Por Marie C. e Virginia Guitzel
Nas últimas semanas casos de tortura,
assassinatos e opressão aos homossexuais cometidos na Rússia por grupos de
extrema-direita chocaram o mundo inteiro, acompanhados de uma série de ataques
pelas mãos do próprio Estado aos LGBTs. Uma verdadeira barbárie capitalista,
respaldada pelo Estado. O primeiro ataque do atual presidente da Rússia,
Vladmir Putin foi uma lei que proíbe a circulação de propaganda que contenham o
conteúdo altamente ofensivo, de que pessoas que se relacionam com pessoas de
mesma identidade de gênero são tão normais quanto as heterossexuais, a chamada
lei anti gay proíbe que “propaganda gay” seja veiculada para menores de idade.
Agora, turistas gays ou estrangeiros que de alguma maneira demonstrem
homoafetividade publicamente, ou algum tipo de apoio aos LGBTs, inclusive a
bandeirinha do arco-íris, poderão ser expulsos do país, punidos com multas ou
até detenções. Para Putin, a Rússia não pode permitir que relações homoafetivas
aparentem ser tão naturais quando as heterossexuais, assim como para ele, as
Pussy Riot[1] devem
permanecer detidas e sua liberdade de protesto tem de continuar sendo negada.
Ao mesmo tempo, ele dá apoio à Snowden, antigo funcionário da inteligência dos
EUA que trouxe a público o esquema de espionagem do governo americano, ficou ao
lado de Kadafi na Libia e de Al Assad na Síria durante todos os processos
revolucionários e a ditadura banhada de sangue que o Estado impunha a
população. É esta a face de quem dirige o Estado Russo, Putin, originário da
KGB, órgão de espionagem que foi deixado pelo GPU, stalinista.
A herança stalinista presente no governo Putin.
O stalinismo, que regrediu nos direitos das
mulheres conquistados pela Revolução Russa após a burocratização da União
Soviética, perseguiu homossexuais em todos os regimes nacionais que dirigiu,
até mesmo em todos os estados operários deformados (Cuba, China, etc), esta
perseguição se mostra presente até hoje.
O stalinismo (desde 1928 até a queda do muro de Berlim) perseguiu homossexuais
em todos os regimes nacionais que dirigiu, em todos os estados operários
deformados (Cuba, China, etc), e mesmo na URSS. Para isso fazia uso até mesmo
da GPU, órgão de espionagem do stalinismo, que depois deu origem à KGB, de onde
veio Putin, que hoje com uma mão dá asilo à Snowden, perseguido político dos
EUA e com a outra ataca xs LGBTs.
Desde a burocratização do Estado operário que já produzida uma forte propaganda
reacionária da família, contaminando a classe operária com as ideologias
burguês com qual a revolução de outubro se chocaram até a restauração do
capitalismo na Rússia que significou a perda de uma importante conquista do
Estado operário, ainda que burocratizado para o que lhe é imposto no restante
do globo. A imposição do modelo de família burguesa para reprodução da prole,
cria mais mão de obra barata que combina ataques entres as mulheres com a
criminalização ao aborto (antes aprovado em 1920) garantindo um grande exército
de reserva que impõem a redução dos salários médios e ataques a sexualidade não
- reprodutiva a serviço de lucros exorbitantes aos capitalistas.
Os LGBTs não pagarão pela crise! Que
os capitalistas paguem a crise que geraram!
Nós LGBTs não nos encaixamos nesse padrão familiar
burguês que visa a reprodução como forma de perpetuar a propriedade privada.
Frente a crise mundial que se abriu em 2008, de proporções comparadas a crise
dos anos 30, precisamos estar atentos como setor a quem direitos podem ser
retirados com mais facilidade. Que os capitalistas querem nos impor os custos
da crise é inegável, pois enquanto milhares de casas são retomadas, enquanto
milhares de endividamento com as compras do supermercado, enquanto milhares
perdem seus postos de trabalho e dezenas de outros sofrem ataques profundos em
seus direitos trabalhistas, nada se questiona sobre os lucros das grandes
empresas, dos bancos e do dinheiro público utilizado no salvamento de grandes
capitalistas. Vimos nessa crise um novo cenário se abrir a nível mundial, a
Primavera Árabe, que explodiu em 2011 reacendeu em nosso imaginário a ideia de
revolução, inclusive levando a seu fim diversas ditaduras que reprimiam
direitos democráticos mínimos, como no Egito. Onde agora existe um processo
revolucionário aberto, já que a democracia burguesa, comandada por setores
religiosos não conseguiu responder aos anseios da população com condições
dignas de vida. Putin durante esse processo não só ficou ao lado de Kadafi, na
Libia como continuou a vender armas ao seu aliado ditador Al Assad que segue no
sanguinário genocídio do povo sírio.
