Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Putin na contramão da existência dos LGBTs na Rússia

Por Marie C. e Virginia Guitzel

Nas últimas semanas casos de tortura, assassinatos e opressão aos homossexuais cometidos na Rússia por grupos de extrema-direita chocaram o mundo inteiro, acompanhados de uma série de ataques pelas mãos do próprio Estado aos LGBTs. Uma verdadeira barbárie capitalista, respaldada pelo Estado. O primeiro ataque do atual presidente da Rússia, Vladmir Putin foi uma lei que proíbe a circulação de propaganda que contenham o conteúdo altamente ofensivo, de que pessoas que se relacionam com pessoas de mesma identidade de gênero são tão normais quanto as heterossexuais, a chamada lei anti gay proíbe que “propaganda gay” seja veiculada para menores de idade. Agora, turistas gays ou estrangeiros que de alguma maneira demonstrem homoafetividade publicamente, ou algum tipo de apoio aos LGBTs, inclusive a bandeirinha do arco-íris, poderão ser expulsos do país, punidos com multas ou até detenções. Para Putin, a Rússia não pode permitir que relações homoafetivas aparentem ser tão naturais quando as heterossexuais, assim como para ele, as Pussy Riot[1]  devem permanecer detidas e sua liberdade de protesto tem de continuar sendo negada. Ao mesmo tempo, ele dá apoio à Snowden, antigo funcionário da inteligência dos EUA que trouxe a público o esquema de espionagem do governo americano, ficou ao lado de Kadafi na Libia e de Al Assad na Síria durante todos os processos revolucionários e a ditadura banhada de sangue que o Estado impunha a população. É esta a face de quem dirige o Estado Russo, Putin, originário da KGB, órgão de espionagem que foi deixado pelo GPU, stalinista.


A herança stalinista presente no governo Putin. 
O stalinismo, que regrediu nos direitos das mulheres conquistados pela Revolução Russa após a burocratização da União Soviética, perseguiu homossexuais em todos os regimes nacionais que dirigiu, até mesmo em todos os estados operários deformados (Cuba, China, etc), esta perseguição se mostra presente até hoje. 

O stalinismo (desde 1928 até a queda do muro de Berlim) perseguiu homossexuais em todos os regimes nacionais que dirigiu, em todos os estados operários deformados (Cuba, China, etc), e mesmo na URSS. Para isso fazia uso até mesmo da GPU, órgão de espionagem do stalinismo, que depois deu origem à KGB, de onde veio Putin, que hoje com uma mão dá asilo à Snowden, perseguido político dos EUA e com a outra ataca xs LGBTs. 

Desde a burocratização do Estado operário que já produzida uma forte propaganda reacionária da família, contaminando a classe operária com as ideologias burguês com qual a revolução de outubro se chocaram até a restauração do capitalismo na Rússia que significou a perda de uma importante conquista do Estado operário, ainda que burocratizado para o que lhe é imposto no restante do globo. A imposição do modelo de família burguesa para reprodução da prole, cria mais mão de obra barata que combina ataques entres as mulheres com a criminalização ao aborto (antes aprovado em 1920) garantindo um grande exército de reserva que impõem a redução dos salários médios e ataques a sexualidade não - reprodutiva a serviço de lucros exorbitantes aos capitalistas.


Os LGBTs não pagarão pela crise! Que os capitalistas paguem a crise que geraram!
Nós LGBTs não nos encaixamos nesse padrão familiar burguês que visa a reprodução como forma de perpetuar a propriedade privada. Frente a crise mundial que se abriu em 2008, de proporções comparadas a crise dos anos 30, precisamos estar atentos como setor a quem direitos podem ser retirados com mais facilidade. Que os capitalistas querem nos impor os custos da crise é inegável, pois enquanto milhares de casas são retomadas, enquanto milhares de endividamento com as compras do supermercado, enquanto milhares perdem seus postos de trabalho e dezenas de outros sofrem ataques profundos em seus direitos trabalhistas, nada se questiona sobre os lucros das grandes empresas, dos bancos e do dinheiro público utilizado no salvamento de grandes capitalistas. Vimos nessa crise um novo cenário se abrir a nível mundial, a Primavera Árabe, que explodiu em 2011 reacendeu em nosso imaginário a ideia de revolução, inclusive levando a seu fim diversas ditaduras que reprimiam direitos democráticos mínimos, como no Egito. Onde agora existe um processo revolucionário aberto, já que a democracia burguesa, comandada por setores religiosos não conseguiu responder aos anseios da população com condições dignas de vida. Putin durante esse processo não só ficou ao lado de Kadafi, na Libia como continuou a vender armas ao seu aliado ditador Al Assad que segue no sanguinário genocídio do povo sírio. 


