Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O selinho que questionou o "reduto do macho"

por Alberto Suzano

Se você mora no Brasil, é homem e não gosta de futebol, certamente você já foi chamado de “viado”; se você for uma mulher brasileira que gosta de futebol, fatalmente já foi chamada de “sapatão”.

O futebol, esporte mais popular no mundo, com mais de 270 milhões de praticantes, foi oficialmente criado na Inglaterra, no século XIX, mas se expandiu de tal maneira por aqui que o Brasil passou a ser conhecido como o país do futebol. Entre os milhões de praticantes há uma pequena elite, formada pelos profissionais do futebol masculino, que jogam em grandes times de massa no Brasil, ganhando quantias absurdas. Várias das torcidas dessas equipes têm um número absoluto de fãs maior que a população de vários países do mundo.

Devido a essa gigantesca abrangência que o esporte bretão tem por terras brasileiras desde o início de sua expansão (a partir das primeiras décadas do século XX), a cultura futebolística foi absorvida pelos preceitos morais conservadores vigentes na sociedade da época (muitos deles presentes até hoje) como mais uma ferramenta de separação heteronormativa. Por ser um esporte de contato físico intenso, foi então considerado como “coisa para homens”, ainda mais numa época em que mulheres esportistas eram raridade.

Mas não foi só a prática que se tornou, logo de cara, exclusividade masculina. O acompanhamento do noticiário acerca do futebol profissional e o gosto por táticas e escalações se configuraram, por meio de métodos de educação formal e informal, em clivagens que demarcavam o comportamento masculino do feminino.

O resultado disso é a imposição de que um menino precisa gostar de futebol. O pai, o professor, os colegas de escola, entre outros, o pressionam para que ele aceite e faça parte do principal “reduto do macho” na sociedade. Se não aceita, é discriminado e tem sua masculinidade colocada à prova. Se é mulher, é ridicularizada, afinal, “mulher não entende nada de futebol” - ou  também taxada como “sapatão”.

Essa educação heteronormativa, que aproxima homens pelo futebol, isolando-os dos “não homens” e das mulheres, cria certos espaços totalmente machistas e homofóbicos de convívio masculino - locais em que os homens se sentem livres não só para falarem de tudo o que cerca o futebol, como também para reforçarem estereótipos e preconceitos sobre mulheres e homossexuais.

Exemplos não faltam. A grande maioria dos programas televisivos que discutem futebol é composta por diversos homens “especialistas” no assunto, que comentam, com achismo e concertezismo, especulações a respeito do mundo da bola, enquanto uma mulher (totalmente enquadrada no padrão de beleza da sociedade: loira, alta, magra e de olhos azuis) cumpre o papel técnico de apresentar as notícias a serem comentadas, sempre sofrendo constrangimentos com comentários machistas. Sem contar as frequentes e depreciativas brincadeiras envolvendo a sexualidade de jogadores ou dos próprios comentaristas, feitas de forma homofóbica.

Uma simples pelada ou o acompanhamento de uma partida de futebol no estádio são situações repletas de xingamentos e piadas homofóbicas e machistas. Se um jogador sofre uma falta e demora a se levantar, é “viado”, “mulherzinha”. Se há uma árbitra ou auxiliar mulher, ela recebe uma enxurrada de “cantadas” ofensivas no início do jogo. Depois que a bola rola, cada suposto erro de interpretação seria motivado pela incapacidade feminina de compreender o esporte, assim, a mulher tem que “voltar pra cozinha” ou “pilotar fogão”. A mesma ofensividade ocorre quando uma espectadora se atreve a comentar o jogo perto de um “especialista” masculino, seja em casa ou no próprio estádio.

A cultura futebolística está longe de ser a única forma de o homem expressar machismo e homofobia na sociedade atual, mas é uma das mais bem acabadas. Ela possui espaços de convivência internos bem definidos e membros que se reconhecem como pertencentes ao "principal reduto do macho”.

