Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um importante passo na formação de uma Juventude Revolucionária no Brasil


Por Daniel Bocalini, militante da juventude da LER-QI
 
Diante de um cenário de maior contágio no Brasil da crise econômica mundial, do giro à direita do governo Dilma e em meio ao aprofundamento dos fenômenos da luta de classes internacional, aconteceu no último sábado, 29 de setembro, o encontro aberto da Juventude às Ruas, agrupação impulsionada pela LER-QI junto a jovens independentes, que reuniu mais de 200 jovens trabalhadores e estudantes, universitários e secundaristas, para discutir sobre que bases impulsionar uma juventude revolucionária de centenas frente à nova situação nacional.

A mesa de abertura foi sem dúvida o ponto alto do encontro. Foi composta por jovens trabalhadores do metrô de São Paulo, dos Correios, bancários, professores e da USP que estão na linha de frente de importantes processos de mobilização em suas categorias. Dois delegados sindicais dos Correios e uma companheira bancária, também delegada sindical, relataram as péssimas condições de trabalho as quais são submetidos os trabalhadores nessas categorias e fizeram um balanço das greves que ambas impulsionaram poucos dias antes do encontro. No balanço, ressaltaram a necessidade de lutar contra a burocracia sindical ligada ao PT e ao PCdoB que mais uma vez traiu os trabalhadores ao impor o fim da greve contra a vontade da base das categorias através de fraudes e diversas manobras. Também falaram sobre a importância e a diferença que fazem as ações de solidariedade impulsionadas pela Juventude às Ruas e o papel decisivo que pode ter essa aliança para recuperar os sindicatos das mãos da burocracia e para se enfrentar com os interesses dos governos e dos patrões.

Ainda na mesa de abertura, outro momento de destaque foi a intervenção de um trabalhador quarterizado (terceirizado da empresa terceirizada) da construção civil de uma obra de expansão do metrô de São Paulo. O companheiro relatou a luta que esses trabalhadores levam adiante nesse momento contra o ataque da empresa que ameaça fechar demitindo todos os trabalhadores e sem pagar dois meses de salários atrasados e os direitos trabalhistas. Falou da motivação que sentia participando de um evento com tantos jovens e pediu solidariedade a ocupação da sede da empresa que estão promovendo para que não retirem as máquinas até que recebam o que lhes é devido. Em resposta, entre as resoluções do encontro aprovamos que nos somaremos aos atos dos trabalhadores terceirizados e arrecadaremos recursos para seu fundo de greve.

Encerrando a mesa, Pablito, diretor do SINTUSP e militante da LER-QI, destacou como os processos que se abriram a nível internacional em consequência do aprofundamento da crise colocam de novo a classe operária como sujeito histórico na luta contra a miséria capitalista. Ao mesmo tempo lembrou que frente a divisão imposta pela burguesia é urgente termos uma estratégia que ligue a atuação nos sindicatos e nos conflitos particulares com a unificação das fileiras da classe, mas também que os trabalhadores se aliem ao conjunto dos setores oprimidos e à juventude, lembrando do papel que essa aliança já desempenhou em outros momentos históricos, como em 1968, ou o papel que cumpriram importantes revolucionários como Lenin e Trotsky ao se ligarem organicamente com a classe operária ainda em sua juventude.

Em seguida, formou-se outra mesa com representantes das localidades onde a Juventude às Ruas vêm se construindo de maneira mais dinâmica e que contou também com a presença internacionalista de Zonyko, rapper chileno militante do PTR do Chile. Desde aí se expressou o balanço da greve de mais de três meses das universidades federais que, em meio ao desafio que representou à Dilma a greve dos servidores federais, levantou um importante manifestação de insatisfação com o projeto de educação neoliberal que vem levando o PT, ainda que a greve não tenha avançado mais pelo papel que cumpriram as direções centristas do PSOL e do PSTU ao descolar a luta em defesa das universidades públicas da luta pelo fim do vestibular e da estatização do ensino privado.

Zonyko marcou o caráter internacionalista da juventude compartilhando como as lições da luta dos estudantes chilenos por educação gratuita foram fundamentais para que ele próprio avançasse para enxergar a necessidade de construir um partido revolucionário, superando as experiências anteriores com coletivos de Hip hop populistas.

Durante todas as intervenções desde as mesas e depois também direto da plenária, ficou expresso o debate que viemos fazendo desde as reuniões de preparação para o encontro da necessidade de construirmos uma juventude marxista revolucionária, que se alie a classe trabalhadora desde a perspectiva da revolução e em combate com as concepções reformistas e autonomistas, que já mostraram no Chile e na Espanha a incapacidade de responder aos desafios que estão colocados. Nos colocamos também pela necessidade dos trabalhadores terem seus próprios instrumentos de luta e organização política independentes da burguesia. Além do apoio aos trabalhadores terceirizados do Mêtro de São Paulo, votamos no encontro impulsionarmos uma ampla campanha contra a repressão a nível nacional e, imediatamente, pelo fim dos processos contra estudantes e trabalhadores da USP perseguidos por lutar contra a PM, contra a privatização da universidade e por defender os interesses dos terceirizados. Discutimos também a necessidade de ligarmos a campanha contra a repressão ao combate à violência policial que mata todos os anos milhares de jovens negros nas periferias de todo país e que é herdeira da transição pactuada da ditadura militar que anistiou torturadores e assassinos.


Num cenário de adaptação das correntes centristas a conjuntura nacional em que a ascensão de Dilma ao poder significou abrir mão da defesa dos direitos das mulheres em nome da aliança do PT com os setores mais reacionários da igreja, e aproveitando a ocasião do dia latino-americano e caribenho pela legalização do aborto, também deliberamos por impulsionar desde a juventude uma campanha pelo direito ao aborto livre, seguro e gratuito como parte de uma estratégia que ligue o combate as opressões a necessidade da expropriação da burguesia e o fim do capitalismo através da aliança entre a classe trabalhadora e o conjunto dos setores oprimidos. Saímos do encontro com a tarefa de construir uma juventude de centenas, para isso, iremos elaborar um manifesto para trabalharmos massivamente e nos colocaremos a tarefa de organizar plenárias regionais que já reúnam novos companheiros. Nos tensionaremos para que nossas ideias cheguem a milhares de jovens trabalhadores e estudantes que começam a se politizar ao questionarem e se revoltarem contra a perspectiva de futuro que o capitalismo os pode oferecer!

