Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

terça-feira, 29 de maio de 2012

León Trotsky - Pela liberdade na educação (1938)

Introdução
por João de Regina, professor de sociologia pela rede pública de ensino



Publicamos um texto de Leon Trosky, durante seu período de exílio no México, sobre a necessidade de libertar a educação dos inúmeros vieses de autoritarismo imposto a ela pela sociedade de classes. Trotsky, e a quarta internacional, travaram uma luta decidida contra o autoritarismo sobre a educação mostrando como libertar as escolas, e o processo educacional como um todo, das mãos da burguesia, era parte da luta de garantir um futuro a juventude e ao mundo. As resoluções sobre juventude do congresso da Quarta Internacional, do mesmo ano do texto que publicamos, afirmavam: “Os jovens querem aprender, mas o caminho da cultura é barrado a eles.(...) Os jovens querem criar um mundo novo, mas a eles se permite apenas manter ou consolidar um mundo decadente. Os jovens querem conhecer seu futuro, mas o capitalismo apenas responde a eles: ‘Hoje vocês têm de apertar mais os cintos; amanhã veremos...’”.
O autoritarismo stalinista era uma demonstração a mais de como seu projeto era contrário a continuação do processo histórico iniciado pela revolução de Outubro na Rússia. O autoritarismo imposto aos professores na Rússia e aos sindicatos que dirigia era uma semelhança a mais com o capitalismo que estava na contramão da internacionalização do socialismo, da revolução mundial.
O capitalismo não pode garantir nenhuma liberdade real à educação. Esta enquanto estiver atrelado aos interesses do lucro das frações de classe burguesa só garantirá a cultura, o conhecimento e a ciência de forma utilitária e estratificada. Ou seja, apenas se servir aos lucros empresariais, a divisão da classe operária e ao disciplinamento alienado da grande massa da população.
A educação capitalista deseja disciplinar os professores para eles melhor disciplinarem os jovens e os trabalhadores. Assim foi na época de Trotsky, nos países de capitalismo democrático, fascistas, nacionalista-burguês (como o de Cárdenas no México) e, infelizmente, na URSS, um Estado Operário degenerado pelo stalinismo. Mas continua sendo, mesmo que as duas últimas décadas tenham propagado os discursos fáceis de “triunfo do capitalismo e da democracia como valor universal”. A educação ainda se encontra presa a economia capitalista e ao projeto de privações para a maioria da juventude, trabalhadores e pobres. Garantir a liberdade da educação e a universalização do conhecimento ainda é uma tarefa histórica indissociável de um projeto anti capitalista.


                                                 ***



 10 de julho de 1938

Sinceramente agradeço aos diretores de Vida por haverem me pedido para expressar minha opinião sobre as tarefas dos educadores mexicanos. Meu conhecimento da vida deste país é ainda insuficiente para formular juízos concretos. Mas existe, entretanto, uma consideração geral que posso expor aqui.
            Em países atrasados, o que inclui não só o México, mas em certa medida também a URSS, a atividade dos professores não é uma simples profissão, mas uma missão enaltecedora. A tarefa da educação cultural consiste em despertar e desenvolver a personalidade crítica entre as massas oprimidas e escravizadas. A condição indispensável para isto é que o educador possua uma personalidade desenvolvida em um sentido crítico. Uma pessoa que não desenvolveu sérias convicções não pode ser um dirigente das massas.  É por isso que um regime totalitário em todas suas formas, no Estado, no sindicato, no partido, ocasiona irreparáveis danos à cultura e à educação.
Quando as convicções são impostas de cima para baixo, como uma ordem militar, o educador perde sua individualidade mental e não pode inspirar a crianças ou adultos respeito ou confiança na profissão que exerce. Isso ocorre atualmente, não só em países fascistas, mas na URSS. As bases criadas pela Revolução de Outubro ainda não estão – por sorte – destruídas completamente. Mas o regime político já tem assumido definitivamente um caráter totalitário. A burocracia soviética, que tem violentado a revolução, quer que o povo a considere infalível. É aos professores a quem encomendou a tarefa de enganar as pessoas, como fazem os sacerdotes.
Para calar a voz da crítica, têm introduzido um sistema totalitário na educação dos sindicatos operários. Os funcionários da polícia põem os dirigentes sindicais a empreender furiosas campanhas de calúnia e repressão contra os educadores de mente crítica, acusando-os de serem contra-revolucionários, “trotskistas” e “fascistas”. Aqueles que não se rendem, são suprimidos pela GPU[2]. Além disso, a burocracia soviética tenta estender o mesmo sistema ao mundo inteiro. Seus agentes em cada nação buscam estabelecer o sistema totalitário dentro dos sindicatos daqueles países. Este é o perigo terrível que ameaça a causa da revolução e ameaça a cultura, particularmente nos países jovens e atrasados, onde a população está propícia, ainda tal como é, a dobrar os joelhos ante o feudalismo, o clericalismo e o imperialismo.
Meu desejo mais fervoroso é o de que a educação mexicana não seja submetida a um sistema totalitário em seus sindicatos, com as mentiras, calúnias, repressões e estrangulamentos do pensamento crítico que este traz consigo. Somente uma honesta e tenaz luta ideológica pode assegurar a formação de convicções sérias com raízes firmes. Só uma educação com estas convicções é capaz de ganhar autoridade indestrutível e realizar sua grande missão histórica. 


[1] Por la libertad de educación: IV Internacional (México), agosto de 1938. Traducido del español para el libro de Trotsky, Problems of Everyday Life (Problemas de la vida cotidiana) (Pathfinder, 1973) por Iain Fraser. O texto era uma carta para Vida, o periódico dos professores de Michoacán, México. IV Internacional  era o periódico da sessão mexicana do MFI (Movement for the Fourth International – Movimento pela Quarta Internacional) Tradução de Iuri Tonelo.



[2] Criada em 1922 como administração política do estado, substituindo nesse ano a sua antecessora Cheka, órgão soviético máximo de combate à sabotagem e à contra-revolução, tornou-se a polícia política do regime stalinista, perseguindo e assassinando diversos militantes históricos do partido bolchevique na URSS, e lutadores e ativistas contra o stalinismo em todo o mundo. (Nota do tradutor)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Reflexões iniciais sobre a emancipação da mulher: liberdade sexual e Revolução Russa

por Iaci Maria, estudante de pedagogia da Unicamp, e 
Milena Bagetti, estudante de pós graduação em ciência de alimentos pela Unicamp

É um fato curioso que a cada grande movimento revolucionário vem à tona a questão do ‘amor livre’.” (F. Engels, 1883)

