Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

ESTUDANTES DA UNESP DE MARÍLIA ENTRAM EM GREVE E OCUPAM A DIREÇÃO!


Foto


A situação de calamidade em que se encontram as políticas de permanência estudantil nos campi da UNESP denuncia o caráter do projeto de universidade que temos por parte da REItoria e do governo do estado de São Paulo. Os estudantes filhos da classe trabalhadora, que já encontram dificuldade no acesso ao ensino superior através do filtro social do vestibular, uma vez ingressos, sentem na pele a dificuldade em permanecerem na universidade. A universidade pública, mantida com os impostos pagos pelos trabalhadores, nega a eles o acesso, restringe a eles a permanência, e volta sua produção de conhecimento a fins privados.

Os estudantes da Unesp de Ourinhos, que além da infra-estrutura inadequada, têm políticas de permanência quase zero, encontram-se ainda com atrasos de pagamento das poucas bolsas que possuem. Frente a esta situação, contra este projeto de universidade imposto por uma estrutura de poder autoritária, deram um exemplo aos outros campi entrando em greve desde o dia 17 de Abril. (Mais informações em http://juventudeasruas.blogspot.com.br/2013/04/mocao-de-apoio-da-juventude-as-ruas.html)

Desde a deflagração da greve em Ourinhos temos estudantes de diversos campi da Unesp e de outras universidades articulando mobilizações. Não foi diferente na Unesp de Marília. A precariedade de políticas de permanência na UNESP de Marília é um impulso à luta dos estudantes. As bolsas BAAE (sócio-econômicas) nem de longe atendem as demandas. O recente anúncio dos contemplados gerou imensa revolta e preocupação dos estudantes que ficaram na lista de espera, sem perspectivas de como se manterem na universidade. O Restaurante Universitário está com sua capacidade mais do que insuficiente. É recorrente a chamada “fila dos desesperados” (estudantes que ficam de fora, sem refeições). Os trabalhadores do RU estão trabalhando para além de suas atribuições. A moradia estudantil está superlotada.  (Mais informações em http://juventudeasruas.blogspot.com.br/2013/04/unesp-marilia-luta-por-permanencia.html)

Somam-se a este quadro os ataques aos estudantes do CAUM (Cursinho Alternativo da Unesp de Marília), que vem sofrendo com corte de materiais, suspensão de direitos de uso da infra-estrutura da faculdade pelos alunos, redução da autonomia política da auto-organização dos estudantes, ausência de acessibilidade adequada a estudantes com deficiências motora, ausência de intérpretes de libras a estudantes com deficiência auditiva.

Estas e outras demandas têm impulsionado as lutas dos estudantes desde o começo do ano, com atos e "entraços" no RU. As reivindicações por permanência estudantil no fundo são reivindicações contra um projeto de educação que não se encerra na Unesp de Marília. Neste sentido, uma das importantes lutas que em Marília travamos é um combate ao PIMESP, que é uma ameaça aos trabalhadores e negros do estado de São Paulo.

Recentemente demos saltos de organização, ao fazermos assembléias gerais conjuntas dos estudantes da graduação com os estudantes do CAUM, tendo estes últimos direito a voz e voto. Da assembleia geral tiramos uma agenda de mobilizações que, partindo das pautas mais locais, nos permite entender a necessidade de lutar contra a estrutura de poder da universidade, que é um instrumento para a implementação deste projeto elitista de educação.

No dia 23, após uma congregação aberta na qual ficou clara a impossibilidade de atendimento de nossas demandas por dentro da estrutura de poder deste órgão máximo de deliberação do campus, ocorreu uma ampla assembléia estudantil no gramado do saguão principal da Unesp de Marília, como não se via desde de 2007. Cerca de 500 estudantes deliberaram por greve e ocupação do prédio da direção por tempo indeterminado! A decisão se deu por contraste, e na mesma noite os estudantes deram início à mobilização! Na quarta-feira já soltamos um cronograma de atividades!

O projeto de universidade tem a mesma lógica elitista em todos em campi da Unesp. Portanto, urge a construção de um CEEUF combativo, e a unificação da lutas a nível estadual e federal!

Não deixaremos de lutar enquanto nossas demandas não forem atendidas!
Abaixo o Pimesp! Por cotas proporcionais!
Por uma universidade pública à serviço da classe trabalhadora!
Pelo acesso irrestrito à universidade com o fim do vestibular e políticas efetivas de permanência estudantil! 

Juventude às Ruas - Marília

terça-feira, 23 de abril de 2013

Juventude Às Ruas construindo o II Congresso da ANEL na Unicamp

Na última quarta-feira, dia 10, a Juventude ÀS RUAS realizou uma reunião aberta na Unicamp, que culminou na formação de uma chapa para as eleições de delegados para o II congresso da Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre). Tendo em vista a importância da atuação dos estudantes e de sua tarefa enquanto aliado dos trabalhadores nas lutas que ocorrem nacionalmente e internacionalmente, contra os planos de austeridade na União Europeia, pela educação gratuita no Chile, contra a repressão no México e no Brasil, queremos nos ligar à toda a juventude que vem saindo em luta, sermos  como no Chile, a "juventude que nasceu sem medo". Este é o espírito de nossa chapa.
A discussão teve como centralidade a reorganização do movimento estudantil para lutar. Nesse sentido, para organizar a luta dos estudantes é necessário a construção de uma entidade estudantil nacional, que possa articular as lutas para combater as políticas governo com um só punho. Por isso, frente ao II Congresso da ANEL que ocorrerá no final de maio, abrimos a discussão com uma análise da UNE e da ANEL. Partindo da caracterização das amarras da UNE, forjadas pelo governismo que resulta em burocratização e esterilidade desta entidade, além disto, a organização independente dos estudantes é impossibilitada pelas alianças da UNE com o governo. Colocamos a importância de construirmos uma entidade que de fato possa levar adiante as lutas dos estudantes, não burocraticamente, disputando cargos e aparatos, como é o caso da Oposição de Esquerda que atua dentro da UNE.
Assim, a Juventude ÀS RUAS constrói a ANEL, como uma opção independente e anti governista, capaz de reorganizar a vanguarda do movimento e, assim, poder disputar também aqueles que ainda possuem ilusões e esperanças na UNE e no governo petista. Mas essa construção se faz de forma crítica, pois ainda que essa entidade tenha capacidades de ser uma ferramenta de organização que o movimento estudantil necessita para vencer, as políticas da sua ala majoritária, o PSTU, culmina em inúmeros equívocos, como, por exemplo, o apoio congressual da PEC 300, reivindicando melhores condições de “trabalho” para os militares, que na verdade significa melhores condições para reprimir a população. A Anel também não foi capaz, nem se quer se deu a tarefa de, organizar solidariedade aos trabalhadores da GM, que estão sofrendo diversos ataques de sua patronal, com a demissão de mais de 600 operários. Até mesmo a grande oportunidade que a ANEL teve, frente a greve das universidades federais em 2011, de reorganizar o movimento estudantil e ser um entrave para os ataques do governo, foi em grande parte desperdiçada, pois não teve como centralidade a organização das bases dos estudantes em assembleias para que estes fossem sujeitos das lutas.  O que fez foi manter o comando de greve em Brasília, afastado de suas bases, e levantou a pauta de 10% do “PIB Já” para educação, sem se delimitar do próprio governismo, que também tinha essa reivindicação para longo prazo, ou seja, sem colocar para que projeto de universidade servirá esse financiamento, não respondendo assim com um  programa que ofereça uma alternativa a universidade de elite branca, precarizada e privatista que temos hoje.
Com a aproximação do II Congresso da ANEL, a nossa discussão se deu no sentido de refletir sobre os importantes temas que devemos levar para o debate conjunto aos estudantes, a nível nacional. Como a questão da Repressão aos 72 estudantes e trabalhadores da USP, que foram denunciados pelo Ministério Público e estão sob o risco de serem presos e levarem uma pena de até oito anos, por lutarem em defesa da universidade pública e contra a polícia que mais mata no mundo. Essa discussão gerou uma profunda reflexão sobre a necessidade de defendermos esses lutadores para não deixar passar esse ataque e sobre a própria função social da polícia, que é a de braço repressivo do Estado burguês. A mesma polícia que entra na USP e prende os que lutam é a que assassina os jovens, pobres e negros, nos morros e nas periferias. A repressão na USP está ligada a repressão em nível nacional a toda a vanguarda que se coloca em luta, como é o caso da UFMT, onde estudantes foram presos quando protestavam por moradia estudantil. Entretanto a repressão mais dura que estamos vivendo hoje são nos canteiros de obras do PAC, Santo Antônio, Belo Monte e Jirau, onde centenas de trabalhadores vem sofrendo repressão da Força de Segurança Nacional, criada por Dilma. Há relatos de espionagem, desaparecimento, sequestro e assassinato. O II Congresso da Anel é uma grande oportunidade para construirmos uma campanha nacional contra a repressão e cercar de solidariedade todos aqueles que lutam, não só nas universidades, como na USP e UFMT, mas principalmente aos trabalhadores da construção civil!
Também é uma marca do governo do PT, desde Lula até Dilma, a precarização do trabalho. A abertura de postos de trabalho e a expansão do credito veio acompanhados da terceirização, que é uma das formas mais profundas da precarização do trabalho, que divide as categorias, corta seus direitos e reduz seus salários. Esta forma de precarização esta por todo o país, em todos os ramos da produção, esta nos canteiros de obra, nas fabricas, nas escolas, no telemarketing e nas universidades, e afeta principalmente jovens e mulheres, em sua maioria, negras. Nas universidades a terceirização dos serviços precariza os postos de trabalho, mas também as estruturas físicas. Na Unicamp temos muitos exemplos, são dezenas de obras inacabadas, ou que demoraram décadas para serem construídas e que já são entregues com problemas, como é a biblioteca do IFCH e o novo prédio da geografia. Também é fruto da terceirização e falta de contratação de funcionários o incêndio da biblioteca do IEL e da sala da pós graduação do IFCH. É necessário lutarmos nacionalmente contra precarização do trabalho junto aos trabalhadores, conjuntamente a uma luta contra a precarização da educação, reivindicando o fim das empresas terceirizadas e a incorporação imediata dos trabalhadores terceirizados ao quadro de efetivos sem necessidade de concurso público.
Colocamos também a discussão sobre o PIMESP, projeto das estaduais paulistas, baseado no mérito, racista, pois mantém os negros por dois anos em cursos técnicos com disciplinas mercadológicas, como “gestão do tempo”, antes de poderem cursar o curso que escolheram, ficando claro todo o elitismo e racismo que embasam os projetos de universidade implementados pelo governo do estado, o PSDB. A partir dessa discussão, abrimos a reflexão sobre verdadeira inclusão social e acesso, como as cotas só inclui uma parcela ínfima dos negros, a verdadeira democratização do acesso só pode vir da luta pelo fim do vestibular e a estatização das universidades privadas, que é a única forma de todos os jovens terem direito a cursar uma universidade pública, gratuita e de qualidade, conjuntamente à tirada da educação das mãos dos grandes monopólios, que exploram a juventude que trabalha e estuda, em troca de um ensino precário.
Na discussão, passamos pela reflexão sobre a conjuntura nacional e as questões democráticas inflamadas, graças à aliança de setores reacionários e o governo do PT que busca barra-las, como o caso da legalização do aborto rifada em um acordo com a bancada evangélica, em troca de votos na eleição da primeira mulher para a presidência do Brasil. O rechaço a Marco Feliciano, que assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, o debate colocado pela Comissão Federal de Medicina, que foi isolada pela bancada evangélica e setores reacionários, ao propor a legalização do aborto no Congresso, bem como todos os escandalosos episódios e trotes nas universidades do país, racistas, machistas e homofóbicos, chegamos a conclusão da necessidade de uma maior politização dessa discussão, sendo necessário encararmos esses entraves como ataques à juventude e aos trabalhadores por parte do governo, onde os resultados são diretamente a criminalização e violência, as milhares de mortes e a negligência.
Com base nessas ideias, conformamos com vários estudantes presentes na reunião a chapa “Juventude Às Ruas + Independentes” para disputar delegados para o II Congresso da ANEL, para que a força das nossas ideias envolva e apaixone ainda mais estudantes e possamos fazer da Anel um entrave real as ataques do governo e um polo de reorganização do movimento estudantil!
Estendemos o chamado à reflexão e discussão para os demais estudantes que não puderam comparecer, mas que acreditam na possibilidade de mudança a partir da luta. Venham construir conosco II Congresso da ANEL!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