Videos:

Primeira Parte: 


Segunda Parte:

O que quer dizer liberdade na arte?

Opiniões do Santhiago Maribondo sobre as discussões em torno do Manifesto da FIARI e do tema "A liberdade e a função da arte" feitas no Grupo de Estudos - Cultura e Marxismo na USP.


O que quer dizer liberdade na arte?

POR SANTHIAGO MARIBONDO

Dentro das discussões sobre arte sempre se coloca a questão sobre qual o limite da liberdade do artista na produção de sua obra; nos meios de esquerda a discussão se coloca ainda de maneira mais delicada, posto à memória da tradição stalinista e sua expressão estética, o realismo socialista, e o seu papel na repreção a toda forma de experimentação e criatividade, essenciais para a produção de uma obra de arte verdadeira.

O reflexo direto da crítica ao stalinismo à esquerda é a opinião que a liberdade do artista na criação estética é ilimitada, a obra de arte não deve ser discutida, a única coisa que deve ser colocada em pauta são os meios de difusão das obras.

Assim, qualquer debate da esquerda sobre produção de obras de arte, ou sobre a relação de organizações de esquerda com artistas passa a ser tema espinhoso, muito delicado, pois qualquer posição negativa sobre determinada obra ou artista passa a ser vista diretamente como autoritária.
Mas será que é isso que se coloca efetivamente? Todo tomar posição negativa de um grupo de esquerda sobre determinada obra ou artista é necessariamente uma posição autoritária?

O que alguns camaradas podem pensar sobre a questão, num certo sentido para se desviar dela é que os partidos ou organizações de esquerda podem tomar posição sobre determinadas obras ou artistas, mas nunca coibir, ou limitar sua difusão; mas assim colocada a questão fica muito abstrata. Qual nossa posição sobre a homofobia, o racismo, o machismo, veiculados diariamente nos meios de comunicação de massas controlados pela indústria cultural?



Suponho que ninguém em sã consciência defenderá uma posição de total permissividade. Claro está que não podemos e não devemos defender que o estado burguês limite a pretensa liberdade que tem esses “artistas” (rafinha bastos, zorra total, etc, etc) de manifestar o que eles chamam de arte, pois essa arma seria rapidamente usada para limitar a liberdade de expressão dos grupos de esquerda e revolucionários; mas e quando esses meios de difusão estão em nossas mãos, por uma pretensa liberdade pura da arte devemos divulgar obras claramente preconceituosas?

Ainda camaradas podem argumentar: – “Mas à esquerda não haverão pessoas que na sua obra expressarão formas tão baixas e mesquinhas de preconceito.”
A isso respondo com o exemplo mais imediato do qual posso me lembrar, mas que certamente remeterá a outros: o cartunista Latuff assume uma posição combativa sobre várias questões, suas charges se colocam contra os assassinatos promovidos pela polícia nos morros e favelas cariocas, contra a invasão imperialista na palestina e diversas outras posições progressistas. Arrisco-me a dizer que entre os cartunistas brasileiros ele é hoje um dos que mais se coloca numa posição combativa e militante. Ao mesmo tempo várias de suas charges são machistas, homofóbicas, de maneira muito clara, algumas expressando inclusive, de maneira mais difusa, elementos racistas.

Qual seria a relação legitima de um grupo de esquerda ou partido com um artista como esse? Por uma pretensa liberdade na produção artística publicaríamos as charges preconceituosas dele em nossa imprensa, por exemplo?

Ele faria parte, seria permitida sua entrada, numa organização de artistas independentes e revolucionários (do qual a FIARI de Trotsky e Breton foi o melhor exemplo)?
Impedir a difusão de sua obra nos nossos meios de comunicação, impedir sua entrada numa organização não seria uma forma de cercear sua produção? Penso que sim, mas penso ainda que seria a única relação legítima de uma organização de esquerda ou revolucionária com um artista como esse.

Desta maneira vemos como quanto mais concretamos a discussão, quanto mais a oposição deixa de ser entre dois conceitos abstratos, liberdade na arte e limites a essa liberdade, mas uma oposição concreta, uma arte preconceituosa e a relação de uma organização de esquerda com ela, o debate ganha contornos muito mais dinâmicos do que numa contradição morta.

O papel da arte e arte livre.

Assim como qualquer manifestação humana a arte é uma relação social, que só pode existir dentro e em relação com a sociedade, e por esse fato mesmo cumpre uma função social. É óbvio que o entendimento de função social aqui não deve ser o da vulgar concepção de que a arte é uma ferramenta utilizada para fins que lhe são extrínsecos, exteriores. A arte, como toda forma de manifestação das potencialidades humanas historicamente criadas, tem suas próprias regras, sua própria linguagem, sua própria função; forma de expressão da criatividade, a arte só pode existir criando, recriando e extinguindo, suas próprias leis.

Os sentidos e a sensibilidade humana são criações históricas, relações objetivas e objetivadas dentro do processo prático através do qual os seres humanos se apropriam de seu meio ambiente natural e social.

A capacidade da visão humana não é dada de uma vez pra sempre por capacidades pretensamente fisiológicas do olho e nem por propriedades pretensamente materiais, no sentido do materialismo vulgar, do objeto. A visão humana se educa, se cria, se humaniza ao modificar o objeto, ao fazer dele algo humanizado, não é um dado puro e simples, mas também uma criação.

