Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pelo fim dos processos contra os 31 estudantes que se posicionaram contra a Monarquia e a TFP na UNESP de Franca! Abaixo a repressão nas estaduais paulistas e nas universidades e escolas em todo o país!

Nesta segunda-feira, dia 26 de novembro, 31 estudantes da UNESP de Franca receberam documento que os convoca a prestar depoimento em processo de sindicância aberto pela diretoria da UNESP para punir os estudantes que participaram do contra-ato em resposta a realização do evento “A importância da Monarquia na Formação do Brasil”, fazendo com que  Dom Bertrand, herdeiro da família real, e o jornalista Sepúlveda abandonassem o evento no campus de Franca no dia 28 de agosto. Na ocasião, nós da Juventude às Ruas nos colocamos na linha de frente da denúncia do papel que cumpria essa atividade ao propagar as concepções reacionárias de dois dos maiores representantes da extrema-direita brasileira. Dom Bertrand, além de defender o legado que sua família deixou para a história do Brasil, como, por exemplo, ter organizado e garantido a escravidão e a repressão aos negros, é um dos mais eloquentes representantes do latifúndio no Brasil, chegando a defender abertamente a repressão aos sem-terra, quilombolas e povos indígenas que lutam pelo direito à terra. Sepúlveda, por sua vez, é um dos principais organizadores da TFP (Tradição, Família e Propriedade), organização que cumpriu, a serviço do imperialismo americano, papel ativo no processo de organização do Golpe Militar de 1964 e de sustentação e legitimação do governo militar responsável pelas torturas e assassinatos de centenas de militantes.

A burocracia universitária de Franca, que já estava completamente comprometida com a atividade com a participação do diretor da unidade, Fernando Fernandes, na organização do evento, e a Reitoria da UNESP tomam uma posição clara em defesa dos interesses do latifúndio, dos repressores, dos golpistas, dos monarquistas e de seus representantes no governo de São Paulo. Mais uma vez faz jus à confiança que seus amigos da classe dominante brasileira depositam na condução de um projeto de universidade elitizada, racista, opressora e a serviço dos interesses dos exploradores. O que explica posturas tão diferentes por parte da reitoria da UNESP: uma pena tão leve e a conivência com os organizadores do “rodeio das gordas” em 2010 (apenas cinco dias de suspensão a dois estudantes dentre os mais de cinquenta que participaram), com os casos de racismo em Araraquara;  e, por outro lado, um mês de suspensão a um estudante que combateu posições homofóbicas de um professor em sala de aula, na mesma UNESP de Franca, e agora o rigor com que pretendem punir os que repudiaram 
os defensores da Monarquia e da Ditadura Militar?

Uma das maiores provas das intenções conservadoras e retrogradas que motiva a ação da diretoria de Franca e da Reitoria da UNESP é o conteúdo do artigo 161 do Regimento da UNESP que está sendo utilizado para punir os estudantes. O artigo diz que constituem ações disciplinares sujeitas a punição “praticar ato atentório contra a moral de pessoas e aos bons costumes”!!! Neste caso, a "moral e os bons costumes" defendidos pelos obscuros simpatizantes da monarquia já foram há muito tempo rechaçados pela história e até repudiados pela maioria da população brasileira em plebiscito realizado em 1993, onde o regime republicano saiu vitorioso frente a monarquia com ampla margem de voto.    

A repressão que hoje é lançada contra os estudantes de Franca é um instrumento cada vez mais utilizado para punir os que lutam por outra universidade, democrática e a serviço dos interesses da classe trabalhadora e da maioria da população, simplesmente por organizar uma festa ou discutir com um professor em sala de aula. Faz parte de uma orientação defendida em São Paulo desde o Palácio dos Bandeirantes e pelo CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), e que avança a passos largos principalmente na USP, com os emblemáticos casos da demissão de Brandão, dirigente sindical do SINTUSP, e da entrada da PM e a prisão de 73 estudantes em 2011, mas também em menor medida na UNICAMP.  Em outros estados e a nível nacional, a linha de aumentar a repressão também é levada adiante diretamente pelo governo federal ou conta com a conivência de Dilma e Mercadante, como ficou claro na prisão de estudantes da UNIFESP, durante a greve da UNIR em Rondônia no ano passado ou quando da invasão da polícia à moradia estudantil da UNILA em Foz do Iguaçu.

Do lado de fora dos muros das universidades, a aumento da repressão também atinge os moradores das periferias que sofrem nas mãos impunes da polícia herdeira da ditadura, os trabalhadores das obras do PAC que são presos por lutarem por melhores condições de trabalho, os povos indígenas como os guarani-kaiowá, os quilombolas.

Nós da Juventude às Ruas, que estamos entre os estudantes processados em Franca, nos lançamos na defesa destes e fazemos um amplo chamado às entidades estudantis da UNESP para organizarmos uma ampla campanha democrática contra os processos em todos os campi e contra os demais ataques recentes da Reitoria, como a implementação de um estatuto autoritário e repressor nas moradias, ou ainda a inclusão de critérios meritocráticos nas bolsas de caráter socioeconômico. Convidamos também todos os professores e trabalhadores da UNESP que não compactuam com as práticas autoritárias e inquisitórias levadas pela Reitoria e pelas diretorias a manifestar seu repúdio aos processos contra os 31 estudantes!  Estendemos este chamado também às entidades das estaduais paulistas e de todo o país, em especial a UNE e ANEL, para construirmos uma campanha nacional pela imediata anulação de todos os processos contra estudantes e trabalhadores nas universidades e escolas! Campanha esta que deve ser parte da luta mais ampla contra a repressão aos lutadores, aos sindicatos, movimentos sociais e organizações políticas de todo o país!

sábado, 24 de novembro de 2012

Medo e a Legitimação da Polícia Militar: Por que a polícia não vai garantir segurança?

Do assassinato de Felipe Ramos Paiva à operação “Saturação” da PM

Desde o assassinato do estudante Felipe Ramos Paiva, da FEA, em 18 de maio de 2011, abriu-se uma importante discussão sobre a segurança das pessoas que circulam na USP; mais do que isso, uma polêmica sobre a polícia militar dentro e fora do campus.

A USP é uma universidade de elite, socialmente falando, já que é majoritariamente de classe média e média-alta; isso não é à toa. São pouquíssimas pessoas que conseguem passar pelo vestibular (em 2012, dos 146.885 inscritos, foram aprovados 10.952, ou seja, cerca de 0,07%1), que funciona como um “filtro social”. Em geral, aqueles que têm sucesso tiveram oportunidade de estudar em boas escolas ou, pelo menos, dedicar-se integralmente a um cursinho particular, o que exige dinheiro.

Além disso, trata-se de um campus geograficamente grande, isolado, mal iluminado e, durante à noite, há redução do número de pessoas circulantes em razão de a entrada ser controlada nos portões de acesso, e o reduzido número de cursos noturnos. Em outras palavras, é um local inseguro em si.

Se somarmos isso à onda de violência (em sua maioria de origem policial) pela qual passa São Paulo desde junho deste ano, teremos então a justificativa para o clima de insegurança generalizada, mais nitidamente vivida por alunos que moram perto do P3 e que vão a pé para suas casas; por exemplo, há vários relatos recentes de tentativas de roubo, o que tem assustado e gerado debates.

Diante dessa situação, mais uma vez, abre-se uma polêmica sobre a necessidade de maior presença ostensiva da polícia militar dentro e fora da USP. O objetivo deste texto é abrir um debate sobre o papel da polícia aqui na Usp, e fora também...aliás, principalmente fora.

O que é a polícia?

