Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Moção de Apoio da Juventude as Ruas a greve e aos alunos mobilizados na UNESP- Campus de Ourinhos

Moção de Apoio da Juventude as Ruas a greve e aos alunos mobilizados na UNESP- Campus de Ourinhos

Nos últimos anos o governo do estado juntamente com a reitoria da UNESP tem adotado como postura criar novos cursos em campus espalhados pelo estado, como uma forma de “expansão de vagas” para lugares que não teriam até então uma universidade local ou próxima. Porém, essa expansão vem sendo feita sem qualquer cuidado, sem estudos do local, das proximidades e pior ainda, de forma totalmente precarizada.

A UNESP Ourinhos participou desse processo, e foi fundada como campus experimental no ano de 2003, com apenas o curso de Geografia ( bacharelado e licenciatura). Não diferente dos outros campus experimentais, fundados também nessa época, Ourinhos enfrentou e enfrenta graves problemas desde o inicio. Quando a primeira turma ingressa na universidade, encontra um local que não tem estrutura alguma (no inicio o campus funciona dentro de um Seminário da cidade), sem professores (aproximadamente 6) , sem laboratórios, cantina ou qualquer outra necessidade. Alguns anos depois a UNESP recebe “seu campus” afastado da cidade, que na verdade é um prédio da secretária de educação local e pertence a um centro de formação de professores municipais, o mesmo “empresta ,divide” o campus com a universidade. Esse mesmo prédio tem um problema judicial, pois teria sido construído com verba desviada irregularmente do FUNDEB pelo então prefeito.

O campus “ganha” uma estrutura mínima para os alunos e os problemas são resolvidos lentamente, quando são. O grupo de professores leva mais de 10 anos para se completar, enquanto isso os alunos sofrem com aulas que se iniciam com professores substitutos no meio do semestre. Além de todos os problemas estruturais a UNESP tem seus maiores problemas ligados a assistência estudantil. De acordo com uma pesquisa realizada pela VUNESP nos últimos anos, a unidade que recebe alunos mais carentes é a de Ourinhos, e a mesma finge não enxergar esses dados. A unidade não conta com moradia e nem restaurante universitário, as ajudas oferecidas aos estudantes carentes são bolsas de auxilio com valor um pouco maior que R$300,00, em números insuficientes para a demanda necessária, e com atrasos de até 3 meses. Outro problema vem com a precarização das bolsas para extensão que também tem baixo valor, atrasos e insuficiência.

Em visita ao campus em 2012 o atual reitor Julio Cezar Durigan teria dito que o programa de assistência da UNESP viria em forma de bolsas, que era possível viver com o valor pago por ela e que as mesmas não faltariam para os que precisavam. Pois bem, o campus parece que continua sendo esquecido, além de ser o único que continuará com apenas um curso (as outras UE estão em expansão), a construção bolsas continuam atrasando e insuficientes, alunos continuam indo embora por não conseguirem se manter na Universidade, que continua alegando falta de DEMANDA suficiente para alguns serviços. Já sabemos da precarização do Estado com a educação pública, desde o nível básico, com a educação oferecida pra classe trabalhadora cada vez mais insuficiente
 e controladora, e tem atacado também cada vez mais nas universidades públicas, contra um ensino de qualidade e as mobilizações. As universidades tem cada vez menos autonomia, recursos, principalmente pros cursos que menos atendem as demandas do ensino mercadológico (como os de licenciatura), e está cada vez mais servindo a elite, não dando acesso aos trabalhadores, como aos precarizados e terceirizados que nelas trabalham.

Nós da Juventude as Ruas apoiamos os estudantes mobilizados da UNESP Ourinhos e nos colocamos juntos nessa luta, pois acreditamos que devemos lutar contra essa precarização do ensino na universidade, o mesmo ensino que formará futuros professores (função já abandonada pelo estado) , lutar contra o abandono da reitoria com o campus, lutar para que as bolsas venham em maior
quantidade, sem atrasos e com um valor que supra as necessidades dos alunos, que os projetos de pesquisa e extensão sejam estimulados e que seja dado a eles o real valor, e por fim lutar pela construção de um campus com a estrutura completa, moradia e restaurante universitário independente do seu numero de alunos.

Combater as opressões para que o conjunto do movimento avance na luta contra a repressão!

Combater as opressões para que o conjunto do movimento avance na luta contra a repressão!

Na última semana uma grande discussão se abriu em torno de uma denúncia de um caso de machismo no movimento estudantil, mas principalmente em torno da postura do DCE (Diretório Central dos Estudantes). Nós, da Juventude Às Ruas, gostaríamos de nos pronunciar em primeiro lugar divergindo por completo do método do DCE que fez uma denúncia a um militante do movimento estudantil e não permitiu a ele o direito de resposta. Somos contrários ao método de escrachos e expulsões diante de casos de machismo antes do direito de resposta, antes de uma discussão política dentro do movimento e antes de permitir que o movimento possa definir seus próprios métodos – como poderia ser com uma comissão independente para averiguar a denúncia.

É por isso que a atual gestão da entidade foi responsável pela explosão de uma assembleia que discutiria dentre outros pontos a luta contra a repressão e contra o PIMESP, que são temas fundamentais a serem levados adiante hoje. Esta atitude do DCE, de não permitir uma discussão dentro do movimento, contribui para uma visão de que os homens são inimigos e que frente a uma acusação, não têm direito de se posicionar e discutir no movimento, única forma de dar passos para avançar em suas concepções, caso tenham de fato cometido uma agressão ou uma ofensa contra uma mulher, e educar todo o movimento.

Na prática, o DCE, ao acusar e não dar direito de resposta, transforma o militante acusado imediatamente em culpado, o que somos contrários. Essa forma de fazer política, além de não colaborar para que o movimento avance na discussão e luta contra a opressão, serve apenas para isolar um setor de estudantes e desviar o foco das principais tarefas do movimento, que necessita hoje garantir uma ampla e massiva campanha contra a repressão. Por isso nos colocamos completamente contra a proposta de expulsão do militante do PCO, e do próprio PCO, do movimento estudantil da USP.

Nós, que somos uma Juventude que quer estar ao lado da classe trabalhadora, consideramos que nossos inimigos não são os homens, nossos inimigos são outros. É a burguesia que utiliza a opressão às mulheres como forma de lucrar mais na exploração do trabalho. A Reitoria que emprega de maneira precária mulheres terceirizadas para cumprir trabalhos que gerarão doenças ocupacionais e as farão viver na fome. Os governos como o de Dilma Rousseff que permanecem mantendo o aborto ilegal.

Ao mesmo tempo, deixamos claro nessa nota que somos ativamente contra qualquer forma de opressão dentro do movimento, mas entendemos que essas são uma pequena parte do que há de opressão em toda a sociedade, sendo os espaços do movimento os mais privilegiados e avançados para lutar contra a opressão, por isso reivindicamos que, para cada caso, busquemos ganhar os companheiros para essa luta em lugar de expulsá-los de nossas fileiras.

Com o fortalecimento de homens e mulheres que lutam contra o machismo, é possível que atinjamos, junto aos trabalhadores, a raiz dessa opressão, que ainda que seja anterior ao modo de produção capitalista, é profundamente apropriado por este sistema que propaga a violência doméstica, a prostituição, os estupros, para manter as mulheres reproduzindo o trabalho doméstico gratuitamente, eliminando gastos exorbitantes que o Estado poderia ter caso financiasse – conforme sua obrigação – a manutenção da vida dos trabalhadores e trabalhadoras pela via de manter em funcionamento restaurantes públicos, lavanderias, creches, hospitais, etc.

