Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Greve na UFPB Campus IV Rio Tinto/Mamanguape




                                                                   

 
 Comando Geral dos Estudantes
Campus IV – UFPB
Rio Tinto/Mamanguape – PB


COMUNICADO

O campus IV da UFPB, fruto do projeto REUNI, fundado em 2006, vem sofrendo em seu processo histórico grandes problemas estruturais, que partem desde a falta de sala de aulas à ausência de restaurantes e residências universitárias. O mesmo divide-se em duas unidades, respectivamente, nas cidades de Rio Tinto - PB e Mamanguape – PB.
Comunicamos que desde dia 09/07/2013 foi deflagrada greve estudantil, em que os estudantes ocuparam a direção de centro persistindo até os dias atuais. Os motivos reais desta deflagração são problemas estruturais, como Residência Universitária e Restaurante universitário inativo, biblioteca, laboratórios e salas sucateadas, falta de lanchonetes e Xerox dentro do campus. As reivindicações começaram no mês de fevereiro, em que tentamos entrar em acordos com o reitorado, porém, prazos foram estabelecidos e não cumpridos. Outro problema em nosso campus são os funcionários terceirizados que passaram um período de seis meses sem receber seus salários, que até o presente momento não foram ressarcidos. Percebemos então, a falta de compromisso de uma instituição pública de ensino com a classe trabalhadora e toda a sua comunidade acadêmica. Com isso, a greve estudantil veio como uma necessidade e não alternativa. 

De sua deflagração aos dias atuais se teve novas negociações, entretanto, continuamos a escutar um discurso paternal e conformista no intuito de acabar o momento de luta, em vez de resolver as reais problemáticas do campus. Pedimos as entidades de luta, comunidades, instituições e movimentos sociais o apoio ao nosso movimento, como forma de fortalecer a luta e estreitar os laços do movimento estudantil no Brasil. Pois diariamente estamos sendo retaliados pelas as instâncias burocráticas da UFPB e alguns setores reacionários de nosso campus. Portanto, pedimos o apoio e divulgação de nossa situação, na qual atual conjuntura se ver a necessidade de expandir a nossa luta estudantil.
Nossas pautas são as seguintes:

1. Funcionamento dos R.U’S (residência e restaurante) imediato;
2. Funcionamento da Xerox e Lanchonete dentro do Campus;
3. Pagamento dos Terceirizados Atrasados;
4. Reajuste dos Auxílios;
5. Técnico para laboratórios;
6. Estruturar as salas de aula e biblioteca, por sua insuficiência bibliográfica;
7. E criação da Unidade Gestora.

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A Juventude Às Ruas apoia a greve do Campus IV da UFPB!

É POR TUDO!

domingo, 11 de agosto de 2013

Greve dos Transportes parou a cidade de Campinas! É necessária a unificação da luta entre a juventude e trabalhadores!

Por Angelo H.


A greve dos trabalhadores do transporte público em Campinas parou 517 ônibus (o que representa mais da metade da frota da cidade) e também paralisou 85 linhas da EMTU, que faz o transporte na região metropolitano. A empresa e o governo tentam cortar os direitos do convênio médico, dizendo que a culpa "é dos que quiseram que abaixasse 30 centavos da tarifa", querendo jogar os trabalhadores contra a juventude e as manifestações de rua. Os motoristas e os cobradores disseram BASTA, paralisando a cidade por dois dias, passando por cima da burocracia sindical governista que tentou barrar a mobilização logo após o primeiro dia de paralização. Diferente do que normalmente ocorre quando há greve no setor de transporte e os ônibus não saem da garagem, desta vez foi diferente: centenas de ônibus paralisaram uma das principais avenidas de Campinas, fazendo piquete com  os veículos, mostrando a força de luta desses trabalhadores seguindo a revolta e radicalização das jornadas de junho.
Em junho um dos gritos que se escutavam nas ruas era “O motorista o cobrador me diz ai se seu salário aumentou”. Em Campinas, mesmo com a redução fruto das mobilizações, ainda tem uma das passagens   mais caras do Brasil, valor  que não se reflete nos holerites dos trabalhadores que recebem salários de fome, enfrentam condições de trabalho degradantes e insalubres,  precariedade dos veículos e superlotação, condições essas evidenciadas no acidente com vários feridos e um morto no dia 23 de julho[1].
O transporte “público” nas mãos dos empresários é a busca pelo lucro desenfreado, lucro esse que não se reverte na melhoria do transporte, não se reverte em melhores condições de trabalhos. Na fala de um motorista essa questão fica clara: "vocês não dizem que querem transporte de qualidade e mais barato? A gente também quer, que qualidade pode ter se a gente não tem nem saúde pra trabalhar?
No mês de Junho a juventude se levantou para lutar, e a demandas desatadora das mobilizações foi justamente a luta pelo transporte. A alta tarifa, a péssima qualidade e a precarização do trabalho são partes do mesmo problema, para modificá-la e garantir transporte público de qualidade para todos, onde o passe-livre para estudantes, desempregados e aposentados seja um direito, é fundamental a estatização dos transportes, única medida possível de arrancarmos das mãos dos empresários um direito que é de toda população. Enquanto a burguesia responde com repressão nossas mobilizações, como foi a reintegração ilegal e violenta da Câmara dos Vereadores que prendeu 138 jovens, a união entre a juventude, trabalhadores do transporte e usuários deixará governos e empresários em pânico. É necessário que confluamos nossas lutas, para que a própria juventude comece a identificar a classe operária como um aliado estratégico para sua luta!