A livre expressão da sexualidade, assim como o “amor livre”, são temas que têm sido debatidos ao longo de séculos e, a cada novo processo revolucionário tanto esses temas quanto questões sobre os direitos das mulheres saltam a primeiro plano. Mas afinal, o que representa essa discussão, tanto hoje, frente a uma crise mundial, processos revolucionários e grandes mobilizações que vem se estendendo pelo mundo inteiro, como nos períodos revolucionários abertos ao longo da história, como a Revolução Russa de 1917? Retomarmos os avanços para as mulheres conquistados a partir da instauração de um Estado Operário na Rússia vem da necessidade de tirarmos as lições do que representou aquele período, tudo que foi conquistado ali, e o porquê aqueles avanços só foram possíveis depois da Revolução, a partir de um período de transição ao socialismo, e quais os erros que levaram às derrotas nesse processo.
Expressar livremente tanto o amor como a sexualidade é poder expressar sem opressões e repressões o seu desejo, é tomar as decisões sobre o próprio corpo, se permitindo sentir prazer saudavelmente, conforme a vontade. A sexualidade só será realmente livre quando houver de fato a compreensão e as condições objetivas e subjetivas para que o amor seja livre, ou seja, quando homens e mulheres forem livres para se apaixonar por várias pessoas, e consigam exercer essas paixões.
Na sociedade capitalista existe uma falácia sobre a independência da mulher, social, financeira e sexual. Com o surgimento de vários métodos contraceptivos e após os movimentos feministas das décadas de 1960-70, difundiu-se a crença de que a juventude pode exercer livremente sua sexualidade. O elemento não levado em conta, entretanto, é que este livre exercício se aplica muito mais aos homens, dada a ideologia imposta pela classe dominante de que as mulheres não devem ter relações sexuais por fora de um relacionamento estável, monogâmico. Além disso, se faz ainda a conservadora separação entre a mulher que é “para casar” e a que é “para se divertir”, denotando a recusa de que a mulher tenha o direito de exercer livremente sua sexualidade. Este livre exercício é ainda muito mais restrito para as camadas mais pobres, não só pelo reduzido acesso à contracepção e à educação sexual, mas também pela disciplinarização da força de trabalho, como aponta Gramsci em “Americanismo e Fordismo”. Tal disciplinarização é voltada para os propósitos de acumulação do capital, criando elementos, tais como cooptação, familiarização, repressão e coerção, que contribuem para uma ideologia em que corpos disciplinados para o trabalho são mais produtivos. Sendo assim, o livre exercício da sexualidade se apresenta contraposto ao modelo de trabalhador puritano. E na atualidade, mesmo com novos modos de organização da produção capitalista, esta ideologia ainda é atual e se expressa em formas cada vez mais intensas de exploração do trabalho, como se observa na terceirização, no trabalho precário da limpeza, no telemarketing de jornadas exaustivas e em outros setores, em sua maioria, realizados por mulheres.
É essa mesma ideologia dominante que atua no parlamento brasileiro, mantendo a criminalização do aborto, outro meio de impedir o livre desenvolvimento sexual das mulheres. Por isso a luta pela legalização do aborto deve ser travada enquanto uma luta pelo direito da mulher de decidir pelo próprio corpo, uma luta para se livrar de uma de suas amarras sexuais.

A ideologia atualmente dominante em nada é recente!

(Foto: cartaz norte-americano de 1950, "American way of life")
Engels, em sua obra “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” (1884), assinala o início da família monogâmica na Grécia antiga juntamente com o surgimento da propriedade privada, simplesmente para que o homem pudesse ter certeza de que o filho era seu, e assim passar sua herança. Surge assim também a primeira forma de opressão de classe:

Essa foi a origem da monogamia, tal como pudemos observá-la no povo mais culto e desenvolvido da antiguidade. De modo algum foi fruto do amor sexual individual, com o qual nada tinha em comum, já que os casamentos, antes como agora, permaneceram casamentos de conveniência. Foi a primeira forma de família que não se baseava em condições naturais, mas econômicas, e concretamente no triunfo da propriedade privada sobre a propriedade comum primitiva, originada espontaneamente. Os gregos proclamavam abertamente que os únicos objetivos da monogamia eram a preponderância do homem na família e a procriação de filhos que só pudessem ser seus para herdar dele. (...) Num velho manuscrito inédito, redigido em 1846 por Marx e por mim, encontro a seguinte frase: "A primeira divisão do trabalho é a que se fez entre o homem e a mulher para a procriação de  filhos”. Hoje posso acrescentar: o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher, na monogamia; e a primeira opressão de classes, com a opressão do sexo feminino pelo masculino.” (F. Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado)

O capitalismo se apropriou dessa família e dessa opressão para garantir seus lucros, não somente pela questão da herança, mas também ao manter a mulher como responsável pelos trabalhos domésticos, sem receber nada por isso, trabalho esse que garante ao seu companheiro a comida pronta, casa limpa e roupa lavada, condições necessárias para que ele continue trabalhando e produzindo para seu patrão. Para além desses fatores de herança e trabalho doméstico a mulher é também oprimida pelo papel vital de reprodutora, que deve cumprir dentro do núcleo familiar, sendo seu corpo visto apenas para essa finalidade: a reprodução da vida e do trabalho. Ou seja, a opressão familiar, para que se faça material e siga garantindo a perpetuação do capitalismo, deve ser ideológica, e é a ideologia burguesa dominante que, junto a uma moral religiosa, impõe um conservadorismo à sociedade que impede a juventude – e, principalmente, as mulheres – de exercerem sua sexualidade livremente, derivando daí a idéia romântica de “amor único”, e da necessidade de se ter um relacionamento monogâmico estável e, a partir dele, constituir uma família idealizada para a realização desse amor, sendo esse “amor” sustentado no cotidiano e fundamentado na culpa quando da atração por outra pessoa, o que gera conflitos internos e a repressão e o recalque de desejos sexuais.
A liberdade sexual das mulheres não poderá ser alcançada enquanto houver propriedade privada, por dentro de um sistema que se utiliza de sua opressão para sobreviver e seguir lucrando. Ela não virá dentro dos marcos do capitalismo, e essa é uma lição que a história nos ensina ao notarmos que no período pós-revolucionário da Rússia as primeiras conquistas foram a respeito dos direitos e liberdades das mulheres.

Os avanços do período pós Revolucionário da Rússia, e as derrotas geradas pela falta da Revolução Mundial
Os bolcheviques defendiam que somente no socialismo teria fim a opressão da mulher, quando o trabalho doméstico fosse transferido para a esfera pública. No livro “La mujer, el Estado y la revolución”, a historiadora norte-americana Wendy Z. Goldman resgata as políticas familiares e a vida social na Rússia (e, depois, na URSS) entre 1917 e 1936. Goldman aponta como as políticas públicas livrariam as mulheres do trabalho doméstico e isso, gradativamente, aboliria a família, emancipando-as. Frente a isso, as uniões entre os sexos se dariam apenas a partir do afeto e respeito mútuo, ou seja, uniões baseadas no chamado “amor livre”. Alguns teóricos soviéticos, como Alexandra Kollontai, defenderam amplamente a liberdade sexual, como a expressão de um desejo natural; enquanto outros demonstraram certa preocupação quanto às consequências dessa sexualidade livre.
Apesar do avanço que significou discutir e defender a liberdade sexual naquele momento, a preocupação desses teóricos e dirigentes, entre eles Lênin [*], era de certa forma coerente se pensarmos que em 1918 não haviam métodos contraceptivos. Portanto, já nessa época, a liberdade sexual era a liberdade sexual do homem! Para que houvesse liberdade sexual para a mulher, eram necessárias condições materiais para sua garantia, e a questão dos filhos era uma das maiores preocupações. Logo nos primeiros anos após a Revolução de 1917, discutiu-se que o Estado passaria gradativamente a ser responsável pela criação das crianças, tirando essa tarefa do âmbito familiar. Outras condições materiais – creches, restaurantes e lavanderias comunitárias – também foram garantidas, livrando as mulheres da dupla jornada de trabalho, além de garantias na lei, que Wendy Goldman exemplifica em seu livro, como o direito ao divórcio, que permitia à mulher se livrar de um matrimônio indesejado; a questão das pensões alimentícias, as quais os juízes sempre favoreciam as mulheres sem julgar sua vida sexual, com quantos homens teve relação; e também as leis trabalhistas que favoreciam as mulheres, como a proibição do trabalho noturno para mulheres.
Todos os avanços que a Rússia construiu nesse período pós-revolucionário foram retrocedidos. Por ser um país majoritariamente camponês que acabava de sair de uma Guerra Civil e, naquele momento, era o único Estado Operário em meio a um mundo Capitalista, sua economia estava arruinada. A solução encontrada pelos dirigentes do Partido foi a implementação da Nova Política Econômica (NEP), o que se mostrou uma política necessária para o Estado, mas acabou representando uma derrota para as mulheres, como Wendy Goldman demonstra em seu livro ao minuciosamente se dedicar aos dados a respeito dos restaurantes, creches, lavanderias e lares para crianças que fecharam, e como as mulheres foram as primeiras e principais afetadas pelo desemprego, mesmo tendo a seu favor leis que deveriam lhes garantir seus postos de trabalho. Retrocessos subjetivos também ocorreram, como o retorno à família enquanto pilar social e, mesmo sendo legalizado o divórcio, as mulheres mais pobres e trabalhadoras não possuíam de fato esse direito, já que eram novamente dependentes financeiras de seus maridos, devido ao alto índice de desemprego feminino. Frente a essas perdas, volta com toda força a prostituição, onde a venda de seu próprio corpo representa o sofrimento por conseguir um pedaço de pão.
(Foto: cartaz soviético do período stalinista no qual se lê:
"Tudo sabemos fazer por nós mesmos. Ajudamos a nossa mãe!")
O que Wendy Goldman não mostra no seu livro é a raiz de todo o problema, que começa com a concepção de “socialismo em um só país”, concepção essa que os próprios retrocessos nas conquistas da Revolução mostram que não é possível. Todas as derrotas que foram se dando na Rússia vieram do isolamento político e econômico que aquele país se encontrava, principalmente depois da derrota da tão esperada Revolução Alemã. Todos esses exemplos de derrotas para as mulheres, depois de uma série de vitórias, vêm para comprovar toda a luta política que Trotsky deu contra Stálin e Bukharin – que defendiam a mencionada teoria do “socialismo em um só país” – dentro da III Internacional, na defesa do Internacionalismo, e da impossibilidade do triunfo do comunismo em um só país.