Os sentimentos, a amizade, o amor, a camaradagem, o ciúme, a inveja, não são caracteres dados de uma vez para sempre por uma suposta natureza humana, mas são criações sociais, reflexo e criação de relações específicas e concretas.

Cada época histórica cria sua própria sensibilidade, como forma mais imediata e direta da sua ideologia, a partir de suas necessidades concretas.

A arte é o meio historicamente determinado, pois nem sempre existiu e nem sempre vai existir, de reflexo e criação dos sentimentos e da sensibilidade humana num momento histórico concreto; a arte é a forma mais mediada, mais complexa, da ideologia.

É por ser criatividade e não apenas reflexo que a arte não tem uma relação mecânica com as estruturas sociais de seu tempo, ou seja, ela não está apenas refletindo seu momento, mas também o criando.

Arte livre é então aquela que a partir de suas próprias regras, de suas leis imanentes reflete e cria seu momento histórico num sentido que emancipa o ser humano das travas por ele mesmo criadas, a arte que educa os sentido e a sensibilidade numa perspectiva cada vez mais humana e social, que aprofunda a capacidade de apreensão do ser humano do seu ambiente, tanto natural quanto social.
Mas o sentido do humano, o que é mais humanizado, não são abstrações, não são reflexo da “natureza humana”, mas também são criações socais.

Seres humanos concretos projetam, a partir de condições objetivas, o que deve ser o novo.
Hoje os seres humanos concretos fazem história a partir de determinações de classe, então o sentido da história só pode ser colocado a partir das projeções das classes socais determinadas que compõe nossa sociedade.

O que pode a burguesia projetar para os artistas partindo de sua posição na sociedade atual: barbárie e repressão, o que projeta o proletariado: liberdade e emancipação.

Por que não pode existir uma arte proletária?

As ideologias são elementos concretos, criadas a partir de organismos efetivos da sociedade. Um físico não surge em qualquer ponto do organismo social, mas em espaços particulares, como os laboratórios e as universidades. Da mesma maneira, guardadas as óbvias diferenças, um poeta ou pintor não surgem de forma puramente espontânea, mas dentro de determinado contexto social e cultural específico construído em cada sociedade particular. Os intelectuais, como formadores e organizadores da cultura, tem uma tradição própria, elementos e regras de convivência suas particulares, e que não podem ser aprendidas a não ser nos espaços que congregam esses indivíduos como personagens sociais. É claro que por suas particularidades como forma de manifestação é possível que a arte se desenvolva em espaços alternativos aos oficiais criados pelas classes dominantes, mas essa possibilidade é relativa, sendo a educação estética um elemento essencial pra produção artística.

Dada à complexidade das relações de classe na sociedade moderna nem sempre o papel de intelectuais orgânicos de uma classe é cumprida por meio de membros dessa própria classe, sendo delegadas a membros de outras classes ou grupos; um exemplo disso é a relação da intelectualidade pequeno-burguesa na relação com a dominação capitalista. Grande parte dos intelectuais que cumprem função orgânica na dominação da burguesia não é oriunda da própria burguesia, mas são antes membros de setores pequeno-burgueses.

Em certo momento do livro III d’O Capital Marx afirma que a força de uma classe dominante é demonstrada pela sua capacidade de atrair os melhores quadros das classes dominadas para seu lado; a verdade dessa afirmação é demonstrada também pelo seu contrário, a força de uma classe dominada na sua luta por emancipação é demonstrada pela sua capacidade de atrair os melhores quadros da classe dominante, ou de setores médios, para seu lado, o próprio Marx sendo um grande exemplo disso.

O proletariado na sua luta por emancipação terá de construir um novo bloco histórico, terá de atrair toda uma série de intelectuais com origem em outras classes sociais para sua posição, torná-los intelectuais orgânicos do proletariado.

A grande contradição na relação do proletariado com os artistas será que esses intelectuais que serão atraídos para uma posição proletária serão pressionados pelas próprias condições da luta de classes a ocuparem funções praticas na organização política da classe trabalhadora.

Uma das condições essenciais para a produção artística é o ócio, o tempo pra refletir, pensar, sentir, sentir vontade de agir e não fazê-lo, deixar pra depois, pra um momento de maior inspiração.
As condições objetivas no qual se dá e se dará o luta de classes pouco tempo deixará pra isso; as tarefas necessárias da organização da classe, que por suas próprias condições materiais objetivas conta com poucos intelectuais, tendem a sugar todo intelectual que tem como perspectiva se ligar organicamente ao proletariado.

Se essas pressões já tendem a se expressar nos momentos de luta dos trabalhadores quando esses ainda não são dirigentes do estado, a partir desse momento, com a agudização das lutas, próprias dessa fase, os intelectuais diretamente proletários tendem a ser ainda mais sugados pelas necessidades mais diretas da luta por emancipação.

Nesse sentido, os intelectuais que continuaram produzindo arte serão, em geral, aqueles que têm não uma relação direta, de reconhecimento imediato com os operários, mas aqueles que veem na revolução social a saída para as contradições da sociedade em que vivem, que reconhecem que o ideal de sociedade exposto pelos trabalhadores é aquele que expressa também suas aspirações e desejos, que querem se aliar aos trabalhadores mas não se tornar intelectuais orgânicos dessa classe.

É claro que existirão artistas proletários, mas toda uma formação cultural, toda uma forma ideológica, por exemplo, uma cultura artística, não é criada a partir de exemplos individuais.

A dominação do proletariado sobre a sociedade de conjunto é forma transitória para a criação de uma sociedade sem classes, forma transitória que pressupõe lutas encarniçadas e tempo limitado, assim não permitindo os recursos materiais e espirituais necessários para a criação de toda uma super-estrutura ideológica ligada a essa forma de dominação.

Toda uma cultura artística pressupõe tempo para sua gênese e maturação, para deixar de ser apenas ensaios criativos, primeiras tentativas, para se tornar um todo orgânico nas suas múltiplas diferenças. Não são em décadas e com alguns poucos recursos humanos e materiais que se forma uma nova época na arte, mas em séculos de maturação.