UNESP MARÍLIA: a luta por permanência estudantil questiona a elitização da universidade!

Desde o início desse ano letivo (2013), o movimento estudantil da UNESP de Marília está se reorganizando em luta contra a precarização da Educação e a insuficiência de políticas de permanência estudantil. A falta de políticas adequadas de permanência não atinge apenas o campus de Marília, mas todos os campi da Unesp. Em Ourinhos-SP, um dos campi mais precarizados, os estudantes estão em greve desde o dia 17 de Abril contra a precarização e por políticas de permanência (Mais informações em http://juventudeasruas.blogspot.com.br/2013/04/mocao-de-apoio-da-juventude-as-ruas.html). 

Em Marília, a mobilização iniciou-se com o lema “300 refeições para 3000 estudantes? Isso não é permanência estudantil!”, evidenciando a precariedade de nosso Restaurante Universitário (RU) que nem de longe atende toda a demanda dxs estudantes. Enquanto a REItoria e a direção afirmam não haver condições de reestruturar a infraestrutura e contratar mais funcionários para o R.U., recentemente foi construída uma cantina privada cujo prédio é maior que o prédio do RU. Cantina esta que não foi pautada pelxs estudantes. 

É comum que diariamente grande parte dxs estudantes fiquem sem refeições. Para se ter ideia, o apelido dado à parte do excedente de estudantes que fica sem ticket todos os dias foi “fila dos desesperados”. Frente a esta demanda, que não é de hoje, a resposta das direções da Faculdade de Filosofia e Ciências, em consonância com as REItorias, vêm sendo nos últimos anos uma só política: privatização e terceirização. 

Historicamente o movimento estudantil se posiciona categoricamente e luta contra a precarização do trabalho, que se expressa radicalmente na terceirização. Relembramos as mobilizações de 2007, 2009, 2010 e 2011 que, através de greves e ocupações, conseguiram avançar nessas demandas: conquistando o RU noturno e barrando sua terceirização, contratação de mais funcionários, possibilitando que estudantes do Cursinho Alternativo da Unesp Marilia (CAUM) possam pagar o mesmo valor de graduandos. 

O CEES, uma clínica de reabilitação física e neurológica, que fazem estágio estudantes de diversos cursos (Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Pedagogia) e que atende pessoas de 62 cidades da região de Marília em convenio com o SUS, possui péssimas condições estruturais e é também uma reivindicação histórica do movimento estudantil. A partir da greve de 2009, a REItoria promoveu a reforma do prédio que estava com risco de desabamento, porém esta não resolveu os problemas de inadequação do prédio. Em 2012, o novo prédio começou a ser construído, porém o projeto de ‘prédio ecológico’ destruiu parte significativa da vegetação do campus, além de ter uma redução significativa da estrutura prevista no projeto, ou seja, ainda assim o novo prédio não terá a infraestrutura necessária e adequada para o público que atende. Ao iniciar suas atividades dentro campus da Unesp, os usuários do serviço e os estudantes que atendem se somarão à demanda de ampliação do RU. 

Não podemos deixar de denunciar que todos os novos prédios da UNESP Marília foram construídos por uma mesma construtora, Miletto, que preza pelo trabalho precarizado, busca trabalhadorxs em outras cidades, alojando-os em casas de aluguel e fornecendo péssimas condições de sobrevivência! 

Aliado à questão do RU, no dia 15 de Abril saiu o resultado dxs estudantes contemplados pela bolsa BAAE (Bolsa de Auxílio e Aprimoramento Estudantil), bolsa de caráter sócio-econômico. Foram 98 contemplados, e uma enorme lista de espera, mais de 300 estudantes que precisam e ficarão sem esta bolsa, sendo que, da própria moradia estudantil, apenas 18 estudantes foram ‘contempladxs’. A falta de auxilio econômico, somada a superlotação e falta de vagas na moradia e limitação do RU, obriga muitxs estudantes a abandonar seus cursos. Por isso, no mesmo dia de divulgação da lista, os estudantes da Moradia se organizaram em assembleia extraordinária e deliberaram por ato na faculdade, com panelaço, “conversa” com a direção e “entrasso” no RU! 

Somaram-se a mobilização xs estudantes do Cursinho Alternativo da UNESP de Marília (CAUM), cursinho pré-vestibular que, além de ser produto das lutas estudantis, possui caráter socioeconômico e reuni estudantes de diversas periferias da cidade, e também vêm sofrendo vários ataques. Diversos direitos conquistados através da luta junto ao movimento estudantil, como o acesso pleno à biblioteca e ao laboratório de informática, estão sendo ameaçados (estão “temporariamente” suspensos). A diretoria da FFC cada vez mais percebe que o CAUM, para além de preparar para o vestibular, forma os estudantes também como sujeitos políticos. Além dos estudantes regulares (150), o cursinho hoje conta com um grande contingente de estudantes ouvintes (aproximadamente mais 150). A própria presença destes estudantes no interior da UNESP denuncia o caráter elitista da universidade pública e o filtro de classes que é o vestibular. 

Não bastasse a exclusão do vestibular, a atual direção da FFC vem tendo sucessivas práticas de ataque axs estudantesdo CAUM, cortando a quantidade de materiais destinada ao cursinho, e buscando aumentar o peso de decisão dos docentes da UNESP sobre os rumos do CAUM, reduzindo, assim, a autonomia política da auto-organização estudantil. O CAUM desde 2010 cobra a direção no que toca suas demandas, neste ano evidenciou-se, sobretudo, a falta de acessibilidade para estudantes com dificuldade de locomoção, bem como a necessidade de intérpretes de libras para estudantes com deficiência auditiva. A direção alegou que estas não são demandas urgentes, dizendo ainda que a verba destinada à acessibilidade não é para construir rampas e/ou contratar intérpretes (sequer existe este cargo no subquadro de funcionários da UNESP). 

Esses problemas são estruturais, e evidenciam a precariedade das políticas de permanência estudantil como parte importante do projeto de universidade elitista implementado pela REItoria e o governo de São Paulo. Fazem de tudo para que xs filhxs da classe trabalhadora continuem excluídxs das universidades, quando conseguem passar pelo vestibular, não têm condições de permanecerem em seus cursos. 

