Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Rio: para saber-se negro

Relato de Leticia Parks sobre o verdadeiro Rio de Janeiro - o Rio de Janeiro negro!

Estive há poucos dias no Rio de Janeiro. Desde criança vejo nas novelas, nas propagandas e nos cartões postais o retrato dessa cidade tida como a melhor fotografia do que é o Brasil.

Em tudo o que o país carrega de sua ideologia mais arraigada, o Rio é o maior manifesto. Para os que dizem que fazer teatro é ser global, vê-se na cidade os intermináveis cartazes de atores globais estrelando peças que conseguem ser mais degeneradas que eles próprios. Para os que dizem que só pode tirar a roupa na praia os que tem corpos esculturais, as mulheres e homens, jovens e mais velhos, passam todo o dia de sol correndo pelas praias de Copacabana e Ipanema mostrando que para estarem de barriga de fora tem todo o tempo e dinheiro necessários. Depois, sentam com seus amigos igualmente tatuados, sarados e bronzeados e falam das asneiras típicas da (pequena) burguesia. Aplaudem o por-do-sol a beira mar depois de terem emporcalhado a praia com suas latinhas e cocôs de cachorro. Para os que idolatram a ocupação militar das favelas, é possível subir o morro do Alemão de bondinho e ver, em meio aos escombros tingidos de sangue, uma grande favela pacificada, tirar fotos e mostrar para os amigos que não foram para lá nessa temporada. Para os que lembram saudosos e desejosos da ditadura, é possível admirar o forte armamento de cada policial que anda pelas ruas, ou que exibe suas metralhadoras pela janela da viatura. Para os que dizem que temos orgulho de nosso passado colonial, basta ir à Pça XV e admirar as fantásticas obras imperiais e pós-imperiais que lembram o passado de portos escravistas, de higienizações racistas.

Para os que tem a pachorra de dizer que negros e brancos convivem em harmonia nesse grande país miscigenado, não há muito o que dizer.

Como negra, vivo a minha vida sem saber parte de minha história. Graças a Ruy Barbosa, que em 14 de dezembro de 1890 ordena a queima dos arquivos da escravidão, jamais saberei, assim como a grande maioria dos negros brasileiros, qual é a origem de minha família, quais eram seus nomes, como chegaram aqui, quantos deles morreram no caminho pela insalubridade e violência dos navios negreiros. Talvez esse elemento possa parecer pequeno para os que não se atentaram ou não vivem com ele. A história é fundamental para forjar o sujeito. Sem história é muito difícil que se consiga forjar cultura, identidade e, principalmente, sujeitos que se radicalizem contra a história de seu povo. Há tempos me revoltei contra a exploração sobre os trabalhadores em todo o mundo, dentre os quais um parcela importante é negra. Mas ainda me faltam, assim como a quase todos os negros brasileiros, a história concreta de nossos antepassados, que tornaria nossa revolta contra a opressão e, dessa maneira, contra a exploração, ainda mais agudas.

Para isso, fui conhecer o Rio que de fato representa o Brasil, que não é o Rio dos globais, dos sarados, da “passivização” policial, da “beleza” imperial. Fui conhecer o Rio da violência imperial sobre os escravos, do assassinato indiscriminado de jovens negros, do apagamento da história viva de todas as negras e negros desse país.

Comecei pelo que há de mais recente.

Na Rua da Candelária, a poucos metros da entrada da igreja de mesmo nome, é possível

ver o monumento desgastado pela chuva e pelo vento que familiares fizeram para homenagear as crianças que na madrugada do dia 23 de julho de 1993 foram brutalmente assassinadas pela polícia, que parou com os carros no local onde elas dormiam e abriram fogo sobre todas, levando 8 jovens negros à morte. Solucei quando notei que esse monumento, diferente do museu do Banco do Brasil, não só não recebe qualquer visita, como também não recebe qualquer financiamento ou preservação por parte do Estado. Os nomes dos meninos passam lentamente a ser esquecidos, até o que o tempo dê conta de sumir com cada uma das letras que, relutantes, formam os nomes daqueles que, infelizmente, já tiveram suas mortes esquecidas.
Monumento aos mortos na Chacina da Candelária

Da Candelária segui para a Rua Pedro Ernesto, no bairro da Gamboa. No número 36, de maneira totalmente encoberta por anos de esquecimento, está o cemitério dos pretos novos. Porque novos? Porque esses 30 mil escravos enterrados nesse terreno jamais chegaram a viver a vida da escravidão, tendo, após sequestrados em sua terra, chegado mortos ao porto. O fato de o Rio ter recebido metade dos escravos sequestrados para a América torna concreto dizer que este é o maior cemitério escravo do continente, e que ali estão precariamente enterrados muitos dos irmãos, primos e companheiros dos ancestrais de cada negro brasileiro. Se a Candelária representa nosso presente, a Pedro Ernesto representa as origens dele, e é por esse motivo que esse é mais um dos locais históricos de nosso país que a burguesia, pela via dos governos e prefeituras, mantém o descaso e a podridão reservados a esse importante ingrediente de nossa revolta.

