
Vamos já ao encontro
do primeiro aniversário das Jornadas de Junho de 2013 em meio a um convulsivo
cenário nacional, marcado por greves operárias radicalizadas que colocam para a
juventude a possibilidade de voltar a fazer história e se provar um aliado estratégico
da classe trabalhadora.
Nesse dia nacional de lutas da juventude contra os
mega-eventos, precisamos retomar as demandas de junho que marcaram nosso país,
e oferecer uma resposta concreta para os anseios de milhares que tomaram as
ruas e seguem sem serviços básicos acessíveis, de qualidade e para todos.
Acreditamos que, frente a esta possibilidade e a nova situação que vivemos no
país desde Junho de 2013, é necessário que a Juventude tenha uma estratégia
para vencer: Construir a luta ao lado dos trabalhadores e paralisar e construir
ações desde a base das universidades e escolas neste.
2014 começou marcado por uma nova conjuntura nacional, onde
as greves operárias tomam as ruas impondo suas demandas goela abaixo dos
governos, burocratas sindicais e patrões. A greve dos garis que, sendo um
exemplo da força dos trabalhadores paralisando a prestação dos serviços,
apontou o caminho para a juventude que se via impotente frente a defesa de suas
bandeiras. Frente a força dessa greve, ficou demonstrado o fracasso da tática
black block para arrancar direitos, por um lado, e, por outro, a falência das
direções anti-governistas do movimento estudantil e operário, com ênfase em
PSOL e PSTU, que se prepararam para a
luta de classes de maneira que não puderam cumprir nenhum papel determinante
nas massivas mobilizações de Junho.
Com importantes greves em curso, como de professores em São
Paulo, rodoviários no Rio de Janeiro, Garis em BH, milhares de operários da
Petrobrás em Cubatão, as direções do movimento estudantil devem organizar os
estudantes para que prestem solidariedade ativa aos trabalhadores, combinando
esta às suas próprias demandas no sentido de fortalecer ambas as lutas e
construir uma rede de solidariedade que defenda a organização independente dos
trabalhadores e a organização desde a base dos estudantes para superar o
corporativismo ligando as lutas as necessidades da sociedade.
Para avançar nessa perspectiva, é preciso, em primeiro
lugar, combater a burocracia estudantil da UNE que joga contra as mobilizações
e neste momento convoca a juventude para trabalhar de graça para que a FIFA
aumente seus lucros!
Organizações de esquerda como PSTU e PSOL que dirigem
entidades importantes no país, em Junho não conseguiram oferecer uma
alternativa de organização à juventude, o que foi um dos principais pontos que
determinaram seus limites. O fato de não haver organização desde as estruturas
de base, que levantasse demandas claras é um dos desafios que a esquerda
deveria buscar responder neste 15M. Para isso é preciso que as direções do
movimento estudantil superem sua lógica de militar por aparatos, desligadas das
bases. É preciso chamar assembleias de curso para construir o 15M, que desde as
bases se discuta as demandas e organizem paralisações para garantir que todos
possam sair às ruas.
O movimento estudantil precisa entrar no cenário político
nacional dizendo claramente que está organizado ao lado dos trabalhadores e
contra todas os setores que os atacam: os governos, as burocracias sindicais e
as reitorias!
É necessário ter um plano de luta claro que arme a juventude
para o combate, garantindo que nossas bandeiras se liguem aos levantes
operários! Apenas assim, superaremos os obstáculos impostos pelas burocracias
governistas e patronais que impediram que os trabalhadores se mobilizassem em
Junho e confluíssem com as manifestações do ano passado.
É, neste sentido, necessário um passo decidido nesse dia de
15 de maio, para que as entidades estudantis organizem panfletagens, chamados a
atividades conjuntas e demonstrações de solidariedade, junto dos trabalhadores
em luta, como os metroviários e rodoviários de SP ou educadores do RJ,
novamente em greve.
Que
todo filho de trabalhador esteja na Universidade pública! Estatização do ensino
privado sob controle dos que trabalham e estudam, e fim do vestibular!
A educação é,
supostamente, um direito universal da humanidade, contudo 95% dos jovens brasileiros não tem acesso à universidade
pública.
O projeto de universidade no Brasil mantém alguns polos de
excelência que, a partir do vestibular, excluem a juventude negra e pobre. O
conhecimento fica restrito a uma elite branca e por fora das reais necessidades
e interesses dos trabalhadores e da população. As universidades são geridas por
uma estrutura universitária na qual a burocracia acadêmica se enriquece com
supersalários e luxos usando dinheiro público para, além de tudo, direcionar a
Universidade a pesquisas que só geram lucro a uma minoria de empresas. Os
trabalhadores e seus filhos só entram na universidade para trabalhar, sendo os
negros os mais precarizados e que ocupam os postos terceirizados.
