Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

Mostrando postagens com marcador QUESTÃO NEGRA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador QUESTÃO NEGRA. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de setembro de 2014

Nota unificada de repúdio ao ataque racista feito pelo professor Edson Leite e seus advogados à estudante da EACH-USP


Manifestamos aqui nosso completo repúdio ao ataque racista que o professor Dr. Edson Roberto Leite, ex-vice diretor da EACH-USP, cometeu contra uma estudante ativista da EACH após a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) “das áreas contaminadas”, nessa terça-feira (23/09) na Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo.

Edson Leite havia sido intimado judicialmente para prestar esclarecimentos e em seu depoimento afirmou cinicamente mais uma vez que não teve relação com as decisões do aterro ilegal no campus, o que minimamente já evidencia sua negligência perante a comunidade universitária. Leite também tem um histórico de autoritarismo: foi o responsável pela entrada da Tropa de Choque no campus da USP Leste em 2013, que foi acionada para reprimir os estudantes que legitimamente ocupavam a diretoria exigindo, entre outras coisas, seu afastamento.

Justamente por isso, após a sessão, estudantes foram questioná-lo e Leite, junto aos seus advogados, se direcionou a uma estudante negra (linha de frente nessa e em outras lutas, sendo uma ativista reconhecida no movimento estudantil da EACH) e numa clara tentativa de desmoralizá-la disseram: “Vá se lavar”. A estudante respondeu questionando se eles diziam isso pelo fato de ela ser negra e eles apenas repetiram: “Vá se lavar”. Imediatamente os outros estudantes que ali estavam pegaram câmeras digitais e outros dispositivos que pudesse gravar essa declaração racista, mas dessa vez Leite e seus advogados se calaram.

Sabemos que o racismo segue presente em nossa sociedade e na universidade não é diferente. Ao contrário, como é gritante nesse caso, o racismo é uma questão que permeia todos os debates sobre educação superior. Sabemos por exemplo que apesar de serem a maioria da população brasileira, são justamente os negros os que menos têm acesso às universidades. Esse número despenca assustadoramente quando se trata das universidades públicas. O caso da Universidade de São Paulo é ainda mais agravante, pois sua estrutura de poder, que está intrinsecamente ligada a ditadura militar, se nega a debater medidas de democratização no acesso, como as cotas raciais e sociais e o fim do vestibular e também medidas de permanência estudantil, que são as que garantiriam o direito ao estudo àqueles poucos pobres e negros que conseguem entrar na USP. Nessa universidade, a maioria dos negros está na categoria de trabalhadores e, dentro dela, geralmente assumindo os postos de trabalho mais precarizados, como é o caso dos trabalhadores terceirizados. Na reunião do Conselho Universitário que pautou a discussão sobre cotas, por exemplo, alguns diretores afirmaram que o índice de violência na universidade aumentaria caso aumentasse o número de estudantes negros e/ou oriundos de escola pública. Outro exemplo é a brutal agressão racista que estudantes da Escola Politécnica cometeram contra um estudante negro dentro do Centro de Práticas Esportivas (CEPE) também no ano passado.

Por entendermos por um lado que Leite não é o único racista frente à direção da universidade e sim que é mais um dos que estão – apoiados na estrutura de poder autoritária – servindo a um projeto de universidade cada vez mais racista e elitista e que sirva inclusive aos próprios interesses desse setor e, por outro lado, justamente pouco depois de uma vitoriosa greve da categoria de trabalhadores e professores, que mostrou a força dos que realmente constroem a universidade pública e de qualidade, por vermos como o debate entorno do racismo e seu combate volta a surgir no cenário nacional, mas também internacional, não podemos tolerar que criminosos como esse sigam impunes, fazendo da universidade que deveria ser para todos, um balcão de negócios dos seus interesses.

Colocamos aqui toda nossa solidariedade a estudante e reafirmamos que não nos calaremos diante de crimes de racismo dentro da nossa universidade. Seguiremos junto com ela na luta pela punição a estes criminosos, mas também na luta por um projeto de universidade não racista e não elitista que sirva aos interesses da população que a financia.

“Minha cor não é sujeira! Sujeira é a contaminação da EACH!”
“Fora Edson Leite e toda essa corja corrupta e racista da EACH e da USP!”