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O que há por trás da Mídia NINJA?

por Alberto Suzano

Nas manifestações que ocorreram por todo o Brasil em junho deste ano, um grupo de jovens, portando celulares equipados com internet 3G e carregados via notebooks levados em mochilas, fez a cobertura mais próxima e contundente dos acontecimentos. Com transmissões ao vivo, filmaram diversas formas de violência policial, prisões (muitas vezes as próprias), entrevistaram os participantes das marchas e, como assumiram posição favorável aos protestos, cobrindo-os, mas também levantando bandeiras democráticas, não foram rechaçados por manifestantes, como ocorreu com diversos veículos da mídia tradicional (que chegou a ter carros queimados e repórteres expulsos dos atos). Isso fez com que eles tivessem informações e imagens que o jornalismo tradicional não teve acesso, dando “furos” e contradizendo, com provas cabais, os jornalões e os grandes canais de TV, ainda mais com o compartilhamento massivo de seus conteúdos por todo o Brasil, via internet.
Intitulando-se como mídia NINJA (abreviação para Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), o grupo tomou corpo pouco antes dos protestos, por iniciativa do jornalista Bruno Torturra. Em uma espécie de manifesto, Bruno elenca diversos problemas que existem na categoria dos jornalistas, como salários achatados, falta de autonomia, demissões em massa, falta de unidade entre os profissionais, para chegar à conclusão de que os inconformados com a situação deveriam tentar algo diferente. Assim, o grupo é fundado como parte integrante do coletivo cultural Fora do Eixo (FdE).
Mas se o NINJA é um grupo que se posiciona politicamente (como se demonstrou posteriormente, nos protestos), a serviço de que ele atua? Quer a democratização da comunicação ou uma fatia de mercado? Não há uma carta de princípios que norteia os adeptos. Aparentemente, eles apenas publicizam as revoltas populares ligadas ao seu público (predominantemente composto por membros da classe média), sob uma perspectiva interna (de dentro das manifestações). No entanto, há aspectos que mostram o que há por trás desse grupo de jovens.
Posicionamento político x independência
Jornalista nenhum é imparcial, pois o mito da objetividade só existe para que a mídia corporativa venda o seu pensamento como verdade acima do bem e do mal. No jornalismo alternativo isso não é diferente, ainda mais porque grupos deixam mais claras suas posições políticas. Mas é necessário que os recursos materiais não interfiram na produção, sob o custo de ferirem a independência editorial.
Explicando melhor: ao se aliarem ao FdE, os ninjas conseguiram um esquema de financiamento para o projeto alternativo que elaboraram. Mas o FdE se financia com verba pública (oriunda de editais), tem patrocínio de empresas privadas e relação com determinados grupos políticos como Rede, PV e o próprio PT (veja mais aqui), nada interessados, por exemplo, na expansão massiva das lutas por demandas básicas que começaram nas jornadas de junho. Como se tratam de partidos da ordem, com muito rabo preso e, em certos casos, envernizados de novidade, não vão construir métodos para que os trabalhadores e jovens consigam levar até o final um questionamento explosivo acerca do regime, colocando várias de suas estruturas em xeque e propondo alternativas reais.
Partindo da concepção materialista de que o que determina as escolhas (no caso, a linha editorial do jornalismo alternativo) são as condições materiais, passa a haver uma relação de interesses entre quem garante o financiamento do grupo e os próprios produtores de conteúdo, no caso específico. Bem parecido com o que acontece na mídia tradicional.
Para que o questionamento das estruturas sociais seja profundo e vá até a raiz do problema, sem correr o risco de se corromper pelo caminho, é necessário que haja independência política, que só se dá com independência econômica. Isso, os ninjas não têm.
