Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Que xs negrxs entrem nas Universidades pelas salas de aula e pelos currículos!

Mais uma vez a universidade de São Paulo mostra seu racismo institucional ao manter fora do currículo da Faculdade de Educação uma matéria que discuta sobre a questão negra, negligenciando as leis de diretrizes e bases. Essa mesma universidade que se recusa a implementar cotas raciais, que tenta derrubar o núcleo de consciência negra e que se nega a construir uma casa de cultura negra no país mais negro fora da África.
A mudança na LDB a partir das leis federais 10.639/03 e 11.645/08 prevê a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Africana e indígena nas escolas e para isso prevê também que nas faculdades é preciso um ajuste nos currículos para formarem professores que possam implementar essa lei nas escolas, assim como especialização para os professores que já estão nas redes.
Depois da pressão de estudantes da Faculdade de Educação, em maio de 2013 uma resolução da Comissão de Graduação (CG) previu tal cumprimento para o primeiro semestre de 2014 como optativa, o que já mostra como os professores responsáveis pela graduação no centro de formação de todos os professores da USP encaram a questão negra dentro do processo de formação de professores. Mas os estudantes no final do ano se depararam com a o fato de tal disciplina não constar nem como optativa na grade horária do primeiro semestre de 2014.
Na faculdade mais “democrática” da USP, percebemos o quanto escolher nossos diretores e reitores se torna insuficiente, se a comunidade FEUSP pode escolher a professora Lisete como diretora de sua unidade, os alunos e trabalhadores continuam tendo uma ínfima participação nos colegiados, como é o caso da comissão de graduação. Quando é preciso discutir como proporcionar aos futuros professores matérias que discutam sobre a cultura e a história dos negros, a burocracia acadêmica usa de seu peso nos colegiados para se impor.
Uma mudança como essa na grade curricular do curso de pedagogia da USP não é qualquer coisa, pois abre precedente para que possamos disputar os currículos de outros cursos de nossa universidade, exigindo que todos os discutam sobre a história, arte, literatura, cultura corporal, música e todo o conhecimento do povo negro, assim como em outras universidades do Brasil. Por isso deve ser uma luta de todos e não pode se dar apenar por pressão na burocracia acadêmica por RDs ou abaixo assinados. Reivindicamos esse ato e queremos construir mais mobilizações como essas para que possamos arrancar com nossas forças as mudanças que queremos na educação.
Entretanto, para impor conquistas reais é preciso lutar contra essa estrutura de poder que perpetua o racismo na universidade, por isso levantamos o governo tripartite com maioria estudantil, onde os três setores da universidade possam gerí-la de acordo com o seu peso real. Que possamos reorganizar nossos currículos de acordo com as demandas sociais, dos trabalhadores e do povo negro e não do mercado de trabalho, pois a universidade deve estar a serviço de quem a financia e mais dela precisa, os trabalhadores.
Neste ato, trazemos também a memória dos jovens negros que, estando fora da universidade, sofreram brutalidades por parte da polícia militar, da justiça burguesa e do trabalho precário e que hoje seguem suas vidas aprisionados pela única instituição brasileira que prioriza a entrada de negros: o sistema carcerário. Por isso, estamos aqui também em protesto ao espetáculo racista ocorrido no Shopping Vitória e exigimos a punição de todos os policiais e civis que praticaram ou incitaram violência racista.


* PELA IMEDIATA IMPLEMENTAÇÃO DE DISCIPLINAS SOBRE A CULTURA, HISTÓRIA E REALIDADE DOS NEGROS NO BRASIL EM CARÁTER OBRIGATÓRIO!
* COTAS PROPORCIONAIS JÁ! PELO FIM DO VESTIBULAR!
* POR UMA CASA DE CULTURA NEGRA NA USP!
* PELA NÃO DERRUBADA DO NÚCLEO DE CONSCIÊNCIA NEGRA!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Nos organizemos para lutar contra o racismo no Shopping Vitória!


Durante toda a história de nosso país, a cultura, a religião e todo tipo de manifestação cultural do povo negro foi sempre criminalizada pela classe dominante. O candomblé, a capoeira, o samba foram alvos da repressão institucional. Hoje em dia, não é diferente: Desta vez são os bailes funk em cada periferia que são perseguidos, proibidos, criminalizados e impedidos de ocorrer pela força policial. No dia 30 de novembro, no Pier ao lado do Shpping Vitória, foi isto o que aconteceu, quando a polícia entrou para acabar com o baile funk utilizando como pretexto uma falsificação de que haveria ali “brigas entre grupos.”

A juventude negra conhece bem a atuação da polícia no seu cotidiano: não chegam para perguntar, ajudar, entender; chegam para reprimir, prender, matar, torturar. E por isso, logo os jovens correram para o interior do Shopping Vitória para tentar se proteger da polícia. Neste momento, foi seu segundo crime: invadir um espaço da “Casa Grande” onde os pretos e pobres não podem entrar se não para servir. Os autênticos freqüentadores do shopping, a burguesia branca, não perderam tempo para se defender das dezenas de jovens negros, que a seu ver só poderiam estar ali para promover um arrastão nas lojas, e chamaram imediatamente a polícia.

