Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sobre a consulta eleitoral para Direção da Faculdade de Educação da USP


O ano de 2013 foi marcado por uma forte greve estudantil questionando a atual estrutura de poder da USP e exigindo democracia tanto no que diz respeito ao acesso quanto à gestão da Universidade. Esse movimento paralisou mais de 60 cursos da USP impulsionado por uma ocupação de Reitoria com tamanho apoio democrático que levou a justiça a negar uma primeira liminar de reintegração de posse. Ainda que esse forte movimento, imbuído do espírito das Jornadas de Junho, poderia ter ido muito além do beco sem saída para o qual a gestão do DCE em 2013 o levou (gestão que hoje impulsiona a chapa “Para virar a USP do avesso”), a indignação estudantil com a atual estrutura anti-democrática de decisão dos rumos da Universidade e o anseio latente contra o seu elitismo no acesso e permanência abalaram as estruturas do atual regime universitário herdeiro da Ditadura Militar.

Nesse sentido, a candidatura de Belmira e Diana Vidal para a Diretoria da FEUSP não representam um passo no sentido da luta que os estudantes levaram a frente, muito pelo contrário. Com uma carta à comunidade acadêmica que não passa de uma reprodução quase ipsis litteris[i] de suas propostas quando candidata em 2006(!), a candidatura à Direção, na figura de Belmira, defende a manutenção das Fundações Privadas nas Universidades (como a FAFE na Educação) alegando serem estas parte de uma “cultura” já criada e que representa apenas mais uma “tensão” a ser simplesmente “gerida”. Apresentando de maneira antagônica a inclusão social com a manutenção da qualidade de ensino, a maior verdade que fica evidente de sua carta consta na afirmação de que sua “concepção de universidade é fruto da formação que obteve aqui [na USP]”. Ao formar-se dentro da Universidade mais elitista, racista e anti-democrática da América Latina durante o período da ditadura militar no Brasil, não é de estranhar que sua concepção de Universidade veja antagonismo entre a democratização do seu acesso e aquilo que esta formação meritocrática entende sobre qualidade do seu ensino. Também não é de se estranhar que sua visão sobre a ditadura militar se resuma em “abalos dos anos 60” que, mesmo assim, “mantiveram a notável continuidade” dos objetivos iniciais da USP (objetivo idealizado pela elite paulistana cafeicultora na década de 30).
A carta de Belmira e Diana Vidal se coloca em sintonia com a nova Reitoria da USP, Prof. Zago. Essa nova Reitoria já deixou claro que sua retórica de “diálogo” encobre a manutenção da repressão e das demissões ilegais contra trabalhadores e eliminações autoritárias contra estudantes. Seu “diálogo” é voltado para os setores da própria burocracia universitária descontentes com a gestão Rodas para tentar aplicar da maneira mais hegemônica possível nos órgãos colegiados os cortes orçamentários, o arrocho salarial e as demais políticas de austeridade. Declarar seu alinhamento com a Reitoria que pretende reformular o Estatuto da USP por dentro do Conselho Universitário e sem transformar a podre estrutura de poder da USP, filha legítima da ditadura militar, só pode significar um retrocesso com relação a luta por democracia que se desenvolve dentro da USP.
Diferente da maioria dos demais Institutos e Faculdades da USP nas quais os Diretores são eleitos apenas pelos membros da Congregação da Faculdade (órgão colegiado que possui a presença de 85% de professores, 5% de trabalhadores e 10% de estudantes) e que está submetido à aprovação da Reitoria a partir de uma lista tríplice, a Faculdade de Educação possui um processo de consulta à comunidade acadêmica e um acordo de que a Congregação apenas homologará o nome mais votado (o fim da lista tríplice para Diretor foi institucionalizado em toda a USP esse ano). Ainda que seja progressivo este pleito frente ao cúmulo de anti-democrático que é o processo de escolha e participação dirigente na USP, não podemos deixar de enxergar os enormes limites anti-democráticos que possui essa consulta. Somente professores titulares podem ser candidatos, o que limita o direito democrático de mais de 95% da comunidade da FEUSP se candidatar, prevalecendo a ditadura da minoria de docentes titulares no mando da Universidade; a consulta acadêmica não respeita a conquista democrática constitucional do voto universal (um voto por cabeça) e amplia o peso do voto de cada professor, limando o peso de voto de cada estudante, ao estipular a proporção paritária (33% para cada categoria), fortalecendo o corporativismo e desviando o conteúdo político da concepção de universidade em uma sociedade de classe criando a falsa ideia de que cada categoria é homogênea e que estas possuem interesses antagônicos entre si.
Não fazemos, portanto, campanha para que os estudantes participem desse processo consultivo, pois está evidente a pouca validade representativa que ele possui. Ao mesmo tempo, respeitamos as/os estudantes que desejam participar criticamente desse processo para demarcar sua posição. A estas/es, chamamos a anularem o voto, pois Belmira e Diana Vidal não representam nenhuma postura que avance na luta que os estudantes protagonizaram no ano passado e no sentido da real democratização do acesso e das estruturas de poder da USP.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Compor e ouvir com os políticos da ditadura e a burocracia sindical

Por Pardal, estudante da USP e militante da Juventude às Ruas


Levante Popular da Juventude, que encabeça a "Compor e Ouvir", recebe prêmio de direitos humanos da Dilma

“Compor e ouvir”: que nome mais belo e democrático! Quem o ouve e vê seus discursos por um “novo movimento estudantil”, um movimento democrático e plural que seja de todos os estudantes, mal pode imaginar que eles são o que há de mais velho, burocrático e afastado dos estudantes nessas eleições. São os que estão do lado da direção da UNE e do governo federal, dizendo que os que estão nas ruas lutando contra a copa e protestando contra seus gastos absurdos, suas remoções, sua repressão, as mortes dos operários nos estádios, estão “fazendo o jogo da direita”.
                Os grupos políticos que estão na Compor e Ouvir são aqueles que ouvem a voz do Palácio do Planalto e compões suas campanhas sujas no meio do movimento estudantil: em defesa dos mensaleiros; em defesa dos programa do governo que privatizam e precarizam a educação, como o PROUNI e o REUNI; são os que estão do lado do governo que manda tropas para o Haiti e massacram seu povo; o governo que reprime as greves das universidades federais e do funcionalismo público; o governo que assassina os povos indígenas e mantém a bancada ruralista como base aliada. O governo que está com os burocratas sindicais que tentam abafar as greves dos garis e de todas as categorias, enquanto coloca a Força Nacional de Segurança para reprimir nos canteiros das obras do PAC, em Belo Monte, em Jirau...
                Eles fazem escrachos e defendem uma comissão da verdade na USP. Mas dizem que é progressista o governo que está no poder junto com os Sarney, os Collor, os Calheiros e todo o entulho da ditadura militar. O governo que foi responsável por tirar a “justiça” que acompanhava o nome da comissão da verdade, defendendo que não se puna os responsáveis por reprimir, matar e torturar durante os anos de chumbo da ditadura.

                Para democratizar a universidade e por um novo movimento estudantil, precisamos ouvir a voz dos trabalhadores e compor a luta dos que estão do lado de fora da universidade, com aqueles que estão cansados da velha política do “toma lá dá cá” dos petistas, peessedebistas e peemedebistas. A Marilena Chauí que os apoia é a mesma que há poucos meses deu uma palestra para policiais, dizendo que os black blocs eram “fascistas”, e preparando a enxurrada de lixo ideológico que o governo despejou junto com a mídia para tentar criminalizar os movimentos sociais. Não nos serve um movimento estudantil assim; mudar a universidade precisa ser com algo que seja novo para além do discurso.

Uma USP do avesso é uma USP sem “voto útil”

Por Pardal, estudante da USP e militante da Juventude às Ruas.


Reitor Zago fala na mesa da calourada do DCE
São mais de 500 membros na chapa que diz querer “virar a USP do avesso”. O que nenhum destes membros diz é que os grupos políticos que compõem sua chapa, PSOL e PSTU, estão há quase dez anos  no DCE – com exceção de 2007 – e nada mudou!

Agora, passam nas salas dizendo aos estudantes que, se não votarem neles, “a direita vai ganhar”. Têm a esperança, com este discurso do medo que evita discutir o programa de qualquer uma das outras seis chapas de esquerda, de conseguir enganar os calouros e os que estão no segundo ano; porque qualquer outro estudante da USP que tenha participado de uma eleição de DCE já conhece a farsa de seu “terrorismo do voto útil”. Em 2012, quando disseram que “a direita pode ganhar!!!” esta direita sequer ficou em segundo lugar nas eleições. Por outro lado, quando propomos uma gestão proporcional, eles são contra. Uma gestão proporcional acabaria com seu discurso do voto útil e com seu monopólio sobre uma entidade que deveria ser dos estudantes, e não uma corrente de transmissão das políticas de uma chapa que hegemoniza a gestão. O que eles não querem é que o DCE deixe de ser exclusivamente “seu”, um aparato com o qual podem fazer a política que bem entendam, pelas costas dos estudantes inclusive, já que se recusam a convocar assembleias e quando as convocam frequentemente boicotam suas deliberações.

Dizem querer mudar a USP do avesso, mas quando os estudantes se levantaram aos milhares no ano passado, exigindo democracia na USP e votando em assembleia pela dissolução do Conselho Universitário, o DCE continuou apenas querendo votar pra reitor. Quando mais de 700 estudantes rechaçaram em assembleia a sua proposta de acordo de fim de greve que concordava com a punição dos estudantes, eles simplesmente boicotaram a continuidade da greve com todas as suas forças. Comemoravam como exemplo os cursos que saíram da greve com a conquista de pequenas demandas parciais, que logo no dia seguinte foram retiradas pela reitoria.

Eles querem virar a USP do avesso, dizem, mas em meio às eleições, quando os trabalhadores terceirizados foram protestar em frente à reitoria para receber seu salários atrasados, eles continuaram rotineiramente em frente às urnas, com seus panfletos, sem mencionar aos estudantes a existência de uma greve de trabalhadores precarizados que sequer recebem seu salário de menos de 800 reais.

Como virar a USP do avesso sem questionar sua estrutura de poder? Como virar a USP do avesso sem questionar o trabalho semiescravo que persiste cotidianamente nela? Como virar a USP do avesso sem questionar o seu acesso, quando o vestibular continua mantendo de fora toda a juventude trabalhadora e negra que sustenta esta universidade? Como virar a USP do avesso mantendo a mesma prática política rotineira e adaptada que vêm mantendo há pelo menos dez anos?


Chamamos todos os estudantes a não caírem no engodo do “voto útil”. A eleição para DCE é um momento de expressar um posicionamento político diante da situação desta universidade e seu papel social. É hora de dizer, como dissemos em junho, como disseram os garis, que não vamos mais manter nossas cabeças baixas aceitando mais do mesmo. Precisamos de um DCE novo, que tenha efetivamente vontade de transformar radicalmente a universidade aliando-se aos trabalhadores!

terça-feira, 8 de abril de 2014

O Território Livre e seu elitismo "radical"



Por Pardal.

De maneira bastante pedante, os companheiros do Território Livre responderam ao chamado lançado pela Juventude às Ruas de conformação de uma chapa unificada de oposição ao DCE dizendo que nós “não entendemos o seu programa”.

De fato, às vezes parece um pouco misterioso o que pretendem os companheiros, quando lançam palavras de ordem como, por exemplo na eleição do DCE no ano passado, de “jogar o movimento estudantil à deriva”, ou de criar um “território livre” que eles mesmos tomam bastante cuidado de nunca definir em nenhum aspecto positivo, mas apenas como a destruição da “universidade shopping”.

Contudo, queremos lembrar aos companheiros do Território Livre que nem todos no país estudam em uma universidade shopping ou em outra de qualquer tipo: cerca de 85% dos jovens de 18 a 24 anos no país estão excluídos do ensino superior. Dentre os que estão nele, cerca de 75% estão em universidades privadas, bastante diferentes da USP, de onde a maior parte dos militantes do Território Livre proclama “heroicamente” seu desejo de reduzir a “universidade burguesa” a ruínas.

Ali, desfrutando de seu lugar em uma universidade pública, um privilégio para poucos neste país, eles dizem “A única e verdadeira educação que o povo deve ter hoje é a educação da luta, mas ela passa muito longe das salas de aula. Quantas revoluções não foram feitas por ‘ignorantes’ e analfabetos?” Contudo, não vemos os militantes dessa organização largando seus lugares na universidade porque “a verdadeira educação está nas ruas”. Então, será que é apenas para o “povo” que não serve está universidade? E para os militantes de sua organização, ela serve? E será que quando afirmam que “Esta educação é, em sua maior parte, uma ideologia de classe, existente só para controlar pessoas.”, estão se referindo também ao “povo” (será que é dividido em classes, esse “povo”? Hoje o Território Livre até mesmo já se apropriou das consignas petistas e populistas de “poder popular”). Mas talvez seus militantes, que possivelmente se julgam bem melhores do que esse povo, seja capaz de discernir a ideologia presente na universidade, então pode muito bem permanecer nela, mesmo enquanto se educa nas ruas...

A atitude, em primeiro lugar nada dialética, de dizer que a universidade e a cultura burguesas “não podem produzir mais nada de relevante que não passe, necessariamente, pela sua destruição.” É o que leva a esta conclusão, na prática, de um programa extremamente elitista que nega à classe trabalhadora e ao povo pobre o direito elementar à educação. A universidade, evidentemente, é um pólo produtor de ideologia burguesa, bem como de conhecimento técnico para perpetuar sua dominação. Mas não é senão com o conhecimento de hoje que construiremos as bases para a sociedade de amanhã. Neste sentido, é fundamental lutar não apenas para que cada trabalhador tenha direito de ter acesso a esse conhecimento produzido nas universidades, mas que lutemos a cada dia por uma fração revolucionária no movimento estudantil, pela construção de um verdadeiro pacto operário-universitário em que os estudantes coloquem todo o conhecimento que adquirem na universidade a serviço das lutas e das demandas da classe trabalhadora. Um exemplo contundente disso podemos dar na FaSinPat, a fábrica Zanon na Argentina, que foi tomada pelos trabalhadores e colocada para produzir sob controle operário numa exemplar luta que conseguiu, após oito anos, expropriar legalmente a fábrica de seu ex-dono. Os estudantes da Universidade de Neuquén cumpriram um papel fundamental para ajudar os trabalhadores a aprender a conduzir partes da produção às quais apenas os técnicos e engenheiros tinham acesso anteriormente. Esse conhecimento, ensinado nas universidades, é apenas um exemplo do que a universidade pode oferecer aos trabalhadores, mas que o Território Livre – junto com a burguesia – não quer que a classe operária tome para si. Mas há exemplos mais próximos, como o do professor da Faculdade de Direito da USP Jorge Luiz Souto Maior, que foi saudado com emoção pelos garis do Rio presentes no encontro que organizamos, por ter colocado seu conhecimento a serviço da luta dos trabalhadores. Será que esse “conhecimento burguês” não ajudou em nada?

Se os companheiros do Território Livre acham tão desprezível lutar por qualquer reforma, talvez devessem deixar de apoiar as greves operárias que lutam por demandas mínimas totalmente possíveis dentro do estado capitalista. O que opinam, então, os companheiros do Território Livre da vitória dos garis no Rio, conquistando um aumento salarial de 37%? Talvez, com o mesmo desdém arrogante que dizem que esses garis devem estar fora das universidades, possam esses jovens dar de ombros e chamar os garis que abriram um novo cenário na luta de classes no país de “reformistas” porque não lutam pelas escalas móveis de salários.

Os companheiros muitas vezes afirmam que as demais correntes que se reivindicam trotskistas não compreendem o Programa de Transição, de Leon Trotsky, um documento que procurava justamente superar o abismo entre o atraso subjetivo da classe trabalhadora e as condições objetivamente maduras para a revolução. No entanto, é fácil ver que são eles que persistem na divisão entre “programa mínimo” e “programa máximo”, colocando no lugar deste último dogmaticamente as consignas do programa de transição, de forma isolada e independente do contexto, como se fossem uma “receita mágica” para a revolução. Tudo o que Trotsky nunca pretendeu, nem qualquer revolucionário sério, é escrever uma “receita” para um programa revolucionário.

Um programa é uma combinação entre os elementos objetivos e os fatores subjetivos, pois serve para responder a uma situação concreta – e não aos delírios dos dirigentes do Território Livre – articula consignas mínimas com consignas transicionais e consignas democrático-radicais. A mesma lógica de negação dogmática de qualquer programa “possível de ser conquistado dentro do capitalismo” eles aplicam, por exemplo, à sua análise absolutamente superficial e falsa de como o Partido Bolchevique encara a questão da Assembleia Constituinte. Sim, ela foi dissolvida pelo governo soviético, mas foi agitada como programa desde fevereiro até janeiro de 1918, como um passo fundamental para combater as ilusões constitucionalistas das massas. O próprio governo julgou necessário permitir a reunião da assembleia para que ficasse mais claro que esta palavra de ordem, progressiva ainda há poucos maeses, adquirira um caráter reacionário após a tomada do poder pelos sovietes, transformando a Assembleia Constituinte num ninho da contra-revolução.

Contudo, os bolcheviques não levantavam como seu programa apenas a Assembleia Constituinte, mas ligavam sempre esse programa – para combater a ilusão constitucionalista das massas – ao seu programa de um estado operário, expresso na consigna “Todo poder aos sovietes.” Da mesma forma, os companheiros falsificam nosso programa ao dizer que levantamos apenas “Assembleia Estatuinte Livre e Soberana”, omitindo que esta consigna tem seu lugar articulada em um programa que afirma que esta Assembleia deve se dar com a dissolução do Conselho Universitário e do reitorado, e que o programa de poder para a universidade é o governo tripartite, composto por funcionários, professores e pela maioria estudantil. A isso, o que opõe o Território Livre? “a tomada da universidade pelos estudantes para torná-la um centro de luta da juventude, o que possibilitaria efetivamente a aliança com a classe trabalhadora.” Vejamos: a classe trabalhadora não pode entrar na universidade, mas, se transformarmos essa em “um centro de luta da juventude”, então nos aliaremos aos trabalhadores - para os quais, ao mesmo tempo, devemos dizer que, como "a função da universidade é criar mão de obra qualificada para o mercado, nós não lutamos para que mais pessoas tenham um lugar privilegiado no mercado de trabalho" (mas diríamos isso nos mantendo nessa mesma universidade pra garantir o nosso!)... parece muito coerente!

Perguntamos aos companheiros, como, num país em que existe o maior monopólio educacional do mundo (Kroton-Anhanguera), vinculado organicamente ao capital imperialista e detentor até mesmo de uma bancada ligada diretamente a seus interesses no parlamento, a demanda de estatização sem indenização do sistema educacional é de alguma forma conciliadora com alguma ilusão em um suposto caráter democrático do Estado burguês? Ora, então joguemos fora as consignas que o próprio Trotsky levantou no Programa de Transição sobre a estatização dos principais ramos da economia!

Há milhões de argumentos teóricos e históricos que podem demonstrar o equívoco profundo do posicionamento do Território Livre. No entanto, talvez o mais simples seja o mais eficaz: propomos aos companheiros que se dirijam aos trabalhadores, à juventude das escolas públicas, e vejam quantos estarão dispostos a lutar pelo seu programa de... mantê-los fora da universidade!

sexta-feira, 7 de março de 2014

Mensagem de gari do Rio em agradecimento à solidariedade da Juventude às Ruas à Greve!

Mensagem que Marloni Silva (gari do Rio de Janeiro) enviou à Juventude às Ruas:

"Boa noite pessoal! sou gari do RJ e quero agredecer a todos vcs do Juventude as Ruas , pela força que vcs tem dado ao nosso movimento , isso está tendo uma repercursão muito grande , e com essa força com certeza ficaremos muito mais fortes , a situação aqui está tensa , os que aderiram a greve , estão sendo ameaçados de serrem demitidos pelo presidente da comlurb , a nossa luta está apenas começando , valew galera estamos juntos !!!!!"

Na Letras USP, estudantes e e trabalhadores terceirizados em apoio à greve dos garis!

sábado, 1 de março de 2014

Relato da greve e piquetes dos garis no Rio - Viva a greve da Comlurb!

Começou no Rio, em plena sexta feira de carnaval, a greve dos trabalhadores da COMLURB. Na terça feira, já tinha acontecido um grande do ato na Av. Presidente Vargas no qual os trabalhadores já exigiam a atuação do sindicato, já que nesse mês se inicia o dissídio da categoria. E na cidade maravilhosa onde não faltam recursos para Fifa e empresários, os garis sofrem de sol a sol com míseros R$ 850 de salário. Os garis já anunciavam que fariam greve durante o Carnaval para garantir um acordo coletivo e um aumento salarial justos. Quando foi noticiado em todos os jornais, na sexta-feira de manhã que o sindicato já havia assinado o acordo coletivo, que garantia apenas horas extras de 50% nos feriados, auxilio funeral e mísero aumento no ticket de alimentação e sequer tocava no aumento do salário base, aparecendo em letras garrafais que os garis não fariam greve e que o acordo estava selado, centenas de trabalhadores saíram furiosos para porta do sindicato exigir o apoio do mesmo para que houvesse greve.

É importante ressaltar que o Sindicato dos Trabalhadores do Asseio e Conservação do Rio de Janeiro dá exemplos de como a burocracia pode chegar em seu nível extremo. O sindicato que compõe a UGT, não realizou sequer um assembleia para assinar o acordo com a patronal. Indignados com toda a situação e a histórica colaboração com as empresas e governos deste sindicato o trabalhadores expressavam em suas falas a necessidade da democracia operária. Diziam nenhuma reunião fechada, que tudo se resolva na rua na frente de todos. E sendo tratados com tamanho desprezo viram que a única alternativa era pressionar o sindicato a assinar um documento de apoio a greve. Centenas dele gritavam GREVE! e nenhum deles titubeava sobre o que fazer, muitos diziam "É tudo ou nada!". Gritavam também "ooo o gari acordou!!" como uma incrível ressonância da energia de junho que ainda reverbera na classe trabalhadora.

Depois de muitas tentativas de manobra, o sindicato finalmente assina o apoio a greve. Fazendo com que todos ali retornassem as suas gerências para garantir os piquetes e os informes. Eles saíram sozinhos, sem nenhum orientação, sem nenhuma faixa do sindicato apoiando a greve. Mas três horas depois o sindicato faz a sua manobra maior, emitindo um documento onde diz que a greve é ilegal, usando o argumento que não foi avisado ao empregador 72 horas antes. Nessas horas fica claro o quanto a legalidade burguesa serve apenas aos patrões uma vez que não é julgado criminoso um sindicato passar por cima dos interesses da categoria.
 
De posse de mais este documento do sindicato encarregados que são ligados a direção do sindicato, gerentes, pressionaram os trabalhadores a trabalhar. Apesar disso a greve segue em muitos bairros da cidade. Com piquetes impedindo a saída dos caminhões, com pelegos amedrontados sem conseguir trabalhar, deixando a cidade caótica e mostrando a importância dessa categoria tantas vezes invisibilizada pela precarização. Em unidades mais organizadas os trabalhadores formaram equipes para correr outras e avisar da greve em piquetes ambulantes parando toda a região e todos já se dirigindo para o sindicato para impor sua vontade. Utilizando de muita articulação e coação, a patronal nas gerências das regiões turísticas do Carnaval pressionam os trabalhadores. Presenciamos muitos trabalhadores saindo obrigados a trabalhar com esperança de que a luta continue e se fortaleça. Ainda não tiveram força de derrotar nestas unidades a pressão da patronal e do sindicato, mas muito "esqueciam" suas vassouras, e mesmo com contradições estão dando passos em sua organização e consciência. A manobra do sindicato inclui uma reunião hoje às 12 horas com a direção da empresa. Já há um forte movimento para que todos estejam novamente na porta do sindicato.

Seguimos acompanhando e vivendo de perto a luta dessa categoria. Esperamos contribuir para que sejam vitoriosos. No entanto já é possível perceber que está greve nos serve de escola e podemos a partir delas tirar várias lições. A primeira é da importância da militância revolucionária estar diretamente ligada ao dinamismo da luta de classe. Era impensado que houvesse uma luta tão intensa no período em que todos se anestesiam e  há grande refluxo, por esse tipo de giro deve se tornar constante em nossa política. Além disso, fica claro que mesmo com todo o ativismo, ódio de classe e clareza do papel que cumprem na sociedade, a falta de organização da categoria e até mesmo um comando alternativo ao sindicato para que orientasse alguma direção debilita muita a força do movimento. É necessário um programa classista e revolucionário que seja uma alternativa à burocracia sindical e um ponto de apoio para construir a organização. Até agora, esse evento inesperado na luta de classes, mostra também a tamanha debilidade da esquerda que figura raramente com pouquíssimos militantes de algumas correntes ou nenhum. Pulam tranquilamente seu Carnaval enquanto deixam passar a luta concreta e a aliança com a classe trabalhadores. Por último, a principal lição que temos aqui é a de que Junho não acabou, a classe trabalhadora pode nos surpreender com a força que está acumulada subjetivamente em cada um de nós. É nosso papel estar ombro a ombro nessa luta!

TODO APOIO A LUTA DOS GARIS!
VIVA A GREVE DOS TRABALHADORES DA COMLURB!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Viva a luta dos trabalhadores da Comlurb!


Juventude às Ruas – Rio de Janeiro
Nesta terça-feira, mais de mil Garis tomaram as ruas do centro do Rio de Janeiro, reivindicando reajuste salarial de 18%, aumento do valor do vale-refeição, triênios e outros benefícios. Em sua longa caminhada atraíram o apoio da população que passava a pé, nos carros, e muitos aderiram a esta “onda laranja” que tomou a Presidente Vargas e o Sambódromo. Os trabalhadores da estatal municipal de economia mista, a Comlurb sofrem com um trabalho desgastante, arriscado, e ainda ganham humilhantes R$800 como salário inicial. Tudo isto em uma prefeitura onde Paes não poupa dinheiro à Fifa e às empreiteiras.
Os garis se mobilizaram contra a direção de seu sindicato. O sindicato dos trabalhadores do asseio, ligado à pelega UGT, não só era contra esta mobilização, como, panfletou nas unidades, com o explícito apoio das gerências contra os trabalhadores entrarem em greve e irem à manifestação. Os garis mostraram na rua, seu ódio a esta direção, à exploração que sofrem e ao prefeito Paes.
Os garis estão se organizando para derrotar esta direção e impor sua greve que pode se iniciar no sábado de Carnaval. Sua próxima ação é garantir a votação da greve em assembleia na sexta-feira, 28/02.
Este passo adiante de uma das camadas mais exploradas dos trabalhadores do país mostra a profundidade do que as “jornadas de junho” abriram para a luta dos trabalhadores. Os garis estão conscientes que se entrarem em greve em sua data-base, 1º de Março, colocarão em jogo a realização de um dos maiores e mais lucrativos eventos da cidade. Não tem Carnaval sem gari!

Entoando palavras de ordem como “êêêê, no carnaval o prefeito vai varrê”, os trabalhadores da Comlurb denunciavam a contradição entre suas condições de trabalho e a importância da categoria para o funcionamento da cidade, sobretudo em períodos de grandes eventos, como o Carnaval ou mesmo a Copa do Mundo. Os trabalhadores sabem que sua ação pode colocar em questão estes grandes eventos.
A luta da classe trabalhadora, como mostram os garis, é o que realmente pode colocar em xeque os planos elitistas da Copa do Mundo e outros megaeventos.
A luta dos garis por seus direitos e contra seu sindicato vendido é uma luta de todos cariocas contra a exploração e contra esta cidade dos megaeventos, imposta contra todos os trabalhadores, começando pelos trabalhadores da limpeza urbana. Chamamos toda a esquerda antigovernista, sindicatos que se reivindicam classistas e antiburocráticos, centros acadêmicos, o Fórum de Lutas e a FIP a organizarem uma imediata campanha de solidariedade e apoio aos garis.

Todo apoio à sua luta! Se houver greve de garis no Carnaval, o bloco de carnaval de todo carioca ligado aos trabalhadores e o povo é o bloco dos garis!
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Todo apoio à Profa. Maria Beatriz Costa Abramides! Contra a perseguição política na PUC!

     A Profa. Maria Beatriz Costa Abramides acaba de ser condenada em processo disciplinar e punida com uma advertência pela Reitoria da PUC. O processo foi aberto devido a sua participação em uma manifestação de caráter político, durante reunião do Conselho Universitário,    contra  a posse da reitora Ana Cintra, eleita de forma antidemocrática.
     A companheira Beatriz Abramides tem uma reconhecida trajetória na defesa da universidade, da educação e dos direitos sociais e essa punição é uma clara medida de perseguição política. Sua participação na manifestação foi deliberada em assembleia da Associação dos Professores da PUC-SP (APROPUC-SP), da qual a professora é vice-presidente, sendo esse, portanto, um ataque também à entidade, e à organização sindical e política na universidade como um todo.
     Colocamos todo nosso apoio à companheira Beatriz Abramides que, justamente na luta pela democratização da universidade, enfrenta a repressão e a perseguição política que se fazem cada vez mais comum em nosso país neste momento.

     Pela revogação imediata da aplicação de advertência formal à Profa. Maria Beatriz Costa Abramides!

sábado, 8 de fevereiro de 2014

À Juventude às Ruas no Pará!

É com muita felicidade que nós, da Juventude às ruas das frentes de São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Belo Horizonte e Marília, saudamos nossos mais novos companheiros do Pará!
Sabemos que apesar da distância que nos separa, existe algo que nos une e nos aproxima cada dia mais: a imensa vontade de transformar a realidade em que vivemos, com uma corajosa esperança no futuro! Apesar de todos os ataques que nós trabalhadoras e trabalhadores, mulheres, LGBTTIs, negras, negros, indígenas, sem-terra sofremos, não deixaremos de acreditar e de lutar por uma realidade completamente liberta das misérias que o capitalismo nos impõe.
Construir uma Juventude revolucionária e aliada à classe trabalhadora torna-se um desafio e uma necessidade maior a cada dia que passa, bem como nossa atuação dentro e fora das universidades, das salas de aulas, locais de trabalho e nas ruas.
Nossa militância no Movimento Estudantil não se resume a disputas por aparatos, centros acadêmicos e diretórios, como várias correntes fazem, mas muito pelo contrário, nossa militância busca transformar radicalmente as universidades, colocando-as a serviço dos trabalhadores e da população pobre, sempre se ligando aos setores explorados - como viemos fazendo por exemplo nas greves de trabalhadoras e trabalhadores terceirizados, apoiando e construindo a seu lado sua luta.
É por isso, também, que muitas de nossas militantes constroem o Pão e Rosas, agrupação de mulheres independente dos governos, dos patrões e das burocracias, e enxergam em sua auto-organização o germe da luta emancipatória das mulheres, que só se realizará completamente com a derrubada deste sistema que nos oprime, explora e mata cotidianamente, o que não alcançaremos senão aliados àqueles que tudo produzem em nossa sociedade. Também esperamos avançar nessas discussões com as companheiras daí.
Gostaríamos de saudar a audaz iniciativa dos companheiros de escolherem se organizar como Juventude às Ruas e, desde já, estamos pensando em políticas que nos aproximem ainda mais, teórica e pessoalmente, neste ano em que se desenham no cenário nacional muitas lutas, que já estão sendo duramente reprimidas, contra a copa, o aumento dos transportes, a carestia de vida e o endividamento das famílias e de nossa juventude, por conquista e manutenção de direitos aos setores oprimidos.
Também é de extrema importância que os companheiros possam aportar com discussões referentes às lutas que vêm encabeçando desde aí, como aquelas contra as usinas de Belo Monte, e à todos os estragos que esse projeto de país vem causando a trabalhadores, às populações locais e ao meio ambiente.
E para terminar, uma parte do discurso de um dos maiores revolucionários que passaram por esse mundo, e que nos serve de inspiração sempre:

A vida é bela! Que as gerações futuras livrem-na de todo mal, de toda opressão e violência e possam gozá-la plenamente!
Leon Trotski, Testamento

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A luta estudantil nas universidades particulares

Por Sérgio Nascimento, Estudante de História da UNAMA e militante da Juventude as Ruas/ANEL (Belém -PA)




Uma concepção um tanto limitada do movimento estudantil acha que a luta pela qualidade no ensino superior se resume às instituições públicas, devido à falta de estrutura adequada e os baixos investimentos dos governos estaduais e federal. É importante consideramos que, por causa da concorrência, há uma extrema desigualdade social no preenchimento das vagas nas universidades públicas. A juventude da periferia, não tem acesso ao conhecimento necessário para se igualar, na concorrência dos vestibulares, com os jovens de classe burguesa que tem condições de pagar os melhores cursinhos, o que acaba por dificultar ainda mais a o acesso do jovem pobre ao ensino superior, apesar das cotas que ainda não são suficientes.

Neste um ano que faço ensino superior, passei por duas instituições particulares, onde conheci verdadeiros trabalhadores, e pude perceber que eles não tinham tempo a perder, suas realidades demandavam urgentemente um diploma para melhorar de vida, e não dava pra esperar mais um, dois ou três anos se preparando para o vestibular das públicas, e enriquecendo os bolsos dos empresários donos de cursinhos. Por isso, estudar em uma instituição particular acaba sendo a única opção.

Embora tenha suas especificidades, muito tem em comum a luta estudantil nas públicas e particulares. O ensino privado deixa muito a desejar em aspectos estruturais, como a insuficiência e desatualização no acervo das bibliotecas, laboratórios de informática com poucos computadores — e ainda não são todos que funcionam —, além do aumento das mensalidades e taxas que não é proporcional ao aumento da qualidade do ensino e das bolsas de pesquisa, extensão e monitoria; e a falta de democracia nos conselhos superiores.

Considerando que a maioria dos estudantes do ensino superior está nas particulares, é fundamental que entidades como a ANEL organizem sua atuação de luta contra esses aumentos absurdos que só fazem enriquecer mais os empresários dessa área, construindo assim um movimento estudantil mais forte em favor da estatização do ensino.

Recentemente o descredenciamento da Universidade Gama Filho e UniverCidade, administradas pelo Grupo Galileu, no Rio de Janeiro, são exemplos claros da crise que está instalada há muito tempo no ensino superior privado, que agora começa a tomar forma. Mesmo com muita mobilização e luta dos estudantes, o Palácio do Planalto, com o apoio dos reitores da UFRJ, UFF e UniRio, o governo Dilma resiste em não ceder a federalização dessas universidades, mostrando seu descaso com os professores, servidores e estudantes que estão no olho da rua.

Na Universidade da Amazônia (UNAMA), onde estudo, o Diretório Central de Estudantes protagoniza uma luta histórica contra o descaso dos mantenedores, conquistando algumas vitórias como os equipamentos de projeção áudio visual nas salas, o fim da taxa da prova de recuperação e outros.



Ontem (30/01), o DCE junto com a participação de alguns CAs da Unama, também com a participação do DCE-IESAM e coletivo estudantis, caminharam pelos corredores do Campus Alcindo Cacela, cantando palavras de ordem e chamando os estudantes para se somar ao ato. E assim seguiu uma grande caminhada com mais ou menos 200 pessoas em direção à reitoria, onde protocolamos uma pauta de reivindicações e solicitando esclarecimentos sobre a venda da universidade que segue por debaixo dos panos.

A luta dos estudantes na Unama é exemplo que é possível mobilizar os estudantes das particulares, que também estão cansados dos aumentos abusivos nas mensalidades e taxas. 

LUTAR POR EDUCAÇÃO PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE, TAMBÉM É LUTAR NAS PARTICULARES! Se hoje atuamos no movimento estudantil, certamente é para construir uma sociedade diferente, mais justa. Por isso devemos seguir mobilizando, conscientizando e lutando pela qualidade do ensino, seja ele público ou privado, lutando contra a farra dos mantenedores de universidades particulares, contra os aumentos, e construir um movimento combativo e de lutas.

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