Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Nota em solidariedade aos operários em luta contra as demissões e fechamento de unidade da Mabe Brasil

Por Juventude às Ruas Campinas 

Desde terça-feira, 30 de abril, os trabalhadores da Mabe-Campinas, multinacional mexicana de produtos da “linha branca”  - fogões e geladeiras -, estão acampados em frente a sede central da empresa no distrito industrial de Campinas[1] depois de serem informados que a metalúrgica iria retirar máquinas e equipamentos da unidade. Também no último dia 3, a multinacional decretou pedido de recuperação judicial[2] para as suas operações no Brasil como forma de evitar falência e junto a isso, anuncia o fechamento de sua unidade em Itu[3]com a imediata demissão de 1300 trabalhadores (número ainda não confirmado pela empresa). A patronal “concedeu” férias coletivas e antes dos trabalhadores voltarem queriam tirar o maquinário (ferramentaria) durante a noite para depois diminuírem a produção (reestruturação produtiva, demissão para os operários) ou diretamente fechar as portas como conseguiram fazer em Itu. 
A rápida ação dos trabalhadores junto a seu sindicato na porta da fábrica impediu que os equipamentos fossem retirados da unidade fabril e evitou uma clara tentativa da empresa de impedir que os trabalhadores pudessem voltar ao trabalho, uma demissão disfarçada ao inviabilizar a produção. O fechamento da fábrica da Mabe em Itu é mais um fato que se soma as recentes  demissões da GM  de São José dos Campos e ao fechamento de inúmeras fábricas no país desde o  início da crise econômica mundial em 2008. A Região metropolitana de Campinas é uma região  com grande concentração industrial e de empregos na indústria, não escapa a essa tendência  e vem passando por milhares de demissões todos os anos, mais um exemplo de que o Brasil não é uma ilha em meio à crise econômica e que não reage mesmo com as medidas de desonerações (redução do IPI e incentivo de crédito para compra de eletrodomésticos) para o setor de produção de “linha  branca” anunciadas pelo governo Dilma, medidas que renunciam a arrecadação de impostos em benefício dos interesses dos empresários, numa tentativa até o momento infrutífera de incentivar o consumo e o investimento numa indústria que passa por uma crise e que vem relativamente estagnada desde meados de 2011.  As demissões e os fechamentos são uma forma de preparação dos patrões frente aos efeitos da crise em seus mercados consumidores e no Brasil.
As demissões e fechamentos da Mabe Brasil são uma expressão de uma reação internacional dos patrões no sentido de uma reestruturação das fábricas para realocar a produção a nível mundial numa tentativa de recuperar seus lucros e evitar o inevitável para muitos capitalistas: a bancarrota em meio a uma crise histórica do capital, que vem reduzindo o consumo das famílias e exportações, da Mabe para seu principal mercado, os EUA, mas que também afeta a América Latina de modo que o ônus da crise seja pago pelos trabalhadores, forçando a redução da produção, o corte de custos, via demissões, redução e arrocho nos salários e a imposição de contratos flexíveis (terceirização) que infelizmente, muitas vezes contam com o apoio das centrais sindicais como a CUT. É preciso denunciar o papel que a universidade pública, como a Unicamp, cumpre junto a multinacionais como a Mabe, ao ter a geração de seu conhecimento financiada e voltada aos interesses dos capitalistas para a produção de patentes e inovação, e ao formar os quadros que irão gerir e chefiar essas empresas. Nos colocamos em luta ao lado dos trabalhadores contra esse projeto de universidade privatista, elitista  e racista que exclui o conjunto da população pobre e negra da geração de conhecimento e não atende suas necessidades.
Desde a Juventude às Ruas Campinas, declaramos a mais ampla solidariedade à luta dos metalúrgicos da Mabe de Campinas contra as demissões e o fechamento das fábricas de Itu, Hortolândia e Campinas. Pois as lutas da classe trabalhadora são também do conjunto da juventude, somente a partir de uma aliança estratégica operário-estudantil que será possível uma transformação radical da educação e da universidade para que esta esteja de fato voltada aos interesses da classe trabalhadora e aberta a toda a população e que não sirva, como é hoje, aos interesses dos patrões, das multinacionais. Que os capitalistas paguem por sua crise, que se ataquem os lucros dos capitalistas e não os salários e os empregos dos trabalhadores e trabalhadoras. Nenhuma redução de emprego nas plantas da Mabe! Contra o fechamento das unidades fabris da Mabe, que estas sejam geridas pelos próprios trabalhadores e que as horas de trabalho sejam repartidas para garantir os empregos para todos.




