Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Quarto de despejo: um relato atual.



O grupo de estudos Cultura e Marxismo realizou no dia 24/02 uma atividade de calourada sobre literatura e sociedade tendo como viés a questão da mulher. Foi usado o livro Quarto de Despejo, da autora Carolina Maria de Jesus. Usamos alguns dos dias do diário de Carolina para apresentar o livro aos estudantes e problematizar as questões políticas que ele abarca.

A primeira problemática a ser debatida se deve ao fato de ser um livro de extrema importância por denunciar as contradições da sociedade da época como também por expor aspectos fundamentais da cultura e organização social brasileira que vêm sendo reproduzidas até os dias de hoje e não estar presente na academia. Como é selecionado o cânone que lemos na universidade e porque foram questões abordadas.

É evidente o caráter de classe ali exposto.  A autora relata seu cotidiano como moradora negra da favela do Canindé e dá início a um debate de qualidade sobre aspectos cruciais da vida em comunidade. O fato de ser mulher, mãe de dois filhos – sendo eles de gêneros diferentes – abriu a oportunidade de pensarmos a vida de uma catadora de lixo na sociedade capitalista e como a marginalização, já tão naturalizada, tem consequências materiais e subjetivas. Seus relatos denunciam as opressões, como o racismo, apontando seus desdobramentos e consequências desde a escravidão.

Foi possível discutir a sociedade de classes, a questão negra, o patriarcado e o machismo escancarado em algumas relações marcadas pela violência doméstica. Traçar paralelos entre o passado e o presente do Brasil dado a infeliz continuidade desta realidade que assola a população. Concluímos não só as questões políticas e sociais passíveis de análise pela incrível obra de Carolina Maria de Jesus como a necessidade de intervir para modificar e erradicar questões como a fome, tão tratadas na obra, comuns a milhares de famílias como a da autora. 


Nossa proposta com o grupo de estudos é discutir a sociedade em que vivemos e o que faz com que alguns dos aspectos mais delicados e fundamentais para sua constituição sejam negligenciados nas recorrentes discussões teóricas em sala de aula e quais suas consequências na formação política dos alunos. Chamamos, portanto, todos e todas para as discussões semanais. Política pode e deve ser feita dentro e fora da sala de aula. 

segunda-feira, 9 de março de 2015

PAZ SEM VOZ NÃO E PAZ E MEDO – RESISTENCIA DO COMPLEXO DA MARE


PAZ SEM VOZ NÃO E PAZ E MEDO – RESISTENCIA DO COMPLEXO DA MARE

Faby, militante da Juventude às Ruas

Na segunda feira (23/02), centenas de moradores realizaram um ato contra assassinatos de moradores, ações abusivas e invasões em moradias ocorridas nas ultimas semanas promovidas pelas forças militares. A invasão militar da Maré pelos aparatos do Estado como o Exercito, Marinha e suporte da Aeronáutica a mando do governo do PT de Dilma completara 1 ano em abril, e coleciona denuncias de violações dos direitos mais elementares como ir e vir, dormir a noite, realizar festas ou ate mesmo reuniões, ate casos de torturas, agressões nas ruas, abusos de poder, invasões noturnas em moradias, fuzilamento de veículos e assassinatos. Durante a campanha de Dilma para o segundo mandato em debate com o PSDB na televisão, a candidata falou com orgulho dessa ocupação como exemplo para segurança nacional, desmascarando a pratica desse governo de passar por cima dos direitos e dos corpos dos trabalhadores, dos negros e do povo pobre. No dia 21 de fevereiro um pedreiro foi fuzilado na Maré, outro trabalhador negro e pobre, outro Amarildo. Companheiros meus de universidade me relatam o medo diário dos tanques estacionados em suas portas com dezenas de soldados fazendo estardalhaços, entrando nas casas de madrugada, que não apagam mais as luzes para dormir e me questionam Se entrarem na minha casa e se depararem com um negro de short dormindo:! Será que vai valer os livros na estante como defesa:! Diariamente inúmeras questões tomam esses moradores, medo, impotência, coragem, vontade de lutar, alegria de estar vivo mais um dia, superação.

Enquanto moradora negra de uma favela com UPP (Unidade de Policia Pacificadora), política de segurança do governo Cabral do PMDB com incentivos privados e federal, compreendo as particularidades de cada território, de cada ocupação e as diferenças de ter seu espaço invadido pela policia militar e pelas forças nacionais. Procuro expor aqui minha solidariedade e disposição para lutar lado a lado, nossa luta e uma só, nossos inimigos são vários e nossas forças infinitas. Ser favelado e favelada, ser favela significa resistência cotidiana, somos a resistência negra, feminina, nordestina, pobre, lgbt, trabalhadora nos quilombos urbanos. A decisão de me organizar, de militar veio depois de assistir o filme “O Estopim” na Rocinha que mostra toda a tortura e assassinato de Amarildo e relatos de como praticas como essa são cotidianas. Precisava de meios e ajuda para lutar cotidianamente para modificar a realidade de milhares assim como eu. Busquei um programa coerente com o que precisamos, temos pressa! Não queremos uma “UPP social”como alguns setores de esquerda defendem, não queremos uma policia “desmilitarizada” que terá a mesma atuação assassina pelo papel de classe que cumpre na sociedade capitalista, racista e elitista. Como exemplo da atuação da Civil temos a Core que mata e tortura tanto quanto a Bope. Temos necessidade de uma nova sociedade, não uma nova policia, de um Estado construído e dirigido pela classe trabalhadora majoritariamente negra e feminina.

