Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

domingo, 10 de novembro de 2013

A luta política dos estudantes do IFCH consegue vetar o adiamento das eleições do CACH!



por Juventude às Ruas - Campinas


Após a tentativa da gestão na reunião do CACH, na semana passada (29/11), de adiarem as eleições do centro acadêmico para o ano que vem numa reunião esvaziada, essa terça vários estudantes foram na reunião para discutir essa tentativa escandalosa de manobra da gestão Lúddica. Nós da Juventude as Ruas soltamos uma nota denunciando o ocorrido na penúltima reunião, pois achamos que é central que os estudantes tomem as entidades para serem seus instrumentos de luta, orgânica a vida dos institutos e um polo aglutinador de política e cultura contra a reitoria e seu projeto de Universidade/empresa esvaziada e de costas para a população.



Mas o que vimos foi a atual gestão, que também compõe o coletivo "Para Fazer Diferente", passar seus interesses eleitorais por cima da necessidade dos estudantes terem um centro acadêmico como organizador da luta, já que falaram literalmente que hierarquizarão as eleições do DCE frente os debates no IFCH, ficando mais explicito o que trazem na proposta de adiamento: impedir o exame e o veredito de toda a base estudantil, a qual devem responder, sobre sua gestão em 2013. Sabendo da opinião negativa da grande maioria dos estudantes sobre a condução da entidade neste ano, buscaram manter-se no CACH até ano que vem (uma gestão que prorroga as próximas eleições por sua vontade unilateral poderia permanecer indefinidamente na entidade, independentemente dos estudantes), sem consultarem os estudantes sobre a política a se levar daqui em diante, para poderem se focar no DCE, e no próximo ano com novos calouros e esperam que a experiência que os estudantes fizeram com sua gestão, com as greves e Junho esfriem, para se reelegerem. Mostram assim como concebem as eleições, não como um ponto alto de continuidade da política onde as sínteses e acúmulos programáticos se expressem nas entidade, fazendo com que os estudantes se identifiquem com ela, e sim mantém a lógica eleitoreira e se elegerem na passividade.



Para além de tudo, nessa reunião tentaram manter o esvaziamento não chamando, nem construindo a reunião, frente a um debate tão importante que no mínimo deveria ter sido amplamente divulgado. O mínimo da democracia seria chamar os estudantes para fazer a discussão e que eles possam opinar sobre o próprio centro acadêmico, e não a própria gestão tentando votar, novamente de maneira burocrática, o adiamento. Para amenizar a crítica, a gestão Luddica disse que a proposta “não era sua”; mas na reunião, defenderam com unhas e dentes a proposta de adiamento, argumentando, entre outras aberrações lógicas, que o conjunto dos estudantes e a Juventude às Ruas, que repudiavam esta medida, eram “hipócritas, burocráticos e golpistas” (sic!) e que “não têm esperanças no futuro das mobilizações abertas em Junho”. Os “democráticos” são os que tratavam de resolver por cima da cabeça do movimento estudantil como deixar órfão de gestão o principal CA da Unicamp, desarmada e sem ser expressão das conquistas programáticas dos estudantes para os grandes acontecimentos que se iniciam na calourada 2014; os “golpistas” são os que quiseram que os estudantes decidissem, agora e democraticamente, que entidade precisamos para 2014!



Uma entidade atuando junto à comissão de calourada e os estudantes este ano tiraram lições importantes, sobre as diferentes concepções de entidade, a importância da vivência e discussões vivas sobre o projeto e o regime da universidade. Isso com certeza nos renderá mil ideias para colocarmos em prática uma calourada muito viva, com arte, vivência e discussões políticas para uma ano chave como será 2014.



A proposta de manter as eleições esse ano ganhou por contraste, com a gestão Lúddica votando praticamente sozinha para mudar para ano que vem. A reunião mostrou que a manutenção das eleições nesse ano é uma proposta também de vários estudantes que junto a nós da Juventude as Ruas travaram uma batalha e derrotaram a manobra do adiamento. Cabe aqui uma pergunta importante: se o coletivo Para Fazer Diferente defende a proporcionalidade na gestão do DCE, (que todas as chapas façam parte da gestão proporcionalmente ao número de votos que receberam, que defendemos em todas as entidades), porque não defendem isso também no CACH, e preferiram adiar as eleições? Que temor os aflige?



Esse foi um passo importante no qual o movimento estudantil do IFCH pôde se testar com a real concepção de entidade dirigida pelo PSTU que pouco tem de diferente da atual gestão do DCE. Frente ao próximo ano que já promete começar quente com a Copa do Mundo, é central que os estudantes tenham uma entidade que esteja a altura de seus sonhos e necessidades, verdadeiramente democrática e com uma ligação real a todos os estudantes. que possa levar seu programa até o final, organizando os estudantes para que estes se tornem sujeitos das próprias lutas, sendo um pólo politizador e um entrave para a reitoria.


É necessário tomar as entidades para lutar.


quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Fortalecer e massificar a greve nos cursos e o comando de greve! Radicalizar nossas ações para barrar as punições e avançar nas pautas!


Ontem os estudantes da USP, reunidos em assembleia geral, deram um recado contundente à reitoria da USP: não aceitaremos a punição de nenhum estudante mobilizado, nem engoliremos a seco as suas falsas promessas para acabar com nossa mobilização. Por 747 contra 562 votos, recusamos o acordo da reitoria, que prevê “procedimentos administrativos para apurar responsabilidades sobre prejuízos ao patrimônio público”, ou seja, punições aos estudantes. Esta era a única certeza do acordo, pois para além disso são apenas promessas vagas (muitas das quais já haviam sido feitas e não cumpridas pela reitoria diversas vezes, como aponta o próprio documento), e a comissão de negociação já estava fazendo mudanças após propor o termo aos estudantes, como a retirada da palavra “Estatuinte“.

Depois de rechaçar o acordo, centenas de estudantes foram à ocupação da reitoria para fazer frente à ameaça concreta de reintegração de posse, cuja permissão para ser realizada já foi concedida por uma reacionária decisão da justiça. Com nossa mobilização e a vigília, impedimos a reintegração de posse, o que torna ainda mais claro o que já dizíamos: neste momento a greve continua sendo o melhor instrumento para arrancar nossas pautas, dentre elas a não punição dos estudantes em luta! Este é o caminho a seguir! Só assim podemos derrotar a intransigência da reitoria e a sua tentativa de reprimir o movimento!
Os estudantes tiveram consciência disto e por isto não cederam ao terrorismo do DCE (dirigido por PSOL e PSTU), que combinava seu discurso para enterrar a greve com ameaças os estudantes sobre a decisão judicial da reintegração e comemorar as supostas “onze vitórias” de seu acordo com a reitoria, além de mentir descaradamente até mesmo na imprensa, ao dizer que: “Houve o reconhecimento do caráter político do movimento e ninguém será punido.” Absurdo! Por acaso a demissão de Brandão, a expulsão de oito moradores do CRUSP, os processos aos 72 presos de 2011 e todas as centenas de processos existentes hoje assumem seu caráter político? Não! Todos alegam se tratar de “crimes comuns”, tais como “depredação” para implementar a perseguição política!
O DCE afirma querer criar uma “cultura de vitórias” no movimento, mas na prática defende assinar embaixo de um acordo que garante punições! Que vitória pode existir com estudantes sendo punidos? Ironicamente, a gestão do DCE colocou mais esforços para desmobilizar os cursos nesta semana votando indicativos de fim da greve e para trazer centenas para votar o fim da greve do que fez em todo o restante da greve para construí-la. Mas apesar do DCE a greve continuou e os estudantes não assinaram sua própria punição. Contudo, a presença do DCE – que é a entidade de todos os estudantes – é fundamental neste momento na luta e exigimos que sua diretoria se centralize pelas decisões de nossas assembleias, colocando toda sua militância e seus recursos a serviço de construir nossa greve.

Como seguir a defesa de nossas pautas

A assembleia de ontem apontou o caminho, e agora temos que segui-lo: aprofundar a mobilização em cada curso, fortalecer nosso comando de greve como organismo ligado às bases, radicalizar nossos métodos para conseguir arrancar da reitoria questões fundamentais.

