Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

FRENTE INDEPENDENTE PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA - MG

Uma campanha militante para lutarmos por Memória, Verdade e Justiça!

Juventude Às Ruas - frente Belo Horizonte, MG

A universidade pública brasileira permanece repleta de resquícios institucionais da ditadura militar. A maior delas, a USP, tem como um dos pilares de seu regimento disciplinar o decreto 477/72, de um dos períodos mais sangrentos da ditadura, que prevê a eliminação da universidade para qualquer membro da comunidade acadêmica que se agrupe em organização política ou participe de mobilizações, e a reitoria desta universidade vem usando descaradamente este decreto para levar adiante processos contra estudantes e trabalhadores que lutam contra seu projeto privatista de universidade.
Na UFMG não é diferente, pois temos uma estrutura de poder antidemocrática herdada da ditadura, através da qual se leva adiante repressão a todos que lutam contra o avanço de seu projeto de universidade do trabalho precário nas terceirizações, das pesquisas à serviço das grandes empresas, etc. E não faltam tentativas de aprovar através desta mesma estrutura de poder instrumentos como o Código de Convivência Discente, que em pleno governo de Dilma (onde quem escolhe o reitor das universidades federais é a própria presidenta) não deixa nada a desejar ao Decreto 477/72, estipulando punições para estudantes que se mobilizem. Mais uma herança que compartilhamos da ditadura militar é o vestibular classificatório (que esconde a falta de vagas na universidade pública brasileira através de seu mecanismo excludente) e a privatização da educação. O governo militar instituiu este modo de ingresso nas universidades combinando-o com estímulos ao ensino privado, ensino este que hoje é um grande negócio, controlado por barões do ensino (Anhanguera, Pitágoras, UNIP, etc), com financiamento e o aval dos governos Lula e Dilma, através de seus PROUNI e PRONATEC. Na realidade o vestibular é um filtro de classe, que mantém o caráter elitista da universidade pública, e deixa a maioria da juventude trabalhadora fora dela, conseguindo educação superior a preços altíssimos no mercado de diplomas que é o ensino privado.

E não é só na universidade que o governo Dilma utiliza os mesmos mecanismos e políticas do período da ditadura. O corte de pontos de categorias em greve, como aconteceu com o funcionalismo federal no último ano, é um exemplo. Também o são, ainda mais emblemáticos, a repressão policial, torturas, desaparecimentos e a utilização do exército para reprimir greves, como acontece nos casos das UHE’s de Belo Monte e Jirau, onde os operários que se revoltam contra as péssimas condições de trabalho são reprimidos pelo exército à mando do governo, em canteiros de obras levadas adiante por empresas como a Camargo Correa, a mesma que deu apoio civil e financeiro ao golpe e aos governos da ditadura. Nos canteiros das obras do PAC não é diferente, como aconteceu na violenta repressão à greve nas obras do porto de Suape-PE em 2012. Em Campos dos Goytacazes-RJ, militantes do MST também são mortos por latifundiários e o governo não se pronuncia. Nas favelas, periferias e bairros operários a juventude negra e trabalhadora segue sendo vítima constante da violência policial, e Belo Horizonte é também um foco de genocídio da população negra, como nos mostra o fato de BH ser a 7ª capital em mortes de jovens entre 15 e 24 anos, a maioria absoluta negros [1].

Tudo isso nos mostram resquícios da ditadura, que seguem na vida dos estudantes, trabalhadores, jovens e do povo pobre. E a memória e impunidade vivem nos corpos de 358 mortos, dentre estes 158 desaparecidos, até agora catalogados [2], de todos os perseguidos pela ditadura que em grande parte sequer foram anistiados não podendo ter de volta direitos que foram retirados como o próprio emprego e cargos públicos. Ao contrário dos militares, que foram todos anistiados, não havendo nenhuma condenação de civis e militares envolvidos com a ditadura. E tudo isso tende a seguir assim se esperamos do governo e de sua comissão nacional de verdade alguma resposta, esta comissão que diz buscar a verdade mas se nega a lutar pela justiça.

A participação da Juventude ás Ruas na Frente Independente por Memória, Verdade e Justiça para nós é necessária exatamente por estarmos neste marco de denúncia ao governo, que reprime a juventude negra e trabalhadora, que leva adiante um projeto de universidade ligado às grandes empresas, extremamente anti-democrático e elitista, e à sua comissão da verdade, uma farsa que, como é denunciado na frente, preza mais pela interlocução com os culpados pelas atrocidades da ditadura do que com os movimentos de direitos humanos, que há décadas vem acumulando material sobre o período. Exigimos a punição dos responsáveis, civis e militares, por torturas, mortes e desaparecimentos no período da ditadura!

Frente a tudo isso, o PT e o PCdoB, através da UNE, que chama confiança e busca ser aliada do governo nesta farsa que é a Comissão Nacional da Verdade levada adiante pela institucionalidade, e o Levante Popular da Juventude, que ganhou prêmios do governo pelas mãos de José Dirceu [3], são agentes no movimento estudantil para que se deixe passar a CNV sem questionamentos mais profundos aos seus limites, e sem uma organização dentro das entidades que controlam para que lutemos realmente pela punição a todos os responsáveis, civis e militares, pela ditadura. No caso do Levante, sua radicalidade na forma (escrachos à civis) esconde seu programa de apoio incondicional ao governo Dilma, que se mostrou quando estes, por exemplo, apoiaram a candidatura de Fernando Haddad(PT) em São Paulo, ao lado de Paulo Maluf, ex-governador biônico do período militar, ou quando permanecem em silêncio sobre a repressão às greves nos canteiros de obras do PAC como Suape e Jirau, ou às lutas no campo, como no caso da ocupação Milton Santos, quando estas se colocam contra o governo que defendem [4]. E tampouco se importam com a memória dos lutadores/as do período. Na UFMG foram coniventes com a remoção de um mural na faculdade de educação em homenagem à guerrilheira Walquiria Afonso Costa, morta em 1973 no Araguaia, que dá nome ao diretório acadêmico.

