Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Moção de Apoio aos Alunos Sindicados - PETSS

O grupo PETSS (Programa de Educação Tutorial) de Serviço Social manifesta, por meio dessa moção, seu repúdio a sindicância (processo 1392/2012) envolvendo os trinta e um estudantes da presente universidade.

Discordamos da arbitrariedade desse processo, assim como do discurso opressor e racista de D. Bertrand que defende claramente a criminalização de movimentos sociais, sobretudo no campo, o uso da violência entre outros posicionamentos que vão contra tudo aquilo que a universidade pública deve cultivar. 

Enfatizamos que esse processo de sindicância possui caráter punitivo ao movimento estudantil, que promove a perseguição política e objetiva a repressão àqueles que se manifestam contra as formas de opressão seja de classe, de gênero ou de etnia, portanto defendemos e lutamos pela retirada dessa ação ilógica, inIbidora e de cunho hierárquico.

Perante isso colocamo-nos de acordo com os princípios do Código de Ética que norteia a nossa formação profissional o qual firma-se na “defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo”, o PETSS se posiciona impreterivelmente contra qualquer tipo de punição a qualquer estudante e a favor do livre direito de manifestação na Universidade, desde que a mesma não fira os Direitos Humanos. 
Enquanto apenas os dominadores tiverem voz, a repressão nunca terá fim.

PETSS – Programa de Educação Tutorial de Serviço Social

NATRA - MOÇÃO DE APOIO AOS SINDICADOS

O grupo Núcleo Agrário Terra e Raiz (NATRA) manifesta seu repúdio a sindicância (processo 1392/2012) envolvendo os trinta e um estudantes da presente universidade.
No dia 28 de agosto de 2012, ocorreu a inviabilização da palestra de Dom Bertrand e José Carlos Sepúlveda, este último ligado a direção da TFP (Tradição, família e propriedade), organização que coordenou a primeira marcha da tradição, família e propriedade que abriu espaço para a ditadura no Brasil em 1964. Os dois palestrantes foram convidados pelo grupo Civi (Curso de Iniciação a Vida Intelectual) para tratar da importância da monarquia brasileira.
O referido palestrante integra o movimento pela “Paz no Campo”, que pretende a criminalização, repressão e incita o ódio a povos e movimentos sociais, principalmente aqueles que sobrevivem da terra e/ou mantém relações histórico-culturais com esta, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, os povos indígenas e as comunidades quilombolas. Neste sentido, mais que opinar de acordo com uma posição política conservadora, Bertrand reproduz um discurso de ódio e atentado aos direitos humanos.
Bertrand também faz parte da União Democrática Ruralista (UDR), uma associação de fazendeiros ativistas que contribuíram historicamente com a repressão e violência ao povo do campo e militantes que lutam pela reforma agrária.
Em virtude do que ambos os palestrantes representam, estudantes da UNESP Franca se manifestaram contrários à utilização do espaço público para a vinda destes. Independente dos rumos que o ato tomou e que o movimento estudantil havia planejado em conjunto, consideramos que qualquer forma de repressão aos estudantes envolvidos é incabível e ilegítima.
Acreditamos ainda que a abertura de um processo administrativo que puna a organização do movimento estudantil promove um ambiente de perseguição política que atinge todo o corpo discente que se manifeste contra qualquer tipo de opressão, seja ela de classe, gênero ou etnia. Acreditamos que esse processo de sindicância que esta sendo realizado na UNESP-Franca retrata uma conjuntura de criminalização dos movimentos sociais e estudantis. Frente a isso, o NATRA se posiciona veementemente contra qualquer tipo de punição a qualquer estudante e a favor do livre direito de manifestação na Universidade, desde que a mesma não fira os Direitos Humanos. 

Núcleo Agrário Terra e Raiz (NATRA)

Moção de repúdio às sindicâncias e de apoio aos sindicados da UNESP Franca

Tem se tornado comum na universidade pública brasileira a perseguição e a punição, por parte de direções e reitorias, aos estudantes que participam das manifestações do movimento estudantil. Tais processos punitivos - na sua maioria totalmente antidemocráticos e unilaterais - têm como função desmontar e reprimir o movimento estudantil.
Na UNESP Franca, não foi diferente. Trinta e um (31) estudantes estão sendo sindicados por conta de um ato contra a presença do “ príncipe” Don Bertrand e do jornalista Luis Carlos Sepúlveda, ligados à TFP (Tradição, Família e Propriedade; entidade intimamente ligada à ditadura militar brasileira (1964-1985) e à UDR (União Democrática Ruralista, entidade responsável, dentre outras coisas, pelos massacres no campo) na instituição. A presença de tais pessoas e instituições na universidade fere totalmente o caráter livre e democrático desta e, portanto, aqueles que lutam contra a presença destes na Universidade não podem, de maneira, algum, serem punidos.
Por isso, manifestamos por meio dessa moção nossa solidariedade aos sindicados e nosso repúdio à direção da UNESP Franca (cujo diretor estava diretamente ligado ao evento que trouxe Bertrand e Sepúlveda à universidade). Colocamos-nos contra a criminalização do movimento estudantil e de todos os movimentos sociais.
Que se retirem imediatamente os processos aos estudantes!

