Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Sobre a polêmica do "beijo gay"

Por Felipe Chagas, militante da Juventude às Ruas - USP



Mudanças de paradigmas. Hoje, nós LGBT*, em tese, deveríamos estar festejando. Deveríamos estar festejando porque, em tese, toda a nossa comunidade foi “oficialmente” reconhecida pelas famílias ‘quatrocentonas’ cariocas depois do “primeiro beijo gay da TVGlobo”. Hoje, sábado, 01 de fevereiro de 2014, sem dúvida nenhuma, muitos comentaristas de plantão estarão enviando seus amores às corporações Globo pela grande iniciativa.

No entanto, eu como gay, viado, fagg, bicha, e todos os epítetos já utilizados para tentar me ofender (não só nas ruas, mas também por esse mesmo meio de comunicação, a TV), não estou nada contente. Aliás, acredito que dada às comemorações alheias, este talvez seja o melhor momento para uma boa reflexão e nada mais feliz que fazê-lo inaugurando um novo blog que se dedicará exclusivamente às LGBT* em luta.

A realidade é que nós existimos e isso incomoda muita gente. Incomoda muita gente a ideia de pessoas poderem viver em harmonia longe do núcleo fundamental da burguesia: uma família heterossexual nucleada por um macho alpha com prole também heterossexual que gerará mais famílias heterossexuais nucleadas. Eu me lembro, da minha infância (que não se vai muito longe, diga-se), de muitas pessoas se surpreenderem com alguns papéis femininos, também em novelas globais, sendo trabalhadoras, mães solteiras e tudo o mais que faz parte da realidade da população brasileira há muitos anos.

Há muitos anos, há muuuuitos anos, há milhares de anos, os homo sapiens sapiens (a.k.a. nós) desenvolveram a habilidade de fazer sexo para recreação (!) (assim como os golfinhos!) e óbvio, não eram só órgãos sexuais femininos penetrados. Eu poderia me debruçar sobre meu notebook reavivando muitos conceitos históricos a respeito dos inúmeros tipos de relações entre seres humanos que se diferem do “papai e mamãe” e que hoje conhecemos como a comunidade de LGBT*, mas isso desviaria o foco desse texto.

O que de fato importa é que, aproximadamente, nos últimos dois milênios foram criados padrões de tantos tipos para justificarem tantas opressões (homofobia, machismo, xenofobia, racismo, são todas opressões pelas quais o atual sistema social vigente se mantem) que as LGBT* se esconderam cada vez mais dentro de si. Nas últimas décadas esse grupo de pessoas não organizado sentiu (é importante que se diga que no movimento LGBT, assim como no movimento de mulheres ou no movimento negro, existem muitas frações e diferenças), talvez como o espírito do tempo, que estava na hora de mudar essa realidade do submundo e tomar para si o papel de cidadão como o de todas as outras pessoas.

Nesse momento nós avançamos. Com a novela da Globo ontem, não.

A realidade, gente, é que nós estamos aqui, e o que vimos ontem nas telinhas (sic) foi apenas uma realidade retratada de forma mais que atrasada a partir do ponto de vista da burguesia (com seu núcleo familiar patriarcal, heterossexual e com prole) sobre a nossa existência. É tão vergonhoso as LGBTs se arrastarem por várias novelas para conseguirem um único beijo gay no principal canal de televisão no “horário nobre”, que me sinto revoltado. Sinto-me revoltado porque é humilhante saber que depois de tantos anos, com uma audiência exorbitante causado pelo principal personagem dessa obra ficcional (que é um ex-vilão gay que virou mocinho), que o tão esperado beijo foi um selinho que durou 4 segundos (ou menos que isso), na penúltima cena da novela depois das 23h duma sexta-feira. Patético, apenas.

Na noite de ontem nós não fomos reconhecidos, gente. Na noite de ontem nós arrancamos da burguesia brasileira (e sim, galerinha, não adianta vir com Reinaldo Azevedismo que não cola) uma coisa que ela estava guardando às sete chaves: o nosso direito de ser o que quisermos. Ao mesmo tempo em que muitos devem estar mandando flores ao diretor de núcleo da Globo, muitos devem estar, assim como eu, escrevendo textos e mais textos atacando o “perigo que ronda a família brasileira”, como diria infelicianos por aí.

Por fim, é preciso que nós, LGBT*, aprendamos com nossa própria história: nada nos é dado, tudo por nós é conquistado e com muita luta. Dessa vez não foi diferente, afinal hoje o Brasil reconhece a legalidade da união civil entre qualquer pessoa e, apesar de ofuscado pelos movimentos de junho, a luta da união civil igualitária foi uma das que mais mexeu com os alicerces sociais e colocou gente nas ruas em 2013 (antes de junho) e nos trouxe a um novo paradigma. Muitas lutas ainda existem e precisamos vencê-las o mais depressa possível pois, assim como o beijo de Félix e Nico, são para ontem!

E já que citei junho, faço um apelo e um alerta aos companheiros de várias organizações políticas, inclusive aos meus: junho veio e se foi, gente. Nós devemos saber aproveitar os acertos desse fenômeno, mas também precisamos aprender, e muito, com os erros que cometemos. Junho, assim como julho, agosto, setembro e todos os subsequentes, se foram. Sua herança, de fato, é atemporal, mas hoje devemos travar outras lutas para alcançarmos nossas vitórias. Às vezes a realidade nos é dura e não queremos aceitar que algo tão magnifico possa ter se esvaído de nossas mãos tão rapidamente, mas a realidade é uma tirana e se impõe. Que nos próximos meses em luta que virão, as LGBT* retomem seu protagonismo e, com o resto dos trabalhadores, possamos voltar às ruas e lutar por um mundo sem opressões. 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Vamo de rolezinho?!

Logo no início do ano da pretendida Copa do Mundo no Brasil, um novo fenômeno da juventude tem apavorado os governos, os empresários e a grande mídia em nosso país. Depois das mobilizações de junho de 2013 e dos mais diversos processos de luta de jovens e trabalhadores, os 'rolezinhos' antecipam e escancaram as contradições sociais do país da Copa. Enquanto milhões de reais são repassados para uso da FIFA e das grandes construtoras para realizar o grande evento dos empresários brancos, a juventude pobre e negra é removida de suas casas e afastada cada vez mais para a periferia das cidades. Com os megaeventos, a conclusão de doze anos de governo do PT não poderia ser mais simbólica: para os ricos – a Copa, a ostentação, o lazer, o lucro e o direito à cidade –; para os pobres e negros – a violência policial, a falta de saúde e educação, o transporte caro, a prostituição e o trabalho precário.

Os milhares de jovens, que hoje exigimos nosso direito de fazer um 'rolê' nos shoppings (centro de consumo e lazer da classe média), exigimos na verdade o nosso direito à cidade. Queremos poder comer, nos divertir, paquerar e consumir como qualquer outro jovem de classe média. Somos os mesmos jovens que ano passado barramos o aumento da tarifa e que queremos um transporte público, gratuito e de qualidade para podermos nos locomover das periferias aos centros das cidades. Que queremos o direito de frequentar praças, teatros, cinemas, parques e baladas sem sermos humilhados, reprimidos ou assassinados pela polícia por sermos negros, pobres ou homossexuais (QUEM MATOU KAIQUE?) e “não pertencermos a esses espaços”.