Como forma de dominação transitória os trabalhadores só podem criar uma cultura transitória, ainda expressão das contradições de classe anteriores, mas que já apontam para a superação das classes.
Trotsky, Breton, a criação da FIARI, sua época histórica e liberdade artística.

Contextualizar o momento histórico da criação da FIARI e seus personagens é essencial para se entender o que esta sendo dito no manifesto escrito por Trotsky e Breton e entender inclusive porque tal projeto não vingou efetivamente, por que a federação não se tornou elemento concreto na organização dos artistas independentes naquele momento.

O manifesto é escrito em 1938, as vésperas da II Guerra Mundial, quando qualquer expressão de pensamento critico e independente esta sendo perseguida em todos os países centrais do imperialismo, seja ele democrático ou fascista, mesmo que em diferentes graus e proporções, e também no estado operário, com suas formas de degeneração e burocratização atingindo nos anos 30 talvez seu nível mais elevado.

Nos países imperialistas ditos democráticos as formas de repreção a obra de arte se davam por meio principalmente da indústria cultural, que naquele momento se desenvolvia a passos largos, mesmo que não fosse excluída de todo a repressão e censura pura e simples de determinadas expressões artísticas mais contestadoras; nos países sob domínio do fascismo e na URSS stalinizada a repressão à produção independente se dava de forma mais direta, com o estado usando seus aparelhos repressivos como forma imediata de coerção sobre os artistas.

Não só era proibida qualquer forma de produção independente como os artistas eram obrigados a produzir obras que glorificassem o regime, o artista é transformado num tipo particular de funcionário do estado ditatorial, aquele que tem os meios técnicos pra transformar em “arte” a política reacionária dos fascistas e traidora dos stalinistas.

Não é por acaso que essas direções tinham um medo brutal, pânico, de qualquer forma de experimentação, de expressão de criatividade na produção artística; o artista era seu funcionário, tinha que produzir algo que glorificasse suas ações, que transformasse sua política antipopular em algo a ser apreciado e admirado pelas massas.

A arte deixa de ter um sentido emancipador para ser algo alienante e por isso produzida de forma alienada, não expressão dos sentimentos e paixões profundas do artista, mais necessidades colocadas de maneira extrínseca, pelo burocrata chefe, e que devem ganhar algum verniz estético sob sua pena ou pincel.

A burocracia estatal, como forma da degeneração do capitalismo agonizante nos países capitalistas, ou como expressão da imaturidade dos trabalhadores num países isolado e atrasado como a Rússia, atrai seus quadros a partir dos setores mais preconceituosos, mesquinhos e acomodados da intelectualidade, aqueles que amam a tradição e tem horror ao novo.

O experimento, a criatividade, sempre chocam, exigem abertura, leveza, tolerância, um olhar novo para coisas novas, vontade de mudança, arrojo, rebeldia, todas as características que necessariamente faltam aos burocratas. É obvio então que arte produzida dentro dessas condições só podia ser algo frágil, insensível, baixo, incapaz de emocionar.

A arte independente está naquele momento então exilada, sem terreno onde possa se desenvolver, sem meios para se difundir. Situação análoga ao do pensamento revolucionário. Trotsky está nesse momento às portas de fundar o partido revolucionário internacional, a IV Internacional, que ainda é um pequeníssimo grupo, sem nenhuma inserção no movimento operário de massas.

Nesse sentido, a busca da fundação de uma federação de artistas independentes tem pra Trotsky o sentido da busca de sair do isolamento, de buscar para o partido internacional do proletariado um espaço de dialogo, todo um setor com quem se pudesse buscar alianças e frentes únicas, busca erguer um espaço pra construção da hegemonia social do proletariado sobre um amplo setor da intelectualidade pequeno-burguesa que sente de maneira cada vez mais direta a opressão que o capitalismo pode exercer sobre ela.

Mostrar como uma liberdade efetiva para a arte verdadeira não pode se dar sob as taras do capitalismo e nem sob o domínio da burocracia stalinista, mas só com o fim da sociedade de classes, algo que só o proletariado pode de maneira efetiva ter como objetivo passível de ser alcançado.
Assim, quando falam de liberdade para arte Trotsky e Breton não estão falando de qualquer coisa, de qualquer obra que se reivindique ser artística, mas da liberdade pra verdadeira arte, arte que não é venal, não se torna mercadoria facilmente vendida pela indústria capitalista da cultura, ou da arte que é produzida para glorificar a reação e a traição.

Liberdade para a arte revolucionária e independente é o que reivindicam os dois; não considerando independente e revolucionária necessariamente a arte que demonstra o trabalhador como herói na epopeia revolucionária, mas sim a arte que é feita como expressão da criatividade e paixão do artista, que afirma uma sociedade nova, sem misérias e preconceitos, onde uma pessoa não oprima a outra por sua raça ou por dinheiro ou outro motivo qualquer; é pra essa arte que é reivindicada a liberdade.

À reação, seja disfarçada de poesia ou música, mascarada de teatro ou dança, dependendo da correlação de forças na luta de classes, repressão.

Ainda outro fator para pensar o manifesto da FIARI é que ele não foi escrito exclusivamente por um marxista, por um revolucionário proletário, mas também por um intelectual pequeno-burgues, num momento em que o trotskismo estava amplamente marginalizado. Como um texto escrito para a formação de uma frente única ampla, que envolve inclusive elementos de outras classes o texto pressupõe uma série de compromissos.

Com certeza nada do que está expresso ali contradiz diretamente a opinião imediata do Trotsky sobre arte, mas ao mesmo tempo é quase certo também que se fosse um texto escrito unicamente por ele, numa posição mais confortável, sem tamanho isolamento para a formação de uma frente única, o texto sairia diferente. Como qualquer texto pra formação de alianças esse pressupõe concessões relativas, mas que nunca podem ser de princípio.

