Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

MORADIA ESTUDANTIL DA UNESP FRANCA - MOÇÃO DE REPÚDIO A SINDICÂNCIA.

A Moradia Estudantil da Unesp de Franca em assembleia extraordinária realizada no dia 26 de novembro de 2012 delibera sua posição de repúdio ao processo de sindicância aberto aos trinta e um estudantes da presente universidade. 

Aos 28 de Agosto de 2012 ocorreu a implosão do “evento do Príncipe”, sendo ele Dom Bertrand. O palestrante, Dom Bertrand, membro simbólico da família real brasileira e José Carlos Sepúlveda, coordenador da primeira marcha da Tradição, Família e Propriedade, esta que culminou na Ditadura Militar Brasileira de 1964, foram convidados pelo grupo CIVI( Curso De Iniciação a Vida Intelectual) a exporem a “importância da monarquia no Brasil”. Os palestrantes concebem a reforma agrária e os movimentos sociais como retrógrados ao sucesso do Brasil, sendo que expõem um discurso que vão contra a dignidade humana, pois os dois palestrantes reproduzem e reafirmam o preconceito e ódio para os homossexuais, negros, indígenas, comunidades quilombolas, mulheres, e crianças (ao afirmar nesse último caso em especifico a necessidade da violência como forma de educar). Eles estão vinculados a União Democrática Ruralista (UDR), uma associação de fazendeiros e ativistas fomentadores de milícias responsáveis pelo assassinato de trabalhadores rurais e militantes da luta pela reforma agrária. 

Entendemos a universidade pública como um espaço de debate e pluralidade de ideias, porém quando se apresentam discursos odiosos e extremados que ferem os direitos humanos, nos vemos no direito de nos manifestar contra. Diante disso questionamos a sindicância, além da mesma ter um caráter duvidoso. Em uma manifestação sem liderança, com participação de cerca de 200 pessoas, tendo apenas 31 sindicadas. Sendo que alguns alunos sindicados nem se quer participaram do ato protesto.
Parece-nos que essa sindicância possui um caráter seletivo, onde alunos muito específicos são indiciados, enquanto que tantos outros que lá estavam não foram sequer lembrados. Esse ato se apresenta como um ato repressor e punitivo. Repressor no sentido de que não tolerará atitudes que contrariem as ideias e vontades da direção. Punitivo no sentido de “ensinamento”, de que não devemos fazer mais nada contrário a direção, porque esse será a atitude a se esperar. Em uma universidade onde a liberdade estudantil e a integridade humana não são respeitadas deve-se no mínimo desconsiderar a palavra universidade e sim pensar em uma prisão, onde apenas obedecemos às ordens independentemente de como elas nos afetam.

Entendemos que se deve ter responsabilidade ao trazer um palestrante. Não devemos nos restringir ao tema abordado, mas ficarmos atentos também ao seu passado e tudo que este já realizara fora da universidade ou local de palestra. Assim cobramos o grupo idealizador do evento mais responsabilidade. 
Ao lado dos movimentos sociais, da justiça social, da igualdade e buscando sempre pela democracia, nos posicionamos veementemente contra a abertura de sindicância. 

"Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem". (Rosa Luxemburgo)
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Moção de apoio da recém-eleita gestão Caxangá do CAELL - USP

A gestão eleita do Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários "Oswald de Andrade", da USP, se posiciona favorável aos manifestantes que, no dia 28 de Agosto de 2012, protestaram contra a presença de Dom Bertrand e Luis Carlos Sepúlveda, ligados à UDR e à TFP.

Mais uma vez, a política do Governo Estadual se faz presente na pronta repressão a movimentos sociais reivindicatórios. As 31 sindicâncias abertas no processo 1392/2012 se apresentam como reproduções da lógica na qual o cidadão tem por direito a obediência cega. Uma lógica que ignora todas as conquistas da sociedade que se deram mediante a lutas contra o sistema que se impunha, e das quais muitos de nossos atuais detentores da produção ideológica fizeram parte. Entendem, seguramente (acreditando em sua honestidade e boa intenção), a democracia como processo estanque, no qual seu ápice já foi atingido e nada mais cabe reivindicar.

Para legitimar a repressão, apegam-se ao discurso da legalidade, como se não fosse a própria lei, um reflexo da ideologia dominante, servindo a um determinado valor que, como qualquer outro, é passível de contestação. E se o Império da Lei não é garantido em si mesmo, sendo necessária sua constante legitimação através do movimento dialético gerado por suas contestações e transgressões dentro da sociedade, por que se exige tal prerrogativa à família imperial?

Tal fato se torna de absoluta ignomínia a qualquer um que defenda a democracia, se ponderado que o lado criminalizado são fiéis depositários de um legado de lutas em prol de uma sociedade mais justa e igualitária, a saber, membros do movimento estudantil. Um legado que não apenas legitima, como exige que seja defendida a função social da universidade, contestando a difusão institucionalmente euforizada de ideias ligadas a discursos de ódio contra minorias e contra setores que lutam pela reforma agrária. Contestando representantes de entidades ligadas à ditadura civil-militar e à defesa da permissividade com relação à escravidão no meio agrário.

