Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

terça-feira, 19 de março de 2013

DECLARAÇÃO DA JUVENTUDE ÀS RUAS FRENTE AOS CASOS DE RACISMO NA FACULDADE DE DIREITO DA UFMG


Cada vez mais comuns (há poucos dias vimos um absurdo semelhante na USP São Carlos) essas ações asquerosas são expressões diretas de uma universidade elitista e racista. O profundo atrelamento da universidade pública aos interesses de capitalistas - aprofundado no governo de Lula e Dilma - reserva aos jovens negros, às mulheres e aos trabalhadores não mais do que trabalho semi-escravo, baseado na terceirização dentro da universidade. E sua consequência ideológica é o papel de caricatura no ritual (trote) tipificado historicamente nas celebrações nazistas, hoje em dia reproduzidas nas universidades públicas, para que os calouros recebam a aprovação de um setor dos antigos veteranos como esses, que buscam fazer da universidade seu restrito círculo elitista.

Isso mostra como não passa de uma farsa a propagandeada "inclusão" do governo Lula/Dilma. As universidades públicas brasileiras aprofundam seu caráter elitista. Os futuros defensores dos interesses da burguesia covarde e racista brasileira seguem sendo formados nas UFMG's Brasil afora, graças ao filtro de classe que se chama vestibular. Filtro podre que serve para deixar de fora os jovens advindos da classe trabalhadora, infinitamente capaz de criação e materialmente interessada na distribuição social do conhecimento produzido. Ao contrário, hoje se cria conhecimento a serviço de empresas como a Vale do Rio Doce, imensa privilegiada das pesquisas da UFMG, que forma esse tipo de gente para, na África e no Brasil, superexplorar e oprimir o povo negro e trabalhador. Se a universidade tem esse caráter, como não se sentirão livres esses setores fascistóides para fazer nestes rituais pós Auschwitz uma escola de formação para seus futuros papeis como defensores dessas empresas?

As entidades estudantis, CA's e DA's, devem ser entidades que, ao invés de organizarem rituais de entrada ao circulo dos elitistas, sejam entidades militantes, que cumpram o papel de mostrar com clareza que a cada estudante que entra, milhares ficam fora. Que não temos nada a comemorar senão nosso poder e dever de lutar por transformar radicalmente o caráter de classe da universidade. Lutar pelo FIM DO VESTIBULAR, pela ESTATIZAÇÃO DAS UNIVERSIDADES PRIVADAS (tão bem remuneradas pelo governo do PT) para que todos tenham direito de estudar e para que a pesquisa, o conhecimento produzido e os frutos da universidade estejam em função dos interesses dos trabalhadores, da juventude negra - que hoje sequer pode entrar na universidade sem ser parada pela polícia como suspeita - e por consequência em função dos interesses de toda a humanidade.
ABAIXO O RACISMO! 

COMISSÕES INDEPENDENTES DAS REITORIAS E DOS GOVERNOS PARA APURAÇÃO DOS CASOS DE RACISMO! 

PUNIÇÃO AOS RESPONSÁVEIS E SEUS CÚMPLICES! 

PELO FIM DO VESTIBULAR! 

ABAIXO O TRABALHO PRECÁRIO, ABAIXO A TERCEIRIZAÇÃO! 

INCORPORAÇÃO DE TODOS OS TERCEIRIZADOS COMO EFETIVOS SEM NECESSIDADE DE CONCURSO PÚBLICO! 

JUVENTUDE ÀS RUAS - BH

VOTO NULO PROGRMÁTICO PARA REITOR NA UNICAMP



SÓ A LUTA CONQUISTA! NENHUMA ILUSÃO NA REITORIA E SEUS CANDIDATOS!
POR UM VOTO NULO CATEGORICO CONTRA A ESTRUTURA DE PODER DA UNIVERSIDADE!
Nos dias 20 e 21 de março acontecerá o 2º turno da consulta para REItor na Unicamp. Trata-se de umas das consultas mais acirradas dos últimos anos, onde Tadeu, com 48,30% dos votos, e Saad, com 40,08%, estão recebendo apoio e campanhas de distintos setores da Universidade, inclusive de setores do movimento estudantil. Enquanto isto a repressão segue por parte das REItorias e do Estado de São Paulo, sendo que na USP 72 estudantes e trabalhadores, que lutam em defesa da universidade pública, receberam suspensões de Rodas (REItor da USP) combinado com a acusação do Ministério Público de formação de quadrilha, que quer prende-los por 8 anos. Ao mesmo tempo na Unicamp nossas bibliotecas pegam fogo, como aconteceu na do IEL poucas semanas atrás, colocando a vida dos trabalhadores e estudantes em risco e destruindo parte de seu inestimável acervo; a moradia permanece em extrema precariedade e com alarmante falta de vagas; permanece a precarização do trabalho e das estruturas através da terceirização, e a inciativa privada lucra como nunca, com milhões investidos na construção de novos prédios exclusivos para elas. Frente a tudo isto o movimento estudantil é impelido a se posicionar sobre a consulta, e por isto escrevemos este material para contribuir neste importante debate e tornar publica nossa posição.
O que estamos “elegendo”? A consulta para REItor, que acontece de quatro em quatro anos, para a qual só podem se candidatar professores, é uma das partes mais antidemocráticas da atual estrutura que gerencia a universidade. Na realidade a comunidade acadêmica não tem absolutamente nenhum poder de decisão, por isso chama-se “consulta”. O real poder de eleger o REItor esta concentrado num grupo restrito de professores, chamada burocracia acadêmica, e em uma só pessoa, o governador do Estado de São Paulo, que dá a ultima palavra sobre quem será o escolhido para gerir a universidade e a  sua estrutura de poder.
O REItor é o topo da estrutura de poder da universidade, que é tão antidemocrática quanto própria consulta. Suas instâncias de deliberação, como o conselho universitário e as congregações, assim como na consulta, tem peso completamente desproporcional na participação das três categorias. Os professores têm 70% da participação e dos votos, estudantes e trabalhadores 15% cada. Os professores, que estão muitas vezes atrelados com projetos do governo e pesquisas para grandes empresas privadas, mandam na universidade sob seus próprios interesses, tornando-se assim uma burocracia acadêmica.  Ou seja, trata-se de uma das estruturas mais antidemocráticas e ultrapassadas de nossa sociedade. Enquanto nas eleições presidenciais, que já são tremendamente antidemocráticas, o voto de uma trabalhadora da limpeza equivale o mesmo que o voto de um empresário, na universidade o voto de um professor vale por centenas de estudante e trabalhadores.
Além disto, o estatuto que rege as normas da universidade, que foi criado na ditadura militar, é uma copia quase perfeita do AI-5, podendo punir arbitrariamente, “por má conduta”, qualquer tipo de mobilização, atividade politica e cultural. Os processos internos acontecem de forma sumária, ou seja, a REItoria acusa, julga e pune, e os acusandos são considerados culpados até que provem o contrario. É com este estatuto que as REItorias, vem punido, expulsando e demitindo trabalhadores e estudantes que discordam e lutam contra o atual projeto de universidade, como foi o caso dos 5 estudantes da Unicamp que lutavam por mais vagas para a moradia em 2010. É esta estrutura também que vem permitindo que polícia entre no campus, quebrando a autonomia universitária, para reprimir as greves e mobilizações, como o caso da greve dos trabalhadores da USP em 2009, da ocupação da administração da moradia da Unicamp em 2010, da brutal reintegração de posse da REItoria da USP em 2011, ou até mesmo para prender os equipamentos da radio muda na calada na noite.
O que defendemos? Historicamente o movimento estudantil, na busca de democratizar esta estrutura de poder, defendendo eleições diretas para REItor, ou seja, sem a intervenção do governador, e que as eleições, assim como as instâncias de deliberação,  sejam paritárias, ou seja, professores, estudantes e trabalhadores com 1/3 de voto e participação cada. Este é o programa que defendem grupos políticos como setores do PT, PSOL e PSTU. Mas, se pararmos para refletir um minuto, vemos a insuficiência deste programa “histórico”. Mesmo que o REItor seja escolhido diretamente, ele continua no topo desta estrutura, ainda com o estatuto da ditadura militar, ainda concentra em si o poder de punir arbitrariamente aqueles que lutam na universidade. Além disto, os pesos das categorias continuam completamente desproporcionais, mantendo intacta a burocracia acadêmica. O mínimo de conquista democrática, mesmo que formal, que conquistamos séculos atrás, é que cada cabeça, cada pessoa, tenha direito a um voto. Por que na universidade tem que ser diferente?
Por isso nós defendemos que a real democratização da universidade só é possível revendo toda sua estrutura, construindo uma assembleia estatuinte, composta pelas três categorias, baseada na mobilização independente das REItorias e dos governos, que  possa abolir o estatuto da ditadura e o conselho universitário, e construa um governo tripartite, ou seja, composta pelas três categorias, expressando os peso real de cada, e a participação realmente proporcional a sua composição na universidade, a partir do sufrágio universal, onde estudantes, trabalhadores e professores tenham direito a um voto por cabeça. Desta forma poderemos de fato ter plena participação nos rumos da universidade, podendo colocar as prioridades reais dos estudantes, trabalhadores e professores, assim como voltar os interesses da universidade não para os projetos do governo e da iniciativa privada, mas sim, ao conjunto da juventude, da população e dos trabalhadores, abolindo o vestibular para a real democratização do ensino.
Quem são os candidatos? Na atual consulta os candidatos que foram para segundo turno são Mario Saad, atual diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, sucessor formal de Fernando Costa, atual REItor, e Tadeu Jorge, atual professor titular na Faculdade de Engenharia Agrícola, ex-reitor, membro da FIESP, saindo com uma candidatura supostamente de oposição a atual gestão, embora seja na realidade parte do mesmo grupo que permanece na REItoria nas últimas décadas, apoiando inclusive o próprio Fernando Costa em sua candidatura em 2009. Ambos os candidatos pretendem implementar o mesmo projeto de universidade que tanto ouvimos falar nos últimos tempos, o projeto de “excelência”. Trata-se de um projeto que privatiza o ensino, abrindo parcerias com empresas privadas que sugam o conhecimento aqui produzido em favor de seus lucros, retirando cada vez mais o caráter público da universidade que deveria servir aos interesses da população e não de grandes empresários; um projeto elitista que mantem a maior parte da juventude pobre e negra fora da universidade através do filtro social do vestibular, um projeto que precariza o ensino e o trabalho, não contratando professores e funcionários conforme a demanda, consequentemente sucateando os cursos que não atendem aos interesses do mercado, que terceiriza o trabalho mantendo centenas de mulheres, na maioria, em situação de acidentes de trabalho, assédios e salários de fome, enriquecendo empresas privadas que super-exploram os trabalhadores, empresas estas que “falem” deixando obras inacabadas por todo o campus.
A diferença entre os candidatos está somente na forma como vão implementar esse projeto. Saad, sucessor direto de Fernando Costa aparece na campanha como o “linha dura”. Tadeu, que seria o “linha leve”, na realidade não é tão diferente. O suposto discurso “boa onda” de Tadeu, pelo qual lhe dão o rótulo de “mais democrático” ou “menos pior”, é uma das suas principais armas para atacar o movimento estudantil e dos trabalhadores. Em 2007, diante a forte mobilização estadual do ME, utilizou este discurso para iludir os estudantes, dizendo que suas reinvindicações seriam atendidas para depois puni-los e nunca cumprir absolutamente nada do que haviam prometido, mostrando como está preparado para reprimir e acabar com qualquer luta estudantil. E só não levou até o final os processos por conta da correlação de forças desfavorável. Além disto, como membro do CRUESP (Órgão que une as REItorias das três universidades estaduais), participou das punições aos estudantes da Unesp de Araraquara, Franca e Ourinhos. É com esta farsa também que fala sobre “isonomia salarial para os funcionários”, tentando ganhar seus votos após serem punidos na greve de 2011. A candidatura deste burocrata é o coroamento de toda repressão que os trabalhadores e estudantes vêm sofrendo, combinando repressão e desmoralização com um discurso falso e demagógico de dialogo e concessões.  Desta forma retira a confiança dos movimentos de suas próprias forças, transformando-a em ilusão para a sua candidatura. Infelizmente muitos setores da universidade vêm caindo neste discurso, fazendo campanha para Tadeu, como, por exemplo, o PCdoB entre os funcionários, alguns estudantes de esquerda e professores do IFCH, principalmente os vinculados a burocracia acadêmica.
POLÊMICA: Por que votar nulo? Chamamos abertamente a todxs estudantes a votarem nulo nestas eleições para REItor, e defenderemos esta ideia no interior do movimento estudantil. Antes de tudo trata-se de uma concepção de movimento, na qual incentivamos que os estudantes acreditem somente em suas próprias forças em aliança com os trabalhadores, em sua organização politica independente através da auto-organização nas assembleias. Esta mais do que provado que estes REItores não estão nenhum pouco dispostos a se chocarem com atual estrutura de poder e o projeto de universidade, pelo contrario, que nos pune para privatizar e precarizar, que nos tira moradia e nos cala com a policia. O próprio Deddeca, um dos candidatos que concorria no primeiro turno, que fez parte da gestão de Fernando Costa, e que agora se auto intitulava de “oposição”, deixou expresso em seu discurso na posse de Jhon Monteiro, atual diretor do IFCH, que não haveria contratação de professores para o IFCH, sob a desculpa de que a crise reduz ICMS e as verbas da universidade, enquanto os REItores recebem milhões de “super salários” em um caso escandaloso de corrupção, e não será diferente para as outras faculdades e cursos. Nenhuma conquista pode ser alcançada através destes candidatos e da REItoria, e disseminar ilusões e confiança em qualquer um deles, sob o discurso de “mal menor” é um erro(!), que enfraquece nossa organização e fortalece a REItoria, tira nossa independência de luta e nos coloca a reboque de um projeto que não é nosso. Defendemos que as demandas, desde as mais básicas e elementares, até as mais profundas e estruturais, só podem ser conquistadas com dura luta dos estudante, professores e trabalhadores contra a REItoria e seu atual projeto de universidade, contra a estrutura de poder e a repressão aos lutadores. Por isto chamamos um voto nulo programático contra a estrutura de poder e seu estatuto da ditadura, pela dissolução com conselho universitário, e pela construção de um governo tripartite, com peso proporcional das três categorias em base ao sufrágio universal! Nenhum ceticismo nas nossas próprias forças, com auto-organização junto aos trabalhadores e a juventude que esta fora da universidade podemos colocar abaixo a atual estrutura de poder e consolidar uma Universidade a serviço dos trabalhadores e da população.

domingo, 17 de março de 2013

Quando deve ser mostrado o programa da ANEL?

De Letícia Parks - estudantes de Letras da USP e militante da Juventude Às Ruas - texto publicado em http://consciencianegra.wordpress.com/2013/03/17/quando-deve-ser-mostrado-o-programa-da-anel/

Publicado em 17 de março de 2013

Em 2009 participei daquilo que seria o início da Assembléia Nacional de Estudantes Livre. Na época eu não era uma militante organizada, era independente, fazia ciências sociais, já tinha militado na UNE e em suas ramificações de movimento negro, como podem imaginar, me desiludi e concordei com a necessidade de atuar em uma entidade nacional, mas que fosse de luta, revolucionária.

Foram muitos os momentos de luta política que me desiludiram também com o projeto que se dizia ser da ANEL. Eu ia às plenárias e via os que romperam com a UNE se negando a defender o fim do vestibular, se negando a defender setores de trabalhadores e estudantes que vinham sendo reprimidos. O que mais me chocou foi o dia em que propusemos (nesse momento eu era parte de um bloco, o “Anel às Ruas!”) que o fim da precarização e a incorporação dos terceirizados sem concurso público fosse um eixo programático da ANEL. Os companheiros do PSTU foram contra, empataram a votação e deram um jeito de ganhar por um voto, em 2010, que eram contra esse eixo programático fundamental para ser consequente com a luta operária no Brasil.

Após anos de experiência dentro da ANEL percebi que alí existem setores que querem de fato lutar por um país e um mundo que se organize, materialmente e culturalmente, de outra maneira. Dedico essa “carta” a estes.

Em 2011 fui presa na ocupação de reitoria, organizada em luta contra a presença da polícia militar no campus. Diferente do que se diz por aí, essa luta não foi pela maconha, tampouco foi pelo elitismo. A Juventude às Ruas! reivindicava em cada uma de suas intervenções que a luta contra a polícia militar na USP deveria ser a luta contra a polícia nas periferias, favelas, bairros, escolas, onde essa PM tortura, prende e mata a revelia.

Naquele momento e hoje, demos luta política dentro da ANEL para que esse também fosse o programa da entidade. De olhos fechados para a população assassinada pela polícia e reprimida pelos bombeiros e de olhos abertos e brilhando para a possibilidade de dirigirem sindicatos de segurança pública, a majoritária da ANEL – PSTU – se posicionou na contramão da luta contra a PM, e assim que pode, apoiou as greves policiais que exigiam “melhores condições para reprimir”. No seu congresso de 2011, contra nossa ala que dizia não a PEC 300, que aumentaria o salário dos mercenários do Estado, o PSTU dizia que eram todos bombeiros, e que PM também é trabalhador.

Depois de muita luta política, conseguimos aprovar que a ANEL é pelo fim do vestibular. Hoje, quando se desenha uma campanha nacional de diferentes setores da esquerda, inclusive do PTismo, reivindicando cotas, o PSTU escohe pela via da ANEL não defender essa importante pauta que se refere ao acesso de toda a juventude à universidade pública, inclusive da grande maioria de negros que não entrariam pelas cotas. Quando defendemos, na última assembléia estudantil da USP que o programa a ser defendido pelo movimento fosse “PIMESP não! Cotas sim! Pelo fim do Vestibular!”, fomos o único setor da ANEL a de fato representar o programa da entidade, tendo o PSTU defendido junto com o PSOL e a Consulta Popular o programa que em nada se diferencia de Dilma Roussef: “PIMESP não! Cotas sim!”

No ano passado, no auge da ameaça de reintegração do terreno da favela São Remo e da ameaça de demissão e expulsão dos trabalhadores e estudantes que como eu foram presos no dia 8 de novembro de 2011, o PSTU convocou a plenária estadual da ANEL no circo escola da favela São Remo. Essa convocação era uma perfumaria. De todas as propostas concretas que colocamos para lutar contra a repressão e a policia militar, a majoritária foi contra, levando companheiros sinceros nossos às lágrimas, por não saber o que ainda poderia ser feito dentro dessa entidade que servisse para impedir a escalada de repressão do governo do estado e federal.

Naquele momento, me elegi para estar na executiva estadual. Venho, desde então, participando das reuniões da executiva. Me aterei as diferenças políticas que se expressaram lá, que vêm se mostrando cada vez mais de grande valia.

Durante a mobilização contra o aumento da passagem, reivindiquei que a ANEL fizesse materiais para dialogar com os trabalhadores do transporte, chamando-os a luta como um setor estratégico para conquistar qualquer vitória nos transportes. Foram contra. (!)

Durante a discussão das calouradas, já sabendo da possibilidade de denúncia do ministério publico, e já tendo clareza das punições impostas pela reitoria da USP em relação aos estudantes e trabalhadores, propus que nosso eixo de intervenção fosse a repressão. Foram contra (!).

Sabendo da denúncia do Ministério Público sobre os 72 ativistas da USP, exigi que colocássemos na mesa de abertura do próximo Congresso da ANEL um dos denunciados pelo ministério público, demonstrando por essa via que a repressão seria o principal dos eixos do Congresso. Foram contra estar na mesa, perdi a votação. Me disseram que esse tema perpassaria todos os temas, e que em nada estaria subtraída a discussão da repressão e da denúncia aos 72. Recebi com surpresa um material de divulgação do Congresso feito pela Executiva Nacional que não fala absolutamente nada sobre a denúncia que estamos sofrendo e sobre o forte ataque sobre os jovens e movimentos sociais que ela significa. Para além disso, em nenhum momento do material se fala sobre a escalada repressiva dos governos, fazendo uma construção do Congresso que passa quilômetros longe disso.

Tais elementos não me fazem desistir da participação na ANEL. Apenas me mostram que só é possível estar dentro dela na medida em que a luta política se torna mais intensa, na medida em que a construção desse espaço sirva para corrigir erros políticos graves como esses, que só acontecem pela visão aparatística e adaptada que correntes como o PSTU têm quando se trata de construir programa, consignas, etc.

Na Juventude às Ruas! sei que não pautamos nosso programa pelo que as pessoas vão concordar, mas pelo que é necessário que elas se preparem para lutar. Assim, sei que nos preparamos para as batalhas que a crise irá impor sobre a juventude e os trabalhadores, e por isso vou ao Congresso da ANEL para exigir uma transformação da política dessa entidade, que a leve para preparar a juventude estudantil e trabalhadora para os mais duros ataques, que a prepare para resistir e para fazer o novo.

Rumo ao Congresso da ANEL!

Só haverá democracia quando houver revolução: um olhar marxista sobre a questão negra!



O sistema capitalista que dominou o mundo nos últimos séculos demonstrou que é totalmente incapaz de aplicar os pontos de propaganda ideológica que defendia na Revolução Francesa. Naquele momento, levou os trabalhadores às armas pelas consignas de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Mesmo nos países mais avançados do globo, com economias fortes e “consolidadas”, é possível ver que a liberdade não é para todos; que não há igualdade entre homens e mulheres, negros e brancos, jovens e idosos; que a fraternidade é apenas um jogo de elite, onde os ricos são fraternos e se protegem da crise, mas que não veem nos trabalhadores irmãos, e por isso desferem duros ataques, torturam, jogam à miséria, matam.
Com essa propaganda, a burguesia fez os trabalhadores perceberem que não deveriam seguir vivendo sob tamanha opressão da monarquia. Acontece que com a necessidade que o capitalismo encontrou de ferir esses preceitos para poder manter seus lucros, muitos trabalhadores em todo o mundo passaram a ter que lutar pela democracia contra a burguesia, que passava a impor desigualdades de gênero, raciais, etc., para conseguir manter seus altos lucros.
Essas questões democráticas, por serem parte de uma desilusão com o projeto de mundo burguês, são as principais questões que levam os trabalhadores, os pobres e a juventude às ruas, pois somada a não existência está a ilusão de que é possível dentro do capitalismo conquistar cada uma dessas demandas, como reforma agrária, independência nacional, fim do racismo, eliminação das fronteiras.
A crise econômica que vivemos hoje demonstra a profundidade que as questões democráticas podem ter. Basta olhar para os países de economia mais potente, como é o caso da França, e ver que cada uma das demandas democráticas conquistadas pela população francesa vem sendo lentamente retiradas, pois ao mesmo tempo em que são os bens mais caros para quem os conquistou, são também caríssimos e inúteis para aqueles que determinam os rumos da sociedade. A burguesia pode retirar direitos porque ela pode pagar pelos seus, e se o Estado que ela administra gasta com isso, seus lucros tornam-se menores.
Em países de economia mais fraca, como é o caso dos países do norte da África, as questões democráticas mostram sua proporção revolucionária: o não direito ao pão, somado a uma ditadura duríssima de mais de 30 anos, fez estourar o processo revolucionário que massacra a ideia de que revoluções são coisa do século passado.
As questões democráticas, para os marxistas, são encaradas como a primeira parte de um processo revolucionário e como demandas que, apesar de poderem ser conquistadas no capitalismo, só podem ser mantidas e aprofundadas pela via do poder de uma classe que não tenha interesse no lucro. É por isso que nós da Juventude às Ruas não reservamos nenhuma ilusão de que é a burguesia o agente da democratização e, consequentemente, que essas demandas não podem ser conquistadas, como cotidianamente é feito, pelo reformismo, que nada faz além de escrever cartas e acreditar na vontade dos parlamentos burgueses. A classe trabalhadora, junto à juventude, é a única capaz de responder a essas questões, através de sua auto-organização e da hegemonia operária, ou seja, da classe trabalhadora tomando como sua cada reivindicação democrática colocada pelos setores mais oprimidos, sendo essas demandas parte de seus estatutos sindicais, de suas greves, de seus apoios e, principalmente, parte intrínseca de sua luta contra seus patrões.
A juventude tem, assim, um duplo papel: ao mesmo tempo em que deve lutar duramente pela manutenção e conquista de cada demanda democrática, deve também ser a defensora da centralidade da classe operária, contra a visão difundida pelo mundo de que essa classe não tem qualquer papel para a mudança da sociedade, quando na verdade os trabalhadores são os únicos capazes de livrar a humanidade de todas as opressões.
Nenhuma confiança na burguesia, parasita de nosso trabalho! Pela hegemonia operária sobre as questões democráticas! Por uma juventude em luta pela liberdade nacional, sexual e racial, que lute ao lado da classe operária!
No caso do Brasil, uma das questões democráticas fundamentais decorre da brutal opressão histórica sobre a população negra que, desde a escravidão até os dias de hoje, sempre foi elemento estruturante da formação do Estado brasileiro. Ontem pelo açoite, hoje como mão-de-obra do trabalho precário, alvo das balas policiais, maioria na população carcerária, analfabetos funcionais, sem terras no campo, sem teto na cidade, a população negra carrega, na cor, nos traços e na condição de vida, a memória da escravidão.
Em função do modo subordinado da formação do Estado brasileiro às metrópoles coloniais, a burguesia nacional brasileira sempre foi incapaz de desenvolver-se independentemente do imperialismo inglês e português, cujos limites impostos para o desenvolvimento nacional sempre foram aceitos pelas classes dominantes brasileiras. Para fazer-se independente do imperialismo europeu seria preciso entrar em guerra contra ele e, para isso, precisaria armar uma população que a amedrontava e ameaçava constantemente.
Armar sua população seria diretamente armar os negros que fizeram os maiores e mais resistentes quilombos de todo o mundo, como o heroico Quilombo de Palmares. Este durou mais de um século, se defendendo e derrotando militarmente uma série de investidas do exército brasileiro. Para além de Palmares, foram os negros aqueles revoltosos contra a vacina e a política higienista do inicio do séc. XX, ou os que se rebelaram na Inconfidência Mineira. Para conter essa série de revoltas, a elite brasileira necessitava recorrer à ajuda imperialista, o que a marcou desde sua gestação: estar espremida entre forças tremendamente antagônicas. Não à toa, essa história é escondida de todo pensamento brasileiro, pois parte de impedir a revolta dos negros hoje é, por um lado, fazê-los esquecer de sua história e de sua trajetória de luta e, por outro, fazê-los acreditar que perderam sua identidade negra e, portanto, que Zumbi não os representa.
A crença utópica e reacionária de que a burguesia poderia ter se tornado potência carrega consigo a crença de que ela poderia e ainda pode resolver os problemas democráticos que seguem relacionados à questão negra. Sua dependência do imperialismo e sua fraqueza econômica impõem que a burguesia não consiga até hoje resolver questões elementares que afligem a população negra. A burguesia brasileira depende do trabalho precário para manter seus lucros; depende das prisões e da violência policial para manter os negros sob seu rígido controle social. Ou seja, abdicar dessas questões resultaria colocar automaticamente em risco sua dominação de classe.
É preciso diferenciar aqui dois tipos fundamentais de demandas democráticas. Existem aquelas que a burguesia, por conta de seu desenvolvimento e reacionarismo consequente, foi e segue incapaz de solucionar e que seriam, de acordo com sua propaganda iluminista, tarefas de uma revolução burguesa, que como já dito anteriormente solucionaram-se apenas em alguns países centrais. A essas chamamos de questões democráticas estruturais. São estruturais porque implicam um choque na relação de classes, como no Brasil seria o caso da reforma agrária e da violência policial. Existem outras demandas que consideramos formais, ou seja, podem ser resolvidas por dentro do capitalismo como concessão da burguesia a tensionamentos de classe, mas essas demandas em si não alterariam a relação entre as classes diretamente, apesar de a luta por elas e o debate político em torno delas poderem gerar um profundo tensionamento entre as classes. No caso do Brasil, uma demanda democrática formal para a questão negra seria a presença da história dos negros e de suas lutas nas escolas e universidades. Tal demanda, apesar de não gerar uma mudança na localização da burguesia e dos trabalhadores, não é implementada pelo risco que há de que ela se ligue com questões estruturais, gerando um questionamento do desemprego estrutural, da falta de moradias, do latifúndio, emendando essa questão formal com uma luta estrutural contra a burguesia.
Em cada país do mundo essas demandas se dividem entre formais e estruturais de maneira distinta, visto que tal categorização se refere diretamente ao desenvolvimento econômico daquele país, sabendo que o que os faz diferente é justamente o desenvolvimento do capitalismo a nível mundial, com os diferentes imperialismos em disputa, impondo localizações subalternas a diversas nacionalidades, sendo suas colônias ou semicolônias. Nestes, longe de solucionar as questões democráticas, os capitalistas estabelecem um desenvolvimento “desigual e combinado”, onde junto às mais altas tecnologias da indústria estão as mais precárias condições de vida. Com essa discussão é fácil ver que a principal tarefa dos revolucionários é retomar a relação perdida pela esquerda entre demandas formais e estruturais, e a necessidade de que essa conexão se eleve ao nível da luta contra o capitalismo e a parasitagem da burguesia sobre os trabalhadores, negros e brancos.
            A Juventude às Ruas, diferente do reformismo do PT e do PSOL que reservam à questão negra a política de mendigar migalhas para os governos burgueses; diferente de correntes como o PSTU que se adaptam ao programa que o reformismo reivindica para a questão negra e não constrói nenhum programa que vá além das migalhas; entendemos que a questão negra é a questão chave da revolução brasileira e que, entendida como tal, deve ser tomada por todos os sindicatos e entidades estudantis como seu próprio programa, que não deve ser a triste adaptação às migalhas e às ilusões na burguesia, mas nas demandas que de fato resgatam os direitos universais, que reparam historicamente, que colocam os negros, trabalhadores ou não, em enfrentamento direto com a burguesia!
Pela democratização de todo o sistema educacional, com escolas e universidades públicas, gratuitas e de qualidade para todos!
Pelo fim do vestibular e estatização das universidades privadas sem indenização aos capitalistas da educação!
Por currículos formulados de maneira democrática, com direito de decisão de toda a população, para que atenda as necessidades de saneamento, moradia, saúde, educação e trabalho de toda a população pobre e trabalhadora!
Pela reforma agrária e urbana com planos de obras elaborados e discutidos pelos movimentos sem terra e sem teto!
Pela legalização das terras quilombolas!

* texto extraído da Revista Manifesto Por Uma Juventude Revolucionária lançado em março de 2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Ação da polícia na favela, a mais assassina do mundo.

por Angelo Bueno

Uma menina de 17 anos saiu na noite de sábado com o irmão e o namorado em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Era madrugada de 12 de janeiro quando eles chegaram à Rua Melchior Giola, centro comercial do bairro. Policiais militares surgiram em cinco viaturas lançando bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo, disparando tiros de borracha para obrigar o comércio a fechar. A menina se escondeu atrás de uma árvore e recebeu um disparo de bala de borracha no olho esquerdo que a deixou cega. Vai ter de utilizar prótese no lugar do olho, mas, até a cirurgia ficará com o olho costurado.
Os moradores reclamam da ação da polícia desde 2009, Há diversas cartas que denunciam ação brutal da PM contra os moradores, os comerciantes alegam que o comércio foi “invadido” pelos PM. Esse é mais um exemplo de como é a ação policial na periferia, longe de garantir a segurança e tranquilidade para os trabalhadores, leva mais medo, repressão e morte à já delicada condição de vida, produto da imensa desigualdade social do capitalismo e seu Estado, baseados no racismo e trabalho precário que nega a educação moradia, acesso saúde de qualidade, nesse caso o lazer, que na periferia é criminalizado, os movimentos como saraus são fechados negando aos jovens a diversão, a arte, pois quem controla esse Estado é a burguesia que sempre visa o máximo de lucro possível, gerando centenas de milhares de jovens sem futuro e esperança que terminam empurrados para marginalidade. A polícia é instrumento material de dominação da burguesia, criada para ser corrupta e violenta, que tem como função principal, proteger a propriedade privada, manter o status quo de exploração do Capitalismo e sua burguesia parasita. A justiça burguesa tem pesos diferente, para os patrões, banqueiros, políticos burgueses que matam, rapinam, sonegam passam impunes. Os punidos são sempre os trabalhadores oprimidos em seus locais de trabalho e de descanso. Sustentam esse Estado, trabalham em média 4 meses por ano para pagar imposto, e recebem de volta vestibulares, policia assassina, filas no SUS... a precarização da vida!
Ser a voz da juventude negra e pobre que é massacrada diariamente pelas forças repressivas do Estado , e não tem o direito de estar conosco na universidade, é por isso que estamos sendo punidos na USP, podendo pegar até 8 anos de reclusão, já com suspensão de Rodas em andamento, por lutar pelo “Fora PM da USP e das favelas” porque não queremos essa instituição em lugar nenhum da sociedade, e
Denunciamos o aumento da repressão dos movimentos sociais, nos canteiros de obras, com a prisão de dezenas de operários nas obras do PAC, do assassinato dos que lutam pelo acesso a terra, um integrante do MST morre por semana,de toda a criminalização dos movimentos sociais, do massacre da população negra da periferia.

Pela punição de todos os policiais envolvidos!
Pela dissolução da policia!
Autodefesa dos trabalhadores!
Por uma ampla campanha nacional contra a repressão!

Pela livre sexualidade, contra o ataque dos setores "próvida"

por Fernanda Montagner


8 de março, dia mundial da mulher, dia este que se passa num novo momento histórico, onde com a entrada do 6 ano da crise capitalista e a aceleração dos tempos para uma realidade de intensificação da miséria e exploração da classe trabalhadora mundialmente, vemos também a entrada em luta das mulheres, um dos setores mais oprimidos, e por isso, sensíveis as mudanças históricas. Na índia, Egito, Europa, as mulheres são pioneiras dos levantes de massas, são a linha de frente contra a violência, a precariedade da vida, a intervenção da igreja son seus próprios corpos. "Aqueles que lutam com mais energia pelo novo, foram os que mais sofreram com o velho" (Trotsky, L.), essa frase carrega uma síntese do que é hoje a realidade de milhares de pessoas.
É importante resaltar esse novo momento de época, para refletirmos e atuarmos frente a o que ocorreu no dia 8 aqui no IFCH. Recebemos como "homenagem", nas colunas do corredor de aulas, uma decoração reacionária em toda medida. Um grupo chamado "pró vida" colou uma série de cartazes comparando todos aqueles que lutam pela legalização do aborto com o nazismo, que é a mais repugnante expressão da violência imperialista contra todos os direitos democráticos dos setores oprimidos e dos trabalhadores, até imagens com fotos de fetos de dois meses no útero, enumerando as partes "humanas" que já possui, relacionavam o aborto com assassinato e vários outros absurdos.
Frente a uma ofensiva reacionária, em pleno instituto historicamente conhecido como instituto referência de combate às opressões, não podemos nos ater a uma discussão sobre machismo restrita aos muros da universidade. Estes setores, quanto mais alto gritam serem "pró vida", com tanto mais força pisoteiam milhares de vidas femininas e buscam estrangular as vozes dxs verdadeirxs combatentes pelos direitos da mulher: advogam o mesmo discurso dos governos de turno da burguesia, como hoje de Dilma e do PT, que esconde o feminicídio que há por trás da criminalização do aborto com o mesmo discurso de "defesa da vida". Assim, condena milhares de mulheres anualmente à morte, por meio do aborto clandestino e proíbe que a mulher decida sobre o próprio corpo. Quem realmente paga por isso são as mulheres trabalhadoras, que são destinadas aos postos de trabalho mais precários, como nas empresas terceirizadas, criadas para humilhar e dividir as fileiras operárias, nas quais a Unicamp se alicerça.
A luta contra a violência à mulher deve começar por impedir que ela morra. Os abortos clandestinos são responsáveis pela quarta causa de morte feminina no país (estar criminalizado não "defende" a vida de ninguém. Portanto, não pode estar desvinculada da luta pelo aborto livre, legal, seguro, gratuito, garantido pelo Estado, assim como educação sexual nas escolas e contraceptivos de qualidade de graça nos postos de saúde, para que as mulheres tenham condições de não precisar abortar.
Enquanto a uma estrutura universitária vem, através da repressão, tentando calar a todos os estudantes que denunciam seu caráter antidemocrático, que denunciam a violência policial, que lutam contra a opressão dentro e fora da Universidade e para que esta esteja de fato a serviço da população, permite e nada diz sobre as mulheres terceirizadas que são constantemente assediadas e violentadas, nada diz sobre grupos como este que para a burocracia acadêmica goza de todo o direito de expressar suas ideias reacionárias e de cunho profundamente machista e homofóbico. Sendo esses grupos os mesmos que apregoam que a homossexualidade é uma doença, que a população negra é inferior e que a mulher deve ser apenas reprodutora e não ter direito à livre sexualidade, são esses grupos que dão respaldo para que pessoas como o pastor Marco Feliciano seja eleito como presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias (CDHM).
A discussão sobre a violência a mulher e aos GLBTTI também não pode ser desvinculada de uma auto-organização das mulheres, partindo de uma discussão da função social da polícia, o braço armado do estado burguês. Ou seja, a instituição feita para reprimir os trabalhadores, feita para perseguir as mulheres, os negros e o setor LGTTBI. Não podemos de maneira nenhuma confiar nas instituições repressoras do estado burguês. Assim, temos de reivindicar a auto-organização das mulheres, para construir sua autodefesa, por meio de uma campanha ampla pelo aborto legal, seguro e gratuito, contra a Igreja, governo e o estado.
Por isso é central que as entidades estudantis se coloquem claramente contra as organizações que cinicamente se dizem "pró vida" e se calam diante das milhares de mortes de mulheres por abortos clandestinos. Esta é a discussão concreta que estes ocultistas silenciam "em defesa da vida". A estrutura de poder Universitária é conivente com estas expressões aberrantes de intolerância, de violência contra a mulher, e de ignorância histórica quanto aos principais fenômenos políticos do século XX. É preciso ter em seu programa o combate a opressões com centralidade a legalização do aborto. Nós da Juventude as Ruas, que compusemos a chapa Contra Corrente ano passado, fomos os únicos que colocamos com centralidade essa questão, pois já prevíamos uma possível campanha reacionária da direita, frente a um cenário mais convulsivo de luta de classes onde também a direita tenta massificar e consolidar sua ideologia reacionária, como também seria impossível se calar frente a uma situação nacional, onde milhares de mulheres morrem anualmente por abortos clandestinos. A atual gestão do CACH não tem a legalização como programa, o que consideramos um equívoco, que já se mostra com o alastramento desses grupos de ultra direita pelo instituto. É central que a gestão do CACH se coloque frente ao ocorrido, faça balanço do fato de não ter hierarquizado o tema nas eleições e organizemos uma campanha pela legalização do aborto, contra as opressões, para que esses grupos não se sintam mais na liberdade de expressarem seu reacionarismo.
NOSSO CANTO É O ESPANTO DOS QUE NOS JULGARAM MORTAS
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Panfleto distribuído pela Juventude às Ruas na FEUSP: calourada, assembleias e depoimentos

A Calourada da FEUSP frente aos atuais desafios da Universidade!

O início do ano letivo nas universidades, principalmente nas públicas, é marcado por um clima de comemoração e festa, dado que nesse período centenas de novxs estudantes ingressam no ambiente universitário, após cansativas provas e processos seletivos do vestibular. No entanto, este clima está relacionado a uma concepção de meritocracia individual que em nada questiona a verdadeira função do vestibular, que é de excluir centenas de jovens, principalmente negrxs, pobres e trabalhadorxs, e não refletindo como essa comemoração em si está em contradição ao direito a uma educação realmente pública, gratuita e a serviço da maioria da população.

É principalmente nessas comemorações de recepção que vemos tantas demonstrações do elitismo, do racismo, do machismo e da homofobia tão presentes na universidade. Isso fica claro no caso do concurso “Miss Bixete” na USP de São Carlos, ou até em coisas mais simples, como nas pinturas nxs calourxs, onde diversas vezes são escritos nomes de universidades particulares que são voltadas justamente para a população que não consegue estudar na USP ou em outras universidades públicas, numa forma, ainda que não percebamos imediatamente, de zombar dxs estudantes trabalhadorxs que têm que pagar para ter seu “direito ao estudo”. 

Nós, da Juventude Às Ruas, achamos que é fundamental que esse momento de recepção sirva tanto para ajudar xs calourxs a se familiarizarem com a universidade como, principalmente,seja um espaço que discuta os problemas políticos que envolvem a universidade – ainda mais na USP onde temos problemas profundos de falta de democracia em todos os âmbitos –, que questione o próprio filtro social do vestibular que xs calourxs acabaram de passar traumaticamente, onde só na USP em 2013 foram quase 150 mil excluídos. E foi com essa perspectiva que intervimos nas reuniões para a construção da calourada.

A demonstração de que estávamos corretos em defender que a calourada priorizasse espaços de discussão política se fez evidente no debate sobre a brutal repressão que tem acontecido na universidade (e fora dela), com a presença de Diana, diretora do SINTUSP, trabalhadora da FEUSP e também uma dxs 72 processadxs pelo MP. A sede dxs calourxs em discutir levou a que fossem abordados diversos temas somente nessa mesa, como: repressão; questão de gênero; cotas e a questão negra; acesso, permanência e democratização da gestão da Universidade; papel do movimento estudantil e mobilização; e, principalmente, educação e o papel do professor. Os inúmeros questionamentos dxs calourxs (como fizeram na aula-trote) só reafirma o interesse destxs em se envolverem nos principais temas que perpassam hoje a Universidade e a educação brasileira.

Infelizmente, não era essa a visão geral da gestão Caleidoscópio do CAPPF, que, durante todas as reuniões da construção da calourada se mostrou vacilante em aprovar atividades que debatessem questões políticas na primeira semana (na qual a atenção dos calouros é maior), tendo sido uma luta tremenda de nossa parte aprovar a atividade contra a repressão (que se mostrou acertada). Essa secundarização das discussões políticas por parte da gestão, que possui outra concepção do que deve ser uma calourada, tem se mostrado prejudicial axs calourxs. Mesmo estxs demonstrando interesse, renegar essas discussões à segunda semana de aula – momento em que xs calourxs estão conhecendo sua sala, suas disciplinas e seus/suas professorxs e após uma jornada de atividades durante a primeira semana – só pode refletir em espaços de discussão esvaziados.

Achamos que, no mais, a primeira semana de calourada foi boa, inclusive em seus espaços de integração entre xs calouros e veteranxs, principalmente o Sarau que proporcionou além de uma integração entre xs estudantes, uma integração com outros grupos e movimentos de fora da universidade, em meio a atividades artísticas e culturais. Nesse sentido é importante ressaltar nossa diferença, já expressa durante a atividade, em relação ao ceticismo defendido pelos professores durante a Aula Magna. Esse mesmo ceticismo é reivindicado por alguns dos membros mais ativxs da Caleidoscópio, e é essa concepção que (i)move a atuação da gestão dentro do movimento estudantil, porque essa visão, apesar de questionar as coisas que estão ruins, ao não acreditar em uma mudança, refletem completamente por fora da miséria imposta pela crise capitalista e se calam frente aos exemplos concretos na história de luta da classe trabalhadora e dxs estudantes da possibilidade, necessidade e das próprias transformações. Hoje, em todos os cantos do mundo, xs trabalhadorxs, estudantes, mulheres e a juventude saem às ruas para exigir mudanças radicais em suas condições de vida e trabalho e já tendo, em diversos lugares, conquistado algumas vitórias parciais.

Pensamos que é fundamental que a gestão Caleidoscópio, do CAPPF – enquanto representante eleita pelxs estudantes – usando o próprio exemplo do debate sobre repressão e do sarau na calourada, siga construindo atividades que tragam discussões fundamentais de dentro e de fora da universidade para mobilizar xs estudantes junto axs trabalhadorxs na luta por uma universidade realmente democrática, pública, gratuita e a serviço da maioria da população. 

Nós, da Juventude às Ruas, que acreditamos no potencial revolucionário da juventude aliada à classe trabalhadora para transformar esse sistema miserável que nada pode nos oferecer além de mais exploração, nos colocamos desde já junto à gestão e a todxs xs estudantes que se dêem essa tarefa!
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TODXS A ASSEMBLEIA DA PEDAGOGIA (Bloco B) E DA USP (vão da História)

Após a iniciativa de algumxs estudantes, dentre eles nós da Juventude Às Ruas, em reivindicar a convocação de tal espaço de deliberação fundamental, o CAPPF marcou a primeira assembleia do ano da pedagogia para o dia 12/03/13. Também, a partir da insistência dos estudantes, o DCE convocou para o dia 14/03/13 a primeira assembleia Geral da USP.

Estamos em um momento histórico, em que 72 estudantes e trabalhadorxs da USP estão sendo processadxs pelo MP por formação de quadrilha após terem se colocado na linha de frente da luta contra a repressão policial dentro e fora da USP e por uma Universidade realmente aberta a toda a população e gerida democraticamente por ela. É extremamente necessário que cada gestão de Centro Acadêmico, cada organização política e grupos de extensão se coloquem na tarefa de construir uma grande assembleia e busquem massificar em cada curso esse debate e a necessidade de barrar a repressão. Somente com a massificação dessa luta podemos construir uma mobilização que esteja à altura de revogar as punições institucionais e deter a denúncia do MP. A repressão só serve para que estudantes e trabalhadores tenham medo de se expressar e lutar para democratizar as elitistas Universidade públicas; temos que barrar essa repressão todos têm direito de lutar!

Enquanto o governo do Estado e as Reitorias, por um lado, reprimem e perseguem o movimento de estudantes e trabalhadorxs que lutam pela democratização da Universidade, por outro lado, buscam uma retórica de "democratização no acesso" para aprofundar a segregação elitista das Universidades Estaduais Paulistas. É o PIMESP, um suposto programa de "inclusão" que as Reitorias pretendem implementar como uma política de cotas. Um programa que prevê barrar em 17,5% o número de negrxs com possibilidade de entrar em uma Universidade Pública até 2018. Essxs jovens deverão obrigatoriamente cursar um "colegião" de dois anos à distância para que, dessxs, apenas aquelxs que conseguirem rendimento superior a 70%, poderem, finalmente, entrar na Universidade Pública. Porém, o curso no qual estudarão estará subordinado a um ranking de classificação e a quantidade de vagas oferecidas/disponíveis por cada curso.

Somente uma mobilização massiva poderá barrar esse projeto de elitizaçãoe segregação travestido de política de inclusão. A única inclusão de fato será com o fim do vestibular (esse funil sócio-racial que serve aos interesses dos monopólios de cursinhos e escolas particulares) e a estatização das universidades particulares para que todxsxs que queiram tenham o direito de cursar o ensino superior no curso que desejarem.

ASSEMBLEIA PEDAGOGIA – BLOCO B – 18h – 12/03/13
ASSEMBLEIA GERAL – VÃO DA HISTÓRIA – 18h – 14/03/13
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Diana Assunção, diretora do SINTUSP, trabalhadora da Pós-graduação da FEUSP e uma dos 72 processados pelo Ministério Público


"Queria saudar a solidariedade da Juventude às Ruas frente à minha suspensão e as punições aos demais estudantes e trabalhadores. É imprescindível nesse momento que os estudantes e trabalhadores se unifiquem para revogar essas suspensões e as eliminações de estudantes e demissões de trabalhadores, como Brandão, já levadas a cabo pela Reitoria. É somente uma forte mobilização massificada dos estudantes em aliança com os trabalhadores que poderá barrar essa repressão e impor o projeto de uma universidade realmente democrática no seu acesso, acabando com o vestibular, e na sua gestão, efetivando os trabalhadores terceirizados e exercendo um governo com aqueles que realmente constroem a universidade."
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Kaky Vagliengo, estudante de pedagogia da USP e militante da Juventude às Ruas

“Muitas de nós ao entrarmos na universidade acreditamos que o ambiente acadêmico poderá nos proporcionar espaços de estudo e socialização minimamente livres de opressões machistas. Essa expectativa logo é desmistificada quando percebemos que em todos os cantos da universidade essa lógica se reproduz fortemente, seja nos trotes, nas festas, nas entidades representativas, nos programas de bolsas e até mesmo dentro da sala de aula. Mas essa opressão não se destina apenas as estudantes, mas de forma muito mais brutal as trabalhadoras, principalmente as terceirizadas, que além de serem oprimidas são exploradas, submetidas a condições de trabalho extremamente precárias, sofrendo em alguns casos assédio moral e sexual. Por isso, para podermos lutar contra o machismo dentro e fora da universidade, é necessário nos unirmos estrategicamente às trabalhadoras contra esse sistema que oprime, explora e mata milhares de mulheres pelo mundo. Nesse 8 de março construa com a Juventude às Ruas e as trabalhadoras um bloco classista e anti-governista as 13:00 na praça da Sé! E venha participar do relançamento do Livro “A Precarização Tem Rosto de Mulher” no dia 9 de março, as 16:00, na Casa Socialista!” 

O livro estará à venda por R$15,00. Após o relançamento haverá uma festa com comes e bebes.
Contatos: May (may.trst@gmail.com) / Karol (karolcomum@gmail.com)
A Casa Socialista "Karl Marx" de Cultura e Política fica localizada na Praça Américo Jacomino, nº 49, em frente à estação de Metrô Vila Madalena - São Paulo.



segunda-feira, 4 de março de 2013

Relançamento do livro "A Precarização Tem Rosto de Mulher"

Dia 09 de Março, Sábado às 16h – Casa Socialista Karl Marx

Praça Américo Jacomino, 49 – Vila Madalena

Em 2005, a USP assistiu um importante processo de mobilização das trabalhadoras terceirizadas da limpeza, essas mulheres, na maioria negras, lutaram por seus direitos e contra a precarização do trabalho. O livro A Precarização Tem Rosto de Mulher, organizado por Diana Assunção - diretora do Sintusp - foi lançado em 2011, ano no qual a sujeira varrida para baixo do tapete que é a precarização do trabalho feminino na USP voltou a eclodir através da luta das trabalhadoras da empresa terceirizada União. Esta publicação é a condensação da experiência de 2005, através do depoimento de Silvana Araújo, dirigente dessa luta, e de estudantes e trabalhadores efetivos que participaram do processo. A segunda edição conta com apresentações de Jorge Luiz Souto Maior (professor da Faculdade de Direito da USP e juiz do trabalho), Beatriz Abramides (professora de Serviço Social da PUC-SP e vice-diretora da APROPUC) e Claudia Mazzei Nogueira (professora da Universidade Federal de Santa Catarina), além de artigos internacionais.




Construa, neste 8 de março, com a Juventude às Ruas, um bloco aliado às trabalhadoras que se levantam ao redor do mundo na luta pelos direitos da mulher!

Juventude Às Ruas da USP   
Panfleto distribuído pela JàsR nas atividade sobre gênero e questão da mulher da calourada nos cursos da USP