O programa dos revolucionários para a arte.

Quando se coloca a necessidade da conformação de um programa dos revolucionários para a arte mesmo entre os militantes se ouvem gritos de protesto; a tradição stalinista deixou muitas marcas, o perigo do burocratismo e do dirigismo é sentido de maneira muito direta.

Mas o perigo do burocratismo não pode nos afastar das nossas tarefas concretas, e a clareza teórica é elemento central para aprendermos com a história.

Quando se fala de um programa revolucionário e independente para a arte é evidente que não se fala de uma posição estética dirigida por um partido ou grupo qualquer sobre as formas escolhidas pelos artistas para expressarem sua criatividade, suas paixões, anseios, etc.

Os revolucionários de maneira alguma querem construir qualquer tipo de arte oficial do partido ou regime político, que seria a única legítima, a única bela, ou qualquer coisa do gênero.

As formas e conteúdos estéticos emancipadores devem ser escolhidos pelos próprios artistas, “a revolução não se faz apenas por pão, mas também pela poesia”, uma das tarefas de um processo revolucionário é libertar a arte, a criação, os sentimentos, das taras da sociedade de classes.

Mas pra isso é também preciso que o proletariado organizado tenha um programa, projete uma perspectiva sobre a produção artística; ao proletariado é dada historicamente a oportunidade de construir um mundo novo, um mundo onde a arte vai com certeza jogar um papel central, predominante. 

Só vai conseguir criar esse mundo novo se conseguir apaixonar todos os demais grupos oprimidos e explorados, fazer das suas necessidades também as deles, ou seja, exercer hegemonia sobre os demais grupos e classes.

Mostrar que a verdadeira arte, aquela que emancipa e apaixona, aquela que cria e não simplesmente reproduz, está do nosso lado e só pode se desenvolver e fortalecer com nosso desenvolvimento e fortalecimento, que do lado dos capitalistas e exploradores o que se pode esperar é repressão e cerceamento a qualquer possibilidade de novidade, que a arte produzida naquele campo é cada vez mais necessariamente preconceituosa e estreita, esse é o papel de um programa revolucionário para a arte.

Um partido revolucionário deve discutir arte, ter um programa para arte? Sim, certamente. Esse programa deve dizer o que e como deve ser produzido? Não.
Nosso programa para a arte é: não qualquer arte, mas uma arte revolucionária e independente; emancipadora e apaixonante.

Nosso palavra de ordem: revolução pela arte
e arte para a revolução.

domingo, 7 de outubro de 2012

É preciso seguir na luta contra a repressão e o despejo da companheira Amanda!



A luta contra a repressão na USP é a tarefa número um do movimento de estudantes e trabalhadores hoje. Nós, da Juventude às Ruas, temos travado este debate com todas as entidades, correntes políticas e estudantes independentes em todos os fóruns do movimento. Temos nos colocado na linha de frente do combate à repressão e também à equivocada linha política que vem sendo adotada pelo DCE e por parte dos CAs, de criar uma dicotomia entre a luta por democracia na universidade e a luta contra os processos a estudantes e trabalhadores, privilegiando aquela em detrimento desta.
Um exemplo disto foi a luta política que encampamos no XI Congresso dos Estudantes, quando, junto a outros setores, travamos o debate de que para podermos lutar por uma universidade efetivamente democrática – o que significa universalizar seu acesso através do fim do vestibular e colocar abaixo a estrutura de poder pautada pelo CO e o REItor, colocando um governo tripartite com maioria estudantil e fazendo com que o conhecimento aqui produzido esteja a serviço das necessidades dos trabalhadores e do povo pobre – o primeiro e imprescindível passo é reverter a expulsão dos oito estudantes “eliminados”, reintegrar o diretor do Sintusp Claudionor Brandão, e revogar os mais de cem processos contra estudantes e trabalhadores. Não há possibilidade de democracia em uma universidade na qual somos perseguidos por nos manifestar politicamente.
A partir deste debate no XI Congresso colocamos de pé importantes iniciativas, como o debate na Faculdade de Direito, que reuniu o apoio democrático de figuras como Fábio Konder Comparato, Eduardo Suplicy, Carlos Gianazzi, Altino Prazeres, Jorge Luiz Souto Maior, centenas de estudantes, abrindo espaço também para que o Fórum dos Processados e Brandão se dirigissem aos estudantes. Outras medidas fundamentais votadas no Congresso ainda devem ser concretizadas, e achamos fundamental que todas as entidades, correntes políticas e estudantes independentes tomem parte na construção da Quinta i Breja e do Festival contra a repressão, para que esta luta tome cada vez mais corpo na universidade.
Hoje, às vésperas do encerramento dos processos contra os estudantes presos nas reintegrações de posse da Reitoria em 2011 e da Moradia Retomada neste ano, a luta contra a repressão ganha um caráter ainda mais urgente. E a primeira tarefa fundamental é que o movimento estudantil se coloque inteiramente em defesa da companheira Amanda Freire, estudante de filosofia que foi “eliminada” da USP por se colocar em defesa de moradia estudantil para todos e por melhores condições de trabalho para os funcionários da COSEAS, e que hoje está ameaçada a cada dia de ser expulsa com seu filho de apenas onze meses do apartamento do Crusp em que moram. Este é o retrato mais nefasto de uma universidade elitista, que recorre aos métodos da ditadura, com suas “assistentes sociais” ameaçando inclusive retirar o filho de Amanda através do Conselho Tutelar se ela não se retirar do apartamento “por bem”. Não podemos permitir que esta lutadora sofra este ataque, que é um ataque a todo o movimento!
Por isso, nos colocamos ativamente na construção do ato-vigília no apartamento de Amanda do dia 1 de outubro, quando a Oficial de Justiça avisou que viria para executar a reintegração de posse. Lutamos nos fóruns do movimento, como na plenária da FFLCH, para que o DCE e CAs se comprometessem a encampar esta luta, e estivemos na vigília em peso com nossa militância. O movimento conseguiu retardar a reintegração, mas seu perigo segue vigente, e essa medida não pode se manter indefinidamente. E nossa luta contra o despejo de Amanda deve continuar e se aprofundar!
Para isso, a chave é construir uma grande campanha democrática em toda a universidade em defesa da companheira Amanda. O DCE e os CAs devem se comprometer com essa campanha, fazendo com que a luta contra o despejo de uma jovem mãe, eliminado por lutar por moradia, e seu filho, seja tomada e apoiada por uma amplos setores de estudantes em todos os cursos. Chamamos todos os estudantes e setores combativos, comprometidos com a defesa de Amanda, a encampar conosco esta luta política nas entidades, por uma grande campanha política, que é a chave para impedir mais esse ataque, que não será barrado por medidas e ações que estejam desligadas dos cursos e distantes do cotidiano dos estudantes.
Contra o despejo de Amanda e seu filho!
Pela reintegração de todos os estudantes “eliminados” e de Brandão!
Pelo fim de todos os processos contra estudantes e trabalhadores!
Fim do decreto 52.906 e do regimento disciplinar da ditadura! Por uma estatuinte livre e soberana para democratizar de fato a universidade!