É verdade que a greve se enfraqueceu, mas isso não é por falta de disposição de luta, como diz DCE, culpando os estudantes pela sua política, e sim porque defenderam abertamente a desmobilização. Por isso é possível reverter essa situação mudando essa política. É preciso combinar um plano pra isso, com uma discussão sobre nossas prioridades na atual situação. A primeira delas deve ser a garantia de nenhuma punição, pois aceitar esse acordo é legitimar a repressão, despreparando qualquer resposta. Além disso, é possível garantir imediatamente a entrega dos blocos K e L já sob gestão estudantil. E também impor as pautas dos cursos, como a contratação de professores de acordo com a necessidade definida pelos estudantes. E devemos seguir a luta pelo conjunto dos eixos – entre os quais destacamos a luta contra a repressão na universidade, pelo fim dos processos, reintegração dos estudantes expulsos e de Brandão, não à demolição do Sintusp e Calc, e uma Estatuinte Livre e Soberana, não subordinada ao CO, e não à farsa proposta pela reitoria que não mudará nada – para trazer de volta à greve os cursos que saíram. A única maneira de garantir isto é pela via da mobilização independente, a reitoria não pode nos garantir isto e o que “quase” nos concedeu era uma estatuinte feita pelo próprio C.O.! Somente os estudantes, ligados aos professores e funcionários, podem colocar abaixo este regime autoritário e colocar de pé um governo tripartite composto pelos três setores com maioria estudantil, onde possamos determinar os currículos e os rumos da universidade. Ainda que esta greve não tenha correlação de forças para impor esta demanda, é fundamental seguir levantando esta bandeira e nos preparar para os próximos combates!

Ao mesmo tempo, é preciso nos ligarmos à juventude pobre e negra que está fora da USP, sendo massacrada pela polícia. Por isso seguimos propondo um ato, junto à Associação de Moradores da São Remo, que derrube o muro que nos separa, “Democratização da USP: entra São Remo!”. Contra a violência policial nas periferias, em solidariedade a Douglas Rodrigues e todos os mortos, pela punição dos responsáveis! Por cotas raciais proporcionais já, e pelo fim do vestibular e estatização do ensino privado! Por uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!

Seguimos em luta! É possível vencer! Não cederemos à intransigência da reitoria e à repressão! Não recuaremos diante da demagogia da gestão do DCE! Cada estudante que votou contra o acordo tem que lutar pela massificação da greve para impormos um novo acordo à reitoria!

Pela aliança operária estudantil, a Juventude às Ruas está ao lado dos trabalhadores dos bandejões!

Pablito e Solange falam na assembleia dos estudantes

Ontem, na assembleia geral dos estudantes da USP, os companheiros Pablito e Solange, trabalhadores do bandejão e diretores do Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp), fizeram uma fala expressando a posição dos funcionários dos bandejões em suas reuniões. Pablito falou sobre as absurdas condições de trabalho a que estão submetidos estes companheiros cotidianamente, com uma imensa sobrecarga que causa uma série de doenças nos trabalhadores, submetidos a um regime de trabalho que inclui três domingos por mês e um intenso assedio moral. Isto sem falar dos trabalhadores terceirizados dos bandejões da química e do período noturno do direito, que fazem o mesmo trabalho que todos os outros mas tem uma série de direitos a menos, além de receberem cerca de um quarto do salário dos efetivos.
Os companheiros do Sintusp expressaram como em 2007 uma conquista de nossa greve - a abertura do café da manhã e dos bandejões aos fins de semana - se reverteu em um ataque às condições de trabalho, pois a promessa feita pela reitoria de Suely Villela de contratação de funcionários para atender a demanda não foi respeitada. Se antes disso já havia sobrecarga de trabalho, depois a situação se tornou insuportável. A reitoria utiliza isto para precarizar o trabalho e dividir estudantes de trabalhadores, jogando uns contra os outros. Faz isto de forma consciente, pois sabe que nossa aliança tem um potencial explosivo para conseguirmos impor as mudanças que queremos nesta universidade. Assim, Pablito e Solange colocaram a demanda dos trabalhadores de que se suspendesse o termo do acordo que pedia a abertura do bandejão no jantar nos fins de semana, para que pudéssemos realizar reuniões com os funcionários que pautassem as suas demandas por melhores condições e avançarmos juntos na luta, garantindo as demandas dos estudantes e dos trabalhadores. O ponto do acordo foi suspenso temporariamente, até que se realize uma reunião entre Adusp, Sintusp, DCE e os trabalhadores dos bandejões.
Nós da Juventude às Ruas, desde a primeira assembleia em que esta proposta foi colocada, nos posicionamos no sentido de que não poderíamos colocar esta pauta sem garantir a contratação de todos os funcionários necessários. Uma conquista dos estudantes não pode ser um ataque aos trabalhadores. Contudo, tendo em conta a experiência da greve de 2007, as péssimas condições de trabalho a que estão submetidos nosso companheiros trabalhadores do bandejão, a terceirização que precariza ainda mais o trabalho de uma parte deles, consideramos absolutamente legítimo que este item seja retirado do acordo e que o movimento estudantil abra um diálogo com os funcionários do bandejão sobre como podemos fortalecer as suas reivindicações. Defendemos que o movimento estudantil deve ter como objetivo estratégico sua aliança com os trabalhadores de dentro e de fora da universidade, entendendo que esta classe social - por ser aquela que produz toda a riqueza - é a única que tem o potencial para acabar de uma vez por todas com o capitalismo que impõe a desigualdade social e a miséria a um número cada vez maior de pessoas no mundo, que alimenta todas os tipos de exploração e opressão em nossa sociedade.
Nos colocamos incondicionalmente em defesa dos trabalhadores do bandejão, pela contratação imediata de funcionários, pelo fim da superexploração e redução da jornada de trabalho para seis horas, pela efetivação de todos os terceirizados sem concurso público. Pelo fim do assedio moral e para que todas as demais demandas destes companheiros sejam atendidas. Lutamos para que o movimento estudantil de conjunto tome as bandeiras dos trabalhadores como suas, pois somente assim poderemos garantir o atendimento de nossas demandas, como mais bandejões, sem que isto se reverta em um ataque para os trabalhadores.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Contra a entrega da luta pela atual gestão do DCE! Aceitando punições abre o verdadeiro caminho da repressão! Fortalecer e radicalizar a greve!