Os setores oprimidos e a juventude são os primeiros a sentir os efeitos de uma crise. Em 2012, no Estado Espanhol, um dos países mais atingidos pela crise, já foi reduzido o direito ao aborto. No Brasil o casamento igualitário foi aprovado este ano pelo SFT, demonstrando um avanço nos direitos civis formais dos LGBTs, ainda que o direito à adoção, que igualaria o  casamento homoafetivo com o casamento heterossexual, segue indefinido. Alguns meses depois um projeto intitulado “Cura Gay” tramitou no Congresso e só foi arquivado após diversos protestos ocorrerem por todo o país, também contra o parlamentar que o encabeçava, Marco Feliciano, este é representante da bancada evangélica no Congresso e faz parte da base aliada de Dilma/PT, demonstrando o quanto este governo não pode e não vai avançar nos direitos dos LGBTs. Mesmo com o avançar de direitos formais, o Brasil ainda é o país onde mais ocorrem crimes homo fóbicos no mundo, em 2010 foram aproximadamente 338 casos. A contradição entre a conquista de direitos que incluem os LGBTs na ordem e os avanços nos ataques e assassinatos demonstram que é preciso uma política revolucionária para responder a nossa opressão e nossa sexualidade.
As repostas a esses ataques aos LGBTs se dão de diversas formas, quando Marco Feliciano saiu a defender publicamente a Cura Gay diversos artistas se colocaram tanto a favor, como Joelma da Banda Calypso, cujo público majoritariamente gay a repudiou, quanto contra, como Daniela Mercury, que se assumiu lésbica. Na Rússia não foi diferente, Isinbayeva, campeã mundial de salto com vara, repudiou outra atleta, Emma Green-Tregaro, que fez seu salto no Mundial de Atletismo, que acontece agora em Moscou com as unhas pintadas nas cores do arco íris, em forma de protesto contra a lei anti-gay. Em resposta, duas atletas da equipe de corrida 4x400m subiram ao pódio em primeiro lugar de mãos dadas e comemoraram a vitória com um beijo. 
Essas expressões de figuras públicas, como o recente caso do jogador corintiano Emerson Sheik que publicou uma foto sua dando um selinho em outro jogador para expressar, em suas palavras, que “não é preciso ser homossexual para ser contra a homofobia”. São demonstrações importantes de visibilidade que contribuem para que se questione a hipocrisia de “não sou homofobico, mas...” que inclusive se expressou com os torcedores do Corinthians que foram protestar dizendo que não eram homofobicos, entretanto, não permitiriam ações como as de Sheik, de se expressar e sentir-se livre de beijar quem quiser.
É importante, nesse sentido, que utilizemos essas formas de visibilidade para fortalecer uma luta contra o Estado e os governos que contraditoriamente com a aprovação de tantas leis, ainda não conseguem garantir a igualdade na vida entre LGBTs e heterossexuais. Isso porque para além da opressão homofobica legitimidade pelos acordos eleitorais do governo, também se expressa um caráter de classe da qual é impossível existir igualdade.
A visibilidade seja da resistência e do combate as opressões ou da própria opressão como as fotos propagandeadas de grupos neo-nazistas agredindo homossexuais com o lema de “abençoe um homossexual com urina para curá-lo” contribui para polarizar a sociedade e abre espaço para uma atuação mais contundente dos revolucionários. Nós, desde a Juventude ÁS RUAS, colocamos nesse marco a revolução como uma condição para garantir a igualdade social entre todos os indivíduos, a tomada do poder pelas mãos dos próprios trabalhadores aliados a juventude e os setores oprimidos são questões inseparáveis do combate a homofobia e ao machismo.  Nesse sentido, é preciso que recuperemos outubro. Que recuperamos os avanços mais significativos no combate a desigualdade da vida, com a revolução russa de 1917 e levantemo-nos contra Putin, a Russia Unida e demais setores  burgueses que nada tem a nos oferecer. Busquemos a saída independente que possa nos garantir que sejamos “socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres”.
Atletas se beijam no pódio em protesto contra os ataques homofóbicos