Todas essas questões estão diretamente ligadas à estrutura de poder antidemocrática da Universidade, que tem como instrumento eficaz para a implementação deste projeto de universidade elitista, a estruturação de participação/representação e de voto para REItoria e direção o “70%15%15%”, esta proporção confere percentual mínimo de participação aos setores mais numerosos dentro de qualquer universidade, trabalhadorxs e estudantes. 

Esta proporção diferenciada entre os setores foi estabelecida em 1996 com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), restringindo a democracia ao enfatizar que “em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nas que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como da escolha de dirigentes” (artigo 56, parágrafo único). 

No caso da escolha do reitor, a abertura das urnas, sempre seguindo a proporção estabelecida pela LDB, nada mais é do que uma consulta à comunidade acadêmica. Na realidade quem dá a palavra final sobre quem será o novo reitor é o Governador do Estado, escolhendo o candidato de sua preferência numa lista tríplice formulada pelo colégio eleitoral. A tradição “democrática” é de que o governador nomeie reitor o candidato vencedor da consulta à comunidade acadêmica, mas nada o impede de fazer o contrário. 

Em meio a esta estrutura de poder anti-democrática, xs estudantes que se colocam em luta vêm sofrendo severas punições em todos os cantos do Brasil. Na USP, UNESP e na UNICAMP, a partir de regimentos que datam da ditadura militar, estudantes vêm sendo sistematicamente sindicados e reprimidos, como no caso dos 72 processados pelo MP da USP (http://juventudeasruas.blogspot.com.br/2012/09/defender-os-lutadores-e-unificar-as.html). Xs estudantes de Marília lutam também contra esta escalada repressiva que se faz sentir nas universidades. 

Frente às exigências do movimento estudantil, o diretor da faculdade, José Carlos Miguel, juntamente com seu vice, Marcelo Navega, vem sempre com a mesma ladainha de que “o que vocês querem, eu também quero!”, mas que tem que respeitar os limites da legalidade. Com a falsa roupagem da ‘gestão democrática’, a direção da faculdade tenta nos enrolar para não se indispor com o conjunto de professorxs e com a reitoria, e querem, ainda, que acreditemos na ideia de que nossas reivindicações não estão ao alcance de suas mãos e de seus cargos, chegando a dizer que só podem lamentar frente a urgência de nossas demandas. 

Frente a esta situação, o conjunto de estudantes deu um salto de organização ao se unificarem, pela primeira vez, mais organicamente junto xs estudantes do CAUM (secundaristas, trabalhadorxs da cidade, trabalhadoras terceirizadas da limpeza da faculdade) resultando em uma assembleia conjunta dia 17 de abril. Nesta mesma assembléia foi deliberada uma agenda de lutas, com paralisação total das aulas no dia 18, “entrasso” no RU de quinta até terça feira (23) – dia em que haverá congregação aberta e nova assembléia geral com as pautas: Permanência Estudantil, Estrutura de poder e Indicativo de Ocupação do prédio da direção. 

A Juventude às Ruas! de Marília vem construindo ativamente estas lutas ao lado do conjunto dxs estudantes, buscando sempre aliar as pautas econômicas às políticas, não somente denunciando o projeto de universidade no qual estamos inseridos, mas também levantando o debate da necessidade de defender uma universidade democrática de fato para que a classe trabalhadora tenha acesso à educação pública, gratuita e de qualidade e possa colocá-la a serviço de seus interesses. 

Acreditamos que esse processo de mobilização deve também contribuir para a reorganização do movimento estudantil da UNESP ao levantar a necessidade de reconstrução das entidades estudantis. Neste momento, estamos atuando junto a outrxs estudantes na organização de uma chapa para o Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS) e também nos propomos a construir a participação dxs estudantes de Marília no II Congresso da ANEL (Assembleia Nacional dxs Estudantes Livre), importante espaço de articulação nacional contraposto a UNE e a política educacional do governo federal. 

Total transparência dos critérios e do processo de seleção da BAAE, que sejam estabelecidos e organizados pelxs próprixs estudantes! Que não sejam meritocráticos, mas sim sócio-econômicos! Reivindicamos também que o número de bolsas atenda a toda demanda e que seu valor seja de pelo menos um salário mínimo! Ampliação imediata do Restaurante Universitário para que atenda toda demanda! Construção imediata de novos blocos na moradia! Democratização Radical da estrutura de poder!

domingo, 21 de abril de 2013

A precarização nacional da educação ganha novo REItor na Unicamp


No dia 19, os professores da rede estadual do Ensino Básico entraram em greve, contra esse mesmo governo que oferece apenas salários de fome, divisão da categoria, e precarização do trabalho para os professores. Ao mesmo tempo que, nas próximas semanas a universidade espera o veredito final de quem será o novo gestor da universidade de excelência para o grande capital na Unicamp pelos próximos quatro anos, dado pelo governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin. São duas faces de um mesmo projeto de educação para o Estado, mas também para o país.
A consulta para o reitor nesse ano foi ganha por Tadeu Jorge, que já ocupou este cargo durante os anos de 2005-2009. Tadeu Jorge, o ex-reitor que ano passado foi intimado pelo tribunal de contas da união a reaver os milhares de reais que ganhou além do teto do seu salário nos anos de 2009 e 2011, apresentou propostas muito claras de continuação do projeto do "centro de excelência" Unicamp, a universidade que mais produz patente, que figura os rankings internacionais, que promove relações como o Inova Unicamp, uma agencia de incentivo à inovação que liga diretamente o conhecimento gerado aos interesses do grande capital internacional, além de parques tecnológicos.
Sabemos que o novo reitor estará em consonância com o projeto de educação precário para a população pobre, enquanto mantém alguns polos de excelência, restrito as elites, para atender os interesses do desenvolvimento de tecnologia e conhecimento para empresas, e ainda se sustenta sobre trabalho precário por meio da terceirização. Que mantém o filtro social do vestibular, excluindo os jovens da classe trabalhadora, justamente os alunos de escola publica.
Esse projeto de educação se da a nível nacional, de uma educação precária para a classe trabalhadora, de escolas públicas que mais parecem um cárcere, numa política educacional completamente repressiva que coloca a polícia dentro da escola, com a precarização aos professores, que estão divididos em diversas categorias com poucos direitos. A precarização do ensino, na escola, é o primeiro passo para a precarização da vida desses trabalhadores.
Por isso é fundamental nos colocarmos em solidariedade com os professores da rede pública do Estado que sofrem diretamente com os ataques do governo do Estado de São Paulo. Professores, estes que tem um histórico de lutas, nas quais o governo tanto do PT como do PSDB, reprimiram e derrotaram duramente, mantendo e aprofundando a precarização, e enfraquecendo a categoria enquanto a divide. Esse elemento da divisão da classe vem como ataque direto a organização dos trabalhadores, que divididos por salários e direitos também acabam tendo maior dificuldade em se verem numa luta unificada. Esses ataques tem o intuito de desmoralizar um setor tão forte, como o de professores, tanto pelo numero como pelo papel social que estes cumprem.
Por isso nós da Juventude, que hoje construimos uma chapa para tiragem de delegados para o congresso da ANEL (Assembleia Nacional do Estudantes Livres), colocamos todas nossas forças para nos aliarmos a esses trabalhadores da educação para lutarmos por uma real educação de qualidade, contra a precarização do trabalho e a divisão que os governos querem impor aos trabalhadores. Reivindicamos, assim, que todos os professores temporários sejam efetivados com os mesmo direitos e salários, somos pelo fim do vestibular, a real democratização do ensino superior passa acabarmos com esse filtro elitista, e a estatização das universidades privadas, educação é um direito de todos, não deve ser o lucro de poucos.
Assim como, a educação superior publica, elemento democrático elementar, não deve ser regida por uma casta de professores titulares, a burocracia acadêmica, que é estreitamente ligada as empresas e ao governo. Queremos o fim da estrutura de poder antidemocrática, instaurando uma assembleia estatutária e um governo tripartite (funcionários, estudantes e professores), para reger os rumos da universidade, e coloca-la a serviço dos trabalhadores e população.
Construimos nossa chapa para tiragem de delegados, com uma concepção que só nas lutas pela base, junto aos trabalhadores podemos ser um entrave aos projetos do governo, e impor nosso programa para educação. Estamos ao lado dos professores. "Hoje são eles, amanha seremos nós, estudantes e professores, nossa luta é uma só".

Juventude às Ruas leva solidariedade a greve de professores - Ao lado dos professores e na luta Juventude às Ruas se prepara para o II Congresso da ANEL


Juventude às Ruas leva solidariedade a greve de professores!

Ao lado dos professores e na luta, Juventude às Ruas se prepara para o II Congresso da ANEL!