Havia duas teses fundamentais na teoria da revolução permanente. Primeiro, que apesar do atraso histórico da Rússia, a revolução pode colocar o poder nas mãos do proletariado russo antes de o proletariado de países avançados conseguirem isso. Segundo, que a saída para as contradições que acontecerão com a ditadura do proletariado em um país atrasado, cercado de um mundo de inimigos capitalistas, será encontrada na arena da revolução mundial. A primeira proposição é baseada num correto entendimento da lei do desenvolvimento desigual. A segunda depende de um correto entendimento da indissolubilidade dos laços econômicos e políticos entre países capitalista.” (L. Trotsky, Stálin, o Grande Organizador de Derrotas)

As experiências da Revolução Russa nos mostram de modo mais completo que as grandes reflexões ideológicas para o avanço da subjetividade humana, para que possibilitem a emancipação integral da mulher, devem encontrar na realidade objetiva - em especial nas condições materiais - as bases para essa discussão, mas também que não basta apenas a revolução socialista para se por fim às opressões. A emancipação feminina só se dará quando o machismo e a opressão estiverem totalmente abolidos da consciência da população, de todos os trabalhadores, e para isso há a necessidade de um período transicional entre o capitalismo e o comunismo para que não só as transformações sociais, políticas e econômicas sejam implementadas, como também para que essa subjetividade humana ache meios para avançar através das discussões a respeito, e assim as consciências alcancem de fato um ponto onde opressões como o machismo estarão suprimidas. A revolução socialista, a estratégia da revolução internacional e o período de transição ganham uma importância decisiva e estão completamente relacionados à superação desses males, das opressões físicas e psicológicas e da repressão da sexualidade feminina.

A mulher, a sexualidade, e os desafios contemporâneos
Hoje, em meio ao Imperialismo, tudo isso que consideramos derrotas para as mulheres não passa do que é considerado natural, dentro da moral e ideologia dominantes. A livre expressão de sua sexualidade é um tabu discutido entre algumas minorias, grupos específicos que se voltam para discutir questões de gênero ou questões LGBT. A própria esquerda se furta de aprofundar esse debate, pois está também adaptada a essa moral religiosa e à ideologia burguesa, tão intrínsecas a sociedade contemporânea. Mesmo as que são consideradas conquistas legais, são no limite apenas formalidades, pois a igualdade entre homens e mulheres garantida na Constituição não é uma igualdade real quando a opressão, a dupla jornada de trabalho, e o moralismo burguês seguem atando as mulheres ao seu papel de mãe, esposa, dona de casa, mesmo quando ela trabalha fora.
O que queremos aqui é aprofundar a discussão sobre a liberdade sexual das mulheres e de toda juventude em meio à miséria sexual proporcionada pelo capitalismo, e mostrar como as mulheres devem se alçar enquanto sujeito de sua própria história, lutando pelo rompimento das estruturas que sustentam o capitalismo e sua miséria sexual. Essa luta feminista só se fará possível se estiver colada a uma estratégia revolucionária e ao marxismo, pois apenas através da formação de mulheres dirigentes dentro de um partido leninista, dadas as condições concretas de um processo revolucionário – com todas as dificuldades que este tem, como mostramos acima através dos estudos de Wendy Goldman – poderá ser impulsionado um Estado onde o trabalho doméstico deixe de estar fechado no âmbito privado e passe a ser da esfera pública, liberando a mulher para a participação pública, social e política, onde elas possam travar um duro combate contra o machismo e a opressão, essas velharias ideológicas que se fazem materiais em nossa sociedade, e devem ser destruídas. É tarefa fundamental dos revolucionários ter sempre em mente que a real emancipação da mulher só se dará junto ao desenvolvimento do comunismo, quando for abolida a propriedade privada, a igreja e a família, entidades que são, por excelência, opressoras das mulheres.


[*] Lênin, um dos grandes dirigentes da Revolução Russa, expressa sua preocupação com o excesso de atenção dado às questões sobre a sexualidade e o casamento, inclusive de maneira conservadora em alguns pontos, em um diálogo que teve com Clara Zetkin em 1920, uma das fundadoras do Partido Comunista da Alemanha. “Desconfio daqueles que estão absorvidos constante e obstinadamente com as questões do sexo, como o faquir hindu com a contemplação do próprio umbigo.”, diz o revolucionário ao defender que, em meio à eminência da Revolução Alemã, essas questões não deveriam ter prioridade. (http://www.marxists.org/portugues/zetkin/1920/mes/lenin.htm)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Nota da Juventude às Ruas - sobre os últimos processos de luta na FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ.