TODOS À REUNIÃO DO DCE NO CALC DIA 8/10, ÀS 17h!


Neste espírito, seguimos exigindo que o DCE se comprometa com esta luta. No dia 5/10 fomos à reunião de gestão para exigir que o DCE tomasse medidas para que essa questão saísse na imprensa, que fizesse um boletim divulgado amplamente, colocasse em destaque no seu site, e que indicasse aos cursos e CAs que fizessem debates, assembleias e demais medidas em torno desta questão, entre outras medidas. Entretanto, a reunião sequer aconteceu, segundo os diretores do DCE presentes, “por falta de pauta”! É um absurdo! Os diretores do DCE presentes se comprometeram a convocar uma reunião extraordinária do DCE para tratar dessa questão, bem como da construção da Quinta i Breja contra a repressão, marcada para o dia 11/10 – uma pauta que já havia sido indicada pelo CALC para essa reunião, já que a QiB está sendo ameaçada.

Juventude às Ruas
(LER-QI e Independentes)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

SEMINÁRIO "POR QUE TROTSKY?"





Por Iuri Tonelo e Simone Ishibashi

A propósito do seminário que realizaremos entre os meses de outubro e novembro em universidades de São Paulo 

 Chegamos ao quinto ano da crise econômica internacional. Desde o primeiro colapso do banco de investimentos Lehman Brothers em 2008, vivenciamos um período em que os Estados nacionais despejaram trilhões de dólares na economia mundial para salvar os bancos privados; e em seguida, já transcendendo todos os limites das dívidas públicas nacionais, começaram a coordenar governos (ora mais ‘liberais’ ou mais ‘socialdemocratas’) para aplicar violentos ataques ao conjunto dos trabalhadores (especialmente na Europa, sobretudo no caso grego) com planos de austeridade, reduções salariais e corte de direitos. Assim que, no século XXI, o marxismo e a busca por uma resposta proletária frente aos ataques capitalistas é impulsionado e retoma sua força pela imposição, cada vez mais emergencial, que a dinâmica da crise econômica coloca aos trabalhadores.

 Vai se fechando, nesse sentido, a etapa de “restauração burguesa”, com respostas ainda incipientes dos trabalhadores no plano internacional, e com (já mais desenvolvidas) mobilizações da juventude em diversos países do mundo, no Oriente Médio, Europa e inclusive na América Latina. Entretanto, ainda que venha retomando sua força, a “reivindicação” do marxismo (e as variantes reformistas e autonomistas que dizem dialogar) ainda carrega uma série de vícios e ideologias impregnadas dos 30 últimos anos sem revoluções, em que a burguesia atacou e utilizou todos os mecanismos para deformar (ou mesmo aniquilar) a estratégia revolucionária no conjunto das organizações de esquerda.

Desde esse ponto de vista, torna-se fundamental para as novas gerações de trabalhadores e da juventude se apropriarem da tradição revolucionária e do legado daqueles que lutaram contra toda a deformação e mantiveram as bases da teoria, estratégia e programa revolucionários.
Leon Trotsky - que desenvolveu a teoria da revolução permanente, foi dirigente da revolução de Outubro, fundador do exército vermelho e principal dirigente da construção da IV Internacional na luta contra o stalinismo – é o revolucionário do qual buscamos resgatar o legado capaz de armar os trabalhadores para enfrentar a forte crise econômica (e do sistema de conjunto) que vivemos e para a qual o capitalismo demonstra que não tem nenhuma saída, a não ser mais exploração e opressão dos operários e operárias.

Nosso intuito, portanto, é colocar as ideias de Trotsky como resposta revolucionária para a crise. Em primeiro lugar, como marxismo revolucionário, que combateu e está completamente desgarrado dos erros e degenerações stalinistas (intituladas pela burguesia de “socialismo real”); em segundo lugar, o legado do revolucionário russo nos dá a base para lutar contra um dos produtos mais nefastos da restauração burguesa (ofensiva da burguesia contra o proletariado em nível internacional advinda da derrota do ascenso operário aberto entre 1968 e 1981), que é o ceticismo e a perda de confiança na força da classe operária, que tem consequências sobretudo na sua conformação como sujeito revolucionário, que é capaz de forjar seus organismos de auto-organização a partir das experiências da luta de classes, para assim fazer frente à superestrutura degenerada do regime burguês, fundamentando as bases para o poder operário.
Indo além, e tendo em vista o peso que assume o “fator subjetivo” na época imperialista – na medida em que se impõem combates ao proletariado e em que ganha importância superior a influência de uma direção temperada e experimentada, podemos também colocar que a força do trotskismo reside justamente em não ceder a ideia da “falência do modelo” de partido revolucionário, típico discurso neoliberal (e pós-moderno) que moldou “organizações de esquerda” pacifistas, disciplinadas ao regime burguês, inclinadas a variantes estratégicas de conciliação de classe.