Assinam esta moção:


Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Calçado de Franca (Sindicato dos Sapateiros da Padre Anchieta) 
Diretório Central dos Estudantes da Unicamp
Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito de Franca
Diretório Acadêmico da Unesp de São José do Rio Preto 
Diretório Acadêmico de Economia da UNESP de Araraquara 
Diretório Acadêmico da UNESP Franca
Centro Acadêmico de História da UNESP Assis 
Coletivo Domínio Público de Movimento Estudantil 
Coletivo Barricadas - construindo o Rompendo Amarras

ENESSO REGIÃO VII - MOÇÃO DE APOIO AO ESTUDANTES SINDICADOS

Nós estudantes de serviço social da ENESSO Região VII vemos por meio desta manifestar o nosso apoio ao trinta e um sindicados do movimento estudantil da UNESP Franca, que estão sofrendo repudio por se levantarem contra o latifúndio, o racismo, a opressão que no momento se deu na presença de Dom Bertrand em um evento realizado na Universidade, que deve ser pública, laica e de qualidade.

Acreditamos e lutamos por uma universidade para todos, livre de qualquer tipo de opressão e preconceito, defendemos também a liberdade de expressão desde que essa não fira os direitos humanos, e não é o que vemos no discurso desse senhor, representante da monarquia e com discursos opressivos e racistas incabíveis ao ideal de universidade que construímos.

Considerando nossa luta ao lado da classe trabalhadora, é incabível tal processo arbitrário e punitivo a estudantes que buscam construir não apenas uma universidade diferente mas que luta contra esse sistema que não nos permite ser livres, sustentado por um poder hierárquico, racista,machista e homofóbico, que mata e não pune os verdadeiros criminosos.

Perante isso nos levantamos contra a repressão aos estudantes que são mais de trinta e um, são mais que apenas o movimento estudantil da UNESP, são estudantes nacionais que se levantam contra esse método punitivo, repressor, e ilógico tomado pela direção dessa universidade, sendo assim nos colocamos ao lado desses estudantes contra qualquer repressão administrativa e/ou política, pois o direito de luta não pode ser negado.

“Se o presente é de luta o futuro nos pertence”. (Che Guevara)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

MORADIA ESTUDANTIL DA UNESP FRANCA - MOÇÃO DE REPÚDIO A SINDICÂNCIA.

A Moradia Estudantil da Unesp de Franca em assembleia extraordinária realizada no dia 26 de novembro de 2012 delibera sua posição de repúdio ao processo de sindicância aberto aos trinta e um estudantes da presente universidade. 

Aos 28 de Agosto de 2012 ocorreu a implosão do “evento do Príncipe”, sendo ele Dom Bertrand. O palestrante, Dom Bertrand, membro simbólico da família real brasileira e José Carlos Sepúlveda, coordenador da primeira marcha da Tradição, Família e Propriedade, esta que culminou na Ditadura Militar Brasileira de 1964, foram convidados pelo grupo CIVI( Curso De Iniciação a Vida Intelectual) a exporem a “importância da monarquia no Brasil”. Os palestrantes concebem a reforma agrária e os movimentos sociais como retrógrados ao sucesso do Brasil, sendo que expõem um discurso que vão contra a dignidade humana, pois os dois palestrantes reproduzem e reafirmam o preconceito e ódio para os homossexuais, negros, indígenas, comunidades quilombolas, mulheres, e crianças (ao afirmar nesse último caso em especifico a necessidade da violência como forma de educar). Eles estão vinculados a União Democrática Ruralista (UDR), uma associação de fazendeiros e ativistas fomentadores de milícias responsáveis pelo assassinato de trabalhadores rurais e militantes da luta pela reforma agrária. 