Para nós, o método equivocado do DCE leva a uma concepção equivocada como colocamos acima, e também termina em uma política extremamente equivocada. Agora o eixo da luta contra a opressão para o DCE é uma “campanha contra o machismo no movimento estudantil”. Dizem querer pintar toda a USP de roxo. Porque não propuseram pintar a USP de roxo quando estudantes foram estupradas no CRUSP? Porque não propuseram pintar a USP de roxo quando as estudantes de São Carlos sofreram com os escandalosos atos de machismo durante a calourada? Porque não propuseram pintar a USP de roxo quando uma estudante foi torturada por policiais na reintegração de posse da Reitoria ocupada? Porque não propuseram pintar a USP de roxo quando uma jovem mãe, já expulsa da USP, foi expulsa também de sua moradia? E perguntamos de novo, porque não propuseram pintar a USP de roxo quando centenas de mulheres terceirizadas, em sua maioria negras, reviraram a universidade em uma explosiva greve contra as humilhações e péssimas condições de trabalho?

No entanto, não apenas ao DCE cabe a crítica de uma política equivocada, uma vez que se é verdade que as pressões machistas, racistas e homofóbicas são introjetadas pela própria ideologia capitalista na formação de homens e mulheres, é responsabilidade das organizações de esquerda combaterem o machismo em suas fileiras. Nesse sentido uma política correta de luta contra a opressão só tem a fazer avançar a consciência dos companheiros homens. Aqui cabe nossa crítica ao PCO, que na USP tem tido uma política abstencionista e se isentado de intervir em questões importantes como as citadas acima, política esta que acarreta em uma intervenção despolitizada em relação à questão das opressões.

Nenhuma mulher deve aceitar declarações machistas dentro do movimento e devemos lutar contra isso. Mas isso de forma alguma pode se alçar como o maior problema na luta contra a opressão dentro da USP. Nós, da Juventude às Ruas!, continuaremos lutando contra a opressão às mulheres sem transformar os problemas existentes dentro do movimento estudantil no eixo de nosso combate. Ao mesmo tempo que repudiamos as acusações feitas pelo PCO em sua nota às mulheres do DCE e exigimos uma retratação, nos colocamos firmemente contrários a expulsão de seus militantes, e do próprio PCO, do movimento estudantil.

Temos inúmeras diferenças políticas tanto com o PCO, como com a atual gestão do DCE, mas não achamos que essas diferenças devam ser definidas dessa forma.
Exigimos que o DCE reorganize imediatamente uma assembléia massiva para tratar dos temas do movimento, como a urgente luta contra a repressão e contra o PIMESP, e que nesta assembleia seja dado direito de resposta ao militante do PCO acusado, para que o movimento possa definir os encaminhamentos, assim como criar uma comissão para apuração do caso!

E propomos uma grande campanha contra a opressão na USP: por vagas no CRUSP para todas as mães; por assistência estudantil para que mantenham seus filhos; por vagas nas creches para toda a demanda de estudantes e trabalhadoras efetivas e terceirizadas! Basta de violência às estudantes do CRUSP! Fim dos trotes machistas! Por currículos que demonstrem a história de luta das mulheres! Por salários iguais entre mulheres e homens, passando pelo fim da terceirização do trabalho, com efetivação dos terceirizados sem concurso, já que a maioria desses são mulheres negras, vítimas da precarização do trabalho!

terça-feira, 9 de abril de 2013

CALOURADA 2013 - Juventude às Ruas Rio de Janeiro














 
Longe do que a burguesia tanto propagandeou de “fim da classe operária e de revoluções”, chegamos
ao sexto ano de uma crise capitalista que só pode ser comparada a crise dos anos 30, onde a luta de classes volta a ser um elemento determinante para decidir o futuro coma derrubada de ditadores no Oriente Médio e levantes da juventude pelo mundo. Em meio a este cenário internacional, temos que nos preparar para impactos mais agudos da crise no Brasil e mesmo para derrotar os reacionários como Feliciano, que são aliados de Dilma, e dos ataques ao movimento estudantil e movimentos sociais nacionalmente.

O sistema universitário que temos é completamente elitista e racista. As cotas existem apenas em alguns lugares e centenas de milhares de negros e a juventude pobre ficam de fora da universidade mesmo com as cotas, o sistema de educação impede que a classe trabalhadora tenha acesso às universidades públicas. A educação básica, as creches, hospitais, quando existem são precarizados.

É preciso lutar para que todos possam estudar, acabando com o funil social que é o vestibular! Precisamos lutar pela estatização das universidades privadas sem indenização, para garantir uma universidade a serviço da classe trabalhadora, que coloque seu conhecimento a serviço das necessidades da população e não de interesses da burguesia! É preciso lutar para que todos possam permanecer na universidade com restaurantes e alojamentos de qualidade, gratuitos e sem terceirização do trabalho! Pois a terceirização serve para escravizar pois com ela paga salários menores, cortando direitos dos trabalhadores, humilhando criando um setor de trabalhadores supostamente "inferiores" e divide a classe trabalhadora entre efetivos e precários para que não se vejam como uma única classe! 
Por isso devemos lutar pelo fim da terceirização e efetivação dos terceirizados sem necessidade de concurso publico!

A precarização do trabalho está presente em todos os lugares, dos canteiros de obras do PAC e das obras das Olimpíadas e Copa do Mundo até as universidades, baseado na superexploração dos trabalhadores que na grande maioria são negros e mulheres. O Brasil Potência vendido como projeto de país de Lula e Dilma esta baseado no trabalho precário e que aqui no Rio tem fortes aliados como Cabral e Paes, que pelas mãos das UPP´s, reprime e assassina cotidianamente a juventude negra e pobre das favelas, como vimos nos brutais assassinatos no Jacarezinho e em Manguinhos.


Não são só os tucanos e peemedebsitas tomam medidas contra os lutadores, mas as patronais, os latifundiários e também o governo Dilma. Por isso, consideramos fundamental em meio repressão dos governos lutar contra a repressão e prisão dos trabalhadores em Jirau e Amapá, os assassinatos de militantes do MST no campo, o brutal ataque contra o Pinheirinho, o despejo da Aldeia Maracanã, a perseguição e internação compulsória aos usuários de crack em São Paulo e no Rio de Janeiro, a repressão cotidiana a juventude negra e pobre dos morros, favelas e periferias. Nesse sentido, consideramos uma das tarefas centrais da Assembléia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL) coordenar nacionalmente as lutas contra o governo e a repressão, em defesa dos 72 estudantes da USP e de todos os lutadores que vem sendo processados e perseguidos, como os estudantes da UFMT que foram violentamente reprimidos pela PM por lutar por permanência estudantil. Relacionando a repressão dentro das universidades com a repressão cotidiana nas periferias, morros e favelas, é preciso colocar de pé uma ampla campanha contra a repressão!



 A juventude hoje precisa dar um basta aos ataques racistas, machistas e homofóbicos que aliados de Dilma como Marco Feliciano vem fazendo. Porém não achamos que isto será feito só com pressão ao parlamento e substituindo Feliciano por algum congressista‘progressista’. Para realmente lutar pelo direito ao aborto, livre, legal, seguro e gratuito, contra a homofobia e pelo direito ao casamento igualitário e pela livre expressão da sexualidade não será pela via de parlamentares e do parlamento que arrancaremos nossos direitos, mas sim pela mobilização independente da juventude junto a classe trabalhadora!


Podemos e devemos buscar o apoio da classe trabalhadora ajudá-la a superar os preconceitos que as patronais, as igrejas e a burocracia sindical incutem! O machismo, o racismo, a homofobia são funcionais à burguesia! Na luta os trabalhadores avançam contra os preconceitos e contra a divisão das fileiras da classe trabalhadora!