Queremos discutir com os estudantes a necessidade de que as entidades estudantis sejam militantes, que lutem junto aos familiares de mortos e desaparecidos, à organização de direitos humanos como o IHG, ex-presos, trabalhadores, movimentos socais e outras entidades pela recuperação da memória, para efetivar a verdade e a justiça.

Pela abertura dos arquivos da ditadura! Pela punição de civis e militares envolvidos! Contra a criminalização dos movimentos sociais! Para acabar com os resquícios da ditadura militar. Pelo fim do vestibular e pela estatização das universidades privadas! E juntos também queremos avançar para o necessário debate sobre a revogação da lei da anistia, esta que concede anistia total aos militares e parcial aos que combateram a ditadura.

[1] Repressão do Estado e dos governos em primeiro lugar aos jovens, negros e trabalhadores!, em http://lerqi. org/spip.php?article3668.

[2] Dossiê ditadura : mortos e desaparecidos políticos no Brasil, (1964-1985). Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, IEVE-Instituto de Estudos sobre a Violência do Estado ; [organizadoras desta edição, Criméia Shmidt de Almeida ... [et al.]. São Paulo : IEVE , Imprensa Oficial, 2009.

[3] Uma nova cara para um velho governismo, em http://lerqi. org/spip.php?article3758.

[4] Para resistir a iminência de despejo do acampamento, os assentados ocuparam a sede do Instituto Lula.




Por Uma Campanha Nacional Contra A Criminalização Dos Movimentos Sociais!

Por Juventude Às Ruas - BH

A repressão é um mecanismo concreto de dominação de classe. Quando os setores oprimidos, jovens, estudantes e trabalhadores se levantam e questionam suas condições de vida, trabalho e estudo, são prontamente respondidos com repressão do patrão, do reitor, do governo, do Estado. Porque a classe dominante necessita desse mecanismo para manter tudo na mais perfeita ordem: a ordem burguesa.

No último período vimos os mais diversos exemplos de repressão no Brasil e no mundo. Estudantes chilenos que saíram às ruas durante meses em luta pela educação pública, gratuita e de qualidade, foram constantemente reprimidos pela polícia que, inclusive, assassinou um jovem de apenas 14 anos. Em vários processos de luta em países da Europa, Oriente Médio, a situação foi a mesma. No Brasil, o governo federal Dilma/PT colocou seu exército para reprimir os trabalhadores de Jirau, que se revoltaram contra as péssimas condições de trabalho. Assassinatos de “sem terras” no campo. Nos movimentos de jovens, a repressão está presente nos atos contra o aumento da passagem, do ABC paulista à Teresina-PI, e vem sendo cada vez mais forte na Universidade. A UNIFESP e a USP em São Paulo foram palco de desocupações violentas que terminaram com dezenas de estudantes e trabalhadores presos. Hoje, mais de um ano após a reintegração de posse da reitoria da USP, os 72 presos políticos sofreram um ataque do Ministério Público e ainda correm o risco de responder processos judiciais por formação de quadrilha, entre outras absurdas acusações, o que pode leva-los presos por 8 anos. Esses estudantes foram presos justamente precisamente quando travavam uma luta contra a repressão policial nas universidades, favelas e periferias.

Na UFMG o cenário não é diferente. No ano passado a reitoria baixou uma portaria proibindo a livre organização em confraternizações dentro do campus. Além disso está perseguindo a vários estudantes. A diretoria da FAFICH fez o mesmo e foi mais além. Anunciou o fechamento de espaços estudantis e uma reforma do prédio que restringiria os espaços e a independência do movimento estudantil e seus espaços de organização, luta e confraternização. Logo após fechou a porta do CAFCA (Centro Acadêmico de Filosofia). A porta foi reaberta, mas o importante movimento que se gerou foi desmontado porque a direção do DA na época (os mesmos que estão agora em nosso DCE e no governo do país; o PT) falou que deveriamos confiar em reuniões com a diretoria ao invés da mobilização e luta independente dos estudantes. Resultado? Essas medidas seguem vigentes; tiremos as conclusões de que só sendo instrumentos de luta independentes das reitorias, diretorias e governos os centros estudantis (CA’s e DA’s) poderão derrotar a repressão!

Isso porque a repressão, enquanto um mecanismo de dominação de classe, é parte intrínseca do atual projeto de Universidade. O projeto não apenas nacional, mas mundial de Universidade, está pautada na privatização e precarização do ensino, da pesquisa, da educação, ou seja, da própria Universidade. Enquanto se avança na produção tecnológica e intelectual, avança também a criação de cursos pagos nas universidades públicas, na parceria com empresas privadas, na implementação de cada vez mais trabalho precário e terceirizado. Para se levar adiante esse projeto, várias medidas são tomadas pela reitoria e seus aliados – governos e sua polícia. Desde o cerceamento dos espaços de socialização e vivência, como as festas e atividades sociais dentro do campus, que não só são espaços de lazer onde os estudantes podem se conhecer e se divertir, como também podem discutir e se politizar; até a repressão direta a cada estudante e trabalhador que se levanta para questionar esse projeto privatizante, a precarização, as péssimas condições de trabalho e estudo.


Frente a esses ataques nós, da Juventude às Ruas, reivindicamos que os CA’s, DA’s (começando pelo da FAFICH, onde podemos ajudar!) e o DCE devem construir uma campanha em que toda juventude, estudantes e trabalhadores se coloquem na linha de frente da luta contra a repressão. Para barrar tal projeto de Universidade e avançar para a construção de outra Universidade, que seja realmente pública, gratuita, de qualidade e para todos, com toda sua produção tecnológica e intelectual voltada aos interesses da ampla maioria da população – a classe trabalhadora –, é necessário que se coloque ofensivamente contra a repressão, que vem justamente para impedir que se questione e lute. É necessário que a juventude e o Movimento Estudantil estejam ao lado dos trabalhadores de Jirau reprimidos pelo exército de Dilma; dos trabalhadores do movimento sem terra assassinados no campo; jovens e trabalhadores diariamente mortos pelas mãos da polícia nos morros e favelas; dos estudantes que lutam contra o aumento da passagem e são reprimidos pela polícia em vários lugares do país e dos 72 estudantes e trabalhadores da USP ameaçados pelo MP!; dos estudantes que lutam contra o aumento da passagem e são reprimidos pela polícia em vários lugares do país; e de todos os jovens e trabalhadores que vem sendo reprimidos em suas mobilizações ao redor do mundo!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Letras USP: Sobre a polêmica aberta em torno da nota de Nelson, diretor do CAELL

