Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

SETE DE SETEMBRO: REPRESSÃO EM TODO O BRASIL!


O dia 7 de setembro de 2013 foi um dia de luta no Brasil. Cerca de 40 cidades ao redor do país se levantaram duramente contra os governos municipais, estaduais e federal. Os enfrentamentos com a polícia lembraram os momentos mais radicalizados das jornadas de Junho e a truculência policial chegou a níveis ainda mais alarmantes. Nós, da Juventude Às Ruas, queremos compartilhar algumas das experiências que tivemos nesse dia e refletir sobre alguns pontos para que avancemos nas mobilizações e construamos novas jornadas de luta em Setembro.
Em São Paulo, o dia começou com o Grito dos Excluídos, tradicional marcha convocada por setores da Igreja, movimentos sociais e da esquerda, e terminou com dezenas de jovens e trabalhadores presos pela polícia militar. Entre diversos atos espalhados pela cidade, desde desfiles cívico-militares até manifestações que questionam a repressão estatal, o feriado paralisou a cidade paulista.
A partir da conformação de um ato organizado principalmente pelos Black Bloc’s, centenas de jovens se colocaram às ruas para lutar contra a repressão policial, contra o genocídio nas periferias, contra os privilégios dos de cima, contra a Copa da FIFA, por melhorias na saúde, educação e transporte e foram duramente reprimidos. Foi um ato que deu um novo fôlego às mobilizações e infelizmente em São Paulo setores da esquerda (Juntos/PSOL e PSTU) decidiram não construí-lo.
Das 525 detenções (até onde sabemos) ocorridas hoje, cerca de 41 aconteceram em São Paulo e foram fruto direto da truculência da polícia. Estivemos no 1º DP para nos solidarizarmos com seis dos companheiros presos por lutar, onde presenciamos a expulsão de seus advogados por parte do delegado de polícia, que ficou sozinho com eles para interrogá-los. Estes seis, dentre eles um menor de idade, podem ser indiciados por tentativa de homicídio, processo inédito em manifestações. Nem em Junho vimos tais acusações. Que ocorreram, aliás, no mesmo dia em que um Policial Militar disparou tiros de arma letal, sem que isso sim seja considerado tentativa de homicídio. Dois repórteres foram atingidos (um deles encontra-se no hospital, com um tiro de raspão no queixo, e outro com ferimentos causados por estilhaços). Dois manifestantes foram atropelados por viaturas da Polícia Militar, que cortavam o centro da cidade em uma densa demonstração de força repressiva. Os vídeos seguem na internet, enquanto as grandes mídias deixam de veicular as formas de violência mais brutais da polícia. Em Brasília, a PM chegou a soltar cachorros contra os jornalistas! As bombas de gás lacrimogêneo, as balas de borracha, os sprays de pimenta, os cassetetes, ou seja, os mecanismos de repressão, já não servem mais para frear as mobilizações de rua e cada vez mais a polícia mostra sua verdadeira face.
Episódios como esses, de brutal repressão, repetiram-se em diversas cidades e capitais brasileiras, contra mais de dois mil manifestantes em São Paulo e cerca de 20 mil em todo o país, segundo a grande mídia. Mas não nos surpreendamos! A violência que aparece agora contra todos aqueles que se levantam é a mesma que ocorre diariamente nas periferias de todo o país há décadas. A polícia de São Paulo é a que mais mata no mundo (de acordo com dados da ONU). Sistematicamente assassinando a população pobre e negra nas favelas, a mesma que historicamente é marginalizada da sociedade e que ocupa os postos de trabalho mais precários.
Essa é a mesma polícia que reprime greves de trabalhadores no país há anos. Os operários da construção civil de Belo Monte e Jirau, por exemplo, paralisaram as obras do PAC em 2011 (por melhorias nas condições de trabalho) e foram submetidos a um verdadeiro campo de concentração por parte da Força de Nacional de Segurança, de Dilma. As forças repressoras do Estado, cada vez mais questionadas, escancaram seu papel de classe, na manutenção da propriedade privada e privilégio de pouquíssimos indivíduos. Foram as UPP’s de Cabral que desapareceram com Amarildo! Isso nos leva a defender a dissolução de todas as polícias que, por dentro desse sistema, baseado na exploração de muitos para o lucro de poucos, numa sociedade dividida em classes, continuarão cumprindo o mesmo papel, reprimindo, violentando e assassinando cotidianamente os que estão à margem da sociedade.
Nesse sentido, as organizações e partidos de esquerda, os sindicatos, as entidades estudantis, a juventude e os trabalhadores do Brasil têm uma tarefa importantíssima: defender seus lutadores presos, lutar contra a repressão policial do Estado e fazer ecoar as vozes de todos os oprimidos do país e do mundo afora. Queremos nos forjar como uma juventude que pense como superar esse sistema que não nos dá nenhuma perspectiva para o futuro e que nos explora cotidianamente. Que pense em como acabar com as mazelas impostas à juventude e aos trabalhadores. Mas que não apenas pense, e sim que seja sujeito ativo do processo de superação delas. E é por isso que achamos que as mobilizações de rua, combativas e radicalizadas, são importantes chaves do processo, mas que não são suficientes para organizar a juventude e os trabalhadores na luta contra a polícia e os governos, pois não atacam diretamente os lucros dos empresários. Não basta apenas pararmos o trânsito das cidades, é necessário parar a produção e circulação de mercadorias! Pelo papel que cumprem, de produzir tudo em nossa sociedade, apenas os trabalhadores podem atacar diretamente o bolso dos grandes capitalistas, colocar a burguesia de joelhos e organizar a produção a serviço das necessidades de todos. É com essa perspectiva estratégica que a juventude que hoje toma as ruas das grandes cidades e enfrentam a repressão policial e do Estado devem se colocar: a refletir como nos ligamos e fortalecemos a organização os trabalhadores a partir de seus locais de trabalho, exigindo e denunciando a burocracia sindical para que os trabalhadores passem por cima desses verdadeiros agentes da burguesia dentro do movimento dos trabalhadores.
Devemos continuar nas ruas, tendo em vista os ganhos que nelas já obtivemos. Mas trazemos às mobilizações de setembro as experiências de junho. Se não nos organizarmos em espaços democráticos, desde nossas escolas e universidades, locais de trabalho e bairros, conformando um comitê que pense política e organizativamente nossa intervenção nos processos que prometem se reabrir, não avançaremos por maiores conquistas e facilmente nos desarticularemos.
Este é o momento histórico de transformarmos radicalmente a sociedade em que vivemos. Se não nos organizarmos conscientes de nossas tarefas, não poderemos avançar em nossos questionamentos e conquistas!



* Liberdade imediata para todos os presos por lutar e fim dos processos criminais!