O que se viu em seguida é um “espetáculo” que só pode ocorrer em uma sociedade profundamente racista fundada em 400 anos de escravidão, tal como a nossa: sob aplausos dos apavorados freqüentadores brancos do shopping, a polícia rendeu todos os jovens negros que acabava de expulsar do Píer, colocando-os sentados tal qual as cenas que assistimos nas rebeliões nos presídios, com a cabeça baixa, sem camisa, mãos cruzadas sob a nuca. Conduzidos em fila indiana para fora do Shopping, enquanto a multidão vai ao delírio: seus capitães-do-mato cumpriram a missão, removeram aqueles negros perigosos dali. Negros no Shopping Vitória? Só de uniforme, do outro lado do balcão ou limpando os banheiros. O secretário de Segurança Pública do Estado, André Garcia, mostra como não há nada de incomum no racismo, e afirmou: “Havia um tumulto e algumas pessoas relataram furtos na praça de alimentação. A polícia agiu corretamente. A intenção era identificar quem invadiu o shopping”.

É neste país que foi forjada a hipócrita teoria da democracia racial, que diz que não há mais racismo, que há uma “harmônica” integração entre as raças constituindo o povo brasileiro. Para a classe dominante, enquanto sua polícia mata e tortura os negros nas periferias e favelas, convém dizer que não há racismo. Mas os negros não se calarão: em Vitória já organizam sua resposta com o “grande baile funk no Shopping Vitória”. Precisamos em cada canto do país dar uma resposta e punir cada responsável por esta ação!

Pela imediata punição dos responsáveis por agressão!
Pela punição dos cometedores do crime de racismo, sejam policiais ou civis que aplaudiram a agressão!
Pela imediata libertação de todos os jovens apreendidos na ação e pela indenização pelos crimes de racismo e danos morais!
Pelo fim da polícia assassina de negros, herdeira dos capitões do mato e da ditadura militar!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Nota da Juventude às Ruas em apoio à "Chapa: Sempre na Luta" para as eleições do SINTUSP



Nós, estudantes da USP e militantes da Juventude às Ruas, queremos manifestar nosso apoio à chapa “Sempre na Luta: piqueteiros e lutadores” para as eleições do SINTUSP. Essa chapa é a continuidade da atual gestão, marcada pela combatividade nas lutas, pelo classismo ao se colocar ao lado das lutas de toda e qualquer categoria de trabalhadores e por representar o mais avançado da democracia operária.

Esse ano, fomos parte ativa de uma forte greve estudantil em defesa de democracia na Universidade. Desde a Juventude às Ruas levantamos bem alto a bandeira de uma Universidade pública, gratuita, democrática, laica e a serviço dos trabalhadores. Também batalhamos no movimento para que o programa fim do vestibular, estatização das faculdades particulares e da garantia de uma Estatuinte livre e soberana organizada pelos trabalhadores, estudantes e professores, a partir da dissolução do C.O., fosse o eixo de nossa greve. Sabemos que essas lutas são também centrais para a chapa "Sempre na Luta" e que só poderemos alcançá-las se unificarmos estudantes e trabalhadores em uma só luta contra os projetos do governo e da Reitoria.

A chapa "Sempre na Luta” possui os maiores lutadores da categoria de trabalhadores da USP e isso não é menor para nós da Juventude às Ruas. Muitos de seus membros estão sofrendo repressão da Reitoria e do governo do Estado por se colocarem na linha de frente de defender as conquistas dos trabalhadores da USP e a unidade da categoria, combatendo a divisão imposta pelo governo entre terceirizados e efetivos e apoiando cada greve e reivindicação dos trabalhadores terceirizados, defendendo sua efetivação imediata aos quadros de efetivos.

Por tudo isso, a Reitoria avança na repressão contra o SINTUSP. Demitiu Brandão e promove uma chuva de processos contra a diretoria do Sindicato. A composição dessa chapa, com companheiros de histórica tradição e participação nas lutas e conquistas da categoria e com novos militantes e ativistas organizados em torno de um programa classista e combativo é a mais indicada tanto para dar continuidade às lutas como para enfrentar e barrar essa repressão aos trabalhadores da USP e garantir a reintegração de Brandão. Para isso se faz necessária a participação do maior número de trabalhadores nas eleições, para demonstrar à Reitoria e ao governo que não passarão nenhuma repressão aos trabalhadores da USP ou ao seu Sindicato e diretoria!

No momento, nós da Juventude às Ruas estamos construindo também duas chapas para as eleições dos centros acadêmicos da Letras e das Ciências Sociais. A chapa “Contra a Corrente” e a chapa “Douglas”, com o objetivo de constituir entidades estudantis militantes e combativas, que sejam organizadas de maneira democrática e se liguem com os trabalhadores de fora e de dentro da Universidade, efetivos e terceirizados, conforme buscamos fazer durante a greve estudantil especialmente nos cursos da FFLCH, na Faculdade de Educação e na EEFE, organizando reuniões de unidade entre estudantes e trabalhadores para lutarmos juntos pelas nossas demandas de uma educação pública, gratuita e de qualidade, à serviço dos trabalhadores.