Em primeiro lugar queremos saudar a iniciativa de Nelson de colocar publicamente suas posições para que sejam debatidas. Diferente do que dizem os companheiros do “Temos a dizer: Basta!”, consideramos fundamental que os diretores do Centro Acadêmico coloquem abertamente suas posições individuais para que sejam debatidas publicamente. O que os companheiros do “Basta” propõem é que quando um estudante assume o Caell como diretor ele perde seu direito de expressar as posições políticas individuais, mesmo quando estas não estão expressas no programa da gestão. É uma concepção burocrática de Centro Acadêmico. O debate aberto das posições políticas é a melhor forma de fazer avançar o movimento, e é fundamental que todos os estudantes saibam que há distintas posições acerca de uma pauta dentro da gestão do CAELL, e que estes debates não sejam resolvidos a portas fechadas pela gestão, mas sim em assembleias onde a base irá decidir qual posição representa o curso. Esta posição do Basta de querer impedir a expressão individual dos diretores do CAELL é bastante complementar à que defendia junto ao PSTU em sua chapa “Outra Margem”, em que diziam que o mais democrático são reuniões do CAELL permanentemente abertas a voz e voto, nas quais quem decidiria tudo não seria a base do curso, mas sim aqueles que dispõe do tempo necessário para estar nestas reuniões toda semana. É um discurso que se passa por democrático, mas esconde por trás de si uma lógica que restringe a democracia a um pequeno setor. Inclusive, ressaltamos que a Juventude às Ruas compõe a diretoria do CAELL como minoria, com uma diretora na entidade, Jéssica, e que esta resposta expressa também suas posições, que defendemos que devem poder ser colocadas abertamente, inclusive quando em desacordo com a maioria da gestão do CAELL.
Repudiamos também a confusão deliberada que tenta provocar o PSTU ao responder a carta de Nelson, tentando fazer passar sua posição individual pela de toda a gestão Caxangá. Quando Nelson se pronunciou, deixou claro que tratava-se de uma posição individual. Os militantes do PSTU sabem disto, mas preferem criar uma confusão proposital em seu afã de criticar a gestão a qualquer pretexto.
Consideramos negativo que um debate tão acalorado tenha se aberto em torno de uma questão tão secundária e de método, em um momento em que sofremos gravíssimos ataques como a denúncia do Ministério Público ou a implementação do PIMESP. Pensamos que todos os debates sobre formas organizativas do movimento devem estar subordinados às necessidades políticas de travar estas lutas, e que os grupos políticos como o Basta e PSTU deveriam priorizar os debates em torno destas pautas. Este debate que prioriza os métodos organizativos e as disputas entre a vanguarda em detrimento de massificar o movimento pelas bases a partir das discussões políticas fundamentais que temos hoje se expressou de forma bastante prejudicial na própria assembleia, quando a proposta de como se organizariam as falas tomou mais de uma hora no período da manhã, reduzindo a discussão política e afastando diversos estudantes, em particular os calouros. Os que estão preocupados em efetivamente mobilizar os estudantes por estas pautas devem fazer um balanço sério a respeito disto.


A proposta de divisão das falas é “anti-partidária” ou “anti-democrática”?

Em primeiro lugar queremos debater o conteúdo da proposta de Nelson. Cabe dizer que é muito provável que sua ideia de propor uma fala mais longa para as organizações e o restante para os independentes muito provavelmente tenha vindo de sua experiência pessoal com as assembleias gerais, em que nós da Juventude às Ruas fizemos diversas vezes esta proposta. A única vez que foi aprovada, no entanto, foi em uma assembleia da greve de 2011.
Por que fizemos esta proposta? Bom, os estudantes que já tenham participado de assembleias gerais, particularmente nos momentos de mobilização, já viram que são dezenas os que querem falar e expressar suas opiniões. Infelizmente, não há tempo de assembleia que dê conta disto. De alguns anos para cá, o movimento adotou uma resposta para este problema extremamente infeliz: sortear as falas. Ou seja, o que decide quem tem o direito de falar ou não é a “sorte”. Isto passou a fazer com que as correntes políticas inscrevessem absolutamente todos os seus militantes, para que pelos menos um fosse sorteado e eles pudessem expressar sua opinião. Enquanto isto, os independentes tinham muito menos chance de se expressar, pois não tinham como inscrever cinco, dez ou vinte pessoas para que o sorteio garantisse pelo menos dois minutos para suas ideias. Há alguém que possa defender este método como democrático?
Diante disto, começaram a surgir outras propostas. O PCO habitualmente propõe que não existam falas, mas apenas defesa das propostas. Nos parece absurda esta proposta, que em um fórum político da maior importância não haja um momento de debate e exposição das ideias antes que as decisões sejam tomadas. Nós, então, apresentamos outra proposta, de que se garantisse uma fala com mais tempo para cada corrente expressar suas ideias, e que o restante das falas fosse reservado aos estudantes independentes. Isto garante maior possibilidade de que eles expressem suas opiniões; ao mesmo tempo, garante que todas as correntes políticas tenham um tempo de fala para se expressar, reconhecendo assim a legitimidade da expressão dos partidos; e também faz com que as organizações possam se expressar igualmente, disputando a legitimidade de suas ideias na base dos estudantes e não pelo número de militantes inscritos. A justeza desta proposta fica clara para quem foi à última assembleia geral, em que os presentes foram obrigados a ouvir uma interminável repetição de falas dos militantes do MES-PSOL e PSTU, colocando exaustivamente as posições políticas da gestão do DCE, enquanto os independentes foram limados pelo “democrático” sorteio de falas.
Ao contrário do que diz agora demagogicamente o PSTU e também recorrentemente o PSOL, a proposta de divisão das falas nada tem a ver com um anti-partidarismo. Tem a ver com garantir a possibilidade de que os partidos tenham garantido a possibilidade de se expressarem, bem como os independentes, que não serão calados por um absurdo sorteio de falas. Chega a ser ridícula a comparação que faz o PSTU entre a proposta de dividir as falas na assembleia e a repressão às organizações políticas do período da ditadura, querendo afirmar que “a posição que toma a gestão Caxangá ao elencar tantas calúnias e falsas polêmicas é o mesmo lado que toma o estatuto da USP, por exemplo, ao proibir manifestações de caráter político e ideológico: o lado da direita.” É no mínimo uma falta de honestidade intelectual comparar uma proposta de organização de assembleia com um estatuto da época da ditadura que aplica suspensões, demite trabalhadores, expulsa estudantes e move dezenas de processos contra ativistas por motivos políticos. A que serve esta comparação absolutamente descabida se não ao oportunismo de querer qualificar a gestão do Caell, sem fundamento algum, como uma gestão “direitista” e “despolitizada”? É um debate político rasteiro e mesquinho que não pode ajudar o movimento a avançar.


