Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

LUTAR CONTRA A IMPUNIDADE DOS ASSASSINATOS DE HOMOSSEXUAIS EM TODO BRASIL!

Brutal assassinato de jovem por homofobia na Bahia

Por Adriano Favarin, estudante da UNESP/Franca

Dia 24/06, dois irmãos gêmeos que caminhavam abraçados em Camaçari, Bahia, foram brutalmente agredidos a socos, pedradas e facadas, até o assassinato de um deles, por oito homens que alegaram tê-los associado a um casal gay. José Leandro e José Leonardo, 22 anos, saíram do sertão de Pernambuco para a Bahia em busca de trabalho, Leandro é ajudante de produção, o irmão assassinado era operador de empilhadeira, os dois na mesma fábrica de telhas. A namorada de Leonardo, 15 anos, está grávida de 3 meses. “Eu acho que é a homofobia que está surgindo no mundo aí, que homem não pode sair abraçado com outro homem, pai não pode abraçar um filho. Quero que a Justiça vá até o fim.", essa declaração de Leandro, após sair do hospital, é elucidativa para entendermos o quanto a homofobia é uma opressão social que, além do ódio aos homossexuais, representa a resposa violenta a qualquer forma de expressão de afetividade, carinho, de amor, de solidariedade e de compaixão que possa existir entre indivíduos, quando estes são do mesmo gênero.

Além desse caso - que alcançou repercussão nacional mais pelo fato dos rapazes não serem homossexuais do que pela violência homofóbica de fato, inclusive com a Ordem dos Advogados Brasileiros (OAB) solicitando a participação do governo federal na apuração do caso -, na mesma semana, dia 28/06 - Dia do Orgulho Gay - um adolescente homossexual, Lucas, de 15 anos, foi empalado, teve os olhos arrancados e, como recomendam alguns parlamentares brasileiros, “levou um couro” a pauladas até a morte em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Não é coincidência que esse crime de ódio tenha acontecido no mesmo dia (28/06) em que a Câmara de Deputados do Rio de Janeiro organizava uma audiência pública para discutir um projeto de lei conhecido como projeto de "Cura Gay", de autoria do deputado João Campos (PSDB), da bancada evangélica, que visa legalizar a possibilidade do psicólogo emitir julgamentos e tratar a homossexualidade de seus pacientes como transtorno, em contraposição à resolução do Conselho Federal de Psciologia de 1999.

Esses casos emblemáticos de assassinatos, ao serem compreendidos no marco dessa ofensiva do Estado e de seus representantes sobre o controle dos nossos corpos, evidenciam como não se tratam de casos isolados, muito menos consequências de ações individuais, mas sim do reflexo social de um Estado que, para existir enquanto tal, necessita da reprodução da opressão de gênero e da normatividade sexual, e de um governo, Dilma (PT), que às custas de manter o amplo leque de apoios que permitem a sua governabilidade, rifa os direitos democráticos dos setores oprimidos, abrindo espaços cada vez maiores para a ofensiva dos setores homofóbicos e reacionários de sua base aliada. O veto ao kit anti-homofobia, que, mesmo com muitos limites, possibilitaria um debate sobre diversidade sexual dentro das escolas; a campanha e o compromisso do governo em relação à manutenção da ilegalidade do aborto; o empacamento na votação da inclusão de "orientação sexual e identidade de gênero" sobre a lei que pune o preconceito, são somente algumas das ações do governo que fortalecem esses crimes.

O Estado, para manter os interesses de lucro das grandes empresas, precisa controlar os corpos dos indivíduos de forma a que estes estejam objetiva e subjetivamente colocados à serviço da exploração no bojo das relações de produção. É somente dessa perspectiva que conseguimos entender a resistência política às mais tímidas propostas de garantia de direitos democráticos e de autonomia sobre nossos corpos. À mulher, o Estado criminaliza e mantem na ilegalidade o aborto, ao mesmo tempo, não garante as mínimas condições para que uma família pobre e trabalhadora possa criar umx filhx, pois não constrói creches, restaurantes, nem lavanderias públicas. A afetividade entre os homens é recriminada e punida pela repressão moral e agressões físicas, entre as mulheres é incentivada somente enquanto sirva como objeto de prazer para os homens. Os indivíduos que constroem sua sexualidade de maneira distinta do padrão hétero são desde o início dessa construção coagidos à clandestinidade, à vergonha, ao isolamento, à recriminação e, cada vez mais, ao medo, os que rompem a barreira de assumirem sua sexualidade para si e publicamente, acabam o fazendo o mais dentro da norma possível: a normatividade da expressão, moral e valores sexuais machistas, ainda que invertido o padrão hétero socialmente aceito.

A direita na ofensiva

Essa ofensiva dos governos e a garantia da impunidade permitem que setores organizados da extrema-direita levantem a cabeça. A situação de desenvolvimento da crise mundial, que coloca em xeque o projeto histórico da burguesia com a União Européia e que começa a dar mostras, na Grécia, das suas consequências sociais e políticas, como o desmoronamento do centro do regime e o aumento das polarizações, reedita períodos de maiores convulsões sociais, onde os questionamentos sociais vêm atrelados aos questionamentos morais e ideológicos, especialmente no âmbito da sexualidade. É nesse marco que devemos compreender a onda de ataques homofóbicos no Brasil dos últimos 3 anos e nos demais países da América Latina e da própria Europa.

Não podemos esquecer de Daniel Zamudio, jovem homossexual chileno que foi torturado por 6 horas em março por uma gangue neo-nazista, tendo seu corpo mutilado por bitucas de cigarro e pedaços de vidro, suas pernas quebradas e sua cabeça apedrejada, o que levou a sua morte. Desde o PTR – organização irmã da LER-QI, no Chile –, saímos em uma enorme campanha pela punição dos assassinos de Daniel, denunciando o governo e as instituições do Estado como principais responsáveis na sustentação da discriminação mediante expulsões, demissões, segregações, injerência moral da Igreja na educação pública, na família, na educação sexual, nas leis como o matrimônio heterossexual excludente e inclusive na proibição de troca de carícias entre pessoas do mesmo sexo, que demonstram que persiste o conservadorismo e a opressão herdadas da ditadura de Pinochet que tem sido sustentada pelos principais partidos do atual regime, seja no governo dos herdeiros diretos - a RN e a UDI, do atual presidente Piñera - seja da Concertación, que dirigiu durante 20 anos a transição pactuada com o regime pinochetista.

A Igreja sempre presente!

É emblemático o papel que cumprem as instituições nessa reprodução. É desde dentro das igrejas, onde a sua moral sexualmente repressora e machista invoca a autoridade divina para defender a castidade, a subordinação da mulher ao homem e a heteronormatividade, que surgem os casos mais aberrantes de pedofilia e abusos praticados e encobertos pelos próprios padres e bispos, são com esses "valores" que a Igreja se acha no direito de falar de moral e se intrometer no nosso sexo? É uma hipocrisia deslavada essxs senhorxs defenderem que uma família deve ser formada pela figura de um pai e de uma mãe para que a criança possa ser melhor educada, quando cresce enormemente o número de lares brasileiros sustentados por mães solteiras e, principalmente, quando na realidade dos lares das famílias trabalhadoras, tanto o pai quanto a mãe são obrigados a deixar horas e horas de suas vidas nas fábricas e locais de trabalho em horas-extras e turnos rotativos e aos finais de semana, não tendo tempo ao menos para ver xs seus/suas filhxs crescerem.

Desde o PTS – organização irmã da LER-QI, na Argentina –, fomos parte da enorme luta da comunidade LGBTTI pelo matrimonio igualitário e a lei de gênero, com uma enorme campanha para que fosse assegurada a igualdade de direitos e que os "valores familiares" não fossem utilizados para discriminar ainda mais xs homo e transsexuais. Como marxistas revolucionários entendemos a legislação da união entre as pessoas como um contrato que assegura a propriedade doentia do homem sobre a mulher e dos pais sobre os filhos e lutamos por uma sociedade livre das cadeias de necessidades econômicas e psicológicas onde as pessoas possam se relacionar livremente como desejarem e consentirem mutuamente. Porém, mesmo sendo essa nossa luta e sabendo que a igualdade de direitos civis para homo e transsexuais não acaba com a opressão, não somos indiferentes ao fato de que, para alguns, o casamento significa proteção legal e econômica de seu/sua parceirx, assistência médica, salário familiar, direitos trabalhistas com x cônjuge, etc., ainda que para a grande maioria da população que trabalha sob condições precárias, terceirizadxs, sem direitos sociais ou aposentadorias, nem essas possibilidades legais existam.

Nos organizarmos para conquistar nossos direitos

No Brasil estão abertas inúmeras questões referentes aos homossexuais e precisamos nos organizar para garantir nossos direitos. A luta contra a impunidade, o combate ao projeto de lei que visa legalizar a ’cura-gay’, a garantia de uma educação sexual que prime pela diversidade nas escolas e a defesa do casamento igualitário em plena igualdade de direitos são algumas das bandeiras que hoje movimentam os homossexuais e vem pautando recorrentemente os debates políticos nacionais. Não podemos confiar que o Estado vá acabar com esses crimes, menos ainda que a polícia possa assegurar nossa defesa quando sabemos que são estes os primeiros a ridicularizar, humilhar, agredir, acobertar ou diretamente assassinar xs homossexuais e, principalmente, as travestis, nem podemos nos iludir que a aprovação da PLC 122 venha a inibir os crimes de ódio se se mantém esse clima de ataques ideológicos e de moral reacionária aberta sem nenhuma resposta a altura. É necessário que xs homossexuais saiamos da passividade imposta hoje pelos dirigentes dos movimentos, que fizeram das Paradas Gay um espaço a serviço do capital e das grandes empresas de turismo e comércio. Precisamos voltar a nos organizar como fizeram em 1969, em Stonewall, encabeçadxs pelas travestis, em uma rebelião espontânea contra a repressão policial e durante toda a década de 70 com grupos que buscaram se organizar e se unificar com os demais setores oprimidos, mulheres e negrxs, para se defender e para lutar pelos seus direitos, buscando, como o grupo SOMOS, durante o ascenso operário do ABC no Brasil, a aliança com os metalúrgicos, tendo sua delegação sido ovacionada pelos operários que entendem que a discriminação só serve para debilitar nossa unidade contra a exploração e opressão que sofremos.