Aceitar estas punições é corroborar uma prática institucionalizada pelos governantes brasileiros, de criminalizar movimentos políticos, a fim de desestimulá-los. A gestão eleita para o ano letivo de 2013 no Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários "Oswald de Andrade" repudia a repressão ideológica camuflada no discurso da legalidade e manifesta todo o apoio aos 31 indiciados.

Nota de apoio do DCE-Livre da USP aos estudantes processados da UNESP Franca

 Nós, do DCE-Livre da USP, declaramos nosso apoio aos estudantes processados da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Franca, em mais um caso de perseguição por parte da direção universitária ao livre debate de ideias e ao exercício da política no interior da universidade. Hoje, 4 de dezembro de 2012, ocorre um ato estadual na UNESP Franca, contra as sindicâncias que podem levar à expulsão dos estudantes.

 Assim como na USP, em que quase uma centena de estudantes são processados com base em um Regime Disciplinar escrito em 1972, durante o auge da ditadura militar, os estudantes da UNESP também estão sendo julgados por terem desrespeitado a “moral e os bons costumes” e por se manifestarem de forma “político-partidária na universidade”, conforme estabelecido em dispositivos jurídicos autoritários que ainda subsistem no Estatuto da UNESP. São 31 estudantes que podem ser expulsos da universidade por terem participado de uma manifestação de mais de 200 contra a presença do “príncipe” Dom Bertrand de Orleáns e Bragança, trazido à universidade para um debate que contava também com a presença do jornalista Luís Carlos Sepúlveda (membro do grupo Tradição Família e Propriedade – TFP) e que foi organizado pelo diretor da faculdade. Devemos nos questionar por que o “príncipe”, um membro da União Democrática Ruralista e notório crítico da reforma agrária e defensor da monarquia no Brasil, foi convidado para palestrar em uma universidade pública: a falta de democracia nas instituições de ensino superior, ao impedir que estudantes, professores, funcionários e o conjunto da sociedade pautem as prioridades da academia quanto aos debates necessários sobre os rumos do nosso país, ao mesmo tempo privilegia um determinado ponto de vista, o da direção da faculdade, sobre qual deve ser o papel das universidades no Brasil.

 A perseguição política aos estudantes só visa reafirmar a universidade enquanto uma instituição antidemocrática, cuja função social é determinada de acordo com os interesses dos dirigentes universitários e do governo estadual, negando a participação daqueles que a vivenciam cotidianamente ou da população que financia suas atividades. Nos colocamos contra a criminalização do movimento estudantil e de todos os movimentos sociais, exigindo a retirada imediata de todos os processos aos estudantes!

 DCE-Livre da USP – Alexandre Vannucchi Leme
Gestão “Não vou me adaptar!”

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Moção de apoio da recém-eleita gestão Caxangá do CAELL - USP

A gestão eleita do Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários "Oswald de Andrade", da USP, se posiciona favorável aos manifestantes que, no dia 28 de Agosto de 2012, protestaram contra a presença de Dom Bertrand e Luis Carlos Sepúlveda, ligados à UDR e à TFP.

Mais uma vez, a política do Governo Estadual se faz presente na pronta repressão a movimentos sociais reivindicatórios. As 31 si
ndicâncias abertas no processo 1392/2012 se apresentam como reproduções da lógica na qual o cidadão tem por direito a obediência cega. Uma lógica que ignora todas as conquistas da sociedade que se deram mediante a lutas contra o sistema que se impunha, e das quais muitos de nossos atuais detentores da produção ideológica fizeram parte. Entendem, seguramente (acreditando em sua honestidade e boa intenção), a democracia como processo estanque, no qual seu ápice já foi atingido e nada mais cabe reivindicar.

Para legitimar a repressão, apegam-se ao discurso da legalidade, como se não fosse a própria lei, um reflexo da ideologia dominante, servindo a um determinado valor que, como qualquer outro, é passível de contestação. E se o Império da Lei não é garantido em si mesmo, sendo necessária sua constante legitimação através do movimento dialético gerado por suas contestações e transgressões dentro da sociedade, por que se exige tal prerrogativa à família imperial?

Tal fato se torna de absoluta ignomínia a qualquer um que defenda a democracia, se ponderado que o lado criminalizado são fiéis depositários de um legado de lutas em prol de uma sociedade mais justa e igualitária, a saber, membros do movimento estudantil. Um legado que não apenas legitima, como exige que seja defendida a função social da universidade, contestando a difusão institucionalmente euforizada de ideias ligadas a discursos de ódio contra minorias e contra setores que lutam pela reforma agrária. Contestando representantes de entidades ligadas à ditadura civil-militar e à defesa da permissividade com relação à escravidão no meio agrário.