Esta proposta era adequada na assembleia da letras?

Como dissemos no início, esta é uma questão organizativa e, portanto, tática.
Tomamos este termo de empréstimo da terminologia militar, dizendo que tático é tudo aquilo que é pontual, secundário, e que deve estar subordinado a nossos fins estratégicos, ou seja, a nossa meta final, nosso objetivo maior. Então, consideramos que a divisão das falas entre independentes e organizações é algo adequado ou não dependendo do momento, subordinando esta questão organizativa às nossas necessidades políticas. Em assembleias gerais massivas, é algo adequado para garantir a democracia.

Contudo, estamos falando de uma assembleia de curso, com um quórum muito menor, muito menos pessoas querendo falar, muito menos possibilidades de que não haja tempo hábil para que todos falem. É necessário dividir as falas? A única resposta correta é: depende. Não temos problema algum em dizer publicamente que, entre os próprios militantes da Juventude às Ruas, havia divergências a este respeito. Discutimos previamente e no momento da assembleia, e alguns achavam que poderia ser bom, outros não. Concordamos, no entanto, que foi extremamente prejudicial que a discussão sobre como seriam as falas tomasse mais de uma hora de assembleia e se sobrepusesse ao debate das pautas políticas.
Isto, em nosso entendimento, é fruto de uma atitude bastante infantil de diversas correntes políticas, que fizeram disto um tremendo “cavalo de batalha”, apresentando inúmeras questões de ordem e impedindo que a mesa encaminhasse rapidamente esta votação. Isto foi, inclusive, bem pouco democrático com os calouros presentes, que pouco podiam entender acerca do enorme e desproporcional debate em torno desta questão.

Assim, como alguns devem ter percebido, no período noturno nossos militantes votaram em distintas propostas: os que achavam melhor as falas divididas votaram na proposta do Caell; os outros não. Porque para nós esta questão era bastante secundária em relação às questões políticas da assembleia.


A democracia no movimento só pode vir através de entidades proporcionais e auto-organização nos momentos de luta!

Nós da Juventude às Ruas continuamos lutando incansavelmente por um movimento estudantil que seja massivo e democrático, não como um fim em si mesmo, mas porque sabemos que esta é a única forma de levar adiante um programa de democratização radical da universidade, que possa começar por combater os processos aos 72, as expulsões, a demissão de Brandão e toda a forma de perseguição política na universidade, e avançar no sentido de construir sólidas alianças com a classe trabalhadora e a juventude pobre e negra que está de fora das universidades para lutarmos por objetivos muito maiores. Nossa meta é uma universidade sem vestibular, dirigida democraticamente por professores, funcionários e a maioria estudantil, que produza um conhecimento a serviço das necessidades de todo o povo pobre e dos trabalhadores ao invés do lucro de um punhado de empresários.
Por isto defendemos que as entidades estudantis, fruto da organização histórica dos estudantes, sejam uma ferramenta de frente-única dos estudantes, ou seja, que todas as concepções políticas que existam na base dos cursos possam se expressar através das entidades. Há, por exemplo, hoje, um debate vivo sobre qual programa levantar para combater o PIMESP: se são as cotas ou o fim do vestibular e estatização das universidades privadas. O melhor para o movimento é que o CAELL seja uma ferramenta para levar o debate sobre estas posições para cada estudante da Letras, e que as duas posições tenham expressão inclusive na diretoria da entidade, pois a entidade deve ser uma ferramenta de todos os estudantes. Para isto, defendemos as gestões proporcionais, onde cada chapa ocuparia uma parte da diretoria da entidade em proporção ao número de votos que receba nas eleições.
Nos momentos de mobilização, sempre surgem problemas como assembleias gerais massivas, que na realidade tendem a ser pouco democráticas porque é difícil que todas as posições consigam se expressar. As assembleias de curso são espaços muito mais propícios para a discussão. Por isto consideramos fundamental que a proposta que fizemos na greve de 2011 e foi aprovada – a criação de um Comando de Greve – seja implementada sempre que houver mobilização. O Comando é constituído por delegados eleitos nas assembleias de curso de acordo com as posições defendidas, e pode ser revogado e substituído por outro a qualquer momento. É a forma mais democrática de organizar os estudantes nos momentos de mobilização, e é a isto que chamamos auto-organização.

quarta-feira, 27 de março de 2013

INÍCIO DE INCÊNDIO PÕEM EM RISCO TRABALHADORES, ESTUDANTES E PROFESSORES DO IFCH!