Ontem, sexta-feira 19/04, professores da rede pública estadual se juntaram num ato na Av. Paulista, após assembleia de professores da Apeoesp no vão do Masp, que deliberou greve estadual da categoria! O ato tomou a paulista e contou com cerca de 10 mil pessoas, unificando professores, trabalhadores da saúde, estudantes universitários e secundaristas que avançaram durante a noite até a Praça da República onde fica a Secretaria estadual de Educação.
Nós da Juventude ÀS Ruas mais estudantes independentes nos juntamos aos Professores pela Base para formar um bloco classista, colocando claramente nossa principal demanda pela efetivação dos professores categoria O, os mais precarizados, e contra o governo e a burocracia sindical, que são entraves na luta dos professores. Entendemos que a solidariedade ativa que a Juventude, pode e deve levar, aos trabalhadores pode ser determinante para a vitória dessas lutas. A luta dos professores pelo fim da precarização de seu trabalho é também nossa luta por educação pública de qualidade para todos,não há como ter educação de qualidade precarizando o trabalho do professor. Por isso gritamos a plenos pulmões “somos todos trabalhadores, efetivos e temporários, contra a precarização, igual trabalho igual salario!”
Na perspectiva da construção do II Congresso da ANEL enxergamos esses momentos como uma grande oportunidade. Para nós uma entidade nacional estudantil como a ANEL, que se propõem a importante tarefa de reorganizar o movimento estudantil nacionalmente deve ser construída nas lutas, ativa, junto aos processos de mobilização da juventude e dos trabalhadores, demonstrando a importância da aliança operário estudantil na prática, deve ser uma entidade militante, presente desde as bases dos estudantes e dos trabalhadores. Nesta perspectiva que construímos e intervimos neste ato, fazendo deste um primeiro exemplo do que achamos que deve ser multiplicado por todo o país, da greve de professores do Estado de São Paulo, até aos trabalhadores em luta de Jirau, Belo Monte e Santo Antônio. 

Solidariedade ativa a greve dos professores do estado!
Viva a aliança entre trabalhadores e estudantes!




quinta-feira, 18 de abril de 2013

Moção de Apoio da Juventude as Ruas a greve e aos alunos mobilizados na UNESP- Campus de Ourinhos

Moção de Apoio da Juventude as Ruas a greve e aos alunos mobilizados na UNESP- Campus de Ourinhos

Nos últimos anos o governo do estado juntamente com a reitoria da UNESP tem adotado como postura criar novos cursos em campus espalhados pelo estado, como uma forma de “expansão de vagas” para lugares que não teriam até então uma universidade local ou próxima. Porém, essa expansão vem sendo feita sem qualquer cuidado, sem estudos do local, das proximidades e pior ainda, de forma totalmente precarizada.

A UNESP Ourinhos participou desse processo, e foi fundada como campus experimental no ano de 2003, com apenas o curso de Geografia ( bacharelado e licenciatura). Não diferente dos outros campus experimentais, fundados também nessa época, Ourinhos enfrentou e enfrenta graves problemas desde o inicio. Quando a primeira turma ingressa na universidade, encontra um local que não tem estrutura alguma (no inicio o campus funciona dentro de um Seminário da cidade), sem professores (aproximadamente 6) , sem laboratórios, cantina ou qualquer outra necessidade. Alguns anos depois a UNESP recebe “seu campus” afastado da cidade, que na verdade é um prédio da secretária de educação local e pertence a um centro de formação de professores municipais, o mesmo “empresta ,divide” o campus com a universidade. Esse mesmo prédio tem um problema judicial, pois teria sido construído com verba desviada irregularmente do FUNDEB pelo então prefeito.

O campus “ganha” uma estrutura mínima para os alunos e os problemas são resolvidos lentamente, quando são. O grupo de professores leva mais de 10 anos para se completar, enquanto isso os alunos sofrem com aulas que se iniciam com professores substitutos no meio do semestre. Além de todos os problemas estruturais a UNESP tem seus maiores problemas ligados a assistência estudantil. De acordo com uma pesquisa realizada pela VUNESP nos últimos anos, a unidade que recebe alunos mais carentes é a de Ourinhos, e a mesma finge não enxergar esses dados. A unidade não conta com moradia e nem restaurante universitário, as ajudas oferecidas aos estudantes carentes são bolsas de auxilio com valor um pouco maior que R$300,00, em números insuficientes para a demanda necessária, e com atrasos de até 3 meses. Outro problema vem com a precarização das bolsas para extensão que também tem baixo valor, atrasos e insuficiência.

Em visita ao campus em 2012 o atual reitor Julio Cezar Durigan teria dito que o programa de assistência da UNESP viria em forma de bolsas, que era possível viver com o valor pago por ela e que as mesmas não faltariam para os que precisavam. Pois bem, o campus parece que continua sendo esquecido, além de ser o único que continuará com apenas um curso (as outras UE estão em expansão), a construção bolsas continuam atrasando e insuficientes, alunos continuam indo embora por não conseguirem se manter na Universidade, que continua alegando falta de DEMANDA suficiente para alguns serviços. Já sabemos da precarização do Estado com a educação pública, desde o nível básico, com a educação oferecida pra classe trabalhadora cada vez mais insuficiente
 e controladora, e tem atacado também cada vez mais nas universidades públicas, contra um ensino de qualidade e as mobilizações. As universidades tem cada vez menos autonomia, recursos, principalmente pros cursos que menos atendem as demandas do ensino mercadológico (como os de licenciatura), e está cada vez mais servindo a elite, não dando acesso aos trabalhadores, como aos precarizados e terceirizados que nelas trabalham.

Nós da Juventude as Ruas apoiamos os estudantes mobilizados da UNESP Ourinhos e nos colocamos juntos nessa luta, pois acreditamos que devemos lutar contra essa precarização do ensino na universidade, o mesmo ensino que formará futuros professores (função já abandonada pelo estado) , lutar contra o abandono da reitoria com o campus, lutar para que as bolsas venham em maior
quantidade, sem atrasos e com um valor que supra as necessidades dos alunos, que os projetos de pesquisa e extensão sejam estimulados e que seja dado a eles o real valor, e por fim lutar pela construção de um campus com a estrutura completa, moradia e restaurante universitário independente do seu numero de alunos.

Combater as opressões para que o conjunto do movimento avance na luta contra a repressão!

Combater as opressões para que o conjunto do movimento avance na luta contra a repressão!

Na última semana uma grande discussão se abriu em torno de uma denúncia de um caso de machismo no movimento estudantil, mas principalmente em torno da postura do DCE (Diretório Central dos Estudantes). Nós, da Juventude Às Ruas, gostaríamos de nos pronunciar em primeiro lugar divergindo por completo do método do DCE que fez uma denúncia a um militante do movimento estudantil e não permitiu a ele o direito de resposta. Somos contrários ao método de escrachos e expulsões diante de casos de machismo antes do direito de resposta, antes de uma discussão política dentro do movimento e antes de permitir que o movimento possa definir seus próprios métodos – como poderia ser com uma comissão independente para averiguar a denúncia.

É por isso que a atual gestão da entidade foi responsável pela explosão de uma assembleia que discutiria dentre outros pontos a luta contra a repressão e contra o PIMESP, que são temas fundamentais a serem levados adiante hoje. Esta atitude do DCE, de não permitir uma discussão dentro do movimento, contribui para uma visão de que os homens são inimigos e que frente a uma acusação, não têm direito de se posicionar e discutir no movimento, única forma de dar passos para avançar em suas concepções, caso tenham de fato cometido uma agressão ou uma ofensa contra uma mulher, e educar todo o movimento.

Na prática, o DCE, ao acusar e não dar direito de resposta, transforma o militante acusado imediatamente em culpado, o que somos contrários. Essa forma de fazer política, além de não colaborar para que o movimento avance na discussão e luta contra a opressão, serve apenas para isolar um setor de estudantes e desviar o foco das principais tarefas do movimento, que necessita hoje garantir uma ampla e massiva campanha contra a repressão. Por isso nos colocamos completamente contra a proposta de expulsão do militante do PCO, e do próprio PCO, do movimento estudantil da USP.

Nós, que somos uma Juventude que quer estar ao lado da classe trabalhadora, consideramos que nossos inimigos não são os homens, nossos inimigos são outros. É a burguesia que utiliza a opressão às mulheres como forma de lucrar mais na exploração do trabalho. A Reitoria que emprega de maneira precária mulheres terceirizadas para cumprir trabalhos que gerarão doenças ocupacionais e as farão viver na fome. Os governos como o de Dilma Rousseff que permanecem mantendo o aborto ilegal.

Ao mesmo tempo, deixamos claro nessa nota que somos ativamente contra qualquer forma de opressão dentro do movimento, mas entendemos que essas são uma pequena parte do que há de opressão em toda a sociedade, sendo os espaços do movimento os mais privilegiados e avançados para lutar contra a opressão, por isso reivindicamos que, para cada caso, busquemos ganhar os companheiros para essa luta em lugar de expulsá-los de nossas fileiras.

Com o fortalecimento de homens e mulheres que lutam contra o machismo, é possível que atinjamos, junto aos trabalhadores, a raiz dessa opressão, que ainda que seja anterior ao modo de produção capitalista, é profundamente apropriado por este sistema que propaga a violência doméstica, a prostituição, os estupros, para manter as mulheres reproduzindo o trabalho doméstico gratuitamente, eliminando gastos exorbitantes que o Estado poderia ter caso financiasse – conforme sua obrigação – a manutenção da vida dos trabalhadores e trabalhadoras pela via de manter em funcionamento restaurantes públicos, lavanderias, creches, hospitais, etc.

