como lutar para vencer o projeto do governo Lula perpetuado por Dilma, de precarizar a qualidade da educação, dividindo os cursos entre licenciatura e bacharelado, ou seja, dividindo desde a formação dos que vão pensar e dos que vão reproduzir o já pensado. Por isso, chamamos a votar nas chapas 2 e 4, porém para que nosso movimento avance acreditamos ser necessário fazer uma avaliação da prática política dessas chapas nos últimos anos e as limitações de seu programa.

A Chapa 2 “Não temos tempo a perder” (Pstu, Psol e independentes) está quase quatro anos à frente do DCE da UFRJ e presente nas lutas do movimento estudantil, porém, a pressão de ocupar a entidade, acaba sendo um fim em si mesmo e deixando muito aquém o papel que a entidade poderia cumprir não só na luta dos estudantes, mas em defesa dos trabalhadores que lutam. Todos esses processos de luta em curso dos trabalhadores e estudantes e nenhum peso dessas correntes, para colocar toda a força da juventude para unificar as lutas junto aos trabalhadores. É histórico o papel que o ME pode cumprir e é fato que a dinâmica de todas as greves que presenciamos nesse último período, em especial a dos Correios e Bancários poderia ter expressado uma aliança na luta inspirando estudantes a trabalhadores a verem a forataleça de lutarmos juntos, porém a esquerda do ME não empenhou suas forças nisso de maneira ativa mas apenas formalmente por meio de declarações e representantes.

É necessário forjarmos uma nova tradição no Movimento Estudantil, que seja capaz de unificar e coordenar as lutas em curso, como poderia ter sido durante as lutas que ocorreram simultaneamente na UFF, UERJ e UFRJ e que sequer um ato unificado foi chamado, mantendo-as isoladas em si. Colocam que a unificação dessas lutas é a campanha pelo 10% do PIB para a educação e pela construção de um plesbicito nacional, sem se delimitar do que até Haddad fala em defesa de mais verba para educação. O problema da educação no Brasil não é só falta de verbas, mas sim um projeto de país, que cresce em meio a trabalhos precários e terceirizados, que atinge a maioria da juventude que paga para estudar. A juventude precisa de livre acesso às universidades, fim do vestibular e Enem, e isso passa pelo derrubada dos monopólios da educação, pelo fim dos cursos pagos nas universidades e, sobretudo pela auto organização dos estudantes, trabalhadores e professores, para colocar as escolas e universidades em suas mãos a serviço dos seus interesses e não na mão da burguesia.

Neste cenário a eleição toma conta do discurso e da prática e não sobra lugar para as tarefas da realidade. Essa corrida desenfreada pelas eleições engoliu a luta em curso por permanência estudantil, que teve importantes conquistas, sobretudo a promessa da reitoria de construção de bandejões na Praia Vermelha e unidades isoladas e ampliação para o período noturno. Após a negociação no Consuni, saíram cantando vitória sem estabelecer ali uma assembleia que se discutisse os rumos do movimento. Depois que se abriu o processo eleitoral não se ouviu uma palavra sobre o resto da pauta a ser conquistada com bandejão sem terceirização, que devia ser uma pauta de luta intransigente contra esse sistema que escraviza e divide os trabalhadores, pelo aumento de 50% das bolsas e com piso do salário mínimo.

Essas duas chapas deveriam de um método democrático de construção do DCE, que organizem desde as bases dos cursos e unidades assembleias para fortalecer nossa organização e espaços democráticos de discussão, onde o conjunto dos estudantes possam se organizar e opinar e não ficar 4 anos sem assembleias como foi característica da última gestão (atual Chapa 2). Além disso, a auto-proclamação da Chapa 2 como “a chapa da esquerda unificada”, além de ignorar que existem outras organizações de esquerda na UFRJ, e em nome de um consenso artificial (pois na prática os companheiros do PSTU e do PSOL não atuam juntos nem com a mesma política) e ignoram a real perspectiva, pela qual lutamos, do que tem que ser fato a unificação nas lutas: a unificação pela base, a unidade na ação pautada nas decisões das assembléias, com programas claros e disputas políticas que sejam debatidas amplamente.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

COMITÊ ESTUDANTIL EM SOLIDARIEDADE A GREVE DOS TRABALHADORES DA UNICAMP

No último dia 18, os trabalhadores da Unicamp decidiram que não mais aceitariam a quebra da isonomia salarial - deliberada pelo Cruesp em 2010 e implementada pela reitoria - e deflagraram uma greve por tempo indeterminado, exigindo que os salários e benefícios entre os trabalhadores das estaduais paulistas voltem a ser equiparados. Nós, da Juventude às Ruas, nos colocamos desde o primeiro momento ao lado desses trabalhadores em greve, travando junto a eles essa batalha, nos solidarizando com essa luta pela isonomia que, mais do que justa, vem acompanhada de uma luta contra a repressão aos lutadores, pelo direito de greve, de lutar por seus direitos. 

Todos esses ataques não são isolados à reitoria da Unicamp. A Usp, por exemplo, nesse exato momento se depara com o PROADE, projeto semelhante ao estágio probatório da Unicamp (no qual os funcionários recém contratados devem passar por constantes avaliações podendo ser demitidos se não se adequarem às linhas mercadológicas dessas). Ambas Universidades fazem parte de um projeto de educação que está hoje colocado para nós, projeto este de uma universidade elitista que além de quebrar a isonomia salarial dos trabalhadores, os divide entre efetivos e terceirizados; que persegue politicamente e reprime estudantes e trabalhadores que se colocam em luta; que está a serviço não da grande maioria da população, mas sim de uma ínfima minoria, a burguesia detentora do capital, que decide para onde vai todo o conhecimento produzido por esses “centros de excelência”; que impede, utilizando o vestibular, a juventude pobre e negra de estar dentro da universidade para estudar. Queremos que essa universidade que funciona por dentro deste projeto venha abaixo!