O povo negro e a juventude que está nos trabalhos precarizados não queremos entrar nas Universidades Públicas ou nos estádios e clubes somente pelos andaimes ou pelos banheiros, mas exigimos nosso direito à educação, cultura e lazer. São essas contradições que os 'rolezinhos' expressam, e a preocupação dos governos e empresários é porque sabem que a Copa do Mundo irá aprofundá-las ainda mais. É por isso que Haddad, pela via do Netinho de Paula, demagogicamente diz querer dialogar com os jovens e pretende “institucionalizar” os ‘rolezinhos’ limitando-os aos estacionamentos dos shoppings, aceitando e reforçando descaradamente a segregação social e racial evidenciada.

Hoje as demandas de junho voltam como espectro nos 'rolezinhos' da juventude da periferia. A possibilidade de solidariedade e unificação de um importante setor da juventude de classe média, principalmente a juventude universitária, com esse fenômeno pode ser o embrião da fusão dos diversos extratos sociais de juventude que coloque em xeque toda a estrutura capitalista do Brasil do apartheid.


* Basta de apartheid! Exigimos nosso direito de desfrutar livremente todos os espaços!!!

* Pelo direito à cidade: estatização dos transportes públicos sob controle de trabalhadores e usuários!

* Pela construção de áreas e espaços públicos (praças e clubes) de lazer, cultura e prazer para a juventude!

* Basta de genocídio ao povo negro! Fim da polícia!

NÃO ESQUECEREMOS, QUEREMOS SABER: CADÊ O AMARILDO? QUEM MATOU KAIQUE?



Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?


“Cidadão” – Lúcio Barbosa”


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

QUEM MATOU KAIQUE? BASTA DE VIOLÊNCIA AOS HOMOSSEXUAIS E TRAVESTIS!



No sábado 11/01, Kaique Augusto, 16, jovem negro e homossexual, foi visto pela ultima vez por seus amigos após sair de uma balada gay no centro de São Paulo. Foi somente dia 14/01, após incessantes buscas e idas infrutíferas ao IML, que a família conseguiu encontrar o corpo de Kaique, que steve todo esse tempo no próprio IML. Kaique havia sido brutalmente espancado, possuía hematomas e marcas de violência no rosto e no corpo, seus dentes haviam sido arrancados e uma barra de ferro havia sido encravada no meio de suas pernas. Nesta mesma semana, dia 15/01, em Uberaba, a travesti Toni Gretchen, de 50 anos, foi assassinada com vários tiros após ameaças de morte e cobranças do pagamento do “pedágio” no ponto de prostituição.
Essas mortes, motivadas claramente por homofobia e transfobia, são parte do aumento da violência contra homossexuais e travestis, que tem ocorrido no país nos últimos anos (durante o governo petista aumentou em 117%, de 2003 a 2010). Nos primeiros 16 dias deste ano, 18 casos de assassinatos de homossexuais foram noticiados pela mídia. Esse aumento da violência contra xs homo e transexuais tem ligação direta com o avanço ideológico reacionário levado à frente pela bancada parlamentar fundamentalista, que se baseia nos laços profundos do Estado com a Igreja e se legitima com a defesa cristã da “moral e dos bons costumes”. Isso ficou claro tanto na posse de Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos, com o aval do governo federal e da maioria absoluta dos deputados durante 2013, quanto com a vinda do Papa para o Brasil em meio às mobilizações nacionais da juventude. Todas as medidas dos governos com relação à diversidade sexual, longe de significarem um fim aos casos de violência contra xs homo e transexuais e um progresso no sentido de uma sociedade mais igualitária e sexualmente livre, tem polarizado a sociedade cada vez mais, e nessa polarização, o lado que o Estado e as suas instituições tomam é sempre oposto ao lado dxs homo e transexuais.

Contra a impunidade dos assassinatos de homo e transexuais no Brasil!
Nenhuma confiança no Estado e nas suas instituições!

Com relação ao Kaique, a Polícia Militar abriu B.O. na 2º DP (Bom Retiro), dizendo ter encontrado o corpo sob uma ponte e alegando suicídio, o Delegado da Polícia Civil registrou assim o caso dizendo “não ter detectado nenhum indício que pudesse contrariar essa informação”. Os médicos peritos do IML, ligados à Polícia Civil, somente confirmaram que o corpo de Kaique estava lá após três tentativas frustradas da família em procurá-lo no próprio IML, e justificam os hematomas no corpo alegando deterioração pelo tempo que lá teria permanecido fora da geladeira (o motivo alegado é superlotação), justificam a desfiguração no rosto com a suposta queda da ponte e dizem desconhecer a existência da barra de ferro transfixada ao corpo (sic!). No caso de Toni, todos sabemos que a grande maioria das mulheres e travestis em situação de prostituição são coagidas a pagar ‘tributo’ a policiais militares que rondam as ruas (pontos) para não serem reprimidas, o que eleva essa podre instituição e seus membros também ao título de cafetões e aliciadores.
A serviço dos interesses de quem está tanta enrolação e informações incoerentes sobre a morte de Kaique? O que e quem se quer encobrir? Não podemos ter nenhuma ilusão nas instituições deste Estado, menos ainda na Polícia, seja ela civil ou militar. Seu racismo é evidenciado cotidianamente nas favelas e periferias, contra a juventude pobre e negra, e agora é deixado ainda mais explícito na repressão feroz aos “rolezinhos”. Seu machismo é compreendido por todas as mulheres que por algum motivo tenham precisado ir às Delegacias da Mulher. E sua homofobia se escancara em cada violência ou assassinato de umx homossexual ou travesti, seja pela participação direta, seja pelo constrangimento, humilhação, omissão e descaso ao tratar de vítimas de homofobia.
Há anos está em tramitação o PLC 122/06 que criminalizaria a homofobia. Muitos homossexuais têm se agarrado a essa luta com a esperança de ser uma via para combater a homofobia em nosso país. Infelizmente, setores da esquerda e dos movimentos sociais defendem essa lei de maneira a criar ilusões de que por aprovações de leis poderíamos acabar com a discriminação no trabalho, nas escolas, e tantos outros espaços públicos A grande questão que deve ser discutida é quais seriam os interesses do Estado em promulgar uma lei que vai contra toda a ordem vigente baseada de forma aberta na opressão e na perseguição aos homossexuais. Temos a experiência da Lei Maria da Penha, e da criminalização do racismo, e vemos diariamente esse próprio Estado e sua justiça legitimarem o feminicídio e o genocídio contra o povo negro, seja culpabilizando a mulher, seja marginalizando o negro. Assim como junho deixou claro para os governantes que não estávamos nas ruas só por 20 centavos, temos que gritar bem alto que não é só pela PLC 122, é pela naturalização da diversidade sexual e pela livre construção de gênero. E que nos colocamos não somente contra a polícia que persegue, mata e tortura nas periferias, mas contra todo esse aparato jurídico (judiciário, executivo e legislativo) que está a serviço de manter os pactos do Estado com as instituições religiosas e contra os trabalhadores e a população pobre, negra e LGBTTI.