Toda solidariedade a Thamiris!

Por Pão e Rosas e Juventude às Ruas

Recentemente veio a público o caso de Thamiris, estudante da Letras USP que escreveu um texto relatando como, após decidir terminar seu relacionamento com Kristian Krastanov, passou a ser perseguida por este de diversas formas, a ser constantemente ameaçada de morte e, finalmente, ter fotos nuas suas divulgadas na internet.
             O caso de Thamiris, infelizmente, não é uma exceção. Ela teve a coragem de vir a público expor seu caso, mas muitas mulheres sofrem com este tipo de agressão constantemente sem receber nenhum tipo de ajuda. Quando recorrem ao Estado, este lava suas mãos, como vimos em muitos casos em que mulheres fazem queixas e mesmo assim não recebem nenhum tipo de ajuda e, pelo contrário, são acusadas de provocarem a situação de violência. Recentemente, temos visto diversos casos de mulheres que tiveram fotos suas expostas na internet por ex-namorados, levando até mesmo a que jovens cometessem suicídio, como no caso da jovem Júlia Rebeca, de apenas 17 anos, ou o caso de outra jovem no Rio Grande do Sul, com a mesma idade, entre tantos outros.
            Tais práticas, que visam subjugar as mulheres, não serão aceitas de forma alguma! Não aceitaremos também os discursos que procuram culpar as mulheres pelas agressões que sofrem, como se as tivessem provocado! O que causa este tipo de agressão é uma sociedade machista e patriarcal, em que a ideologia que procura manter as mulheres oprimidas é reproduzida por cada instituição social com o objetivo de manter e aprofundar a exploração. A falsa moralidade burguesa coloca que estas mulheres devem ser condenadas por seu comportamento supostamente “imoral” de fazerem fotos nuas ou vídeos com seus companheiros. É absolutamente hipócrita este discurso de uma classe que, ao mesmo tempo que condena a livre expressão sexual das mulheres, transforma o sexo feminino em uma mercadoria a ser comercializado de todas as formas possíveis.
            O fato dessas mulheres terem publicadas suas fotos nuas na internet sem autorização, já escancara o lado perverso do machismo: utilização e exposição do corpo da mulher para finalidades particulares. Assim como abusam dos corpos das trabalhadoras terceirizadas, precarizadas, através do massacre da dupla jornada e pela falta de direitos básicos como saúde, alimentação, etc. Ou, como, as mulheres mortas vítimas de aborto clandestino, as vítimas do “revenge porn” (pornô de vingança), são duplamente agredidas, não só por terem seus corpos expostos, mas por se tratar de mulheres, todo o peso moral do patriarcalismo, que necessita da exploração das mulheres para manter o regime baseado em classes sociais – necessitando do trabalho feminino sem remuneração, domésticos e/ou reprodutivo – recai sobre elas, tornando objeto de desejo, fetiche, assédio para os homens, naturalizando a violência e a humilhação a qual são submetidas diariamente pela indústria de cosméticos, cultural, pela polícia, por seus companheiros, etc.
            Nos manifestamos em solidariedade a Thamiris e exigimos que Kristian seja expulso da universidade e punido judicialmente, que a segurança de Thamiris seja garantida. A reitoria da universidade não pode se omitir diante deste caso. É fundamental que desde já todos os coletivos feministas, entidades estudantis, como DCE e CAELL, se coloquem ativamente em solidariedade a Thamiris e qualquer mulher que sofra qualquer agressão. E que pautemos este debate amplamente na Universidade, para que outras mulheres possam tornar público qualquer caso de machismo que sofram ou venha a sofrer. Convoquemos uma assembleia da Letras para discutir como apoiar esta companheira para que ela possa continuar seu curso.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Estudantes são presos e torturados na USP! Nos mobilizemos para responder à altura!

Panfleto distribuído pela Chapa 1 da Letras USP para o comando de greve, composta pela Juventude às Ruas e independentes.

