Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Estamos ao lado dos trabalhadores contra as arbitrariedades das chefias!

Carta aberta de estudantes da FFLCH sobre as transferências do DLCV
 
Recentemente a chefia do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV) da Letras, junto com a diretoria da FFLCH, promoveu a transferência repentina e arbitrária de três funcionários deste departamento. De acordo com a chefa do departamento, Marli Quadros Leite, e o diretor da FFLCH, Sérgio Adorno, as transferências se devem a problemas dos funcionários na execução de seu trabalho, questão que pode facilmente ser desmentida tanto por seus colegas, quanto pelos professores que são ligados ao departamento, e mesmo por sua antiga chefia que em nada reclamou deles em suas avaliações anteriores.
Contudo, o que nós estudantes sabemos é quem são os responsáveis por estas transferências: Marli Quadros Leite foi chefa da Comissão de Graduação da FFLCH e, neste período, foi responsável por editar a portaria FFLCH 17, que impede que os estudantes troquem de turmas e que os professores tenham autonomia para aceitar alunos que não conseguiram a matrícula no período regular, incluindo sua matrícula no sistema posteriormente. Esta medida não apenas é um ataque à autonomia dos estudantes e dos professores em relação à formação acadêmica, como prejudica e atrasa a graduação de centenas de estudantes, em particular da Letras, curso no qual Marli Quadros Leite é professora. Não bastasse isto, no segundo semestre deste ano turmas de matérias do departamento gerido por Marli ficaram sem professores e os alunos passaram mais de um mês sem aula, como foi o caso de Literatura Portuguesa II. Além disso, os que cursam matérias com Marli sabem que é ela quem não comparece ao trabalho, enviando monitores para dar aulas em seu lugar. Enquanto Marli acusa os funcionários de “desleixo”, é ela a real responsável por não garantir que haja professores para ministrar as matérias, compactuando com a política de precarização do ensino de Rodas. Quanto a Sérgio Adorno, também o conhecemos bem: como coordenador do Núcleo de Estudos da Violência, foi um dos defensores da presença da polícia no campus; foi escolhido a dedo por Rodas para ser diretor da FFLCH, e participou de sua comissão de negociação durante a greve deste ano, sendo o testa-de-ferro da intransigência de Rodas contra os estudantes. Na FFLCH, cumpriu papel semelhante, dificultando a negociação com os estudantes com relação às demandas da greve, como a falta de professores, por exemplo.
Não é à toa que estes dois aliados da reitoria de Rodas promovem agora uma transferência que é uma verdadeira perseguição política, incluindo um dos diretores recém-eleitos do Sintusp para evitar “mais problemas”, já que deve ter preocupado o diretor as plenárias unificadas dos três setores da FFLCH que reuniram centenas durante a greve. No caso do diretor eleito do Sintusp, a perseguição começou anteriormente com um processo administrativo que está em curso pedindo sua demissão por justa causa. Nós respondemos que não aceitamos os ataques arbitrários contra os trabalhadores, seja de Rodas, Adorno, Marli ou qualquer outro. Os objetivos destas medidas são enfraquecer a organização política e sindical dos trabalhadores, atacar sua unidade com estudantes e professores, para poder avançar no projeto de universidade privatista e elitista do governo. Estamos ao lado dos trabalhadores na luta pela democratização da USP e contra as arbitrariedades das chefias!


Juventude às Ruas (LER-QI e independentes)
Movimento Negação da Negação


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Recado de dentro da fábrica pra Juventude às Ruas


por Doni, operário da indústria, militante da LER-QI


Ainda é bem cedo e já completo a primeira hora de produção (sem contar que estou acordado há 3h), com o corpo ainda se adaptando ao choque térmico (trabalho a 6ºC normalmente, mas quando começo a suar é que sinto um friozinho, porque o líquido gela na pele, mas depois acostuma), espirro, sinto os braços doendo e percebo que já estou cansado. Como serão as 8:30 restantes para bater o cartão?

As vezes o cansaço físico e mental dão as mãos, é foda. Esses dias vi dois moleques que só não se pegaram porque foram separados. Na hora me senti mal, sem entender por que chegavam a tanto, assim como outros casos de estranhamento entre companheiros. Hoje foi minha vez, deixei o palete no meio do caminho de propósito, só de raiva, afinal, "esses maluco sempre enrola pra pega essa porra!" Poderia ter alimentado uma briga com um colega de trabalho que também está se fodendo pra dar conta do serviço. Pedi desculpas.