[1] Pussy Riot é uma banda feminista de punk rock russo, que atuaram politicamente nas mobilizações de 2011 e 2012 contra as eleições suspeitas de fraude e contra o atual presidente Putin. Participaram de uma intervenção na Catedral de Cristo Salvador de Moscou atuando como se pedissem para Maria que não permitisse a eleição de Putin. Três membros da banda, Maria Alyokhina, Nadezhda Tolokonnikova e Ekaterina Samoutsevitch foram presas e condenadas a dois anos de prisão. As demais integrantes da banda saíram do país evitando a perseguição política que vinham sofrendo.



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Viva a luta dos professores municipais, estaduais e da FAETEC! Abaixo o corte de ponto de Cabral! Pela greve geral da educação!

Por: Juventude às ruas - Rio


 As manifestações de junho desse ano mudaram o país. Depois de anos de lutas isoladas, a situação do transporte público, o estopim das manifestações, levou milhares às ruas de todo o país. No dia 11 de julho alcançamos um passo a mais na luta: os trabalhadores também entraram em cena, com greves, fechamento de estradas e rodovias por todo o país.
 O que gritamos naqueles dias de junho foram coisas que sempre estiveram na ponta da língua: saúde, educação, transporte. Em nosso estado temos condições de dar um grande passo à frente para retomar o caminho das mobilizações de junho.
Pela construção de uma greve geral da educação no Rio de Janeiro, como parte da construção da greve de 30/08!
Os professores municipais estão na maior greve em 20 anos. No dia 14/08 foram mais de 15 mil às ruas. Os professores estaduais e a FAETEC também estão em greve – e os professores estaduais enfrentam mais uma das ordinárias medidas de repressão do governador Sérgio Cabral: corte do salário dos grevistas. Sabemos que o salário dos professores já é um “salário de fome” e o governador quer calar o protesto dos professores, que é um direito: o direito a greve.
As reivindicações dos professores e funcionários da educação são justíssimas: por salários e melhores condições de trabalho. As greves se somam as manifestações de junho e também as paralisações que os trabalhadores da saúde têm feito contra a privatização dos hospitais federais com a empresa EBSERH; e se junta às paralisações que várias categorias votaram a favor no Rio de Janeiro e em todo o resto do país para o dia 30/08.
Podemos continuar o caminho aberto em 2012, quando todo o funcionalismo federal parou. Agora é unificar toda a educação para construirmos uma greve geral em todo o Estado e país!
Não faltam recursos aos empresários, a corrupção e à repressão!
A educação é precária: dos salários às condições de trabalho e estudo; há poucas vagas nas universidades públicas e escolas públicas de qualidade. Falta ar-condicionado, mesa e cadeiras nas escolas, bandejão, bibliotecas, laboratórios adequados nas universidades e escolas técnicas.
Porém, Sérgio Cabral e Eduardo Paes nunca poupam recursos para fazer “mobilizações” para que eles controlem o dinheiro do petróleo, nem poupam recursos para armar suas polícias e guardas-metropolitanas para nos reprimir em manifestações e matar nas favelas. Continuaremos nas ruas!
Não faltam recursos às obras faraônicas da Copa do Mundo e Olímpiadas, para ajudar o seu amigo e empresário, Eike Batista, e o seu outro amigo e milionário do transporte, Jacob Barata – e tantos outros empresários que lucram com as privatizações. Também não faltam recursos para intermináveis privilégios aos deputados, vereadores, juízes, Ministério Público, Tribunal de Contas da União etc.
São salários mais de 20 vezes maiores que o salário de um professor ou merendeiro, auxílios gravata, viagem, e muitos outros. A situação é tão absurda que a ALERJ tem um orçamento similar ao da UERJ incluindo o hospital Pedro Ernesto! Educação não é mercadoria! Que nenhum parlamentar, juiz, funcionário indicado e de alto escalão ganhe mais que um professor! Que nenhum professor ganhe menos do que prevê a constituição R$ 2.800,00!
Podemos e devemos começar a dar um FIM nesta situação construindo esta greve geral da educação. Fortalecer os setores que estão em luta, nos apoiar na força dos professores municipais para barrar o corte de ponto no estado. Fazendo assembleias e mobilizações na volta às aulas das universidades e escolas, e assim construirmos uma greve geral que nos ajudará a retomar o caminho de junho e julho – e superá-lo. Este será o caminho não só para conquistar salário e condições de trabalho e estudo, mas demonstrar para todo o país um passo adiante e colocar a pauta da educação no centro do debate. Este será um grande passo para lutar pelo “Fora Cabral” e contra seu aliado Eduardo Paes.
Todo apoio à luta dos professores e trabalhadores da educação! Não ao corte de ponto! Pelo imediato atendimento das reivindicações! Pela greve geral da educação!
Não a EBERSH e privatização da saúde!
Pelo imediato atendimento das pautas pendentes das greves das universidades de 2012!
Chega de privilégios: que todo parlamentar e juiz ganhe o mesmo que um professor!
Imediata reversão destes recursos para garantir que nenhum funcionário da educação ganhe menos que o salário mínimo do DIEESE (R$ 2750,00)!
Pelo confisco dos bens de corruptos e corruptores e conversão desses recursos na educação!
Pelo uso de TODOS OS RECURSOS do petróleo na educação, saúde e moradia! Pelo controle operário e popular destes recursos!