Mesmo entre as organizações de esquerda trotskista, frente aos principais processos da luta de classes, temos visto uma incapacidade de traduzir esse legado em uma política revolucionária, como nos exemplos da Primavera Árabe (onde as organizações não mantém uma posição independente do proletariado, cedendo às ditas “revoluções democráticas”). Essa herança se remete ao trotskismo de Yalta (centrismo da segunda metade do século XX), na medida em que essas correntes se defrontaram com as revoluções do pós Segunda Guerra Mundial – casos excepcionais, como Trotsky previu, quando direções pequeno-burguesas poderiam, pela pressão das massas e da situação internacional, ir para além de seus objetivos e expropriar a burguesia – e acabaram se adaptando a essas direções pequeno-burguesas, ao contrário de buscar oferecer um programa revolucionário que desse conta das contradições que marcaram este processo.

Nesse sentido que, sem tirar as lições das experiências passadas (sobretudo do ascenso operário da segunda metade do século XX), seguem aprofundando os seus fundamentos, como se demonstra no último período a conclamação de um “governo das esquerdas” frente a situação grega, negando todas as lições de Trotsky para a reflexão da frente única, a partir de uma experiência superestrutural e “midiática” ou deturpando a discussão que o revolucionário fazia de “governo operário” para a preparação imediata da tomada do poder na Alemanha em 1923. Nesse intuito que pretendemos resgatar o legado de Leon Trotsky a partir de um ciclo de debates em São Paulo e cidades do interior para a discussão necessária sobre o verdadeiro legado de Trotsky, a partir das principais experiências revolucionárias na primeira metade do século XX, e sua vigência para responder às tarefas postas em nosso tempo.

 Sobre o seminário “Por Que Trotsky?”

Buscando resgatar esse vasto legado revolucionário da teoria e política revolucionária de Leon Trotsky é que faremos um ciclo com quatro sessões, abordando temas que percorrem a vida de Trotsky em quatro momentos chaves em que o dirigente revolucionário teve que relacionar toda sua capacidade teórica e política com os desafios que a arte da estratégia impunha em situações novas e dinâmicas.

 Na primeira sessão, que será realizada na USP no dia 03 de Outubro, abordaremos a discussão da construção da teoria da revolução permanente, relacionando-a com elementos fundamentais de seu pensamento, partindo da análise de Trotsky sobre a Rússia, desde sua célebre teoria do desenvolvimento desigual e combinado, passando pela Revolução de 1905 e a criação dos sovietes (entrando inclusive nas bases do que poderíamos chamar de estratégia soviética para a revolução proletária) e, por fim, desenvolvendo as experiências da Rússia até a Revolução de 1917, partindo das conclusões fundamentais de fevereiro até a confluência de Trotsky e Lenin em Outubro, refletindo sobre a estratégia da tomada do poder e perspectiva da revolução internacional dos bolcheviques, especialmente traduzida na revolução permanente de Trotsky.

 Na segunda sessão, na Unicamp (Campinas) em 18 de Outubro, buscaremos partir das Li
ões de Outubro, de modo a buscar compreender como Trotsky generalizou as experiências da Revolução na discussão contra a Segunda Internacional a partir da reflexão sobre estratégia e tática na época imperialista. A partir daí, entraremos no caso concreto da Revolução Alemã, sobretudo em 1923, na medida em que se apresentou uma oportunidade concreta para a tomada do poder e a vacilação do Partido Comunista Alemão levou a uma derrota de proporções gigantescas na Internacional Comunista. Nesse caso, analisaremos ainda como Trotsky propunha táticas ousadas como o “governo operário” ligadas a perspectiva da insurreição e demonstrou uma superioridade estratégica para as tarefas da “Revolução no Ocidente”, maior do que consagrados nomes para esse tema, como o de Antonio Gramsci. É chave, nesse sentido, adentrar a discussão sobre a tática de “governo operário”, que estava ligada para Trotsky a um programa de armar o proletariado nas regiões da Saxônia e Turingia (Alemanha) na preparação para a tomada do poder, na medida em que a deturpação vigente hoje pela esquerda transforma essa tática em situações particulares e profundas de 1923 em um “mote” (desvinculado da situação concreta) para deturpações eleitorais e oportunistas de todo tipo.

 Na terceira sessão, que se realizará na Unesp de Marília em 23 de Outubro, vamos abordar o período da década de 1930, a partir da discussão estratégica de Trotsky para a Revolução Espanhola, que se estende de um período que vai de 1931 a 1939. Sob o mote de “a vitória era possível!”, refletiremos o combate de estratégias de Trotsky com o anarquismo, o autonomismo e o centrismo (sobretudo os debates com o Partido Operário de Unificação Marxista - POUM) que foram cruciais na derrota da revolução espanhola; além disso, também abordaremos o combate ao stalinismo, que na Espanha como nos outros países europeus, conjuntamente à Frente Popular, atuou para frear o anseio das massas a tomada do poder e, nesse sentido, colaborando para uma traição histórica aos trabalhadores nas vésperas da Segunda Guerra Mundial.

 Por fim, a última sessão, a ser realizada novamente na USP no dia 08 de Novembro, pretendemos adentrar no legado de Trotsky diretamente relacionado aos problemas do século XXI, especialmente no meio da forte crise econômica que estamos vivenciando. Para tanto, resgataremos seu célebre Programa de Transição, que é uma verdadeira arma para o conjunto dos trabalhadores se apropriarem de seu conteúdo e seu método para os desafios que a luta de classe atual colocará aos trabalhadores e que, a partir do resgate da IV Internacional e da luta pela sua reconstrução, temos certeza que estaremos mais preparados para esses desafios. Nessa sessão, também faremos o lançamento da Revista Estratégia Internacional – Brasil, com debates teóricos e políticos de estratégia atuais, como uma contribuição à reflexão trotskista em nosso país na perspectiva da construção de um partido revolucionário no Brasil.