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A greve se enfraqueceu, mas foi diretamente pela política de desmobilização da gestão do DCE! É possível reverter isso! Podemos discutir que pautas é possível hierarquizar hoje nas negociações diante dessa situação, mas em nenhuma hipótese devemos assinar um acordo que aceita e legitima as punições! Isso sim abre o caminho para a repressão, despreparando o movimento!
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São trinta e cinco dias de nossa greve por democracia na universidade. Passamos por momentos decisivos da luta que tinham o potencial de transformá-la em um combate nacional em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos. Nós, da Juventude às Ruas, desde o começo colocamos essa perspectiva, pois havia a possibilidade de que nossa luta despertasse o espírito de junho a partir de uma demanda sentida por toda a população. Mas as direções do movimento estudantil, PSOL (Juntos e Primavera) e PSTU, provaram não estar à altura de junho. À frente das principais mobilizações da educação com as quais poderíamos ter nos unificado (PSOL no DCE da Unicamp e PSTU e PSOL à frente do sindicato dos professores do Rio), essas direções traíram as mobilizações e revelaram sua lógica corporativista, que procura garantir “vitórias” em cada local e frear a unidade das lutas.
Isso se mostrou quando defenderam o fim da ocupação da reitoria da Unicamp, abafando um movimento ofensivo que havia feito a reitoria recuar, e tinha toda a disposição de se unificar com a USP, com institutos como o de Economia já tendo aprovado a pauta de Estatuinte. O recuo na Unicamp mudou a correlação de forças e a reitoria partiu para a ofensiva, com o vice-reitor declarando que "a PM não estava descartada no campus" e a Polícia Civil convocando estudantes para depor e abrindo inquéritos. No Rio, foi ainda mais vergonhoso: em uma categoria que após 15 anos sem greves saiu numa luta que por 77 dias enfrentou dura repressão do governo e sua polícia e com atos de rua com mais de 50 mil pessoas, o PSOL e PSTU lideraram a categoria para uma saída da greve sem nenhuma conquista e com punições aos grevistas.
Na USP, enquanto nós lutávamos pela unificação, a atual gestão do DCE colocou como centro da mobilização a demanda de “Negocia Rodas”, já evidenciando a estratégia que hoje colocam abertamente: conseguir algo que pudessem chamar de “vitória” para poder sair o quanto antes da greve e ter sua verdadeira “vitória” nas urnas das eleições. Seus movimentos políticos mostraram esta estratégia: na Educação Física, por exemplo, se abstiveram na votação de fim da greve, se adaptando ao corporativismo do curso, e depois apontaram este curso, o de R.I. e o campus de São Carlos como “exemplos”, pois haviam conquistado algumas reivindicações específicas e saído da greve. Nossa luta era para romper com o corporativismo do ME, e por isso propusemos a quebra dos muros da São Remo, a unificação com movimentos sociais, a unidade na luta contra a repressão aos lutadores e contra a violência policial nas periferias. Enquanto isso, a gestão do DCE soltava um texto na Folha de São Paulo dizendo que nossa greve era apenas por mudanças na estrutura de poder, internas à USP, sem dialogar com as demandas da população que financia a universidade.
As distintas estratégias se expressam na assembleia de hoje: a gestão do DCE foi desmobilizando em cada curso, enfraquecendo a greve, e lutou para que se indicasse o fim da greve com a assinatura de um acordo com a reitoria que coloca explicitamente que haverá punições; que joga os estudantes contra os funcionários ao não colocar a cargo dos trabalhadores decidirem o número exato de contratações que devem ser feitas, para que possam diminuir sua carga de trabalho no bandejão (e não seja da mesma forma que em 2007); que propõe um congresso farsesco para mudanças na estrutura do estatuto, que por fim estará subordinado ao CO; que não pauta a questão das cotas raciais na USP; e que, exceto a garantia concreta das punições, são apenas palavras ao vento. E está claro que a reitoria não respeita este acordo, pois ontem mesmo o mudou em diversos pontos! Nós, por outro lado, sabemos que a desmobilização do DCE ainda pode ser revertida! Por isto, lutamos pela manutenção da greve, para que nenhum estudante seja punido, para que avancemos em nossas pautas com a radicalização dos métodos e a radicalização política que pode voltar a trazer os cursos para a greve, seguindo o exemplo da ECA, Geografia, Filosofia e o período noturno da Letras, que rechaçaram o acordo e indicaram a manutenção da greve. Para isso,propomos a imediata transformação dos blocos K e L em moradia estudantil com plena autonomia da gestão dos estudantes, sem interferência da SAS; a quebra do muro da São Remo em um ato que questione a quem está aberta a USP e a ocupação do novo prédio da reitoria.
Estamos convencidos de que esse é o único caminho para levar nossa mobilização adiante e combater o engodo da gestão do DCE, de suas falsas “vitórias” e de sua proposta de assinar embaixo uma série de promessas da Reitoria que são anteriores à greve e aceitar a concretude de punições aos estudantes e à nossa entidade - o DCE. A decisão judicial de conceder a reintegração de posse logo após o indicativo do Comando de Greve de recuar (já tarde da noite) mostra que nosso retrocesso é o avanço da reitoria, e por isso o argumento que PSTU vem colocando sobre a correlação de forças é uma falácia, pois o que mais fortalecerá a reitoria neste momento é bater em retirada. É necessário se ligar à juventude de fora da universidade e à reivindicação de Junho pela educação, fortalecer a greve nos cursos, radicalizar nossas ações,  fazer do comando de greve a expressão da mobilização de cada curso para que ele represente majoritariamente as posições dos estudantes em luta e não da direção da gestão do DCE, e seguir em nossa luta! É possível vencer!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Na Letras, o noturno se expressa elegendo delegados da chapa 1! Fortalecer o comando de greve!

Por Pardal, delegado eleito ao Comando de Greve e estudante do mestrado na Letras.

Na última assembleia da Letras a polarização que existe hoje no curso se expressou no contraste entre as votações do matutino e do noturno. Na manhã, a continuidade da greve foi derrotada por uma votação com 199 pelo fim da greve e 117 por sua manutenção. Também se votou contrariamente ao piquete. Na votação dos delegados esta polarização também se expressou: na manhã, apenas duas chapas concorreram - a chapa 1 (Juventude às Ruas e independentes) e a chapa 2 (gestão do DCE). Os estudantes que estavam contra a greve, não tendo organizado nenhuma chapa própria, acabaram expressando-se na eleição ao votar na chapa mais "moderada" do DCE, e o resultado da votação (com a assembleia já esvaziada como explicaremos mais a frente) foi de 46 para a chapa 2 e 17 para a chapa 1 (13 delegados para a chapa 2 e 5 para a chapa 1). Já no noturno, que votou massivamente pela continuidade da greve (88 pelo fim da greve e 340 por sua manutenção), o resultado da votação para os delegados foi muito distinto. Com cinco chapas concorrendo (chapa 1 e 2 conforme a manhã, chapa 3 de independentes, chapa 4 com MNN e independentes e chapa 5 com POR e Coletivo Tiê-Sangue), a chapa mais votada foi a chapa 1, com 55 votos (8 delegados), ficando em segundo lugar empatados a chapa 1 e a 3, com 40 votos cada uma.

Nós da Juventude às Ruas em conjunto com os estudantes independentes que compõem conosco a chapa 1 para delegados ao comando de greve, viemos dando uma luta política para que a partir da assembleia da Letras possamos dar um exemplo de como deve atuar o comando, ligado organicamente às bases, com um balanço em cada assembleia de sua atuação e de como se posicionou cada delegado. Somente assim pode-se revogar e eleger novos delegados que expressem de fato a vontade dos estudantes nas assembleias de base, tornando o comando um organismo de direção da greve que seja democrático e capaz de levar as posições das assembleias à frente. Em nossa visão as assembleias gerais são espaços que se tornam cada vez menos democráticos e mais impotentes para expressar a vontade dos estudantes, o que se expressa em seu maior esvaziamento, no método absurdo de "sorteio" para falas, nos encaminhamentos atravancados que muitas vezes não são compreendidos plenamente pelo plenário, etc. Assim, reivindicamos o exemplo da greve da UNAM (Universidade Autônoma do México), que em sua heroica greve no ano de 1999 constituiu um fortíssimo comando de greve que dirigiu a mobilização, suprimindo assembleias gerais que não poderiam cumprir mais nenhum papel democrático ou dirigente neste conflito. As assembleias de curso que dirigiam a greve, expressando suas posições no comando de greve geral a partir de seus delegados. Na USP, o comando de greve ainda não funciona suficientemente bem para que possamos propor a supressão das assembleias gerais (que já não cumprem o papel que deveriam), mas temos que colocar isto em perspectiva e, para isto, avançar no funcionamento do comando.

Foi neste sentido que, na Letras, demos uma luta para que a eleição de delegados fosse feita sempre por chapas, atrelada a um balanço da atuação dos delegados e realizada em todas as assembleias com base nas discussões políticas de cada uma delas. Na assembleia após a primeira reunião do comando de greve fomos derrotados nesta proposta, pois predominou a visão dos diretores do DCE (PSOL e PSTU) de que se deveria priorizar a votação de calendário do curso, o que inviabilizou a votação dos delegados pois a assembleia se prolongou e se esvaziou. Nossa visão, oposta a esta, era a de que a discussão dos delegados deveria ter prioridade pois expressa as principais questões políticas da greve e, além disso, serve para organizar e dar os rumos do órgão político que irá dirigir todas as nossas atividades. Tendo isto resolvido, as principais questões de calendário poderiam ser votadas e encaminhadas para que o próprio comando - seja do curso, seja o geral - discutissem seus detalhes. O fato de que não re-votamos os delegados na segunda assembleia da Letras fez com que não tivéssemos espaço para o balanço da atuação dos delegados. A chapa 1, para tentar combater esta ausência de debate político, convocou uma reunião aberta de discussão de suas posições, à qual compareceram cerca de trinta estudantes e debateram conosco, o que contribuiu de conjunto para politizar esta parcela, entre os quais alguns hoje estão se organizando em outras chapas para o comando.