A reitoria que ataca os trabalhadores, é a mesma reitoria que ataca os estudantes, ao não permitir a permanência dos mesmos na Universidade, devido a falta de moradia, e ainda processa administrativamente os que lutam por esse direito. Ataca também mulheres, jovens, pobres e negros que são diariamente explorados pela terceirização, que lhes impõe a vil precarização da vida!A reitoria que ataca os trabalhadores, é a mesma reitoria que ataca os estudantes, ao não permitir a permanência dos mesmos na Universidade, devido a falta de moradia, e ainda processa administrativamente os que lutam por esse direito. Ataca também mulheres, jovens, pobres e negros que são diariamente explorados pela terceirização, que lhes impõe a vil precarização da vida!

Essa luta por um outro projeto de Universidade deve ser uma só, travada com aliança entre os trabalhadores e os estudantes, para a construção de uma Universidade aberta, sem vestibular, para que toda a população tenha acesso a uma educação de qualidade, sem terceirização. Reivindicamos a isonomia salarial para todos os trabalhadores, com efetivação imediata dos terceirizados.

Neste sentido convidamos todos os estudantes dispostos a prestar solidariedade ativa à luta dos trabalhadores da Unicamp a compor um comitê de apoio à greve!

Primeira reunião: TERÇA-FEIRA (25 de outubro) às 12h00 no Cach.

Rodas: “persona non grata” da repressão e precarização da universidade!

Nas últimas semanas, a USP voltou a ocupar as páginas dos jornais depois que a Faculdade de Direito declarou o REItor Rodas “persona non grata”.Por trás dessa rixa em que diferentes alas da burocracia acadêmica trocam acusações sobre quem destruiu mais a biblioteca e a faculdade, quem levou mais tapetes orientais para seu gabinete, ou da polêmica sobre o Clube das Arcadas, um empreendimento milionário em parceria com estado e empresas, em que até o Centro Acadêmico XI de Agosto está envolvido, está o fato de que, nesse momento, a reitoria prepara um ataque estratégico contra a universidade, que combina privatização, precarização e repressão política.
Primeiro, Rodas precisava impor a presença da polícia no campus. Se utilizou da morte de um estudante da FEA, instaurando um clima de medo junto à mídia. A PM que protagoniza um massacre ao povo negro nas periferias não traz segurança, e sim repressão, como vimos em 2009, quando tentou dissolver uma greve com bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula. A PM hoje faz rondas ostensivas nas ruas e dentro das unidades, aborda e revista trabalhadores e estudantes, e já prendeu estudantes em frente ao espaço estudantil da Poli!
Como parte da repressão ao movimento, Rodas pretende destruir de uma vez por todas o Sintusp, um polo fundamental da resistência a seu projeto elitista e racista de universidade, e expulsar estudantes que estiveram nas lutas. Depois da demissão inconstitucional de Brandão em 2008 por apoiar as lutas dos trabalhadores terceirizados, hoje lança mão de um processo que indica a demissão por justa causa de 4 diretores do Sintusp e duas ativistas! E também a “eliminação” definitiva do estudante Rafael da universidade – já expulso do CRUSP com a ajuda da PM -, por ter participado de mobilizações dos trabalhadores e por permanência estudantil, vagas para todos no Crusp e contra a vigilância policialesca da Coseas. O processo se baseia em um decreto do regimento da universidade datado de 1972, ou seja, que hoje é resgatado das entranhas da Ditadura Militar. Não surpreende que na USP se queira erguer um monumento aos cassados da “Revolução” de 64! 
“Como o PROADE ainda não passou, estamos usando as portarias anteriores...o PROADE é ainda pior do que as portarias” –Waldyr Jorge, Coordenador da COSEAS
Parte do “projeto Rodas” já começa a se implementar. 3 funcionários da Coseas foram demitidos sem “justa causa” nos últimos dias; as demissões ocorrem por reclamações contra as condições degradantes de trabalho nos restaurantes, em base a portarias internas, buscando naturalizar essa prática, que será aprofundada com o PROADE, Programa de Acompanhamento do Desempenho Funcional, que institucionaliza o assédio, a perseguição e as demissões. 
Lembram que em 2010 foi votado o aumento em 85% da verba voltada à terceirização, que já escraviza 4000 trabalhadores na USP? E reduzida a parcela orçamentária para pagamento de funcionários em 10%? Para terceirizar, é preciso demitir. E sabemos que com essas demissões perdemos também qualidade no ensino e no próprio funcionamento da universidade. A precarização do trabalho e do ensino são um processo único, de privatização da universidade.
A USP sobe no ranking da privatização
É com base nesse tipo de trabalho e de repressão que Rodas, o Conselho Universitário e o governo estadual do PSDB alcançaram a excelência dos rankings internacionais tão alardeados pela mídia nos últimos dias. São rankings baseados em critérios produtivistas, que medem a mercantilização da universidade. A USP está é subindo no ranking de policiamento, repressão política, acidentes de trabalho, precarização do ensino e semiescravidão!
O Movimento Estudantil tem um papel a cumprir!
Neste ano houve uma prova de fogo para o ME da USP: a greve das trabalhadoras terceirizadas da União. Essa luta partiu da demanda elementar pelo pagamento de salários atrasados e passou a exigir a efetivação, sem concurso público. Escancarou como a universidade de excelência, tal como o suposto “Brasil Potência” de Jirau, é sustentada por trabalho semiescravo. Abalou a reitoria e seu projeto, e foi um grande apoio para a defesa da universidade contra a privatização e a precarização. Não só impôs à reitoria que passasse por cima de decisão recente do STF, pagando os salários, mas estabeleceu uma situação em que outros terceirizados conquistam suas reivindicações com menos de um dia de paralisação, e reintegram um demitido, mesmo em período de experiência, com a mera ameaça de greve! Em lugar nenhum do país se vê nada parecido!
Esse é o critério central para um balanço de qualquer gestão: que linha política teve diante dessa luta? E, infelizmente, no caso da maioria das entidades estudantis, em particular o DCE, cuja gestão é integrada pelo PSOL, a resposta a essa pergunta é "nenhuma". Não somente nessa questão, mas frente à perseguição de estudantes no CRUSP, às demissões, à PM, a gestão do DCE, que propagandeia sua inserção e amplitude, não colocou essas forças a serviço de nenhum combate coma reitoria. Infelizmente, o ME dá muito menos peso a essa luta real contra a semiescravidão do que a suas campanhas e calendários. E não se trata simplesmente de uma questão de balanço: a crise que avança mundialmente nem bem chega ao Brasil e vemos um novo ativismo operário, com importantes greves nacionais, a que o governo Dilma/PT responde com duros ataques ao direito de greve, como parte de sua agenda de ataques às condições de vida do povo.
Para a nova situação que se abre no mundo, e tendencialmente no Brasil, precisamos também de um novo movimento estudantil, que se ligue profundamente a esses processos, em luta contra o governo, ligue suas bandeiras e demandas às da classe trabalhadora, unifique e radicalize suas lutas.
Por uma grande campanha contra a repressão política e a precarização da universidade!
A tarefa imediata de uma juventude que se coloque nessa perspectiva é pôr em pé imediatamente uma grande campanha em unidade contra a repressão e a precarização!
Fora PM! Revogação dos processos a estudantes, trabalhadores e ao Sintusp! Pelo fim da terceirização, com efetivação sem concurso! Abaixo o PROADE! Abaixo a reforma universitária e a precarização do ensino! Pela dissolução do Conselho Universitário, por uma assembleia estatuinte livre e soberana!
Nas eleições, unificar a esquerda em chapas de combate ao projeto de Rodas!
Aproximam-se as eleições para DCE e Centros Acadêmicos, e há boas chances de que sejam um obstáculo a essa campanha, com cada grupo buscando votos e autoconstrução por fora dessa tarefa urgente.
Nós, da Juventude Às Ruas, queremos que seja diferente. Consideramos os pontos de programa acima como um critério claro, a partir do qual fazemos um chamado a todos os estudantes independentes, aos lutadores do CRUSP que se enfrentam com a repressão da reitoria, coletivos que estão conformando chapas para as diferentes eleições, a discutir a unificação do movimento estudantil combativo em chapas de combate a esse projeto. Chamamos inclusive os setores ligados ao PSOL que estejam dispostos a romper com a linha política que mencionamos acima, e o PSTU, com quem impulsionamos conjuntamente a construção da ANEL, e ainda que tenhamos diferenças importantes, que seguiremos debatendo, acreditamos que não devem ser um obstáculo para discutir a conformação de chapas unificadas, pois consideramos que aqueles que estiverem dispostos a lutar por esses pontos não devem estar em uma disputa despolitizada, mas sim construindo uma grande campanha política, que se expresse também em uma campanha eleitoral militante contra a reitoria!

