Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

FRANCA: I ENCONTRO DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Professores acompanham alunos até suas casas na favela São Remo, ocupada pela polícia.


Ontem (31/10/12) os moradores da São Remo acordaram assustados com o barulho dos tiros na madrugada. Por volta das 5 horas da manhã, policiais da Rota, GOE, Força Tática, invadiram a favela com a justificativa de que havia uma operação para prender o responsável pela morte de um policial da ROTA mês passado. Os policiais ocuparam a favela com cerca de 200 homens que invadiram as casas, quebrando móveis e agredindo moradores. Sou professora da Rede Estadual e leciono na EE Daniel Pontes, que fica na Av. Rio Pequeno e atende à grande maioria das crianças e jovens moradores da São Remo e também outras favelas da região. 
Os alunos na manhã dessa quarta feira estavam agitados e assustados com a situação da São Remo. Muitos relataram abusos dos policiais, que tentavam entrar em todas as casas e distribuíam “gerais” nos moradores da rua controlando a entrada e saída de pessoas. Os alunos da escola se mostravam preocupados com a situação e diversas vezes anunciavam que parentes haviam ligado, avisando de tiroteios constantes na favela. 
Diante da apreensão dos alunos e pela indignação frente à ação da PM, alguns professores se organizaram para acompanhar os alunos até suas casas na São Remo, na saída da aula. Na saída, os alunos se concentraram e fomos em um grupo de 7 professores acompanhando-os até a favela e deixando cada um deles em suas casas. No caminho ficamos o tempo todo sob a mira dos fuzis dos policiais da ROTA, havendo diversos deles com tocas ninjas, sem identificação e com cães farejadores pelas vielas do local. Durante todo o trajeto ouvimos os tiroteios. 
Os alunos estavam assustados, mas bastante satisfeitos com a iniciativa dos professores em levá-los até suas casas. No caminho conversamos com parentes, amigos, encontramos mais alunos e presenciamos o medo e a apreensão dos moradores, poucos que estavam na rua, diante da repressão policial. Nós acompanhamos nossos alunos até suas casas não somente para sua segurança, mas para mostrar que não vamos nos calar diante da repressão policial que diariamente atinge à juventude negra e pobre das periferias, da qual nossos alunos são parte.
A mídia burguesa anuncia todos os dias com muito pesar a morte de pm’s, mas se cala diante das milhares de mortes de jovens negros que lavam de sangue as ruas das periferias de todo o Brasil. Há algumas semanas atrás perdemos um ex-aluno da EE Daniel Pontes, de 15 anos, morto com um tiro nas costas pela Polícia dentro da São Remo. Nos solidarizamos com os moradores da Favela São Remo que foi ocupado pela ROTA e estaremos lado a lado dos trabalhadores e da juventude da periferia contra o genocídio, pelo qual é responsável a polícia assassina!

Por J., professora da rede estadual e militante da Juventude Às Ruas

domingo, 4 de novembro de 2012

SOMOS TODOS GUARANIS KAIOWÁS

No dia 8 de outubro, uma carta escrita pelos índios da etnia Guarani-Kaiowá, acampados no local que historicamente pertencia ao seu território Pyelito Kue (na região de Iguatemi/MS), ganhou projeção nacional. Na carta, eles protestavam contra a ordem de despejo decretada pela justiça do MS, que ordenava aos quase 200 indígenas que saíssem do pouco que sobrou de seu território. Diante de anos vendo o avanço dos latifundiários sobre suas terras, e conhecendo bem os métodos de seus exércitos de pistoleiros particulares e da própria polícia do MS, os Guarani-Kaiowá deixam uma mensagem clara na carta: haverá resistência, nem que isso leve ao extermínio de toda a etnia.

Diante da pressão exercida pela divulgação da carta, a justiça concedeu aos indígenas a permanência em até 1 hectare de terra na região (metade da área ocupada por eles atualmente, e quase nada se comparado aos 762 hectares da fazenda onde se encontra), e o Governo Federal deu declarações dizendo que agilizará o processo de demarcação das terras dos Guarani-Kaiowá. Essa demagogia do governo Dilma procura esconder a conivência do PT, em seus quase dez anos de governo, com a expansão dos latifundiários sobre os territórios indígenas, que são obrigados a fugirem de suas terras ou se sujeitarem ao trabalho semi-escravo nas fazendas dos grandes barões da soja. Enquanto propagandeia pequenas concessões, como a homologação da demarcação do território Raposa Serra do Sol pelo governo Lula, o Governo Federal mostra todo seu descaso com os povos originários ao atingir várias tribos com obras do PAC, como a construção da usina de Belo Monte e a pavimentação da BR-319, e o novo código florestal. 