Na madrugada desta terça-feira, a mando de Alckmin e Rodas, 250 policiais da tropa de choque efetivaram a reintegração de posse do prédio da reitoria da USP. Além de reiterar a indisposição da reitoria e do governo para qualquer possibilidade de diálogo democrático, a ação da polícia prendeu dois estudantes da filosofia, Inauê e João Vitor, fora do prédio da reitoria, quando estes voltavam de uma festa e passavam ali perto. Os policiais não só inventaram um absurdo “flagrante”, acusando os estudantes de ocupar um prédio no qual sequer estavam, como espancaram os dois dentro do camburão e os torturaram psicologicamente, trazendo para dentro da universidade aquilo que é a prática cotidiana da polícia em cada periferia com o assassinato da população pobre e negra, como escancarou para todos o caso de Amarildo. Os estudantes, mesmo tais acusações completamente forjadas, chegaram a ser transferidos para o Centro de Detenção Provisória até que os advogados conseguissem sua libertação (relaxamento), pois a própria juíza reconheceu que não havia flagrante algum.
Nós, estudantes da USP e da Letras, não podemos ficar calados diante de tamanha repressão à nossa mobilização política. A assembleia geral de ontem, para dar uma resposta a isso, votou pela continuidade da greve por 299 contra 237 votos, e votou um calendário de mobilização para esta e a próxima semana. Nós da chapa 1 de delegados do comando de greve viemos convocar a todos os estudantes da Letras para retomarmos nossa luta, nos incorporando ao calendário geral e construindo a assembleia de nosso curso na próxima segunda-feira, na qual podermos retomar a greve no curso e dizer à reitoria que não aceitaremos passivamente as práticas ditatoriais de prisão e a tortura dos que se mobilizam por democracia na USP. Se não nos levantamos para lutar contra o opressor, estaremos sendo coniventes com suas práticas. Não podemos aceitar nenhuma repressão!

Quinta-feira (14/11): passagem nos cursos de manhã e ato às 17h com concentração no MASP e ida ao Tribunal de Justiça.
Segunda-feira (18/11): Assembleia da Letras – 12h e 18h.
Terça-feira (19/11): Reunião do comando geral de greve –18h.
Quinta-feira (21/11): Ato no centro da cidade e assembleia após seu término na Faculdade de Direito.

Chamamos também os estudantes para a reunião aberta da Chapa 1 para conformação de chapa para o CAELL: Terça-feira, 19/11, 12h, em frente à Letras. Para construir uma alternativa de direção que possa responder à apatia das atuais direções do movimento!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Abaixo a repressão na USP! Liberdade imediata aos estudantes presos!

A PM que entra na USP para reprimir os estudantes em seu direito de manifestação política - pela democratização da universidade mais elitista do país -, é a mesma que todos os dias mata jovens e negros como Douglas Rodrigues nas periferias!
Estamos em frente à 93a DP, onde a polícia mantém presos dois estudantes que saiam de uma festa e passavam próximos à reitoria. Em clara violação dos direitos dos estudantes, a polícia e o governo, sem qualquer evidência, ameaçam enviar os estudantes para o presídio sob acusação de dano, furto e formação de quadrilha, numa medida escandalosa de criminalização do movimento estudantil!


Abaixo a repressão! Liberdade imediata aos estudantes presos!
Todos à 93a DP!


Todos ao ato de hoje, em frente ao 93 DP, na Av. Corifeu de Azevedo Marques 4300 pela reabertura de negociações, por nenhuma punição, e agora pela liberdade imediata e desprocessamento dos estudantes presos!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sobre mentiras e provocações dos militantes do MES (PSOL) na USP

Diante de repetidas mentiras e provocações que vem sendo repetidas publicamente em assembleias e outros fóruns do movimento pelos militantes do MES (do PSOL, e corrente majoritária no DCE da USP), consideramos importante vir a público esclarecer alguns fatos. O método das mentiras é o método de nossos inimigos, dos governos, dos patrões, da mídia, e é lamentável que a direção do movimento estudantil se utilize deste recurso ao invés de fazer o debate político honesto e fraternal sobre os rumos que o nosso movimento deve tomar para atingir seus objetivos.
Também é lamentável que as demais correntes que compõem o DCE da USP (Movimento Primavera, também do PSOL, e o PSTU) sejam coniventes com este tipo de prática em sua gestão e em nenhum momento tenham se manifestado publicamente sobre esta atitude de seus companheiros de gestão. Pior ainda é que alguns militantes destas correntes tenham inclusive reproduzido algumas destas mentiras. São elas:

1) Os militantes do MES vêm repetindo que não construímos o ato do dia 1º de outubro, que não estivemos na linha de frente da construção desta luta.
2) Os militantes do MES vem espalhando que não construímos a ocupação da Reitoria.
3) Uma diretora do DCE e militante do MES, Sâmia Bonfim disse em assembleia da Letras que foi acordada (!) por um militante da LER-QI dizendo que iria embora da ocupação da Reitoria por estar com medo da polícia.
4) Os militantes do MES afirmam que somos contra as cotas raciais na universidade.
5) Os militantes do MES afirmam que a importante greve da Unesp que ocorreu durante o primeiro semestre deste ano foi encerrada sem nenhuma conquista.
6) Os militantes do MES, em especial seu dirigente Thiago Aguiar “acusam” o Sindicato dos Trabalhadores da USP de “economicista” e de “não conseguir fazer greve” e “não reintegrar o Brandão”.
7) Os militantes do DCE em geral vem dizendo que agimos de forma racista e machista contra seus militantes na assembleia da Letras.

Mas afinal, o que está por trás de tudo isso? Porque uma organização que eles dizem “não existir” gasta tanto tempo destes militantes do PSOL?

