Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Unesp Franca: Moção de apoio dos estudantes da UNESP de Presidente Prudente

Camaradas, nós como Coletivo de Estudantes de Presidente Prudente, nos colocamos em apoio ao formidável ato realizado, pelo movimento estudantil de Franca, contra Bertrand e Sepulveda, que representam o fascismo que se falsifica de progresso.

Nos colocamos contra a presença da burguesia agrária e a corja ditatorial nas universidades, sendo apresentados como "príncipes". São estes os responsáveis pela desvinculação da terra de função social, uma vez que de modo perverso, objetiva maximizar o potencial produtivo, massacrando as relações sociais do campo e a quem nele resiste. São estes que retiraram os meios de produção dxs trabalhadorxs rurais e agora apoiam a opressão que assola estes trabalhadores expulsos, que agora se concentram nos morros, favelas, periferias das cidades.

A questão dos latifúndios, que se representam pela UDR, ultrapassa o viés econômico e deve ser encarada como o ponto de inicio do racismo uma vez que a concentração de terras possui intima relação com questão étnica e de segregação racial, já que os negros foram as primeiras vítimas das desapropriações com a Lei de Terras de 1850. 

A ditadura militar se caracteriza pelo período em que a discussão da Reforma Agrária foi calada pela voz do autoritarismo e a violência para com os movimentos sociais que buscavam o acesso a terra e para os demais movimentos que se colocavam contra esse regime ditatorial. Sem a necessidade do resgate histórico para a compreensão do papel do movimento estudantil na retomada da “democracia”, nos colocamos contra os que insistem em reverenciá-la e que dessa forma respaldam ainda mais esta “nova ditadura”, que se faz de forma ainda mais eficaz meio ao burocrático e enigmático sistema judiciário contemporâneo.

Por acreditar e defender uma universidade pública de irrestrito acesso aos trabalhadorxs nos colocamos em apoio ao ato realizado pelo movimento estudantil de Franca, já que Bertrand e Sepulveda representam as perspectivas mais brutais de repressão aos trabalhadores: a UDR que os mata no campo e a Ditadura Militar que os torturaram em outrora e agora os criminaliza.

É inadmissível que tal ato apoiado em um contexto histórico tão pertinente e que possibilita o protagonismo dxs trabalhadorxs frente sua demanda intelectual e ideológica na universidade, seja alvo de repressão por parte dos estudantes que compactuam com Bertrand e Sepulveda. Na verdade este posicionamento repressivo de direita, só nos mostra como a universidade deve avançar na questão de seu acesso e sua democracia, pois continua reproduzindo posicionamentos ditatoriais fascistas já conhecidos do movimento estudantil de outras épocas, e que continua e deve continuar a ser combatido.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

CHILE - Basta de violência e abusos sexuais aos que lutam! Duplamente Reprimidas, Duplamente Combativas!

Por Agrupação Combativa Revolucionária (ACR) – Chile 

Nas últimas semanas temos visto como os Carabineros (como são chamados os policiais chilenos) reprimem os secundaristas depois de desalojarem as escolas e colégios que foram ocupados pelos estudantes contra a Lei Hinzpeter que criminaliza quem se manifestar para exigir um direito como é a educação gratuita ou as demandas dos trabalhadores e do povo pobre. 

Depois de serem detidos pelos policiais nas desocupações os jovens têm sofrido abusos sexuais, violência desmedida, são espancados e obrigados a ficarem nus. Uma jovem declarou que vários efetivos das Forças Especiais a golpearam com cassetete, o esfregaram em seu órgão sexual e baixaram as calças em sua frente, esfregando o pênis em seu rosto e corpo durante a transferência para a delegacia, o que durou mais de três horas. 

Em Calama, outro fato soma-se a estas acusações. Quatro alunos denunciaram que foram obrigados a se despirem em frente aos Carabineros recebendo humilhações. Isso também ocorreu em Rancagua, onde estudantes do colégio María Luisa Bombal foram obrigados a se despir numa Delegacia da Sexta Região. As estudantes do colégio Betsabé Hormázabal e Alarcón de San Miguel escreveram uma declaração após a violenta desocupação que viveram, após ocuparem o colégio para reativar a luta pela educação gratuita e de qualidade “na delegacia fomos espancadas, enquanto uma de nós, uma companheira de apenas 16 anos, foi abusada sexualmente dentro de um posto móvel por três policias no caminho até o hospital para verificar as lesões. Toda essa brutalidade, todas essas agressões são respaldadas pelas autoridades municipais”

Desde a Agrupação Combativa Revolucionária, na Universidade de Santiago do Chile (USACH), dizemos basta de violência machista! Devemos nos organizar para colocar fim a todos esses abusos, que estão diretamente ligados com a linha repressiva do governo de direita de Piñera que quer tornar invisíveis os milhares de estudantes que lutam por uma educação gratuita e de qualidade. Dizemos não à lei Hinzpeter que criminaliza estudantes, trabalhadores e a população, dando mais margem à intensificação da repressão enquanto os repressores culpados pelos assédios e pela morte de Manuel Gutiérrez gozam de absoluta liberdade! 

E o que dizem as direções do movimento estudantil? 

Boric (um autonomista) disse acreditar num princípio, que ninguém é culpado até que se prove o contrário. Aqui vemos como as direções não são capazes de fazer uma grande denúncia de todos esses abusos que comentem os policiais (que nas mobilizações de 2011 também estiveram presentes, assim como também reprimiram as mulheres mapuches com estupros e abusos sexuais!) e deixam que a justiça, a mesma que deixou livre o assassino de Manuel Gutierrez, apurem esses fatos. Sabemos que a justiça está à favor dos que dia-a-dia reprimem os secundaristas, universitários, trabalhadores e mulheres! 

Não podemos naturalizar forçar jovens a ficarem nuas nas delegacias! 

Abaixo às leis Pinochetistas que deixam livres os policiais assassinos e violadores! 

Construir uma Agrupação Combativa e Revolucionária que diga NÃO AOS ABUSOS POR PARTE DAS FORÇAS ESPECIAIS! 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O DCE deve levar adiante a campanha contra os processos votada no XI Congresso da USP!



'O XI Congresso dos Estudantes da USP, e o Diretório Central dos Estudantes - Livre Alexandre Vanucchi Leme, aprovou entre suas resoluções uma forte campanha pela retirada de todos os processos contra estudantes, funcionários e professores, pela revogação das eliminações de 8 estudantes e pela reintegração do diretor sindical demitido Brandão.

