Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Greve USP: O que é Estatuinte e “Governo Tripartite”?


Por André Bof, estudante de Ciências Sociais da USP 



Como expressão do que de melhor as jornadas de junho deixaram à juventude, iniciou-se um novo momento na USP!

A partir do último dia 1º de outubro, com a ocupação da Reitoria e o início da Greve estudantil, milhares de estudantes se mobilizam e paralisam diversos cursos, buscando garantir um golpe contundente no Reitor que foi escolhido a dedo para “disciplinar” a USP.

A burocracia acadêmica e o REItorado estão divididos e frente a uma crise política que, num ano pré-eleitoral no estado de SP e de eleições para Reitor na USP, já complica os planos dos magnatas do PSDB que efetivamente usam a USP a seu bel-prazer. Estão diante de um impasse e nossa greve só se fortalece. A cabeça do REItor Rodas e seus vassalos nunca esteve tão em xeque. Há muito não estamos em condições tão boas para avançar.

Nesta situação, realizamos duas assembléias estudantis com milhares de estudantes, nas quais claramente se expressou o desejo dos estudantes em ir por mais, buscando questionar profundamente a estrutura de poder e o projeto de universidade que ela implementa, contra os negros, pobres, trabalhadores, enfim, um projeto contra a maioria da população.

Entre os estudantes se gerou muito debate e dúvidas sobre duas pautas que foram votadas como reivindicações e tem ganhado cada vez mais apoio: Um Governo tripartite e uma Estatuinte livre, soberana e democrática. O que seriam elas? Buscam alterar o que?

O que é a estrutura de poder na USP?

O absurdo da estrutura de poder da USP chegou a níveis escandalosos.

Existem quase 100 mil estudantes na USP; 15 mil funcionários efetivos; cerca de 9 mil trabalhadores terceirizados e 5 mil professores (divididos em categorias, sendo a “nata privilegiada” os titulares”). Todos estes, em tese, estariam sujeitos as “decisões” tomadas pela estrutura de poder, que os representaria “com justiça”.

No entanto, na realidade quase feudal da USP, não é bem assim. Por aqui, ainda não tivemos uma “Revolução Francesa” e quem determina não é a maioria, mas sim os grandes empresários e empresas privadas, pela via da Reitoria e do C.O..

No órgão máximo de representação - o C.O.- 80% dos membros são professores titulares; 11% são estudantes e 3% são funcionários efetivos. Aos terceirizados, esta massa de trabalhadores, em sua maioria negra e da periferia, que garantem o funcionamento e limpeza e estão sujeitos a todas as decisões da USP e aos calotes freqüentes das empresas terceirizadas não cabe nenhum representante (!!!). Uma verdadeira “pirâmide de poder”, com a minoria de faraós no topo!

Por outro lado, instituições privadas de magnatas, como a FIESP (Federação das Industrias de SP), que apoiou financeira e ideologicamente a Ditadura Militar Brasileira, possuem representação e poder de voto no C.O..

A relação entre os interesses das grandes empresas e nossa instituição “pública” é escabrosa.
Na USP, 1/3 do conselho universitário - ou seja, dezenas de professores- é dono ou participante de Fundações privilegiadas na USP, como a FIA, Dersa; empresas terceirizadas como EVIK e a do “Bandejão” da Química são de professores e burocratas empregados pela USP e/ou participantes do C.O.; o atual prefeito do campus é José Sidnei Colombo Martini, ex-diretor da ALSTOM, envolvido no escândalo de propina bilionária, envolvendo o PSDB e empresas- como a ALSTOM- prestadoras de serviços ao metrô de SP; o próprio Rodas é ex-presidente do CADE, o órgão que deveria coibir tais casos de corrupção, propinas e formação de cartéis... Uma verdadeira “farra de amigos” do PSDB.

Do ponto de vista das “prioridades” da estrutura de poder, não são poucos os escândalos como o tapete de 30 mil reais “comprado” em 2011, os pianos (guardados hoje, numa sala da reitoria ocupada) de 30 mil dólares cada, os projetos facilitados para fundações como FIA, os cursos pagos como os da FEA, etc, tudo isto enquanto muitos cursos (como na FFLCH) vegetam em situações de salas lotadas, falta de professores, reformas intermináveis na estrutura ou, como a EACH, estão contaminados com gases tóxicos e inflamáveis(!!).

Como tudo, é necessária uma “legitimação jurídica” para esta estrutura, e esta encontra corpo no regimento de 1972 da USP, implementado por Gama e Silva, ex-reitor e redator do AI-5 da Ditadura, que, mesmo após a reformulação parcial do Estatuto da USP, em 88, ainda estabelece, dentre outras coisas, punições por atentado a “moral e os bons costumes”, restrição a greves, a composição feudal do C.O., etc...

Visto isto, podemos entender a “gana” repressora da reitoria que, além das expulsões e processos que lançou contra estudantes, segue a campanha contra o SINTUSP, sendo que neste dia 1º entregou processo que ameaça 7 companheiros da diretoria por lutar em defesa dos terceirizados.

Fica evidente, desta forma, que a estrutura de poder da USP foi criada para garantir um projeto de universidade que sirva aos interesses de uma minoria de burocratas do governo e grandes empresas, contra a maioria do povo pobre e trabalhador que a financiam e contra a maioria da comunidade universitária.

O que é Governo tripartite ou Governo dos três setores?

Um “governo tripartite” ou “governo dos três setores”, é uma forma de governo para a Universidade, na qual, os trabalhadores, professores e estudantes, a partir de representantes eleitos, são quem exercem a sua direção e de seus órgãos, como as unidades de ensino e trabalho, etc.

Neste modelo, da forma como é proposta por diversos grupos, pressupõe-se o fim de órgãos criados para a intervenção direta do governo do estado, como a Reitoria, sendo que seriam os três setores os efetivos “gestores” da Universidade.

Os modelos de como isto se daria podem variar bastante, no entanto, acreditamos que pode ajudar se estabelecemos uma idéia concreta:
Ao invés de “congregações” de unidades (como da FFLCH, FAU, FEUSP), cujos membros se distribuem em proporções tão absurdas como no C.O., com a maioria de professores, seria possível pensarmos em formar um “conselho”, composto por representantes dos três setores, inclusive terceirizados, eleitos por voto universal (como nas eleições nacionais, ou seja um voto por pessoa).
Este “conselho” poderia exercer a gestão, sendo composto por representantes eleitos de forma muito mais democrática, no lugar de figuras como “diretores”, os quais, efetivamente, são quem intervém e impõe as decisões em todas as unidades e cursos, hoje.