 Não basta pararmos ao mesmo tempo: é preciso coordenar a luta
Diversas vezes em que várias categorias estão em greve, ocorre alguns atos unificados. São um passo adiante. No entanto, é preciso muito mais. Precisamos nos coordenar para apoiar as lutas um do outro, unir as forças, o que permitirá muito mais que a soma, será a multiplicação. As ideias de uma categoria ajudam a outra, as pessoas se completam e pensam novas iniciativas.

É preciso criar comandos de greves (incluindo as direções sindicais) eleitos nas bases de cada categoria e coordená-los. Os estudantes poderiam fazer o mesmo e assim termos uma efetiva greve geral da educação! Chega de divisão, o SEPE pode e deve unificar as lutas dos professores municipais e estaduais, primeiro passo para uma coordenação de toda a educação!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Greve na UFPB Campus IV Rio Tinto/Mamanguape




                                                                   

 
 Comando Geral dos Estudantes
Campus IV – UFPB
Rio Tinto/Mamanguape – PB


COMUNICADO

O campus IV da UFPB, fruto do projeto REUNI, fundado em 2006, vem sofrendo em seu processo histórico grandes problemas estruturais, que partem desde a falta de sala de aulas à ausência de restaurantes e residências universitárias. O mesmo divide-se em duas unidades, respectivamente, nas cidades de Rio Tinto - PB e Mamanguape – PB.
Comunicamos que desde dia 09/07/2013 foi deflagrada greve estudantil, em que os estudantes ocuparam a direção de centro persistindo até os dias atuais. Os motivos reais desta deflagração são problemas estruturais, como Residência Universitária e Restaurante universitário inativo, biblioteca, laboratórios e salas sucateadas, falta de lanchonetes e Xerox dentro do campus. As reivindicações começaram no mês de fevereiro, em que tentamos entrar em acordos com o reitorado, porém, prazos foram estabelecidos e não cumpridos. Outro problema em nosso campus são os funcionários terceirizados que passaram um período de seis meses sem receber seus salários, que até o presente momento não foram ressarcidos. Percebemos então, a falta de compromisso de uma instituição pública de ensino com a classe trabalhadora e toda a sua comunidade acadêmica. Com isso, a greve estudantil veio como uma necessidade e não alternativa. 