Reivindicamos o espirito da juventude que hoje se levanta em varias partes do mundo, expressando sua indignação e sua repulsa a esse modelo capitalista de sociedade, o qual não nos satisfaz. Porém para vencer, a juventude hoje precisa ir por mais, ir para além, é necessário ter um programa que dê uma alternativa real de superação ao capitalismo, que questione os problemas sociais até o final “tomando as coisas pela raiz”, ligando-se aos trabalhadores através de uma estratégia revolucionária.
Na terça-feira um grupo minoritário que não representa os estudantes da FAFIL e muito menos da FSA de conjunto quebrou o muro erguido na frente do D.A pela reitoria (decidiram tudo sozinhos e queriam que o restante do movimento se unisse a eles na hora da ação), essa decisão foi tomada sem passar por nenhuma instancia de BASE do movimento estudantil. Nós da juventude AS RUAS sempre nos colocamos totalmente a favor da derrubada do muro e da retomada do espaço do D.A pelos estudantes, mais não a partir da ação de um grupo de “iluminados” que fazem isso sem ganhar o respaldo da base estudantil, e sim através da vontade, iniciativa e organização do próprio conjunto dos estudantes. Nesse sentido a tarefa mais correta, honesta e revolucionaria dos ativistas do movimento estudantil da FSA é conscientizar e organizar os estudantes da FAFIL para que nós junto com eles - e logicamente respaldados por eles – retomemos nosso espaço que foi roubado pela reitoria. Por fora disso qualquer ação não conseguirá retomar de fato nosso espaço e só ajudará a reitoria a destruir mais rápido o ativismo estudantil na FSA e implantar com bem mais tranquilidade seu projeto espúrio de universidade.
Para disputar a influencia entre os estudantes, por um lado com o “senso comum”, e por outro com a reitoria, tem que ter coragem porque é uma tarefa muito difícil, porém é extremamente necessária e apaixonante do ponto de vista revolucionário, pena que alguns tenham desistido dessa tarefa, dizem que “não da certo”, “que já tentaram de tudo para trazer os estudantes para a luta, mas eles não querem” etc... Com isso partiram para ações vanguardistas dizendo que elas trariam os estudantes para a luta, quando na verdade é elementar a constatação de que se a coisa não vem das bases, se a coisa não é construída nas bases, é impossível derrotar o status-quo.
Dois militantes da LER-QI e da juventude AS RUAS possuem três suspensões que foram aplicadas pela reitoria nos últimos dois anos, duas delas por participação nas lutas pela redução das mensalidades e uma delas por participação naquela reunião que fizemos depois da retirada das coisas do D.A (clara perseguição, já que vários estudantes também estavam lá e não receberam nenhuma punição), além disso, a reitoria possui um dossiê sobre outro de nossos militantes com o intuito de prejudica-lo o máximo possível, inclusive a partir de medidas judiciais.
Estamos impulsionando as reuniões do movimento estudantil desde antes do inicio das aulas para nos articularmos e conseguirmos de fato retomar nosso espaço que foi roubado pela reitoria. O ativismo do M.E da FSA precisa se convencer de uma vez por todas da necessidade de ganhar influencia entre a comunidade acadêmica, principalmente entre os estudantes, disputar a hegemonia da universidade com a reitoria, e encarar isso como militância de fato, para que ai sim ações radicalizadas sejam efetivas e ajudem o movimento a avançar, sendo legitimadas pelos estudantes, além de estarem preenchidas de conteúdo politico que questione as bases da estrutura de poder da FSA e consequentemente da universidade brasileira de conjunto.
Os últimos materiais que publicamos enquanto juventude AS RUAS discutem com duas das principais tendências do atuam no movimento estudantil da FSA juntamente conosco, o debate de ideias é essencial, a pluralidade e democracia fazem parte da melhor das tradições do movimento estudantil, nunca iremos nos adaptar a qualquer tipo de “vanguardismo autoritário” que tenta reprimir ideias opostas se atualizando de calunias, quem ler os nossos materiais - que já são públicos e que queremos divulgar ainda mais - verá que não existe nenhum tipo de “caguetagem” como afirmam os mais degenerados, entramos em polemica com as posições desse setor (os que tocaram a ação na terça-feira) e se elas se mantiverem continuaremos a entrar, na verdade o que queriam era fazer sua ação leviana sem receberem criticas. Não é a toa que a discussão é de baixíssimo nível, nenhum questionamento mais profundo a nossas ideias foi feito. Ainda temos que levar em consideração que varias dessas pessoas que estão nos caluniando chamaram voto e apoiaram a reitoria Cacalano nas ultimas eleições para reitor e apoiaram também a ultima gestão do D.A que se “desmanchou no ar” e abandonou os estudantes diante os ataques da reitoria.
Aqueles que não respeitam e caluniam posições divergentes, atitude essa que em um primeiro momento pode “ajudar” a consolidar suas posições, no final das contas só corroboram com a reitoria no seu plano de desarticulação do movimento estudantil da FSA e na implantação do projeto privado e elitista de universidade que Cacalano, Edna Mara, Flavio Morgado, Mirian Lernic e CIA têm para a FSA.
Por um lado, um enraizado sentimento anti-partidário – que combate mais os partidos proletários de esquerda do que a burguesia e seus agentes – e por outro, o oportunismo adaptado que se alça nesse sentimento de forma acrítica com o intuito de se localizar no M.E da FSA, são elementos determinantes que marcam as concepções mais atrasadas desse grupo heterogêneo que se formou para a “derrubada do muro em si”. Sabemos que sentimentos sinceros de indignação existem em pessoas que participaram dessa ação, porém foram canalizados por uma pseudo-estrategia oportunista que não levará o movimento a vitória.
Marx, apesar da admiração que mantinha pelo espirito revolucionário de Auguste Blanqui, fazia criticas severas a concepção de Blanqui que via com demasiada importância a conspiração e atuação dos revolucionários em si mesmos, por fora da luta de classes e consequentemente por fora da atuação da classe trabalhadora, essa concepção de Blanqui levou ele e seus discípulos a diversos desvios que tornaram essa “corrente teórica e militante” incapaz de contribuir para a emancipação da classe trabalhadora e por conseguinte da humanidade.
Para Lenin “os blanquistas acreditam que a humanidade se libertaria da escravatura assalariada não por meio da luta de classe do proletariado, mas graças à conspiração de uma pequena minoria de intelectuais”.
A concepção marxiana é ligada a noção elementar, precisa e verdadeira de que: “a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. É evidente a repulsa que Marx tinha em relação a qualquer tipo de vanguardismo, através do mínimo conhecimento biográfico e de sua obra é fácil constatar isso.
O blanquismo influenciou o movimento Narodnik (terroristas agraristas russos que são expressão dos primordios do movimento socialista na Russia) que defendia a “ação direta” e a “propaganda pelo ato”, o terrorismo. Moniz Bandeira em seu livro “Lenin Vida e Obra” coloca que os Narodniks em varias decadas conseguiram matar três membros do governo czarista russo, e morreram aproximandamente 20 vezes mais Narodniks, e o regime czarista continuava firme e forte.
Guardando as devidas diferenças existentes entre o movimento operario e o movimento estudantil (o primeiro é homogenio do ponto de vista de classe e o segundo é heterogenio, a FSA tem uma composição proletária bem maior que a da maioria das universidades onde existe M.E, sendo assim nossa responsabilidade de respaldo das bases só aumenta), é obvio que ações isoladas (sem base real de apoio entre os principais “sujeitos sociais” envolvidos) são incapazes de oferecer um real risco a ordem estabelecida (no nosso caso a reitoria).
Temos que ganhar o apoio dos estudantes, politizar a discussão ligando a retomada politica e fisica do D.A, a denuncia do autoritarismo da reitoria Cacalano e de seu projeto de universidade privado e elitista (ligando com a discussão geral da arcaica universidade brasileira), nos apoiando em instancias democraticas deliberativas de base que respaldem as ações do movimento e nos forneçam forçar reais para derrubarmos a reitoria e seu projeto de universidade, para colocarmos um projeto alternativo: por uma universidade publica, gratuita e de qualidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre. Que coloque abaixo a atual estrutura de poder universitária colocando em seu lugar uma universidade gerida por professores, funcionários e estudantes.

Marxismo e Sexualidade Por que a revolução se dará em todos os níveis!

            Durante o decorrer da história a figura dos jovens sempre trouxe consigo a contestação e o questionamento, a inquietação de entender o mundo e compreender sua existência enquanto individuo dentro da sociedade. Hoje, novos tempos se abrem para a juventude que, por todo mundo, vem se levantando contra a burguesia que quer nos fazer pagar pela crise econômica mundial que ela mesma criou: jovens gregos, espanhóis, americanos, egípcios, tunisianos, chilenos dão o tom de como deve se portar a juventude nos novos tempos que se abrem.
           