Tanto a Polícia Civil quanto a Militar são subordinadas ao Governo do Estado e, consequentemente, em última instância, ao Governador. Não por outro motivo, o comando da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, a denominada “tropa de elite” da polícia militar paulista), por exemplo, é determinado pela Secretaria de Segurança do Estado.

Aliás, esse mesmo comando foi substituído recentemente, em 26/09/123, quando assumiu o tenente-coronel Nivaldo César Restivo no lugar de Salvador Maia. Ambos são réus do processo do Massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, resultando na cruel e covarde morte de 111 detentos, sem chance de se defender. Antes deles, estava Telhada (sabe? O 5º vereador mais votado de São Paulo...), o “matador de bandidos” dos anos 80.

A ROTA vem protagonizando as estatísticas de assassinatos (65 só até agosto deste ano, só por esse batalhão; se considerar toda a PM, no primeiro semestre, são 2294) envolvendo a polícia militar e, por isso, registrados como “resistência seguida de morte” (e não como homicídios, que é o que de fato são).

Mas não é dessa forma que o Jornal Nacional, a Record, SBT e a televisão em geral – principal meio de informação ao qual temos acesso rotineiro –  falam sobre a Polícia Miliar. Atualmente vemos uma investida agressiva da “grande mídia” em favor da polícia, levantando um discurso de que “bandido bom é bandido morto”. Não à toa a novela das oito (Salve Jorge) tem, como “mocinho”, um militar de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora, que ocupa o morro para reprimir e assassinar a juventude pobre e negra), o que rende um outro texto inteiro.

O que a mídia fala pouco é que, em cinco anos, a Polícia Militar do Estado de São Paulo matou 6% mais do que TODAS as polícias dos Estados Unidos juntas (considere que a população norte-americana é quase oito vezes maior do que a de São Paulo)5
Também divulgou pouco que, em um relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, países recomendaram a abolição da PM no Brasil, dentre outras medidas 6, sem falar sobre o relatório da Anistia Internacional (vide referências para mais informações)7.

Um papel político

Pensar em tudo isso pode nos levar a duas conclusões incorretas:
1)      Se os (vários) grupos de extermínio ilegais forem eliminados, será uma polícia que garanta a ordem e a segurança;
2)      Se a polícia não for militar (e, portanto, sujeita a trâmites legais exclusivos), poderá ser julgada por seus crimes de forma justa e, portanto, garantir a ordem.

Em ambas essas proposições, é ignorado o papel POLÍTICO da polícia, ou seja, que ela estará sujeita, em sua atuação, aos interesses do Poder Executivo, o Governador (no caso da polícia Federal, à Presidente); em outras palavras, a polícia é necessária para que se mantenha a ORDEM, esta ordem, injusta como é. A ordem das classes dominantes. O capitalismo é um sistema de injustiças, exploração e opressão, e necessita disso para sobreviver e seguir se reproduzindo. Para garantir sua sobrevivência, esse sistema necessita de um aparato repressor que corte pela raiz cada início de manifestação que possa ameaçar abalar sua estrutura. E o papel político da polícia é exatamente este! Garantir que o sistema de privilégios da minoria – o capitalismo – continua a se reproduzir.

Nesse sentido é que não se pode defender ou reivindicar a polícia que garante um sistema injusto e assassino, sob a falsa ideia de segurança. Não se pode reivindicar uma polícia que ocupa morros em razão dos interesses políticos e econômicos em torno da Copa ou das Olimpíadas; que reprime movimentos sociais e greves; que mata principalmente pobres.

É importante deixar claro que não se trata de uma questão pessoal contra o policial militar; independentemente de como ele pense, ele assumiu esse papel, e o que ele faz determina quem ele é, ou seja, materialmente o que ele faz garante que assassinatos e injustiças sigam impunemente.

Dentro da Universidade, o papel que a polícia cumpre não é tão diferente. Em uma Universidade de elite como a USP, que tem seu projeto totalmente voltado para os interesses de uma minoria ligada a grandes empresários, latifundiários, e aos interesses do capital, a polícia entra para impedir que estudantes e trabalhadores questionem e se levantem contra esse projeto, e lutem por outra universidade, aberta, com livre acesso, e produzindo a serviço da ampla maioria da população.

Imediatamente: O que fazer?

Resta, então, pensar sobre o que fazer diante desse problema tão concreto (segurança).  Uma das críticas mais comuns à questão da polícia, indiretamente respaldando essa corporação, consiste exatamente no “ruim com ela, pior sem ela”.

Uma universidade mais segura é feita por pessoas: alunos, professores, trabalhadores, visitantes, livre circulação de pessoas, em suma, uma universidade mais viva, mais iluminada, com melhor sistema de transporte, com moradias internas mais espalhadas, ocupando espaços antes vazios ou escuros. Em outras palavras: Universidade aberta.  

Uma guarda universitária contratada também não responde ao problema, pois a guarda universitária cumpre dentro da Universidade com os estudantes o mesmo papel que a polícia cumpre nas periferias e favelas com seus moradores: vigiar e reprimir. A guarda universitária é subordinada à reitoria, que é quem persegue e pune os estudantes que se colocam contra o atual projeto de Universidade e lutam justamente por uma universidade aberta!

A resposta aos casos de assaltos e estupros é a auto-organização dos estudantes e trabalhadores! Um exemplo interessante disso é o da UNICAMP: em resposta a uma série de estupros no ano passado, os alunos organizaram um transporte próprio, especialmente para as mulheres, que as levava embora das festas que havia dentro do campus. Festas, aliás, que são também uma maneira de vivência e de garantir uma Universidade viva, aberta, com livre circulação.

Nascemos e crescemos com respostas prontas, com soluções montadas que nos são apresentadas maduras. Isso é mais fácil, mas em geral ilusório também. A questão da segurança não tem uma solução instantânea, não se trata de “Yes PM or Not PM dentro da USP”, PORQUE É FORA DAQUI QUE O PIOR ACONTECE, nós sequer ficamos sabendo. Ou você sabe da ocupação da PM na comunidade São Remo (favela ao lado da USP São Paulo, onde moram vários trabalhadores efetivos e terceirizados da universidade)? Sabe dos assassinatos, das injustiças? Sabe que há cerca de duas semana, a PM de São Paulo tem assassinado cerca de 10 pessoas por dia, o que a mídia chama de “guerra não declarada entre a PM e o PCC”. O real nome disso é “genocídio da população negra das periferias”! E é por isso que a luta travada na USP ano passado não apenas reivindicava o a PM fora da USP, mas dos morros, favelas e periferias também.

A solução para a questão da segurança na universidade não é instantânea, pois se trata, sim, de entender porque razão não se pode defender a força material que garante injustiças e genocídios de populações inteiras. Essa solução só se dará a partir do questionamento e luta contra o atual projeto de universidade de elite, baseado no vestibular como filtro social, ligando-se àqueles que estão fora da Universidade, que são também os que mais sofrem a violência policial.

Por uma universidade aberta e a serviço da população!

Pelo fim do vestibular e estatização das universidades privadas!



Referências.










9. Revista da ADUSP, Outubro de 2012, p. 71 a 79, disponível em http://adusp.org.br/files/revistas/53/mat10.pdf




13. http://www.brasildefato.com.br/node/11164, acesso em 18/11/2012.


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Carta de repúdio à ação da Policia Militar - Todos ao ato do dia 22/11 na São Remo!

Carta de repúdio à ação da Policia Militar
Todos ao ato do dia 22/11 na São Remo!