Tendo em vista que a finalização dos processos indica novas demissões e eliminações para as primeiras semanas de setembro, chamamos em caráter de urgência uma reunião para decidir os rumos dessa campanha, com todas as estaduais paulistas, para o dia 29/8 (4a-feira), no DCE-Livre da USP, assim como com a UNIFESP e demais setores do movimento estudantil e de trabalhadores, os quais sofrem processos de repressão semelhantes por parte dos governos federal e estadual.
- XI Congresso dos estudantes da USP, 26/8/12'

Essa resolução foi aprovada como resultado de uma forte luta política no XI Congresso dos Estudantes da USP, na qual nós das chapas Primavera nos Dentes, impulsionadas pela Juventude Às Ruas e independentes, ocupamos, junto a outros delegados, a linha de frente, e que foi apoiada por outras dezenas de delegados de toda a USP. Este chamado é fundamental para concretizar o ato, debates, campanha de cartazes, boletins, festival artístico, e outras medidas aprovadas como parte dessa campanha pelo fim de todos os processos na USP, e pela reintegração dos estudantes eliminados e de Brandão.

No entanto, a gestão do DCE, que no congresso foi contrária a que a repressão fosse eixo prioritário de campanha, colocando isso em oposição à luta por democracia, como fez ao longo de toda a preparação do congresso, está divulgando notas comemorando a vitória do congresso, falando somente de "uma grande campanha pela democratização da universidade", e por enquanto não está convocando está reunião, marcada para amanhã.

O que definirá se o XI Congresso dos Estudantes foi ou não uma "grande vitória", será sua capacidade de construir uma ampla mobilização para barrar os ataques da reitoria. Por isso, o DCE deve convocar e construir essa reunião, fundamental para levar adiante essa campanha congressual, para impedir que Rodas imponha uma forte derrota ao conjunto do movimento estudantil e de trabalhadores com mais dezenas de eliminações, e assim se possa seguir lutando contra a ditadura de ontem e hoje na USP, que vive em sua estrutura de poder e na repressão aos que lutam. No mesmo sentido, chamamos todo o movimento estudantil, ativistas e entidades, a participar dessa reunião e construir essa campanha.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mais um ataque reacionário da Igreja contra os oprimidos! Nenhum passo atrás pela luta aos nossos direitos!

Por Juventude às Ruas Campinas

A corrida eleitoral mal começou na cidade ainda calejada pela crise política de corrupção que veio a tona em 2011 e já nos deparamos com um ataque de um dos setores mais reacionários da sociedade: a Igreja Católica. O Arcebispo Metropolitano de Campinas, Dom Airton José dos Santos, escreveu uma carta na qual orienta os fiéis da Igreja Católica a levarem em conta o posicionamento dos candidatos em relação ao aborto na hora de votar. O material é direcionado a paróquias, comunidades e a todos os fiéis católicos; nesse caso se referindo diretamente a candidata do PSTU, Silvia Ferraro, que defendeu o direito ao aborto em seu programa político para cidade.
Essa expressão reacionária da Igreja não é uma ação isolada dessas eleições, sendo sintomático como essa instituição vêm se utilizando dos momentos de eleição para barganhar acordos espúrios com candidatos e partidos para transformar sua ideologia reacionária em política de Estado. Nesse sentido, as organizações de esquerda devem encarar um debate tão fundamental como o direito ao aborto, não como um simples apêndice de campanha eleitoral – conveniente em momentos específicos - mas como uma questão crucial que devemos levar de maneira permanente nas universidades, escolas, sindicato e locais de trabalho. Em um momento tão crucial como esse, se transforma em absurdo o silêncio do PSOL e de seu candidato Arlei Medeiros. A posição eleitoreira dessa organização, se adaptando aos setores mais reacionários da sociedade, em nada ajuda ao avanço da luta dos setores oprimidos.
Se manter indiferente em momento que a Igreja desfere mais um ataque contra os direitos das mulheres apenas colabora para o entrelaçamento entre a Igreja e Estado, e conseqüentemente a intensificação da ofensiva reacionária sobre as mulheres. Os demais candidatos se posicionaram contra o aborto e a favor do arcebispo reacionário, mostram que não estão ao lado das mulheres e que fecham os olhos diante das milhares de mortes que ocorrem em nosso país.
As eleições devem ser um espaço aberto para que se levantem programas que coloquem as demandas dos setores oprimidos e explorados, enquanto tática que propagandeie ideias, considerando que o parlamento deva ser espaço de denúncia, pois como diria Lenin, nas eleições escolhemos quem vai nos explorar pelos próximos 4 anos. Mas para haver uma transformação estrutural dos pilares desta sociedade os setores mais explorados e oprimidos devem confiar em suas próprias forças, se auto-organizando, enquanto sujeitos e não depositando confianças nos governos burgueses.
A Igreja se mostra mais uma vez como de “hábito” inimiga dos oprimidos, assim como em 2009, quando o arcepispo de Olinda, José Cardoso Sobrinho, excomungou os responsáveis pelo aborto de uma menina de 9 anos, que havia sido estuprada pelo padrasto.
Colocamo-nos ao lado dos que lutam em defesa dos direitos das mulheres e lembramos que desde as eleições para presidente ocorre um giro reacionário em relação aos direitos democráticos. Dilma que prometia defender os direitos das mulheres fez uma campanha reacionária para acordar com os dirigentes das Igrejas evangélicas e católicas e não perder votos. E mantém os privilégios da Igreja através do Acordo Brasil-Vaticano assinado em 2008 por Lula, o artigo 11 º do Acordo aumenta as garantias da Igreja Católica de manutenção das aulas de religião nas escolas públicas e o artigo 8º garante à Igreja católica o direito de prestar serviços de “assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, de assistência social, de educação ou similar, ou detidos em estabelecimento prisional ou similar, observadas as normas de cada estabelecimento, e que, por essa razão, estejam impedidos de exercer em condições normais a prática religiosa e a requeiram”. Porém, se pegarmos a questão do aborto, o que se vê na prática de hoje é que o ‘plantão’ religioso em hospitais, de modo geral tolerado, tem funcionado como espaço para a pregação e pressão sobre as consciências. Como assegurar que agentes religiosos/as contenham ímpetos homofóbicos, lesbofóbicos, ou de pregar a família heterossexual monogâmica como ideal único? E no final de 2011 Dilma baixou uma medida provisória que significa uma “caça às bruxas” às mulheres que engravidam. A MP 577 é uma medida provisória que cria um sistema de cadastro das mulheres grávidas obrigando os estabelecimentos de saúde públicos ou privados a cadastrarem as mulheres grávidas e puérperes, possibilitando a futura criminalização dessas mulheres.
Além da descriminalização do aborto, é necessário defender também a legalização deste, para que todas as mulheres, inclusive as pobres, possam realizá-lo em condições adequadas gratuitamente e sem se sentirem mal vistas, além do direito ao acesso a anticoncepcionais de qualidade e educação sexual nas escolas. É um equívoco pensar que a legalização tem como conseqüência o aumento do número de abortos, pois nos países onde a medida foi adotada, as taxas caíram com o passar do tempo, o mesmo ocorreu com os índices de mortalidade materna visto que as mulheres passaram a ter acesso a atendimento de qualidade. A criminalização do aborto no caso de escolha pessoal da mulher é uma forma do estado e da classe dominante violentar as mulheres através da ideologia de que nossas vidas estão diretamente vinculadas à reprodução e à constituição da família. Neste sentido entendemos que o direito ao aborto é um direito democrático a todas as mulheres de exercerem livremente sua sexualidade. A Igreja, com seu reacionário ataque, através do bispo, no entanto, nos abre a chance de debater acerca de um tema relevante tanto para as mulheres, quanto para a classe trabalhadora, pois devemos ser intransigentes na luta pelos direitos democráticos das mulheres para arrancá-los através de uma campanha permanente. Neste sentido, nos colocamos ao lado daqueles que lutam irredutivelmente em defesa desses direitos.