Assinam: 
Juventude Às Ruas
Liga Estratégia Revolucionária - Quarta Internacional
Movimento NOSSA CLASSE
Grupo de Mulheres Pão e Rosas
CAELL - Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários - USP
CASI - Centro Acadêmico de Sistemas de Informação - UFRA
Levante Popular da Juventude 
DCE - Diretório Central dos Estudantes - UFRA
Território Livre
CEAGRO - Centro dos Estudantes de Agronomia - UFRA
Reconquistar a UNE
ANEL - Assembleia Nacional dos Estudantes Livre 
FEAB  
SINTUSP



quinta-feira, 25 de julho de 2013

Juventude às Ruas – RJ organiza debate/passeio sobre história da luta dos negros e dos trabalhadores no Rio de Janeiro


Por Jenifer Tristan, Rio de Janeiro
História de luta e resistência negra


Nós da Juventude às Ruas queremos ser parte ativa na reconstrução da verdadeira história da luta dxs negrxs e da classe trabalhadora deste país. Neste último sábado dia 20/07 realizamos um passeio/debate no Centro do Rio, que tem o objetivo de caminhar pelas ruas desenterrando a nossa história que Pereira Passos e todos os governantes que o sucederam fazem questão de permanecer enterradas a cimento e cal até hoje.
Relembrando a primeira greve operária nesta cidade, em 1857, que é uma greve de trabalhadores do estaleiro Mauá, assalariados mas não livres, a primeira greve de assalariados livres no ano seguinte quando os gráficos imprimiam seu jornal de greve defendendo a abolição da escravidão. Vimos nestas experiências, e outras, a importância da aliança entre trabalhadores negros e brancos como parte da luta por emancipação humana, por ruas importantes onde aconteceram revoltas como a rua onde a ultima barricada da revoltada da vacina foi apagada depois de muito tempo de resistência, mesma rua onde está o IPN (Instituto dos Pretos Novos) que é um grande cemitério de escravos, onde também foi esquecido não só ideologicamente mas fisicamente com mais cimento e moradias na rua onde fica esse cemitérios que hoje tem casas, carros por cima como se nada houvesse acontecido ali. Aquele que é o maior cemitério de escravos que se conhece em todo o planeta: uma grande vala onde se jogavam os "lixos" daquela época desde lixo urbano a escravos mortos por doença, por não agüentar a viajem nos navios negreiros ou mesmo por não servir para venda.
Nosso passeio/debate teve fim nos jardins suspensos do Valongo, jardim lindo que também esconde a história, pois nesse jardim belíssimo é onde ficavam os armazéns de engorda. Neles os africanos trazidos de toda parte eram mantidos depois das extenuantes viagens nos navios negreiros, muitos chegavam fracos, magros e os armazéns de engorda eram onde os traficantes os alimentavam assim como animais para que ganhassem corpo para serem vendidos.
Achamos extremamente necessário resgatar a história dos negros que é um pilar estrutural de como se conformou esse país, pois essa elite brasileira que nasceu espremida pela elite colonial e revoltas negras carrega consigo o racismo como marca até hoje, e resgatar essa história para nós é parte fundamental para vingar nossos mortos e reconstruir nossa história, pois os monumentos da cidade escondem a nossa resistência e luta para que não aprendamos com o passado e façamos de cada barricada destruída, de cada revolta da vacina, da chibata, presente nos dias de hoje para trazer abaixo não só esta elite herdeira da escravidão, do latifúndio, de suas instituições nascidas e perpetuadas para caçar negros e trabalhadores como a polícia, mas também para superar o racismo.

domingo, 24 de março de 2013

Juventude Às Ruas – Rio de Janeiro organiza importante seminário sobre questão negra


Por Ana Carolina Oliveira, estudante de Serviço Social da UERJ e Jenifer Tristan

A Juventude Às Ruas - Rio de Janeiro (LER-QI + Independentes) organizou um importante seminário com o tema "Marxismo, questão negra e revolução no Brasil" para abrir as discussões e reflexões sobre como a questão negra é crucial para pensar um processo revolucionário no Brasil. A partir de reflexões iniciais e o resgate da história dos negros internacionalmente e em especial no Brasil, partimos de regatar a nossa história de luta desde as várias revoltas quilombolas e diversas formas de resistência negra neste país, parte da nossa história que não nos ensinam nas escolas para fazer-nos crer que a escravidão foi passiva. Pensar a revolução brasileira é também parte fundamental de ver que a história dos negros sempre foi de revoltas e resistências, com o maior quilombo da Américas que foi o Quilombo dos Palmares e todas as ações do negrxs de resistências, fugas, envenenamento de senhores, incêndios nos engenhos são as primeiras expressões de luta de classes no Brasil.