Selinho homoafetivo

Na segunda-feira, 19 de agosto, o jogador Emerson Sheik, titular do Corinthians, publicou uma foto de si próprio beijando um grande amigo na boca, dando o popular selinho. A decisão sobre a postagem da foto foi feita conscientemente contra a homofobia e o machismo no esporte, já que o autor publicou o seguinte texto abaixo da imagem: "Tem que ser muito valente, para celebrar a amizade sem medo do que os preconceituosos vão dizer. Tem que ser muito livre para comemorar uma vitória assim, de cara limpa, com um amigo que te apóia sempre".

Mesmo sendo o jogador que fez os dois gols na final da Copa Libertadores 2012, dando o tão sonhado título a sua equipe, Emerson foi alvo de protestos de um setor de uma torcida organizada do Corinthians, cujos membros se locomoveram até o centro de treinamento do clube para demonstrarem descontentamento. Faixas exigiam a saída do jogador da equipe, com dizeres claramente homofóbicos: “Vai beijar a PQP, aqui é lugar de homem” e “Viado não”. Isso sem contar os milhares de torcedores corintianos que também se revoltaram com a atitude do jogador e expressaram isso na internet, do mesmo modo que fãs rivais tiraram sarro da atitude de Sheik.

E por que um selinho provocou tanto rebuliço? Exatamente porque o ato de Emerson questiona um pilar importante da educação heteronormativa, internalizado por toda a sociedade, ao mesmo tempo em que ameaça o tal reduto machista e homofóbico, exclusivo dos homens. Se um jogador de futebol dá um beijo homossexual significa que, ao contrário do que as instituições sociais ensinam, gostar do esporte, acompanhá-lo ou praticá-lo não define a sexualidade de uma pessoa. E isso assusta, pois pode significar que qualquer um dos "machos inquestionáveis" se assuma como homossexual se a questão passar a ser aceita socialmente. 

Hoje é um e tomara que amanhã sejam 50, 500, 5 mil, 5 milhões. Os homossexuais são uma enorme parcela da população, muitos e muitas amam futebol, mas têm que escolher: ou escondem a sexualidade para torcerem publicamente ou não torcem publicamente. Vários, por exemplo, vão a estádios e não se atrevem a ficar de mãos dadas com parceiros porque sabem que sua segurança estaria em risco. 

Sem contar os jogadores que têm medo de se assumirem, pois o fato pode até mesmo colocar em xeque suas carreiras, como ocorreu em caso internacional recente do jogador estado-unidense Robbie Rogers, que se assumiu homossexual e decidiu largar o futebol por afirmar ser "impossível continuar". No entanto, pouco tempo depois, uma equipe o contratou e houve até uma manifestação favorável ao jogador por parte dos torcedores do St. Pauli, clube alemão cuja torcida é conhecida por ser anti-homofóbica e anti-racista, além de ter um presidente assumidamente homossexual. No Brasil, houve o lamentável caso envolvendo um dirigente palmeirense e um juiz homofóbico sobre uma possível transferência do jogador Richarlyson.

Em outras palavras, os homossexuais precisam sair do armário também no futebol, o que não é tarefa fácil, pois é preciso questionar toda uma estrutura social machista e homofóbica.

O selinho de Sheik foi um passo importante, assim como a criação, na internet, das torcidas Queer (que surgiu com fãs do Atlético-MG), em que adeptos de diversos times de massa do Brasil defendem a liberdade de torcer expressando sua sexualidade, contra a homofobia, o machismo e o racismo. São pequenas iniciativas que já começam a ganhar repercussão para questionar esse tabu dentro de toda a cultura do futebol no Brasil, que já foi ainda mais racista, principalmente no início do século XX (veja mais aqui). Na Alemanha, a própria federação nacional lançou campanha que incentiva atletas homossexuais a se assumirem.