Como esses desgraçados só conseguem ver o quanto essa máquina nova aumenta a produção, mas não vêem que o nosso corpo continua o mesmo? É preciso trabalhar feito louco o dia inteiro, mal conseguimos conversar. Você sente que está sendo devorado por essa máquina. Como dar conta desse ritmo de trabalho? O pior é que a gente dá.

É preciso saber exatamente o que está fazendo, para conseguir continuar fazendo.
Então me lembro que hoje não é um dia normal, hoje teve panfletagem!

Assim que sentei na mesa do café, revoltado porque a panfletagem estava atrasada, logo veio um rapaz com o Boletim Classista enrolado na mão. Ele sentou próximo, junto com uma menina, abriu o material sobre a mesa e ela me perguntou, "vc viu? acabaram com os donos da fábrica, chamaram até de miseráveis!, quando cheguei não tavam lá…" No corredor vi uma senhora lendo andando e quando desci pra linha o Alam estava muito empolgado "passa na farinha depois que te passo meu." 

Na linha, Pedro, que leu e opinou previamente sobre o texto, contou que no vestiário ouviu várias conversas empolgadas sobre o material. Até o Billy, que estava meio distante, atravessou a linha inteira pra me contar que estavam falando muito do Boletim. O tiozinho das antigas pagando pau, dizendo que "é muito bom porque fala e explica pro povo que não tem estudo, que não entende o que tá acontecendo…"

Ufa!
Agora ganhei uma força infernal, trabalhei feito louco e comecei a discutir com Pedro o próximo passo, as possibilidades da repressão, etc. Ele quer que o próximo seja logo.

Quase no final do dia, um colega mais instruído comentou que não conseguiu pegar um "não achei, mas se eles estiverem lá na hora de saída eu quero pegar." Essa frase diz muito, pois se ele não encontrou o material jogado no chão ou no lixo, significa que a vida útil do Boletim será transcendente, pegará ônibus, trem, ocupará residências de operários, talvez seja debatido no jantar, com colegas de outras firmas, etc.

E ao final daquelas 8:30 que faltavam desde o momento em que pensei em escrever esse texto, quando o colega da frente na fila do ponto pega o papelzinho, eu olho sorrindo e digo "mais um que tá garantido!"
Esse é o meu recado pra galera da Juventude às Ruas.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Nota da Juventude às Ruas sobre a "consulta" para reitor na USP

"Os progressos da USP nos últimos anos são incontestáveis e essa trajetória de sucesso tem de ser mantida a qualquer custo."

"Valorização da graduação com Implantação do ensino online, com padrões pedagógicos adequados e investimento em base computacional de alto desempenho, Cloud, com softwares dotados de inteligência artificial. Objetivo é formar estudantes com as habilidades exigidas pela revolução digital."

"Desta forma, o ponto mais significativo da reforma do poder é mudar a maneira como são tomadas as decisões, fazendo com que o Conselho Universitário, as Congregações e os Conselhos Centrais tenham uma participação mais relevante na vida da Universidade"

"Há melhores caminhos para inclusão social do que o estabelecimento de cotas. A política da USP está na direção certa ao valorizar o mérito acadêmico e estimular por meio de bônus diferenciados, pela busca de talentos, pela melhor divulgação de informações sobre o vestibular e preparação dos alunos de ensino médio."

As afirmações acima vieram de diferentes candidatos à reitoria. Dentre os candidatos, não há um que não seja favorável terceirização, que explora e oprime milhares de trabalhadores todos os dias dentro da Universidade. Nenhum favorável a qualquer medida de inclusão social que não legitime a lógica meritocrática. Nenhum se posicionou, durante o período de greve, para dialogar com os manifestantes e pensar numa solução conjunta. Nenhum se posiciona claramente sobre a PM dentro do Campus, que teve sua entrada permitida com a finalidade única de reprimir estudantes e trabalhadores.
A falta de bons candidatos não é apenas um acaso infeliz, que pode ser corrigido no próximo período. O fato de ser uma parcela extremamente restrita da comunidade a decidir o próximo reitor, faz com que as políticas propostas para o exercício do poder sejam voltadas precisamente ao interesse desta mesma parcela. A própria consulta à comunidade acadêmica se apresenta como indiferente, bastando apenas lembrar que na consulta à FFLCH, os consultados escolheram o candidato que nos votos válidos fora derrotado.