Resgatar com a juventude de junho o espírito das travestis e homossexuais de Stonewall

A juventude que saiu às ruas em junho exigindo seu direito à cidade, contra as tarifas do transporte, hoje sai às ruas “de rolezinho” para exigir o seu direito ao lazer, ocupa os centros comerciais e estacionamentos dos shoppings contra a proibição dos bailes funks na periferia e os toques de recolher. Kaique Augusto é parte dessa juventude que quer dar um basta à segregação imposta em nosso país, que em São Paulo divide a periferia do centro da cidade, que impede a juventude negra de ter acesso ao lazer e à cultura, que faz dos bairros periféricos grandes bairros-dormitórios, que impede que a juventude possa expressar abertamente sua sexualidade e conhecer o seu corpo e o seu prazer. É contra esse Estado, os seus governos e os partidos do seu regime que a juventude se levanta e exige seus direitos!
Nós, que nos organizamos como “Juventude às Ruas” estamos presente no Lgo. do Arouche, neste ato, em solidariedade aos familiares e amigos de Kaique Augusto e tantos outros Kaiques que silenciosamente são assassinados por este Estado. Estamos aqui para exigir investigação e justiça para a família de Kaique, o que só é possível se for organizada por uma comissão, independente do Estado, formada pelos familiares, membros dos Direitos Humanos e organizações políticas de gênero e sexualidade. Estamos aqui para resgatar o que de realmente revolucionário deixou as lições do levante de Stonewall, dxs homo e transexuais contra a violência policial: que foi a organização dxs homo e transexuais para garantir sua defesa; que foi nenhuma confiança nesse Estado; que foi a compreensão que a garantia de fato da liberdade sexual só pode ser alcançada superando o sistema social e econômico do capitalismo, o qual, para existir, se apoia na miséria sexual e, portanto, na repressão sexual dos que não se submetem à miséria normativa imposta; e, principalmente, que é somente se organizando com a classe trabalhadora, aqueles que têm nas mãos as ferramentas para transformar essa ordem econômica e dar impulso a uma nova organização social, que é possível lutar pela liberdade sexual.

* Investigação e justiça! Por uma Comissão Independente do Estado para averiguar, julgar e punir os responsáveis pela morte de Kaique, Toni e todx homo e transexuais!
* Pela construção de áreas e espaços públicos (praças e clubes) de lazer, cultura e prazer para a juventude!
* Basta de genocídio ao povo negro! Fim da polícia!
* Basta de violência contra homo e transexuais! Educação sexual nas escolas organizada pelos professores, estudantes e agremiações estudantis e sindicais!

NÃO ESQUECEREMOS, QUEREMOS SABER:
CADÊ O AMARILDO? QUEM MATOU KAIQUE?

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

NOTA DE REPÚDIO À ESCALADA REPRESSIVA DA POLÍCIA NA ZONA LESTE

Nas últimas semanas tivemos acesso a notícias atrozes vindas da população da Zona Leste de São Paulo. A Polícia Militar ataca os moradores e moradoras do Jardim Elba e da Favela da Ilha num regime de terror. Invasões de casas, abordagens truculentas, toques de recolher, práticas de tortura com fios desencapados e baldes de água, estabelecimentos do comércio fechados, espancamentos.

Este cenário se deu após a morte de um policial na região. Em represália ao ocorrido, numa espécie de vingança, os policiais simplesmente disseram que a população deveria permanecer em “luto”, assim como a corporação policial.

Revoltados com a rotina de medo imposta pela força repressiva do Estado, a população se organizou em uma manifestação contra a violência da PM no dia 28 de Dezembro fechando a passagem que liga Santo André a São Paulo. A Polícia novamente usou de violência com bombas de gás e balas de borracha.

Apesar da organização da população, que tem uma tradição de lutas por outras demandas, uma vez que sofre pela falta de equipamentos urbanos, as práticas de intimidação continuaram nos primeiros dias do ano, com denúncias acerca de pessoas baleadas por homens não identificados em motos.

Essas notícias emergem ao mesmo tempo em que o apartheid brasileiro é desnudado pelos “rolezinhos” dos jovens de periferia de São Paulo. Os/As jovens negros/as impedidos/as de passear nos espaços elitizados que são os shoppings, a não ser como trabalhadores/as precarizados/as, são os mesmos que convivem com a repressão policial cotidiana, bem como com diversas privações na vida, entre elas a de espaços de lazer nas periferias.

A práticas de violência na zona Leste, os rolezinhos, a crise penitenciaria explodida recentemente no Maranhão, os índices que apontam limites ao crescimento econômico liberados pelo Dieese nos primeiros dias de Janeiro, são partes de um mesmo momento histórico que passamos, evidenciado desde 2008 no mundo, e desde Junho de 2013 no Brasil, com um novo período da luta de classes nacional que está em aberto.

A truculência policial na Zona Leste é resultado da história de um país construído na base da chibata. Por todos os lados a classe dominante, quando não consegue por outros meios, exerce sua dominação com truculência, organizando sua violência através da polícia, instituição calcada no racismo. Esta história não pode mais ser invisibilisada, e não faltarão esforços para trazê-la à tona. Nós da Juventude às Ruas expressamos aqui total repúdio às práticas violentas da polícia na Zona Leste!
Todo apoio à população do Jardim Elba e da Favela da Ilha!

Pelo fim das Polícias!

Foto publicada junto a artigo disponível em http://www.brasildefato.com.br/node/27075#.UtWUdhfaj_M.facebook


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

TODOS AO ATO DE AMANHÃ CONTRA AS DEMISSÕES DOS TRABALHADORES DA GM!




Declaração da Juventude ÁS RUAS construindo a ANEL nas lutas!

As jornadas de Junho mostraram a importância da juventude tomar as ruas, com sua disposição e força para lutar, comprovou que somente com fortes mobilizações se pode arrancar nossos direitos.  Contra a arrogância dos governos envolvidos em escândalos de corrupção, a juventude mostrou o caminho de luta que logo foi seguido por diversos outros setores sociais. Junho demonstrou que se não houvessem as mobilizações nas ruas, o enfrentamento direto com o Estado e sua polícia, e confiança em nossas próprias forças, não haveríamos tornando o impossível em realidade.
                Em meio as festas de fim de ano, a General Motors demitiu mais de 400 trabalhadores, sem nenhuma justificativa. Com o aumento de lucros cada vez maior, a GM demonstra que independente das políticas que o governo cria para favorecer os patrões, a única segurança dos trabalhadores permanece na sua força de mobilização, com seus próprios métodos.  Isso é, quando as coisas vão bem para o patrão, este busca vias para melhorar ainda mais, como vem fazendo com os PDVs (Plano de Demissão “Voluntária”), Flexibilização dos empregos, redução do salário de 3.500 para 1.800, etc.  Com as férias coletivas até dia 20 de janeiro, é preciso cercar de solidariedade todos trabalhadores demitidos, demonstrando que esse ataque é em primeiro lugar um ataque ao conjunto dos trabalhadores da GM, não apenas dos demitidos, mas também é contra o conjunto da classe trabalhadora, diretamente porque afeta diversas outras empresas que dependem desses trabalhos, como também porque contribui para educar os trabalhadores a aceitarem sua submissão aos patrões.