            Durante séculos a burguesia dominou nossas vidas, criou uma moral que nos reprimiu e oprimiu para que nossa força de luta fosse subjetivamente soterrada pelo individualismo e egoísmo tão típicos de nossa época, nos fez acreditar que toda aproximação humana é desprovida de sentimentos mais profundos e sinceros, que a aproximação dos corpos é um erro pecaminoso, nesse sentido a família, a escola e a religião cumprem um papel fundamental quando reproduzem a moral burguesa como verdade absoluta de geração em geração.
            Nesse sentido, nós da JUVENTUDE ÀS RUAS (LER-QI + Independentes), questionamos essa moral que legisla sobre nossos corpos nos proibindo de nos relacionar sexualmente de forma saudável e profunda, essa moral que torna impura a satisfação e o prazer é a mesma que reduz as relações a patamares utilitaristas e sem nenhum compromisso. A sexualidade deve cumprir o papel de nos satisfazer ao sentir prazer e dar prazer a outras pessoas (sem a culpa do pecado), ao mesmo tempo em que possamos manter com nossos parceiros relações profundas de amizade. Questionamos o papel que a mulher e os homossexuais cumprem dentro da sociedade capitalista e porque estes sofrem mais com a repressão sexual: o prazer é uma prerrogativa do homem que goza com outras mulheres (que não tem compromisso) e com SUA (pois é sua propriedade) esposa mantém um sexo recalcado somente para reprodução; os homossexuais ainda não podem demonstrar sua verdadeira sexualidade sem sentir-se ameaçada pela repulsa existente na sociedade em relação a sua opção sexual! 
           
            Chamamos a juventude para estudar, compreender e construir uma alternativa revolucionária que reúna a juventude para apresentar um programa combativo de luta que abranja desde já todos os aspectos de nossas vidas e dê, de fato, uma alternativa revolucionaria ao capitalismo.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Policia na Fundação NÃO! Miriam Lernic (diretora da FAFIL) e a reitoria Cacalano são os responsáveis!

No dia de ontem, depois da ação de um grupo de estudantes que indignados com o “muramento” do D.A resolveram quebrar o muro que foi construído pela reitoria na entrada de nosso espaço, a PM foi chamada para dentro da universidade pela diretora da FAFIL Mirian Lernic (obviamente respaldada pela reitoria) para reprimir os estudantes caso fosse necessário (se houvesse ocupação do espaço ou algo do tipo).

Essa atitude só ratifica o caráter autoritário dessa reitoria, que tem como objetivo claro destruir o movimento estudantil da FSA para implementar de forma definitiva seu projeto de universidade privada e elitista. A presença da PM no campus é mais um dos muitos ataques que a reitoria Cacalano vem desferindo sobre a autonomia universitária no ultimo período, apesar de poder parecer para alguns apenas uma atitude “pontual”, a naturalização dessa medida pode ser o golpe mortal para o movimento estudantil da FSA e para todos que se colocam criticamente diante os planos da reitoria.

Longe de acabar com o problema da segurança no campus - resultado das desigualdades sociais, do distanciamento e estranhamento das comunidades do entorno em relação à universidade, que só pode ser resolvido a partir de um novo projeto de universidade que inclua de forma plena essas pessoas, uma universidade publica, gratuita e de qualidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre – a presença da PM no campus, tanto cotidiana quanto “pontual” tem o objetivo de “manter a ordem”: isso significa reprimir todos os setores, principalmente o movimento estudantil, que se coloquem em luta contra a reitoria.

Esse contexto só ratifica a importância do movimento estudantil de conjunto levantar uma ampla campanha democrática contra a repressão na FSA, pela retomada dos espaços estudantis e contra o projeto de universidade da reitoria Cacalano, chamando a base dos estudantes, professores e funcionários a se incorporarem a luta, já que em ultima instancia o projeto de universidade da reitoria é nocivo para a grande maioria da comunidade acadêmica.

A retomada física do espaço do D.A é muito importante, porém a retomada politica do D.A enquanto organizador dos estudantes é tão ou mais necessária, inclusive para termos condições objetivas de retomar de maneira definitiva o espaço físico do D.A, além de preenchermos essa retomada de conteúdo que conteste frontalmente o caráter autoritário da reitoria Cacalano e seu projeto de universidade que de fundo visa excluir ainda mais os trabalhadores e o povo pobre da universidade.

A reitoria se utiliza de métodos baixíssimos para tentar identificar os estudantes que participaram da ação de ontem, disseminando e incentivando entre os estudantes o método de “caguetagem”, tento como base o argumento hipócrita de que “quem tem direitos a reivindicar não usa máscara nem violência”. Violência é roubar o espaço legitimo dos estudantes de organização politica, cultural e confraternização!

Apesar de nós da Juventude As Ruas não concordarmos com a ação tática de derrubar o muro do D.A por fora das instancias de base do movimento estudantil, devido isso abrir um espaço brutal para a reitoria punir boa parte dos principais ativistas do movimento estudantil e impor mais facilmente seu projeto de universidade, nos colocamos totalmente na defesa desses companheiros contra as possíveis punições por parte da reitoria, já que é uma tarefa essencial do movimento estudantil da FSA na atual conjuntura se unificar em torno da luta contra a repressão na universidade, pela retomada do D.A e contra o projeto de universidade da reitoria Cacalano, para começarmos a virar o jogo contra a reitoria.

Logo o movimento estudantil tem que se rearticular para conseguir responder aos ataques que viram por parte da reitoria; é necessário que exista unidade contra o inimigo comum, além de gana e coragem para disputar com a reitoria a influencia sobre os estudantes e a comunidade acadêmica de conjunto.

DERRUBAR O MURO PARA RETOMAR OS ESPAÇOS ESTUDANTIS!

DECLARAÇÃO DA JUVENTUDE ÀS RUAS SOBRE A REPRESSÃO DA REITORIA AO MOVIMENTO ESTUDANTIL DA FSA.

Estamos em novos tempos, nossa geração vive atualmente um momento de crise histórica do capitalismo e novos processos revolucionários quebram os paradigmas do chamado “fim da história”. 

Do Norte da África ao Chile, passando pela Europa a juventude se levanta reivindicando educação, trabalho, queda de ditadores e junto com os trabalhadores e a população rechaçam as medidas de austeridade impostas pelos principais governos burgueses.
Se no Brasil a crise ainda não bateu tão forte, para nada isso significa dizer que a economia brasileira está “blindada” como diz Dilma, mas sim que cada vez mais o cenário internacional deve impor mudanças bruscas na realidade nacional. Pequenas mostras disso podemos ver na luta dos operários em Jirau e nas greves da construção civil, no Pinheirinho e na luta contra a PM na USP.

Frente a esse cenário, a classe dominante para se conservar no poder, só consegue responder com repressão. É assim no Estado Espanhol, onde jovens estão sendo presos e desaparecendo, foi assim no Chile, e também é em outra escala no Brasil onde em várias universidades é apenas o movimento estudantil dar um suspiro, que perseguições, punições e expulsões começam a acontecer legitimadas por regimes universitários herdeiros da ditadura militar.

QUAIS AS RESPOSTAS QUE A JUVENTUDE TEM DADO PARA COMBATER OS ATAQUES DA BURGUESIA NO CONTEXTO DA CRISE?

Os jovens são muito afetados pela falta de emprego e de perspectivas, sensivelmente percebem que não tem nada a perder e muitos aderem a movimentos anticapitalistas tais como o de Indignados, Occupy wall street, Anonimous, acampa sampa  etc. 