Entendemos a universidade pública como um espaço de debate e pluralidade de ideias, porém quando se apresentam discursos odiosos e extremados que ferem os direitos humanos, nos vemos no direito de nos manifestar contra. Diante disso questionamos a sindicância, além da mesma ter um caráter duvidoso. Em uma manifestação sem liderança, com participação de cerca de 200 pessoas, tendo apenas 31 sindicadas. Sendo que alguns alunos sindicados nem se quer participaram do ato protesto.
Parece-nos que essa sindicância possui um caráter seletivo, onde alunos muito específicos são indiciados, enquanto que tantos outros que lá estavam não foram sequer lembrados. Esse ato se apresenta como um ato repressor e punitivo. Repressor no sentido de que não tolerará atitudes que contrariem as ideias e vontades da direção. Punitivo no sentido de “ensinamento”, de que não devemos fazer mais nada contrário a direção, porque esse será a atitude a se esperar. Em uma universidade onde a liberdade estudantil e a integridade humana não são respeitadas deve-se no mínimo desconsiderar a palavra universidade e sim pensar em uma prisão, onde apenas obedecemos às ordens independentemente de como elas nos afetam.

Entendemos que se deve ter responsabilidade ao trazer um palestrante. Não devemos nos restringir ao tema abordado, mas ficarmos atentos também ao seu passado e tudo que este já realizara fora da universidade ou local de palestra. Assim cobramos o grupo idealizador do evento mais responsabilidade. 
Ao lado dos movimentos sociais, da justiça social, da igualdade e buscando sempre pela democracia, nos posicionamos veementemente contra a abertura de sindicância. 

"Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem". (Rosa Luxemburgo)
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Moção de apoio da recém-eleita gestão Caxangá do CAELL - USP

A gestão eleita do Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários "Oswald de Andrade", da USP, se posiciona favorável aos manifestantes que, no dia 28 de Agosto de 2012, protestaram contra a presença de Dom Bertrand e Luis Carlos Sepúlveda, ligados à UDR e à TFP.

Mais uma vez, a política do Governo Estadual se faz presente na pronta repressão a movimentos sociais reivindicatórios. As 31 sindicâncias abertas no processo 1392/2012 se apresentam como reproduções da lógica na qual o cidadão tem por direito a obediência cega. Uma lógica que ignora todas as conquistas da sociedade que se deram mediante a lutas contra o sistema que se impunha, e das quais muitos de nossos atuais detentores da produção ideológica fizeram parte. Entendem, seguramente (acreditando em sua honestidade e boa intenção), a democracia como processo estanque, no qual seu ápice já foi atingido e nada mais cabe reivindicar.

Para legitimar a repressão, apegam-se ao discurso da legalidade, como se não fosse a própria lei, um reflexo da ideologia dominante, servindo a um determinado valor que, como qualquer outro, é passível de contestação. E se o Império da Lei não é garantido em si mesmo, sendo necessária sua constante legitimação através do movimento dialético gerado por suas contestações e transgressões dentro da sociedade, por que se exige tal prerrogativa à família imperial?

Tal fato se torna de absoluta ignomínia a qualquer um que defenda a democracia, se ponderado que o lado criminalizado são fiéis depositários de um legado de lutas em prol de uma sociedade mais justa e igualitária, a saber, membros do movimento estudantil. Um legado que não apenas legitima, como exige que seja defendida a função social da universidade, contestando a difusão institucionalmente euforizada de ideias ligadas a discursos de ódio contra minorias e contra setores que lutam pela reforma agrária. Contestando representantes de entidades ligadas à ditadura civil-militar e à defesa da permissividade com relação à escravidão no meio agrário.

Aceitar estas punições é corroborar uma prática institucionalizada pelos governantes brasileiros, de criminalizar movimentos políticos, a fim de desestimulá-los. A gestão eleita para o ano letivo de 2013 no Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários "Oswald de Andrade" repudia a repressão ideológica camuflada no discurso da legalidade e manifesta todo o apoio aos 31 indiciados.

Nota de apoio do DCE-Livre da USP aos estudantes processados da UNESP Franca

 Nós, do DCE-Livre da USP, declaramos nosso apoio aos estudantes processados da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Franca, em mais um caso de perseguição por parte da direção universitária ao livre debate de ideias e ao exercício da política no interior da universidade. Hoje, 4 de dezembro de 2012, ocorre um ato estadual na UNESP Franca, contra as sindicâncias que podem levar à expulsão dos estudantes.