- Basta de mulheres mortas por abortos clandestinos!
- Aborto legal, livre, seguro e gratuito para não morrer! 
- Revogação do Acordo Brasil-Vaticano!
- Separação da Igreja e do Estado!




terça-feira, 21 de agosto de 2012

Por uma Frente-Unica anti-monarquista e anti-latifundiária.

Em defesa da reforma agrária, contra a opressão sexual, racial e de gênero e por uma universidade pública à serviço da classe trabalhadora

Infelizmente, a Universidade Pública não serve aos interesses da população. Mesmo sendo sustentada pelos impostos dos trabalhadores, não são estes os que sentam nos bancos da Universidade Pública. O vestibular e, como beneficiadas diretas deste, as Universidades Particulares, são os principais obstáculos - junto da burocracia universitária, sua estrutura de poder e os governos - para que a classe trabalhadora, os camponeses e o povo negro tenham acesso à Universidade Pública. Dentro dos muros dessa universidade elitista, a ideologia hegemônica é a ideológica da classe dominante - dos patrões, latifundiários e banqueiros; os currículos, as pesquisas, a maioria das extensões e o programa dos cursos estão voltados aos interesses e formação dos futuros gestores da miséria e da exploração do Estado capitalista, assim como dos futuros patrões e latifundiários.

Porém, para se sustentar em meio a essa contradição, a burocracia da Universidade e o governo do Estado precisam passar uma imagem de um espaço "democrático" e "plural", permitindo a presença de alguns setores de intelectuais e de estudantes que questionem essa lógica e proponham reflexões contra-hegemônicas (mas essa permissão "democrática" se dá apenas enquanto essas reflexões não se transformam em práticas que possam subverter esse modelo de Universidade baseado na contradição de uma sociedade de classes e que está a serviço de uma minoria. A partir do momento que essas reflexões passam a interferir na correlação de forças, os gestores da Universidade não se negam a utilizar da força, da autoridade, da repressão, de leis e normas ditatoriais para eliminar tais elementos, como vemos com maior destaque hoje, na USP). A esse setor minoritário nessa universidade elitizada cabe a responsabilidade de ser linha de frente no combate por uma Universidade à serviço da classe trabalhadora e ser o porta-voz na defesa dos interesses dxs trabalhadorxs, dxs camponesxs e dos oprimidos.

É nesse cenário que o CIVI busca se apoiar (tendo como co-orientador o próprio diretor da faculdade, Fernando Fernandes) para imprimir um ataque à classe trabalhadora fortalecendo o discurso e a ideologia anti-operária e opressora na Universidade, onde abre espaço para ninguém menos do que Bertrand de Orleans e Bragança, auto-proclamado príncipe, dirigente da UDR (União Democrática Ruralista) que tem como objetivo: "reunir os grandes proprietários de terra para impedir a reforma agrária" se orgulhando da sua disposição beligerante no campo e das 640 mortes de sem-terras no seu momento de maior apogeu, entre 1985 e 1989 (matéria auto-proclamatória da Revista Veja de 26 de março de 2003 "A guerra aqui é de outro tipo. Com o MST mais desinibido e influente no governo petista, fazendeiros do país começam a formar suas milícias privadas"). Veja também o site de Bertrand: http://paznocampo.org.br/, onde ele ensina como os grandes latifundiários devem combater os indígenas, os quilombolas, as pastorais e os sem-terras. O outro convidado do CIVI é José Carlos Sepúlveda, jornalista monarquista e um dos fundadores da TFP (Tradição, Família e Propriedade), organização que liderou a Marcha da Família com Deus e pela "Liberdade", movimento que apoiou e fortaleceu o Golpe Militar de 1964, que assassinou e torturou milhares de trabalhadores, camponeses e jovens que lutavam..... pela liberdade. A TFP também se orgulha de ter estado ao lado da situação (ditadura militar) nos anos 70 e 80 (UOL, 27 de março de 2012, "Justiça mantém grupo dissidente na direção da TFP"). Veja também a página da TFP:http://www.tfp.org.br/ e o site com o "clássico" que rege a ideologia desses setores (Plinio Corrêa de Oliveira): http://www.ipco.org.br/home/tag/direito-de-propriedade.

É obrigação de todxs aquelxs que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária impedir que tamanho anacronismo inunde de excrescências o espaço da Universidade que pertence historicamente à classe trabalhadora. Nesse sentido, nós, da Juventude às RUAS (LER-QI e independentes) fazemos um amplo chamado à todxs xs professorxs que se identificam com a luta da classe trabalhadora e dos camponeses a se manifestarem aberta e publicamente contra esse evento (que esta sendo divulgado orgulhosamente pela Reitoria da UNESP: http://www.unesp.br/noticia.php?artigo=8999). Chamamos também todos os setores de esquerda organizados da UNESP: Consulta Popular, PSOL/Domínio Público, anarquistas, PCB, entidades estudantis (Moradia, DA, CASS, entre outras) e grupos de extensão comunicativa (NATRA, NEDA, GAPAF, GEDE, entre outras) a organizarmos umareunião na quinta-feira, dia 24/08, as 18:00, no espaço da “Várzea” para prepararmos uma ampla frente-única anti-monarquista, em defesa da reforma agrária, por uma Universidade Pública à serviço da classe trabalhadora e pelo direito das mulheres, dos negrxs e dxs homossexuais!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Por um movimento estudantil que lute em defesa do direito de greve, contra os cortes de pontos e pela unificação nacional da greve do funcionalismo público