Trinta anos de ofensiva ideológica burguesa afeta esses movimentos que apesar de sua moral contestadora, são claramente autonomistas, rechaçando a centralidade da classe operária (os únicos que podem atacar o coração do capitalismo: a produção), a importância da teoria marxista para entender e transformar a realidade, e consequentemente também rechaçam qualquer organização partidária em um idealismo confuso, sem uma estratégia clara PARA VENCER.

Será que nada disso tem haver com a Fundação Santo André? As medidas repressivas que vem sendo adotadas por rei-torias em varias partes do mundo não tem nada a ver com a nossa situação na FSA? Será que as reitorias e governos não temem o mesmo e por isso respondem igualmente com repressão?

QUAL É A RESPOSTA QUE LEVARÁ OS ESTUDANTES A VITÓRIA?

A reitoria de Cacalano tem o objetivo de seguir com seu projeto de universidade privada e elitista, fazendo com que toda a comunidade universitária pague pela dívida de 20 milhões de reais da reitoria. Ou seja, pague pelo rombo que o antigo reitor Odair deixou e Cacalano ampliou. Não à toa, o aumento de 18% das mensalidades acompanhado de uma nova política de cobrança que ataca ainda mais os estudantes inadimplentes.

Para consolidar esse projeto Cacalano precisa perseguir e punir os principais ativistas do movimento estudantil da FSA, assim como tirar o espaço do D.A. dos estudantes, deixando-o na completa clandestinidade. A alternativa foi “edificar” um muro no espaço físico do D.A. e fazer demagogia de que o ambiente era utilizado “para festas e usar drogas”. Depois de uma semana a mesma reitoria suspendeu dez estudantes! Até quando iremos aguentar isso? Chegou a hora de dar um basta! Chega de repressão na fundação!

A gestão do D.A. está chegando ao final do seu mandato, e apesar de ter sido eleita como a “gestão do dialogo”, não dialogou nem consigo mesma.

Apenas uma assembleia durante esse um ano de gestão foi convocada, não teve nenhum fórum de discussão e deliberação permanente, e tudo isso para quem levantava a voz para pedir reuniões abertas antes de ser gestão. Pouco se discutiu sobre a intensa repressão na FSA, ao invés disso a única coisa impulsionada é uma campanha politica vazia de legalização do D.A pela via burocrática, essa campanha não repercute para o conjunto dos estudantes, não mobiliza, não prepara os estudantes para responder a altura aos ataques da reitoria, deixando assim um vazio politico na universidade e abrindo espaço para que a reitoria nos ataque como quiser. Não conseguem se convencer que qualquer legalização do D.A só será obtida através da combinação entre meios legais e mobilização contra o projeto de universidade da reitoria.

Por outro lado, dentro desse vazio político, não pode se desprender uma alternativa que ignore os fóruns de organização do movimento, onde “ações radicalizadas” estejam separadas de ações políticas de fundo, e que atitudes sejam tomadas sem legitimidade de nenhuma instancia de base estudantil. Isso, por outra via, também só servirá para a reitoria perseguir e incriminar mais estudantes, tendo maior respaldo acadêmico, e aproveitando-se politicamente para aprofundar mais seu projeto universitário.  Ao ignorar os fóruns de representação estudantil legítimos, esse novo setor que se levanta e procura responder aos ataques da reitoria, acaba ratificando a política de “jogar a toalha” do D.A que esvaziou estes mesmos espaços que esse setor não legitima.

Hoje temos um grande desafio na FSA, lutar contra essa intensa repressão e pela recuperação de nossos espaços de organização estudantil. Devemos derrubar sim esse muro que hoje impede nossa articulação política e confraternização social, porém não devemos transformar isso numa luta em si. Encaramos essa luta como um meio para levar a frente outro projeto de universidade, público, gratuito, de qualidade e a serviço dos trabalhadores, e não dos que exploram.

Chamamos todos os setores da FSA, em especial o colegiado de Ciências Sociais e demais departamentos da FAFIL, assim como mais uma vez a atual gestão do D.A. – e a entidade a qual essa gestão faz parte, ANEL, que votou uma ampla campanha nacional contra a repressão - a levantarem uma grande campanha política democrática contra a repressão na Universidade, organizando reuniões permanentes que discuta ações concretas e planos de luta para reverter essa ofensiva de Cacalano, e lutar pelas nossas bandeiras.

Sigamos os exemplos de luta da juventude em todo o mundo, mas um programa e uma estratégia para vencer!

Por uma ampla campanha democrática contra a repressão e pela retomada dos espaços estudantis! Abaixo o muro!

Contra o projeto elitista de universidade! Não pagaremos pela divida de Odair e Cacalano! FSA gratuita e pública a serviço dos que trabalham e não dos que exploram.



domingo, 13 de maio de 2012

Estudantes de Rio Claro contra a repressão aos lutadores e perseguidos políticos!


Geraldo Alckmin visitou nesta terça a região de Rio Claro, visando participar de compromissos para firmar mais sua base aliada, participando da transferência, do estado para a Universidade, da área onde a Unesp foi construída em Rio Claro, inaugurando estação de tratamento de esgoto em Santa Gertrudes e uma nova sede da delegacia da Polícia Civil em Itirapina. Além disso, em Rio Claro, destacou a instalação de uma Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo) e o investimento de 4 milhões na cidade. No momento, uma comissão técnica, formada por burocratas do governo, da prefeitura local e da academia, está avaliando quais cursos técnicos serão implementados. Ressaltando que uma de suas maiores prioridades é a Educação, do ensino básico à qualificação profissional, Alckmin não se arriscou explicar a situação de precarização das escolas públicas e da Unesp, com falta de moradia estudantil, de políticas de permanência e a precarização do trabalho com as terceirizações.

O movimento estudantil da Unesp, entendendo os verdadeiros propósitos da visita do governador e tudo o que ele e o resto da corja tucana fizeram e fazem aos lutadores e à população pobre e negra, o recebeu aos gritos de “assassino” e “somos todos Pinheirinho!”, denunciando a truculenta ação das suas tropas armadas naquela ocupação, em São José do Campos, assim como na reintegração de posse da reitoria da USP, ano passado, e todo o projeto de militarização das universidades, das favelas e periferias, além da precarização do trabalho e ensino em todas as escolas e universidades. Logo depois, o Reitor Durigan recebeu o movimento estudantil e foi questionado em relação aos casos de sindicância contra estudantes, que existem em vários campi da Unesp, em relação à Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), que precariza ainda mais a educação que é oferecida sobretudo aos filhos da classe operária. Foi questionado também sobre a terceirização, que avança na Unesp e é um ataque à vida dos trabalhadores (sendo que o campus de Rio Claro já teve uma série de greves de terceirizadas por não pagamento de salários e direitos básicos), e permanência estudantil, pois a bolsa de auxílio sócio-econômica possui o valor irrisório de R$ 310,00. Foi questionado ainda sobre o caso absurdo do curso de Engenharia Ambiental que existe há 10 anos e não possui departamento e demais questões de infraestrutura básica. Obviamente, Durigan não pode responder nossos questionamentos, fazendo mais um discurso contraditório, de quem concorda com as demandas do movimento estudantil nas palavras, mas na prática pune os que se colocam contra o projeto que a reitoria tenta implementar, como são os casos de sindicância nos campi de Presidente Prudente, Botucatu, Marília e Franca. 