Ainda mais se formos verificar as concepções do FdE para expansão de sua rede capilarizada. Em relato recente que circula nas redes sociais (confira aqui a íntegra), a cineasta Beatriz Seigner dá exemplos chocantes de como o que menos importa na rede de coletivos é a arte, mas a expansão da marca FdE, mesmo que para isso seja necessário aliança com vereadores, secretários de cultura, empresários e congêneres, que não desejam nem de longe a melhoria dos serviços básicos para a população e democratização da informação e da cultura.
Uma amostra dessa contradição é a aversão que muitos grupos políticos mais contestadores e com base na periferia, como o movimento do Hip Hop em São Paulo, as Mãe de Maio, o Cordão da Mentira, a Associação de Moradores da Favela do Moinho, entre outros, costumem expulsar membros do FdE de seus atos, pois são acusados de quererem representá-los sem terem esse direito, junto a políticos governistas e conservadores da pior espécie.
“Ah, mas eles cobriram e estão cobrindo os protestos”. Sim, mas até agora, a cobertura não entrou em contradição direta com os interesses que estão por trás deles, até pela massividade que atingiram (vide que a própria grande imprensa passou a apoiar os protestos). Eles acompanharam o público jovem das redes sociais nas marchas, que é sua fatia de mercado e seu principal termômetro. Sem contar que, segundo Seigner, é prática comum a produção cultural de um indivíduo ser "despessoalizada" para que o FdE apareça como grande realizador, mesmo a pessoa em questão não se reivindicando parte do coletivo. Ou seja, está em cheque também a autoria dos vídeos produzidos.
Mundo analógico
Houve méritos evidentes. Os ninjas foram às ruas e "inauguraram" de verdade a transmissão via celular em tempo real no Brasil. Conseguirem fazer algo nacionalmente relevante, de forma alternativa e com poucos recursos. Mas o que devem fazer os milhares de jornalistas de pequenas redações de todo o Brasil que sofrem com os diversos problemas da categoria? E os trabalhadores que consomem a informação que ainda é analógica?
A insatisfação de Torturra com as péssimas condições do trabalho jornalístico no país é correta, mas desemboca numa saída errada. Em vez de se questionar sobre como alterar as estruturas que regem os grandes meios de comunicação (braços ideológicos dos poderosos, e que utilizam concessão pública – como os canais de TV aberta, para funcionarem com finalidades privadas), militando por medidas como estatização sob controle dos trabalhadores e da população de canais de televisão, o jornalista preferiu fundar um grupo que pode atuar de imediato, mas que, no máximo, instiga os demais membros da categoria a terem iniciativas parecidas.
Ocorre que essa saída não questiona o modo como a produção de informação no Brasil está pautada. Pelo contrário, ela até o corrobora. Se o modelo FdE/NINJA se expandisse, empresas privadas capilarizadas em rede, que exploram, sob condições distantes das estabelecidas pela lei burguesa (veja mais aqui e aqui), a mão-de-obra dos “colaboradores”, seriam fortalecidas. Sem contar que simplesmente não existe espaço para que todos os profissionais sigam esse método e consigam se manter em condições dignas.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o produtor cultural Pablo Capilé, idealizador do FdE, afirmou que a NINJA pode oxigenar a mídia convencional.
A população não quer que a mídia tradicional se oxigene para usar de forma privada um direito que deveria ser público (o acesso à informação de qualidade) e, assim, encher seus bolsos reforçando estereótipos ou criminalizando os trabalhadores e o povo pobre. A luta é para que haja uma real democratização dos meios, para que os trabalhadores possam escolher o que assistir, ler e produzir.
A Mídia NINJA mostrou que há um espaço importante de contrainformação mal utilizado pela esquerda na internet, especificamente nas redes sociais. Mas um jornalismo alternativo não pode se contentar em obter sua reserva de mercado, sendo financiado por governo e empresas, enquanto a mídia corporativa se mantém intacta e os jornalistas e a população vivem no mundo analógico que o FdE diz não existir mais. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Trocar a burocracia sindical pelos novos dirigentes operários!