O Brasil de hoje foi criado sobre as bases da escravidão e é na marca das condições de vida dos setores mais explorados que vemos a herança da escravidão. Por trás dos postos de trabalho precário, das moradias precárias nos morros, favelas e periferias, no alvo fácil da repressão sistemática nas mãos da policia que mais mata no mundo, na maior parte da população carcerária, vemos os negros e negras hoje.




A esquerda em diversos momentos de sua trajetória nunca deu a centralidade necessária para debater a questão negra, seja porque acreditava que esta questão dividia a classe trabalhadora ou ignorando a dinâmica racial, colocando como única pauta a revolução e como se esta fosse pensável sem os negros e o combate ao racismo em um país que foi o maior país escravocrata do mundo. No Movimento Negro diversos setores não colocam a luta pelos direitos dos negros como parte da mesma trincheira da classe trabalhadora. Para superar este atraso histórico precisamos resgatar o legado do marxismo, que desde sua origem sempre deu como tarefa central a libertação da mulher e dos negros, como parte fundamental de libertação da humanidade.

A expressão destes atrasos históricos primeiramente da esquerda ao não enxergar a questão negra como parte fundamental da perspectiva revolucionaria, nunca a fez ser uma alternativa real para os negros e para o próprio movimento negro. Isso faz com que hoje estes setores se limitem a defender demandas mínimas extramente insuficientes como são as cotas raciais, que apesar de ser um avanço não respondem a altura da precarização e elitismo nas universidades e mantém vários milhões de jovens negros e pobres fora das universidades.

 O debate no seminário além de se debruçar neste pontos, também debateu ativamente a situação do negro em nossa cidade em meio a sua profunda transformação para atender aos projetos da elite. Na menina dos olhos de Dilma, Cabral e Paes, frente a preparação do País que vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, vivemos em base a um projeto de cidade privatista, de remoções, higienista que varre das ruas o conjunto dos negros e pobres, militarização as favelas a partir das UPP’s, remove milhares de moradores para dar lugar a especulação imobiliária, além de um projeto de Lei que proíbe qualquer tipo de manifestação nos meses antes destes megaevento, o AI5 da Copa. O principal alvo desta ofensiva privatista e militarista é a população trabalhadora, e sua ampla maioria são os negros. 

Diante deste cenário debatemos as tarefas de uma um juventude revolucionária que deve dar uma resposta a altura e se colocar a tarefa de atingir amplos setores desde a perspectiva da transformação revolucionária desta sociedade como aliada da classe trabalhadora.  O avanço da discussão e reflexão sobre a questão negra, somado a papel que cumpre a juventude e o peso que tem o proletariado negro no Rio de Janeiro pode e deve ser um aporte para a luta dos negros no Brasil e no mundo todo.

Com esta imensa tarefa e desafio, mesmo que ainda só com um pontapé inicial deste seminário que continuaremos com diversas outras atividades, ele foi um marco para todos presente e serve de um ótimo começo para nos fazermos à altura deste imenso desafio de relembrar a história da luta dos negros e da classe trabalhadora para acabar definitivamente com as heranças da escravidão e abrir caminho a um a nova sociedade e humanidade, o socialismo. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

JUVENTUDE ÀS RUAS - Rio de Janeiro - CONVIDA: SEMINÁRIO MARXISMO, QUESTÃO NEGRA E REVOLUÇÃO NO BRASIL


Há 6 anos do inicio da crise capitalista são antes de mais nada as massas trabalhadoras, sobretudo os jovens, os imigrantes e os negros que sofrem as conseqüências do imperialismo e as distintas burguesias buscarem descarregar sobre suas costas a crise. Vemos isto na perseguição do Estado e do neonazismo aos imigrantes africanos na Grécia, às absurdas proibições de atendimento médico aos sem documentos no Estado Espanhol. Em nosso país, que ainda não sofre as conseqüências mais drásticas da crise, vemos os setores mais precários da classe trabalhadora sofrerem duríssimas condições de trabalho nas obras do PAC e sofrerem repressão policial do governo Dilma nas mesmas.

Nosso país é inegável herdeiro da escravidão, continuada nas piores condições de moradia e trabalho dos negros. Na violência policial, no sistema prisional. Construirmos uma juventude revolucionária em nossa época e em nosso país passa necessariamente por enfrentar esta herança histórica e sua reprodução atual!