Por Ana Carolina Oliveira e Lívia Barbosa - estudante de História da UFRJ

Para os professores das universidades federais o governo tem tido uma política diferenciada. Depois de muita enrolação para abrir a negociação, como medida para desgastar a greve, o governo fez duas propostas de aumento salarial acima da inflação (sobretudo à parcela superior dos docentes) e uma proposta de mudança na estrutura das carreiras, ambas rechaçadas nas assembleias por não atenderem a pauta de deliberação proposta. Enquanto que para técnicos ignorou-se a greve até onde pode, continua-se pressionando para que as reitorias cortem os pontos e na última semana propôs um aumento irrisório de 15% em 3 anos, que não significa um aumento real e não resolve os problemas estruturais fundamentais da precarização do trabalho colocadas nas universidades, ainda mais depois da implementação do REUNI.

Nem falar da greve estudantil, a qual o governo ignorou, passando por cima do Comando Nacional dos Estudantes em greve, representação legitima da greve, para negociar com o braço governista no Movimento Estudantil a UNE na ten tati va de desviar a luta, e agora mesmo após a negociação com CNGE ignora as pautas e coloca como proposta o SIMEC – Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle, um sistema de coleta de dados, construído pelo MEC com o objetivo de “consolidar a expansão e o REUNI”. Ou seja, um banco de dados, uma resposta técnica para uma greve em defesa da educação pública e contra a precarização do REUNI. Essas informações sobre como está sendo aplicado o REUNI já deveria ser obrigação do governo, afinal já são 5 anos – ou o governo não tem sequer um acompanhamento da execução das (insuficientes) verbas? Isso demonstra a continuidade da política precarizante e privatizante do governo para a educação, pois é uma mostra de que o governo não vai atender as demandas dos estudantes em greve, pois dados estatísticos não enchem a barriga dos estudantes, não constroem moradias estudantis, não constroem laboratórios nem hospitais universitários, só para mencionar algumas demandas da nossa greve.

O motivo pelo qual o governo faz maiores concessões para os professores universitários para nada pode ser confundido com maior valorização desta categoria ou prioridade para a educação. A chave desta política diferenciada está na disputa pela opinião e isso é peça chave fundamental nas eleições onde a principal aposta do PT é eleger Haddad (ex ministro da educação) no principal colégio eleitoral do país e fortaleza eleitoral do PSDB há anos.

É neste campo que o governo busca urgentemente recuperar posição, mas não faz isso só com a disputa da opinião pública, conta com seu aliado na categoria de professores - o PROIFES - que saiu da greve defendendo a proposta do governo, tentando com isso causar rupturas tentando que várias universidades saiam da greve, o que não conseguiu até o momento.

Por um movimento estudantil que lute em defesa do direito de greve, contra os cortes de pontos e pela unificação nacional da greve do funcionalismo público

Em vários estados do país, os estudantes, servidores e professores seguem firme na greve, radicalizando nos métodos para pressionar o governo e reitorias, com piquetes diários e ocupações de reitorias, tal como na UFES, UFRJ, UFMS, UFPel, UFPI, UFSM. Na UFRJ a ocupação do Canecão, histórica casa de shows desativada há alguns anos foi recuperada das mãos da iniciativa privada, e colocada a serviço da luta pelos estudantes, sendo a principal via de divulgação nacional da greve estudantil.

O peso e importância que tem a greve nacional da educação têm na greve dos servidores públicos do país, tem a responsabilidade de não se limitar a defender só suas próprias pautas, deve estar a serviço da unificação real das lutas e da solidariedade ativa aos trabalhadores que estão sendo atacados no direito elementar de fazer greve. A solidariedade e unificação, não pode se dar por cima, pelos sindicatos e atos unificados e seguir no dia lutando em separado no dia a dia, cada com contra seu ministério, como vem levando a luta as direções governistas como a CUT e CTB, mas também a esquerda anti-governista PSOL e PSTU que dirigem o Andes e também tem peso de direção no movimento estudantil e no CNGE. O ataque aos trabalhadores é um ataque a toda a juventude e defender os setores que estão sendo atacados pelo governo hoje, é parte da defesa de um outro projeto de educação e de universidade a serviço da classe trabalhadora e do povo pobre.

Diante da crise mundial e dos ataques preparatórios do governo, a tarefa da juventude e do movimento estudantil, é colocar a força do ativismo estudantil a serviço de defender os servidores públicos em greve. A tarefa colocada é de organizar desde o ME uma ampla solidariedade ativa em cada cidade com o conjunto dos servidores em greve para barrar os cortes de pontos, defender o direito de greve e que todas as reivindicações sejam atendidas. Se atacam um, atacam todos.

SENADO APROVA 50% DE COTAS SOCIAIS E RACIAIS - Lutemos pela imediata aplicação junto a permanência estudantil como parte da luta pelo livre acesso

Por Ana Carolina Oliveira e Clarissa Menezes - estudante de Ciências Sociais da UFRJ

Foi aprovado no Senado no último dia 08 o PLC 180/2008 que prevê que 50% das vagas das universidades e institutos federais sejam reservadas para cotas raciais e sociais. Encaminhado para a sanção da presidente Dilma Rousseff, este projeto de Lei Complementar, apesar de não atender às reais necessidades da juventude pobre e negra de nosso país, consideramos que é um passo na luta pelo acesso dessa juventude na universidade, atualmente muito mais elitista e racista. Apesar de poder se configurar como um avanço, diante da realidade de nosso país, tem muitas contradições. A primeira delas é que as vagas são poucas em proporção aos estudantes que se formam no ensino médio público, ainda mais considerando que 85% do total de matrículas no ensino médio no Brasil são em escolas públicas.

Mesmo que o projeto de lei não seja vetado por Dilma, não podemos ter nenhuma confiança de que as elites racistas do país irão implementá-lo, como ficou demonstrado em várias universidades em que setores proto- fascistas se organizaram para combater a implementação das cotas. Por mais mínimas e insuficientes que sejam as concessões contidas nesse projeto – na medida em que foram restringidas de acordo às necessidade de um pacto pacífico com as elites racistas do país, ficando longe de responder às demandas da maioria esmagadora dos negros pobres que vivem nas favelas e são submetidos aos trabalhos mais precários – mesmo essas demandas mais mínimas devem servir para motorizar a luta de classes independente do povo negro e da classe trabalhadora contra a burguesia.