De sua deflagração aos dias atuais se teve novas negociações, entretanto, continuamos a escutar um discurso paternal e conformista no intuito de acabar o momento de luta, em vez de resolver as reais problemáticas do campus. Pedimos as entidades de luta, comunidades, instituições e movimentos sociais o apoio ao nosso movimento, como forma de fortalecer a luta e estreitar os laços do movimento estudantil no Brasil. Pois diariamente estamos sendo retaliados pelas as instâncias burocráticas da UFPB e alguns setores reacionários de nosso campus. Portanto, pedimos o apoio e divulgação de nossa situação, na qual atual conjuntura se ver a necessidade de expandir a nossa luta estudantil.
Nossas pautas são as seguintes:

1. Funcionamento dos R.U’S (residência e restaurante) imediato;
2. Funcionamento da Xerox e Lanchonete dentro do Campus;
3. Pagamento dos Terceirizados Atrasados;
4. Reajuste dos Auxílios;
5. Técnico para laboratórios;
6. Estruturar as salas de aula e biblioteca, por sua insuficiência bibliográfica;
7. E criação da Unidade Gestora.

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A Juventude Às Ruas apoia a greve do Campus IV da UFPB!

É POR TUDO!

domingo, 11 de agosto de 2013

Greve dos Transportes parou a cidade de Campinas! É necessária a unificação da luta entre a juventude e trabalhadores!

Por Angelo H.


A greve dos trabalhadores do transporte público em Campinas parou 517 ônibus (o que representa mais da metade da frota da cidade) e também paralisou 85 linhas da EMTU, que faz o transporte na região metropolitano. A empresa e o governo tentam cortar os direitos do convênio médico, dizendo que a culpa "é dos que quiseram que abaixasse 30 centavos da tarifa", querendo jogar os trabalhadores contra a juventude e as manifestações de rua. Os motoristas e os cobradores disseram BASTA, paralisando a cidade por dois dias, passando por cima da burocracia sindical governista que tentou barrar a mobilização logo após o primeiro dia de paralização. Diferente do que normalmente ocorre quando há greve no setor de transporte e os ônibus não saem da garagem, desta vez foi diferente: centenas de ônibus paralisaram uma das principais avenidas de Campinas, fazendo piquete com  os veículos, mostrando a força de luta desses trabalhadores seguindo a revolta e radicalização das jornadas de junho.
Em junho um dos gritos que se escutavam nas ruas era “O motorista o cobrador me diz ai se seu salário aumentou”. Em Campinas, mesmo com a redução fruto das mobilizações, ainda tem uma das passagens   mais caras do Brasil, valor  que não se reflete nos holerites dos trabalhadores que recebem salários de fome, enfrentam condições de trabalho degradantes e insalubres,  precariedade dos veículos e superlotação, condições essas evidenciadas no acidente com vários feridos e um morto no dia 23 de julho[1].
O transporte “público” nas mãos dos empresários é a busca pelo lucro desenfreado, lucro esse que não se reverte na melhoria do transporte, não se reverte em melhores condições de trabalhos. Na fala de um motorista essa questão fica clara: "vocês não dizem que querem transporte de qualidade e mais barato? A gente também quer, que qualidade pode ter se a gente não tem nem saúde pra trabalhar?
No mês de Junho a juventude se levantou para lutar, e a demandas desatadora das mobilizações foi justamente a luta pelo transporte. A alta tarifa, a péssima qualidade e a precarização do trabalho são partes do mesmo problema, para modificá-la e garantir transporte público de qualidade para todos, onde o passe-livre para estudantes, desempregados e aposentados seja um direito, é fundamental a estatização dos transportes, única medida possível de arrancarmos das mãos dos empresários um direito que é de toda população. Enquanto a burguesia responde com repressão nossas mobilizações, como foi a reintegração ilegal e violenta da Câmara dos Vereadores que prendeu 138 jovens, a união entre a juventude, trabalhadores do transporte e usuários deixará governos e empresários em pânico. É necessário que confluamos nossas lutas, para que a própria juventude comece a identificar a classe operária como um aliado estratégico para sua luta!