Precisamos afiar as armas da crítica, partindo dos aportes do marxismo para pensar a questão negra, para enfrentarmos esta questão estrutural em nosso país. Precisamos recuperar o papel da luta dos negros na construção do país e como a elite e o Estado brasileiro se construíram mediante a repressão das massas, particularmente negras. Não haverá revolução em nosso país sem a mobilização revolucionária da maioria negra da população e particularmente da classe trabalhadora. Não há como pensar uma revolução em nosso país que não coloque em seu centro o combate e destruição do racismo.

Nos propomos a construir um grande acampamento e seminário no final de Abril, agora, no dia 23 de março faremos um primeiro seminário para iniciarmos esta discussão.

Mesa: “Racismo ontem e hoje e as tarefas da juventude?”

Contribuições: Suplemento especial sobre a Questão Negra disponível em:http://pt.scribd.com/doc/113978620/Suplemento-Completo

Texto " Só haverá democracia quando houver revolução: um olhar marxista sobre a questão negra" do Manifesto por uma juventude revolucionária da Juventude às Ruas http://juventudeasruas.blogspot.com.br/2013/03/so-havera-democracia-quando-houver.html


Para aprofundar na história do Brasil e papel da luta negra na formação nacional:
- "Rio de Janeiro: capital mundial do genocídio negro e de suas lutas escondidas pela burguesia" disponível em: http://www.ler-qi.org/spip.php?article3741

Maiores informações no email juventudeasruasrj@gmail.com

terça-feira, 19 de março de 2013

DECLARAÇÃO DA JUVENTUDE ÀS RUAS FRENTE AOS CASOS DE RACISMO NA FACULDADE DE DIREITO DA UFMG


Cada vez mais comuns (há poucos dias vimos um absurdo semelhante na USP São Carlos) essas ações asquerosas são expressões diretas de uma universidade elitista e racista. O profundo atrelamento da universidade pública aos interesses de capitalistas - aprofundado no governo de Lula e Dilma - reserva aos jovens negros, às mulheres e aos trabalhadores não mais do que trabalho semi-escravo, baseado na terceirização dentro da universidade. E sua consequência ideológica é o papel de caricatura no ritual (trote) tipificado historicamente nas celebrações nazistas, hoje em dia reproduzidas nas universidades públicas, para que os calouros recebam a aprovação de um setor dos antigos veteranos como esses, que buscam fazer da universidade seu restrito círculo elitista.

Isso mostra como não passa de uma farsa a propagandeada "inclusão" do governo Lula/Dilma. As universidades públicas brasileiras aprofundam seu caráter elitista. Os futuros defensores dos interesses da burguesia covarde e racista brasileira seguem sendo formados nas UFMG's Brasil afora, graças ao filtro de classe que se chama vestibular. Filtro podre que serve para deixar de fora os jovens advindos da classe trabalhadora, infinitamente capaz de criação e materialmente interessada na distribuição social do conhecimento produzido. Ao contrário, hoje se cria conhecimento a serviço de empresas como a Vale do Rio Doce, imensa privilegiada das pesquisas da UFMG, que forma esse tipo de gente para, na África e no Brasil, superexplorar e oprimir o povo negro e trabalhador. Se a universidade tem esse caráter, como não se sentirão livres esses setores fascistóides para fazer nestes rituais pós Auschwitz uma escola de formação para seus futuros papeis como defensores dessas empresas?

As entidades estudantis, CA's e DA's, devem ser entidades que, ao invés de organizarem rituais de entrada ao circulo dos elitistas, sejam entidades militantes, que cumpram o papel de mostrar com clareza que a cada estudante que entra, milhares ficam fora. Que não temos nada a comemorar senão nosso poder e dever de lutar por transformar radicalmente o caráter de classe da universidade. Lutar pelo FIM DO VESTIBULAR, pela ESTATIZAÇÃO DAS UNIVERSIDADES PRIVADAS (tão bem remuneradas pelo governo do PT) para que todos tenham direito de estudar e para que a pesquisa, o conhecimento produzido e os frutos da universidade estejam em função dos interesses dos trabalhadores, da juventude negra - que hoje sequer pode entrar na universidade sem ser parada pela polícia como suspeita - e por consequência em função dos interesses de toda a humanidade.
ABAIXO O RACISMO! 

COMISSÕES INDEPENDENTES DAS REITORIAS E DOS GOVERNOS PARA APURAÇÃO DOS CASOS DE RACISMO! 

PUNIÇÃO AOS RESPONSÁVEIS E SEUS CÚMPLICES! 

PELO FIM DO VESTIBULAR! 

ABAIXO O TRABALHO PRECÁRIO, ABAIXO A TERCEIRIZAÇÃO! 