Ou seja, mesmo que represente um avanço, uma medida que possibilitaria – se sancionada e posta em prática – que mais jovens pobres, negros e indígenas ingressem no ensino público federal, porém mesmo este aumento do ingresso com estas cotas está muito aquém da realidade não somente de quantos jovens estão não escola pública no país, e também está muito longe da porcentagem da população jovem negra em estados como a Bahia, por exemplo, por isso consideramos que ainda está muito aquém da realidade! Mesmo que Dilma aprovasse a PLC sem vetos (o que achamos improvável, pois a colocaria em maus lençóis com a elite branca de diversas cidades em ano eleitoral) nossa tarefa é exigir que essa medida seja aplicada imediatamente para 2013! Também é necessário que haja política de permanência estudantil para todos os jovens que ingressarem, e para todos que já estão na universidade pública e correm o risco de não conseguirem seguir com os estudos. Mas também devemos exigir que em todos os campi haja bandejões, alojamentos e bolsas para os 50% de estudantes ingressantes, e para todos aqueles que já ingressaram, mas não tem condições de seguir estudando.

As cotas raciais e sociais nas universidades são demandas mínimas do povo pobre, negro e indígena, e mesmo nos avanços que tiveram e na incorporação de cotas em algumas universidades, não respondem às necessidades da maioria esmagadora dos negros que seguem vivendo em condições de miséria, ocupando os postos de trabalho mais precários e sendo reprimidos e assassinadas cotidianamente pela polícia. A real luta pela democratização do ensino, tem que estar ligadas com a luta pelo fim de vestibular/SiSu, que segue sendo um filtro social que impede a maioria dos filhos da classe trabalhadora de entrarem nas universidades, aliado à luta pela estatização das universidades privadas, que enchem seus bolsos de dinheiro com subsidio do governo e com o endividamento de milhares de jovens. Não podemos deixar nas mãos do governo o discurso de democratização da educação, enquanto seguem assassinando milhares de jovens nas periferias. Essa demanda mínima tem que estar a serviço da organização independente dos negros em aliança com a classe trabalhadora e os indígenas, e ligadas à luta por moradia, saúde, terra, cultura e lazer.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Direto de Madri, notícias de "La Marcha Negra" dos mineiros de todo Estado Espanhol que lutam corajosa e firmemente por suas reivindicações

Por Danilo Magrão - estudante de Ciências Sociais da Unicamp, militante da Juventude ÀS RUAS e da LER-QI



Agora são 3 hrs da manha em Madri. Acabo de chegar da Plaza del Sol. Hoje vi os mineiros do Estado Espanhol entrarem pelo arco do triunfo em Madri, com dezenas de milhares de vozes cantando seu belíssimo hino de proteção, Santa Barbara. Percorreram 400 km a pé, saindo de varias partes do pais para se encontrar na capital espanhola. A luz do Palácio de Calão era feita por centenas de pequenas lâmpada acopladas em capacetes. Fogos, bandeiras, cantos por toda parte. A cidade não dormiu para receber aqueles que são, segundo eles próprios, seus verdadeiros campeões. As pequenas luzes, a frente da cabeça, se multiplicaram, iluminaram desafiando a noite que pretende perpetuar Rajoy e toda a banca européia. Muitos choravam e a cada passo o grupo dos mineiros, com o rosto marcado pelo cansaço, era aplaudido com o mais profundo entusiasmo, e esses tiravam seus capacetes iluminados como quem agradece a receptividade do anfitrião. Mais lágrimas, mais fogos. La Marcha Negra, como foram chamados, entrou e desfilou sob Madri, com suas bandeiras de cada província levantadas receberam uma homenagem que sem dúvida ficará marcada no tempo. Em cantos chamam os inimigos à guerra, estão dispostos a fazer de tudo para vencer. Passaram ao meu lado com punhos cerrados e estendidos, e eu, espectador desse momento particular, também em lágrimas, mais do que nunca na minha curta vida, me convenci que faremos história ao seu lado.

LUTAR CONTRA A IMPUNIDADE DOS ASSASSINATOS DE HOMOSSEXUAIS EM TODO BRASIL!

Brutal assassinato de jovem por homofobia na Bahia

Por Adriano Favarin, estudante da UNESP/Franca

Dia 24/06, dois irmãos gêmeos que caminhavam abraçados em Camaçari, Bahia, foram brutalmente agredidos a socos, pedradas e facadas, até o assassinato de um deles, por oito homens que alegaram tê-los associado a um casal gay. José Leandro e José Leonardo, 22 anos, saíram do sertão de Pernambuco para a Bahia em busca de trabalho, Leandro é ajudante de produção, o irmão assassinado era operador de empilhadeira, os dois na mesma fábrica de telhas. A namorada de Leonardo, 15 anos, está grávida de 3 meses. “Eu acho que é a homofobia que está surgindo no mundo aí, que homem não pode sair abraçado com outro homem, pai não pode abraçar um filho. Quero que a Justiça vá até o fim.", essa declaração de Leandro, após sair do hospital, é elucidativa para entendermos o quanto a homofobia é uma opressão social que, além do ódio aos homossexuais, representa a resposa violenta a qualquer forma de expressão de afetividade, carinho, de amor, de solidariedade e de compaixão que possa existir entre indivíduos, quando estes são do mesmo gênero.

Além desse caso - que alcançou repercussão nacional mais pelo fato dos rapazes não serem homossexuais do que pela violência homofóbica de fato, inclusive com a Ordem dos Advogados Brasileiros (OAB) solicitando a participação do governo federal na apuração do caso -, na mesma semana, dia 28/06 - Dia do Orgulho Gay - um adolescente homossexual, Lucas, de 15 anos, foi empalado, teve os olhos arrancados e, como recomendam alguns parlamentares brasileiros, “levou um couro” a pauladas até a morte em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Não é coincidência que esse crime de ódio tenha acontecido no mesmo dia (28/06) em que a Câmara de Deputados do Rio de Janeiro organizava uma audiência pública para discutir um projeto de lei conhecido como projeto de "Cura Gay", de autoria do deputado João Campos (PSDB), da bancada evangélica, que visa legalizar a possibilidade do psicólogo emitir julgamentos e tratar a homossexualidade de seus pacientes como transtorno, em contraposição à resolução do Conselho Federal de Psciologia de 1999.