Nesta reunião da chapa 1 adiantamos aos companheiros a proposta que apresentaríamos na assembleia geral, de um ato político dos estudantes da USP que fosse ao portão da São Remo e quebrasse uma parte do muro que divide a universidade desta comunidade, mostrando que nossa greve luta para que a universidade se abra e esteja a serviço dos trabalhadores e do povo pobre. Consideramos que seria um ato que poderia dar um novo fôlego a nossa greve e romper os marcos de seu corporativismo.

Na assembleia desta semana, apesar da oposição de uma parte da direção do DCE (desta vez pelo menos o PSTU defendeu que se revotassem os delegados, enquanto o PSOL foi contrário), foram revotados os delegados tanto da manhã quanto da noite. Em nosso tempo de defesa, a chapa 1 fez um balanço de como em todos os momentos a chapa 2 (composta pela gestão do DCE) boicotou toda e qualquer iniciativa para que se concretizasse a unificação com a greve da Unicamp e com outros setores na própria USP. Não cumpriram a resolução da assembleia da Letras de que os delegados fossem à setorial da Adusp da FFLCH levando a proposta de plenária unificada dos três setores, o que nós da chapa 1 fizemos e, com isto, garantimos a realização já de duas plenárias que tem reunido centenas. Além disso, e ainda mais grave, a chapa 2 boicotou as medidas de unificação com a Unicamp: nós da chapa 1 fomos até Campinas participar da assembleia geral dos estudantes da Unicamp e levamos a proposta de uma data concreta para a primeira reunião do comando estadual de mobilização entre USP, Unesp e Unicamp. Propusemos também isto na primeira reunião do comando de greve da USP, e foi aprovado. Contudo, na primeira reunião não compareceu nenhum delegado da chapa 2 e nem nenhum membro do DCE da Unicamp (também dirigido pelo PSOL!), num claro boicote à unificação entre as lutas!

Estes balanços são fundamentais porque no discurso muitas vezes o DCE alardeou a unificação das lutas, mas, vendo como boicotam as medidas concretas para que isto se realize, fica claro como são palavras ao vento. Contudo, este é um balanço de como a nossa greve poderia ter se fortalecido muito num momento anterior: graças às traições do DCE da Unicamp e do sindicato dos professores no Rio (SEPE - dirigido por... PSOL e PSTU!) as greves destes locais acabaram e sua não unificação é um fato já consumado. Para o futuro da mobilização, contudo, colocamos outras discussões na assembleia: sobre as "vitórias" que o DCE vinha cantando sem sequer ter um acordo por escrito com a reitoria e com a posição absurda de que o DCE pague por custos gerados pela ocupação; ou ainda a sinalização que está expressa no comunicado do DCE sobre a terceira reunião de negociação acerca da Estatuinte, em que fica nas entrelinhas que poderiam cantar como "vitória" do movimento a realização de uma Estatuinte pelo próprio CO e a reitoria!
Nos colocamos também como a chapa que defende o ato pela quebra dos muros da São Remo (proposta que foi massivamente rechaçada na manhã e massivamente aprovada no noturno).

Agora, seguimos em luta para fortalecer o comando de greve com base nas assembleias de curso e levar nossa greve à vitória!

Alguns dos membros da Chapa 1 da Letras:

Gui K.

Jessica

Pardal

Nelson, à esquerda
Hugo

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Punk Rock, Black Block e 'Acidentes' Históricos: Da opressão Policial ao vanguardismo dos Manos das favelas no século XXI

Por Will Santos, sociologia Unicamp

Nos anos 80 a Banda 'punk' Blondie já em sua fase de mudança sonora do rock para o pop, usando elementos do disco music, produziu e lançou a música 'accidentes never happen'. Com uma abertura marcante na letra e na melodia a banda que se chamava 'loira', conforme a tradução literal para o português fez sucesso no mundo pop com sua cantora dizendo: "Não, eu não acredito em sorte \ Não, eu não acredito mais em circunstâncias Acidentes nunca acontecem em um mundo perfeito\ Então eu não acreditarei na sorte."
Na sexta feira do dia 25 de outubro de 2013 e nos dias que se seguiram a imprensa paulistana e a presidenta Dilma realizaram um verdadeiro vendaval devido a agressão física de praticantes da tática Black Bloc que espancaram um policial de alta patente em São Paulo no ato convocado pelo Movimento Passe Livre para revogação da passagem de três reais, ao ponto de a presidenta publicar em seu ‘twitter’ (o que não deixa de ser irônico), sua solidariedade ao Coronel. O que surpreendeu a todos eles não foi apenas o seu (re) sentimento em relação a população agredir o Estado, de modo direto, de modo violento, de modo físico. O que é uma ação nova para o Brasil, raramente são os cidadãos que de fato agridem o Estado de modo direto, a não ser como ocorreu num passado não tão remoto - na guerrilha urbana e na mata - protagonizada pelos guerrilheiros que lutavam contra a ditadura, cujo fato mais marcante é a guerrilha do Araguaia. Ou o poder paralelo do tráfico (PCC, por exemplo). Esta organização não tem qualquer caráter cidadão, digamos assim, tão pouco suas ações possuem qualquer programa revolucionário a não ser a reivindicação por “paz, justiça e liberdade” aos seus integrantes.  Estes últimos protagonizaram um verdadeiro ataque frontal e direto, anos atrás, queimando ônibus e assassinando policiais, embora este mesmo poder tenha relação muito profunda com o próprio Estado - e sabemos que as agressões foram justamente o resultado da quebra de acordos entre os dois lados, ambos, diga-se de passagem, são opressores dos moradores das favelas.
O que me surpreendeu é que neste dia embora eu não estivesse no ato, mas muito próximo dele, e ‘solidário’ (tal como a presidenta) aos colegas que nele estavam, mas no meu caso compunham o ato pela reivindicação da revogação dos três reais, pude não apenas ver diversos carros da ROTA (Ronda Ostensiva Tobias Aguiar) carregando cachorros (pastor alemão) e amedrontando a população em sua ânsia de violência contra possíveis manifestantes, passando lentamente e de modo intimidatório. O que me foi surpresa foi o fato de descobrir só no domingo, dia 27 de outubro, que a presidenta – ex torturada da ditadura pela polícia política do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) - classificou aos Black Bloc´s como “barbáries antidemocráticas”, ao mesmo tempo em que a imprensa manipulava sentimentos editando diversas matérias – uma delas veiculada na TV Globo e outra no jornal Folha de São Paulo – que ouviam apenas o lado do Coronel da Polícia Militar agredido na noite, procurando representar (ou diria forjar) uma suposta 'impopularidade' dos Black Blocs na população ‘paulistana’, uma impopularidade que chegaria aos 95% (quais paulistanos o jornal entrevistou me pergunto?), tal atuação fez meu raciocínio simplista responder a ação do seguinte modo: "só quem nunca foi agredido pela polícia teria sido contra a agressão dos Black´s".
Os cientistas sociais pequenos burgueses poderiam me contradizer alegando que tal raciocínio não segue uma avaliação racional e condizente com a análise científica, que os Black´s são fascistas (Marilena Chauí)[1] e o Estado tem de atuar para manter a ordem diante dos baderneiros, ou seja, dos vândalos, que ‘atuam nas manifestações pra depredar o patrimônio público e privado’, sendo assim teria sido a partir da violência deles que a polícia atuou em nome da ordem, da paz e do protesto pacífico (quer dizer ordeiro). 

Esta lógica acadêmica poderia estar correta: a ser não pela realidade. 