Transformar a indignação em um verdadeiro combate à burguesia e seus governos! É preciso se levantar!

A juventude tem um papel histórico a cumprir. Vigiada e punida, privada de educação de qualidade, cultura, arte, relegada aos piores empregos, sem poder exercer livremente sua sexualidade, a juventude, lutando contra tudo isso, pode ser a linha de frente da subversão da moral e da ordem imposta pela burguesia e seus governos.

Mundo afora, a juventude toma as ruas, se enfrentando com a polícia, para arrancar seu direito ao futuro, cada vez mais ameaçado pela crise. É preciso aprender com esses exemplos. O 15-O nasceu por iniciativa do movimento 15-M espanhol, cuja estratégia foi ocupar praças indefinidamente e resistir pacificamente à repressão policial. Os limites disso já começam a ficar claros.
Nesse momento, em que a crise mal chega ao Brasil e já não se vê a mesma estabilidade econômica, política e social dos anos anteriores, e o país é atravessado por greves operárias e um novo ativismo, a juventude precisa reconhecer claramente seus inimigos e seus aliados na luta pelo futuro. Somente em aliança com a classe trabalhadora, produtora de tudo, de modo independente de qualquer setor da burguesia ou de seu Estado, será possível derrubar essa ordem de miséria. Por isso nossa primeira tarefa é ligar nossas bandeiras e demandas às dos trabalhadores em luta, retomando seus métodos de greves e piquetes, fundir nossa mobilização com as greves em curso, como dos trabalhadores dos bancos e dos correios, cuja greve, duramente atacada pelo governo Dilma, acaba de ser encerrada por uma articulação entre o TST e a burocracia sindical do PT/PCdoB, polícia dos patrões no movimento operário.

Por uma educação a serviço da classe trabalhadora!

Um dos centros do 15-O é a reivindicação 10% do PIB para a educação. A educação está em situação de calamidade, e precisa de mais verbas. Mas não à toa os empresários do ensino também reivindicam 10% do PIB parta a educação; sabem que com o modelo atual esse dinheiro vai direto para seus cofres, através de programas com que o governo faz demagogia, como o PROUNI. Por isso, a luta por 10% do PIB para a educação precisa estar ligada à luta pelo livre acesso/fim do vestibular e pela estatização do ensino privado, pelo fim da repressão política e policial que as reitorias impõem a estudantes, trabalhadores e seus sindicatos, por uma educação sem trabalho terceirizados, que os trabalhadores terceirizados sejam incorporados sem concurso público ao quadro de efetivos, pela democratização radical das escolas e do controle sobre a produção de conhecimento nas universidades. Ou seja, ao questionamento de seu conteúdo de classe para que a educação possa ser colocada a serviço dos trabalhadores e da população.