Esta não é a primeira vez que a "Justiça" obriga os Guarani-Kaiowá a saírem de suas terras em nome do latifúndio. Enquanto aguardam terras "cedidas", ficam na beira de estradas em barracos, em uma situação degradante e insalubre. Líderes já foram assassinados, membros da tribo atropelados e recentemente houve o caso do estupro de uma índia por 8 jagunços. Os Guarani, particularmente os Kaoiwá, tem os maiores índices de suicídio entre jovens indígenas no Brasil, desde 2000 há 866 casos numa população de menos de 51 mil.

A expropriação das terras indígenas e o genocídio das tribos estão relacionadas ao desenvolvimento da economia brasileira, que é baseado principalmente no latifúndio e no trabalho precário, trabalho esse que se apoia no racismo estrutural do Brasil para se desenvolver. Não à toa o Brasil é um dos países com a maior concentração de terras e estatísticas de violência no campo, para manter a base da economia é necessário um verdadeiro genocídio dos povos que lutam por terra e, por extensão, contra os latifundiários que tem como representantes atualmente em Brasilia a bancada ruralista evangélica. As enormes concessões do Governo Federal a essa bancada, como o texto final do novo Código Florestal, demonstram os traços de continuidade que o governo do PT carrega de seu antecessor tucano, responsável por episódios como o Massacre de Eldorado dos Carajás em 1996.

A exploração e opressão que vivem os camponeses, negros e povos indígenas devem ser entendidos como parte do projeto de desenvolvimento econômico que desde os tempos remotos - na época de escravidão indígena e principalmente negra na colonização e posteriormente a Lei de Terras - os retira o direito a terra para não terem outra alternativa que não seja o trabalho em regime semi-escravo para os latifúndios ou a emigração para as grandes cidades (onde a precarização da vida também é uma constante), e nesse sentido, aniquilar de vez a resistência dos povos no campo. A luta pela determinação dos povos no Brasil, como dos Guarani-Kaiowá, é também a luta contra esse pilar do capitalismo do "Brasil Que Avança", que é esse modelo agrícola concentrador, monocultor e voltado ao mercado externo, erguido no Brasil ao longo de séculos de História às custas de muito sangue e suor negro e indígena.

Nas escolas, desde as primeiras séries o jovem brasileiro aprende que os povos indígenas eram dóceis, que construíram junto aos brancos uma nação multirracial e sem preconceitos. É a partir desse mito que se naturaliza o silêncio, ou melhor, silenciamento, dos Guarani-Kaiowá e de tantos outros povos oprimidos , um silêncio imposto principalmente pela mídia hegemônica que existe a serviço da burguesia e do latifúndio no Brasil. Isso somado à visão reacionária disseminada pela expansão imperialista no início do século XX: de que a história dos povos indígenas não está em suas próprias mãos, que existem e só podem existir enquanto sociedade na medida em que o capital impõe sua ''civilização'' e lhes ''da as ferramentas'' , que se tratam de sociedades inferiores que tem de avançar pelas mãos do homem branco. 

Os povos indígenas possuem e acima de tudo criam sua própria História e dela são seu único sujeito, e não lhes cabe ter os rumos decididos pelos aliciadores de força de trabalho barata para o agronegócio, como se revelou o SPI (Serviço de Proteção ao Índio na história do país, ou pelos latifundiários que assim como foram base do Brasil colonial, hoje com suas plantações de soja, são base para o novo ''Brasil potência''. A ideia de intervenção nas terras indígenas por parte do estado brasileiro, empresas, fazendeiros, ou seja quem for, é uma ideia essencialmente racista e etnocêntrica, alicerces por sobre os quais o país foi construído e sua história foi contada, uma história escrita por homens brancos, com o sangue negro e indígena. E a História, embasada na farsa dialética democracia racial x superioridade européia, agora, no caso dos Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue, está se repetindo como tragédia.

Os jovens e trabalhadores precisam ser convencidos da perspectiva essencial do direito a autodeterminação dos povos e prestar total solidariedade de seus coletivos, organizações e sindicatos, para os Guarani-Kaiowá, aqueles que decidiram por si próprios resistir e retomar sua própria História. Mas que após cinco séculos de genocídio e isolamento nos verdadeiros guetos que são as pequenas terras demarcadas e espremidas entre enormes fazendas, são poucos contra o latifúndio e um estado racista. 

Basta de massacre aos Guarani-Kaiowá!