A politização nacional e o dia 11 vistos de dentro de uma fábrica com a burocracia no sindicato
por W., operário numa fábrica em São Paulo
As enormes manifestações que tomaram as ruas do país durante o mês passado também marcam uma profunda mudança na politização geral do proletariado. Está visto e confirmado por todos, manifestações de rua conseguem resultados. Ainda que o principal sujeito social que se depreende desse processo seja uma massa de jovens, policlassista, chamada de “manifestantes”, a classe operária industrial não só acompanhou cada passo da luta numa crescente expectativa, fazendo desse o tema predominante nas rodas de conversa durante duas ou três semanas seguidas, como também participou pontualmente, a partir das manifestações organizadas nas periferias; viu seus elementos mais avançados tentarem se organizar para atender aos chamados de greve geral feitos nas redes sociais, para os dias 26/06 e 01/07 e ainda puderam, em alguns locais, participar das manifestações do dia 11, bem controladas pela burocracia.
O chamado para o dia 11 desde o início não esteve à altura do espírito que tomava conta do proletariado. Primeiro por ser tardio, pois ainda que as pautas fossem muitas, o aumento das passagens já havia sido barrado e o movimento tinha passado seu ápice. A classe operária gostaria de ter participado organizadamente dessa conquista e certamente se veria mais forte se assim tivesse sido. Mais do que isso, o dia 11, pelo que a burocracia sindical quis e fez dele, cobrou caro aos elementos mais progressivos do processo. Os trabalhadores que mais sintetizavam a politização nacional, os que agitavam as rodas de conversa em defesa das lutas e que convocavam os colegas a se somarem, foram os que mais se desmoralizaram com a não aparição do sindicato, a não paralisação organizada da categoria ou da fábrica e também com as notícias, vistas durante o almoço, sobre como estava sendo fraco aquele dia de paralisação nacional.
Como deve ser nas revoluções e processos avançados de luta de classes, o pré dia 11 nos mostra novos dirigentes operários surgindo por todos os lados, sedentos para dar um novo sentido às suas vidas, perdidas numa rotina pobre, quando se passa ao menos 12 horas diárias em função do trabalho. O processo de politização nacional que antecede o dia 11 foi profundo o suficiente para esses novos dirigentes levantarem suas cabeças e começarem a ensaiar seus discursos. Não só havia subjetividade o suficiente para uma forte paralisação naquele dia, como a mesma poderia ser coordenada a partir do chão de fábrica. A incapacidade do salário para suprir uma vida digna e a necessidade de elevar o mínimo para R$ 1, 5 mil era o eixo que colocava um jovem que se despertava como dirigente operário, que não participou de manifestação alguma, mas que estava incendiado o suficiente para passar o dia 10 inteiro contagiando e organizando o seu setor para a paralisação seguinte. Os trabalhadores combinavam de chegarem juntos e assim ninguém sofrer sozinho a possível pressão da patronal para que entrassem, outros pediam aos que chegam primeiro que avisasse se estavam parados mesmo, pois assim nem iriam. Naquele dia, passos e conversas ansiosas afastavam o frio do final de madrugada enquanto caminhávamos até o portão da fábrica. Vamos entrar em cena!
Experiência amarga com a burocracia sindical, para a maioria, no escuro. Em um período de fragilidade do governo Dilma/PT por diversas vias, CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, UGT e Nova Central), marcam posição com uma pequena vazão localizada e controlada das forças do proletariado nacional, permitindo a entrada em cena de alguns milhares. Trotsky nos antecipou, “Os burocratas fazem todo o possível, em palavras e nos fatos, para demonstrar ao estado "democrático" até que ponto são indispensáveis e dignos de confiança em tempos de paz e, especialmente, em tempos de guerra.” (Os sindicatos na época da decadência imperialista, 1940), portanto, atuamos durante esse processo, por fora das fábricas, com o Boletim Classista, a Juventude às Ruas e o Sintusp, que fazem parte das forças da ala esquerda “dos manifestantes” que barraram o aumento das tarifas. Nossa juventude e trabalhadores atravessavam qualquer muro ou catraca com seus panfletos e ideias em rodas de conversas sobre a situação nacional e os rumos do movimento.
Buscamos nos ligar aos operários mais avançados das fábricas, pois queremos ser parte do despertar revolucionário desse estratégico setor, que deve retomar seus sindicatos sob controle dos trabalhadores, sem burocracia, se preparando para os enfrentamentos mais duros contra a burguesia, que a crise irá trazer inevitavelmente. Mais uma vez, Trotsky ajuda, “É por essas razões que as seções da IV Internacional devem esforçar-se constantemente não só em renovar o aparelho dos sindicatos, propondo audaciosa e resolutamente nos momentos críticos novos líderes prontos à luta no lugar dos funcionários rotineiros e carreiristas, mas inclusive criar, em todos os casos em que for possível, organizações de combate autônomas que respondam melhor às tarefas da luta de massas contra a sociedade burguesa, sem vacilar mesmo, caso seja necessário, em romper abertamente com o aparelho conservador dos sindicatos. Se é criminoso voltar as costas às organizações de massa para se contentar com facções sectárias, não é menos criminoso tolerar passivamente a subordinação do movimento revolucionário das massas ao controle de camarilhas burocráticas declaradamente reacionárias ou conservadoras disfarçadas ("progressistas"). O sindicato não é um fim em si, mas somente um dos meios da marcha para a revolução proletária.” (O Programa de Transição, 1938).