É possível acabar com a corrupção e conquistar uma democracia real nesse sistema?
O governo Dilma se afoga nos escândalos de corrupção e desvios de dinheiro público. Ao mesmo tempo, quem mais capitaliza a luta contra a corrupção hoje é a oposição burguesa do PSDB/DEM. Isso é consequência do fato de que não é possível “limpar” as instituições dessa “democracia” degradada, pois elas próprias são podres, estão a serviço de manter os lucros da burguesia e a miséria da população. Os maiores roubos são legalizados, com a transferência de quase metade do PIB para 10 ou 15 mil grandes investidores que recebem os juros da dívida pública, enquanto as migalhas do governo para milhões de famílias pobres que sustentam essa riqueza com seu sangue não representam um vigésimo desse valor, e são propagandeadas como o “fim da miséria”. Não existe democracia real sob a ditadura do capital!

Brasil: ilusão de prosperidade enquanto continua a super-exploração, a miséria e repressão
Ainda que não tenha estourado grandes lutas de classe como vemos internacionalmente, já surgem algumas rachaduras sob as bases de sustentação do governo Lula/Dilma fundamentado no trabalho precário e que anuncia aos quatro ventos seu plano de cortes bilionários no orçamento dos gastos públicos e avanço das privatizações, como os aeroportos e correios. Para isto o governo Dilma foi duro e atacou os trabalhadores dos correios, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal cortando o ponto dos grevistas e ameaçando demissões.

Outra parte desta mesma realidade é a crescente repressão que enfrentam os trabalhadores, sobretudo a juventude. Em nome de um combate ao tráfico – para nós todas as drogas deveriam ser legalizadas – está se militarizando todo o Rio de Janeiro. As UPPs não são um ganho de cidadania. São as botas e armas da polícia cotidianamente reprimindo as festas, as reuniões, impedindo o povo de se organizar ou mesmo de se divertir. É preciso dar uma basta! Por isso a discussão que está colocada é: quais tarefas e qual deve ser a estratégia da juventude nesse novo momento histórico? Neste último mês vários setores saíram em greve, metalúrgicos, bancários, professores, correios tendo que se enfrentar tanto com a política de privatização e precarização do trabalho, como contra as burocracias sindicais, que são verdadeiros policiais dentro da classe operária, cumprindo o único papel de derrotar as greves e passar as políticas dos patrões e governo, sendo esses mesmos ataques que estão na vida da juventude sem emprego, sem uma educação de qualidade, “sem futuro”. Nesse marco, a luta da juventude deve ser em aliança com os trabalhadores, com independência da burocracia, patrões e governo, para de fato construir uma luta unificada contra um projeto de pais que só aprofunda a precariedade da vida!

Por uma juventude revolucionária!
Para impedir que se descarregue sobre nossas costas a crise dos capitalistas, que começa a bater as portas de um Brasil sustentado pela concentração de terras, pelo trabalho precário e terceirizado e pelo capital estrangeiro, é preciso forjar uma juventude que se alie à classe trabalhadora e aos setores mais oprimidos da população, enfrente o aparato repressivo do estado, se organizando com independência de classe, pois só assim arrancaremos nosso direito ao futuro!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

GREVE DE TRABALHADORES NA UNICAMP!


A luta pela isonomia é também contra a repressão e pela  efetivação dos terceirizados!  

Isonomia salarial: direito de receber o mesmo salário, pelo mesmo serviço, tendo o mesmo empregador. Ou, para as reitorias das Universidades Estaduais Paulistas: termo sem nenhum sig­nificado.
No último dia 18, os trabalhadores da Unicamp decidiram que não mais aceitariam esse ataque da reitoria, e deflagraram uma greve por tempo indeterminado, exigindo que a isonomia salarial entre a USP, Unicamp e UNESP seja retomada, tendo como base o salário dos trabalha­dores da USP. Nós, da Juventude às Ruas, nos colocamos desde o primeiro momento ao lado desses trabalhadores em greve, travando junto a eles essa batalha, nos solidarizando com essa luta pela isonomia que, mais do que justa, vem acompanhada de uma luta contra a repressão aos luta­dores, pelo direito de greve (que vem sendo minado a nível federal, vide a greve dos Correios), de lutar por seus direitos. Em seu primeiro dia de greve, os trabalhadores que aderiram à mesma se mostraram cheios de força e ânimo para lutar e convencer os outros trabalhadores que continu­aram em seus postos. Estivemos junto a esses lutadores prestando solidariedade ativa a essa greve, com cartazes de apoio e falas que mostravam que essa luta deve ser uma só, travada com alian­ça entre os trabalhadores e os estudantes, pois sabemos que a reitoria que ataca os salários dos trabalhadores e ataca também seu direito de greve, ao processar criminalmente 9 deles pela greve de 2010, é a mesma reitoria que ataca os estudantes, ao não permitir a permanência dos mesmos na Universidade, devido a falta de moradia, e ainda processa administrativamente os que lutam por esse direito. Ataca também mulheres, jovens, pobres e negros que são diariamente explorados pela terceirização, que lhes impõe a vil precarização da vida!
No mês de setembro, os trabalhadores terceirizados do bandejão também paralisaram contra as péssimas condições de trabalho às quais estão submetidos. Isso mostra a real necessidade da efetiva­ção, sem concurso público, desses trabalhadores, e da necessidade de que os trabalhadores efetivos junto ao STU tomem para si essa luta, que significa lutar pela unidade dos trabalhadores!
Todos esses ataques não são isolados à reitoria da Unicamp. Fazem parte de um projeto de Universidade que está hoje colocado para nós, projeto este de uma universidade elitista que quebra a isonomia salarial dos trabalhadores e os divide entre efetivos e terceirizados; que persegue politicamente e reprime estudantes e trabalhadores que se colocam em luta; que está a serviço não da grande maioria da população, mas sim de uma ínfima minoria, a burguesa detentora do capi­tal, que decide para onde vai todo o conhecimento produzido por esses “centros de excelência”; que impede, utilizando o vestibular, a juventude pobre e negra de estar dentro da universidade para estudar, permitindo a apenas alguns poucos jovens brancos de classe média fazer parte dessa elite intelectual; ou seja, é o projeto de uma universidade que serve apenas aos lucros dos grandes, da burguesia, e que cresce em base ao esmagamento da maioria, da juventude, dos trabalhadores. Queremos que essa universidade que funciona por dentro deste projeto venha abaixo!