Vários foram os motivos para ter surgido o Punk Rock enquanto música e modo de ser da juventude europeia e americana nos meados dos anos 1970: o visual, a decadência musical, as influências do cinema, da imigração, da música, mas, principalmente a crise política e social da Inglaterra e dos EUA neste período. Não deixa de ser um fato que sejam as bandas mais radicais de esquerda - influenciadas pelo Hard Core, pelo Ska&Reggae, a Soul Músic e o Rock dos anos 1950 - ou de direita influenciadas pelo OI!, tiveram em comum a revolta contra a pobreza política e econômica – e a opressão cotidiana expressa através do sentimento do ‘no future’[2] (Sex Pistols) - cujo fator estimulante deste quadro social foi a Reestruturação Produtiva e a opressão política derivada da Restauração Burguesa, durante os  governos de Margaret Thatcher e de Ronald Reagan. A revolta era contra toda uma condição política, econômica, educacional e cultural como o ataque aos sindicatos, os acordos econômicos que destruíram as leis trabalhistas e que impulsionaram as formas de trabalho terceirizadas e precárias, o desânimo com as desigualdades no acesso ao ensino superior, cujos efeitos ainda permanecem, mas, também, as políticas de criminalização da migração, dos bairros ‘étnicos’ onde residiram os negros e os asiáticos, a criminalização da juventude e o retorno do imperialismo através da Guerra das Malvinas (que promoveu o retorno do nacionalismo).

Pois bem, foi no encontro com os imigrantes e a luta dos sindicatos[3], no resgate de musicistas recriando, com isto, novas sonoridades e estilos musicais que os punkers mudaram o cenário sócio-cultural de sua época. Sua inovação não foi econômica, mas articulava-se á uma transformação da estrutura política, portanto, não se tratou de uma revolução, mas foi importante musicalmente e, é claro, socialmente, pois forneceu nova possibilidade de atitude aos jovens daquela época repercutindo politicamente naqueles países. O Punk Rock como um estilo de vida se tornou um referencial naquele momento histórico á muitos jovens que viviam na classe trabalhadora da época. O Punk Rock e o modo de ser punk deu toda uma força a juventude dos anos 1970, jovens estes que partiam das periferias para agredir as escolas e seus modos de opressão institucional, as ruas e, por fim, o próprio Estado: não foram poucos os punks que se colocaram em combate nos atos promovidos pelos sindicatos, enfrentando os nazis[4], aprendendo aí como a polícia era um perigo e como ela era o Estado, como ela é genocida e racista – a mesma polícia que os reprimia em seus shows e nos atos e que também acobertava os crimes cometidos pelas gag´s neonazistas contra trabalhadores e estrangeiros.

No Brasil os Punks eram todos, ao menos no início, das favelas e não precisavam ao contrário dos Punkers europeus ir ás passeatas para saber do perigo que era a polícia, no caso do país, pior ainda, tratava-se da Polícia Militar. Quer dizer, não foi apenas as músicas inglesas e americana de punk rock – e, portanto um estilo de ser e de agir – que marcou o surgimento dos Punkers no Brasil, mas as atitudes de enfrentamento mais opressoras que as que viviam seus contemporâneos naqueles países. O surgimento do Punk Rock e do modo de ser Punk aqui ocorreu durante a ditadura militar, no contexto da presença da ROTA e de seus milhares de atos arbitrários e de assassinatos cometidos nas favelas, descrito no livro ‘Rota 66’ (1993) de Cacco Barcellos. Foi a experiência histórica da presença da polícia genocida nas favelas brasileiras e dos diversos assassinatos que já ocorriam que os fez se oporem á ela e a enfrenta-la. Só quem viveu os anos 70, 80 e 90 nas favelas paulistanas e também nas ruas, nos shows de rock ou na volta destes, seja punk ou não, sabe o que era sair de casa e ver algum 'presunto' pela manhã quando se ia para a escola ou para o trabalho, assassinado pela polícia ou por traficantes.

Também domingo dia 27 de outubro na Vila Medeiros na Zona Norte de São Paulo mais uma vez a juventude foi marcada pelo assassinado "acidental" - como requer a polícia e a mesma imprensa que criminaliza aos Blacks como já fez aos Punks - por um membro da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A Polícia Militar argumenta que a mesma foi chamada ao local após uma denúncia de perturbação do sossego, pois um carro tocava Funk com volume alto na rua Bacurizinho. O jovem assassinado na favela era da favela, trabalhava em uma lanchonete. Não, ele não era punk, também não era um atuante da tática Black Bloc. Chamava-se Douglas Rodrigues, tinha 17 anos, foi abordado porque foi identificado como um ‘suspeito’. Ele estava, no domingo, em seu carro quando foi abordado por um policial. Sua mãe comenta que o filho, sem entender o que aconteceu e o motivo do acontecido, ainda havia perguntado ao policial: “porque o senhor atirou em mim?”. A polícia responde de modo bem racional (tal como Chauí) que foi um acidente (?) o disparou: “a porta da viatura bateu na arma do policial militar”[5].

Não é a primeira vez também que a população da periferia se revolta e resolve partir pra cima do Estado após a morte de um jovem, na favela, pela polícia. Em 2009 moradores da Favela de Heliópolis se revoltaram contra o Estado quando este através da Polícia (GCM – de São Caetano) entrou no local perseguindo criminosos e assassinou Ana Cristina também de 17 anos com um tiro no pescoço. A garota se protegia do tiroteio, pneus e ônibus foram queimados, barricadas montadas, houve também depredação (ou seria vandalismo?), e o protesto foi reprimido, primeiro, por sua criminalização (a polícia, no caso, argumentou que os moradores atuaram porque ganhariam ‘cesta básica’ de traficantes), em seguida, usou da força de elite: GOE (Grupo de Operações Especiais), o Garra (Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos), gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha, foram presos 21 pessoas. 

Desta vez, ao contrário do que vem fazendo (nada novo, portanto, a atuação dos Blackers) a população se revoltou e 'vandalizou' (ou diria escandalizou) a imprensa e o Estado, porque inspirados (tal com os Punkers se inspiraram na arte e na atuação política dos sindicatos) pelos seus métodos já conhecidos - métodos de revolta históricos dos moradores das favelas contra a atuação opressora do Estado - e das revoltas de junho, desta vez, além de queimarem ônibus, saquearem lojas, depredarem, jogavam pedras na polícia. Diversos jovens, embora não marchassem - como é comum em atos políticos – não empunhavam palavras de ordem, mas destruíam agencias bancárias queimavam caminhões e conseguiram paralisar avenidas como a Edu Chaves, Roland Garros e Luís Stamatis além da ‘Rodovia Fernão Dias’, portanto, paralisaram o movimento de caminhões (que claro leva os produtos [o valor de troca] das indústrias de São Paulo para Minas Gerais e de lá para cá). Como de praxe a polícia criminalizou e prendeu 90 pessoas. Porém o conflito não encerrou no domingo. Não se resumiu aos três ônibus lotados de moradores que foram para o enterro do jovem, mas, continuou na terça feira, quando o Estado em uma atuação violentamente nada pacífica invadiu a favela com carros da tática, da Rota e Helicóptero atirando com bala de borracha e munição ‘dura’ (real), jogando bombas e assassinando no Bairro mais um jovem (alegando que este pretendia cometer um assalto). Sim se trata de uma atuação que o próprio Estado sabe que é transformadora ao ponto de o Ministro da Justiça José Eduardo Cardoso propor se reunir nesta quinta feira (31/10/2013) com os secretários de segurança pública de São Paulo (Fernando Grella Vieira) e do Rio de Janeiro (José Mariano Beltrame), com o objetivo de traçar uma ‘estratégia conjunta entre a polícia federal e as estaduais para dar uma resposta mais ágil aos atos de vandalismo’, envolvendo com isto o ministério público e o judiciário.

No Brasil as pessoas que moram nas favelas desde o surgimento delas já eram assassinadas, o período militar apenas intensificou os assassinatos com aval baseado na "segurança" nacional, e tal prática continuou durante todos os anos 1990 e ainda permanece, tal como neste caso da Zona Norte. Isto já foi mais do que descrito pelas músicas dos Racionais MC´s, do Facção Central e do mais recente MC da Leste. A revolta da população da Zona Norte - a revolta da classe perigosa como classificam os "sociólogos" - contra o genocídio é uma ação política. O assassinato também. De nada foi acidental porque se trata de uma prática histórica da polícia, afinal, acidentes nunca acontecem. Não é, infelizmente, novidade, pois, vem acontecendo há tempos. Este caso foi, porém, o primeiro de maior repercussão após o caso (do pedreiro torturado) Amarildo que a imprensa divulgou.