LUTEMOS CONTRA TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!



Desde o último sábado, 30 de março, dia em que uma jovem norte americana foi estuprada por 3 homens dentro de uma van no Rio de Janeiro, notícia que estampou manchetes no mundo todo, novos casos de estupro contra mulheres vêm vindo a tona gerando grande repercussão, inclusive vítimas dos mesmos agressores que antes não conseguiram denunciar os estupradores romperam agora com o silêncio. O caso se tornou tão noticiado e os agressores foram punidos rapidamente pois compromete o projeto de cidade implementado pela burguesia e os governos de Dilma, Cabral e Eduardo Paes frente aos grandes eventos que a cidade sediará cuja atratividade para o turismo também encontra respaldo numa política de “segurança pública” que tem como um dos principais pilares as UPPs. Porém é necessário lembrarmos que estupros e casos de violência contra as mulheres ocorrem diariamente na cidade e no Brasil, inclusive mulheres estupradas por policiais, mas que não ganham tamanha proporção na mídia.

O estupro é uma forma de violência brutal contra a mulher, e estima-se que nos últimos anos os dados têm aumentado bastante em diferentes cidades no Brasil como em São Paulo que só no mês de janeiro foram registrados 1.138 contra 944 no mesmo mês de 2012, e no Rio de Janeiro com 509 casos denunciados, ou seja, 22 a mais que em janeiro do ano passado. Porém não existem mecanismos fornecidos pelo Estado para uma interpretação mais apurada capaz de afirmar se são os casos de estupro que vem aumentando ou se são as mulheres vítimas da violência que agora denunciam mais do que antes. O fato é que cerca de 70% das mulheres em todo o mundo sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida, e em sua imensa maioria por integrantes do seu núcleo familiar. Por mais que as mulheres possam de sentir mais seguras com a Lei Maria da Penha, muitos casos nos mostram que mesmo denunciando os agressores à polícia, sua segurança não é garantida.

A lei Maria da Penha, criada em 2006 durante o governo Lula permite que agressores que fazem parte do núcleo doméstico ou familiar das mulheres agredidas sejam presos em flagrante ou de forma preventiva caso sejam denunciados, sendo que desde a denúncia, são policiais que acompanham as mulheres durante todo o processo. É necessário refletirmos qual é o papel da polícia, que reprime manifestações de trabalhadores, estudantes e do povo nas ruas, assassina a juventude negra e pobre nas favelas e morros, esculacha e humilha moradores e estupra as mulheres. Temos que denunciar a violência da polícia, que defende com unhas e dentes a propriedade privada e não exigir mais delegacias femininas. Numa sociedade como essa, que respira opressão por todos os poros, seja contra as mulheres, contra os negros, contra os LGBTT´s, e que usa todas essas opressões para legitimar a exploração que é sua coluna vertebral, é mais do que necessário que nós sejamos sujeitos e lutemos contra todas as formas de violência contra as mulheres, partindo na nossa auto-organização, independente do Estado, dos governos, da burguesia e sem qualquer ilusão de que a polícia, braço armado do Estado, possa dar qualquer resposta.

Defendemos a necessidade de levar adiante uma enorme campanha que parta de exigir o fim da violência às mulheres, ao mesmo tempo em que exigimos refúgios e casas transitórias para as mulheres vítimas de violência e seus filhos e filhas, garantidos pelo Estado e sob controle das próprias vítimas, organizações de mulheres e trabalhadoras, com profissionais e sem a presença da polícia e da justiça. Nos locais de trabalho e nos sindicatos defendemos a criação de comissões de mulheres, independentes dos patrões, que deem atenção aos casos de assédio sexual e trabalhista ou de discriminação às trabalhadoras. Defendemos subsídios de acordo com o custo de vida para as vítimas de violência que estejam desempregadas, acesso à moradia e trabalho para todas. Licenças remuneradas para as trabalhadoras que atravessam situações de violência, com acesso à saúde pago integralmente pela patronal. Nos casos de estupro e assassinato, exigimos a prisão dos culpados.

Tomemos como exemplo as nossas irmãs indianas, que após o escabroso caso de uma jovem estuprada coletivamente dentro de um ônibus e morta poucos dias depois no último mês de dezembro estão indo às ruas travando uma luta exemplar contra a violência às mulheres e inclusive contra as medidas do próprio Estado! Façamos da dor de cada mulher violentada uma força a mais para lutar contra a exploração e todas as formas de opressão às mulheres! Não somos uma mulher no poder, temos que ser milhares nas ruas!!!



É PRECISO DIFUNDIR AS LUTAS DAS MULHERES TRABALHADORAS PORQUE NÓS NÃO COMEÇAMOS DO ZERO!


A nova edição impulsionada pelo grupo de mulheres Pão e Rosas conta a apaixonante experiência da luta das trabalhadoras terceirizadas da limpeza na USP em 2005, que travaram uma luta pelos seus direitos e contra os patrões, além de outras experiências mais recentes de trabalhadores precarizados que decidem se organizar denunciando suas péssimas condições de trabalho. Mostra ainda que no Brasil de Lula e Dilma são as mulheres, e em especial as mulheres negras, quem ocupam os postos mais precários de trabalho e que sua auto organização e luta é a verdadeira resposta frente a opressão e a exploração.

Mostra ainda a necessidade de que a juventude e os estudantes na universidade sejam porta voz desses setores mais precários, unificando suas lutas diárias com as lutas dos trabalhadores forjando uma verdadeira aliança operária estudantil contra esse sistema de exploração que escraviza, humilha e divide a classe trabalhadora!


Te convidamos a conhecer o livro e discutir conosco! EM BREVE LANÇAMENTO NO RIO


JUVENTUDE ÀS RUAS ORGANIZA ATIVIDADES 
SOBRE QUESTÃO NEGRA E MARXISMO


O Brasil é o maior país de população negra fora da África. Isto é assim porque foi o país que mais traficou e escravizou negros no planeta. Ao contrário do que diz a academia, a escravidão não foi “cordial”, “maleável”. Aqui, na pele dos negros foram inventadas várias técnicas de tortura. Ao contrário do que quer a burguesia, a escravidão também não é uma coisa do passado! Ela vive no trabalho doméstico, precário, na terceirização que atinge em primeiro lugar os negros e negras. Sobrevive nas mãos da polícia mais assassina do planeta com seus “autos-de-resistência”.

Contra o mito da “democracia racial” sabemos também qual é a cor da maioria que mora nas favelas. Esta realidade é garantida pelos diferentes representante da burguesia como os governos Dilma, Cabral e Paes. 

Nós da Juventude às Ruas, ao contrário de uma nefasta tradição da esquerda que não se importava com a questão negra pensamos que é impensável uma revolução no Brasil que não tenha como um de seus motores centrais acabar com o racismo e com a precarização do trabalho que atinge principalmente os negros, e assim, que não tenha como sujeitos da revolução a classe trabalhadora e sua maioria negra. Também não achamos que a questão negra é algo para ser debatida só em “datas comemorativas”. É algo para o cotidiano! Por isto temos realizado uma série de atividade e iniciativas como seminários para discutir marxismo e questão negra e passeios pelo centro do Rio para lembrar da história não contada nos livros de história. História de dor e luta do maior pólo de tráfico de escravos do planeta que era nossa cidade! Precisamos estudar e nos armar para intervir na realidade para erguermos uma teoria revolucionária, baseada no marxismo para enfrentar a realidade nacional calcada neste passado escravocrata e neste presente igualmente racista.

Participe de nossas atividades! Conheça e faça parte da juventude Às Ruas!



domingo, 7 de abril de 2013

Chamado da Juventude às Ruas e independentes para a construção de um CAFCA (Centro Acadêmico da Filosofia/UFMG) militante!