A resposta é simples: somos uma das poucas correntes que está desmascarando a política entreguista do DCE, majoritariamente dirigido pelo PSOL. Somos a corrente que denunciou a traição do DCE da Unicamp que terminou com a greve dos estudantes quando ela estava em seu auge. Somos a corrente que debatemos nacionalmente com esta organização, quando a mesma recebeu dinheiro de grandes empresas como da Gerdau, quando seus candidatos fazem frente com a burguesia como em Macapá, quando aprovam leis contra os trabalhadores como o SuperSimples. Mais do que isso, somos uma corrente no movimento estudantil que levanta as demandas dos trabalhadores e da população pobre e que portanto é um forte questionador da política corporativa do DCE por “diretas já”. Por isso, nossa política está tendo eco em diversos setores estudantis, numa assembléia de mais de 1500 pessoas onde claramente havia um voto pela continuidade da greve que era ao mesmo tempo um voto de repúdio a política do DCE. Então para “responder” a esta situação, o MES (PSOL) na USP decidiu por uma maneira bastante conivente para seus interesses: mentir e provocar os militantes da LER-QI e da Juventude Às Ruas.
A propósito de cada um dos pontos que elencamos, ainda que existam outros, só podemos dizer que todo o movimento estudantil, tenha acordo conosco ou não, sabe que estivemos no ato do dia 1º de outubro – as fotos comprovam, pra quem quiser acreditar. Todos sabem que passamos todas as noites na ocupação da Reitoria, pois somos uma organização que está nas lutas – não fosse isso não teríamos tido 13 presos na ocupação de 2011 e dezenas de processados na Unesp e Unicamp por participar de ocupações nas universidades e cidades, bem como dezenas de presos desde as manifestações de junho. Ao contrário, o DCE e o MES em particular, nos dias mais críticos para a Reitoria avançar com a reintegração de posse não estão na ocupação alegando motivos externos às decisões da Assembléia, que é soberana. 
Chega a ser cômico que a corrente estudantil que historicamente defende como programa central o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas, para dar uma resposta de fundo à questão do ensino no país e impor uma universidade a serviço dos trabalhadores e da população negra e pobre seja “acusada” pelo MES, com várias correntes do DCE fazendo coro, de não lutar por cotas raciais. Defendemos o programa de imediata implementação de cotas raciais proporcionais à população negra de cada estado, que em São Paulo significa 36% combinando com a luta pelo fim do vestibular. Fazem esta “acusação” pois na prática não defendem o fim do vestibular, encaram as cotas como uma reforma da universidade elitista tal como é e portanto não apresentam à população negra uma saída radical para a questão da exclusão dos negros na universidade. Ao contrário, nós temos orgulho do programa que defendemos, de termos em nossa corrente estudantes e trabalhadores negros que levam esta luta cotidianamente.
Os bravos lutadores da Unesp depois de uma combativa greve de mais de 3 meses, se unificando com trabalhadores e professores, em dezenas de campi arrancaram da Reitoria uma série de conquistas parciais. A diferença é que nós não transformamos estas conquistas parciais em "tremendas vitórias". Chamamos as coisas como são, sem embelezar e sem diminuir os avanços. Estão falando isso pra comparar com o termo de acordo que a Reitoria apresentou na USP: um punhado de "re-promessas", ou seja, promessas de anos atrás e uma brecha para a punição. Aí não tem nenhuma conquista parcial e muito menos uma "tremenda vitória". Por outro lado o Sintusp é um dos sindicatos mais combativos do país e não à toa sofre dezenas de processos, demissões, perseguição política e até ameaça de demolição. Talvez os militantes do MES não entendam porque praticamente não convivem com o Sindicato e com a luta dos trabalhadores (piquetes, greves, ocupações, manifestações, assembleias, reuniões de unidade, conselhos diretor de base, congressos, reuniões das secretarias do sindicato) mas não é por lutar por salários que o Sintusp está sendo perseguido. A Reitoria quer destruir o Sindicato porque sabe que é um Sindicato não corporativo, que a aliança com estudantes, professores, terceirizados pode ser explosiva e que sabe que o Sintusp denuncia fortemente a Reitoria e suas relações espúrias com empresários e o governo do Estado. Para encobrir sua política entreguista o dirigente juvenil Thiago Aguiar vem dizer que o Sintusp não faz greves e responsabiliza a LER-QI, a tal organização que não existe. Estão falando mesmo do Sintusp? Sim, estão, só esquecem de dizer que o Sintusp é m Sindicato que fez mais de 380 dias de greves nos últimos 10 anos. E depois que a direção do DCE simplesmente “sumiu” com a reivindicação de reintegração do Brandão da pauta estudantil, o dirigente juvenil Thiago Aguiar vem dizer que o Sintusp não reintegrou o Brandão. Isso é verdade. A diferença é que nunca abaixamos esta bandeira que segue viva na luta dos trabalhadores da USP, ao contrário de um DCE que retira essa pauta assumindo a todos que pouco lhe importa a aliança operária estudantil.
Para quem teve paciência de ler até aqui, fica a dica: aos que começam a questionar as direções do movimento que por muitas vezes são entraves para a luta dos estudantes, preparem-se também pra enfrentar este tipo de discussão. Nenhuma mentira, nenhuma provocação fará menos fortes as nossas idéias. Estamos nesta universidade lutando por sua democratização radical e para que esteja a serviço dos trabalhadores e do povo pobre e negro. Para isso enfrentaremos todos os inimigos, que são o governo, a Reitoria e sua burocracia acadêmica reunida no Conselho Universitário. Mas também lutaremos por um movimento estudantil democrático, aliado aos trabalhadores e que não permitem que as direções oficiais entreguem sua luta.

