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sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Problema do Ensino Superior no Brasil: entre a Privatização e a Expansão Precariza


Por Iuri Tonelo

extraído do http://blogiskra.com.br

Estando o Brasil ainda no limiar da estabilidade econômica (rondado por inflação, queda do preço das commodities, crescimento acelerado da importação etc.) num mundo em tendência claramente recessiva, o governo petista tem feito uma grande campanha sobre os índices de “emprego, salários e poder de compra real”, como apontou recentemente Dilma Rousseff em seu último pronunciamento no primeiro de maio de 2013[1].
Entretanto, a própria presidenta apontava um dos grandes problemas estruturais no Brasil, por trás das estatísticas embelezadoras: a educação básica e o ensino superior. Em relação à educação básica, merece uma análise à parte o grande ataque que vem recebendo os professores no último período (como demonstram as greves recentes) e toda a infraestrutura escolar. No que tange ao ensino superior, que queremos adentrar na discussão, os grandes projetos do governo como “universidade nova” (REUNI), o Programa Universidade para Todos (PROUNI), Fundo do Financiamento Estudantil (FIES) e toda a “estatística da expansão” do ensino superior vem esbarrando na enorme contradição presente em um país com 190 milhões de habitantes que ainda recorre à importação da força de trabalho especializada, que não consegue aprimorar o ensino superior e a qualificação e, mais importante, que vem sendo paladino da bandeira da democratização do ensino, sem revelar a verdadeira natureza dessa expansão.

O “pós-neoliberalismo petista” e a privatização por outros meios


A avalanche neoliberal da década de 1990 significou no terreno da educação um verdadeiro desastre: mostrando – com suas características especiais de um país continental – a sua faceta semicolonial; o Brasil viveu um verdadeiro desmonte[2] na educação básica (em que professores e alunos vivenciam hoje na pele o “legado” deixado pelos anos ’90) e, no que tange ao ensino superior, apontou uma combinação entre a abertura da educação como novo nicho de valorização do capital internacional (imperialista) e o irrisório crescimento do ensino público (para se ter uma ideia, em dados do relatório do INEP, entre 1980 e 1995 o crescimento das instituições de ensino superior no Brasil foi de 1,36%!). O governo de FHC deu continuidade a esse movimento gerando uma verdadeira explosão do ensino superior privado, que entre 1996 e 2004 cresceu 151%[3].
educacaoCom a entrada do governo petista na presidência em 2002, a promessa histórica de transformação na educação pareceu se vislumbrar a alguns. Mas ao contrário de uma mudança na lógica neoliberal da “expansão”, os 10 anos do governo petista significaram outro salto na lógica privatista. Isto porque o mercado brasileiro educacional viveu uma explosão e o governo petista, conciliando falácias de expansão do ensino superior com os interesses frenéticos do empresariado da educação, consumou dois projetos fundamentais para o ensino privado no Brasil: o PROUNI (Programa Universidade para Todos) e o Financiamento para Ensino Superior (FIES), os dois “grandes” programas do governo federal para executar o projeto de educação do modelo petista. Tais projetos foram lançados momento em que o Ensino Superior do Brasil sofria de uma evasão brutal e havia uma crise instalada no setor da educação superior (o qual se desenvolvia segundo a lógica mercantilizadora neoliberal), as instituições de educação superior eram montadas segundo critérios lucrativos, totalmente desvinculada de profissionais capacitados em educação ou de objetivos genuínos de contribuir com o nível educacional do país.
Daí que o governo petista, como é sua maior especialidade, combinou a falácia política com o lucro do empresariado falido da educação, e fez desse direito histórico (“o mais democrático de todos desde a Revolução Francesa”), uma maneira de salvar esses empresários, criando programas de bolsas de estudos em universidades privadas sem estrutura educacional, material pedagógico qualificado, professores preparados etc., e inseriu uma massa de estudantes nessas instituições, sob a bandeira da “educação e democratização”.
Decorre disso o resultado é que entre 2002 e 2010 as matrículas na educação pública passaram de 27% para 25% (!), regredindo o número de vagas e privatizando ainda mais o ensino superior (sob esse aspecto, Lula e Dilma foram mais capazes que FHC em privatizar). Atrelado a isso, está o projeto do governo de reservar cotas nas federais para estudantes de baixa renda, negros e indígenas, cotas essas que estão aquém mesmo da proporção de negros nos Estados e, ademais, que não se relacionam como uma democratização radical das universidades com qualidade de ensino, o que tende a dar um verniz de esquerda ao governo e mantém o problema de formar estes jovens em ensino precário.
O problema, no entanto, não para aí, pois além do problema do acesso, conformou-se no Brasil uma verdadeira máquina monopolista da educação.