Não deixaremos passar nenhum ataque e repressão que possa vir contra a greve que está em curso! Em defesa de uma real aliança operário-estudantil, contra as punições, pela isonomia salarial já, e pela efetivação sem concurso público dos terceirizados! Viva a greve dos trabalhadores da Unicamp! Juventude, estudantes e trabalhadores: ÀS RUAS!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

SURGE A JUVENTUDE ÀS RUAS!

Mais de 150 jovens estudantes e trabalhadores estiveram presentes no dia 9 de outubro na Plenária de lançamento da Juventude As Ruas, composta por militantes da LER-QI e estudantes independentes de diversas universidades de SP, RJ e MG.

Frente aos novos tempos que se abrem marcados pelo avanço da crise capitalista e o desenvolvimento de fenômenos da luta de classes no cenário internacional, somado com incipientes mobilizações de trabalhadores e estudantes na conjuntura nacional, foi colocado o desafio de forjar uma alternativa revolucionária para preparar a juventude a uma nova etapa histórica que começa a se desenvolver, em que a fase de ataques do neoliberalismo, com precarização do trabalho e superexploração, começam a ser questionados pelas mobilizações dos trabalhadores e a juventude, do Oriente Médio à Europa, e também na América Latina, marcada pela luta recente do movimento estudantil chileno. Estes são processos que reafirmam e reatualizam a época de “crises, guerras e revoluções”.

André Bof da USP abriu a atividade expressando o papel estratégico que a juventude tem a cumprir na sua aliança com os trabalhadores a partir das principais greves em curso como em Bancários e nos Correios. Reafirmou a necessidade da juventude questionar o projeto de Brasil “Potência” constituido pelo Lulismo e o Petismo no último período, que segue com Dilma, evidenciando-se cada vez mais que sua estrutura se fundamentado ao trabalho precário, a repressão do Estado e sua polícia ao povo negro, o ataque as questões democráticas e a manutenção de uma universidade para atender os interesses dos monopólios e dos grandes capitalistas.

No mesmo sentido Ana Carolina do RJ complementou: “O Movimento Estudantil cumpre um papel determinante na luta de classes, ao passo que se ligue a setores amplos da juventude e dos trabalhadores”, mostrando que a aliança operária-estudantil pode fazer com que os bancários e ecetistas vençam o governo Dilma, superando os entraves postos pela burocracia sindical. Ana Carolina também denunciou o papel da UNE como uma burocracia estudantil incapaz de forjar uma aliança com os trabalhadores, que revelou-se totalmente na recente vinda de Camila Valejo do PC Chileno ao Brasil como parte de um plano para fazer com que as intensas mobilizações estudantis que se desenvolveram no Chile nos últimos meses retrocedam. Além disso, demonstrou como faltou articulação para unificar o recente processo de mobilizações nas Universidades Federais por parte da esquerda, onde tanto o PSOL quanto o PSTU que estão na direção de várias entidades foram incapazes de ao menos chamar um Ato que unificasse as lutas.

Ainda na abertura, falaram os bancários em greve do Movimento 7 de abril que saudaram o agitado plenário e reivindicaram o papel que a Juventude as Ruas vem cumprindo na conformação de uma aliança dos estudantes com os trabalhadores em greve. Expressando-se na seguinte fala de Marco, jovem bancário: “Meu colega disse que é a primeira vez que ele faz greve e nunca tinha visto algo como vê com o pessoal aqui. Eu digo que já fiz greve, três vezes e também nunca tinha visto nada parecido". Pablito, Diretor do SINTUSP e dirigente da LER-QI, também fez uma intervenção retratando o novo momento que passa a categoria de trabalhadores da USP a partir do novo ataque da Reitoria, o PROADE, que mesmo não concretizado já impulsiona uma série de demissões de funcionários em vários setores, para além da abertura de processo administrativo que pede a demissão por justa causa de vários integrantes do Sindicato, como o próprio Pablito.

Julia da USP encerrou a primeira parte da plenária reivindicando que a partir da aliança com os trabalhadores, e a defesa incondicional de sua independência política, a juventude deve ter uma luta intransigente em relação a todas as questões democráticas. Em sua fala disse que o machismo e a homofobia também são formas que a burguesia usa para dividir as fileiras da classe operária, e que é tarefa da juventude lutar contra a ingerência do Estado nos seus corpos e mentes, defendendo o aborto seguro, legal e gratuito e a liberdade sexual.

A segunda parte da Plenária foi aberta a partir de contribuições escritas por estudantes da FSA, da UFRJ e da PUC-SP. O debate se desenvolveu de forma bastante profunda acerca de diversos temas que se colocam para juventude como a legalização das drogas, o combate a indústria cultural, a ditadura da beleza quem oprime sobre tudo às mulheres e principalmente a necessidade de lançar a mão de um programa anti-imperialista e internacionalista, em aliança com os trabalhadores, que lute pelas questões democráticas e pela superação desse regime baseado na opressão e exploração que é o capitalismo.

No final, reforçou-se a necessidade de intervenção nas greves em curso e no combate a burocracia sindical ligada aos interesses do governo. Foi aprovado uma exigência a ANEL e a Oposição de Esquerda da UNE, que ao invés de girar toda a suas forças e aparato a campanhas super-estruturais como o Plebiscito dos 10% do PIB a Educação, por fora dos processos reais da luta de classes, construa atos nacionais em solidariedade a greve dos bancários e dos correios. Desde a Plenária foi chamado a realização de um ato nessa terça feira na Avenida Paulista em SP como parte dessa resposta fundamental que juventude tem que tomar para si.