[2] Antiga concordata, recurso para evitar a falência, que a empresa declara junto a justiça, para conseguir postergar o pagamento de suas dívidas que não possui liquidez (dinheiro em caixa) para quitar junto as seus fornecedores, acionistas e/ou trabalhadores. A Mabe (que no Brasil, atua por meio de joint-venture com a General Eletric – GE  dos EUA, dona das marcas de fogões GE, Continental e Dako) anunciou fechamento de unidade de Itu com a justificativa de reestruturação como último recurso para se recuperar de suas dívidas e se manter no país, antes de fechar/vender todas suas 5 unidades (em Campinas, Itu e Hortolândia) e demitir cerca de 4 mil trabalhadores  no Brasil e voltar para o México.
[3] Veja telegrama enviado aos trabalhadores demitidos da Mabe Itu: http://empresascampinas.blogspot.com.br/2013/05/telegrama-enviado-funcionarios-que.html

terça-feira, 30 de abril de 2013

Assembleia Geral dxs estudantes de Marília delibera a continuidade da greve e ocupação!

Cerca de 350 estudantes dos nove cursos da UNESP de Marília reuniram-se em assembleia na noite desta última segunda-feira, 29/04, e deliberaram por ampla maioria pela continuidade da greve geral e da ocupação do prédio da direção da faculdade. 

Além do debate sobre permanência estudantil, que vem sendo até aqui o motor da mobilização, as intervenções na assembleia expressaram muito a necessidade de lutar contra o PIMESP (Programa de Inclusão por Mérito do Estado de São Paulo). Xs estudantes denunciaram a tentativa da reitoria da UNESP de tentar aprovar o PIMESP na calada da noite na última reunião do Conselho Universitário, atropelando mais uma vez qualquer forma de discussão e debate democrático entre estudantes, trabalhadorxs e professorxs. As falas desmascararam o projeto que, revestido com um verniz de democratização do acesso as universidades estaduais, avança na elitização da universidade ao promover a exclusão dxs estudantes filhxs de trabalhadorxs da universidade. O PIMESP impõe uma espécie de "college" de dois anos de duração que xs estudantes negrxs, indígenas e oriundos da escola pública teriam que ultrapassar para só aí entrar num curso de graduação na USP, UNESP e UNICAMP. Além de uma formação aligeirada e estruturada no ensino à distância, a concepção pedagógica do projeto é centrada em "despertar" o espírito empreendedor dxs estudantes, ou seja, impregna-los com uma ideologia burguesa individualista baseada na auto-promoção social e na ilusão de que todxs podem se tornam pequenos patrões.

Foi discutida também a tendência a expansão da mobilização para outros campus da UNESP para além de Marília, Ourinhos e Assis que já estão em greve. Para contribuir neste sentido, foi organizada a ida de estudantes para ajudar a construir a mobilização em outros campus e a necessidade de dar todo peso para a construção do Conselho de Entidades da UNESP que acontecerá no final de semana de 4 e 5 de maio na ocupação da UNESP de Ourinhos. Ao mesmo tempo em que acontecia a assembleia em Marília, estudantes da UNESP de Presidente Prudente aprovaram em assembleia uma paralisação para a próxima terça, 08/05, mostrando claras perspectivas de avanço da mobilização. Nesta terça-feira, 30/04, acontecerão assembleias nos campus de Bauru e Franca que, além de organizar a ida ao Conselho de Entidades, discutirão possíveis ações de solidariedade e caminhos para se incorporar na luta que cada vez mais ganha contornos estaduais.