A Juventude às Ruas chama um boicote a essa consulta e a essa eleição. Chamamos toda a comunidade acadêmica, a todos os Centros Acadêmicos, ao DCE e à ADUSP a participarem deste boicote. Não existe a possibilidade de uma gestão verdadeiramente democrática através da reitoria e do concelho universitário, é preciso dissolver estas estruturas burocraticas, e assim possibilitar que todos os estudantes, funcionários e professores participem democraticamente da escolha de nossos representantes. A representatividade, hoje, como se dá, transforma estas eleições em uma fraude. Participar dela é compactuar dessa fraude, não bastando a fraude da própria consulta à comunidade sem caráter decisório.

Estivemos em um período de greve e intensas mobilizações por democracia, com eixo em uma Estatuinte Livre, Soberana e Democrática, por um Governo Tripartite composto democraticamente por estudantes, funcionários e professores. Estivemos lutando por uma série de demandas mínimas, sobre as quais todos os candidatos são contrários. Eles não estão dispostos a ceder e, seja quem for o vencedor, elas precisarão ser arrancadas, o que só será possível a partir de mobilizações massivas ao lado dos trabalhadores, os mais afetados pela política nefasta de desmonte do serviço público e submissão ao capital das grandes corporações.

Para nós, a democracia na USP e em qualquer universidade não se dará apenas modificando sua estrutura de poder. É necessário que a universidade se coloque a serviço das demandas dos trabalhadores e do povo pobre, e para isto lutamos pela democratização radical do acesso, através da implementação imediata de cotas proporcionais para negros e com uma luta pelo fim do vestibular e estatização de todo o sistema privado de ensino. É necessário reformular todos os currículos colocando o conhecimento produzido nas universidades a serviço da população que financia a universidade com seus impostos. Na USP, por exemplo, faculdades como a Poli e FAU deveriam se colocar a serviço de pensar um plano de moradias para os moradores da São Remo, ao invés de abrigar em seu campus cursos para a formação de policiais. Só assim a universidade será verdadeiramente democrática!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Que xs negrxs entrem nas Universidades pelas salas de aula e pelos currículos!

Mais uma vez a universidade de São Paulo mostra seu racismo institucional ao manter fora do currículo da Faculdade de Educação uma matéria que discuta sobre a questão negra, negligenciando as leis de diretrizes e bases. Essa mesma universidade que se recusa a implementar cotas raciais, que tenta derrubar o núcleo de consciência negra e que se nega a construir uma casa de cultura negra no país mais negro fora da África.
A mudança na LDB a partir das leis federais 10.639/03 e 11.645/08 prevê a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Africana e indígena nas escolas e para isso prevê também que nas faculdades é preciso um ajuste nos currículos para formarem professores que possam implementar essa lei nas escolas, assim como especialização para os professores que já estão nas redes.
Depois da pressão de estudantes da Faculdade de Educação, em maio de 2013 uma resolução da Comissão de Graduação (CG) previu tal cumprimento para o primeiro semestre de 2014 como optativa, o que já mostra como os professores responsáveis pela graduação no centro de formação de todos os professores da USP encaram a questão negra dentro do processo de formação de professores. Mas os estudantes no final do ano se depararam com a o fato de tal disciplina não constar nem como optativa na grade horária do primeiro semestre de 2014.
Na faculdade mais “democrática” da USP, percebemos o quanto escolher nossos diretores e reitores se torna insuficiente, se a comunidade FEUSP pode escolher a professora Lisete como diretora de sua unidade, os alunos e trabalhadores continuam tendo uma ínfima participação nos colegiados, como é o caso da comissão de graduação. Quando é preciso discutir como proporcionar aos futuros professores matérias que discutam sobre a cultura e a história dos negros, a burocracia acadêmica usa de seu peso nos colegiados para se impor.
Uma mudança como essa na grade curricular do curso de pedagogia da USP não é qualquer coisa, pois abre precedente para que possamos disputar os currículos de outros cursos de nossa universidade, exigindo que todos os discutam sobre a história, arte, literatura, cultura corporal, música e todo o conhecimento do povo negro, assim como em outras universidades do Brasil. Por isso deve ser uma luta de todos e não pode se dar apenar por pressão na burocracia acadêmica por RDs ou abaixo assinados. Reivindicamos esse ato e queremos construir mais mobilizações como essas para que possamos arrancar com nossas forças as mudanças que queremos na educação.
Entretanto, para impor conquistas reais é preciso lutar contra essa estrutura de poder que perpetua o racismo na universidade, por isso levantamos o governo tripartite com maioria estudantil, onde os três setores da universidade possam gerí-la de acordo com o seu peso real. Que possamos reorganizar nossos currículos de acordo com as demandas sociais, dos trabalhadores e do povo negro e não do mercado de trabalho, pois a universidade deve estar a serviço de quem a financia e mais dela precisa, os trabalhadores.
Neste ato, trazemos também a memória dos jovens negros que, estando fora da universidade, sofreram brutalidades por parte da polícia militar, da justiça burguesa e do trabalho precário e que hoje seguem suas vidas aprisionados pela única instituição brasileira que prioriza a entrada de negros: o sistema carcerário. Por isso, estamos aqui também em protesto ao espetáculo racista ocorrido no Shopping Vitória e exigimos a punição de todos os policiais e civis que praticaram ou incitaram violência racista.


