Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

O POTENCIAL DA NOSSA GREVE EM PERIGO

GREVE DAS FEDERAIS - UM PRIMEIRO BALANÇO DO COMANDO NACIONAL DE GREVE  
por Juventude As Ruas RJ
 

Uma grande greve da educação está em curso em nosso país. Greve de professores, técnicos, estudantes, e cresce a cada dia com a entrada das escolas técnicas e novas universidades. Nos levantamos contra a politica de precarização e privatização da educação. A politica de Dilma é desgastar os professores, ao passo que seu braço no ME, a direção majoritária da UNE (PCdoB e PT) dá passos para tentar desviar o movimento a partir de reivindicar pequenas alterações nos planos do governo para a educação, ou seja eles militam para que aceitamos o projeto em curso que é privatizante e precarizador. O governo faz ouvidos moucos, adia negociações com os professores, sequer marca negociações com técnicos-administrativos e com nós estudantes. Releva sua absoluta despreocupação com a educação.

Porém nosso movimento é forte e pode ser um grande passo para questionar o sistema educacional do país e a política do governo. Para isto é preciso derrotar os agentes do governo no movimento que querem desviá-lo a alterar algo, mas manter o projeto em curso e superar as alas majoritárias do comando nacional dos estudantes em greve (PSOL e PSTU) que também querem um movimento limitado a pequenas conquistas sem questionar o conjunto do projeto educacional, a elitização das universidades, etc.

Um forte movimento que tem como motor o questionamento à política educacional de Dilma

Dia 18/06 ocorreu no Campus da Praia Vermelha da UFRJ a primeira reunião do Comando Nacional de Greve das Universidades Federais, com 56 delegados e mais de 350 estudantes de todo o país. Diante da precarização da educação em cada universidade, os estudantes se somaram a greve dos professores. A falta de estrutura física para aulas e laboratórios, a falta de professores e as atuais precárias condições de trabalho, a inexistência de assistência estudantil suficiente para os estudantes de baixa renda, a criação de centros de excelência ao lado de cursos e currículos precarizados, como os de licenciatura e a privatização desde dentro das universidades com as fundações privadas, HUs. Todos estes elementos constituem a Reforma Universitária do Governo Federal, o tão propagandeado REUNI. Isto é parte de um projeto de conjunto, o PNE. O PNE não só garante crescente privatização do sistema educacional, como sequer questionar que suas metas nunca são cumpridas – tudo isto vendido como avança no acesso à educação pelo governo e governismo.

Precisamos tirar das mãos do governo e de seu braço no Movimento estudantil, a ala majoritária da UNE (PCdoB e PT) – financiado com recursos dos impostos dos trabalhadores –, o discurso demagógico de democratização da educação, que é utilizado para justificar a expansão precarizada do REUNI, com destino de verbas publicas para os monopólios privados da educação, como o PROUNI, FIES e o PRONATEC, e com a farsa do fim do vestibular que é o Novo Enem/SiSu. No comando mais uma vez a ala majoritária da UNE mostrou sua cara, defendendo o governo e suas reformas, mostrando como hoje, apesar da UNE reunir centenas de entidades em seus congressos, sua atuação no Comando, expressa pelo posicionamento de meia dúzia de delegados, é embelezar a política educacional do governo propondo que façamos pressão a que algum deputado petista ou do PCdoB faça alguma emenda no PNE por alguma migalha, mas obviamente sem questionar o rumo geral do projeto do governo.

Um comando nacional precisa de assembleias de base, de um programa para massificação do conflito e uma estratégia independente!

A constituição de um Comando de Greve Nacional é um avanço na organização do ME e pode cumprir um papel decisivo a depender de como ele se organiza e das estratégias que seus delegados carregam. Na reunião do comando a maioria dos delegados expressaram posições anti governistas, sendo coerentes com a luta nacional contra a precarização do REUNI. Nesta ala haviam delegados do PSTU, PSOL, independentes e outras correntes. A ala governista era minoritária.

Entretanto, no momento de sistematizar e de encaminha-las, a lógica do que deveria ser um comando de delegados, no qual este deve expressar as ideias da base dos estudantes em assembleia, inverteu-se por completo. As posições e propostas dos estudantes independentes e outras correntes, como a Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), foram simplesmente suprimidas, ao mesmo tempo brotaram da mesa papéis com toda a pauta e programa para a greve, previamente escritos e impressos, sem ninguém minimamente dizer de onde vem, ou em qual assembleia foi votado, ou qual corrente escreveu e ainda tendo que se votar tudo em bloco, sem possibilidade de destaques ou adendos, como a proposta do delegado da UnB (da RECC) de que repudiássemos o novo ENEM e lutássemos pelo fim do vestibular, propostas estas que expressaram apenas as posições do PSTU e do PSOL contra as propostas dos setores governistas.

Numa luta que se enfrenta com o governo e sua política de educação é absolutamente necessário que nos demarquemos, que o comando vote o que opina do REUNI, PNE, etc, como o fez, seguindo propostas do PSOL e PSTU. No entanto não podemos concordar que meramente votar contra estes projetos signifiquem, automaticamente, a constituição de um forte movimento contra o governo sem partir do questionamento profundo da universidade e do sistema educacional no Brasil, que quando é publico, como no caso da educação básica é amplo e precário, mas por outro lado o ensino superior é privatizado tendo somente cerca de 25% dos estudantes que estudam em universidades públicas.

Precisamos que as bases façam isto! Ter delegados sem assembleias (por exemplo a da UFRJ será em julho) é quase a mesma coisa que votar senadores! É votar que estamos elegendo quem milita por nós e não fazer nós mesmos um forte movimento, campus por campus, cidade por cidade.

Para piorar, o comando ficou só nestas votações PSOL-PSTU vs governistas e suprimiu qualquer proposta de independentes e posições mais minoritárias, esta foi a política concreta do PSOL e PSTU (e do governismo como minoria). Com isto suprimiu, não só sua democracia, como qualquer debate real sobre os rumos de nosso movimento.

O desfecho final desta longa noite é que a “melhor” proposta para a condução do conflito e para coordenação do comando é que este se instale em Brasília a partir do dia 25/06 e fique lá por tempo indeterminado para negociar com o governo. Como pode ser que este comando revogável seja controlado desde as bases, se este estará a quilômetros de distancia dela? Fixo, diário. Como as bases decidirão em suas assembleias as posições deste comando? Quem são e quais posições defendem os delegados que poderão ir a Brasília sem previsão de voltar, de como se sustentar? Essa proposta deixa claro como este comando tal como está é incapaz de representar os posicionamentos da base, e portanto de desenvolver a massificação do conflito, e dessa maneira só expressará o controle burocrático e descolado das bases por parte do PSOL e PSTU para conduzir o conjunto da greve e o comando como uma instituição de pressão ao MEC para conseguir migalhas – ficando aquém do potencial de nossa greve de deflagrar um grande movimento crítico ao conjunto do projeto educacional de Dilma.

