Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sábado, 16 de junho de 2012

LIBERDADE IMEDIATA AOS ESTUDANTES DA UNIFESP

Nota da LER-QI E DA JUVENTUDE ÀS RUAS

Ontem num ato de mais de 200 estudantes da Unifesp contra repressão e precarização da educação nas universidades federais, a polícia reprimiu, feriu manifestantes e prendeu 25 estudantes, que seguem presos até o momento na Polícia Federal na Lapa em São Paulo, sob a ameaça de ficarem detidos até segunda feira. Na semana passada, a Polícia Militar desalojou violentamente a ocupação do prédio da Unifesp Guarulhos e prendeu 46 estudantes. A Reitoria e a Polícia Federal ameaçam imputar contra os ativistas do movimento os crimes de dano ao patrimônio público, constrangimento ilegal e até mesmo formação de quadrilha, ameaçando prendê-los no Centro de Detenção de Pinheiros.


Essa brutal repressão na UNIFESP deixa o saldo de 57 estudantes presos, num processo de mobilização nacional com 52 universidades federais em greve de docentes e servidores e 21 universidades com greve estudantil, no qual os estudantes da Unifesp foram linha de frente entrando em greve desde março e ocupando a universidade em maio, denunciando ao país todo a precarização e privatização das universidades federais no saldo de 5 anos de REUNI.

No estado de São Paulo é pratica recorrente das Reitorias utilizar a repressão e criminalização dos lutadores para aplicar seus ataques de precarização e privatização das universidades. Mais uma vez o governo Alckmin coloca a polícia para reprimir manifestações, o mesmo que comandou o massacre do Pinheirinho em São José dos Campos, expulsou à balas centenas de moradores de rua da Cracolândia, que prendeu 73 lutadores na ocupação da Reitoria da USP no ano passado, que seguem junto a dezenas de trabalhadores e estudantes perseguidos, processados e ameaçados de expulsão e demissão. Essa polícia é a mesma que assassina a juventude pobre e negra do país, militarizando os morros e favelas e reprimindo greves de trabalhadores com o aval do governo Dilma.

Nós da LER-QI, junto à Juventude Às Ruas, repudiamos a repressão da PM de Ackmin e da PF de Dilma aos lutadores da Unifesp, que deixa claro como PT e PSDB representam duas propostas de gestão do mesmo projeto de ataque aos trabalhadores e à juventude como preparação para os impactos mais duros da crise internacional no Brasil. Nos solidarizamos com a luta nacional pela educação, contra a precarização do Reuni de Dilma e Lula, e exigimos a liberdade imediata de todos os presos! Não permitiremos que comecem a calar o processo de luta nacional em defesa da educação!

LIBERDADE IMEDIATA AOS PRESOS POLÍTICOS DA UNIFESP! 
FORA A POLÍCIA MILITAR DA UNIFESP! 
BASTA DE CRIMINALIZAR E PERSEGUIR O MOVIMENTO ESTUDANTIL! 
FORA PM DAS UNIVERSIDADES, MORROS E FAVELAS! UNIFICAÇÃO DAS LUTAS CONTRA A REPRESSÃO! 
REVOGAÇÃO DE TODOS OS PROCESSOS CONTRA ESTUDANTES E TRABALHADORES! TODO APOIO A GREVE DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

quarta-feira, 13 de junho de 2012

É preciso transformar a greve nacional num grande movimento para transformar radicalmente a educação no Brasil

Em meio ao avanço da crise econômica e das saídas reacionárias da burguesia, a juventude no mundo reage começa a se levantar, sair às ruas, ocupar as universidades e as praças, se organiza em assembleias, se solidariza com os trabalhadorxs, as mulheres, com xs oprimidxs. Iniciado com a “Primavera Árabe”, o movimento “Occupy”, e na América Latina desde a luta da juventude pela educação gratuita no Chile, onde milhares foram às ruas denunciando e enfrentando as heranças do regime de Pinochet, a juventude dá mostras de seu potencial explosivo e de abrir caminho para questionar a situação do que afeta não só os estudantes, mas o conjunto dos trabalhadores. Milhares de estudantes nas ruas, universidades e colégios ocupados – (um deles inclusive chegando a ser auto-controlado por professores e estudantes, o Liceu A-90), ergueram barricadas em dezenas de esquinas, organizaram manifestações massivas de até um milhão de jovens, enfrentando-se com a polícia chilena e sua tecnologia de repressão. A combinação de família e gerações de jovens endividadas com a educação privatizada com a repressão policial fez surgir no Chile uma juventude conhecida como a “geração sem medo” e diante da crise capitalista devemos nos inspirar nessa juventude, pois também somos parte dessa geração sem medo!

No México hoje a juventude protagoniza uma grande luta contra as práticas anti-democráticas do regime, contra o repressivo governo e a militarização do país, se contrapondo diante da possível imposição do candidato à presidência do PRI (Partido Revolucionário Institucional, que governou de 1930 a 2000), Peña Nieto, denunciando a manipulação da mídia apoiadora do governo e sua tentativa de criminalizar estudantes. Esse movimento se massifica a cada dia sob a consigna “Yo soy 132”. No Canadá há mais de 100 dias em greve de estudantes, que inicialmente se mobilizaram contra o aumento das matrículas nas universidades e foram desenvolvendo no calor da luta questionamentos ao governo, ao regime e aos pilares do poder da burguesia no Quebec. Há algumas semanas o governo criou um projeto de Lei que impõe multas e prisões ao manifestantes para acabar com a manifestações. Em marchas que chegam a reunir 250.000 pessoas em defesa da educação, a juventude segue de pé, apoiando e se aliando à luta dos trabalhadores e do povo!

Em diversas cidades do Estado Espanhol desde o surgimento do 15M, milhares de jovens, trabalhadores e estudantes se juntam, são os indignados. No dia 29 de Março na histórica greve geral contra a Reforma Laboral, vimos essa juventude e o movimento estudantil se juntar aos trabalhadores em mobilizações de centenas de milhares contra a Reforma Trabalhista, os planos de austeridade e o desemprego se enfrentando com a criminalização e repressão do Governo Rajoy. Essa unidade é fundamental para que a crise seja paga pelos capitalistas!

Nos marcos da crise econômica internacional e na ofensiva de ataques da burguesia para fazer com que a classe trabalhadora e a juventude paguem pela crise, queremos ser parte viva e linha de frente da juventude estudantil e proletária que se espelha nos exemplos mais avançados internacionalmente, como dos estudantes chilenos e que se prepara para fazer diferença na luta de classes ao lado dos trabalhadores.

Greve das universidades federais: inspiremo-nos na luta dessa juventude sem medo para libertar o conhecimento do produtivismo e colocar a universidade a serviço dos trabalhadores e do povo!


Com o aprofundamento da precarização e privatização da educação em nosso país levada adiante pelo governo Dilma, professores, estudantes e técnicos-administrativos da ampla maioria universidades do país estão em greve. Estudantes em todo país em apoio aos professores realizam assembleias discutem suas demandas e também entram em greve. Técnicos-administrativos em diversas universidades também entram em greve por reajuste salarial.

Fizemos uma grande manifestação estudantil no dia 05/06 em Brasília. Em greve nos somamos a este dia de luta previamente agendado pelo Funcionalismo Federal. E não só nos somamos: constituímos um Comando Nacional da Greve Estudantil. Este comando é um passo adiante em nosso movimento, abrindo espaço para nos coordenarmos nacionalmente. No entanto, é um passo ainda muito inicial, o número de representantes por universidade é muito limitado, dificultando a representação de posições de maioria e minoria em todo país (só 2 por universidade em greve), além de dificultar muito que os estudantes independentes tomem em suas mãos a luta, para unificar desde as bases e democraticamente o conjunto do movimento. O passo que demos com o Comando Nacional precisamos levar mais adiante, aumentando sua representação e propondo às estaduais em greve, aos técnicos e professores um só comando DA EDUCAÇÃO EM LUTA. Um comando como este pode nos abrir caminho para crescer e transformar nosso movimento em um forte movimento contra o governo e seu projeto de educação, iniciando um novo projeto de educação com verbas, e com salários dignos, condições decentes de estudo, trabalho e permanência, bem como o livre acesso de todos jovens do país à educação pública, gratuita e de qualidade. É preciso construir uma ampla coordenação de todos setores da educação em luta, professores, funcionários, estudantes das universidades federais e também estaduais que estão entrando em greve. Essa coordenação, eleita desde as assembleias de base de cada setor e universidade deve servir para fortalecer e tornar nossa luta numa só, para transformar radicalmente a educação, libertar o conhecimento do produtivismo e assédio moral que a CAPES, CNPq e agências de “fomento à pesquisa” criam com prazos, o que e como estudar!

Façamos da nossas pautas específicas uma pauta nacional!

Em cada universidade do país padecemos uma situação semelhante de descaso com nossas condições para sobreviver e estudar. Não há sequer uma universidade do país onde exista ao mesmo tempo alojamento decente e gratuito conforme a demanda, bolsas conforme a demanda, bandejão – sem terceirização – conforme a demanda, creches – sem terceirização - conforme a demanda. Como lutamos por isto? Em geral as principais direções do ME (PSOL e PSTU) querem lutar universidade a universidade, campus por campus. Isto é limitar nosso potencial na pauta específica e não questionar o sistema de educação existente. 