* Por uma ampla campanha democrática impulsionada por entidades estudantis, sindicatos, correntes de esquerda, movimentos sociais, e todos aqueles que tem a dizer: Abaixo a repressão!

* Continuamos em luta neste setembro para conquistar tudo aquilo que não obtivemos em junho, e muito mais!


sábado, 7 de setembro de 2013

Solidariedade aos companheiros da UEM! Abaixo a repressão da reitoria e da guarda!


A estudante na foto acima é uma das que foram brutalmente agredidas pela Guarda Universitária da Universidade Estadual de Maringá no dia 5-09 à noite. Leia abaixo um relato da estudante Camila Galleti sobre o ocorrido:

"A aluna é a Tamires, amiga minha e companheira de luta aqui. Ontem pela noite, depois da aula, lá pelas 23h30 um grupo de estudantes estavam no DCE se articulando contra as agressões que tem ocorrido dentro do Campus da UEM e discutindo a situação precária que a UEM está. De quinta-feira a noite, quase sempre acontece sarau e sempre vai muitos estudantes, cerca de 300 estudandes da instituição e da comunidade externa, mas nos últimos meses a polícia tem entrado no campus e repremindo xs estudantes e por isso faz muitas semanas não há festas no campus. Ontem, estava tendo REUNIÃO no DCE, não havia consumo de bebidas alcoolicas e etc. Os vigias (cerca de uns 20 vigias) pediram para xs estudantes sairem do campus mas os alunos se recusaram. Após isso os vigias começaram a agredir xs estudantes e principalmente AS ESTUDANTES. A Tamires (menina da foto) levou uma lajotada na cara, sofreu traumatismo craniano e alguns estudantes de Ciências Sociais tiveram nariz quebrado, hematomas, uma companheira do Coletivo Maria Lacerda foi jogada ao chão e pisoteada. Enfim, foi uma ação truculenta. Hoje pela manhã realizamos uma reunião com cerca de 100 a 200 alunxs, professorxs e servidorxs, todos apoiando xs alunos agredidxs e tiraramos alguns encaminhamentos de luta contra a reitoria e contra o fato ocorrido...enfim, foi lastimável o que houve e a reitoria não se posicionou perante tal fato."


A agressão ocorrida é de total responsabilidade da reitoria da universidade, que utiliza a política repressiva para coibir a organização política e as atividades sociais dos estudantes. A própria polícia militar disse que o reitor da UEM solicitou que fossem feitas rondas no campus nos dias de festa para coibir os eventos. Nos solidarizamos com todos os estudantes agredidos e consideramos fundamental uma campanha ativa de solidariedade contra a repressão sofrida pelos estudantes.


PUNIÇÃO A TODOS OS RESPONSÁVEIS! FORA POLÍCIA DO CAMPUS DA UEM! FIM DA GUARDA UNIVERSITÁRIA!POR UMA UNIVERSIDADE LIVRE E DEMOCRÁTICA! SEM REPRESSÃO DA POLÍCIA OU DA GUARDA!PELO DIREITO DE FESTAS E ORGANIZAÇÃO POLÍTICA NA UNIVERSIDADE!

LIBERDADE IMEDIATA AOS MAIS DE 30 PRESOS EM SÃO PAULO! ABAIXO A REPRESSÃO DOS GOVERNOS E A VIOLÊNCIA POLICIAL!

Hoje, no dia 07 de setembro, centenas de jovens e trabalhadores que marchavam nas ruas de São Paulo denunciando a violência policial, a repressão aos movimentos sociais, o desaparecimento de Amarildo e a prisão dos Black Bloc no Rio de Janeiro, junto das exigências das mobilizações de junho com relação à saúde, educação e transporte foram brutalmente reprimidos pela polícia de Dilma, Alckmin e Haddad!
Nesse exato momento, nós, da Juventude às Ruas, que estivemos neste ato, estamos em frente à 1ª Delegacia Policial, na qual estão 6 presos da brutal repressão. Além destes, sabemos que mais 13 estão presos na 78ª e outros 28 foram presos na Av. Paulista. Precisamos cercar de solidariedade os companheiros que foram presos e exigir sua imediata liberdade.

Há boatos de que a Polícia estaria buscando imputar crime de tentativa de homicídio aos companheiros! Denunciamos aqui que a polícia militar de São Paulo utilizou no ato de hoje disparos de arma letal durante a repressão. Essa polícia, a mais assassina do mundo, que hoje ameaçou de morte centenas de jovens e trabalhadores que se manifestavam contra a repressão dos governadores Geraldo Alckmin e Cabral, e as políticas públicas dos governos federal, estadual e municipal é a mesma polícia que comete um verdadeiro genocídio ao povo negro nas periferias cotidianamente!

Fazemos um chamado para que as entidades estudantis, centrais sindicais, organizações de direitos humanos e respectivos advogados compareçam às DP’s nas quais estão presos os manifestantes que legitimamente participavam de um ato questionando a arbitrariedade do Estado, o descaso dos governos e esta violência policial!

* Liberdade imediata para todos os presos de Alckmin;
* Julgamento popular e punição dos criminosos da polícia militar que utilizaram armas de fogo letais contra os manifestantes;

* Pela dissolução da polícia

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Das Jornadas de Junho ao 30 de Agosto em Marília: Greves da Unesp e FAMEMA e importantes passos na aliança entre estudantes e trabalhadores

Manifestação funcionárias/os, estudantes e residentes da
FAMEMA no dia 30 de agosto

Definitivamente, após o conjunto de manifestações ocorridas no mês de Junho deste ano, vivemos um novo período no Brasil. Os levantes da juventude deflagrados em todo país atingiram desde as capitais até movimentos nunca antes vistos no interior, com passeatas, ocupações, e greves. É o exemplo de Marília, região centro-oeste de São Paulo, onde desde Junho ocorreram as maiores manifestações da história da cidade.
As Jornadas de Junho em Marília reuniram milhares de pessoas nas ruas, e a juventude mostrou seu espírito combativo. No meio do mês, em apenas uma semana rodovias foram cortadas duas vezes: pelo movimento estudantil da Unesp e pelo conjunto de manifestantes da cidade, ocupações do terminal urbano foram realizadas, dentre outras ações diretas.
Os estudantes da Unesp conformaram importantes blocos classistas, posicionando-se em defesa da classe trabalhadora nas manifestações com peso na juventude da cidade, e lutando ao lado dos servidores municipais que lutavam contra um projeto de lei que pretendia, dentre outros problemas, retirar seus direitos de greve. 
No início de Julho, para o dia 11 era chamado nacionalmente um dia de manifestações que marcaria a entrada da classe trabalhadora como protagonista das manifestações. A partir do bloco classista da Unesp conformado nos atos, iniciamos um trabalho de agitação em torno deste dia, panfletando nas fábricas, chamando reuniões em bairros periféricos da cidade para organização do ato. Infelizmente, as centrais sindicais serviram como uma barreira à potencialidade da manifestação, chamando o ato para o horário de trabalho, sem garantir juridicamente uma paralisação sem punição aos trabalhadores, portanto, sem a mobilização das bases, o ato ocorreu, mas sem o alcance que poderia ter. 
Em meio a todo este cenário, os estudantes das unidades da Unesp de todo o estado, que estavam em uma importante greve, participaram ativamente das mobilizações, com uma pauta de defesa de um projeto de universidade a serviço da classe trabalhadora. 
Em Marília conformou-se um comitê operário-estudantil de mobilização permanente. Outras iniciativas parecidas ocorreram em outros campi da Unesp. Em Araraquara os estudantes também avançaram na aliança com a juventude e os trabalhadores, barrando o aumento da passagem de ônibus. Em Bauru os estudantes se uniram à uma ocupação da Cutrale, organizada por outros movimentos sociais, dentre outras importantes iniciativas. 