A situação na Maré a cada dia assume escalas mais graves, moradores temem uma chacina como represália aos levantes que eles vem protagonizando. Tornar publica todos os ataques sofridos, o debate sobre Estado e policia são cada vez mais gritantes numa cidade como o Rio de Janeiro que vem assumindo o papel de um “Estado de policia”, a cidade modelo para todo mundo que mais mata negros e negras pobres. Nas ultimas semanas tivemos morte de um moto taxista no Complexo do Alemão e um ato de seus companheiros de trabalho com moradores e familiares fortemente reprimido pela UPP, jovens que filmaram os momentos de seu assassinato pela policia militar na Palmeirinha no Complexo do Lins desmascarando as farsas dos autos de resistência, adolescente assassinado com 3 tiros nas costas também no Complexo do Lins, tiroteios constante no São João, São Carlos e Jorge Turco. Que todos nos levantemos contra a criminalização da pobreza e a militarização dos territórios favelados! Tudo que vem ocorrendo comprova para os mais entusiastas com o projeto de intervenção militar que esta fadado ao fracasso, especialmente para quem mora e constrói cotidianamente esta “cidade maravilhosa”. A favela deve pertencer aos moradores, que nos tenhamos autonomia nas decisões sobre nossas vidas, através de decisões democráticas como assembléias e com mecanismos como associações que de fato funcionem. Não, eu não quero ter que escolher entre “bandido” e “bandido de farda”, e só isso que a sociedade e o Estado capitalista tem a me oferecer:!

Ate quando permitiremos e nos calaremos frente a isso e a todos os ataques cotidianos.
Pelo fim da invasão militar no Complexo da Maré e nos demais territórios favelados!!
Basta do genocídio da juventude negra, pobre e periférica!!
Basta de estar nas estatísticas dos 80% assassinados pela policia! Basta de estar massivamente fora das universidades, queremos cotas proporcionais e o fim do vestibular! Chega de silenciarem nossa cultura!
Pelo fim da UPP e das demais formas de militarização dos territórios!

Pela dissolução de todas as policias!!!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

NOTA DE APOIO À LUTA DAS E DOS ESTUDANTES DA EACH EM DEFESA DOS ESPAÇOS ESTUDANTIS

     Quarta-feira 25/02, dezenas de estudantes da EACH USP (USP Leste) organizadas/os em assembleia decidiram pela ocupação do espaço da incubadora no campus. As/Os estudantes reivindicam um espaço estudantil que atenda as suas demandas, já que o espaço que eles tinham foi desapropriado pela direção em pleno período de férias do início do ano (dia 27/01), sendo essa a terceira vez que a direção ataca os espaços estudantis nos últimos 3 anos. Não é de hoje os esforços do movimento estudantil do campus de dialogar (sem resposta) com a direção em seus órgãos representativos exigindo que se debatesse essa questão que vem se arrastando há tanto tempo, por isso consideramos essa uma luta legítima em seu conteúdo e método.
      Os espaços estudantis (e de trabalhadores) são de extrema importância para a organização política e socialização. Por isso, nós da Juventude Às Ruas! nos colocamos lado a lado a esses lutadores e lutadoras, apoiando e construindo a mobilização junto com esses que já começaram o ano em movimento, e em plena calourada estão se mobilizando.
     Apenas com a luta poderemos arrancar os nossos direitos, não somente o espaço estudantil, mas também a descontaminação da EACH, verdadeiros programas de permanência e tantos outros problemas vivenciados pelo conjunto dos setores que realmente constroem a universidade. Chamamos a todas as organizações e entidades a apoiarem política e financeiramente essa luta legítima.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Juventude Às Ruas realiza importante oficina na USP




Nesta quarta-feira, dia 25/02, ocorreu a primeira atividade da Juventude Às Ruas da USP em 2015, onde realizamos uma oficina com o tema "Nem água na torneira, nem pátria educadeira".


Em formato de roda de conversa, a discussão foi aberta por Odete, estudante de Letras da USP, que nos forneceu um completo panorama das lutas que se apresentam na universidade hoje, onde os cortes dos governos já começam a ser sentidos e os problemas tendem a se aprofundar, como é o caso da crise hídrica que já atinge também as universidades e pode ter graves consequências para seu funcionamento.