De que comando precisamos? Precisamos de um comando, revogável, ou seja vinculado a assembleias de base. Democrático que todos estudantes delegados possam fazer aportes, críticas, sugestões. Precisamos de um comando que se articule com cada setor da educação em greve e em luta em todo país. É preciso um comando unificado dos comandos de cada categoria, unificar nossas bases em luta. Um comando das direções do ANDES, Fasubra, não dará vazão a um movimento forte e democrático contra o governo, articulará no máximo, um movimento de pressão para algumas migalhas sem questionar o conjunto do projeto em curso, temos que constituir um comando unificado de todos grevistas. É possível e necessário um outro comando, que exista em função de uma estratégia de massificação do conflito e não de prender-se a pressão a parlamentares, ministros. Para isto é preciso superar debates insossos de quantos bilhões são gastos com assistência estudantil (o governo quer X, o PCdoB-PT junto ao reitores Y, o PSOL W...) mas sim levantar uma pauta sentida por todos estudantes, colocando de pé um movimento que diga em alto e bom som “Nenhum Campus ou centro sem bolsas, conforme a demanda que paguem no mínimo o salário mínimo; nenhum campus sem bandejões gratuitos com funcionários efetivos das universidades; nenhum campus sem alojamento decente e gratuito conforme demanda; nenhum campus sem creche com funcionários efetivos da universidade conforme demanda de todos setores, inclusive terceirizados”.

Colocar de pé um movimento como este permite sentar bases mais reais e sentidas em cada campus para a participação estudantil na greve e colocar de pé um forte movimento nacional contra o projeto de educação do governo, ganhando o apoio da população, arrancando da boca do governo e dos governistas o discurso de expansão e cuidado com os estudantes trabalhadores e pobres e, com a força da base, passando por cima da UNE e fazendo tremer o governo, com um programa à altura dos desafios da educação brasileira.

Por fim, como guia para esta batalha, é fundamental um programa que ofereça pela positiva um projeto de universidade que esteja de fato a serviço da juventude e dos trabalhadores, com um ensino de qualidade e livre acesso, reivindicando 10% do PIB para a educação pública já, chamando o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas.

- Por assembleias de base periódicas que possam controlar e decidir sobre os rumos da nossa greve ! 
Não ao comando descolado das bases em Brasília! Por um comando real dos delegados revogáveis eleitos em assembleias de cada universidade! 
Por um comando que organize a massificação da luta e não sua pressão a parlamentares e ministros! 
Por uma campanha nacional para que todos campi no país tenham todas condições para estudo, trabalho e pesquisa! 
Pela coordenação com todos setores da educação em luta! 
Por um campanha nacional pela retirada de todos processos a estudantes e trabalhadores da UNIFESP, USP, e todas universidades que tem sofrido repressão!

Lutar contra a repressão e as punições! Se atacam um, atacam todos!

É impensável que avancemos em um forte movimento nacional deixando para trás companheiros que são perseguidos por lutar, por justamente se enfrentar com este projeto de educação, os governos e reitores que as implementam. Por isto é preciso fazer uma grande campanha nacional pela retirada de todos processos aos companheiros da UNIFESP, da USP e de todas universidades que tem sofrido repressão e punições!

sábado, 16 de junho de 2012

LIBERDADE IMEDIATA AOS ESTUDANTES DA UNIFESP

Nota da LER-QI E DA JUVENTUDE ÀS RUAS

Ontem num ato de mais de 200 estudantes da Unifesp contra repressão e precarização da educação nas universidades federais, a polícia reprimiu, feriu manifestantes e prendeu 25 estudantes, que seguem presos até o momento na Polícia Federal na Lapa em São Paulo, sob a ameaça de ficarem detidos até segunda feira. Na semana passada, a Polícia Militar desalojou violentamente a ocupação do prédio da Unifesp Guarulhos e prendeu 46 estudantes. A Reitoria e a Polícia Federal ameaçam imputar contra os ativistas do movimento os crimes de dano ao patrimônio público, constrangimento ilegal e até mesmo formação de quadrilha, ameaçando prendê-los no Centro de Detenção de Pinheiros.


Essa brutal repressão na UNIFESP deixa o saldo de 57 estudantes presos, num processo de mobilização nacional com 52 universidades federais em greve de docentes e servidores e 21 universidades com greve estudantil, no qual os estudantes da Unifesp foram linha de frente entrando em greve desde março e ocupando a universidade em maio, denunciando ao país todo a precarização e privatização das universidades federais no saldo de 5 anos de REUNI.

No estado de São Paulo é pratica recorrente das Reitorias utilizar a repressão e criminalização dos lutadores para aplicar seus ataques de precarização e privatização das universidades. Mais uma vez o governo Alckmin coloca a polícia para reprimir manifestações, o mesmo que comandou o massacre do Pinheirinho em São José dos Campos, expulsou à balas centenas de moradores de rua da Cracolândia, que prendeu 73 lutadores na ocupação da Reitoria da USP no ano passado, que seguem junto a dezenas de trabalhadores e estudantes perseguidos, processados e ameaçados de expulsão e demissão. Essa polícia é a mesma que assassina a juventude pobre e negra do país, militarizando os morros e favelas e reprimindo greves de trabalhadores com o aval do governo Dilma.

Nós da LER-QI, junto à Juventude Às Ruas, repudiamos a repressão da PM de Ackmin e da PF de Dilma aos lutadores da Unifesp, que deixa claro como PT e PSDB representam duas propostas de gestão do mesmo projeto de ataque aos trabalhadores e à juventude como preparação para os impactos mais duros da crise internacional no Brasil. Nos solidarizamos com a luta nacional pela educação, contra a precarização do Reuni de Dilma e Lula, e exigimos a liberdade imediata de todos os presos! Não permitiremos que comecem a calar o processo de luta nacional em defesa da educação!