Para nós, o método equivocado do DCE leva a uma concepção equivocada como colocamos acima, e também termina em uma política extremamente equivocada. Agora o eixo da luta contra a opressão para o DCE é uma “campanha contra o machismo no movimento estudantil”. Dizem querer pintar toda a USP de roxo. Porque não propuseram pintar a USP de roxo quando estudantes foram estupradas no CRUSP? Porque não propuseram pintar a USP de roxo quando as estudantes de São Carlos sofreram com os escandalosos atos de machismo durante a calourada? Porque não propuseram pintar a USP de roxo quando uma estudante foi torturada por policiais na reintegração de posse da Reitoria ocupada? Porque não propuseram pintar a USP de roxo quando uma jovem mãe, já expulsa da USP, foi expulsa também de sua moradia? E perguntamos de novo, porque não propuseram pintar a USP de roxo quando centenas de mulheres terceirizadas, em sua maioria negras, reviraram a universidade em uma explosiva greve contra as humilhações e péssimas condições de trabalho?

No entanto, não apenas ao DCE cabe a crítica de uma política equivocada, uma vez que se é verdade que as pressões machistas, racistas e homofóbicas são introjetadas pela própria ideologia capitalista na formação de homens e mulheres, é responsabilidade das organizações de esquerda combaterem o machismo em suas fileiras. Nesse sentido uma política correta de luta contra a opressão só tem a fazer avançar a consciência dos companheiros homens. Aqui cabe nossa crítica ao PCO, que na USP tem tido uma política abstencionista e se isentado de intervir em questões importantes como as citadas acima, política esta que acarreta em uma intervenção despolitizada em relação à questão das opressões.

Nenhuma mulher deve aceitar declarações machistas dentro do movimento e devemos lutar contra isso. Mas isso de forma alguma pode se alçar como o maior problema na luta contra a opressão dentro da USP. Nós, da Juventude às Ruas!, continuaremos lutando contra a opressão às mulheres sem transformar os problemas existentes dentro do movimento estudantil no eixo de nosso combate. Ao mesmo tempo que repudiamos as acusações feitas pelo PCO em sua nota às mulheres do DCE e exigimos uma retratação, nos colocamos firmemente contrários a expulsão de seus militantes, e do próprio PCO, do movimento estudantil.

Temos inúmeras diferenças políticas tanto com o PCO, como com a atual gestão do DCE, mas não achamos que essas diferenças devam ser definidas dessa forma.
Exigimos que o DCE reorganize imediatamente uma assembléia massiva para tratar dos temas do movimento, como a urgente luta contra a repressão e contra o PIMESP, e que nesta assembleia seja dado direito de resposta ao militante do PCO acusado, para que o movimento possa definir os encaminhamentos, assim como criar uma comissão para apuração do caso!

E propomos uma grande campanha contra a opressão na USP: por vagas no CRUSP para todas as mães; por assistência estudantil para que mantenham seus filhos; por vagas nas creches para toda a demanda de estudantes e trabalhadoras efetivas e terceirizadas! Basta de violência às estudantes do CRUSP! Fim dos trotes machistas! Por currículos que demonstrem a história de luta das mulheres! Por salários iguais entre mulheres e homens, passando pelo fim da terceirização do trabalho, com efetivação dos terceirizados sem concurso, já que a maioria desses são mulheres negras, vítimas da precarização do trabalho!

terça-feira, 9 de abril de 2013

CALOURADA 2013 - Juventude às Ruas Rio de Janeiro














 
Longe do que a burguesia tanto propagandeou de “fim da classe operária e de revoluções”, chegamos
ao sexto ano de uma crise capitalista que só pode ser comparada a crise dos anos 30, onde a luta de classes volta a ser um elemento determinante para decidir o futuro coma derrubada de ditadores no Oriente Médio e levantes da juventude pelo mundo. Em meio a este cenário internacional, temos que nos preparar para impactos mais agudos da crise no Brasil e mesmo para derrotar os reacionários como Feliciano, que são aliados de Dilma, e dos ataques ao movimento estudantil e movimentos sociais nacionalmente.

O sistema universitário que temos é completamente elitista e racista. As cotas existem apenas em alguns lugares e centenas de milhares de negros e a juventude pobre ficam de fora da universidade mesmo com as cotas, o sistema de educação impede que a classe trabalhadora tenha acesso às universidades públicas. A educação básica, as creches, hospitais, quando existem são precarizados.

É preciso lutar para que todos possam estudar, acabando com o funil social que é o vestibular! Precisamos lutar pela estatização das universidades privadas sem indenização, para garantir uma universidade a serviço da classe trabalhadora, que coloque seu conhecimento a serviço das necessidades da população e não de interesses da burguesia! É preciso lutar para que todos possam permanecer na universidade com restaurantes e alojamentos de qualidade, gratuitos e sem terceirização do trabalho! Pois a terceirização serve para escravizar pois com ela paga salários menores, cortando direitos dos trabalhadores, humilhando criando um setor de trabalhadores supostamente "inferiores" e divide a classe trabalhadora entre efetivos e precários para que não se vejam como uma única classe! 
Por isso devemos lutar pelo fim da terceirização e efetivação dos terceirizados sem necessidade de concurso publico!

A precarização do trabalho está presente em todos os lugares, dos canteiros de obras do PAC e das obras das Olimpíadas e Copa do Mundo até as universidades, baseado na superexploração dos trabalhadores que na grande maioria são negros e mulheres. O Brasil Potência vendido como projeto de país de Lula e Dilma esta baseado no trabalho precário e que aqui no Rio tem fortes aliados como Cabral e Paes, que pelas mãos das UPP´s, reprime e assassina cotidianamente a juventude negra e pobre das favelas, como vimos nos brutais assassinatos no Jacarezinho e em Manguinhos.


Não são só os tucanos e peemedebsitas tomam medidas contra os lutadores, mas as patronais, os latifundiários e também o governo Dilma. Por isso, consideramos fundamental em meio repressão dos governos lutar contra a repressão e prisão dos trabalhadores em Jirau e Amapá, os assassinatos de militantes do MST no campo, o brutal ataque contra o Pinheirinho, o despejo da Aldeia Maracanã, a perseguição e internação compulsória aos usuários de crack em São Paulo e no Rio de Janeiro, a repressão cotidiana a juventude negra e pobre dos morros, favelas e periferias. Nesse sentido, consideramos uma das tarefas centrais da Assembléia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL) coordenar nacionalmente as lutas contra o governo e a repressão, em defesa dos 72 estudantes da USP e de todos os lutadores que vem sendo processados e perseguidos, como os estudantes da UFMT que foram violentamente reprimidos pela PM por lutar por permanência estudantil. Relacionando a repressão dentro das universidades com a repressão cotidiana nas periferias, morros e favelas, é preciso colocar de pé uma ampla campanha contra a repressão!



 A juventude hoje precisa dar um basta aos ataques racistas, machistas e homofóbicos que aliados de Dilma como Marco Feliciano vem fazendo. Porém não achamos que isto será feito só com pressão ao parlamento e substituindo Feliciano por algum congressista‘progressista’. Para realmente lutar pelo direito ao aborto, livre, legal, seguro e gratuito, contra a homofobia e pelo direito ao casamento igualitário e pela livre expressão da sexualidade não será pela via de parlamentares e do parlamento que arrancaremos nossos direitos, mas sim pela mobilização independente da juventude junto a classe trabalhadora!


Podemos e devemos buscar o apoio da classe trabalhadora ajudá-la a superar os preconceitos que as patronais, as igrejas e a burocracia sindical incutem! O machismo, o racismo, a homofobia são funcionais à burguesia! Na luta os trabalhadores avançam contra os preconceitos e contra a divisão das fileiras da classe trabalhadora!

LUTEMOS CONTRA TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!



Desde o último sábado, 30 de março, dia em que uma jovem norte americana foi estuprada por 3 homens dentro de uma van no Rio de Janeiro, notícia que estampou manchetes no mundo todo, novos casos de estupro contra mulheres vêm vindo a tona gerando grande repercussão, inclusive vítimas dos mesmos agressores que antes não conseguiram denunciar os estupradores romperam agora com o silêncio. O caso se tornou tão noticiado e os agressores foram punidos rapidamente pois compromete o projeto de cidade implementado pela burguesia e os governos de Dilma, Cabral e Eduardo Paes frente aos grandes eventos que a cidade sediará cuja atratividade para o turismo também encontra respaldo numa política de “segurança pública” que tem como um dos principais pilares as UPPs. Porém é necessário lembrarmos que estupros e casos de violência contra as mulheres ocorrem diariamente na cidade e no Brasil, inclusive mulheres estupradas por policiais, mas que não ganham tamanha proporção na mídia.

O estupro é uma forma de violência brutal contra a mulher, e estima-se que nos últimos anos os dados têm aumentado bastante em diferentes cidades no Brasil como em São Paulo que só no mês de janeiro foram registrados 1.138 contra 944 no mesmo mês de 2012, e no Rio de Janeiro com 509 casos denunciados, ou seja, 22 a mais que em janeiro do ano passado. Porém não existem mecanismos fornecidos pelo Estado para uma interpretação mais apurada capaz de afirmar se são os casos de estupro que vem aumentando ou se são as mulheres vítimas da violência que agora denunciam mais do que antes. O fato é que cerca de 70% das mulheres em todo o mundo sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida, e em sua imensa maioria por integrantes do seu núcleo familiar. Por mais que as mulheres possam de sentir mais seguras com a Lei Maria da Penha, muitos casos nos mostram que mesmo denunciando os agressores à polícia, sua segurança não é garantida.