Nós achamos o inverso. Nós defendemos a pauta específica, mas desde outra lógica, de uma onde possamos lutar juntos –nacionalmente! - pelas mesmas demandas, não de maneira federativa e isolada. Lutar desde cada universidade para que em todas as universidades estudantes tenham condições de permanecer nelas. É necessário lutar por um movimento nacional que diga em alto e bom som: nenhum centro ou campus sem bandejão gratuito com funcionários efetivos da própria universidade; nenhum centro ou campus sem alojamento gratuito e decente conforme a demanda; nenhum centro, campus ou universidade sem creche para todos que precisarem, nenhum centro ou universidade sem bolsas, conforme a demanda, com um piso do salário mínimo. Não merecemos, nem conseguimos, sobreviver, com menos que o já miserável salário que a lei concede a todos trabalhadores! Ao fazermos um movimento como este não só questionaremos mais claramente a falta de verbas, o projeto em curso, como poderemos denunciar o criminoso descaso do governo Dilma com a situação dos estudantes, em particulares os filhos da classe trabalhadora que mais necessitam destas medidas de permanência estudantil. 

Lutar pelos 10% do PIB para educação não basta! Lutemos por uma outra educação, que seja pública gratuita, de qualidade e para toda a população!

Estamos num momento de enorme luta que poderia ser o inicio de um marco na transformação da educação deste país. Nosso forte movimento ainda dista muito de ser um passo a questionar o conjunto da educação. Por que? Em primeiro lugar por que são influentes em nosso movimento falsos defensores da educação que são os militantes de correntes governistas (PCdoB, PT, DS e outros). Eles falam que apoiam nossa luta, mas querem conduzi-la a apoiar uma ou outra emenda ao PNE que o governo está propondo, defendendo que a educação fique tal como está e vá ganhando um pouquinho mais de verbas ano a ano, até alcançar 7% do PIB em 2020... mas seriam 7% do PIB para uma educação privatizada, elitista, para criar verbas nas universidades privadas enchendo o bolso dos monopólios da educação, com o Prouni, Fies, enquanto, a juventude pobre segue endividada. É preciso tirar das mãos do governo o discurso da democratização da educação, pois não passa de uma demagogia, só quem pode fazer isso é o movimento estudantil em luta, independente do governo e dos patrões.

Depois de desmascarar estes falsos amigos de nossa luta o que nos limita é a prática das direções de grande parte dos DCEs. Nos panfletos das principais correntes da esquerda anti-governista, o PSOL e PSTU, há criticas ao governo, crítica à universidade tal como ela é, propostas radicais de como deveria ser o acesso, e várias outras transformações.. Para eles isto é uma coisa para o futuro. Hoje, levantam só “expansão com qualidade com 10% do PIB para educação”, uma ou outra moção contra o REUNI, contra o PNE do governo, mas não buscam contribuir para que façamos um forte movimento POR OUTRA EDUCAÇÃO, GRATUITA e PARA TODA A POPULAÇÃO, o que passa necessariamente por criticar esta universidade elitista, privatizada, controlada por um punhado de professores, a serviço do mercado.

Como seus questionamentos radicais à educação são para o futuro, hoje trata-se somente de lutar por 10%, e não conseguindo, lutar por pouquíssimas coisas reitoria a reitoria, o que o PSOL e PSTU buscaram fazer em Brasília dia 05/06 era só uma pressão para que o MEC negociasse (e tiveram táticas diferentes, se havia que fazer ocupação relâmpago ou não, neste acordo geral limitado).

Fato é que a educação pública brasileira necessita de mais verbas, no entanto a política levada à cabo pelo PSOL e PSTU acaba por não levar ao questionamento do conjunto da educação e a política do governo, que é de precarização e privatização, que é vendida de Lula à Dilma para a população como se fosse um grande avanço e o único possível, isso porque na prática esses partidos só agitam centralmente os 10% do PIB pra educação. Dizemos que é necessário mais investimento, mas para onde irão? 10% para mais verbas para os tubarões das privadas? Para mais privatização? Para quais pessoas entrarem na universidade? E quem controlará essa verba com a atual estrutura de poder anti-democrática? Nosso questionamento deve ser radical, abrir caminho a uma nova educação no país, que seja controlada por professores, trabalhadores e maioria estudantil.

Ao contrário de simplesmente agitar os 10% do PIB pra educação, precisamos denunciar ferrenhamente a universidade pública tal como ela é hoje. Cerca de 75% dos jovens estudam em Instituições de Ensino Superior (IES) privadas que representam 89,4% do total de instituições de IES no Brasil. Nas universidades públicas a privatização é crescente de cursos pagos e fundações privadas à privatização dos Hospitais Universitários. A privatização que se faz também desde da precarização do trabalho – iniciado com os trabalhadores terceirizados da limpeza, em grande parte mulheres negras, aprofundando agora com a contratação em larga escala de professores temporários. Os currículos estão sendo fragmentados e graduações do tipo “Ensino à Distância” (EAD) espalham-se por todos estados, somando-se aos cursos presenciais precários sem campus, sem laboratório. É esse o projeto de expansão do REUNI de Lula e Dilma, que precariza e privatiza, enquanto financiam via PROUNI e perdoam as dívidas dos donos monopólios da educação. Por isso precisamos desmascarar a demagogia do governo do PT!

Por isso não podemos somente agitar na luta os “10% do PIB pra educação”, pois é preciso que todos aqueles que não estão dentro da universidade pública – a maioria da população – veja qual é a verdadeira política do governo e se somem em nossa luta por educação pública e gratuita para todos! A pré-condição disto é que sejamos nós a voz de quem está fora da universidade pública atual, defendendo a estatização das privadas e livre acesso/fim do vestibular/SISU. Se num momento como este em que dezenas de universidades estão em greve, não lutamos até o final pelos direitos do conjunto da população, para nossa luta pela educação triunfe, então quando? Não caiamos no discurso do PSOL e PSTU que seguramente dirão que concordam com esta perspectiva mas que isto não seria o imediato, que isto seria uma luta “pra depois”, por isso a luta da juventude chilena, mexicana, canadense deve mais do que nunca ser uma inspiração para hoje! Pra sairmos às ruas, nos enfrentar com a mídia burguesa, nos enfrentar com o governo, ganhar o apoio da população e dos trabalhadores, mostrar que nossa luta é para que todos possam estudar numa universidade pública e que todo o conhecimento dela seja libertado do produtivismo, dos governos e da burguesia e assim seu o conhecimento produzido nela seja colocado à serviço da classe trabalhadora! Para isso é preciso colocar de pé um novo movimento estudantil. Que trave duras batalhas contra o conjunto dos planos do governo!

Devemos no calor dessa luta dar passos para construir uma juventude que volte a dar medo nos governantes e a burguesia a quem servem. Nós da Juventude às Ruas colocamos nossos esforços para lado a lado a centenas de estudantes colocarmos de pé um movimento estudantil como aliado fundamental da classe trabalhadora para os duros combates que estão por vir!


- Viva a luta dos estudantes, professores e técnicos administrativos em todo o país!

Por um comando nacional de delegados de TODA A EDUCAÇÃO EM LUTA, de assembleias, revogáveis, mais amplo com no mínimo 5 por universidade e setor, para criar um movimento amplo e democrático para a vitória do movimento!

Fazer de nossas pautas específicas uma pauta nacional! Nenhum centro ou campus sem bandejão gratuito com funcionários efetivos da própria universidade; nenhum centro ou campus sem alojamento gratuito e decente conforme a demanda; nenhum centro, campus ou universidade sem creche para todos que precisarem, nenhum centro ou universidade sem bolsas, conforme a demanda, com um piso do salário mínimo.






Lutar pelos 10% do PIB para educação não basta! Lutemos por uma outra educação, que seja pública gratuita, de qualidade, com um conhecimento não produtivista, e para toda a população!






Lutemos pela educação pública e gratuita para todos: estatização das universidades privadas, fim do vestibular/SISU/livre acesso.


terça-feira, 12 de junho de 2012

As eleições do CAECO e a necessidade de construção de um novo Movimento Estudantil

Intervenção da Juventude Às Ruas! para as eleições do Centro Acadêmico de Economia da Unicamp, no qual propomos abrir uma reflexão política com o conjunto dos estudantes sobre  projeto de universidade burguês e o papel da juventude em aliança com os trabalhadores de subverte-lo. Quais são as tarefas colocadas para uma gestão de CA na Unicamp, umas das universidades de excelência para a burguesia? É necessário um novo tipo de movimento estudantil diante do cenário nacional de greve das federais, e os diversos processos de repressão e punições aos lutadores nas estaduais paulistas.




No Brasil onde apenas 14% dos jovens de 18 a 24 anos cursam o ensino superior e 75% desses estão nas faculdades privadas. Para quê servem as universidades públicas brasileiras? Universidades de “excelência” e de “democratização do acesso ao ensino superior” ou de precarização?