No ultimo mês em São Paulo, vimos uma ofensiva da repressão e de mortes na chamada “guerra” entre o tráfico e a PM, onde quem paga com sangue são os trabalhadores e a juventude pobre e negra que já morrem diariamente vitimas da repressão de uma das policias mais assassinas do mundo.
A juventude das periferias, submetida à miséria da vida, sem sonhos, sem educação, sem cultura e com pouca diversão, vive sempre permeada pelo medo de se tornarem mais um numero nas estatísticas, daqueles que a bala, legitimada pelo passo da farda, irá atingir. Nos últimos meses, esse cenário se tornou ainda mais recolhido e ameaçador. Os toques de recolher limitam ainda mais qualquer possibilidade de uma vida menos resumida à miséria da rotina casa-escola-trabalho-casa e enche ainda mais de medo esses sobreviventes, como diria mano Brown.

Nossos alunos, parte dessa juventude, não são exceção a essa regra. A morte com um tiro de fuzil policial, de Genilson, 15 anos, ex aluno da E.E. Daniel Paulo Verano Pontes prova isso. No ultimo dia 31/10, a ROTA Ocupou a favela São Remo, onde reside grande parte dos nossos alunos, e instauraram uma atmosfera de terror e insegurança.
Nós, enquanto grupo de professores da Escola Daniel, vemos todos os dias essa realidade e entendemos que nossos alunos são as principais vítimas desse massacre cotidiano. Assim, em público, nos colocamos ao lado desses alunos que estão tendo suas vidas invadidas e militarizadas com essa ocupação, e contra a militarização das periferias e a repressão policial que assassina diariamente a juventude negra e pobre das favelas. Engrossamos a cara de nossos alunos: São Remo pede paz!
TODOS AO ATO CONTRA A REPRESSÃO POLICIAL NA SÃO REMO!!!
DIA 22/11 NO PORTÃO DA TIA EVA (passagem da S.Remo pra USP)

Assinam essa carta:
Vinícius Spinelli
Paula Mikami de Souza
Fernanda P. da Costa
Natália C. Montagner
Camila Rodrigues Januário
Lídia Ferreira
Julia Bittencourt
Selma Salvador
Laura Gianetti
Henrique Cagnotto
Brigitte de Oliveira
Professores da  E.E. Daniel Paulo Verano Pontes.



JUVENTUDE ÀS RUAS MG CONVIDA: Teleconferência: Viva a Luta da Juventude no Estado Espanhol!

O 14N foi uma forte demonstração da tendência de unificação da classe trabalhadora e da juventude internacionalmente em enfrentamento aos que querem fazer os trabalhadores pagarem pela crise. É preciso ecoar essas experiências internacionalmente. Criar uma resposta generalizada para que os capitalistas paguem pela crise!

Nesse sentido a Juventude Às Ruas - MG realizaremos uma teleconferência diretamente do Estado Espanhol, com a presença de Lluis Ros, militante do "Clase contra Clase" (www.clasecontraclase.org), seção no Estado Espanhol da FT-QI (www.ft-ci.org), da Agrupação Revolucionária "No Pasarán" (www.arevolucionarianopasaran.wordpress.com) e estudante de Engenharia Química na Universidade de Barcelona.

Na FAFICH - UFMG. Quinta-feira, dia 22 de novembro 2 andar, na sala 2072 da FILOSOFIA às 11:30

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Nota acerca das eleições para a AMORCRUSP 2013 e chamando voto crítico à chapa “RETOMADA”!


Nos próximos dias 22 e 23 de novembro, nós moradores do CRUSP escolheremos a chapa que comporá a gestão da AMORCRUSP em 2013. Cremos que nossa escolha não pode estar alheia ao histórico de lutas do último período e ao projeto de universidade de Rodas e do governo do Estado.

Estamos em um estado de exceção dentro da USP. A reitoria avança a passos largos em seu projeto de universidade, fundado na precarização do trabalho e do ensino, na privatização e atrelamento cada vez maior às necessidades do mercado, na elitização da universidade e na repressão aos que se oponham a tudo isso. As dezenas de prisões da ocupação da reitoria e da Moradia Retomada, as eliminações de oito estudantes, os processos administrativos, que devem se encerrar com dezenas de eliminações exemplares até o final do ano, a ameaça de demissão de diversos diretores sindicais, a demissão inconstitucional de Brandão em 2008, o atentado à sede do SINTUSP com tentativa de explosão no início do ano e a terceirização na Universidade (como forma de evitar a organização sindical), são expressões categóricas disso.

No CRUSP, o escolhido de Rodas, Waldir Antonio Jorge, professor da FO, ex-militar, dá continuidade a esse projeto de universidade, no que diz respeito às particularidades do CRUSP: moradia cada vez mais vigiada, a recente descoberta de câmeras escondidas no bandejão, a proibição de andar sem camisa, a ameaça de despejo da companheira Amanda com seu filho que ainda não tem 1 ano de idade, pinturas nos prédios sem reformas estruturais entre tantas outras coisas.

 A chapa CRUSP Popular é a continuidade do projeto e atuação imobilistas da atual gestão Unidade Cruspiana, que inclusive têm membros em comum. Seu programa passa por fora de um balanço sério da atuação das últimas gestões e se quer menciona a situação de repressão que vivemos na USP e na cidade de São Paulo, além de conter propostas que mostram que a chapa não compreende que todas essas questões e problemas que enfrentamos em relação à permanência estudantil não estão descolados do projeto de universidade de conjunto e, por isso mesmo, o programa e a gestão devem trazer essas discussões.

Por outro lado, o pulso de ferro da SAS tem encontrado apoio num setor de moradores, claramente de direita, ligados à chapa Reação (que concorreu às eleições para DCE no início deste ano) e à gestão da AMORCRUSP de 2011, Novo AMORCRUSP (sic): a chapa Pra Frente CRUSP. Estes veem apenas uma alternativa à representação e organização dos moradores: a via institucional, ratificando as ações da antiga Coseas, fomentando propostas de maior vigilância de todos nós e mesmo a criação de uma absurda equipe em conluio com a SAS para investigar conflitos entre moradores e puni-los como bem entender. Lembrando que um de seus membros, Celso Borzani, foi o único morador que ultrapassou o bloqueio da TROPA DE CHOQUE na reintegração de posse da Moradia Retomada, estando junto com as assistentes sociais e com a PM nessa operação.

É necessário que retomemos o histórico de lutas da nossa moradia e a AMORCRUSP nesse momento deve estar a serviço disso. Reivindicamos a tradição dos estudantes que ocuparam o CRUSP nos anos 60, transformando-o em moradia estudantil e num verdadeiro centro de resistência à ditadura. O CRUSP, que reúne grande parte dos poucos filhos de trabalhadores e da juventude negra que conseguiram passar pelo filtro social do vestibular, é um lugar privilegiado para levantar a política de um movimento estudantil que consiga vencer a apatia e rotineirismo das direções do PSOL e PSTU que estão no DCE e na maioria dos CAs, tendo uma política de aliança efetiva com os trabalhadores da USP, efetivos e terceirizados, a começar pelos dos bandejões, que sofrem cotidianamente com o assédio e as péssimas condições de trabalho. É necessário lutar pela permanência estudantil plena, não apenas levantando a reivindicação de moradia estudantil para todos que necessitem, mas também bolsas de estudo sem contrapartida acadêmica, alojamentos para mães em quantidade adequada, atendimento nas creches para todos que necessitem, ampliação dos bandejões com a contratação de funcionários segundo as demandas levantadas pelo SINTUSP.

Mas um programa que levante as demandas da permanência estudantil só pode ser consequente se questionar em seu conjunto a estrutura de poder da universidade que mantém viva no CRUSP as tradições da ditadura de espionagem e controle sobre os moradores, e que há anos restringe cada vez mais a permanência estudantil; é necessário lutar para que o CRUSP seja gerido pelos trabalhadores e estudantes, e isso só pode ocorrer levantando a necessidade de dissolução do CO e do reitorado, que historicamente implementaram a repressão sobre os moradores. É necessária uma estatuínte livre e soberana, a constituição de um governo universitário composto por professores, funcionários e com maioria estudantil.