quinta-feira, 25 de julho de 2013

Abaixo o decreto 43302! Abaixo o DOI-CODI de Cabral!

Por: Jean Ilg e Leandro Ventura

O governo Cabral está acuado com as manifestações. Vendo sua popularidade despencar (19% na última pesquisa, sendo que se elegeu com 66%), sofrendo questionamentos justamente de seus mais importantes legados começa a tomar medidas dignas do que sempre se cantou nas manifestações: “Cabral é Ditador”. Seu principal legado, junto a Dilma e Paes, era mostrar um Rio pacificado (com as UPPs) e que fosse uma vitrine do país com os grandes eventos. Pois bem, da Rocinha surge um forte movimento para aparição de Amarildo (pedreiro desaparecido por policiais das UPPs), da Maré pela punição dos assassinatos de 13 moradores. E nas ruas os manifestantes cantam pela aparição de Amarildo e “Maré resiste”. Da Copa, nem falar, o slogan “Da Copa eu abro mão” ganhou profundamente as ruas. Este é o pano de fundo para o imenso ataque aos manifestantes, às liberdades civis e a constituição que Cabral procura fazer.
O governo e o MP são agentes e criadores interessados do discurso ecoado na grande mídia e da campanha suja que esta vem fazendo contra as manifestações. A natureza desta parceria se dá pela necessidade de jogar a opinião pública contra os manifestantes, como é o caso desta narrativa que distingue artificialmente as manifestações entre “pacíficas” e “desordeiras”, para que então se apresente uma solução imediata para o falso problema. A maior desordem são as condições de moradia, saúde, educação, trabalho neste Estado! O maior vandalismo são as mortes na Maré, o desaparecimento na Rocinha, são as infiltrações da ABIN de Dilma, da civil e da PM de Cabral nas manifestações!
Um projeto original digno de AI-5
Com o apoio do MP (que até umas semanas atrás bancava-se o bonzinho, aquele que controlaria a polícia para conseguir gente que fosse a rua lhe defender recusando a PEC 37), o Governo Estadual pretende reviver os DOI-CODI com outro nome, a CEIV: Comissão Especial de Investigações de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas. No texto original publicado em 19/07, entrando em vigor na última segunda-feira , teve terá poder de investigação e repressão sem limites especificados.
Ou seja pela letra da lei podem ter feito de segunda até hoje, quando alteraram o decreto, torturas ou mesmo sumiços de alguém (quantos Amarildos estão dispostos para sufocar as manifestações?) para buscar os “vínculos internacionais” dos “vândalos”. É importante pontuar que a criação da CEIV se dá em um clima de reação, logo após a manifestação na casa do governador Sérgio Cabral no Leblon (17/07), que é um dos bairros com o m² mais caro do país, no cartão postal do Rio de Janeiro. Isto aconteceu depois de mais declarações do presidente Fifa, Joseph Blatter que “talvez tenha sido um erro escolher o Brasil”.
O raciocínio é de que as manifestações de rua exigiram que o Estado lubrificasse a sua máquina repressora (Polícias Militar e Civil, Ministério Público e Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro) tomando “todas as providências necessárias à realização da investigação da prática de atos de vandalismo, podendo realizar diligências, requisitar informações e praticar quaisquer atos necessários à instrução de procedimentos criminais com a finalidade de punição de atos ilícitos praticados no âmbito de manifestações públicas ”(Art. 2).