Uma "inocente" piada homofóbica, tão comum no mundo do futebol, ajuda a reforçar diversos esterótipos e preconceitos em uma sociedade machista e homofóbica, corroborando com a chacina de homossexuais que ocorre diariamente no Brasil (um dos países mais homofóbicos do mundo) e que é reforçada por setores conservadores, como pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Marco Feliciano (PSC). A demanda parece tão elementar que soa absurda: que os homossexuais e mulheres possam expressar livremente o gosto pelo futebol e praticá-lo. E como o futebol e a cultura que o envolve são um reflexo social, só é possível levar essa luta até o fim questionando as raízes da homofobia e do machismo em toda a sociedade. Ou seja, uma mera discussão sobre futebol, nesse caso, é um discussão sobre a sobrevivência de muitos homossexuais.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Putin na contramão da existência dos LGBTs na Rússia

Por Marie C. e Virginia Guitzel

Nas últimas semanas casos de tortura, assassinatos e opressão aos homossexuais cometidos na Rússia por grupos de extrema-direita chocaram o mundo inteiro, acompanhados de uma série de ataques pelas mãos do próprio Estado aos LGBTs. Uma verdadeira barbárie capitalista, respaldada pelo Estado. O primeiro ataque do atual presidente da Rússia, Vladmir Putin foi uma lei que proíbe a circulação de propaganda que contenham o conteúdo altamente ofensivo, de que pessoas que se relacionam com pessoas de mesma identidade de gênero são tão normais quanto as heterossexuais, a chamada lei anti gay proíbe que “propaganda gay” seja veiculada para menores de idade. Agora, turistas gays ou estrangeiros que de alguma maneira demonstrem homoafetividade publicamente, ou algum tipo de apoio aos LGBTs, inclusive a bandeirinha do arco-íris, poderão ser expulsos do país, punidos com multas ou até detenções. Para Putin, a Rússia não pode permitir que relações homoafetivas aparentem ser tão naturais quando as heterossexuais, assim como para ele, as Pussy Riot[1]  devem permanecer detidas e sua liberdade de protesto tem de continuar sendo negada. Ao mesmo tempo, ele dá apoio à Snowden, antigo funcionário da inteligência dos EUA que trouxe a público o esquema de espionagem do governo americano, ficou ao lado de Kadafi na Libia e de Al Assad na Síria durante todos os processos revolucionários e a ditadura banhada de sangue que o Estado impunha a população. É esta a face de quem dirige o Estado Russo, Putin, originário da KGB, órgão de espionagem que foi deixado pelo GPU, stalinista.


A herança stalinista presente no governo Putin. 
O stalinismo, que regrediu nos direitos das mulheres conquistados pela Revolução Russa após a burocratização da União Soviética, perseguiu homossexuais em todos os regimes nacionais que dirigiu, até mesmo em todos os estados operários deformados (Cuba, China, etc), esta perseguição se mostra presente até hoje. 

O stalinismo (desde 1928 até a queda do muro de Berlim) perseguiu homossexuais em todos os regimes nacionais que dirigiu, em todos os estados operários deformados (Cuba, China, etc), e mesmo na URSS. Para isso fazia uso até mesmo da GPU, órgão de espionagem do stalinismo, que depois deu origem à KGB, de onde veio Putin, que hoje com uma mão dá asilo à Snowden, perseguido político dos EUA e com a outra ataca xs LGBTs. 

Desde a burocratização do Estado operário que já produzida uma forte propaganda reacionária da família, contaminando a classe operária com as ideologias burguês com qual a revolução de outubro se chocaram até a restauração do capitalismo na Rússia que significou a perda de uma importante conquista do Estado operário, ainda que burocratizado para o que lhe é imposto no restante do globo. A imposição do modelo de família burguesa para reprodução da prole, cria mais mão de obra barata que combina ataques entres as mulheres com a criminalização ao aborto (antes aprovado em 1920) garantindo um grande exército de reserva que impõem a redução dos salários médios e ataques a sexualidade não - reprodutiva a serviço de lucros exorbitantes aos capitalistas.