Dois acontecimentos recentes marcaram o movimento estudantil brasileiro: a greve ainda em curso das universidades federais – a maior mobilização conjunta das universidades em cerca de 30 anos, são 49 de 57 universidades mobilizadas- e a greve contra a repressão na USP no ano passado. Mobilizações que se enfrentam com as duas faces do ensino superior público brasileiro. Os exemplos da díade da educação para os capitalistas: bolsões de formação de mão-de-obra barata de um lado, e de outro, um polo de excelência elitizado.
 De um lado está a faceta do REUNI, de expansão e “democratização do acesso” ao ensino superior, com o surgimento de novas universidades federais e novos campi, mas com a contradição de uma expansão baseada na precarização e na terceirização do trabalho, propulsor do que estamos observando hoje nas greves: universidades sem infraestrutura mínima para as aulas e sem projeto de permanência estudantil, sem bibliotecas, sem moradias e restaurantes universitários gratuitos, com precarização da atividade docente – o governo criou uma categoria de professor associado que o piso salarial é de 923 reais, os salários da categoria de professores tem grandes discrepâncias regionais e os funcionários efetivos também com salários desvalorizados. Do outro, a USP enquanto um projeto de universidade de excelência, cada vez mais privada e elitista, entrando para os rankings internacionais de melhores universidades e estabelecendo relações com grandes empresas multinacionais, assim como na UNICAMP, a contrapartida da "excelência" na USP é o avanço na terceirização que se mostra hoje como um dos pilares desse projeto de universidade num país semi-colonial e dependente dos grandes monopólios imperialistas como o Brasil.
Nesse sentido, a universidade pública, é reflexo da estrutura atrasada de um país de capitalismo tardio e servil, incapaz (fundamentalmente na atual época histórica do capitalismo, o imperialismo), de completar o processo de democratização plena do acesso a educação pública, gratuita e de qualidade da creche ao ensino superior; o filtro do vestibular e a profunda exclusão dos negros e pobres da universidade pública escancaram o seu caráter estrutural elitista, racista e excludente. Porém esse caráter entra em contradição com um Projeto de País Lulista/Dilmista que impõe, para atender aos interesses dos grandes monopólios imperialistas (e de setores da burguesia nacional – FIESP, CNI), a necessidade de expansão radical da formação de mão de obra especializada e barata, ao mesmo tempo em que um “país potência” e que “avança” para os interesses privados, exige que se desenvolvam novos projetos inovativos para a grande indústria nacional (em especial a Petrobras – Pré-Sal) e para atrair investimento estrangeiro em tecnologia de ponta a que levaria ao “desenvolvimento e autonomia” do país. Dessa forma, o “Brasil potência” está imbricado na universidade pública em todo o processo de expansão precarizada via REUNI, que cumpre o papel de uma formação mais ampla de mão de obra técnica, e nas universidades de excelência que são polos nacionais da inovação, a função de geração de mão de obra altamente capacitada para as grandes transnacionais e órgãos do governo.
Ambos os projetos, também possuem como um de seus pilares, a privatização da universidade que se evidencia nos cursos pagos em universidades como a USP e UNICAMP, em cortes de vagas para os cursos “menos produtivos” e com menor “demanda do mercado”, estruturas pedagógicas voltadas à formação especializada direcionada às necessidades do “mercado de trabalho”, o que ideologicamente se reverte para os interesses privados e não para as necessidades dos trabalhadores e oprimidos, na perspectiva de resolver  os problemas brasileiros. O REUNI e as universidades de excelência não podem ser concebidas sem combinarem precarização do trabalho, cuja terceirização que divide e semiescraviza a classe trabalhadora (tanto na construção civil quanto nos serviços básicos da universidade como limpeza, segurança, alimentação) é a face mais bárbara, com uma série de demais ataques aos trabalhadores da universidade, como as punições e demissões políticas aos lutadores, repressão ao movimento estudantil, desvalorização salarial e quebra de isonomia, além da precarização do trabalho docente.

A Unicamp entre as 100 melhores do mundo localizada no Vale do Silício brasileiro

O site da Unicamp de quinze dias atrás trazia como destaque duas matérias: a primeira que de acordo com a agência londrina Times Higher Education a Unicamp se localiza entre as 100 melhores universidades do mundo, em 44º lugar; a segunda de uma matéria no jornal Folha de São Paulo de um executivo estadunidense dizendo que pela concentração de indústria, conhecimento e pelo potencial inovador dos pesquisadores da Unicamp, esta seria comparada ao Vale do Silício nos EUA.
Nos últimos anos temos visto o aprofundamento do projeto de universidade de “excelência” da Unicamp que no seu entorno terá dois parques tecnológicos com empresas e multinacionais instaladas, tais como P&G, Santander, entre outras; agências de inovação como a INOVAUnicamp e pesquisas sendo patrocinadas por empresas estrangeiras e nacionais, no IE, dentre muitos outros. Sabemos que a Vale S.A. encomendou uma pesquisa em 2010 ao NEIT. Outro aspecto, da privatização do espaço público da universidade além do conhecimento gerado por ela, se mostra na Unicamp, pelo aluguel de salas de aula para cursos de extensão pagos, como ocorre no IE, para cursos voltados às finanças corporativas. É conhecimento gerado com um esforço social, mas com uma apropriação privada. A prioridade destes projetos se reverte em precariedade para os trabalhadores e estudantes e em maior controle, repressão e punição a estas categorias que se coloquem contra este projeto: com o sucateamento das políticas de permanência estudantil – moradia estudantil e bandejão-, com precarização que significa a falta de funcionários nos diversos institutos que são substituídos por estagiários (o IE não está fora desse processo), e a terceirização de serviços de limpeza, alimentação, segurança e construção civil. Este último, já foi alvo de denúncias pelas péssimas condições de trabalho impostas aos trabalhadores que não possuem locais adequados para descansarem e almoçarem que fazem coro com a precariedade que envolve o processo de terceirização em geral.
A UNICAMP está se tornando um verdadeiro canteiro de obras, cuja principal construtora, a Delta, é uma das principais envolvidas no escândalo de corrupção “Cachoeira” que revela ligações espúrias da reitoria, governo do estado e prefeitura de Campinas com a lama da corrupção da burguesia brasileira. É preciso desmascarar o verdadeiro caráter dessas obras, dentro do projeto de “Unicamp de excelência” que visa projetar a universidade internacionalmente e incentivar pesquisas com novos laboratórios, visando investimentos privados das transnacionais que buscam na região Metropolitana de Campinas, altos lucros e uma mão de obra especializada e de alto nível técnico.

E o IE nesse projeto?

O IE é um dos institutos mais importantes da Unicamp dentro da função de uma universidade para a burguesia do ponto de vista de peso em decisões políticas, de geração de pesquisa e conhecimento e de formação de dirigentes da burguesia a nível federal e estadual e pesquisadores cujas análises são  fundamento para as políticas públicas adotadas a nível municipal, estadual ou federal. Dilma Rousseff, José Serra, Aloizio Mercadante, Mariano Laplane, Marcio Pochmann, professor e pesquisador do CESIT, ex-presidente do IPEA, hoje é o atual candidato à prefeitura de Campinas pelo PT, partido que já se envolveu em escândalos de corrupção na cidade.
 Dessa forma vemos a ligação estreita entre a teoria econômica e as políticas pensadas para as grandes empresas estrangeiras (por meio dos parques tecnológicos) e para o Estado burguês brasileiro. Projeto este defendido por uma parcela de professores do IE, os mesmos que elaboram e/ou assessoram as políticas sociais, industriais e de inovação e tecnologia do governo Lula/Dilma e que defendem o projeto de país da terceirização e do alinhamento com os interesses dos grandes monopólios imperialistas.

As marcas da universidade do Brasil potência: resquícios da ditadura e profunda precarização do trabalho

A implementação de um projeto de “universidade de excelência” atendendo a níveis internacionais num país dependente como o Brasil só pode vir com ataques, repressão e punição “com mãos de ferro” ao movimento dos trabalhadores e ao movimento estudantil que se colocam numa perspectiva contrária a privatização, a precarização do trabalho e das condições de estudo e a elitização da universidade. Nesse sentido a estrutura anti-democrática herdada da ditadura tanto no que tange ao código que pune os estudantes – na Unicamp temos um artigo do regimento sempre utilizado pela reitoria em punições que é cópia do AI-5- quanto às estruturas de decisão da universidade – seja numa instância mais próxima com as congregações de institutos e faculdades; seja a nível da universidade como um todo, com o CONSU (Conselho Universitário órgão de deliberação máxima com  70% de representação para professores e o restante divido igualmente entre funcionários e estudantes)- é a garantia de que os ataques com privatizações, reestruturação de carreira, acordos com a burguesia internacional e nacional sejam decididos pela maioria da burocracia acadêmica, cujos interesses estão estreitamente atrelados ao de empresas e governos – a já citada relação da Delta com as construções e compras de terrenos pela Unicamp são exemplos disso.
Na USP, por exemplo, um comitê de estudantes, professores, trabalhadores e parentes de mortos e presos políticos da ditadura está organizando uma Comissão da Verdade da USP para investigar as ligações da USP e de sua reitoria com a ditadura, questão que levanta a necessidade de uma ampla campanha contra a repressão e por democracia na universidade.
Os resquícios da ditadura vão mais além, a implantação de uma base da polícia militar na USP, a presença de policiais militares fazendo ronda tanto na USP como na Unicamp e entrando no campus para reprimir mobilizações estudantis e de trabalhadores, nomeando ex-coronéis para fazerem um plano de segurança para a USP. A polícia cumpre um papel central e estrutural num país onde a desigualdade social é gigantesca e a luta de classes está latente, inclusive na universidade.

As mobilizações internacionais e a crise econômica: cenário que nos coloca desafios e reflexões

Embora o epicentro da crise seja na Europa, os ventos de todas as manifestações europeias e da juventude árabe tem atingido a América. Com a mobilização da juventude chilena por uma educação pública e gratuita, com o movimento Ocuppy WallStreet nos EUA, a juventude em Quebéc no Canadá fazendo mobilizações que chegaram a 300 mil pessoas contra o aumento de 82% que o governo queria aplicar na mensalidade das universidades e no México, onde todo descontentamento com a situação nacional e as relações dos presidenciáveis com a mídia fez com que explodisse uma grande mobilização da juventude.
A juventude e o movimento estudantil vem adquirindo uma grande importância no cenário internacional, ao contrário do que se dizia, de uma juventude perdida, mas o que se vê é uma juventude que se mostra como um importante ator político, se colocando numa perspectiva de mudança. Nesse cenário, qualquer discurso acerca da passividade, neutralidade e impotência da juventude não pode resistir à prova. No Chile e no Canadá – considerado um país de primeiro mundo e países exemplo para o Brasil - as mobilizações estudantis colocam um cenário de crise para o padrão de educação neoliberal, de sucateamento e privatização completa da educação, transformando-a em mercadoria, se colocando por uma educação pública e gratuita e contra aos aumentos abusivos nas mensalidades estudantis. No México, o que está colocado é um cenário de crise nacional na campanha presidencial ainda em curso, a relação de um dos candidatos com a mídia burguesa do país foi o estopim para a mobilização juvenil e estudantil contra um projeto de país completamente dependente, com elevado número de desempregados, de trabalhos precários, combinada com a brutalidade da polícia, dos feminicídios – os assassinatos brutais às mulheres são comuns nas cidades mexicanas- e do narcotráfico.
Em todas essas mobilizações o Estado não falhou, reprimindo exemplarmente, prendendo estudantes, inclusive assassinando-os (no México, um estudante foi morto numa outra mobilização) inclusive em país tidos como exemplos de “desenvolvimento” como no Canadá, onde 700 estudantes foram presos no final de abril desse ano. A polícia aparelho repressivo do Estado burguês e pilar de sustentação deste, mostra toda a sua necessidade em momentos de acirramento de lutas de classes internacionalmente.