É uma tarefa primordial para a esquerda no Brasil se colocar na linha de frente da luta contra a impunidade desses crimes, é necessário colocar as organizações de direitos humanos, as entidades estudantis, mas especialmente os sindicatos que a esquerda dirige, na linha de frente da luta pela punição dos responsáveis pelas inúmeras mortes de homossexuais. A cada 3 dias dois homossexuais são violentamente assassinados no Brasil, de acordo com dados oficiais, e sabemos que é muito mais, pois muitos crimes claramente de homofobia são enquadrados como latrocinio, como o caso do adolescente Lucas, de 15 anos, de Volta Redonda. Precisamos nos organizar para marcharmos nas ruas exigindo o fim da impunidade aos assassinos, agressores, ideólogos, pastores e parlamentares que fazem apologia à homofobia e à violência contra xs homossexuais, exigir direito de união civil e adoção igualitários e uma educação sexual nas escolas que seja organizada pelos grupos de ativistas do movimento homossexual e de mulheres! É nas ruas que vamos garantir nossos direitos, nossos corpos, nossos prazeres e nossas vidas, nos organizando por fora das direções tradicionais que vêem no movimento homossexual uma fonte de renda nas ricas Paradas Gays e nas vantagens e privilégios garantidos pelas mesmas. Paradas essas que são extremamente lesbofóbicas, misóginas e machistas. Como diziam, na França, na década de 70, xs homossexuais organizados na Frente Homossexual de Ação Revolucionária (FHAR): "Uma boate, o reinado da grana, ali se dança entre homens, ali uns apreciam os outros como mercadoria: a sociedade hetero-policial nos tem de volta". É hora de gritarmos novamente para a sociedade: "os gays estão nas ruas! Viva a revolução total!"

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O POTENCIAL DA NOSSA GREVE EM PERIGO

GREVE DAS FEDERAIS - UM PRIMEIRO BALANÇO DO COMANDO NACIONAL DE GREVE  
por Juventude As Ruas RJ
 

Uma grande greve da educação está em curso em nosso país. Greve de professores, técnicos, estudantes, e cresce a cada dia com a entrada das escolas técnicas e novas universidades. Nos levantamos contra a politica de precarização e privatização da educação. A politica de Dilma é desgastar os professores, ao passo que seu braço no ME, a direção majoritária da UNE (PCdoB e PT) dá passos para tentar desviar o movimento a partir de reivindicar pequenas alterações nos planos do governo para a educação, ou seja eles militam para que aceitamos o projeto em curso que é privatizante e precarizador. O governo faz ouvidos moucos, adia negociações com os professores, sequer marca negociações com técnicos-administrativos e com nós estudantes. Releva sua absoluta despreocupação com a educação.

Porém nosso movimento é forte e pode ser um grande passo para questionar o sistema educacional do país e a política do governo. Para isto é preciso derrotar os agentes do governo no movimento que querem desviá-lo a alterar algo, mas manter o projeto em curso e superar as alas majoritárias do comando nacional dos estudantes em greve (PSOL e PSTU) que também querem um movimento limitado a pequenas conquistas sem questionar o conjunto do projeto educacional, a elitização das universidades, etc.

Um forte movimento que tem como motor o questionamento à política educacional de Dilma

Dia 18/06 ocorreu no Campus da Praia Vermelha da UFRJ a primeira reunião do Comando Nacional de Greve das Universidades Federais, com 56 delegados e mais de 350 estudantes de todo o país. Diante da precarização da educação em cada universidade, os estudantes se somaram a greve dos professores. A falta de estrutura física para aulas e laboratórios, a falta de professores e as atuais precárias condições de trabalho, a inexistência de assistência estudantil suficiente para os estudantes de baixa renda, a criação de centros de excelência ao lado de cursos e currículos precarizados, como os de licenciatura e a privatização desde dentro das universidades com as fundações privadas, HUs. Todos estes elementos constituem a Reforma Universitária do Governo Federal, o tão propagandeado REUNI. Isto é parte de um projeto de conjunto, o PNE. O PNE não só garante crescente privatização do sistema educacional, como sequer questionar que suas metas nunca são cumpridas – tudo isto vendido como avança no acesso à educação pelo governo e governismo.

Precisamos tirar das mãos do governo e de seu braço no Movimento estudantil, a ala majoritária da UNE (PCdoB e PT) – financiado com recursos dos impostos dos trabalhadores –, o discurso demagógico de democratização da educação, que é utilizado para justificar a expansão precarizada do REUNI, com destino de verbas publicas para os monopólios privados da educação, como o PROUNI, FIES e o PRONATEC, e com a farsa do fim do vestibular que é o Novo Enem/SiSu. No comando mais uma vez a ala majoritária da UNE mostrou sua cara, defendendo o governo e suas reformas, mostrando como hoje, apesar da UNE reunir centenas de entidades em seus congressos, sua atuação no Comando, expressa pelo posicionamento de meia dúzia de delegados, é embelezar a política educacional do governo propondo que façamos pressão a que algum deputado petista ou do PCdoB faça alguma emenda no PNE por alguma migalha, mas obviamente sem questionar o rumo geral do projeto do governo.

Um comando nacional precisa de assembleias de base, de um programa para massificação do conflito e uma estratégia independente!

A constituição de um Comando de Greve Nacional é um avanço na organização do ME e pode cumprir um papel decisivo a depender de como ele se organiza e das estratégias que seus delegados carregam. Na reunião do comando a maioria dos delegados expressaram posições anti governistas, sendo coerentes com a luta nacional contra a precarização do REUNI. Nesta ala haviam delegados do PSTU, PSOL, independentes e outras correntes. A ala governista era minoritária.

Entretanto, no momento de sistematizar e de encaminha-las, a lógica do que deveria ser um comando de delegados, no qual este deve expressar as ideias da base dos estudantes em assembleia, inverteu-se por completo. As posições e propostas dos estudantes independentes e outras correntes, como a Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), foram simplesmente suprimidas, ao mesmo tempo brotaram da mesa papéis com toda a pauta e programa para a greve, previamente escritos e impressos, sem ninguém minimamente dizer de onde vem, ou em qual assembleia foi votado, ou qual corrente escreveu e ainda tendo que se votar tudo em bloco, sem possibilidade de destaques ou adendos, como a proposta do delegado da UnB (da RECC) de que repudiássemos o novo ENEM e lutássemos pelo fim do vestibular, propostas estas que expressaram apenas as posições do PSTU e do PSOL contra as propostas dos setores governistas.

Numa luta que se enfrenta com o governo e sua política de educação é absolutamente necessário que nos demarquemos, que o comando vote o que opina do REUNI, PNE, etc, como o fez, seguindo propostas do PSOL e PSTU. No entanto não podemos concordar que meramente votar contra estes projetos signifiquem, automaticamente, a constituição de um forte movimento contra o governo sem partir do questionamento profundo da universidade e do sistema educacional no Brasil, que quando é publico, como no caso da educação básica é amplo e precário, mas por outro lado o ensino superior é privatizado tendo somente cerca de 25% dos estudantes que estudam em universidades públicas.

Precisamos que as bases façam isto! Ter delegados sem assembleias (por exemplo a da UFRJ será em julho) é quase a mesma coisa que votar senadores! É votar que estamos elegendo quem milita por nós e não fazer nós mesmos um forte movimento, campus por campus, cidade por cidade.

Para piorar, o comando ficou só nestas votações PSOL-PSTU vs governistas e suprimiu qualquer proposta de independentes e posições mais minoritárias, esta foi a política concreta do PSOL e PSTU (e do governismo como minoria). Com isto suprimiu, não só sua democracia, como qualquer debate real sobre os rumos de nosso movimento.

O desfecho final desta longa noite é que a “melhor” proposta para a condução do conflito e para coordenação do comando é que este se instale em Brasília a partir do dia 25/06 e fique lá por tempo indeterminado para negociar com o governo. Como pode ser que este comando revogável seja controlado desde as bases, se este estará a quilômetros de distancia dela? Fixo, diário. Como as bases decidirão em suas assembleias as posições deste comando? Quem são e quais posições defendem os delegados que poderão ir a Brasília sem previsão de voltar, de como se sustentar? Essa proposta deixa claro como este comando tal como está é incapaz de representar os posicionamentos da base, e portanto de desenvolver a massificação do conflito, e dessa maneira só expressará o controle burocrático e descolado das bases por parte do PSOL e PSTU para conduzir o conjunto da greve e o comando como uma instituição de pressão ao MEC para conseguir migalhas – ficando aquém do potencial de nossa greve de deflagrar um grande movimento crítico ao conjunto do projeto educacional de Dilma.