Foram também aprovadas uma Campanha em Defesa do Sintusp e de todos os lutadores que sofrem repressão, uma declaração de repúdio a homofobia tendo em vista a mais recente agressão que novamente um casal homossexual sofreu na Av. Paulista e também a necessidade de intervir na Semana da Consciência Negra defendendo a auto-determinação do povo negro e o combate a repressão do Estado. Além disso, foi votado a construção de um Ato em Homenagem aos 94 anos da Revolução Russa no mês de novembro na USP, onde será lançado o Manifesto Programático da Juventude ÁS Ruas.

A Plenária se encerrou com uma saudação de Beatriz Bravo, militante da Las Armas de la Crítica e e do PTR (organização irmâ da LER-QI no Chile), relatando como foram os últimos meses de luta pela educação pública e gratuita em combate as heranças pinochetistas no regime Chileno.

Desde já fazemos uma chamados a todos os jovens estudantes e trabalhadores para a construção dessa alternativa revolucionária da juventude, e assumir o desafio apaixonante de conduzir o destino pelas nossas próprias mãos!

sábado, 1 de outubro de 2011

BOLETIM JUVENTUDE ÀS RUAS - RJ - SET-OUT/2011 O Movimento Estudantil desperta novamente!


             Nas ultimas semanas milhares de estudantes saíram em luta contra a precarização da educação em uma serie de ocupações de reitorias e greves nas universidades federais e algumas estaduais. Esse movimento não acontece isoladamente dos outros setores da universidade, e algumas delas trabalhadores e professores também se enfrentaram com as reitorias através de importantes greves. Essas ações concomitantes do movimento estudantil brasileiro ganham uma importância especial nos marcos de umas das mais importantes crises do capitalismo, no qual a juventude vem assumindo um papel central contra os ataques desferidos pelos seus respectivos governos, como o que vem ocorrendo em quase toda União Européia. Esse processo representa um novo despertar de uma juventude que resolveu dar um basta em um ensino e uma vida cada vez mais precarizados.

Procurando conciliar expansão precária de vagas nas universidades públicas em consonância com os interesses dos tubarões da educação privada, o governo petista - com o consentimento de sua fiel aliada a UNE - implementou sem maiores dificuldades uma série de ataques a educação brasileira, vendidos como concessões. No ensino universitário o PROUNI e o REUNI cristalizam essa ofensiva e o resultado foi: déficit enorme de professores, bolsas miseráveis e que atrasam sempre, falta de estrutura física, falta de bandejões, expansão dos cursos de pós graduação pagos, avanço do regime de terceirização entre trabalhadores.

UNE mais próxima das Reitorias e distante da luta dos estudantes!
A UNE em meio a esses processos se manteve distante. Isso está em perfeita consonância com o que foi seu último congresso, onde reafirmou seus laços com o governo federal, ao invés de armar a juventude para os próximos cenários de impacto da crise no Brasil. A UNE colocou-se ainda mais na contramão da juventude, quando em sua marcha apoiou Camilla Valejo, que no Chile quer retroceder na mobilização para negociar com o governo de Piñera, articulando via Confech (Confederação dos estudantes chilenos) a mediação dos parlamentares brasileiros para o conflito, reivindicando o modelo de educação brasileiro e tentando frear o processo chileno sem a garantia da demanda mínima, educação gratuita para todos.
A educação brasileira não é exemplo para os estudantes chilenos, mas sim o contrário, é a luta não qual nós brasileiros temos que nos inspirar. Esta semana mais uma vez 300 mil saíram novamente às ruas para mostrar a força da mobilização em defesa da educação gratuita, fazendo o governo retroceder na ameaça de finalizar o semestre fazendo com que milhares de estudantes perdessem o ano.
           A educação superior brasileira oferece a maior parte da juventude uma privatizada, com seu potente filtro social do vestibular que aniquila qualquer possibilidade dessa juventude aspirar uma vaga na educação pública.  A UNE defende o PNE do governo e nada diz sobre o corte de R$ 50 bilhões do orçamento e dos mais de 3 bi de corte na educação.

Não parar nas conquistas parciais, continuar em luta em solidariedade ativa aos trabalhadores em luta
Exemplos de luta surgiram em meio a esse conjunto de ocupações, como na UFPR e UFAL onde houve mobilização conjunta dos três setores, na UFF que as demandas estudantis se articularam com as demandas da população de Niterói.  A conquista da quase totalidade das pautas na UFPR, na UEM, na UFF, por exemplo, são conquistas importantes para o movimento estudantil brasileiro. Mas fiquemos atentos aos passos da burocracia acadêmica e do governo, as reitorias cederam, mas não retrocederam de sua política elitista de universidade.
As diversas lutas estudantis que afloram por todo o país – ainda que aconteçam concomitantemente- têm a importante debilidade de se manterem isoladas e desarticuladas entre si, se mantendo num limite das demandas específicas, ainda que justas, e carecendo de um plano de ação político comum que transformasse num movimento político real em defesa da educação, tarefa que cabia, sobretudo as direções destes processos, como o Psol (Oposição de Esquerda da UNE) e PSTU (ala majoritária na ANEL) que nada fizeram para unificar os processos. No RJ mesmo com a ocupação da UFF, atos na UERJ e mobilização na UFRJ, essas mesmas direções nada fizeram para articular estes processos entre si. Não podemos nos contentar em manter as lutas dentro de nossas universidades, a juventude tem que ser contra essa educação elitista, contra a precarização da vida imposta à juventude e a classe trabalhadora que não tem acesso à saúde, salários dignos, moradia, cultura e lazer. A luta pela educação tem que ser a luta pelo fim dos cursos pagos, pelo fim do monopólio privado da educação, estatização das universidades privadas e pelo fim do vestibular, em aliança com os setores luta da classe trabalhadora, como Correios e Bancários.
Os trabalhadores do correio estão em luta em meio ao processo de privatização e profundo ataque feito pelo governo Dilma a seu direito de greve. Além de cortar ponto dos grevistas estão sendo feitas contratações emergenciais para furar a greve. Não podemos permitir! Um ataque como este a uma importante categoria em luta é um empecilho também para nossa luta para conseguir mais verbas para a educação (como quer a campanha dos 10% do PIB para a educação). Isso reforça ainda mais a necessidade de unirmos nossas forças em apoio as categorias em luta.
A Anel que se propõe a reorganizar o movimento estudantil, a oposição de esquerda da UNE e cada estudante em luta tem a responsabilidade de não perder o espírito de luta que desenvolveu nas universidades, para armar um forte movimento que se coloque contra a privatização e em solidariedade ativa aos setores em luta, indo aos piquetes, assembléias, atos para junto impor uma derrota ao governo.