A lei Maria da Penha, criada em 2006 durante o governo Lula permite que agressores que fazem parte do núcleo doméstico ou familiar das mulheres agredidas sejam presos em flagrante ou de forma preventiva caso sejam denunciados, sendo que desde a denúncia, são policiais que acompanham as mulheres durante todo o processo. É necessário refletirmos qual é o papel da polícia, que reprime manifestações de trabalhadores, estudantes e do povo nas ruas, assassina a juventude negra e pobre nas favelas e morros, esculacha e humilha moradores e estupra as mulheres. Temos que denunciar a violência da polícia, que defende com unhas e dentes a propriedade privada e não exigir mais delegacias femininas. Numa sociedade como essa, que respira opressão por todos os poros, seja contra as mulheres, contra os negros, contra os LGBTT´s, e que usa todas essas opressões para legitimar a exploração que é sua coluna vertebral, é mais do que necessário que nós sejamos sujeitos e lutemos contra todas as formas de violência contra as mulheres, partindo na nossa auto-organização, independente do Estado, dos governos, da burguesia e sem qualquer ilusão de que a polícia, braço armado do Estado, possa dar qualquer resposta.

Defendemos a necessidade de levar adiante uma enorme campanha que parta de exigir o fim da violência às mulheres, ao mesmo tempo em que exigimos refúgios e casas transitórias para as mulheres vítimas de violência e seus filhos e filhas, garantidos pelo Estado e sob controle das próprias vítimas, organizações de mulheres e trabalhadoras, com profissionais e sem a presença da polícia e da justiça. Nos locais de trabalho e nos sindicatos defendemos a criação de comissões de mulheres, independentes dos patrões, que deem atenção aos casos de assédio sexual e trabalhista ou de discriminação às trabalhadoras. Defendemos subsídios de acordo com o custo de vida para as vítimas de violência que estejam desempregadas, acesso à moradia e trabalho para todas. Licenças remuneradas para as trabalhadoras que atravessam situações de violência, com acesso à saúde pago integralmente pela patronal. Nos casos de estupro e assassinato, exigimos a prisão dos culpados.

Tomemos como exemplo as nossas irmãs indianas, que após o escabroso caso de uma jovem estuprada coletivamente dentro de um ônibus e morta poucos dias depois no último mês de dezembro estão indo às ruas travando uma luta exemplar contra a violência às mulheres e inclusive contra as medidas do próprio Estado! Façamos da dor de cada mulher violentada uma força a mais para lutar contra a exploração e todas as formas de opressão às mulheres! Não somos uma mulher no poder, temos que ser milhares nas ruas!!!



É PRECISO DIFUNDIR AS LUTAS DAS MULHERES TRABALHADORAS PORQUE NÓS NÃO COMEÇAMOS DO ZERO!


A nova edição impulsionada pelo grupo de mulheres Pão e Rosas conta a apaixonante experiência da luta das trabalhadoras terceirizadas da limpeza na USP em 2005, que travaram uma luta pelos seus direitos e contra os patrões, além de outras experiências mais recentes de trabalhadores precarizados que decidem se organizar denunciando suas péssimas condições de trabalho. Mostra ainda que no Brasil de Lula e Dilma são as mulheres, e em especial as mulheres negras, quem ocupam os postos mais precários de trabalho e que sua auto organização e luta é a verdadeira resposta frente a opressão e a exploração.

Mostra ainda a necessidade de que a juventude e os estudantes na universidade sejam porta voz desses setores mais precários, unificando suas lutas diárias com as lutas dos trabalhadores forjando uma verdadeira aliança operária estudantil contra esse sistema de exploração que escraviza, humilha e divide a classe trabalhadora!


Te convidamos a conhecer o livro e discutir conosco! EM BREVE LANÇAMENTO NO RIO


JUVENTUDE ÀS RUAS ORGANIZA ATIVIDADES 
SOBRE QUESTÃO NEGRA E MARXISMO


O Brasil é o maior país de população negra fora da África. Isto é assim porque foi o país que mais traficou e escravizou negros no planeta. Ao contrário do que diz a academia, a escravidão não foi “cordial”, “maleável”. Aqui, na pele dos negros foram inventadas várias técnicas de tortura. Ao contrário do que quer a burguesia, a escravidão também não é uma coisa do passado! Ela vive no trabalho doméstico, precário, na terceirização que atinge em primeiro lugar os negros e negras. Sobrevive nas mãos da polícia mais assassina do planeta com seus “autos-de-resistência”.

Contra o mito da “democracia racial” sabemos também qual é a cor da maioria que mora nas favelas. Esta realidade é garantida pelos diferentes representante da burguesia como os governos Dilma, Cabral e Paes. 

Nós da Juventude às Ruas, ao contrário de uma nefasta tradição da esquerda que não se importava com a questão negra pensamos que é impensável uma revolução no Brasil que não tenha como um de seus motores centrais acabar com o racismo e com a precarização do trabalho que atinge principalmente os negros, e assim, que não tenha como sujeitos da revolução a classe trabalhadora e sua maioria negra. Também não achamos que a questão negra é algo para ser debatida só em “datas comemorativas”. É algo para o cotidiano! Por isto temos realizado uma série de atividade e iniciativas como seminários para discutir marxismo e questão negra e passeios pelo centro do Rio para lembrar da história não contada nos livros de história. História de dor e luta do maior pólo de tráfico de escravos do planeta que era nossa cidade! Precisamos estudar e nos armar para intervir na realidade para erguermos uma teoria revolucionária, baseada no marxismo para enfrentar a realidade nacional calcada neste passado escravocrata e neste presente igualmente racista.

Participe de nossas atividades! Conheça e faça parte da juventude Às Ruas!



domingo, 7 de abril de 2013

Chamado da Juventude às Ruas e independentes para a construção de um CAFCA (Centro Acadêmico da Filosofia/UFMG) militante!

Por Juventude às Ruas - Belo Horizonte, MG
CRÔNICA DA UNIVERSIDADE ANUNCIADA
Um misto de sensações. Misto de euforia e medo, a alegria de quem ganhou brinquedo novo, o susto das mudanças que viriam. A sensação de missão cumprida. Foi aprovada no vestibular. Pelos próximos anos, a UFMG seria parte cotidiana de sua vida.
As semanas começam, passam, pessoas surgem, muito interessantes, muito interessadas. O alívio por no seu curso não haver aqueles trotes que os jornais mostram. Mas uma angustia começa a ser parte. 
Conseguiu romper a barreira que a separava do ensino superior. Seus amigos não. Foi o primeiro momento em que a sensação de “missão cumprida” começou a deixar de fazer sentido.
Repercute a notícia do trote nazi-racista. Sabe o que é racismo, sabe que não tem graça. Sabe que seus amigos, que são trabalhadores negros, da periferia, não estudam ali.
Quer aproveitar a oportunidade que tem, mas a euforia e medo fazem cada vez menos sentido.
Nota que há mulheres pretas ali dentro. Nota que a maioria delas não entrou pelo vestibular. Entram pela porta dos fundos através de uma empresa terceirizada. Entram com uma vassoura e um balde na mão. Saem com um calo e um salário de miséria na mão.
A ideia de uma empresa terceirizada na universidade pública também não faz muito sentido.
Nota que o trabalho pesado e precário tem rosto de mulher. Mulher negra. “Estranho. Aqui dentro se reproduz racismo, machismo e homofobia, como lá fora.”.
Mas afinal, a quem serve essa universidade? Com certeza não é àquelas mulheres da limpeza. A alegria do brinquedo novo cada vez mais se substituía em angústia, faz cada vez menos sentido. Tudo aquilo que era produzido ali, tecnologia, conhecimento, intelectualidade. Pra quem produz-se, quem usufrui? Soube que o reitor era escolhido pela presidente.
“Em que século a universidade está? Antes da Revolução Francesa?”. Sabe que o governo está atrelado às grandes empresas. À burguesia. À serviço de quem está a universidade começa a ficar mais evidente.
A angústia toma conta. Não existe mais “missão cumprida”.
O vestibular deixou seus amigos de fora. Deixou toda a juventude de fora.
As opressões circulam livremente pelos corredores. A terceirização humilha trabalhadoras. Tudo que ali é produzido são a interesses que não correspondem a ampla maioria da população.
É jovem. É mulher. Não sabe carregar angústia. Sabe carregar bandeira. Ideais. Sabe carregar luta. Sabe que é estudante, e precisa ser representada. Ouviu dizer sobre o Centro Acadêmico. Poderia se organizar. Poderia se colocar na luta. Contra a reitoria. Contra o projeto que faz com que a universidade pública só produza para alguns. Contra o vestibular que deixou milhares de jovens de fora do sentimento de euforia e medo que a afetou semanas atrás. Por aquelas mulheres que carregam vassouras. Que também podem carregar bandeiras. Pelo direito de lutar pelos direitos. É jovem. Pode fazer algo. E fará. 
"Contra o machismo, o racismo, a homofobia e toda forma de opressão! Por um CAFCA militante!"
CHAMADO PARA FAZER DO CAFCA UM CENTRO ACADÊMICO MILITANTE
PARA ACABAR COM AS OPRESSÕES, LUTAR POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE PARA TOD@S!
Em uma sociedade dividida entre duas classes sociais radicalmente antagônicas, todo o aparato de Estado é construído para servir à classe dominante; na nossa sociedade (capitalista), a burguesia. A universidade não é exceção: ela se organiza de forma elitista e hierarquizada; forma essa que permite que a maioria da população fique fora da universidade e não tenha influência nas diretrizes para produção do conhecimento. Com os governos do PT por mais de 10 anos no poder, a privatização, a elitização e o atrelamento da universidade aos interesses burgueses foram mantidos; a universidade continua excluindo a imensa maioria dos trabalhadores, pobres e negros que aqui desejam estudar e continua tendo a maior parte de suas verbas voltadas, ou para pesquisa atrelada ao capital privado, ou para a formação de mão-de-obra que serve aos capitalistas (uns enquanto trabalhadores precarizados – como exemplo, os professores da rede pública –, outros enquanto funcionários especializados que têm o privilégio de um bom salário se puderem gerar muitas vezes mais lucro ao patrão do que aquilo que recebem).
Sobre essas bases podres caracterizadas pela exploração dos interesses da maioria em benefício de poucos, surgem todas formas de opressão dentro da universidade. A cada estudante que entra pelo vestibular, dezenas de outros têm seu direito a estudar gratuitamente e com qualidade negado. Muitos outros, ainda, cumprem dupla-jornada e/ou se endividam para pagar mensalidades de universidades privadas (verdadeiras empresas do “ramo” da educação superior) que, em sua maioria, não oferecem ensino de qualidade. Daí o evidente racismo presente na porcentagem de negros que se matricula a cada ano na UFMG. Tal racismo, também presente diariamente na precarização das condições impostas aos trabalhadores que garantem as bases materiais da universidade (trabalhadores que são majoritariamente negros!), se reflete em ideologia e opressão reproduzidas dentro da universidade; a mentalidade elitista da maioria dos alunos, que traz consigo o machismo e a homofobia, é consequência inevitável da forma como a universidade se organiza. Por fim,  já que o atual projeto de educação superior busca nos oferecer uma perspectiva de vida que se fundamenta na ascensão pessoal e na competição, outro elemento que também baseia as relações dentro da universidade é o individualismo.
É tendo isso em conta, que nós da Juventude Às Ruas chamamos todos interessados a construir um Centro Acadêmico militante para unirem-se a esse projeto. Um Centro Acadêmico que aja em função dos interesses históricos da classe trabalhadora dentro da universidade: pelo fim do vestibular, pelo fim da terceirização e da precarização do trabalho dentro da universidade, pela estatização das universidades privadas, por diretrizes que estimulem um conhecimento libertador e à serviço da humanidade. Acreditamos que estes sejam os alicerces necessários para forjarmos um instrumento que combata as opressões presentes na universidade consequentemente; pois só é capaz de combater e extinguir as opressões cotidianas quem aponta suas causas primeiras, e não seus piores “sintomas”. É confrontando o caráter de classe da universidade, combatendo todas as bases materiais que visam pô-la lacaia do capital, que podemos caminhar firmemente para uma universidade realmente pública, gratuita e de qualidade para tod@s!