por Gabriel Biro

Na sexta feira da semana passada, mais uma vez a revolta tomou conta do IFCH. Um início de incêndio, devido a um curto-circuito na sala de equipamentos do prédio da pós-graduação, colocou em risco, não só todo o prédio, mas a vida de trabalhadores, professores e estudantes.
Não há duvida para ninguém dos problemas trazidos pela precarização do trabalhado e a terceirização dos serviços em nossa universidade. Não é a primeira vez que nos deparamos com situações catastróficas aqui na Unicamp. Pelo contrario, tem sido cada vez mais recorrente nos últimos anos. Fazendo uma breve retrospectiva temos: incêndio da biblioteca do IEL semanas atrás, alagamento da biblioteca do IEL no final do ano passado, alagamento da biblioteca do IFCH em 2010, destruição de arquivos do AEL em 2009, a biblioteca do IFCH, recém-inaugurada, já tem problemas de vazamento. .
Todos estes aparentes “acidentes” têm responsáveis, nomes e endereços. E o principal deles se chama REItoria, que agora será representado pela “figura carismática” de Tadeu Jorge! Esta REItoria que recebeu milhões com os “super salários”, um fraudulento escândalo de corrupção descoberto ano passado, é a mesma que congelou a contratação de funcionários e passou a terceirizar seus postos de trabalho. Esta política nefasta, unida com o completo descaso, é a causa primeira de cada uma das catástrofes que vem, cada dia piores, assolando a Unicamp, agora colocando vidas em risco, principalmente as faculdades mais precarizadas, como são as de humanas.
No caso do IFCH, por exemplo, restou um, apenas um(!), trabalhador responsável pela manutenção de todo e supervisão de todos os prédios, enquanto todos os serviços de limpeza, que inclusive é uma parte da manutenção, foi terceirizado. Ou seja, uma política direta de precarização do trabalho, onde um trabalhador deve cumprir o papel de uma dúzia, enquanto as trabalhadoras terceirizadas recebem salários miseráveis e sem nenhum direito básico, consideradas uma parte “alheia” a universidade, além de serem submetidas jornadas desumanas de trabalho, nas piores condições que se possa imaginar. Por outro lado as empresas terceirizadas contratadas nas construções não tem a menor responsabilidade com o patrimônio e o dinheiro público, seu objetivo exclusivo é o lucro. Isto para não falar das inúmeras vezes que as empresas terceirizadas falem deixando obras abandonadas e trabalhadores sem salário e emprego por todo o campus, como aconteceu inúmeras vezes aqui no IFCH; ou então dos problemas de saúde e acidentes de trabalho que sofrem cotidianamente os trabalhadores destas empresas. A destruição dos acervos e a ruína da saúde física dos trabalhadores deixam evidente que essas trabalhadoras terceirizadas tem de receber os mesmos direitos de um trabalhador da Unicamp, e ser incorporadas ao quadro de funcionários efetivos da universidade, acabando com a divisão e a precarização do trabalho.
Cada uma dessas catástrofes que vem acontecendo na Unicamp, de inundação a incêndio, não são acidentais, são criminosos! Crimes de uma REItoria corrupta que enche os bolsos dos donos das empresas terceirizadas e precariza o trabalho e as estruturas da universidade.
Quantos incêndios mais serão necessários? Quantas inundações? Quantas vidas em risco? O movimento estudantil precisa levantar uma campanha urgente contra esta política nefasta de REItoria, dando uma solução de uma vez por todas para isto! Junto aos trabalhadores efetivos e terceirizados podemos impor a contratação de novos funcionários, a expulsão das empresas terceirizadas, e a incorporação imediata dos trabalhadores terceirizados,  sem a necessidade de concurso publico!
Convocamos os estudantes do IFCH e o CACH a construir, assim como fizemos em 2010, uma ampla campanha unificada contra a precarização das estruturas e do trabalho no IFCH!

domingo, 24 de março de 2013

Juventude Às Ruas – Rio de Janeiro organiza importante seminário sobre questão negra


Por Ana Carolina Oliveira, estudante de Serviço Social da UERJ e Jenifer Tristan

A Juventude Às Ruas - Rio de Janeiro (LER-QI + Independentes) organizou um importante seminário com o tema "Marxismo, questão negra e revolução no Brasil" para abrir as discussões e reflexões sobre como a questão negra é crucial para pensar um processo revolucionário no Brasil. A partir de reflexões iniciais e o resgate da história dos negros internacionalmente e em especial no Brasil, partimos de regatar a nossa história de luta desde as várias revoltas quilombolas e diversas formas de resistência negra neste país, parte da nossa história que não nos ensinam nas escolas para fazer-nos crer que a escravidão foi passiva. Pensar a revolução brasileira é também parte fundamental de ver que a história dos negros sempre foi de revoltas e resistências, com o maior quilombo da Américas que foi o Quilombo dos Palmares e todas as ações do negrxs de resistências, fugas, envenenamento de senhores, incêndios nos engenhos são as primeiras expressões de luta de classes no Brasil.

O Brasil de hoje foi criado sobre as bases da escravidão e é na marca das condições de vida dos setores mais explorados que vemos a herança da escravidão. Por trás dos postos de trabalho precário, das moradias precárias nos morros, favelas e periferias, no alvo fácil da repressão sistemática nas mãos da policia que mais mata no mundo, na maior parte da população carcerária, vemos os negros e negras hoje.




A esquerda em diversos momentos de sua trajetória nunca deu a centralidade necessária para debater a questão negra, seja porque acreditava que esta questão dividia a classe trabalhadora ou ignorando a dinâmica racial, colocando como única pauta a revolução e como se esta fosse pensável sem os negros e o combate ao racismo em um país que foi o maior país escravocrata do mundo. No Movimento Negro diversos setores não colocam a luta pelos direitos dos negros como parte da mesma trincheira da classe trabalhadora. Para superar este atraso histórico precisamos resgatar o legado do marxismo, que desde sua origem sempre deu como tarefa central a libertação da mulher e dos negros, como parte fundamental de libertação da humanidade.

A expressão destes atrasos históricos primeiramente da esquerda ao não enxergar a questão negra como parte fundamental da perspectiva revolucionaria, nunca a fez ser uma alternativa real para os negros e para o próprio movimento negro. Isso faz com que hoje estes setores se limitem a defender demandas mínimas extramente insuficientes como são as cotas raciais, que apesar de ser um avanço não respondem a altura da precarização e elitismo nas universidades e mantém vários milhões de jovens negros e pobres fora das universidades.