De que comando precisamos? Precisamos de um comando, revogável, ou seja vinculado a assembleias de base. Democrático que todos estudantes delegados possam fazer aportes, críticas, sugestões. Precisamos de um comando que se articule com cada setor da educação em greve e em luta em todo país. É preciso um comando unificado dos comandos de cada categoria, unificar nossas bases em luta. Um comando das direções do ANDES, Fasubra, não dará vazão a um movimento forte e democrático contra o governo, articulará no máximo, um movimento de pressão para algumas migalhas sem questionar o conjunto do projeto em curso, temos que constituir um comando unificado de todos grevistas. É possível e necessário um outro comando, que exista em função de uma estratégia de massificação do conflito e não de prender-se a pressão a parlamentares, ministros. Para isto é preciso superar debates insossos de quantos bilhões são gastos com assistência estudantil (o governo quer X, o PCdoB-PT junto ao reitores Y, o PSOL W...) mas sim levantar uma pauta sentida por todos estudantes, colocando de pé um movimento que diga em alto e bom som “Nenhum Campus ou centro sem bolsas, conforme a demanda que paguem no mínimo o salário mínimo; nenhum campus sem bandejões gratuitos com funcionários efetivos das universidades; nenhum campus sem alojamento decente e gratuito conforme demanda; nenhum campus sem creche com funcionários efetivos da universidade conforme demanda de todos setores, inclusive terceirizados”.

Colocar de pé um movimento como este permite sentar bases mais reais e sentidas em cada campus para a participação estudantil na greve e colocar de pé um forte movimento nacional contra o projeto de educação do governo, ganhando o apoio da população, arrancando da boca do governo e dos governistas o discurso de expansão e cuidado com os estudantes trabalhadores e pobres e, com a força da base, passando por cima da UNE e fazendo tremer o governo, com um programa à altura dos desafios da educação brasileira.

Por fim, como guia para esta batalha, é fundamental um programa que ofereça pela positiva um projeto de universidade que esteja de fato a serviço da juventude e dos trabalhadores, com um ensino de qualidade e livre acesso, reivindicando 10% do PIB para a educação pública já, chamando o fim do vestibular e a estatização das universidades privadas.

- Por assembleias de base periódicas que possam controlar e decidir sobre os rumos da nossa greve ! 
Não ao comando descolado das bases em Brasília! Por um comando real dos delegados revogáveis eleitos em assembleias de cada universidade! 
Por um comando que organize a massificação da luta e não sua pressão a parlamentares e ministros! 
Por uma campanha nacional para que todos campi no país tenham todas condições para estudo, trabalho e pesquisa! 
Pela coordenação com todos setores da educação em luta! 
Por um campanha nacional pela retirada de todos processos a estudantes e trabalhadores da UNIFESP, USP, e todas universidades que tem sofrido repressão!

Lutar contra a repressão e as punições! Se atacam um, atacam todos!

É impensável que avancemos em um forte movimento nacional deixando para trás companheiros que são perseguidos por lutar, por justamente se enfrentar com este projeto de educação, os governos e reitores que as implementam. Por isto é preciso fazer uma grande campanha nacional pela retirada de todos processos aos companheiros da UNIFESP, da USP e de todas universidades que tem sofrido repressão e punições!

terça-feira, 19 de junho de 2012

DO QUESTIONAMENTO DA REPRESSÃO SEXUAL PARA A SUPERAÇÃO DA SOCIEDADE DO CAPITAL! E vice-versa...

por Adriano, estudante de historia da UNESP de Franca

No dia 20/05/12, a Rede Globo de Televisão, por meio do programa “Fantástico”, trouxe ao ar uma declaração da apresentadora infantil Xuxa Meneghel de que havia sido abusada sexualmente na infância por um amigo do pai. Nas semanas seguintes várias emissoras e revistas midiáticas se utilizaram do tema para organizarem suas reportagens e programas.

O intuito desse artigo é abrir uma reflexão mais profunda sobre a formação da sexualidade e de algumas de suas diversas manifestações doentias dentro do sistema capitalista, buscando compreender onde se assentam suas origens e assim como combatê-las e superá-las. A conclusão busca demonstrar como a Rede Globo se utiliza desse fato, infelizmente corriqueiro na realidade de inúmeras familias, não para combatê-lo, mas para reforçá-lo, na medida que reproduz imagens, histórias, tomadas e vídeos que, ao contrário de favorecerem a coragem nas vítimas para denunciarem os abusos, reforça o nível da violência, da repressão e das ameaças por parte dos abusadores. Afinal, como tentaremos demonstrar, essa mesma mídia, por meio da ideologia sexualmente inibidora, machista e opressora transmitida nos seus pogramas, e, por isso, uma das principais responsáveis pela reprodução desse desvio sexual doentio, não é capaz e nem tem o interesse de solucionar a raiz desse problema, que é a crise sexual que assola hoje a humanidade.


Da repressão da livre-expressão da sexualidade infantil à construção de adultos sexualmente doentes


Há um século falar sobre a sexualidade infantil era não só um tabu – como ainda hoje o é –, mas era um tema ausente na própria literatura científica. Hoje, ainda que a literatura tenha avançado – especialmente desde Freud – para incluir na análise do desenvolvimento infantil o fator do desenvolvimento da sexualidade, ainda é muito presente no senso comum a compreensão de que o instinto sexual só desperte no período de puberdade, e as explicações das características e reações dos adultos ainda continuam sendo buscadas em ‘possíveis’ problemas hereditários ou ‘supostos’ problemas psíquicos de nascença. Foi desde a inclusão da sexualidade infantil no estudo científico que se pôde avançar para compreender a formação do caráter dos adultos, as doenças e sanidades sexuais e psíquicas da humanidade, o papel da moral e dos valores sociais na formação da sexualidade do indivíduo desde a mais tenra infância, assim como na determinação de quais padrões são considerados sãos e quais doentis dentro da sociedade e a função que cumpre tanto as relações de produção e de propriedade com suas imposições de normas hierárquicas, autoritárias e de submissão na construção da identidade de sexo e de gênero dos indivíduos qanto, destas imposições, na reprodução das relações de produção dentro do sistema capitalista.

“Uma característica da ideia popular sobre o instinto sexual é que ele esta ausente na infância e só desperta no período da vida descrito como puberdade. Isto, contudo, não é puramente um erro simples, mas um erro que tem tido várias consequências, pois é principalmente a esta ideia que devemos nossa atual ignorância das condições fundamentais da vida sexual. Um estudo completo das manifestações sexuais da infância provavelmente revelaria os caracteres essenciais do instinto sexual e nos mostraria o curso de seu desenvolvimento e a maneira pela qual ele se consolida a partir de várias fontes.

É digno de nota que escritores que se preocupam em explicar as características e reações do adulto tenham dedicado muito mais atenção ao período primitivo que é abrangido pela vida dos ancestrais do indivíduo – isto é, tenham atribuído muito maior influência à heredtariedade – do que ao outro período primitivo, que se situa dentro da vida do próprio indivíduo – ou seja, a infância. (...)”

Freud, Sigmund. Três Ensaios sobre sexualidade

É somente compreendendo que “não há período em que a capacidade de receber e reproduzir impressões seja maior do que precisamente os anos da infância” (idem) e que “as mesmas impressões que esquecemos deixaram, não obstante, os mais profundos traços em nossas mentes e tiveram um efeito determinante sobre a totalidade do nosso desenvolvimento subsequente”(ibidem), que podemos enxergar, de fato, o papel que cumpre, em primeiro lugar, a educação familiar e em segundo, a educação religiosa, escolar e a mídia na construção da sanidade ou não do desenvolvimento e da sexualidade do indivíduo. Negar a existência da sexualidade na infância, ao mesmo tempo em que se educa o indivíduo sob a influência da moral sexual repressora da Igreja, da hierarquia patriarcal familiar e dos valores identitários socialmente pré-determinados e heteronormativos da mídia e da escola, significa, na prática, construir um indivíduo sexualmente hipócrita e eternamente em contradição e crise entre a satisfação dos seus anseios e desejos naturais e a repressão moral imposta pela sociedade.

A superação de cada uma das contradições pode se dar pela vitória da satisfação dos desejos, por meios torpes – de maneira escondida, culpabilizada, construindo o caráter de um indivíduo receoso, incompleto, que viverá assombrado pela combinação: desejo, vergonha, satisfação e culpa –; pela vitória da imposição moral social – construindo um indivíduo submisso às normas e às imposições hierárquicas, casto e internamente doente, eternamente culpado simplesmente por desejar –; ou, por fim, pela sublimação, recalque ou reacionamento dos desejos insatisfeitos por outras formas de satisfação, moralmente aceitas, e pela formação de um caráter disposto a defender com unhas e dentes esses valores, pois ruir com tais bases, significaria retornar às velhas contradições há tempos enclausuradas e ‘esquecidas’. A sociedade, tal qual ela é, só é capaz de construir indivíduos sexualmente doentes e socialmente insanos, em maior ou menor medida, a depender das distintas combinações das superações dessas contradições nas distintas fases de desenvolvimento do indívuduo, sendo a infância o período de concentração da maioria destas fases.

A família compulsória como a principal célula cancerígena. A Igreja e a escola como propulsores da metástase

Dentro da familia a criança se relaciona com pais doentes. Visualiza, assimila e reproduz as relações familiares no seu dia-a-dia. A família atual, como microcosmo do que é a organização do Estado, é, por excelência, o espaço de construção do ser social adaptado – física, psíquica e moralmente – para ser incluído nas relações de produção e propriedade do sistema, ou seja, é o espao privilegiado da construção de adultos doentes. Também, por ser visto como um espaço privado, é o local onde os adultos doentes vão buscar a satisfação dos seus desejos socialmente reprimidos, seja na relação machista entre marido e mulher, na relação autoritária entre pai/mãe e filhxs e na reprodução mais ou menos semelhante dessas relações entre irmãos e irmãs, mais velhos e mais novos.