Os cortes do governo precarizam a universidade também com as recentes demissões de trabalhadores, em que o REItor Zago deu inicio ao Programa de Demissão Voluntária que já teve mais de mil e quatrocentos funcionários adeptos sem que seus postos de trabalho sejam preenchidos por novas contratações, o que gerou fechamento de bandejões, não abertura de vagas nas creches e uma crescente precarização das condições de trabalho na USP.


Também pudemos ter mais acesso às informações sobre este sucateamento das condições de trabalho na universidade com o relato de Babi, trabalhadora do Hospital Universitário, que além de nos contar sobre as importantes batalhas que fizeram na greve do ano passado para defender a saúde pública da região, o que unificou os trabalhadores e lhes deram força para vencer, também nos apresentou a situação degradante em que os trabalhadores se encontram hoje no HU, por conta dos ataques da REItoria e do governo que buscam sua privatização e sucateamento.


Outro importante debate que fizemos em nossa oficina, com a presença da Patrícia, trabalhadora da FFLCH, foi o caso da Biblioteca da faculdade, que nesta semana de calourada se encontra fechada por causa de contaminação cancerígena em alguns de seus livros. Isso levou os trabalhadores a terem que enfrentar a direção de Sergio Adorno para que os livros fossem isolados e os funcionários não sofressem mais com os problemas de saúde que a contaminação já vinha gerando. Patrícia nos relatou a força que os trabalhadores vinham tendo neste conflito, assim como a intransigência da direção, que não queria retirar os livros contaminados da biblioteca mesmo sabendo do risco à saúde eles representam.


Contamos em nossa roda de discussão com professores da rede estadual de ensino, que nos apresentaram a calamidade que se encontram as escolas devido a não contratação de professores neste ano. Com salas superlotadas, professores desempregados, e o ensino público atacado como um todo, as professoras presentes nos deram a perspectiva de que a categoria entre em greve já na sua primeira assembleia do ano, dia 13/03. Isto será um primeiro momento importante de luta contra os ataques do governo, onde os professores de São Paulo poderão seguir os professores do Paraná, que deram verdadeiras aulas de como se luta contra os cortes: fazendo greve, indo às ruas e ocupando assembleia legislativa para barrar os pacotes de ajustes que o governo de lá queria implantar.


Os ingressantes saudaram a oficina como um espaço muito importante de discussão, apresentando a vontade de levar aquelas informações para todos os que estão entrando na universidade esta semana, reforçando a perspectiva de que este ano será necessária uma ampla unidade entre nós estudantes, com profundos debates, para que possamos fazer frente aos ataques dos governos à educação pública e às condições dos trabalhadores em geral.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A crise da UERJ precisa de uma resposta à altura

Por Carolina Cacau, coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ e militante da Juventude Às Ruas.



A UERJ está em uma imensa crise. Atrasam bolsas estudantis e dos residentes, atrasam salários dos técnicos e professores contratados, constantes quedas de energia, salas de aula sem climatização em meio a um verão com recorde de calor, déficit de professores e neste momento a escandalosa situação de centenas de famílias que passam fome pelo atraso de já dois meses nos salários dos terceirizados da limpeza, manutenção e segurança. E esta situação, se não a derrotarmos tende a se repetir e piorar nos próximos meses.


Esta precarização da universidade atinge a toda educação e a saúde da população atendida pelo Hospital Pedro Ernesto, mas antes de mais nada atinge os negros. Justamente na universidade que era um símbolo nacional por ser a primeira universidade a ter cotas, quem fica sem salários são os terceirizados, em sua maioria negros, e os bolsistas, que são em uma grande parcela justamente os negros cotistas. Ou seja esta precarização da UERJ é também sua elitização e “embranquecimento”.


Quem faz estes ataques? O reitor Vieiralves que atua de forma ditatorial na universidade, fazendo tudo via decretos e sem a menor discussão com a comunidade universitária sobre o que deve ser priorizado, como ela deve funcionar. E isto é feito sob as ordens do Governador Luiz Fernando Pezão que está implementando um corte em todo o funcionalismo. Ele anunciou um corte de 25% no orçamento de custeio em todas as áreas no Estado do Rio de Janeiro. Com a queda da arrecadação no estado do Rio de Janeiro pretendem arrochar os salários, cortar verba nos serviços públicos, como na saúde e educação, aumentar várias tarifas e impostos, como luz e transporte, ao mesmo tempo continua milionárias isenções de impostos às grandes empresas e continuam as obras faraônicas das Olímpiadas, entre outras.. Na UERJ, UEZO e UENF, o ataque vai atingir maiores proporções: na última semana Pezão declarou que cortará 144 milhões das estaduais. Ou seja a atual situação da UERJ só tende a piorar.