Por Juventude às Ruas - Belo Horizonte, MG
CRÔNICA DA UNIVERSIDADE ANUNCIADA
Um misto de sensações. Misto de euforia e medo, a alegria de quem ganhou brinquedo novo, o susto das mudanças que viriam. A sensação de missão cumprida. Foi aprovada no vestibular. Pelos próximos anos, a UFMG seria parte cotidiana de sua vida.
As semanas começam, passam, pessoas surgem, muito interessantes, muito interessadas. O alívio por no seu curso não haver aqueles trotes que os jornais mostram. Mas uma angustia começa a ser parte. 
Conseguiu romper a barreira que a separava do ensino superior. Seus amigos não. Foi o primeiro momento em que a sensação de “missão cumprida” começou a deixar de fazer sentido.
Repercute a notícia do trote nazi-racista. Sabe o que é racismo, sabe que não tem graça. Sabe que seus amigos, que são trabalhadores negros, da periferia, não estudam ali.
Quer aproveitar a oportunidade que tem, mas a euforia e medo fazem cada vez menos sentido.
Nota que há mulheres pretas ali dentro. Nota que a maioria delas não entrou pelo vestibular. Entram pela porta dos fundos através de uma empresa terceirizada. Entram com uma vassoura e um balde na mão. Saem com um calo e um salário de miséria na mão.
A ideia de uma empresa terceirizada na universidade pública também não faz muito sentido.
Nota que o trabalho pesado e precário tem rosto de mulher. Mulher negra. “Estranho. Aqui dentro se reproduz racismo, machismo e homofobia, como lá fora.”.
Mas afinal, a quem serve essa universidade? Com certeza não é àquelas mulheres da limpeza. A alegria do brinquedo novo cada vez mais se substituía em angústia, faz cada vez menos sentido. Tudo aquilo que era produzido ali, tecnologia, conhecimento, intelectualidade. Pra quem produz-se, quem usufrui? Soube que o reitor era escolhido pela presidente.
“Em que século a universidade está? Antes da Revolução Francesa?”. Sabe que o governo está atrelado às grandes empresas. À burguesia. À serviço de quem está a universidade começa a ficar mais evidente.
A angústia toma conta. Não existe mais “missão cumprida”.
O vestibular deixou seus amigos de fora. Deixou toda a juventude de fora.
As opressões circulam livremente pelos corredores. A terceirização humilha trabalhadoras. Tudo que ali é produzido são a interesses que não correspondem a ampla maioria da população.
É jovem. É mulher. Não sabe carregar angústia. Sabe carregar bandeira. Ideais. Sabe carregar luta. Sabe que é estudante, e precisa ser representada. Ouviu dizer sobre o Centro Acadêmico. Poderia se organizar. Poderia se colocar na luta. Contra a reitoria. Contra o projeto que faz com que a universidade pública só produza para alguns. Contra o vestibular que deixou milhares de jovens de fora do sentimento de euforia e medo que a afetou semanas atrás. Por aquelas mulheres que carregam vassouras. Que também podem carregar bandeiras. Pelo direito de lutar pelos direitos. É jovem. Pode fazer algo. E fará. 
"Contra o machismo, o racismo, a homofobia e toda forma de opressão! Por um CAFCA militante!"
CHAMADO PARA FAZER DO CAFCA UM CENTRO ACADÊMICO MILITANTE
PARA ACABAR COM AS OPRESSÕES, LUTAR POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE PARA TOD@S!
Em uma sociedade dividida entre duas classes sociais radicalmente antagônicas, todo o aparato de Estado é construído para servir à classe dominante; na nossa sociedade (capitalista), a burguesia. A universidade não é exceção: ela se organiza de forma elitista e hierarquizada; forma essa que permite que a maioria da população fique fora da universidade e não tenha influência nas diretrizes para produção do conhecimento. Com os governos do PT por mais de 10 anos no poder, a privatização, a elitização e o atrelamento da universidade aos interesses burgueses foram mantidos; a universidade continua excluindo a imensa maioria dos trabalhadores, pobres e negros que aqui desejam estudar e continua tendo a maior parte de suas verbas voltadas, ou para pesquisa atrelada ao capital privado, ou para a formação de mão-de-obra que serve aos capitalistas (uns enquanto trabalhadores precarizados – como exemplo, os professores da rede pública –, outros enquanto funcionários especializados que têm o privilégio de um bom salário se puderem gerar muitas vezes mais lucro ao patrão do que aquilo que recebem).
Sobre essas bases podres caracterizadas pela exploração dos interesses da maioria em benefício de poucos, surgem todas formas de opressão dentro da universidade. A cada estudante que entra pelo vestibular, dezenas de outros têm seu direito a estudar gratuitamente e com qualidade negado. Muitos outros, ainda, cumprem dupla-jornada e/ou se endividam para pagar mensalidades de universidades privadas (verdadeiras empresas do “ramo” da educação superior) que, em sua maioria, não oferecem ensino de qualidade. Daí o evidente racismo presente na porcentagem de negros que se matricula a cada ano na UFMG. Tal racismo, também presente diariamente na precarização das condições impostas aos trabalhadores que garantem as bases materiais da universidade (trabalhadores que são majoritariamente negros!), se reflete em ideologia e opressão reproduzidas dentro da universidade; a mentalidade elitista da maioria dos alunos, que traz consigo o machismo e a homofobia, é consequência inevitável da forma como a universidade se organiza. Por fim,  já que o atual projeto de educação superior busca nos oferecer uma perspectiva de vida que se fundamenta na ascensão pessoal e na competição, outro elemento que também baseia as relações dentro da universidade é o individualismo.
É tendo isso em conta, que nós da Juventude Às Ruas chamamos todos interessados a construir um Centro Acadêmico militante para unirem-se a esse projeto. Um Centro Acadêmico que aja em função dos interesses históricos da classe trabalhadora dentro da universidade: pelo fim do vestibular, pelo fim da terceirização e da precarização do trabalho dentro da universidade, pela estatização das universidades privadas, por diretrizes que estimulem um conhecimento libertador e à serviço da humanidade. Acreditamos que estes sejam os alicerces necessários para forjarmos um instrumento que combata as opressões presentes na universidade consequentemente; pois só é capaz de combater e extinguir as opressões cotidianas quem aponta suas causas primeiras, e não seus piores “sintomas”. É confrontando o caráter de classe da universidade, combatendo todas as bases materiais que visam pô-la lacaia do capital, que podemos caminhar firmemente para uma universidade realmente pública, gratuita e de qualidade para tod@s!

sábado, 6 de abril de 2013

CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES!!! TODO APOIO AS MOBILIZAÇÕES DAS/OS ESTUDANTES, FUNCIONÁRIAS/OS E PROFESSORAS/ES, DA UNIVERSIDADE DE SUSSEX, EM BRIGHTON, INGLATERRA.


Por Cristiane Ciancio e Anderson Martins


 
 
Assim como no Brasil, Chile, México e outros lugares do mundo, as juventudes que se levantam contra a precarização da vida, recebem uma única resposta dos governos burgueses: repressão!

Este fato tem se repetido constantemente na Universidade de Sussex, na cidade de Brighton, sudeste da Inglaterra, principalmente, quando os/as estudantes perceberam que a única maneira de impedirem a terceirização de mais de 235 postos de trabalho da Universidade, seria retomando os métodos históricos de luta da classe trabalhadora e decidiram, em 7 de fevereiro de 2013, pela ocupação do Centro de Conferência Bramber House. Na manhã da última terça-feira, 2 de abril, dezenas de policiais cercaram a ocupação e avançando na intransigente repressão ao movimento, iniciaram o processo de “reintegração de posse” e criminalização de um dos mais fortes bastiões de resistência à privatização que vem surgindo na Inglaterra, e que ao passar dos dias estava ganhando grande visibilidades nas mídias e moções de apoio de organizações e importantes pessoas de setores de esquerda e democráticos de toda a Europa.