INCORPORAÇÃO DE TODOS OS TERCEIRIZADOS COMO EFETIVOS SEM NECESSIDADE DE CONCURSO PÚBLICO! 

JUVENTUDE ÀS RUAS - BH

domingo, 17 de março de 2013

Só haverá democracia quando houver revolução: um olhar marxista sobre a questão negra!



O sistema capitalista que dominou o mundo nos últimos séculos demonstrou que é totalmente incapaz de aplicar os pontos de propaganda ideológica que defendia na Revolução Francesa. Naquele momento, levou os trabalhadores às armas pelas consignas de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Mesmo nos países mais avançados do globo, com economias fortes e “consolidadas”, é possível ver que a liberdade não é para todos; que não há igualdade entre homens e mulheres, negros e brancos, jovens e idosos; que a fraternidade é apenas um jogo de elite, onde os ricos são fraternos e se protegem da crise, mas que não veem nos trabalhadores irmãos, e por isso desferem duros ataques, torturam, jogam à miséria, matam.
Com essa propaganda, a burguesia fez os trabalhadores perceberem que não deveriam seguir vivendo sob tamanha opressão da monarquia. Acontece que com a necessidade que o capitalismo encontrou de ferir esses preceitos para poder manter seus lucros, muitos trabalhadores em todo o mundo passaram a ter que lutar pela democracia contra a burguesia, que passava a impor desigualdades de gênero, raciais, etc., para conseguir manter seus altos lucros.
Essas questões democráticas, por serem parte de uma desilusão com o projeto de mundo burguês, são as principais questões que levam os trabalhadores, os pobres e a juventude às ruas, pois somada a não existência está a ilusão de que é possível dentro do capitalismo conquistar cada uma dessas demandas, como reforma agrária, independência nacional, fim do racismo, eliminação das fronteiras.
A crise econômica que vivemos hoje demonstra a profundidade que as questões democráticas podem ter. Basta olhar para os países de economia mais potente, como é o caso da França, e ver que cada uma das demandas democráticas conquistadas pela população francesa vem sendo lentamente retiradas, pois ao mesmo tempo em que são os bens mais caros para quem os conquistou, são também caríssimos e inúteis para aqueles que determinam os rumos da sociedade. A burguesia pode retirar direitos porque ela pode pagar pelos seus, e se o Estado que ela administra gasta com isso, seus lucros tornam-se menores.
Em países de economia mais fraca, como é o caso dos países do norte da África, as questões democráticas mostram sua proporção revolucionária: o não direito ao pão, somado a uma ditadura duríssima de mais de 30 anos, fez estourar o processo revolucionário que massacra a ideia de que revoluções são coisa do século passado.
As questões democráticas, para os marxistas, são encaradas como a primeira parte de um processo revolucionário e como demandas que, apesar de poderem ser conquistadas no capitalismo, só podem ser mantidas e aprofundadas pela via do poder de uma classe que não tenha interesse no lucro. É por isso que nós da Juventude às Ruas não reservamos nenhuma ilusão de que é a burguesia o agente da democratização e, consequentemente, que essas demandas não podem ser conquistadas, como cotidianamente é feito, pelo reformismo, que nada faz além de escrever cartas e acreditar na vontade dos parlamentos burgueses. A classe trabalhadora, junto à juventude, é a única capaz de responder a essas questões, através de sua auto-organização e da hegemonia operária, ou seja, da classe trabalhadora tomando como sua cada reivindicação democrática colocada pelos setores mais oprimidos, sendo essas demandas parte de seus estatutos sindicais, de suas greves, de seus apoios e, principalmente, parte intrínseca de sua luta contra seus patrões.
A juventude tem, assim, um duplo papel: ao mesmo tempo em que deve lutar duramente pela manutenção e conquista de cada demanda democrática, deve também ser a defensora da centralidade da classe operária, contra a visão difundida pelo mundo de que essa classe não tem qualquer papel para a mudança da sociedade, quando na verdade os trabalhadores são os únicos capazes de livrar a humanidade de todas as opressões.
Nenhuma confiança na burguesia, parasita de nosso trabalho! Pela hegemonia operária sobre as questões democráticas! Por uma juventude em luta pela liberdade nacional, sexual e racial, que lute ao lado da classe operária!
No caso do Brasil, uma das questões democráticas fundamentais decorre da brutal opressão histórica sobre a população negra que, desde a escravidão até os dias de hoje, sempre foi elemento estruturante da formação do Estado brasileiro. Ontem pelo açoite, hoje como mão-de-obra do trabalho precário, alvo das balas policiais, maioria na população carcerária, analfabetos funcionais, sem terras no campo, sem teto na cidade, a população negra carrega, na cor, nos traços e na condição de vida, a memória da escravidão.
Em função do modo subordinado da formação do Estado brasileiro às metrópoles coloniais, a burguesia nacional brasileira sempre foi incapaz de desenvolver-se independentemente do imperialismo inglês e português, cujos limites impostos para o desenvolvimento nacional sempre foram aceitos pelas classes dominantes brasileiras. Para fazer-se independente do imperialismo europeu seria preciso entrar em guerra contra ele e, para isso, precisaria armar uma população que a amedrontava e ameaçava constantemente.