Com esses debates fecharemos o seminário “Por Que Trotsky?”, e pretendemos, nesse sentido, partir da pergunta e contribuir com alguns elementos para a resposta do porquê as novas gerações de trabalhadores e da juventude devem se apropriar com todas as forças do legado de Trotsky para enfrentarmos as tarefas revolucionárias colocadas numa época em que se reatualiza com velocidade impressionante a perspectiva de “crises, guerras e revoluções”.


Calendário do Seminário

03/10 - USP: Russia e a Teoria da Revolução Permanente: 1905 e 1917
Claudionor Brandão e Edison Salles

18/10 - UNICAMP: Alemanha: estratégia e tática e a revolução no "Ocidente"
Iuri Tonelo e Pablito Santos

23/10 - UNESP Marilia: Espanha: A vitória era possível
Claudionor Brandão e Antonio Augusto

08/11 - USP: Lançamento: revista Estratégia Internacional Brasil nº6
Simone Ishibashi e Gilson Dantas

 








segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Grande encontro da Juventude reúne centenas de trabalhadores e jovens

GRANDE ENCONTRO DA JUVENTUDE ÀS RUAS


Grande encontro da Juventude às Ruas reúne centenas de jovens e trabalhadores. No sábado 29/09, ocorreu uma reunião nacional da juventude onde se expressaram diversos trabalhadores que protagonizaram importantes lutas no último período. Com uma empolgante mesa composta por trabalhadores dos correios, bancários, professores, metroviários e terceirizados do metrô, Pablito, dirigente do SINTUSP, estudantes de diferentes universidades e escolas, com a participação especial do companheiro Zonyko, rapper e militante do PTR, organização irmã da LER-QI no Chile. A Juventude debateu qual o projeto necessário frente aos primeiros impactos da crise capitalista no Brasil, as lutas dos trabalhadores em curso e a necessidade e possibilidade de ter o marxismo como ferramenta teórica, política e prática às necessidades de nosso tempo. Em breve publicaremos mais notícias, vídeos e outros materiais sobre esse grande encontro.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Juventude Às Ruas de Campinas se prepara para o encontro do dia 29 ao lado dos trabalhadores em luta!

A Juventude Às Ruas de Campinas tem orgulho em comunicar que, nesta quarta-feira, dia 26, iniciamos a nossa preparação para o encontro do dia 29 concretizando um dos eixos centrais de nosso grupo, assim como do próprio encontro, a aliança operário-estudantil. Mobilizamos nossas forças para prestar solidariedade aos trabalhadores ecetistas, bancários, metalúrgicos e petroleiros em um ato unificado das categorias em luta, seguido por uma reunião de preparação que contou com a presença de dois trabalhadores dos correios para debater conosco a atual situação da greve em Campinas.



O ato contou com trabalhadores das quatro categorias, somando em torno de 200 pessoas. Uma vez cientes do ato, conseguimos mobilizar estudantes da Unicamp para participar conosco, no intuito de cercar de solidariedade estes trabalhadores, levando faixas, panfletos e nossa própria voz.
Estes trabalhadores vivem hoje uma greve em um cenário muito difícil, lutando não só pelo aumento salarial, mas também pela defesa de seus direitos, que hoje é ameaçado pelo governo Dilma, e contra a dura intransigência dos patrões. O período de eleições apenas complica a situação, fazendo com que as centrais sindicais governistas façam de tudo para acabar com a greve o mais rápido possível, mas entrando em contradição com o poder desses setores chave da classe trabalhadora, que, mesmo tendo suas greves dirigida pelos órgão de intervenção do Estado no movimento operário - a burocracia sindical, principalmente da CUT - obrigam as empresas a responderem imediatamente e, com isso, revelar aos trabalhadores seu papel como centro nevrálgico da economia.  No caso dos trabalhadores dos correios, a situação ainda se agrava com a repressão à greve do ano passado, quando tiveram seus pontos cortados, dificultando a mobilização deste ano. Ainda assim estes trabalhadores corajosamente deflagraram sua greve, dispostos a se enfrentar contra a linha dura do governo e as represálias da patronal.

Após o ato fizemos nossa reunião de preparação com os trabalhadores dos correios, que deram o informe de sua mobilização e nos ajudaram a pensar os desafios do conflito e como cercá-los de solidariedade desde a juventude. Debatemos também a importância desta aliança, entre trabalhadores e estudantes, em meio a crise capitalista que cobre o mundo, fazendo ferver os países europeus, e que vem se consolidando no Brasil, com um claro giro à direita do governo Dilma, seguindo as orientações dos grandes países imperialistas, quando a jurisdição começa a debater a reforma do conjunto de leis trabalhistas, que devem "oscilar de acordo com a situação econômica" dos patrões. Inspirados pela exemplar luta da juventude internacional, como a chilena, que da dura batalha pela educação gratuita para todos atinge o combate contra os pilares do regime neoliberal chileno, temos consciência da necessidade de discutir os fundamentos estratégicos de construção de uma Juventude genuinamente preparada para encarar o horizonte de uma situação nacional, e internacional, que tem seu equilíbrio instável em processo de quebra histórica. Dispomos nossas ideias, nossos corpos e espíritos a estar ao lado da classe operária, a única capaz de subverter nossa sociedade mesmo nas lutas por questões democráticas mais elementares que nos tocam a todos, lutando contra o capitalismo, rumo a um futuro sem exploração e opressão!

Agradecemos profundamente a presença dos companheiros ecetistas em nossa reunião, ajudando a nos preparar para as duras batalhas que virão! Viva a luta dos trabalhadores ecetista, bancários, petroleiros e metalúrgicos!  Total solidariedade e unificação dos setores em luta! Viva a aliança operário-estudantil!
Juventude Às Ruas
26/09/2012