Um ataque neste nível exige uma resposta à altura: a perspectiva que estudantes, trabalhadores e professores construam uma grande greve massiva, que mobilize dezenas de milhares em cada unidade e curso para barrar este ataque. É preciso que uma forte greve de todos os setores da universidade que permita defende-la mas também reorganizá-la, democraticamente, escolhendo sua forma de funcionamento, financiamento, etc. Para avançar em organizar uma força e perspectiva como esta que nós propomos todos os setores da universidade: estudantes, funcionários, professores, terceirizados, trabalhadores do Hospital Universitário Pedro Ernesto, e CAP à construir um Congresso da UERJ que debata a luta que precisaremos travar e um programa com o conjunto da universidade para responder a crise. Um espaço como este é fundamental para a construção da luta e que fortaleça com uma saída de fundo a greve em unidade desde a base de todos setores.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Os encochadores e o machismo de cada dia

por Letícia Oliveira

Foto UOL

Nos últimos dias recebemos a denúncia de que havia um grupo público do Facebook intitulado "Encochadores" divulgando matérias e histórias repugnantes de casos de assédio sexual nos transportes públicos. Tal grupo defende e propagandeia essa prática livremente pela web sem nenhum tipo de punição ou investigação.

Os encochadores e o machismo de cada dia
Após horas e horas de expediente de trabalho, mulheres em todo o país são forçadas pela péssima qualidade do transporte público a pegar ônibus, trens e metros extremamente lotados. A prática de assédio sexual, a qual faz referência esse grupo do Facebook, é um dos maiores medos de cada trabalhadora em nosso país. É certo dizer que quase toda mulher já passou por isso em uma ida ou volta ao trabalho, e que sentiu-se totalmente indefesa para evitar tal abuso. De fato, o que se pode fazer? Em um transporte tão lotado, não há muito para onde fugir, e por vezes diversas mulheres, como me foi testemunhado a partir das denúncias que abrimos no Facebook, desistem de fazer qualquer coisa e torcem para que o abuso da "encochada" acabe o mais rápido possível.
Os "encochadores" relatam livremente a sua repugnância: "meu junior durasso pra fora da cueca... só sei que na plataforma da estação anhangabaú eu já estava cutucando a polpa da bunda esquerda dela bem a vontade esfregando de leve... quando entramos lá dentro me posicionei e já mergulhei meu pau deitando no meio da bunda dela... a que sensação d bem estar maravilhoso... rs... dai eu deixei ele reto e entuxava no meio dela a calça entrou mais ainda... rs... ela quieta o tempo todo até a estação carrão na saida apertei a bunda dela... aaaahhhhhhh... fiquei com essa ecochada até agora no pensamento... rs".
Independentemente das denúncias realizadas por uma série de mulheres, o Facebook mantém a página ativa, alegando que "não fere os princípios de comunidade do Facebook".
Ao fazer uma alegação como essa o Facebook nos leva a compreender ainda melhor uma triste realidade: no machismo de cada dia, que perpassa todas as relações, principalmente as de trabalho, abusos como este estão muito longe de ser considerados por qualquer empresa ou grande corporação como uma violência como de fato é.
O prazer que estes homens sentem não é nem de longe um desvio social. É apenas uma expressão mais aguda do que a sociedade nos educa todos os dias através das relações de trabalho e da ideologia dominante presente em cada filme, novela, propaganda ou jornais produzidos pelas grandes corporações de imprensa. Aprendemos em todos esses espaços que a mulher vale muito pouco ou quase nada, recebendo em média 2/3 do salário de um homem, e se for negra, menos da metade do salário de um homem branco.

Reagir ou não reagir, eis a questão
As mulheres vivem todos os dias de sua vida com a ameaça constante de algum tipo de violência moral, sexual ou doméstica. O Brasil lidera os rankings de casos de violência, tendo totalizado no primeiro semestre do ano passado mais de 260 mil denúncias de violência doméstica. No ano passado, o IPEA revelou que a cada 90 minutos uma mulher é assassinada no Brasil vítima de violência doméstica. Em 2013, o Sistema Único de Saúde brasileiro recebeu cerca de 2 mulheres por hora com sinais de violência sexual, totalizando mais de 2300 casos, sem contar as mulheres atendidas no sistema privado e as multidões de mulheres que por vergonha deixam de procurar auxílio médico nesse tipo de situação.
Por essa realidade, não são poucas as mulheres que evitam andar sozinhas durante a noite, usar roupas curtas ou envolver-se com pessoas desconhecidas. Apesar de corretas em sua prevenção, essas medidas dão a entender que o problema da violência sexual é culpa da própria mulher. Que seus hábitos e vestuário são os grandes culpados por aquele trauma, quando na verdade o culpado por toda essa violência que sofremos é um sistema econômico que desenvolve uma ideologia machista totalmente favorável a sua dominação.
Ao convencer o conjunto dos trabalhadores de que as mulheres são inferiores, facilitam a super exploração de metade da humanidade e economizam com serviços que, se não cumpridos pelas mulheres, sairiam bastante caros para esses que precisam de tanto lucro, como são os serviços de lavanderia, cuidado de filhos e idosos, alimentação etc.
Contra a sua própria responsabilização sobre cada um desses casos de violência, o Estado burguês nos culpabiliza ao passo que cria Globelezas e mulheres submissas em suas novelas e, se durante o dia rouba nosso dinheiro, à noite tenta nos fazer escandalizar nos jornais com os casos de estupro.
Nenhuma mulher deve se envergonhar ao ser assediada nos transportes ou em qualquer outro lugar. A vergonha deve ser carregada por esses homens e pela burguesia que lucra todos os dias com a nossa opressão, inclusive com os transportes cada vez mais lotados que pagam suas festinhas privadas e seus ganhos extras com corrupção.