Por fim, xs estudantes votaram pela organização de uma grande ato unificado no centro da cidade de Marília contra o PIMESP e pela democratização das universidades na próxima sexta, 03/05, às 09H. Para a construção desse ato, será feito um chamado aos estudantes secundaristas, maiores interessados na democratização do acesso a universidade, e também aos professores da rede pública que estão mobilizados e em greve pela garantia de direitos mínimos que garanta melhores condições de trabalho. A ideia é dialogar e ganhar o apoio da população de Marília denunciando que os problemas que xs estudantes da UNESP enfrentam hoje fazem parte de um mesmo projeto de educação que precariza todos os níveis de ensino e que também estamos em luta para que todxs xs filhxs de trabalhadorxs possam estudar em universidades públicas!

Na próxima terça, 30/04, acontecerá na ocupação de Marília o lançamento da 2ª edição do livro "A precarização tem rosto de mulher" com a presença de Diana Assunção e Claudionor Brandão, diretores do Sindicato dos Trabalhadores da USP. A atividade será muito importante para reforçar a posição dxs estudantes de Marília de sempre se colocar ao lado dxs trabalhadorxs contra a precarização do trabalho e de apostar suas fichas na potencialidade da aliança operário-estudantil

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Direto da greve da UNESP de Marília: Relato de uma militante da Juventude Às Ruas de Campinas


Sou Tatiane Lopes, estudante de Ciências Sociais na Unicamp, militante da Juventude ÀS RUAS e hoje, 28 de abril de 2013, representando a Juventude ÀS RUAS-Campinas estou em Marília, prestando solidariedade ativa a luta dos estudantes da UNESP de Marília que votaram em assembleia, na terça-feira passada, 23/04, GREVE GERAL ESTUDANTIL e OCUPAÇÃO do prédio da Direção do Campus. Esse processo de mobilização começou na UNESP de Ourinhos, no dia 17/04 quando os estudantes também votaram GREVE GERAL ESTUDANTIL. As principais reivindicações do movimento, em ambos os campis e inclusive no campus de Assis que também votou GREVE na última sexta e hoje começam uma ocupação, estão ligadas a questão de permanência estudantil e a questionamentos em relação ao acesso a universidade, com oposição ao PIMESP. A REItoria da Unesp vem atrasando e cortando o pagamento das bolsas auxílio. Em Ourinhos não há RU nem Moradia, aqui em Marília são 100 bolsas auxílio para um total de 2600 alunos, no RU são servidas 300 refeições no almoço e 150 na janta e a moradia está superlotada e não atende a demanda. O PIMESP, projeto que desmascara o caráter de universidade para uma elite, que não quer negros, nem pobres dentro, foi posto goela abaixo na Unesp, sendo aprovado de forma antidemocrática e autoritária pela REItoria na última semana. Precisamos desde a Unicamp, USP e demais Universidades do país apoiar ativamente essa luta que também é nossa, uma luta por educação pública de qualidade e pra todos que esteja efetivamente a serviço da população.
Hoje numa reunião entre os campis da UNESP foi concretizada a construção do Conselho das Entidades Estudantis da UNESP/FATEC - CEEUF para o próximo final de semana, com o claro e acertado objetivo de unificar essas lutas estadualmente. Nós, que na Unicamp construímos a chapa Juventude ÀS RUAS + Independentes para eleição de delegados para o II Congresso da ANEL entendemos que essas demandas podem e devem ser unificadas não só estadualmente, mas nacionalmente, e é nesse espírito que construímos a ANEL, como uma entidade que pode servir concretamente para a reorganização do movimento estudantil a nível nacional, para que se torne um verdadeiro bloqueio aos projetos do governo que a cada dia jogam no lixo o futuro da juventude precarizada na educação e no trabalho.

sábado, 27 de abril de 2013

USP - Greve de professores, greve da Unesp: Venha debater com a Juventude às Ruas a importância de uma entidade nacional de estudantes (ANEL)



    • Recentemente despontaram lutas importantes ligadas à educação, como a greve dos professores da rede pública e a greve dos estudantes da Unesp pela permanênica estudantil e contra o PIMESP.

      A repressão aos 72 estudantes da USP, as 8 expulsões e outras punições não são casos isolados. Pelo país inteiro a repressão dos governos está atacando os que lutam por direitos elementares: desde estudantes da Unifesp, UFMT, os que lutam contra aumento da tarifa...também são assassinados sem terra, reprimidos os que lutam por moradia.