Aceitar estas punições é corroborar uma prática institucionalizada pelos governantes brasileiros, de criminalizar movimentos políticos, a fim de desestimulá-los. A gestão eleita para o ano letivo de 2013 no Centro Acadêmico de Estudos Linguísticos e Literários "Oswald de Andrade" repudia a repressão ideológica camuflada no discurso da legalidade e manifesta todo o apoio aos 31 indiciados.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

NOTA DE REPÚDIO À ABERTURA DE SINDICÂNCIA CONTRA ESTUDANTES DA UNESP-FRANCA


Vimos através deste documento explicitar nosso repúdio a um ato autoritário da direção da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UNESP-Franca. Trata-se da abertura de sindicância contra 31 estudantes que participaram de uma manifestação estudantil, a qual questionou a vinda de Dom Bertrand de Orleans Bragança, cuja presença em qualquer Universidade representa um retrocesso acadêmico-intelectual e, portanto, uma violação ao patrimônio científico e cultural que o meio universitário vem seriamente acumulando.

A UNESP tem como um de seus princípios estruturantes, segundo consta no artigo 2º, inciso IV de seu Estatuto, o desenvolvimento crítico e reflexivo, com o objetivo permanente de criação e de transmissão do saber e da cultura. No entanto, este pilar estruturante encontra-se desgastado. Afinal, a vinda do palestrante citado acima não privilegia nem estimula a atividade intelectual e a reflexão continuada sobre a sociedade brasileira, pois representa a não defesa da cidadania, dos direitos humanos e da justiça social. Contrariando até mesmo nossas próprias bases constitucionais, as quais se fundamentam, sobretudo, na cidadania e na promoção do bem da população, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor e idade, fundamentos estes que são claramente atacados no discurso do palestrante, o qual legitima práticas de violação aos direitos humanos e incentiva a manutenção das injustiças sociais.

E foi por questionar essa imensa contradição que os 31 estudantes, sobretudo discentes dos cursos de História e Serviço Social e membros de grupos de defesa dos direitos humanos, serão punidos. Por fazerem jus aos princípios estruturantes da Universidade Pública e manifestarem-se publicamente em defesa de nossas bases constitucionais, é que receberão penalidades, ou seja, trata-se nitidamente de uma medida paradoxal e extremamente autoritária, que coaduna com o desgaste dos pilares fundantes da Universidade, revelando também o controle e a repressão intensificada que vem sofrendo o corpo discente nos últimos anos.

Ademais, é preciso refletir que aqueles que convidaram o ilustre palestrante são os que, de fato, deveriam ser advertidos pela Universidade para que não atentem contra o seu patrimônio científico e cultural, suas diretrizes mandamentais e as próprias bases constitucionais do país.

Todavia, os estudantes sindicados estão sendo acusados sob fundamentações originárias do Regimento Geral da UNESP, as quais não mais estão sintonizadas com a nossa Constituição Federal, haja vista a presença de ranços autoritários da ditadura civil-militar brasileira em suas disposições. Como se não bastasse, o procedimento utilizado para a materialização da sindicância, previsto na Lei Estadual n° 10.261/68, é extremamente inquisitório e guarda os mesmos ranços autoritários mencionados anteriormente. Não há, por conseguinte, razoabilidade e proporcionalidade nas acusações e no próprio procedimento, além de não ser possível individualizar condutas de cada indiciado, pois houve uma manifestação estudantil massificada com a presença de aproximadamente 300 estudantes.

Com isso, pedimos apoio para o repúdio a essa medida absurda e autoritária da direção da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da UNESP de Franca, reiterando a necessidade de continuarmos denunciando a sistemática violação de direitos humanos, buscando, para tanto, a imediata revogação do ato administrativo que ensejou a instauração da sindicância, como demonstração e sinal de que há respeito pelos valores que norteiam a Universidade Pública e a ordem jurídica democrática brasileira.

NEDA – Núcleo de Estudos de Direito Alternativo

domingo, 2 de dezembro de 2012

Na Fafich/UFMG: Estudantes e militantes de direitos humanos presentes em teleconferência direto do Estado Espanhol!

No último dia 22 de novembro, por iniciativa da Juventude às Ruas, foi realizada uma importante teleconferência com debate internacionalista com ativistas do Estado Espanhol na sala 2072 da FAFICH-UFMG, onde estiveram presentes estudantes de diversos cursos da unidade e também de fora universidade. O debate contou com cerca de 30 pessoas, o que é um importante número visto ser este um debate ainda alheio da atividade militante do movimento estudantil tradicional, mesmo que em plenas eleições estudantis.

Ampliar a discussão em torno da crise da Europa, tirar lições e de dar solidariedade internacionalista ativa à luta da juventude e dos trabalhadores, que vêm se enfrentando com duros planos de ajustes e ataques a direitos históricos é necessário para qualquer agrupação revolucionária da juventude, dentro ou fora da universidade.

Com Salvador e Leire, do outro lado do atlântico, militantes do grupo Clase Contra Clase e da agrupação revolucionária No Pasarán pudemos discutir essa luta que encontrou um ponto de inflexão no 14N (greve geral do dia 14 de novembro, convocada pelas principais centrais sindicais espanholas), e mostrou, mesmo sem uma coordenação ativa, tendências à unificação internacional das lutas entre os diversos trabalhadores da Europa como método para responder solidamente aos ataques de Merkel.