Todo apoio à greve dos Correios! Não à privatização!

Estivemos presentes nos atos e assembleias dos trabalhadores/as dos Correios levando solidariedade aos grevistas que lutam por melhores salários e contra condições precárias de trabalho. Nos colocamos ativamente em apoio à luta contra a privatização dos Correios pelo governo Dilma, contra o corte de ponto e contratação de fura-greves, e por isso juntos gritamos: Atendimento imediato das reivindicações salariais dos trabalhadores! Não ao corte de ponto e contratações de fura-greves! Não à privatização! Abaixo a Medida Provisória 532! Lutemos juntos por um serviço público, 100% estatal e de qualidade, com tarifas reduzidas para a população!

A luta continua! Fortalecer a luta desde a base, com assembléias por unidades e cursos, avançar na luta contra a privatização da universidade e condições de trabalho precárias!

             Em meio a um novo despertar do Movimento Estudantil nacionalmente com uma série de ocupações de reitorias das universidades federais por mais de três semanas os estudantes da UFRJ lutaram para arrancar da reitoria demandas dos estudantes com relação a assistência estudantil. Na última quinta-feira, 22 de setembro, os estudantes tiveram uma conquista importante, fazendo com que a reitoria prometesse a construção dos restaurantes universitários da Praia Vermelha e unidades isoladas como Centro, Macaé, Xerem. 
         A Reitoria mostrou mais uma vez o descaso com o direito dos estudantes a política de assistência estudantil, mesmo após semanas de negociação e com a garantia de alguns pontos da pauta estudantil, tentou postergar a votação no Consuni dos pontos que não tinha acordo na pauta estudantil, sendo estes exatamente os pontos destacados pelos estudantes referentes a necessidades fundamentais como o piso do salário mínimo das bolsas e indenização por seu atraso e bandejões sem terceirização.  A votação sobre os bandejões só foi encaminhada sob muita pressão das centenas de estudantes presentes.
          Essa conquista é importante, mas devemos ir por mais! Outras pautas fundamentais ainda precisam ser garantidas, como o aumento de 50% no número de bolsas e sua remuneração com piso do salário mínimo e indenização por seu atraso. Todo mês é a mesma coisa, as bolsas chegam a atrasar dias, o que implica em inúmeras dificuldades com alimentação, xerox e transportes e seu valor não condiz com o real custo de vida na cidade do Rio Janeiro. Além disso, só a aprovação do orçamento para os bandejões não garante as construções dos mesmos. A garantia da construção destes bandejões sem terceirização e incorporação dos atuais funcionários nestes quadros é fundamental para os estudantes que defendem uma educação a serviço de toda a classe trabalhadora.
         Não podemos deixar que esta vitória para os estudantes, os bandejões, sejam ao mesmo tempo um ataque aos trabalhadores.  Por isto defendemos que os bandejões não sejam terceirizados, mas com funcionários da própria universidade, que tenham prioridade no orçamento de 2012, sem terceirização e pela incorporação de todos os atuais terceirizados.

Não deixemos que enquanto conquistamos de um lado perdamos do outro! Não à privatização!
         Enquanto a reitoria cede em bandejões, parte fundamental de seu projeto como as terceirizações e a privatização da universidade vai sendo tocada sem questionamento. Não podemos permitir. A COPPE e inúmeras outras unidades, sobretudo no Fundão, têm intermináveis cursos pagos e fundações privadas. Esta realidade impede ainda mais o acesso ao conhecimento e mais que isto, atrela o que é pesquisado aos interesses do mercado. Ao contrário da maioria dos grupos políticos da UFRJ que sequer reconhecem a existência destes cursos – o que uma pesquisa rápida na Internet mostra – acreditamos que essa luta pelo fim dos cursos pagos é para ontem. Nenhum dinheiro para os cursos pagos, transformação das vagas em publicas imediatamente, fim das fundações privadas dentro da universidade.