 Assim como na USP, em que quase uma centena de estudantes são processados com base em um Regime Disciplinar escrito em 1972, durante o auge da ditadura militar, os estudantes da UNESP também estão sendo julgados por terem desrespeitado a “moral e os bons costumes” e por se manifestarem de forma “político-partidária na universidade”, conforme estabelecido em dispositivos jurídicos autoritários que ainda subsistem no Estatuto da UNESP. São 31 estudantes que podem ser expulsos da universidade por terem participado de uma manifestação de mais de 200 contra a presença do “príncipe” Dom Bertrand de Orleáns e Bragança, trazido à universidade para um debate que contava também com a presença do jornalista Luís Carlos Sepúlveda (membro do grupo Tradição Família e Propriedade – TFP) e que foi organizado pelo diretor da faculdade. Devemos nos questionar por que o “príncipe”, um membro da União Democrática Ruralista e notório crítico da reforma agrária e defensor da monarquia no Brasil, foi convidado para palestrar em uma universidade pública: a falta de democracia nas instituições de ensino superior, ao impedir que estudantes, professores, funcionários e o conjunto da sociedade pautem as prioridades da academia quanto aos debates necessários sobre os rumos do nosso país, ao mesmo tempo privilegia um determinado ponto de vista, o da direção da faculdade, sobre qual deve ser o papel das universidades no Brasil.

 A perseguição política aos estudantes só visa reafirmar a universidade enquanto uma instituição antidemocrática, cuja função social é determinada de acordo com os interesses dos dirigentes universitários e do governo estadual, negando a participação daqueles que a vivenciam cotidianamente ou da população que financia suas atividades. Nos colocamos contra a criminalização do movimento estudantil e de todos os movimentos sociais, exigindo a retirada imediata de todos os processos aos estudantes!

 DCE-Livre da USP – Alexandre Vannucchi Leme
Gestão “Não vou me adaptar!”

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Moção de apoio da recém-eleita gestão Caxangá do CAELL - USP

A gestão eleita do Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários "Oswald de Andrade", da USP, se posiciona favorável aos manifestantes que, no dia 28 de Agosto de 2012, protestaram contra a presença de Dom Bertrand e Luis Carlos Sepúlveda, ligados à UDR e à TFP.

Mais uma vez, a política do Governo Estadual se faz presente na pronta repressão a movimentos sociais reivindicatórios. As 31 si
ndicâncias abertas no processo 1392/2012 se apresentam como reproduções da lógica na qual o cidadão tem por direito a obediência cega. Uma lógica que ignora todas as conquistas da sociedade que se deram mediante a lutas contra o sistema que se impunha, e das quais muitos de nossos atuais detentores da produção ideológica fizeram parte. Entendem, seguramente (acreditando em sua honestidade e boa intenção), a democracia como processo estanque, no qual seu ápice já foi atingido e nada mais cabe reivindicar.

Para legitimar a repressão, apegam-se ao discurso da legalidade, como se não fosse a própria lei, um reflexo da ideologia dominante, servindo a um determinado valor que, como qualquer outro, é passível de contestação. E se o Império da Lei não é garantido em si mesmo, sendo necessária sua constante legitimação através do movimento dialético gerado por suas contestações e transgressões dentro da sociedade, por que se exige tal prerrogativa à família imperial?

Tal fato se torna de absoluta ignomínia a qualquer um que defenda a democracia, se ponderado que o lado criminalizado são fiéis depositários de um legado de lutas em prol de uma sociedade mais justa e igualitária, a saber, membros do movimento estudantil. Um legado que não apenas legitima, como exige que seja defendida a função social da universidade, contestando a difusão institucionalmente euforizada de ideias ligadas a discursos de ódio contra minorias e contra setores que lutam pela reforma agrária. Contestando representantes de entidades ligadas à ditadura civil-militar e à defesa da permissividade com relação à escravidão no meio agrário.

Aceitar estas punições é corroborar uma prática institucionalizada pelos governantes brasileiros, de criminalizar movimentos políticos, a fim de desestimulá-los. A gestão eleita para o ano letivo de 2013 no Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários "Oswald de Andrade" repudia a repressão ideológica camuflada no discurso da legalidade e manifesta todo o apoio aos 31 indiciados.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

NOTA DE REPÚDIO À ABERTURA DE SINDICÂNCIA CONTRA ESTUDANTES DA UNESP-FRANCA


Vimos através deste documento explicitar nosso repúdio a um ato autoritário da direção da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UNESP-Franca. Trata-se da abertura de sindicância contra 31 estudantes que participaram de uma manifestação estudantil, a qual questionou a vinda de Dom Bertrand de Orleans Bragança, cuja presença em qualquer Universidade representa um retrocesso acadêmico-intelectual e, portanto, uma violação ao patrimônio científico e cultural que o meio universitário vem seriamente acumulando.