Qual é então, diante desse cenário, o projeto e a função da gestão um centro acadêmico?

Nesse sentido, partindo daquilo que temos como cenário internacional e nacional e de projeto de universidade, para nós da Juventude às Ruas o CAECO deve sim se colocar e ser a contracorrente de todo esse projeto, propondo e discutindo junto aos estudantes e trabalhadores uma alternativa que se contraponha a esse projeto visando, nesse cenário cada vez maior de polarização, que não há mais espaço para o discurso do “apolítico” e do “apartidário”: há que defender a democratização radical da universidade, e não aquela feita nos moldes do REUNI, para que todos possam ter acesso a um ensino superior de qualidade, para que a juventude pobre não tenha que se endividar para pagar por uma educação completamente precarizada nos grandes monopólios como Anhanguera, lutando pelo fim do vestibular e pela estatização das universidades privadas, e ajudando, com clareza política, que toda a juventude que está fora da universidade seja sujeito estratégico para a garantia do direito elementar de cursar o ensino superior, ligando-nos à juventude secundarista e dos colégios técnicos.
Democratização não apenas do acesso, mas também da estrutura de funcionamento da universidade. O corpo de burocratas parasitas das Reitorias e Conselhos Universitários, que governam a universidade para a burguesia com os regimentos de 1972 da ditadura militar, tem de ser eliminado. A gestão da universidade deve ser realizada por professores, trabalhadores e estudantes num governo tripartite e de maioria estudantil, deve ser de fato democrática, como uma conquista elementar da democracia burguesa: cada cabeça um voto é condição necessária para se voltar o conhecimento gerado na universidade e seu espaço de fato para os interesses da maioria da população, do conjunto da classe trabalhadora, dos negros, pobres e oprimidos.
Nesse sentido, o CAECO deve se colocar firmemente contra a punição e repressão aos trabalhadores e estudantes em luta, como no caso dos processados da USP e da Unicamp e em defesa e solidariedade ativa a esses lutadores, mostrando ao conjunto dos estudantes essa necessidade urgente.
Diante do cenário de precarização e de ataques aos trabalhadores e estudantes, de terceirização do trabalho, acreditamos que o centro acadêmico tenha que dar a resposta apoiando ativamente os trabalhadores, suas mobilizações, se colocando contra a terceirização do trabalho e pela efetivação dos terceirizados sem concurso público porque esses trabalhadores já mostram que são capazes de cumprir suas funções diariamente.
Como mostram as mobilizações internacionais desde o Egito onde a juventude desempregada e faminta junto aos trabalhadores saiu às ruas por democracia derrubando a ditadura de Mubarak, assim como em maio de 1968 e no Cordobazo* na Argentina que já faz 43 anos, nos quais a juventude se colocou firmemente ao lado dos trabalhadores para responder aos ataques dos governos numa aliança combativa que deve ser exemplo de como a juventude deve se colocar em luta, tento em perspectiva que seus interesses não podem se descolar do conjunto da sociedade partindo de um questionamento profundo da opressão do sistema capitalista. No Chile, a juventude percebeu que era preciso ir por mais, chegando até o questionamento da herança da ditadura pinochetista e toda a sua estrutura repressiva, em Quebéc e no México, a repressão do estado burguês neoliberal não é diferente e impõe aos jovens desafios ainda maiores. No Brasil, que ainda carrega as marcas de sangue da ditadura em suas instituições e na Universidade pública, estes desafios só podem ser respondidos por meio da aliança operário-estudantil e com o povo pobre. É nessa perspectiva e  inflamados pelas mobilizações internacionais e no Brasil, nas greves dos trabalhadores da construção civil e nas greves dos professores e estudantes das federais contra a precarização, que a Juventude às Ruas atua na universidade, e que convidamos os estudantes do IE a uma profunda reflexão sobre o papel da Universidade e fundamentalmente, do potencial da juventude de transformação junto a classe trabalhadora.

É fundamental que os estudantes do IE tenham expressado em seu C.A. o ímpeto de colocar seu conhecimento, e todo aquele que é produzido neste instituto, não a favor dos grandes monopólios e seus governos fantoches, como propõe os diretores e burocratas acadêmicos, mas sim a serviço da população e da juventude, dos trabalhadores e estudantes, para que encontrem em suas próprias forças uma saída independente e revolucionária para a crise do capitalismo.

*Veja mais sobre o Cordobazo na Argentina nos links: http://www.pts.org.ar/spip.php?article17846; http://www.tvpts.tv/Giro-a-la-Izquierda-Especial-sobre-El-Cordobazo

sábado, 9 de junho de 2012

Moção de Solidariedade aos Estudantes em Luta da UNIFESP


A Juventude Às Ruas vem através desta moção expressar sua total solidariedade a luta do movimento estudantil da UNISFEP e nosso total repúdio a reintegração de posse da reitoria ocupada desta universidade, executada pela policia militar.
Os estudantes da UNIFESP que já estavam em greve por reivindicações legítimas agora se encontram com uma greve generalizada das universidades federais, que lutam também por melhores condições de estudo em suas universidades. Enquanto isto as universidades estaduais paulistas encaram uma brutal repressão do governo estadual, com estudantes e trabalhadores presos e processados por travarem suas lutas contra o atual projeto de universidade burguês que avança a cada dia.
No estado de São Paulo, seja na USP, na Unicamp, na Unesp e agora, na UNIFESP, o governo estadual vem utilizando da repressão dura e violenta, restringindo a já esqueça democracia nas universidades, para aplicar seus ataques de precarização e privatização. A entrada da policia dentro dos campos universitários tem se tornado uma pratica cada vez mais recorrente. Policia esta que reprime cotidianamente os jovens negros da periferia, expulsam moradores de suas e casas e reprimem greves e mobilizações de trabalhadores em todo o país.
Nossa solidariedade e nosso repudio vão no sentido de unificar nossas lutas contra repressão e contra os ataques a universidade. A atual estrutura de poder baseado na burocracia acadêmica, no conselho universitário e nos órgãos de deliberação antidemocráticos – 70%, 15% e 15% - é um pilar de sustentação dos interesses da burguesia dentro de nossas universidades, garantindo a exclusão social, a repressão e adequação da educação aos seus interesses de classe. Nossa luta pela transformação da universidade e da educação no Brasil deve questionar a atual estrutura de poder para construir uma gestão democrática que garanta os interesses da juventude e dos trabalhadores.

-Todo apoio a luta dos estudantes da UNIFESP e de todas as federais!

-Fora policia da UNIFESP, das universidades, dos morros e favelas!

-Que as Universidades Estaduais Paulistas se unifiquem com a greve das Universidades Federais e a luta contra a repressão na UNIFESP.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Uma grande luta nacional que pode avançar a muito mais que 10% do PIB! Podemos inaugurar a luta por outro sistema de educação!

Brasil que avança ou Brasil da educação e trabalho precários?

Nossa luta pode mostrar um Brasil que todos sentimos, mas não ganha voz. Muito se fala de um Brasil que está se desenvolvendo. Este é o discurso de Dilma e vários burgueses no país. Porém, nós sentimos em nossas peles, como não é assim. Como milhares são desalojados todos os anos por chuvas e enchentes. Como outros milhares são desalojados pela polícia para garantir o latifúndio e a especulação imobiliária. E só lembrar-se do Pinheirinho. É o mesmo Brasil que reprime os trabalhadores que lutam por melhores condições de trabalho como em Jirau. O Brasil que sentimos na pela também é o país onde milhares morrem nas filas de esperas ou corredores de hospitais.  
Nossa luta permite dar um passo neste sentido, mostrar o Brasil real da precarização da educação e do trabalho. É preciso dar voz a ele.

Este Brasil que contrasta com o discurso oficial começa pelos salários:


Passa pelos gastos do governo federal. Que gasta 47,19% de seu orçamento nas dívidas internas e externa, mas somente 3,98% na saúde e 3,18% na educação. Mas não são só de salários e gastos que podemos ver o Brasil precários. Os salários e o orçamento são expressões de um projeto de precarização vendido como “democratização” e “avanço” enquanto bilhões são entregues aos detentores da dívida e empresários amigos do governo e BNDES (Delta, Eike, Vale etc).

É com este discurso de “modernização e democratização” que foram contratados milhares de professores temporários nas universidades federais em todo país, foi com este discurso que foram abertas universidades onde sequer havia salas de aula, que as universidades foram expandidas, com o REUNI e áreas crescentes das mesmas estão sendo privatizadas, da gestão de alojamentos a estabelecimento de fundações privadas. Ou seja, da permanência estudantil a pesquisa e produção de conhecimento.

Foi com o mesmo discurso que foi emplacado o PROUNI e criou-se uma série de subsídios aos tubarões do ensino privado. Com o mesmo discurso de “avanço”, “acesso” que criou-se o PRONATEC e visa-se uma maior presença do capital privado no ensino médio técnico/profissionalizante. Querem criar um mercado lucrativo bem como controlar melhor a formação de mão de obra, tudo isto em nome do “acesso”.