Juventude às Ruas organiza passagem em salas de aula da USP com trabalhadores da Façon e Areza

No dia 22 de Outubro foi realizado um ato em frente à sede do Metrô em São Bento reivindicando que o Metrô pague imediatamente os salários e direitos dos trabalhadores da Façon e Areza. Além dos trabalhadores terceirizados e quarteirizados do Metrô, estavam presentes metroviários e a Juventude às Ruas prestando solidariedade ativa. Alguns representantes de todos os setores em luta do ato foram fazer uma passagem em salas de aula da USP nos cursos de Educação, História e Letras para relatar a situação alarmante que se encontram os trabalhadores terceirizados pelo Metro e passar o “chapéu” do fundo de greve. 
                    
Antes da passagem em sala os trabalhadores relataram aos estudantes da Juventude às Ruas e alguns independentes o nível de precarização do trabalho em que eram submetidos, contaram situações cotidianas onde os chefes os obrigam a trabalhar sem os equipamentos de segurança, numa profissão de alto risco como a construção civil, manutenção e elétrica. Também mostraram fotos de acidentes de trabalho que eles e outros companheiros sofreram, como cortes e queimaduras, além de filmagens em que eles trabalham em um trilho do metrô e em outro trilho da mesma via há trens passando.

Pablito, diretor do Sintusp, interviu relacionando a luta dos trabalhadores precarizados com a luta que há anos é impulsionada nas estaduais paulista, contra a privatização e elitização, por um projeto de universidade de fato pública, ou seja, aberta ao povo trabalhador e com o conhecimento voltado para as suas necessidades. Lembrou a luta das trabalhadoras terceirizadas da União que limpavam a FFLCH ano passado, que se iniciou também pelo não pagamento de seus direitos e salários e que até hoje muitos não foram pagos, demonstrando que nossa luta é uma só.

Hoje na USP, também lutamos contra o desmonte da prefeitura do Campus, com o fechamento de setores como o posto de combustíveis, circulares e a borracharia e a implantação de uma frota privada que avança na terceirização. Esse processo de desmonte possui uma ligação não tão inusitada com a luta dos trabalhadores terceirizados e quarteirizados. O prefeito do Campus, que vem implementando o processo de desmonte, José Sidnei Martini, trabalhou na década de 90 para a mesma empresa que contratou a Façon e a Areza - a multinacional francesa Alstom que é a terceirizada do Metro. Seu currículo é realmente admirável. Após a saída da Alstom em 1999, Sidnei assumiu a presidência da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista). Não só Sidnei participou do processo de privatização da empresa em 2006, mantendo-se no cargo mesmo após a privatiz ação, como também manteve negócios milionários com a Alstom até sua saída do cargo. Até 2008 a CTEEP havia firmado 47 contratos com a Alstom, somando mais de R$ 300 milhões. Isso demonstra categoricamente a relação íntima que a USP tem com as elites paulistanas e com as grandes empresas que exploram diariamente trabalhadores como os terceirizados do Metrô.

Nas intervenções nas salas de aulas os trabalhadores relataram a precariedade do trabalho, a delicada situação que muitos companheiros estavam por conta dos salários atrasados, com aluguel, pensão e família para sustentar. Denunciaram a terceirização como forma de maior exploração e degradação da vida dos trabalhadores e responsabilizaram o Metrô pelo não pagamento dos salários e direitos. Colocaram como é contraditório centenas de pobres serem presos diariamente por tão pouco enquanto os verdadeiros bandidos, os patrões, os roubarem descaradamente e seguirem impunes.

A linha 4 amarela concedida a CCR, terceirizada do Metro, é usada por muitos estudantes e trabalhadores, principalmente da USP, diariamente.  Os cabos transmissores de energia elétrica foram instalados por eles, além de muitos outros equipamentos e vias transmissoras utilizadas pelo Metrô. Os companheiros denunciaram a subvalorização e invisibilidade da categoria, demonstrada pelas condições insalubres de trabalho e baixos salários (quando são pagos).

Nesse momento lembramos como era exatamente isso que nos falavam as companheiras da União: como o serviço de limpeza era subvalorizado e invisível para os que usam o espaço, mas a “Revolta das Vassouras” mostrou a importância do serviço feito pelas trabalhadoras, chegando ao ponto de não ter condições de ter aula na FFLCH no período da greve, além de evidenciar o trabalho semi-escravizado dentro da “universidade de excelência”.

Para além dos 500 reais que conseguimos para o fundo de greve, nos ficou a importante experiência da aliança operário-estudantil numa luta contra a exploração e opressão dos trabalhadores mais precarizados - os terceirizados - implementando a independência de classe e reivindicando a união das fileiras operária, acreditando em nossa própria força (única capaz) para barrar os ataques da patronal contra os trabalhadores e a juventude.