sábado, 6 de abril de 2013

CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES!!! TODO APOIO AS MOBILIZAÇÕES DAS/OS ESTUDANTES, FUNCIONÁRIAS/OS E PROFESSORAS/ES, DA UNIVERSIDADE DE SUSSEX, EM BRIGHTON, INGLATERRA.


Por Cristiane Ciancio e Anderson Martins


 
 
Assim como no Brasil, Chile, México e outros lugares do mundo, as juventudes que se levantam contra a precarização da vida, recebem uma única resposta dos governos burgueses: repressão!

Este fato tem se repetido constantemente na Universidade de Sussex, na cidade de Brighton, sudeste da Inglaterra, principalmente, quando os/as estudantes perceberam que a única maneira de impedirem a terceirização de mais de 235 postos de trabalho da Universidade, seria retomando os métodos históricos de luta da classe trabalhadora e decidiram, em 7 de fevereiro de 2013, pela ocupação do Centro de Conferência Bramber House. Na manhã da última terça-feira, 2 de abril, dezenas de policiais cercaram a ocupação e avançando na intransigente repressão ao movimento, iniciaram o processo de “reintegração de posse” e criminalização de um dos mais fortes bastiões de resistência à privatização que vem surgindo na Inglaterra, e que ao passar dos dias estava ganhando grande visibilidades nas mídias e moções de apoio de organizações e importantes pessoas de setores de esquerda e democráticos de toda a Europa.

Nós da Juventude Às Ruas, escrevemos este breve artigo, buscando então, primeiramente nos solidarizar com as/os camaradas em luta (estudantes, professorxs e funcionárixs), e consequentemente, buscando compreender melhor como as experiências desta mobilização, nos permitem chegar em reflexões centrais para o avanço do programa marxista, para a nossa formação enquanto revolucionários/as, e a construção das tarefas que temos pela frente da forma mais internacionalista e classista possível.

A Campanha de estudantes, funcionários/as e professores/as, “O Sussex contra a privatização” (mais de 90% de todas as instalações e serviços estão sendo vendidas a empresas privadas), começou em maio de 2012, e os estudantes relatam que diversas medidas, tais como debates, abaixo-assinados, manifestações, reuniões, já haviam sido estabelecidas buscando “dialogar” com a burocracia acadêmica. Todas eram insuficientes porque, segundo os estudantes a direção não dava ouvidos às preocupações levantadas. Assim, há cerca de 2 meses iniciou-se a ocupação de um prédio da Universidade que representa o centro “financeiro” para a mesma. Em nota sobre a tática da ocupação, os estudantes colocam que seu efeito “ao desligar esta fonte de lucro, estamos comunicando com a gestão na única linguagem que eles entendem. Transformando o espaço em uma arena para a organização e resistência, para o conhecimento, música e arte – estamos fazendo uma declaração política: este Campus é um lugar para a educação e não para o lucro.”[1]. Essas ações aproximaram para as questões políticas os diversos setores da universidade e da comunidade, que passou a apoiar mais fortemente a mobilização.

Os ataques que hoje ocorrem na Universidade de Sussex não estão em um cenário isolado, mas sim representam as medidas autoritárias e desumanas que a burguesia imperialista avança diariamente nos lugares do Mundo onde a precarização da vida se faz mais presente, ou onde há setores que resistem e se colocam em luta denunciando tamanha exploração e se ligando as demandas da classe trabalhadora e dos setores oprimidos.

Enfatizando também, de que esta mobilização, acontece nos marcos de uma crise econômica mundial, comparada, pelos principais analistas da burguesia, com a crise de 1929. A atual crise, estourou a partir de 2008, e vem colocando em xeque a cada novo acontecimento a possibilidade de se manter o equilíbrio entre as nações europeias pela via da União Europeia e do Euro. Neste momento, os países imperialistas começam a realizar cortes sociais dentro de suas próprias fronteiras, estas medidas fazem parte do plano da Troika para descarregar a crise sobre as costas da classe trabalhadora.

É fundamental lembrarmos que a política de privatização que atinge diversas universidades, dentre outros setores, em todo o mundo hoje, tem sua origem na necessidade de reorganizar a exploração capitalista no período pós crise de 1973, tendo como maiores expressões os governos de Margareth Tatcher na Inglaterra, de Ronald Reagan nos EUA e de Pinochet no Chile. O neoliberalismo se configurou como uma reestruturação econômica que visou recuperar as margens de lucros capitalistas, para tanto se fez necessário fragmentar todo tipo de movimento que contestasse, principalmente o movimento operário. A luta de classes não podia sair do controle.

Contra o projeto educacional privado, levado a frente por Pinochet, que os estudantes chilenos se levantaram nos ultimos anos, dando um grande exemplo nas ruas de como organizar a luta das/os trabalhadoras/es e estudantes por uma educação pública, gratuita e de qualidade que atenda aos interesses da classe trabalhadora e dos setores oprimidos pelo capital. Sigamos o exemplo das/os camaradas chilenas/os. Contra o projeto educacional neoliberal e os cortes sociais gritamos com todo o fôlego: “Que os capitalistas paguem por sua crise! Não ao resgate dos bancos!”

As lutas do movimento estudantil chileno trazem lições importantíssimas para a juventude que hoje se coloca em luta, tanto inglesa como de outros países, mas é preciso avançar na unificação dessas diversas mobilizações em a aliança estratégica com a classe trabalhadora e setores oprimidos, só assim, com esta tática fundamental, que nossas bandeiras se tornarão de fato realidade. Pois é caminhando nesse sentido que alcançaremos a correlação de forças que nos permitirá garantir as questões democráticas, com as condições objetivas materiais [2].


A MOBILIZAÇÃO DE SUSSEX CONTRA A PRIVATIZAÇÃO.

Segundo os/as estudantes de Sussex, a decisão da direção da Universidade de privatizar 235 empregos, incluindo serviços como reformas, limpeza, segurança e porteiros, mobilizou-os por estes entenderem que a entrada das empresas privadas atacará a qualidade da educação, uma vez que o lucro é o principal objetivo e não a qualidade das relações sociais e intelectuais. Tão importante também, está a questão do ataque aos direitos trabalhistas, uma vez que a privatização tende a diminuir a segurança no emprego e a garantia de bons salários.