Também no discurso de “Geração de emprego recorde” mostra-se o mesmo. Não nos informam que quase 80% de todos os empregos criados no governo Lula recebem menos de R$ 1000,00. Não falam o que todo trabalhador da construção civil, de um estaleiro sabe, o Brasil é um dos campões mundiais em acidentes de trabalho. Tudo em nome do “desenvolvimento”.

Este é o Brasil que avança? O Brasil potência, ou uma reprodução ampliada do velho Brasil?

Avancemos nesta greve para questionar este Brasil precário que subsiste e é reproduzido. Avancemos para fazer desta greve um questionamento do conjunto do sistema de educação, como parte do questionamento do Brasil da educação, da saúde privatizadas e precarizadas e do trabalho precário!

Esta greve também é dos estudantes!

Uma grande luta que pode ser vitoriosa! Para isto avançar em nossa organização democrática e em uma pauta estudantil nacional!

Esta greve também é dos estudantes. Ela é nossa porque apoiar os professores é parte de lutar pela educação pública e gratuita no país. Esta greve também é nossa porque estamos nos somando a ela e levantando bandeiras nossas. Porém para termos uma greve mais forte é preciso avançarmos para que nossa organização seja desde a base em cada curso, unidade e a partir daí construir uma pauta nacional estudantil. Precisamos que nossa organização seja feita ombro a ombro com os professores e com os técnicos administrativos que entram em luta. Para isto precisamos coordenar nossas ações, ir realizando comandos, assembléias conjuntas. Este passo de unidade é importantíssimo para dificultar a política do governo, que uma hora procurará nos dividir, atender um setor para ferrar o outro. Esta unidade é pré-condição para que nossa luta seja por muito mais que salário e permanência estudantil, mas para dar passos firmes em transformar profundamente todo o sistema de educação no país.

Nessa luta vamos nos enfrentar não só com o governo Dilma e distintas reitorias que vão procurar nos dividir, mas inclusive é provável que direções de sindicatos e DCEs queiram a qualquer momento falar que “a greve não dá mais”, “já conseguimos o suficiente”, está na hora de voltar às “pautas específicas”, ou “partir para outros métodos” para que cada universidade pressione sua própria reitoria de maneira isolada, é preciso superar este perigo de isolamento de cada luta. Para que isto não ocorra por fora do controle de cada estudante, professor e técnico-administrativo em luta é preciso que sejam constituídos comandos democráticos em todos os níveis, de campus, universidade, estado, país.

Conforme nossa luta se massifique, e precisamos fazer de tudo para isso, nos encontraremos com dificuldades novas. Quando temos assembléias de milhares, dois perigos se colocam: de virarem comícios das direções e principais organizações políticas onde os estudantes independentes e de organizações e coletivos com menos peso não conseguem se expressar, ou quebra-quebra. É preciso lutar por espaços mais amplos e democráticos. Por isto defendemos que os comandos sejam como “assembléias de assembléias”, ou seja, que, representem cada posição debatida na base dos cursos e unidades. Um comando democrático com delegados revogáveis de assembléia, com posições de maioria, minoria, plural dos setores em luta, como direção do movimento campus a campus, universidade a universidade, estado a estado e crescendo por todo o país.

Este comando precisa ser muito mais que uma soma de DCEs, CAs, Associações de Docentes e sindicatos dos técnicos administrativos, que obviamente, quão mais legitimados forem em suas bases mais prováveis que serão os delegados de assembléia. Este comando precisa ser uma expressão democrática e de luta de uma direção do movimento, promovendo debate e unidade na ação. É preciso levar em consideração o tamanho dos cursos, faculdades, universidades, e o tamanho de sua mobilização, estabelecendo um critério numérico democrático e que garanta a participação de todos e seu controle pelo movimento. Uma fórmula meramente federativa ou que ignore a mobilização pode permitir universidade sem greve decidir o rumo de nosso movimento, ou criar graves distorções para um movimento nacional e democrático. Ou fazemos um comando como este, ou nosso movimento será decidido por alguns punhados de dirigentes de sindicatos e DCEs, e possivelmente por alas afins ou nada críticas – que dizer contrárias – a todo a precarização do trabalho, da educação e da vida em geral que é promovida pelo governo Dilma.

Mas não é só a nossa forma de se organizar que pode permitir uma forte greve nossa, junto aos professores e técnicos-administrativos. É preciso desenvolver uma pauta estudantil nacional. País afora temos problemas muito parecidos. Não há sequer uma universidade que oferece todas as condições necessárias para a assistência e permanência estudantil. Não podemos encarar este problema com um problema que isolado, a ser decidido universidade a universidade, campus a campus. Porque esta precariedade é produto de um mesmo projeto educacional do governo. Por isso é preciso nos organizar desde as bases, constituir comandos de greves locais, regionais e nacionais, para juntxs construir uma grande campanha nacional: “nenhum campus sem alojamento gratuito conforme a demanda; nenhum campus sem bandejão com trabalhadores efetivos e gratuito; nenhum campus sem creche com projeto educacional e trabalhadores efetivos e gratuito, conforme a demanda de todos setores, inclusive terceirizados; nenhum campus sem laboratórios adequados; nenhum campus sem bolsas, que paguem um mínimo do salário mínimo, conforme a demanda”.

Levantar um movimento como este permite darmos concretude a pautas que os estudantes têm levantado como os 10% do PIB e mais que isto mostrar para cada trabalhador do país como lutamos pelas condições para que seus filhos possam se sustentar e sobreviver nas universidades públicas que até hoje são pensadas para a elite. Lutar pelas condições da permanência estudantil é parte de darmos um passo decidido contra cada direção de DCE que cantará como vitória alguma pequena promessa – que nem sempre se torna realidade – de permanência estundatil. Nosso movimento pode conquistar muito mais do que conquistas isoladas. Podemos dar passos para que todos os campi todo país tenham condições dignas para os estudantes estudarem como parte de colocar de pé um questionamento ao conjunto dos projetos precarizadores e privatizadores da educação que vem sendo implementados com FHC, Lula e Dilma, e mesmo antes disto.

Aspectos históricos da constituição de comandos de delegados revogáveis de assembléia

Comandos deste tipo são uma invenção antiga dos trabalhadores e da juventude em luta em todo o mundo. A revolução russa, bem antes de sua burocratização sob o stalinismo, colocou ao mundo o exemplo dos sovietes que se organizavam desde os locais de trabalho e garantiam a representação, o controle e decisão de cada passo do país pelos trabalhadores, representados a cada 500 trabalhadores por cada fábrica, e aí se juntavam por distritos, bairros, cidades, e todas as Rússias (incluindo os povos previamente oprimidos pela monarquia). Diversas outras revoluções estabeleceram mecanismos como estes, na Alemanha de 1923, na Espanha na década de 30 com as “juntas”, na Hungria em 1956 contra o stalinismo e em defesa da revolução. Mas não só em revoluções foram organizados órgãos como este.

Em 1999 em uma luta de longos meses na luta da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), os estudantes ergueram um “comando geral de greve” (CGH) que reunia milhares de representantes em luta. Sua força democrática e criativa dos setores em luta soube resistir a ataques como o promovido pelo governo com prisões dos delegados do comando e a tentativa de derrotar a luta com um plebiscito na universidade. O democrático e criativo CGH respondeu à tentativa do governo com a criação de um plebiscito próprio nos bairros populares, se a população apoiava ou não a greve, conseguindo centenas de milhares de votos e obrigando o governo a mudar de linha.

Na França em 2006 os estudantes saíram em luta pela derrubada de um decreto, o CPE, que precarizava as condições de trabalho de todos os jovens até 30 anos. Praticamente todas universidades do país saíram em luta, com greves, ocupações. A força da ação estudantil mobilizou os trabalhadores e, apesar das burocracias sindicais, ocorreram greves gerais em apoio à reivindicação da juventude organizada pelos estudantes universitários. Lá na França os estudantes organizavam-se em um comando nacional democrático que levava em consideração a mobilização dos estudantes. Cada universidade tinha direito a 3 delegados – em geral tirados em assembléia – porém se a universidade estava em greve tinha direito a 4, e se além disto tinha ocupação tinha direito a 5.

Formas democráticas como estas podem dar mais vazão a nosso movimento, criatividade. Elas em si não garantem sua vitória. Porém como já haviam escrito Marx e Engels a “emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”, organizar formas para direção das lutas como estas não garantem a vitória, mas são pré-condição para que façamos nossa luta desde nossas próprias mãos. Isto nos dá força, não nos garante a vitória, mas nos une e multiplica.

Infelizmente não são todas as correntes políticas que concordam com isto. Primeiro as alas ligadas ao governismo, como a UJS (PCdoB), DS (PT), não querem que surja um movimento organizado deste modo, pois as coisas sairiam de seu controle rumando para que tenhamos um forte movimento que não só questione o governo que apóiam como pode se voltar contra o mesmo e atrair os trabalhadores para isto. No entanto, sem ter estes interesses mesquinhos de blindar “seu” governo contra a necessidade da luta dos estudantes e trabalhadores, há correntes de esquerda, anti-governistas como o PSOL e PSTU que foram sistematicamente contrárias a comandos deste tipo na USP em 2011. Agora na UFRJ, onde compõem juntos a maioria do DCE, constroem um comando que sequer exige assembléias de curso. Esperamos que revejam sua política e junto a nós sejam parte de criar uma forma democrática, proporcional, e desde as bases, para coordenar um forte movimento nacional!

Uma grande luta nacional que pode avançar a muito mais que 10% do PIB! Podemos inaugurar a luta por outro sistema de educação!

Estamos em uma das maiores greves da educação nas últimas décadas. Depois de um 2011 onde os professores da rede pública do ensino básico e médio sacudiram cada estado do país, estamos na maior greve de docentes, em uma importante greve de estudantes e na véspera de importante luta dos técnico-administrativos também.