LIBERDADE IMEDIATA AOS PRESOS POLÍTICOS DA UNIFESP! 
FORA A POLÍCIA MILITAR DA UNIFESP! 
BASTA DE CRIMINALIZAR E PERSEGUIR O MOVIMENTO ESTUDANTIL! 
FORA PM DAS UNIVERSIDADES, MORROS E FAVELAS! UNIFICAÇÃO DAS LUTAS CONTRA A REPRESSÃO! 
REVOGAÇÃO DE TODOS OS PROCESSOS CONTRA ESTUDANTES E TRABALHADORES! TODO APOIO A GREVE DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

quarta-feira, 13 de junho de 2012

É preciso transformar a greve nacional num grande movimento para transformar radicalmente a educação no Brasil

Em meio ao avanço da crise econômica e das saídas reacionárias da burguesia, a juventude no mundo reage começa a se levantar, sair às ruas, ocupar as universidades e as praças, se organiza em assembleias, se solidariza com os trabalhadorxs, as mulheres, com xs oprimidxs. Iniciado com a “Primavera Árabe”, o movimento “Occupy”, e na América Latina desde a luta da juventude pela educação gratuita no Chile, onde milhares foram às ruas denunciando e enfrentando as heranças do regime de Pinochet, a juventude dá mostras de seu potencial explosivo e de abrir caminho para questionar a situação do que afeta não só os estudantes, mas o conjunto dos trabalhadores. Milhares de estudantes nas ruas, universidades e colégios ocupados – (um deles inclusive chegando a ser auto-controlado por professores e estudantes, o Liceu A-90), ergueram barricadas em dezenas de esquinas, organizaram manifestações massivas de até um milhão de jovens, enfrentando-se com a polícia chilena e sua tecnologia de repressão. A combinação de família e gerações de jovens endividadas com a educação privatizada com a repressão policial fez surgir no Chile uma juventude conhecida como a “geração sem medo” e diante da crise capitalista devemos nos inspirar nessa juventude, pois também somos parte dessa geração sem medo!

No México hoje a juventude protagoniza uma grande luta contra as práticas anti-democráticas do regime, contra o repressivo governo e a militarização do país, se contrapondo diante da possível imposição do candidato à presidência do PRI (Partido Revolucionário Institucional, que governou de 1930 a 2000), Peña Nieto, denunciando a manipulação da mídia apoiadora do governo e sua tentativa de criminalizar estudantes. Esse movimento se massifica a cada dia sob a consigna “Yo soy 132”. No Canadá há mais de 100 dias em greve de estudantes, que inicialmente se mobilizaram contra o aumento das matrículas nas universidades e foram desenvolvendo no calor da luta questionamentos ao governo, ao regime e aos pilares do poder da burguesia no Quebec. Há algumas semanas o governo criou um projeto de Lei que impõe multas e prisões ao manifestantes para acabar com a manifestações. Em marchas que chegam a reunir 250.000 pessoas em defesa da educação, a juventude segue de pé, apoiando e se aliando à luta dos trabalhadores e do povo!

Em diversas cidades do Estado Espanhol desde o surgimento do 15M, milhares de jovens, trabalhadores e estudantes se juntam, são os indignados. No dia 29 de Março na histórica greve geral contra a Reforma Laboral, vimos essa juventude e o movimento estudantil se juntar aos trabalhadores em mobilizações de centenas de milhares contra a Reforma Trabalhista, os planos de austeridade e o desemprego se enfrentando com a criminalização e repressão do Governo Rajoy. Essa unidade é fundamental para que a crise seja paga pelos capitalistas!

Nos marcos da crise econômica internacional e na ofensiva de ataques da burguesia para fazer com que a classe trabalhadora e a juventude paguem pela crise, queremos ser parte viva e linha de frente da juventude estudantil e proletária que se espelha nos exemplos mais avançados internacionalmente, como dos estudantes chilenos e que se prepara para fazer diferença na luta de classes ao lado dos trabalhadores.

Greve das universidades federais: inspiremo-nos na luta dessa juventude sem medo para libertar o conhecimento do produtivismo e colocar a universidade a serviço dos trabalhadores e do povo!


Com o aprofundamento da precarização e privatização da educação em nosso país levada adiante pelo governo Dilma, professores, estudantes e técnicos-administrativos da ampla maioria universidades do país estão em greve. Estudantes em todo país em apoio aos professores realizam assembleias discutem suas demandas e também entram em greve. Técnicos-administrativos em diversas universidades também entram em greve por reajuste salarial.

Fizemos uma grande manifestação estudantil no dia 05/06 em Brasília. Em greve nos somamos a este dia de luta previamente agendado pelo Funcionalismo Federal. E não só nos somamos: constituímos um Comando Nacional da Greve Estudantil. Este comando é um passo adiante em nosso movimento, abrindo espaço para nos coordenarmos nacionalmente. No entanto, é um passo ainda muito inicial, o número de representantes por universidade é muito limitado, dificultando a representação de posições de maioria e minoria em todo país (só 2 por universidade em greve), além de dificultar muito que os estudantes independentes tomem em suas mãos a luta, para unificar desde as bases e democraticamente o conjunto do movimento. O passo que demos com o Comando Nacional precisamos levar mais adiante, aumentando sua representação e propondo às estaduais em greve, aos técnicos e professores um só comando DA EDUCAÇÃO EM LUTA. Um comando como este pode nos abrir caminho para crescer e transformar nosso movimento em um forte movimento contra o governo e seu projeto de educação, iniciando um novo projeto de educação com verbas, e com salários dignos, condições decentes de estudo, trabalho e permanência, bem como o livre acesso de todos jovens do país à educação pública, gratuita e de qualidade. É preciso construir uma ampla coordenação de todos setores da educação em luta, professores, funcionários, estudantes das universidades federais e também estaduais que estão entrando em greve. Essa coordenação, eleita desde as assembleias de base de cada setor e universidade deve servir para fortalecer e tornar nossa luta numa só, para transformar radicalmente a educação, libertar o conhecimento do produtivismo e assédio moral que a CAPES, CNPq e agências de “fomento à pesquisa” criam com prazos, o que e como estudar!

Façamos da nossas pautas específicas uma pauta nacional!

Em cada universidade do país padecemos uma situação semelhante de descaso com nossas condições para sobreviver e estudar. Não há sequer uma universidade do país onde exista ao mesmo tempo alojamento decente e gratuito conforme a demanda, bolsas conforme a demanda, bandejão – sem terceirização – conforme a demanda, creches – sem terceirização - conforme a demanda. Como lutamos por isto? Em geral as principais direções do ME (PSOL e PSTU) querem lutar universidade a universidade, campus por campus. Isto é limitar nosso potencial na pauta específica e não questionar o sistema de educação existente. 

Nós achamos o inverso. Nós defendemos a pauta específica, mas desde outra lógica, de uma onde possamos lutar juntos –nacionalmente! - pelas mesmas demandas, não de maneira federativa e isolada. Lutar desde cada universidade para que em todas as universidades estudantes tenham condições de permanecer nelas. É necessário lutar por um movimento nacional que diga em alto e bom som: nenhum centro ou campus sem bandejão gratuito com funcionários efetivos da própria universidade; nenhum centro ou campus sem alojamento gratuito e decente conforme a demanda; nenhum centro, campus ou universidade sem creche para todos que precisarem, nenhum centro ou universidade sem bolsas, conforme a demanda, com um piso do salário mínimo. Não merecemos, nem conseguimos, sobreviver, com menos que o já miserável salário que a lei concede a todos trabalhadores! Ao fazermos um movimento como este não só questionaremos mais claramente a falta de verbas, o projeto em curso, como poderemos denunciar o criminoso descaso do governo Dilma com a situação dos estudantes, em particulares os filhos da classe trabalhadora que mais necessitam destas medidas de permanência estudantil. 