Nada de novo há no fronte. E nada tem haver com os Blacks. A morte do jovem não foi acidental, como afirma a polícia, mas é histórica, todos sabem da forma como a polícia atua no Brasil: primeiro mata depois pergunta. Acontece que desta vez e pelo contexto político nacional está dado que a classe trabalhadora não vai mais aceitar mentiras, não vai mais aceitar acidentes politicamente articulados. Embora, a atuação dos jovens e dos moradores em geral da Vila Medeiros não siga um programa político, nem uma estratégia e não carregue símbolos, ela é política. Não vem de um espontaneismo, muito ao contrário vem da sinceridade do cansaço de séculos de exclusão e de violência cotidiana, é o resultado muito bem refletido sobre a pobreza, a criminalização, a violência do Estado e vem da vontade de viver. Assim, é provável que esteja sendo gestado nestes lugares, e talvez há mais tempos do que percebemos, elementos de revolução política, cultural e econômica que nem os Blacks, nem os Punkers, nem outro grupo pode gestar. A morte do jovem está historicamente ligada ao caso Amarildo, a revolta Zumbi, as revoltas dos jovens do RAP nos anos 80/90, só que com um elemento novo: o gigante - porque no Brasil as favelas são populações, são uma classe política e econômica - acordou e está disposto a enfrentar no front, nas ruas, e não apenas nas urnas, o Estado.



[1] Marilena Chauí filósofa do PT e da USP comentou que os Black Bloc estão mais para fascistas do que para anarquistas em um evento promovido pela Polícia Militar, tratou-se de um ciclo de conferências sobre violência ministrado para cadetes em formação e policiais da PM, conforme o Jornal Folha de São Paulo. Na mesma matéria o Jornal alega que a filósofa alerta ao fato (?) de os Blacks não terem um programa de transformação social, nem tampouco as manifestações de junho no Brasil serem parecidas com as que ocorreram no maio de 1968 na França. O que surpreende desta afirmação é o fato de a Filósofa não soltar qualquer nota pública alegando ou não a integra de sua visão reproduzida pelo jornal, o mesmo que execrou as manifestações em seu início, de outro ao seu erro em acreditar que os Black´s Bloc sejam algum movimento articulado e com programa político, sendo que os seus componentes em diversos momentos e espaços alegaram se tratarem uma tática de defesa contra a polícia e de destruição de símbolos capitalistas – e nada mais -, e não um movimento social ou um partido, nem tampouco uma liga anarquista, embora muitos deles sejam da periferia de São Paulo e majoritariamente jovens, organizando-se, conforme alegam, sem hierarquia e, atualmente, em apoio áqueles que lutam: em especial da classe trabalhadora tal como ocorreram nas recentes manifestações da Greve dos professores do Rio de Janeiro. Por fim, ao óbvio: as manifestações de junho no Brasil não são iguais as manifestações de 1968 pelo simples fato de vivermos outro momento histórico. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/126068-black-blocs-agem-com-inspiracao-fascista-diz-filosofa-a-pms-do-rio.shtml. Acesso:30/10/2013. As 17h31.

[2] Tal sentimento foi expresso na música ‘God Save the Queen’ da Banda inglesa Sex Pistols em 1977. Inicialmente lançado como single a música ironizava os 25 anos de ascensão da Rainha Elizabeth II. A música também compõe o álbum “Never Mind the Bollock´s” também de 1977, lançado pela gravadora EMI. Este foi o único álbum da banda que também é considerada um ‘fake’ pois teria sido criada pelo empresário Malcolm MacLaren. De qualquer forma sua sonoridade e letras influenciaram diversas outras bandas que passaram por si só a realizar letras politizadas e a realizar o ‘do it yourself’, tornando-se um referencial em estilo de vida – principalmente pela figura de Sid Vicius. Estilo este do jovem sem futuro, que agride só por sua presença anti-herói, já outros pela combatividade e a violência contra o Estado e da sociedade através da violência visual e mesmo direta, embora, as vezes, tais práticas condiziam com posturas totalmente antiautoritário e questionadoras, também, expressavam em outros momentos diversas contradições que negassem tais ideais.

[3] Na época um dos sindicatos mais combativos foi o sindicato dos mineiros ingleses das minas de carvão (National Union of Mineworkers). Os mineiros foram responsáveis por grandes conquistas aos trabalhadores ingleses como a legislação trabalhista que encerrava regimes de exploração, já no século XIX. O conflito entre a reforma proposto pela primeira ministra (a Dama de Ferro) e o trabalhadores durou até 1985, com a derrota do segundo e a instalação da reestruturação produtiva no setor. Thatcher fez com que as empresas Estatais que atuavam nas minas fossem privatizadas. Nos anos 1980 cerca de 80% da energia elétrica na Inglaterra vinha só deste setor, obtido por meio da queima do carvão. Além disso, o carvão era usado para o aquecimento interno das casas. O sindicato era combativo e já tinha também o histórico de ter derrubado o Governo Conservador de Ted Heath (1974), além do fato de ser um cordão que aglutinava diversos outros sindicatos e lideranças, os sindicatos tinham muito poder e eram capazes de proteger empregos e aumentar salários, mas também foram alvo do Neoliberalismo do período. Disponível em: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/greve-ferro-carvao-434346.shtml. Acesso: 31/10/2013.
[4] O retorno do nazismo na Europa muito se deve a este momento Histórico. Na Inglaterra em especial a relação entre a crise econômica e política aliado a criminalização da imigração e ao nacionalismo promovido pela Guerra das Malvinas foi força para que surgisse no país o partido ‘National Front’. Um partido de extrema direita que reivindicava a exclusão dos imigrantes, dentre outras políticas, e que foi responsável por realizar uma lavagem cerebral em diversos punks e skinheads que se até então eram aliados dos imigrantes, posteriormente, passaram a protagonizar (ao menos uma parte deles) diversos ataques aos mesmos, o que teve como consequência uma divisão dentro da juventude entre: skinheads de esquerda (RASH, SHARP, TRAD) e Anarco Punks contra os ‘Boneheads’ ou Neonazistas.

PRÉ-ENCONTRO "LIÇÕES DE JUNHO" REÚNE TRABALHADORES E ESTUDANTES EM MARÍLIA-SP RUMO AO ENCONTRO DIA 02 DE NOVEMBRO EM SÃO PAULO!


PRÉ-ENCONTRO "LIÇÕES DE JUNHO" REÚNE TRABALHADORES E ESTUDANTES EM MARÍLIA-SP RUMO AO ENCONTRO DIA 02 DE NOVEMBRO EM SÃO PAULO!

As “Jornadas de Junho” abriram caminho para uma nova correlação de forças no Brasil. Desde então diversos trabalhadores passaram a pressionar seus sindicatos a mobilizarem-se. Este movimento pode ser visto na cidade de Marília (interior de São Paulo) com importantes greves estudantis e de trabalhadores nos últimos meses. A Juventude às Ruas de Marília atuou levando ativo apoio aos trabalhadores lutadores da cidade, e segue militando na perspectiva da aliança operário-estudantil cada vez mais orgânica, a partir da conjuntura aberta.

Tendo em vista o encontro nacional “Lições de Junho”, que ocorrerá no dia 02nov2013 em São Paulo, no qual estarão presentes trabalhadores, estudantes, jovens, negros e comunidade LGBT’s, ocorreu, no último sábado 26out2013, na cidade de Marília (interior de São Paulo), um pré-encontro na Escola Estadual Vereador Mônaco, com o intuito de discutir as mobilizações de junho e as lutas em curso dos setores da classe trabalhadora, com a presença dos militantes da LER-QI Edison (atuante na greve dos bancários em SP) e Claudionor Brandão (demitido político e diretor do SINTUSP).
Além da presença dos dois camaradas, tivemos a participação de trabalhadores e estudantes que estiverem nos principais processos de greve do último período em Marília da UNESP (estudantes e funcionários) e FAMEMA (trabalhadores da área da saúde e residentes), como também professores da rede estadual de ensino. O grupo Pão e Rosas e integrantes do cursinho e movimento social CAUM também estavam presentes marcando as lutas contra as opressões e pelo acesso à universidade.
Nós da Juventude às Ruas, que levantamos a bandeira da aliança operário estudantil, destacamos a importância da formação destes espaços entre setores de estudantes e trabalhadores diante da conjuntura nacional. A discussão do pré encontro foi muito qualitativa em relação à troca de experiências entre os diferentes segmentos, no sentido de uma articulação mais orgânica tanto a nível local quanto nacional, que prepare uma ligação em mobilizações futuras. Desde já lançamos o germe de uma corrente unificada de trabalhadores em aliança com estudantes, com boletim local unificado entre os segmentos de trabalhadores.