É possível que o transporte seja um lugar agradável?
Sim! A vontade de todo trabalhador ao sair do trabalho é pegar um metro, um trem ou um ônibus sem estresse. A qualidade de vida de uma realidade dessa é impensável para nós hoje em dia. A única justificativa para que o transporte siga sendo assim é o fato de que é gerido e administrado pelos que não usam o transporte como meio de locomoção e que dele não extraem nada a não ser os lucros exorbitantes.
Durante as recentes jornadas do transporte e as que colocaram o Brasil no cenário da juventude internacional em junho de 2013 já defendíamos que a única saída para que o transporte fosse de fato público, de qualidade e atendesse às necessidades dos trabalhadores era a partir da estatização sob controle dos trabalhadores e usuários.
Nesse espaço, a partir da clareza de que a opressão à mulher não deve ser reproduzida pelos trabalhadores pois a nós de nada serve essa ideologia, é possível que as mulheres trabalhadoras e usuárias do transporte possam pensar medidas efetivas de combate ao assédio sexual nos trens, metros e ônibus. Não houve por parte das administradoras públicas e privadas nenhuma medida efetiva de combate a essa prática a não ser campanhas estéreis e esparsas que jamais passaram pela solidariedade entre as trabalhadoras e as usuárias ou em campanhas de vigilância dos próprios usuários para denunciar e repreender cada caso que presenciassem.
Os homens são parceiros na luta contra o assédio?
Neste tipo de discussão é comum que as mulheres passem a encarar todos os homens como seus inimigos na luta contra a opressão. A verdade é que os homens, apesar de parcialmente beneficiados pelo machismo dentro de suas casas e pelo direito que recebem de nos insultar na rua, tocar em nossos corpos ou nos violar, não são os que verdadeiramente ganham com o machismo. Apenas a burguesia - proprietária dos meios de reprodução da vida como as fábricas, os bancos e outros - ganha qualitativamente não apenas com a opressão às mulheres, mas também com o racismo, a homofobia, a transfobia, a xeonofobia e todas as possíveis formas de opressão. Esse é o melhor caminho que ela encontra para dividir e enfraquecer a classe trabalhadora e lucrar mais ao determinar postos de trabalho mais precários para aqueles que não obedecem o padrão "homem, branco, heterossexual".
Portanto, a melhor luta contra a opressão é aquela que se faz lado a lado, trabalhadores e oprimidos, numa luta unitária contra toda forma de opressão e exploração, negando a divisão das fileiras operárias e abraçando a causa de todos aqueles, trabalhadores ou não, que sofrem cotidianamente da opressão de gênero, raça, etnia ou nacionalidade.
Assim, é possível reconhecer que em cada vagão de metro, trem ou em cada ônibus em todo o mundo as mulheres encontrarão nos trabalhadores e nas outras mulheres solidariedade para interromper o assédio que estiverem sofrendo, e que a tarefa de cada uma dessas mulheres é lutar para que possa, junto aos seus irmãos de classe e oprimidos, determinar o que será feito de cada um desses vagões e ônibus através de um controle operário e popular dos transportes.
Registros de telas usados para a denúncia de conteúdo feita ao Facebook




Ato contra o aumento da tarifa em SP: Mesmo sendo reprimidos novamente, seguimos em luta!

por Guilherme Kranz, estudante de Letras da USP

"Não, não tem arrego! Contra a tarifa eu vou pra rua o ano inteiro!"
Esse é o clima que dá o tom para esse início de ano!


O aumento das tarifas de ônibus e metrô na cidade de São Paulo e nos municípios ao redor tem desencadeado uma série de protestos. No dia 16 de janeiro milhares de jovens e trabalhadores foram ao centro da cidade de São Paulo protagonizar o segundo grande ato contra o aumento da tarifa. Uma vez mais a população se rebela contra esse ataque desferido pelo governo de Geraldo Alckmin e pelo prefeito Haddad para demonstrar toda a indignação daqueles que sofrem no transporte público todos os dias. Janeiro de 2015 já está sendo um mês de luta e a resposta dos governos têm sido a mesma de sempre a todos que se levantam contra o atual estado de coisas: repressão brutal.
Ocupando o coração da cidade, caminhando da Av Consolação até a prefeitura da cidade, os milhares de manifestantes foram reprimidos constantemente pela Polícia Militar. Como se não bastasse o policiamento ostensivo antes do ato começar, com revistas a inúmeras pessoas que caminhavam pelas proximidades, a polícia reprimiu gratuitamente os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, efeito moral e balas de borracha. Diversos ativistas foram feridos em frente a prefeitura e pelo menos 13 foram detidos, já liberados.
A polícia que reprime as manifestações é a mesma polícia que reprimiu violentamente a greve dos metroviários no ano passado que lutavam por seus direitos e pela redução da tarifa (e que hoje mais de 40 seguem demitidos pelo governo Alckmin). É a mesma polícia que mata cotidianamente nas periferias o povo pobre e negro. A polícia do Estado de SP é uma das polícias que mais mata no mundo. Sabemos que enquanto levamos balas de borracha no centro da cidade, na periferia a polícia mata desenfreadamente. Por isso devemos lutar contra a repressão, não apenas nos atos e nas greves como também nos morros. É tarefa nossa lutar pela readmissão imediata dos metroviários demitidos por lutar. Trata-se de uma perseguição política inadmissível que indigna a todos.