Nós da Juventude Às Ruas, escrevemos este breve artigo, buscando então, primeiramente nos solidarizar com as/os camaradas em luta (estudantes, professorxs e funcionárixs), e consequentemente, buscando compreender melhor como as experiências desta mobilização, nos permitem chegar em reflexões centrais para o avanço do programa marxista, para a nossa formação enquanto revolucionários/as, e a construção das tarefas que temos pela frente da forma mais internacionalista e classista possível.

A Campanha de estudantes, funcionários/as e professores/as, “O Sussex contra a privatização” (mais de 90% de todas as instalações e serviços estão sendo vendidas a empresas privadas), começou em maio de 2012, e os estudantes relatam que diversas medidas, tais como debates, abaixo-assinados, manifestações, reuniões, já haviam sido estabelecidas buscando “dialogar” com a burocracia acadêmica. Todas eram insuficientes porque, segundo os estudantes a direção não dava ouvidos às preocupações levantadas. Assim, há cerca de 2 meses iniciou-se a ocupação de um prédio da Universidade que representa o centro “financeiro” para a mesma. Em nota sobre a tática da ocupação, os estudantes colocam que seu efeito “ao desligar esta fonte de lucro, estamos comunicando com a gestão na única linguagem que eles entendem. Transformando o espaço em uma arena para a organização e resistência, para o conhecimento, música e arte – estamos fazendo uma declaração política: este Campus é um lugar para a educação e não para o lucro.”[1]. Essas ações aproximaram para as questões políticas os diversos setores da universidade e da comunidade, que passou a apoiar mais fortemente a mobilização.

Os ataques que hoje ocorrem na Universidade de Sussex não estão em um cenário isolado, mas sim representam as medidas autoritárias e desumanas que a burguesia imperialista avança diariamente nos lugares do Mundo onde a precarização da vida se faz mais presente, ou onde há setores que resistem e se colocam em luta denunciando tamanha exploração e se ligando as demandas da classe trabalhadora e dos setores oprimidos.

Enfatizando também, de que esta mobilização, acontece nos marcos de uma crise econômica mundial, comparada, pelos principais analistas da burguesia, com a crise de 1929. A atual crise, estourou a partir de 2008, e vem colocando em xeque a cada novo acontecimento a possibilidade de se manter o equilíbrio entre as nações europeias pela via da União Europeia e do Euro. Neste momento, os países imperialistas começam a realizar cortes sociais dentro de suas próprias fronteiras, estas medidas fazem parte do plano da Troika para descarregar a crise sobre as costas da classe trabalhadora.

É fundamental lembrarmos que a política de privatização que atinge diversas universidades, dentre outros setores, em todo o mundo hoje, tem sua origem na necessidade de reorganizar a exploração capitalista no período pós crise de 1973, tendo como maiores expressões os governos de Margareth Tatcher na Inglaterra, de Ronald Reagan nos EUA e de Pinochet no Chile. O neoliberalismo se configurou como uma reestruturação econômica que visou recuperar as margens de lucros capitalistas, para tanto se fez necessário fragmentar todo tipo de movimento que contestasse, principalmente o movimento operário. A luta de classes não podia sair do controle.

Contra o projeto educacional privado, levado a frente por Pinochet, que os estudantes chilenos se levantaram nos ultimos anos, dando um grande exemplo nas ruas de como organizar a luta das/os trabalhadoras/es e estudantes por uma educação pública, gratuita e de qualidade que atenda aos interesses da classe trabalhadora e dos setores oprimidos pelo capital. Sigamos o exemplo das/os camaradas chilenas/os. Contra o projeto educacional neoliberal e os cortes sociais gritamos com todo o fôlego: “Que os capitalistas paguem por sua crise! Não ao resgate dos bancos!”

As lutas do movimento estudantil chileno trazem lições importantíssimas para a juventude que hoje se coloca em luta, tanto inglesa como de outros países, mas é preciso avançar na unificação dessas diversas mobilizações em a aliança estratégica com a classe trabalhadora e setores oprimidos, só assim, com esta tática fundamental, que nossas bandeiras se tornarão de fato realidade. Pois é caminhando nesse sentido que alcançaremos a correlação de forças que nos permitirá garantir as questões democráticas, com as condições objetivas materiais [2].


A MOBILIZAÇÃO DE SUSSEX CONTRA A PRIVATIZAÇÃO.

Segundo os/as estudantes de Sussex, a decisão da direção da Universidade de privatizar 235 empregos, incluindo serviços como reformas, limpeza, segurança e porteiros, mobilizou-os por estes entenderem que a entrada das empresas privadas atacará a qualidade da educação, uma vez que o lucro é o principal objetivo e não a qualidade das relações sociais e intelectuais. Tão importante também, está a questão do ataque aos direitos trabalhistas, uma vez que a privatização tende a diminuir a segurança no emprego e a garantia de bons salários.

De acordo com informes, os sentimentos de solidariedade entre trabalhadores/as e estudantes estão cada vez mais fortes, e que segundo o jornal Independet “Esta unidade está enraizada em um sentido compartilhado de frustração - entre alunos e funcionários - com a invasão intransigente da Universidade, e da falta de democracia.”[3]

As exigências iniciais que o movimento, o “Occupy Sussex” (nome apelidado para a ocupação), emitiu foram:

1. Completa suspensão do processo de licitação em andamento e fim de todo o programa de privatização, IMEDIATAMENTE.
2. Formação de uma comissão de alunos, funcionários e professores, com competência plena para reavaliar os procedimentos e canais de gestão responsável, estendendo também a participação dos estudantes e trabalhadores nestas decisões.
3. Fim da intimação que a gerência superior e média têm usado para deter os estudantes e trabalhadores de discutirem e agirem acerca de suas preocupações.

Os debates também giram em torno da crítica ao discurso ideológico burguês que tenta colocar a terceirização como uma medida necessária, “não havendo outra alternativa" aos "ganhos e eficiência" e "redução de custos", o que tem acarretado uma reforma de Universidades britânicas seguindo linhas de mercado. Isso se agrava com a retirada de financiamento público, dando lugar as “doações” corporativas para o ensino e a pesquisa. Para os/as estudantes, a terceirização de serviços neste contexto, é mais uma transmissão do controle da universidade pública para as mãos dos interesses privados.

A aceleração da mercantilização da educação na Inglaterra vem sido promovida pelo Governo de coalizão conservador-liberal encabeçado pelo primeiro-ministro David Cameron[4], que tem entre suas principais políticas a reforma de programas sociais, cortando verbas, aumentando impostos, aumentando o tempo necessário de trabalho para aposentadoria. O mesmo ocorre sobre as universidades, o aumento dos impostos recai no aumento das mensalidades, há também reestruturações de grades curriculares, e fechamento de cursos como filosofia, linguística e história em detrimento de cursos relacionados a administração de empresas.

No dia 25 de março, ocorreu uma Manifestação na cidade de Brighton, onde centenas de estudantes de toda a Inglaterra estiveram presentes, junto com trabalhadores/as, professoras/es, unidos e em marcha dando apoio a Universidade de Sussex, demonstrando uma importante solidariedade aos companheiros que estão na linha de frente, e buscando ao máximo fortalecer a correlação de forças. Os estudantes tem buscado como uma de suas principais táticas a ação direta e os mecanismos de democracia de base, fundamentais para que o movimento se massifique de forma qualitativa.