A UNESP tem como um de seus princípios estruturantes, segundo consta no artigo 2º, inciso IV de seu Estatuto, o desenvolvimento crítico e reflexivo, com o objetivo permanente de criação e de transmissão do saber e da cultura. No entanto, este pilar estruturante encontra-se desgastado. Afinal, a vinda do palestrante citado acima não privilegia nem estimula a atividade intelectual e a reflexão continuada sobre a sociedade brasileira, pois representa a não defesa da cidadania, dos direitos humanos e da justiça social. Contrariando até mesmo nossas próprias bases constitucionais, as quais se fundamentam, sobretudo, na cidadania e na promoção do bem da população, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor e idade, fundamentos estes que são claramente atacados no discurso do palestrante, o qual legitima práticas de violação aos direitos humanos e incentiva a manutenção das injustiças sociais.

E foi por questionar essa imensa contradição que os 31 estudantes, sobretudo discentes dos cursos de História e Serviço Social e membros de grupos de defesa dos direitos humanos, serão punidos. Por fazerem jus aos princípios estruturantes da Universidade Pública e manifestarem-se publicamente em defesa de nossas bases constitucionais, é que receberão penalidades, ou seja, trata-se nitidamente de uma medida paradoxal e extremamente autoritária, que coaduna com o desgaste dos pilares fundantes da Universidade, revelando também o controle e a repressão intensificada que vem sofrendo o corpo discente nos últimos anos.

Ademais, é preciso refletir que aqueles que convidaram o ilustre palestrante são os que, de fato, deveriam ser advertidos pela Universidade para que não atentem contra o seu patrimônio científico e cultural, suas diretrizes mandamentais e as próprias bases constitucionais do país.

Todavia, os estudantes sindicados estão sendo acusados sob fundamentações originárias do Regimento Geral da UNESP, as quais não mais estão sintonizadas com a nossa Constituição Federal, haja vista a presença de ranços autoritários da ditadura civil-militar brasileira em suas disposições. Como se não bastasse, o procedimento utilizado para a materialização da sindicância, previsto na Lei Estadual n° 10.261/68, é extremamente inquisitório e guarda os mesmos ranços autoritários mencionados anteriormente. Não há, por conseguinte, razoabilidade e proporcionalidade nas acusações e no próprio procedimento, além de não ser possível individualizar condutas de cada indiciado, pois houve uma manifestação estudantil massificada com a presença de aproximadamente 300 estudantes.

Com isso, pedimos apoio para o repúdio a essa medida absurda e autoritária da direção da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UNESP de Franca, reiterando a necessidade de continuarmos denunciando a sistemática violação de direitos humanos, buscando, para tanto, a imediata revogação do ato administrativo que ensejou a instauração da sindicância, como demonstração e sinal de que há respeito pelos valores que norteiam a Universidade Pública e a ordem jurídica democrática brasileira.

NEDA – Núcleo de Estudos de Direito Alternativo

domingo, 2 de dezembro de 2012

Na Fafich/UFMG: Estudantes e militantes de direitos humanos presentes em teleconferência direto do Estado Espanhol!

No último dia 22 de novembro, por iniciativa da Juventude às Ruas, foi realizada uma importante teleconferência com debate internacionalista com ativistas do Estado Espanhol na sala 2072 da FAFICH-UFMG, onde estiveram presentes estudantes de diversos cursos da unidade e também de fora universidade. O debate contou com cerca de 30 pessoas, o que é um importante número visto ser este um debate ainda alheio da atividade militante do movimento estudantil tradicional, mesmo que em plenas eleições estudantis.

Ampliar a discussão em torno da crise da Europa, tirar lições e de dar solidariedade internacionalista ativa à luta da juventude e dos trabalhadores, que vêm se enfrentando com duros planos de ajustes e ataques a direitos históricos é necessário para qualquer agrupação revolucionária da juventude, dentro ou fora da universidade.

Com Salvador e Leire, do outro lado do atlântico, militantes do grupo Clase Contra Clase e da agrupação revolucionária No Pasarán pudemos discutir essa luta que encontrou um ponto de inflexão no 14N (greve geral do dia 14 de novembro, convocada pelas principais centrais sindicais espanholas), e mostrou, mesmo sem uma coordenação ativa, tendências à unificação internacional das lutas entre os diversos trabalhadores da Europa como método para responder solidamente aos ataques de Merkel.