Lutar pelos 10% do PIB para educação não basta! Lutemos por uma outra educação, que seja pública gratuita, de qualidade e para toda a população!

Estamos num momento de enorme luta que poderia ser o inicio de um marco na transformação da educação deste país. Nosso forte movimento ainda dista muito de ser um passo a questionar o conjunto da educação. Por que? Em primeiro lugar por que são influentes em nosso movimento falsos defensores da educação que são os militantes de correntes governistas (PCdoB, PT, DS e outros). Eles falam que apoiam nossa luta, mas querem conduzi-la a apoiar uma ou outra emenda ao PNE que o governo está propondo, defendendo que a educação fique tal como está e vá ganhando um pouquinho mais de verbas ano a ano, até alcançar 7% do PIB em 2020... mas seriam 7% do PIB para uma educação privatizada, elitista, para criar verbas nas universidades privadas enchendo o bolso dos monopólios da educação, com o Prouni, Fies, enquanto, a juventude pobre segue endividada. É preciso tirar das mãos do governo o discurso da democratização da educação, pois não passa de uma demagogia, só quem pode fazer isso é o movimento estudantil em luta, independente do governo e dos patrões.

Depois de desmascarar estes falsos amigos de nossa luta o que nos limita é a prática das direções de grande parte dos DCEs. Nos panfletos das principais correntes da esquerda anti-governista, o PSOL e PSTU, há criticas ao governo, crítica à universidade tal como ela é, propostas radicais de como deveria ser o acesso, e várias outras transformações.. Para eles isto é uma coisa para o futuro. Hoje, levantam só “expansão com qualidade com 10% do PIB para educação”, uma ou outra moção contra o REUNI, contra o PNE do governo, mas não buscam contribuir para que façamos um forte movimento POR OUTRA EDUCAÇÃO, GRATUITA e PARA TODA A POPULAÇÃO, o que passa necessariamente por criticar esta universidade elitista, privatizada, controlada por um punhado de professores, a serviço do mercado.

Como seus questionamentos radicais à educação são para o futuro, hoje trata-se somente de lutar por 10%, e não conseguindo, lutar por pouquíssimas coisas reitoria a reitoria, o que o PSOL e PSTU buscaram fazer em Brasília dia 05/06 era só uma pressão para que o MEC negociasse (e tiveram táticas diferentes, se havia que fazer ocupação relâmpago ou não, neste acordo geral limitado).

Fato é que a educação pública brasileira necessita de mais verbas, no entanto a política levada à cabo pelo PSOL e PSTU acaba por não levar ao questionamento do conjunto da educação e a política do governo, que é de precarização e privatização, que é vendida de Lula à Dilma para a população como se fosse um grande avanço e o único possível, isso porque na prática esses partidos só agitam centralmente os 10% do PIB pra educação. Dizemos que é necessário mais investimento, mas para onde irão? 10% para mais verbas para os tubarões das privadas? Para mais privatização? Para quais pessoas entrarem na universidade? E quem controlará essa verba com a atual estrutura de poder anti-democrática? Nosso questionamento deve ser radical, abrir caminho a uma nova educação no país, que seja controlada por professores, trabalhadores e maioria estudantil.

Ao contrário de simplesmente agitar os 10% do PIB pra educação, precisamos denunciar ferrenhamente a universidade pública tal como ela é hoje. Cerca de 75% dos jovens estudam em Instituições de Ensino Superior (IES) privadas que representam 89,4% do total de instituições de IES no Brasil. Nas universidades públicas a privatização é crescente de cursos pagos e fundações privadas à privatização dos Hospitais Universitários. A privatização que se faz também desde da precarização do trabalho – iniciado com os trabalhadores terceirizados da limpeza, em grande parte mulheres negras, aprofundando agora com a contratação em larga escala de professores temporários. Os currículos estão sendo fragmentados e graduações do tipo “Ensino à Distância” (EAD) espalham-se por todos estados, somando-se aos cursos presenciais precários sem campus, sem laboratório. É esse o projeto de expansão do REUNI de Lula e Dilma, que precariza e privatiza, enquanto financiam via PROUNI e perdoam as dívidas dos donos monopólios da educação. Por isso precisamos desmascarar a demagogia do governo do PT!

Por isso não podemos somente agitar na luta os “10% do PIB pra educação”, pois é preciso que todos aqueles que não estão dentro da universidade pública – a maioria da população – veja qual é a verdadeira política do governo e se somem em nossa luta por educação pública e gratuita para todos! A pré-condição disto é que sejamos nós a voz de quem está fora da universidade pública atual, defendendo a estatização das privadas e livre acesso/fim do vestibular/SISU. Se num momento como este em que dezenas de universidades estão em greve, não lutamos até o final pelos direitos do conjunto da população, para nossa luta pela educação triunfe, então quando? Não caiamos no discurso do PSOL e PSTU que seguramente dirão que concordam com esta perspectiva mas que isto não seria o imediato, que isto seria uma luta “pra depois”, por isso a luta da juventude chilena, mexicana, canadense deve mais do que nunca ser uma inspiração para hoje! Pra sairmos às ruas, nos enfrentar com a mídia burguesa, nos enfrentar com o governo, ganhar o apoio da população e dos trabalhadores, mostrar que nossa luta é para que todos possam estudar numa universidade pública e que todo o conhecimento dela seja libertado do produtivismo, dos governos e da burguesia e assim seu o conhecimento produzido nela seja colocado à serviço da classe trabalhadora! Para isso é preciso colocar de pé um novo movimento estudantil. Que trave duras batalhas contra o conjunto dos planos do governo!

Devemos no calor dessa luta dar passos para construir uma juventude que volte a dar medo nos governantes e a burguesia a quem servem. Nós da Juventude às Ruas colocamos nossos esforços para lado a lado a centenas de estudantes colocarmos de pé um movimento estudantil como aliado fundamental da classe trabalhadora para os duros combates que estão por vir!


- Viva a luta dos estudantes, professores e técnicos administrativos em todo o país!

Por um comando nacional de delegados de TODA A EDUCAÇÃO EM LUTA, de assembleias, revogáveis, mais amplo com no mínimo 5 por universidade e setor, para criar um movimento amplo e democrático para a vitória do movimento!