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O que há por trás da Mídia NINJA?

por Alberto Suzano

Nas manifestações que ocorreram por todo o Brasil em junho deste ano, um grupo de jovens, portando celulares equipados com internet 3G e carregados via notebooks levados em mochilas, fez a cobertura mais próxima e contundente dos acontecimentos. Com transmissões ao vivo, filmaram diversas formas de violência policial, prisões (muitas vezes as próprias), entrevistaram os participantes das marchas e, como assumiram posição favorável aos protestos, cobrindo-os, mas também levantando bandeiras democráticas, não foram rechaçados por manifestantes, como ocorreu com diversos veículos da mídia tradicional (que chegou a ter carros queimados e repórteres expulsos dos atos). Isso fez com que eles tivessem informações e imagens que o jornalismo tradicional não teve acesso, dando “furos” e contradizendo, com provas cabais, os jornalões e os grandes canais de TV, ainda mais com o compartilhamento massivo de seus conteúdos por todo o Brasil, via internet.
Intitulando-se como mídia NINJA (abreviação para Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), o grupo tomou corpo pouco antes dos protestos, por iniciativa do jornalista Bruno Torturra. Em uma espécie de manifesto, Bruno elenca diversos problemas que existem na categoria dos jornalistas, como salários achatados, falta de autonomia, demissões em massa, falta de unidade entre os profissionais, para chegar à conclusão de que os inconformados com a situação deveriam tentar algo diferente. Assim, o grupo é fundado como parte integrante do coletivo cultural Fora do Eixo (FdE).
Mas se o NINJA é um grupo que se posiciona politicamente (como se demonstrou posteriormente, nos protestos), a serviço de que ele atua? Quer a democratização da comunicação ou uma fatia de mercado? Não há uma carta de princípios que norteia os adeptos. Aparentemente, eles apenas publicizam as revoltas populares ligadas ao seu público (predominantemente composto por membros da classe média), sob uma perspectiva interna (de dentro das manifestações). No entanto, há aspectos que mostram o que há por trás desse grupo de jovens.
Posicionamento político x independência
Jornalista nenhum é imparcial, pois o mito da objetividade só existe para que a mídia corporativa venda o seu pensamento como verdade acima do bem e do mal. No jornalismo alternativo isso não é diferente, ainda mais porque grupos deixam mais claras suas posições políticas. Mas é necessário que os recursos materiais não interfiram na produção, sob o custo de ferirem a independência editorial.
Explicando melhor: ao se aliarem ao FdE, os ninjas conseguiram um esquema de financiamento para o projeto alternativo que elaboraram. Mas o FdE se financia com verba pública (oriunda de editais), tem patrocínio de empresas privadas e relação com determinados grupos políticos como Rede, PV e o próprio PT (veja mais aqui), nada interessados, por exemplo, na expansão massiva das lutas por demandas básicas que começaram nas jornadas de junho. Como se tratam de partidos da ordem, com muito rabo preso e, em certos casos, envernizados de novidade, não vão construir métodos para que os trabalhadores e jovens consigam levar até o final um questionamento explosivo acerca do regime, colocando várias de suas estruturas em xeque e propondo alternativas reais.
Partindo da concepção materialista de que o que determina as escolhas (no caso, a linha editorial do jornalismo alternativo) são as condições materiais, passa a haver uma relação de interesses entre quem garante o financiamento do grupo e os próprios produtores de conteúdo, no caso específico. Bem parecido com o que acontece na mídia tradicional.
Para que o questionamento das estruturas sociais seja profundo e vá até a raiz do problema, sem correr o risco de se corromper pelo caminho, é necessário que haja independência política, que só se dá com independência econômica. Isso, os ninjas não têm.