Os LGBTs não pagarão pela crise! Que os capitalistas paguem a crise que geraram!
Nós LGBTs não nos encaixamos nesse padrão familiar burguês que visa a reprodução como forma de perpetuar a propriedade privada. Frente a crise mundial que se abriu em 2008, de proporções comparadas a crise dos anos 30, precisamos estar atentos como setor a quem direitos podem ser retirados com mais facilidade. Que os capitalistas querem nos impor os custos da crise é inegável, pois enquanto milhares de casas são retomadas, enquanto milhares de endividamento com as compras do supermercado, enquanto milhares perdem seus postos de trabalho e dezenas de outros sofrem ataques profundos em seus direitos trabalhistas, nada se questiona sobre os lucros das grandes empresas, dos bancos e do dinheiro público utilizado no salvamento de grandes capitalistas. Vimos nessa crise um novo cenário se abrir a nível mundial, a Primavera Árabe, que explodiu em 2011 reacendeu em nosso imaginário a ideia de revolução, inclusive levando a seu fim diversas ditaduras que reprimiam direitos democráticos mínimos, como no Egito. Onde agora existe um processo revolucionário aberto, já que a democracia burguesa, comandada por setores religiosos não conseguiu responder aos anseios da população com condições dignas de vida. Putin durante esse processo não só ficou ao lado de Kadafi, na Libia como continuou a vender armas ao seu aliado ditador Al Assad que segue no sanguinário genocídio do povo sírio. 


Os setores oprimidos e a juventude são os primeiros a sentir os efeitos de uma crise. Em 2012, no Estado Espanhol, um dos países mais atingidos pela crise, já foi reduzido o direito ao aborto. No Brasil o casamento igualitário foi aprovado este ano pelo SFT, demonstrando um avanço nos direitos civis formais dos LGBTs, ainda que o direito à adoção, que igualaria o  casamento homoafetivo com o casamento heterossexual, segue indefinido. Alguns meses depois um projeto intitulado “Cura Gay” tramitou no Congresso e só foi arquivado após diversos protestos ocorrerem por todo o país, também contra o parlamentar que o encabeçava, Marco Feliciano, este é representante da bancada evangélica no Congresso e faz parte da base aliada de Dilma/PT, demonstrando o quanto este governo não pode e não vai avançar nos direitos dos LGBTs. Mesmo com o avançar de direitos formais, o Brasil ainda é o país onde mais ocorrem crimes homo fóbicos no mundo, em 2010 foram aproximadamente 338 casos. A contradição entre a conquista de direitos que incluem os LGBTs na ordem e os avanços nos ataques e assassinatos demonstram que é preciso uma política revolucionária para responder a nossa opressão e nossa sexualidade.
As repostas a esses ataques aos LGBTs se dão de diversas formas, quando Marco Feliciano saiu a defender publicamente a Cura Gay diversos artistas se colocaram tanto a favor, como Joelma da Banda Calypso, cujo público majoritariamente gay a repudiou, quanto contra, como Daniela Mercury, que se assumiu lésbica. Na Rússia não foi diferente, Isinbayeva, campeã mundial de salto com vara, repudiou outra atleta, Emma Green-Tregaro, que fez seu salto no Mundial de Atletismo, que acontece agora em Moscou com as unhas pintadas nas cores do arco íris, em forma de protesto contra a lei anti-gay. Em resposta, duas atletas da equipe de corrida 4x400m subiram ao pódio em primeiro lugar de mãos dadas e comemoraram a vitória com um beijo. 
Essas expressões de figuras públicas, como o recente caso do jogador corintiano Emerson Sheik que publicou uma foto sua dando um selinho em outro jogador para expressar, em suas palavras, que “não é preciso ser homossexual para ser contra a homofobia”. São demonstrações importantes de visibilidade que contribuem para que se questione a hipocrisia de “não sou homofobico, mas...” que inclusive se expressou com os torcedores do Corinthians que foram protestar dizendo que não eram homofobicos, entretanto, não permitiriam ações como as de Sheik, de se expressar e sentir-se livre de beijar quem quiser.
É importante, nesse sentido, que utilizemos essas formas de visibilidade para fortalecer uma luta contra o Estado e os governos que contraditoriamente com a aprovação de tantas leis, ainda não conseguem garantir a igualdade na vida entre LGBTs e heterossexuais. Isso porque para além da opressão homofobica legitimidade pelos acordos eleitorais do governo, também se expressa um caráter de classe da qual é impossível existir igualdade.
A visibilidade seja da resistência e do combate as opressões ou da própria opressão como as fotos propagandeadas de grupos neo-nazistas agredindo homossexuais com o lema de “abençoe um homossexual com urina para curá-lo” contribui para polarizar a sociedade e abre espaço para uma atuação mais contundente dos revolucionários. Nós, desde a Juventude ÁS RUAS, colocamos nesse marco a revolução como uma condição para garantir a igualdade social entre todos os indivíduos, a tomada do poder pelas mãos dos próprios trabalhadores aliados a juventude e os setores oprimidos são questões inseparáveis do combate a homofobia e ao machismo.  Nesse sentido, é preciso que recuperemos outubro. Que recuperamos os avanços mais significativos no combate a desigualdade da vida, com a revolução russa de 1917 e levantemo-nos contra Putin, a Russia Unida e demais setores  burgueses que nada tem a nos oferecer. Busquemos a saída independente que possa nos garantir que sejamos “socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.
Atletas se beijam no pódio em protesto contra os ataques homofóbicos