A Gamboa tornou-se, algumas centenas de anos depois, palco de um prestigioso momento de contra ataque dos negros. Rodrigues Alves, presidente do Brasil em 1904, implementou apoiado com os projetos higienistas de Oswaldo Cruz, uma brutal expulsão de negros do Rio de Janeiro, para tornar a capital do país menos negra, logo, mais apresentável aos olhos do Imperialismo. Tendo suas casas demolidas e suas famílias expulsas, os negros recém “libertos”, vivendo sob condição de miséria, tiveram como estopim para sua revolta a aprovação no Congresso de obrigatoriedade na vacinação contra a varíola. Dos dias 10 a 18 de novembro de 1904, moradores negros do bairro da Gamboa organizaram, na mesma rua onde os pretos novos estavam enterrados, uma das mais fortes barricadas da Revolta da Vacina. A repressão do governo deixou 30 mortos e mais de 100 feridos. Para a barricada não encontrei nenhum monumento. Talvez porque o melhor seja fazer uma nova.

Saindo dali estive na Pedra do Sal, um ponto de encontro dos sambistas e daqueles que apreciam a música. O lugar é lotado, muito pelo samba e pouco pela história. Ao lado de um grande mercado de escravos, estava a pedra que pouco a pouco, no início do século XVII passou a ser rodeada por trabalhadores escravos e livres das docas, que talharam uma escada na pedra para tornar mais fácil o acesso à carga e às casas, que subiam o morro para além da pedra. Lá é também onde se registra as primeiras rodas de samba cariocas, que aconteciam após o longo dia de trabalho escravo descarregando navios. Junto a roda, outras manifestações da cultura negra vinham a tona, como os terreiros de candomblé, trazidos pelos escravos baianos. A região é até hoje cercada de quilombos, que expressam o histórico e interminável impedimento à moradia para os negros, que se inicia, obviamente, com o fato de que para que ela ocorresse de maneira livre, os negros fugiam e se enfrentavam violentamente contra a escravidão.

Esse foi o Rio que conheci em pouco mais do que um dia. Este Rio que me encheu o rosto de lágrimas, os pés de raiz, a mente de idéias e cada parte do meu corpo de uma pulsação mais fervorosa e raivosa, corpo e mente com mais certezas de que o sistema capitalista, que sobrevive do racismo, precisa mais do que nunca acabar.

Obrigado aos que me fizeram encontrar tudo isso.

Letícia Parks é militante da Ler-qi e da Juventude Às Ruas e estudante de Letras na USP

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Juventude às Ruas na luta contra o aumento da passagem em Mauá. Por Passe Livre para todos! Estatização dos transportes sobre controle dos trabalhadores!



Cadê o busão?? Tá muito caro. Se tudo aumenta
então aumenta o meu salário!



Como de costumo de inicio de ano, mais um ataque aos trabalhadores e a juventude de Mauá e no Brasil, mais um aumento da passagem, isso soma-se a outros ataques estruturais como: terceirização, as precárias condições de moradias, os trabalhadores que continua sem acesso a saúde e a juventude que não tem acesso as universidades, e a repressão policial estrutural do Brasil que chegou a um cenário caótico e aterrorizador no fim do ano passado, com as milhares de mortes de negros com a desculpa da guerra entre PCC e PM. Esse aumento da passagem é descaradamente a serviço de mais lucro das empresas, onde para a vida de um trabalhador, que necessita desse transporte para chegar aos postos de trabalho, as escolas, as universidades e para lazer, ter que pagar faz com que tenham que abrir mão de suas necessidades.

Infelizmente, a resposta que tem se dado nos últimos anos para esse aumento é uma estratégia de pressionar o governo e as empresas capitalistas a negociarem e retroceder ao aumento da passagem. É
necessário colocar as necessidades da classe trabalhadora a frente, levantar a bandeira da estatização dos transportes públicos sem indenização. Para contrapor essa estratégia da miséria do possível  olhemos para o Chile, onde em 2011 e no ano passado, a juventude em apoio aos trabalhadores levantou uma forte luta por universidade publicas, gratuitas e de qualidade e contra a herança do ditador Augusto Pinochet.

O que essa experiencia internacional demonstra de mais avançado é o exemplo de auto-organização da juventude secundarista, que conseguiram colocar escolas sob controle dos alun@s, professores(a), e alguns pais. Isso reafirma os antigos pensamentos comunistas que com a crise capitalista e os novos levantes tomam cada vez mais atualidade, pois a burguesia quer sobre o suor do nosso trabalho garantir suas regalias, por isso cobram autos custos no transporte (com empresas mafiosas) que é ultra precário, com um motorista que é motorista/cobrador, mas recebe um salário de fome para garantir duas funções.

É preciso coordenar as lutas contra o aumento da passem a nível nacional e criar uma aliança com os trabalhadores do transporte público para juntos não só barrarmos mais um aumento, mas nos apropriarmos do transporte público e lutar pelo fim do trabalho precário e dos lucros das empresas.

Para garantirmos os interesses da classe trabalhadora e da juventude é preciso lutarmos pela estatização dos transportes publico sem indenização e sob o controle dos trabalhadores e dos usuários – que são os que realmente fazem uso do serviço e podem refletir suas necessidades e melhorias.

-Passe Livre JÁ, para estudante e desempregados!

- Pelo fim da função motorista/cobrador, por um salário minimo com base no DIEESE!

-Formar um comitê aberto às entidades estudantis, sindicatos, movimentos populares, associações de bairro e organizações de esquerda, para democraticamente levar a frente esta jornada e derrubar o aumento!

-Estatização das empresas privadas do transporte público, sob controle dos trabalhadores e usuários! Passe Livre para todos!

JUVENTUDE ÀS RUAS!

http://www.youtube.com/watch?v=TI7CmSN_Dqg&feature=youtu.be

sábado, 5 de janeiro de 2013

Por que militar na Juventude às Ruas e na Ler-QI?