A greve da FAMEMA, o ato do dia 30 de Agosto, e um passo na aliança entre os trabalhadores e
estudantes da cidade

O “complexo FAMEMA” (Faculdade de Medicina de Marilia) é uma rede de serviços ambulatoriais e hospitalares, que cobre a demanda de 62 cidades da região de Marília, o que contabiliza mais de um milhão de pessoas. Este complexo é responsável pela assistência ao SUS e pela formação de medicxs e enfermeirxs.
Há alguns meses a situação nos hospitais e serviços da FAMEMA está caótica, faltando materiais básicos (luvas, álcool, agulhas), alimentação para pacientes e funcionários está precária, todos os postos de trabalho estão extremamente sobrecarregados de horas extras, o salário dos funcionários defasado em 30% e o adicional de insalubridade foi suspenso, dentre outras questões. Ao final de junho, os trabalhadores se auto organizaram e denunciaram esta situação e sua insatisfação em um ato pela cidade, o que não obteve resolutivas da direção e do governador, apenas as promessas de sempre, porém sem o apoio do sindicato naquele momento o movimento não conseguiu avançar e o caos permaneceu.
Mas, desde então os trabalhadores passaram a cobrar mais intensamente o apoio do sindicato e, na última segunda-feira (26) iniciou-se uma greve dos funcionários que representam o segundo maior segmento em número de trabalhadores da cidade. Esta greve expandiu-se a estudantes, residentes médicos e não médicos e professores. A luta se dá principalmente contra a precarização do trabalho. A situação crítica no Complexo FAMEMA é um resultado direto da falta de democracia na gestão desta universidade, e do descaso de anos com a saúde da população trabalhadora que depende dos serviços prestados pelos profissionais da área. 
Para o dia 30 de Agosto havia um novo chamado nacional de mobilizações. Apesar dos limites impostos pelas centrais sindicais ao ato, com toda a falta de mobilização de setores importantes de operários, não houve quem segurasse a base dos trabalhadores da saúde na cidade de Marília. Dentre as palavras de ordem mais gritadas tivemos “Da copa eu abro mão, eu quero mais dinheiro para saúde e educação”, “Que vergonha governador, tem paciente no corredor” e “Hora-extra não é salário, é precarização do meu trabalho”, expressando uma luta que tem de fundo a situação gerada por anos de governos neo-liberais, cujas políticas sociais tem como característica o sucateamento da saúde e educação, bem como a precarização do trabalho.
Os estudantes da Unesp, desta vez em conjunto aos funcionários da mesma, também participaram da manifestação, conformando uma importante aliança forjada durante a greve entre estudantes e servidores em oposição às burocracias gestoras da universidade.
 Na noite do dia 30, a partir do comitê de mobilização operário-estudantil construímos uma atividade reunindo trabalhadores da Unesp, trabalhadores e residentes da Famema, estudantes, e professores da rede. Pudemos discutir as greves destes segmentos, trocando experiências, e pensando estas mobilizações à luz da nova situação nacional. Militantes do Pão e Rosas marcaram presença durante todo o dia, anunciando os desafios do avanço da união da classe trabalhadora a partir da superação da divisão da classe dada pela opressão de gênero. Consideramos esta atividade como mais um passo na ligação entre trabalhadores de diferentes segmentos da cidade e estudantes.
Foram discutidas formas de nos prepararmos conjuntamente para novos levantes em períodos que virão adiante, forjando a união entre estudantes e trabalhadores. 
A Juventude às Ruas, que militou ativamente em todo este processo entende como central a aliança operário-estudantil!
Todo apoio aos trabalhadores, estudantes e residentes em luta da FAMEMA!
Basta de precarização do trabalho!
Por uma forte aliança entre trabalhadores e estudantes!






terça-feira, 27 de agosto de 2013

Estatização e Passe livre: Uma oposição?

O transporte no Brasil e algumas idéias sobre sua transformação.



Por André Bof

É inegável o papel transformador cumprido pelas mobilizações de junho.

Igualmente inegável é a novíssima situação aberta após a vitória representada pela revogação do aumento de 20 centavos nas passagens do transporte, em junho, uma demanda extremamente parcial, porém concreta para as condições de vida do povo trabalhador.

Se, por um lado, este foi um grande êxito após muito tempo de “paralisia” política, por outro, segue o “campo de batalha cotidiano” do transporte: extrema lotação, a falta de linhas de ônibus e trens, as – ainda - caríssimas tarifas (como a de 3 reais em SP), os escândalos de corrupção e desvio de milhões de dólares a cartéis empresariais (Alstom, Bombardier, Siemens) e, sabendo disto,  os jovens pensam, a cada viagem, que “precisamos é de mais daquelas passeatas”.

Uma olhadela no transporte de carga e pessoas, no Brasil

A questão do transporte é uma questão delicada num país de desenvolvimento capitalista atrasado, como o Brasil.
Integrado a corrente industrial mundial tardiamente e, como uma nação submetida aos interesses econômicos das grandes “potências” capitalistas, demonstrando o caráter de uma semi-colônia – que detém, em tese, “autonomia política”, mas a cada passo esta submetida e controlada economicamente-, a questão dos transportes no Brasil sempre esteve atrelada aos interesses do lucro, de costas para as necessidades humanas.

É só a partir do início do século vinte, durante a República Velha, ou seja, quase um século e meio após o “advento” da revolução industrial, que se dá a largada efetiva aos transportes a vapor. Neste momento os governos Brasileiros, com o objetivo de garantir um escoamento ao café, naquele momento o motor da economia, decidem aprofundar a expansão ferroviária, garantindo esta tarefa, em grande parte ao capital estrangeiro.

Somente a partir daí é que se pode falar de um sistema ferroviário relevante, no Brasil que. Foram criadas importantes ferrovias – posteriormente abandonadas- como a Sorocabana, a Cia Paulista de Estradas de Ferro e consolidadas outras de grande importância econômica, como a São Paulo Railway. Estas, em ligação com o projeto das elites, cumpriram um importante papel para o crescimento da produção agrícola e industrial.