Armar sua população seria diretamente armar os negros que fizeram os maiores e mais resistentes quilombos de todo o mundo, como o heroico Quilombo de Palmares. Este durou mais de um século, se defendendo e derrotando militarmente uma série de investidas do exército brasileiro. Para além de Palmares, foram os negros aqueles revoltosos contra a vacina e a política higienista do inicio do séc. XX, ou os que se rebelaram na Inconfidência Mineira. Para conter essa série de revoltas, a elite brasileira necessitava recorrer à ajuda imperialista, o que a marcou desde sua gestação: estar espremida entre forças tremendamente antagônicas. Não à toa, essa história é escondida de todo pensamento brasileiro, pois parte de impedir a revolta dos negros hoje é, por um lado, fazê-los esquecer de sua história e de sua trajetória de luta e, por outro, fazê-los acreditar que perderam sua identidade negra e, portanto, que Zumbi não os representa.
A crença utópica e reacionária de que a burguesia poderia ter se tornado potência carrega consigo a crença de que ela poderia e ainda pode resolver os problemas democráticos que seguem relacionados à questão negra. Sua dependência do imperialismo e sua fraqueza econômica impõem que a burguesia não consiga até hoje resolver questões elementares que afligem a população negra. A burguesia brasileira depende do trabalho precário para manter seus lucros; depende das prisões e da violência policial para manter os negros sob seu rígido controle social. Ou seja, abdicar dessas questões resultaria colocar automaticamente em risco sua dominação de classe.
É preciso diferenciar aqui dois tipos fundamentais de demandas democráticas. Existem aquelas que a burguesia, por conta de seu desenvolvimento e reacionarismo consequente, foi e segue incapaz de solucionar e que seriam, de acordo com sua propaganda iluminista, tarefas de uma revolução burguesa, que como já dito anteriormente solucionaram-se apenas em alguns países centrais. A essas chamamos de questões democráticas estruturais. São estruturais porque implicam um choque na relação de classes, como no Brasil seria o caso da reforma agrária e da violência policial. Existem outras demandas que consideramos formais, ou seja, podem ser resolvidas por dentro do capitalismo como concessão da burguesia a tensionamentos de classe, mas essas demandas em si não alterariam a relação entre as classes diretamente, apesar de a luta por elas e o debate político em torno delas poderem gerar um profundo tensionamento entre as classes. No caso do Brasil, uma demanda democrática formal para a questão negra seria a presença da história dos negros e de suas lutas nas escolas e universidades. Tal demanda, apesar de não gerar uma mudança na localização da burguesia e dos trabalhadores, não é implementada pelo risco que há de que ela se ligue com questões estruturais, gerando um questionamento do desemprego estrutural, da falta de moradias, do latifúndio, emendando essa questão formal com uma luta estrutural contra a burguesia.
Em cada país do mundo essas demandas se dividem entre formais e estruturais de maneira distinta, visto que tal categorização se refere diretamente ao desenvolvimento econômico daquele país, sabendo que o que os faz diferente é justamente o desenvolvimento do capitalismo a nível mundial, com os diferentes imperialismos em disputa, impondo localizações subalternas a diversas nacionalidades, sendo suas colônias ou semicolônias. Nestes, longe de solucionar as questões democráticas, os capitalistas estabelecem um desenvolvimento “desigual e combinado”, onde junto às mais altas tecnologias da indústria estão as mais precárias condições de vida. Com essa discussão é fácil ver que a principal tarefa dos revolucionários é retomar a relação perdida pela esquerda entre demandas formais e estruturais, e a necessidade de que essa conexão se eleve ao nível da luta contra o capitalismo e a parasitagem da burguesia sobre os trabalhadores, negros e brancos.
            A Juventude às Ruas, diferente do reformismo do PT e do PSOL que reservam à questão negra a política de mendigar migalhas para os governos burgueses; diferente de correntes como o PSTU que se adaptam ao programa que o reformismo reivindica para a questão negra e não constrói nenhum programa que vá além das migalhas; entendemos que a questão negra é a questão chave da revolução brasileira e que, entendida como tal, deve ser tomada por todos os sindicatos e entidades estudantis como seu próprio programa, que não deve ser a triste adaptação às migalhas e às ilusões na burguesia, mas nas demandas que de fato resgatam os direitos universais, que reparam historicamente, que colocam os negros, trabalhadores ou não, em enfrentamento direto com a burguesia!
Pela democratização de todo o sistema educacional, com escolas e universidades públicas, gratuitas e de qualidade para todos!
Pelo fim do vestibular e estatização das universidades privadas sem indenização aos capitalistas da educação!
Por currículos formulados de maneira democrática, com direito de decisão de toda a população, para que atenda as necessidades de saneamento, moradia, saúde, educação e trabalho de toda a população pobre e trabalhadora!
Pela reforma agrária e urbana com planos de obras elaborados e discutidos pelos movimentos sem terra e sem teto!
Pela legalização das terras quilombolas!