      Consideramos que o II Congresso da ANEL, que irá se reunir no final de maio, é um momento fundamental para debatermos com estudantes de todo o país a necessidade de unificarmos nossas lutas, de construirmos uma entidade que possa lutar pelo direito à educação pública, gratuita, laica e e de qualidade para todos, com permanência estudantil plena, com uma forte campanha contra a repressão dentro e fora das universidades.

      Convidamos todos a vir debater conosco o que é a ANEL e porque enxergamos nela uma alternativa à UNE, entidade histórica dos estudantes no país mas que hoje encontra-se completamente dominada pela política do governo federal. Queremos debater com todos os estudantes a necessidade de transformar o que a ANEL é hoje, para que possa cumprir um papel superior organizando e unificando as lutas dos estudantes e da juventude em todo o país.

      Nesta terça, na Letras, às 12h e às 18h


    Foto

Moção de apoio do SINTUSP à ocupação da diretoria e a greve dos estudantes de Marília


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Claudionor Brandão, diretor do Sintusp apóia a greve e ocupação dos estudantes da Unesp de Marília


Moção de apoio dos professores em greve de Campinas à luta dos estudantes da Unesp

Moção de apoio à luta dos estudantes da UNESP

Os professores da rede estadual de São Paulo em greve reunidos em Assembléia regional de Campinas (SP) manifestam seu apoio à luta dos estudantes da UNESP por permanência estudantil. Nesse momento que nós também estamos em luta pela educação pública e contra os ataques do governo Alckmin, queremos somar nossas vozes junto a todos aqueles que lutam por uma educação verdadeiramente pública, gratuita e de qualidade.TODO APOIO A LUTA DOS ESTUDANTES DA UNESP!




quarta-feira, 24 de abril de 2013

NÃO AS EXPULSÕES E SUSPENSÕES NA FSA (Fundação Santo André)! EM DEFESA DOS LUTADORES PARA SEGUIRMOS LUTANDO POR UM PROJETO DE UNIVERSIDADE ABERTA AOS TRABALHADORES E POVO POBRE!


Desde segunda-feira (22.04), os estudantes de Ciências Sociais, Geografia e História decidiram paralisar em defesa dos estudantes perseguidos politicamente por lutarem pela democratização da universidade. Essa luta passava por retomar o D.A fechado ILEGALMENTE pela reitoria de Oduvaldo Caccalano, sóbrios da história de nosso país como os anos de chumbo da ditadura civil-militar. Essa mesma REItoria profundamente anti-democrática, foi a mesma que impediu os estudantes de se organizarem contra a privatização do estacionamento da universidade (que sempre foi caótico e não atendia a demanda dos estudantes, que este ano foi privatizado e passou a ser cobrado uma quantia mensal), fecharam a quadra da universidade que era de TODOS os estudantes e colocaram na mão da atlética, que é o principal aliado da reitoria hoje dentre os estudantes, impedindo o acesso a quadra com a implementação de catraca,. para restringir ainda mais o acesso à Universidade, cerceando os espaços que são dos estudantes!

Toda a perseguição política ao movimento estudantil representada pelas expulsões e por essas suspensões de 15 dias são de total responsabilidade do reitor Oduvaldo Caccalano e seus “companheiros” Flavio Morgado, Edna Mara, a da família Lernic; Assim tentam com essas medidas expulsar os lutadores da universidade e disciplinar o movimento estudantil de conjunto a não lutar, para que fiquem livres para fazer o que bem entenderem com universidade.

Sendo assim, não podemos confiar na reitoria e na atlética que defende esse mesmo projeto dentro do movimento estudantil, é preciso relembrarmos o último processo do qual o movimento estudantil tirou suas conquistas para não repetirmos os mesmos erros novamente. Oduvaldo Cacalano, atual REI-tor da universidade se elegeu às custas do movimento estudantil que se levantava contra o antigo reitor que roubou 20 milhões da universidade. 