Ele [pai patriarcal] é, por assim dizer, o expoente e representante da autoridade estatal na família. Devido à contradição entre a sua posição no processo de produção (subordinado) e a sua função familiar (chefe), ele é lógica e tipicamente uma espécie de primeiro-sargento; submete-se aos que estão acima dele, absorvendo totalmente os pontos de vista dominantes (daí a sua tendência para a imitação), e domina os que estão abaixo dele; transmite os pontos de vista governamentais e sociais e os faz respeitar. (...)
a mãe, quando não é obrigada a procurar seu sustento fora do lar, cada vez mais procuram nas crianças o conteúdo da vida – e em prejuízo delas descobrem que nisso os filhos desempenham o papel de cachorrinhos de estimação, que se podem amar, mas também maltratar à vontade, que a atitude emocional dos pais os torna completamente inadequados para a educação, são fatos muito corriqueiros (...)

Reich, Wilhelm. A Revolução Sexual

Entre essas satisfações também se incluem as diretamente sexuais, especialmente entre irmãxs, primxs, amigxs de idade próxima, seja no seio da família, na igreja, no bairro, no condomínio ou na escola, as quais, na primeira vez, sofrem repressão direta dos adultos (pais, professorxs) quando descobertas, construindo na criança a ideia de que a expressão da sexualidade é algo errado/feio/ruim e, quando buscada posteriormente, vem acompanhadas de culpa, repugnância, vergonha, medo e da necessidade do anonimato.

É dessa repressão que se origina primariamente a maioria dos distúrbios amorosos mais tarde (...). Em primeiro lugar, não haveria nenhuma repressão (...) se lhe fosse permitido [aos meninos] o jogo genital com as meninas de sua idade, bem como o onanismo [a masturbação] socialmente. Não se admite de boa vontade que tais jogos sexuais ("brincar de doutor", etc.) sempre acontecem, onde crianças se encontram em companhia de outras por tempo prolongado; realizam-se, no entanto, com plena consciência da proibição de tais atividades e, portanto, com sentimentos de culpa e fixações prejudiciais a tais jogos. A criança que não ousa praticar tais jogos, quando para isso tem oportunidade, é candidata certa a graves prejuízos em sua vida sexual posterior por obedecer aos princípios da educação familiar.[i]

Reich, Wilhelm. A Revolução Sexual

Também influenciam na construção sexual do indivíduo a diferenciação social entre homem e mulher, a atitude de reprodução ou reação do filho ou da filha frente às relações de violência, machismo, autoritarismo e submissão entre pai e mãe, a assimilação dos papéis socialmente designados para cada gênero, etc. O papel que cumpre a moral cristã na subjugação da mulher, na castidade, na repressão sexual e na formação do indivíduo para os valores do casamento, como a monogamia, a fidelidade sexual e a propriedade matrimonial e a reprodução desses valores em larga escala por meio da mídia, programas de auditório, novelas, programas infantis, propagandas, indústria de brinquedos, etc., também são essenciais na construção desse indivíduo reprimido.

É sob toda essa influência social que se constrói um adulto sexualmente doente em vários aspectos, incapaz de manter relações sexuais e sociais saudáveis. Entre estes, alguns indivíduos impotentes, covardes e incapazes de se dirigir a qualquer outro objeto sexual para satisfazer seus desejos, se utilizam da fraqueza e impotência de reação de uma criança. A legítima curiosidade interessada da criança, tolhida de satisfazer saudavelmente tal curiosidade com outras crianças pela repressão sexual imposta pelos adultos, se torna um álibi para a consumação do abuso. Não é por acaso que a maioria absoluta dos casos de abuso sexual de crianças se encontre dentro da própria família ou dentro da Igreja. Em 1905, Freud apontava que “abusar sexualmente de crianças [era] prática inquietantemente frequente entre professores e simplesmente porque [eram] eles que [tinham] mais oportunidade de fazê-lo” (Freud, Três Ensaios sobre sexualidade), hoje, as mudanças na instituição escolar e na relação aluno-professor (com exceção dos internatos) transferiu a visibilidade e a maior oportunidade da realização do abuso para os antros sagrados das Igrejas e para o seio da própria família.

Essa sociedade, nucleada na instituição familiar, não pode garantir a construção de um indivíduo sem recalques, sublimações, receios, imposições, angústias e insatisfações, em suma:

“a repressão das necessidades sexuais se reflete ainda num enfraquecimento geral das funções intelectuais e emocionais, principalmente da auto-segurança, da força de vontade e da capacidade de crítica (...) A estrutura de vassalo é uma mistura de impotência sexual, indefensabilidade, necessidade de apoio, ânsias de liderança, temor da autoridade, medo da vida e misticismo. É caracterizada pela inclinação para a rebeldia e vassalagem ao mesmo tempo. O temor sexual e a hipocrisia sexual constituem o núcleo daquilo que chamamos comodismo burguês”

Reich, Wilhelm. A Revolução Sexual

As demais esferas sociais de formação tampoco podem eliminar tais insatisfações e recalques, muito pelo contrário, assentam essa repressão e criam ainda outras. A origem da formação sexual doentia de toda a humanidade, hoje, esta ligada com a sociedade organizada em classes, e só pode avançar satisfatoriamente à sua superação nas bases de outra organização social, que transforme o papel da familia emancipando a criança do julgo auoritário, consevador e moralista dos pais, que garanta uma relaçao comunitária sadia e livre entre as crianças, que elimine a busca do lucro nas industrias do consumo com sua planificação sob controle dos trabalhadores, que elimine os vínculos estatais com os valores e morais cristãos/religiosos e que coloque a educação a serviço da autonomia e da emancipação, fazendo da escola um espaço coletivo do livre pensar, viver e praticar.

Como a família compulsória se encontra economicamente fundida com a sociedade autoritária, seria muita ingenuidade esperar que os seus efeitos e influências possam ser erradicados dentro dessa sociedade. Tais efeitos e influências se encontram na própria situação da família e, pelos mecanismos inconscientes da estrutura impulsional, acham-se inextricavelmente entranhados no indivíduo isolado.

Reich, Wilhelm. A Revolução Sexual

De adultos sexualmente doentes à sujeitos emancipados, independentes, livres e sexualmente saudáveis
Ainda que a unica forma possível e real de combater as doenças psíquicas e sexuais construídas nos adultos desde à infância seja com a transformação das bases da sociedade para outra assentada em relações de produção e de propriedade que caminhem para uma sociedade sem classes, livre e emancipadora; a luta pela transconstrução do adulto crescido doente em um adulto com cada vez maior possibilidade e liberdade para combater essa formação doentia em si e nos demais é imprescindível para efetivar a transformação dessa sociedade, afinal “a repressão da vida amorosa infanto-juvenil provou, graças às pesquisas da economia sexual e individual, ser o mecanismo básico da criação de indivíduos submissos e escravos econômicos”(idem).

Essa relação dialética entre a superação do sistema econômico com a superação da repressão sexual é central de ser debatida tanto por todxs aqueles que se reivindicam revolucionárixs e que constroem organizações políticas da classe operária na perspectiva da formação de um partido dos trabalhadores, sem patrões, organizado de maneira soviética, para derrubar o capitalismo por outra base econômica de organização da produção e social de organização das relações, quanto por todxs aqueles que militam dentro das disntintas militâncias sexuais (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgênero) e de gênero na luta pela garantia da afirmação, da visibilidade, da igualdade e de direitos. Se umx “revolucionárix” enxerga nas questões da sexualidade apenas uma discussão de opressão, ou um espaço político para a construção partidária, sem compreender que a organização destes setores é o grito daquelxs que enfrentaram certas normas sociais e morais quando este se calou e se reprimiu, sem ser este também sujeito no enfrentamento das morais, valores e instituições que o formaram enquanto ser consciente, alienado e ideologizado, então elx jamais será capaz de lutar fielmente por uma outra sociedade. Da mesma forma, umx militante LGBTT ou feminista que não compreenda que qualquer conquista dentro do sistema capitalista se torna seu inverso, pois as bases que sustentam o Estado e a burguesia necessitam da repressão sexual – acompanhe ela os ventos políticos da imposição autoritária, da naturalização irônica, da transferência indireta ou da ideologização subliminar – além de ser utópico, é reacionário, pois se corporativiza na satisfação individual momentânea e não na busca da realização do coletivo e da humanidade, e, portanto, incapaz de lutar seriamente contra a opressão e a repressão sexual enquanto superestruturas sociais.

Trata-se, inequivocamente sempre sem qualquer possibilidade de mistificação social, de se afirmar integralmente, de ajudar e assegurar, as manifestações livres e sadias da vida dos recém-nascidos, das crianças, dos adolescentes, das mulheres e dos homens, ou de se reprimi-las ou aniquilá-las, seja com que ideologia ou pretexto, seja no interesse deste ou daquele Governo, "proletário" ou "capitalista", seja ainda em nome desta ou daquela religião, judaica, cristã ou budista. Isso vale inequivocamente em qualquer lugar e enquanto houver vida, se é que se quer acabar de uma vez por todas com o embuste organizado das massas humanas trabalhadoras; se é que se quer demonstrar pela ação que os ideais democráticos o são a sério.

Reich, Wilhelm. A Revolução Sexual

A Rede Globo de Televisão, a moral do IBOPE e do capital, ainda que apoiado sobre o aumento da violência sexual

Para além da discussão acerca do sensacionalismo por trás do ressurgimento da sênior apresentadora infantil, Xuxa Meneghel, que estava relativamente sumida; para além do foco do programa de reportagem mais assistido pela população brasileira (o Fantástico) – e dos demais nas seguintes semanas – ter sido sobre a Xuxa, em meio a uma situação política nacional com graves descobertas de corrupção envolvendo governo, oposição, grandes monopólios, global-players nacionais – ou seja, grande parte da burguesia brasileira – em atividades lícitas e ilícitas e uma greve nacional dos professores e trabalhadores das Universidades Federais, com forte apoio estudantil; o que, de fato, incomoda é a utilização do tema de abuso sexual infantil, e não outro, para garantir o desvio do foco da política nacional e a reaparição da Xuxa na TV.