Chamamos todas e todos companheiros que compartilham da solidariedade de classe a continuar na luta pelo pagamento imediato dos direitos e salários dos trabalhadores terceirizados do Metrô!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ocupação militar na São Remo - BOLETIM DO SINTUSP -

"PM CERCA SÃO REMO E ATACA TRABALHADORES (MUITOS DA USP)
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Na madrugada do dia 31 de outubro, centenas de policiais militares com cavalaria, cachorros e viaturas da Rota invadiram a comunidade São Remo - vizinha à USP, que existe há mais de 40 anos e, onde moram mais de 13 mil pessoas - arrombando casas de trabalhadores muitos dos quais funcionários efetivos e terceirizados da USP.
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Uma companheira, funcionária da USP, que teve sua porta arrombada, pelos coturnos dos soldados, pediu o mandato judicial e recebeu dois tapas, no rosto, de um policial que gritava: “está aqui!”. Em várias outras casas, os policiais quebraram móveis, eletrodomésticos e, quando os moradores protestaram dizendo que eram trabalhadores, ouviram dos policiais que quem mora na favela e não paga IPTU é bandido.
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Todas as entradas e saídas da São Remo foram fechadas, os trabalhadores que imploravam para que os deixassem sair, pois entravam no serviço às 7 horas, ouviram a mesma frase: “quem mora junto com bandido que mata polícia, é bandido também, e deve ser mandado embora do emprego mesmo”.
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A creche da comunidade, que funciona no Circo Escola, foi intimada pelos policiais a fechar e quando alguém argumentou que precisava comunicar aos pais das crianças, ouviu como resposta: “fecha já”.
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É bom lembrar que a comunidade São Remo está sendo ameaçada de despejo, pelo reitor da USP, já há algum tempo, o que já motivou manifestação de protesto em frente à reitoria, com muitas centenas de pessoas, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP, Associação dos Moradores do Jardim São Remo, DCE
da USP, com apoio da Adusp.
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O 16º Batalhão da PM, construído em terreno da Universidade de São Paulo, fica ao lado da comunidade São Remo e da própria USP. Lembramos ainda que a USP contratou, sem concurso público, 3 coronéis da PM para comandar a Guarda Universitária e está militarizando o campus.
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A PM de São Paulo, que está agindo em toda a grande São Paulo de forma semelhante ao que fez na comunidade São Remo, está integrada ao crime organizado ou, recebendo dividendos do tráfico e roubo de todas espécies. É só recordar de quantos policiais militares estão sendo presos em flagrantes nos roubos com explosão de caixas eletrônicos dos bancos, usando dinamites do exército.
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Nessa guerra aberta e não declarada, tem polícia e milícias de ambos os lados, bandidos fardados e à paisana e, a maior parte das vítimas são trabalhadores, jovens e crianças, que nada têm a ver com o crime ou a repressão.
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TEMOS QUE NOS ORGANIZAR CONTRA TODA ESSA SITUAÇÃO ABSURDA
O movimento sindical combativo, as entidades estudantis e populares têm que organizar a resistência à essa situação.
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Estamos convidando todas as entidades populares e democráticas, parlamentares, etc... para uma reunião que ocorrerá dia 5 de novembro, às 16h30, aqui na sede do Sintusp. Essa reunião já estava convocada pela Associação dos Moradores do Jardim São Remo, Sintusp e estudantes, para discutir a resistência ao despejo
e, agora tem outra demanda: a defesa dos moradores da comunidade São Remo, atacada pela polícia, assim como tudo o que ocorre em São Paulo.
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REUNIÃO COM A COMUNIDADE SÃO REMO, DIA 05 DE NOVEMBRO, AS 16:30, NA SEDE DO SINDICATO

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Assembleia “eleitoral” da Letras termina com dezenas de estudantes se mobilizando contra a violência policial na São Remo