domingo, 10 de novembro de 2013

A luta política dos estudantes do IFCH consegue vetar o adiamento das eleições do CACH!



por Juventude às Ruas - Campinas


Após a tentativa da gestão na reunião do CACH, na semana passada (29/11), de adiarem as eleições do centro acadêmico para o ano que vem numa reunião esvaziada, essa terça vários estudantes foram na reunião para discutir essa tentativa escandalosa de manobra da gestão Lúddica. Nós da Juventude as Ruas soltamos uma nota denunciando o ocorrido na penúltima reunião, pois achamos que é central que os estudantes tomem as entidades para serem seus instrumentos de luta, orgânica a vida dos institutos e um polo aglutinador de política e cultura contra a reitoria e seu projeto de Universidade/empresa esvaziada e de costas para a população.



Mas o que vimos foi a atual gestão, que também compõe o coletivo "Para Fazer Diferente", passar seus interesses eleitorais por cima da necessidade dos estudantes terem um centro acadêmico como organizador da luta, já que falaram literalmente que hierarquizarão as eleições do DCE frente os debates no IFCH, ficando mais explicito o que trazem na proposta de adiamento: impedir o exame e o veredito de toda a base estudantil, a qual devem responder, sobre sua gestão em 2013. Sabendo da opinião negativa da grande maioria dos estudantes sobre a condução da entidade neste ano, buscaram manter-se no CACH até ano que vem (uma gestão que prorroga as próximas eleições por sua vontade unilateral poderia permanecer indefinidamente na entidade, independentemente dos estudantes), sem consultarem os estudantes sobre a política a se levar daqui em diante, para poderem se focar no DCE, e no próximo ano com novos calouros e esperam que a experiência que os estudantes fizeram com sua gestão, com as greves e Junho esfriem, para se reelegerem. Mostram assim como concebem as eleições, não como um ponto alto de continuidade da política onde as sínteses e acúmulos programáticos se expressem nas entidade, fazendo com que os estudantes se identifiquem com ela, e sim mantém a lógica eleitoreira e se elegerem na passividade.



Para além de tudo, nessa reunião tentaram manter o esvaziamento não chamando, nem construindo a reunião, frente a um debate tão importante que no mínimo deveria ter sido amplamente divulgado. O mínimo da democracia seria chamar os estudantes para fazer a discussão e que eles possam opinar sobre o próprio centro acadêmico, e não a própria gestão tentando votar, novamente de maneira burocrática, o adiamento. Para amenizar a crítica, a gestão Luddica disse que a proposta “não era sua”; mas na reunião, defenderam com unhas e dentes a proposta de adiamento, argumentando, entre outras aberrações lógicas, que o conjunto dos estudantes e a Juventude às Ruas, que repudiavam esta medida, eram “hipócritas, burocráticos e golpistas” (sic!) e que “não têm esperanças no futuro das mobilizações abertas em Junho”. Os “democráticos” são os que tratavam de resolver por cima da cabeça do movimento estudantil como deixar órfão de gestão o principal CA da Unicamp, desarmada e sem ser expressão das conquistas programáticas dos estudantes para os grandes acontecimentos que se iniciam na calourada 2014; os “golpistas” são os que quiseram que os estudantes decidissem, agora e democraticamente, que entidade precisamos para 2014!



Uma entidade atuando junto à comissão de calourada e os estudantes este ano tiraram lições importantes, sobre as diferentes concepções de entidade, a importância da vivência e discussões vivas sobre o projeto e o regime da universidade. Isso com certeza nos renderá mil ideias para colocarmos em prática uma calourada muito viva, com arte, vivência e discussões políticas para uma ano chave como será 2014.



A proposta de manter as eleições esse ano ganhou por contraste, com a gestão Lúddica votando praticamente sozinha para mudar para ano que vem. A reunião mostrou que a manutenção das eleições nesse ano é uma proposta também de vários estudantes que junto a nós da Juventude as Ruas travaram uma batalha e derrotaram a manobra do adiamento. Cabe aqui uma pergunta importante: se o coletivo Para Fazer Diferente defende a proporcionalidade na gestão do DCE, (que todas as chapas façam parte da gestão proporcionalmente ao número de votos que receberam, que defendemos em todas as entidades), porque não defendem isso também no CACH, e preferiram adiar as eleições? Que temor os aflige?