Além disso, não podemos nos contentar em defender os poucos filhos de trabalhadores que estão dentro da USP, mas precisamos lutar pelo acesso universal ao ensino superior, o que só pode ser conquistado com a luta pelo fim do vestibular e a estatização das universidades privadas.

Para tudo isso, a primeira e mais elementar tarefa da AMORCRUSP e dos estudantes deve ser organizar uma grande campanha contra a repressão na universidade, a começar pela reintegração dos oito estudantes eliminados (todos moradores do CRUSP, evidenciando o elitismo da USP) e de Brandão, demitido por lutar em defesa dos terceirizados, pelo fim de todos os processos contra estudantes e trabalhadores, e pelo fim do regimento disciplinar de 1972. Também precisamos ver como o projeto de repressão que é implementado dentro da USP é instrumentalizado pela mesma polícia que hoje está cometendo chacinas e um verdadeiro genocídio do povo negro nas periferias, inclusive na São Remo onde a reitoria pretende desalojar milhares de famílias com seu projeto de “reurbanização”. É imprescindível que nos coloquemos em defesa dos que estão sendo assassinados. Fora polícia das universidades, escolas e periferias! Abaixo a militarização da São Remo e o projeto de “reurbanização”!

A chapa Retomada reúne dentro de si setores que estiveram na linha de frente de importantes lutas do último período, como a defesa da ocupação do térreo do bloco G transformado em Moradia Retomada. Durante os últimos anos discutimos diversas vezes com estes companheiros nossas diferenças com seus métodos de impulsionar lutas sem a estratégia de massificá-las a partir de conquistar apoio nos cursos, CAs e DCE, e muitas vezes sequer travaram uma luta consequente para massificar estas lutas dentro do próprio CRUSP. Esta estratégia equivocada muitas vezes levou a um isolamento da vanguarda combativa, o que foi muito útil para a reitoria iniciar uma campanha de calúnias e medidas repressivas que culminaram nas expulsões e na recente política de Waldyr Antonio Jorge de “evangelização” do CRUSP, trazendo catequizadores e impondo absurdas regras como a proibição de circular sem camisa.

Para além disso, ainda que o programa da Retomada aponte corretamente diversas questões fundamentais, como a luta contra a repressão dentro e fora da USP, por permanência estudantil, contra a espionagem da SAS, ela é insuficiente em seu programa para responder plenamente a estas questões, não discutindo, por exemplo, a estrutura de poder da USP. É esta ausência que faz com que a chapa Retomada não seja uma alternativa real para levar adiante as justas demandas que colocam em seu programa. É com esta perspectiva que nós, da Juventude às Ruas, construímos a chapa Cicera para as eleições do DCE da USP.

Diante disso, chamamos voto e apoio críticos à chapa Retomada, para colocarmos a AMORCRUSP à serviço da luta por permanência estudantil sem contrapartida para todos que precisam, em defesa de todos os lutadores, contra os ataques da Reitoria e da SAS e pela auto-organização dos estudantes.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Suplemento especial: Mês da consciência negra (texto)


Desde 1500, a cor favorita da repressão e do trabalho precário é negra.
Por Ana Carolina Oliveira

A história do negro após a libertação da escravidão sem emprego e sem terras tornou-se a história dos trabalhos precários. A transformação dos escravos em futura mão de obra extremamente precária foi aspecto chave para a manutenção da taxa de lucro da burguesia. No Brasil de hoje, o discurso de crescimento e melhorias graduais e lentas das condições de vida no Lulismo, continuados por Dilma, apoiam-se nas condições estruturais de trabalho precário e vida precária dos negros e pobres. Para manter essa situação a burguesia brasileira, ontem e hoje, necessita de um corpo armado especializado em silenciar os negros e pobres, criminalizando a pobreza, naturalizando o racismo, a precarização do trabalho, as diferenças de salários entre negros e brancos e o extermínio cotidiano da juventude negra das periferias. A burguesia precisa conceder migalhas e manter uma sistemática repressão para conter que estas contradições de classes se expressem em explosões sociais.
O governo Dilma, que acaba de aprovar cotas, é incapaz de tomar uma única medida para reverter o fato de que esse é o país onde 70% das mulheres negras que trabalham estão em trabalhos precários, ganhando a menor renda média nacional. No emprego doméstico, dos 7,22 milhões de ocupados, 93% são mulheres, a maioria, negra.
Segundo dados do Dieese, em 2009, as pessoas pardas ou negras ganhavam em torno de 70% dos rendimentos das pessoas brancas com 12 anos ou mais de escolaridade. Os negros ocupam 18% dos empregos sem carteira assinada, enquanto os brancos 13,8%.

O Haiti é aqui
Em São Paulo, com recente histórico de repressão policial na USP, Cracolândia e Pinheiro, só reafirma a política ofensiva de repressão do PSDB, que conta como braço armado com a polícia militar de São Paulo, resquício da ditadura militar e descendente dos bandeirantes que exterminavam e caçavam negros e índios, que se orgulha de ser uma mais assassinas do mundo.
A visão que a burguesia tenta passar como “firmeza” da policia na guerra contra o PCC, significa toques de recolher impostos pela policia e ocupações militares em favelas como São Remo (em torno da USP), Paraisópolis, Morro Doce, instaurando um clima de terror e deixando um saldo de mais de 300 jovens mortos no último mês, 95% a mais do que os homicídios no ano passado. O que a burguesia e a mídia tentam vender como guerra ao trafico, é na verdade uma ruptura de um pacto espúrio que sempre existiu entre PCC e PM. A principal fonte de criminalidade se encontra na própria policia, que prende, julga e mata sumariamente, praticando um verdadeiro genocídio contra a juventude e os trabalhadores negros e pobres, estes sim que nunca podem esperar de seus algozes nenhum tipo de segurança.
O prefeito eleito pelo PT – Haddad - se elegeu com “aliados” como Paulo Maluf que, além de agente da ditadura militar e corrupto, é padrinho da policia militar e de sua tropa assassina de elite - a Rota. A gestão Haddad não será diferente do que todos os outros partidos, e assim como eles fará uso da repressão aos movimentos sociais e da violência contra os pobres e negros, com uso de uma policia que tem isso como lema.
No Rio de Janeiro esta política é mais avançada. A consolidação das UPPs e o projeto de cidade orquestrado por Sérgio Cabral e Eduardo Paes, segue transformando profundamente a cidade, com privatizações, centenas de obras, remoções a serviço da especulação imobiliária, aumento do custo de vida e repressão cotidiana para tornar esta cidade vitrine do Brasil para o mundo. As UPPs não são um projeto de segurança, mas um projeto de cidade e de como gerir o imenso contingente de “pobres urbanos” do Rio de Janeiro. Tal plano de cidade tem orçamento e contingente policial de um lugar em guerra: a militarização no Rio de Janeiro concentra 1 policial a cada 80 habitantes nas comunidades ocupadas nas cidades, enquanto a média nacional é de 400 habitantes por policial- mais gastos do orçamento do estado com “segurança” do que com educação.
A burguesia necessita da repressão policial para abrir caminho para a especulação imobiliária: enquanto toda a cidade está repleta de favelas, 17 das 21 UPPs estão localizadas em áreas de evidentes interesses de especulação imobiliária. O Estado agora diz estar presente nestes lugares, como se já não estivesse presente pela sua ausência e abandono. A imagem de recuperar o orgulho carioca através da legitimação das ocupações militares e da violência policial serve para mascarar um estado de controle sobre a juventude negra e pobre, para manter a população disciplinada e garantir grandes contingentes de mão de obra barata, pois são nestes locais que estão os trabalhadores mais precários, sendo necessário garantir que estes não se revoltem com a repressão cotidiana que proíbe festas, músicas e churrasco onde moram e passem a questionar que esta cidade esta sendo reconstruída em cima do seu sangue e suor.
Por isso, a resposta que dá o PSOL com a política de UPPs “sociais” que mantém a repressão como necessidade, o fato de que o candidato a prefeito Marcelo Freixo em seu programa político não continha uma sequer palavra sobre repressão policial ou negro e ainda a política do PSTU e outros setores da esquerda, que são contra as UPPs, mas defendem os policiais e bombeiros como trabalhadores em seus motins, são totalmente insuficientes, sendo necessário levantar que não será pelas mãos da policia o combate à violência e nem à “segurança”, mas pela autodefesa dos negros e pobres que como a parte mais massiva da classe trabalhadora, deve se colocar como vanguarda e não confiar em seus inimigos de classe, levando assim uma luta totalmente independente da burguesia e de seus aparatos policiais.