Para nós, da Juventude às Ruas, foi uma grande oportunidade para discutirmos como é necessário nos prepararmos desde já para enfrentar também no Brasil os impactos desta crise estrutural do capitalismo. A apropriação de algumas lições fundamentais em que vem avançando o movimento de juventude e de trabalhadores na Europa é fundamental para, não se deixando levar pela situação subjetiva de passividade e o clima reformista advindos dos anos de governos Lula e Dilma, nos prepararmos antecipadamente para os duros embates e desafios históricos que a crise capitalista traz para toda a classe trabalhadora e para a juventude à nível mundial.

Crise Política e Social no Estado Espanhol

A teleconferência iniciou com Salvador fazendo uma exposição de algumas características da situação objetiva no Estado Espanhol (EE), principalmente a partir do 14N, e que respostas tem dado o movimento de massas, desde 2011.

Assembléias de bairros, coordenações de luta por setor do funcionalismo público, entre outros organismos de luta ou organização de trabalhadores têm surgido como instrumentos fundamentais para levar adiante a luta contra os ajustes. Apesar dos duros ataques e da disposição de luta dos trabalhadores em geral, a burocracia sindical, com seu peso histórico de direção nas principais centrais sindicais do EE (CCOO e UGT), tem cumprido um papel de contenção dessas lutas, impedindo que a classe operária possa dar uma resposta contundente aos ataques, utilizando de seus métodos históricos de organização e luta e impondo um programa classista independente dos governos para dar saída à crise.

Greve geral de 14N: classe trabalhadora em cena!

Porém, no dia 14 de novembro esse muro de contenção mostrou suas primeirasa rachaduras, pois se mostrou toda a potencialidade de luta que a classe operária tem se confia nos seus próprios métodos de luta e mobilização para enfrentar os ataques do governo (greve geral, piquetes, assembléias, etc). Esta mobilização esteve, diferente do que ocorreu no 15M, em 2011, pautada bastante pela centralidade da classe trabalhadora como sujeito social que pode enfrentar o governo e as patronais. Enquanto o 15M se pautava pela discussão de movimento cidadão, onde a classe operária, longe de ser o principal sujeito da mobilização, era apenas mais um dos sujeitos sociais presentes (entre indignados, desempregados, estudantes e jovens trabalhadores), sem a devida centralidade, nesta jornada de luta ficou em primeiro plano o papel superior que esta classe pode cumprir, hegemonizando as demandas de todos os setores que sofrem ataques, sejam desempregados, aposentados, trabalhadores precários ou jovens (que como ressaltou Salvador, muitos compõe a dita geração Ni-Ni, ou seja, não tem acesso “nem ao emprego, nem ao estudo”).

Nas jornadas do 14N, Salvador apresentou para nós, tão distantes geograficamente do processo que ocorre no EE, como os diversos setores da classe trabalhadora tem se articulado para enfrentar os planos de ajuste do governo e da troika. Apresentou-nos como os diversos setores do funcionalismo público, tem organizado suas fileiras e sido os primeiros a responderem mais massivamente aos ataques. Por outro lado, ressaltou a crescente participação da classe operária concentrada nos grandes complexos industriais nas mobilizações, o que traz um peso objetivo maior para a mobilização, já que estes setores são responsáveis pelo cerne da produção capitalista no EE, e em todo o mundo.
Mineiros em luta: a potencialidade da aliança revolucionária entre a juventude e a classe trabalhadora mais uma vez pôde ser sentida nas ruas de Madrid!

Do ponto de vista da situação subjetiva, Salvador ressaltou o grande ponto de inflexão a luta dos mineiros do carvão, iniciada em junho deste ano e interrompida por manobras da burocracia sindical, que levantou a greve indefinida confiando em um acordo com o governo que adiou o fechamento das minas pra 2014. Esta luta, por ser protagonizada diretamente por um setor da classe operária do EE espanhol que tem uma enorme tradição de intervenção política, sendo os que estiveram na linha de frente no combate contra as tropas fascistas em 1936, durante a guerra civil espanhola, e na década de 1970 também sendo protagonistas na luta contra a ditadura franquista, teve uma importância simbólica muito grande para a subjetividade da juventude e dos desempregados e trabalhadores precários das cidades. No dia 08 de julho, ao chegarem em Madrid na chamada Marcha Negra, os mais de 200 mineiros de diversas comarcas foram recebidos por dezenas de milhares de pessoas, cantando palavras de ordem como “Madrid Obrero apoya los mineros!” e “No hay solucíon sin revolucíon!”. A potencialidade da aliança revolucionária entre a juventude e a classe trabalhadora mais uma vez pôde ser sentida, ainda que de maneira incipiente, nas ruas de Madrid, como não se via a muito tempo.

Outro aspecto abordado por Salvador, e que para nós traz uma proximidade ainda maior com a situação política do EE, foi a permanência de instituições advindas do regime franquista no atual regime democrático. A subjugação das nações que estão contidas dentro do EE, como a Catalunha, a Galiza e o País Basco; a não-punição dos responsáveis (executores e mandantes) por torturas, mortes e desaparecimentos na ditadura franquista e também o regime universitário autoritário, além da manutenção do aparato policial repressivo, são heranças do regime militar franquista que podemos dizer que também estão presentes no estado brasileiro como heranças de uma ditadura militar.