Cercar de solidariedade ativa a luta dos trabalhadores!

Ontem (08/01) nós da Juventude ÀS RUAS! fomos a assembleia em São José dos Campus levar nossa solidariedade incondicional a estes trabalhadores, que lutam pelos seus empregos e pela garantia de seus direitos. A assembleia aprovou o ato de sexta-feira, 10 de Janeiro, as 15:30 na Martins Fontes, Centro de São Paulo, que nós dispomos de mobilizar nossas pequenas forças para fortalecer essa luta.
Para barrar as demissões e reverter todos os ataques, é preciso que os trabalhadores da GM saibam que não estão sozinhos na luta contra o governo e seu patrão. É preciso que a força de Junho e a fortaleza da unidade entre os professores do Rio de Janeiro e da juventude no ano passado, sejam exemplos que possamos retomar a partir de colocar todas as entidades de trabalhadores, entidades estudantis a serviço de nacionalizar essa luta com uma forte campanha contra as demissões. Desde a ANEL devemos discutir em nossas executivas e exigir que a Oposição de Esquerda da UNE se some a construção, desde as entidades estudantis e nossos locais de estudo, uma forte campanha em defesa dos  trabalhadores e a organizar uma verdadeira aliança operária-estudantil com medidas concretas.

Devemos organizar um forte ato de juventude, de diversas universidades, em apoio a luta dos trabalhadores e contra as demissões, em frente aos escritórios da GM que possamos construir desde as bases para demonstrar uma solidariedade ativa e militante como expressão da verdadeira aliança operária estudantil! ÁS RUAS!



TODOS AO ATO!
10 de Janeiro, as 15:30
Rua Martins Fontes nº 109 PRÓXIMO AO METRO ANHANGABAU


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A greve da USP e algumas de suas lições


O reflexo de junho explode na USP em outubro

No dia 1 de outubro teve início na USP uma das maiores greves estudantis dos últimos anos nesta universidade. Quando centenas de estudantes atenderam o chamado feito pelo DCE para um ato por democracia na USP (sendo que o programa do DCE para esta demanda era apenas de “diretas para reitor”), ocuparam a reitoria da universidade e deram início à greve em uma assembleia com mais de mil estudantes, isto estava longe de ser uma surpresa imprevisível.

Ao longo do ano, diversas mobilizações estouraram na USP até mesmo antes das jornadas de junho: greve no direito pela mudança curricular; mobilizações na FAU contra as reformas da diretoria; mobilizações na FEA contra a instalação de catracas; greve dos três setores na EACH em protesto contra a contaminação do campus. Outros tantos descontentamentos estavam latentes, como a revolta pela falta de professores na Letras. 

O ato do dia 1 de outubro foi o estopim que unificou estas demandas e desencadeou a luta unificada dos estudantes.

Da Reitoria e do Governo do PSDB mais do mesmo: Repressão e autoritarismo

Coerente com seu projeto estratégico de destruir o movimento de trabalhadores e estudantil, determinado pelo Governo do PSDB, Rodas manteve sua característica forma truculenta e autoritária de lidar com a luta, desde o início. Inicialmente com uma estratégia de “fingir de morto”, postergaram o quanto puderam as negociações, buscando que o movimento se esvaziasse com o tempo e a ameaça de fim de semestre. Infelizmente, para eles, os estudantes seguiram em luta conseguiram, após a adesão de dezenas de cursos, impor negociações que, por política da reitoria, serviram para ser mais uma etapa em sua estratégia de desgaste, com promessas vazias, “tirando o corpo fora” e muito silencio sobre questões cruciais, como o fim dos processos aos trabalhadores e estudantes, a reintegração de Brandão, Cotas e toda uma série de demandas que o movimento levantava.

Conforme o movimento chegava a seu ápice a Reitoria, como não poderia deixar de se esperar, buscando dar um ponto final e vender uma “saída” para a greve e ocupação, acenava com um “acordo salvador” que, além de não garantir nenhuma conquista efetiva,  sendo apenas  uma declaração de intenções sem prazos ou compromissos claros firmados, garantia que seríamos punidos pela mobilização.

Como toda “boa” estratégia do PSDB, se não vale o engodo, vale a repressão e, quando da recusa dos estudantes quanto a este acordo, Rodas, o primeiro reitor a militarizar a USP após a ditadura, novamente convocou o choque, com seus cachorros e sanguinários, para resolver o problema.
O saldo foi de dois estudantes presos fora da reitoria e torturados dentro do camburão para assumirem que estavam envolvidos na “baderna”.
Mais uma vez, o PSDB deixaria sua marca de truculência como um aviso aos que virão de como lidar com as lutas dentro e fora da USP.

O programa do PSOL e PSTU questionado desde o início

Se por um lado enfrentamos nosso inimigo, com sua característica intransigência repressiva, tivemos de, ao longo da greve, superar também a tão característica política corporativista e cética das direções de PSOL e PSTU no movimento.

Já na assembleia que deflagrou a greve, no próprio dia 1, com presença expressiva de estudantes de diversos cursos e campi, como EACH e São Carlos, o programa de “diretas” ficou questionado pela vanguarda do movimento. Como sempre apontamos, este programa é absolutamente insuficiente para mudar o que é a universidade e sua estrutura de poder. 

Hoje a USP é dirigida pelo Conselho Universitário (C.O.), um punhado de professores titulares com ínfima participação estudantil e de trabalhadores, e  com “ilustres convidados” para representar a “sociedade civil”, tal como representantes da FIESP, FAESP (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo) e FECOMERCIO. Estes “ilustres senhores” são ligados, em sua maioria, às fundações privadas e às empresas terceirizadas que lucram com a privatização da universidade e a precarização do trabalho e cujos donos representam 1/3 do C.O. demonstrando a serviço do que está a USP.

Mantendo este conselho de pé, a estrutura podre da universidade mais elitista e racista do Brasil fica intacta. Além disso, quem pode se candidatar para reitor são apenas os professores titulares.
É por isto que nós dizemos que diretas para reitor não basta: não queremos escolher um tirano, queremos democracia de verdade na USP.