Essa luta ficou a merece da figura de um professor que se mostrava bastante próximo das posições dos estudantes, professores e funcionários e impedia que o movimento estudantil enxergasse a estrutura de poder que está por traz dos candidatos decididos pela prefeitura da cidade.A ilusão que é possível ter um reitor que defenda os interesses da maioria da universidade se desfaz com a experiência que tivemos em 2011 com o avançar do projeto de privatização, onde a mesma empresa que implementa as catracas também receberá parte dos lucros com o estacionamento. Só será possível que nossos intereresses decidam os rumos da universidade se superarmos essa estrutura de poder de reis e os setores orgânicos da universidade: professores, estudantes e alunos se auto-organizem, conformando assembléias estatuintes, onde cada cabeça equivalha a um voto, para constuição um governo universitário tripartite, com maioria estudantil  .

O mesmo projeto privatista, elitista e repressivo que a REItoria da Fundação Santo André quer fazer avançar é a expressão de um projeto de educação voltado a atender somente os interesses das grandes empresas capitalistas. Não a toa, a mobilização dos estudantes da FSA acontece concomitantemente coma luta dos estudantes da Unesp por permanência estudantil, e da greve dos professores da rede pública por melhores condições de trabalho e salário. Os campus de Ourinhos e Marília já estão com uma greve estudantil aprovada, sendo que em Marília os estudantes ocuparam o prédio da Administração do campus, para lutar por política de permanência estudantil que possibilite que os filhos dos trabalhadores possam se manter dentro da universidade pública. Estamos ao lado dos estudantes da Unesp, dos professores da rede estadual, e dos  perseguidos políticos da FSA para lutar por outro projeto de educação.  É necessário nos unificar à esses processos vivos para somarmos forças contra mais esse ataque perpetrado pela Reitorias do Estado de São Paulo.

É necessário que encararmos a política repressiva como uma política de Estado que visa silenciar os lutadores e impor seu projetos reacionários. A repressão se generaliza como uma prevenção aos futuros conflitos que virão fruto do avançar da crise, vemos desde o caso mais emblemático dos 72 estudantes e trabalhadores que foram denunciados no inicio do ano pelo Ministério Público exigindo a prisão destes estudantes por formação de quadrilha, com pena mínima de 8 anos. Seguem as perseguições a Bia Abramidez (Professora da PUC) e Ricardo Antunes (Professor da Unicamp), seguem três operários desaparecidos nas obras do PAC em Belo Monte, seguem dezenas de estudantes processados na Unifesp de Guarulhos e seguem a repressão policial cotidiana nos morros, periferias e favelas, para além dos constantes assassinatos no campo conta os militantes da reforma agrária, como também o violento despejo da Aldeia Maracanã (RJ) para “preparar o Brasil para a Copa”. Para dar um basta a tudo isso, defendendo nossos lutadores é mais do que necessário que levantemos uma grande campanha Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais, sendo essa uma tarefa central que está colocada para todas as entidades estudantis, como CA’s, DCE’s, e as organizações nacionais estudantis ANEL e UNE, como também para os movimentos sociais, partidos de esquerda´, intelectuais da universidade, e centrais sindicais. 
Somente assim será possível levantar uma ampla campanha democrática que consiga barrar esses ataques na defesa de nossos lutadores!

Por isso que nós da Juventude ÁS RUAS, que construímos a ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre), uma entidade anti-governista, achamos que é fundamental rumo ao nosso II Congresso  conseguirmos levar essas experiências e demandas para que seja um congresso bastante vivo com reflexo dos últimos processos de mobilização que a juventude se colocou a frente e que possamos coordenar um plano de luta nacional contra a repressão, em defesa dos lutadores perseguidos em diversas universidades e escolas e assim fazer a ANEL ser um instrumento real de organização dos estudantes brasileiros na luta contra a precarização do trabalho e do ensino, contra as perseguições políticas aos lutadores. Não deixaremos que nos ataquem novamente!

ESTUDANTES DA UNESP DE MARÍLIA ENTRAM EM GREVE E OCUPAM A DIREÇÃO!