Angelo H Peters Bueno, jovem operário estudante da Unicamp



O Brasil, país que possui a maior classe trabalhadora da América Latina, conta hoje com mais de 90 milhões de assalariados, um proletariado jovem precarizado, superexplorado, majoritariamente de negros, que ocupam os trabalhos mais precarizados e com os piores salários, um pais que possui um enorme campesinato com condições de trabalhos igualmente precárias, país que tem como pilar de sua burguesia escravocrata o latifúndio. Essa é a dura realidade de quem já enfrentou longas jornadas de trabalho sem EPIs (equipamentos de proteção individual) e EPCs (equipamentos de proteção coletivo), em que os patrões preferem pagar suborno para os fiscais do Ministério do Trabalho em vez de garantir melhores condições de trabalho, prática recorrente. Em Paulínia onde eu fui operário em 2009 - tinha 19 anos, trabalhava em uma empresa que não tinha as mínimas condições de segurança, tanto é que nessa empresa, que tinha por volta de 25 funcionários, a quantidade de acidentes de trabalho era enorme, era, ou melhor, ainda é, comum ao final do dia um colega com um corte, dor no braço, intoxicação, dor de cabeça, etc. Abrir CAT (Comunicado de Acidente no Trabalho) somente quando era acidente grave. Nessa empresa eu trabalhei por um ano e sofri vários acidentes: uma vez entrei num tanque, a quantidade de gás era grande, o que faz o oxigênio baixar, quase não consigo sair vivo de dentro. Intoxicação, falta de oxigênio, perigo de explodir, problema desses tipos de trabalho também são ergonômicos, os tanques foram projetados para transporte de combustíveis e produtos químicos; dentro desses tanques existem divisões quebra ondas com pequenas passagens; o teto é baixo, um espaço confinado que dificulta o trabalho. Outro grande e grave problema é a pressão dos patrões para fazer um trabalho de risco e rápido, tanto é que em 2002 um colega perdeu a vida nessa empresa (segue matéria abaixo).

Explosão de tanque mata funcionário

Soldador de oficina mecânica, em Paulínia, fazia reparos numa carreta de gás quando ocorreu o acidente


Gláucia Santinello e Agência Estado – Paulínia


A explosão de uma carreta de gás no interior da empresa Oficina Secreta Catatau, em Paulínia, provocou a morte do soldador Nelson Castilho, 28, na manhã de ontem. O acidente de trabalho aconteceu no momento em que o soldador realizava o serviço de adaptação na válvula do carregamento.


O ajudante geral José dos Santos, 59, que estava próximo à carreta também foi atingido, mas sofreu escoriações leves. Ele foi levado ao Pronto Socorro do Hospital Municipal de Paulínia e liberado em seguida. Com a explosão, o galpão ficou parcialmente destruído.

De acordo com o delegado Júlio Cesar Brugnoli, é a primeira vez que acontece esse tipo de acidente na Oficina Secreta Catatau, empresa que presta serviço de recuperação e restauração de carretas responsáveis por transporte de gás e combustível.


Segundo o delegado, a Perícia Técnica do IC (Instituto de Criminalística) de Campinas foi acionada para auxiliar no inquérito que foi instaurado. Há suspeita de suposta falha no equipamento de vaporização do veículo - que retira todo o gás ou combustível das carretas antes da execução dos reparos. O resultado do laudo, que vai apontar os motivos do acidente, deve ficar pronto entre 30 e 90 dias.


Segundo o delegado, se for comprovada negligência da empresa em relação às normas de segurança, o proprietário deve responder por homicídio culposo e por lesão corporal culposa.

O proprietário da empresa, Valdeci Vieira dos Santos e sua advogada, Renata Strazzacappa não foram localizados para comentar sobre o acidente.”