Por Pardal


Hoje, dia 31 de outubro, ocorreu uma assembleia dos estudantes de Letras da USP, um evento que tem sido muito raro na gestão Travessia (MES-PSOL e independentes) que dirige atualmente o Centro Acadêmico do curso, o Caell. Com esta assembleia, a segunda convocada em duas semanas com a mesma pauta (calendário eleitoral do Caell), a gestão pretendia votar novamente a data das eleições, já deliberada na semana anterior, pois a decisão anterior lhe desagradou.
Contudo, os estudantes ali presentes rapidamente descartaram esta pauta já vencida e apoiaram a proposta da Juventude às Ruas de discutir o tema dos ataques à favela São Remo, localizada ao lado do campus e onde moram muitos dos trabalhadores, particularmente os terceirizados. A São Remo está há diversos meses sob a ameaça – que já está se concretizando com a recente remoção de cerca de 140 famílias – do projeto de “reurbanização” (um eufemismo bastante cínico para o despejo dos moradores). Agora, a este ataque, soma-se um verdadeiro estado de sítio permanente implementado pela polícia na comunidade.
Nas últimas semanas foram diversos assassinatos, inclusive de crianças e adolescentes, pelo simples fato de estarem na rua após o “toque de recolher” que está instaurado pela genocida polícia militar. Ontem houve um avanço no projeto, com uma operação conjunta da polícia militar e civil para entrar na São Remo a pretexto de procurar os assassinos de um soldado da ROTA. A polícia passou a violar abertamente e sem pudores todos os direitos, invadindo as casas e revistando pessoas.
Diante deste cenário, os estudantes da Letras debateram estas questões em sua assembleia e deliberaram por se incorporar à reunião aberta que está sendo convocada para segunda-feira pelo Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp) e a Associação de Moradores da São Remo. Para começar a mobilizar o curso, ao término da assembleia da noite cerca de trinta estudantes passaram nas salas de aula, discutindo com os estudantes o absurdo da situação da São Remo, e colocando como a política de repressão da reitoria de Rodas está completamente vinculada a isso. A mesma polícia que reprimiu a mobilização dos estudantes em anos anteriores hoje está batendo novos recordes de genocídio da população negra em São Paulo, e não podemos nos calar diante disso.
A passagem em sala, em que estiveram presentes a Juventude às Ruas, o DCE e dezenas de estudantes independentes, infelizmente não contou com a presença dos que haviam convocado a assembleia “eleitoral”, que se transformou em uma assembleia para discutir a solidariedade ativa dos estudantes aos moradores da São Remo. Desta forma, mais uma vez o MES e a gestão Travessia mostram que estão longe de querer construir um movimento estudantil ligado aos trabalhadores e às demandas do povo pobre e negro que é excluído das universidades pelo filtro social do vestibular. A Juventude às Ruas tem orgulho de ter estado na linha de frente com os estudantes da Letras e chama todos a se incorporarem aos próximos passos das medidas de luta contra a violência policial e o despejo dos moradores.

Todos à reunião no Sintusp, dia 5-11, às 16h, para organizar a luta!

domingo, 28 de outubro de 2012

CHILE- Do armário para às ruas de Antofagasta sem deixar de lado o "dia pela despatologização trans".

Tal como aconteceu nas cidades mais importantes do mundo, na capital regional se realizou uma manifestação onde se chamou a não tolerar as posturas discriminatórias que sem base cientifica alguma propõem alguns setores.

Com o fim de rechaçar as afirmações realizadas por setores conservadores do país que rotularam a homossexualidade como uma doença, cerca de 30 pessoas se reuniram durante este sábado nas ruas centrais da capital regional exigindo igualdade de direitos e respeito a diversidade sexual.
Trataram de comemorar o Dia Internacional pela despatologização da transsexualidade, que contou com atividades ao redor do mundo e que em Antofagasta foi convocada pela agrupação Pan y Rosas.
‘Somos combativos, revolucionários, somos gays e lésbicas que queimamos o armário’, gritavam os manifestantes em pleno centro da capital, despertando interesse entre os que passavam.
Desde a agrupação fizeram mais um chamado a participar durante esta quinta-feira (25) de um protesto contra o psicólogo local Peter Radic – quem em anúncios publicou ser capaz curar a homossexualidade, o lesbianismo, entre outros – por tentar lucrar mediante a difusão de teorias que são rechaçadas pela comunidade cientifica, que não considera a homossexualidade como uma doença.

Nota retirada de: http://www.diarioantofagasta.cl/regional/16203 (Pela redação • Segunda 22 de Outubro de 2012).

sábado, 27 de outubro de 2012

Foi realizada a primeira sessão do grupo de Estudos "Educação, escola e marxismo"