A oligarquia financeira é dona da educação: o país do maior monopólio de educacional do mundo


Recentemente causou espanto a todos nos meios midiáticos o salto privatizador e monopolista que o capital financeiro alcançou no sistema educacional brasileiro: com a anunciada fusão entre o grupo Anhanguera e o grupo Kroton, conformou-se o maior monopólio de ensino superior do mundo no Brasil, com patrimônio de R$13 bilhões. Para se ter uma ideia, se juntássemos o patrimônio dos 7 maiores monopólios de educação no mundo depois deste recentemente formado (o que incluiria New Oriental, Estácio de Sá, De Vry, Appolo Group, Abril, Apey, Staraier University), daria um mercado de $11,8 bilhões, e apenas esse primeiro possui o total de $5,8 bilhões, metade de todos os outros juntos[4]!
Assim que adentramos mais a fundo para entender o problema da lógica com a qual vai se expandindo o ensino superior no Brasil: mais do que uma privatização, na gestão petista o que encontramos é uma verdadeira entrega de nossa educação nas mãos do imperialismo e a oligarquia financeira. O poder que essas gigantes da educação vem ganhando em nosso país implica cada vez mais em uma pressão sobre os governos para ajustar seus programas de bolsas e investimentos de acordo com seus lucros.
Ademais, voltamos a uma espiral sem fim, pois trata-se de um neoliberalismo por outras vias e, nesse sentido, o problema da educação e da qualificação de nossa força de trabalho continua a ser um problema estrutural.

Dinheiro para as faculdades privadas e precarização para as faculdades públicas


Se vemos por um lado esse enorme montante investido nas faculdades privadas e a conformação dos principais monopólios em nível mundial, no ensino público o governo também se alçou com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). Em primeiro lugar, e como um dos aspectos mais fundamentais, é preciso entender que essa “expansão” do ensino público é contraditória no Brasil já que se trata, em termos relativos, de uma avalanche no mercado privado de educação e algumas medidas na expansão das federais. Entretanto, como o eixo do governo não está na expansão pública de qualidade, essas medidas foram orquestradas sem um planejamento adequado e um investimento necessário na estrutura das universidades e na permanência estudantil, o que tem um resultado direto na precarização das condições de ensino e pesquisa nas universidades[5]; ademais, o plano inclui um sistema de metas (na diminuição da evasão, índices de pesquisa das federais, número de concluintes, cursos noturnos etc.) o que na prática promove uma competição entre as IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) por investimento e recai o peso do sobretrabalho proposto nas costas dos funcionários e professores das federais, que tem que ampliar seu trabalho para atingir as metas propostas.
É nesse sentido que muitos professores das federais vêm dizendo que, além de uma “expansão” precarizada, trata-se de um projeto de precarização do trabalho docente. O caminho desse processo só pode ser, a longo-prazo, o desmonte do ensino superior público, interesse fundamental dos barões do ensino superior e a oligarquia financeira (e os governos que as sustentam).
É nesse contexto que o governo vem fazendo propaganda do ENEM como uma prova que “estaria acabando com o vestibular”. Entretanto, esquece de explicar que esta prova (selecionadora e ainda meritocrática) favorece a entrada nas públicas de uma estrita minoria em termos relativos: ou seja, mantém-se impecável o esquema dos “nichos de excelência” com seus tradicionais vestibulares e para a expansão precarizada aplica-se o ENEM. Que democratização!

Os projetos de inclusão nos “nichos de excelência”: o programa PIMESP em São Paulo


Em meio a essa expansão precarizada nas públicas e a enorme privatização em nível nacional, os governos ainda mantém algumas poucas universidades públicas com forte investimento. É o caso, a título de exemplo, das universidades estaduais paulistas (USP, UNICAMP e UNESP). Nestas universidades, mantém-se um investimento, com fortes programas de pós-graduação e muita inversão em pesquisa no intuito de conformar polos de formação de quadros para o governo (lembrando que Dilma estudou na UNICAMP, Alckmin especializou no HC da USP, Haddad é professor da USP entre muitos outros exemplos). Mas muito além disso, estas universidades funcionam como grandes centros de patentes dos principais monopólios internacionais no Brasil e, pouco a pouco, com as fundações e parcerias público-privadas, vem se avançando a “colonização” empresarial da pesquisa nessas universidades.
Nesse sentido, a burguesia paulista e seus representantes no governo do PSDB, imersos em seu “elitismo colonial”, não ousam traçar nenhum plano que coloque em “risco” seu filtro social especializado para estas universidades: o vestibular. Controlam a risca aqueles que podem ou não ter acesso à universidade.
Entretanto, com a propaganda petista em nível nacional, o PSDB foi obrigado a pensar em algum plano de inclusão na universidade e anunciou, com o reitor da USP Grandino Rodas como paladino, o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Paulista (PIMESP): não contente com o vestibular, a proposta agora seria uma “inclusão excludente”, pois reservaria a estudantes de baixa renda, negros e indígenas não apenas uma prova (vestibular) inacessível, mas um “college” de dois anos em que estes estudantes teriam que estudar civilidade, profissionalização, inovação, empreendedorismo, liderança (disciplinas do PIMESP) para daí, se tiverem notas boas em todas as disciplinas e aceitarem os ditames impostos pela ideologia conservadora vigente, terem acesso a universidade; ou seja, transformaram o vestibular em um colégio inteiro como filtro social!  Nesse sentido, se o modelo petista de expansão vem atrelado a forte privatização e deve ser condenado e superado pelos professores, movimento estudantil e o conjunto dos trabalhadores e a população, o elitismo do PSDB merece o repúdio mais intenso e uma resposta rápida de todos os setores democráticos na universidade para dar um basta nesse projeto, o mesmo que através do controle rígido de uma casta burocrática vem atacando os estudantes e trabalhadores, demitindo sindicalistas, aprofundando o elitismo, incitando a privatização, terceirização e precarização do trabalho etc.