 O debate no seminário além de se debruçar neste pontos, também debateu ativamente a situação do negro em nossa cidade em meio a sua profunda transformação para atender aos projetos da elite. Na menina dos olhos de Dilma, Cabral e Paes, frente a preparação do País que vai sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, vivemos em base a um projeto de cidade privatista, de remoções, higienista que varre das ruas o conjunto dos negros e pobres, militarização as favelas a partir das UPP’s, remove milhares de moradores para dar lugar a especulação imobiliária, além de um projeto de Lei que proíbe qualquer tipo de manifestação nos meses antes destes megaevento, o AI5 da Copa. O principal alvo desta ofensiva privatista e militarista é a população trabalhadora, e sua ampla maioria são os negros. 

Diante deste cenário debatemos as tarefas de uma um juventude revolucionária que deve dar uma resposta a altura e se colocar a tarefa de atingir amplos setores desde a perspectiva da transformação revolucionária desta sociedade como aliada da classe trabalhadora.  O avanço da discussão e reflexão sobre a questão negra, somado a papel que cumpre a juventude e o peso que tem o proletariado negro no Rio de Janeiro pode e deve ser um aporte para a luta dos negros no Brasil e no mundo todo.

Com esta imensa tarefa e desafio, mesmo que ainda só com um pontapé inicial deste seminário que continuaremos com diversas outras atividades, ele foi um marco para todos presente e serve de um ótimo começo para nos fazermos à altura deste imenso desafio de relembrar a história da luta dos negros e da classe trabalhadora para acabar definitivamente com as heranças da escravidão e abrir caminho a um a nova sociedade e humanidade, o socialismo. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Repressão e remoção da Aldeia Maracanã: pela liberdade dos presos e construção urgente de um forte movimento!


Um cenário de guerra digno da história da elite brasileira. Hoje o governador Sérgio Cabral mostrou-se na aldeia Maracanã como digno representante da elite brasileira, construída em cima do massacre indígena, do sequestro e escravidão negra e do latifúndio. A brutal repressão que seu governo através da tropa de choque realizou contra os índios e manifestantes que ocupavam o antigo Museu do Índio é uma mostra do velho Brasil sendo reescrito para continuar a história de repressão às massas e entrega de propriedade aos milionários (como o próprio Eike que administrará o Maracanã e seu entorno).
A dura repressão, planos de destruição do edifício, prisão de manifestantes foi uma clara mostra de até onde querem ir os governos Dilma, Cabral e Paes neste projeto repressivo e para a elite que estão fazendo com a desculpa da Copa e Olímpiadas, das UPPs à repressão a ocupações e proibições de greve. No lugar da Aldeia Maracanã querem construir uma área de estacionamento (e escoamento de torcedores) e um museu das Olímpiadas. No lugar de uma moradia e mostra da resistência deste povos massacrados a 513 anos neste país, Cabral busca erguer um negócio a vantajoso a seu amigo Eike.
A Aldeia Maracanã era uma aldeia construída a partir da ocupação de um antigo Museu do Índio, patrimônio histórico abandonado pelo Estado e recuperado por índios de diversas etnias de todo o país. Ela se constituía como “hotel e embaixada” no Rio e abrigo para alguns dos milhares de indígenas que fruto da concentração de terras foram expulsos para a cidade e encontravam abrigo ali.
Na duríssima repressão Cabral e sua polícia não pouparam índios, crianças, mulheres grávidas e nem repórteres. Sua sanha para remover os índios e manifestantes do terreno ao lado do Maracanã é a mesma sanha que seu governo mostra para remover outros milhares de casas e ocupações com as desculpas da Copa e Olímpiadas, para reprimir greves da construção civil.
O ataque a Aldeia Maracanã é um ataque a todos trabalhadores do Rio. A repressão a este ponto de resistência a um projeto de cidade privatista, higienista e racista, é um ataque que logo se fará sentir com igual ou maior força as ocupações urbanas que restam no centro e região portuária, aos que estão no caminho das obras de BRTs e outros projetos, e aos trabalhadores sob ameaça de proibição de direito de greve durante os grandes eventos (Lei da Copa, PLS 722).
Não podemos deixar que este caminho que só serve aos Eike Batista, Cavendish, vença. É urgente colocar de pé um grande movimento pela liberdade dos companheiros que ainda se encontram presos e pela retirada de todos processos criminais! Pelo direito à terra, território e moradia dos índios! Por um forte e urgente movimento a partir dos sindicatos, entidades estudantis, populares e de direitos humanos para que a luta da Aldeia Maracanã seja um ponto de partida para lutar pelo direito de greve, moradia, organização e expressão em meio a Copa do mundo e Olímpiadas! Por uma coordenação a partir de representantes dos locais de moradia, trabalho e estudo, das lutas dos índios, dos trabalhadores e da juventude!

JUVENTUDE ÀS RUAS - Rio de Janeiro - CONVIDA: SEMINÁRIO MARXISMO, QUESTÃO NEGRA E REVOLUÇÃO NO BRASIL


Há 6 anos do inicio da crise capitalista são antes de mais nada as massas trabalhadoras, sobretudo os jovens, os imigrantes e os negros que sofrem as conseqüências do imperialismo e as distintas burguesias buscarem descarregar sobre suas costas a crise. Vemos isto na perseguição do Estado e do neonazismo aos imigrantes africanos na Grécia, às absurdas proibições de atendimento médico aos sem documentos no Estado Espanhol. Em nosso país, que ainda não sofre as conseqüências mais drásticas da crise, vemos os setores mais precários da classe trabalhadora sofrerem duríssimas condições de trabalho nas obras do PAC e sofrerem repressão policial do governo Dilma nas mesmas.

Nosso país é inegável herdeiro da escravidão, continuada nas piores condições de moradia e trabalho dos negros. Na violência policial, no sistema prisional. Construirmos uma juventude revolucionária em nossa época e em nosso país passa necessariamente por enfrentar esta herança histórica e sua reprodução atual!

Precisamos afiar as armas da crítica, partindo dos aportes do marxismo para pensar a questão negra, para enfrentarmos esta questão estrutural em nosso país. Precisamos recuperar o papel da luta dos negros na construção do país e como a elite e o Estado brasileiro se construíram mediante a repressão das massas, particularmente negras. Não haverá revolução em nosso país sem a mobilização revolucionária da maioria negra da população e particularmente da classe trabalhadora. Não há como pensar uma revolução em nosso país que não coloque em seu centro o combate e destruição do racismo.