A utilização consciente desse tema só pode ser compreendida se retomarmos as últimas movimentações a nível programático da Rede Globo em meio aos dois eventos mais aguardados pela burguesia nacional, não é desconhecida a relação dos Roberto Marinho com distintos setores empresariais brasileiros, como o ramo de turismo – envolvendo hotéis, restaurantes, municípios, Estados e governos – e também, haja vista a relação da Revista Veja – Editoras Abril – com o escândalo do ‘jogo do bixo’ do Cachoeira-Delta, não podemos descartar as possíveis relações entre os Roberto Marinho e práticas ilícitas e ilegais, como o turismo sexual. A Globo lançou mão no início do ano de uma mini-série a ser transmitida mundialmente, de nome “As Brasileiras”, na qual retrata distintas mulheres, com distintos comportamentos estigmatizados, de distintos Estados e com distintas pretensões sexuais; também podemos ver nas suas novelas a construção de um Brasil e de um esteriótipo de brasileirxs para ser comercializado aos gringos como propaganda das belezas e riquezas nacionais (onde a mulher é um destes belos objetos para ser consumido).

É no marco da Rede Globo conformando seus maiores quadros humorísticos – se é que podemos chamá-los assim –, como Casseta e Planeta e Zorra Total, na naturalização do assédio sexual, na satirização da violência à mulher, do feminicídio e do machismo e no aprimoramento da construção da mulher-objeto, e objeto à serviço do interesse sexual dos homens. É entre uma propaganda de bonecas e brinquedos infantis, cada vez mais sexualizados, e a exportação de produtos musicais como “Ai, se eu te pego!” que a Rede Globo de Televisão apresentou alguns depoimentos, imagens e vídeos de casos de abuso sexual infantil. Longe de querer denunciar esses abusos, os interesses da Rede Globo ficam bem claro contextualizados com seus demais programas, que são de vitrine para o turismo, inclusive o sexual – com sua respectiva construção moral –, no Brasil da Copa e das Olimpíadas.

A apresentação pública desses casos de abuso, longe de acuar os abusadores, só podem fazer garantir maior cuidado e maior repressão e exigência sobre a criança por parte do abusador. Da mesma forma que não se elimina a existência do roubo, prendendo aquele que se torna ladrão devido às desigualdades desse sistema, senão extirpando a existência da desigualdade; não se combate a existência do abuso sexual infantil pela publicização da sua existência e das formas judiciais de acusação e prisão do indivíduo que a comete, a não ser eliminando os fatores repressores morais, tradicionais e patriarcais que constroem os indivíduos para uma sexualidade doentia – fatore que a prórpia Rede Globo reproduz. Essa eliminação só pode se dar na luta conjunta por uma outra organização social e econômica, que só pode passar pela construção do socialismo em direção ao comunismo.




[i] Nesse trecho em específico, Reich aparenta uma negligência sobre a possibilidade dos jogos sexuais infantis acontecerem entre indivíduos do mesmo sexo. Porém, ainda que possamos fazer uma discussão crítica da maneira mecânica com que Reich reproduz o processo de inversão apontado por Freud - e inclusive do prórpio processo -, nessa questão em especial - da construção da sexualidade infantil - ele aponta nesse mesmo livro a possibilidade dos jogos sexuais infantis se darem tanto entre crianças do mesmo sexo biológico, quanto do sexo oposto.
Também em sua época a masturbação masculina era ainda mais reprimida do que hoje, o que levava à feminina a nem ser cogitada. Obviamente que podemos, tranquilamente, expandir a concepção sobre a qual trata do onanismo (masturbação) infantil para toda a criança independentemente do seu gênero biológico (masculino/feminino).

sábado, 16 de junho de 2012

LIBERDADE IMEDIATA AOS ESTUDANTES DA UNIFESP

Nota da LER-QI E DA JUVENTUDE ÀS RUAS

Ontem num ato de mais de 200 estudantes da Unifesp contra repressão e precarização da educação nas universidades federais, a polícia reprimiu, feriu manifestantes e prendeu 25 estudantes, que seguem presos até o momento na Polícia Federal na Lapa em São Paulo, sob a ameaça de ficarem detidos até segunda feira. Na semana passada, a Polícia Militar desalojou violentamente a ocupação do prédio da Unifesp Guarulhos e prendeu 46 estudantes. A Reitoria e a Polícia Federal ameaçam imputar contra os ativistas do movimento os crimes de dano ao patrimônio público, constrangimento ilegal e até mesmo formação de quadrilha, ameaçando prendê-los no Centro de Detenção de Pinheiros.


Essa brutal repressão na UNIFESP deixa o saldo de 57 estudantes presos, num processo de mobilização nacional com 52 universidades federais em greve de docentes e servidores e 21 universidades com greve estudantil, no qual os estudantes da Unifesp foram linha de frente entrando em greve desde março e ocupando a universidade em maio, denunciando ao país todo a precarização e privatização das universidades federais no saldo de 5 anos de REUNI.

No estado de São Paulo é pratica recorrente das Reitorias utilizar a repressão e criminalização dos lutadores para aplicar seus ataques de precarização e privatização das universidades. Mais uma vez o governo Alckmin coloca a polícia para reprimir manifestações, o mesmo que comandou o massacre do Pinheirinho em São José dos Campos, expulsou à balas centenas de moradores de rua da Cracolândia, que prendeu 73 lutadores na ocupação da Reitoria da USP no ano passado, que seguem junto a dezenas de trabalhadores e estudantes perseguidos, processados e ameaçados de expulsão e demissão. Essa polícia é a mesma que assassina a juventude pobre e negra do país, militarizando os morros e favelas e reprimindo greves de trabalhadores com o aval do governo Dilma.

Nós da LER-QI, junto à Juventude Às Ruas, repudiamos a repressão da PM de Ackmin e da PF de Dilma aos lutadores da Unifesp, que deixa claro como PT e PSDB representam duas propostas de gestão do mesmo projeto de ataque aos trabalhadores e à juventude como preparação para os impactos mais duros da crise internacional no Brasil. Nos solidarizamos com a luta nacional pela educação, contra a precarização do Reuni de Dilma e Lula, e exigimos a liberdade imediata de todos os presos! Não permitiremos que comecem a calar o processo de luta nacional em defesa da educação!

LIBERDADE IMEDIATA AOS PRESOS POLÍTICOS DA UNIFESP! 
FORA A POLÍCIA MILITAR DA UNIFESP! 
BASTA DE CRIMINALIZAR E PERSEGUIR O MOVIMENTO ESTUDANTIL! 
FORA PM DAS UNIVERSIDADES, MORROS E FAVELAS! UNIFICAÇÃO DAS LUTAS CONTRA A REPRESSÃO! 
REVOGAÇÃO DE TODOS OS PROCESSOS CONTRA ESTUDANTES E TRABALHADORES! TODO APOIO A GREVE DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

quarta-feira, 13 de junho de 2012

É preciso transformar a greve nacional num grande movimento para transformar radicalmente a educação no Brasil

Em meio ao avanço da crise econômica e das saídas reacionárias da burguesia, a juventude no mundo reage começa a se levantar, sair às ruas, ocupar as universidades e as praças, se organiza em assembleias, se solidariza com os trabalhadorxs, as mulheres, com xs oprimidxs. Iniciado com a “Primavera Árabe”, o movimento “Occupy”, e na América Latina desde a luta da juventude pela educação gratuita no Chile, onde milhares foram às ruas denunciando e enfrentando as heranças do regime de Pinochet, a juventude dá mostras de seu potencial explosivo e de abrir caminho para questionar a situação do que afeta não só os estudantes, mas o conjunto dos trabalhadores. Milhares de estudantes nas ruas, universidades e colégios ocupados – (um deles inclusive chegando a ser auto-controlado por professores e estudantes, o Liceu A-90), ergueram barricadas em dezenas de esquinas, organizaram manifestações massivas de até um milhão de jovens, enfrentando-se com a polícia chilena e sua tecnologia de repressão. A combinação de família e gerações de jovens endividadas com a educação privatizada com a repressão policial fez surgir no Chile uma juventude conhecida como a “geração sem medo” e diante da crise capitalista devemos nos inspirar nessa juventude, pois também somos parte dessa geração sem medo!

No México hoje a juventude protagoniza uma grande luta contra as práticas anti-democráticas do regime, contra o repressivo governo e a militarização do país, se contrapondo diante da possível imposição do candidato à presidência do PRI (Partido Revolucionário Institucional, que governou de 1930 a 2000), Peña Nieto, denunciando a manipulação da mídia apoiadora do governo e sua tentativa de criminalizar estudantes. Esse movimento se massifica a cada dia sob a consigna “Yo soy 132”. No Canadá há mais de 100 dias em greve de estudantes, que inicialmente se mobilizaram contra o aumento das matrículas nas universidades e foram desenvolvendo no calor da luta questionamentos ao governo, ao regime e aos pilares do poder da burguesia no Quebec. Há algumas semanas o governo criou um projeto de Lei que impõe multas e prisões ao manifestantes para acabar com a manifestações. Em marchas que chegam a reunir 250.000 pessoas em defesa da educação, a juventude segue de pé, apoiando e se aliando à luta dos trabalhadores e do povo!