Nos 45 anos de maio de ’68, retomar a bandeira da democratização radical das universidades e o ensino público para todos!


universite-populaire-ouiPara desmascarar a privatização petista e tucana no ensino superior, e o vampiro usurpador neoliberal, que continua sugando o salário suado dos jovens trabalhadores brasileiros se utilizando de um dos direito mais democráticos (a educação) para submetê-los a sua ganância e seus interesses de lucro, é preciso que professores, estudantes e o conjunto dos trabalhadores coloquem na ordem do dia a discussão da democratização radical da universidade, partindo do problema do acesso.
No ano passado (2012), já nas IFES, professores universitários e estudantes protagonizaram uma importante greve, denunciando a dita expansão e a verdadeira faceta de precarização do trabalho, sistema de metas e, fundamentalmente, problemas estruturais de permanência estudantil como reflexo da precarização do ensino (falta de moradias, restaurantes, bolsas de estudo etc.), que são outra maneira de impossibilitar a população de baixa renda a permanência nas universidades.
Hoje em diversos campi das UNESPs se desenvolve uma forte mobilização enraizada no problema da permanência, que já afeta também brutalmente as universidades estaduais paulistas e, na mesma medida, o ataque elitista que sofreu a universidade com o PIMESP.
Para responder a altura, quando completamos 45 anos da grande mobilização estudantil de maio de 1968, é necessário que o movimento estudantil aliado aos trabalhadores e professores coloque como programa a democratização radical da universidade, começando nas públicas por acabar com o enorme filtro social do vestibular (e toda ideologia elitista que lhe pertence) e as estruturas de poder dominadas por uma burocracia acadêmica. Não basta opor o PIMESP as cotas, mas é necessário relacionar o programa de cotas proporcionais a democratização radical do acesso.
Mas que ligado a isso, busque a unificação da massa de estudantes nas universidades privadas com as públicas, lutando por todas as demandas desses jovens, como a redução radical das mensalidades, anistia dos inadimplentes, bolsas de estudo aos que não puderem pagar nas privadas etc.; tudo isso, na perspectiva de incendiar as universidades privadas e conduzir essas lutas para que estes estudantes tenham os mesmos direitos e mesma qualidade de ensino existentes nas públicas, portanto, lutando por transformar as vagas das privadas em públicas começando pela estatização dos três principais monopólios da educação no Brasil (Anhanguera-Kroton, Estácio de Sá, Abril) e generalizando a possibilidade de acesso aos trabalhadores e juventude brasileira em milhões.
O governo pode sim resolver o problema da educação no Brasil com estas medidas, pois a estatização de apenas um monopólio levaria a um número de mais um milhão de vagas públicas em nosso país.
Em base a esse projeto devemos reivindicar os royalties do petróleo, a bandeira dos 10% do PIB para educação e uma real mudança nos investimentos do Brasil para esse fim; não para financiar os monopólios privados, mas para realmente revolucionar a educação pública no país.
Hoje, no Chile, os estudantes estão aos milhares nas ruas lutando pela educação gratuita: entre os estudantes brasileiros, precisamos contaminar com essa audácia o movimento estudantil nacional, impulsionar e colocar no centro de nossas intervenções lutas como a da UNESP em curso hoje, superar a burocracia na UNE (mantenedora desse projeto) e alçar a ANEL como uma entidade que possa ser uma verdadeira resposta.
Os professores também já vêm mostrando o caminho nas últimas greves que vieram impulsionando nas universidades e no Estado. A aliança ente a juventude, professores e o conjunto da classe trabalhadora é o que pode fazer tremer de cima a baixo essa estrutura educacional excludente, os monopólios de rapina de nossa educação e toda a falaciosa propaganda petista. “Essas condições sociais petrificadas devem ser compelidas a dança, fazendo-as ouvir o canto de sua própria melodia”[6].


[1] – Ver pronunciamento de Dilma Rousseff em: http://www.youtube.com/watch?v=a2fXzohZt60
[2] Evidentemente, se partirmos da própria ditadura teríamos que nos remeter aos acordos MEC-USAID e toda a contradição do imperialismo ingerindo a educação pesadamente, e sua expressão acelerada e aguda na “anarquia” do capital financeiro nos anos ’90.
[3] Ver relatório “Resumo Técnico Censo da Educação Superior 2011” em www.inep.gov.br
[4] – Recentemente, muitos meios de comunicação divulgaram em detalhes o processo de fusão; dados sintetizados podem ser encontrados, entre outros, em:http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/04/1267094-fusao-brasileira-de-r-5-bilhoes-cria-gigante-global-de-ensino.shtml
[5] Recentemente o MEC anunciou o Programa de Bolsa Permanência (PBP), que para estudantes de baixa renda conferirá uma bolsa de R$400 (!). Chega a ser irônico esse valor num momento em que a inflação começa a se acelerar e ameaçar ferrenhamente.
[6] – Karl Marx. Introdução a critica da filosofia do Direito de Hegel. Boitempo Editorial. 2004

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Roda de conversa da Juventude às Ruas sobre as greves da educação no país



Roda de conversa da Juventude às Ruas sobre as greves da educação no país

Por Mateus, estudante de Ciências Sociais USP, militante da Juventude Às Ruas

Educação em luta

Já faz mais de duas semanas que os professores da rede estadual de ensino do estado de São Paulo estão em greve por melhores condições de trabalho e por transformações na qualidade do Ensino Público do estado. Apesar do sindicato da APEOESP estar totalmente burocratizado e não ter a disposição de cumprir seu papel fundamental em construir a greve no cotidiano das escolas, a base da categoria se mostra disposta e vem ganhando força e independência ao longo dos últimos dias.