O exemplo que mais reflete os propósitos do governo com seu projeto para as universidades e toda a repressão para implementá-lo pode ser visto na USP,  onde atua o reitor Rodas, especialmente indicado para reitor pelo ex-governador Serra, por sustentar um currículo pela experiência em gerenciamento e fusão empresarial no estado, além de ser o responsável pela absolvição do Estado no caso dos assassinatos de Zuzu Angel e de Edson Luís pela ditadura. Em quesito de repressão aos lutadores, Rodas já provou suas habilidades enquanto reitor da USP, tanto quando se utilizou da morte de um estudante da FEA em um assalto para providenciar a militarização do campus, quanto agora, ao incluir entre o quadro administrativo da USP três coronéis da PM. Rodas ataca diretamente o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), perseguindo e demitindo seus diretores, justamente por esse sindicato se levantar, junto aos estudantes, contra o projeto de desmonte da universidade pública, que ele defende. Os métodos radicalizados do Sintusp e dos estudantes da USP, com greves, ocupações e piquetes, tem sido peça chave na luta das estaduais paulistas contra o CRUESP (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), agora presidido pelo próprio Rodas. Foi para cumprir esse papel nefasto, de barrar definitivamente a resistência naquela universidade através da sua militarização que Serra indicou Rodas para esse cargo. Essa é a política que Alckmin espera que ele continue.

 Esse quadro de militarização faz parte e é necessário para a implementação do projeto que pretende efetivar nas universidades, de precarizar o ensino e o trabalho e direcionar a produção cada vez mais a serviço das grandes elites da burguesia, excluindo a população negra e pobre. Outro exemplo é a indicação, pelo governador Geraldo Alckmin do ex-reitor da Unesp, Herman Jacobus, para o cargo de Secretário da Educação de São Paulo, o que mostra como este cumpriu bem seu trabalho e seguiu a risca a cartilha da privatização e precarização na Unesp.

Esse projeto não se restringe às universidades. Na cracolândia fez a política de ‘limpeza social’, reprimindo e varrendo das ruas a população miserável. No Pinheirinho, que está longe de ser um fato isolado, milhares de famílias ficaram à mercê da miséria quando, violentamente, foram arrancadas de suas casas pela polícia do Estado. Este ataque foi coordenado a partir da prefeitura de São José dos Campos (PSDB), contando com o empenho direto da justiça estadual, do governo do estado e da PM. Da mesma forma, o governo federal não fica atrás no mérito de reprimir a população pobre e negra, instalando bases militares no Haiti com discurso de missão de paz, que visa na realidade reprimir a população haitiana para que os monopólios da construção civil avancem na reconstrução do país após o terremoto visando apenas lucros, e não a vida daquela população. Essa ocupação no Haiti também tinha o propósito de treinar o exército brasileiro para que pudessem, da melhor forma, fazer seu trabalho de matar e estuprar nas Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) no Rio, Estado que sediará a Copa e Olimpíadas e que portanto necessita de uma ‘limpeza social’ mais profunda. Assim, o lulismo oferece à burguesia uma via negociada para o aprofundamento do mesmo projeto que o governo do PSDB. 

Nessa conjuntura, nós, da Juventude Às Ruas, também presente na Unesp e nessa manifestação, tornamos vivo o debate sobre repressão estrutural do Brasil. Exigimos a retirada de todos os processos, o fim das perseguições, a reincorporação imediata de Claudionor Brandão (dirigente do Sintusp), demitido por defender as terceirizadas, e dos estudantes expulsos, a anistia dos presos políticos e o fim das ameaças e perseguições aos lutadores. Denunciamos a prefeitura local e o governo do Estado que colocaram a polícia para investigar os estudantes que estavam na manifestação para ameaçá-los de punição, na tentativa de proibir que nos expressemos nas ruas e nas universidades contra o projeto de universidade e toda a repressão que fazem uso para implementá-lo. E é com esse espírito que vamos ao CEEUF (Conselho de Entidades Estudantis da Unesp e da Fatec), levantando uma forte campanha contra a repressão aos estudantes,  trabalhadores e ao povo pobre, entendendo que esse é o caminho para a conquista de demandas maiores, como o fim do vestibular e uma educação de qualidade, gratuita e para todos! 

Fim dos processos contra trabalhadores e estudantes! Pela readmissão do Brandão!
Pela imediata anulação dos processos contra os 73 presos políticos de Rodas!
Pela reincorporação dos seis estudantes expulsos da USP!
Nenhuma repressão aos estudantes da Unesp que não calaram-se diante das atrocidades do governo!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

RACISMO na UNESP: Não passará!!!


Articular o movimento estudantil da UNESP no CEEUF para combater o racismo em todas suas implicações sociais

Mais uma vez um câmpus da UNESP é protagonista em uma ofensiva opressora, dessa vez o câmpus é o de Araraquara e a opressão é de racismo. Desde o início de abril, os estudantes que circulam pelos corredores dos Centros Acadêmicos podem ler a seguinte pixação em frente ao CA de Letras: “sem cotas para os animais da África.” Há dois anos atrás, nesse mesmo câmpus, durante o Interunesp*, mais de 70 estudantes protagonizaram o auto-intitulado “Rodeio das Gordas”, onde homens apostavam quem conseguia subir em cima de uma mulher gorda e ficar o máximo de tempo possível. Em diversos câmpus, todo o ano, se realiza a famosa “Festa do Miss Bixo”, onde alguns estudantes veteranos embriagam e coagem alguns calouros a se travestirem e esteriotiparem, por meio de expressões e ações machistas e homofóbicas, a travestilidade.
O estudante Sumbunhe N'Fanda mostra  a pichação "Sem cota para os animais da África", na Unesp
















Todas essas ações opressoras se tornaram ainda mais correntes a partir da campanha eleitoral entre Dilma e Serra em 2010 e das contradições que o governo petista da Dilma vem tendo para manter a governabilidade com o amplo arco de alianças que fez com os setores mais reacionários da burguesia brasileira, que se expressa nos limites e na incapacidade de avançar nos elementares direitos democráticos (educação sexual laica; direito ao aborto legal, seguro e gratuito; casamento e adoção para casais homoafetivos; direito à terra; direito à punição dos torturadores da ditadura; etc), utilizando de um discurso para responder a um suposto "Brasil de todos" e aos movimentos sociais que se contradiz com a prática de acordo e submissão aos setores organizados dos militares, da bancada evangélica, dos ruralistas e dos industriais. Esse ato de racismo, porém, representa não só o avanço dos setores reacionários legitimados pela política do governo, mas as contradições mais profundas de um desenvolvimento do capitalismo que se formou com uma origem colonial e a partir de um regime escravagista, tendo em dois pólos opostos, de um lado, os negros constituindo as camadas mais exploradas e oprimidas do proletariado urbano e rural, e do outro, uma burguesia incipiente surgida do campo e dos oligarcas brancos.

Esse ato de racismo dentro da Universidade pública representa os interesses dos setores mais reacionários da burguesia brasileira, especialmente a latifundiária que no interior de São Paulo cumpre um papel chave na monocultura da cana-de-açúcar, nas usinas e no agronegócio. Hoje, dentro das universidades públicas, com mais ênfase nas estaduais paulistas, os negros representam menos de 5% do número de estudantes, número esse que diminui drasticamente se observarmos os cursos de Direito, Medicina, Arquitetura e Engenharias. Por outro lado, mais de 50% dos trabalhadores são negros, dado que salta bruscamente devido essencialmente axs trabalhadorxs terceirizadxs, os setores mais precarizados, mais explorados e com menos direitos dentro da Universidade.