* PELA IMEDIATA IMPLEMENTAÇÃO DE DISCIPLINAS SOBRE A CULTURA, HISTÓRIA E REALIDADE DOS NEGROS NO BRASIL EM CARÁTER OBRIGATÓRIO!
* COTAS PROPORCIONAIS JÁ! PELO FIM DO VESTIBULAR!
* POR UMA CASA DE CULTURA NEGRA NA USP!
* PELA NÃO DERRUBADA DO NÚCLEO DE CONSCIÊNCIA NEGRA!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Nos organizemos para lutar contra o racismo no Shopping Vitória!


Durante toda a história de nosso país, a cultura, a religião e todo tipo de manifestação cultural do povo negro foi sempre criminalizada pela classe dominante. O candomblé, a capoeira, o samba foram alvos da repressão institucional. Hoje em dia, não é diferente: Desta vez são os bailes funk em cada periferia que são perseguidos, proibidos, criminalizados e impedidos de ocorrer pela força policial. No dia 30 de novembro, no Pier ao lado do Shpping Vitória, foi isto o que aconteceu, quando a polícia entrou para acabar com o baile funk utilizando como pretexto uma falsificação de que haveria ali “brigas entre grupos.”

A juventude negra conhece bem a atuação da polícia no seu cotidiano: não chegam para perguntar, ajudar, entender; chegam para reprimir, prender, matar, torturar. E por isso, logo os jovens correram para o interior do Shopping Vitória para tentar se proteger da polícia. Neste momento, foi seu segundo crime: invadir um espaço da “Casa Grande” onde os pretos e pobres não podem entrar se não para servir. Os autênticos freqüentadores do shopping, a burguesia branca, não perderam tempo para se defender das dezenas de jovens negros, que a seu ver só poderiam estar ali para promover um arrastão nas lojas, e chamaram imediatamente a polícia.

O que se viu em seguida é um “espetáculo” que só pode ocorrer em uma sociedade profundamente racista fundada em 400 anos de escravidão, tal como a nossa: sob aplausos dos apavorados freqüentadores brancos do shopping, a polícia rendeu todos os jovens negros que acabava de expulsar do Píer, colocando-os sentados tal qual as cenas que assistimos nas rebeliões nos presídios, com a cabeça baixa, sem camisa, mãos cruzadas sob a nuca. Conduzidos em fila indiana para fora do Shopping, enquanto a multidão vai ao delírio: seus capitães-do-mato cumpriram a missão, removeram aqueles negros perigosos dali. Negros no Shopping Vitória? Só de uniforme, do outro lado do balcão ou limpando os banheiros. O secretário de Segurança Pública do Estado, André Garcia, mostra como não há nada de incomum no racismo, e afirmou: “Havia um tumulto e algumas pessoas relataram furtos na praça de alimentação. A polícia agiu corretamente. A intenção era identificar quem invadiu o shopping”.

É neste país que foi forjada a hipócrita teoria da democracia racial, que diz que não há mais racismo, que há uma “harmônica” integração entre as raças constituindo o povo brasileiro. Para a classe dominante, enquanto sua polícia mata e tortura os negros nas periferias e favelas, convém dizer que não há racismo. Mas os negros não se calarão: em Vitória já organizam sua resposta com o “grande baile funk no Shopping Vitória”. Precisamos em cada canto do país dar uma resposta e punir cada responsável por esta ação!

Pela imediata punição dos responsáveis por agressão!
Pela punição dos cometedores do crime de racismo, sejam policiais ou civis que aplaudiram a agressão!
Pela imediata libertação de todos os jovens apreendidos na ação e pela indenização pelos crimes de racismo e danos morais!
Pelo fim da polícia assassina de negros, herdeira dos capitões do mato e da ditadura militar!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Nota da Juventude às Ruas em apoio à "Chapa: Sempre na Luta" para as eleições do SINTUSP



Nós, estudantes da USP e militantes da Juventude às Ruas, queremos manifestar nosso apoio à chapa “Sempre na Luta: piqueteiros e lutadores” para as eleições do SINTUSP. Essa chapa é a continuidade da atual gestão, marcada pela combatividade nas lutas, pelo classismo ao se colocar ao lado das lutas de toda e qualquer categoria de trabalhadores e por representar o mais avançado da democracia operária.