Em diversas cidades do Estado Espanhol desde o surgimento do 15M, milhares de jovens, trabalhadores e estudantes se juntam, são os indignados. No dia 29 de Março na histórica greve geral contra a Reforma Laboral, vimos essa juventude e o movimento estudantil se juntar aos trabalhadores em mobilizações de centenas de milhares contra a Reforma Trabalhista, os planos de austeridade e o desemprego se enfrentando com a criminalização e repressão do Governo Rajoy. Essa unidade é fundamental para que a crise seja paga pelos capitalistas!

Nos marcos da crise econômica internacional e na ofensiva de ataques da burguesia para fazer com que a classe trabalhadora e a juventude paguem pela crise, queremos ser parte viva e linha de frente da juventude estudantil e proletária que se espelha nos exemplos mais avançados internacionalmente, como dos estudantes chilenos e que se prepara para fazer diferença na luta de classes ao lado dos trabalhadores.

Greve das universidades federais: inspiremo-nos na luta dessa juventude sem medo para libertar o conhecimento do produtivismo e colocar a universidade a serviço dos trabalhadores e do povo!


Com o aprofundamento da precarização e privatização da educação em nosso país levada adiante pelo governo Dilma, professores, estudantes e técnicos-administrativos da ampla maioria universidades do país estão em greve. Estudantes em todo país em apoio aos professores realizam assembleias discutem suas demandas e também entram em greve. Técnicos-administrativos em diversas universidades também entram em greve por reajuste salarial.

Fizemos uma grande manifestação estudantil no dia 05/06 em Brasília. Em greve nos somamos a este dia de luta previamente agendado pelo Funcionalismo Federal. E não só nos somamos: constituímos um Comando Nacional da Greve Estudantil. Este comando é um passo adiante em nosso movimento, abrindo espaço para nos coordenarmos nacionalmente. No entanto, é um passo ainda muito inicial, o número de representantes por universidade é muito limitado, dificultando a representação de posições de maioria e minoria em todo país (só 2 por universidade em greve), além de dificultar muito que os estudantes independentes tomem em suas mãos a luta, para unificar desde as bases e democraticamente o conjunto do movimento. O passo que demos com o Comando Nacional precisamos levar mais adiante, aumentando sua representação e propondo às estaduais em greve, aos técnicos e professores um só comando DA EDUCAÇÃO EM LUTA. Um comando como este pode nos abrir caminho para crescer e transformar nosso movimento em um forte movimento contra o governo e seu projeto de educação, iniciando um novo projeto de educação com verbas, e com salários dignos, condições decentes de estudo, trabalho e permanência, bem como o livre acesso de todos jovens do país à educação pública, gratuita e de qualidade. É preciso construir uma ampla coordenação de todos setores da educação em luta, professores, funcionários, estudantes das universidades federais e também estaduais que estão entrando em greve. Essa coordenação, eleita desde as assembleias de base de cada setor e universidade deve servir para fortalecer e tornar nossa luta numa só, para transformar radicalmente a educação, libertar o conhecimento do produtivismo e assédio moral que a CAPES, CNPq e agências de “fomento à pesquisa” criam com prazos, o que e como estudar!

Façamos da nossas pautas específicas uma pauta nacional!

Em cada universidade do país padecemos uma situação semelhante de descaso com nossas condições para sobreviver e estudar. Não há sequer uma universidade do país onde exista ao mesmo tempo alojamento decente e gratuito conforme a demanda, bolsas conforme a demanda, bandejão – sem terceirização – conforme a demanda, creches – sem terceirização - conforme a demanda. Como lutamos por isto? Em geral as principais direções do ME (PSOL e PSTU) querem lutar universidade a universidade, campus por campus. Isto é limitar nosso potencial na pauta específica e não questionar o sistema de educação existente. 

Nós achamos o inverso. Nós defendemos a pauta específica, mas desde outra lógica, de uma onde possamos lutar juntos –nacionalmente! - pelas mesmas demandas, não de maneira federativa e isolada. Lutar desde cada universidade para que em todas as universidades estudantes tenham condições de permanecer nelas. É necessário lutar por um movimento nacional que diga em alto e bom som: nenhum centro ou campus sem bandejão gratuito com funcionários efetivos da própria universidade; nenhum centro ou campus sem alojamento gratuito e decente conforme a demanda; nenhum centro, campus ou universidade sem creche para todos que precisarem, nenhum centro ou universidade sem bolsas, conforme a demanda, com um piso do salário mínimo. Não merecemos, nem conseguimos, sobreviver, com menos que o já miserável salário que a lei concede a todos trabalhadores! Ao fazermos um movimento como este não só questionaremos mais claramente a falta de verbas, o projeto em curso, como poderemos denunciar o criminoso descaso do governo Dilma com a situação dos estudantes, em particulares os filhos da classe trabalhadora que mais necessitam destas medidas de permanência estudantil. 

Lutar pelos 10% do PIB para educação não basta! Lutemos por uma outra educação, que seja pública gratuita, de qualidade e para toda a população!

Estamos num momento de enorme luta que poderia ser o inicio de um marco na transformação da educação deste país. Nosso forte movimento ainda dista muito de ser um passo a questionar o conjunto da educação. Por que? Em primeiro lugar por que são influentes em nosso movimento falsos defensores da educação que são os militantes de correntes governistas (PCdoB, PT, DS e outros). Eles falam que apoiam nossa luta, mas querem conduzi-la a apoiar uma ou outra emenda ao PNE que o governo está propondo, defendendo que a educação fique tal como está e vá ganhando um pouquinho mais de verbas ano a ano, até alcançar 7% do PIB em 2020... mas seriam 7% do PIB para uma educação privatizada, elitista, para criar verbas nas universidades privadas enchendo o bolso dos monopólios da educação, com o Prouni, Fies, enquanto, a juventude pobre segue endividada. É preciso tirar das mãos do governo o discurso da democratização da educação, pois não passa de uma demagogia, só quem pode fazer isso é o movimento estudantil em luta, independente do governo e dos patrões.

Depois de desmascarar estes falsos amigos de nossa luta o que nos limita é a prática das direções de grande parte dos DCEs. Nos panfletos das principais correntes da esquerda anti-governista, o PSOL e PSTU, há criticas ao governo, crítica à universidade tal como ela é, propostas radicais de como deveria ser o acesso, e várias outras transformações.. Para eles isto é uma coisa para o futuro. Hoje, levantam só “expansão com qualidade com 10% do PIB para educação”, uma ou outra moção contra o REUNI, contra o PNE do governo, mas não buscam contribuir para que façamos um forte movimento POR OUTRA EDUCAÇÃO, GRATUITA e PARA TODA A POPULAÇÃO, o que passa necessariamente por criticar esta universidade elitista, privatizada, controlada por um punhado de professores, a serviço do mercado.

Como seus questionamentos radicais à educação são para o futuro, hoje trata-se somente de lutar por 10%, e não conseguindo, lutar por pouquíssimas coisas reitoria a reitoria, o que o PSOL e PSTU buscaram fazer em Brasília dia 05/06 era só uma pressão para que o MEC negociasse (e tiveram táticas diferentes, se havia que fazer ocupação relâmpago ou não, neste acordo geral limitado).

Fato é que a educação pública brasileira necessita de mais verbas, no entanto a política levada à cabo pelo PSOL e PSTU acaba por não levar ao questionamento do conjunto da educação e a política do governo, que é de precarização e privatização, que é vendida de Lula à Dilma para a população como se fosse um grande avanço e o único possível, isso porque na prática esses partidos só agitam centralmente os 10% do PIB pra educação. Dizemos que é necessário mais investimento, mas para onde irão? 10% para mais verbas para os tubarões das privadas? Para mais privatização? Para quais pessoas entrarem na universidade? E quem controlará essa verba com a atual estrutura de poder anti-democrática? Nosso questionamento deve ser radical, abrir caminho a uma nova educação no país, que seja controlada por professores, trabalhadores e maioria estudantil.

Ao contrário de simplesmente agitar os 10% do PIB pra educação, precisamos denunciar ferrenhamente a universidade pública tal como ela é hoje. Cerca de 75% dos jovens estudam em Instituições de Ensino Superior (IES) privadas que representam 89,4% do total de instituições de IES no Brasil. Nas universidades públicas a privatização é crescente de cursos pagos e fundações privadas à privatização dos Hospitais Universitários. A privatização que se faz também desde da precarização do trabalho – iniciado com os trabalhadores terceirizados da limpeza, em grande parte mulheres negras, aprofundando agora com a contratação em larga escala de professores temporários. Os currículos estão sendo fragmentados e graduações do tipo “Ensino à Distância” (EAD) espalham-se por todos estados, somando-se aos cursos presenciais precários sem campus, sem laboratório. É esse o projeto de expansão do REUNI de Lula e Dilma, que precariza e privatiza, enquanto financiam via PROUNI e perdoam as dívidas dos donos monopólios da educação. Por isso precisamos desmascarar a demagogia do governo do PT!

Por isso não podemos somente agitar na luta os “10% do PIB pra educação”, pois é preciso que todos aqueles que não estão dentro da universidade pública – a maioria da população – veja qual é a verdadeira política do governo e se somem em nossa luta por educação pública e gratuita para todos! A pré-condição disto é que sejamos nós a voz de quem está fora da universidade pública atual, defendendo a estatização das privadas e livre acesso/fim do vestibular/SISU. Se num momento como este em que dezenas de universidades estão em greve, não lutamos até o final pelos direitos do conjunto da população, para nossa luta pela educação triunfe, então quando? Não caiamos no discurso do PSOL e PSTU que seguramente dirão que concordam com esta perspectiva mas que isto não seria o imediato, que isto seria uma luta “pra depois”, por isso a luta da juventude chilena, mexicana, canadense deve mais do que nunca ser uma inspiração para hoje! Pra sairmos às ruas, nos enfrentar com a mídia burguesa, nos enfrentar com o governo, ganhar o apoio da população e dos trabalhadores, mostrar que nossa luta é para que todos possam estudar numa universidade pública e que todo o conhecimento dela seja libertado do produtivismo, dos governos e da burguesia e assim seu o conhecimento produzido nela seja colocado à serviço da classe trabalhadora! Para isso é preciso colocar de pé um novo movimento estudantil. Que trave duras batalhas contra o conjunto dos planos do governo!