Esse não é um caso isolado, existem outros casos de morte também em Paulínia em outras empresas. Sindicato nunca vi, fiscal vinha somente para receber seu suborno enquanto a classe trabalhadora esta sendo massacrada no país da superexploração, em pequenas e grandes empresas e nas grandes obras do PAC e da Copa.
Os trabalhadores tem consciência de que são explorados, são solidários uns com os outros, existe um ódio contra pelegos e puxa- sacos, existe a consciência de que não existe um bom burguês e patrão amigo. Minha classe é a operária e minha luta é pelo fim da exploração capitalista, contra os burgueses parasitas que vive do sangue dos trabalhadores.
Entrei na universidade no curso de Ciência Sociais buscando entender o mundo que está a minha volta, para ter maior clareza de como funciona o capitalismo e também ter armas na luta pelo seu fim e consequentemente a libertação dos trabalhadores, das condições insalubres e precárias. Lutar pelo fim desse sistema é lutar pelo fim do racismo, utilizado pela burguesia para dividir a classe operária, e também pelo fim da homofobia, lesbofobia, pelo o fim do machismo em que o capitalismo se fundamenta.
Não encontrei no movimento estudantil nada disso, era tão distante dos meus anseios, encontrei pautas mínimas, já enojado de ver como a política se dá dentro dos partidos burgueses e sua burocracia, encontrei um movimento estudantil burocrático, não me senti confortável naquele espaço, pessoas sinceras, mas que com esta política não vão libertar a classe trabalhadora! Revolução não está no seu vocabulário.
No segundo semestre fui convidado a participar da chapa Prelúdio das Primaveras, com pautas que iam além do que eu tinha como essencial como, por exemplo, o fim do vestibular, percebi que era uma bandeira estratégica, as cotas não eram a solução, longe disso, comecei a sentir que dentro desse espaço elitista haviam pessoas dispostas a lutar pela classe operária! O material de campanha tinha a luta contra o trabalho terceirizado e precarizado, contra o genocídio da população pobre e negra e sua criminalização, isso era claro em todos os debates, ficava claro de que lado estávamos e não adaptando o discurso, estudantes que gritavam aliança da juventude com a classe operária, dos jovens universitários com os trabalhadores, aliança que faz a burguesia tremer, dentro do IFCH, um dos institutos com a maior renda social da Unicamp, um espaço em que estas ideias não ecoam até mesmo naqueles que vem da classe trabalhadora devido a falta de uma consciência de classe. Tem que se tomar um lado, não tem como ficar alheio, mesmo a apatia política já é um posicionamento. Não vou virar as costas e esquecer os que ficaram para fora da universidade! Luto pelos trabalhadores que todos os dias são massacrados no campo e nas fábricas, MORTOS COMO NO EXEMPLO ACIMA, luto pela reforma agrária e o fim da burguesia latifundiária, luto pelos terceirizados dentro e fora da universidade, luto pela juventude que não tem acesso a ensino superior, luto pelo fim da polícia racista e genocida que mata e oprime os trabalhadores, luto pelo fim do Estado capitalista que se sustenta na opressão e violência, na coerção e restrições, luto para construir uma sociedade que salte do “reino da necessidade para o reino da liberdade”, e para isso é necessário superar as relações capitalistas que impedem que a sociedade se organize sob outras bases. A luta junto a classe trabalhadora não avança sem estratégia e com qualquer estratégia, por isso estou na Juventude As Ruas, por isso hoje me ponho ao lado dos companheiros da LER-QI para construir um partido classista internacionalista com estratégia revolucionária trostskista, que luta pela classe trabalhadora dentro e fora da universidade.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O JULGAMENTO DO MENSALÃO E A ORGANIZAÇÃO “CONSULTA POPULAR”. POLÊMICA COM A ORGANIZAÇÃO “CONSULTA POPULAR” (PARTE I)

Do Blog ADEUS AO CAPITAL
A “Consulta Popular”, organização política cuja maioria dos quadros é oriunda do PT, compõe o setor majoritário da Coordenação Nacional do MST e impulsiona o “Levante” Popular da Juventude, agrupação que ganhou notoriedade nos últimos meses com a realização de alguns atos “escrachos” contra figuras ligadas ao regime militar brasileiro. Além disso, a Consulta Popular, nas universidades em que atua, anima alguns grupos de extensão (como na UNESP Franca) e frequentemente disputa as entidades estudantis, como foi a “Universidade em Movimento”, chapa que há alguns anos, sem obter sucesso até o momento, vem concorrendo às eleições para o DCE da USP.

Mesmo com o forte peso nos movimentos sociais e grande influência no movimento estudantil a direção da Consulta Popular, que frequentemente faz discursos sobre a necessidade de construir “novas práticas” no movimento estudantil, sindical e popular, não está disposta, como vimos nas últimas eleições (onde apoiaram Haddad e Maluf), a construir uma alternativa classista e independente ao petismo/lulismo que, como sabemos, não proporcionou qualquer avanço na reforma agrária, mantem uma política de criminalização dos movimentos sociais e favorece as grandes construtoras e empresas que fazem uso de trabalho terceirizado e precarizado. Pelo contrário, a Consulta Popular, surpreendendo até mesmo setores que já militam próximos a esse grupo e reproduzindo o discurso reacionário da direção do PT, divulgou em sua página na internet (http://www.consultapopular.org.br/noticia/ap-470-do-stf-consulta-popular-denuncia-manifesta-e-convoca) que irá realizar uma campanha nacional contra o julgamento do Mensalão no STF e em defesa dos petistas condenados por corrupção.

Ou seja, a Consulta Popular, atuando como uma espécie de “braço ilegal” do petismo oficial, se cala diante do fracasso da política agrária do governo Dilma, não diz nada sobre a repressão do governo federal contra os operários das obras das usinas de Jirau e Belo Monte, mas está a postos para pular na lama e ajudar a lavar a cara do petismo que está imerso na imensa sujeira que se tornou a política parlamentar no Brasil.

Diante de um fato como esse, que traz enormes prejuízos para aqueles que ainda lutam por uma alternativa independente, não é apenas importante, mas inclusive salutar que aqueles que se reivindicam como parte do marxismo revolucionário coloquem de forma clara suas ideias, debatam e façam as devidas polêmicas para ajudar a classe trabalhadora e os grupos oprimidos a clarificar suas posições, separar aliados dos inimigos e reconstruir um polo classista e combativo que coloque o proletariado de volta na cena política nacional e internacional. Desse modo, não podemos concordar, como vocifera alguns setores da esquerda que há muito tempo deixaram as fileiras do marxismo revolucionário e cada vez mais se enveredam pelos caminhos dos métodos stalinistas e semi-reformistas, com as posições que alardeiam e condenam o debate dentro da própria esquerda. Suprimir a polêmica política e teórica é algo que caminha na contramão das principais lições dos grandes revolucionários do passado como Lenin, Rosa Luxemburgo e Trotsky. Nesse sentido, buscando auxiliar no avanço da consciência de classe do proletariado para que este, como sujeito social, hegemonize o conjunto das classes subalternas e apresente uma alternativa à barbárie capitalista e a seus prejuízos racistas, homofóbicos e machistas iremos questionar a posição equivocada da Consulta Popular e indicar como essa organização, com sua política de “seguidismo” ao petismo, lamentavelmente não representa uma alternativa para construir um movimento operário classista e um movimento estudantil combativo.