     Realizou-se, no último sábado (20/10), com a presença de cerca de 20 pessoas, entre professores da rede estadual e municipal, e jovens secundaristas e universitários, o primeiro dia do grupo de estudos “Educação, escola e marxismo”, impulsionado pela corrente Professores Pela Base junto à Juventude às Ruas. A importância de este curso ser impulsionado por essas duas correntes vem para que consigamos unir a teoria produzida pela Universidade à realidade prática dos professores e, assim, partindo das raízes teóricas da causa da precarização da educação, conseguir entender os concretos motivos para as lutas travadas pelos professores da rede pública, e impulsionar uma juventude que se alie a essas lutas, se levantando ao lado dos professores que vem questionando a estrutura e precarização da escola e educação.
                A bibliografia dessa primeira sessão foi baseada em leituras de trechos de Marx e Engels relacionados à educação, e também um capítulo do livro “Escola, classe e luta de classes”, de Georges Snyders, onde o autor se remete a escritos de Lenin e Krupskaia.
                Partindo de colocar que não há nenhum texto específico nem de Marx nem de Engels que trate deste tema, a discussão passou por explicar e exemplificar conceitos como “divisão do trabalho”, e a necessidade da escola tal como ela é hoje, criada pela burguesia, para a manutenção desta divisão do trabalho e, portanto, do capitalismo.
                Dentre as várias intervenções que foram dando corpo ao grupo de estudos, surgiram elementos a respeito da formação cada vez mais técnica, criada justamente para atender aos interesses dos novos campos de trabalho criados pelo capital. Discutiu-se também como a escola possui um papel ideológico, pois não apenas cria a mão de obra barata para o capitalismo, como o convencimento de que a função dela é ser apolítica, um campo neutro em meio a uma sociedade dividida em classes e interesses antagônicos. Nesse momento, entra o importante papel do professor. Com exemplos tirados do cotidiano dos professores presentes no curso, foi colocada a discussão sobre como é fundamental que os professores não assumam um caráter imparcial, pois esta imparcialidade legitima as ideias dominantes, que como Marx já colocou no Manifesto do Partido Comunista, são as ideias da classe dominante.
                Em meio a outras discussões e exemplificações da realidade dos professores e estudantes ali reunidos, a conclusão que foi tirada é que, dado o papel ideológico e de manutenção do capitalismo que a escola hoje possui, não será apenas a exigência de mais verba para a educação que transformará tanto a própria educação, como a sociedade, como defendem alguns setores, teóricos e organizações políticas, pois não se questiona para qual educação irá essa verba. A educação hoje é voltada para a formação especializada de mão de obra – com os vários cursos técnicos -, e a escola nada mais é hoje, do que um reflexo da sociedade capitalista, dividida em classes. A luta por mais verba deve vir acompanhada da luta por uma transformação da educação! Que essa verba seja destinada para as escola e universidades públicas, e controlada pelos estudantes, funcionários, pais e professores. Com essa verba, que sejam criadas mais vagas nas universidades públicas, dando fim ao filtro social que é o vestibular, e estatizando as universidades privadas.
                Para a próxima sessão do grupo de estudos, marcada para o dia 10 de novembro, propomos a discussão sobre a pedagogia histórico-crítica, que hoje representa a vertente marxista mais atual dentro da pedagogia, suas problemáticas e implicações.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Eleições em São Paulo: Por que Serra e Haddad não são opções?


Em quem você vai votar?
 

Até o próximo dia 28, muitas pessoas terão a resposta para essa questão na ponta da língua. Vários motivos podem justificar a escolha entre três opções: Haddad (PT), Serra (PSDB) ou Nulo. Vejamos qual a melhor.

A escolha de um candidato é uma decisão complicada; a mídia insiste que devemos pesquisar o passado dos candidatos para decidir; falam que, com a Lei da Ficha Limpa valendo, ficou mais seguro escolher candidatos que não tenham um passado sujo, corrupto. Mas isso é suficiente?

Quando votamos em um candidato, na verdade, votamos nas ideias e no programa de seu partido; afinal, esta é uma das funções de um partido: juntar pessoas que tenham ideais e valores semelhantes. Assim, um partido não se faz só de uma pessoa, ele segue uma política, uma lógica de atuação; embora tenha figuras públicas e líderes, ele é construído coletivamente. Isso quer dizer que se alguém se filia a um partido, ou vota em seus candidatos, concorda com as ideias defendidas por ele, e pretende levá-las à frente. Em outras palavras: votar no Serra é votar no PSDB e votar no Haddad é votar no PT.

 Em defesa dos interesses da juventude e dos trabalhadores: nem Serra nem Haddad


No Manifesto do PT de Haddad, Lula, Dilma e tantos outros, o partido se expressa como de massas, para representar politicamente os trabalhadores e pobres contra os ricos dominantes. Isso não acontece de fato. Basta lembrar que, recentemente, Dilma mandou cortar o ponto dos funcionários públicos federais que estavam em greve por reposição de salários; que mandou a polícia federal e a força nacional reprimirem e prenderem funcionários terceirizados das obras do PAC (que estavam em luta por causa de salários e das péssimas condições de vida nos canteiros de obras); que ilude a milhões de brasileiros com seu discurso de um crescimento gradual, enquanto jovens e trabalhadores pagam pela crise capitalista. Esses são só alguns exemplos para demonstrar que, embora diga defender os trabalhadores, o PT, na prática, não os representa, defendendo os interesses de empresários e banqueiros enquanto ataca a nossa classe.