A juventude nas universidades ao lado dos trabalhadores e contra a repressão estatal! Liberdade aos presos políticos!

Leire deu bastante ênfase na atuação do Clase contra Clase (CcC) e da Agrupação Revolucionária No Pasarán no decorrer do processo de luta.

Frente ao corporativismo que ainda é um obstáculo para unificar as fileiras da classe trabalhadora, o CcC tem exigido na luta a organização de encontros de trabalhadores dos diversos setores, onde se possa discutir um plano de luta unificado, não só nacionalmente, mas em toda a Europa mobilizada, para que se rompa o isolamento dos diversos setores em luta, e se unifiquem as fileiras da classe trabalhadora.

Leire mostrou como alternativas da juventude por fora de uma estratégia de unificação da classe operária que possa se aliar com os setores combativos da juventude cumprem um papel no mínimo desmobilizador. Um problema que existe hoje no Estado Espanhol é o desvio do movimento de massas para os bairros, isolando as diversas iniciativas em seus próprios bairros, sem uma coordenação mais ampla. Os setores que tomam à frente este tipo de política são principalmente os autonomistas, que ao invés de organizar a luta contra o estado e a repressão, defendem a construção de movimento alternativos, não para enfrentar o estado burguês, mas para sobreviver como inquilinos a este estado. A negação destes grupos em pautar a forte denúncia da repressão policial e uma campanha contra a repressão, leva na prática a muitas vezes jogarem a culpa na “violência” dos manifestantes (como se houvesse algo mais violento que as taxas de pobreza, endividamento e desempregado da população do EE) pelo avanço da repressão do estado.

Leire nos contou também como foi a formação de uma agrupação revolucionária nas universidades (Agrupação Revolucionária NO PASARÁN), que tinha por pontos básicos a luta anticapitalista, contra o imperialismo e que paute também a denúncia e luta contra as heranças do regime militar franquista no EE. Neste sentido essa agrupação deu importantes passos para consolidar uma aliança operária-estudantil que possa avançar nestas questões. Na Universidade de Barcelona, onde o nível de combatividade é maior, a organização impulsionou a solidariedade ativa aos trabalhadores em luta, organizando expedições à fábricas em greve, participando de assembléias de trabalhadores. Leire conta como para eles foi muito impactante quando os trabalhadores que eles tinham apoiado foram também à universidade participar das assembléias estudantis e discutir com os estudantes. Na greve geral do dia 29 de março, a agrupação também desenvolveu a solidariedade ativa, participando dos piquetes operários e das marchas. O grupo também impulsiona um curso de formação marxista e trotskista, para aprofundar a apropriação da síntese histórica da experiência da luta de classes que expressam os escritos de Trotsky, Marx e Lênin.

Intervenções dos estudantes e militantes presentes: um debate vivo e buscando lições da luta no EE

Depois da exposição de Salvador e Leire, o debate foi aberto para a intervenção dos participantes.

A primeira intervenção foi feita por Bizoca, militante do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG), que primeiro saudou a importância do trabalho dos militantes no EE e a iniciativa de socializar em Belo Horizonte este trabalho através do debate organizado pela Juventude às Ruas. Em seguida, fez referência aos processos de transição pactuada no Brasil e no Estado Espanhol para questionar os resquícios da ditadura franquista no EE e como a luta contra o franquismo está sendo incorporada na luta contra os ajustes. Bizoca também perguntou como se dá a militarização das cidades e das perseguições políticas.

Em seguida intervieram outros três estudantes, com diversas questões sobre a situação política no Estado Espanhol. O governo tem usado de medidas paliativas para conter a população e os protestos? Quais as possibilidades de uma resposta internacionalista para a crise? Há saídas à médio ou longo prazo para a crise? A saída da União Européia poderia constituir uma alternativa nesse sentido?

Como no Brasil, um regime herdeiro da ditadura militar!

Salvador retomou a fala dizendo que apesar de acontecerem homenagens aos militantes mortos e desaparecidos, atos públicos, não se pauta diretamente o juízo e punição dos responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos durante o regime militar. A recusa de punição dos responsáveis mostra o comprometimento do governo atual e do regime como um todo com instituições e agentes do regime militar.

Salvador então ressaltou o incremento substancial da repressão a partir do avanço do movimento de massas. Com cerca de 2000 presos políticos no EE, mais de 90% deles são militantes independentistas bascos. Nos preparativos do estado para enfrentar a greve geral do dia 29 de março, foram decretadas diversas prisões preventivas de 15 dias para militantes, estudantes e trabalhadores, ativistas do processo de organização da greve. Além das cargas policiais, com bombas de gás, balas de borracha e muita violência, durante as marchas e em repressão às mobilizações.

Frente a crise, os governos e a burguesia só podem responder com ataques aos trabalhadores e à juventude
Com relação às concessões, Salvador respondeu enfaticamente: não há! Segundo o militante, são ataques em todos os aspectos, que praticamente extinguem o colchão social existente no EE, levando a situação à uma conjuntura cada vez mais explosiva.