Foto


A situação de calamidade em que se encontram as políticas de permanência estudantil nos campi da UNESP denuncia o caráter do projeto de universidade que temos por parte da REItoria e do governo do estado de São Paulo. Os estudantes filhos da classe trabalhadora, que já encontram dificuldade no acesso ao ensino superior através do filtro social do vestibular, uma vez ingressos, sentem na pele a dificuldade em permanecerem na universidade. A universidade pública, mantida com os impostos pagos pelos trabalhadores, nega a eles o acesso, restringe a eles a permanência, e volta sua produção de conhecimento a fins privados.

Os estudantes da Unesp de Ourinhos, que além da infra-estrutura inadequada, têm políticas de permanência quase zero, encontram-se ainda com atrasos de pagamento das poucas bolsas que possuem. Frente a esta situação, contra este projeto de universidade imposto por uma estrutura de poder autoritária, deram um exemplo aos outros campi entrando em greve desde o dia 17 de Abril. (Mais informações em http://juventudeasruas.blogspot.com.br/2013/04/mocao-de-apoio-da-juventude-as-ruas.html)

Desde a deflagração da greve em Ourinhos temos estudantes de diversos campi da Unesp e de outras universidades articulando mobilizações. Não foi diferente na Unesp de Marília. A precariedade de políticas de permanência na UNESP de Marília é um impulso à luta dos estudantes. As bolsas BAAE (sócio-econômicas) nem de longe atendem as demandas. O recente anúncio dos contemplados gerou imensa revolta e preocupação dos estudantes que ficaram na lista de espera, sem perspectivas de como se manterem na universidade. O Restaurante Universitário está com sua capacidade mais do que insuficiente. É recorrente a chamada “fila dos desesperados” (estudantes que ficam de fora, sem refeições). Os trabalhadores do RU estão trabalhando para além de suas atribuições. A moradia estudantil está superlotada.  (Mais informações em http://juventudeasruas.blogspot.com.br/2013/04/unesp-marilia-luta-por-permanencia.html)

Somam-se a este quadro os ataques aos estudantes do CAUM (Cursinho Alternativo da Unesp de Marília), que vem sofrendo com corte de materiais, suspensão de direitos de uso da infra-estrutura da faculdade pelos alunos, redução da autonomia política da auto-organização dos estudantes, ausência de acessibilidade adequada a estudantes com deficiências motora, ausência de intérpretes de libras a estudantes com deficiência auditiva.

Estas e outras demandas têm impulsionado as lutas dos estudantes desde o começo do ano, com atos e "entraços" no RU. As reivindicações por permanência estudantil no fundo são reivindicações contra um projeto de educação que não se encerra na Unesp de Marília. Neste sentido, uma das importantes lutas que em Marília travamos é um combate ao PIMESP, que é uma ameaça aos trabalhadores e negros do estado de São Paulo.

Recentemente demos saltos de organização, ao fazermos assembléias gerais conjuntas dos estudantes da graduação com os estudantes do CAUM, tendo estes últimos direito a voz e voto. Da assembleia geral tiramos uma agenda de mobilizações que, partindo das pautas mais locais, nos permite entender a necessidade de lutar contra a estrutura de poder da universidade, que é um instrumento para a implementação deste projeto elitista de educação.

No dia 23, após uma congregação aberta na qual ficou clara a impossibilidade de atendimento de nossas demandas por dentro da estrutura de poder deste órgão máximo de deliberação do campus, ocorreu uma ampla assembléia estudantil no gramado do saguão principal da Unesp de Marília, como não se via desde de 2007. Cerca de 500 estudantes deliberaram por greve e ocupação do prédio da direção por tempo indeterminado! A decisão se deu por contraste, e na mesma noite os estudantes deram início à mobilização! Na quarta-feira já soltamos um cronograma de atividades!

O projeto de universidade tem a mesma lógica elitista em todos em campi da Unesp. Portanto, urge a construção de um CEEUF combativo, e a unificação da lutas a nível estadual e federal!

Não deixaremos de lutar enquanto nossas demandas não forem atendidas!
Abaixo o Pimesp! Por cotas proporcionais!
Por uma universidade pública à serviço da classe trabalhadora!
Pelo acesso irrestrito à universidade com o fim do vestibular e políticas efetivas de permanência estudantil! 