O PSDB, por outro lado, partido que, historicamente, defende a social democracia, pretendendo conciliar aos interesses dos ricos o dos pobres, interesses dos trabalhadores com os dos patrões, não é uma alternativa. Tais interesses são irreconciliáveis, pois para o enriquecimento dos capitalistas só existe uma alternativa: a exploração, com base em seguidos ataques, da juventude e dos trabalhadores. Fernando Henrique, Serra, Alckmin, da presidência da República ao governo do Estado de São Paulo, trouxeram consigo as privatizações, o sucateamento da educação e da saúde, a precarização dos postos de trabalho, o empobrecimento dos muitos que têm pouco e o enriquecimento dos pouquíssimos capitalistas que têm muito, a perseguição, isolamento e enfraquecimento dos movimentos sociais etc.

Nesse sentido, a Lei da Ficha Limpa com o papel de tirar das eleições os candidatos que já foram julgados em algum tipo de processo, mas não significa que os candidatos irão representar a maioria (trabalhadores), bem como tem vários espaços para manipulação; por exemplo, Paulo Maluf, procurado pela Interpol (um tipo de polícia internacional) por diversas transações financeiras suspeitas, suspeito de inúmeras acusações de corrupção, assumiu o cargo de deputado federal. Isso sem mencionar que é aliado do PT, de Haddad.

 Voto Nulo e crítico: nossos sonhos não cabem em urnas.


Por não haver candidatos que representem os nossos interesses, os interesses da classe trabalhadora, de mulheres e homens, jovens, trabalhadores, pobres, negros, defendemos o voto Nulo.

Para que fique claro: não vemos o voto nulo como uma forma de indignação, de protesto passivo. É ele a única forma de agir nessa situação, mas que deve estar ligada à organização coletiva para discutirmos e tomarmos atitudes que realmente representem nossas necessidades.

Se você já ouviu falar que, se mais da metade dos eleitores votarem nulo, a eleição é cancelada, saiba que isso é um erro, uma má interpretação do Código Eleitoral.

Nosso voto nulo significa que não acreditamos que aqueles candidatos representem nossa classe e que, portanto, não temos opção entre os candidatos que representam apenas à elite paulista.

Independência de Classe


Defendemos, então, a independência de classe, ou seja, que nós que compomos a mesma classe social (trabalhadores que ganham seu sustento vendendo sua força de trabalho) nos organizemos para, a partir de discussões, mobilizações, troca de ideias e ações, lutarmos juntos pelos nossos direitos e pelos nossos interesses.

Acreditamos que por sermos a maior classe, a que produz tudo quanto consome nossa sociedade, sejamos fortes o suficiente para decidir os rumos de nossas vidas, sem achar que poderemos eleger alguém que faça isso por nós.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ABAIXO A REPRESSÃO DENTRO E FORA DA USP!


O processo administrativo que visa a eliminação e demissão de estudantes e trabalhadores, originado na ocupação da reitoria e na moradia retomada, caminha para sua conclusão nas próximas semanas. O processo não passa de uma inquisição, onde a reitoria acusa, colhe provas, julga e puni, e tudo isso baseado em um decreto oriundo da ditadura militar. A eliminação e demissão dos lutadores que se ergueram contra essa universidade elitista e pela defesa da universidade pública, contra sua privatização, centralmente em torno das consignas “Fim dos processos!” e “Fora PM da USP” - que é bem sabido não esta lá por segurança alguma, mas apenas para sufocar a mobilização política contra o projeto da reitoria - mas também pela polícia fora dos morros, favelas, e periferias, deve ser barrada a todo custo! O movimento estudantil precisar dar uma resposta dura por via de uma mobilização organizada!

Nós que sempre defendemos essa consigna temos certeza de que ela nunca foi tão atual e necessária. Em baixo de nossos narizes, logo ali na São Remo, a polícia genocida e racista vem atuando de forma selvagem. Atualmente, existe nessa favela um toque de recolher não oficial, onde simplesmente a PM decretou que quem estiver na rua após as 22h pode ser morto. Isso por conta das prováveis quebras de acordo entre a polícia e o crime organizado. Essa onda de violência vem se manifestando não apenas na São Remo, mas em grande parte da periferia e região metropolitana de São Paulo. Nas últimas duas semanas foram mais de 8 pessoas mortas pela polícia nessa comunidade. A última delas foi um garoto, baleado nas costas pelo fato de ter ido comprar leite condensado para sua mãe depois das 22h. Além de sofrer cotidianamente com esse aparato repressor, herança da ditadura militar, essa favela está ainda na linha de fogo da reitoria e da burocracia acadêmica, com o tal do projeto de reurbanização, que na prática sabemos o que significa: despejo! Isso, porque a USP quer de volta seus terrenos dessa região, e já vem esboçando a algum tempo com seus arquitetos da FAU esse projeto, mais uma mostra de a serviço de que esta essa universidade hoje.