Deste sistema, que poderia se desenvolver por toda universidade, poderíamos pensar, num plano superior, na formação de um “Conselho Geral” da Universidade, composto por membros dos três setores, inclusive terceirizados, eleitos em cada unidade de ensino e trabalho (tornando assim todas as unidades representadas), o qual, dirigiria a Universidade, suas decisões e prioridades de maneira muito mais democrática do que o REItor (uma espécie de “moderador” absoluto) e seu C.O. de maioria de professores titulares, os “iluminados” da USP.

Deste modo, a proposta de um Governo Tripartite não significa “aumentar” a proporção e participação dos 3 setores nos atuais órgãos colegiados (como congregações), o que é algo que seria possível mantendo o cargo de Reitor e suas ramificações (superintendências, coordenadorias, em suma, o Reitorado).

Pelo contrário, tal proposta contradiz a de “diretas para Reitor”, pois o “governo tripartite” é um modelo de Governo que visa substituir, sendo uma forma muito mais democrática, o Cargo de reitor e suas ramificações (criados para intervir a serviço dos grandes magnatas e empresas), colocando suas atribuições nas mãos dos 3 setores, através de seus representantes eleitos democraticamente.
Para se chegar a tal proposta, no entanto, seria necessária uma reformulação completa do estatuto da USP e, daí, a ligação entre umaestatuinte e o governo tripartite.

O que é e porque uma Estatuinte livre, soberana e democrática?

É da estrutura de poder, criada para ser uma ferramenta antidemocrática que possa garantir um projeto elitista e de segregação, que emana os principais problemas da Universidade.

Uma Estatuinte (por analogia a “constituinte”) é o processo de elaboração do estatuto da Universidade, no qual se definirão os princípios, prioridades e objetivos desta. Igualmente, se determinará a organização e distribuição administrativa para as unidades de ensino e trabalho, a forma de governo, se haverá reitoria ou governo tripartite, etc.
Em suma, é o momento no qual se deve refletir todas as propostas e problemas da universidade a fim de colocar de pé uma nova estrutura de poder.

É um processo político que revirará a Universidade e colocará em debate quais são seus objetivos frente a sociedade e é justamente por isto que devemos refletir como e quem fará esta Estatuinte.

O conteúdo de “livre e soberana” deve significar, a nosso ver, que uma Estatuinte na USP não pode ser construída por esta estrutura de poder e muito menos por Rodas, mas apenas contra eles.

Sendo a maior universidade do Brasil e estando atrelada aos interesses dos burocratas e empresários, apenas uma estatuinte organizada pelos 3 setores (inclusive terceirizados), através de seus órgãos de representação (centros acadêmicos, associações, sindicatos) e com voto universal para que todos possam se representar em igualdade, é que pode ser “livre, soberana e democrática”, o que significa não parar nas margens do poder econômico que busca dominar a USP.

Desta forma, poderemos dar passos para criar uma USP na qual, ao invés das pesquisas milionárias destinadas à Nike, Avon, Odebrecth, Dersa, teremos não apenas salas, professores, moradias, mas o questionamento do filtro do vestibular que fecha a USP aos negros e trabalhadores, projetos de moradia e urbanização para o povo pobre, médicos com outro tipo de formação, planos de medicamentos baratos para suprir as necessidades população, pesquisas de doenças simples, mas fatais entre os mais pobres (como diarréia infantil), o término da terceirização e incorporação de todos os trabalhadores terceirizados como funcionários efetivos e com direitos iguais, organização de ensino sobre a história da áfrica, dos índios, para o ensino médio, etc.

Tudo isto e muito mais é possível pensarmos se dermos um primeiro passo.
Uma estatuinte deve ser a bandeira que unifica nossa luta, pela transformação e democratização da USP e precisamos levar esta bandeira para além de seus muros mostrando a cada jovem, trabalhador e estudante que a queremos para transformar a USP e colocá-la, enfim, a serviço da maioria da população!

Levantar esta bandeira mostrará ao conjunto do povo e da juventude, aos professores em greve, aos operários em levante, aos oprimidos nas periferias que nossa luta é uma só e, como em junho, iremos por mais!

BALANÇO E PROPOSTAS PARA O MOVIMENTO ESTUDANTIL DA USP DA AGRUPAÇÃO JUVENTUDE ÀS RUAS!




Precisamos avançar com um movimento unificado em torno de uma estatuinte livre, soberana e democrática, e contra a repressão.
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Uma semana do inicio do processo de mobilização da USP. É necessário que o movimento faça um balanço da situação do conflito, da conjuntura nacional e estadual e das possibilidades que se abrem para orientar os próximos passos com um programa e um método organizativo que respondam a altura dos desafios que estão colocados.
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Nacionalmente, nos marcos da situação desencadeada em junho, se abre uma nova conjuntura de fluxo no movimento nacional, com greves de petroleiros, bancários, ecetistas, metalúrgicos e, com maior repercussão, a greve dos professores municipais do RJ, com forte repressão policial. As mobilizações pelas questões democráticas estruturais do país (moradia, questão indígena, questão negra, violência policial – principalmente com Amarildo como símbolo) permanecem abertas. Tal conjuntura se combina com a juventude voltando à cena a partir das estruturas e organizada enquanto movimento estudantil (m.e.). Ao mesmo tempo, as tentativas cosméticas de resposta do governo Dilma com relação às demandas de junho, por um lado, tem se combinado, por outro, com a dificuldade de que sua política repressiva sobre a vanguarda quebre o ativismo permanente desde junho.
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Unificar a luta das estaduais e nacionalmente!