Fazer de nossas pautas específicas uma pauta nacional! Nenhum centro ou campus sem bandejão gratuito com funcionários efetivos da própria universidade; nenhum centro ou campus sem alojamento gratuito e decente conforme a demanda; nenhum centro, campus ou universidade sem creche para todos que precisarem, nenhum centro ou universidade sem bolsas, conforme a demanda, com um piso do salário mínimo.






Lutar pelos 10% do PIB para educação não basta! Lutemos por uma outra educação, que seja pública gratuita, de qualidade, com um conhecimento não produtivista, e para toda a população!






Lutemos pela educação pública e gratuita para todos: estatização das universidades privadas, fim do vestibular/SISU/livre acesso.


sábado, 9 de junho de 2012

Moção de Solidariedade aos Estudantes em Luta da UNIFESP


A Juventude Às Ruas vem através desta moção expressar sua total solidariedade a luta do movimento estudantil da UNISFEP e nosso total repúdio a reintegração de posse da reitoria ocupada desta universidade, executada pela policia militar.
Os estudantes da UNIFESP que já estavam em greve por reivindicações legítimas agora se encontram com uma greve generalizada das universidades federais, que lutam também por melhores condições de estudo em suas universidades. Enquanto isto as universidades estaduais paulistas encaram uma brutal repressão do governo estadual, com estudantes e trabalhadores presos e processados por travarem suas lutas contra o atual projeto de universidade burguês que avança a cada dia.
No estado de São Paulo, seja na USP, na Unicamp, na Unesp e agora, na UNIFESP, o governo estadual vem utilizando da repressão dura e violenta, restringindo a já esqueça democracia nas universidades, para aplicar seus ataques de precarização e privatização. A entrada da policia dentro dos campos universitários tem se tornado uma pratica cada vez mais recorrente. Policia esta que reprime cotidianamente os jovens negros da periferia, expulsam moradores de suas e casas e reprimem greves e mobilizações de trabalhadores em todo o país.
Nossa solidariedade e nosso repudio vão no sentido de unificar nossas lutas contra repressão e contra os ataques a universidade. A atual estrutura de poder baseado na burocracia acadêmica, no conselho universitário e nos órgãos de deliberação antidemocráticos – 70%, 15% e 15% - é um pilar de sustentação dos interesses da burguesia dentro de nossas universidades, garantindo a exclusão social, a repressão e adequação da educação aos seus interesses de classe. Nossa luta pela transformação da universidade e da educação no Brasil deve questionar a atual estrutura de poder para construir uma gestão democrática que garanta os interesses da juventude e dos trabalhadores.

-Todo apoio a luta dos estudantes da UNIFESP e de todas as federais!

-Fora policia da UNIFESP, das universidades, dos morros e favelas!

-Que as Universidades Estaduais Paulistas se unifiquem com a greve das Universidades Federais e a luta contra a repressão na UNIFESP.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Uma grande luta nacional que pode avançar a muito mais que 10% do PIB! Podemos inaugurar a luta por outro sistema de educação!

Brasil que avança ou Brasil da educação e trabalho precários?

Nossa luta pode mostrar um Brasil que todos sentimos, mas não ganha voz. Muito se fala de um Brasil que está se desenvolvendo. Este é o discurso de Dilma e vários burgueses no país. Porém, nós sentimos em nossas peles, como não é assim. Como milhares são desalojados todos os anos por chuvas e enchentes. Como outros milhares são desalojados pela polícia para garantir o latifúndio e a especulação imobiliária. E só lembrar-se do Pinheirinho. É o mesmo Brasil que reprime os trabalhadores que lutam por melhores condições de trabalho como em Jirau. O Brasil que sentimos na pela também é o país onde milhares morrem nas filas de esperas ou corredores de hospitais.  
Nossa luta permite dar um passo neste sentido, mostrar o Brasil real da precarização da educação e do trabalho. É preciso dar voz a ele.

Este Brasil que contrasta com o discurso oficial começa pelos salários:


Passa pelos gastos do governo federal. Que gasta 47,19% de seu orçamento nas dívidas internas e externa, mas somente 3,98% na saúde e 3,18% na educação. Mas não são só de salários e gastos que podemos ver o Brasil precários. Os salários e o orçamento são expressões de um projeto de precarização vendido como “democratização” e “avanço” enquanto bilhões são entregues aos detentores da dívida e empresários amigos do governo e BNDES (Delta, Eike, Vale etc).

É com este discurso de “modernização e democratização” que foram contratados milhares de professores temporários nas universidades federais em todo país, foi com este discurso que foram abertas universidades onde sequer havia salas de aula, que as universidades foram expandidas, com o REUNI e áreas crescentes das mesmas estão sendo privatizadas, da gestão de alojamentos a estabelecimento de fundações privadas. Ou seja, da permanência estudantil a pesquisa e produção de conhecimento.

Foi com o mesmo discurso que foi emplacado o PROUNI e criou-se uma série de subsídios aos tubarões do ensino privado. Com o mesmo discurso de “avanço”, “acesso” que criou-se o PRONATEC e visa-se uma maior presença do capital privado no ensino médio técnico/profissionalizante. Querem criar um mercado lucrativo bem como controlar melhor a formação de mão de obra, tudo isto em nome do “acesso”.

Também no discurso de “Geração de emprego recorde” mostra-se o mesmo. Não nos informam que quase 80% de todos os empregos criados no governo Lula recebem menos de R$ 1000,00. Não falam o que todo trabalhador da construção civil, de um estaleiro sabe, o Brasil é um dos campões mundiais em acidentes de trabalho. Tudo em nome do “desenvolvimento”.

Este é o Brasil que avança? O Brasil potência, ou uma reprodução ampliada do velho Brasil?

Avancemos nesta greve para questionar este Brasil precário que subsiste e é reproduzido. Avancemos para fazer desta greve um questionamento do conjunto do sistema de educação, como parte do questionamento do Brasil da educação, da saúde privatizadas e precarizadas e do trabalho precário!

Esta greve também é dos estudantes!

Uma grande luta que pode ser vitoriosa! Para isto avançar em nossa organização democrática e em uma pauta estudantil nacional!

Esta greve também é dos estudantes. Ela é nossa porque apoiar os professores é parte de lutar pela educação pública e gratuita no país. Esta greve também é nossa porque estamos nos somando a ela e levantando bandeiras nossas. Porém para termos uma greve mais forte é preciso avançarmos para que nossa organização seja desde a base em cada curso, unidade e a partir daí construir uma pauta nacional estudantil. Precisamos que nossa organização seja feita ombro a ombro com os professores e com os técnicos administrativos que entram em luta. Para isto precisamos coordenar nossas ações, ir realizando comandos, assembléias conjuntas. Este passo de unidade é importantíssimo para dificultar a política do governo, que uma hora procurará nos dividir, atender um setor para ferrar o outro. Esta unidade é pré-condição para que nossa luta seja por muito mais que salário e permanência estudantil, mas para dar passos firmes em transformar profundamente todo o sistema de educação no país.