Os setores oprimidos e a juventude são os primeiros a sentir os efeitos de uma
crise. Em 2012, no Estado Espanhol, um dos países mais atingidos pela crise, já
foi reduzido o direito ao aborto. No Brasil o casamento igualitário foi aprovado este ano pelo SFT, demonstrando
um avanço nos direitos civis formais dos LGBTs, ainda que o direito à adoção,
que igualaria o casamento homoafetivo com o casamento heterossexual,
segue indefinido. Alguns meses depois um projeto intitulado “Cura Gay” tramitou
no Congresso e só foi arquivado após diversos protestos ocorrerem por todo o
país, também contra o parlamentar que o encabeçava, Marco Feliciano, este é
representante da bancada evangélica no Congresso e faz parte da base aliada de
Dilma/PT, demonstrando o quanto este governo não pode e não vai avançar nos
direitos dos LGBTs. Mesmo com o avançar de direitos formais, o Brasil ainda é o
país onde mais ocorrem crimes homo fóbicos no mundo, em 2010 foram
aproximadamente 338 casos. A contradição entre a conquista de direitos que incluem
os LGBTs na ordem e os avanços nos ataques e assassinatos demonstram que é
preciso uma política revolucionária para responder a nossa opressão e nossa
sexualidade.
As repostas a esses ataques aos LGBTs se dão de
diversas formas, quando Marco Feliciano saiu a defender publicamente a Cura Gay
diversos artistas se colocaram tanto a favor, como Joelma da Banda Calypso,
cujo público majoritariamente gay a repudiou, quanto contra, como Daniela
Mercury, que se assumiu lésbica. Na Rússia não foi diferente, Isinbayeva,
campeã mundial de salto com vara, repudiou outra atleta, Emma Green-Tregaro,
que fez seu salto no Mundial de Atletismo, que acontece agora em Moscou com as
unhas pintadas nas cores do arco íris, em forma de protesto contra a lei
anti-gay. Em resposta, duas atletas da equipe de corrida 4x400m subiram ao
pódio em primeiro lugar de mãos dadas e comemoraram a vitória com um
beijo.
Essas expressões de figuras públicas, como o
recente caso do jogador corintiano Emerson Sheik que publicou uma foto sua
dando um selinho em outro jogador para expressar, em suas palavras, que “não é
preciso ser homossexual para ser contra a homofobia”. São demonstrações
importantes de visibilidade que contribuem para que se questione a hipocrisia
de “não sou homofobico, mas...” que inclusive se expressou com os torcedores do
Corinthians que foram protestar dizendo que não eram homofobicos, entretanto,
não permitiriam ações como as de Sheik, de se expressar e sentir-se livre de
beijar quem quiser.
É importante, nesse sentido, que utilizemos essas
formas de visibilidade para fortalecer uma luta contra o Estado e os governos
que contraditoriamente com a aprovação de tantas leis, ainda não conseguem
garantir a igualdade na vida entre LGBTs e heterossexuais. Isso porque para
além da opressão homofobica legitimidade pelos acordos eleitorais do governo,
também se expressa um caráter de classe da qual é impossível existir igualdade.
A visibilidade seja da resistência e do combate as
opressões ou da própria opressão como as fotos propagandeadas de grupos
neo-nazistas agredindo homossexuais com o lema de “abençoe um homossexual com
urina para curá-lo” contribui para polarizar a sociedade e abre espaço para uma
atuação mais contundente dos revolucionários. Nós, desde a Juventude ÁS RUAS,
colocamos nesse marco a revolução como uma condição para garantir a igualdade
social entre todos os indivíduos, a tomada do poder pelas mãos dos próprios
trabalhadores aliados a juventude e os setores oprimidos são questões
inseparáveis do combate a homofobia e ao machismo. Nesse sentido, é
preciso que recuperemos outubro. Que recuperamos os avanços mais significativos
no combate a desigualdade da vida, com a revolução russa de 1917 e
levantemo-nos contra Putin, a Russia Unida e demais setores burgueses que
nada tem a nos oferecer. Busquemos a saída independente que possa nos garantir
que sejamos “socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.
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Atletas se beijam no pódio em protesto contra os ataques homofóbicos |
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