[1] Pussy Riot é uma banda feminista de punk rock russo, que atuaram politicamente nas mobilizações de 2011 e 2012 contra as eleições suspeitas de fraude e contra o atual presidente Putin. Participaram de uma intervenção na Catedral de Cristo Salvador de Moscou atuando como se pedissem para Maria que não permitisse a eleição de Putin. Três membros da banda, Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Ekaterina Samoutsevitch foram presas e condenadas a dois anos de prisão. As demais integrantes da banda saíram do país evitando a perseguição política que vinham sofrendo.



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Viva a luta dos professores municipais, estaduais e da FAETEC! Abaixo o corte de ponto de Cabral! Pela greve geral da educação!

Por: Juventude às ruas - Rio


 As manifestações de junho desse ano mudaram o país. Depois de anos de lutas isoladas, a situação do transporte público, o estopim das manifestações, levou milhares às ruas de todo o país. No dia 11 de julho alcançamos um passo a mais na luta: os trabalhadores também entraram em cena, com greves, fechamento de estradas e rodovias por todo o país.
 O que gritamos naqueles dias de junho foram coisas que sempre estiveram na ponta da língua: saúde, educação, transporte. Em nosso estado temos condições de dar um grande passo à frente para retomar o caminho das mobilizações de junho.
Pela construção de uma greve geral da educação no Rio de Janeiro, como parte da construção da greve de 30/08!
Os professores municipais estão na maior greve em 20 anos. No dia 14/08 foram mais de 15 mil às ruas. Os professores estaduais e a FAETEC também estão em greve – e os professores estaduais enfrentam mais uma das ordinárias medidas de repressão do governador Sérgio Cabral: corte do salário dos grevistas. Sabemos que o salário dos professores já é um “salário de fome” e o governador quer calar o protesto dos professores, que é um direito: o direito a greve.
As reivindicações dos professores e funcionários da educação são justíssimas: por salários e melhores condições de trabalho. As greves se somam as manifestações de junho e também as paralisações que os trabalhadores da saúde têm feito contra a privatização dos hospitais federais com a empresa EBSERH; e se junta às paralisações que várias categorias votaram a favor no Rio de Janeiro e em todo o resto do país para o dia 30/08.
Podemos continuar o caminho aberto em 2012, quando todo o funcionalismo federal parou. Agora é unificar toda a educação para construirmos uma greve geral em todo o Estado e país!
Não faltam recursos aos empresários, a corrupção e à repressão!
A educação é precária: dos salários às condições de trabalho e estudo; há poucas vagas nas universidades públicas e escolas públicas de qualidade. Falta ar-condicionado, mesa e cadeiras nas escolas, bandejão, bibliotecas, laboratórios adequados nas universidades e escolas técnicas.
Porém, Sérgio Cabral e Eduardo Paes nunca poupam recursos para fazer “mobilizações” para que eles controlem o dinheiro do petróleo, nem poupam recursos para armar suas polícias e guardas-metropolitanas para nos reprimir em manifestações e matar nas favelas. Continuaremos nas ruas!
Não faltam recursos às obras faraônicas da Copa do Mundo e Olímpiadas, para ajudar o seu amigo e empresário, Eike Batista, e o seu outro amigo e milionário do transporte, Jacob Barata – e tantos outros empresários que lucram com as privatizações. Também não faltam recursos para intermináveis privilégios aos deputados, vereadores, juízes, Ministério Público, Tribunal de Contas da União etc.
São salários mais de 20 vezes maiores que o salário de um professor ou merendeiro, auxílios gravata, viagem, e muitos outros. A situação é tão absurda que a ALERJ tem um orçamento similar ao da UERJ incluindo o hospital Pedro Ernesto! Educação não é mercadoria! Que nenhum parlamentar, juiz, funcionário indicado e de alto escalão ganhe mais que um professor! Que nenhum professor ganhe menos do que prevê a constituição R$ 2.800,00!
Podemos e devemos começar a dar um FIM nesta situação construindo esta greve geral da educação. Fortalecer os setores que estão em luta, nos apoiar na força dos professores municipais para barrar o corte de ponto no estado. Fazendo assembleias e mobilizações na volta às aulas das universidades e escolas, e assim construirmos uma greve geral que nos ajudará a retomar o caminho de junho e julho – e superá-lo. Este será o caminho não só para conquistar salário e condições de trabalho e estudo, mas demonstrar para todo o país um passo adiante e colocar a pauta da educação no centro do debate. Este será um grande passo para lutar pelo “Fora Cabral” e contra seu aliado Eduardo Paes.
Todo apoio à luta dos professores e trabalhadores da educação! Não ao corte de ponto! Pelo imediato atendimento das reivindicações! Pela greve geral da educação!
Não a EBERSH e privatização da saúde!
Pelo imediato atendimento das pautas pendentes das greves das universidades de 2012!
Chega de privilégios: que todo parlamentar e juiz ganhe o mesmo que um professor!
Imediata reversão destes recursos para garantir que nenhum funcionário da educação ganhe menos que o salário mínimo do DIEESE (R$ 2750,00)!
Pelo confisco dos bens de corruptos e corruptores e conversão desses recursos na educação!
Pelo uso de TODOS OS RECURSOS do petróleo na educação, saúde e moradia! Pelo controle operário e popular destes recursos!