Com a entrada em cena de Vargas - em 30 - e o estabelecimento do Estado Novo, iniciou-se a priorização do setor rodoviário, começando o processo de precarização das ferrovias que, progressivamente, ao longo dos anos, não apenas perderam milhares de quilômetros de extensão, como tiveram companhias e trens sucateados ao limite.

O oposto ocorreu nas Grandes nações capitalistas, nas quais o transporte ferroviário e metroviário e, até, hidroviário, se desenvolveram de maneira prioritária.
Em países como os EUA, hoje em dia, as ferrovias são responsáveis por cerca de 40% do transporte da produção; em Paris, o metrô possui 213 Km e mais de 300 estações; em Londres, são 408 Km e em Nova York mais de 468 estações.

Já no Brasil, até 1940, havia 35 mil quilômetros de ferrovias, reduzidos drasticamente a 28 mil nos dias atuais. Quanto ao transporte metroviário, tomando o de São Paulo - o maior e mais utilizado- como exemplo, chegamos aos números de meros 74 quilômetros e 64 estações, ou seja, muito abaixo dos números das grandes nações capitalistas, apesar de nossa grande população urbana. A maior parte do transporte é feita através de cerca de 1 milhão de quilômetros de rodovias por carros, ônibus e caminhões.

Tudo isto tem uma explicação que não foge a lógica predatória do lucro.
Com o Golpe de 64 e a ditadura militar, a priorização do transporte rodoviário aprofundou-se firmemente. Não apenas as rodovias passaram a ser o meio mais utilizado e financiado, como, igualmente, o “incentivo” ao transporte individual avançou como nunca.
Isto não se deu por coincidência. Foi no período da Ditadura militar - financiada e planejada pelos EUA – convivendo e colaborando amistosamente com a repressão, assassinatos e torturas, que houve o maior crescimento e consolidação das grandes Multinacionais do setor automobilístico.

Uma das primeiras medidas tomadas pela ditadura militar foi a revogação da “Lei de remessas de Lucros”, instituída sob o governo de João Goulart, que restringia a transferência de lucros obtidos por empresas estrangeiras no Brasil, para seus países de origem. A quebra desta lei, simbólica e concretamente, demonstrava a que interesses servia a Ditadura Brasileira, abrindo as portas ao boom das indústrias automobilísticas, como Volkswagen, Ford e Chevrolet.

Este processo marcou o papel deste setor no Brasil que é, ainda hoje, o quinto maior mercado automobilístico do mundo, o que determina o forte peso político das grandes montadoras nas decisões atuais dos governos e explica a insuficiência do transporte público.

Ao vislumbrar este “panorama”, percebemos um pouco das raízes das dificuldades que enfrentamos para barrar os “poucos” 20 centavos.
O que, no entanto, está por trás deles é toda a estrutura do transporte brasileiro que, como vimos, nunca foi pensada para os interesses do povo.

Isto determinou que mesmo o transporte massivo de pessoas (feito em grande parte por ônibus e em pequena medida por Metrô) nunca tivesse o objetivo de garantir o direito à cidade – para passeios, visitar bairros, ir ao parque, teatro, conhecer aonde se vive-mas, ao contrário, sempre tivesse o caráter de “transporte de massa”, destinado a trazer e levar os trabalhadores, para o trabalho, a fim de garantir a “engrenagem” urbana funcionando.
Outra marca fundamental é o sentido que adquiriu o transporte no Brasil como umamercadoria nas mãos de empresas e ônibus que determinam o trajeto, o número de ônibus, os horários de funcionamento e os custos de manutenção (pagos pelos governos), o que explica as altas tarifas e relações “íntimas” com grandes montadoras de ônibus, etc.

A opinião dos movimentos sociais e de parte da esquerda

Nossos inimigos, ficam cada vez mais claros: A privatização dos transportes; o papel político e econômico da indústria automobilística estrangeira; a submissão dos Governantes aos empresários.

Aqui voltamos à questão crucial que se apresenta hoje à juventude e aos trabalhadores. Que fazer?
Há, em diversos setores de movimentos sociais e grupos de esquerda, um debate acerca de qual deve ser nossa reivindicação diante dos transportes em geral e, mais ainda, após Junho.

De um lado, erguem-se propostas de “projetos de lei” possíveis, defendidos por grupos como o “Movimento Passe-livre/SP”, que tentam pensar um projeto por dentro do capitalismo e desta estrutura do transporte, propondo “reformá-la”.

O projeto “Tarifa Zero”, como ficou conhecido, é um projeto de lei que visa zerar as tarifas do transporte através da criação de um fundo social dos transportes (cuja verba viria de impostos à população), o pagamento às empresas por ônibus, ao invés de por passageiros transportados - como é feito hoje- e a formação de um “conselho municipal” para “consultar” a população.

Sobre o aspecto “viável”, os governantes sequer cogitam, seriamente, em SP, a possibilidade desta alternativa, com distintos argumentos de “sobrecarga financeira para o poder público” e toda a ladainha que inventam quando precisam se esquivar desta e de outras questões...

O que nos interessa é, no entanto, avaliar o conteúdo desta proposta. O problema não é apenas o fato de que ela desloca o eixo das expectativas das pessoas, em luta desde junho, da rua para o parlamento (que está caindo de podre e pouco disposto a dar uma resposta séria a nossas necessidades).

Um dos problemas fundamentais é que este projeto busca fazer com que o transporte seja integralmente pago através de impostos, dando subsídio estatal de 100% às empresas privadas¹ e criando um comitê, com empresários, governantes e usuários, para “fiscalizar melhor” o transporte.
Ou seja: Mantém a “estrutura” do transporte privatizado e seu lucro; mantém o custo do lucro nas costas do trabalhador; mantém o controle sobre o transporte nas mãos dos empresários e governantes; enfim, mantém toda a base para a corrupção dos milhões desviados, para o “não desenvolvimento” do transporte coletivo frente ao individual e para que o lucro , e não o povo, decida as prioridades.

Por outro lado, grupos da esquerda também formularam um programa para tentar dar resposta ao problema do transporte.

Dentre eles, talvez um dos que disputam com mais “fervor” esta questão seja o PSTU o que, no entanto, não significa necessariamente que seja coerente.

É muito difícil distinguir sua política central, dado que não há um texto recente em seu site, que trate deste tema, apenas pronunciamentos de “figuras”.
No entanto, o PSTU dirige a política de duas entidades importantes: O sindicato de Metroviários de SP e a ANEL (Assembléia nacional dos estudantes) cujos textos podemos acompanhar. Eles partem, em alguns de seus textos e discursos de uma análise muito parecida com a que expusemos, para, no entanto, discordar de si mesmos sobre qual deve ser a reivindicação de nossa luta.