Isso significa que a polícia pode perseguir os manifestantes suspeitos de vandalismo em suas casas. É como o Ato Patriota de Bush, só que ao invés de Guantánamo, temos a Bangu I. Em outro artigo (3º) está previsto a quebra de sigilo telefônico e virtual, com o prazo máximo de até 24h para que a empresa prestadora do serviço forneça as informações requisitadas sobre os indivíduos pela CEIV. Significa que o número de prisões arbitrárias, os policiais infiltrados dentro do movimento, os disparos com munição letal ou o contingente absurdo exercendo o policiamento nesta semana, no Rio de Janeiro, por causa da vinda do papa, não dão mais conta da repressão, portanto é preciso seguir os indivíduos em suas casas, seus e-mails, facebooks, telefonemas. Cria uma agência como a da CIA de Obama para nos espionar com o objetivo de amedrontar e impedir manifestações.
Após intensas críticas Cabral retira aspectos do projeto mas mantém seu objetivo: caça às bruxas
Cabral colocou o decreto 43302 em prática. Mesmo com intensas críticas na mídia e até da OAB-Nacional quantos sigilos foram quebrados, quantas arapongas montadas, que caça as bruxas se iniciou? A OAB pronunciou-se sobre a inconstitucionalidade de três itens do decreto: que nenhum órgão de investigação pode ser criado por decreto estadual, a falta de limites à ação da comissão (artigo segundo), e que a quebra de sigilos seja feita pela comissão e não pela justiça.
Feitos estes questionamentos Cabral emitiu novo decreto nesta quinta-feira onde deixa o artigo segundo intacto e altera o terceiro falando que a justiça que autorizará as quebras de sigilo. A OAB-RJ segue declarando a inconstitucionalidade do decreto apoiando-se no argumento que não pode ser criada comissão de investigação por decreto estadual.
A OAB-RJ limita-se ao papel de questionar a constitucionalidade do o decreto, quando deveria estar se colocando contra a criação de qualquer CEIV. Se nos limitarmos a questionar a legalidade do decreto, perdemos a oportunidade de questionar para que servem estas forças de segurança, estas investigações. Esta postura é uma continuidade das declarações do presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, depois da manifestação no Leblon. Naquela ocasião ele defendeu que fossem tomadas enérgicas medidas para prisão dos “vândalos”. A presidência da OAB quer ordem, não emite um comunicado sequer sobre Amarildo e este vandalismo. Cabral quer ordem. Divergem no respeito à constituição. Não devemos criar ilusões de que uma força tarefa semelhante a esta CEIV, por exemplo, poderia ser criada para investigar e punir os assassinos dos 13 moradores da maré ou investigar o paradeiro do Amarildo de Souza, morador da rocinha que foi levado por polícias para verificação. Nem devemos criar ilusões em órgãos como a OAB que ora posam de nossos aliados ora são os primeiros a querer manifestantes presos. Quem é vândalo o Estado que some com um pedreiro ou quem pega um lixo na calçada, joga ele na rua para se defender da brutalidade da PM de Cabral?
Fortalecer a luta independente do Estado, do governo e de sua “justiça”
Esta demonstração de silêncio da OAB-RJ é patente de que a Justiça, no nosso Estado Democrático de Direito, tem a função única de ratificar os privilégios de uma parcela da população sobre a outra. Ao eliminar “qualquer dúvida quanto ao respeito ao processo legal”, a Ordem dos advogados cumpre a função de dar o caráter legal à função de mantenedora da Ordem das forças repressivas do Estado. Chamamos os advogados progressistas, que a despeito de sua ordem, tem defendido todos os manifestantes a seguirem nas manifestações e nas portas das delegacias. Juntos derrotaremos as arbitrariedades de Cabral, os assassinatos nas favelas e a repressão no asfalto! Abaixo o AI-5 de Cabral! Liberdade a todos os presos políticos! Pelo fim de todos inquéritos! Pela aparição imediata de Amarildo! Abaixo a ABIN de Dilma! Pela extinção do serviço reservado! Abaixo as UPPs! Pelo fim de todas forças repressivas do Estado!