A necessidade da unificação da classe operária internacionalmente e a luta contra o imperialismo do próprio país

Sobre o internacionalismo, Salvador esclareceu que, mesmo que os ritmos sejam diferenciados nos diversos países da Europa, a argumentação que tenta colocar os trabalhadores de um país contra os do outro cai por terra quando vemos que uma vitória, por exemplo, dos trabalhadores do Brasil sobre uma multinacional espanhola na verdade significaria um espaço maior para fortalecer a luta dentro do EE. Nesse sentido é importante para eles também levantar a luta contra o imperialismo de seu próprio país.

Nos marcos do capitalismo, é impossível haver uma saída progressista para a crise!”

Para responder a pergunta sobre as saídas da crise, Salvador começou esclarecendo que, nos marcos do capitalismo, é impossível haver uma saída progressista para a crise. As posições reformistas, como do Syriza e da IU, que propõe uma “democratização” da União Européia, uma tentativa de tornar “mais social” o que na verdade é um acordo entre potências imperialistas (estamos falando da UE), são posições utópicas. A saída que propõe também os stalinistas, como por exemplo o KKE na Grécia, de uma saída da UE nos marcos do capitalismo, só pode significar ataques aos trabalhadores uma vez que, com a volta das antigas moedas, se abriria uma crise monetária como ocorrido na Argentina em 2001. Para Salvador, os trabalhadores devem lutar pela única saída possível, a derrubada do regime e da UE, abrindo caminho para uma verdadeira união dos povos na Europa, os Estados Unidos Socialistas da Europa, única saída progressista nos marcos desta crise.

Essa é uma mostra de como o movimento estudantil no Brasil não pode ser aquele que disputa DA's e DCE's por fora de se ligar à classe operária e às lutas internacionais.”

O debate foi encerrado com uma última pergunta de um estudante, que após ressaltar a importância que a greve geral, saudou também a atividade por trazer essas discussões à universidade. Ressaltou a importância de que essa é uma mostra de como o movimento estudantil no Brasil não pode ser aquele que disputa DA's e DCE's por fora de se liga à classe operária e às lutas internacionais. Continuou desenvolvendo como para responder a crise, somente a greve geral não basta e perguntou sobre novas atuações e organizações independentes da classe operária, e qual a saída que eles veem do ponto de vista estratégico da organização da classe.

Uma saída estratégica para a classe operária e a juventude fazer com que a burguesia pague pela crise!

Salvador respondeu como que frente à magnitude dos ataques e a situação objetiva, ainda estão muitos atrasados os aspectos subjetivos ligados à uma saída independente da classe trabalhadora para a crise. Conforme a situação se acirra no plano da luta de classes, novos fenômenos políticos emergem como alternativa para dar uma saída à crise. Pela esquerda e pela direita surgem novos fenômenos políticos que são baseados em alternativas nacionalistas utópicas para responder à crise, sejam estas reformistas ou de cunho fascista. Para Salvador, a classe operária tem que superar suas direções reformistas ou ligadas aos governos e dotar-se de um programa revolucionário e anticapitalista. Isso só pode ser feito através de um plano de luta que incentive a auto-organização desde as bases de trabalhadores capaz de buscar a aliança com estudantes e com todo o povo atingido pela crise. A tarefa do Clase contra Clase e da FT-CI como um todo é aportar para construir essa alternativa revolucionária no sentido da construção do partido mundial da revolução socialista, a Quarta Internacional, capaz de levar à cabo a tarefa da revolução socialista em todo o mundo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

SINTUSP - MOÇÃO DE REPUDIO CONTRA A DIRETORIA DA FHCS – UNESP/FRANCA


No último dia 26 de novembro a Direção da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais – FHCS (Campus de Franca) decidiu instaurar processos de sindicância a fim de buscar punir 31 estudantes. Estes, em conjunto com mais centenas de estudantes, manifestaram-se contra a presença de Dom Bertrand de Orleans e Bragança e José Carlos Sepúlveda na mesma Universidade.

A manifestação estudantil tinha motivação clara, Bertrand e seus correligionários, representantes de 
setores entusiastas da Ditadura Militar no Brasil, reivindicam ainda a tradição da família real que governou o País, administrando os massacres contra africanos, o assassinato de dezenas de milhares em Palmares e Canudos, a população indígena, o seqüestro, escravização, assassinatos e torturas.

Ainda hoje o grupo de Bertrand articula o Paz no Campo (http://www.paznocampo.org.br), grupo que 
combate trabalhadores sem terra e os remanescentes de quilombos que lutam pela titulação de suas terras e reforma agrária. São vinculados ainda à União Democrática Ruralista - UDR e ao grupo Tradição, Família e Propriedade - TPF, grupos defensores dos latifundiários, empresários do agribusiness e das classes dominantes, fazendo coro à reacionária reivindicação de criminalização dos movimentos sociais.