 Não basta pararmos ao mesmo tempo: é preciso coordenar a luta
Diversas vezes em que várias categorias estão em greve, ocorre alguns atos unificados. São um passo adiante. No entanto, é preciso muito mais. Precisamos nos coordenar para apoiar as lutas um do outro, unir as forças, o que permitirá muito mais que a soma, será a multiplicação. As ideias de uma categoria ajudam a outra, as pessoas se completam e pensam novas iniciativas.

É preciso criar comandos de greves (incluindo as direções sindicais) eleitos nas bases de cada categoria e coordená-los. Os estudantes poderiam fazer o mesmo e assim termos uma efetiva greve geral da educação! Chega de divisão, o SEPE pode e deve unificar as lutas dos professores municipais e estaduais, primeiro passo para uma coordenação de toda a educação!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Greve na UFPB Campus IV Rio Tinto/Mamanguape




                                                                   

 
 Comando Geral dos Estudantes
Campus IV – UFPB
Rio Tinto/Mamanguape – PB


COMUNICADO

O campus IV da UFPB, fruto do projeto REUNI, fundado em 2006, vem sofrendo em seu processo histórico grandes problemas estruturais, que partem desde a falta de sala de aulas à ausência de restaurantes e residências universitárias. O mesmo divide-se em duas unidades, respectivamente, nas cidades de Rio Tinto - PB e Mamanguape – PB.
Comunicamos que desde dia 09/07/2013 foi deflagrada greve estudantil, em que os estudantes ocuparam a direção de centro persistindo até os dias atuais. Os motivos reais desta deflagração são problemas estruturais, como Residência Universitária e Restaurante universitário inativo, biblioteca, laboratórios e salas sucateadas, falta de lanchonetes e Xerox dentro do campus. As reivindicações começaram no mês de fevereiro, em que tentamos entrar em acordos com o reitorado, porém, prazos foram estabelecidos e não cumpridos. Outro problema em nosso campus são os funcionários terceirizados que passaram um período de seis meses sem receber seus salários, que até o presente momento não foram ressarcidos. Percebemos então, a falta de compromisso de uma instituição pública de ensino com a classe trabalhadora e toda a sua comunidade acadêmica. Com isso, a greve estudantil veio como uma necessidade e não alternativa. 