A Juventude às Ruas de Marília encampa o convite feito pelos camaradxs da Ler-qi, e chama todos a construírem o encontro Nacional de trabalhadores, "Lições de junho", dia 02 de Nov de 2013 rumo a uma aliança entre trabalhadores e estudantes!



ESTUDANTES DA UNESP CORTAM RODOVIA E FAZEM ATO NA DIREÇÃO DE MARÍLIA CONTRA A REPRESSÃO E EM APOIO À LUTA DA USP

ESTUDANTES DA UNESP CORTAM RODOVIA E FAZEM ATO NA DIREÇÃO DE MARÍLIA CONTRA A REPRESSÃO E EM APOIO À LUTA DA USP

O movimento estudantil da Unesp realizou na manhã desta quinta feita (31) na unidade de Marília (interior de São Paulo) uma importante manifestação como resposta aos processos de repressão abertos tanto contra os próprios estudantes que lutaram na grande greve ocorrida no primeiro semestre na instituição, quanto contra a repressão aos movimentos sociais e à juventude negra nas periferias de todo o país, por todos os Amarildos e Douglas! Também manifestávamos nosso apoio aos estudantes da USP e UNICAMP que se mobilizam no último período.

Foi apenas através de métodos de luta como greves e ocupações que os estudantes da Unesp garantiram no primeiro semestre a ampliação das políticas de permanência estudantil da instituição (para que os estudantes da classe trabalhadora pobre possam permanecer na universidade e não sejam obrigados a abandonarem seus cursos). Durante as mobilizações do primeiro semestre deste ano lutamos também contra a estrutura de poder e o PIMESP (Programa de Inclusão por Mérito) que era mais um ataque à democracia e ao acesso à universidade. Após o final da greve, a REItoria da Unesp, nas últimas semanas, em uma clara demonstração da estrutura de poder anti-democrática que temos, abriu processos de sindicância contra os lutadores, a partir de um regimento que data da época da ditadura militar. Os artigos pelos quais os estudantes estão sendo sindicados são muito próximos a artigos do AI-5, como “promover ou apoiar manifestação de cunho político-partidário racial ou religioso”, e até ferir à “moral e os bons costumes”.
Na unidade de Marília estudantes estão passando também por um “processo de apuração” local que pode se desdobrar em punições aos lutadores. Este processo foi aberto por um professor que durante a greve tentou passar por cima da deliberação dos estudantes e dar aula. Após o diálogo com o professor e sua relutante intransigência, os estudantes fizeram um ato impedindo a aula do fura-greve, garantindo a deliberação coletiva da assembléia estudantil. Por este motivo hoje fizemos um ato na diretoria local exigindo a não punição aos estudantes.
Os eixos políticos do corte de rodovia em Marília foram:

- Contra a repressão ao movimento estudantil, abaixo as sindicâncias e à estrutura de poder antidemocrática na universidade!
- Contra a brutal repressão aos movimentos sociais, aos trabalhadores, e à juventude negra nas periferias! Pelo fim da Polícia!
- Todo apoio aos estudantes em luta na USP! Pela unidade dos movimentos com a USP e UNICAMP!

Os militantes da Ler-qi, Juventude às Ruas e Pão e Rosas atuaram em todos estes processos ativamente. Não deixaremos a repressão passar!
Desde já chamamos todos os movimentos sociais à construção de um ato na reitoria em São Paulo, como indicação do DCE-provisório da Unesp, para o dia 6 de Novembro (dia em que os primeiros estudantes sindicados estão sendo chamados para darem seus depoimentos)!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Unicamp - Não queremos deixar para amanhã: um balanço sobre o processo de luta que passamos!


Aquela velha rotina da universidade foi quebrada nesse ultimo mês, aonde vimos explodir um dos maiores processos de luta do movimento estudantil. Com a morte de um estudante dentro do campus em uma festa, a reposta da reitoria foi imediata: através da pró-reitora que se pronunciou publicamente falando que o patrulhamento policial já havia começado em 26 de setembro. Mesmo diante de um caso grave como esse, onde o velho senso comum poderia aceitar essa resposta da REItoria, o que vimos foi o questionamento e a explosão dos estudantes através de seus métodos de luta, com greves e ocupação, expressando uma posição irresoluta de que a polícia não traria segurança mas sim mais violência e assassinatos. A polícia que reprimiu as manifestações e assassinou tantos Amarildos está questionada: definitivamente a politização de junho arrebentou os portões da universidade!
Ocupamos a REItoria, acompanhados de mais de 20 institutos que entraram em greve ou paralisaram em um contexto nacional de luta como não víamos há anos. Com USP também com sua reitoria ocupada questionando a estrutura de poder da Universidade, EACH (USP Leste) ocupada, Unesp em luta contra as sindicâncias,USP São Carlos aderindo a greve em assembleia massiva, petroleiros em luta contra o leilão do pré-sal, professores do RJ protagonizando uma greve histórica pautando nacionalmente o debate da educação. Ou seja, havia toda uma situação nacional favorável para as lutas dos estudantes e dos trabalhadores,  e era desde essa perspectiva que tínhamos que determinar os rumos de nosso movimento.
Frente a esse cenário é central que façamos um balanço do que foi o processo, bem como as distintas concepções políticas presentes em nossa mobilização. Aqui queremos debater com algumas delas no sentindo de avançarmos nas experiências conjuntas do movimento estudantil para que este volte a fazer história, 
e assim possamos alcançar grandes objetivos, que transcendam a miséria do que tentam nos vender como possível.

Domínio Público/PSOL – Luta ou eleição? Freou o movimento estudantil para respeitar os calendários eleitorais!

