Francisco L. - Coordenador do CAFCA
A Chapa Outros Junhos Virão
(independentes + Pão e Rosas + Juventude às Ruas) venceu as eleições do CAFCA e
será no próximo ano a gestão do Centro Acadêmico de Filosofia da UFMG. O
resultado (63 votos na chapa x 4 brancos) mostra o que a burocracia estudantil
petista, que hoje paralisa a maior parte dos C.A.s, D.A.s e o D.C.E., quer
esconder: os estudantes apoiaram a gestão do último ano e disseram
"Queremos entidades militantes e democráticas!". Nas eleições do
último ano havíamos derrotado, com a Chapa Jornadas de Junho, a chapa opositora
(PT e independentes), que abandonou o espaço que lhe cabia na gestão
proporcional e democrática que implementamos. O abandono deste espaço por parte
da chapa governista desmoralizou essa corrente frente aos estudantes, e neste
ano não formaram uma chapa.
Se fortaleceu um projeto de
Movimento Estudantil independente dos governos e da reitoria, que junto aos
trabalhadores e à juventude de fora da universidade pública procura questionar
o caráter de classe desta instituição que serve aos empresários, contra o
projeto de educação de Dilma e do PT, lutando pelo fim do vestibular, pelo fim
da terceirização (e a efetivação de todos trabalhadores terceirizados), pela
derrubada da atual estrutura de poder e para colocar a universidade e seu
conhecimento a serviço dos trabalhadores e do povo explorado e oprimido. Ao
contrário do que dizem as correntes de esquerda como PSOL e PSTU, que se
adaptam ao regime universitário e à despolitização construída pela burocracia
estudantil governista, no último ano mostramos como é possível construir esta
ferramenta (uma entidade militante), como os estudantes entendem estas ideias e
as tomam pra si. Ao longo do ano fomos certamente a entidade estudantil mais
ativa da UFMG (desde um pequeno CA), organizando blocos dos estudantes do curso
para ir às manifestações contra o aumento das passagens (onde levantamos a
necessidade da estatização do sistema de transportes sob controle dos
trabalhadores e usuários), questionando a utilização do campus público para a
Copa do Mundo da FIFA e a presença da PM (com uma paralisação e aula pública na
rua, com a presença de mais de 150 estudantes), prestando solidariedade às
greves de BH e do país (por meio de um comitê de solidariedade aos
trabalhadores votado em assembleia estudantil do curso) e organizando diversas
atividades contra as opressões, pelo direito ao aborto, contra a homofobia e
contra o racismo.
Na próxima gestão levaremos à frente uma
campanha pela abertura de todas informações sobre matrícula e currículo para
nos apoiarmos nisto e exigirmos democracia (cada cabeça um voto, estudantes,
funcionários e professores) nas decisões sobre o curso, uma demanda que sabemos
que a burocracia do departamento não concederá com facilidade e exigirá dos
estudantes mobilização e combate a ela. Também buscaremos fazer com que as
secretarias se tornem referências militantes (como foi a Secretaria de Mulheres
e LGBT na gestão passada), gerando ativismo de base em torno a cada uma delas.
Na nossa campanha mostramos como o questionamento
de cada problema que vivem os estudantes na sala de aula, seja por más
condições na infraestrutura, pelo produtivismo do curso ou a pela falta de
assistência estudantil que reproduz e se aproveita das opressões da sociedade
(como a falta de assistência aos estudantes negros ou a falta de creches para
as mães) se liga ao projeto que implementa a burocracia universitária
privilegiada, que “tapa os poros” da universidade e a coloca a serviço dos
empresários e dos governos. Organizar os
estudantes desde a base para questionar profundamente o caráter destas
universidades que têm regimentos herdeiros da ditadura, é o caminho para
colocar o movimento estudantil como ator nacional que possa se ligar aos
trabalhadores e ao povo oprimido, para revolucionar a universidade e lutar
pelas demandas de toda população, que emergiram em junho de 2013 e nas grandes
greves deste ano, e que Dilma, aliada à direita e a diversos setores
reacionários, já garantiu desde a campanha – e agora mostra nas ações – que não
concederá.
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