Durante a maior parte da ocupação, houve diversas táticas da burguesia para enfraquece-la, desde o bloqueio da distribuição de alimentos para a ocupação, corte do sinal de internet em boa parte da cidade, corte do aquecimento dentro da ocupação (neste período do ano na Inglaterra a temperatura média varia de -10°C a 5°C), além de perseguições e chantagens aos/as militantes dentro do Campus Universitário, sendo contratada para isso uma polícia privada.

Em todo esse quadro de coerção, soma-se a repressão às militantes mulheres, inúmeras vezes realizada por estes seguranças privados, buscando sempre inferiorizá-las através da incitação ao abuso sexual. Como descreve um grupo de estudantes, as meninas não podiam ir ao banheiro pois os guardas ficavam passando e dizendo coisas referentes a abusos sexuais ou tentando diminuir as mulheres a objetos ou comparando-as a animais.

 

AVANÇA A REPRESSÃO AS/OS TRABALHADORAS/ES E OS SETORES OPRIMIDOS E POR ISSO PRECISAMOS DE UNIDADE: ELES NÃO PASSARÃO!!!

O controle das burguesias sobre os exércitos e tecnologias armamentistas, principalmente em períodos de maior agudização da luta de classes, faz com que a repressão aumente e seja mais constante, pois busca-se o quanto antes “exterminar” uma mobilização, para que não sirva de exemplo para outras.

As mobilizações que vem surgindo nos últimos anos[5] contra as políticas de austeridade na Europa, mesmo as mais pacíficas e democráticas, tem sofrido violentas repressões, além de prisão de centenas de manifestantes. As sentenças destes, demonstram o quão o governo burguês tenta criminalizar os movimentos sociais e de trabalhadores/as. Dentre os exemplos da ofensiva da repressão na Inglaterra, foi que em novembro de 2012, uma assistente de ensino de 28 anos, apareceu em um evento público na cidade de Oxfordshire e disse ao primeiro ministro, que ele tinha "sangue nas mãos", se referindo a política de seu governo de cortar o apoio social vitalício para as pessoas com debilidades físicas e intelectuais. Imediatamente ela foi jogada ao chão, machucada e presa. Conforme consta em seu processo, ela foi condenada por causar "o assédio, alarme e angústia" e multada em mais de um mês de salário[6].
Outra penalidade que tem levantado muitas discussões
se dá em torno da condenação por “desordem violenta”, que nada mais é do que uma tentativa de deslegitimar e enfraquecer as mobilizações, criminalizando manifestantes políticos, podendo estes pegar uma sentença de até cinco anos de prisão. Durante as manifestações na Praça do Parlamento em dezembro de 2010, dois estudantes foram incriminados por essa lei(6). Há cerca de 1 mês eles conseguiram absolvição, contudo, tiveram que passar mais de dois anos lutando para derrubar as acusações, pois eram impedidos de falar pelos tribunais. Sendo preciso destacar também que a polícia caracterizou um dos estudantes como “extremista violento”, tentando mascarar na realidade a enorme repressão policial que ocorreu, pois este estudante teve um golpe de cassetete na cabeça, que provocou um corte de cerca de 15cm, sendo necessária uma cirurgia cerebral de emergência.

Há 5 dias houve o processo de reintegração de posse da ocupação de Sussex, com cerca de 80 policiais. Em nota [7] os/as estudantes publicaram que 4 estudantes foram presos e muitos outros foram abusados nas mãos da polícia. Manifestaram seu repúdio diante da ação da direção, que não aceitarão esta medida, e que a mobilização vai continuar. Ações conjuntas estão sendo organizadas contra os ataques à universidade pública, e tem sido feito diversos contatos com outras universidades. As consignías gerais tem sido “ Lutar pelo direito ao trabalho. Lutar pelo direito de aprender. Lutar pela Universidade Pública. Resistir. Organizar. Ocupar.”

A mobilização também teve apoio de inúmeros intelectuais e figuras públicas de toda europa e dos Estados Unidos, como por exemplo, Noam Chomsky, Tariq Ali, Peter Capaldi, Vandana Shiva, Satish Kumar, e outros.


NENHUMA CONFIANÇA NAS BURGUESIAS! AVANTE AO INTERNACIONALISMO DA CLASSE TRABALHADORA E SETORES OPRIMIDOS!

O conhecimento tem um único fim para a burguesia: continuar reproduzindo e aperfeiçoando o sistema capitalista, mesmo que para isso milhares de vidas sejam exploradas, destruídas e mortas. A falta de democracia nas universidades e os vestibulares são alguns dos mecanismos que impedem que o conhecimento seja colocado a serviço da classe trabalhadora e setores oprimidos.

Na época imperialista em que vivemos, com a dominação das riquezas mundiais pelos grandes monopólios e bancos (capital financeiro), se fazem mais que corretas as análises de Lenin e Trotsky [8] sobre o fim das fronteiras nacionais para a expansão do capitalismo, o que resultou na primeira grande guerra mundial.

Assim, é preciso tomar muito cuidado com o discurso de que há “burguesias que governam para seu povo”, pois o único interesse da burguesia são com seus negócios. A classe trabalhadora e setores oprimidos não devem depositar nenhuma esperança na classe dominante, e sim, a única confiança que podemos ter é no internacionalismo da classe trabalhadora.

Notas.

[2] Para aprofundar o debate nas questões democráticas – texto do manifesto da Juventude Às Ruas: http://juventudeasruas.blogspot.co.uk/2013/03/so-havera-democracia-quando-houver.html
[3] Fonte: http://www.independent.co.uk/voices/comment/as-the-sussex-uni-occupation-shows-government-may-see-education-as-a-market-but-students-do-not-8488719.html
[4] Artigo que aprofunda um pouco as políticas do Governo de Cameron: http://www.pts.org.ar/sp6 ip.php?article19805 -
[5] Para uma discussão mais detalhada sobre as mais recentes mobilizações, indicamos a leitura do artigo “Luta de classes e novos fenômenos políticos no quinto ano da crise capitalista” de Cláudia Cinatti, publicado da Revista Estratégia Internacional n° 6. Ed. ISKRA. São Paulo,SP – 2012
[6]Fonte:http://www.guardian.co.uk/education/2013/mar/08/student-tuition-fees-cleared-disorder
[7]Fonte:http://sussexagainstprivatization.wordpress.com/2013/04/02/day-55-last-statement-from-occupation-2-april-2013-eviction/
[8] Lenin, V. Imperialismo: Fase superior do capitalismo. ed. Centauro, 2001 ; Trostky, L. Stalin: O grande organizador de derrotas. ed. Sudermann, 2010.


 

 


 
 
 
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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Importante debate na UFMG reúne 80 pessoas pela punição dos civis e militares envolvidos com a ditadura e contra a criminalização dos movimentos sociais

FRENTE INDEPENDENTE PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA - MG

Juventude Às Ruas - frente Belo Horizonte, MG

No dia 20/3, a Frente Independente por Memória, Verdade e Justiça de MG realizou, na Arena da FAFICH, na UFMG, um debate com a presença de 80 estudantes e ativistas políticos engajados na luta contra a ditadura. Apontando a necessidade da punição para os militares e civis envolvidos com a ditadura e contra a criminalização dos movimentos sociais, o debate foi em memória das mortes dos estudantes Edson Luis, assassinado friamente no restaurante calabouço no RJ, e em memória e de Alexandre Vanucchi Leme, o "minhoca", da Faculdade de Geologia da USP, espancado até a morte nos porões do DOI-CODI em SP.
Compuseram a mesa Nilcéia Moraleida, ex-presa politica e Profª da FAFICH/UFMG, Heloisa Greco (Bizoca), do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania, Sandra Lima, do Movimento Feminino Popular, Oraldo Paiva, ex-preso político da Convergência Socialista e militante do PSTU e Domenico Moreti pela LER-QI, e membro da Comissão da Verdade da USP (CVU) eleito em assembleia do Sintusp.