Já nas universidades do estado, o primeiro grande movimento de lutas do ano se dá nas UNESPs, onde, a partir do Campus de Ourinhos, seus estudantes iniciam uma ampla jornada de lutas contra a precarização do ensino nas universidades, tendo como eixos centrais a luta por permanência estudantil e contra o projeto racista de cotas do PIMESP proposto pelo PSDB e já previamente aceito pela UNESP.

Discussão da Juventude às Ruas nas Ciências Sociais, USP
Foi a partir destes acontecimentos e da sua necessária ligação, que os militantes da Juventude às Ruas se reuniram nesta Quinta-feira, 03/05, no Espaço Verde, do prédio de Ciências Sociais e Filosofia da FFLCH/USP, para discutir com diversos estudantes quais são as condições dadas nesta luta e qual o caminho que devemos tomar.

A partir das falas dos professores estaduais em greve, organizados através dos “Professores pela Base”, ficou clara a condição precária que o ensino público se encontra no estado de São Paulo. Escolas sem estrutura, professores sem incentivo e condições dignas de trabalho, incluindo os mais precários de categoria “O”, com seus contratos temporários e sem direitos básicos, apesar da mesma quantidade de trabalho que os professores efetivos. Configura-se, além disto, a escola ainda como uma formação de classes, sendo o ensino público, destinado aos filhos da classe trabalhadora, uma mera produção de mão de obra barata, muito diferente daquele ensino particular, na mão dos grandes empresários da educação, destinado aos filhos da burguesia. A escola, como discutida em nossa reunião, é estruturalmente construída como um presídio, com seus horários de cárcere nas salas de aula, onde os estudantes não se identificam como os sujeitos pensantes e críticos das relações escolares, e os professores, restritos por esta estrutura, são vistos por seus próprios alunos, muitas vezes, como os inimigos, como os carcereiros.

                Devemos então golpear a educação que os governos e a burguesia nos impõem, partindo de todos os ambientes educacionais e envolvendo toda a classe trabalhadora da educação. São nas universidades que se formam, através de cursos de licenciatura, os professores da rede pública de ensino fundamental e médio. Porém, na maioria dos cursos de licenciatura, vemos uma capacitação idealista, levando em conta uma escola irreal, formando assim um professor despreparado para enfrentar a dura realidade das escolas estaduais, reais, com estudantes pobres e marginalizados pelo sua sociedade, que não se reconhecem como parte da escola e se veem forçados a estarem lá, sob a tutela do professor. Logo, é também uma luta contra os atuais currículos universitários de licenciatura, é uma luta por outra educação em conjunto!


A luta pela educação é uma só! Do Fundamental ao Superior, do Privado ao Público!

A UNESP vem sofrendo nos últimos anos um projeto de ampliação de vagas muitos parecidos com o REUNI das Universidades Federais, onde criam-se novos campus e novos cursos sem a devida estrutura para tal. No campus de Ourinhos vemos o drástico exemplo desta ampliação precária, onde os estudantes se encontram sem restaurante universitário, sem o devido auxílio de bolsas de permanência, e ainda com um campus improvisado em terreno da prefeitura. Não por acaso este campus tem a menor renda por estudantes de todas as UNESPs, demonstrando de forma clara quais são as políticas do governo para a educação dos mais pobres e da classe trabalhadora em geral. Ou seja, nas poucas vagas de universidades públicas que a classe trabalhadora tem acesso, o ensino é precário, e nas muitas vagas de universidade particulares, muito bem pagas aos maiores conglomerados educacionais do mundo, como é o caso da Anhanguera, o ensino é mercadológico, operacional, visando assim o mais rápido lucro. Resta então à classe trabalhadora ou o filtro do vestibular para as universidades públicas, e que mesmo passando por este filtro devem encontrar cursos sem a devida estrutura para sua formação, ou então resta que paguem pelo ensino superior privado, já que o Estado não cumpre seu dever de fornecer a todos a educação superior pública, quanto menos de qualidade.

                A luta da UNESP é a mesma luta dos professores em greve no ensino público do estado. É a luta pela educação de conjunto, a luta contra as políticas de sucateamento do ensino público, que não param apenas no estado de São Paulo, nas mãos do governo do PSDB, mas também se estendem por todo o país, onde exemplos deste sucateamento não acabam, como nas Universidades Federais, nas mãos do governo do PT.

                Se nas escolas públicas da periferia as condições são mais precárias, também é assim nas universidades mais “periféricas” do sistema de ensino superior nacional! Se existe repressão, com proibições de mobilização sobre a greve dos professores nas escolas da rede pública do ensino básico, também existe esta mesma repressão nas lutas da educação universitária! Se com a precarização do ensino é a classe trabalhadora a mais atingida, seja no ensino fundamental, médio ou superior, também é assim com a precarização do trabalho, onde na educação pública cada vez mais aumentam as terceirizações e o processo de precarização trabalhista! Logo, a luta das universidades e dos professores de ensino básico é mesma, é a luta pela educação! A luta no estado de São Paulo e a luta no Brasil é a mesma, contra o governo e a burocracia! Sendo assim, a luta dos estudantes deve estar sempre aliada à luta da classe trabalhadora!


O papel da ANEL é fundamental na luta pela educação no país!
               