JUDICIÁRIO, MENSALÃO E A CONSULTA POPULAR.

Décadas de Monarquia, ditaduras e alguns poucos anos de tímidos e degradados regimes democráticos dirigidos por uma burguesia antinacional, subserviente e semicolonial fez com que o Brasil mantivesse uma estrutura político-parlamentar falida e corrupta que, frequentemente, por desavenças entre os próprios grupos e partidos dominantes, vem à tona para o conjunto da população. As campanhas dos principais partidos do regime, como é caso do PT e PSDB, são financiadas por grupos financeiros, construtoras e grandes empresas que posteriormente serão os únicos beneficiados. Não por outro motivo, todos os partidos com representação na Câmara dos Deputados estão, por alguma razão, envolvidos em esquemas de corrupção – até mesmo o PSOL. Em que pese diferenças de gestões, defender que o PT, que há anos aprofundou sua ligação orgânica com o regime burguês e estreitou seus laços com os países imperialistas, seja menos corrupto do que os privatizadores tucanos é, definitivamente, comparar seis com meia dúzia. Advogar que o partido de Lula, que recebeu cerca de 60 milhões de doações de grandes empresas para sua campanha em 2012, é vítima da direita e da imprensa golpista, como faz a Consulta, é esquizofrenia ou oportunismo.


Para os marxistas revolucionários o parlamento burguês, como já está demonstrado historicamente, é um espaço onde a classe dominante conspira contra os interesses do povo. Mesmo assim, atuamos taticamente nesse espaço utilizando a tribuna para denunciar as armadilhas dos representantes da burguesia, denunciar os ataques que estes estão preparando e convocar amplamente os trabalhadores para a luta nas fábricas, campos e ruas com seus próprios métodos de luta. Contra o oportunismo apressado que levanta a impossibilidade de tal atuação, a intervenção dos deputados ceramistas – dois operários da fabrica Zanon- da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, na Argentina, mostra que é possível uma atuação não adaptada e classista no parlamento burguês.

Também deixamos claro que o judiciário, em que pese o enorme esforço da imprensa burguesa brasileira em torná-lo o guardião da ética e da moralidade, é uma instituição também voltada aos interesses dos ricos. Com raríssimas exceções, os juízes e desembargadores, sob a máscara de decisões técnicas e imparciais, trabalham contra os interesses dos mais pobres e acobertam os crimes do colarinho branco. O Supremo Tribunal Federal (STF), órgão de cúpula do judiciário, não foge à regra. Trata-se de uma instituição reacionária, mesmo tendo em sua composição uma maioria de ministros indicados pelos governos do PT, que faz um trabalho sujo para os partidos da oposição burguesa (PSDB, DEM e PPS) e para alguns grupos econômicos não alinhados com o governo federal.
Contudo, a Consulta popular, num misto de ingenuidade e oportunismo, proclama em seu manifesto:
“A Consulta Popular manifesta que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal arrogou-se o papel de escolher, por suas próprias opções políticas, as correntes de opinião que devam ter a possibilidade de exercer os poderes Executivo e Legislativo no Brasil, consumando a um só tempo os processos de judicialização da política e politização do judiciário.”

A ingenuidade fica por conta do descobrimento tardio de que há uma politização do judiciário. O oportunismo fica evidenciado na omissão de que o PT é um dos principais agentes e mantenedores desse mesmo sistema político/jurídico que garante a impunidade aos crimes da burguesia e reserva o sistema criminal e carcerário aos pobres e àqueles que lutam pelos direitos da classe trabalhadora e do povo em geral. A inabilidade do PT em evitar um revés como o julgamento do Mensalão não pode ser traduzida como uma perseguição, mas sim como uma batalha perdida na incessante guerra entre frações da burguesia que disputam a hegemonia no controle do poder constituído.

Seria cômico se não fosse trágico, mas no Brasil da “Consulta Popular”, o PT que governa há 10 anos o país junto a importantes monopólios econômicos e financeiros, envolvido em inúmeros esquemas sujos para garantir a governabilidade, é mais uma vítima da direita.


Segundo os dirigentes e ideólogos da Consulta o julgamento do mensalão significa um retrocesso e um enfraquecimento do bloco progressivo e democrático e, por isso mesmo, deve ser questionado. Entretanto, ainda que omitamos os argumentos que apontamos a cima que mostram o contrassenso dessa posição, veremos como há inúmeras questões na realidade nacional que corroboram para o enfraquecimento do campo progressivo, dos direitos humanos e da esquerda e que mereciam uma grande atenção, mas que a Consulta Popular, em nome da eterna defesa dos “mensaleiros” petistas, não coloca como prioridade ou simplesmente se omite.


A CONSULTA POPULAR ALHEIA AOS PRINCIPAIS COMBATES PELOS DIREITOS DEMOCRÁTICOS.

A posição da “Consulta Popular” por si própria já é extremamente equivocada e nem um pouco educativa para a vanguarda dos trabalhadores, mas é um fato inegável que, diante da conjuntura atual do país, em especial do Estado de São Paulo onde há uma verdadeira política de extermínio contra o povo pobre e negro das comunidades levado a cabo pelo governo tucano, a posição da Consulta ganha contornos ainda mais problemáticos.

Os estudantes, trabalhadores e jovens em geral que se indignam diante da política de genocídio da PM e do PSDB contra os pobres de São Paulo deveriam perguntar por que a Consulta Popular, que como apontamos a cima tem uma grande responsabilidade em inúmeros movimentos sociais e populares de massas, não deu qualquer peso para a luta contra a violência policial que atingiu níveis estratosféricos?