No auge desse processo, quando víamos ainda cursos entrando em luta, como o IE (economia) e o IG (geociências), e as distintas lutas cada vez mais se intensificando nacionalmente, o processo da Unicamp foi barrado por uma política de desocupação da reitoria protagonizada principalmente pelo DCE dirigido pelo PSOL/Domínio Publico. Era claro que a ocupação da REItoria era o centro político de nossa mobilização, vários institutos se colocaram em movimento em solidariedade a ela, e desocupá-la seria um golpe de morte para o imenso processo que ainda estava em pleno desenvolvimento. Quando propuseram desocupar a margem de voto foi estreita, com um número altíssimo de abstenções (159 votaram por manter ocupados, 231 por desocupar e 80 se abstiveram). Esse fato comprova de que havia disposição de luta dos estudantes, porém vários desses ainda referenciados em sua entidade representativa acabaram se iludindo que era possível desocupar e “continuar mobilizando”. Porém os desdobramentos dessa decisão adotada conscientemente pelo PSOL comprovou que os discursos “avermelhados”, de que mesmo desocupando continuaríamos em luta, eram meras palavras ao vento para enganar os estudantes e enterrar nossa luta. Em todas as assembleias dos institutos o DCE em nenhum momento colocou suas forças para fortalecer a greve, pelo contrario, atuaram esvaziando o movimento sem nenhuma proposta concreta para manter nossa mobilização. Já no dia seguinte o IEL (linguística) saia da greve.
O fundamento dessa traição tem ficado evidente para os estudantes, chama-se eleições estudantis. O Coletivo Domínio Publico/PSOL, tem uma concepção de entidade que não serve aos estudantes, mas sim a auto construção do seu próprio coletivo. Sua política não é orientada no sentido de responder as reais necessidades dos estudantes e fazer com que as suas lutas triunfem, mas sim mantém uma política adaptada a Reitoria, sem questionar o caráter da universidade de classe e sua estrutura de poder, se mantém nas lutas mais pontuais e imediatas cultivando o corporativismo para a partir dessa pequena política passar todo o ano orientado para as eleições e assim se manter no controle aparato do DCE. Esse ano essa política foi mais escandalosa, uma vez que passaram seus próprios interesses eleitorais por cima das necessidades do movimento e sua continuidade. Durante a própria luta seu objetivos eram claros: queriam somente discutir as “meias palavras” da reitoria na carta ao invés de centrar forças para efetivar nossa aliança com a USP e com a heroica greve dos professores do Rio. Não moveram uma palha nesse sentido, mesmo sendo a mesma organização política que está no DCE da UNICAMP, USP e do sindicato dos professores do Rio. Evidentemente a negociação com a REItoria era importante no sentido de conseguirmos a declaração publica de recuo do Tadeu à declaração da entrada da PM 
e a garantia de que não haveria nenhuma sindicância. Contudo o movimento deve se pautar pelos seus métodos e necessidades, e não pela negociação que tem um limite que é até onde a própria REItoria pode ceder para não por em xeque seus interesses mesquinhos. Há todo momento afirmavam que as “negociações haviam se esgotado” e que por isso poderíamos ser desocupados da REItoria pela polícia espalhando um sentimento de medo nos estudantes. Está claro como para eles, as migalhas que a reitoria deixa derrubar para enganar e cooptar os de baixo são grandes “vitórias”. Prova disso é que na mesma semana que desocupamos a polícia civil soltou declarações que irá abrir inquérito policial a partir do B.O. feito pela própria REItoria contra a ocupação, e o vice-reitor Álvaro Crosta (que participou das negociações) se sentiu a vontade para declarar que “a presença da polícia não está completamente descartada” e que "não pode impedir sua entrada em um espaço público". Ou seja, aquilo que foi cantando como “grande vitória” em pouco tempo depois mostrou seu verdadeiro conteúdo. Quando podíamos ir por mais e estávamos fortes e mobilizados o DCE resolveu entregar suas cartas para que a REItoria se recompusesse e na semana seguinte voltasse a ameaçar os lutadores da universidade. Diante dessa situação qualquer estudante que sofrer sindicância, processo policial, ou se a polícia voltar a entrar no campus a principal responsabilidade sobre esse retrocesso será do PSOL/Domínio Público.
Essa foi uma importante experiência dos estudantes com esses que estão há 13 anos no DCE. Na ultima assembleia geral política desse grupo se tornou explícita: votaram sozinhos contra a proposta de adiar as eleições do DCE para que o movimento pudesse ser prioridade de todos os estudantes e correntes políticas. Nada mais do que uma prática absurdamente eleitoreira, que trocou nossa luta por objetivos mesquinhos!

“Para fazer diferente” na medida do possível? Um debate necessário com as concepções do PSTU

Agora gostaríamos de debater com outra concepção que participou da mobilização, e que se propõe a ser alternativa ao m.e., inclusive se auto-intitulam como “oposição”, o Coletivo Pra Fazer Diferente (PSTU e independentes). Ainda que tenham votado pela manutenção da ocupação, em todo o momento mostraram que também estão muito distante de construir um m.e. que de fato faça história e promova grandes mudanças em nossa sociedade. Como já desenvolvemos nossa tarefa central era se propor a unificar as distintas lutas em curso para compor uma grande luta nacional pela educação que poderia colocar não só a REItoria de joelhos, como também atemorizar governos já abalados desde as grandes jornadas de junho.Infelizmente, essa que deveria ser a “ordem do dia” para qualquer um que de fato se pretenda subverter o atual projeto de universidade, passou completamente por fora da política dessa agrupação. Por mais que queiram assumir uma face mais de esquerda do que a escandalosa traição do PSOL, o Coletivo Para fazer Diferente (PSTU e independentes) também se manteve no âmbito das negociações se adaptando ao refluxo imposto pela desocupação da reitoria, na media em que mesmo com um coletivo que abarca uma dezena de cursos eles não conseguiram ser uma força “diferente” para dar todas as batalhas para manter a mobilização. Agregado a isso espantosamente não vimos o PSTU fazer um debate sério com o PSOL após essa forte traição, será que os companheiros concordam com essa política? Achamos fundamental que as coisas sejam ditas pelo seu nome, se adaptar as posições burocráticas do PSOL significa ser conivente com elas, o que infelizmente acaba sendo a consequência da omissão dessa agrupação, será que para depois fazer um chamado a uma chapa unificada para o DCE com o PSOL? Não conseguem responder o por que, mesmo fazendo parte do sindicato dos professores do Rio e o DCE da USP foram incapazes de propor uma só medida de unificação das lutas. Pior, boicotaram a reunião do Comando Estadual de Mobilização referendados pelas assembleias da USP e UNICAMP não mandando sequer um representante para ela. Optaram manter as lutas fragmentadas lutando por pequenos objetivos e assim quem sabe se localizar “mais à esquerda” para as eleições do DCE. 
Do ponto de vista programático se negaram a avançar na pauta que questionasse o estatuto da Universidade e assim sua estrutura de poder. Essa poderia ser uma grande pauta que unificasse nossa luta com USP! Na prática negaram não só se unificar com a USP como também construir uma batalha contra uma corja de burocratas privilegiados que tem adegas na Reitoria e ganham milhões por ano para manterem a Universidade fechada a juventude negra e pobre. Sabem que qualquer mudança esta subordinada a esse estatuto, bem como as sindicâncias que só poderiam não ter caráter persecutório e político, como a reitoria vinha “prometendo”, se não fossem geridas por um estatuto herdeiro da ditadura.
E ainda no próprio curso onde 
são a gestão do centro acadêmico, o IFCH (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas), propuseram na ultima assembleia (quarta-feira) o fim da greve na sexta-feira! Durante todo o ano praticamente abandonaram o CACH, soltando muito mais notas pelo próprio coletivo (Para fazer Diferente), impulsionando pouquíssimos espaços de debates políticos, se eximindo assim de ser um elemento politizador do instituto para que pudéssemos estar mobilizados quando a realidade exigisse. Mesmo sabendo das declarações do vice-reitor, mesmo sabendo que naquele mesmo dia que a REItoria lacrara um importante espaço de vivência na moradia, mesmo sabendo que as sindicâncias continuaram em curso, propuseram o FIM da greve! As práticas eleitoreiras que contaminam essas correntes, acabam sendo o peso maior da balança quando precisam escolher entre a luta ou as eleições: seria mais fácil enterrar de vez o último suspiro de luta que permanecia na Unicamp, para tranquilamente se dedicarem ao calendário eleitoral do DCE.
Achamos que poderíamos fazer do IFCH um pólo de política e de resistência a reitoria usando dos nosso próprios métodos de luta do movimento estudantil para continuar sendo um sujeito em luta na universidade, lutando contra as sindicâncias, se unificando ao Instituto de Artes que também estava disposto a continuar com os debates, e mais do que isso mostrando a toda USP que os estudantes deste instituto continuariam em luta juntos e em solidariedade, apesar da traição de  nosso DCE. Nós da Juventude as Ruas colocamos desde o inicio que tínhamos um momento único de luta em esfera nacional, poderíamos ter alçado o movimento estudantil para fazer história e colocar em crise a estabilidade do regime universitário e se ligar a população de fora para impor uma grande luta por educação. Era necessário levantarmos a demanda de uma estatuinte livre e soberana para que os estudantes, juntos aos trabalhadores, definam o que querem da Universidade. Essa é a única maneira de democratizarmos de fato a Universidade, não só internamente, mas para que ela sirva a juventude e classe trabalhadora, para que os negros possam estar dentro dela, para que tenhamos em nosso currículo a sua história de luta, para que a luta dos GLBTTis seja estudada, que seu acesso seja livre e sem vestibular, com vivencia e arte para toda a população!

Faremos das eleições do DCE com a chapa “Por todos Amarildos” uma continuidade dessa batalha contra essas práticas burocráticas e políticas adaptadas que servem antes a manutenção da miséria do possível do que sua superação. Queremos uma entidade de fato democrática e que coloque a luta dos estudantes e dos trabalhadores como centro de sua política, superando o velho movimento estudantil que a cada “migalha” canta vitória relegando nossos sonhos para um futuro indefinido. Nossa luta é agora!