Em nossa reunião ficou claro, além de todos os pontos aqui já expostos, qual deve ser o papel de uma entidade nacional dos estudantes nesta luta, e ele parte de um movimento estudantil pró-trabalhadores! Ou seja, apoiar as mobilizações da classe trabalhadora, fortalecer essas mobilizações e aliar as lutas estudantis à luta dos trabalhadores é o único caminho que o movimento estudantil pode tomar para obter a vitória! Logo, a greve dos estudantes da UNESP deve estar aliada a greve dos professores do ensino básico do estado, assim como estas greves devem se aliar às greves da educação por todo o país! E para além, as lutas dos estudantes e dos professores pelo Brasil devem ser articuladas em conjunto, e por parte do movimento estudantil a única entidade com respaldo e independência suficientes para tal tarefa é a ANEL!  Só pela ANEL poderemos unificar as lutas pela educação pública no Brasil, só através dela poderemos nos alinhar às fileiras da classe trabalhadora que lutam contra os ataques da burguesia e do Estado pelo país, e apenas a ANEL poderá organizar o movimento estudantil nacionalmente numa entidade independente, democrática e verdadeiramente de luta!

Todo apoio às greves da educação pelo país!
Contra a precarização do ensino e do trabalho!
Pelo fim do vestibular e pela estatização das universidades privadas!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Nota em solidariedade aos operários em luta contra as demissões e fechamento de unidade da Mabe Brasil

Por Juventude às Ruas Campinas 

Desde terça-feira, 30 de abril, os trabalhadores da Mabe-Campinas, multinacional mexicana de produtos da “linha branca”  - fogões e geladeiras -, estão acampados em frente a sede central da empresa no distrito industrial de Campinas[1] depois de serem informados que a metalúrgica iria retirar máquinas e equipamentos da unidade. Também no último dia 3, a multinacional decretou pedido de recuperação judicial[2] para as suas operações no Brasil como forma de evitar falência e junto a isso, anuncia o fechamento de sua unidade em Itu[3]com a imediata demissão de 1300 trabalhadores (número ainda não confirmado pela empresa). A patronal “concedeu” férias coletivas e antes dos trabalhadores voltarem queriam tirar o maquinário (ferramentaria) durante a noite para depois diminuírem a produção (reestruturação produtiva, demissão para os operários) ou diretamente fechar as portas como conseguiram fazer em Itu. 
A rápida ação dos trabalhadores junto a seu sindicato na porta da fábrica impediu que os equipamentos fossem retirados da unidade fabril e evitou uma clara tentativa da empresa de impedir que os trabalhadores pudessem voltar ao trabalho, uma demissão disfarçada ao inviabilizar a produção. O fechamento da fábrica da Mabe em Itu é mais um fato que se soma as recentes  demissões da GM  de São José dos Campos e ao fechamento de inúmeras fábricas no país desde o  início da crise econômica mundial em 2008. A Região metropolitana de Campinas é uma região  com grande concentração industrial e de empregos na indústria, não escapa a essa tendência  e vem passando por milhares de demissões todos os anos, mais um exemplo de que o Brasil não é uma ilha em meio à crise econômica e que não reage mesmo com as medidas de desonerações (redução do IPI e incentivo de crédito para compra de eletrodomésticos) para o setor de produção de “linha  branca” anunciadas pelo governo Dilma, medidas que renunciam a arrecadação de impostos em benefício dos interesses dos empresários, numa tentativa até o momento infrutífera de incentivar o consumo e o investimento numa indústria que passa por uma crise e que vem relativamente estagnada desde meados de 2011.  As demissões e os fechamentos são uma forma de preparação dos patrões frente aos efeitos da crise em seus mercados consumidores e no Brasil.
As demissões e fechamentos da Mabe Brasil são uma expressão de uma reação internacional dos patrões no sentido de uma reestruturação das fábricas para realocar a produção a nível mundial numa tentativa de recuperar seus lucros e evitar o inevitável para muitos capitalistas: a bancarrota em meio a uma crise histórica do capital, que vem reduzindo o consumo das famílias e exportações, da Mabe para seu principal mercado, os EUA, mas que também afeta a América Latina de modo que o ônus da crise seja pago pelos trabalhadores, forçando a redução da produção, o corte de custos, via demissões, redução e arrocho nos salários e a imposição de contratos flexíveis (terceirização) que infelizmente, muitas vezes contam com o apoio das centrais sindicais como a CUT. É preciso denunciar o papel que a universidade pública, como a Unicamp, cumpre junto a multinacionais como a Mabe, ao ter a geração de seu conhecimento financiada e voltada aos interesses dos capitalistas para a produção de patentes e inovação, e ao formar os quadros que irão gerir e chefiar essas empresas. Nos colocamos em luta ao lado dos trabalhadores contra esse projeto de universidade privatista, elitista  e racista que exclui o conjunto da população pobre e negra da geração de conhecimento e não atende suas necessidades.
Desde a Juventude às Ruas Campinas, declaramos a mais ampla solidariedade à luta dos metalúrgicos da Mabe de Campinas contra as demissões e o fechamento das fábricas de Itu, Hortolândia e Campinas. Pois as lutas da classe trabalhadora são também do conjunto da juventude, somente a partir de uma aliança estratégica operário-estudantil que será possível uma transformação radical da educação e da universidade para que esta esteja de fato voltada aos interesses da classe trabalhadora e aberta a toda a população e que não sirva, como é hoje, aos interesses dos patrões, das multinacionais. Que os capitalistas paguem por sua crise, que se ataquem os lucros dos capitalistas e não os salários e os empregos dos trabalhadores e trabalhadoras. Nenhuma redução de emprego nas plantas da Mabe! Contra o fechamento das unidades fabris da Mabe, que estas sejam geridas pelos próprios trabalhadores e que as horas de trabalho sejam repartidas para garantir os empregos para todos.