Nas páginas do jornal Brasil de Fato, periódico editado pela Consulta popular e movimentos ligados a esta, assim como em sua página na internet, há mais informações quanto a supostas nulidades processuais do processo do mensalão (até aqui nenhum problema) do que uma denuncia e campanhas contra o massacre policial contra os pobres em São Paulo. A tarefa de denunciar a política higienista Do governo paulista e as propostas reacionárias contra a criminalidade (redução da maioridade penal, mais ROTA na rua e penas mais severas) não seria uma tarefa elementar daqueles que buscam fortalecer o campo progressivo? A defesa dos trabalhadores precarizados que têm seus bairros sitiados pela polícia paulista não ganha mais destaque do que a defesa de algumas figuras petistas envolvidas com banqueiros e compra de voto para aprovar a privatista reforma da previdência? Ao que parece nada disso sensibiliza a direção da Consulta, que elegeu o PT como a principal vítima da direita e sua defesa como a campanha nacional prioritária.


Nem mesmo os dados lançados na última semana sobre a política de reforma agrária do governo, que demonstram um retrocesso sem precedentes nessa questão, são suficientes para acelerar o rompimento da Consulta com o Governo. O conservador jornal o Estado de São Paulo, sem esconder sua gratidão, comentou os dados da seguinte maneira:

Os dados mais recentes sobre o número de famílias assentadas em terras desapropriadas para fins de reforma agrária confirmam uma notável mudança na política agrária do governo do PT depois da posse de Dilma Rousseff na Presidência da República. Resistindo às ameaças e às pressões do Movimento dos Sem-Terra (MST) e de áreas do partido ligadas historicamente à reforma agrária, o atual governo vem reduzindo drasticamente o número de famílias assentadas. Neste ano, até o dia 16 de novembro, de acordo com registros do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, 10.815 famílias tinham sido assentadas, como mostrou reportagem de Roldão Arruda no Estado (19/11). Esse número indica que o total deste ano deverá ser menor do que o de 2011, de 20,8 mil assentamentos, que, até agora, era o menor desde 1995.”

Os vergonhosos números da reforma agrária, que evidenciam que o PT governa para o latifúndio, não seriam motivos justos para uma campanha nacional em defesa da reforma agrária e de denuncia do governo Dilma? Não para a Consulta. A defesa dos “mensaleiros” também se sobrepõe a luta pelo acesso a terra aos camponeses pobres e trabalhadores rurais.

Como vimos, a “Consulta Popular” comete inúmeros equívocos. Além de fazer o malabarismo político-ideológico de transformar o PT, partido número um da ordem, em um partido de esquerda e vítima da direita, levanta a defesa dos petistas se omitindo dos principais combates democráticos da atual conjuntura. Secundariza a luta pela reforma agrária e pelos direitos humanos em São Paulo e coloca a defesa dos mensaleiros em detrimento das primeiras.


Como marxistas revolucionários, ou seja, trotskistas, não temos nenhum interesse que a situação nacional gire à direita. Não queremos o fortalecimento da oposição de Direita e de seus jornais conservadores. Entretanto, não temos nenhuma ilusão de que isso signifique um apoio ao PT. Como demonstramos antes, a problemática da corrupção está intrinsecamente ligada ao regime burguês e ao sistema capitalista. O PT, assim como PSDB, são os principais agentes mantenedores dessa ordem. É preciso questionar o regime de conjunto e não atuar com uma das alas da burguesia, sob o pretexto de um suposto “mal menor”, para combater a fração mais conservadora do bloco burguês. A construção de uma alternativa independente das frações burguesas, um polo classista, combativo e antiburocrático, é condição sine qua non para o fortalecimento das organizações operárias e populares e ao combate às entidades patronais e da direita. Ao que parece a Consulta Popular abriu mão de uma política independente. Numa próxima oportunidade mostraremos como esses problemas estão diretamente relacionados com a estratégia escolhida pela Consulta Popular.

http://adeusaocapital.blogspot.com.br/2012/12/o-julgamento-do-mensalao-e-organizacao.html

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Departamento de Relações Internacionais - UNESP FRANCA - MOÇÃO DE APOIO AOS ESTUDANTES SINDICADOS

Os professores do Departamento de Relações Internacionais no dia 27 de novembro de 2012 tendo em vista o processo de sindicância n°1392/2012 vem considerar o que segue.

Manifestar o seu apoio as demandas estudantis referente a sindicância acima tendo em vista que é da natureza e do espirito da atividade acadêmica intelectual tanto a manifestação crítica à luz do conhecimento quanto as manifestações de natureza pratica e politica as quais corroboram e dão significado social efetivo a um conjunto de ideias formulados nesse nosso ambiente. Logo, qualquer tentativa de criminalização ou restrição atenta contra esse fundamento único da nossa atividade profissional intelectual.

Ressaltamos também que não é compatível com a natureza dessa atividade qualquer tipo de ação e de pensamento que neguem seus pressupostos quais sejam aquelas atitudes que incitem comportamentos homofóbicos, machistas, racistas, odiosos, etc. Em especial consideramos que o uso dos recursos públicos dos quais dispomos devem ser cuidadosamente voltados para a busca da melhor pesquisa, do melhor ensino, dos melhores valores, dos quais em síntese indicam a necessidade e o rigor dados ao nosso processo educativo formacional interno. Estranhamos portanto e repudiamos qualquer tipo de politica administrativa ou de gestão as quais não prevejam em seus atos esse elementos mais básicos como assistimos na instituição do referido processo.