Na primeira assembleia da greve, as centenas de estudantes que estavam lá, mesmo que em sua maioria nunca tivessem tido um contato prévio com outro programa que não o do DCE, rapidamente compreenderam a insuficiência deste a partir da discussão que nós e outros setores colocaram, e aprovaram as consignas de dissolução do Conselho Universitário, por um governo tripartite (composto por estudantes, professores e funcionários) e por uma Estatuinte Livre e Soberana. Isto mostrou claramente que “não é só por diretas”, como dizia o DCE demagogicamente. Os estudantes que estiveram nas ruas em junho e se mostraram indignados com os governos da burguesia do PT, PSDB e PMDB queriam ir além de uma reforma cosmética na estrutura de poder da USP.



Uma política correta para disputar o programa a partir das bases

Contudo, a greve se espalhou por toda a universidade, e estava claro que, graças à política do DCE de levantar as diretas como o programa que “dialogava mais”, nem todos os estudantes puderam compreender

a insuficiência destas.
Por isto, nossa política não foi, como a de setores como o POR e o PCO, de querer “banir” nas assembleias gerais a pauta de diretas, o que significaria uma política de separar a vanguarda que se reunia nas assembleias gerais da base dos estudantes que se reunia nas assembleias de curso (nas quais poucas aprovaram o programa mais avançado em oposição ao do DCE).
Nossa política era de, em cada assembleia de curso, discutir a insuficiência das diretas e qual programa deveria ser levantado para democratizar de fato a USP.

Fizemos isto não apenas em relação às diretas, mas em outros aspectos fundamentais do programa, como a questão do acesso, em que o DCE levantou o programa de cotas da Frente Estadual Pró-Cotas– que limita as cotas raciais a menos da metade do que o movimento negro reivindica historicamente –, e que nós disputamos nas assembleias de curso o programa de cotas para negros proporcionais à população do estado (36%), ligada à luta pelo fim do vestibular e estatização das universidades privadas, como via de nos ligar a maioria da juventude fora da USP e demonstrar “que democracia” queremos.
Junto disto, buscando ligar a vanguarda do movimento estudantil ao conjunto dos estudantes, ainda sob a influência das “diretas” do DCE, lutamos por uma Estatuinte Livre, Democrática e Soberana, que fosse imposta pela luta e com a derrubada do C.O. e da Reitoria, para arrancar uma verdadeira democracia na USP, garantindo que os trabalhadores, estudantes e funcionários efetivos e terceirizados definissem os rumos de seu conhecimento, pesquisas, verbas, além das questões referentes ao acesso, permanência e estrutura de poder, demonstrando ao povo trabalhador que lutamos pela transformação da USP a seu serviço.

Nessa luta tivemos que nos enfrentar também com as direções da UNE (PT/PCdoB) que apoiavam a consigna por uma Estatuinte Livre, Democrática e Soberana, mas mantendo o Conselho Universitário intacto, os órgãos colegiados com sua composição majoritariamente docente e, inclusive, mantendo a figura do Reitor. Não à toa, foram entusiastas e militaram chamando os estudantes a participarem da consulta para Reitor, um engodo aprovado pelo questionado C.O. do dia 01/10, dizendo ser “um passo para a democracia que os estudantes deveríamos aproveitar”.

Esta política que levantamos se opunha também à política oportunista levantada pelo MNN/Território Livre, que ao invés de disputar o programa correto nas bases preferiu reproduzir capitular o programa incorreto do DCE (mesmo também considerando o programa de diretas como incorreto) com uma “cara de esquerda” e levantar o programa de “diretas universais” com voto por cabeça ao invés das diretas paritárias, tentando assim apenas se localizar ao invés de por de pé um programa que mostrasse que nossa luta era da maioria da população.



O combate por um comando de greve ligado às bases para dirigir a luta

Nesta greve, como em todas as outras, travamos uma luta contra a forma burocrática que PSOL e PSTU procuraram em todos os momentos dirigir o movimento a partir da gestão do DCE e por fora de discussões democráticas nas bases. Por isto, como sempre fizemos, propusemos um comando de greve com delegados eleitos em cada assembleia de curso para representar as posições destas, e que pudesse ser revogado e substituído a qualquer momento.
Historicamente, tanto PSOL como PSTU foram contrários a esta proposta, defendendo comandos de greve “abertos e por consenso”, que, com uma cara “mais democrática”, poderiam na verdade emperrar qualquer decisão bloqueando o consenso e, assim, continuar dirigindo o movimento pelas costas do comando a partir das entidades.

Defendemos a legitimidade das entidades estudantis e de sua representatividade, e inclusive lutamos por sua democratização defendendo gestões proporcionais nos CAs e DCE.
 Contudo, em momentos de luta como o que estávamos passando, é necessária uma direção mais dinâmica e mais sensível às bases, ligada às discussões cotidianas de cada curso e à evolução política dos estudantes no calor da mobilização.
Nesta greve, diferente de outras mobilizações, PSOL e PSTU rapidamente concordaram com nossa proposta de comando. Mas então eles reviram sua posição e resolveram ser mais democráticos com as bases? Não.
Na verdade, o que ocorreu foi que a gestão do DCE percebeu rapidamente, a partir dos resultados desfavoráveis da primeira assembleia geral, que ali naquele espaço estava se reunindo uma vanguarda muito mais radicalizada e com posições que se contrapunham às suas e, assim, havia um risco de que perdessem o controle do movimento com as decisões das assembleias gerais.
Contudo, na base dos cursos a posição do DCE ainda era hegemônica, e por isto eles poderiam eleger a maioria de delegados e sua posição política prevaleceria nas reuniões do comando. Por isto, foram favoráveis para poder manter o controle do movimento. Um cálculo político, digamos, oportuno.
Mas então por que a Juventude às Ruas não defendeu manter as assembleias gerais como único órgão de direção do movimento, se suas posições poderiam ser mais hegemônicas ali? Porque para nós não se trata de uma questão tática, do que é mais conveniente no momento. O comando de greve faz parte do que nós chamamos de “auto-organização”, que significa as bases do movimento poderem se organizar politicamente e ser sujeitos políticos de sua mobilização.
 Se, num primeiro momento, as posições do DCE eram de fato hegemônicas nas bases, defendemos que a auto-organização a partir do comando de greve é a melhor forma da maioria dos estudantes fazerem experiência com todas as posições, dirigirem a luta abarcando todas as posições dos cursos e poderem tirar balanços e avançar, vendo que as posições políticas do DCE são equivocadas para poder levar o movimento à vitória.
 Enquanto as assembleias gerais são espaços em que a democracia dificilmente pode se expressar, pois são milhares de estudantes e isto leva a que nem todos possam falar, que tenhamos bizarrices como o sorteio de falas, que os encaminhamentos sejam confusos e muitas vezes ganhe a política de quem souber “manobrar melhor” as votações, no comando devem se expressar a posição dos estudantes reunidos em um espaço muito mais democrático, que são as assembleias de curso, onde há um debate muito mais aprofundado.

As debilidades do comando de greve e a política do DCE para este

Contudo, para que o comando expresse de fato as posições das bases, algumas coisas são necessárias: as discussões feitas nas bases devem se refletir na eleição dos delegados, e estes devem levar as posições das assembleias proporcionalmente a partir das principais discussões.