Ainda mais se formos verificar as concepções do FdE para expansão de sua rede capilarizada. Em relato recente que circula nas redes sociais (confira aqui a íntegra), a cineasta Beatriz Seigner dá exemplos chocantes de como o que menos importa na rede de coletivos é a arte, mas a expansão da marca FdE, mesmo que para isso seja necessário aliança com vereadores, secretários de cultura, empresários e congêneres, que não desejam nem de longe a melhoria dos serviços básicos para a população e democratização da informação e da cultura.
Uma amostra dessa contradição é a aversão que muitos grupos políticos mais contestadores e com base na periferia, como o movimento do Hip Hop em São Paulo, as Mãe de Maio, o Cordão da Mentira, a Associação de Moradores da Favela do Moinho, entre outros, costumem expulsar membros do FdE de seus atos, pois são acusados de quererem representá-los sem terem esse direito, junto a políticos governistas e conservadores da pior espécie.
“Ah, mas eles cobriram e estão cobrindo os protestos”. Sim, mas até agora, a cobertura não entrou em contradição direta com os interesses que estão por trás deles, até pela massividade que atingiram (vide que a própria grande imprensa passou a apoiar os protestos). Eles acompanharam o público jovem das redes sociais nas marchas, que é sua fatia de mercado e seu principal termômetro. Sem contar que, segundo Seigner, é prática comum a produção cultural de um indivíduo ser "despessoalizada" para que o FdE apareça como grande realizador, mesmo a pessoa em questão não se reivindicando parte do coletivo. Ou seja, está em cheque também a autoria dos vídeos produzidos.
Mundo analógico
Houve méritos evidentes. Os ninjas foram às ruas e "inauguraram" de verdade a transmissão via celular em tempo real no Brasil. Conseguirem fazer algo nacionalmente relevante, de forma alternativa e com poucos recursos. Mas o que devem fazer os milhares de jornalistas de pequenas redações de todo o Brasil que sofrem com os diversos problemas da categoria? E os trabalhadores que consomem a informação que ainda é analógica?
A insatisfação de Torturra com as péssimas condições do trabalho jornalístico no país é correta, mas desemboca numa saída errada. Em vez de se questionar sobre como alterar as estruturas que regem os grandes meios de comunicação (braços ideológicos dos poderosos, e que utilizam concessão pública – como os canais de TV aberta, para funcionarem com finalidades privadas), militando por medidas como estatização sob controle dos trabalhadores e da população de canais de televisão, o jornalista preferiu fundar um grupo que pode atuar de imediato, mas que, no máximo, instiga os demais membros da categoria a terem iniciativas parecidas.
Ocorre que essa saída não questiona o modo como a produção de informação no Brasil está pautada. Pelo contrário, ela até o corrobora. Se o modelo FdE/NINJA se expandisse, empresas privadas capilarizadas em rede, que exploram, sob condições distantes das estabelecidas pela lei burguesa (veja mais aqui e aqui), a mão-de-obra dos “colaboradores”, seriam fortalecidas. Sem contar que simplesmente não existe espaço para que todos os profissionais sigam esse método e consigam se manter em condições dignas.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o produtor cultural Pablo Capilé, idealizador do FdE, afirmou que a NINJA pode oxigenar a mídia convencional.
A população não quer que a mídia tradicional se oxigene para usar de forma privada um direito que deveria ser público (o acesso à informação de qualidade) e, assim, encher seus bolsos reforçando estereótipos ou criminalizando os trabalhadores e o povo pobre. A luta é para que haja uma real democratização dos meios, para que os trabalhadores possam escolher o que assistir, ler e produzir.
A Mídia NINJA mostrou que há um espaço importante de contrainformação mal utilizado pela esquerda na internet, especificamente nas redes sociais. Mas um jornalismo alternativo não pode se contentar em obter sua reserva de mercado, sendo financiado por governo e empresas, enquanto a mídia corporativa se mantém intacta e os jornalistas e a população vivem no mundo analógico que o FdE diz não existir mais. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Trocar a burocracia sindical pelos novos dirigentes operários!