Nessa luta vamos nos enfrentar não só com o governo Dilma e distintas reitorias que vão procurar nos dividir, mas inclusive é provável que direções de sindicatos e DCEs queiram a qualquer momento falar que “a greve não dá mais”, “já conseguimos o suficiente”, está na hora de voltar às “pautas específicas”, ou “partir para outros métodos” para que cada universidade pressione sua própria reitoria de maneira isolada, é preciso superar este perigo de isolamento de cada luta. Para que isto não ocorra por fora do controle de cada estudante, professor e técnico-administrativo em luta é preciso que sejam constituídos comandos democráticos em todos os níveis, de campus, universidade, estado, país.

Conforme nossa luta se massifique, e precisamos fazer de tudo para isso, nos encontraremos com dificuldades novas. Quando temos assembléias de milhares, dois perigos se colocam: de virarem comícios das direções e principais organizações políticas onde os estudantes independentes e de organizações e coletivos com menos peso não conseguem se expressar, ou quebra-quebra. É preciso lutar por espaços mais amplos e democráticos. Por isto defendemos que os comandos sejam como “assembléias de assembléias”, ou seja, que, representem cada posição debatida na base dos cursos e unidades. Um comando democrático com delegados revogáveis de assembléia, com posições de maioria, minoria, plural dos setores em luta, como direção do movimento campus a campus, universidade a universidade, estado a estado e crescendo por todo o país.

Este comando precisa ser muito mais que uma soma de DCEs, CAs, Associações de Docentes e sindicatos dos técnicos administrativos, que obviamente, quão mais legitimados forem em suas bases mais prováveis que serão os delegados de assembléia. Este comando precisa ser uma expressão democrática e de luta de uma direção do movimento, promovendo debate e unidade na ação. É preciso levar em consideração o tamanho dos cursos, faculdades, universidades, e o tamanho de sua mobilização, estabelecendo um critério numérico democrático e que garanta a participação de todos e seu controle pelo movimento. Uma fórmula meramente federativa ou que ignore a mobilização pode permitir universidade sem greve decidir o rumo de nosso movimento, ou criar graves distorções para um movimento nacional e democrático. Ou fazemos um comando como este, ou nosso movimento será decidido por alguns punhados de dirigentes de sindicatos e DCEs, e possivelmente por alas afins ou nada críticas – que dizer contrárias – a todo a precarização do trabalho, da educação e da vida em geral que é promovida pelo governo Dilma.

Mas não é só a nossa forma de se organizar que pode permitir uma forte greve nossa, junto aos professores e técnicos-administrativos. É preciso desenvolver uma pauta estudantil nacional. País afora temos problemas muito parecidos. Não há sequer uma universidade que oferece todas as condições necessárias para a assistência e permanência estudantil. Não podemos encarar este problema com um problema que isolado, a ser decidido universidade a universidade, campus a campus. Porque esta precariedade é produto de um mesmo projeto educacional do governo. Por isso é preciso nos organizar desde as bases, constituir comandos de greves locais, regionais e nacionais, para juntxs construir uma grande campanha nacional: “nenhum campus sem alojamento gratuito conforme a demanda; nenhum campus sem bandejão com trabalhadores efetivos e gratuito; nenhum campus sem creche com projeto educacional e trabalhadores efetivos e gratuito, conforme a demanda de todos setores, inclusive terceirizados; nenhum campus sem laboratórios adequados; nenhum campus sem bolsas, que paguem um mínimo do salário mínimo, conforme a demanda”.

Levantar um movimento como este permite darmos concretude a pautas que os estudantes têm levantado como os 10% do PIB e mais que isto mostrar para cada trabalhador do país como lutamos pelas condições para que seus filhos possam se sustentar e sobreviver nas universidades públicas que até hoje são pensadas para a elite. Lutar pelas condições da permanência estudantil é parte de darmos um passo decidido contra cada direção de DCE que cantará como vitória alguma pequena promessa – que nem sempre se torna realidade – de permanência estundatil. Nosso movimento pode conquistar muito mais do que conquistas isoladas. Podemos dar passos para que todos os campi todo país tenham condições dignas para os estudantes estudarem como parte de colocar de pé um questionamento ao conjunto dos projetos precarizadores e privatizadores da educação que vem sendo implementados com FHC, Lula e Dilma, e mesmo antes disto.

Aspectos históricos da constituição de comandos de delegados revogáveis de assembléia

Comandos deste tipo são uma invenção antiga dos trabalhadores e da juventude em luta em todo o mundo. A revolução russa, bem antes de sua burocratização sob o stalinismo, colocou ao mundo o exemplo dos sovietes que se organizavam desde os locais de trabalho e garantiam a representação, o controle e decisão de cada passo do país pelos trabalhadores, representados a cada 500 trabalhadores por cada fábrica, e aí se juntavam por distritos, bairros, cidades, e todas as Rússias (incluindo os povos previamente oprimidos pela monarquia). Diversas outras revoluções estabeleceram mecanismos como estes, na Alemanha de 1923, na Espanha na década de 30 com as “juntas”, na Hungria em 1956 contra o stalinismo e em defesa da revolução. Mas não só em revoluções foram organizados órgãos como este.

Em 1999 em uma luta de longos meses na luta da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), os estudantes ergueram um “comando geral de greve” (CGH) que reunia milhares de representantes em luta. Sua força democrática e criativa dos setores em luta soube resistir a ataques como o promovido pelo governo com prisões dos delegados do comando e a tentativa de derrotar a luta com um plebiscito na universidade. O democrático e criativo CGH respondeu à tentativa do governo com a criação de um plebiscito próprio nos bairros populares, se a população apoiava ou não a greve, conseguindo centenas de milhares de votos e obrigando o governo a mudar de linha.

Na França em 2006 os estudantes saíram em luta pela derrubada de um decreto, o CPE, que precarizava as condições de trabalho de todos os jovens até 30 anos. Praticamente todas universidades do país saíram em luta, com greves, ocupações. A força da ação estudantil mobilizou os trabalhadores e, apesar das burocracias sindicais, ocorreram greves gerais em apoio à reivindicação da juventude organizada pelos estudantes universitários. Lá na França os estudantes organizavam-se em um comando nacional democrático que levava em consideração a mobilização dos estudantes. Cada universidade tinha direito a 3 delegados – em geral tirados em assembléia – porém se a universidade estava em greve tinha direito a 4, e se além disto tinha ocupação tinha direito a 5.