Devemos no calor dessa luta dar passos para construir uma juventude que volte a dar medo nos governantes e a burguesia a quem servem. Nós da Juventude às Ruas colocamos nossos esforços para lado a lado a centenas de estudantes colocarmos de pé um movimento estudantil como aliado fundamental da classe trabalhadora para os duros combates que estão por vir!


- Viva a luta dos estudantes, professores e técnicos administrativos em todo o país!

Por um comando nacional de delegados de TODA A EDUCAÇÃO EM LUTA, de assembleias, revogáveis, mais amplo com no mínimo 5 por universidade e setor, para criar um movimento amplo e democrático para a vitória do movimento!

Fazer de nossas pautas específicas uma pauta nacional! Nenhum centro ou campus sem bandejão gratuito com funcionários efetivos da própria universidade; nenhum centro ou campus sem alojamento gratuito e decente conforme a demanda; nenhum centro, campus ou universidade sem creche para todos que precisarem, nenhum centro ou universidade sem bolsas, conforme a demanda, com um piso do salário mínimo.






Lutar pelos 10% do PIB para educação não basta! Lutemos por uma outra educação, que seja pública gratuita, de qualidade, com um conhecimento não produtivista, e para toda a população!






Lutemos pela educação pública e gratuita para todos: estatização das universidades privadas, fim do vestibular/SISU/livre acesso.


terça-feira, 12 de junho de 2012

As eleições do CAECO e a necessidade de construção de um novo Movimento Estudantil

Intervenção da Juventude Às Ruas! para as eleições do Centro Acadêmico de Economia da Unicamp, no qual propomos abrir uma reflexão política com o conjunto dos estudantes sobre  projeto de universidade burguês e o papel da juventude em aliança com os trabalhadores de subverte-lo. Quais são as tarefas colocadas para uma gestão de CA na Unicamp, umas das universidades de excelência para a burguesia? É necessário um novo tipo de movimento estudantil diante do cenário nacional de greve das federais, e os diversos processos de repressão e punições aos lutadores nas estaduais paulistas.




No Brasil onde apenas 14% dos jovens de 18 a 24 anos cursam o ensino superior e 75% desses estão nas faculdades privadas. Para quê servem as universidades públicas brasileiras? Universidades de “excelência” e de “democratização do acesso ao ensino superior” ou de precarização?


Dois acontecimentos recentes marcaram o movimento estudantil brasileiro: a greve ainda em curso das universidades federais – a maior mobilização conjunta das universidades em cerca de 30 anos, são 49 de 57 universidades mobilizadas- e a greve contra a repressão na USP no ano passado. Mobilizações que se enfrentam com as duas faces do ensino superior público brasileiro. Os exemplos da díade da educação para os capitalistas: bolsões de formação de mão-de-obra barata de um lado, e de outro, um polo de excelência elitizado.
 De um lado está a faceta do REUNI, de expansão e “democratização do acesso” ao ensino superior, com o surgimento de novas universidades federais e novos campi, mas com a contradição de uma expansão baseada na precarização e na terceirização do trabalho, propulsor do que estamos observando hoje nas greves: universidades sem infraestrutura mínima para as aulas e sem projeto de permanência estudantil, sem bibliotecas, sem moradias e restaurantes universitários gratuitos, com precarização da atividade docente – o governo criou uma categoria de professor associado que o piso salarial é de 923 reais, os salários da categoria de professores tem grandes discrepâncias regionais e os funcionários efetivos também com salários desvalorizados. Do outro, a USP enquanto um projeto de universidade de excelência, cada vez mais privada e elitista, entrando para os rankings internacionais de melhores universidades e estabelecendo relações com grandes empresas multinacionais, assim como na UNICAMP, a contrapartida da "excelência" na USP é o avanço na terceirização que se mostra hoje como um dos pilares desse projeto de universidade num país semi-colonial e dependente dos grandes monopólios imperialistas como o Brasil.
Nesse sentido, a universidade pública, é reflexo da estrutura atrasada de um país de capitalismo tardio e servil, incapaz (fundamentalmente na atual época histórica do capitalismo, o imperialismo), de completar o processo de democratização plena do acesso a educação pública, gratuita e de qualidade da creche ao ensino superior; o filtro do vestibular e a profunda exclusão dos negros e pobres da universidade pública escancaram o seu caráter estrutural elitista, racista e excludente. Porém esse caráter entra em contradição com um Projeto de País Lulista/Dilmista que impõe, para atender aos interesses dos grandes monopólios imperialistas (e de setores da burguesia nacional – FIESP, CNI), a necessidade de expansão radical da formação de mão de obra especializada e barata, ao mesmo tempo em que um “país potência” e que “avança” para os interesses privados, exige que se desenvolvam novos projetos inovativos para a grande indústria nacional (em especial a Petrobras – Pré-Sal) e para atrair investimento estrangeiro em tecnologia de ponta a que levaria ao “desenvolvimento e autonomia” do país. Dessa forma, o “Brasil potência” está imbricado na universidade pública em todo o processo de expansão precarizada via REUNI, que cumpre o papel de uma formação mais ampla de mão de obra técnica, e nas universidades de excelência que são polos nacionais da inovação, a função de geração de mão de obra altamente capacitada para as grandes transnacionais e órgãos do governo.
Ambos os projetos, também possuem como um de seus pilares, a privatização da universidade que se evidencia nos cursos pagos em universidades como a USP e UNICAMP, em cortes de vagas para os cursos “menos produtivos” e com menor “demanda do mercado”, estruturas pedagógicas voltadas à formação especializada direcionada às necessidades do “mercado de trabalho”, o que ideologicamente se reverte para os interesses privados e não para as necessidades dos trabalhadores e oprimidos, na perspectiva de resolver  os problemas brasileiros. O REUNI e as universidades de excelência não podem ser concebidas sem combinarem precarização do trabalho, cuja terceirização que divide e semiescraviza a classe trabalhadora (tanto na construção civil quanto nos serviços básicos da universidade como limpeza, segurança, alimentação) é a face mais bárbara, com uma série de demais ataques aos trabalhadores da universidade, como as punições e demissões políticas aos lutadores, repressão ao movimento estudantil, desvalorização salarial e quebra de isonomia, além da precarização do trabalho docente.

A Unicamp entre as 100 melhores do mundo localizada no Vale do Silício brasileiro

O site da Unicamp de quinze dias atrás trazia como destaque duas matérias: a primeira que de acordo com a agência londrina Times Higher Education a Unicamp se localiza entre as 100 melhores universidades do mundo, em 44º lugar; a segunda de uma matéria no jornal Folha de São Paulo de um executivo estadunidense dizendo que pela concentração de indústria, conhecimento e pelo potencial inovador dos pesquisadores da Unicamp, esta seria comparada ao Vale do Silício nos EUA.
Nos últimos anos temos visto o aprofundamento do projeto de universidade de “excelência” da Unicamp que no seu entorno terá dois parques tecnológicos com empresas e multinacionais instaladas, tais como P&G, Santander, entre outras; agências de inovação como a INOVAUnicamp e pesquisas sendo patrocinadas por empresas estrangeiras e nacionais, no IE, dentre muitos outros. Sabemos que a Vale S.A. encomendou uma pesquisa em 2010 ao NEIT. Outro aspecto, da privatização do espaço público da universidade além do conhecimento gerado por ela, se mostra na Unicamp, pelo aluguel de salas de aula para cursos de extensão pagos, como ocorre no IE, para cursos voltados às finanças corporativas. É conhecimento gerado com um esforço social, mas com uma apropriação privada. A prioridade destes projetos se reverte em precariedade para os trabalhadores e estudantes e em maior controle, repressão e punição a estas categorias que se coloquem contra este projeto: com o sucateamento das políticas de permanência estudantil – moradia estudantil e bandejão-, com precarização que significa a falta de funcionários nos diversos institutos que são substituídos por estagiários (o IE não está fora desse processo), e a terceirização de serviços de limpeza, alimentação, segurança e construção civil. Este último, já foi alvo de denúncias pelas péssimas condições de trabalho impostas aos trabalhadores que não possuem locais adequados para descansarem e almoçarem que fazem coro com a precariedade que envolve o processo de terceirização em geral.
A UNICAMP está se tornando um verdadeiro canteiro de obras, cuja principal construtora, a Delta, é uma das principais envolvidas no escândalo de corrupção “Cachoeira” que revela ligações espúrias da reitoria, governo do estado e prefeitura de Campinas com a lama da corrupção da burguesia brasileira. É preciso desmascarar o verdadeiro caráter dessas obras, dentro do projeto de “Unicamp de excelência” que visa projetar a universidade internacionalmente e incentivar pesquisas com novos laboratórios, visando investimentos privados das transnacionais que buscam na região Metropolitana de Campinas, altos lucros e uma mão de obra especializada e de alto nível técnico.

E o IE nesse projeto?