[2] Antiga concordata, recurso para evitar a falência, que a empresa declara junto a justiça, para conseguir postergar o pagamento de suas dívidas que não possui liquidez (dinheiro em caixa) para quitar junto as seus fornecedores, acionistas e/ou trabalhadores. A Mabe (que no Brasil, atua por meio de joint-venture com a General Eletric – GE  dos EUA, dona das marcas de fogões GE, Continental e Dako) anunciou fechamento de unidade de Itu com a justificativa de reestruturação como último recurso para se recuperar de suas dívidas e se manter no país, antes de fechar/vender todas suas 5 unidades (em Campinas, Itu e Hortolândia) e demitir cerca de 4 mil trabalhadores  no Brasil e voltar para o México.
[3] Veja telegrama enviado aos trabalhadores demitidos da Mabe Itu: http://empresascampinas.blogspot.com.br/2013/05/telegrama-enviado-funcionarios-que.html

terça-feira, 30 de abril de 2013

Assembleia Geral dxs estudantes de Marília delibera a continuidade da greve e ocupação!

Cerca de 350 estudantes dos nove cursos da UNESP de Marília reuniram-se em assembleia na noite desta última segunda-feira, 29/04, e deliberaram por ampla maioria pela continuidade da greve geral e da ocupação do prédio da direção da faculdade. 

Além do debate sobre permanência estudantil, que vem sendo até aqui o motor da mobilização, as intervenções na assembleia expressaram muito a necessidade de lutar contra o PIMESP (Programa de Inclusão por Mérito do Estado de São Paulo). Xs estudantes denunciaram a tentativa da reitoria da UNESP de tentar aprovar o PIMESP na calada da noite na última reunião do Conselho Universitário, atropelando mais uma vez qualquer forma de discussão e debate democrático entre estudantes, trabalhadorxs e professorxs. As falas desmascararam o projeto que, revestido com um verniz de democratização do acesso as universidades estaduais, avança na elitização da universidade ao promover a exclusão dxs estudantes filhxs de trabalhadorxs da universidade. O PIMESP impõe uma espécie de "college" de dois anos de duração que xs estudantes negrxs, indígenas e oriundos da escola pública teriam que ultrapassar para só aí entrar num curso de graduação na USP, UNESP e UNICAMP. Além de uma formação aligeirada e estruturada no ensino à distância, a concepção pedagógica do projeto é centrada em "despertar" o espírito empreendedor dxs estudantes, ou seja, impregna-los com uma ideologia burguesa individualista baseada na auto-promoção social e na ilusão de que todxs podem se tornam pequenos patrões.

Foi discutida também a tendência a expansão da mobilização para outros campus da UNESP para além de Marília, Ourinhos e Assis que já estão em greve. Para contribuir neste sentido, foi organizada a ida de estudantes para ajudar a construir a mobilização em outros campus e a necessidade de dar todo peso para a construção do Conselho de Entidades da UNESP que acontecerá no final de semana de 4 e 5 de maio na ocupação da UNESP de Ourinhos. Ao mesmo tempo em que acontecia a assembleia em Marília, estudantes da UNESP de Presidente Prudente aprovaram em assembleia uma paralisação para a próxima terça, 08/05, mostrando claras perspectivas de avanço da mobilização. Nesta terça-feira, 30/04, acontecerão assembleias nos campus de Bauru e Franca que, além de organizar a ida ao Conselho de Entidades, discutirão possíveis ações de solidariedade e caminhos para se incorporar na luta que cada vez mais ganha contornos estaduais.


Por fim, xs estudantes votaram pela organização de uma grande ato unificado no centro da cidade de Marília contra o PIMESP e pela democratização das universidades na próxima sexta, 03/05, às 09H. Para a construção desse ato, será feito um chamado aos estudantes secundaristas, maiores interessados na democratização do acesso a universidade, e também aos professores da rede pública que estão mobilizados e em greve pela garantia de direitos mínimos que garanta melhores condições de trabalho. A ideia é dialogar e ganhar o apoio da população de Marília denunciando que os problemas que xs estudantes da UNESP enfrentam hoje fazem parte de um mesmo projeto de educação que precariza todos os níveis de ensino e que também estamos em luta para que todxs xs filhxs de trabalhadorxs possam estudar em universidades públicas!