Esses casos emblemáticos de assassinatos, ao serem compreendidos no marco dessa ofensiva do Estado e de seus representantes sobre o controle dos nossos corpos, evidenciam como não se tratam de casos isolados, muito menos consequências de ações individuais, mas sim do reflexo social de um Estado que, para existir enquanto tal, necessita da reprodução da opressão de gênero e da normatividade sexual, e de um governo, Dilma (PT), que às custas de manter o amplo leque de apoios que permitem a sua governabilidade, rifa os direitos democráticos dos setores oprimidos, abrindo espaços cada vez maiores para a ofensiva dos setores homofóbicos e reacionários de sua base aliada. O veto ao kit anti-homofobia, que, mesmo com muitos limites, possibilitaria um debate sobre diversidade sexual dentro das escolas; a campanha e o compromisso do governo em relação à manutenção da ilegalidade do aborto; o empacamento na votação da inclusão de "orientação sexual e identidade de gênero" sobre a lei que pune o preconceito, são somente algumas das ações do governo que fortalecem esses crimes.

O Estado, para manter os interesses de lucro das grandes empresas, precisa controlar os corpos dos indivíduos de forma a que estes estejam objetiva e subjetivamente colocados à serviço da exploração no bojo das relações de produção. É somente dessa perspectiva que conseguimos entender a resistência política às mais tímidas propostas de garantia de direitos democráticos e de autonomia sobre nossos corpos. À mulher, o Estado criminaliza e mantem na ilegalidade o aborto, ao mesmo tempo, não garante as mínimas condições para que uma família pobre e trabalhadora possa criar umx filhx, pois não constrói creches, restaurantes, nem lavanderias públicas. A afetividade entre os homens é recriminada e punida pela repressão moral e agressões físicas, entre as mulheres é incentivada somente enquanto sirva como objeto de prazer para os homens. Os indivíduos que constroem sua sexualidade de maneira distinta do padrão hétero são desde o início dessa construção coagidos à clandestinidade, à vergonha, ao isolamento, à recriminação e, cada vez mais, ao medo, os que rompem a barreira de assumirem sua sexualidade para si e publicamente, acabam o fazendo o mais dentro da norma possível: a normatividade da expressão, moral e valores sexuais machistas, ainda que invertido o padrão hétero socialmente aceito.

A direita na ofensiva

Essa ofensiva dos governos e a garantia da impunidade permitem que setores organizados da extrema-direita levantem a cabeça. A situação de desenvolvimento da crise mundial, que coloca em xeque o projeto histórico da burguesia com a União Européia e que começa a dar mostras, na Grécia, das suas consequências sociais e políticas, como o desmoronamento do centro do regime e o aumento das polarizações, reedita períodos de maiores convulsões sociais, onde os questionamentos sociais vêm atrelados aos questionamentos morais e ideológicos, especialmente no âmbito da sexualidade. É nesse marco que devemos compreender a onda de ataques homofóbicos no Brasil dos últimos 3 anos e nos demais países da América Latina e da própria Europa.

Não podemos esquecer de Daniel Zamudio, jovem homossexual chileno que foi torturado por 6 horas em março por uma gangue neo-nazista, tendo seu corpo mutilado por bitucas de cigarro e pedaços de vidro, suas pernas quebradas e sua cabeça apedrejada, o que levou a sua morte. Desde o PTR – organização irmã da LER-QI, no Chile –, saímos em uma enorme campanha pela punição dos assassinos de Daniel, denunciando o governo e as instituições do Estado como principais responsáveis na sustentação da discriminação mediante expulsões, demissões, segregações, injerência moral da Igreja na educação pública, na família, na educação sexual, nas leis como o matrimônio heterossexual excludente e inclusive na proibição de troca de carícias entre pessoas do mesmo sexo, que demonstram que persiste o conservadorismo e a opressão herdadas da ditadura de Pinochet que tem sido sustentada pelos principais partidos do atual regime, seja no governo dos herdeiros diretos - a RN e a UDI, do atual presidente Piñera - seja da Concertación, que dirigiu durante 20 anos a transição pactuada com o regime pinochetista.

A Igreja sempre presente!

É emblemático o papel que cumprem as instituições nessa reprodução. É desde dentro das igrejas, onde a sua moral sexualmente repressora e machista invoca a autoridade divina para defender a castidade, a subordinação da mulher ao homem e a heteronormatividade, que surgem os casos mais aberrantes de pedofilia e abusos praticados e encobertos pelos próprios padres e bispos, são com esses "valores" que a Igreja se acha no direito de falar de moral e se intrometer no nosso sexo? É uma hipocrisia deslavada essxs senhorxs defenderem que uma família deve ser formada pela figura de um pai e de uma mãe para que a criança possa ser melhor educada, quando cresce enormemente o número de lares brasileiros sustentados por mães solteiras e, principalmente, quando na realidade dos lares das famílias trabalhadoras, tanto o pai quanto a mãe são obrigados a deixar horas e horas de suas vidas nas fábricas e locais de trabalho em horas-extras e turnos rotativos e aos finais de semana, não tendo tempo ao menos para ver xs seus/suas filhxs crescerem.

Desde o PTS – organização irmã da LER-QI, na Argentina –, fomos parte da enorme luta da comunidade LGBTTI pelo matrimonio igualitário e a lei de gênero, com uma enorme campanha para que fosse assegurada a igualdade de direitos e que os "valores familiares" não fossem utilizados para discriminar ainda mais xs homo e transsexuais. Como marxistas revolucionários entendemos a legislação da união entre as pessoas como um contrato que assegura a propriedade doentia do homem sobre a mulher e dos pais sobre os filhos e lutamos por uma sociedade livre das cadeias de necessidades econômicas e psicológicas onde as pessoas possam se relacionar livremente como desejarem e consentirem mutuamente. Porém, mesmo sendo essa nossa luta e sabendo que a igualdade de direitos civis para homo e transsexuais não acaba com a opressão, não somos indiferentes ao fato de que, para alguns, o casamento significa proteção legal e econômica de seu/sua parceirx, assistência médica, salário familiar, direitos trabalhistas com x cônjuge, etc., ainda que para a grande maioria da população que trabalha sob condições precárias, terceirizadxs, sem direitos sociais ou aposentadorias, nem essas possibilidades legais existam.