O IE é um dos institutos mais importantes da Unicamp dentro da função de uma universidade para a burguesia do ponto de vista de peso em decisões políticas, de geração de pesquisa e conhecimento e de formação de dirigentes da burguesia a nível federal e estadual e pesquisadores cujas análises são  fundamento para as políticas públicas adotadas a nível municipal, estadual ou federal. Dilma Rousseff, José Serra, Aloizio Mercadante, Mariano Laplane, Marcio Pochmann, professor e pesquisador do CESIT, ex-presidente do IPEA, hoje é o atual candidato à prefeitura de Campinas pelo PT, partido que já se envolveu em escândalos de corrupção na cidade.
 Dessa forma vemos a ligação estreita entre a teoria econômica e as políticas pensadas para as grandes empresas estrangeiras (por meio dos parques tecnológicos) e para o Estado burguês brasileiro. Projeto este defendido por uma parcela de professores do IE, os mesmos que elaboram e/ou assessoram as políticas sociais, industriais e de inovação e tecnologia do governo Lula/Dilma e que defendem o projeto de país da terceirização e do alinhamento com os interesses dos grandes monopólios imperialistas.

As marcas da universidade do Brasil potência: resquícios da ditadura e profunda precarização do trabalho

A implementação de um projeto de “universidade de excelência” atendendo a níveis internacionais num país dependente como o Brasil só pode vir com ataques, repressão e punição “com mãos de ferro” ao movimento dos trabalhadores e ao movimento estudantil que se colocam numa perspectiva contrária a privatização, a precarização do trabalho e das condições de estudo e a elitização da universidade. Nesse sentido a estrutura anti-democrática herdada da ditadura tanto no que tange ao código que pune os estudantes – na Unicamp temos um artigo do regimento sempre utilizado pela reitoria em punições que é cópia do AI-5- quanto às estruturas de decisão da universidade – seja numa instância mais próxima com as congregações de institutos e faculdades; seja a nível da universidade como um todo, com o CONSU (Conselho Universitário órgão de deliberação máxima com  70% de representação para professores e o restante divido igualmente entre funcionários e estudantes)- é a garantia de que os ataques com privatizações, reestruturação de carreira, acordos com a burguesia internacional e nacional sejam decididos pela maioria da burocracia acadêmica, cujos interesses estão estreitamente atrelados ao de empresas e governos – a já citada relação da Delta com as construções e compras de terrenos pela Unicamp são exemplos disso.
Na USP, por exemplo, um comitê de estudantes, professores, trabalhadores e parentes de mortos e presos políticos da ditadura está organizando uma Comissão da Verdade da USP para investigar as ligações da USP e de sua reitoria com a ditadura, questão que levanta a necessidade de uma ampla campanha contra a repressão e por democracia na universidade.
Os resquícios da ditadura vão mais além, a implantação de uma base da polícia militar na USP, a presença de policiais militares fazendo ronda tanto na USP como na Unicamp e entrando no campus para reprimir mobilizações estudantis e de trabalhadores, nomeando ex-coronéis para fazerem um plano de segurança para a USP. A polícia cumpre um papel central e estrutural num país onde a desigualdade social é gigantesca e a luta de classes está latente, inclusive na universidade.

As mobilizações internacionais e a crise econômica: cenário que nos coloca desafios e reflexões

Embora o epicentro da crise seja na Europa, os ventos de todas as manifestações europeias e da juventude árabe tem atingido a América. Com a mobilização da juventude chilena por uma educação pública e gratuita, com o movimento Ocuppy WallStreet nos EUA, a juventude em Quebéc no Canadá fazendo mobilizações que chegaram a 300 mil pessoas contra o aumento de 82% que o governo queria aplicar na mensalidade das universidades e no México, onde todo descontentamento com a situação nacional e as relações dos presidenciáveis com a mídia fez com que explodisse uma grande mobilização da juventude.
A juventude e o movimento estudantil vem adquirindo uma grande importância no cenário internacional, ao contrário do que se dizia, de uma juventude perdida, mas o que se vê é uma juventude que se mostra como um importante ator político, se colocando numa perspectiva de mudança. Nesse cenário, qualquer discurso acerca da passividade, neutralidade e impotência da juventude não pode resistir à prova. No Chile e no Canadá – considerado um país de primeiro mundo e países exemplo para o Brasil - as mobilizações estudantis colocam um cenário de crise para o padrão de educação neoliberal, de sucateamento e privatização completa da educação, transformando-a em mercadoria, se colocando por uma educação pública e gratuita e contra aos aumentos abusivos nas mensalidades estudantis. No México, o que está colocado é um cenário de crise nacional na campanha presidencial ainda em curso, a relação de um dos candidatos com a mídia burguesa do país foi o estopim para a mobilização juvenil e estudantil contra um projeto de país completamente dependente, com elevado número de desempregados, de trabalhos precários, combinada com a brutalidade da polícia, dos feminicídios – os assassinatos brutais às mulheres são comuns nas cidades mexicanas- e do narcotráfico.
Em todas essas mobilizações o Estado não falhou, reprimindo exemplarmente, prendendo estudantes, inclusive assassinando-os (no México, um estudante foi morto numa outra mobilização) inclusive em país tidos como exemplos de “desenvolvimento” como no Canadá, onde 700 estudantes foram presos no final de abril desse ano. A polícia aparelho repressivo do Estado burguês e pilar de sustentação deste, mostra toda a sua necessidade em momentos de acirramento de lutas de classes internacionalmente.

Qual é então, diante desse cenário, o projeto e a função da gestão um centro acadêmico?

Nesse sentido, partindo daquilo que temos como cenário internacional e nacional e de projeto de universidade, para nós da Juventude às Ruas o CAECO deve sim se colocar e ser a contracorrente de todo esse projeto, propondo e discutindo junto aos estudantes e trabalhadores uma alternativa que se contraponha a esse projeto visando, nesse cenário cada vez maior de polarização, que não há mais espaço para o discurso do “apolítico” e do “apartidário”: há que defender a democratização radical da universidade, e não aquela feita nos moldes do REUNI, para que todos possam ter acesso a um ensino superior de qualidade, para que a juventude pobre não tenha que se endividar para pagar por uma educação completamente precarizada nos grandes monopólios como Anhanguera, lutando pelo fim do vestibular e pela estatização das universidades privadas, e ajudando, com clareza política, que toda a juventude que está fora da universidade seja sujeito estratégico para a garantia do direito elementar de cursar o ensino superior, ligando-nos à juventude secundarista e dos colégios técnicos.
Democratização não apenas do acesso, mas também da estrutura de funcionamento da universidade. O corpo de burocratas parasitas das Reitorias e Conselhos Universitários, que governam a universidade para a burguesia com os regimentos de 1972 da ditadura militar, tem de ser eliminado. A gestão da universidade deve ser realizada por professores, trabalhadores e estudantes num governo tripartite e de maioria estudantil, deve ser de fato democrática, como uma conquista elementar da democracia burguesa: cada cabeça um voto é condição necessária para se voltar o conhecimento gerado na universidade e seu espaço de fato para os interesses da maioria da população, do conjunto da classe trabalhadora, dos negros, pobres e oprimidos.
Nesse sentido, o CAECO deve se colocar firmemente contra a punição e repressão aos trabalhadores e estudantes em luta, como no caso dos processados da USP e da Unicamp e em defesa e solidariedade ativa a esses lutadores, mostrando ao conjunto dos estudantes essa necessidade urgente.
Diante do cenário de precarização e de ataques aos trabalhadores e estudantes, de terceirização do trabalho, acreditamos que o centro acadêmico tenha que dar a resposta apoiando ativamente os trabalhadores, suas mobilizações, se colocando contra a terceirização do trabalho e pela efetivação dos terceirizados sem concurso público porque esses trabalhadores já mostram que são capazes de cumprir suas funções diariamente.
Como mostram as mobilizações internacionais desde o Egito onde a juventude desempregada e faminta junto aos trabalhadores saiu às ruas por democracia derrubando a ditadura de Mubarak, assim como em maio de 1968 e no Cordobazo* na Argentina que já faz 43 anos, nos quais a juventude se colocou firmemente ao lado dos trabalhadores para responder aos ataques dos governos numa aliança combativa que deve ser exemplo de como a juventude deve se colocar em luta, tento em perspectiva que seus interesses não podem se descolar do conjunto da sociedade partindo de um questionamento profundo da opressão do sistema capitalista. No Chile, a juventude percebeu que era preciso ir por mais, chegando até o questionamento da herança da ditadura pinochetista e toda a sua estrutura repressiva, em Quebéc e no México, a repressão do estado burguês neoliberal não é diferente e impõe aos jovens desafios ainda maiores. No Brasil, que ainda carrega as marcas de sangue da ditadura em suas instituições e na Universidade pública, estes desafios só podem ser respondidos por meio da aliança operário-estudantil e com o povo pobre. É nessa perspectiva e  inflamados pelas mobilizações internacionais e no Brasil, nas greves dos trabalhadores da construção civil e nas greves dos professores e estudantes das federais contra a precarização, que a Juventude às Ruas atua na universidade, e que convidamos os estudantes do IE a uma profunda reflexão sobre o papel da Universidade e fundamentalmente, do potencial da juventude de transformação junto a classe trabalhadora.

É fundamental que os estudantes do IE tenham expressado em seu C.A. o ímpeto de colocar seu conhecimento, e todo aquele que é produzido neste instituto, não a favor dos grandes monopólios e seus governos fantoches, como propõe os diretores e burocratas acadêmicos, mas sim a serviço da população e da juventude, dos trabalhadores e estudantes, para que encontrem em suas próprias forças uma saída independente e revolucionária para a crise do capitalismo.

*Veja mais sobre o Cordobazo na Argentina nos links: http://www.pts.org.ar/spip.php?article17846; http://www.tvpts.tv/Giro-a-la-Izquierda-Especial-sobre-El-Cordobazo