Dois dias após a greve e ocupação da Reitoria da USP, os estudantes da Unicamp ocuparam a Reitoria e agora aprovaram greve contra a presença da Polícia Militar no campus. Essas mobilizações permitem avaliarmos que os processos de junho deixaram uma tensão latente no m.e. de conjunto que, frente ao processo ascendente que se encontra o movimento na USP, pode potencializar o surgimento de um processo de mobilização do movimento estudantil universitário e secundarista nacionalmente, superior ao que foi 2007.
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E é sob essa perspectiva que os estudantes da USP e da Unicamp devem se colocar na tarefa imediata de unificar organizativa e programaticamente as duas mobilizações junto da UNESP e federais paulistas a partir de uma Plenária Estadual que vá para além da articulação entre os DCE’s – gestões eleitas em momento de passividade e que não expressam a mobilização dos estudantes nesses momentos de efervescência.
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É preciso nacionalizar a mobilização estudantil, confluindo com as lutas de trabalhadores em curso, principalmente a dos trabalhadores da educação do RJ - na maior greve em 20 anos, enfrentando dura repressão e conquistando apoio popular, como se expressou no ato de ontem, com mais de 50 mil nas ruas -, ligando as lutas pela educação e contra a repressão a um programa que vise sua democratização de fato, ligando com a questão do acesso, das cotas, do fim do vestibular e do trabalho precário – o que só será possível a partir do eixo de luta por estatuintes nas Universidades.
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Estatuinte: questionar toda a estrutura de poder e a função da universidade!


É somente a partir de uma estatuinte organizada pelo movimento sobre a ruína dessa velha estrutura de poder - que garante o luxo e o privilégio para uma casta política aliada dos magnatas da construção civil, dos acordos ilícitos e espúrios com esse Estado e seus partidos e dos ditadores do regime militar - que poderemos explorar a potencialidade da unificação de um movimento nacional pela educação, combatendo a escola-prisão secundarista, o autoritarismo burocrático dos governos sobre os trabalhadores da educação, a precarização e terceirização do trabalho, a presença militar nas Universidades, a privatização dos meios e fins do conhecimento nas Universidades Públicas, o elitismo e racismo no seu acesso, a mercantilização das faculdades e a forma de gestão anti-democrática das instituições escolares.
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A divisão programática expressa na ultima Assembleia, que obrigou o DCE a aceitar o governo tripartite na pauta, não existe nas bases dos cursos. Porém – diferente das direções à frente do DCE (PSTU e PSOL), que sempre tiveram como estratégicas reformas conciliadoras no marco dessa estrutura de poder – há um sentimento honesto em setores amplos dos estudantes que vêem nas Diretas uma ligação com o questionamento da estrutura de poder muito em sintonia com os questionamentos nacionais a todas as instituições políticas, que permaneceu de junho. É nesse sentido que vemos uma “estatuinte livre, soberana e democrática” que esteja ligada com a dissolução do C.O. e o “Fora Rodas!” – que mesmo no fim do mandato, não deve sair como o artífice de qualquer mudança no regime da USP – como o eixo central do movimento estudantil da USP, junto à questão da repressão.
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Unificar as lutas contra a repressão e defender os processados e o SINTUSP!


Com esses eixos centrais será possível alçar a luta contra a repressão na Universidade na luta contra a repressão fora dela e contra a criminalização dos movimentos sociais. No mesmo dia da ocupação da Reitoria, seis diretores do SINTUSP receberam um processo por lutarem ao lado das trabalhadoras terceirizadas da Higilimp pelo pagamento de seus salários. Rodas tem feito declarações à mídia responsabilizando os que ele chama de “radicais do SINTUSP” pela ocupação da Reitoria em um claro discurso para dividir os estudantes dos trabalhadores e criminalizar o SINTUSP frente à opinião pública. Devemos exigir o fim dos processos e a reintegração dos estudantes eliminados e de Brandão. Assim como exigir o fim do convênio das Universidades com a PM, nos unificando com a Unicamp, e na luta contra a repressão que tem sofrido os professores do RJ, atingindo proporções nacionais, e outros movimentos sociais (vítimados pelas mãos dos mesmos torturadores e assassinos de Amarildo).
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Comando de greve por delegado, pra que os estudantes nos cursos decidam sobre o movimento!
Para garantirmos a construção dessa unidade no movimento e da unificação estadual e nacional das lutas é necessário colocar o movimento nas mãos dos estudantes. A pauta dos estudantes e sua orientação não podem ser controladas pela gestão de uma entidade eleita com um programa em um momento de passividade. A dinâmica do processo de luta exige que a sua direção esteja nas mãos da base. Por isso a conformação de um Comando de Greve com representantes eleitos nas Assembleias de Curso que sejam revogáveis a cada Assembleia é a única forma de articular, desde a base, a unificação organizativa e programática dos processos de luta nas universidades paulistas, e a partir daí confluir com o movimento de greve dos trabalhadores forjando uma aliança operário-estudantil que significaria um salto de qualidade na situação aberta com as Jornadas de Junho.
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Um necessário balanço da última assembleia estudantil


Essas questões fundamentais que levantamos não puderam ser discutidas na última assembleia que esteve claramente dividida entre dar peso ou não para o eixo das Diretas para Reitor no programa com relação à estrutura de poder. Essa divisão polarizou a assembleia entre dois setores: o primeiro, do qual nós éramos parte, que via a possibilidade de retirar esse eixo do programa do movimento em favor da luta por um governo dos três segmentos (tripartite), sem reitorado; e o segundo, composto principalmente pelo DCE, que impedia que a assembleia prosseguisse caso não se votasse as Diretas como eixo do movimento.
Essa situação consumiu a assembleia por mais de 3 horas em questões de encaminhamento, impedindo que o movimento se armasse com as principais questões relevantes para a luta. Apesar de acreditarmos que principal responsabilidade nesse processo cabe ao DCE – que não aceitou que a Assembleia pudesse votar contra a sua posição e, para evitar isso, postergou a Assembleia, amarrando seu encaminhamento, voltando atrás, dispersando e ameaçando se retirar, em uma postura totalmente burocrática –, não deixamos de assumir a responsabilidade frente os estudantes, por termos alimentado o grau de polarização ao qual a Assembleia chegou. Essa auto-crítica se faz necessária fundamentalmente porque achamos que tal polarização é menor para os estudantes da USP, cujo objetivo estratégico da luta passa por uma estatuinte livre, soberana e democrática e pelo combate a repressão na perspectiva de discutir politicamente a unificação com a Unicamp e organizar a nacionalização dessa luta.

domingo, 6 de outubro de 2013

Somos Todos Herman Wallace!


Os "Três de Angola" 
Morre dia 04 desse mês Herman Wallace, ex-militante do Partido Black Panthers. Após 3 dias depois de sua libertação perde a batalha contra seu câncer no fígado. Wallace deixou anos da sua vida num local conhecido pelo seu racismo e que foi construído em cima de uma antiga plantação onde seus irmãos trazidos da África trabalharam como escravos.
                Herman foi detido por roubo e na “Penitenciaria de Angola” (Louisiana) foi condenado à prisão perpétua por homicídio, ele e mais um preso foram condenados pela morte de um guarda em abril de 1972, esse crime nunca foi provado. Foi colocado em isolamento, em Angola e depois em Saint Gabriel. Mais de 81 mil presos são mantidos em confinamento solitário ainda nos EUA, alguns cometem suicídio ou se autoflagelam.
                Conhecido com um dos “três de Angola”, nome dado a ele e mais dois companheiros que foram presos, todos dos Black Phanters. Wallace foi o segundo de seus companheiros a ser solto, Robert King foi libertado depois de 29 anos de prisão e Albert Woodfox continua detido.
                Essas prisões fizeram parte do processo de repressão brutal que o governo norte americano teve que usar para tentar acabar com os Black Phanters, um partido negro revolucionário que ensinou para os negros do mundo inteiro que era preciso agir em auto defesa, se organizar para garantir seus direitos e que diziam em alto e bom som que era preciso acabar com esse sistema que oprime e explora.
                Não é a toa que ex-militates desse partido ficaram presos por tanto tempo, se os Black Panthers deram o exemplo de resistência para negros do mundo inteiro o governo norte americano tinha que mostrar para os que se inspiraram nesses lutadores qual seria o futuro de qualquer outro grupo que tentasse seguir os mesmos passos.
                Quando um setor, como os negros nos EUA se levanta contra a exploração de forme revolucionária é um enorme perigo para a burguesia, como mostra o exemplo dos Panteras Negras, Malcon X, CRL James entre outros. Estes perceberam que quem mantem o racismo é a burguesia, que para garantir seus lucros precisa dividir os trabalhadores, entre brancos e pretos, mulheres e homens e etc. É preciso se colocar contra o capitalismo com todas as armas que temos, assim como fizeram esses lutadores.
Herman Wallace e Albert Woodfox
                A luta contra o racismo é de todos os trabalhadores e da juventude, e só aliados à classe trabalhadora podemos avançar nessa luta atacando com um só punho a classe que mantem essa opressão para garantir seus privilégios. É preciso tomar o exemplo da aliança entre negros e a classe trabalhadora em nossa história, como os padeiros no Rio de Janeiro que organizavam greves e falsificavam alforrias para garantir a folga de escravos, como o D.R.U.M nos EUA que fizeram greves radicais na fábrica Doge em Detroid enfrentando a burocracia sindical polonesa e exigindo iguais direitos para trabalhadores brancos e negro, etc.
                Herman Wallace vive em nós, vive em cada jovem negro que luta todo dia pela sua vida, nas mulheres negras que são obrigadas a se submeter à trabalhos precarizados sendo tratadas ainda como escravas e em cada criança negra que consegue vencer a fome. Continuaremos lutando para acabar com o racismo e com essa sociedade doentia que mata e encarceram milhões de negros para garantir boa vida a poucos.

SOMOS TODOS HERMAN WALLACE!
LIBERDADE IMEDIATA AO ALBERT WOODFOX!
UNIDADE DOS NEGROS E DA CLASSE TRABALHADORA CONTA O RACISMO!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A reitoria da USP está ocupada! É hora de ir por mais!

Hoje, um ato com centenas de estudantes, funcionários e professores exigindo democracia na USP culminou com a ocupação da reitoria por parte dos estudantes. Depois da recusa do Conselho Universitário (CO) a sequer fazer uma reunião aberta, os estudantes entraram no prédio. O DCE colocou para o movimento sua proposta de manter uma ocupação na reitoria com a seguinte pauta: anulação da reunião de hoje do CO e a realização de um plebiscito organizado pela própria universidade a respeito da estrutura de poder. Neste plebiscito constariam apenas as propostas “oficiais” apresentadas na própria reunião do CO, que incluem as do DCE e da Adusp, mas não, por exemplo, a votada pelos trabalhadores em seu congresso ou de outros setores da universidade.
A ocupação da reitoria ocorre em um momento de mobilização na USP, em que diversos cursos vêm protagonizando importantes mobilizações por suas pautas específicas, como nas greves da EACH e Direito, mas também em mobilizações na FEA e FAU. Não apenas na universidade, mas em todo o país a situação política depois de junho é bastante distinta: a derrubada dos aumentos das passagens mostrou a todos que é possível a partir de nossa mobilização independente arrancar dos governos as nossas demandas. Ainda que os atos massivos não estejam mais nas ruas, ainda há importantes mobilizações como as greves de professores no Rio, a greve dos Correios e de Bancários, mobilizações da juventude por diversas questões ao redor do país. As promessas dos governos podem ter conseguido acalmar temporariamente, mas não puderam calar o impulso que levou milhões às ruas.
Neste sentido, a ocupação da reitoria da USP tem um enorme potencial para conseguirmos colocar de pé novamente o movimento estudantil, ligando as demandas de cada curso com os problemas mais profundos da universidade e da sociedade, e ligando-se com os trabalhadores efetivos e terceirizados da USP e as mobilizações em curso. Para isto, precisamos ir a cada curso discutir com os estudantes nas salas de aula e a necessidade de comparecer à assembléia geral de hoje, fortalecer a ocupação e construir uma greve unificada, transformando a ocupação não em um fim em si mesmo mas em um ponto de apoio para mobilizar todos os cursos.
A proposta do DCE de levantar como pauta da ocupação um plebiscito organizado pela reitoria está no sentido oposto: coloca todo o potencial da mobilização dos estudantes para exigir da reitoria mais um instrumento institucional de pressão, no qual a única expressão dos estudantes será votar em propostas feitas pela própria burocracia acadêmica ou, no máximo, pela direção do DCE. É necessário que confiemos nas forças de mobilização dos que são a maioria da universidade, os estudantes e trabalhadores. É porque temos nas nossas mãos a força de parar a universidade que também consideramos insuficiente a proposta do DCE para democratizar a universidade, que se baseia em eleições diretas e paritárias pra reitor. Não apenas na “paridade” o voto de um professor vale o de cerca de 16 estudantes ou 5 funcionários efetivos (os terceirizados sequer votariam!), mas também aponta como problema apenas quem é o reitor, esquecendo-se que a universidade é gerida por um punhado de professores titulares reunidos no CO, que decidem seus rumos de acordo com seus interesses particulares.
É hora de colocar dentro da USP o espírito de junho, avançando para exigir a democratização radical da universidade! Temos que fazer a reitoria recuar nos principais ataques que fez ao movimento nos últimos anos, e para isto exigir a retirada dos processos existentes contra o Sintusp e estudantes, a reintegração dos estudantes que permanecem expulsos e de Brandão! Levantemos a bandeira da dissolução do CO e uma Estatuinte Livre e Soberana convocada a partir de nossa mobilização. Por um governo da universidade composto pelos professores, funcionários e com maioria estudantil! Lutemos pela democratização do acesso à USP, com a implementação de cotas para negros proporcionais à população do Estado e pelo fim do vestibular que mantém a juventude pobre, negra e trabalhadora de fora! Lutemos pela democratização do trabalho na universidade, acabando com as empresas terceirizadas cujos donos são os próprios membros do CO e exigindo a efetivação imediata de todos os terceirizados, com iguais direitos e salários aos dos efetivos!

Por uma universidade sem burocratas!
Dissolução do CO e do reitorado!
Estatuinte Livre e Soberana!
Por um governos tripartite com professores, funcionários e maioria estudantil!

TODOS À ASSEMBLEIA DOS ESTUDANTES HOJE, 18h, EM FRENTE À REITORIA!

Polícia na Unicamp: quais são os motivos que estão por trás dessa política?




Juventude ÀS RUAS! Campinas
Após a trágica fatalidade que tirou a vida de um jovem estudante dentro da Universidade, a Reitoria da Unicamp vêm buscando se utilizar de maneira escandalosamente oportunista desse fato para impor um projeto que há muito almejava: firmar um convênio que permita a presença da polícia no campus.
O caso do assassinato desse estudante trouxe uma forte repercussão nacional, com a mídia se utilizando dos seus métodos sensacionalistas para explorar ao máximo uma tragédia pessoal em função dos seus índices de ibopes. Como não poderia ser diferente Geraldo Alckmin, governador do estado de São Paulo, dispôs de prontidão seu efetivo da polícia militar, umas das mais assassinas do mundo, para garantir a “segurança” do campus. O Reitor da Unicamp José Jorge Tadeu aceitou a polícia que tirou a vida de Amarildo e de centenas de milhares Brasil afora, com o suposto argumento de “melhorar a segurança do campus”.
No dia seguinte ao assassinato que ocorreu durante uma festa na universidade, a Reitoria já vêm trilhando um plano meticulosamente planejado para aproveitar da opinião pública para lavar as mãos diante de suas responsabilidades, lançando notas culpando os organizadores da festa pela tragédia, com o objetivo de criminalizar aqueles que legitimamente defendem a ocupação do espaço público. Longe de buscar garantir qualquer forma de segurança, o principal objetivo da Reitoria é liquidar com qualquer manifestação cultural e política dentro da universidade aprofundando seu projeto produtivista, com uma universidade cada vez mais hostil a sociedade que a circunda. Uma clara demonstração disso é que sistematicamente atribui a população o termo “pessoas estranhas à universidade”, o que demonstra mais uma vez seu racismo envolto de elitismo - nada mais consequente com o ultimo ataque da Universidade que tirou o vestibular do nordeste, impedindo que a população de cidades como Fortaleza possam fazer a prova da Unicamp.

Assim a Reitoria pretende criar o falso argumento de que o caso de violência só aconteceu pelo fato de estar ocorrendo uma festa. Escolhe percorrer esse caminho para que a conclusão lógica seja o fim das festas e a legitimação da entrada da polícia. O que prefere não dizer é que vivemos em um dos países mais violentos do mundo fruto de suas enormes desigualdades sociais onde a violência é um instrumento do próprio Estado para manutenção dessa sociedade onde nem mesmo direitos elementares são garantidos para todos. Se esquece de dizer que ela mesmo criou uma universidade completamente “estranha” a maioria da população, fechada pelo filtro social do vestibular, onde toda sua produção acadêmica está longe de ser destinada a resolver os problemas da sociedade.

Para manter esse projeto sem contestação, seja de movimento políticos ou culturais, necessita da força policial. Essa tentativa não é de hoje, e a Reitoria já encara essa como uma “oportunidade de ouro” para de fato sacramentar um convênio que autorize a polícia permanentemente na universidade. Essa é uma política consciente do conjunto das Reitorias (CRUESP –Conselho de Reitores do Estado de São Paulo), e se observado através dos últimos anos é claro um aprofundamento de sua implementação. Desde 2009, quando a PM entrou na USP para reprimir uma greve de trabalhadores daquela universidade. No ano de 2011, a Reitoria da USP se utilizou da mesma manobra agora perpetrada por Tadeu, quando um jovem foi assassinado no interior daquela universidade. Com os mesmos argumentos João Gradino Rodas –Reitor da USP – firmou um convênio com a PM, ferindo gravemente a autonomia universitária e que teve como consequência nada menos do que um efetivo de 500 policiais invadindo a Universidade para prender 73 estudantes e trabalhadores que lutavam contra sua presença na universidade, cenas essas que poderiam ser associadas diretamente com os anos de Ditadura Militar.

Na Unicamp não é diferente, e no passar dos anos na medida que a ação policial no interior da Universidade foi se intensificando seus efeitos foram sendo mais sentidos pela comunidade acadêmica. Não esqueceremos que no ano de 2004 Elgim Borges, jovem negro, estudante de Tecnologia em Saneamento Ambiental, foi brutalmente assassinado pela polícia no campus de Limeira com um tiro nas costas. A polícia se justifica afirmando o ter confundido com um “suposto assaltante”! É ultrajante que essa polícia que já tirou a vida de uma estudante - e que tira cotidianamente de centenas de pessoas - seja conclamada novamente a pisar com suas botas na universidade! Sabemos que onde a polícia está presente a violência só aumenta, basta olharmos a implementação das UPP’s nas periferias do Rio, onde casos como o do Amarildo são recorrentes.

Não nos esquecemos das consecutivas vezes que PM entrou para tentar fechar a Rádio Muda, ou quando a serviço do ministério público e da reitoria impediu que acontecesse o tradicional festival cultural IFCHStock, nem mesmo quando entrou na Moradia Estudantil para reprimir a legítima demanda por mais vagas na moradia.
Sabemos que os desfechos, caso se efetive esse convênio, serão de extrema gravidade. Na Unifesp, nas portas dessa universidade, um trabalhador dela após questionar uma abordagem policial, foi colocado dentro da viatura da polícia e depois apareceu sem vida, abrindo um imenso processo de questionamento da violência policial daquela universidade. Em meio a um processo de repercussão nacional e internacional, onde todos se perguntam “Onde está Amarildo?” com amplo questionamento da corporação policial, não podemos aceitar que o Reitor da Unicamp que a PM se institucionalize dentro da Universidade. Sabemos que a repressão ao movimento estudantil e de trabalhadores, às festas e manifestações culturais, ou mesmo a presença no campus daqueles que a Reitoria julga serem setores “estranhos a universidade”, estará colocada sob o fuzil das fardas policiais.

Tadeu que fez sua campanha para Reitor com o suposto epíteto do diálogo e da democracia mostra sua verdadeira face. Não poderia ser diferente na Universidade que tem seu Estatuto herdeiro da ditadura, como uma estrutura de poder profundamente anti-democrática. Com plenos poderes, Tadeu ainda afirma que pretenderá sindicar os organizadores da festa. Não permitiremos nenhuma punição aos que lutam por universidade rica culturalmente e aberta a toda população, é fundamental defender todos as tentativas de repressão da Reitoria.

É necessário que unifiquemos força com uma ampla campanha e gritar em auto e bom som “Fora PM das Universidades, Bairros, Morros e Favela! Nenhuma punição para quem ocupa o espaço público”, onde o DCE e os CAs, como o CACH, devem cumprir um papel fundamental, organizando agrupações e coletivos estudantis, organizações de direitos humanos, para expulsarmos a polícia da universidade e luta que para esta seja de fato pública, democrática e a serviço de toda a população.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Elysium contra o “fim da história”¹




Quando uma onda de protestos de massas e greves operárias tomaram conta do Egito e derrubaram o ditador Mubarak, no auge da Primavera Árabe, em fevereiro de 2011, a própria burguesia reconheceu, por meio de alguns de seus representantes, como intelectuais e jornalistas, que a teoria do fim da história estava questionada. Tais fatos impuseram tamanha reorientação ideológica de tão profundos e significativos que foram. Outros acontecimentos de importância histórica vieram, marcados pela maior crise capitalista que já existiu, e os defensores de que “não há mais classe operária”, “não há mais luta de classes” etc. precisaram mudar seu discurso. Elysium é indústria cultural, é Hollywood, é muito mais um filme de ação com ficção científica do que um filme de política, não forçaremos a barra, mas também não é só isso. A seu modo, ele também ocupa um lugar na psicologia das massas que ajuda a varrer o pó daquela fajuta teoria de “fim da história”.

O diretor Neil Blomkamp é um sul-africano branco que cresceu em meio ao grotesco e sanguinário regime de apartheid, sendo que tinha 15 anos quando Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro do país, em 1994. A julgar pelo seu presente, foi um jovem impactado pela esquerda com todo o processo. Seu filme anterior, Distrito 9 (de 2009), faz uma metáfora justamente sobre oapartheid, num contexto futurista, substituindo os negros por alienígenas. A metáfora da vez é sobre a luta de classes, mas agora sem substituição de personagens. Blomkamp coloca nas telas de todo o mundo o mais clássico operário, metalúrgico, de macacão azul e que aperta parafusos, como o herói da sua história. Os vilões também não podiam ser mais clássicos: empresários gananciosos, governantes corruptos, os ricos, em uma palavra, a burguesia. Comparado com clássicos do seu gênero, como Mad Max (1979), Exterminador do futuro (1984) e Matrix (1999), logo se vê que Elysium tem um contexto diferente.

Cenas como o acidente de trabalho sofrido pelo personagem principal, quando é coagido por seu supervisor de linha a arriscar a própria vida para não atrasar a produção, ilustram os acidentes que acontecem a cada 15 segundos em nosso mundo, sendo 5 mil mortes do tipo por dia, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). A precariedade dos hospitais públicos, a repressão policial e a forte pressão social para que trabalhadores busquem no crime formas mais viáveis de aproveitar a vida são outros exemplos do que o Blomkamp queria dizer quando respondeu a jornalistas: "Todo mundo quer me perguntar ultimamente sobre as minhas previsões para o futuro"..."Não, não, não. Este não é ficção científica. Este é hoje. Este é agora"².

É verdade que no filme, o personagem principal, apesar de trabalhar na fábrica central do sistema, não age com consciência ou interesse de classe. Apesar disso, também vemos que o que move o segundo personagem (algo como um crime organizado) é uma busca para que todos sejam reconhecidos como cidadãos, desfrutando então dos avanços dos meios de produção, para acabar com as doenças e a miséria. Talvez, na metáfora a estratégia que prima, se assim podemos dizer, seja mais para a guerrilha, mas isso é outra discussão. Uma pena que, aparentemente, Neil Blomkamp não conheça ideias como as de Trotsky, quando o mesmo diz “O proletariado produz armas, transporta-as, constrói os arsenais em são depositadas, defende esses arsenais contra si mesmo, serve no exército e cria todo o equipamento desse último. Não são fechaduras nem muros que separam as armas do proletariado, mas o hábito da submissão, a hipnose da dominação de classe... (Aonde vai a França?), para aguçar sua inspiração politizada. De qualquer forma, Elysium varre a poeira de fim da história porque, mesmo sem ser essa a intenção de Neil Blomkamp, mostra como o poder dos que exploram vem do trabalho dos que produzem. E mesmo que o desfecho por ele proposto seja questionável, sua lógica de recolocar a dinâmica da luta de classes como motor dos acontecimentos mais importantes da humanidade, num filme que será assistido por milhões de jovens em todo o mundo, merece uma saudação.




¹Teoria que vem do século XIX, resgatada e revigorada pelo norteamericano Francis Fukuyama, em 1992. Segundo ele, após a queda do Muro de Berlim (1989), com a “derrota do socialismo real”, a humanidade haveria chegado ao máximo de sua evolução, que seria a democracia liberal. Com isso, negava a necessidade histórica dos trabalhadores organizados tomarem o poder de modo revolucionário e reorganizarem a sociedade sob novas bases materiais para libertar a humanidade das contradições do capitalismo.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Chamado ao ato dos bancários 24/09 - 16h - no MASP

Em junho o Brasil saiu da inercia e mostrou sua vontade de mudança. Hoje são os bancários que levantaram a cabeça e resolveram enfrentar seus patrões que os exploram diariamente. Cansaram das condições de trabalho, das metas, do assédio moral e do adoecimento físico e psicológico. O que é ruim para o bancário de um lado, é ruim para a população trabalhadora também do outro, que além de esperar horas nas filas, paga tarifas abusivas, juros extorsivos e sofre com a venda casada. Tudo isso para garantir as altas taxas de lucro dos bancos!

Neste sentido que fazemos um chamado à toda a juventude que em junho se levantou para compor o ato dos bancários e apoiar este setor da classe trabalhadora. Nós da Juventude às Ruas temos nos incorporado a essa luta e aos piquetes (como na Caixa na rua 7 de abril em São Paulo e na Sé, parando totalmente a maior agência de São Paulo, o que não acontecia a mais de 10 anos!) pois entendemos que as ações da juventude de quebrar bancos, apesar de entenderem corretamente que os bancos existem apenas para nos explorar, não é suficiente, que o único modo de atingir o bolso do patrão é parando a produção, ou seja, greve.

Nenhum grito de indignação passará despercebido novamente! Nossa solidariedade é fundamental neste momento inclusive por que a burocracia sindical trabalha mais do lado do patrão e do governo do que dos trabalhadores. Por uma juventude que se coloque ao lado dos trabalhadores. Hoje são eles que sofrem com o trabalho precarizado, amanhã seremos nós.


Ato dos bancários, amanhã, 24/09  às 16 horas no Masp
ÀS RUAS!!!!

Evento: https://www.facebook.com/events/552672941452391/

Greve dos Bancários - Nota de Edison Urbano aos estudantes da USP

Companheirxs,

Escrevo em meio à luta nacional dos bancários, uma categoria de grande tradição histórica em nosso país, e que precisa se enfrentar não apenas com a dura resistência dos banqueiros e do governo federal, mas com as próprias direções sindicais que vêm enterrando as últimas greves sem conquistas reais.

É por isso que nos enche de entusiasmo o fato de que nesses primeiros dias de greve, tenhamos contado com a ajuda decisiva dos estudantes da USP, em particular do CAELL e da Juventude Às Ruas, para realizar importantes ações independentes da burocracia sindical, que representam um marco e apontam para um fortalecimento qualitativo da oposição bancária como alternativa para os trabalhadores, que estão cheios de descontentamento, porém se deixam paralisar pela desconfiança na sua direção oficial.

Fernando Pardal, em apoio
ao piquete da 7 de Abril
Na quinta feira, primeiro dia da greve, realizamos um piquete que parou completamente a agência 7 de Abril da Caixa – que se tornou uma referência combativa nas últimas duas greves – fechando até os caixas eletrônicos. Como poderão ver nos vídeos que gravamos, a ajuda que o CAELL nos disponibilizou, emprestando sua caixa de som, e a presença dos militantes da Juventude às Ruas, foram fundamentais para ampliar o diálogo com a população, e inclusive para impedir uma tentativa da PM de desmoralizar o piquete, ameaçando nos levar a prestar esclarecimentos na delegacia pelo fechamento dos caixas.
 
 
 
 
Pique da Superintendência da Caixa na Sé - Juventude às Ruas
e bancários de oposição do Uma Classe

A importância da aliança operário estudantil se mostrou novamente no dia seguinte, quando conseguimos algo que não acontecia há muitos e muitos anos: paramos totalmente o prédio central da Caixa onde funcionam a Ag. Sé, uma das principais da cidade, e a Superintendência da regional centro. Logo pela manhã utilizamos o aparelho de som para dialogar com xs trabalhadorxs terceirizadxs do prédio, colocando como nós, bancários de oposição, defendemos seus direitos e lutamos pela incorporação de todxs ao quadro de efetivos sem concurso público, assim como vocês, estudantes da USP na greve dxs terceirizadxs da União e da Higilimp.

Assim como entendemos que sua luta na universidade é fundamental para que o conhecimento produzido possa estar a serviço de toda a população, nossa luta nos bancos tem o mesmo sentido: queremos colocar o sistema financeiro nas mãos dos trabalhadores e a serviço da população pobre.

A juventude nos mostrou em junho que podemos passar por cima das barreiras que nos impedem de avançar na conquista de nossas demandas, e na perspectiva de que essas pequenas ações na greve possam apontar para uma aliança estratégica entre a vanguarda dos trabalhadores e do movimento estudantil, quero agradecer o apoio de todos e convidar os estudantes da USP para somar força nas próximas ações da greve, em especial o ato que será realizado terça-feira na av. Paulista a partir das 16h, com concentração no vão livre do MASP.

Edison Urbano, delegado sindical da agência 7 de Abril da Caixa, militante da oposição bancária e da LER-QI.
 
 
Edison, delegado sindical da Sete de Abril e militante da agrupação Uma Classe e da Liga Estratégia Revolucionária, fala para a população após a tentativa de dissolução do piquete. Em defesa dos trabalhadores e do direito de greve!

https://www.facebook.com/photo.php?v=528586517217900&set=vb.398260290250524&type=2&theater
Marcela, militante da Juventude às ruas e da LER-QI fala a população sobre a inconstitucional tentativa de ataque ao direito de greve e a violência policial contra a juventude negra.  

Nota de pesar da Juventude ÀS RUAS sobre a morte do estudante Denis

Por Juventude ÀS RUAS! Campinas

Na madrugada do dia 21/09, Denis foi morto a facadas na praça central do campus da UNICAMP durante uma festa. Nós da Juventude às Ruas expressamos todo nosso pesar e sentimentos à família e amigos dele. Uma tragédia que tem profundas raízes sociais, e a Unicamp, justamente por ser um centro de ensino tão afastado da cidade de Campinas, de sua população pobre e trabalhadora, das circunstâncias cotidianas de sua vida, concentra ainda mais estas contradições sociais, e não está isenta destas situações trágicas. Acreditamos que esta fatalidade ocorrida com Denis, infelizmente resultado de todo um tecido social de opressão que no capitalismo abrange inevitavelmente os espaços de sociabilidade da juventude, não pode ser tratada como um fenômeno que se explica por si mesmo, isolada da realidade da Unicamp que, como universidade-empresa ligada a satisfação dos interesses das grandes corporações que desde o regime militar utilizam a produção de conhecimento contra a imensa maioria da população, gera uma separação profunda entre os poucos que conseguem superar seus filtros de exclusão e a imensa maioria que fica detida neles.

Para lutar contra esse Projeto de Universidade, que é a causa real da morte de Denis, queremos que toda a comunidade universitária discuta a democratização radical da universidade. Por isso, é importante que o DCE chame uma assembleia geral para que o movimento estudantil tenha uma posição política independente da reitoria e da polícia como forma definitiva de impedir que a Universidade de elite não tire mais uma vida de um jovem. Essa proposta radical vem do entendimento de que a reitoria, através de seu projeto excludente, e a polícia, a mais violenta do mundo, são os verdadeiros inimigos a serem combatidos.

Temos claro que o culpado direto pelo ocorrido é a Reitoria e este regime universitário excludente, que proíbe, persegue e reprime a realização de quaisquer atividades de socialização em seu interior. Impede que os estudantes possam organizar seus espaços artísticos e culturais, por que quer manter seu projeto de universidade elitista, vazia de ideias e vida, para que os estudantes sejam formados na lógica produtivista, de patentes e projetos, e não produtora de conhecimento. Quer manter a juventude pobre fora da Universidade. Vale-se ardilosamente dessas casualidades fatais para depositar a responsabilidade nas “pessoas alheias à comunidade universitária”, os elementos “de fora”, para fugir totalmente à raiz do problema e tratar de convencer que nada disso ocorreria se a universidade pública “realmente tivesse autonomia frente à sociedade”. Esse velho relato, imitado nas páginas da grande mídia e da cínica assessoria de imprensa da Unicamp, não tem compromisso nenhum com a luta pelo fim destas tragédias no seio da juventude. Comprometem-se com os privilégios recebidos por uma burocracia acadêmica que separa o conhecimento da sociedade.

Queremos que as pessoas de fora, ou seja, a juventude pobre, os trabalhadores, entrem na universidade. Que esteja aberta e viva dia e noite, controlada por toda a população que a financia através do ICMS, é a condição primordial para que seja um espaço de integração e avanço do conhecimento. Somos intransigentemente defensores da tomada dos espaços públicos pela população e defendemos a realização de festas e atividades culturais como um espaço de cultura e lazer, mas também como um momento específico sobre o qual essa juventude ora excluída da universidade possa se aliar os estudantes e questionar totalmente este regime violento e opressor! Nesse sentido é importante que todo o movimento estudantil se coloque contra qualquer possibilidade de repressão aos organizadores da festa, à Rádio Livre que é constantemente reprimida e tendo seus equipamentos apreendidos pela Polícia Federal, mantendo-se como um pólo de resistência através de festas e atividades que se colocam contra a política da reitoria. Defendemos a continuidade da política de festas na Unicamp, pois estas são responsáveis pela integração e pelo combate às opressões, e não a razão delas! E que os estudantes se organizem para que possamos garantir as festas, bem como organize comissões independentes da reitoria para averiguar quaisquer casos de violência.

Mais policiais e delegacias, até mesmo mais “seguranças” para a Reitoria de Tadeu, Rodas e do CRUESP, não respondem em nada a questão. Não esquecemos os milhares de jovens assassinados pela polícia, que depois de junho provou ainda mais sua cara repressiva torturando centenas de manifestantes, matando dezenas no Complexo da Maré, que desapareceu com Amarildo no RJ, assassinou Ricardo em frente à Unifesp, e centenas mais. Por isso não podemos ter qualquer ilusão que a solução dessas fatalidades que ocorrem nas festas está em mais policiais, essa instituição que é manchada pelo sangue do massacre do Carandiru, da repressão à greve dos trabalhadores, a tortura e da ditadura. De uma instituição que não tem o intuito de garantir a vida das pessoas, mas sim os interesses das elites e a propriedade privada.
Bem como os guardas universitários, que não são nem de longe patrimoniais. Qualquer um que já tenha organizado uma festa, pichadores, skatistas, sabem que os guardinhas têm como orientação reprimir o movimento estudantil e a juventude que tenta entrar na universidade. Por isso, guardinhas “treinados” são guardinhas mantidos por esta Reitoria e este regime opressores: serão treinados para manter uma estrutura de poder antidemocrática e empresarial.

A Universidade que deveria ter o objetivo de conseguir responder aos reais problemas da juventude, como saúde, cultura, educação, na verdade fecha suas portas para a juventude pobre e negra mantendo o vestibular, a falta de permanência estudantil, se cala frente a serie de casos de violência contra a mulher, como nos diversos casos de estupro nos quais a reitoria foi totalmente conivente. Que nosso grito de BASTA seja para a Reitoria racista e elitista.

Todo apoio à greve dos ecetistas!

Por Juventude ÀS RUAS! Campinas


Na última quarta-feira, dia 18 de setembro, o grito dos ecetistas se uniu aos gritos da juventude em junho! 
Em Campinas, na assembleia da categoria, decretaram greve pela campanha salarial, já que além de suas péssimas condições de trabalho, a sobrecarga de trabalho pela falta de trabalhadores no quadro de funcionários –o que faz com que muitos ecetistas percam sua saúde nos correios-, o aumento de salário mal cobre a inflação e o plano de saúde que está sendo privatizado. Além disso, a terceirização se faz cada vez mais presente.
Estes ataques aos ecetistas não acontecem isolados, hoje vemos como bancários, metalúrgicos e outras categorias se colocam na luta contra a precarização de seu trabalho e de sua vida, com mais força do que em anos passados. Assim, a força da juventude que foi às ruas e conseguiu barrar o aumento das passagens, segue viva na força e na certeza dos trabalhadores de que só lutando se conquista.
Achamos que é central, superando a manobra que as burocracias sindicais tentaram fazer em junho de separar os trabalhadores das mobilizações e da juventude, que lutemos pelo contrario, contra esses verdadeiros braços do governo e da patronal no movimento operário, precisamos unir a juventude e à classe trabalhadora, aquela que pode realmente impor perdas à burguesia e aos governos, para conquistarmos mais direitos!
 
Quando a juventude gritou BASTA! à precariedade dos serviços públicos, à fila do SUS, às escolas-prisão, ao transporte público que arranca da juventude e do trabalhador o seu salário para colocá-lo no bolso dos capitalistas, estava defendendo demandas de toda a população, mas quem mais é atingido por elas são os trabalhadores. É unificando a luta da juventude e dos trabalhadores, que poderemos acabar com a exploração e a precarização da vida.

Nós da Juventude ÀS RUAS! declaramos total apoio à luta dos ecetistas, que ela triunfe!