Esse ano, fomos parte ativa de uma forte greve estudantil em defesa de democracia na Universidade. Desde a Juventude às Ruas levantamos bem alto a bandeira de uma Universidade pública, gratuita, democrática, laica e a serviço dos trabalhadores. Também batalhamos no movimento para que o programa fim do vestibular, estatização das faculdades particulares e da garantia de uma Estatuinte livre e soberana organizada pelos trabalhadores, estudantes e professores, a partir da dissolução do C.O., fosse o eixo de nossa greve. Sabemos que essas lutas são também centrais para a chapa "Sempre na Luta" e que só poderemos alcançá-las se unificarmos estudantes e trabalhadores em uma só luta contra os projetos do governo e da Reitoria.

A chapa "Sempre na Luta” possui os maiores lutadores da categoria de trabalhadores da USP e isso não é menor para nós da Juventude às Ruas. Muitos de seus membros estão sofrendo repressão da Reitoria e do governo do Estado por se colocarem na linha de frente de defender as conquistas dos trabalhadores da USP e a unidade da categoria, combatendo a divisão imposta pelo governo entre terceirizados e efetivos e apoiando cada greve e reivindicação dos trabalhadores terceirizados, defendendo sua efetivação imediata aos quadros de efetivos.

Por tudo isso, a Reitoria avança na repressão contra o SINTUSP. Demitiu Brandão e promove uma chuva de processos contra a diretoria do Sindicato. A composição dessa chapa, com companheiros de histórica tradição e participação nas lutas e conquistas da categoria e com novos militantes e ativistas organizados em torno de um programa classista e combativo é a mais indicada tanto para dar continuidade às lutas como para enfrentar e barrar essa repressão aos trabalhadores da USP e garantir a reintegração de Brandão. Para isso se faz necessária a participação do maior número de trabalhadores nas eleições, para demonstrar à Reitoria e ao governo que não passarão nenhuma repressão aos trabalhadores da USP ou ao seu Sindicato e diretoria!

No momento, nós da Juventude às Ruas estamos construindo também duas chapas para as eleições dos centros acadêmicos da Letras e das Ciências Sociais. A chapa “Contra a Corrente” e a chapa “Douglas”, com o objetivo de constituir entidades estudantis militantes e combativas, que sejam organizadas de maneira democrática e se liguem com os trabalhadores de fora e de dentro da Universidade, efetivos e terceirizados, conforme buscamos fazer durante a greve estudantil especialmente nos cursos da FFLCH, na Faculdade de Educação e na EEFE, organizando reuniões de unidade entre estudantes e trabalhadores para lutarmos juntos pelas nossas demandas de uma educação pública, gratuita e de qualidade, à serviço dos trabalhadores.

Toda solidariedade a Thamiris!