( A principal fonte de criminalidade se encontra na própria policia, que prende, julga e mata sumariamente, praticando um verdadeiro genocídio contra a juventude e os trabalhadores negros e pobres”
Fora PM das favelas, periferias e morros!!
Punição aos torturadores de ontem e hoje!)

O governo Dilma que através da Comissão Nacional da Verdade e da implementação de cotas faz demagogia de democrático, esconde que para cada uma dessas políticas existem limites reais. À CNV impõe que não punirá os torturadores, muitos dos quais seguem liderando e influenciando as políticas de segurança de vários Estados (Em São Paulo, a PM carrega dentre suas estrelas, homenagens ao massacre de Canudos, a repressão ao movimento de João Candido e a “Revolução” (!!!) de 64). A contra cara que o governo tenta esconder é que as limitações das suas políticas ditas “democráticas” já poderiam ter sido previstas ao saber-se que esse é o governo que, servindo ao Imperialismo americano, envia tropas de assassinos e estupradores para “pacificar” o Haiti, que aplaude as ocupações de morros no Rio, que senta para negociar auxílio ao massacre que se segue em São Paulo, lembrando a todos que o Haiti é aqui.
Sem fronteiras, lutaremos contra a repressão que sofremos aqui e contra os ataques aos trabalhadores e povo pobre em todo o mundo.

A crise se acirra, o apartheid acorda
No último 14 de Novembro, a classe trabalhadora junto à juventude paralisou a Europa, Espanha, Grécia, Portugal, Chipre, Malta e por algumas horas na Itália fizeram uma histórica greve geral mostrando o potencial de unidade da classe trabalhadora para impor que os capitalistas paguem pela crise. Em cada luta, cada manifestação da juventude e dos trabalhadores contra o destino de miséria que tenta impor a Troika e o imperialismo internacional, vemos a policia a serviço de impedir, reprimir, perseguir e prender lutadores para assegurar a manutenção da ordem social da exploração de miséria e opressão, o lucro da burguesia internacional em meio a crise econômica mundial.
A crise vem se aproximando de países com histórias trágicas de opressão colonial. No caso da greve dos mineiros de Marikana, na África do Sul, foi possível ver do que é capaz a burguesia quando vê seus negócios ameaçados em tempos de tantas perdas econômicas. O governo de Jacob Zuma, do Congresso Nacional Africano, herdeiro de Nelson Mandela, demonstrou a verdade por trás do governo que “vai acabar com a divisão racial do apartheid”, e com o uso de seu aparelho policial condenou 44 grevistas à morte, chacina que não se vê desde que o apartheid acabou em 1994.
Tal situação mundial impõe aos negros e negras respostas rápidas e decididas no sentido de se verem como parte da classe trabalhadora, exigindo dos sindicatos,
entidades estudantis e todos os trabalhadores e jovens não organizados que pautem imediatamente os ataques que, a princípio, serão desferidos contra esse setor da classe, e que se passarem, servirão de base para fortes ataques ao conjunto da classe e da juventude. É preciso que se lute imediatamente pelo fim do trabalho precário e da carestia de vida, pelo fim da repressão, pela reforma agrária e urbana, democratização radical do sistema de saúde e de educação. Nada disso será possível sem a independência dessa classe, que quando se alia com a burguesia para revindicar suas demandas, faz apenas aumentar as ilusões em conquistas parciais que nunca chegam, ou mesmo entrega suas demandas a uma derrota só reversível após décadas e mais décadas de carestia.
Fora PM das escolas, universidades, favelas e periferia!
Pela punição imediata aos torturadores de ontem e hoje!
Em defesa do internacionalismo: Fora as tropas brasileiras do Haiti! Punição aos mandantes e executores do massacre de Marikana!
Pela reforma urbana e agrária com independência de classe!

Educação no Brasil e a farsa propagada por Lula Dilma PT e seus aliados
Por Marcela Darido

Desde o início da colonização, no nosso país é o povo preto que tem mais sofrido. Foi sequestrado de suas terras para construir nosso país e dar as bases de formação da potência imperialista inglesa com trabalho escravo. Mesmo no pós-abolição, o Estado brasileiro reforçou sua exclusão, o que é importante para que nosso país possa cumprir seu papel dentro da divisão internacional do trabalho. “Libertos”, jogados na miséria, sem terra, educação, saúde, sofrendo discriminação e repressão, os pretos ainda hoje são quem mais sofre as mazelas da exploração sobre a classe trabalhadora.
A elite branca Brasileira, que já estava preparada para lidar com o processo de abolição, coloca em prática o projeto para lidar com a população preta liberta. Esse projeto se estrutura em cima de três políticas principais: o branqueamento populacional, o controle social e o extermínio do povo preto. O aparato de dominação pouco mudou e os pretos e pretas que saíram das senzalas acabaram em quilombos ou criando nas cidades os bairros africanos, que depois se tornariam as favelas, onde hoje a polícia entra para dar continuidade ao extermínio dos pretos. O índice de mortalidade de jovens pretos de 15 a 24 anos no nosso país é três vezes maior do que a de jovens brancos na mesma faixa etária, esse índice é resultado de uma política de genocídio sobre a população negra, principalmente de sua juventude, feita pelas mãos da polícia, as forças armadas do Estado.
A população negra é o setor mais precarizado da classe trabalhadora, ocupando os postos de trabalho que não necessitam de especialização mais profunda para serem ocupados. Essa super-exploração dos pretos pressiona cada vez mais para baixo os salários de toda a classe trabalhadora.
Há anos os negros tem sofrido uma política de exclusão social, inclusive no que diz respeito à educação formal. A política de educação não pode ser desligada do plano da burguesia para os negros no Brasil. Hoje temos um índice de 8,9% de analfabetos do país, onde a grande maioria é de negros, devido ao fato de que, segundo os índices de Cor/Raça do IBGE, os brancos estudam 1,6 anos a mais do que os negros.
Enquanto 30,67% das crianças brancas (1,6 milhão) têm idade superior à recomendada nos anos finais do ensino fundamental, entre as crianças negras, a taxa é de 50,43% (3,5 milhões). Das crianças com mais de sete anos que ainda não estão na pré-escola, 63,5% são pretas, enquanto 36,5% são brancas, no ensino fundamental o índice de retenção dos estudantes pretos também é maior. Em 2008 quase metade das crianças pretas de 6 a 10 anos estava fora da série adequada, contra 40,4% das brancas; entre 11 e 14 anos, o porcentual de pretos atrasados subia para 62,3%.
Quando voltamos nossos olhos ao ensino superior, a desigualdade é ainda mais gritante, em parte pelo resultado de anos de educação precária que afastam o negro da educação desde a infância, em parte pelo imenso esforço feito pela elite para que na universidade só entrem os que passam pelo filtro social mais eficaz já inventado por ela: o vestibular. De todos os entrevistados pelo IBGE, 25,5% dos brancos já haviam frequentado o ensino superior contra apenas 8,2% dos negros.
Esse processo de exclusão dos negros da educação formal forjou uma casta intelectual branca que é a que escreveu e pensou a questão negra, como o livro Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre que é um marco importante da tese da democracia racial. O mito da Democracia racial se coloca enquanto forma de desarticular a população oprimida, cria-se a filosofia da convivência harmoniosa entre a elite branca e os pretos oprimidos, aculturação para o embranquecimento. Uma destruição cultural dos polos. Ao contrário do que diz Freire, e todos os que compram sua ideia de democracia racial, a mistura entre as raças gerou mestiços que também sofrem racismo, os “pardos” das valas preenchidas pela polícia, não existindo de maneira alguma uma “miscigenação” que eliminou os polos da realidade racial brasileira. Partindo de um pressuposto que todas as raças têm as mesmas condições na sociedade, coloca nos setores mais oprimidos e criminalizados toda a culpa por seus próprios problemas sociais.