O Sintusp – Sindicato dos Trabalhadores da USP que vem sendo duramente atacado pelo Reitor João 
Grandino Rodas e pelo governo do Estado, manifesta seu total repúdio a qualquer ação repressiva contra os estudantes que se manifestaram em defesa dos interesses da população pobre e dos trabalhadores.

Lembramos que a Reitoria da UNESP não age sozinha, pois se incorpora nos processos de repressão que vem sendo desencadeados nas universidade do país contra estudantes, funcionários, professores e demais setores que saem em luta por seus direitos.

Esta Reitoria, assim como as outras, se utiliza de estatutos e decretos que prezam pela manutenção da "moral e dos bons costumes" e mantém impunes os agressores de mulheres do chamado "Rodeio das Gordas", bem como os racistas de Araraquara que chamavam os negros a voltarem para a África. Bem se vê os "bons costumes".

Nesse sentido, chamamos todos os setores democráticos a saírem na defesa imediata dos 31 processados, impulsionando a mais ampla e democrática campanha contra a repressão em todas as 
universidades e fora dela.

Retirada imediata dos processos de sindicâncias contra os 31 estudantes da UNESP/Franca!

Basta de repressão dentro e fora da universidade!

Fim da perseguição política! 

São Paulo, 28 de novembro de 2012. 

Diretoria Colegiada Plena do Sindicato dos Trabalhadores da USP 


Nota de apoio do PCO - Trinta e um estudantes são ameaçados de expulsão por participar de protesto na Unesp - A sindicância aberta contra os estudantes os acusa de organizar um protesto em uma palestra na universidade da UDR e TFP

28 de novembro de 2012

Nessa segunda-feira, 26 de novembro, 31 estudantes da Unesp na unidade de Franca foram intimados a das explicações por ter participado de um protesto na universidade. É um verdadeiro abuso por parte da diretoria da unidade que decreta assim o fim da liberdade de expressão da comunidade universitária.
Os estudantes são acusados de impedirem a realização de uma palestra com um membro da União Democrática Ruralista e da Tradição, Família e Propriedade.
“No dia 28 de agosto de 2012, vieram a Franca a convite do CIVI (curso de introdução à vida intelectual), grupo conservador da Unesp que tem como sua principal referência Olavo de Carvalho e com o apoio da direção do campus, Dom Bertrand, herdeiro da família real brasileira, líder da UDR (União Democrática Ruralista), movimento que prega abertamente que os grandes latifundiários brasileiros organizem milícias para atacar os movimentos sociais e camponeses que lutam pela reforma Agrária, além de fazer uma defesa fervorosa contra as comunidades quilombolas no interior do País e o jornalista Sepúlveda, membro do grupo Tradição, Família e Propriedade (TFP), entidade homofóbica e machista, inimiga número um dos direitos humanos e defensora saudosa do regime militar.” (nota do Centro Acadêmico de Serviço Social “Rosa Luxemburgo”)
Cerca de 200 participaram do protesto para expulsar essas entidades da direita brasileiras mais asquerosas que assassina sem terras em todo o País, e age concretamente contra o povo. Não é uma questão de opiniões diferentes, mas de grupo políticos que agem por meio de projetos de lei ou de jagunços contra a população.
A política de direita do PSDB para as universidades publicas estaduais está cada vez mais escancarada.
Nos últimos dez anos a reitoria já expulsou setes desse mesmo campus, Franca, suspendeu mais um dezena e abriu sindicâncias para intimidar e calar o movimento estudantil.
Foram instaladas catracas e cancelas eletrônicas na entrada do prédio, laboratórios e biblioteca de diversos campi como maneira de vigilância e controle das vidas dos estudantes.
A Unesp está presente em 23 cidades dos Estado de São Paulo e a burocracia universitária iniciou a instalação das catracas nas unidades sem tradição no movimento estudantil e em 2011 a reitoria aprovou um plano de instalação do cartão em todas as unidades.
O movimento estudantil está no seu legítimo direito de se manifestar e a sua defesa deve ser intransigente.

‎"Nota da Chapa Cícera (Eleições DCE-USP 2013) - Todo apoio ao estudantes da UNESP-Franca contra as sindicâncias!

Todo apoio ao estudantes da UNESP-Franca contra as sindicâncias!

A diretoria da UNESP de Franca acaba de abrir sindicâncias contra 31 estudantes, preparando sua punição por um ato realizado pelo movimento estudantil da UNESP de Franca em agosto deste ano, contra a presença do monarca-ruralista Bertrand de Orleans e Bragança e do jornalista monarquista, representante da TFP, José Carlos Sepúlveda, da mesa de uma palestra organizada por um grupo coordenado pelo Diretor do Instituto, Fernando Fernandes, sobre o tema "A importância da Monarquia na construção do Brasil".

Essas figuras são representantes dos latifundiários que concentram terras no Brasil, expulsando camponeses e exterminando trabalhadores sem-terras, quilombolas e indígenas. Como a questão da terra no Brasil está intimamente ligada à questão negra, e a sua concentração foi a principal responsável pela segregação racial, essas figuras também representam o mais podre do discurso elitista e racista. A TFP (Tradição, Família e Propriedade), a qual ambos são ligados, foi cúmplice da ditadura militar brasileira e tem em seu passado a tortura e a morte de milhares de trabalhadores e jovens que lutaram por liberdade. No seu presente, nada mudou, hoje se colocam abertamente contra os homossexuais, contra os direitos da mulher e pregam a violência doméstica.