DEPARTAMENTO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS
FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
UNESP - FRANCA

NOTA DE REPÚDIO DO MOVIMENTO PARATODOS ÀS SINDICÂNCIAS ABERTAS NA UNESP FRANCA

Quando os reitores e governantes brasileiros reiteram suas falas para legitimar ofensivas aos estudantes organizados sempre lembram que nós alunos precisamos de uma “aula de democracia”. 

Dizem isso por vários motivos e para causar outras várias consequências:
1. Querem estabelecer aqui uma relação professoral, não só dentro da sala de aula mas também na perspectiva da mobilização social. As direções querem ensinar para os estudantes como se mobiliza e como se age (ou não se age) no movimento social estabelecendo um patamar de distanciamento. 

2. Querem deslegitimar a auto-organização dos estudantes mostrando-os incapazes e sobretudo imaturos não só para gerir suas graduações mas para gerir seus ímpetos de mudança social.

3. Querem deixar claro qual perfil de discente a Universidade (retrógrada) brasileira tem predileção: o aluno baseado em metas de super produção acadêmica, alheias a qualquer fim social do conhecimento e interface com os movimentos populares.

4. Querem apagar a história do movimento estudantil ao deixar claro que os alunos não são só incapazes para serem sujeitos do seu futuro, mas também, “indignos” de seu passado de mobilização justa. 

5. Querem por fim, governar sozinhos. Isto é, alijar os estudantes dos processos de decisão internos da Universidade e consolidar o modelo uníssono de governança do ensino superior: o modelo em que a Direção manda, o Estudante obedece. O modelo da heterogestão baseada em estatutos arcaicos e ultrapassados, muitas vezes criados em governos de exceção.

Diante disso, a Direção da UNESP FRANCA foi modelo de retrocesso e arbitrariedade por parte das coordenadorias do ensino superior brasileiro ao abrir SINDICÂNCIA contra trinta e um (31) alunos da FCHS no caso envolvendo a vinda de “Dom” Bertrand para a Universidade no segundo semestre. 

Os alunos podem e devem balizar quais são os nomes cabíveis dentro do espaço universitário baseado não em posturas ideológicas, mas na função social da universidade de dar respaldo à democracia e aos direitos fundamentais. Por conta disso, é sim INADMISSÍVEL a presença de qualquer palestrante que possua discurso de ódio, como é o caso do “príncipe”.

Daí temos um mote de atuação que pode ou não ter sido acertado e correto, este mote no entanto deve ser avaliado pelos próprios estudantes e pelo movimento estudantil tendo em vista que não houve qualquer violação de patrimônio da Universidade nem de nenhum indivíduo. 

Não cabe à direção postura paternal e autoritária de dar “puxão de orelha” abrindo sindicância pois:
1. Quem deve avaliar se houve erros no processo é próprio movimento estudantil.

2. A direção não tem qualquer segurança para distinguir quem participou ou não da implosão do evento.

3. A direção é a ÚNICA RESPONSÁVEL pelo “constrangimento” ao autorizar a vinda de uma pessoa tão contrastante com o espaço universitário.

4. Depois de avaliada a implosão do evento, é o movimento estudantil quem deve decidir os movimentos seguintes.

5. Não é função da Direção jogar os estudantes uns contra os outros desmobilizando o processo de organização dos discentes.

6. A Direção não deve realizar seu projeto social de Universidade através da reiteração de estatutos e regulamentos arcaicos e autoritários baseados em uma situação de perene vigilância e guerra interna.

Portanto, dessa vez, por irônico que seja, não foi o movimento estudantil quem rompeu com a direção mas a direção quem rompeu com a autonomia e organização dos estudantes, desafiando nossa capacidade de articulação e crítica. 

Por tais motivos, o MOVIMENTO PARATODOS refuta e repudia as sindicâncias abertas e presta solidariedade aos estudantes sindicados se somando às suas lutas honrosas e históricas.

Vitor Quarenta – Coordenador Estadual do Movimento ParaTodos (http://www.facebook.com/PARATODOSBRASIL?fref=ts)

MOÇÃO DE APOIO AOS DISCENTES SINDICADOS NO PROCESSO 1392/2012

Os membros dos grupos de estudo, de pesquisa e de extensão, abaixo relacionados, manifestam apoio aos discentes sindicados por meio do processo 1392/2012, que visa “apurar responsabilidades decorrentes de comportamentos supostamente irregulares dos estudantes”, durante a visita do Sr. Bertrand de Orleans e Bragança, em evento organizad
o pelo Curso de Introdução à Vida Intelectual (CIVI). Salientamos que a manifestação foi realizada dentro dos parâmetros da convivência democrática e de direito à divergência e à defesa dos direitos civis, políticos e sociais (inerentes aos nobres princípios Republicanos). 
Franca, 27 de novembro de 2012. 

Grupo de Estudos e Pesquisas Teoria Social de Marx e Serviço Social
Grupo Margarida Alves
Núcleo Agrário Terra e Raiz (NATRA)
Grupo De Estudo e Pesquisas Mundo do Trabalho Serviço Social e Saúde do Trabalhador (GEMTSS).
Centro de Planejamentos e Extensão Universitária em Serviço Social (CPEUSS)
Grupo de Estudos e Pesquisa em Política Social (GEPSS)
Grupo de Alfabetização Paulo Freire (GAPAF)
Grupos de Extensão Peti-Conpeti

Moção de Apoio aos Alunos Sindicados - PETSS

O grupo PETSS (Programa de Educação Tutorial) de Serviço Social manifesta, por meio dessa moção, seu repúdio a sindicância (processo 1392/2012) envolvendo os trinta e um estudantes da presente universidade.