Mas nem a chuva nem a repressão vão conseguir frear nossa vontade de mudar. Mesmo debaixo de um calor desigual, a população de SP mostrou que está com disposição para lutar. Os manifestantes atravessavam o centro da cidade entoando "Não, não tem arrego! Contra a tarifa eu vou pra rua o ano inteiro!". Esse é o clima que dá o tom para esse começo de ano. Sabemos também que a redução da tarifa não é suficiente para resolver os problemas do transporte público hoje. Apenas com a aliança entre os trabalhadores dos transportes e a população usuária é possível retirar das mãos dos grandes empresários, verdadeiros mafiosos, e estatizar todo o sistema de transporte colocando-o sob controle operário. Apenas com essa aliança conseguiremos efetivamente dobrar os governos do PSDB e do PT e acabar com o privilégio daqueles que lucram em cima da população esmagada como sardinhas no transporte público todos os dias. Na terça feira, dia 20 de Janeiro, às 17h na Praça Silvio Romero, próximo à estação Tatuapé, haverá o terceiro grande ato contra o aumento da tarifa. Chamamos toda a juventude e os trabalhadores para participarem deste ato e aumentar o caldo desta luta que está apenas começando. Amanhã vai ser maior!

Uma matemática que só o filho do prefeito entende

por Nelson Fordelone Neto, estudante de Letras da USP



Frederico Haddad, filho do prefeito Fernando Haddad, escreveu, há poucos dias, um extenso texto de polêmica sobre o passe livre, defendendo o aumento da passagem para R$ 3,50.
A título de exemplo, falemos apenas da Viação Santa Brígida, que atende a região Noroeste e teve lucro líquido de R$ 7.346.690 (sete milhões, trezentos e quarenta e seis mil, seiscentos e noventa reais) em 2012. É um exemplo ainda modesto, se comparado ao lucro de R$ 39.680.300,00 da Viação Campo Belo no mesmo período.
Seus modelos urbanos mais recentes, como o Caio Millenium Vip, são de 2003, o que no varejo custa cerca de 50 mil reais. Para efeito de absurdo, estimemos cada um a 100 mil reais. Este valor, portanto, cobriria 73 novos ônibus apenas em 2012. Consideremos que o lucro caia pela metade, e ainda seriam 36 novos ônibus, renovação de cerca de 5% da frota. Quem pega ônibus lotado sabe a falta que fazem.
Seus motoristas e cobradores, que consomem nas palavras de Haddad, 50% do orçamento, têm média salarial de R$ 1.541,70, em valores atualizados com o reajuste de 2013. 4.764 trabalhadores com esta média salarial, portanto, poderiam ser custeados em seus salários novos apenas pelos lucros antigos. 2.382, se pensarmos nos encargos trabalhistas os quais o empresariado tanto lastima. Mais de 1300, se a taxa de lucro fossem os "desejados" 10% (o valor que o prefeito Haddad declara que busca que as empresas aceitem diminuindo do valor atual). A Santa Brígida possui aproximadamente 3.500 colaboradores, ao todo.
Para Haddad, é absolutamente natural que um punhado de acionistas detenham o equivalente a supostamente um quinto do que é gasto em salários. É desejável que a sexta parte do valor pago ao total dos trabalhadores corresponda ao orçamento de pouquíssimos proprietários que não utilizam o serviço, não organizam as linhas, não conhecem os percursos, nem o equipamento e não representam, enfim, nenhum interesse para além do lucro ao mediar - ainda sob a forma de monopólio - o direito à cidade.
Haddad acha razoável que a população não tenha acesso aos valores e detalhes das transações realizadas, as licitações, salários e contratos diversos. E sem nenhuma cerimônia, dá como verdade a correção da auditoria realizada por técnicos que sabem melhor do que nós o que é ou não aceitável na administração de nossos interesses, embora não nos ofereçam claramente nem seus critérios, nem seus resultados. À contrariedade, respondem com bombas, tiros e difamação pública.
Em matemática simples, se o aumento é de aproximados 16% e o lucro gira em torno de 18%, sem acrescer um único centavo nos gastos públicos, sem congelar salários, sem demitir ninguém, ainda sobrariam R$ 816.298,89 limpos na mão de meia dúzia de parasitas.