A politização nacional e o dia 11 vistos de dentro de uma fábrica com a burocracia no sindicato
por W., operário numa fábrica em São Paulo
As enormes manifestações que tomaram as ruas do país durante o mês passado também marcam uma profunda mudança na politização geral do proletariado. Está visto e confirmado por todos, manifestações de rua conseguem resultados. Ainda que o principal sujeito social que se depreende desse processo seja uma massa de jovens, policlassista, chamada de “manifestantes”, a classe operária industrial não só acompanhou cada passo da luta numa crescente expectativa, fazendo desse o tema predominante nas rodas de conversa durante duas ou três semanas seguidas, como também participou pontualmente, a partir das manifestações organizadas nas periferias; viu seus elementos mais avançados tentarem se organizar para atender aos chamados de greve geral feitos nas redes sociais, para os dias 26/06 e 01/07 e ainda puderam, em alguns locais, participar das manifestações do dia 11, bem controladas pela burocracia.
O chamado para o dia 11 desde o início não esteve à altura do espírito que tomava conta do proletariado. Primeiro por ser tardio, pois ainda que as pautas fossem muitas, o aumento das passagens já havia sido barrado e o movimento tinha passado seu ápice. A classe operária gostaria de ter participado organizadamente dessa conquista e certamente se veria mais forte se assim tivesse sido. Mais do que isso, o dia 11, pelo que a burocracia sindical quis e fez dele, cobrou caro aos elementos mais progressivos do processo. Os trabalhadores que mais sintetizavam a politização nacional, os que agitavam as rodas de conversa em defesa das lutas e que convocavam os colegas a se somarem, foram os que mais se desmoralizaram com a não aparição do sindicato, a não paralisação organizada da categoria ou da fábrica e também com as notícias, vistas durante o almoço, sobre como estava sendo fraco aquele dia de paralisação nacional.
Como deve ser nas revoluções e processos avançados de luta de classes, o pré dia 11 nos mostra novos dirigentes operários surgindo por todos os lados, sedentos para dar um novo sentido às suas vidas, perdidas numa rotina pobre, quando se passa ao menos 12 horas diárias em função do trabalho. O processo de politização nacional que antecede o dia 11 foi profundo o suficiente para esses novos dirigentes levantarem suas cabeças e começarem a ensaiar seus discursos. Não só havia subjetividade o suficiente para uma forte paralisação naquele dia, como a mesma poderia ser coordenada a partir do chão de fábrica. A incapacidade do salário para suprir uma vida digna e a necessidade de elevar o mínimo para R$ 1, 5 mil era o eixo que colocava um jovem que se despertava como dirigente operário, que não participou de manifestação alguma, mas que estava incendiado o suficiente para passar o dia 10 inteiro contagiando e organizando o seu setor para a paralisação seguinte. Os trabalhadores combinavam de chegarem juntos e assim ninguém sofrer sozinho a possível pressão da patronal para que entrassem, outros pediam aos que chegam primeiro que avisasse se estavam parados mesmo, pois assim nem iriam. Naquele dia, passos e conversas ansiosas afastavam o frio do final de madrugada enquanto caminhávamos até o portão da fábrica. Vamos entrar em cena!
Experiência amarga com a burocracia sindical, para a maioria, no escuro. Em um período de fragilidade do governo Dilma/PT por diversas vias, CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, UGT e Nova Central), marcam posição com uma pequena vazão localizada e controlada das forças do proletariado nacional, permitindo a entrada em cena de alguns milhares. Trotsky nos antecipou, “Os burocratas fazem todo o possível, em palavras e nos fatos, para demonstrar ao estado "democrático" até que ponto são indispensáveis e dignos de confiança em tempos de paz e, especialmente, em tempos de guerra.” (Os sindicatos na época da decadência imperialista, 1940), portanto, atuamos durante esse processo, por fora das fábricas, com o Boletim Classista, a Juventude às Ruas e o Sintusp, que fazem parte das forças da ala esquerda “dos manifestantes” que barraram o aumento das tarifas. Nossa juventude e trabalhadores atravessavam qualquer muro ou catraca com seus panfletos e ideias em rodas de conversas sobre a situação nacional e os rumos do movimento.
Buscamos nos ligar aos operários mais avançados das fábricas, pois queremos ser parte do despertar revolucionário desse estratégico setor, que deve retomar seus sindicatos sob controle dos trabalhadores, sem burocracia, se preparando para os enfrentamentos mais duros contra a burguesia, que a crise irá trazer inevitavelmente. Mais uma vez, Trotsky ajuda, “É por essas razões que as seções da IV Internacional devem esforçar-se constantemente não só em renovar o aparelho dos sindicatos, propondo audaciosa e resolutamente nos momentos críticos novos líderes prontos à luta no lugar dos funcionários rotineiros e carreiristas, mas inclusive criar, em todos os casos em que for possível, organizações de combate autônomas que respondam melhor às tarefas da luta de massas contra a sociedade burguesa, sem vacilar mesmo, caso seja necessário, em romper abertamente com o aparelho conservador dos sindicatos. Se é criminoso voltar as costas às organizações de massa para se contentar com facções sectárias, não é menos criminoso tolerar passivamente a subordinação do movimento revolucionário das massas ao controle de camarilhas burocráticas declaradamente reacionárias ou conservadoras disfarçadas ("progressistas"). O sindicato não é um fim em si, mas somente um dos meios da marcha para a revolução proletária.” (O Programa de Transição, 1938).