Na próxima terça, 30/04, acontecerá na ocupação de Marília o lançamento da 2ª edição do livro "A precarização tem rosto de mulher" com a presença de Diana Assunção e Claudionor Brandão, diretores do Sindicato dos Trabalhadores da USP. A atividade será muito importante para reforçar a posição dxs estudantes de Marília de sempre se colocar ao lado dxs trabalhadorxs contra a precarização do trabalho e de apostar suas fichas na potencialidade da aliança operário-estudantil

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Direto da greve da UNESP de Marília: Relato de uma militante da Juventude Às Ruas de Campinas


Sou Tatiane Lopes, estudante de Ciências Sociais na Unicamp, militante da Juventude ÀS RUAS e hoje, 28 de abril de 2013, representando a Juventude ÀS RUAS-Campinas estou em Marília, prestando solidariedade ativa a luta dos estudantes da UNESP de Marília que votaram em assembleia, na terça-feira passada, 23/04, GREVE GERAL ESTUDANTIL e OCUPAÇÃO do prédio da Direção do Campus. Esse processo de mobilização começou na UNESP de Ourinhos, no dia 17/04 quando os estudantes também votaram GREVE GERAL ESTUDANTIL. As principais reivindicações do movimento, em ambos os campis e inclusive no campus de Assis que também votou GREVE na última sexta e hoje começam uma ocupação, estão ligadas a questão de permanência estudantil e a questionamentos em relação ao acesso a universidade, com oposição ao PIMESP. A REItoria da Unesp vem atrasando e cortando o pagamento das bolsas auxílio. Em Ourinhos não há RU nem Moradia, aqui em Marília são 100 bolsas auxílio para um total de 2600 alunos, no RU são servidas 300 refeições no almoço e 150 na janta e a moradia está superlotada e não atende a demanda. O PIMESP, projeto que desmascara o caráter de universidade para uma elite, que não quer negros, nem pobres dentro, foi posto goela abaixo na Unesp, sendo aprovado de forma antidemocrática e autoritária pela REItoria na última semana. Precisamos desde a Unicamp, USP e demais Universidades do país apoiar ativamente essa luta que também é nossa, uma luta por educação pública de qualidade e pra todos que esteja efetivamente a serviço da população.
Hoje numa reunião entre os campis da UNESP foi concretizada a construção do Conselho das Entidades Estudantis da UNESP/FATEC - CEEUF para o próximo final de semana, com o claro e acertado objetivo de unificar essas lutas estadualmente. Nós, que na Unicamp construímos a chapa Juventude ÀS RUAS + Independentes para eleição de delegados para o II Congresso da ANEL entendemos que essas demandas podem e devem ser unificadas não só estadualmente, mas nacionalmente, e é nesse espírito que construímos a ANEL, como uma entidade que pode servir concretamente para a reorganização do movimento estudantil a nível nacional, para que se torne um verdadeiro bloqueio aos projetos do governo que a cada dia jogam no lixo o futuro da juventude precarizada na educação e no trabalho.

sábado, 27 de abril de 2013

USP - Greve de professores, greve da Unesp: Venha debater com a Juventude às Ruas a importância de uma entidade nacional de estudantes (ANEL)



    • Recentemente despontaram lutas importantes ligadas à educação, como a greve dos professores da rede pública e a greve dos estudantes da Unesp pela permanênica estudantil e contra o PIMESP.

      A repressão aos 72 estudantes da USP, as 8 expulsões e outras punições não são casos isolados. Pelo país inteiro a repressão dos governos está atacando os que lutam por direitos elementares: desde estudantes da Unifesp, UFMT, os que lutam contra aumento da tarifa...também são assassinados sem terra, reprimidos os que lutam por moradia.

      Consideramos que o II Congresso da ANEL, que irá se reunir no final de maio, é um momento fundamental para debatermos com estudantes de todo o país a necessidade de unificarmos nossas lutas, de construirmos uma entidade que possa lutar pelo direito à educação pública, gratuita, laica e e de qualidade para todos, com permanência estudantil plena, com uma forte campanha contra a repressão dentro e fora das universidades.

      Convidamos todos a vir debater conosco o que é a ANEL e porque enxergamos nela uma alternativa à UNE, entidade histórica dos estudantes no país mas que hoje encontra-se completamente dominada pela política do governo federal. Queremos debater com todos os estudantes a necessidade de transformar o que a ANEL é hoje, para que possa cumprir um papel superior organizando e unificando as lutas dos estudantes e da juventude em todo o país.

      Nesta terça, na Letras, às 12h e às 18h


    Foto

Moção de apoio do SINTUSP à ocupação da diretoria e a greve dos estudantes de Marília


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Claudionor Brandão, diretor do Sintusp apóia a greve e ocupação dos estudantes da Unesp de Marília


Moção de apoio dos professores em greve de Campinas à luta dos estudantes da Unesp

Moção de apoio à luta dos estudantes da UNESP

Os professores da rede estadual de São Paulo em greve reunidos em Assembléia regional de Campinas (SP) manifestam seu apoio à luta dos estudantes da UNESP por permanência estudantil. Nesse momento que nós também estamos em luta pela educação pública e contra os ataques do governo Alckmin, queremos somar nossas vozes junto a todos aqueles que lutam por uma educação verdadeiramente pública, gratuita e de qualidade.TODO APOIO A LUTA DOS ESTUDANTES DA UNESP!




quarta-feira, 24 de abril de 2013

NÃO AS EXPULSÕES E SUSPENSÕES NA FSA (Fundação Santo André)! EM DEFESA DOS LUTADORES PARA SEGUIRMOS LUTANDO POR UM PROJETO DE UNIVERSIDADE ABERTA AOS TRABALHADORES E POVO POBRE!