Nos propomos a construir um grande acampamento e seminário no final de Abril, agora, no dia 23 de março faremos um primeiro seminário para iniciarmos esta discussão.

Mesa: “Racismo ontem e hoje e as tarefas da juventude?”

Contribuições: Suplemento especial sobre a Questão Negra disponível em:http://pt.scribd.com/doc/113978620/Suplemento-Completo

Texto " Só haverá democracia quando houver revolução: um olhar marxista sobre a questão negra" do Manifesto por uma juventude revolucionária da Juventude às Ruas http://juventudeasruas.blogspot.com.br/2013/03/so-havera-democracia-quando-houver.html


Para aprofundar na história do Brasil e papel da luta negra na formação nacional:
- "Rio de Janeiro: capital mundial do genocídio negro e de suas lutas escondidas pela burguesia" disponível em: http://www.ler-qi.org/spip.php?article3741

Maiores informações no email juventudeasruasrj@gmail.com

quarta-feira, 20 de março de 2013

Mais uma tragédia produzida pela ganância capitalista e descaso dos governos!


NOVA TRAGÉDIA NO RIO DE JANEIRO

Mais uma tragédia produzida pela ganância capitalista e descaso dos governos!

Declaração de emergência da Juventude às Ruas – RJ


Na madrugada de domingo para segunda-feira (18/3) mais uma tragédia atingiu o povo fluminense, particularmente na cidade de Petrópolis que já havia sido atingida na imensa tragédia de janeiro de 2011. A partir de novas fortes chuvas a ganância capitalista e o descaso dos governos Dilma e Cabral ceifaram mais de 27 vidas e deixaram milhares desabrigados e desalojados.

O governador Sérgio Cabral (PMDB), como sempre, culpou o volume histórico de chuvas em pouco tempo. Porém a recorrência das tragédias na história recente bem como intermináveis registros históricos de desmoronamentos e alagamentos em mesmos locais (registros em alguns casos de recorrência de mais de um século) denuncia como não há nada de imprevisível e anormal nestas chuvas. O que há de anormal é o repetido descaso que mata a população em geral, mas muito mais particularmente os trabalhadores, e, sobretudo a parcela – maioria – que tem as condições de vida, trabalho e moradia mais precárias, os negros.

Dilma por sua vez culpou os próprios moradores e ao contrário de outras tragédias onde repetia um script de solidariedade e oferta de um grande plano (retórico) de ajuda ofereceu novidades frente a segunda grande tragédia na região serrana em 26 meses. Desta vez Dilma não só prestou solidariedade e disponibilizou recursos (que nunca chegam à população atingida) mas saiu em ataque contra os moradores. Disse que seria necessário tomar medidas “drásticas” contra as pessoas que moram em áreas de risco (só em Petrópolis são quase vinte mil pessoas). Quando questionada nesta terça sobre o que seriam estas medidas “drásticas” explicou: proibir que construam e remoções.

Estas medidas anunciadas por Dilma e o olhar para os céus esperando menos chuvas de Cabral encobrem suas responsabilidades diretas nestas tragédias anunciadas e recorrentes.Porém a política do estado está voltada para um projeto de cidade que tem o objetivo de colocar dinheiro nas mãos de empresários com especulação imobiliária, com grandes construções que não atendem em nada as necessidades dos trabalhadores e do povo pobre do Rio, tudo isso para ser o país sede da Copa do Mundo e Olimpíadas.  Foi sob seus governos e no governo Lula que cerca de duas mil pessoas morreram no estado do Rio em uma sucessão de tragédias: Angra dos Reis, Bumba, Região Serrana, Xerem, Região Serrana novamente. Estes governos também buscam ao jogar à metereologia e à população a culpa, isentar de culpa o capitalismo e o Estado que eles administram por produzir estas tragédias.



A população da região serrana, bem como de todos centros urbanos do país, não morre na beira de córregos e rios, em encostas de morros por diversão mas por necessidade econômicas produzidas pelo capitalismo. Fruto dos baixos salários, terríveis condições de transporte e especulação imobiliária que tem se intensificado ainda mais com a Copa do Mundo e as Olimpíadas a partir da concentração de terras (rurais e urbanas) não sobra a população trabalhadora outra opção que espremer-se e arriscar-se em locais perigosos, mas que tenham facilidades de acesso ao emprego e aos escassos direitos como saúde e educação. É o capitalismo, neste país herdeiro da escravidão e do latifúndio, que coloca as pessoas recorrentemente em risco e mata todo verão!

Em Petrópolis, palco destas repetidas tragédias, esta história da escravidão, do latifúndio, e dos privilégios dos latifundiários é ainda mais viva do que no resto do país, ali temos a continuidade legal de um privilégio monárquico da família de Bragança e Orleans: o laudêmio. Nesta cidade todo e qualquer imóvel que for vendido no centro e alguns bairros adjacentes deve pagar 1,5% de imposto para a família herdeira de Pedro II, para sempre. A cidade é propriedade eterna destes “nobres”. Este título hereditário é uma das bases para fortalecer a especulação imobiliária e jogar os trabalhadores, sobretudo os negros e migrantes, aos morros naquela cidade.

A implementação do programa de Dilma de proibição de construção e remoção só pode ser efetuado sob as botas da polícia (que nunca faltam nas tragédias para garantir a propriedade privada dos supermercados e seus preços abusivos) e não tem a menor lógica que não a da especulação imobiliária e favorecimento das construtoras. Qualquer estudo sério de engenharia, urbanismo, arquitetura e geologia constatará (como volta e meia aparece nos jornais) que é mais barato realizar obras de contenção de encostas do que remover dezenas de milhares de pessoas a locais longínquos, sem infra-estrutura, sem emprego. Esta remoção só favorecerá as empresas que construiriam estas casas e – para piorar ainda fariam provavelmente os trabalhadores terem que pagar por estes imóveis.