De sua deflagração aos dias atuais se teve novas negociações, entretanto, continuamos a escutar um discurso paternal e conformista no intuito de acabar o momento de luta, em vez de resolver as reais problemáticas do campus. Pedimos as entidades de luta, comunidades, instituições e movimentos sociais o apoio ao nosso movimento, como forma de fortalecer a luta e estreitar os laços do movimento estudantil no Brasil. Pois diariamente estamos sendo retaliados pelas as instâncias burocráticas da UFPB e alguns setores reacionários de nosso campus. Portanto, pedimos o apoio e divulgação de nossa situação, na qual atual conjuntura se ver a necessidade de expandir a nossa luta estudantil.
Nossas pautas são as seguintes:

1. Funcionamento dos R.U’S (residência e restaurante) imediato;
2. Funcionamento da Xerox e Lanchonete dentro do Campus;
3. Pagamento dos Terceirizados Atrasados;
4. Reajuste dos Auxílios;
5. Técnico para laboratórios;
6. Estruturar as salas de aula e biblioteca, por sua insuficiência bibliográfica;
7. E criação da Unidade Gestora.

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A Juventude Às Ruas apoia a greve do Campus IV da UFPB!

É POR TUDO!

domingo, 11 de agosto de 2013

Greve dos Transportes parou a cidade de Campinas! É necessária a unificação da luta entre a juventude e trabalhadores!

Por Angelo H.


A greve dos trabalhadores do transporte público em Campinas parou 517 ônibus (o que representa mais da metade da frota da cidade) e também paralisou 85 linhas da EMTU, que faz o transporte na região metropolitano. A empresa e o governo tentam cortar os direitos do convênio médico, dizendo que a culpa "é dos que quiseram que abaixasse 30 centavos da tarifa", querendo jogar os trabalhadores contra a juventude e as manifestações de rua. Os motoristas e os cobradores disseram BASTA, paralisando a cidade por dois dias, passando por cima da burocracia sindical governista que tentou barrar a mobilização logo após o primeiro dia de paralização. Diferente do que normalmente ocorre quando há greve no setor de transporte e os ônibus não saem da garagem, desta vez foi diferente: centenas de ônibus paralisaram uma das principais avenidas de Campinas, fazendo piquete com  os veículos, mostrando a força de luta desses trabalhadores seguindo a revolta e radicalização das jornadas de junho.
Em junho um dos gritos que se escutavam nas ruas era “O motorista o cobrador me diz ai se seu salário aumentou”. Em Campinas, mesmo com a redução fruto das mobilizações, ainda tem uma das passagens   mais caras do Brasil, valor  que não se reflete nos holerites dos trabalhadores que recebem salários de fome, enfrentam condições de trabalho degradantes e insalubres,  precariedade dos veículos e superlotação, condições essas evidenciadas no acidente com vários feridos e um morto no dia 23 de julho[1].
O transporte “público” nas mãos dos empresários é a busca pelo lucro desenfreado, lucro esse que não se reverte na melhoria do transporte, não se reverte em melhores condições de trabalhos. Na fala de um motorista essa questão fica clara: "vocês não dizem que querem transporte de qualidade e mais barato? A gente também quer, que qualidade pode ter se a gente não tem nem saúde pra trabalhar?
No mês de Junho a juventude se levantou para lutar, e a demandas desatadora das mobilizações foi justamente a luta pelo transporte. A alta tarifa, a péssima qualidade e a precarização do trabalho são partes do mesmo problema, para modificá-la e garantir transporte público de qualidade para todos, onde o passe-livre para estudantes, desempregados e aposentados seja um direito, é fundamental a estatização dos transportes, única medida possível de arrancarmos das mãos dos empresários um direito que é de toda população. Enquanto a burguesia responde com repressão nossas mobilizações, como foi a reintegração ilegal e violenta da Câmara dos Vereadores que prendeu 138 jovens, a união entre a juventude, trabalhadores do transporte e usuários deixará governos e empresários em pânico. É necessário que confluamos nossas lutas, para que a própria juventude comece a identificar a classe operária como um aliado estratégico para sua luta!