Juventude às Ruas – RJ organiza debate/passeio sobre história da luta dos negros e dos trabalhadores no Rio de Janeiro


Por Jenifer Tristan, Rio de Janeiro
História de luta e resistência negra


Nós da Juventude às Ruas queremos ser parte ativa na reconstrução da verdadeira história da luta dxs negrxs e da classe trabalhadora deste país. Neste último sábado dia 20/07 realizamos um passeio/debate no Centro do Rio, que tem o objetivo de caminhar pelas ruas desenterrando a nossa história que Pereira Passos e todos os governantes que o sucederam fazem questão de permanecer enterradas a cimento e cal até hoje.
Relembrando a primeira greve operária nesta cidade, em 1857, que é uma greve de trabalhadores do estaleiro Mauá, assalariados mas não livres, a primeira greve de assalariados livres no ano seguinte quando os gráficos imprimiam seu jornal de greve defendendo a abolição da escravidão. Vimos nestas experiências, e outras, a importância da aliança entre trabalhadores negros e brancos como parte da luta por emancipação humana, por ruas importantes onde aconteceram revoltas como a rua onde a ultima barricada da revoltada da vacina foi apagada depois de muito tempo de resistência, mesma rua onde está o IPN (Instituto dos Pretos Novos) que é um grande cemitério de escravos, onde também foi esquecido não só ideologicamente mas fisicamente com mais cimento e moradias na rua onde fica esse cemitérios que hoje tem casas, carros por cima como se nada houvesse acontecido ali. Aquele que é o maior cemitério de escravos que se conhece em todo o planeta: uma grande vala onde se jogavam os "lixos" daquela época desde lixo urbano a escravos mortos por doença, por não agüentar a viajem nos navios negreiros ou mesmo por não servir para venda.
Nosso passeio/debate teve fim nos jardins suspensos do Valongo, jardim lindo que também esconde a história, pois nesse jardim belíssimo é onde ficavam os armazéns de engorda. Neles os africanos trazidos de toda parte eram mantidos depois das extenuantes viagens nos navios negreiros, muitos chegavam fracos, magros e os armazéns de engorda eram onde os traficantes os alimentavam assim como animais para que ganhassem corpo para serem vendidos.
Achamos extremamente necessário resgatar a história dos negros que é um pilar estrutural de como se conformou esse país, pois essa elite brasileira que nasceu espremida pela elite colonial e revoltas negras carrega consigo o racismo como marca até hoje, e resgatar essa história para nós é parte fundamental para vingar nossos mortos e reconstruir nossa história, pois os monumentos da cidade escondem a nossa resistência e luta para que não aprendamos com o passado e façamos de cada barricada destruída, de cada revolta da vacina, da chibata, presente nos dias de hoje para trazer abaixo não só esta elite herdeira da escravidão, do latifúndio, de suas instituições nascidas e perpetuadas para caçar negros e trabalhadores como a polícia, mas também para superar o racismo.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Estudantes apoiam a luta dos terceirizados da limpeza da Unicamp!



Nessa segunda-feira, dia 22 de julho, as trabalhadoras terceirizadas da limpadora Centro da Unicamp, decidiram cruzar os braços e iniciar uma greve contra as precárias condições de trabalho, por aumento no salário e garantia de direitos, além da readmissão das trabalhadoras que foram demitidas politicamente, por denunciarem essas condições de trabalho. Nós, da Juventude Às Ruas! viemos prestar a nossa solidariedade ativa a luta desses trabalhadores.

O trabalho precarizado, no qual os trabalhadores são submetidos a uma jornada diária de 12 horas com forte assédio moral, sem direito a faltas médicas, sem nenhum direito garantido, para receberem muitas vezes menos de um salário mínimo (como ocorre aqui na Unicamp) é a realidade de diversos trabalhadores por todo país, que para o governo contam como trabalhadores formais, escondendo a precariedade desse trabalho semi-escravo.

Sabemos, que a maioria desses trabalhos precarizados, ligados a extensão do serviço doméstico, são realizados por mulheres, recebendo menos que os homens. A “precarização tem rosto de mulher”! E hoje, o governo e os empresários estão preparando mais um ataque à classe trabalhadora, com o projeto de lei PL 4330 que permite a legalização da terceirização em todas as atividades, ou seja, a regulamentação do trabalho semi-escravo em todos os níveis na empresa - hoje apenas as atividades consideradas meios, ou seja, atividades “secundárias” da empresa como por exemplo a limpeza, o refeitório, podem ser terceirizados.