Juventude às Ruas - Marília

terça-feira, 23 de abril de 2013

Juventude Às Ruas construindo o II Congresso da ANEL na Unicamp

Na última quarta-feira, dia 10, a Juventude ÀS RUAS realizou uma reunião aberta na Unicamp, que culminou na formação de uma chapa para as eleições de delegados para o II congresso da Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre). Tendo em vista a importância da atuação dos estudantes e de sua tarefa enquanto aliado dos trabalhadores nas lutas que ocorrem nacionalmente e internacionalmente, contra os planos de austeridade na União Europeia, pela educação gratuita no Chile, contra a repressão no México e no Brasil, queremos nos ligar à toda a juventude que vem saindo em luta, sermos  como no Chile, a "juventude que nasceu sem medo". Este é o espírito de nossa chapa.
A discussão teve como centralidade a reorganização do movimento estudantil para lutar. Nesse sentido, para organizar a luta dos estudantes é necessário a construção de uma entidade estudantil nacional, que possa articular as lutas para combater as políticas governo com um só punho. Por isso, frente ao II Congresso da ANEL que ocorrerá no final de maio, abrimos a discussão com uma análise da UNE e da ANEL. Partindo da caracterização das amarras da UNE, forjadas pelo governismo que resulta em burocratização e esterilidade desta entidade, além disto, a organização independente dos estudantes é impossibilitada pelas alianças da UNE com o governo. Colocamos a importância de construirmos uma entidade que de fato possa levar adiante as lutas dos estudantes, não burocraticamente, disputando cargos e aparatos, como é o caso da Oposição de Esquerda que atua dentro da UNE.
Assim, a Juventude ÀS RUAS constrói a ANEL, como uma opção independente e anti governista, capaz de reorganizar a vanguarda do movimento e, assim, poder disputar também aqueles que ainda possuem ilusões e esperanças na UNE e no governo petista. Mas essa construção se faz de forma crítica, pois ainda que essa entidade tenha capacidades de ser uma ferramenta de organização que o movimento estudantil necessita para vencer, as políticas da sua ala majoritária, o PSTU, culmina em inúmeros equívocos, como, por exemplo, o apoio congressual da PEC 300, reivindicando melhores condições de “trabalho” para os militares, que na verdade significa melhores condições para reprimir a população. A Anel também não foi capaz, nem se quer se deu a tarefa de, organizar solidariedade aos trabalhadores da GM, que estão sofrendo diversos ataques de sua patronal, com a demissão de mais de 600 operários. Até mesmo a grande oportunidade que a ANEL teve, frente a greve das universidades federais em 2011, de reorganizar o movimento estudantil e ser um entrave para os ataques do governo, foi em grande parte desperdiçada, pois não teve como centralidade a organização das bases dos estudantes em assembleias para que estes fossem sujeitos das lutas.  O que fez foi manter o comando de greve em Brasília, afastado de suas bases, e levantou a pauta de 10% do “PIB Já” para educação, sem se delimitar do próprio governismo, que também tinha essa reivindicação para longo prazo, ou seja, sem colocar para que projeto de universidade servirá esse financiamento, não respondendo assim com um  programa que ofereça uma alternativa a universidade de elite branca, precarizada e privatista que temos hoje.
Com a aproximação do II Congresso da ANEL, a nossa discussão se deu no sentido de refletir sobre os importantes temas que devemos levar para o debate conjunto aos estudantes, a nível nacional. Como a questão da Repressão aos 72 estudantes e trabalhadores da USP, que foram denunciados pelo Ministério Público e estão sob o risco de serem presos e levarem uma pena de até oito anos, por lutarem em defesa da universidade pública e contra a polícia que mais mata no mundo. Essa discussão gerou uma profunda reflexão sobre a necessidade de defendermos esses lutadores para não deixar passar esse ataque e sobre a própria função social da polícia, que é a de braço repressivo do Estado burguês. A mesma polícia que entra na USP e prende os que lutam é a que assassina os jovens, pobres e negros, nos morros e nas periferias. A repressão na USP está ligada a repressão em nível nacional a toda a vanguarda que se coloca em luta, como é o caso da UFMT, onde estudantes foram presos quando protestavam por moradia estudantil. Entretanto a repressão mais dura que estamos vivendo hoje são nos canteiros de obras do PAC, Santo Antônio, Belo Monte e Jirau, onde centenas de trabalhadores vem sofrendo repressão da Força de Segurança Nacional, criada por Dilma. Há relatos de espionagem, desaparecimento, sequestro e assassinato. O II Congresso da Anel é uma grande oportunidade para construirmos uma campanha nacional contra a repressão e cercar de solidariedade todos aqueles que lutam, não só nas universidades, como na USP e UFMT, mas principalmente aos trabalhadores da construção civil!