Como se organizar para avançar?
A luta na UFRJ não acabou! Não podemos deixar que a necessidade de continuar lutando pelas pautas ainda não conquistadas, dilua-se nas eleições de chapa para o DCE. É fundamental que está entidade seja representada por uma chapa de luta, com um programa político anti-governista, pró operário e anti imperialista, mas essa disputa não pode ser feita em detrimento à continuidade e aprofundamento desta luta. Todas as correntes anti-governistas tem que colocar suas forças para arrancar as conquistas que ainda faltam e em solidariedade ativa aos setores da classe trabalhadora que estão em luta, como os Correios, diante do brutal ataque de privatização e corte de pontos, mostrando que a luta por uma educação de qualidade, gratuita e para todos é uma luta em defesa de toda a classe trabalhadora.
Todo espírito de conquista deve permanecer para irmos por mais e arrancarmos as outras pautas, para isso, é de fundamental importância que organizemos desde as bases dos cursos e unidades assembléias para fortalecer nossa organização e espaços democráticos de discussão, onde o conjunto dos estudantes possam se organizar e preparar uma pauta unificada de reivindicações e exigências para os próximos passos, assim como foram feitas no IFCS e no alojamento, resgatando um importante método democrático na UFRJ: as assembléias resolutivas e para encaminhar o movimento.
Nas assembléias do IFCS afirmamos não só que queríamos bandejão em todos campi, mais 50% de bolsas e bolsas que pagassem o salário mínimo e outras reivindicações, como demos passos para que o movimento estudantil levante um programa que questione inclusive a precarização do trabalho na universidade. Votamos que os bandejões sejam com trabalhadores efetivos da universidade e que os trabalhadores terceirizados dos bandejões existentes no Fundão sejam incorporados à universidade. Propusemos isto pois não queremos que uma conquista para os estudantes seja um ataque aos trabalhadores. Infelizmente todos os maiores grupos atuantes no terceiro ato no Consuni não levaram à frente este programa votado pelos estudantes do IFCS, e não questionaram a proposta da reitoria de bandejões terceirizados. Sequer foi organizada uma assembléia para votar nossa aprovação às propostas da reitoria e como continuar o movimento. Precisamos de mais democracia no movimento para que ele avance e continue.
Precisamos de um movimento estudantil que questione a privatização da universidade e seja porta-voz de várias demandas dos trabalhadores e do povo. Chamamos as correntes de oposição ao governo Dilma e à reitoria a serem conseqüentes com o que é votado em assembléia e junto a nós lutarmos pela efetivação de todos terceirizados, contra os cursos pagos, contra a privatização do HU, etc. É preciso superar esta perspectiva do movimento estudantil levantar demandas só dos estudantes. As lutas dos estudantes na UFF contra a Via Orla e Via CEM e na USP em apoio aos terceirizados da União e da BKM mostram não só como é necessário, mas como é possível construir um movimento estudantil que tenha em suas pautas o que vá muito além só do que afeta os estudantes!
Na luta por um movimento estudantil que defenda os interesses dos trabalhadores e do povo sabemos nada podemos esperar da UNE que defende justamente a privatização e terceirizações que “seu” governo aplica, ou de correntes como a Correnteza que apoiaram o atual reitor.  No entanto, vemos na prática política das maiores correntes anti-governistas e independentes da reitoria (maioria da ANEL, Não Vamos pagar Nada, Quem vem com tudo não Cansa) uma não superação deste movimento estudantil encerrado em si mesmo e sem pautar-se, sempre, por uma prática democrática, de assembléias.  
Por isso é necessário construir uma forte corrente estudantil aliada aos trabalhadores, que defenda uma educação gratuita de qualidade e para todos, pelo fim do vestibular e pelo fim dos monopólios privados da educação, pois a maioria da juventude permanece alijada da universidade gratuita e relegada ao ensino pago dos monopólios privados da educação. Que seja porta voz das demandas da população dentro e fora da universidade, denunciando e lutando contra a precarização da vida, que mantém a maioria da população a base de salários precários, saúde miserável, custo de vida caro, educação precária, transportes caros, sem acesso a cultura, lazer e esportes, além da repressão policial que militariza a vidas das pessoas nos morros e favelas, criminalizando a pobreza e naturalizando o assassinato constante da juventude negra e pobre. Que seja linha de frente no combate as opressões, ao machismo, a homofobia, ao racismo e contra a ingerência da Igreja e do Estado sobre nossos corpos e nossa vida. Que se alie a classe trabalhadora em cada luta, cada batalha para golpear esse sistema de miséria e opressão. Nós queremos construir junto a cada estudante uma juventude que se coloque a frente das tarefas de seu tempo.
Para isso temos que unir força com os setores que estão em luta neste momento como a greve nacional dos Correios que a mais de 17 dias, se colocam em luta por melhores condições de salário e trabalho e contra a MP do 532 do Gov. Dilma, que abre para o capital financeiro, preparando para a privatização. A luta em defesa dos trabalhadores doa correios faz parte da luta em defesa da educação gratuita, de qualidade para todos, contra a precarização para privatizar que acontece cotidianamente nas escolas e universidades Precisamos ir às assembléias, atos, organizando- nos junto aos trabalhadores e nas universidades para barrar esse ataque.

Não esquecemos a ditadura: assassinatos e tortura!!!

Desde a vitória das eleições de Dilma ao fim de 2010, temos ouvido inúmeras promessas em relação aos crimes cometidos pelo Estado durante a Ditadura Militar, e principalmente, sobre a abertura dos arquivos desse período, onde constam informações essenciais sobre os presos políticos assassinados, torturados ou desaparecidos no Brasil. Foi aprovado recentemente o Projeto de Lei 7376/10 que institui a “Comissão da Verdade”. A versão do governo já era aguada ao impedir que nesta comissão fossem abertos inquéritos que levassem a punição de assassinos e torturadores e eis que o governo para aprová-la sem oposição de ninguém da direita e do exército a fez ainda mais aguada. Em negociações com o DEM (em grande parte os continuadores do partido apoiador da ditadura, a ARENA) o governo vetou que nesta comissão estejam pessoas “envolvidas” com a questão, ou seja os militantes da esquerda que lutaram contra a ditadura.

O ministro da Defesa, Celso Amorim diz que chegou a hora de “virar a página do país”. Querem fazer isto cerceando o direito à verdade e sobretudo impedindo punições. Esta comissão tal como está é um ultraje diante da memória de todos os lutadores que tombaram nas mãos ensanguentadas do Estado, seus comandantes militares e colaboradores civis (Rede Globo, grupo Ultra, vários outros). 

Não podemos ter ilusão nos partidos que compactuaram com quem está sujo de sangue, como o PT e PCdoB, que escolheram estar ao lado dos militares assassinos! Não será possível derrotar as principais forças da direita e escancarar e punir os responsáveis por esses crimes se não depositarmos todas as nossas forças na mobilização da classe trabalhadora, a maior vítima do Regime Militar. É nesse sentido que chamamos as organizações de esquerda como a ANEL, a oposição da UNE, os sindicatos dirigidos pela CSP Conlutas assim como os parlamentares do PSOL como Marcelo Freixo, que possui grande referência junto às organizações de Direitos Humanos, a lutar por um verdadeiro Comitê da Verdade, Memória e Justiça independente e autônomo e pela Punição aos torturadores e assassinos da Ditadura Militar.