Com toda esta força em movimento precisamos pensar o que podemos e em que sentido é necessário avançar.
A educação é super precária em nosso país. A ditadura primeiro e o neoliberalismo depois universalizaram a educação básica e média às custas da interminável precarização das condições de estudo, e principalmente de trabalho dos professores. Visam formar uma mão de obra letrada o suficiente para trabalhar em um estaleiro ou um canteiro de obras que saiba ler o suficiente onde há risco de morte, se tanto, ou que saiba ler um pouquinho mais e trabalhar no telemarketing. Professorxs recebem um salário miserável que obriga trabalhar em várias escolas por dia não havendo tempo suficiente para preparar aulas, atender os estudantes, continuar seus estudos. Escolas em contêineres, com goteiras, com os quadros negros quebrados, sem giz, sem ar-condicionado ou ventiladores, colocando os estudantes, sob supervisão policial. Em uma escola como esta é preciso um grau de repressão que o mero panóptico de construir escolas no mesmo formato de prisões não bastam, precisam ser militarizadas, ter polícia nos corredores intervindo no ir e vir dos corpos, das idéias. E como só reprimir não basta para os negócios, os governos estaduais criam parcerias com a editora Globo, Abril para criar livros didáticos e programas “especiais” para seus negócios, transmitir sua ideologia, deixando de fora a participação dos professores e alunos na construção dos saberes e busca pelo conhecimento.

Sobre estas fundações miseráveis, militarizadas, privatizadas, ergue-se um ensino médio apressado, pois não há outra palavra para descrever o cotidiano de um jovem que chega cansado do trabalho, exprimido no precário transporte público para o ensino noturno e os EJAs. Apressado para ir para casa, sair com os amigos, cuidar dos filhos, descansar, apressado para concluir este aperto e quem sabe ter a chance, difícil, de passar em algum vestibular/Sisu sob as concorridas cotas ou em um Prouni.

Depois deste andar ergue-se o ensino superior. Um ensino superior que é a reprodução ampliada de suas bases. Mais de 75% dos estudantes universitários estão concentrados no ensino particular, pago. A bolsa do Prouni vem com condicionantes de desempenho – ignorando o extenuante ritmo de vida de quem tem que conjugar sustentar sua família com estudar – e com a proibição de criticar a universidade, se mobilizar. Quem organizar um centro acadêmico, alguma mobilização em uma universidade privada, que tal como ensino básico e médio são super repressoras com catraca, carteirinhas, intermináveis seguranças privados, tem um destino certo, enfrentar as ameaças de perda de bolsa, e conseqüente expulsão pela via de falta de pagamentos, mas mesmo assim, pouco a pouco os estudantes das privadas no país vão se organizando. Os estudantes não bolsistas estão submetidos a infernais matrículas e mensalidades sempre crescentes e a ter de deixar parte grande da renda de seu trabalho – se não o de parte grande de toda a família – para o punhado de tubarões do ensino que controlam este mercado privado.

Na universidade pública temos dois projetos que cruzam todo o sistema e às vezes a mesma universidade. Temos uma grande formação de mão de obra – com traços similares às privadas – e bolsões de excelência. E tal como no sistema como um todo os estudantes oriundos de famílias trabalhadoras estão em maus bocados. Com raras bolsas e com valores que competem com o bolsa-família e não com o salário mínimo, mal alcançam o valor das xerox e um ou outro pão de queijo, café. Alojamentos são raridades e em vários cantos do país, como na UFMG começam a ser operados por fundações privadas e a ser pagos, quando não são simplesmente precários. São uma senzala dentro da Casa Grande. Lá estão os negros e os estudantes pobres, e estão amontoados em condições insalubres. Não há creches para que mulheres possam deixar seus filhos e estudar, trabalhar, não há bandejões para conseguir se alimentar, e alimentar-se com mínimos padrões nutricionais. Tudo isto lado a lado com unidades de “excelência” citadas como a aurora de um “Brasil potência”.

Os bolsões de excelência podem fazer o que não se faz em todo o restante do sistema no país, pesquisar. Porém, limitados em seu acesso, em seu financiamento, espremidos pelo produtivismo de uma CAPES, CNPq e agências estaduais vão fazendo um ensino baseado em linhas de produção de bolsistas de iniciação científica, mestrado e doutorado que tem que cuspir um conhecimento em processo de apreensão ou impostos pelos orientadores o que é para melhorar a nota do programa da pós. E junto disto uma pressão imensa das empresas privadas. Abundam cursos de engenharia de petróleo, engenharia de minérios, engenharia florestal cada um deles com patrocínio de multinacionais ou para o lucro dos acionistas privados da Petrobrás. Os pesquisadores destes “centros de excelência” têm contratos que a pesquisa pertence à empresa “patrocinadora” e não à universidade, ao pesquisador. Na farmácia, na biologia vemos o mesmo se reproduzindo, e paulatinamente a mesma lógica com seu IBGE, Datafolha, outros vão entrando nas humanas.

Para sustentar tudo isto é preciso que as estruturas de poder da universidade sejam muito mais elitistas que o regime político vigente no país. 
Os órgãos decisórios das universidades, como os Conselhos Universitários (onde o reitor tem o poder de veto sobre tudo), e demais órgãos colegiados supostamente democráticos, contam com uma mínima porcentagem de estudantes e funcionários que, quando muito tem cada um 15% do poder de voto (e o que falar dos terceirizados), e dentre os professores várias complicações para que uma casta possa mandar em tudo. De norte ao sul do país, as universidades são comandadas por professores, em geral os que possuem os mais altos cargos, como os titulares, e aqueles que representam a maioria da comunidade universitária, estudantes e trabalhadores (efetivos e terceirizados), professores temporários, substitutos, não encontram nesses espaços a possibilidade de fazer valer sua força e opinião sobre os rumos da universidade, no máximo constam em ata, já que em raros lugares, juntos compõem 30% nestes órgãos que vergonhosamente alguns denominam “democráticos”.

É contra este sistema de educação que precisamos nos voltar. É preciso trazê-lo abaixo! Esta grande luta nacional pode dar os primeiros passos para levantar em alto e bom som esta luta. Contra o elitismo e racismo do sistema universitário, lutar pelo livre acesso às universidades, por todas as condições de permanência estudantil para que as massas trabalhadoras possam estudar, pelo financiamento para garantir um sistema educacional como este (10% ou muito mais), por outra estrutura de poder, democrática, onde aqueles que são a maioria, os estudantes possam junto a professores e trabalhadores determinar os rumos, por uma pesquisa livre das amarras produtivistas que permita um livre avanço da ciência e coloque o conhecimento a serviço da classe trabalhadora do país!

Não são poucos os trabalhadores que aceitam o discurso interessado da mídia e do governo de que se trataria de uma manifestação de uma elite, de uns privilegiados. Nosso melhor remédio é tomar em nossa luta a bandeira de todos os trabalhadores e do povo, fazer desta luta pelas mais elementares condições dignas para estudar e trabalhar em uma universidade federal uma luta pela completa transformação do sistema de educação no país!

Para levantar uma luta como esta, coisa que podemos e devemos neste forte movimento que estamos construindo é preciso derrotar os agentes do governo em meio ao movimento estudantil. O PCdoB/UJS, a DS (Kizomba/PT) e outras correntes majoritárias na UNE defendem este sistema educacional! Defendem algumas melhorias neste sistema racista e excludente, defendem a regulamentação do ensino privado e não sua estatização para que todos possam ter acesso à educação gratuita e de qualidade, defendem ampliar as bolsas do Prouni, as vagas de expansão precarizantes do REUNI e não o livre acesso de todos aqueles que querem estudar. Estas direções precisam ser derrotadas para abrir caminho a uma luta pela educação gratuita e de qualidade para todos!

Porém não só os governistas precisam ser derrotadas é preciso também superar as direções do PSOL e PSTU que são críticas a este sistema de educação, mas não lutam conseqüentemente por sua transformação. Em suas propagandas, tal como o fazem vários DCEs que dirigem, ou mesmo o ANDES, há críticas em panfletos e debates a cada aspecto do sistema de educação, no entanto, em suas lutas. Na concretude do que fazer, lutam só por salário e só por um outro bandejão, tratado de forma localista, reitoria a reitoria. O grande unificador geral é sua bandeira, abstrata, de 10% do PIB, mas sem questionar, na prática e na agitação, como são usados estes recursos, para onde vão, sem lutar contra as fundações, contra a CAPES, sem lutar pelo livre acesso. “A prática é o critério da verdade”, por isso é preciso sair da propaganda! É preciso colocar estas bandeiras na rua! É preciso inaugurar uma nova história na juventude em nosso país! Uma história de luta pela educação pública para todos, uma universidade com livre acesso, lutar por um conhecimento que sirva à classe trabalhadora!

Somos uma geração filha do neoliberalismo e individualismo, mas também somos os herdeiros de 68

Somos uma geração que já nasceu sem sonhos coletivos. Nascemos já não havia nada a aspirar fora o consumo. Nascemos sob o império do individualismo, nascemos sob a fragilização das pessoas, medicalizadas, bestializadas por programas de TV e intermináveis psicotrópicos para tornar a vida mais “palatável”. Porém no mundo todo a juventude está começando a se levantar e para dar um basta. Somos esta geração, mas temos uma história muito mais rica que esta miséria dos últimos anos e gerações para nos basear.