(É preciso entender que nós pretos e pretas devemos lutar pelo necessário, não pelo possível na legalidade de um poder que nos aprisiona.)

A discussão sobre cotas raciais nas universidades públicas é um exemplo de como o racismo pode se deixar esconder por traz de um falso mito de democracia racial, transferindo o resultado de uma política de mais de 500 anos de genocídio e descaso social em mera incompetência do povo preto. Se hoje não vemos os pretos nas salas de aula das universidades, nem como estudante, tão pouco como professores, é por que o lugar dado a esses nas universidades é limpando as salas de aula e banheiros, nos postos mais precarizados.
O governo Dilma aprovou no senado um projeto de cotas sociais e raciais para serem implementados nas universidades federais, esse projeto prevê 50% de cotas sociais, entre as quais uma porcentagem de cotas raciais de acordo com a porcentagem de pretos e pardos no estado. Para algumas universidades que já implementaram cotas será um retrocesso, pois terão de diminuir o número de cotas raciais, como é o caso UFABC, que hoje destina 28,3% de suas vagas a negros e terá que diminuir para 16% .
Apesar de nos colocarmos ao lado do movimento negro no combate aos setores de direita que organizam campanhas contra as cotas, para promover a democratização radical do ensino que garantirá acesso pleno à universidade a todo o povo negro, defendemos como programa o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas sem indenização.
A garantia de ingresso de pretos nas universidades ainda é muito pouco: é preciso uma política que garanta de fato o acesso do povo preto a educação formal, desde as creches até as universidades!
Se por um lado esse governo abre alguma concessão, dando migalhas ao pretos por outro avança na repressão da classe trabalhadora e no genocídio do povo negro ajudando as UPPs no Rio de Janeiro, mandando o exército reprimir as mobilizações dos trabalhadores das obras do PAC, oferecendo auxilio para o extermínio do povo preto nas favelas de São Paulo, etc.
Garantir educação de qualidade para pretos e pretas é apenas uma pequena parte do processo de reparação. Reparar os pretos historicamente significa fazer uma transformação radical na sociedade, que vai desde a reforma agrária e urbana até o fim da violência policial e do sistema prisional. E a luta por melhores condições na educação para os pretos não pode estar desligada de todas as outras, por que a falta de moradia, o genocídio da população preta, principalmente de sua juventude, seu encarceramento, a necessidade de trabalhar desde cedo, a ocupação dos cargos mais precarizados, etc, fazem parte do conjunto de fatores sociais que tiram os jovens pretos das escolas desde a infância e que não permitem que os mesmo entrem nas universidades, ou sequer vejam o ensino superior como algo possível em sua vida.
Temos que seguir o exemplo de Zumbi de Palmares, Malcolm X, dos Panteras Negras, e vários outros lutadores que se armaram contra a opressão do povo preto. É preciso entender que nós pretos e pretas devemos lutar pelo necessário, não pelo possível na legalidade de um poder que nos aprisiona, e que nossa luta deve ter como norte a certeza de que só seremos livres com a libertação de toda a humanidade, com o fim da exploração da classe trabalhadora.

“Nós nunca teremos liberdade real entre brancos e negros
nesse pais sem destruir esse pais, sem destruir o atual
sistema político, sem destruir o atual sistema econômico
sem reescrever a Constituição inteira, sem destruir tudo que os EUA supostamente defendem.” Malcolm X


Questão negra e marxismo uma conciliação necessária  para a vitória.
por: Leticia parks

Em diversos momentos da trajetória do movimento operário no Brasil, não foram poucos os momentos em que as direções sindicais e partidárias esquivaram-se de debater a questão negra, alegando que essa questão poderia alavancar uma divisão na classe operária brasileira, que há muitos anos já vem integrada, não existindo mais diferenças entre as raças que convivem no Brasil, devendo ser, portanto, prioridade do movimento operário e da juventude, levar em frente as lutas que integram esses diferentes setores em torno da questão de classe.
Outros setores da esquerda alegam que para tal questão a única pauta é a revolução, não havendo antes dela, nem mesmo dentro dela, questões específicas ligadas a questão negra, ou a outros setores oprimidos pelo capitalismo, como as mulheres e os homossexuais.
Nós da Juventude às Ruas!, em contraposição a essas concepções, reconhecemos profundamente o papel da revolução para a libertação de todos os povos oprimidos, e que se levada a frente a estratégia correta, como na revolução proletária vivida na Rússia em 1917, com auto-organização dos trabalhadores, atendendo às demandas democráticas mais sentidas pelos camponeses e mulheres, é possível alcançar aos negros demandas inéditas como as alcançadas pelas mulheres e camponeses no início do séc XX: a União Soviética foi o primeiro Estado a legalizar o aborto, o divórcio e a estabelecer plenamente a reforma agrária.
A fuga das direções do movimento operário em relação a questão negra não se deu por um apego ao marxismo, mas ao stalinismo. Tratar a questão negra como uma questão de divisão da classe foi política do PCB durante toda a sua construção no séc XX e até hoje. A degeneração burocrática promovida por Stalin foi acompanhada do retrocesso sobre a questão da mulher, agrária e homossexual após a morte de Lênin, como política consciente para dentro do Estado operário.
Para o marxismo, desde sua origem, a questão da mulher e do negro, em meio a outros setores oprimidos pelo capitalismo, sempre se deu como tarefa central, sendo para qualquer comunista , apegado aos seus preceitos históricos e teóricos fundamentais do marxismo, absurda a ideia de libertar-se sobre o aprisionamento de outros povos, outras etnias ou outros gêneros.
Em uma sociedade dividida em classes, com a burguesia, por um lado, impondo a dinâmica econômica que a favorece e junto a isso a ideologia que sustenta a manutenção de seu poder, e por outro, os trabalhadores, vendendo sua força de trabalho e lutando pela sua sobrevida, carregado da ideologia burguesa que impregna nosso cotidiano; é impossível compreender a questão do racismo por fora de encará-lo como uma política que é imposta e propagada pela burguesia. No mundo capitalista, nada existe a não ser que gere exorbitantes lucros. Se não houvesse lucro sobre o machismo, este não se manteria. Se não houvesse lucro sobre o racismo, esse não se manteria. O racismo dá altos lucros para a burguesia ao convencer setores amplos dos trabalhadores de que pode semi-escravizar toda uma população justificando-se apenas na sua cor de pele. Com isso, faz com que a força de trabalho de uma mulher negra valha ao menos 6 vezes menos do que a força de trabalho de um homem branco, para quem a burguesia é obrigada a pagar salários muito mais altos.
A partir de 1905, Lênin, um importante militante e estrategista marxista, elabora o conceito de tribunos do povo para os sindicatos operários. Com essa política, coloca a limitação existente entre as reivindicações dos operários sindicalizados e dos operários que, pela precarização do trabalho, são furtados da possibilidade de organizar suas demandas em torno de um organismo político centralizador. Sendo assim, seria papel das organizações operárias sindicais e partidárias levar as reivindicações do povo mais oprimido para o seio das reivindicações dos trabalhadores sindicalizados, assim como, para a juventude organizada no movimento estudantil, levar ao seio de sua base as reivindicações dos setores mais oprimidos e da classe operária, que não é representada pelo movimento estudantil de maneira direta como o é nos sindicatos.