Por Pão e Rosas e Juventude às Ruas

Recentemente veio a público o caso de Thamiris, estudante da Letras USP que escreveu um texto relatando como, após decidir terminar seu relacionamento com Kristian Krastanov, passou a ser perseguida por este de diversas formas, a ser constantemente ameaçada de morte e, finalmente, ter fotos nuas suas divulgadas na internet.
             O caso de Thamiris, infelizmente, não é uma exceção. Ela teve a coragem de vir a público expor seu caso, mas muitas mulheres sofrem com este tipo de agressão constantemente sem receber nenhum tipo de ajuda. Quando recorrem ao Estado, este lava suas mãos, como vimos em muitos casos em que mulheres fazem queixas e mesmo assim não recebem nenhum tipo de ajuda e, pelo contrário, são acusadas de provocarem a situação de violência. Recentemente, temos visto diversos casos de mulheres que tiveram fotos suas expostas na internet por ex-namorados, levando até mesmo a que jovens cometessem suicídio, como no caso da jovem Júlia Rebeca, de apenas 17 anos, ou o caso de outra jovem no Rio Grande do Sul, com a mesma idade, entre tantos outros.
            Tais práticas, que visam subjugar as mulheres, não serão aceitas de forma alguma! Não aceitaremos também os discursos que procuram culpar as mulheres pelas agressões que sofrem, como se as tivessem provocado! O que causa este tipo de agressão é uma sociedade machista e patriarcal, em que a ideologia que procura manter as mulheres oprimidas é reproduzida por cada instituição social com o objetivo de manter e aprofundar a exploração. A falsa moralidade burguesa coloca que estas mulheres devem ser condenadas por seu comportamento supostamente “imoral” de fazerem fotos nuas ou vídeos com seus companheiros. É absolutamente hipócrita este discurso de uma classe que, ao mesmo tempo que condena a livre expressão sexual das mulheres, transforma o sexo feminino em uma mercadoria a ser comercializado de todas as formas possíveis.
            O fato dessas mulheres terem publicadas suas fotos nuas na internet sem autorização, já escancara o lado perverso do machismo: utilização e exposição do corpo da mulher para finalidades particulares. Assim como abusam dos corpos das trabalhadoras terceirizadas, precarizadas, através do massacre da dupla jornada e pela falta de direitos básicos como saúde, alimentação, etc. Ou, como, as mulheres mortas vítimas de aborto clandestino, as vítimas do “revenge porn” (pornô de vingança), são duplamente agredidas, não só por terem seus corpos expostos, mas por se tratar de mulheres, todo o peso moral do patriarcalismo, que necessita da exploração das mulheres para manter o regime baseado em classes sociais – necessitando do trabalho feminino sem remuneração, domésticos e/ou reprodutivo – recai sobre elas, tornando objeto de desejo, fetiche, assédio para os homens, naturalizando a violência e a humilhação a qual são submetidas diariamente pela indústria de cosméticos, cultural, pela polícia, por seus companheiros, etc.
            Nos manifestamos em solidariedade a Thamiris e exigimos que Kristian seja expulso da universidade e punido judicialmente, que a segurança de Thamiris seja garantida. A reitoria da universidade não pode se omitir diante deste caso. É fundamental que desde já todos os coletivos feministas, entidades estudantis, como DCE e CAELL, se coloquem ativamente em solidariedade a Thamiris e qualquer mulher que sofra qualquer agressão. E que pautemos este debate amplamente na Universidade, para que outras mulheres possam tornar público qualquer caso de machismo que sofram ou venha a sofrer. Convoquemos uma assembleia da Letras para discutir como apoiar esta companheira para que ela possa continuar seu curso.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Estudantes são presos e torturados na USP! Nos mobilizemos para responder à altura!

Panfleto distribuído pela Chapa 1 da Letras USP para o comando de greve, composta pela Juventude às Ruas e independentes.

Na madrugada desta terça-feira, a mando de Alckmin e Rodas, 250 policiais da tropa de choque efetivaram a reintegração de posse do prédio da reitoria da USP. Além de reiterar a indisposição da reitoria e do governo para qualquer possibilidade de diálogo democrático, a ação da polícia prendeu dois estudantes da filosofia, Inauê e João Vitor, fora do prédio da reitoria, quando estes voltavam de uma festa e passavam ali perto. Os policiais não só inventaram um absurdo “flagrante”, acusando os estudantes de ocupar um prédio no qual sequer estavam, como espancaram os dois dentro do camburão e os torturaram psicologicamente, trazendo para dentro da universidade aquilo que é a prática cotidiana da polícia em cada periferia com o assassinato da população pobre e negra, como escancarou para todos o caso de Amarildo. Os estudantes, mesmo tais acusações completamente forjadas, chegaram a ser transferidos para o Centro de Detenção Provisória até que os advogados conseguissem sua libertação (relaxamento), pois a própria juíza reconheceu que não havia flagrante algum.
Nós, estudantes da USP e da Letras, não podemos ficar calados diante de tamanha repressão à nossa mobilização política. A assembleia geral de ontem, para dar uma resposta a isso, votou pela continuidade da greve por 299 contra 237 votos, e votou um calendário de mobilização para esta e a próxima semana. Nós da chapa 1 de delegados do comando de greve viemos convocar a todos os estudantes da Letras para retomarmos nossa luta, nos incorporando ao calendário geral e construindo a assembleia de nosso curso na próxima segunda-feira, na qual podermos retomar a greve no curso e dizer à reitoria que não aceitaremos passivamente as práticas ditatoriais de prisão e a tortura dos que se mobilizam por democracia na USP. Se não nos levantamos para lutar contra o opressor, estaremos sendo coniventes com suas práticas. Não podemos aceitar nenhuma repressão!

Quinta-feira (14/11): passagem nos cursos de manhã e ato às 17h com concentração no MASP e ida ao Tribunal de Justiça.
Segunda-feira (18/11): Assembleia da Letras – 12h e 18h.
Terça-feira (19/11): Reunião do comando geral de greve –18h.
Quinta-feira (21/11): Ato no centro da cidade e assembleia após seu término na Faculdade de Direito.