Também é uma marca do governo do PT, desde Lula até Dilma, a precarização do trabalho. A abertura de postos de trabalho e a expansão do credito veio acompanhados da terceirização, que é uma das formas mais profundas da precarização do trabalho, que divide as categorias, corta seus direitos e reduz seus salários. Esta forma de precarização esta por todo o país, em todos os ramos da produção, esta nos canteiros de obra, nas fabricas, nas escolas, no telemarketing e nas universidades, e afeta principalmente jovens e mulheres, em sua maioria, negras. Nas universidades a terceirização dos serviços precariza os postos de trabalho, mas também as estruturas físicas. Na Unicamp temos muitos exemplos, são dezenas de obras inacabadas, ou que demoraram décadas para serem construídas e que já são entregues com problemas, como é a biblioteca do IFCH e o novo prédio da geografia. Também é fruto da terceirização e falta de contratação de funcionários o incêndio da biblioteca do IEL e da sala da pós graduação do IFCH. É necessário lutarmos nacionalmente contra precarização do trabalho junto aos trabalhadores, conjuntamente a uma luta contra a precarização da educação, reivindicando o fim das empresas terceirizadas e a incorporação imediata dos trabalhadores terceirizados ao quadro de efetivos sem necessidade de concurso público.
Colocamos também a discussão sobre o PIMESP, projeto das estaduais paulistas, baseado no mérito, racista, pois mantém os negros por dois anos em cursos técnicos com disciplinas mercadológicas, como “gestão do tempo”, antes de poderem cursar o curso que escolheram, ficando claro todo o elitismo e racismo que embasam os projetos de universidade implementados pelo governo do estado, o PSDB. A partir dessa discussão, abrimos a reflexão sobre verdadeira inclusão social e acesso, como as cotas só inclui uma parcela ínfima dos negros, a verdadeira democratização do acesso só pode vir da luta pelo fim do vestibular e a estatização das universidades privadas, que é a única forma de todos os jovens terem direito a cursar uma universidade pública, gratuita e de qualidade, conjuntamente à tirada da educação das mãos dos grandes monopólios, que exploram a juventude que trabalha e estuda, em troca de um ensino precário.
Na discussão, passamos pela reflexão sobre a conjuntura nacional e as questões democráticas inflamadas, graças à aliança de setores reacionários e o governo do PT que busca barra-las, como o caso da legalização do aborto rifada em um acordo com a bancada evangélica, em troca de votos na eleição da primeira mulher para a presidência do Brasil. O rechaço a Marco Feliciano, que assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o debate colocado pela Comissão Federal de Medicina, que foi isolada pela bancada evangélica e setores reacionários, ao propor a legalização do aborto no Congresso, bem como todos os escandalosos episódios e trotes nas universidades do país, racistas, machistas e homofóbicos, chegamos a conclusão da necessidade de uma maior politização dessa discussão, sendo necessário encararmos esses entraves como ataques à juventude e aos trabalhadores por parte do governo, onde os resultados são diretamente a criminalização e violência, as milhares de mortes e a negligência.
Com base nessas ideias, conformamos com vários estudantes presentes na reunião a chapa “Juventude Às Ruas + Independentes” para disputar delegados para o II Congresso da ANEL, para que a força das nossas ideias envolva e apaixone ainda mais estudantes e possamos fazer da Anel um entrave real as ataques do governo e um polo de reorganização do movimento estudantil!
Estendemos o chamado à reflexão e discussão para os demais estudantes que não puderam comparecer, mas que acreditam na possibilidade de mudança a partir da luta. Venham construir conosco II Congresso da ANEL!