* texto extraído da Revista Manifesto Por Uma Juventude Revolucionária lançado em março de 2013.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Rio: para saber-se negro

Relato de Leticia Parks sobre o verdadeiro Rio de Janeiro - o Rio de Janeiro negro!

Estive há poucos dias no Rio de Janeiro. Desde criança vejo nas novelas, nas propagandas e nos cartões postais o retrato dessa cidade tida como a melhor fotografia do que é o Brasil.

Em tudo o que o país carrega de sua ideologia mais arraigada, o Rio é o maior manifesto. Para os que dizem que fazer teatro é ser global, vê-se na cidade os intermináveis cartazes de atores globais estrelando peças que conseguem ser mais degeneradas que eles próprios. Para os que dizem que só pode tirar a roupa na praia os que tem corpos esculturais, as mulheres e homens, jovens e mais velhos, passam todo o dia de sol correndo pelas praias de Copacabana e Ipanema mostrando que para estarem de barriga de fora tem todo o tempo e dinheiro necessários. Depois, sentam com seus amigos igualmente tatuados, sarados e bronzeados e falam das asneiras típicas da (pequena) burguesia. Aplaudem o por-do-sol a beira mar depois de terem emporcalhado a praia com suas latinhas e cocôs de cachorro. Para os que idolatram a ocupação militar das favelas, é possível subir o morro do Alemão de bondinho e ver, em meio aos escombros tingidos de sangue, uma grande favela pacificada, tirar fotos e mostrar para os amigos que não foram para lá nessa temporada. Para os que lembram saudosos e desejosos da ditadura, é possível admirar o forte armamento de cada policial que anda pelas ruas, ou que exibe suas metralhadoras pela janela da viatura. Para os que dizem que temos orgulho de nosso passado colonial, basta ir à Pça XV e admirar as fantásticas obras imperiais e pós-imperiais que lembram o passado de portos escravistas, de higienizações racistas.

Para os que tem a pachorra de dizer que negros e brancos convivem em harmonia nesse grande país miscigenado, não há muito o que dizer.

Como negra, vivo a minha vida sem saber parte de minha história. Graças a Ruy Barbosa, que em 14 de dezembro de 1890 ordena a queima dos arquivos da escravidão, jamais saberei, assim como a grande maioria dos negros brasileiros, qual é a origem de minha família, quais eram seus nomes, como chegaram aqui, quantos deles morreram no caminho pela insalubridade e violência dos navios negreiros. Talvez esse elemento possa parecer pequeno para os que não se atentaram ou não vivem com ele. A história é fundamental para forjar o sujeito. Sem história é muito difícil que se consiga forjar cultura, identidade e, principalmente, sujeitos que se radicalizem contra a história de seu povo. Há tempos me revoltei contra a exploração sobre os trabalhadores em todo o mundo, dentre os quais um parcela importante é negra. Mas ainda me faltam, assim como a quase todos os negros brasileiros, a história concreta de nossos antepassados, que tornaria nossa revolta contra a opressão e, dessa maneira, contra a exploração, ainda mais agudas.

Para isso, fui conhecer o Rio que de fato representa o Brasil, que não é o Rio dos globais, dos sarados, da “passivização” policial, da “beleza” imperial. Fui conhecer o Rio da violência imperial sobre os escravos, do assassinato indiscriminado de jovens negros, do apagamento da história viva de todas as negras e negros desse país.