(se levada a frente a estratégia correta, como na revolução proletária vivida na Rússia em 1917, (…) é possível alcançar aos negros demandas inéditas como as alcançadas pelas mulheres e camponeses no início do séc XX: a União Soviética foi o primeiro Estado a legalizar o aborto, o divórcio e a estabelecer plenamente a reforma agrária.)

É parte constitutiva dos atrasos da esquerda e do movimento negro atualmente considerar que a trincheira das reivindicações do movimento negro atualmente está por fora da luta de classes, e que é possível que a burguesia seja o sujeito capaz de alcançar as reivindicações históricas dos negros, oprimidos há séculos em nosso país e em todo o mundo. Entretanto, é possível que uma classe que se pauta apenas por seus lucros e poder entregue definitivamente nas mãos dos negros todas as suas exigências básicas, muitas das quais não se colocam como demandas socialistas, mas simplesmente demandas democráticas que deveriam ser atendidas por um Estado que se diz democrático? Pode a burguesia brasileira, responsável pela existência de tantos sem terra em nosso país, entregar aos negros a Reforma Agrária tanto reivindicada? Pode a burguesia entregar aos negros, depois de séculos de expulsão do ensino básico para forjar mão de obra semi escrava para o trabalho precário, garantir ensino laico, gratuito e de qualidade para todos os negros desde a infância até a vida adulta? Pode a burguesia brasileira acabar com a violência policial, ela que precisa assassinar no campo e nas cidades para garantir a “paz social” que mantém seus lucros assegurados reprimindo os trabalhadores precários moradores de favelas?
É de nossa opinião que só pode assegurar esses direitos a classe que não tem sobre as vidas das massas o interesse no lucro, na especulação e na parasitagem; e que essa classe é a classe operária. É parte da estratégia marxista para a transformação da sociedade a ideia e a prática de que o terreno da luta contra o racismo não são as alianças espúrias estabelecidas entre grupos reformistas e governo (que apesar de se dizer dos trabalhadores, governa para a burguesia), tampouco é a negação da existência do racismo ou de demandas específicas dos negros. Nosso terreno é o terreno da luta de classes, contra a burguesia e contra seus agentes, seja a polícia ou a justiça burguesa, pela conquista de demandas que não possam nos ser retiradas. Lutamos para convencer todos os setores da classe operária de que cada demanda dos negros é também uma demanda de todos os trabalhadores brasileiros, americanos, venezuelanos, haitianos, espanhóis, portugueses, italianos... A questão negra é uma questão mundial e uma tarefa de hoje, que deve em cada pequena luta levar a um profundo questionamento do sistema capitalista e da divisão entre classes que legitima o poder de uma classe com interesses opostos ao pleno desenvolvimento dos seres humanos como o que são: diferentes, plurais, criativos, coloridos.
Como parte da estratégia marxista, consideramos fundamental apropriar-se de nossa história, pois só assim é possível aprender com os acertos e erros já realizados por nossa classe organizada. Para nossa história, os indivíduos são fundamentais, e por vezes colaboram de maneira determinada, com suas ideias e sua decisão, os rumos das lutas levadas a frente pelos trabalhadores. Sendo os negros um dos setores mais explorado de toda a classe por todo o mundo, a decisão e a coragem daqueles negros e negras que se organizaram na luta pelo fim de sua escravidão antes e depois do capitalismo moderno, são figuras essências de serem resgatas e fortemente reivindicadas por todos os trabalhadores e pela juventude, como os fios de continuidade de uma tradição a ser retomada na classe operária brasileira e mundial de profunda conexão entre a opressão às negras e negros e o fim da exploração sobre a classe trabalhadora de conjunto.

Zumbi dos Palmares (1655 - 1695)
O Quilombo de Palmares foi o maior quilombo que já existiu na história de luta dos negros contra a escravidão. Nele os negros resistiram por mais de 1 século contra as constantes investidas do Império para acabar com essa cidade, que representava um grande risco para a corte por conta de seus mais de 20 mil moradores. Zumbi é o líder que assume tal aposto após a queda de Ganga Zumba, líder anterior que havia negociado o fim de Palmares com a corte portuguesa. Zumbi demonstrou-se então um grande estrategista, e no pior tempo de ataques, conseguiu manter o quilombo vivo por décadas, até que é entregue por seu braço direito, Antonio Soares, e morto pelos bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho. Zumbi é exemplo de resistência e de coragem não só para os negros, mas para todos os trabalhadores do mundo, sendo uma das primeiras experiências, antes mesmo do Haiti, em que a emergente burguesia branca é desafiada por um subalterno.

C L R James (1901 - 1989)
James foi um importante escritor e militante trotskista, que por anos comunicou-se com Trotsky, junto a outros militantes da década de 30, para forjar nos EUA o que seria a primeira organização americana a colocar-se contra a política stalinista para a URSS e para os outros importantes processos que se abriam na época, que por política da III Internacional, foram derrotados, jogando sobre a classe operária décadas de sentimento de derrota. C L R James dedicou parte de sua vida para aprofundar os estudos sobre a história de luta dos negros, tendo importantes elaborações sobre os negros nos EUA e sua mais conhecida publicação sobre a Revolução Haitiana, onde retoma a figura de Toussaint Louverture, líder da revolução e outro importante estrategista negro. James representou a necessidade e indissociabilidade entre a questão negra e o marxismo, e interdependência entre tais discussões para a vitória dos trabalhadores e da juventude sobre o capital.

Huey P. Newton (1942 - 1989)
Huey foi um poeta, revolucionário e um dos fundadores do Partido dos Panteras Negras, primeiro partido só de negros no mundo a reivindicar o marxismo como lente para analisar a sociedade e lutar contra o capitalismo. Huey era estudante de direito, e por essa via contribui com a consciência dos negros ao demonstrar-lhes que as leis ditas universais na Constituição americana não passavam perto de serem direitos dos negros, formulando assim os 10 pontos da plataforma dos Panteras, que demonstram como para adquirir direitos básicos, os negros foram obrigados a se armar, lutar contra o Estado e sua força policial e foram fortemente reprimidos por isso, levando muitos dos Panteras à morte. Huey foi um deles. Aos 47 anos foi assassinado a tiros por uma conspiração do Estado contra a organização.

João de Mattos (viveu provavelmente entre os anos de 1850 e 1900)
João de Mattos foi um líder sindical padeiro que na década de 1870 em diante organizou levantes da categoria para libertar seus companheiros escravizados. O primeiro levante do qual se tem notícia é o de 1876 em Santos, onde os padeiros escravos de 5 padarias abandonam o local de trabalho com cartas de alforria falsas preparadas por João. Tal acontecimento se repete em 1877 em São Paulo com um número ainda maior de padarias e com os negros recém libertados seguindo João até o Rio de Janeiro, onde realizaram por anos façanhas do tipo. Em 1878, João com seus companheiros fundam o Bloco de Combate dos Empregados em Padarias, que com o lema de Pelo pão e pela liberdade organizou cerca de 100 associados. Com a abolição em 1888, após uma série de levantes, João demonstra em suas cartas que ainda era preciso lutar pela liberdade dos escravizados livres, demonstrando que com o fim da escravidão não se acabou a superexploração dela proveniente. João é um grande exemplo a ser resgatado e aplicado nos dias de hoje, quando infelizmente os sindicatos ignoram que dentro dos locais de trabalho que visitam os negros seguem sendo os superexplorados, e que é preciso uma unidade entre toda a classe trabalhadora para lutar contra a precarização do trabalho.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Os toques de recolher e a falsa guerra propagada pela mídia



Toques de recolher por toda a cidade, enquanto isso a mídia noticia a morte de policiais escondendo o fato de que centenas de pessoas morrem nas periferias pelas mãos dessa polícia em proporções muito maiores. Mais uma vez vemos se acirrar a política de genocídio da população negra, principalmente da juventude, tudo isso em nome da guerra contra as drogas, estamos vendo um novo maio de 2006, talvez com proporções ainda maiores.