Enquanto a maioria dos jovens ou não tem acesso ao ensino
superior ou precisam pagar cursos precários em universidade privadas, o governo
do PT fala em democratização do ensino. , Escondem que esta suposta
democratização é uma política aberta de fazer com que a classe trabalhadora se
endivide em Universidade Privadas. Dessa forma, garantem lucros exorbitantes
para os monopólios da educação ao mesmo tempo em que defendem como “verba
pública” o financiamento direto do governo aos monopólios a partir de programas
como PROUNI, que pagam as vagas ociosas para os monopólios, sendo que, com esse
custo, poderiam ser abertas 3 vagas nas universidades públicas.
Além disto, há o REUNI, combatido em 2012 na Greve de todas
as Universidades Federais, que é uma expansão do número de vagas, sem
investimento: são abertas muitas vagas, mas não há professor, sala de aula,
restaurante universitário, bolsas, moradias....
Precisamos lutar para
que todo estudante esteja na Universidade pública como parte de retomar as
demandas de Junho. Isso só é possível se os estudantes das universidade
privadas, das públicas e toda a população que não tem acesso ao ensino, lutarem
por um programa que unifique seus interesses e responda até o final as suas
demandas.
Por isso levantamos a necessidade da estatização das
Universidades privadas e o fim do vestibular, nos colocando neste caminho, na
linha de frente da luta por cotas proporcionais ao número de negros em cada
Estado, dando um sério combate ao vestibular racista e elitista que impede que
a juventude e negra possa estudar.
Não podemos mais
aceitar que a educação seja restringida pelo interesse do lucro de algumas
“indústrias do ensino”, a educação tem que ser 100% pública e controlada pelos
estudantes, trabalhadores e professores, assim lutamos ao lado dos professores
e trabalhadores da educação contra a precarização do trabalho e pela qualidade
do ensino.
Redução
imediata das passagens em luta pela Estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores
e usuários.
Desde junho a demanda por transporte se mantém viva. Isso porque, mesmo
com a conquista da redução, o não aumento das tarifas não consegue responder o
problema estrutural dos transportes no país: a super lotação dos metrôs e
ônibus, os salários de miséria dos trabalhadores, os acidentes, e as altas
tarifas para premiar tudo isso.
O início do ano começou com uma forte greve dos rodoviários
do Rio Grande do Sul que conseguiu superar a direção burocrática do sindicato e
levantar demandas que se unificavam com a população, como redução das
passagens. Mas esse foi só o começo, no mês do 15M a juventude pode na pratica
se unificar com os trabalhadores do transporte, no Rio de Janeiro estoura uma
greve dos rodoviários e já começa radicalizada, em Campinas os trabalhadores da
linha verde entram em greve, no metrô de São Paulo a categoria vem se
organizando para parar, enquanto em MG as catracas são abertas para a população
como parte da luta dos trabalhadores terceirizados.
Junto a uma categoria que se agita, existe um
descontentamento generalizado na população com a qualidade e o preço do
transporte público, uma expressão disso são os centenas de ônibus queimados
pelo Brasil, mostrando que o transporte virou um símbolo de luta desde Junho.
Contudo a demanda de tarifa zero levantada em Junho mostrou
suas limitações ao não questionar principalmente quem administra os transportes
no país, onde os governos junto as empresas privadas transformam um direito da
população, num negócio de altos lucros, formando verdadeiras máfias que dirigem
os escandalosos esquemas de corrupção.
Os distintos projetos
propostos para resolver o caos do transporte, seja pelo MPL, seja por
“progressistas” dentro e fora dos governos, se esqueciam, propositadamente, de
uma questão crucial: que o transporte deve ser público e, efetivamente um
direito. Em todos seus projetos, contabilizavam formas de, mantendo a
propriedade privada do transporte, encontrar uma forma menos custosa para o
trabalhador e usuário.
É preciso dizer não! Levantamos bem alto a demanda da redução imediata das passagens, no trilho
da luta pela estatização dos transportes públicos sobre controle dos
trabalhadores e usuários, retirando esse direito das mãos das grandes
máfias e passando para a mão dos trabalhadores que, ao gerirem o transporte,
verão que podem administrar toda a sociedade como única saída para os problemas
estruturais de nosso país.
Basta de repressão aos que lutam! Basta de
assassinatos da juventude negra!
No país do pelourinho e das chibatas, a luta da população
negra sempre foi tratada com repressão. A polícia brasileira é a mais assassina
do mundo, e todos sabem que matam principalmente os jovens negros.
Contudo
depois de Junho essa instituição reacionária esta cada vez mais questionada, o
ódio à policia explodiu depois da morte de Amarildo, e a cada novo assassinato
o morro se revolta, foi assim com Claudia Ferreira e com DG, e são apenas uma
pequena demonstração do papel fundamental da luta negra como parte de uma luta
indissociável pela transformação radical dessa sociedade. Basta de assassinatos da juventude negra! Fim das UPP’s e dos tribunais
militares! Nenhuma confiança na policia e em nenhum órgão repressor do Estado!
Abaixo a repressão aos que lutam! Fora o Exército dos morros e favelas! Nossas
universidades não servirão de base para a repressão durante a Copa!