Se, por exemplo, a principal polêmica se dá em torno do programa, que a eleição expresse isto. Por isto defendemos a eleição de delegados por chapas, para que o debate político se expresse.
 Isto não quer dizer “amarrar” os delegados a votarem apenas o que foi discutido nas assembleias de curso: para nós eles cumprem o papel político de direção do movimento, e por isto devem ter autonomia para votar em outras questões.
 Isto, no entanto, faz com que seja imprescindível que os estudantes nos cursos tenham controle sobre seus delegados, ou seja, que tenham momentos de balanço para debaterem o que cada delegado levou ao comando, como estão atuando politicamente. A partir disto se poderá revogar os delegados e substituí-los. Assim, o comando passa a ser um organismo democrático, sensível às bases e que permite que os estudantes façam experiência política com as distintas posições.
Demos uma luta política para que o comando funcionasse assim, em particular na Letras onde compusemos a chapa 1 de delegados junto a estudantes independentes, chamando reuniões abertas de balanço e dando uma luta para que os delegados fossem revotados a cada assembleia (mas esta posição prevaleceu apenas em uma assembleia).

Isto mostrou resultado, pois se na primeira votação dos delegados na Letras o DCE levou a grande maioria, na segunda, no período noturno, a chapa 1 teve mais votos a partir do balanço que apresentou sobre a atuação de cada delegado. Contudo, sabemos que o comando não funcionou de forma alguma como deveria: nos cursos onde o DCE dirige sozinho, como a Farmácia, tiveram uma posição extremamente burocrática de eleger os delegados na primeira assembleia e nunca mais revotá-los, chegando a manter mais de uma dezena de delegados em cursos que já tinham até saído da greve! Isto comprova como para eles o comando não é uma questão de democratizar o movimento e fomentar a auto-organização, mas apenas mais uma forma burocrática de dirigir o movimento para levar a sua política sem discutir com as bases.

Para levar o movimento à vitória, era necessário unificar as lutas

Desde o começo se expressaram três estratégias distintas para o conflito. 

A estratégia do DCE era de levantar uma luta corporativa, ou seja, que se restringisse aos muros da universidade com a política apenas de diretas para reitor, sem dialogar em nada com os que não estão na USP, mostrando nos jornais como era uma luta para os “estudantes poderem opinar”. Por outro lado, havia os que levantavam a radicalização nos métodos por fora de pensar em como se aliar a outros setores, tal como o MNN, que levantava o programa de diretas universais e métodos como a ocupação da nova reitoria por fora de pensar em como massificar a greve e ganhar aliados.
Mesmo setores que levantavam um programa mais correto para a estrutura de poder, como POR e PCO, tinham uma política vanguardista e sectária, sem pensar em como disputar este programa nas bases, das quais estavam descolados, travando nas assembléias gerais disputas sobre “propostas mais corretas” tentando impor uma cartilha imensa de pautas, sem pensar em qual o programa para ligar a base e a vanguarda. No caso do PCO, sem procurar nenhuma medida de aliança com setores de fora da USP ou de fortalecer a auto-organização a partir do comando.

Nossa estratégia se distinguia das demais por vermos no conflito a possibilidade de reacender a faísca de junho, que a importância política da USP no cenário nacional poderia espalhar por todo o país. No mesmo momento em que lutávamos na USP, duas importantes greves da educação aconteciam: a histórica greve dos professores do Rio, que há mais de vinte anos não protagonizavam uma luta como esta; e a greve dos estudantes da Unicamp, bem ao nosso lado, levantando a mesma pauta pela qual lutamos em 2011: contra a polícia.

Em nossa visão, a unificação destas lutas poderia mudar completamente o cenário das lutas. Não uma unificação “em palavras”, como o DCE fez em mais de uma oportunidade dizendo que “apoiava” a greve no Rio e na Unicamp. Propusemos e inclusive conseguimos aprovar nas assembleias medidas concretas de unificação: na USP e na Unicamp, onde também está presente a Juventude às Ruas, propusemos a criação de um comando de greve estadual, de uma plenária unificada estadual que também incorporasse Unesp e Unifesp, e um dia nacional de lutas em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade para todos, todas iniciativas em relação as quais o DCE não se contrapôs mas não deu peso algum.

A possibilidade de que pudéssemos dar um exemplo nacionalmente de uma forte luta em defesa de uma das principais demandas de junho – a educação – significava uma possibilidade concreta de que outros setores seguissem nosso exemplo e pudéssemos desencadear uma luta muito maior e mais forte contra as reitorias e os governos em todo o país. Também defendemos a unificação com os que são excluídos do acesso a universidade com medidas como o ato de quebra dos muros que separam a USP da São Remo, que o DCE insistiu em boicotar a todo o momento. Mais uma vez, o ceticismo e a estreiteza, combinados a ansiedade pelas eleições e a rotina estudantil das direções do PSOL e PSTU mostrou que não estão a altura das tarefas que temos pela frente.

Da não unificação aos “acordos vitoriosos” que enterraram as lutas

No dia em que foi realizada a reunião do comando estadual, aprovada nas duas universidades, tanto o DCE da USP como o da Unicamp (dirigido pela corrente 1 de maio, também do PSOL), como dissemos, boicotaram este importante espaço.
Compareceu apenas um delegado do PSTU da USP. O sindicato dos professores do Rio também era dirigido por PSTU e Insurgência/PSOL, duas correntes que estão no DCE da USP.

Também o PSTU dirige a ala majoritária da ANEL, uma entidade nacional na qual estudantes de diversas universidades do país atuam, e o PSOL dirige a Oposição de Esquerda da UNE, tendo também peso nacional, sendo que essas correntes poderiam ter tentado organizar um dia nacional de mobilizações, paralisações e ocupações de Reitorias, como propusemos em Assembleia da USP e como ala minoritária da ANEL buscamos construir nos locais onde atuamos. Mas não o fizeram. Isso sem falar da majoritária da UNE e do Campo Popular (dirigido pelo Levante Popular da Juventude), que se orgulham em dizer que dirigem a entidade que representa a maioria dos estudantes do Brasil, mas na hora de um conflito dessa magnitude mostram o aparato inútil que essa entidade nacional se tornou sob suas direções.

A unificação estava em suas mãos, mas a estratégia das “pequenas vitórias” em cada local prevaleceu: na Unicamp, diante do primeiro recuo que o movimento conseguiu impor à reitoria, o DCE defendeu a desocupação da reitoria, o que, na prática, significou o desmonte da greve.
Chegaram a dizer em assembleia que “a melhor forma de apoiar a luta da USP era sair da reitoria com uma vitória e mostrar que é possível vencer”. Mas o recuo da Unicamp mostrou bem as “vitórias” que o PSOL e PSTU constroem: no dia seguinte da desocupação, os estudantes da Unicamp passaram a ser chamados pela polícia para depor e o vice-reitor foi à imprensa para dizer que “a possibilidade da polícia no campus não está descartada”.