Em metroviários, o PSTU discute “fim das privatizações e terceirizações, redução da tarifa, rumo à tarifa zero”, além de “Estatização Já” (presente em adesivos dos trabalhadores) e “passe livre”, sem fazer distinção, ou seja, para todos. http://www.metroviarios.org.br/site/images/cartaaberta/cartaaberta_130813.pdf

Já, na política da ANEL, ou seja, dos estudantes, defendem o “passe livre para todos os estudantes, desempregados e aposentados” através “da diminuição dos lucros das empresas do setor de transporte coletivo público” e que “devemos ter como horizonte um sistema de transporte público que não mais esteja voltado para o lucro”, pois, “A gratuidade no sistema coletivo de transporte da cidade para estudantes e desempregados pode ser o início desse processo.” http://anelonline.com/?p=1276

Fica clara a oposição existente entre as duas posições. Em trabalhadores, defendem o passe livre para todos e estatização, apesar de não ligarem ambas as questões; em estudantes defendem o passe livre restrito a estudantes, desempregados e aposentados, apontando este como “um primeiro passo” rumo ao “horizonte” de um transporte como um direito gratuito. Nesta relação, para o PSTU nacionalmente, a política dos estudantes é dominante.

Para além do fato de que precisam se decidir claramente, sob o risco de confundirem a si próprios e a quem influenciam, há sérios problemas nesta visão “dominante”.

Dada a estrutura dos transportes no Brasil, está claro  que devemos unificar forças para combater nossos inimigos.
A proposta do PSTU, no entanto, além de dividir as bandeiras levantadas por trabalhadores e a juventude, comete um grave erro:
Se apoiando no exemplo de cidades aonde há o passe livre, caem numa lógica de “etapas”, tipicamente reformista, apontando a “possível” conquista do passe-livre estudantil como um “passo” rumo ao “horizonte distante” do transporte gratuito para todos.

Ainda que no papel o PSTU coloque diversos argumentos corretos sobre o direito a cidade, questionamento ao lucro dos empresários, e até falem sobre a estatização, a saída que dão não responde ao problema, deixando para um “futuro melhor” a luta pelo direito de todos ao transporte gratuito.

Não fazem por ingenuidade ou confusão.
Partem de uma concepção de que não se deve lutar por uma reivindicação que responde a raiz dos problemas, mas que é preciso levantar, de pouco em pouco, o que é “mais atrativo no momento”, mesmo que parcial, e fazem isto, sobretudo, para buscar influenciar setores de estudantes.
Infelizmente, seus objetivos de autopromoção são contraditórios com a realidade de um país no qual mais de 60% vivem com menos de dois salários mínimos e não podem esperar o “horizonte” chegar.



A estatização como via do transporte para todos
Em ambas as visões descritas há uma oposição entre a luta pelo passe-livre e a luta pela estatização, o que, para nós não deve existir.

Acreditamos que, dada a estrutura do transporte no Brasil e as condições de vida do povo trabalhador, nossa luta deve ser a luta pela estatização dos transportes, sob controle dos trabalhadores e usuários, como forma de garantir o passe livre para todos.
Acreditamos na luta pelo transporte como um direito social, para todos, frente ao absurdo de sua privatização.

A única solução realista para garantir o passe livre geral é através de uma estrutura que elimine o lucro como prioridade, ou seja, que tire das mãos das empresas o transporte. É claro que se, ainda assim, seu controle permanece apenas nas mãos dos governantes, o que não vai faltar são escândalos de corrupção, como o que temos visto no caso do PSDB e os cartéis do metrô (empresa pública), desviando milhões.

Daí a necessidade de que o transporte seja controlado pelos trabalhadores (a partir de sindicatos, comitês, etc) que nele atuam e usuários que dele precisam, afinal, quem melhor do que nós para definir quais os trajetos, aonde investir e como expandir o transporte?

Em algumas cidades do País conseguiu-se o passe livre estudantil, como é o caso de Goiânia e Rio de Janeiro.
É evidente que estamos dispostos a conquistar o passe livre para estudantes,  desempregados e aposentados e é claro que esta é uma grande conquista dos lutadores.Não devemos ser contra uma reivindicação, se correta, porque é parcial.
O que colocamos, no entanto, é que estas conquistas devem ser arrancadas por dentro de uma luta mais profunda, que questione a estrutura do sistema de transportes.
Ao invés de restringir a luta pelo que magicamente dizemos ser “possível”, arrancamos o “possível” –determinado pela força da luta- lutando por uma reivindicação correta e profunda. Se venceremos, completamente, ou teremos conquistas parciais, só a luta pode dizer.

Se há uma coisa que Junho fez, foi deixar lições e não existe escola melhor do que a luta de classes. Junho não apenas conquistou os 20 centavos, como - e talvez seja este o fator mais perigoso para os capitalistas – educou milhões na idéia de que lutar é possível e de que devemos arrancar nossos direitos.

É daí que vem a pergunta que fazemos à esquerda: Como é possível, após este despertar político acreditar que há uma luta “para agora”, e uma luta “para um futuro”, no horizonte de dias melhores?

Se neste momento não levantarmos, corajosamente, a resposta que de fato golpeia o coração dos interesses capitalistas, o centro do problema dos transportes, quando o faremos? Que situação mais favorável teríamos para isto, do que mobilizações de junho e paralisações nacionais como o dia 11 de julho e 30 de agosto?
Um revolucionário russo, com alguma experiência na luta contra o capitalismo, certa vez disse que se há uma tarefa que revolucionários devem cumprir é a de fazer os trabalhadores“confiarem em suas próprias forças”. Para isto, não há atalhos; é preciso “dizer a verdade e chamar as coisas pelo seu nome”. Além disto, é necessário pensar um sistema de reivindicações que não apenas contribua para arrancar cada conquista desejada imediatamente, como para fazer a consciência avançar contra seus verdadeiros inimigos - os capitalistas, seus lucros e seu Estado- deixando lições que serão a semente de uma nova sociedade.
O que vimos em junho, depois de muito tempo, abriu as portas para avançar nestas questões.
Esta é a tarefa que a questão dos transportes suscita.

¹ - hoje, em SP, por exemplo, o usuário paga do bolso 70% e a Prefeitura 20%. Os empresários arcam com 10%.

O que está por traz da promessa de contratação de mais professores da REItoria da Unicamp?