Desde segunda-feira (22.04), os estudantes de Ciências Sociais, Geografia e História decidiram paralisar em defesa dos estudantes perseguidos politicamente por lutarem pela democratização da universidade. Essa luta passava por retomar o D.A fechado ILEGALMENTE pela reitoria de Oduvaldo Caccalano, sóbrios da história de nosso país como os anos de chumbo da ditadura civil-militar. Essa mesma REItoria profundamente anti-democrática, foi a mesma que impediu os estudantes de se organizarem contra a privatização do estacionamento da universidade (que sempre foi caótico e não atendia a demanda dos estudantes, que este ano foi privatizado e passou a ser cobrado uma quantia mensal), fecharam a quadra da universidade que era de TODOS os estudantes e colocaram na mão da atlética, que é o principal aliado da reitoria hoje dentre os estudantes, impedindo o acesso a quadra com a implementação de catraca,. para restringir ainda mais o acesso à Universidade, cerceando os espaços que são dos estudantes!

Toda a perseguição política ao movimento estudantil representada pelas expulsões e por essas suspensões de 15 dias são de total responsabilidade do reitor Oduvaldo Caccalano e seus “companheiros” Flavio Morgado, Edna Mara, a da família Lernic; Assim tentam com essas medidas expulsar os lutadores da universidade e disciplinar o movimento estudantil de conjunto a não lutar, para que fiquem livres para fazer o que bem entenderem com universidade.

Sendo assim, não podemos confiar na reitoria e na atlética que defende esse mesmo projeto dentro do movimento estudantil, é preciso relembrarmos o último processo do qual o movimento estudantil tirou suas conquistas para não repetirmos os mesmos erros novamente. Oduvaldo Cacalano, atual REI-tor da universidade se elegeu às custas do movimento estudantil que se levantava contra o antigo reitor que roubou 20 milhões da universidade. 

Essa luta ficou a merece da figura de um professor que se mostrava bastante próximo das posições dos estudantes, professores e funcionários e impedia que o movimento estudantil enxergasse a estrutura de poder que está por traz dos candidatos decididos pela prefeitura da cidade.A ilusão que é possível ter um reitor que defenda os interesses da maioria da universidade se desfaz com a experiência que tivemos em 2011 com o avançar do projeto de privatização, onde a mesma empresa que implementa as catracas também receberá parte dos lucros com o estacionamento. Só será possível que nossos intereresses decidam os rumos da universidade se superarmos essa estrutura de poder de reis e os setores orgânicos da universidade: professores, estudantes e alunos se auto-organizem, conformando assembléias estatuintes, onde cada cabeça equivalha a um voto, para constuição um governo universitário tripartite, com maioria estudantil  .

O mesmo projeto privatista, elitista e repressivo que a REItoria da Fundação Santo André quer fazer avançar é a expressão de um projeto de educação voltado a atender somente os interesses das grandes empresas capitalistas. Não a toa, a mobilização dos estudantes da FSA acontece concomitantemente coma luta dos estudantes da Unesp por permanência estudantil, e da greve dos professores da rede pública por melhores condições de trabalho e salário. Os campus de Ourinhos e Marília já estão com uma greve estudantil aprovada, sendo que em Marília os estudantes ocuparam o prédio da Administração do campus, para lutar por política de permanência estudantil que possibilite que os filhos dos trabalhadores possam se manter dentro da universidade pública. Estamos ao lado dos estudantes da Unesp, dos professores da rede estadual, e dos  perseguidos políticos da FSA para lutar por outro projeto de educação.  É necessário nos unificar à esses processos vivos para somarmos forças contra mais esse ataque perpetrado pela Reitorias do Estado de São Paulo.

É necessário que encararmos a política repressiva como uma política de Estado que visa silenciar os lutadores e impor seu projetos reacionários. A repressão se generaliza como uma prevenção aos futuros conflitos que virão fruto do avançar da crise, vemos desde o caso mais emblemático dos 72 estudantes e trabalhadores que foram denunciados no inicio do ano pelo Ministério Público exigindo a prisão destes estudantes por formação de quadrilha, com pena mínima de 8 anos. Seguem as perseguições a Bia Abramidez (Professora da PUC) e Ricardo Antunes (Professor da Unicamp), seguem três operários desaparecidos nas obras do PAC em Belo Monte, seguem dezenas de estudantes processados na Unifesp de Guarulhos e seguem a repressão policial cotidiana nos morros, periferias e favelas, para além dos constantes assassinatos no campo conta os militantes da reforma agrária, como também o violento despejo da Aldeia Maracanã (RJ) para “preparar o Brasil para a Copa”. Para dar um basta a tudo isso, defendendo nossos lutadores é mais do que necessário que levantemos uma grande campanha Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais, sendo essa uma tarefa central que está colocada para todas as entidades estudantis, como CA’s, DCE’s, e as organizações nacionais estudantis ANEL e UNE, como também para os movimentos sociais, partidos de esquerda´, intelectuais da universidade, e centrais sindicais. 
Somente assim será possível levantar uma ampla campanha democrática que consiga barrar esses ataques na defesa de nossos lutadores!

Por isso que nós da Juventude ÁS RUAS, que construímos a ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre), uma entidade anti-governista, achamos que é fundamental rumo ao nosso II Congresso  conseguirmos levar essas experiências e demandas para que seja um congresso bastante vivo com reflexo dos últimos processos de mobilização que a juventude se colocou a frente e que possamos coordenar um plano de luta nacional contra a repressão, em defesa dos lutadores perseguidos em diversas universidades e escolas e assim fazer a ANEL ser um instrumento real de organização dos estudantes brasileiros na luta contra a precarização do trabalho e do ensino, contra as perseguições políticas aos lutadores. Não deixaremos que nos ataquem novamente!