Nilcéia Moraleida recuperou a luta dos estudantes da Fafich contra a ditadura e denunciou as relações da instituição universitária com o regime ditatorial. Bizoca iniciou sua fala com a denúncia do trote racista na faculdade de direito da UFMG e reafirmou a importância da Frente de MG como tentativa de resgate da memória sem que seja uma farsa como faz a CNV criado no governo Dilma. Sandra Lima interviu colocando a necessidade de punição para civis e militares, para todos participantes direta e indiretamente da tortura e a necessidade da revogação da Lei da Anistia. Oraldo Paiva denunciou o envolvimento de empresários com a ditadura e que a luta contra a ditadura não se deu apenas por via de empresários liberais e de guerrilheiros como quer a mídia, mas que os mais importantes combatentes contra a ditadura foi a classe operária.

Domenico Moreti, militante da Ler-qi, interviu relatando a experiência da conformação da Comissão de Verdade da USP, a luta do Sintusp para que esta conquiste clara independência da CNV e da reitoria e a necessidade da revogação da Lei da Anistia.

Do plenário, Bernardo Andrade, militante da Juventude às Ruas e da Ler-qi, estudante de filosofia da UFMG, fez uma importante intervenção sobre a ditadura ontem e a falta de direitos democráticos dentro das universidades hoje. Bernardo denunciou o trote racista na faculdade de Direito da UFMG e mostrou a falácia do discurso governo Dilma, defendido pelo Levante Popular da Juventude e pela Democracia Socialista, que estão na direção do DCE da UFMG, que dizem que o trote só ocorreu devido à suposta democratização do ensino superior.

Falar de democratização na universidade quando seguem sendo apenas um setor restrito dos jovens os que entram na Federal; e onde os negros, em especial as mulheres negras, são maioria não nas carteiras das salas de aula mas nos postos de trabalho precarizado, é uma falácia. A mesma falácia que diz o governo de buscar a verdade defendendo a “reconciliação nacional” entre os trabalhadores e os que combateram a ditadura com os que foram parte dela. Por isso lutamos contra as heranças da ditadura como o filtro do vestibular, pela real democratização da universidade, pela universidade pública, gratuita e de qualidade a serviço dos trabalhadores assim como pela punição de civis e militares envolvidos com a ditadura, o que só pode se dar pela revogação da Lei da Anistia. Desde a Ler-qi e da Juventude às Ruas impulsionamos a FIVMJ-MG e lutamos por uma política classista e revolucionária pela memória, verdade e justiça frente a todos os projetos de “reconciliação nacional” ou de “ conciliação” com o governo Dilma.

FRENTE INDEPENDENTE PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA - MG

Uma campanha militante para lutarmos por Memória, Verdade e Justiça!

Juventude Às Ruas - frente Belo Horizonte, MG

A universidade pública brasileira permanece repleta de resquícios institucionais da ditadura militar. A maior delas, a USP, tem como um dos pilares de seu regimento disciplinar o decreto 477/72, de um dos períodos mais sangrentos da ditadura, que prevê a eliminação da universidade para qualquer membro da comunidade acadêmica que se agrupe em organização política ou participe de mobilizações, e a reitoria desta universidade vem usando descaradamente este decreto para levar adiante processos contra estudantes e trabalhadores que lutam contra seu projeto privatista de universidade.
Na UFMG não é diferente, pois temos uma estrutura de poder antidemocrática herdada da ditadura, através da qual se leva adiante repressão a todos que lutam contra o avanço de seu projeto de universidade do trabalho precário nas terceirizações, das pesquisas à serviço das grandes empresas, etc. E não faltam tentativas de aprovar através desta mesma estrutura de poder instrumentos como o Código de Convivência Discente, que em pleno governo de Dilma (onde quem escolhe o reitor das universidades federais é a própria presidenta) não deixa nada a desejar ao Decreto 477/72, estipulando punições para estudantes que se mobilizem. Mais uma herança que compartilhamos da ditadura militar é o vestibular classificatório (que esconde a falta de vagas na universidade pública brasileira através de seu mecanismo excludente) e a privatização da educação. O governo militar instituiu este modo de ingresso nas universidades combinando-o com estímulos ao ensino privado, ensino este que hoje é um grande negócio, controlado por barões do ensino (Anhanguera, Pitágoras, UNIP, etc), com financiamento e o aval dos governos Lula e Dilma, através de seus PROUNI e PRONATEC. Na realidade o vestibular é um filtro de classe, que mantém o caráter elitista da universidade pública, e deixa a maioria da juventude trabalhadora fora dela, conseguindo educação superior a preços altíssimos no mercado de diplomas que é o ensino privado.

E não é só na universidade que o governo Dilma utiliza os mesmos mecanismos e políticas do período da ditadura. O corte de pontos de categorias em greve, como aconteceu com o funcionalismo federal no último ano, é um exemplo. Também o são, ainda mais emblemáticos, a repressão policial, torturas, desaparecimentos e a utilização do exército para reprimir greves, como acontece nos casos das UHE’s de Belo Monte e Jirau, onde os operários que se revoltam contra as péssimas condições de trabalho são reprimidos pelo exército à mando do governo, em canteiros de obras levadas adiante por empresas como a Camargo Correa, a mesma que deu apoio civil e financeiro ao golpe e aos governos da ditadura. Nos canteiros das obras do PAC não é diferente, como aconteceu na violenta repressão à greve nas obras do porto de Suape-PE em 2012. Em Campos dos Goytacazes-RJ, militantes do MST também são mortos por latifundiários e o governo não se pronuncia. Nas favelas, periferias e bairros operários a juventude negra e trabalhadora segue sendo vítima constante da violência policial, e Belo Horizonte é também um foco de genocídio da população negra, como nos mostra o fato de BH ser a 7ª capital em mortes de jovens entre 15 e 24 anos, a maioria absoluta negros [1].

Tudo isso nos mostram resquícios da ditadura, que seguem na vida dos estudantes, trabalhadores, jovens e do povo pobre. E a memória e impunidade vivem nos corpos de 358 mortos, dentre estes 158 desaparecidos, até agora catalogados [2], de todos os perseguidos pela ditadura que em grande parte sequer foram anistiados não podendo ter de volta direitos que foram retirados como o próprio emprego e cargos públicos. Ao contrário dos militares, que foram todos anistiados, não havendo nenhuma condenação de civis e militares envolvidos com a ditadura. E tudo isso tende a seguir assim se esperamos do governo e de sua comissão nacional de verdade alguma resposta, esta comissão que diz buscar a verdade mas se nega a lutar pela justiça.

A participação da Juventude ás Ruas na Frente Independente por Memória, Verdade e Justiça para nós é necessária exatamente por estarmos neste marco de denúncia ao governo, que reprime a juventude negra e trabalhadora, que leva adiante um projeto de universidade ligado às grandes empresas, extremamente anti-democrático e elitista, e à sua comissão da verdade, uma farsa que, como é denunciado na frente, preza mais pela interlocução com os culpados pelas atrocidades da ditadura do que com os movimentos de direitos humanos, que há décadas vem acumulando material sobre o período. Exigimos a punição dos responsáveis, civis e militares, por torturas, mortes e desaparecimentos no período da ditadura!