De acordo com informes, os sentimentos de solidariedade entre trabalhadores/as e estudantes estão cada vez mais fortes, e que segundo o jornal Independet “Esta unidade está enraizada em um sentido compartilhado de frustração - entre alunos e funcionários - com a invasão intransigente da Universidade, e da falta de democracia.”[3]

As exigências iniciais que o movimento, o “Occupy Sussex” (nome apelidado para a ocupação), emitiu foram:

1. Completa suspensão do processo de licitação em andamento e fim de todo o programa de privatização, IMEDIATAMENTE.
2. Formação de uma comissão de alunos, funcionários e professores, com competência plena para reavaliar os procedimentos e canais de gestão responsável, estendendo também a participação dos estudantes e trabalhadores nestas decisões.
3. Fim da intimação que a gerência superior e média têm usado para deter os estudantes e trabalhadores de discutirem e agirem acerca de suas preocupações.

Os debates também giram em torno da crítica ao discurso ideológico burguês que tenta colocar a terceirização como uma medida necessária, “não havendo outra alternativa" aos "ganhos e eficiência" e "redução de custos", o que tem acarretado uma reforma de Universidades britânicas seguindo linhas de mercado. Isso se agrava com a retirada de financiamento público, dando lugar as “doações” corporativas para o ensino e a pesquisa. Para os/as estudantes, a terceirização de serviços neste contexto, é mais uma transmissão do controle da universidade pública para as mãos dos interesses privados.

A aceleração da mercantilização da educação na Inglaterra vem sido promovida pelo Governo de coalizão conservador-liberal encabeçado pelo primeiro-ministro David Cameron[4], que tem entre suas principais políticas a reforma de programas sociais, cortando verbas, aumentando impostos, aumentando o tempo necessário de trabalho para aposentadoria. O mesmo ocorre sobre as universidades, o aumento dos impostos recai no aumento das mensalidades, há também reestruturações de grades curriculares, e fechamento de cursos como filosofia, linguística e história em detrimento de cursos relacionados a administração de empresas.

No dia 25 de março, ocorreu uma Manifestação na cidade de Brighton, onde centenas de estudantes de toda a Inglaterra estiveram presentes, junto com trabalhadores/as, professoras/es, unidos e em marcha dando apoio a Universidade de Sussex, demonstrando uma importante solidariedade aos companheiros que estão na linha de frente, e buscando ao máximo fortalecer a correlação de forças. Os estudantes tem buscado como uma de suas principais táticas a ação direta e os mecanismos de democracia de base, fundamentais para que o movimento se massifique de forma qualitativa.

Durante a maior parte da ocupação, houve diversas táticas da burguesia para enfraquece-la, desde o bloqueio da distribuição de alimentos para a ocupação, corte do sinal de internet em boa parte da cidade, corte do aquecimento dentro da ocupação (neste período do ano na Inglaterra a temperatura média varia de -10°C a 5°C), além de perseguições e chantagens aos/as militantes dentro do Campus Universitário, sendo contratada para isso uma polícia privada.

Em todo esse quadro de coerção, soma-se a repressão às militantes mulheres, inúmeras vezes realizada por estes seguranças privados, buscando sempre inferiorizá-las através da incitação ao abuso sexual. Como descreve um grupo de estudantes, as meninas não podiam ir ao banheiro pois os guardas ficavam passando e dizendo coisas referentes a abusos sexuais ou tentando diminuir as mulheres a objetos ou comparando-as a animais.

 

AVANÇA A REPRESSÃO AS/OS TRABALHADORAS/ES E OS SETORES OPRIMIDOS E POR ISSO PRECISAMOS DE UNIDADE: ELES NÃO PASSARÃO!!!

O controle das burguesias sobre os exércitos e tecnologias armamentistas, principalmente em períodos de maior agudização da luta de classes, faz com que a repressão aumente e seja mais constante, pois busca-se o quanto antes “exterminar” uma mobilização, para que não sirva de exemplo para outras.

As mobilizações que vem surgindo nos últimos anos[5] contra as políticas de austeridade na Europa, mesmo as mais pacíficas e democráticas, tem sofrido violentas repressões, além de prisão de centenas de manifestantes. As sentenças destes, demonstram o quão o governo burguês tenta criminalizar os movimentos sociais e de trabalhadores/as. Dentre os exemplos da ofensiva da repressão na Inglaterra, foi que em novembro de 2012, uma assistente de ensino de 28 anos, apareceu em um evento público na cidade de Oxfordshire e disse ao primeiro ministro, que ele tinha "sangue nas mãos", se referindo a política de seu governo de cortar o apoio social vitalício para as pessoas com debilidades físicas e intelectuais. Imediatamente ela foi jogada ao chão, machucada e presa. Conforme consta em seu processo, ela foi condenada por causar "o assédio, alarme e angústia" e multada em mais de um mês de salário[6].
Outra penalidade que tem levantado muitas discussões
se dá em torno da condenação por “desordem violenta”, que nada mais é do que uma tentativa de deslegitimar e enfraquecer as mobilizações, criminalizando manifestantes políticos, podendo estes pegar uma sentença de até cinco anos de prisão. Durante as manifestações na Praça do Parlamento em dezembro de 2010, dois estudantes foram incriminados por essa lei(6). Há cerca de 1 mês eles conseguiram absolvição, contudo, tiveram que passar mais de dois anos lutando para derrubar as acusações, pois eram impedidos de falar pelos tribunais. Sendo preciso destacar também que a polícia caracterizou um dos estudantes como “extremista violento”, tentando mascarar na realidade a enorme repressão policial que ocorreu, pois este estudante teve um golpe de cassetete na cabeça, que provocou um corte de cerca de 15cm, sendo necessária uma cirurgia cerebral de emergência.

Há 5 dias houve o processo de reintegração de posse da ocupação de Sussex, com cerca de 80 policiais. Em nota [7] os/as estudantes publicaram que 4 estudantes foram presos e muitos outros foram abusados nas mãos da polícia. Manifestaram seu repúdio diante da ação da direção, que não aceitarão esta medida, e que a mobilização vai continuar. Ações conjuntas estão sendo organizadas contra os ataques à universidade pública, e tem sido feito diversos contatos com outras universidades. As consignías gerais tem sido “ Lutar pelo direito ao trabalho. Lutar pelo direito de aprender. Lutar pela Universidade Pública. Resistir. Organizar. Ocupar.”

A mobilização também teve apoio de inúmeros intelectuais e figuras públicas de toda europa e dos Estados Unidos, como por exemplo, Noam Chomsky, Tariq Ali, Peter Capaldi, Vandana Shiva, Satish Kumar, e outros.


NENHUMA CONFIANÇA NAS BURGUESIAS! AVANTE AO INTERNACIONALISMO DA CLASSE TRABALHADORA E SETORES OPRIMIDOS!

O conhecimento tem um único fim para a burguesia: continuar reproduzindo e aperfeiçoando o sistema capitalista, mesmo que para isso milhares de vidas sejam exploradas, destruídas e mortas. A falta de democracia nas universidades e os vestibulares são alguns dos mecanismos que impedem que o conhecimento seja colocado a serviço da classe trabalhadora e setores oprimidos.

Na época imperialista em que vivemos, com a dominação das riquezas mundiais pelos grandes monopólios e bancos (capital financeiro), se fazem mais que corretas as análises de Lenin e Trotsky [8] sobre o fim das fronteiras nacionais para a expansão do capitalismo, o que resultou na primeira grande guerra mundial.

Assim, é preciso tomar muito cuidado com o discurso de que há “burguesias que governam para seu povo”, pois o único interesse da burguesia são com seus negócios. A classe trabalhadora e setores oprimidos não devem depositar nenhuma esperança na classe dominante, e sim, a única confiança que podemos ter é no internacionalismo da classe trabalhadora.

Notas.

[2] Para aprofundar o debate nas questões democráticas – texto do manifesto da Juventude Às Ruas: http://juventudeasruas.blogspot.co.uk/2013/03/so-havera-democracia-quando-houver.html
[3] Fonte: http://www.independent.co.uk/voices/comment/as-the-sussex-uni-occupation-shows-government-may-see-education-as-a-market-but-students-do-not-8488719.html
[4] Artigo que aprofunda um pouco as políticas do Governo de Cameron: http://www.pts.org.ar/sp6 ip.php?article19805 -
[5] Para uma discussão mais detalhada sobre as mais recentes mobilizações, indicamos a leitura do artigo “Luta de classes e novos fenômenos políticos no quinto ano da crise capitalista” de Cláudia Cinatti, publicado da Revista Estratégia Internacional n° 6. Ed. ISKRA. São Paulo,SP – 2012
[6]Fonte:http://www.guardian.co.uk/education/2013/mar/08/student-tuition-fees-cleared-disorder
[7]Fonte:http://sussexagainstprivatization.wordpress.com/2013/04/02/day-55-last-statement-from-occupation-2-april-2013-eviction/
[8] Lenin, V. Imperialismo: Fase superior do capitalismo. ed. Centauro, 2001 ; Trostky, L. Stalin: O grande organizador de derrotas. ed. Sudermann, 2010.


 

 


 
 
 
Mais notícias relacionadas:





Vídeos: