Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

segunda-feira, 4 de março de 2013

Relançamento do livro "A Precarização Tem Rosto de Mulher"

Dia 09 de Março, Sábado às 16h – Casa Socialista Karl Marx

Praça Américo Jacomino, 49 – Vila Madalena

Em 2005, a USP assistiu um importante processo de mobilização das trabalhadoras terceirizadas da limpeza, essas mulheres, na maioria negras, lutaram por seus direitos e contra a precarização do trabalho. O livro A Precarização Tem Rosto de Mulher, organizado por Diana Assunção - diretora do Sintusp - foi lançado em 2011, ano no qual a sujeira varrida para baixo do tapete que é a precarização do trabalho feminino na USP voltou a eclodir através da luta das trabalhadoras da empresa terceirizada União. Esta publicação é a condensação da experiência de 2005, através do depoimento de Silvana Araújo, dirigente dessa luta, e de estudantes e trabalhadores efetivos que participaram do processo. A segunda edição conta com apresentações de Jorge Luiz Souto Maior (professor da Faculdade de Direito da USP e juiz do trabalho), Beatriz Abramides (professora de Serviço Social da PUC-SP e vice-diretora da APROPUC) e Claudia Mazzei Nogueira (professora da Universidade Federal de Santa Catarina), além de artigos internacionais.




Construa, neste 8 de março, com a Juventude às Ruas, um bloco aliado às trabalhadoras que se levantam ao redor do mundo na luta pelos direitos da mulher!

Juventude Às Ruas da USP   
Panfleto distribuído pela JàsR nas atividade sobre gênero e questão da mulher da calourada nos cursos da USP

Atualmente, no dia 8 de março, as mulheres são parabenizadas por serem mães e esposas... Mas não foi sempre assim. Esse dia traz um importante histórico de luta!  No final do século XIX e início do XX acontecia a inserção das mulheres no trabalho fora de casa. A classe dominante se apoiava na ideia da submissão feminina para lhes dar os piores postos de trabalho, os ambientes mais precarizados e os menores salários. Em seus primeiros anos, o 8 de março não era um dia de festa, mas um dia no qual as trabalhadoras iam às ruas por melhores condições de vida e trabalho. Em março de 1911, mais de cem trabalhadoras morreram no incêndio de uma fábrica têxtil nos EUA, causado pelos patrões da Triangle Shirtwaist contra as trabalhadoras que exigiam melhores condições. Também no 8 de março de 1917, na Rússia, foram as manifestações de mulheres contra a miséria do czarismo e da guerra que deram um pontapé inicial para a revolução de Outubro!
No entanto, não se pode falar dessa realidade de precarização do trabalho feminino como uma coisa do passado. Grande parte da mão de obra terceirizada é composta por mulheres e maioria delas negras, ou seja, elas ainda têm os piores empregos e os piores salários, graças a ideologia machista e racista que faz com que hoje no século XXI os salários femininos sejam menores. As estudantes que agora ingressam na universidade podem se dar conta de que a opressão na universidade segue presente não apenas nos trotes machistas. Dadas as condições precárias de trabalho que essas empresas impõem para gastar menos dinheiro e lucrar mais, oito em cada dez mortes por acidentes de trabalho ocorrem com terceirizados, impondo duplamente a precarização a essas mulheres, que não são apenas oprimidas, mas também exploradas.
A presidência do Brasil é hoje ocupada por uma mulher, fato colocado como uma vitória em si inclusive por coletivos feministas. Mas o que significa ter esse cargo ocupado por Dilma para as milhões de trabalhadoras e jovens? Para as primeiras, o significativo aumento do trabalho terceirizado durante sua gestão, e da carestia de vida, já que não importa o gênero, a elite sempre deseja que xs trabalhadorxs paguem as contas de sua crise. Dilma no governo, alinhada com a política das igrejas evangélicas, por votos, também não garantiu às mulheres o direito a seu próprio corpo, e o aborto segue proibido. As mulheres da classe média e da elite pagam milhares em clínicas particulares e as mulheres pobres morrem tentando métodos caseiros. As que querem ser mães também não têm esse direito garantido num país onde as condições de educação (principalmente creches) e saúde pública são precárias.
Tampouco pararam os feminicídios e a violência doméstica, já que a lei Maria da Penha ou as delegacias de mulheres não dão conta de resolver um problema que está na própria família patriarcal e na ausência de condições para que muitas mulheres se sustentem sozinhas – sem depender financeiramente de seu espancador. Nas delegacias, propostas pelo governo no lugar de salários melhores, direito de decidir ou não pela maternidade e etc., as mulheres são novamente oprimidas pela polícia, acusadas de terem provocado os estupros e a violência que sofreram, como o caso recente da mulher lésbica que tentou denunciar sua agressão e teve os dedos mutilados pela própria polícia. Não pode ser que a resposta que o movimento de mulheres dê para esses casos seja que mães procurem aqueles que nas favelas assassinam seus filhos, que as estudantes nas universidades dependam daqueles que reprimem sua organização política, tampouco que as trabalhadoras possam confiar naqueles que com os cassetetes intervém em suas greves. Temos de lutar no movimento estudantil e de trabalhadores para discutir e combater, organizadamente, os casos de opressão.
É diante dessa realidade que nós da Juventude às Ruas convidamos você a compor nosso bloco no ato do dia 8 de março, junto com os coletivos Metroviários Pela Base e Professores Pela Base. Pois acreditamos que a luta dos jovens e das mulheres deve se espelhar nas mulheres da Primavera Árabe e da Índia e ser somada contra seu inimigo comum: a burguesia e os governos que descarregam a crise em nossas costas e nos negam direitos, que perpetram a opressão das mulheres com sua ideologia para seguir lhes pagando salários menores, negando direitos e reprimindo aquelxs que lutam.



FOGO NA BIBLIOTECA DO IEL (Instituto de Estudos da Linguagem - UNICAMP)

O regime universitário será responsável por muitas "bibliotecas de Alexandria"

por Fernanda Montagner


Fogo atingiu o prédio da biblioteca de Letras da Unicamp
A biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem arde em chamas. Infelizmente essa não é mais uma analogia viva de um poeta, mas sim, a realidade crua da Unicamp. Essa biblioteca (uma das mais importantes da Unicamp com 1.725 metros quadrados, incluindo um acervo que conta com 105,6 mil livros, 1,5 mil títulos de periódicos e 3,2 mil teses e dissertações) sofre o calvário compartilhado por diversas outras, as próximas "Alexandrias". Os livros e documentos mais uma vez se perdem em meio às entranhas de uma universidade de elite para a elite, depois da inundação de dezembro de 2012 no IEL, que mergulhou um imenso arsenal de ideias documentadas no charco das goteiras, da infiltração e da fraude das empresas terceirizadas. É preciso questionar e por abaixo a estrutura de poder responsável por essas catástrofes. Um dos maiores monumentos da herança cultural da humanidade é refém da camarilha universitária que dirige o acervo. Mais: as vidas trabalhadoras estavam em risco se este incêndio acontecesse em horário expediente!

Livros ficaram destruídos após o incêndio no prédio da biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp
De costas para a população, dá milhões de reais  a construtoras terceirizadas, que demoram anos para terminar seus prédios, quando não entram em falência  ano após ano supostamente para pegar o dinheiro e entrar outra empresa fantasma, construindo seus elefantes brancos e cheios de problemas estruturais que colocam em risco  funcionários e estudantes que utilizam os prédios. Para além disso, há o fato de que essas construções são erguidas pelos braços de trabalhadores terceirizados, os mais explorados, que sofrem acidentes de trabalho e ganham uma miséria, sendo estes mesmos trabalhadores da construção civil que são ainda usados pelo governo para construir as obras da Copa e do PAC e que vem cada vez mais se levantando em Jirau, Belo Monte e outro locais (como os 16 operários ora presos no Amapá), contra as bárbaras condições de trabalho a que são submetidos. E a Unicamp, uma universidade pública de "excelência", é conivente com esse tipo de regime de trabalho.


  • Prédio atingido pelas chamas é o local onde é realizado atendimento ao público na biblioteca da Unicamp
Graças ao trabalho de alguns funcionários, o fogo não se alastrou para as salas onde ficam os acervos. Mesmo assim, as chamas destruíram as salas de trabalho e alguns livros que estavam nesses locais, tendo que novamente os funcionários e estudantes cuidarem dos acervos, como foi na inundação da biblioteca do IFCH em 2009, ou mesmo na recente inundação do IEL em 2012, enquanto os guardinhas da reitoria apenas tiravam fotos, as mesmas que são tiradas do movimento estudantil e dos trabalhadores para reprimi-los depois. Esse é o projeto privatista e elitista da reitoria, que o próximo reitor eleito (pelas ligações espúrias da Universidade com o governo do Estado e o interesses de grandes empresas), buscará manter como pilar estável deste regime universitário. Enquanto busca intensificar sua política repressiva, com as punições na USP e a ligação com o Ministério Público para acusar estudantes e trabalhadores de formação de quadrilha, volta a universidade de excelência para as grandes empresas monopolistas e bancos, como o Santander, colocando o conhecimento a serviço destas (e de suas chamas!), ao relegar os acervos a prédios sem manutenção e impedir que a população tenha acesso a estes na medida em que mantem o vestibular, como filtro para que a juventude pobre e da periferia não coloque os pés na universidade (restringindo com "a biometria" o  uso  público das bibliotecas aos estudantes, funcionários efetivos e professores da Unicamp).


É a estrutura de poder universitária, que junto aos governos do estado, é responsável por esse incêndio, pelos acidentes de trabalho, por impedir que a juventude e a população tenham acesso aos livros e ao conhecimento produzido na universidade. Para estes senhores, é melhor que os livros se percam, inundados e incendiados, a que sirvam às mãos daqueles que movimentam as engrenagens da universidade e do mundo. É fundamental que a intelectualidade e os estudantes repudiem este descaso do regime universitário contra as obras e o trabalho dos funcionários da universidade, cuja vida está em risco! Os centros acadêmicos e o STU denunciem a terceirização numa luta intransigente contra a estrutura universitária, para arrancarmos o conhecimento das mãos da elite restrita e voltarmos verdadeiramente a universidade para a população, para que os trabalhadores e a juventude tomem este espaço quanto seu por direito.

sábado, 2 de março de 2013

Sobre a vinda de Yoani Sánchez ao Brasil e um debate necessário com a esquerda


Adriano Favarin, estudante de pedagogia, USP 
Guilherme Kranz, estudante de letras, USP 
Paulo Henrique Marçaioli, estudante de direito, USP




A cubana Yoani Sánchez atraiu grande atenção da mídia brasileira nos últimos dias, em parte pela popularidade que adquiriu nos últimos anos com seu blog Generación Y, mas principalmente pelo alvoroço que os grandes veículos fizeram acerca das manifestações da UJS e outros grupos durante sua passagem pelo país.

Em seu ciclo de palestras por diversas cidades do Brasil, militantes da UJS (União da Juventude Socialista - juventude ligada ao PCdoB e que atualmente dirige a UNE) fizeram atos em protesto à blogueira. Chamavam-na de "agente da CIA" e a acusavam de ser financiada pelo imperialismo devido aos prêmios internacionais.

Nesse cenário a grande mídia vem criando uma polarização falsa: de um lado a "esquerda" autoritária, antidemocrática e ditatorial representada pela juventude pró-Fidel, de outro lado o baluarte da liberdade, da democracia e dos direitos humanos representada por Yoani. Vamos com calma para não nos perder.

Comecemos pela UJS. A organização acusa Yoani de ser uma agente financiada pelo imperialismo para destruir o regime castrista. Para chegar a essa conclusão a juventude do PCdoB parte do pressuposto vulgar de que se alguém se coloca contra o regime castrista – que não é o mesmo que estar contra as conquistas da revolução de 1959, ainda que Yoani, de fato, seja inimiga de ambos -, esse alguém colabora com o imperialismo. A mobilização da “juventude socialista” cujo partido está de braços dados com o agronegócio não está, em termos prático, à serviço da luta pela emancipação do povo e dos trabalhadores cubanos, mas em defesa da burocracia governamental. Seja como for, de acordo com a lógica formal dos dirigentes da UNE, ou você está com os imperialistas, ou você está com Fidel e Chavez. A verdade é que ambos têm diferentes políticas para o mesmo objetivo: restaurar o capitalismo em Cuba. A mesma lógica serve como base teórica para defender o massacre à população Síria. Os militantes que atacam a blogueira com acusações baratas são os mesmos que apoiam o regime do Assad na Síria, são os mesmos militantes que apoiam o governo de Chavez quando manda petróleo para o exército sírio poder abastecer seus tanques e carros nessa verdadeira chacina.

É no mínimo irônico a UJS, e outros setores próximos ao governo federal como a Consulta Popular, criticarem a blogueira por receber financiamento estrangeiro enquanto aqui no Brasil fazem campanhas milionárias para o PT, como foi o caso da campanha de Haddad para a prefeitura de São Paulo que recebeu dinheiro de empreiteiras. Na lógica nacional desenvolvimentista dessas organizações não há problema no financiamento das burguesias nacionais, o problema são as estrangeiras.

A polêmica com a UJS, com a Consulta Popular e com os setores do PT que condenam Yoani Sánchez não é uma questão menor. Sua política não é a defesa da revolução cubana, mas da burocracia castrista que está atacando as conquistas daquela revolução. Por mais que a blogueira não tenha tanta popularidade na ilha como no resto do mundo, a mídia burguesa vem investindo em uma grande campanha de marketing para exaltá-la como uma heroína triunfante contra o suposto "comunismo" castrista. Ainda há hoje grandes setores na esquerda brasileira e mundial que veem o regime de Cuba como um grande exemplo do socialismo real. Não só enxergam a ilha como um bastião do socialismo, que sobrevive ao lado da maior potência imperialista do mundo, como também analisam a revolução cubana de um ponto vista menos crítico do que entusiasta. Tampouco é uma questão menor uma vez que esses são os mesmos setores que apoiam acriticamente o “socialismo com patrões” de Chavez, o governo burguês de Lula e Dilma e compõem uma base governista considerável no cenário nacional.

Deve-se haver uma discussão profunda sobre essas questões. Boa parte da esquerda brasileira apoia acriticamente o regime cubano e condena todos aqueles que a ele se opõem, desconsiderando completamente a alternativa política das massas e dos trabalhadores cubanos de lutarem contra a restauração capitalista, seja conduzida pela burocracia seja pelo imperialismo dos gusanos. A construção de uma sociedade socialista necessita de debates abertos como esses. 


A necessidade de denunciar Yoani e sua falsa jornada em defesa da liberdade de expressão.


Infelizmente, setores da esquerda sucumbiram à propaganda da mídia burguesa brasileira e do imperialismo segundo o qual Yoani seria uma “vítima” da falta de liberdade de expressão por meio da censura em cuba. Ocorre que a jornalista do imperialismo conta com enorme aparato profissional e financeiro para sustentar seus blogs. O sítio eletrônico é traduzido em mais de 20 línguas, contando portanto com profissionais de comunicação e tradutores, pagos sabe-se lá como. Igualmente, não se sabe como a blogueira poderia ser uma vítima da censura quando a mesma é conhecida no mundo todo, contando com diversos prêmios e podendo escrever em todos os jornais burgueses do planeta. É, portanto, preciso reiterar que Yoani não é nenhuma referência de luta por mais liberdade de expressão. A liberdade de expressão da jornalista do imperialismo é a liberdade dos grandes oligopólios midiáticos: a liberdade de expressão do mercado.

Yoani é diretamente financiada pelo imperialismo, por meio dos principais órgãos de comunicação burgueses (incluindo o Estadão que a considera sua “articulista”), passando pelo direitista Instituto Millenium. O espúrio apoio encontrado no Brasil por Aécio e seu PSDB (que quer posar de “democrata” enquanto manda prender por formação de quadrilha 72 estudantes em São Paulo) igualmente ilustra bem qual é a política da blogueira. O imperialismo– que na ditadura militar corroborou com todas as torturas e prisões – se fez presente no Brasil por meio desta Blogueira. 

Nesse sentido, Yoani representa a simbologia da restauração capitalista em curso avançado pela qual passa Cuba hoje. Diferente do PSTU, que caracteriza Cuba como um estado capitalista e se coloca lado a lado com a blogueira Yoani nessa sua reivindicação abstrata de liberdade de expressão, nós, da Juventude às Ruas, não nos identificamos com aqueles setores ligados à pequena-burguesia, à burguesia gusana e ao imperialismo na luta abstrata por liberdades democráticas. Sabemos, como foi com os processos de restauração capitalista no Leste Europeu, que o interesse desses setores ao reivindicar “liberdades democráticas” significa, na prática, defender a democracia burguesa e a restauração capitalista em sua face mais selvagem. 

Nós nos apoiamos na tradição do marxismo revolucionário da luta de Trotsky contra o regime burocrático stalinizado da URSS e defendemos as liberdades democráticas quando essas signifiquem especificamente a liberdade de organização dos trabalhadores e a legalização dos partidos que defendem a manutenção das conquistas da revoluções, com um programa que defenda a democracia nos locais de trabalho para a constituição de conselhos operários; a luta contra a burocrática Central dos Trabalhadores Cubanos para barrar as tendências avançadas de restauração, acabando com os privilégios da burocracia castrista e exigindo o fim do embargo imperialista. 


A Natureza Política do regime Cubano: um debate necessário 


Durante a visita de Yoani no Brasil, assistimos a outra posição política equivocada acerca do sentido da turnê (financiada pelos oligopólios da mídia mundial) da jornalista pelo mundo. Organizações como o PSTU e seus aliados fazendo coro junto ao discurso imperialismo, denunciam corretamente a falta de liberdade de expressão em Cuba, não levantando, porém, uma crítica qualificada a Yoani, revelando ceticismo quanto ao caráter reacionário do discurso dos gusanos (“vermes”, burguesia cubana exilada em Miami desde a revolução de 1959). 

Cuba mantém os traços de um estado operário deformado a passos avançados de restaurar o capitalismo. Em Cuba existe uma disputa de dois projetos igualmente reacionários e que sempre voltam ao cenário quando o a ilha entra em pauta na opinião pública. Em um lado está a burocracia castrista, encastelada em seus privilégios e que tem buscado restaurar o capitalismo em Cuba mantendo os seus privilégios como direção e partido do regime, aos moldes da China. Nesse lado se colocam os populistas e stalinistas de diversas matizes sem nenhuma diferenciação dos Castro, mas com a retórica de defesa da Revolução de 1959. Do outro lado está a burguesia gusana de Miami, apoiada pelo imperialismo, que quer restaurar o capitalismo e a sua antiga posição dominante na ilha. Nesse lado se coloca o PSTU, a partir da sua análise segundo a qual Cuba já seria um Estado plenamente capitalista (negligenciando as diversas conquistas dos trabalhadores e povos cubanos por meio da revolução de 1959, como saúde e educação de qualidades, a menor taxa de mortalidade infantil das américas[1]) e é dirigido por uma ditadura, e fazendo jus ao seu programa de revolução democrática – revisão da revolução permanente do Trotsky – defendendo, como etapa necessária para a melhor localização do proletariado em sua luta contra a burguesia, o regime democrático burguês. Para se chegar nessa etapa, o proletariado poderia supostamente estar unificado com todos os setores anti-ditatoriais – no caso atual, inclusive com o imperialismo. Ignoram o fato de que a derrota dos Castros, se conduzidas pelo imperialismo e pelos gusanos corresponderia a um duro golpe às massas cubanas, implicaria na restauração capitalista em sua forma mais brutal e direta, por meio do esmagamento de cada uma das conquistas sociais na Ilha. 

É necessário colocarmos claramente que defendemos a transformação dessa disputa entre dois projetos reacionários na luta da classe operária cubana contra a burocracia castrista, independente do imperialismo e de qualquer variante burguesa (seja ela gusana, Lulista, Chavista etc...), a partir de uma revolução política que derrube os Castro, esmague a restauração capitalista, resgate a tradição de lutas herdadas da revolução de 1959 e imponha um governo baseado nos conselhos operários e na democracia operária com a liberdade de organização e expressão de todos os partidos e organizações que defendam as conquistas da revolução de 1959. Partindo da superação da disputa entre os dois campos restauracionistas, ou preso somente à crítica de cada um deles, devemos ter claramente como palavra de ordem “nem burocracia, nem imperialismo gusano” e, por uma consigna positiva, travar a luta de classes no marco da revolução política da classe trabalhadora cubana sobre a burocracia castrista, de forma independente das burguesias e do imperialismo. 

Sem um debate sério sobre o regime cubano, seus entusiastas acríticos ou seus críticos sem distinção de classe mundo afora, dificilmente construiremos uma juventude revolucionária que se coloque de forma consequente ao lado da classe trabalhadora na luta contra as burocracias, as burguesias nacionais e o imperialismo. 





Todo apoio à luta dos rodoviários!


Juventude às Ruas Rio de Janeiro

Hoje, 01 de março os rodoviários deram início a uma forte greve contra as terríveis condições de trabalho que enfrentam diariamente. Toda a população trabalhadora e pobre sofre as consequências da exploração destes trabalhadores. Suas principais reivindicações são redução da jornada e fim da dupla função (acumulo de funções de motorista e cobrador), além de outras reivindicações econ. A vitória de seu movimento representaria uma vitória para todos os trabalhadores da cidade, não só porque melhores condições de trabalho para uma das categorias mais exploradas significaria que outros trabalhadores de outras categorias se sentiriam mais fortalecidos a lutar como, também, toda a população se beneficiaria de viagens de ônibus mais seguras. Por estes motivos nós da Juventude às Ruas manifestamos nosso apoio incondicional à luta dos rodoviários!

A juventude não pode aceitar os argumentos da mídia e do governo que buscam isolar os rodoviários e fazer a população culpá-los pelo caos na cidade no dia de hoje. O caos do transporte desta cidade é organizado diária e sistematicamente pelo governo Cabral, o prefeito Paes, sua agência Fetranspor e a entidade patronal Rio Ônibus.

Eles são os culpados pelo caos cotidiano que fazem os trabalhadores do transporte e os trabalhadores que usam o transporte público sofrer em ônibus lotados, com horários irregulares, inseguros por economia na manutenção e inseguros por metas de horários que os motoristas precisam cumprir e terríveis jornadas de trabalho além do exercício de dupla função. Estes mesmos hipócritas que hoje falam que os rodoviários atacam a população usaram esta greve ou qualquer outra desculpa para subir o valor da passagem em poucos meses. Não aceitemos esta manobra da patronal e dos governos que busca somente seus lucros!  

A revolta dos rodoviários contra esta exploração, contra este caos, precisa ser apoiada. Ao contrário de culpar os rodoviários devemos exigir dos governos e das empresas que todos trabalhadores que não conseguiram chegar ao trabalho hoje que tenham seus dias abonados recebendo integralmente  seus salários e direitos! Uma reivindicação como esta se levantada pelos rodoviários poderia ajudar a desarmar o discurso do governo e da mídia e agora também da justiça.

Não à intervenção da "justiça" do trabalho na greve! O TRT decretou que 80% da frota deve rodar diariamente, esta intervenção busca quebrar as costas do forte movimento que garantiu que somente 20% da frota rodasse hoje chegando a parar inclusive as linhas de ônibus associadas ao Metrô.

A juventude não pode ficar parada enquanto os trabalhadores se levantam contra a exploração. Chamamos os Centros Acadêmicos, Grêmios, entidades estudantis, mandatos parlamentares do PSOL, partidos e organizações políticas da esquerda anti-governista a organizarmos urgentes atos de solidariedade aos rodoviários. Todos aqueles que construimos os atos no começo do ano contra o aumento das passagens precisamos agora tomar às ruas em apoio aos rodoviários, a vitória de sua luta fortalecerá a luta por um transporte público, gratuito, seguro e de qualidade sob controle dos trabalhadores!

A partir de um forte movimento da juventude em apoio aos rodoviários podemos começar a nos dirigir a outras categorias de trabalhadores e exigir que seus sindicatos defendam a luta dos rodoviários. Os sindicatos dirigidos pela esquerda, como o SEPE - sindicato estadual dos profissionais da educação - deveriam estar à frente de um movimento como estes. A luta dos rodoviários toca a toda a população, sua vitória seria uma vitória de todos trabalhadores do Rio!
Viva a luta dos rodoviários! Pelo fim da dupla função (motorista-cobrador)! Pela jornada de 6 horas e imediato atendimento de todas outras reivindicações dos rodoviários!
Não a intervenção do TRT, pelo direito de greve! Pelo abono dos dias dos trabalhadores que não conseguiram trabalhar!

Não ao aumento das passagens!
Pela estatização sob controle dos trabalhadores de todo sistema de transporte, para garantir um transporte seguro e gratuito!

A crise histórica do capitalismo encontra a Igreja Católica

Por Adriano Favarin, estudante de pedagogia, USP

“E, de fato, vi a sombra daquele que fez por indolência tal renúncia” Dante Alighieri, no 3º Canto do Inferno, da Divina Comédia, em alusão à Celestino V, único de cerca de 10 papas cuja renúncia (1294) é reconhecida oficialmente pela Igreja Católica.



No bojo de uma crise histórica do capitalismo, e em um momento marcado pela transição do período de ofensiva reacionária da burguesia em toda a linha para um período em que levantes de massas com inaugurais entradas em cena da classe operária começam a surgir, o Papa Bento XVI, chefe de Estado do Vaticano, renuncia, deixando em evidencia as lutas internas pelo poder entre as distintas frações da cúpula da Igreja Católica. O fato, obviamente, não é um ato de grandeza de Ratzinger, senão de impotência. Os inesgotáveis escândalos de corrupção e pedofilia marcaram seu papado.


Pedofilia, a contra-cara nefasta do celibato, e o isolamento de Bento XVI

O auge do escândalo de pedofilia foi o afastamento do Cardeal de Los Ângeles, Roger Mahony. Tal publicização afetou demais a figura da Igreja, que se viu obrigada a punir inúmeros sacerdotes tanto para diminuir a negatividade de sua imagem quanto para evitar a redução de seu capital que, com as indenizações de centenas de milhares de dólares às vítimas dos crimes, acompanhou, somente nos EUA, o fechamento de três dioceses por falência.
Essa atitude do Papa de “tolerância zero” – após tal escândalo ter chegado à queixa no Tribunal Penal Internacional contra Bento XVI por crimes contra a humanidade – indignou muitos cardeais que, assim como Mahony, tendiam ao silêncio e à omissão. O motivo é que a Cúpula da Igreja Católica prefere preservar a existência de tais crimes – que é conseqüência direta da imposição celibatária e servem aos padres como válvula de escape dessa repressão sexual – às pressões de reforma com relação ao celibato. Essa indignação dos Cardeais ruiu a base já débil de consenso e apoio do Papa dentro do Consistório. Já em 2005, na sua eleição, ficou evidente a falta de homogeneidade dentro da Cúpula da Igreja. Com a necessidade de dois terços dos votos dos Cardeais para ser eleito, Bento XVI teve o mínimo de 77 votos de um total de 115 Cardeais. Tal demonstração de divisão dentro do Sacro Colégio não se via desde a eleição de Bento XV, em 1914, com a Europa dividida e prestes a iniciar a Primeira Guerra Mundial.


Corrupção, trapaças e belicismo: as disputas fracionalistas na Cúpula da Igreja

O auge dos escândalos de corrupção e das disputas entre as frações internas que levaram a sua renúncia ocorreu em 2012, com o vazamento de documentos de Estado por parte do mordomo do Papa, Paolo Gabriele. Esse vazamento, que ficou conhecido como Vatileaks, apontava a existência de complôs na Cúria Romana para esconder supostos desvios de recursos desde o Banco do Vaticano, com suspeitas sobre o envolvimento do Secretário de Estado, Tarcísio Bertone. Curiosamente, em 2012 – em meio ao turbilhão da crise mundial que tem assolado a Europa, e que só não tem arrastado grandes bancos à bancarrota devido ao salvamento dado pelos governos a partir do comprometimento das contas do Estado e da austeridade sobre a classe trabalhadora e a juventude – o Banco do Vaticano registrou o maior déficit fiscal em anos (19 milhões de dólares).
O banco do Vaticano, conhecido como Instituto das Obras Religiosas (IOR), tem um histórico tão reconhecidamente podre (envolvendo assassinatos, suicídios, complôs e relações mafiosas) que dariam o enredo de um bom filme de trama e suspense. É notório o seu funcionamento como paraíso fiscal e desde o aprofundamento da crise sobre a Europa, a União Européia tem pressionado o Vaticano para maior transparência e adequação aos padrões internacionais da luta contra a corrupção e a lavagem de dinheiro. Ratzinger colocou então Gotti Tedeschi, representante italiano do Banco Santander, na presidência do IOR para adequá-lo a tais exigências. Este, porém, fracassou e foi afastado sob a denúncia de lavagem de dinheiro.
Nesse processo ficou às claras a relação do Banco do Vaticano, na figura de Tedeschi, com as suspeitas de corrupção da empresa de Aeronáutica e defesa Finmeccanica na compra de influência com partidos políticos, também a existência de contas da máfia italiana no “Banco de Deus” e as relações fraudulentas com a sucursal alemã do Banco norte-americano JP Morgan.
A importância do Banco do Vaticano é tal que, após anunciar sua renúncia, a primeira tarefa que o alemão Reitzinger teve foi a de nomear para o cargo, até então vago, de Tedeschi, o empresário, acionista e também alemão Ernest Von Freyberg, presidente de um estaleiro de navios de luxo e integrante de um consórcio que produz navios de guerra desde os anos do nazismo. As relações do Banco do Vaticano com as indústrias da guerra nunca foram um segredo.
Após ser beneficiada pelo governo fascista de Mussolini com o Tratado de Latrão – que concedeu autonomia financeira e administrativa no seu reconhecimento como Estado –, em 1933, Pio XII, então Secretário de Estado do Vaticano, firma concordata com o governo nazista de Hitler. Em 1939, enquanto Papa, Pio XII se nega a condenar a invasão da Polônia. Entre as vantagens desse pacto, está a obtenção do imposto eclesiástico pago pelo Estado Alemão, o Kirchensteuer. Também são escandalosas as suspeitas de participação da Igreja latino-americana, da Cruz Vermelha, do Vaticano e dos governos da Argentina e do Brasil de 1945 a 1950 na Operação ODESSA com a finalidade de fuga de oficiais nazistas e fascistas de alta patente após a derrota na guerra. Não é de se estranhar, portanto, que, atualmente, a maior fábrica de armamentos do mundo, Pietro Beretta Ltda., tenha como seu segundo maior acionista, depois de Gussalli Beretta, o Banco do Vaticano.


O fim do papado da restauração burguesa e a relocalização política da Igreja no novo período

O Papa Bento XVI não representou uma ruptura com a política do Papa João Paulo II, muito pelo contrário. Os dois representam o papado do período de restauração burguesa. João Paulo II – inspirador do desvio da revolução política da Polônia, que representou o início do período contra-revolucionário que se encerra com a Primavera Árabe em 2011 – nomeia Ratzinger como Cardeal em 1977 e a partir de 1981 o indica como presidente da Congregação para a Doutrina da Fé (antiga Santa Inquisição), que Ratizinger utiliza como plataforma para tomar medidas disciplinares contra os teólogos da libertação na América Latina, denunciar a homossexualidade e a união entre pessoas do mesmo sexo, combater a utilização de preservativo, os direitos ao aborto e o sexo sem fins reprodutivos.
A crise econômica mundial, a entrada em cena de movimentos de massa e a deslegitimação dos partidos do centro do regime político burguês europeu tem levado a burguesia internacional a buscar uma relocalização política. As posturas obscurantistas que caracterizam a Igreja Católica entram em contradição aberta com os giros políticos de algumas burguesias nacionais para se localizarem frente aos novos tempos. As demandas democráticas têm cumprido no imaginário das massas um papel muito significativo, que tem levado muitos Estados e regimes a promulgarem leis que garantem certas concessões históricas dos movimentos jovens, LGTTBI’s e de mulheres, como recentemente, a aprovação do casamento igualitário nas Câmaras da Inglaterra e França, a descriminalização da maconha no Uruguai, etc.
Assim, a Igreja tem se tornado cada vez mais retrógrada e alheia à vida cotidiana de milhões de pessoas, o que se reflete em seu crescente desprestígio e perda de influência social. Exemplo disso é o crescimento de outras religiões, igualmente reacionárias, como as evangélicas, mas que pelos métodos e formas mais flexíveis tem crescido rapidamente sobre a pobreza e a marginalização cada vez maior da população, especialmente nos países da América Latina e África.
Nesse sentido, os fins da restauração burguesa têm obrigado a Igreja a se reorientar para os novos tempos que se aproximam. Tempos de, no mínimo, uma manutenção da recessão econômica mundial, de maior resistência das massas aos ataques com a emersão da classe trabalhadora enquanto sujeito e o aumento das fricções entre os países imperialistas. Longe de representar uma atitude revolucionária de um Papa conservador, a renúncia histórica de Ratzinger vai ao sentido de permitir um tempo maior do que o Conclave para que a Cúpula da Igreja possa debater o futuro da instituição e se orientar em consonância com as perspectivas econômicas, os movimentos interestatais e o ressurgimento da luta de classes que o novo período aponta, ordenando o melhor conteúdo político e aquele que melhor o representará para que a Igreja possa se relocalizar e expandir sua influência.


Mudando algo para que nada mude. A Igreja Católica sempre na reação.

         A Igreja Católica é um dos bastiões mais antigos da reação e das classes exploradoras contra os explorados. Na Idade Média levou a humanidade a retrocessos jamais vistos ao obscurecer a ciência e a cultura, assassinando nas fogueiras da Inquisição centenas de milhares de dissonantes e impondo guerras de pilhagem sobre o Oriente. Na ascensão do capitalismo estreitou laços políticos e econômicos com a grande burguesia e os banqueiros, sem perder a influência junto aos setores das caquéticas monarquias absolutistas. Benzeu o genocídio dos povos originários na América e apoiou, justificou e financiou a escravidão dos negros africanos. Prestou serviços aos regimes fascistas na Europa durante a Segunda Guerra Mundial e às ditaduras genocidas na América Latina. Freou as massas durante as revoluções políticas na Europa do Leste colaborando na sua direção à restauração capitalista contra-revolucionária. 
Muitos falam, com a saída de Ratzinger, de possíveis reformas na instituição. Porém, mesmo a mais radical reforma significa defender a instituição no seu essencial. Agora mesmo, em torno das eleições do sucessor, tem-se cogitado um provável giro “progressista” da Igreja em direção ao hemisfério Sul. Entre esses candidatos ao suposto giro “progressista” está o Cardeal de Gana, Peter Turkson, que já se declarou a favor da pena de morte para os homossexuais. Outro é o Cardeal de Honduras, Oscar Maradiaga, que garantiu a política do Vaticano de apoio ao golpe militar que destituiu Zelaya, em 2009. Também o Cardeal brasileiro, Claudio Hummes, demonstrando toda a submissão ao imperialismo, declarou que a Igreja sempre apoiou a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Enquanto isso, o outro cardeal brasileiro, João de Aviz, sinalizou que, mesmo com o deslocamento da base da Igreja para o Sul, ‘pode não ser a hora de um papa latino-americano’, desnudando a subordinação também clerical existente das semicolônias com o imperialismo.
Importante ressaltar que dos 117 Cardeais a serem escolhidos e escolherem o novo Papa, 67 foram indicados por Reitzinger e que o nome do pretendido por Bento XVI seria Angelo Scola, italiano, ligado ao movimento conservador “Comunhão e Libertação”. Todos esses elementos demonstram que, mesmo o novo Papa tendo uma diretriz política menos ortodoxa (integrista), se manterá alinhado aos interesses da burguesia europeia e, frente à miséria material imposta às massas trabalhadoras, só poderá oferecer como consolo a miséria também espiritual, moral e sexual.

* Separação total da Igreja do Estado. Fim dos subsídios milionários que ela recebe.
* Expropriação de suas inumeráveis propriedades e contas bancárias fraudulentas. Impostos progressivos aos seus enormes negócios (bancos, empresas, turismo).
* Basta de parasitas bancados pelos trabalhadores e pelo povo. Que os padres trabalhem e, se quiserem pregar alguma religião, que o faça em seu tempo livre.
* Justiça e punição a todos os padres pedófilos e corruptos.
* Fim do Acordo bilateral Brasil-Vaticano. Educação sexual laica e livre para não engravidar. Contraceptivos garantidos pelo Estado para não abortar. Direito ao aborto legal, livre e gratuito para não morrer.
* Liberdade total para as uniões civis.
* Descriminalização das drogas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Conteúdo de panfleto distribuído pela Juventude Às Ruas nos dias de matrícula dos ingressantes na USP da FFLCH e da FE


Lutar não é crime! 

Por todo o mundo levanta-se a juventude, sensível aos horrores de ditaduras, monarquias obsoletas, governos corruptos, falsas democracias, que atendem aos interesses dos grandes capitalistas e nada reservam a nossa geração. No Brasil ainda prima certa passividade, mas sabemos que não passará ileso ao furacão da crise, iniciada há 5 anos, sem saída aos grandes capitalistas. Trabalhadores e juventude já são obrigados a se colocar contra os ataques do governo e dos patrões, lutando pela garantia de seus direitos e para que não lhes sejam tomados aqueles que conquistaram com muita luta. Assim, a repressão e a criminalização dos movimentos sociais tornam-se necessárias à manutenção da ordem vigente, impedindo o acirramento dos novos processos abertos na dinâmica da luta de classes.
A denúncia do Ministério Público de SP contra os 72 estudantes e trabalhadores que ocuparam o prédio da reitoria em 2011 (durante mobilização contra a presença da PM no campus, prevista por acordo entre a polícia mais assassina do mundo e a reitoria da USP) é o golpe mais duro da mesma mão que há pouco puniu com suspensões de 5 a 15 dias, em base ao Regimento Disciplinar de 1972, de plena ditadura militar, aos que se opuseram radicalmente a um projeto de universidade: racista, elitista, privatista, onde se impõe a força do aparelho repressor do Estado para garantir as amarras do capital privado sobre o conhecimento ali produzido. As denúncias por desacato à ordem judicial, pichação, depredação do patrimônio público e formação de quadrilha (!), que somam pena de até 8 anos de prisão, é o maior ataque ao Movimento Estudantil desde os anos de chumbo. Eliane Passarelli, em acordo com Rodas e Alckmin, lança este junto aos demais golpes da reitoria e do governo do Estado ao movimento, como o do início de 2012, aos oito estudantes eliminados, ou a demissão de Claudionor Brandão, diretor sindical do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP), em 2008. Têm por objetivo amedrontar e impedir de ir à luta o conjunto dos estudantes e funcionários.
Foi-nos colocado um imperativo à luta. Some-se à Juventude às Ruas! pela revogação imediata de todas as suspensões e punições contra esses estudantes e trabalhadores! Pela reintegração de Brandão e dos 8 estudantes eliminados! Pela retirada da denúncia do MP e arquivamento de todos os processos contra lutadores! Não devemos aceitar a repressão que busca coibir a organização e manifestação política! Basta de política "do medo" e repressão, herdeiras da ditadura!



Universidade para quem?

Uma nova etapa se inicia para aqueles que acabaram de entrar na USP e muitas são as expectativas para este ano. Mas a USP vista por quem está de fora dela não é a mesma para quem convive diariamente com suas contradições, algumas já explicitadas no dia da matrícula.
Depois do vestibular, os trotes realizados contra os alunos que nela ingressam (chamados “bixos” não à toa, mas porque deveriam ser adestrados por seus veteranos!) historicamente reproduzem práticas machistas, homofóbicas, racistas e preconceituosas, colocando muitos em situação constrangedora, numa suposta comemoração que passa por fora de pensar aqueles milhares que não ingressaram na universidade ou o porquê disso. É necessário que nos coloquemos desde o início contra a opressão! Aos que passam a estudar na USP, que se diz de “excelência”, ainda é presente resquícios do trauma do vestibular, realidade em apenas 3 países da América Latina, filtro social que seleciona aqueles mais “aptos”, dentro da lógica de uma universidade elitista e racista: alunos brancos, em sua maioria egressos de escolas particulares ou cursinhos privados. Assim, dentre os quase 160 mil inscritos na FUVEST, apenas pouco mais de 10 mil, míseros 6%, acabam entrando na USP, e deles apenas pouco mais de 20% são originários de escolas públicas.
Para conservar tal situação, reitoria e governo mantêm mecanismos que barrem uma transformação radical da universidade: sua estrutura de poder totalmente antidemocrática, na qual o reitor, João Grandino Rodas, reina juntamente com os membros do CO (Conselho Universitário), com a força do aparato da PM, pautados no regimento de 1972, etc.
Nós, da Juventude ás Ruas!, lutamos por uma universidade verdadeiramente pública, gratuita e de qualidade para todos. Queremos ir além da miséria do possível, seguindo os exemplos da juventude egípcia, espanhola, chilena, somando-nos à juventude sem medo! Lutamos pelo fim do filtro social do vestibular; pela dissolução do reitorado e do CO – agentes da repressão aos que lutam contra o projeto colocado para a universidade e sua subordinação aos interesses do capital privado – por um governo das três categorias, estudantes, funcionários e professores, decidindo os rumos da universidade de excelência que constroem cotidianamente.

MOÇÃO da Oposição Alternativa da APEOESP contra a denuncia aos 72 DA USP

Nós, da Oposição Alternativa da Apeoesp, que lutamos para transformar nosso sindicato em um instrumento combativo e classista para lutar por uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos, nos opomos radicalmente à repressão aos lutadores da USP atualizada na apresentação da denuncia contra 72 pessoas, entre estudantes, trabalhadores e apoiadores do movimento político de ocupação da reitoria.

O Ministério Público de São Paulo, a serviço do Reitor Rodas e do Governador Alckmin, na figura de Eliana Passarelli, indicou no dia 15/2 a acusação de, entre outras coisas, formação de quadrilha, num total de pena que poderá chegar a 8 anos de prisão, sem nenhum precedente, nem nos tempo de ditadura.


Numa conjuntura de aumento da repressão e ataques aos movimentos sociais, aos partidos e organizações sindicais de esquerda e aos movimentos de trabalhadores, esse ataque representa mais uma ofensiva contra os lutadores e estudantes da USP, mas também a todos os lutadores da educação.


É fundamental somarmos todas as forças em defesa desses lutadores.


Nos colocamos lado a lado na defesa desses lutadores e desde já nos comprometemos a compor a reunião chamada para o dia 20/02 com o intuito de por de pé uma grande campanha democrática em defesa dos 72 e contra todas as perseguições contra os trabalhadores.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Conteúdo de panfleto distribuído pela Juventude Às Ruas no primeiro dia de matrícula dos ingressantes na Faculdade de Direito da USP

Em primeiro lugar, gostaríamos de dar boas vindas aos novos calouros que ingressam na universidade. Mas não podemos deixar de lembrar que a alegria de receber os novos calouros vem acompanhada de um fato triste: o não ingresso de muitos na universidade pública. Para cada novo estudante são mais de 10 pessoas que não conseguiram ingressar em nossa universidade. O filtro social do vestibular mantém o acesso ao ensino público restrito e associado a estrutura de poder antidemocrática da universidade, formam uma universidade elitista cuja produção de conhecimento está a serviço dos grandes empresários e dos interesses do capital. Por isso nossas boas vindas vêem acompanhada de uma chamado a todos os calouros a se incorporarem à nossa luta pela democratização da universidade e pelo fim do vestibular.


Em 27 de Outubro de 2011 uma manifestação espontânea de estudantes da FFLCH expulsou a PM da faculdade e gerou uma forte mobilização contra o convênio firmado entre a reitoria e a Polícia Militar, que já vinha sendo utilizada como forma de intimidação ao movimento sindical e estudantil, com a prisão de um dirigente do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e a invasão da PM no campus em 2009, para acabar com uma greve de trabalhadores. A mobilização que surgiu no dia 27 de Outubro gerou a ocupação do prédio da administração da FFLCH e, posteriormente, da Reitoria. O governo do estado em conluio com a reitoria reagiu de forma brutal: uma violenta reintegração de posse que contou com um "aparato de guerra" de mais de 400 homens, helicópteros, etc.
A última aparição da USP na mídia foi no início deste mês, quando tornou-se público a reacionária denúncia movida pela promotora do MP, Eliana Passarelli, contra os 72 estudantes e trabalhadores que ocuparam a reitoria no final de 2011, lutando por uma universidade verdadeiramente democrática, aberta a toda a sociedade, mas também buscando fazer ecoar as demandas dos trabalhadores e do povo pobre, contra a brutal repressão policial que sofrem cotidianamente da polícia mais assassina do mundo. As denúncias feitas pelo MP, em particular a de formação de quadrilha, tem como objetivo tratar o movimento estudantil, que lutava e luta, contra o projeto privatista de Rodas e do governo tucano, com políticas de criminalização. Mostrando estar muito bem articulada com os setores mais reacionários desse estado a grande mídia divulgou a denúncia do MP aos estudantes, que foram tratados por esta com "bandidos" e "terroristas". Essa campanha reacionária, articulada entre reitoria, MP e mídia, é parte da política de criminalização dos movimentos sociais levada pelo governo do PSDB no estado de São Paulo e de conjunto pela classe dominante também na esfera federal via os governos Lula e Dilma ao longo dos últimos anos.
A luta contra a repressão e a criminalização desde então se faz reproduzir em toda sociedade. Da brutal repressão das famílias do Pinheirinho em São José dos Campos (2011), até a recente ameaça de reintegração de posse do assentamento Milton Santos em Americana-SP e a onda de assassinatos de militantes do MST no campo, o que temos visto nos últimos anos é um incremento da repressão oficial sobre qualquer movimento contestatório, havendo até utilização das forças armadas para enfrentar greves operárias radicalizadas nas obras do PAC do Governo Federal - em Jirau, Suapes e Belo Monte. A atual denúncia reacionária do MP deve ser interpretada por todos os movimentos sociais e populares, nos marcos de uma crescente onda repressora onde cada vez mais a classe dominante mostra sua verdadeira face, e sua disposição de usar todo o seu aparato repressivo-ideológico contra os trabalhadores, o povo pobre, ou qualquer setor que se levante para resistir aos ataques que a elite desse país executa afim de garantir seus lucros frente à histórica crise capitalista em curso que começa a se instaurar no país.
A absurda denuncia do MP é um ataque de magnitude distinta a esse processo iniciado com a "operação de guerra" arquitetada pela PM, o governo do estado e a reitoria. No início do ano a reitoria divulgou as penas dos processos administrativos abertos contra os estudantes e trabalhadores que participaram da ocupação da reitoria: suspenções que vão de 5 a 15 dias. Assim, faz parecer que impunha penas "brandas", enquanto articulava junto ao MP, do mesmo governo tucano que elegeu Rodas reitor, essa denúncia que se acatada e julgada pode levar a penas de até 8 anos de prisão. Não aceitaremos nenhuma punição a lutadores! Essa "pena branda", nada mais é que uma intimidação a todo movimento estudantil e de trabalhadores a qualquer lutador que queira resistir aos ataques na universidade. Coloca uma corda no pescoço desses que se levantaram contra a linha reacionária do governo do estado de São Paulo não apenas dentro da universidade, mas também fora dela.
É preciso, portanto, que cada organização democrática, cada movimento social, sindical e estudantil engajem-se numa ampla campanha pelo imediato arquivamento da denúncia do MP que criminaliza 72 lutadores, no marco da luta contra a criminalização dos movimentos sociais. Desta campanha já fazem parte dezenas de entidades do movimento de estudantes e trabalhadores, movimentos sociais, intelectuais, políticos etc. É preciso impedir que este ataque abra precedentes e criem um ambiente de naturalização da criminalização de todo aquele que se coloca em movimento, de toda aquela que se põe em luta. O governo tucano que quer prender estudantes da maior universidade do país, acusando-os por "formação de quadrílha" quando estes se põem em movimento contra o regime anti-democrático que existe dentro da universidade de São Paulo, que pune estudantes baseado num estatuto que remonta ao período da ditadura militar, é o mesmo governo que reprime violentamente os movimentos por moradia e por terra, etc
Os estudantes de Direito, em particular, tem uma papel central a cumprir, frente a este ataque do MP. É necessário em primeiro lugar cercar de solidariedade todo e toda lutadora criminalizado pelo Ministério Público e Reitoria, por meio de notas de apoio das entidades e participação ativa na construção da campanha pelo arquivamento da denúncia. Outrossim, a iniciativa de criminalização partiu do Poder Judiciário, revelando, junto com a aberração jurídica da reintegração de posse do Pinheirinho, do despejo do Milton Santos ou do leilão das máquinas da fábrica ocupada por trabalhadores da Flaskô, enfim, demonstrando o verdadeiro caráter de classe do poder Judiciário e sua subordinação aos interesses dos detentores do poder econômico no país. Como estudantes de Direito, devemos colocar todo nosso conhecimento a serviço dos trabalhadores, estudantes e dos movimentos sociais vítimas de processos administrativos ou criminais, engajando-se não só na defesa jurídica desses movimentos, como efetivamente tomando parte daquelas lutas, ombro a ombro, junto aos trabalhadores e estudantes criminalizados.
Fazemos um chamado ao Centro Acadêmico XI de Agosto e demais entidades estudantis e correntes políticas da FDUSP a se somarem nesta campanha, participando ativamente desta luta e, além disso, chamamos que se declarem publicamente em apoio à campanha e pelo arquivamento da denúncia. Também convidamos todos os estudantes da Faculdade de Direito a fazer coro a essa ampla campanha.
No dia 20 de fevereiro ocorrerá na sede do DCE, no campus do Butantã, às18h, a plenária unificada dos 3 setores da universidade (Sintusp, DCE e Adusp), onde se discutirá e se organizará a defesa dos 72 lutadores e a campanha democrática contra a denúncia do MP. É importante que todas as entidades, correntes e estudantes estejam presentes!

PELO IMEDIATO ARQUIVAMENTO DA DENÚNCIA DO MP CONTRA OS 72 ESTUDANTES E TRABALHADORES DA USP! REVOGAÇÃO DAS SUSPENSÕES, NENHUMA PUNIÇÃO! FIM DE TODOS OS PROCESSOS, REINTEGRAÇÃO IMEDIATA DE BRANDÃO E DE TODOS OS ESTUDANTES ELIMINADOS!
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Deputado Estadual Carlos Giannazi: Apoio aos estudantes da USP


Publicado em 09/02/2013

Giannazi manifestou seu apoio aos estudantes da USP, acusados de formação de quadrilha pelo Ministério Público. O parlamentar criticou a gestão do reitor João Grandino Rodas. "O reitor foi nomeado para o cargo sem que houvesse eleição." Giannazi destacou que os 72 alunos foram vítimas de ação violenta da PM durante a reintegração de posse da reitoria. "Agora todos eles estão sendo acusados de crime hediondo e podem ser expulsos da USP. Nem na época da ditadura militar o Ministério Público se comportou dessa maneira."




Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=u7QRLuD2C6s