Para nós, da Juventude às Ruas, foi uma grande oportunidade para discutirmos como é necessário nos prepararmos desde já para enfrentar também no Brasil os impactos desta crise estrutural do capitalismo. A apropriação de algumas lições fundamentais em que vem avançando o movimento de juventude e de trabalhadores na Europa é fundamental para, não se deixando levar pela situação subjetiva de passividade e o clima reformista advindos dos anos de governos Lula e Dilma, nos prepararmos antecipadamente para os duros embates e desafios históricos que a crise capitalista traz para toda a classe trabalhadora e para a juventude à nível mundial.

Crise Política e Social no Estado Espanhol

A teleconferência iniciou com Salvador fazendo uma exposição de algumas características da situação objetiva no Estado Espanhol (EE), principalmente a partir do 14N, e que respostas tem dado o movimento de massas, desde 2011.

Assembléias de bairros, coordenações de luta por setor do funcionalismo público, entre outros organismos de luta ou organização de trabalhadores têm surgido como instrumentos fundamentais para levar adiante a luta contra os ajustes. Apesar dos duros ataques e da disposição de luta dos trabalhadores em geral, a burocracia sindical, com seu peso histórico de direção nas principais centrais sindicais do EE (CCOO e UGT), tem cumprido um papel de contenção dessas lutas, impedindo que a classe operária possa dar uma resposta contundente aos ataques, utilizando de seus métodos históricos de organização e luta e impondo um programa classista independente dos governos para dar saída à crise.

Greve geral de 14N: classe trabalhadora em cena!

Porém, no dia 14 de novembro esse muro de contenção mostrou suas primeirasa rachaduras, pois se mostrou toda a potencialidade de luta que a classe operária tem se confia nos seus próprios métodos de luta e mobilização para enfrentar os ataques do governo (greve geral, piquetes, assembléias, etc). Esta mobilização esteve, diferente do que ocorreu no 15M, em 2011, pautada bastante pela centralidade da classe trabalhadora como sujeito social que pode enfrentar o governo e as patronais. Enquanto o 15M se pautava pela discussão de movimento cidadão, onde a classe operária, longe de ser o principal sujeito da mobilização, era apenas mais um dos sujeitos sociais presentes (entre indignados, desempregados, estudantes e jovens trabalhadores), sem a devida centralidade, nesta jornada de luta ficou em primeiro plano o papel superior que esta classe pode cumprir, hegemonizando as demandas de todos os setores que sofrem ataques, sejam desempregados, aposentados, trabalhadores precários ou jovens (que como ressaltou Salvador, muitos compõe a dita geração Ni-Ni, ou seja, não tem acesso “nem ao emprego, nem ao estudo”).

Nas jornadas do 14N, Salvador apresentou para nós, tão distantes geograficamente do processo que ocorre no EE, como os diversos setores da classe trabalhadora tem se articulado para enfrentar os planos de ajuste do governo e da troika. Apresentou-nos como os diversos setores do funcionalismo público, tem organizado suas fileiras e sido os primeiros a responderem mais massivamente aos ataques. Por outro lado, ressaltou a crescente participação da classe operária concentrada nos grandes complexos industriais nas mobilizações, o que traz um peso objetivo maior para a mobilização, já que estes setores são responsáveis pelo cerne da produção capitalista no EE, e em todo o mundo.
Mineiros em luta: a potencialidade da aliança revolucionária entre a juventude e a classe trabalhadora mais uma vez pôde ser sentida nas ruas de Madrid!

Do ponto de vista da situação subjetiva, Salvador ressaltou o grande ponto de inflexão a luta dos mineiros do carvão, iniciada em junho deste ano e interrompida por manobras da burocracia sindical, que levantou a greve indefinida confiando em um acordo com o governo que adiou o fechamento das minas pra 2014. Esta luta, por ser protagonizada diretamente por um setor da classe operária do EE espanhol que tem uma enorme tradição de intervenção política, sendo os que estiveram na linha de frente no combate contra as tropas fascistas em 1936, durante a guerra civil espanhola, e na década de 1970 também sendo protagonistas na luta contra a ditadura franquista, teve uma importância simbólica muito grande para a subjetividade da juventude e dos desempregados e trabalhadores precários das cidades. No dia 08 de julho, ao chegarem em Madrid na chamada Marcha Negra, os mais de 200 mineiros de diversas comarcas foram recebidos por dezenas de milhares de pessoas, cantando palavras de ordem como “Madrid Obrero apoya los mineros!” e “No hay solucíon sin revolucíon!”. A potencialidade da aliança revolucionária entre a juventude e a classe trabalhadora mais uma vez pôde ser sentida, ainda que de maneira incipiente, nas ruas de Madrid, como não se via a muito tempo.