Por: Fernanda T. - Estudante de Ciências Sociais na Unicamp e Militante da Juventude às Ruas

As mobilizações mudaram tudo. Essa frase toma cada vez mais conteúdo cada dia que passa, a cada acontecimento novo. A reitoria da Unicamp soltou recentemente uma nota dizendo que ira recompor o quadro de professores de 1994, quando tinha 2.055 professores, atualmente tem cerca de 1.800. Não é um mero acaso temporal, essa proposta de contratação da reitoria, ter ocorrido logo após as mobilizações de junho, mostra, sim, a força que teve essas mobilizações para desestabilizar o país, e por abaixo toda a antiga passividade e a ideia que “tudo continuará como esta”. Ainda que na aparência a Unicamp esteja “tranquila” essa política da reitoria mostra que na realidade as mobilizações de junho (que foram precedidas, nas estaduais paulistas, por uma mobilização histórica, ainda em curso, das Unesps)  abalaram o CRUESP, não a toa Rodas na USP abre a discussão de “diretas para reitor”, bem como a Unicamp promete contratação de professores, isso porque as reitorias sentiram a necessidade de responder com medidas preventivas as mobilizações, e a possibilidade do movimento estudantil sair como sujeito.
A pauta por mais professores na Unicamp é histórica, vem a tona em todos os processos de lutas. Precisamos de mais professores, porque queremos que a Universidade seja uma organismo vivo de produção de conhecimento, e não uma empresa que atola seus funcionários (professores e pesquisadores) em uma lógica produtivista de geração de patentes. O direito a livre produção de conhecimento, de novas ideias não vem por fora de um quadro docente qualificado que atenda a demanda dos alunos e seja também parte viva desse processo rico de produção de conhecimento. Não como uma fábrica, mas sim retomando a efervescência de reflexões, de uma universidade ligada às necessidades reias da maioria da sociedade.
 A Reitoria sempre negou essa reivindicação, alegando vários argumentos, mas que de fundo esconde que não tem interesse em contratar mais professores, mas sim aprofundar a relação da Universidade com as empresas, como a Microsoft - que tem um laboratório na Unicamp - incentivando áreas produtoras de patentes (a Unicamp só perde para a Petrobras em produção de patentes) enquanto áreas como as Humanas não são prioridade, pressionando estas a lógica da produção de teses e de projetos acadêmicos, o que vai à contramão do conhecimento na área de Humanas, o qual demanda tempo reflexivo, estudo árduo, longo, e claro, experiências reias, para ter grandes ideias. Para ilustrar: Hegel não escreveria a “fenomenologia do espírito” se tivesse uma agencia de fomento, como a PIBIC lhe exigindo rendimento.
O argumento mais usado é financeiro. Em 2009, o reitor dizia que não havia como repassar verbas para os docentes, pois o orçamento da universidade chegaria a 96% com folha de pagamento. O que claramente é uma mentira, ainda mais na Reitoria do super salários, onde o Reitor Tadeu recebeu em 2012 cerca de R$ 338,4, ou mesmo antigo reitor, Fernando Costa que recebeu R$ 399.8 por ano, quando a Unicamp tem um repasse de R$ 1,9 bilhão. Esse dinheiro deveria ser revertido na contratação de mais professores segundo a demanda de cada instituto, e que os critérios fossem definidos pelos próprios alunos, professores e funcionários, em assembleias de curso, onde se discutissem com aqueles que realmente sentem o que cada instituto precisa.
Assim como deveria contratar mais professores, as finanças da Unicamp deveriam ser revertidas em políticas de permanência. Que mais nenhuma casa caia na moradia enquanto o reitor ganha milhões! Com esse dinheiro é possível atender a toda a demanda de moradia, bolsa estudo para todos que precisam, ligado a demanda que cada funcionário administrativo da universidade ganhe o mesmo que todos os outros técnicos administrativos (cerca de 2mil reais), pelo fim de todo o regime universitário que mantém essa casta burocrática e privilegiada no poder.

O IFCH esta agonizando? Ainda...

Na greve de 2007 já se falava da necessidade da contratação de 75 professores, depois na greve de 2009 necessitava-se de 84 e esse numero só foi crescendo, na mesma medida que se intensificou a pressão por pesquisas. Esse projeto da reitoria de contratação de 200 professores (que nada garante ainda que vai ocorrer) mostra o temor da reitoria de que o movimento estudantil lute organizado. As mobilizações nos mostraram que é possível obter conquistas através das lutas, agora devemos ir por mais exigindo a contratação imediata de 84 professores para o IFCH, para além da abertura dos cursos noturnos de história e filosofia com a estrutura necessária garantida, bem como bolsas de estudo integrais para quem precisa; e para que aqueles que trabalham também tenham o direito de estudar.
Conquistar essas contratações através do movimento estudantil organizado seria uma vitória sobre a política da reitoria, já basta de agonia, o IFCH tem um histórico de lutas e de efervescência política, cultural e de combate à reitoria. Resgatar essa história é chave para transformarmos o instituto, bem como superar essas gestões adaptadas e apáticas ao regime universitário, democratizando o CACH, e fazendo dele um instrumento real que atenda as demandas dos estudantes, hoje deve organizar uma LUTA MASSIVA por mais professores no instituto, políticas de permanência avançando no questionamento do atual regime universitário.
Ligar as demandas mais sentidas com uma contestação geral do regime universitário, é chave para colocar o movimento estudantil na ofensiva, saindo organizado em luta, se ligando as pautas que vieram das ruas, como a reivindicação educação pública de qualidade, pois queremos mais professores, mas não só para 5% da juventude que entra na universidade publica, e sim para toda ela, os negros, pobres, trabalhadores, pela real democratização da Universidade acabando com o filtro social do vestibular!


domingo, 25 de agosto de 2013

Estudante expulsa, da Moradia Retomada, é reintegrada à USP! Mais uma importante vitória na luta contra a repressão!


Um fato que se tornou conhecido nacionalmente – a prisão de 72 estudantes e trabalhadores por mais de 400 policiais durante a reintegração de posse da reitoria da USP no final de 2011 – tornou a universidade mais elitista e racista do país, também famosa pelo nível repressivo a que chegam o governo do Estado e seus capachos, como o reitor João Grandino Rodas, para manter a universidade a serviço da burguesia.
                Recentemente, graças à imensa greve protagonizada por estudantes após a prisão dos 72, e à grande campanha democrática da qual participaram professores, juízes, entidades sindicais e estudantis, e da qual nós da Juventude às Ruas nos orgulhamos de ter estado na linha de frente, o absurdo processo do Ministério Público contra os 72 foi derrotado em primeira instância. As acusações que levantava a promotora Eliana Passarelli chegavam ao ridículo de tão absurdas: formação de quadrilha e fabricação e manuseio de explosivos eram as mais gritantes.
                Contudo, nós da Juventude às Ruas sempre dissemos que essa importante vitória não apenas só pôde ser obtida mediante a organização dos estudantes e trabalhadores – apesar da pequena participação do DCE da USP, dirigido por PSOL e PSTU, que chegou ao extremo de comemorar como “vitória” a suspensão de 5 a 15 dias que sofreram estudantes e trabalhadores – como também deveríamos nos apoiar nesse primeiro triunfo para reforçar nossa luta contra a repressão de conjunto na universidade.
                O fundamental é entendermos que a repressão na USP serve a um propósito claro: manter e aprofundar o projeto de universidade privatizante, elitista e racista que têm a reitoria e o governo, e destruir qualquer resistência que se oponha a ele. Por isso, o caso de Aline, estudante que acaba de ser reintegrada à USP, é emblemático. Ela fazia parte de um grupo de oito estudantes que foram “eliminados” em 2011 (segundo os termos do regimento disciplinar do estatuto da USP, vigente desde 1972, quando foi escrito por Gama e Silva. A “eliminação” acarreta não apenas a expulsão, mas a impossibilidade de que a pessoa tenha qualquer vínculo com a universidade).
Esses estudantes foram punidos por sua suposta participação na Moradia Retomada, uma mobilização ocorrida em março de 2010 por cerca de cem calouros que tiveram seu pedido de moradia negado pela reitoria e decidiram ocupar o térreo do Bloco G, espaço da moradia reservado, pela COSEAS, a salas administrativas e um espaço do Banco Santander! Uma exemplar luta pela permanência estudantil na universidade. Todos os estudantes expulsos eram moradores do CRUSP (moradia estudantil da USP), o que reforça ainda mais o caráter elitista e segregador das punições, mostrando que os poucos filhos da classe trabalhadora que conseguem passar pelo filtro social do vestibular são os mais propensos a receberem a “punição exemplar” de Rodas e do Conselho Universitário.
                A reintegração de Aline é uma vitória importantíssima do movimento de trabalhadores e estudantes da USP, e de todos aqueles que lutam por uma universidade democrática e cuja produção de conhecimento esteja voltada às necessidades dos trabalhadores e do povo pobre. A decisão do juiz baseia-se no fato notório de que os processos administrativos da USP são verdadeiras farsas jurídicas, em que a própria reitoria é quem acusa, julga e pune, tendo nesse caso deixado de ouvir as testemunhas de defesa dos estudantes eliminados. Diz a sentença do juiz que: “O Estado, em tema de punições disciplinares ou de restrição a direitos, qualquer que seja o destinatário de tais medidas, não pode exercer a sua autoridade de maneira abusiva ou arbitrária, desconsiderando, no exercício de sua atividade, o postulado da plenitude de defesa, (...) Com esses fundamentos, concedo a ordem, para declarar a ineficácia dos efeitos da decisão do Reitor da Universidade de São Paulo, nos processos nº 2010.1.713.35.1 e 2010.1.5910.35.0, em relação à deliberação proferida contra a Impetrante e para reconhecer a nulidade do procedimento administrativo disciplinar, com relação à Impetrante, a partir da intimação de seu patrono da audiência para oitiva de testemunhas.”
                Contudo, sabemos que não podemos confiar nem por um segundo na “imparcialidade” de uma justiça que é apenas mais um aparato estatal a serviço dos interesses da burguesia, e que tal resultado se deve muito mais às mobilizações e à resistência dos estudantes e também, sem dúvida, à mudança de situação política nacional ocorrida a partir das mobilizações de junho. Se não mantivermos viva nossa luta, a decisão pode ser revertida pela própria justiça em segunda instância. Saudamos a companheira Aline e seu retorno ao campo de batalha da USP contra as medidas autoritárias dessa universidade elitista. Precisamos agora redobrar os esforços para reverter todas as medidas repressivas na universidade, entendendo isso como um passo fundamental na luta por uma universidade radicalmente democrática, sem vestibular e com um governo democrático dos três setores, com maioria estudantil.

Reintegração dos demais estudantes expulsos!
Reintegração imediata de Brandão, diretor do Sintusp demitido político!
Anulação de todas as demais punições e processos administrativos e criminais contra estudantes, funcionários e professores!
Fim do regimento disciplinar de 1972! Por uma Estatuinte Livre e Soberana para varrer todo entulho autoritário do Estatuto da USP!

Unificar a luta contra a homofobia, no Brasil e na Rússia, para arrancarmos nossos direitos

Juventude ÀS RUAS na linha de frente contra a homofobia
Por Virgínia Guitzel, travesti, militante do Pão e Rosas
 
                Nesta sexta-feira, 23, nós da ANEL, desde a Juventude ÀS RUAS, estivemos presentes no ato convocado em frente ao consulado Russo, em São Paulo, para expressar nossa solidariedade a todos LGBTs que vêm sofrendo duríssima repressão, seja diretamente do Estado com aprovações de leis extremamente reacionárias, proibindo a expressão visual, política ou afetiva entre pessoas não heterossexuais, seja com a legitimidade que grupos nazistas vêm ganhando nesse país, levando abertamente um lema de “abençoe um homossexual com urina para curá-lo”, postando vídeos de violência na internet, etc .
                Junto a 60 ativistas ali presentes, entre eles a presença da conhecida cartunista Laerte, demonstramos a importância de nos mobilizarmos contra os ataques do governo de Vladimir Putin e o avanço reacionário sobre os LGBTs em nosso país e internacionalmente. Como o caso da França, que sempre foi visto como o país mais democrático e progressista, que reuniu 100.000 pessoas nas ruas protestando contra o casamento igualitário, ou como no Irã onde homossexualidade segue como crime com pena de morte.
               Os avanços de direitos que garantem aos LGBTs mais igualdade na legislação são parte de nossa luta, cotidianamente. Nós da Juventude ÀS RUAS nos colocamos na linha de frente com nossos companheiros LGBTs para garantir questões elementares como o casamento igualitário, e o acesso à saúde pública para as travestis e transexuais e também para os homens trans, garantindo acompanhamento hormonal e cirurgias de qualidade para garantir concretamente a livre construção física do gênero e a autodeterminação dos corpos, sem risco de morte e problemas de saúde posteriores.
               Porém, a igualdade na lei não é a mesma da vida. Sabemos que outros setores também atingidos pela superexploração capitalista, colocados nos piores postos de trabalho, e que são atingidos pelos avanços da dominação burguesa (ideológica e física) já conquistaram algumas “garantias legais” que não mudaram radicalmente a realidade absurda dos abusos e da violência contra as milhares de mulheres, e tampouco superamos o racismo em nosso país (apesar de tanto se propagandear a “democracia racial”).
 
 
               Avançar na luta independente dos LGBTs contra o sistema capitalista e seus pilares!
 