Estamos iniciando uma nova onda de lutas contra os ataques promovidos pelos empresários e seus governos. A única saída para garantir aos jovens e ao povo pobre o direito à cidade, aos hospitais, à arte, diversão e à vida, enfim, é nos lançarmos em aliança com os trabalhadores contra a corrupção e os lucros, tomando em nossas mãos o controle do transporte estatizado e em nossos dentes a primavera.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Fuvest: o filtro social que fecha a USP


Nos dias 4, 5 e 6 de janeiro será realizada a segunda fase da Fuvest. Mais de 30 mil inscritos para pouco mais de 11 mil vagas. Todos os anos o filtro social do vestibular impede que milhões de alunos por todo o país tenham acesso a uma educação pública e de qualidade.
 
A apreensão e o nervosismo na hora da prova são só alguns dos desafios que os candidatos precisam enfrentar. O vestibular foi criado para selecionar e para excluir a maioria dos jovens do acesso à educação. Não é a mesma coisa para um aluno que estudou a vida inteira nos “colégios de ponta” fazer a Fuvest do que é para um aluno de escola pública. E apoiando-se nos poucos que conseguem furar esse filtro, superando todas as dificuldades encontradas, que a universidade sustenta que o vestibular é o meio mais democrático de acesso ao ensino superior. Afinal, se você se esforçar e se dedicar, passará pelo vestibular. O mérito individual se sobressai e o Estado não garante um direito democrático mínimo: o acesso à educação.
 
A juventude excluída da universidade através desse filtro chamado vestibular é majoritariamente negra e filha da classe trabalhadora e a USP hoje, uma das universidades mais racistas e elitistas do Brasil, procura se fechar cada vez mais em si mesma e nem ao menos discute demandas mínimas como as cotas raciais.
 
A grande maioria dos alunos das escolas públicas nem sequer se inscreveram para a Fuvest. A dura realidade desses alunos, quando conseguem se formar já que os números de evasão escolar são altíssimos, passa longe de uma universidade pública. Na maioria das vezes tudo o que eles almejam é passar em uma universidade privada, cuja graduação é totalmente voltada para o mercado de trabalho e a produção de conhecimento para atender os interesses do capitalismo. Para pagarem sua formação, trabalham em empregos precários e deixam grande parte do seu salário com os grandes capitalistas que lucram fazendo da educação uma mercadoria.
 
A educação é um direito básico e é dever do Estado garantir que todos tenham acesso a esse direito. Contudo em uma sociedade dominada pelos interesses do capitalismo, onde a educação não passa de mercadoria para atender os interesses dos grandes magnatas do ramo, esse direito é negado a maior parte da população. Mas para que todos tenham acesso à educação é preciso lutar uma democratização radical da universidade através das cotas proporcionais ao número de negros do estado e rumo ao fim do vestibular! E essas reivindicações não bastam! É preciso também lutar também pela estatização de todo o sistema de ensino, sob controle dos estudantes e trabalhadores. Essa é a única forma de garantir esse direito básico para toda população.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Carta da Juventude do PTS aos jovens mexicanos: todos somos #43!

Em nome da Juventude do PTS na Argentina saudamos e nos solidarizamos com as e os jovens e trabalhadores que se colocaram de pé em todo o México, contra este verdadeiro crime de estado, levado a frente pelos partidos dirigentes, o PRI, PAN e o PRD, encarnados hoje na figura de Peña Neto, com a cumplicidade com as forças de segurança, estatais e paraestatais e os cartéis de narcotráfico.
Nos somamos a luta e protesto internacional exigindo a aparição com vida dos 43 estudantes “normalistas”, contra as desaparições forçadas e pela liberdade dos presos políticos que Peña Neto e a “justiça” desta democracia assassina está encarcerando em seus cárceres desde o 20N e antes.
Ayotzinapa atravessou fronteiras, destapando uma realidade de dar calafrios. Contabilizando-se desde 2006 até agora se estima que houveram, segundo organizações civis, de familiares e de direitos humanos, 40 mil pessoas desaparecidas. Também se registram 120 mil assassinatos e 300 mil desaparecidos. Dados alarmantes.

Os normalistas de ayotzinapa são jovens estudantes que aspiram ser professores, lutam contra a reforma educativa e a repressão. Por isso este ataque foi direto contra os lutadores sociais, tocando assim as “fibras” mais profundas e sensíveis de todo um país.

A indignação aumenta a cada minuto. Já são dezenas de milhares os que nas ruas do México e todo o mundo reivindicamos a aparição com vida dos 43 estudantes normalistas desaparecidos. São dezenas de milhares os que gritam “Basta”! É um povo inteiro que se levanta contra os governos opressores mostrando ao mundo uma lição valiosíssima de luta.