Nos organizarmos para conquistar nossos direitos

No Brasil estão abertas inúmeras questões referentes aos homossexuais e precisamos nos organizar para garantir nossos direitos. A luta contra a impunidade, o combate ao projeto de lei que visa legalizar a ’cura-gay’, a garantia de uma educação sexual que prime pela diversidade nas escolas e a defesa do casamento igualitário em plena igualdade de direitos são algumas das bandeiras que hoje movimentam os homossexuais e vem pautando recorrentemente os debates políticos nacionais. Não podemos confiar que o Estado vá acabar com esses crimes, menos ainda que a polícia possa assegurar nossa defesa quando sabemos que são estes os primeiros a ridicularizar, humilhar, agredir, acobertar ou diretamente assassinar xs homossexuais e, principalmente, as travestis, nem podemos nos iludir que a aprovação da PLC 122 venha a inibir os crimes de ódio se se mantém esse clima de ataques ideológicos e de moral reacionária aberta sem nenhuma resposta a altura. É necessário que xs homossexuais saiamos da passividade imposta hoje pelos dirigentes dos movimentos, que fizeram das Paradas Gay um espaço a serviço do capital e das grandes empresas de turismo e comércio. Precisamos voltar a nos organizar como fizeram em 1969, em Stonewall, encabeçadxs pelas travestis, em uma rebelião espontânea contra a repressão policial e durante toda a década de 70 com grupos que buscaram se organizar e se unificar com os demais setores oprimidos, mulheres e negrxs, para se defender e para lutar pelos seus direitos, buscando, como o grupo SOMOS, durante o ascenso operário do ABC no Brasil, a aliança com os metalúrgicos, tendo sua delegação sido ovacionada pelos operários que entendem que a discriminação só serve para debilitar nossa unidade contra a exploração e opressão que sofremos.

É uma tarefa primordial para a esquerda no Brasil se colocar na linha de frente da luta contra a impunidade desses crimes, é necessário colocar as organizações de direitos humanos, as entidades estudantis, mas especialmente os sindicatos que a esquerda dirige, na linha de frente da luta pela punição dos responsáveis pelas inúmeras mortes de homossexuais. A cada 3 dias dois homossexuais são violentamente assassinados no Brasil, de acordo com dados oficiais, e sabemos que é muito mais, pois muitos crimes claramente de homofobia são enquadrados como latrocinio, como o caso do adolescente Lucas, de 15 anos, de Volta Redonda. Precisamos nos organizar para marcharmos nas ruas exigindo o fim da impunidade aos assassinos, agressores, ideólogos, pastores e parlamentares que fazem apologia à homofobia e à violência contra xs homossexuais, exigir direito de união civil e adoção igualitários e uma educação sexual nas escolas que seja organizada pelos grupos de ativistas do movimento homossexual e de mulheres! É nas ruas que vamos garantir nossos direitos, nossos corpos, nossos prazeres e nossas vidas, nos organizando por fora das direções tradicionais que vêem no movimento homossexual uma fonte de renda nas ricas Paradas Gays e nas vantagens e privilégios garantidos pelas mesmas. Paradas essas que são extremamente lesbofóbicas, misóginas e machistas. Como diziam, na França, na década de 70, xs homossexuais organizados na Frente Homossexual de Ação Revolucionária (FHAR): "Uma boate, o reinado da grana, ali se dança entre homens, ali uns apreciam os outros como mercadoria: a sociedade hetero-policial nos tem de volta". É hora de gritarmos novamente para a sociedade: "os gays estão nas ruas! Viva a revolução total!"

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O POTENCIAL DA NOSSA GREVE EM PERIGO

GREVE DAS FEDERAIS - UM PRIMEIRO BALANÇO DO COMANDO NACIONAL DE GREVE  
por Juventude As Ruas RJ
 

Uma grande greve da educação está em curso em nosso país. Greve de professores, técnicos, estudantes, e cresce a cada dia com a entrada das escolas técnicas e novas universidades. Nos levantamos contra a politica de precarização e privatização da educação. A politica de Dilma é desgastar os professores, ao passo que seu braço no ME, a direção majoritária da UNE (PCdoB e PT) dá passos para tentar desviar o movimento a partir de reivindicar pequenas alterações nos planos do governo para a educação, ou seja eles militam para que aceitamos o projeto em curso que é privatizante e precarizador. O governo faz ouvidos moucos, adia negociações com os professores, sequer marca negociações com técnicos-administrativos e com nós estudantes. Releva sua absoluta despreocupação com a educação.

Porém nosso movimento é forte e pode ser um grande passo para questionar o sistema educacional do país e a política do governo. Para isto é preciso derrotar os agentes do governo no movimento que querem desviá-lo a alterar algo, mas manter o projeto em curso e superar as alas majoritárias do comando nacional dos estudantes em greve (PSOL e PSTU) que também querem um movimento limitado a pequenas conquistas sem questionar o conjunto do projeto educacional, a elitização das universidades, etc.

Um forte movimento que tem como motor o questionamento à política educacional de Dilma

Dia 18/06 ocorreu no Campus da Praia Vermelha da UFRJ a primeira reunião do Comando Nacional de Greve das Universidades Federais, com 56 delegados e mais de 350 estudantes de todo o país. Diante da precarização da educação em cada universidade, os estudantes se somaram a greve dos professores. A falta de estrutura física para aulas e laboratórios, a falta de professores e as atuais precárias condições de trabalho, a inexistência de assistência estudantil suficiente para os estudantes de baixa renda, a criação de centros de excelência ao lado de cursos e currículos precarizados, como os de licenciatura e a privatização desde dentro das universidades com as fundações privadas, HUs. Todos estes elementos constituem a Reforma Universitária do Governo Federal, o tão propagandeado REUNI. Isto é parte de um projeto de conjunto, o PNE. O PNE não só garante crescente privatização do sistema educacional, como sequer questionar que suas metas nunca são cumpridas – tudo isto vendido como avança no acesso à educação pelo governo e governismo.

Precisamos tirar das mãos do governo e de seu braço no Movimento estudantil, a ala majoritária da UNE (PCdoB e PT) – financiado com recursos dos impostos dos trabalhadores –, o discurso demagógico de democratização da educação, que é utilizado para justificar a expansão precarizada do REUNI, com destino de verbas publicas para os monopólios privados da educação, como o PROUNI, FIES e o PRONATEC, e com a farsa do fim do vestibular que é o Novo Enem/SiSu. No comando mais uma vez a ala majoritária da UNE mostrou sua cara, defendendo o governo e suas reformas, mostrando como hoje, apesar da UNE reunir centenas de entidades em seus congressos, sua atuação no Comando, expressa pelo posicionamento de meia dúzia de delegados, é embelezar a política educacional do governo propondo que façamos pressão a que algum deputado petista ou do PCdoB faça alguma emenda no PNE por alguma migalha, mas obviamente sem questionar o rumo geral do projeto do governo.

Um comando nacional precisa de assembleias de base, de um programa para massificação do conflito e uma estratégia independente!