Precisamos estar ao lado desses trabalhadores, muitos deles inclusive trabalhadores precários da própria USP, barrar esse projeto de reurbanização e seguir fortemente na luta contra a repressão e contra a polícia, dentro e fora da universidade.

 O desmonte da Prefeitura do Campus da Capital - avança o projeto privatista de Rodas e da burocracia acadêmica.


A prefeitura do Campus desempenha um papel fundamental para o funcionamento da USP. Está em curso hoje, na universidade, um processo de desmonte da prefeitura. Isso significa, na prática, um desmonte também do corpo de funcionários contratados da prefeitura, ou seja, eles seriam transferidos ou, potencialmente, demitidos.

Com o desmonte da prefeitura, quem cumprirá as tarefas que ela cumpria? Empresas terceirizadas. Nesse momento, é aberto um espaço para a iniciativa privada atuar em uma Universidade Pública, projeto que está em curso há décadas na USP e que vem se acentuando cada vez mais nos últimos anos – um exemplo claro é a extinção dos circulares e criação do BUSP. Sem contar que o salário de um terceirizado é pelo menos 3 vezes menor do que o de um efetivo, e com uma diferença enorme de direitos adquiridos por anos de luta da categoria.

Além disso, os funcionários da prefeitura do Campus sempre desempenharam um papel histórico e fundamental na luta por melhores condições de trabalho, por uma USP mais democrática e pública de fato, apoiando inclusive a luta dos estudantes. Desmontar a prefeitura significa, também, desarticular politicamente esses trabalhadores, enfraquecendo sua histórica resistência frente aos ataques brutais da reitoria. E esses ataques não estão dissociados da questão da repressão dentro e fora da Universidade, da inserção da PM na USP e da utilização da força para garantir a “ordem”, impedindo que manifestações políticas ameacem esse projeto elitista e privatista de Universidade.


A FFLCH ameaçada de divisão


Medidas semelhantes a essas, também de acordo com a política da reitoria, estão sendo preparadas na FFLCH. A política defendida pelo novo diretor, Sérgio Adorno, de divisão da faculdade, visa concentrar mais recursos na formação de especialistas para o mercado e o estado, em detrimento da formação básica, bem como desarticular a vanguarda que se concentra na unidade (como faz na prefeitura). A política que está sendo levantada pelas entidades estudantis e pela ADUSP, de uma plenária institucional, na medida em que está separada de qualquer medida de mobilização, é uma adaptação ao regime universitário e seria completamente incapaz de barrar esse ataque.

 E o DCE faz... um plebiscito que não fala de nada disso!


Diante da ofensiva da reitoria, é necessária uma campanha que ligue os estudantes da USP a aliados que também sofrem com a repressão, como os próprios trabalhadores da Universidade, os moradores da São Remo e lutadores das demais universidades, como as estaduais paulistas e a UNIFESP. A atual gestão do DCE não vem tomando medidas nesse sentido, a começar pelo XI Congresso dos Estudantes da USP, onde demonstrou que contrapõe a luta pela democratização e a luta contra a repressão. Como pode existir democracia dentro da universidade quando os lutadores estão sendo reprimidos e impedidos de manifestar politicamente? Essas duas questões estão intimamente ligadas, e não podem estar contrapostas.

Isso fica claro se olharmos para o plebiscito que o DCE impulsionará essa semana. Ele poderia ser útil para gerar uma ampla discussão nos cursos, mas isso precisa servir para preparar uma mobilização. O que o DCE faz é o contrário, não impulsionando a organização dos estudantes como deveria, visto o pouco peso dado às assembleias pela atual gestão, deixa qualquer tipo de mobilização séria para um futuro que não existe.

O plebiscito visa apenas às próximas eleições estudantis. Em sua campanha sequer cita os mais de 100 estudantes e trabalhadores processados, que podem ser eliminados da universidade, a demissão do dirigente sindical Claudionor Brandão, ou os 8 estudantes que já foram eliminados, entre eles a companheira Amanda, ameaçada de despejo do CRUSP com seu filho de menos de um ano! As perguntas não trazem uma discussão sobre a real democratização da USP, e sim uma campanha pelo programa que essa gestão - e a chapa que ela formará para concorrer às eleições no próximo mês - defende, reduzindo a discussão da estrutura de poder ao "sim ou não" para eleições diretas e estatuinte paritária. As diretas são insuficientes, pois não alteram a estrutura de poder da universidade, mantém organismos como o CO e o próprio reitorado que precisam ser dissolvidos para atacar a burocracia acadêmica, e a paridade apenas garante que o voto de um professor valha cerca de cinco vezes o de um funcionário e quinze vezes o de um estudante. Como mínimo deveríamos exigir uma cabeça um voto, dissolução do CO, e a constituição de uma estatuinte livre e soberana composta pelos três setores.