Chamamos também os estudantes para a reunião aberta da Chapa 1 para conformação de chapa para o CAELL: Terça-feira, 19/11, 12h, em frente à Letras. Para construir uma alternativa de direção que possa responder à apatia das atuais direções do movimento!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Abaixo a repressão na USP! Liberdade imediata aos estudantes presos!

A PM que entra na USP para reprimir os estudantes em seu direito de manifestação política - pela democratização da universidade mais elitista do país -, é a mesma que todos os dias mata jovens e negros como Douglas Rodrigues nas periferias!
Estamos em frente à 93a DP, onde a polícia mantém presos dois estudantes que saiam de uma festa e passavam próximos à reitoria. Em clara violação dos direitos dos estudantes, a polícia e o governo, sem qualquer evidência, ameaçam enviar os estudantes para o presídio sob acusação de dano, furto e formação de quadrilha, numa medida escandalosa de criminalização do movimento estudantil!


Abaixo a repressão! Liberdade imediata aos estudantes presos!
Todos à 93a DP!


Todos ao ato de hoje, em frente ao 93 DP, na Av. Corifeu de Azevedo Marques 4300 pela reabertura de negociações, por nenhuma punição, e agora pela liberdade imediata e desprocessamento dos estudantes presos!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sobre mentiras e provocações dos militantes do MES (PSOL) na USP

Diante de repetidas mentiras e provocações que vem sendo repetidas publicamente em assembleias e outros fóruns do movimento pelos militantes do MES (do PSOL, e corrente majoritária no DCE da USP), consideramos importante vir a público esclarecer alguns fatos. O método das mentiras é o método de nossos inimigos, dos governos, dos patrões, da mídia, e é lamentável que a direção do movimento estudantil se utilize deste recurso ao invés de fazer o debate político honesto e fraternal sobre os rumos que o nosso movimento deve tomar para atingir seus objetivos.
Também é lamentável que as demais correntes que compõem o DCE da USP (Movimento Primavera, também do PSOL, e o PSTU) sejam coniventes com este tipo de prática em sua gestão e em nenhum momento tenham se manifestado publicamente sobre esta atitude de seus companheiros de gestão. Pior ainda é que alguns militantes destas correntes tenham inclusive reproduzido algumas destas mentiras. São elas:

1) Os militantes do MES vêm repetindo que não construímos o ato do dia 1º de outubro, que não estivemos na linha de frente da construção desta luta.
2) Os militantes do MES vem espalhando que não construímos a ocupação da Reitoria.
3) Uma diretora do DCE e militante do MES, Sâmia Bonfim disse em assembleia da Letras que foi acordada (!) por um militante da LER-QI dizendo que iria embora da ocupação da Reitoria por estar com medo da polícia.
4) Os militantes do MES afirmam que somos contra as cotas raciais na universidade.
5) Os militantes do MES afirmam que a importante greve da Unesp que ocorreu durante o primeiro semestre deste ano foi encerrada sem nenhuma conquista.
6) Os militantes do MES, em especial seu dirigente Thiago Aguiar “acusam” o Sindicato dos Trabalhadores da USP de “economicista” e de “não conseguir fazer greve” e “não reintegrar o Brandão”.
7) Os militantes do DCE em geral vem dizendo que agimos de forma racista e machista contra seus militantes na assembleia da Letras.

Mas afinal, o que está por trás de tudo isso? Porque uma organização que eles dizem “não existir” gasta tanto tempo destes militantes do PSOL?