Na universidade o trabalho terceirizado é a outra face da moeda do projeto da universidade de excelência, cada vez mais privatizada e elitista. Ao invés de funcionários efetivos contratados pela Unicamp, o Reitor e a burocracia da universidade mantém a terceirização como uma via de enxugar os seus gastos com funcionários, mantendo seus acordos com as máfias das empresas terceirizadas que estão na limpeza, no restaurante, nas construções da universidade e se isentando de qualquer responsabilidade sob as condições de trabalho a que estão submetidas estes trabalhadores. Além disso, a terceirização também é uma forma de dividir os trabalhadores, dificultando a sua organização e diminuindo as suas forças de mobilização. Recentemente, os trabalhadores da limpeza da USP, da empresa Higilimp, também entraram em greve para receberem os seus salários atrasados, o mesmo ocorreu em 2011 com a empresa União, e em 2007 com a empresa Dima, em todas estas lutas as trabalhadoras organizadas conseguiram conquistar os seus salários atrasados.

Mas com um diferencial da atual greve na Unicamp, que seguindo o espírito de lutas e mobilizações instalado no Brasil, não é uma luta de defesa de postos de emprego e salários frente demissões, mas sim uma luta que vai por mais conquistas, essas trabalhadoras se colocam na ofensiva contra a precarização do trabalho e do projeto de universidade que paga super salários para os reitores e cargos de chefia enquanto para xs terceirizadxs recebem menos que um salário mínimo. Projeto de Universidade esse que impedem que elas tenham acessos ao conhecimento produzidos nas salas e laboratórios que elas mantem limpos, em ordem e em condições para o uso diário. Uma luta que escancara a fundo o caráter machista da universidade, empregando centenas de mulheres para cumprirem as tarefas de limpeza em condições sub humanas de acidentes de trabalho, legitimando a ideologia que a mulher é inferior, que seu trabalho vale menos e que sua única função social é a da reprodução, da limpeza, de um trabalho repetitivo e embrutecedor.

Os sindicatos desses trabalhadores são em grande parte diretamente patronais, passando demissões, denunciando trabalhadores, estão totalmente a serviço dos interesses dos chefes. Por isso é central que xs trabalhadores se auto organizem por fora e em combate a essas burocracias patronais, para que eles mesmos reconquiste os sindicatos como instrumento de luta próprio, servindo seus interesses. Nós como juventude e estudantes estamos ao lado de todas as iniciativas de luta dos trabalhadores, como também em defesa em caso de ataques que possam vir dessas burocracias e patrões.

Vimos milhares de jovens saindo as ruas no Brasil e conquistando direitos reivindicando melhores condições de saúde, educação, transporte. Essa foi a prova viva de como a juventude pode cumprir um papel central nas lutas, mas sozinhos sua luta fica pela metade, só com os trabalhares que são os reais produtores de riquezas, é possível arrancarmos direitos e colocar os governos e reitorias em xeque. A solidariedade dos estudantes pode fazer a diferença, dar maior impulso e visibilidade a luta das terceirizadas da Unicamp, ao mesmo tempo em que a luta contra a precarização do trabalho e as condições desumanas sob a qual se ergue a Unicamp é também a luta por outro projeto de universidade. Pelo fim da terceirização e pela incorporação dessxs trabalhadorxs sem concurso público, uma vez que já mostram diariamente que são capazes de realizar esse serviço! Pelo fim do vestibular, acesso a toda população a universidade publica, com creches, moradia, e auxilio alimentação, transporte, e estudos, garantindo o acesso a todos que necessitem!

Fazemos um chamado às entidades estudantis para se posicionarem e fazerem um chamado aos estudantes para se mobilizarem. Achamos que é fundamental o movimento estudantil estar preparado para apoiar os trabalhadores para que todas as suas reivindicações sejam aceitas e nenhuma punição seja passada!

Por salários dignos, melhores condições de trabalho e aumento do quadro de funcionários!

Pela readmissão das trabalhadoras demitidas por perseguição política! Abaixo o assédio moral aos trabalhadores!

Pelo fim da terceirização e pela incorporação dessxs trabalhadorxs sem concurso público, uma vez que já mostram diariamente que são capazes de realizar esse serviço!

Pelo fim do vestibular, acesso a toda população a universidade publica, com creches, moradia, e auxilio alimentação, transporte, e estudos, garantindo o acesso a todos que necessitem!

Que a UNICAMP se responsabilize pelas condições de trabalho, chega de precarização e super-exploração do trabalho enquanto a universidade paga super-salários a seus dirigentes!