Discordamos da arbitrariedade desse processo, assim como do discurso opressor e racista de D. Bertrand que defende claramente a criminalização de movimentos sociais, sobretudo no campo, o uso da violência entre outros posicionamentos que vão contra tudo aquilo que a universidade pública deve cultivar. 

Enfatizamos que esse processo de sindicância possui caráter punitivo ao movimento estudantil, que promove a perseguição política e objetiva a repressão àqueles que se manifestam contra as formas de opressão seja de classe, de gênero ou de etnia, portanto defendemos e lutamos pela retirada dessa ação ilógica, inIbidora e de cunho hierárquico.

Perante isso colocamo-nos de acordo com os princípios do Código de Ética que norteia a nossa formação profissional o qual firma-se na “defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo”, o PETSS se posiciona impreterivelmente contra qualquer tipo de punição a qualquer estudante e a favor do livre direito de manifestação na Universidade, desde que a mesma não fira os Direitos Humanos. 
Enquanto apenas os dominadores tiverem voz, a repressão nunca terá fim.

PETSS – Programa de Educação Tutorial de Serviço Social

NATRA - MOÇÃO DE APOIO AOS SINDICADOS

O grupo Núcleo Agrário Terra e Raiz (NATRA) manifesta seu repúdio a sindicância (processo 1392/2012) envolvendo os trinta e um estudantes da presente universidade.
No dia 28 de agosto de 2012, ocorreu a inviabilização da palestra de Dom Bertrand e José Carlos Sepúlveda, este último ligado a direção da TFP (Tradição, família e propriedade), organização que coordenou a primeira marcha da tradição, família e propriedade que abriu espaço para a ditadura no Brasil em 1964. Os dois palestrantes foram convidados pelo grupo Civi (Curso de Iniciação a Vida Intelectual) para tratar da importância da monarquia brasileira.
O referido palestrante integra o movimento pela “Paz no Campo”, que pretende a criminalização, repressão e incita o ódio a povos e movimentos sociais, principalmente aqueles que sobrevivem da terra e/ou mantém relações histórico-culturais com esta, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, os povos indígenas e as comunidades quilombolas. Neste sentido, mais que opinar de acordo com uma posição política conservadora, Bertrand reproduz um discurso de ódio e atentado aos direitos humanos.
Bertrand também faz parte da União Democrática Ruralista (UDR), uma associação de fazendeiros ativistas que contribuíram historicamente com a repressão e violência ao povo do campo e militantes que lutam pela reforma agrária.
Em virtude do que ambos os palestrantes representam, estudantes da UNESP Franca se manifestaram contrários à utilização do espaço público para a vinda destes. Independente dos rumos que o ato tomou e que o movimento estudantil havia planejado em conjunto, consideramos que qualquer forma de repressão aos estudantes envolvidos é incabível e ilegítima.
Acreditamos ainda que a abertura de um processo administrativo que puna a organização do movimento estudantil promove um ambiente de perseguição política que atinge todo o corpo discente que se manifeste contra qualquer tipo de opressão, seja ela de classe, gênero ou etnia. Acreditamos que esse processo de sindicância que esta sendo realizado na UNESP-Franca retrata uma conjuntura de criminalização dos movimentos sociais e estudantis. Frente a isso, o NATRA se posiciona veementemente contra qualquer tipo de punição a qualquer estudante e a favor do livre direito de manifestação na Universidade, desde que a mesma não fira os Direitos Humanos. 

Núcleo Agrário Terra e Raiz (NATRA)

Moção de repúdio às sindicâncias e de apoio aos sindicados da UNESP Franca

Tem se tornado comum na universidade pública brasileira a perseguição e a punição, por parte de direções e reitorias, aos estudantes que participam das manifestações do movimento estudantil. Tais processos punitivos - na sua maioria totalmente antidemocráticos e unilaterais - têm como função desmontar e reprimir o movimento estudantil.
Na UNESP Franca, não foi diferente. Trinta e um (31) estudantes estão sendo sindicados por conta de um ato contra a presença do “ príncipe” Don Bertrand e do jornalista Luis Carlos Sepúlveda, ligados à TFP (Tradição, Família e Propriedade; entidade intimamente ligada à ditadura militar brasileira (1964-1985) e à UDR (União Democrática Ruralista, entidade responsável, dentre outras coisas, pelos massacres no campo) na instituição. A presença de tais pessoas e instituições na universidade fere totalmente o caráter livre e democrático desta e, portanto, aqueles que lutam contra a presença destes na Universidade não podem, de maneira, algum, serem punidos.
Por isso, manifestamos por meio dessa moção nossa solidariedade aos sindicados e nosso repúdio à direção da UNESP Franca (cujo diretor estava diretamente ligado ao evento que trouxe Bertrand e Sepúlveda à universidade). Colocamos-nos contra a criminalização do movimento estudantil e de todos os movimentos sociais.
Que se retirem imediatamente os processos aos estudantes!

Assinam esta moção:


Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Calçado de Franca (Sindicato dos Sapateiros da Padre Anchieta) 
Diretório Central dos Estudantes da Unicamp
Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito de Franca
Diretório Acadêmico da Unesp de São José do Rio Preto 
Diretório Acadêmico de Economia da UNESP de Araraquara 
Diretório Acadêmico da UNESP Franca
Centro Acadêmico de História da UNESP Assis 
Coletivo Domínio Público de Movimento Estudantil 
Coletivo Barricadas - construindo o Rompendo Amarras