É inadmissível que um ato que representa o eco do grito de resistência dos trabalhadores, dos camponeses, dos negros e indígenas assassinados nos campos sofra ameaça de punição. Sabemos que a Universidade Pública, hoje, é dirigida por iguais a Bertrand e Sepúlveda, tendo sua expressão máxima a Reitoria da USP dirigida por Grandino Rodas, figura exemplar da cumplicidade da Universidade com o regime ditatorial e com a ideologia reacionária e repressora. Nós da chapa Cícera, que lutamos pela retirada dos processos abertos por essa reitoria contra cerca de cem estudantes e trabalhadores - entre eles vários membros de nossa chapa -, e que levantamos em nossa campanha essa questão, ligada à luta contra a violência policial que se aprofunda em São Paulo - como ao lado da USP, na São Remo -, e à luta contra o projeto privatista de universidade do governo do PSDB, colocamos nosso total apoio aos estudantes da UNESP-Franca, e chamamos todos aqueles que defendem a liberdade democrática de expressão, tão elementar nas universidades, a se colocarem contra a ameaça de punição aos estudantes."

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

NÃO NOS CALAREMOS JAMAIS: Carta Aberta do Diretório Acadêmico contra a abertura de Sindicância aos Alunos da UNESP-Franca

A atual Gestão do Diretório Acadêmico XXI de setembro vem, por meio dessa nota, posicionar seu repúdio a abertura de um processo de Sindicância contra 31 discentes por parte da Direção da Unidade da UNESP-Franca. Esse processo será aberto devido aos acontecimentos do dia 28 de agosto de 2012, ao qual não foi possível a realização de uma palestra organizada pelo CIVI (Curso de Iniciação à Vida Intelectual) que contaria com a presença de Dom Bertrand de Orleans e Bragança (membro da União Democrática Ruralista) e José Carlos Sepúlveda (membro da Tradição, Família e Propriedade).

Temos plena convicção que, em primeiro lugar, a vinda de palestrantes dessa natureza é um ato que vai contra os princípios de Democracia e Pluralidade que devem reger uma Universidade, pois esses indivíduos chamados pelo CIVI – grupo ao qual é orientado pelo atual diretor da UNESP-Franca, Fernando de Andrade Fernandes – são expoentes de um discurso claramente racista e homofóbico. 

Qualquer sociedade que se julgue minimamente democrática não pode aceitar jamais a proliferação de um discurso de ódio contra um grupo social. No entanto, apologistas dessas figuras se apoiam num falso discurso de Liberdade de expressão, argumento que se mostra sem substância, uma vez que a expressão livre não pode, de maneira alguma, ferir a dignidade ou incitar o ódio sobre um indivíduo ou grupo social. Além do Racismo e Homofobia, o discurso desses dois palestrantes fazem a defesa do extermínio de membros do movimento sem-terra e quilombolas, defesa do trabalho escravo em propriedades rurais (D. Bertrand é um dos maiores opositores à PEC do Trabalho Escravo). Ademais, devemos lembrar que a TFP (organização ao qual Sepúlveda faz parte) deu bastante sustentação a implementação do Golpe Militar de 1964.

Portanto, esses palestrantes representam vários valores que vão contra os valores Democráticos e da Liberdade Individual. Por isso, nós da atual Gestão do Diretório Acadêmico XXI de Setembro, não relutamos em momento algum a participar na organização do ato “Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais”. Lembramos que a natureza desse era polarizar o debate contra o discurso de ódio proferido pelos palestrantes do evento do CIVI e colocarmos como as organizações que esses fazem parte (UDR e TFP), se organizam ativamente para criminalizar os Movimentos Sociais no Brasil afora. No entanto, a passagem dos palestrantes bem próximo ao local que ocorria o ato, acirrou ainda mais os nervos dos participantes desse, o que fez vários deles subirem, numa reação espontânea  ao Anfiteatro II (local ao qual ocorria a Palestra).

Entendemos que não há motivo algum para abrir sindicância contra os alunos que participaram do ato e a abertura dessa processo mostra, inclusive, como a direção da UNESP-Franca também Criminaliza um Movimento Social importante (o Movimento Estudantil). Apoiamos a luta de todos aqueles que não possuem seus direitos assegurados pela sociedade. Por isso apoiamos, e que vai contra os princípios Dom Bertrand de Orleans e Bragança e José Carlos Sepúlveda, as lutas do Movimento LGBT, Negro, Sem-terra, Quilombola, mais todos aqueles que querem fazer do Brasil um país mais justo e tolerante.
Ademais, só temos a lamentar que a Direção da UNESP-Franca acolheu palestrantes dessa natureza com todas as honrarias acadêmicas possíveis, fazendo questão de divulgar o evento até mesmo no site da Reitoria da UNESP.

Diretório Acadêmico XXI de Setembro
Gestão Rompendo Amarras