Esse foi um passo importante no qual o movimento estudantil do IFCH pôde se testar com a real concepção de entidade dirigida pelo PSTU que pouco tem de diferente da atual gestão do DCE. Frente ao próximo ano que já promete começar quente com a Copa do Mundo, é central que os estudantes tenham uma entidade que esteja a altura de seus sonhos e necessidades, verdadeiramente democrática e com uma ligação real a todos os estudantes. que possa levar seu programa até o final, organizando os estudantes para que estes se tornem sujeitos das próprias lutas, sendo um pólo politizador e um entrave para a reitoria.


É necessário tomar as entidades para lutar.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Fortalecer e massificar a greve nos cursos e o comando de greve! Radicalizar nossas ações para barrar as punições e avançar nas pautas!


Ontem os estudantes da USP, reunidos em assembleia geral, deram um recado contundente à reitoria da USP: não aceitaremos a punição de nenhum estudante mobilizado, nem engoliremos a seco as suas falsas promessas para acabar com nossa mobilização. Por 747 contra 562 votos, recusamos o acordo da reitoria, que prevê “procedimentos administrativos para apurar responsabilidades sobre prejuízos ao patrimônio público”, ou seja, punições aos estudantes. Esta era a única certeza do acordo, pois para além disso são apenas promessas vagas (muitas das quais já haviam sido feitas e não cumpridas pela reitoria diversas vezes, como aponta o próprio documento), e a comissão de negociação já estava fazendo mudanças após propor o termo aos estudantes, como a retirada da palavra “Estatuinte“.

Depois de rechaçar o acordo, centenas de estudantes foram à ocupação da reitoria para fazer frente à ameaça concreta de reintegração de posse, cuja permissão para ser realizada já foi concedida por uma reacionária decisão da justiça. Com nossa mobilização e a vigília, impedimos a reintegração de posse, o que torna ainda mais claro o que já dizíamos: neste momento a greve continua sendo o melhor instrumento para arrancar nossas pautas, dentre elas a não punição dos estudantes em luta! Este é o caminho a seguir! Só assim podemos derrotar a intransigência da reitoria e a sua tentativa de reprimir o movimento!
Os estudantes tiveram consciência disto e por isto não cederam ao terrorismo do DCE (dirigido por PSOL e PSTU), que combinava seu discurso para enterrar a greve com ameaças os estudantes sobre a decisão judicial da reintegração e comemorar as supostas “onze vitórias” de seu acordo com a reitoria, além de mentir descaradamente até mesmo na imprensa, ao dizer que: “Houve o reconhecimento do caráter político do movimento e ninguém será punido.” Absurdo! Por acaso a demissão de Brandão, a expulsão de oito moradores do CRUSP, os processos aos 72 presos de 2011 e todas as centenas de processos existentes hoje assumem seu caráter político? Não! Todos alegam se tratar de “crimes comuns”, tais como “depredação” para implementar a perseguição política!
O DCE afirma querer criar uma “cultura de vitórias” no movimento, mas na prática defende assinar embaixo de um acordo que garante punições! Que vitória pode existir com estudantes sendo punidos? Ironicamente, a gestão do DCE colocou mais esforços para desmobilizar os cursos nesta semana votando indicativos de fim da greve e para trazer centenas para votar o fim da greve do que fez em todo o restante da greve para construí-la. Mas apesar do DCE a greve continuou e os estudantes não assinaram sua própria punição. Contudo, a presença do DCE – que é a entidade de todos os estudantes – é fundamental neste momento na luta e exigimos que sua diretoria se centralize pelas decisões de nossas assembleias, colocando toda sua militância e seus recursos a serviço de construir nossa greve.

Como seguir a defesa de nossas pautas

A assembleia de ontem apontou o caminho, e agora temos que segui-lo: aprofundar a mobilização em cada curso, fortalecer nosso comando de greve como organismo ligado às bases, radicalizar nossos métodos para conseguir arrancar da reitoria questões fundamentais.

É verdade que a greve se enfraqueceu, mas isso não é por falta de disposição de luta, como diz DCE, culpando os estudantes pela sua política, e sim porque defenderam abertamente a desmobilização. Por isso é possível reverter essa situação mudando essa política. É preciso combinar um plano pra isso, com uma discussão sobre nossas prioridades na atual situação. A primeira delas deve ser a garantia de nenhuma punição, pois aceitar esse acordo é legitimar a repressão, despreparando qualquer resposta. Além disso, é possível garantir imediatamente a entrega dos blocos K e L já sob gestão estudantil. E também impor as pautas dos cursos, como a contratação de professores de acordo com a necessidade definida pelos estudantes. E devemos seguir a luta pelo conjunto dos eixos – entre os quais destacamos a luta contra a repressão na universidade, pelo fim dos processos, reintegração dos estudantes expulsos e de Brandão, não à demolição do Sintusp e Calc, e uma Estatuinte Livre e Soberana, não subordinada ao CO, e não à farsa proposta pela reitoria que não mudará nada – para trazer de volta à greve os cursos que saíram. A única maneira de garantir isto é pela via da mobilização independente, a reitoria não pode nos garantir isto e o que “quase” nos concedeu era uma estatuinte feita pelo próprio C.O.! Somente os estudantes, ligados aos professores e funcionários, podem colocar abaixo este regime autoritário e colocar de pé um governo tripartite composto pelos três setores com maioria estudantil, onde possamos determinar os currículos e os rumos da universidade. Ainda que esta greve não tenha correlação de forças para impor esta demanda, é fundamental seguir levantando esta bandeira e nos preparar para os próximos combates!