A juventude não pode assistir calada a mais uma tragédia capitalista. É preciso começar a dar um basta nisto! Lutemos pelo imediato confisco dos estoques de supermercados, farmácias, e quartos de hotéis e pousadas disponíveis. Organizemos nos locais de trabalho e estudo, coletas para organizar uma solidariedade independente dos governos para que as necessidades emergências da população sejam atendidas, mas coloquemos de pé um movimento como este pois a forma mais econômica e eficiente de atender estas necessidades é utilizando o que já está disponível! Lutemos para colocar um fim a estas tragédias colocando o conhecimento de nossas universidades a serviço da população. Os estudantes, professores, e técnicos das universidades, junto a sindicatos e associações de moradores podemos elaborar planos de emergência para estes locais e oferecer moradia segura e decente a todos a partir de um plano de obras públicas  financiado com o dinheiro dos royalties, com impostos as fortunas dos Eike Batistas e da família imperial!   

Panfleto sobre os casos de homofobia na festa do Babado de Verão no IFCH





CONTRA TODA FORMA DE OPRESSÃO! AUTO-ORGANIZAÇÃO!



“We are the Stonewall Girls.                     “Nós somos as meninas de Stonewall.
We wear our hair in curls                        Nós usamos nosso cabelo em cachos.
We wear no underwear                    Nós não usamos nenhuma roupa íntima
We show our pubic hair                        Nós mostramos nosso pelos pubianos
We wear our dungarees                                       Nós usamos nossos macacões
Above our nelly knees!”                                  Acima dos nossos joelhos nus!”
 

Esse foi o grito que ecoou quando drag queens, transgêneros, lésbicas e gays se levantaram contra a polícia, que xs agredia diariamente; contra o limite, a repressão a opressão de gênero, contra a sociedade patriarcal e heteronormativa, na revolta de Stonewall, em 1979.
A festa do babado? Uma forma de resistência, de uma luta pela libertação, uma noite na qual as sexualidades e os gêneros dançam, cantam, se beijam. Mas o que vivenciamos foi o ataque de grupos homofóbicos organizados, um ataque ao setor LGTTBI e ao movimento estudantil, que culminou no fim da festa e várias pessoas agredidas física e moralmente. A presença de grupos como esse não é por acaso em um sistema no qual Feliciano, declaradamente racista, machista e homofóbico, assume a Secretaria de Direitos Humanos e Minorias, onde Dilma na presidência usa a legalização do aborto como moeda de troca e condena a morte milhares de mulheres, onde na Grécia o Aurora Dourada, partido neo-nazista e terceira força política, direcionado aos homossexuais se pronuncia “depois dos imigrantes, vocês são os próximos”, onde na França 800 mil pessoas vão as ruas contra o casamento igualitário, onde a vida das mulheres e dos LGTTBI é precarizada pela terceirização do trabalho e onde a polícia, braço armado do estado burguês, assassina a população negra e as travestis.
A ação destes grupos homofóbicos, cada ato de violência aos indivíduos que estavam naquela festa, é mais do que uma violência individual, é um ataque a todas as lésbicas, gays, transexuais e travestis, é um ataque a todo jovem que quer expressar sua sexualidade livremente. Mais que isso, é um ataque a todo o movimento LGTTBI de conjunto e seus distintos grupos políticos, e assim, um ataque também ao movimento estudantil, em particular do IFCH.
Não podemos permitir que nenhum jovem seja agredido por querer expressar sua sexualidade livremente. Só podemos barrar esses ataques a partir de nossa auto-organização. Não podemos confiar na REItoria, já que ela se cala frente ao acontecido, e torce para que fiquemos acuados e não realizemos mais festas dentro do campus, uma vez que essas vão contra o projeto de universidade elitista, racista, machista e homofóbica defendida por eles. A mesma reitoria que se cala frente aos casos de machismo e a violência homofóbica, mantém e colabora com isso na medida em que fomenta a terceirização, que é uma forma de trabalho majoritariamente feminino que superexplora e violenta; na medida em que permite que setores como o “Pró –Vida” façam uma campanha reacionária chamando de assassinas e nazistas todas aquelas que lutam pela liberdade sexual das mulheres, pela legalização do aborto e contra a morte de milhares por ano por fazê-lo clandestinamente. Reitoria que se cala frente à opressão é a mesma que esta punindo estudantes por se manifestarem contra ela. E que terá um de seus quatro agentes-candidatos eleitos este mês para continuar o trabalho sujo do governo e da patronal homofóbica dentro da Unicamp.
Essas festas são o único momento no qual a universidade se abre, se abre para os 96% da juventude que está fora dela, cujo direito a uma educação pública e de qualidade é retirada pelo filtro social que é o vestibular, oferecendo minimamente cultura, arte e lazer em um espaço público. Uma vez que os governos tem uma política consciente de acabar com os espaços de socialização da juventude para que esta fique restrita ao trabalho, sem desenvolver suas capacidades culturais.
Nesse sentido, total confiança nas nossas próprias forças, o movimento estudantil independente precisa se organizar para lutar contra a opressão com uma política de abrir a universidade para a população, pelo fim do vestibular, que nos unindo com os jovens e trabalhadores que estão de fora, para impedirmos mais agressões, impedirmos que esses grupos homofóbicos tenham a liberdade de acabar com as festas, de proliferar a poeira de sua ideologia machista e homofóbica. Sem nenhum ceticismo nas nossas próprias forças auto-organizadas. É necessário levantarmos esse debate de maneira ofensiva nos espaços do movimento estudantil para que mais estudantes se somem as nossas vozes criando assim uma politização que contribua para não permitirmos qualquer manifestação opressiva.
Nós estávamos na festa e fizemos parte de um grupo tirado para a autodefesa, mas é preciso que muito mais pessoas se incluam, que as organizações de esquerda se prontifiquem para impedir esses agressores, chamamos a todos nessa luta. Com a autodefesa, não haverá nenhum agredido mais! Retomemos o exemplo de Stonewall, se levantando contra a violência com a moral do oprimido subverto que nunca mais vai aceitar que alguém o cale, o agrida e o oprima!