Frente a tudo isso, o PT e o PCdoB, através da UNE, que chama confiança e busca ser aliada do governo nesta farsa que é a Comissão Nacional da Verdade levada adiante pela institucionalidade, e o Levante Popular da Juventude, que ganhou prêmios do governo pelas mãos de José Dirceu [3], são agentes no movimento estudantil para que se deixe passar a CNV sem questionamentos mais profundos aos seus limites, e sem uma organização dentro das entidades que controlam para que lutemos realmente pela punição a todos os responsáveis, civis e militares, pela ditadura. No caso do Levante, sua radicalidade na forma (escrachos à civis) esconde seu programa de apoio incondicional ao governo Dilma, que se mostrou quando estes, por exemplo, apoiaram a candidatura de Fernando Haddad(PT) em São Paulo, ao lado de Paulo Maluf, ex-governador biônico do período militar, ou quando permanecem em silêncio sobre a repressão às greves nos canteiros de obras do PAC como Suape e Jirau, ou às lutas no campo, como no caso da ocupação Milton Santos, quando estas se colocam contra o governo que defendem [4]. E tampouco se importam com a memória dos lutadores/as do período. Na UFMG foram coniventes com a remoção de um mural na faculdade de educação em homenagem à guerrilheira Walquiria Afonso Costa, morta em 1973 no Araguaia, que dá nome ao diretório acadêmico.

Queremos discutir com os estudantes a necessidade de que as entidades estudantis sejam militantes, que lutem junto aos familiares de mortos e desaparecidos, à organização de direitos humanos como o IHG, ex-presos, trabalhadores, movimentos socais e outras entidades pela recuperação da memória, para efetivar a verdade e a justiça.

Pela abertura dos arquivos da ditadura! Pela punição de civis e militares envolvidos! Contra a criminalização dos movimentos sociais! Para acabar com os resquícios da ditadura militar. Pelo fim do vestibular e pela estatização das universidades privadas! E juntos também queremos avançar para o necessário debate sobre a revogação da lei da anistia, esta que concede anistia total aos militares e parcial aos que combateram a ditadura.

[1] Repressão do Estado e dos governos em primeiro lugar aos jovens, negros e trabalhadores!, em http://lerqi. org/spip.php?article3668.

[2] Dossiê ditadura : mortos e desaparecidos políticos no Brasil, (1964-1985). Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, IEVE-Instituto de Estudos sobre a Violência do Estado ; [organizadoras desta edição, Criméia Shmidt de Almeida ... [et al.]. São Paulo : IEVE , Imprensa Oficial, 2009.

[3] Uma nova cara para um velho governismo, em http://lerqi. org/spip.php?article3758.

[4] Para resistir a iminência de despejo do acampamento, os assentados ocuparam a sede do Instituto Lula.




Por Uma Campanha Nacional Contra A Criminalização Dos Movimentos Sociais!

Por Juventude Às Ruas - BH

A repressão é um mecanismo concreto de dominação de classe. Quando os setores oprimidos, jovens, estudantes e trabalhadores se levantam e questionam suas condições de vida, trabalho e estudo, são prontamente respondidos com repressão do patrão, do reitor, do governo, do Estado. Porque a classe dominante necessita desse mecanismo para manter tudo na mais perfeita ordem: a ordem burguesa.

No último período vimos os mais diversos exemplos de repressão no Brasil e no mundo. Estudantes chilenos que saíram às ruas durante meses em luta pela educação pública, gratuita e de qualidade, foram constantemente reprimidos pela polícia que, inclusive, assassinou um jovem de apenas 14 anos. Em vários processos de luta em países da Europa, Oriente Médio, a situação foi a mesma. No Brasil, o governo federal Dilma/PT colocou seu exército para reprimir os trabalhadores de Jirau, que se revoltaram contra as péssimas condições de trabalho. Assassinatos de “sem terras” no campo. Nos movimentos de jovens, a repressão está presente nos atos contra o aumento da passagem, do ABC paulista à Teresina-PI, e vem sendo cada vez mais forte na Universidade. A UNIFESP e a USP em São Paulo foram palco de desocupações violentas que terminaram com dezenas de estudantes e trabalhadores presos. Hoje, mais de um ano após a reintegração de posse da reitoria da USP, os 72 presos políticos sofreram um ataque do Ministério Público e ainda correm o risco de responder processos judiciais por formação de quadrilha, entre outras absurdas acusações, o que pode leva-los presos por 8 anos. Esses estudantes foram presos justamente precisamente quando travavam uma luta contra a repressão policial nas universidades, favelas e periferias.

Na UFMG o cenário não é diferente. No ano passado a reitoria baixou uma portaria proibindo a livre organização em confraternizações dentro do campus. Além disso está perseguindo a vários estudantes. A diretoria da FAFICH fez o mesmo e foi mais além. Anunciou o fechamento de espaços estudantis e uma reforma do prédio que restringiria os espaços e a independência do movimento estudantil e seus espaços de organização, luta e confraternização. Logo após fechou a porta do CAFCA (Centro Acadêmico de Filosofia). A porta foi reaberta, mas o importante movimento que se gerou foi desmontado porque a direção do DA na época (os mesmos que estão agora em nosso DCE e no governo do país; o PT) falou que deveriamos confiar em reuniões com a diretoria ao invés da mobilização e luta independente dos estudantes. Resultado? Essas medidas seguem vigentes; tiremos as conclusões de que só sendo instrumentos de luta independentes das reitorias, diretorias e governos os centros estudantis (CA’s e DA’s) poderão derrotar a repressão!

Isso porque a repressão, enquanto um mecanismo de dominação de classe, é parte intrínseca do atual projeto de Universidade. O projeto não apenas nacional, mas mundial de Universidade, está pautada na privatização e precarização do ensino, da pesquisa, da educação, ou seja, da própria Universidade. Enquanto se avança na produção tecnológica e intelectual, avança também a criação de cursos pagos nas universidades públicas, na parceria com empresas privadas, na implementação de cada vez mais trabalho precário e terceirizado. Para se levar adiante esse projeto, várias medidas são tomadas pela reitoria e seus aliados – governos e sua polícia. Desde o cerceamento dos espaços de socialização e vivência, como as festas e atividades sociais dentro do campus, que não só são espaços de lazer onde os estudantes podem se conhecer e se divertir, como também podem discutir e se politizar; até a repressão direta a cada estudante e trabalhador que se levanta para questionar esse projeto privatizante, a precarização, as péssimas condições de trabalho e estudo.


Frente a esses ataques nós, da Juventude às Ruas, reivindicamos que os CA’s, DA’s (começando pelo da FAFICH, onde podemos ajudar!) e o DCE devem construir uma campanha em que toda juventude, estudantes e trabalhadores se coloquem na linha de frente da luta contra a repressão. Para barrar tal projeto de Universidade e avançar para a construção de outra Universidade, que seja realmente pública, gratuita, de qualidade e para todos, com toda sua produção tecnológica e intelectual voltada aos interesses da ampla maioria da população – a classe trabalhadora –, é necessário que se coloque ofensivamente contra a repressão, que vem justamente para impedir que se questione e lute. É necessário que a juventude e o Movimento Estudantil estejam ao lado dos trabalhadores de Jirau reprimidos pelo exército de Dilma; dos trabalhadores do movimento sem terra assassinados no campo; jovens e trabalhadores diariamente mortos pelas mãos da polícia nos morros e favelas; dos estudantes que lutam contra o aumento da passagem e são reprimidos pela polícia em vários lugares do país e dos 72 estudantes e trabalhadores da USP ameaçados pelo MP!; dos estudantes que lutam contra o aumento da passagem e são reprimidos pela polícia em vários lugares do país; e de todos os jovens e trabalhadores que vem sendo reprimidos em suas mobilizações ao redor do mundo!