Assinaram um acordo que não garantia a não punição dos estudantes, e que inclusive responsabilizava o DCE por qualquer dano causado à reitoria! Chegaram mesmo a aprovar em assembleia uma campanha financeira do movimento para pagar os “danos” à reitoria, assinando embaixo da criminalização do movimento!

Por incrível que pareça, assim que isto aconteceu na Unicamp o DCE da USP saiu dizendo que tínhamos que “seguir o exemplo” da Unicamp, e até na mesa de negociações propuseram um acordo do “modelo Unicamp”, que criminalizava o DCE pela ocupação.

Saíram da negociação, ao contrário do que afirma o PSTU em seu balanço (“garantindo” permanência estudantil e parte das pautas atendidas), com seu “acordo vitorioso”, que, como todos puderam ver, era um apanhado de promessas requentadas que a reitoria já havia feito mil vezes, sem nenhuma garantia de nada.

Contudo, o mais grave não eram as falsas promessas que o DCE se esforçou em pintar de “vitórias” em seu comunicado aos estudantes em que descaradamente mentiam sobre o conteúdo do acordo.

O pior era que, além de ter medidas claramente antioperárias como a “ampliação do funcionamento dos Restaurantes” sem nenhuma garantia de novas contratações nem mudança no regime exploratório de trabalho que existe nos refeitórios, o acordo dizia expressamente que os estudantes seriam processados e “os procedimentos administrativos observarão os princípios constitucionais”, o que o DCE afirmava que era uma garantia de não punição!
Uma coisa é sair da greve de mãos abanando, e em determinados momentos a correlação de forças pode de fato impor isto ao movimento. Outra coisa, bem distinta, é assinar um acordo dizendo à reitoria que o movimento concorda que os estudantes sejam punidos... em respeito a constituição!!!! Para nós, isto é algo completamente absurdo, pois significa que nós estamos legalizando e naturalizando punições contra nossas mobilizações políticas.

Por isto defendemos que o acordo não fosse assinado, e em uma assembleia geral isto foi aprovado por 757 votos contra 562 (o que, de acordo com o balanço do PSTU da greve, é uma “vitória apertada”sic!).

Contudo, para o DCE e as correntes governistas não bastou votar pelo fim da greve e pela assinatura do “vitorioso acordo” que garantia punições: na semana da assembleia que votou contra o acordo, eles militaram como em nenhum outro momento da mobilização, passando em cursos onde não tinham dado as caras antes, como Poli e Veterinária, para chamar os estudantes para a assembleia e votar o fim da greve! Chegaram a trazer dois ônibus de São Carlos, coisa que só fizeram para o ato do 1 de outubro, para poderem ganhar a posição na assembleia! Na Assembleia da Faculdade de Educação foram capazes de defender contra que os estudantes voltassem à greve mesmo se houvesse reintegração de posse da Reitoria (que naquele mesmo dia tinha sido aprovado pelo juiz).

E mesmo assim, perderam pela “apertada” margem de 200 votos. Em diversos lugares, como no curso de Relações Internacionais, Educação Física e no campus de São Carlos, defenderam que os estudantes saíssem da greve após conquistarem suas pautas específicas, e disseram que este era o “exemplo a ser seguido” nos outros cursos. Ou seja, quando na assembleia geral a gestão do DCE disse que era necessário acabar com a greve porque “não havia correlação de forças”, o que eles esconderam é que lutaram em cada curso para criar esta correlação de forças desfavorável, desmobilizando a greve em cada lugar!

O PSTU, em seu balanço, desenvolve a peripécia mental de dizer que a “ultra” (na qual incluem a todos que lhes fazem oposição) dialogou apenas com a vanguarda “mais a esquerda” que se divorciou (por alguma obra mágica do destino) da base dos estudantes.
Esquecem, apenas que, se houve algum divórcio, foram eles, juntos do PSOL, o Juiz e o escrivão que fizeram de tudo para assinar a separação... da base com a vanguarda!

O “´diálogo” com a massa estudantil que tanto se gabam em possuir se baseou em separá-las do sentimento mais correto e progressista que dizia que, após junho a luta da USP deveria sair dos seus muros. Mais uma vez, com sua rotina e ceticismo cansados mostraram a incapacidade frente aos novos tempos...


No Rio, a atuação do PSTU e da Insurgência (que na USP apresenta o nome de Movimento Primavera) não foi diferente: depois de uma combativa greve que enfrentou a polícia e a intransigência do governo, a direção do sindicato defendeu sair da greve de mãos abanando, e teve que refazer a votação um punhado de vezes para passar esta posição (por 1.085 contra 889 – nesse caso sim uma votação apertada!). Ou seja, para PSOL e PSTU, a política em todas as mobilizações é esta: isolar as lutas e garantir “vitórias” mínimas em cada lugar (ou inventar alguma caso não exista nenhuma conquista de fato), e em seguida abandonar a luta esperando as próximas eleições.


Da desmobilização “vitoriosa” ao boicote ao movimento

Infelizmente, após a derrota de sua política no movimento, o DCE se recusou a se disciplinar pelas bases e fazer experiência com sua política. Passaram a boicotar o movimento, esvaziando a ocupação da reitoria, inviabilizando uma reunião do comando de greve com piquete humano a pretexto de se colocar contra a agressão de um militante do PCO a um militante do PSTU (agressão esta que, assim como o revide posterior por parte do PSTU, vale repetir, repudiamos em absoluto), se retirando da última assembleia que o movimento conseguiu realizar, etc.

O PSTU, em seu balanço público, chegou ao extremo: passou a cumprir o papel de criminalizar setores do próprio movimento, dizendo caluniosamente que: “a festa ‘Atentado Contra a Moral e os Bons Costumes’ (...) acabou na invasão do centro de vivência onde ficam as sedes do DCE e da APG em reforma atualmente. O infeliz ‘incidente’ resultou na destruição do espaço, com a quebra de aparelhos eletrônicos e o incêndio dos móveis.”, vinculando a suposta depredação da reitoria a todas as correntes políticas de oposição de esquerda ao DCE.
Da mesma forma, se deram declarações de membros do DCE, desta vez ligados ao Juntos/PSOL, ao jornal do campus e grandes meios delatando as ações de “minorias” nos ditos “depredações e vandalismo” ocorridos nesta festa.
Este método de “delator” para tentar salvaguardar sua política mesquinha é um escândalo, e o mínimo que o PSTU deveria fazer seria retirar este texto criminoso de seu site e, junto de PSOL, se retratar publicamente destas calúnias e acusações.

A luta de 2013 foi um prenúncio das mobilizações de 2014

As lições e balanços desta greve não devem servir para guardarmos em uma gaveta, mas para nos prepararmos para as lutas que virão no ano que vem.
Ficou claro em junho e está claríssimo agora que esta esquerda (PSOL e PSTU), reproduzindo a mesma lógica petista de militar daqueles que constroem a UNE, adaptada aos calendários eleitorais e buscando a todo custo entidades exclusivamente para sua autoconstrução, não podem cumprir o papel que exigem os novos tempos!
Tiveram duas oportunidades este ano; em ambas falharam lamentavelmente.

Temos visto a repressão crescendo brutalmente, como, por exemplo na recente prisão de um morador de rua como “bode expiatório” dos protestos; temos visto, também o aumento da precarização do trabalho, com quatro mortes nas obras da copa apenas nas últimas semanas (duas em São Paulo e duas em Manaus); a volta da indignação da juventude, contra o absurdo da copa bilionária, enquanto a saúde, o transporte, a educação seguem precários.

Diante disto, a juventude e o movimento estudantil precisam se preparar a altura para estar na linha de frente das lutas de 2014, ombro a ombro com a classe trabalhadora.
Nós da Juventude às Ruas lutamos para construir alas revolucionárias no movimento estudantil, que estejam preparadas para, em cada luta e mobilização, estar ao lado do povo trabalhador e da juventude precarizada contra os magnatas e grandes capitalistas. Foi com essa perspectiva que construímos as chapas “Douglas” nas Ciências Sociais e a chapa “Contra a Corrente” na Letras e a expressiva votação que tivemos nos dois cursos demonstra que muitos estudantes também começam a ver essa necessidade.

Acreditamos que isto se faz no dia a dia, nas entidades, nos cursos, buscando destroçar todo traço de elitismo e isolamento do movimento estudantil e ligá-lo as lutas históricas que faremos a partir de Junho! Superar nossas velhas direções, mobilizar nas bases e colocar a juventude nas ruas, organizada a partir de cada sala de aula! Depois de junho, o país mudou; o movimento estudantil também precisar mudar!

Seguir a luta por uma universidade a serviço do povo trabalhador; não parar nos 20 centavos, mas lutar pela estatização do transporte sob controle dos que usam e trabalham nele; barrar a copa dos bilionários; enfim: Desafiar a miséria do possível! É isto que queremos!
Este é o chamado que fazemos a cada estudante a começar pela construção do 1º Grande Ato contra a copa, no Masp, em SP, dia 25 de janeiro! Venha construir conosco esta alternativa! Faça parte da Juventude Às Ruas!

NÃO AO AUMENTO DAS TARIFAS! LUTEMOS PELA ESTATIZAÇÃO SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES E USUÁRIOS DE TODO SISTEMA DE TRANSPORTE!

No dia 5 de dezembro o prefeito Eduardo Paes deu uma declaração dizendo que as passagens em 2014 vão aumentar, depois da onda de manifestações que se deram nas chamadas "jornadas de junho" onde os trabalhadores com maioria de juventude foram às ruas lutar contra o aumento da tarifa e reivindicar transporte, saúde, educação e moradia.

A prefeitura declara que vai aumentar novamente as passagens!!

Nós temos que garantir que este aumento não ocorra e ir por mais com nossas reivindicações, não podemos aceitar nenhum direito a menos. A CPI dos transportes foi instalada e mais uma vez deu em pizza. Não podemos deixar na mão do governo e do bando de políticos burgueses uma tarefa que é nossa! os trabalhadores do transporte e nós que pegamos o transporte coletivo todos os dias é que sabemos exatamente o que falta e o que precisa para que ele seja de qualidade.

Os governos Cabral e Paes, aliados ao PT e ao PCdoB, governam para os capitalistas e para o lucro, não para o conjunto do proletariado que é a maioria, sendo assim nunca teremos transporte e direitos sociais para todos. Sem acabar com a máfia dos transportes só virão aumentos e serviços ruins, com baixos salários e péssimas condições de trabalho para os trabalhadores do transporte, enquanto os "Barata" enriquecem ainda mais. Basta de lucros e subsídios para os empresários, corrupção para os políticos e péssimos serviços sociais!

Por isso é preciso levantar o programa de Estatização dos transportes, sob controle dos trabalhadores e usuários, com comissão de trabalhadores desde os sindicatos e de estudantes desde os C.A´s, D.A´s e DCE´s, e locais de moradia para garantir que o transporte seja controlado por nós! Os governos e os capitalistas só visam o lucro dos seus negócios, nunca teremos transporte e direitos sociais para todos com um transporte funcionando sob a lógica do lucro. Sem acabar com a máfia dos transportes só virão aumentos e serviços ruins, com baixos salários e péssimas condições de trabalho para os motoristas e cobradores.Sem organização e direção combativa (tirando a máfia que controla estes sindicatos) e democrática não se pode vencer.

Em junho lutamos, milhões, e conseguimos barrar o aumento. A luta não seguiu de forma organizada e ampliada, ligando todas as reivindicações sociais - moradia, saúde, educação, contra a violência policial e o racismo, etc. - para unir e coordenar sindicatos, organizações estudantis e populares num movimento orientado por um plano de luta e reivindicações que enfrentasse com toda força os governos e os capitalistas. Esta oportunidade foi desperdiçada em junho-julho, e depois frente a greve dos professores, e nesta segunda correntes do PSOL e PSTU que dirigem o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE) tem responsabilidade por não haver uma coordenação como esta. A luta refluiu principalmente porque não se consolidou em organização ampla e democrática dos setores em luta como direção de todo o povo indignado com as péssimas condições de vida.

Os inimigos - governos, políticos e capitalistas - se recuperaram do "susto", prometeram mudanças para manter tudo como estava, continuaram lucrando com seus negócios (obras superfaturadas, leilão de petróleo, privatizações etc.) e agora pretendem voltar com novos aumentos contra os trabalhadores, a juventude e o povo pobre.

Precisamos desmascarar o roubo dos empresário-mafiosos do transporte e do governo Paes, exigimos a abertura dos livros de contabilidade. Somente nos organizando, desmascarando esses roubos, nos unindo e lutando pela Estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores usuários é que podemos garantir um transporte decente, de qualidade para todos. fortalecer nossa luta e unificar nossas forças, é preciso nos organizar desde os locais de trabalho, de moradia e de estudo.

Garantir a luta e os lutadores!

Frente organização dos lutadores o governo Cabral gasta milhões com repressão, armamento, balas de borracha, sprays e bombas, para garantir a cidade modelo da Copa e Olimpíadas. Perfeita para os interesses dos burgueses internacionais e nacionais, colocando as contradições da cidade por de baixo do tapete ou do chão com é o caso dxs Amarildxs, utilizando a cadeia como celeiro como é o caso de Rafael morador de rua, que não tinha nada a ver com as mobilizações e foi condenado a 5 anos de prisão, ou mesmo o Baiano todos negros e pobres, o que mostra como as punições nesse país tem cor e classe. Os verdadeiros bandidos e ladrões são Sergio Cabral e sua corja (Paes, Beltrame e Dilma), que tem em comum o objetivo de garantir e gerir os lucros da burguesia nas costas da juventude e dos trabalhadores.

Não aceitaremos mais ataques!!! Não ao aumento das tarifas! Estatização sob controle dos trabalhadores e usuários de todo sistema de transporte público!
Liberdade imediata de todos os presos políticos! (Baiano e Rafael no Rio)
Anulação de todos os processos! Pelo fim a criminalização aos movimentos sociais!
Abaixo a repressão de todos os lutadores!