Formas democráticas como estas podem dar mais vazão a nosso movimento, criatividade. Elas em si não garantem sua vitória. Porém como já haviam escrito Marx e Engels a “emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”, organizar formas para direção das lutas como estas não garantem a vitória, mas são pré-condição para que façamos nossa luta desde nossas próprias mãos. Isto nos dá força, não nos garante a vitória, mas nos une e multiplica.

Infelizmente não são todas as correntes políticas que concordam com isto. Primeiro as alas ligadas ao governismo, como a UJS (PCdoB), DS (PT), não querem que surja um movimento organizado deste modo, pois as coisas sairiam de seu controle rumando para que tenhamos um forte movimento que não só questione o governo que apóiam como pode se voltar contra o mesmo e atrair os trabalhadores para isto. No entanto, sem ter estes interesses mesquinhos de blindar “seu” governo contra a necessidade da luta dos estudantes e trabalhadores, há correntes de esquerda, anti-governistas como o PSOL e PSTU que foram sistematicamente contrárias a comandos deste tipo na USP em 2011. Agora na UFRJ, onde compõem juntos a maioria do DCE, constroem um comando que sequer exige assembléias de curso. Esperamos que revejam sua política e junto a nós sejam parte de criar uma forma democrática, proporcional, e desde as bases, para coordenar um forte movimento nacional!

Uma grande luta nacional que pode avançar a muito mais que 10% do PIB! Podemos inaugurar a luta por outro sistema de educação!

Estamos em uma das maiores greves da educação nas últimas décadas. Depois de um 2011 onde os professores da rede pública do ensino básico e médio sacudiram cada estado do país, estamos na maior greve de docentes, em uma importante greve de estudantes e na véspera de importante luta dos técnico-administrativos também.

Com toda esta força em movimento precisamos pensar o que podemos e em que sentido é necessário avançar.
A educação é super precária em nosso país. A ditadura primeiro e o neoliberalismo depois universalizaram a educação básica e média às custas da interminável precarização das condições de estudo, e principalmente de trabalho dos professores. Visam formar uma mão de obra letrada o suficiente para trabalhar em um estaleiro ou um canteiro de obras que saiba ler o suficiente onde há risco de morte, se tanto, ou que saiba ler um pouquinho mais e trabalhar no telemarketing. Professorxs recebem um salário miserável que obriga trabalhar em várias escolas por dia não havendo tempo suficiente para preparar aulas, atender os estudantes, continuar seus estudos. Escolas em contêineres, com goteiras, com os quadros negros quebrados, sem giz, sem ar-condicionado ou ventiladores, colocando os estudantes, sob supervisão policial. Em uma escola como esta é preciso um grau de repressão que o mero panóptico de construir escolas no mesmo formato de prisões não bastam, precisam ser militarizadas, ter polícia nos corredores intervindo no ir e vir dos corpos, das idéias. E como só reprimir não basta para os negócios, os governos estaduais criam parcerias com a editora Globo, Abril para criar livros didáticos e programas “especiais” para seus negócios, transmitir sua ideologia, deixando de fora a participação dos professores e alunos na construção dos saberes e busca pelo conhecimento.

Sobre estas fundações miseráveis, militarizadas, privatizadas, ergue-se um ensino médio apressado, pois não há outra palavra para descrever o cotidiano de um jovem que chega cansado do trabalho, exprimido no precário transporte público para o ensino noturno e os EJAs. Apressado para ir para casa, sair com os amigos, cuidar dos filhos, descansar, apressado para concluir este aperto e quem sabe ter a chance, difícil, de passar em algum vestibular/Sisu sob as concorridas cotas ou em um Prouni.

Depois deste andar ergue-se o ensino superior. Um ensino superior que é a reprodução ampliada de suas bases. Mais de 75% dos estudantes universitários estão concentrados no ensino particular, pago. A bolsa do Prouni vem com condicionantes de desempenho – ignorando o extenuante ritmo de vida de quem tem que conjugar sustentar sua família com estudar – e com a proibição de criticar a universidade, se mobilizar. Quem organizar um centro acadêmico, alguma mobilização em uma universidade privada, que tal como ensino básico e médio são super repressoras com catraca, carteirinhas, intermináveis seguranças privados, tem um destino certo, enfrentar as ameaças de perda de bolsa, e conseqüente expulsão pela via de falta de pagamentos, mas mesmo assim, pouco a pouco os estudantes das privadas no país vão se organizando. Os estudantes não bolsistas estão submetidos a infernais matrículas e mensalidades sempre crescentes e a ter de deixar parte grande da renda de seu trabalho – se não o de parte grande de toda a família – para o punhado de tubarões do ensino que controlam este mercado privado.

Na universidade pública temos dois projetos que cruzam todo o sistema e às vezes a mesma universidade. Temos uma grande formação de mão de obra – com traços similares às privadas – e bolsões de excelência. E tal como no sistema como um todo os estudantes oriundos de famílias trabalhadoras estão em maus bocados. Com raras bolsas e com valores que competem com o bolsa-família e não com o salário mínimo, mal alcançam o valor das xerox e um ou outro pão de queijo, café. Alojamentos são raridades e em vários cantos do país, como na UFMG começam a ser operados por fundações privadas e a ser pagos, quando não são simplesmente precários. São uma senzala dentro da Casa Grande. Lá estão os negros e os estudantes pobres, e estão amontoados em condições insalubres. Não há creches para que mulheres possam deixar seus filhos e estudar, trabalhar, não há bandejões para conseguir se alimentar, e alimentar-se com mínimos padrões nutricionais. Tudo isto lado a lado com unidades de “excelência” citadas como a aurora de um “Brasil potência”.

Os bolsões de excelência podem fazer o que não se faz em todo o restante do sistema no país, pesquisar. Porém, limitados em seu acesso, em seu financiamento, espremidos pelo produtivismo de uma CAPES, CNPq e agências estaduais vão fazendo um ensino baseado em linhas de produção de bolsistas de iniciação científica, mestrado e doutorado que tem que cuspir um conhecimento em processo de apreensão ou impostos pelos orientadores o que é para melhorar a nota do programa da pós. E junto disto uma pressão imensa das empresas privadas. Abundam cursos de engenharia de petróleo, engenharia de minérios, engenharia florestal cada um deles com patrocínio de multinacionais ou para o lucro dos acionistas privados da Petrobrás. Os pesquisadores destes “centros de excelência” têm contratos que a pesquisa pertence à empresa “patrocinadora” e não à universidade, ao pesquisador. Na farmácia, na biologia vemos o mesmo se reproduzindo, e paulatinamente a mesma lógica com seu IBGE, Datafolha, outros vão entrando nas humanas.