Na favela de Paraisópolis numa mega operação a policia diz ter encontrado documentos com os nomes dos policiais que seriam mortos, confirmando que os supostos ataques do PCC teriam saído dessa favela, o que provavelmente a maior parte da população esqueceu é que só nesse ano essa mesma favela foi vítima de 33 incêndios criminosos, sem receber socorro de nenhuma força da segurança pública, com relatos de moradores de que a polícia era a primeira a chegar, antes mesmo dos bombeiros, pronta para agredir e abusar, não para socorrer. Na São Remo, comunidade ao lado da USP, a repressão policial já acontece há tempos, contabilizando Cícera, jovem trabalhadora terceirizada da USP, entre seus mortos pela polícia. A Reitoria da USP vêm há meses ameaçando as famílias de despejo, tendo aplaudido os recentes toques de recolher e a ocupação das policias civil e militar, que desde a sua efetivação, no dia 30 de outubro, já é responsável por várias mortes.Hoje vemos casos como esses em toda São Paulo e região, como Osasco e Guaianases, com incêndios criminosos, chacinas e posteriormente toques de recolher, mortes de lideres comunitários, ações policiais e etc.

Desde a abolição da escravidão, já vemos políticas de criminalização e de genocidio dos negros, temos como exemplo a criminalização da capoeira, a lei contra a vadiagem. O resultado dessa politica de mais de 500 anos é a população negra sendo maioria nas favelas, morrose nas cadeias. As principais vitimas da violência do Estado, são os jovens negros, também são os que mais sofrem sem educação, saúde, moradia e etc.

Essa chacina que vemos esses últimos dias não é novidade. Entre 2006 e 2010 mais e 2262 pessoas morreram em supostos confrontos com policiais, no primeiro semestre de 2012 mais de 170 pessoas já morreram, não são poucos os número de morte por “auto de resistência”, que significa resistência seguida de morte, assim como já é sabido que a maior parte dos autos de resistência são homicídios. Em maio de 2006 também com a a justificativa de “combate” ao crime organizado a policia promoveu uma enorme chacina que resultou em centenas de morte de jovens, em sua maioria negros, dessa chacina resultou o movimento mães de maio.

O que acontece em São Paulo hoje não é uma guerra civil e sim um acirramento do genocídio da população negra pelo braço armado do Estado, que combina seus órgãos legais com a sua própria política de repressão sobre os trabalhadores precarizados, juventude negra e pobre das favelas, que se não fossem duramente reprimidos, instalariam uma situação de constante rebelião contra suas condições de vida, mantêm-se então uma aura de medo e suspeita toda a população negra e pobre residente de favelas para seguir esse projeto.

Nós da Juventude Às Ruas! sabemos que não é possível - apesar da propaganda de diversos setores da esquerda - confiar na humanização de um órgão espúrio como a policia militar, e por isso reivindicamos o exemplo dos Panteras Negras, que em meio a política genocida do estado norte-americano, organizou grupos de autodefesa entre o povo negro e pobre das periferias, sabendo que em meio a um Estado que visa o genocídio dos negros e pobres, só é possível se proteger de maneira independente. Em sua carta de princípios, diziam: 

“Nós queremos o fim imediato a violência policial e o assassinato do povo negro, outras pessoas de cor, todos os povos oprimidos dos Estados Unidos. Nós acreditamos que esse governo racista e facista dos Estado Unidos usa suas agências de força doméstica para levar a cabo seu programa de opressão contra o povo negro, outras pessoas de cor e o povo pobre dentro dos Estados Unidos. Nós acredito que é de nosso direito, portanto, nos defender contra tais forças armadas e que todos os negros e povos oprimidos deveriam se armar para auto defender seus lares e comunidades contra essas forças policiais fascistas. (…) Nós acreditamos que se o governo dos Estados Unidos ou seus lacaios não cessam essas guerras agressivas é direito de todas as pessoas defenderem a si mesmas por qualquer meio necessário contra esses agressores.” (Pontos 7 e 8 dos 10 pontos da plataforma “O Que Nós Queremos” do Partido dos Panteras Negras)

Viemos no último período em nossa agrupação realizando uma série de intervenções no sentido de solidariedade a população das periferias, com professores da Juventude Às Ruas! acompanhando seus alunos às suas casas para evitar que se tornassem novas vítimas da violência policial, assim como pensando junto aos trabalhadores da São Remo formas de se colocar contra a política genocida que se implementa nessa comunidade vizinha a Universidade de São Paulo, dividida por um muro representando o verdadeiro Apartheid implementado pelo trabalho precário e pelo vestibular, onde esses moradores só podem ingressar na universidade para limpar o chão dos prédios onde, se depender da burguesia, jamais poderão estudar. Junto aos trabalhadores da São Remo, a ADUSP, SINTUSP e DCE, construiremos um grande ato no dia 22 de novembro, as 14h30, no portão da São Remo, contra a "reurbanização" - desalojamento - da São Remo, organizada pela Reitoria para aprofundar ainda mais o fosso que separa a universidade dos trabalhadores pobres e negros da periferia, que faz com que através de sua figura gestora João Grandino Rodas, aplauda efusivamente a ocupação militar dessa e de outras favelas em toda a grande São Paulo.

No momento onde na USP se abrem os processos eleitorais para Centros Acadêmicos e Diretório Central de Estudantes, consideramos fundamental que todas as chapas expressem centralmente esse combate em seus programas, como parte de fazer da universidade, do movimento estudantil e de trabalhadores, o tribuno do povo negro e pobre que não tem espaço de reivindicação e que pode, pela via dos sindicatos e entidades estudantis, ganhar a voz que por outras vias lhes é negada. Estamos nesse processo construindo nossas chapas a partir dessa perspectiva, e convidamos todos a conhecerem nossos debates e nosso programa; programa esse onde queremos não apenas fazer ecoar o grito contra a violência policial, mas derrotar o plano de "reurbanização" de Rodas e também exigir as medidas necessárias para que toda a população negra, pobre e trabalhadora possa ter os mesmos direitos trabalhistas, sem a divisão imposta pela terceirização, assim como possam estar dentro da universidade para estudar, sem os filtros elitistas do vestibular e da falta de permanência estudantil.

- Pelo fim do vestibular com estatização das universidades privadas! Pela imediata implementação de cotas raciais proporcionais a população do estado, sem vinculação às cotas sociais!
-  Abaixo a terceirização que escraviza, humilha e divide! Pela contratação imediata dos trabalhadores terceirizados sem concurso público!

-Contra a reurbanização da São Remo e por um plano de obras públicas pensado e decidido pelos moradores da comunidade!Abaixo a violência policial! Nenhuma confiança na segurança da burguesia - pela autodefesa dos negros e pobres!

- Punição imediata a todos os assassinos de Estado! Investigação de todas as mortes em “autos de resistência”, sem nenhum julgamento especial para policiais!