Somos herdeiros da Faculdade de Filosofia da USP na Rua Maria Antônia que em 1968 onde, junto a professores, os estudantes tomaram a universidade e mudaram todo seu funcionamento, das regras e horários aos currículos. Somos herdeiros da Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro no mesmo ano onde os estudantes honraram Edson Luís assassinado pela ditadura e puderam ser a voz de todo o povo gritando “Abaixo a Ditadura, o povo no poder!”. Somos herdeiros dos jovens que subiam os morros em todos os anos 60 e adiante, tentando estabelecer uma nova pedagogia que não só alfabetizasse o povo, mas o ajudasse a criticar, a lutar, colocando seus conhecimentos a serviço da classe trabalhadora e do povo. Somos herdeiros das manifestações de massas de 74 e depois que ajudaram abrir caminho para a luta da classe trabalhadora contra a ditadura. Somos milhares de jovens que tomaram as ruas em cada grande crise política, econômica, na história deste país para defender os interesses da classe trabalhadora e do povo. É desta história que precisamos nos lembrar, e fazer dela uma força viva em cada escola, em cada rua do país! Assim, daremos passos para usar a força da juventude universitária do país para avançar a mobilização, a crítica da classe trabalhadora a este país miserável e explorador, herdeiro da escravidão e do latifúndio, e abrir caminho a outra sociedade, baseada na auto-organização da classe trabalhadora e que acabe com a irracionalidade do capitalismo! 

Em todo o mundo a juventude e a classe trabalhadora precisam vencer!

A maior crise capitalista desde 1929. Cortes de gastos com saúde e educação. Aumento da idade para aposentadoria. Fim dos acordos coletivos. Esta é medicina que os capitalistas estão buscando impor aos povos. Uma intervenção médica que é para amputar, amputar o futuro de gerações. Porém os trabalhadores e em especial a juventude começam a resistir. Mesmo em países onde há regimes repressores e com intensa militarização como o México vemos milhares de jovens realizarem assembléias em cada universidade e tomarem as ruas em milhares, contra a manipulação da mídia, contra o governo e a militarização. Tomemos o exemplo da juventude grega, da juventude egípcia em Tahrir, dos chilenos em luta por educação gratuita, dos mexicanos, espanhóis que tem sofrido uma intensa repressão por terem apoiado a greve geral de 29 de Março, da juventude em Québec, no Canadá. A juventude e os trabalhadores podem e devem vencer em todo o mundo!



terça-feira, 29 de maio de 2012

A falácia do “combate” de Dilma aos bancos privados

Por Flávia Ferreira, estudante de economia da Unicamp e Iuri Tonelo, mestrando em sociologia da Unicamp – militantes da Ler-qi

                (Dilma e o empresário Eike Batista em evento no RJ)
Resposta de Dilma à crise é a “defesa da nossa indústria e do modelo de desenvolvimento aberto ao capital estrangeiro”, ou seja, avanço da precarização e da dependência do país ao capital financeiro e aos grandes monopólios.
O espectro de turbulências advindas da recessão sincronizada em curso no cenário internacional assombram, como um fantasma, o devaneio burguês de afirmação do Brasil como uma potência. Existem importantes contra-tendências ao “Brasil que avança” no plano externo e interno, que revelam a fragilidade do país, reforçando seu caráter atrasado e semicolonial, preso na rede financeira das grandes potências. Assim, os ritmos da economia brasileira são ditados pelo pulsar da economia mundial, dos países imperialistas e seus monopólios.
Os fluxos de capitais vindos dos países imperialistas os quais permitem a valorização do real e expansão da oferta de crédito, o ritmo das importações de matérias-primas pela China e a crise na Zona do Euro (com países como a Espanha com 24,4% de desemprego), além do ritmo lento de recuperação da economia norte-americana, são algumas das principais questões chave na conjuntura econômica internacional, que começou a impactar (ainda indiretamente) a economia brasileira.
É dentro desse contexto que devemos analisar as últimas medidas de Dilma e, tendo em vista a economia mundial como determinante de suas partes. Assim, podemos observar com profundidade quão insuficientes e débeis são as políticas do governo Dilma e do petismo, que esbarram em limitações estruturais do Brasil, e interesses de classe, já que servem à burguesia e ao capital financeiro e nem de longe respondem às necessidades mais profundas dos trabalhadores.
Assim, tendo em vista que a crise não atingiu o Brasil com a mesma intensidade dos países da Zona do Euro e os EUA, Dilma e seu governo podem assumir sua figuração petista (tão apreciada pela intelectualidade decadente de “esquerda”) de “choque com os bancos”. Essa postura, junto a um conjunto de medidas paliativas, mascaram os reais interesses do governo, com medidas preparatórias para um cenário mais Crítico, já inegável mesmo para o governo [1] – num marco de um país envolto a um mar de obras e construções para a realização da Copa do Mundo e as Olimpíadas, embasados no trabalho precário.
Estabidade lulista-dilmista é parteira de crises mais profundas
Se é verdade que a conjuntura econômica do Brasil não aponta evidências diretas de impactos da crise no país como vem ocorrendo nos países da Zona do Euro, também podemos inferir que é suficiente para mostrar alguns problemas cujas respostas e soluções não enfrentam as contradições estruturais do país e implicam em descarregar os custos da crise mais uma vez sobre as costas do povo explorado e oprimido. Apesar do discurso do governo Dilma e do PT de que estaríamos a caminho do “pleno emprego” (segundo a formulação keynesiana o “pleno emprego” é o nível de desemprego no qual só há desemprego conjuntural, em torno de 6%), – e de fato, o Brasil desde os anos 1980, nunca apresentou taxas tão baixas de desemprego -, é preciso discutir, qual a qualidade desses empregos e se estes não estariam fundados num vigoroso ataque aos direitos da classe operária, via aumento do número de postos de trabalho precarizados ligados ao crescimento econômico da Era Lula/Dilma. Isso se traduz no fato de que cerca de 70% dos novos postos de trabalho com registro em carteira, nos últimos anos, remuneram de 1 a 2 salários mínimos, segundo o CAGED.
A forte precarização no trabalho não é o único fator de vulnerabilidade. O recente desempenho favorável das exportações de produtos básicos [2] é impulsionado pela forte demanda por matérias-primas: insumos para o consumo e, fundamentalmente, para a produção industrial da China (“fábrica do mundo”) e do sudeste asiático. Demanda esta que provocou a valorização das commodities nos últimos dez anos.
Essa conjuntura internacional favorável aos grandes latifundiários da agroindústria nacional e estrangeira ocorre em detrimento das exportações de produtos manufaturados e reforça a tendência à concentração da pauta de exportações do país em produtos básicos (cerca de 65% – 2010 UNCTAD) e, ao mesmo tempo, encarece o preço dos alimentos no país, que se destinam preferencialmente para o mercado externo. Oscilações mais importantes nos preços das commodities, como já embrionariamente começa a se desenvolver [3] , diante da recente desaceleração da economia chinesa, podem produzir efeitos bastante críticos na economia brasileira.