Outro aspecto abordado por Salvador, e que para nós traz uma proximidade ainda maior com a situação política do EE, foi a permanência de instituições advindas do regime franquista no atual regime democrático. A subjugação das nações que estão contidas dentro do EE, como a Catalunha, a Galiza e o País Basco; a não-punição dos responsáveis (executores e mandantes) por torturas, mortes e desaparecimentos na ditadura franquista e também o regime universitário autoritário, além da manutenção do aparato policial repressivo, são heranças do regime militar franquista que podemos dizer que também estão presentes no estado brasileiro como heranças de uma ditadura militar.

A juventude nas universidades ao lado dos trabalhadores e contra a repressão estatal! Liberdade aos presos políticos!

Leire deu bastante ênfase na atuação do Clase contra Clase (CcC) e da Agrupação Revolucionária No Pasarán no decorrer do processo de luta.

Frente ao corporativismo que ainda é um obstáculo para unificar as fileiras da classe trabalhadora, o CcC tem exigido na luta a organização de encontros de trabalhadores dos diversos setores, onde se possa discutir um plano de luta unificado, não só nacionalmente, mas em toda a Europa mobilizada, para que se rompa o isolamento dos diversos setores em luta, e se unifiquem as fileiras da classe trabalhadora.

Leire mostrou como alternativas da juventude por fora de uma estratégia de unificação da classe operária que possa se aliar com os setores combativos da juventude cumprem um papel no mínimo desmobilizador. Um problema que existe hoje no Estado Espanhol é o desvio do movimento de massas para os bairros, isolando as diversas iniciativas em seus próprios bairros, sem uma coordenação mais ampla. Os setores que tomam à frente este tipo de política são principalmente os autonomistas, que ao invés de organizar a luta contra o estado e a repressão, defendem a construção de movimento alternativos, não para enfrentar o estado burguês, mas para sobreviver como inquilinos a este estado. A negação destes grupos em pautar a forte denúncia da repressão policial e uma campanha contra a repressão, leva na prática a muitas vezes jogarem a culpa na “violência” dos manifestantes (como se houvesse algo mais violento que as taxas de pobreza, endividamento e desempregado da população do EE) pelo avanço da repressão do estado.

Leire nos contou também como foi a formação de uma agrupação revolucionária nas universidades (Agrupação Revolucionária NO PASARÁN), que tinha por pontos básicos a luta anticapitalista, contra o imperialismo e que paute também a denúncia e luta contra as heranças do regime militar franquista no EE. Neste sentido essa agrupação deu importantes passos para consolidar uma aliança operária-estudantil que possa avançar nestas questões. Na Universidade de Barcelona, onde o nível de combatividade é maior, a organização impulsionou a solidariedade ativa aos trabalhadores em luta, organizando expedições à fábricas em greve, participando de assembléias de trabalhadores. Leire conta como para eles foi muito impactante quando os trabalhadores que eles tinham apoiado foram também à universidade participar das assembléias estudantis e discutir com os estudantes. Na greve geral do dia 29 de março, a agrupação também desenvolveu a solidariedade ativa, participando dos piquetes operários e das marchas. O grupo também impulsiona um curso de formação marxista e trotskista, para aprofundar a apropriação da síntese histórica da experiência da luta de classes que expressam os escritos de Trotsky, Marx e Lênin.

Intervenções dos estudantes e militantes presentes: um debate vivo e buscando lições da luta no EE

Depois da exposição de Salvador e Leire, o debate foi aberto para a intervenção dos participantes.

A primeira intervenção foi feita por Bizoca, militante do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG), que primeiro saudou a importância do trabalho dos militantes no EE e a iniciativa de socializar em Belo Horizonte este trabalho através do debate organizado pela Juventude às Ruas. Em seguida, fez referência aos processos de transição pactuada no Brasil e no Estado Espanhol para questionar os resquícios da ditadura franquista no EE e como a luta contra o franquismo está sendo incorporada na luta contra os ajustes. Bizoca também perguntou como se dá a militarização das cidades e das perseguições políticas.

Em seguida intervieram outros três estudantes, com diversas questões sobre a situação política no Estado Espanhol. O governo tem usado de medidas paliativas para conter a população e os protestos? Quais as possibilidades de uma resposta internacionalista para a crise? Há saídas à médio ou longo prazo para a crise? A saída da União Européia poderia constituir uma alternativa nesse sentido?

Como no Brasil, um regime herdeiro da ditadura militar!