              Ao mesmo tempo que o ato também expressou diferentes visões de como barrarmos o avanço da bancada evangélica no parlamento burguês, abriu um espaço importantíssimo para um debate necessário para o movimento LGBT que no Brasil, hoje, começa a se reorganizar. O PSOL, desde sua juventude do Juntos, deixava claro o recado: “ precisamos de mais deputados, vereadores e presidentes LGBTs”,  “esquecendo-se” que Obama enquanto um negro norte-americano, e Dilma enquanto mulher ou mesmo Jean Wyllys[1] como gay , não expressam defesa real aos setores oprimidos.  Pelo contrário, estão a serviço de iludir os setores oprimidos e não motivá-los a ir às ruas por seus direitos.
                A visão do PSOL, como produto da estratégia desse partido, se perde dentro do parlamento burguês sem conseguir ver, para além do sistema capitalista, como organizar os setores oprimidos para triunfarem de forma independente. Não conseguem nem retomar o que foi Stone Wall, como uma das maiores marcas do Movimento LGBT por expressar sua auto-organização para revidar a violência policial que cotidianamente sofriam, também não consegue hoje ver movimento moleculares, mas de extrema importância, de organização em países como Egito, que em meio ao processo revolucionário que segue em aberto e com conflitos convulsivos, as mulheres que vão às ruas protestar para garantir seu direito de Pão, mas também uma vida plena, precisam se organizar[2] de forma independente para evitar os estupros e abusos que começavam a aparecer nos protestos massivos, que chegaram a reunir até 22 milhões de pessoas (o maior protesto da história da humanidade).
                Não veem ainda como as mulheres indianas que deram uma luta exemplar na auto-organização em 2012 indo às ruas com centenas de milhares, colocando um forte movimento de mulheres, vivo na luta, por seus direitos e contra o abuso sobre seus corpos. Agora, retornam elas às ruas[3] com o escandaloso caso de estupro coletivo sofrido por uma jornalista.
                Os caminhos para uma saída independente dos governos e dos patrões, de uma luta anticapitalista, sem se adaptar à democracia dos ricos em que vivemos, precisam ser construídos dentro do movimento LGBT. E nós, a partir da Juventude ÀS RUAS, nos dispomos a fazer parte dessa construção, por um movimento LGBT classista e anticapitalista que possa golpear os nossos inimigos comuns.
 
               
                 A revolução é uma condição!
 
                Por isso, nessa sexta feira, quando paramos faixas, colamos cartazes no portão do Consulado, gritávamos “Na Rússia, não passará! O governo e os fascistas vão pagar!”, apontávamos a necessidade de construir uma grande mobilização em solidariedade internacional à Rússia, contra todos os ataques reacionários do governo e dos setores nazistas, mas também apontando as contradições em nosso país, que apesar da aprovação do casamento igualitário que é parte de uma das nossas demandas de igualdade nas leis, não garantimos o direito à adoção e seguimos com a contradição de avanços legais, enquanto os números de assassinatos de LGBTs só aumentaram, chegando a 117% durante o governo que se dizia “mais democrático”, o PT.
                Sem nenhuma confiança em Dilma que permitiu Feliciano na Comissão de Direitos Humanos, não se pronunciou sobre a Cura Gay, vetou o "kit anti-homofobia" e preferiu receber o Papa da ditadura argentina, gastando 118 milhões dos cofres públicos, enquanto mais de 1 milhão em todo o Brasil saía às ruas reivindicando educação, saúde e moradia, nós da Juventude ÁS RUAS junto as companheiros do Pão e Rosas Brasil nos colocamos na disposição, com nossas humildes forças, a construir uma alternativa revolucionária para a luta LGBT.
                A partir de Junho e das importantes vitórias que tivemos, como a revogação do aumento do transporte publico e o recuo do projeto da Cura Gay, sabemos que é nas ruas que poderemos ir por mais. Se antes de Junho, já avançávamos em nossas lutas, hoje temos  a tarefa de não mais permitir nenhum projeto contra nossos direitos, mas também de conquistá-los!
                Nesse marco, fazemos um chamado às entidades estudantis, como a ala majoritária da ANEL (PSTU), centrais sindicais antigovernistas, como CONLUTAS, para organizarem desde as escolas, universidades e lugares de trabalho uma grande mobilização de juventude e trabalhadores para expressarmos nossa solidariedade e conformarmos um movimento LGBT capaz de responder às nossas necessidades.
 
- POR UM MOVIMENTO LGBT CLASSISTA E ANTICAPITALISTA INTERNACIONAL, QUE RETOME STONE WALL E A ORGANIZAÇÃO DOS LGBTs AO LADO DOS TRABALHADORES E DA JUVENTUDE QUE SE REBELA NAS RUAS!
 
- FORA PUTIN! FORA FELICIANO! PELA SEPARAÇÃO DA IGREJA E DO ESTADO NO BRASIL E NA RÚSSIA!
 
- PELA PUNIÇÃO IMEDIATA DE TODOS OS TORTURADORES, ASSASSINOS E AGRESSORES DOS LGBT NA RÚSSIA E NO BRASIL! POR UMA INVESTIGAÇÃO INDEPENDENTE, DE SETORES LGBTS, MULHERES E NEGROS E FAMILIARES DAS VÍTIMAS PARA IDENTIFICAR TODOS OS AGRESSORES!
 
- POR EDUCAÇÃO SEXUAL NAS ESCOLAS! POR ATENDIMENTO MÉDICO DE QUALIDADE PARA TRAVESTIS, TRANSSEXUAIS E TRANSHOMENS PARA GARANTIR A LIVRE CONSTRUÇÃO FÍSICA DE IDENTIDADE E A AUTO-DETERMINAÇÃO DOS CORPOS! POR PLENO EMPREGO COM SALÁRIO MÍNIMO DO DIESSE PARA TODOS!
 




[1] Texto sobre a declaração do deputado do Rio de Janeiro, Jean Wyllys, sobre se recusar a redução do salário dos deputados: http://blogiskra.com.br/?p=452
[2] Um interessante vídeo que mostra o potencial dessa organização das mulheres: http://www.youtube.com/watch?v=tumCxnRyPqo&feature=share
[3] Também sobre essa organização, na Índia: http://cnnespanol.cnn.com/2013/08/17/brigadas-de-adolescentes-indias-combaten-y-humillan-a-los-violadores/


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Foto das mobilizações quando foi aprovada a lei contra a propaganda "gay"
 


Fotos do ato do dia 23/08 em frente o Consulado Russo
 


 

Grupo de Estudos de Cultura e Marxismo convida a todos para sua primeira reunião do semestre com a discussão de "O direito à Literatura" de Antonio Candido

Na USP - Butantã, quarta-feira, dia 28 de Agosto, às 12h e às 18h na sala 104 do prédio da Letras (FFLCH).

Texto disponível no blog: www.culturaemarxismo.wordpress.com



sábado, 24 de agosto de 2013

Boletim GRÊMIOS LIVRES #01

Clique na imagem para ampliá-la.



Página GRÊMIOS LIVRES no facebook: https://www.facebook.com/gremioslivres?fref=ts