Comecei pelo que há de mais recente.

Na Rua da Candelária, a poucos metros da entrada da igreja de mesmo nome, é possível

ver o monumento desgastado pela chuva e pelo vento que familiares fizeram para homenagear as crianças que na madrugada do dia 23 de julho de 1993 foram brutalmente assassinadas pela polícia, que parou com os carros no local onde elas dormiam e abriram fogo sobre todas, levando 8 jovens negros à morte. Solucei quando notei que esse monumento, diferente do museu do Banco do Brasil, não só não recebe qualquer visita, como também não recebe qualquer financiamento ou preservação por parte do Estado. Os nomes dos meninos passam lentamente a ser esquecidos, até o que o tempo dê conta de sumir com cada uma das letras que, relutantes, formam os nomes daqueles que, infelizmente, já tiveram suas mortes esquecidas.
Monumento aos mortos na Chacina da Candelária

Da Candelária segui para a Rua Pedro Ernesto, no bairro da Gamboa. No número 36, de maneira totalmente encoberta por anos de esquecimento, está o cemitério dos pretos novos. Porque novos? Porque esses 30 mil escravos enterrados nesse terreno jamais chegaram a viver a vida da escravidão, tendo, após sequestrados em sua terra, chegado mortos ao porto. O fato de o Rio ter recebido metade dos escravos sequestrados para a América torna concreto dizer que este é o maior cemitério escravo do continente, e que ali estão precariamente enterrados muitos dos irmãos, primos e companheiros dos ancestrais de cada negro brasileiro. Se a Candelária representa nosso presente, a Pedro Ernesto representa as origens dele, e é por esse motivo que esse é mais um dos locais históricos de nosso país que a burguesia, pela via dos governos e prefeituras, mantém o descaso e a podridão reservados a esse importante ingrediente de nossa revolta.

A Gamboa tornou-se, algumas centenas de anos depois, palco de um prestigioso momento de contra ataque dos negros. Rodrigues Alves, presidente do Brasil em 1904, implementou apoiado com os projetos higienistas de Oswaldo Cruz, uma brutal expulsão de negros do Rio de Janeiro, para tornar a capital do país menos negra, logo, mais apresentável aos olhos do Imperialismo. Tendo suas casas demolidas e suas famílias expulsas, os negros recém “libertos”, vivendo sob condição de miséria, tiveram como estopim para sua revolta a aprovação no Congresso de obrigatoriedade na vacinação contra a varíola. Dos dias 10 a 18 de novembro de 1904, moradores negros do bairro da Gamboa organizaram, na mesma rua onde os pretos novos estavam enterrados, uma das mais fortes barricadas da Revolta da Vacina. A repressão do governo deixou 30 mortos e mais de 100 feridos. Para a barricada não encontrei nenhum monumento. Talvez porque o melhor seja fazer uma nova.

Saindo dali estive na Pedra do Sal, um ponto de encontro dos sambistas e daqueles que apreciam a música. O lugar é lotado, muito pelo samba e pouco pela história. Ao lado de um grande mercado de escravos, estava a pedra que pouco a pouco, no início do século XVII passou a ser rodeada por trabalhadores escravos e livres das docas, que talharam uma escada na pedra para tornar mais fácil o acesso à carga e às casas, que subiam o morro para além da pedra. Lá é também onde se registra as primeiras rodas de samba cariocas, que aconteciam após o longo dia de trabalho escravo descarregando navios. Junto a roda, outras manifestações da cultura negra vinham a tona, como os terreiros de candomblé, trazidos pelos escravos baianos. A região é até hoje cercada de quilombos, que expressam o histórico e interminável impedimento à moradia para os negros, que se inicia, obviamente, com o fato de que para que ela ocorresse de maneira livre, os negros fugiam e se enfrentavam violentamente contra a escravidão.

Esse foi o Rio que conheci em pouco mais do que um dia. Este Rio que me encheu o rosto de lágrimas, os pés de raiz, a mente de idéias e cada parte do meu corpo de uma pulsação mais fervorosa e raivosa, corpo e mente com mais certezas de que o sistema capitalista, que sobrevive do racismo, precisa mais do que nunca acabar.

Obrigado aos que me fizeram encontrar tudo isso.

Letícia Parks é militante da Ler-qi e da Juventude Às Ruas e estudante de Letras na USP

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

FRANCA: I ENCONTRO DA CONSCIÊNCIA NEGRA