A constituição de um Comando de Greve Nacional é um avanço na organização do ME e pode cumprir um papel decisivo a depender de como ele se organiza e das estratégias que seus delegados carregam. Na reunião do comando a maioria dos delegados expressaram posições anti governistas, sendo coerentes com a luta nacional contra a precarização do REUNI. Nesta ala haviam delegados do PSTU, PSOL, independentes e outras correntes. A ala governista era minoritária.

Entretanto, no momento de sistematizar e de encaminha-las, a lógica do que deveria ser um comando de delegados, no qual este deve expressar as ideias da base dos estudantes em assembleia, inverteu-se por completo. As posições e propostas dos estudantes independentes e outras correntes, como a Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), foram simplesmente suprimidas, ao mesmo tempo brotaram da mesa papéis com toda a pauta e programa para a greve, previamente escritos e impressos, sem ninguém minimamente dizer de onde vem, ou em qual assembleia foi votado, ou qual corrente escreveu e ainda tendo que se votar tudo em bloco, sem possibilidade de destaques ou adendos, como a proposta do delegado da UnB (da RECC) de que repudiássemos o novo ENEM e lutássemos pelo fim do vestibular, propostas estas que expressaram apenas as posições do PSTU e do PSOL contra as propostas dos setores governistas.

Numa luta que se enfrenta com o governo e sua política de educação é absolutamente necessário que nos demarquemos, que o comando vote o que opina do REUNI, PNE, etc, como o fez, seguindo propostas do PSOL e PSTU. No entanto não podemos concordar que meramente votar contra estes projetos signifiquem, automaticamente, a constituição de um forte movimento contra o governo sem partir do questionamento profundo da universidade e do sistema educacional no Brasil, que quando é publico, como no caso da educação básica é amplo e precário, mas por outro lado o ensino superior é privatizado tendo somente cerca de 25% dos estudantes que estudam em universidades públicas.

Precisamos que as bases façam isto! Ter delegados sem assembleias (por exemplo a da UFRJ será em julho) é quase a mesma coisa que votar senadores! É votar que estamos elegendo quem milita por nós e não fazer nós mesmos um forte movimento, campus por campus, cidade por cidade.

Para piorar, o comando ficou só nestas votações PSOL-PSTU vs governistas e suprimiu qualquer proposta de independentes e posições mais minoritárias, esta foi a política concreta do PSOL e PSTU (e do governismo como minoria). Com isto suprimiu, não só sua democracia, como qualquer debate real sobre os rumos de nosso movimento.

O desfecho final desta longa noite é que a “melhor” proposta para a condução do conflito e para coordenação do comando é que este se instale em Brasília a partir do dia 25/06 e fique lá por tempo indeterminado para negociar com o governo. Como pode ser que este comando revogável seja controlado desde as bases, se este estará a quilômetros de distancia dela? Fixo, diário. Como as bases decidirão em suas assembleias as posições deste comando? Quem são e quais posições defendem os delegados que poderão ir a Brasília sem previsão de voltar, de como se sustentar? Essa proposta deixa claro como este comando tal como está é incapaz de representar os posicionamentos da base, e portanto de desenvolver a massificação do conflito, e dessa maneira só expressará o controle burocrático e descolado das bases por parte do PSOL e PSTU para conduzir o conjunto da greve e o comando como uma instituição de pressão ao MEC para conseguir migalhas – ficando aquém do potencial de nossa greve de deflagrar um grande movimento crítico ao conjunto do projeto educacional de Dilma.

De que comando precisamos? Precisamos de um comando, revogável, ou seja vinculado a assembleias de base. Democrático que todos estudantes delegados possam fazer aportes, críticas, sugestões. Precisamos de um comando que se articule com cada setor da educação em greve e em luta em todo país. É preciso um comando unificado dos comandos de cada categoria, unificar nossas bases em luta. Um comando das direções do ANDES, Fasubra, não dará vazão a um movimento forte e democrático contra o governo, articulará no máximo, um movimento de pressão para algumas migalhas sem questionar o conjunto do projeto em curso, temos que constituir um comando unificado de todos grevistas. É possível e necessário um outro comando, que exista em função de uma estratégia de massificação do conflito e não de prender-se a pressão a parlamentares, ministros. Para isto é preciso superar debates insossos de quantos bilhões são gastos com assistência estudantil (o governo quer X, o PCdoB-PT junto ao reitores Y, o PSOL W...) mas sim levantar uma pauta sentida por todos estudantes, colocando de pé um movimento que diga em alto e bom som “Nenhum Campus ou centro sem bolsas, conforme a demanda que paguem no mínimo o salário mínimo; nenhum campus sem bandejões gratuitos com funcionários efetivos das universidades; nenhum campus sem alojamento decente e gratuito conforme demanda; nenhum campus sem creche com funcionários efetivos da universidade conforme demanda de todos setores, inclusive terceirizados”.

Colocar de pé um movimento como este permite sentar bases mais reais e sentidas em cada campus para a participação estudantil na greve e colocar de pé um forte movimento nacional contra o projeto de educação do governo, ganhando o apoio da população, arrancando da boca do governo e dos governistas o discurso de expansão e cuidado com os estudantes trabalhadores e pobres e, com a força da base, passando por cima da UNE e fazendo tremer o governo, com um programa à altura dos desafios da educação brasileira.

Por fim, como guia para esta batalha, é fundamental um programa que ofereça pela positiva um projeto de universidade que esteja de fato a serviço da juventude e dos trabalhadores, com um ensino de qualidade e livre acesso, reivindicando 10% do PIB para a educação pública já, chamando o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas.

- Por assembleias de base periódicas que possam controlar e decidir sobre os rumos da nossa greve ! 
Não ao comando descolado das bases em Brasília! Por um comando real dos delegados revogáveis eleitos em assembleias de cada universidade! 
Por um comando que organize a massificação da luta e não sua pressão a parlamentares e ministros! 
Por uma campanha nacional para que todos campi no país tenham todas condições para estudo, trabalho e pesquisa! 
Pela coordenação com todos setores da educação em luta! 
Por um campanha nacional pela retirada de todos processos a estudantes e trabalhadores da UNIFESP, USP, e todas universidades que tem sofrido repressão!

Lutar contra a repressão e as punições! Se atacam um, atacam todos!

É impensável que avancemos em um forte movimento nacional deixando para trás companheiros que são perseguidos por lutar, por justamente se enfrentar com este projeto de educação, os governos e reitores que as implementam. Por isto é preciso fazer uma grande campanha nacional pela retirada de todos processos aos companheiros da UNIFESP, da USP e de todas universidades que tem sofrido repressão e punições!