A resposta é simples: somos uma das poucas correntes que está desmascarando a política entreguista do DCE, majoritariamente dirigido pelo PSOL. Somos a corrente que denunciou a traição do DCE da Unicamp que terminou com a greve dos estudantes quando ela estava em seu auge. Somos a corrente que debatemos nacionalmente com esta organização, quando a mesma recebeu dinheiro de grandes empresas como da Gerdau, quando seus candidatos fazem frente com a burguesia como em Macapá, quando aprovam leis contra os trabalhadores como o SuperSimples. Mais do que isso, somos uma corrente no movimento estudantil que levanta as demandas dos trabalhadores e da população pobre e que portanto é um forte questionador da política corporativa do DCE por “diretas já”. Por isso, nossa política está tendo eco em diversos setores estudantis, numa assembléia de mais de 1500 pessoas onde claramente havia um voto pela continuidade da greve que era ao mesmo tempo um voto de repúdio a política do DCE. Então para “responder” a esta situação, o MES (PSOL) na USP decidiu por uma maneira bastante conivente para seus interesses: mentir e provocar os militantes da LER-QI e da Juventude Às Ruas.
A propósito de cada um dos pontos que elencamos, ainda que existam outros, só podemos dizer que todo o movimento estudantil, tenha acordo conosco ou não, sabe que estivemos no ato do dia 1º de outubro – as fotos comprovam, pra quem quiser acreditar. Todos sabem que passamos todas as noites na ocupação da Reitoria, pois somos uma organização que está nas lutas – não fosse isso não teríamos tido 13 presos na ocupação de 2011 e dezenas de processados na Unesp e Unicamp por participar de ocupações nas universidades e cidades, bem como dezenas de presos desde as manifestações de junho. Ao contrário, o DCE e o MES em particular, nos dias mais críticos para a Reitoria avançar com a reintegração de posse não estão na ocupação alegando motivos externos às decisões da Assembléia, que é soberana. 
Chega a ser cômico que a corrente estudantil que historicamente defende como programa central o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas, para dar uma resposta de fundo à questão do ensino no país e impor uma universidade a serviço dos trabalhadores e da população negra e pobre seja “acusada” pelo MES, com várias correntes do DCE fazendo coro, de não lutar por cotas raciais. Defendemos o programa de imediata implementação de cotas raciais proporcionais à população negra de cada estado, que em São Paulo significa 36% combinando com a luta pelo fim do vestibular. Fazem esta “acusação” pois na prática não defendem o fim do vestibular, encaram as cotas como uma reforma da universidade elitista tal como é e portanto não apresentam à população negra uma saída radical para a questão da exclusão dos negros na universidade. Ao contrário, nós temos orgulho do programa que defendemos, de termos em nossa corrente estudantes e trabalhadores negros que levam esta luta cotidianamente.
Os bravos lutadores da Unesp depois de uma combativa greve de mais de 3 meses, se unificando com trabalhadores e professores, em dezenas de campi arrancaram da Reitoria uma série de conquistas parciais. A diferença é que nós não transformamos estas conquistas parciais em "tremendas vitórias". Chamamos as coisas como são, sem embelezar e sem diminuir os avanços. Estão falando isso pra comparar com o termo de acordo que a Reitoria apresentou na USP: um punhado de "re-promessas", ou seja, promessas de anos atrás e uma brecha para a punição. Aí não tem nenhuma conquista parcial e muito menos uma "tremenda vitória". Por outro lado o Sintusp é um dos sindicatos mais combativos do país e não à toa sofre dezenas de processos, demissões, perseguição política e até ameaça de demolição. Talvez os militantes do MES não entendam porque praticamente não convivem com o Sindicato e com a luta dos trabalhadores (piquetes, greves, ocupações, manifestações, assembleias, reuniões de unidade, conselhos diretor de base, congressos, reuniões das secretarias do sindicato) mas não é por lutar por salários que o Sintusp está sendo perseguido. A Reitoria quer destruir o Sindicato porque sabe que é um Sindicato não corporativo, que a aliança com estudantes, professores, terceirizados pode ser explosiva e que sabe que o Sintusp denuncia fortemente a Reitoria e suas relações espúrias com empresários e o governo do Estado. Para encobrir sua política entreguista o dirigente juvenil Thiago Aguiar vem dizer que o Sintusp não faz greves e responsabiliza a LER-QI, a tal organização que não existe. Estão falando mesmo do Sintusp? Sim, estão, só esquecem de dizer que o Sintusp é m Sindicato que fez mais de 380 dias de greves nos últimos 10 anos. E depois que a direção do DCE simplesmente “sumiu” com a reivindicação de reintegração do Brandão da pauta estudantil, o dirigente juvenil Thiago Aguiar vem dizer que o Sintusp não reintegrou o Brandão. Isso é verdade. A diferença é que nunca abaixamos esta bandeira que segue viva na luta dos trabalhadores da USP, ao contrário de um DCE que retira essa pauta assumindo a todos que pouco lhe importa a aliança operária estudantil.
Para quem teve paciência de ler até aqui, fica a dica: aos que começam a questionar as direções do movimento que por muitas vezes são entraves para a luta dos estudantes, preparem-se também pra enfrentar este tipo de discussão. Nenhuma mentira, nenhuma provocação fará menos fortes as nossas idéias. Estamos nesta universidade lutando por sua democratização radical e para que esteja a serviço dos trabalhadores e do povo pobre e negro. Para isso enfrentaremos todos os inimigos, que são o governo, a Reitoria e sua burocracia acadêmica reunida no Conselho Universitário. Mas também lutaremos por um movimento estudantil democrático, aliado aos trabalhadores e que não permitem que as direções oficiais entreguem sua luta.