A respeito do tão falado acesso ao crédito, como saída do petismo à crise e incentivo a indústria via consumo a prazo de bens duráveis, como veículos, eletrodomésticos e celulares, podemos identificar um ponto central da vulnerabilidade política da proposta por Dilma. A tendência de aumento no endividamento dos brasileiros, que contraíram grande volume de dívidas de curto e longo prazo, também é fator que preocupa a recuperação dos níveis de consumo e produção no país para os próximos períodos. As famílias estão com dívidas maiores de prazo mais longo, puxadas pelo financiamento imobiliário – programa Minha Casa Minha Vida – e compra de veículos pela via do crédito, que passou por um forte boom em 2010, mas hoje as empresas do setor acumulam altos níveis de estoque. Ou seja, pelo menos 42% das dívidas das famílias serão quitadas no longo prazo e o restante são dívidas de curto prazo, sendo que boa parte destas se destina à compra de produtos de necessidade básica (via cartão de crédito e crédito pessoal consignado principalmente), característica da precarização da vida e do trabalho que força os trabalhadores que ganham um salário de miséria a recorrerem ao crédito caro de curto prazo para comprar alimentos, roupas, entre outros produtos, os quais deveriam ser garantidos por um salário digno. Tais níveis de endividamento serão difíceis de serem sustentados, sem importantes contradições, diante do trabalho precário e da alta rotatividade do trabalho, num cenário de estagnação econômica e de alta no desemprego.
A política de juros de governo: a redução do spread [4] é uma guerra de Dilma contra os bancos?
Por que as taxas de juros no Brasil são as maiores do mundo? O Brasil para poder competir com países avançados, no que tange aos fluxos de capitais e investimentos financeiros, precisa “estruturalmente” elevar suas taxas para atrair capital e financiar sua enorme dívida pública, assim como a política de crédito ao consumidor. A taxa de juros real brasileira ainda é umas das mais elevadas do mundo, os bancos privados financiam os déficits do governo já que são remunerados por uma taxa de juros atrativa e com baixíssimo risco. Os bancos focam seus lucros nos títulos da dívida do governo constituindo os maiores detentores desses títulos, assim não tem interesse, grosso modo, num aumento no volume do “crédito barato”, contribuindo para o alto custo dos empréstimos (crédito) no Brasil, tendo em vista a característica fortemente oligopolizada do setor bancário no país (baixa concorrência, pouco incentivo à redução das taxas das transações bancárias e financeiras).
Quando Dilma anunciou o Plano Brasil Maior, também declarou que iniciaria uma “guerra ao spread” no país, o que poderia ser interpretado como uma política de enfrentamento aos altos lucros dos bancos privados e uma postura “progressista” do governo diante da crise na indústria. Porém é preciso desmascarar o discurso superficial do governo Dilma, já que a redução do spread bancário não implica necessariamente em redução nos lucros dos bancos, visto que essa redução deve se reverter em maior oferta de crédito barato e assim, um maior consumo, por meio de ganhos no volume financeiro, com a contrapartida de uma pequena redução da margem de lucro dos bancos privados.
A política econômica do governo, nesse sentido, estaria em tentar reduzir o spread, e supostamente “baratear” o custo do dinheiro para a indústria e para os trabalhadores, com o intuito de incentivar os bancos privados a reduzirem suas taxas de empréstimo e consequentemente o spread (sua margem de lucro bruta). Mas isso vem acompanhado da alteração nas regras da caderneta de poupança: o que supostamente seria um “incentivo” a essas quedas nos juros, em realidade, ao contrário do que afirmam as centrais sindicais governistas, prejudicam os rendimentos dos pequenos e médios poupadores, já que reduz seus ganhos naquela que é a principal possibilidade de poupar para os trabalhadores; e reafirmam o alinhamento, necessário para a burguesia, da política econômica do governo com os grandes monopólios do capital financeiro, já que os títulos de renda fixa [5] , detidos em grande parte pelo capital financeiro nacional e internacional, passarão a renderem mais que a poupança.
Isso se relaciona com outra suposta conquista para os trabalhadores, mas que tem em sua essência um outro ataque: o discurso ideológico do direito ao consumo [6] , aparece como outro aspecto político, com vistas à reeleição, que podem assumir as medidas de Dilma de redução dos juros e barateamento do crédito, como uma possível tentativa de dar fôlego ao equilíbrio social lulista que se apoia no gradualismo de uma frágil “ascensão social” em base ao consumismo. Estas medidas também representam uma tentativa contraditória do governo de deixar sua marca: o equilíbrio das taxas de juros do Brasil às do exterior para elevar a competitividade da indústria.
Entretanto, são parte das medidas contraditórias do governo para construir a falácia “nacional-desenvolvimentista” que o governo (e a burocracia sindical) tentam dar a essa política de juros, como defesa da indústria nacional: em verdade, tem no horizonte o gigantesco plano de especulação imobiliária e valorização do capital estrangeiro que se constituirá no país a partir dos eventos da Copa do Mundo e as Olimpíadas, que servirão ao alto lucro do próprio capital bancário (tendo em vista sua relação com o capital industrial) a partir dos grandes monopólios imperialistas.
Em vista disso, e de um ponto de vista mais geral, também não alteram uma só vírgula da estrutura do modelo neoliberal, mas se colocam, nos bastidores, a favor dos grandes monopólios bancários, pois nem arranham a manutenção de seus lucros (dos bancos), ainda estratosféricos, em que pese a redução da Selic e política de incentivo a diminuição do spread bancário, que também são engordados em cima do suor dos trabalhadores terceirizados e dos salários arrochados dos bancários. São medidas que, além de apresentarem uma base de sustentação frágil contribuem, pelas condições acima, para o aprofundamento do caráter dependente da economia, e buscam mitigar o desempenho pífio da indústria.
Política econômica como preparação de ataques mais profundos aos trabalhadores!
Em síntese, por que a política econômica de Dilma é um “combate” falacioso aos bancos privados? É preciso desmascarar o discurso “nacional-desenvolvimentista” do petismo e de setores da intelectualidade, uma vez que essa política é prudencial e tem o objetivo de enfrentar as ameaças que a crise capitalista coloca para as debilidades estruturais do país. Isso porque o aceleramento dos ritmos da época atual, imperialista – com a hegemonia do capital financeiro -, coloca, para um país semi-colonial de tipo especial como o Brasil, a impossibilidade estrutural para os governos burgueses de enfrentamento duradouro ao poder dos grandes monopólios financeiros. Estes últimos estão profundamente enraizados na estrutura financeira do país (desde o surgimento dos primeiros bancos no Brasil), são a base do financiamento público e privado e, por meio dos fluxos de investimento direto que inundam o país nos últimos anos, ainda viabilizam a expansão do crédito inclusive de bancos públicos como a Caixa e Banco do Brasil.
Ou seja, em base ao clima de euforia de um Brasil que alcança a sexta posição entre as maiores economias do mundo, que transparece uma imagem de ascensão no cenário internacional etc., os apologistas do governo vêem nessa medida dos juros de Dilma a expressão da nova localização do governo frente ao cenário internacional – que se traduziria numa suposta independência maior do governo em relação aos bancos (!). Entretanto, a combinação entre o forte endividamento público, dependência das commodities, baixos salários e endividamento para consumo mostram de fato, com clareza que a política econômica de Dilma não mantem nenhuma independência ao capital financeiro internacional, mas antes se baseia em outras formas de ataques aos trabalhadores, aprofundando a precarização do trabalho, as terceirizações e a intensificação da exploração, e criando as bases (com a expansão do crédito aos trabalhadores), para contradições ainda mais profundas num momento de crise econômica mais implacável.
Tendo por base o cenário internacional, que combina a desaceleração econômica dos EUA, a recessão sincronizada com fortes elementos de crises profundas (sociais e políticas) na Europa e os primeiros traços de vulnerabilidade da economia chinesa, podemos entender o conteúdo político das novas medidas, que de um ponto de vista mais preparatório, visam aprofundar a popularidade do governo, assentando ainda mais as bases da estabilidade advindas do ciclo lulista precedente. Estas medidas, nesse sentido, seriam necessárias para controlar o movimento operário brasileiro, num cenário de mais impacto da crise econômica no Brasil, que implicaria em fortes ataques como demissões, quedas salariais, etc. Cenário no qual política monetária, que longe de representar uma saída, como aponta a mídia burguesa, se traduz em golpes concretos aos trabalhadores, tanto por meio da desvalorização cambial em curso (em torno de 25%) que deve corroer o poder de compra dos salários, quanto pela valorização do real que provocaria a quebra da indústria e traria de volta a ameaça de elevados níveis de desemprego a exemplo do que ocorreu com a Argentina no início dos anos 2000.
Combater a burocracia sindical com uma política de independência de classe!
A burocracia sindical tem importante papel na manutenção do gradualismo da era Lula/Dilma e na passividade do movimento operário no país, desviando os processos de lutas e sua combatividade para uma adaptação ao reformismo lulista e ao governismo; na contramão da independência de classe, agem como representantes dos interesses da burguesia no seio da classe operária. Uma luta classista e consequente das classes oprimidas contra o poder dos monopólios bancários e o capital financeiro imperialista não deve de forma alguma passar pela aliança espúria com setores da CNI e FIESP, representantes de uma fração da burguesia nacional, como fez a CUT, a CTB, a Força Sindical e o Sindicato dos metalúrgicos do ABC filiado à CUT [É preciso que as centrais sindicais antigovernistas se coloquem numa perspectiva de independência de classe, de democracia operária e auto-organização, contra o burocratismo e o reformismo que alimentam a passividade e criam o terreno para que se passem mais ataques. Centrais sindicais governistas como a CUT cumprem um papel nefasto na luta contra a terceirização ao não levantarem um programa classista e independente, único capaz de irromper com o pilar lulista de “crescimento sustentado” e responder às necessidades dos trabalhadores e do povo pobre pela sua ação independente diante dos desafios que a crise irá nos impor. Ao invés da exigência da aprovação de um projeto de lei pela regulamentação do trabalho precário e/ou maior fiscalização como fazem estas centrais, a classe trabalhadora deve levantar um programa que responda à precarização do trabalho com efetivação de todos os trabalhadores em condições precárias, com iguais direitos e salários e a união das fileiras operárias entre efetivos e terceirizados – educar os trabalhadores a solidariedade de classe, única forma de fortalecer a luta de conjunto a partir de seus próprios métodos de ação. Também são incapazes de levantarem uma campanha nacional contra a Lei Anti-Greve (AI-5 da Copa) e em defesa dos lutadores, contra a repressão e a militarização dos canteiros de obras como em Jirau. Não é semeando ilusões na política econômica e no gradualismo de Dilma que será possível enfrentar e preparar as condições efetivas para reativar a economia num cenário de crise capitalista mundial no qual se colocam desafios para a classe trabalhadora, tendo em vista que qualquer solução que não seja outra forma de subordinação ao imperialismo só pode passar pela estatização de todo o sistema financeiro nacional e a constituição de um banco único, estatal e público sob controle dos trabalhadores. E para enfrentar a vulnerabilidade das exportações de commodities dependentes das oscilações internacionais de preço, dos fluxos de capitais e agravadas pela altíssima rentabilidade do agronegócio contra os interesses nacionais, é necessário lutar pelo monopólio do comércio exterior. Somente a partir desse programa classista e independente, é possível reordenar o sistema financeiro para que este seja orientado à planificação da economia a partir das necessidades dos trabalhadores e do povo pobre com investimentos em saúde, moradia e educação de qualidade e gratuitos, eliminando os lucros dos banqueiros, organizando e viabilizando a produção e consumo com garantia estatal de acesso ao crédito, juntamente com o não pagamento da dívida.
[1] “Para o Copom, acumulam-se evidências que apoiam a visão de que a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira se materializa por intermédio de diversos canais, entre outros, moderação da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos e condições de crédito mais restritivas” (Ata da reunião do Copom, abril/2012)
[2] Cerca da metade do total exportado pelo país se concentra em apenas cinco commodities: minério de ferro, petróleo em bruto, complexo soja, açúcar bruto e refinado e complexo carnes.
[3] Preços de commodities recuam 12,7% em 12 meses.
[4] Segundo o Banco Central, spread é um termo em inglês usado para expressar a diferença entre o que o banco paga ao aplicador (fornecedor de recurso ao banco) para captar um recurso e quanto cobra para emprestar esse mesmo dinheiro.
[5] Títulos mais lucrativos e de menores riscos, associados a necessidade de financiamento da dívida pública nacional.
[6] Pronunciamento de Dilma no 1o de Maio.
[7] Matéria completa disponível no link: http://www.smabc.org.br/smabc/materia.asp?id_CON=29061&id_SUB=80
(Para mais artigos, acesse  http://desmanchanoar.wordpress.com/, blog de economia marxista)