Ao mesmo tempo, é preciso nos ligarmos à juventude pobre e negra que está fora da USP, sendo massacrada pela polícia. Por isso seguimos propondo um ato, junto à Associação de Moradores da São Remo, que derrube o muro que nos separa, “Democratização da USP: entra São Remo!”. Contra a violência policial nas periferias, em solidariedade a Douglas Rodrigues e todos os mortos, pela punição dos responsáveis! Por cotas raciais proporcionais já, e pelo fim do vestibular e estatização do ensino privado! Por uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!

Seguimos em luta! É possível vencer! Não cederemos à intransigência da reitoria e à repressão! Não recuaremos diante da demagogia da gestão do DCE! Cada estudante que votou contra o acordo tem que lutar pela massificação da greve para impormos um novo acordo à reitoria!

Pela aliança operária estudantil, a Juventude às Ruas está ao lado dos trabalhadores dos bandejões!

Pablito e Solange falam na assembleia dos estudantes

Ontem, na assembleia geral dos estudantes da USP, os companheiros Pablito e Solange, trabalhadores do bandejão e diretores do Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp), fizeram uma fala expressando a posição dos funcionários dos bandejões em suas reuniões. Pablito falou sobre as absurdas condições de trabalho a que estão submetidos estes companheiros cotidianamente, com uma imensa sobrecarga que causa uma série de doenças nos trabalhadores, submetidos a um regime de trabalho que inclui três domingos por mês e um intenso assedio moral. Isto sem falar dos trabalhadores terceirizados dos bandejões da química e do período noturno do direito, que fazem o mesmo trabalho que todos os outros mas tem uma série de direitos a menos, além de receberem cerca de um quarto do salário dos efetivos.
Os companheiros do Sintusp expressaram como em 2007 uma conquista de nossa greve - a abertura do café da manhã e dos bandejões aos fins de semana - se reverteu em um ataque às condições de trabalho, pois a promessa feita pela reitoria de Suely Villela de contratação de funcionários para atender a demanda não foi respeitada. Se antes disso já havia sobrecarga de trabalho, depois a situação se tornou insuportável. A reitoria utiliza isto para precarizar o trabalho e dividir estudantes de trabalhadores, jogando uns contra os outros. Faz isto de forma consciente, pois sabe que nossa aliança tem um potencial explosivo para conseguirmos impor as mudanças que queremos nesta universidade. Assim, Pablito e Solange colocaram a demanda dos trabalhadores de que se suspendesse o termo do acordo que pedia a abertura do bandejão no jantar nos fins de semana, para que pudéssemos realizar reuniões com os funcionários que pautassem as suas demandas por melhores condições e avançarmos juntos na luta, garantindo as demandas dos estudantes e dos trabalhadores. O ponto do acordo foi suspenso temporariamente, até que se realize uma reunião entre Adusp, Sintusp, DCE e os trabalhadores dos bandejões.
Nós da Juventude às Ruas, desde a primeira assembleia em que esta proposta foi colocada, nos posicionamos no sentido de que não poderíamos colocar esta pauta sem garantir a contratação de todos os funcionários necessários. Uma conquista dos estudantes não pode ser um ataque aos trabalhadores. Contudo, tendo em conta a experiência da greve de 2007, as péssimas condições de trabalho a que estão submetidos nosso companheiros trabalhadores do bandejão, a terceirização que precariza ainda mais o trabalho de uma parte deles, consideramos absolutamente legítimo que este item seja retirado do acordo e que o movimento estudantil abra um diálogo com os funcionários do bandejão sobre como podemos fortalecer as suas reivindicações. Defendemos que o movimento estudantil deve ter como objetivo estratégico sua aliança com os trabalhadores de dentro e de fora da universidade, entendendo que esta classe social - por ser aquela que produz toda a riqueza - é a única que tem o potencial para acabar de uma vez por todas com o capitalismo que impõe a desigualdade social e a miséria a um número cada vez maior de pessoas no mundo, que alimenta todas os tipos de exploração e opressão em nossa sociedade.
Nos colocamos incondicionalmente em defesa dos trabalhadores do bandejão, pela contratação imediata de funcionários, pelo fim da superexploração e redução da jornada de trabalho para seis horas, pela efetivação de todos os terceirizados sem concurso público. Pelo fim do assedio moral e para que todas as demais demandas destes companheiros sejam atendidas. Lutamos para que o movimento estudantil de conjunto tome as bandeiras dos trabalhadores como suas, pois somente assim poderemos garantir o atendimento de nossas demandas, como mais bandejões, sem que isto se reverta em um ataque para os trabalhadores.