Salvador retomou a fala dizendo que apesar de acontecerem homenagens aos militantes mortos e desaparecidos, atos públicos, não se pauta diretamente o juízo e punição dos responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos durante o regime militar. A recusa de punição dos responsáveis mostra o comprometimento do governo atual e do regime como um todo com instituições e agentes do regime militar.

Salvador então ressaltou o incremento substancial da repressão a partir do avanço do movimento de massas. Com cerca de 2000 presos políticos no EE, mais de 90% deles são militantes independentistas bascos. Nos preparativos do estado para enfrentar a greve geral do dia 29 de março, foram decretadas diversas prisões preventivas de 15 dias para militantes, estudantes e trabalhadores, ativistas do processo de organização da greve. Além das cargas policiais, com bombas de gás, balas de borracha e muita violência, durante as marchas e em repressão às mobilizações.

Frente a crise, os governos e a burguesia só podem responder com ataques aos trabalhadores e à juventude
Com relação às concessões, Salvador respondeu enfaticamente: não há! Segundo o militante, são ataques em todos os aspectos, que praticamente extinguem o colchão social existente no EE, levando a situação à uma conjuntura cada vez mais explosiva.

A necessidade da unificação da classe operária internacionalmente e a luta contra o imperialismo do próprio país

Sobre o internacionalismo, Salvador esclareceu que, mesmo que os ritmos sejam diferenciados nos diversos países da Europa, a argumentação que tenta colocar os trabalhadores de um país contra os do outro cai por terra quando vemos que uma vitória, por exemplo, dos trabalhadores do Brasil sobre uma multinacional espanhola na verdade significaria um espaço maior para fortalecer a luta dentro do EE. Nesse sentido é importante para eles também levantar a luta contra o imperialismo de seu próprio país.

Nos marcos do capitalismo, é impossível haver uma saída progressista para a crise!”

Para responder a pergunta sobre as saídas da crise, Salvador começou esclarecendo que, nos marcos do capitalismo, é impossível haver uma saída progressista para a crise. As posições reformistas, como do Syriza e da IU, que propõe uma “democratização” da União Européia, uma tentativa de tornar “mais social” o que na verdade é um acordo entre potências imperialistas (estamos falando da UE), são posições utópicas. A saída que propõe também os stalinistas, como por exemplo o KKE na Grécia, de uma saída da UE nos marcos do capitalismo, só pode significar ataques aos trabalhadores uma vez que, com a volta das antigas moedas, se abriria uma crise monetária como ocorrido na Argentina em 2001. Para Salvador, os trabalhadores devem lutar pela única saída possível, a derrubada do regime e da UE, abrindo caminho para uma verdadeira união dos povos na Europa, os Estados Unidos Socialistas da Europa, única saída progressista nos marcos desta crise.

Essa é uma mostra de como o movimento estudantil no Brasil não pode ser aquele que disputa DA's e DCE's por fora de se ligar à classe operária e às lutas internacionais.”

O debate foi encerrado com uma última pergunta de um estudante, que após ressaltar a importância que a greve geral, saudou também a atividade por trazer essas discussões à universidade. Ressaltou a importância de que essa é uma mostra de como o movimento estudantil no Brasil não pode ser aquele que disputa DA's e DCE's por fora de se liga à classe operária e às lutas internacionais. Continuou desenvolvendo como para responder a crise, somente a greve geral não basta e perguntou sobre novas atuações e organizações independentes da classe operária, e qual a saída que eles veem do ponto de vista estratégico da organização da classe.

Uma saída estratégica para a classe operária e a juventude fazer com que a burguesia pague pela crise!

Salvador respondeu como que frente à magnitude dos ataques e a situação objetiva, ainda estão muitos atrasados os aspectos subjetivos ligados à uma saída independente da classe trabalhadora para a crise. Conforme a situação se acirra no plano da luta de classes, novos fenômenos políticos emergem como alternativa para dar uma saída à crise. Pela esquerda e pela direita surgem novos fenômenos políticos que são baseados em alternativas nacionalistas utópicas para responder à crise, sejam estas reformistas ou de cunho fascista. Para Salvador, a classe operária tem que superar suas direções reformistas ou ligadas aos governos e dotar-se de um programa revolucionário e anticapitalista. Isso só pode ser feito através de um plano de luta que incentive a auto-organização desde as bases de trabalhadores capaz de buscar a aliança com estudantes e com todo o povo atingido pela crise. A tarefa do Clase contra Clase e da FT-CI como um todo é aportar para construir essa alternativa revolucionária no sentido da construção do partido mundial da revolução socialista, a Quarta Internacional, capaz de levar à cabo a tarefa da revolução socialista em todo o mundo.