Para sustentar tudo isto é preciso que as estruturas de poder da universidade sejam muito mais elitistas que o regime político vigente no país. 
Os órgãos decisórios das universidades, como os Conselhos Universitários (onde o reitor tem o poder de veto sobre tudo), e demais órgãos colegiados supostamente democráticos, contam com uma mínima porcentagem de estudantes e funcionários que, quando muito tem cada um 15% do poder de voto (e o que falar dos terceirizados), e dentre os professores várias complicações para que uma casta possa mandar em tudo. De norte ao sul do país, as universidades são comandadas por professores, em geral os que possuem os mais altos cargos, como os titulares, e aqueles que representam a maioria da comunidade universitária, estudantes e trabalhadores (efetivos e terceirizados), professores temporários, substitutos, não encontram nesses espaços a possibilidade de fazer valer sua força e opinião sobre os rumos da universidade, no máximo constam em ata, já que em raros lugares, juntos compõem 30% nestes órgãos que vergonhosamente alguns denominam “democráticos”.

É contra este sistema de educação que precisamos nos voltar. É preciso trazê-lo abaixo! Esta grande luta nacional pode dar os primeiros passos para levantar em alto e bom som esta luta. Contra o elitismo e racismo do sistema universitário, lutar pelo livre acesso às universidades, por todas as condições de permanência estudantil para que as massas trabalhadoras possam estudar, pelo financiamento para garantir um sistema educacional como este (10% ou muito mais), por outra estrutura de poder, democrática, onde aqueles que são a maioria, os estudantes possam junto a professores e trabalhadores determinar os rumos, por uma pesquisa livre das amarras produtivistas que permita um livre avanço da ciência e coloque o conhecimento a serviço da classe trabalhadora do país!

Não são poucos os trabalhadores que aceitam o discurso interessado da mídia e do governo de que se trataria de uma manifestação de uma elite, de uns privilegiados. Nosso melhor remédio é tomar em nossa luta a bandeira de todos os trabalhadores e do povo, fazer desta luta pelas mais elementares condições dignas para estudar e trabalhar em uma universidade federal uma luta pela completa transformação do sistema de educação no país!

Para levantar uma luta como esta, coisa que podemos e devemos neste forte movimento que estamos construindo é preciso derrotar os agentes do governo em meio ao movimento estudantil. O PCdoB/UJS, a DS (Kizomba/PT) e outras correntes majoritárias na UNE defendem este sistema educacional! Defendem algumas melhorias neste sistema racista e excludente, defendem a regulamentação do ensino privado e não sua estatização para que todos possam ter acesso à educação gratuita e de qualidade, defendem ampliar as bolsas do Prouni, as vagas de expansão precarizantes do REUNI e não o livre acesso de todos aqueles que querem estudar. Estas direções precisam ser derrotadas para abrir caminho a uma luta pela educação gratuita e de qualidade para todos!

Porém não só os governistas precisam ser derrotadas é preciso também superar as direções do PSOL e PSTU que são críticas a este sistema de educação, mas não lutam conseqüentemente por sua transformação. Em suas propagandas, tal como o fazem vários DCEs que dirigem, ou mesmo o ANDES, há críticas em panfletos e debates a cada aspecto do sistema de educação, no entanto, em suas lutas. Na concretude do que fazer, lutam só por salário e só por um outro bandejão, tratado de forma localista, reitoria a reitoria. O grande unificador geral é sua bandeira, abstrata, de 10% do PIB, mas sem questionar, na prática e na agitação, como são usados estes recursos, para onde vão, sem lutar contra as fundações, contra a CAPES, sem lutar pelo livre acesso. “A prática é o critério da verdade”, por isso é preciso sair da propaganda! É preciso colocar estas bandeiras na rua! É preciso inaugurar uma nova história na juventude em nosso país! Uma história de luta pela educação pública para todos, uma universidade com livre acesso, lutar por um conhecimento que sirva à classe trabalhadora!

Somos uma geração filha do neoliberalismo e individualismo, mas também somos os herdeiros de 68

Somos uma geração que já nasceu sem sonhos coletivos. Nascemos já não havia nada a aspirar fora o consumo. Nascemos sob o império do individualismo, nascemos sob a fragilização das pessoas, medicalizadas, bestializadas por programas de TV e intermináveis psicotrópicos para tornar a vida mais “palatável”. Porém no mundo todo a juventude está começando a se levantar e para dar um basta. Somos esta geração, mas temos uma história muito mais rica que esta miséria dos últimos anos e gerações para nos basear.

Somos herdeiros da Faculdade de Filosofia da USP na Rua Maria Antônia que em 1968 onde, junto a professores, os estudantes tomaram a universidade e mudaram todo seu funcionamento, das regras e horários aos currículos. Somos herdeiros da Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro no mesmo ano onde os estudantes honraram Edson Luís assassinado pela ditadura e puderam ser a voz de todo o povo gritando “Abaixo a Ditadura, o povo no poder!”. Somos herdeiros dos jovens que subiam os morros em todos os anos 60 e adiante, tentando estabelecer uma nova pedagogia que não só alfabetizasse o povo, mas o ajudasse a criticar, a lutar, colocando seus conhecimentos a serviço da classe trabalhadora e do povo. Somos herdeiros das manifestações de massas de 74 e depois que ajudaram abrir caminho para a luta da classe trabalhadora contra a ditadura. Somos milhares de jovens que tomaram as ruas em cada grande crise política, econômica, na história deste país para defender os interesses da classe trabalhadora e do povo. É desta história que precisamos nos lembrar, e fazer dela uma força viva em cada escola, em cada rua do país! Assim, daremos passos para usar a força da juventude universitária do país para avançar a mobilização, a crítica da classe trabalhadora a este país miserável e explorador, herdeiro da escravidão e do latifúndio, e abrir caminho a outra sociedade, baseada na auto-organização da classe trabalhadora e que acabe com a irracionalidade do capitalismo! 

Em todo o mundo a juventude e a classe trabalhadora precisam vencer!

A maior crise capitalista desde 1929. Cortes de gastos com saúde e educação. Aumento da idade para aposentadoria. Fim dos acordos coletivos. Esta é medicina que os capitalistas estão buscando impor aos povos. Uma intervenção médica que é para amputar, amputar o futuro de gerações. Porém os trabalhadores e em especial a juventude começam a resistir. Mesmo em países onde há regimes repressores e com intensa militarização como o México vemos milhares de jovens realizarem assembléias em cada universidade e tomarem as ruas em milhares, contra a manipulação da mídia, contra o governo e a militarização. Tomemos o exemplo da juventude grega, da juventude egípcia em Tahrir, dos chilenos em luta por educação gratuita, dos mexicanos, espanhóis que tem sofrido uma intensa repressão por terem apoiado a greve geral de 29 de Março, da juventude em Québec, no Canadá. A juventude e os trabalhadores podem e devem vencer em todo o mundo!