Atualmente, no dia 8 de março, as mulheres são parabenizadas por serem mães e esposas... Mas não foi sempre assim. Esse dia traz um importante histórico de luta!  No final do século XIX e início do XX acontecia a inserção das mulheres no trabalho fora de casa. A classe dominante se apoiava na ideia da submissão feminina para lhes dar os piores postos de trabalho, os ambientes mais precarizados e os menores salários. Em seus primeiros anos, o 8 de março não era um dia de festa, mas um dia no qual as trabalhadoras iam às ruas por melhores condições de vida e trabalho. Em março de 1911, mais de cem trabalhadoras morreram no incêndio de uma fábrica têxtil nos EUA, causado pelos patrões da Triangle Shirtwaist contra as trabalhadoras que exigiam melhores condições. Também no 8 de março de 1917, na Rússia, foram as manifestações de mulheres contra a miséria do czarismo e da guerra que deram um pontapé inicial para a revolução de Outubro!
No entanto, não se pode falar dessa realidade de precarização do trabalho feminino como uma coisa do passado. Grande parte da mão de obra terceirizada é composta por mulheres e maioria delas negras, ou seja, elas ainda têm os piores empregos e os piores salários, graças a ideologia machista e racista que faz com que hoje no século XXI os salários femininos sejam menores. As estudantes que agora ingressam na universidade podem se dar conta de que a opressão na universidade segue presente não apenas nos trotes machistas. Dadas as condições precárias de trabalho que essas empresas impõem para gastar menos dinheiro e lucrar mais, oito em cada dez mortes por acidentes de trabalho ocorrem com terceirizados, impondo duplamente a precarização a essas mulheres, que não são apenas oprimidas, mas também exploradas.
A presidência do Brasil é hoje ocupada por uma mulher, fato colocado como uma vitória em si inclusive por coletivos feministas. Mas o que significa ter esse cargo ocupado por Dilma para as milhões de trabalhadoras e jovens? Para as primeiras, o significativo aumento do trabalho terceirizado durante sua gestão, e da carestia de vida, já que não importa o gênero, a elite sempre deseja que xs trabalhadorxs paguem as contas de sua crise. Dilma no governo, alinhada com a política das igrejas evangélicas, por votos, também não garantiu às mulheres o direito a seu próprio corpo, e o aborto segue proibido. As mulheres da classe média e da elite pagam milhares em clínicas particulares e as mulheres pobres morrem tentando métodos caseiros. As que querem ser mães também não têm esse direito garantido num país onde as condições de educação (principalmente creches) e saúde pública são precárias.
Tampouco pararam os feminicídios e a violência doméstica, já que a lei Maria da Penha ou as delegacias de mulheres não dão conta de resolver um problema que está na própria família patriarcal e na ausência de condições para que muitas mulheres se sustentem sozinhas – sem depender financeiramente de seu espancador. Nas delegacias, propostas pelo governo no lugar de salários melhores, direito de decidir ou não pela maternidade e etc., as mulheres são novamente oprimidas pela polícia, acusadas de terem provocado os estupros e a violência que sofreram, como o caso recente da mulher lésbica que tentou denunciar sua agressão e teve os dedos mutilados pela própria polícia. Não pode ser que a resposta que o movimento de mulheres dê para esses casos seja que mães procurem aqueles que nas favelas assassinam seus filhos, que as estudantes nas universidades dependam daqueles que reprimem sua organização política, tampouco que as trabalhadoras possam confiar naqueles que com os cassetetes intervém em suas greves. Temos de lutar no movimento estudantil e de trabalhadores para discutir e combater, organizadamente, os casos de opressão.
É diante dessa realidade que nós da Juventude às Ruas convidamos você a compor nosso bloco no ato do dia 8 de março, junto com os coletivos Metroviários Pela Base e Professores Pela Base. Pois acreditamos que a luta dos jovens e das mulheres deve se espelhar nas mulheres da Primavera Árabe e da Índia e ser somada contra seu inimigo comum: a burguesia e os governos que descarregam a crise em nossas costas e nos negam direitos, que perpetram a opressão das mulheres com sua ideologia para seguir lhes pagando salários menores, negando direitos e reprimindo aquelxs que lutam.



FOGO NA BIBLIOTECA DO IEL (Instituto de Estudos da Linguagem - UNICAMP)

O regime universitário será responsável por muitas "bibliotecas de Alexandria"

por Fernanda Montagner


Fogo atingiu o prédio da biblioteca de Letras da Unicamp
A biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem arde em chamas. Infelizmente essa não é mais uma analogia viva de um poeta, mas sim, a realidade crua da Unicamp. Essa biblioteca (uma das mais importantes da Unicamp com 1.725 metros quadrados, incluindo um acervo que conta com 105,6 mil livros, 1,5 mil títulos de periódicos e 3,2 mil teses e dissertações) sofre o calvário compartilhado por diversas outras, as próximas "Alexandrias". Os livros e documentos mais uma vez se perdem em meio às entranhas de uma universidade de elite para a elite, depois da inundação de dezembro de 2012 no IEL, que mergulhou um imenso arsenal de ideias documentadas no charco das goteiras, da infiltração e da fraude das empresas terceirizadas. É preciso questionar e por abaixo a estrutura de poder responsável por essas catástrofes. Um dos maiores monumentos da herança cultural da humanidade é refém da camarilha universitária que dirige o acervo. Mais: as vidas trabalhadoras estavam em risco se este incêndio acontecesse em horário expediente!

Livros ficaram destruídos após o incêndio no prédio da biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp
De costas para a população, dá milhões de reais  a construtoras terceirizadas, que demoram anos para terminar seus prédios, quando não entram em falência  ano após ano supostamente para pegar o dinheiro e entrar outra empresa fantasma, construindo seus elefantes brancos e cheios de problemas estruturais que colocam em risco  funcionários e estudantes que utilizam os prédios. Para além disso, há o fato de que essas construções são erguidas pelos braços de trabalhadores terceirizados, os mais explorados, que sofrem acidentes de trabalho e ganham uma miséria, sendo estes mesmos trabalhadores da construção civil que são ainda usados pelo governo para construir as obras da Copa e do PAC e que vem cada vez mais se levantando em Jirau, Belo Monte e outro locais (como os 16 operários ora presos no Amapá), contra as bárbaras condições de trabalho a que são submetidos. E a Unicamp, uma universidade pública de "excelência", é conivente com esse tipo de regime de trabalho.


  • Prédio atingido pelas chamas é o local onde é realizado atendimento ao público na biblioteca da Unicamp
Graças ao trabalho de alguns funcionários, o fogo não se alastrou para as salas onde ficam os acervos. Mesmo assim, as chamas destruíram as salas de trabalho e alguns livros que estavam nesses locais, tendo que novamente os funcionários e estudantes cuidarem dos acervos, como foi na inundação da biblioteca do IFCH em 2009, ou mesmo na recente inundação do IEL em 2012, enquanto os guardinhas da reitoria apenas tiravam fotos, as mesmas que são tiradas do movimento estudantil e dos trabalhadores para reprimi-los depois. Esse é o projeto privatista e elitista da reitoria, que o próximo reitor eleito (pelas ligações espúrias da Universidade com o governo do Estado e o interesses de grandes empresas), buscará manter como pilar estável deste regime universitário. Enquanto busca intensificar sua política repressiva, com as punições na USP e a ligação com o Ministério Público para acusar estudantes e trabalhadores de formação de quadrilha, volta a universidade de excelência para as grandes empresas monopolistas e bancos, como o Santander, colocando o conhecimento a serviço destas (e de suas chamas!), ao relegar os acervos a prédios sem manutenção e impedir que a população tenha acesso a estes na medida em que mantem o vestibular, como filtro para que a juventude pobre e da periferia não coloque os pés na universidade (restringindo com "a biometria" o  uso  público das bibliotecas aos estudantes, funcionários efetivos e professores da Unicamp).


É a estrutura de poder universitária, que junto aos governos do estado, é responsável por esse incêndio, pelos acidentes de trabalho, por impedir que a juventude e a população tenham acesso aos livros e ao conhecimento produzido na universidade. Para estes senhores, é melhor que os livros se percam, inundados e incendiados, a que sirvam às mãos daqueles que movimentam as engrenagens da universidade e do mundo. É fundamental que a intelectualidade e os estudantes repudiem este descaso do regime universitário contra as obras e o trabalho dos funcionários da universidade, cuja vida está em risco! Os centros acadêmicos e o STU denunciem a terceirização numa luta intransigente contra a estrutura universitária, para arrancarmos o conhecimento das mãos da elite restrita e voltarmos verdadeiramente a universidade para a população, para que os trabalhadores e a juventude tomem este espaço quanto seu por direito.