A partir de nossa organização irmã no México, o Movimento dos trabalhadores socialistas (MTS) viemos sendo parte ativa deste enorme grito internacional!

Os jovens que se revelaram e ocuparam a praça Tahrir no Egito durante a primavera árabe em 2011 contra uma ditadura de outrora; os indignados que tomaram a Praça do sol no Estado Espanhol e enfrentaram os planos de ajuste de Zapatero e o regime; a juventude “sem medo” chilena, são os mesmos que hoje gritam: VIVOS OS LEVARAM, VIVOS OS QUEREMOS! FOI O ESTADO! FORA PEÑA NETO!

São os “Yanques” de sempre

Esta realidade que vive o povo do México, não somente é responsabilidade do governo mexicano atual, como é planejada pelos Estados Unidos, sempre interessado em manter a América Central e Latina como seu jardim dos fundos, usando sua hegemonia no mundo para impor governos e políticas que estejam a seu serviço em todo continente. É o imperialismo norte-americano que sustenta o estado assassino e o regime mexicano.
A raiva que mostra a juventude do México é a mesma que expressam os jovens nos Estados Unidos que se levantam contra o racismo e querem justiça por Mike Brown. A juventude indignada sai as ruas, mas também reivindica moradia, trabalho e saúde. Luta para acabar com a repressão policial, a perseguição e amedrontamento da população afro-americana e latino-americana. Não acreditamos que um presidente negro fosse expressão de mudanças na vida dos explorados e oprimidos nem nos EUA, assim como tampouco no resto do mundo; e as condições de vida dos negros e latinos, assim como as políticas militaristas e de invasão da Ásia ou América Latina são prova disso.

Na Argentina, um jovem é assassinado pelas forças repressivas a cada 28 horas. A polícia hostiliza e persegue a quem se negue a roubar e trabalhar para eles, como o caso de Luciano Arruga, assassinado pela polícia de Buenos Aires que desapareceu pela segunda vez com Julio López, testemunha nos julgamentos contra os genocidas da última ditadura militar, que levou a desaparição de 30 mil companheiros; pelos quais seguimos lutando de maneira incansável, junto a organismos sociais e de direitos humanos independentes, exigindo memória, verdade e justiça, denunciando a cumplicidade do governo do momento e do estado.
É a mesma maldita Polícia no México, Argentina e nos EUA. Porque nãos e trata de um policial, mas de toda a instituição, aqui e no mundo.

6D: que o grito pelos estudantes normalistas se escute em “Argentinos Juniors”


Em nosso país, no entanto, não temos assistido a mobilizações massivas. O descontentamento que atravessa os jovens e trabalhadores vem se expressando de maneira paciente mas sustentada. A partir da Juventude do PTS, como parte da Frente de Esquerda, colocamos todas nossas forças para organizar os jovens estudantes e trabalhadores nos locais de estudo e trabalho. Lutamos para construir centros acadêmicos de estudantes, militantes, nas principais universidades do país, assim como em secundaristas e “terciários”, mostrando a unidade operária-estudantil nas ruas junto dos indomáveis operários e operárias de LEAR, assim como de Madygraf, ex-Donneley; questionando o caráter de classe da universidade e impulsionando atividades culturais, aonde participam centenas de estudantes. Somos os que bancamos as duras repressões do Governo na “Panamericana”,que lutamos nas fábricas contra as burocracias sindicais amigas da presidenta Kirchner (como o SMATA) ou do resto dos partidos dos governantes. Somos as jovens que nos organizamos em nossos locais de estudo, trabalho ou bairro e cercamos as ruas contra a violência contra as mulheres e pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito e por isto uma delegação do Pão e Rosas de mais de 1200 companheiras disse “PRESENTE” no Encontro Nacional de Mulheres este ano em Salta. Desde a Juventude do PTS, como direção dos Centros Estudantis da Faculdade de Filosofia e Letras e a Faculdade de Ciências Sociais da UBA (Universidade de Buenos Aires), demos a luta e conseguimos que suas autoridades se pronunciassem pela aparição com vida dos 43 estudantes normalistas. Nos identificamos no Congresso e legislaturas com nossos deputados da Frente de Esquerda como Nicolas Del Caño, que dão estas lutas nesta cova de ladrões para que a voz dos trabalhadores, jovens e as mulheres chegue ali, assim como também se enfrentam com a polícia nas repressões e se mobilizam junto a nós.

Seria um orgulho para nós se nossxs irmãs e irmãos mexicanxs fossem parte do ato no dia 6 de dezembro em “Argentinos Juniors”, para fechar um ano repleto de iniciativa política em todos os terrenos, mas com objetivos claros: preparar esta força poderosa de trabalhadores, jovens e mulheres que, organizados em um partido revolucionário, se disponha a conquistar a todos nossos direitos e neste sentido, como diria Marx, nos preparar para tomar o céu de assalto. Os esperamos!

Um abraço Fraternal
Xs Companheirxs da Juventude do PTS- Argentina/2014