Servente aos interesses da burguesia paulistana, a burocracia da UNESP não está interessada em modificar esse quadro. Há um mês atrás, o atual Reitor em exercício, Julio César Durigan junto do govenador Alckimin anunciaram a criação de mais um campus e outros 11 cursos na UNESP, todos de Engenharia (bioprocessos, química, agronômica, pesca, energia e recursos renováveis, etc), todos ligados aos interesses do agronegócio. Ao mesmo tempo a Reitoria precariza cada vez mais alguns campus, como Ourinhos, onde existe apenas o curso de Geografia, e que, por não servir aos interesses imediatos dos latifundiários da região, vem sendo sucateado para justificar um possível fechamento. A política de expansão de vagas da UNESP além de não ser para os negros é pensada em combate aos mesmos, favorecendo os filhos de seus algozes (burguesia branca de origem oligárquica), elitizando ainda mais a UNESP e permitindo que manifestações racistas como essa de Araraquara surjam e possam se reproduzir mais corriqueiramente. A maior responsável por esse ato de racismo é a política da Reitoria da UNESP e do governo do Estado!

Hoje em dia já é cada vez mais claro que o papel do vestibular é funcionar como um filtro social, que impede que o povo pobre e os filhos da classe trabalhadora possam sequer sonhar em prestar sua prova, que elimina desde antes do processo seletivo boa parte dos negros e serve para manter a elitização das Universidade Públicas (que, ou não possui, ou possui uma débilissima política de permanência estudantil) e empurrar o jovem trabalhador para a goela dos tubarões do ensino privado. Por essa razão a primeira luta de todos os setores organizados desde o movimento estudantil, social e de trabalhadores deve ser o fim do vestibular e a estatização das universidades particulares.

Vemos, porém, que a expressão desse racismo nas Universidades e em setores do movimento estudantil se localiza no ataque às tímidas políticas de cotas raciais. Tímidas por que o próprio governo, que representa os interesses da burguesia brasileira, mas tem que responder a alguns mínimos anseios de sua base eleitoral, não tem interesse em garantir uma política de cotas raciais séria que responda realmente a demanda do povo negro. Àqueles que dizem que as políticas de cotas seriam segregacionais, respondemos que as cotas já existem há anos, e são cotas de 98% para os brancos. A segregação racial no Brasil existe desde os tempos coloniais e ganha traços de classe a partir do desenvolvimento do capitalismo. Sem abrir mão da luta principal pelo fim do vestibular, que é o funil que nos leva a discutir hoje a necessidade de cotas raciais, uma política séria de cotas seria a garantia de uma porcentagem de vagas na Universidade Pública equivalente a porcentagem da população negra no Estado.

Por esas razões, não acreditamos que o Estado ou a Reitoria sejam capazes de garantir a apuração e julgamento desses atos (no plural, porque não são isolados), já que os mesmos são os maiores incentivadores desses atos de violência e opressão por meio das políticas e dos projetos elitistas que implementam nas Universidades Públicas e, particularmente, o governo do Estado, pela política de violência direta que aplica através da Polícia Militar na higienização da cidade com a expulsão, encarceramento e assassinato de moradorxs de rua (a maioria negrxs, já que a questão da terra está diretamente ligada à questão negra), criminalização da pobreza nas periferias, morros e favelas e com o extermínio do povo negro, que perfazem 75% das estatística dos inúmeros assassinados pela polícia militar. E, como se não bastasse, a Reitoria da UNESP, por via da Diretoria de Marília, pretende implementar um curso de pós-graduação em Ciências Policiais para aprofundar ainda mais a repressão ao povo negro e com isso incitar ainda mais ações de opressão e violência.
Nesse sentido, pautados nessas reflexões, é que enxergamos como tarefa central do movimento estudantil da UNESP, por via do Conselho das Entidades Estudantis da UNESP e da FATEC (CEEUF), que irá ocorrer em Marília nos dias 12 e 13 de maio, efetivar uma enorme campanha CONTRA O RACISMO. O movimento estudantil de Marília, hoje, se mantém em uma ocupação da Seção de Comunicações da Faculdade para repudiar a nova tentativa da Direção de contratar trabalhadorxs terceirizadxs para o Restaurante Universitário. Como apontamos, a terceirização do trabalho, como a forma mais precarizada, mais humilhante e mais divisionista da classe trabalhadora, se configura como uma semi-escravidão dos tempos neoliberais, atingindo, na ampla maioria, xs negrxs; também as recorrentes tentativas de sucateamento das mínimas políticas de permanências estudantil vão no mesmo sentido de eliminar xs poucos estudantes pobres (a maioria dxs negrxs que hoje estudam nas Universidades Públicas) da possibilidade de cursar o ensino superior. Sabendo que a Reitoria não é capaz e nem tem interesse em punir xs agressorxs e racistas, mas sim xs lutadorxs, nós, da Juventude Às Ruas, construiremos e participaremos desse CEEUF para garantirmos uma enorme campanha contra o racismo que abarque o combate à terceirização, a luta por políticas reais e efetivas de permanência e a democratização do acesso à universidade pública com o fim do vestibular!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Companheira Camila: PRESENTE!

IACI MARIA (estudante de Ciências Sociais da Unicamp) - Juventude Ás Ruas Campinas

Já a um tempo não passo por aqui, e me angustia muito pensar o que me motiva a escrever novamente...
  
A que ponto a miséria do capitalismo pode levar alguém? Alguém cuja consciência dessa miséria era bastante conhecida. Alguém cuja tamanha sensibilidade faz com que a dor dessa miséria, a dor da opressão seja tão desesperadora que viver em meio a isso se torna insuportável. Literalmente insuportável, em seu sentido mais correto. Que realmente não suporta mais, e tomba. Uma lutadora que tomba em batalha, pois em tempos como esse em que vivemos, só de estar vivo com a clareza e sensibilidade de que é necessário lutar para mudar isso tudo, essa é a primeira batalha. Manter-se vivo.

E qual o papel dos revolucionários frente a uma situação como essa?

 O papel de lutadores, claro! Daqueles que se indignarão frente a essa perda, e terão muito mais certeza da necessidade de acabar com a doença que matou a companheira, a doença do capitalismo. A mesma doença que fez um jovem atear fogo em seu próprio corpo na Tunísia, no início de 2011, dando o pontapé inicial da Primavera Árabe. A mesa doença que matou o aposentado grego há algumas semanas. Lutar pelo fim desse modo de produção, que todos os dias matam pessoas, trabalhadores, lutadores da batalha diária que é manter-se vivo dentro desse sistema. Lutar pelo fim desse sistema de opressão e exploração, que tanta dor causa à tantas e tantas pessoas, conscientes ou não da causa dessa dor. Oprimidos e explorados. Lutar por um mundo onde não mais haja exploração do capital, onde não mais haja monopólios, onde o Imperialismo seja apenas uma passagem da história.


Mas antes de tudo isso, o grande papel dos revolucionários frente a esta situação, o verdadeiro papel dos revolucionários, que nos fará conseguir levar adiante o papel de lutadores, é o papel de seres humanos! Seres com qualidades humanas! Porque é exatamente isso que faz dos lutadores, pessoas revolucionárias. Toda a miséria do capitalismo levou a que a grande maioria das pessoas hoje perdesse as qualidades humanas, são “milhões de vasos sem nenhuma flor”. A dor da perda de uma companheira, de uma lutadora, de uma amiga, transformada em raiva do sistema que levou a essa trágica decisão, transformada no ódio que nos move! No ódio, que é o que nos faz seguir em frente, seguir na luta. Porque a luta não pode ser somente contra o modo de produção, contra o imperialismo, contra o trabalho assalariado. A luta é pela sociedade comunista! A luta é por uma sociedade humana, onde ninguém mais sinta a necessidade de se questionar o porquê de estar vivos! Que as pessoas estejam vivas e vivendo, e não apenas sobrevivendo! E isso começa agora, isso começa com nós. Ser sensível com a sensibilidade alheia. Assim como tiramos lições de nossas derrotas, temos também que aprender com nossas perdas. E que essa perda sirva, de uma maneira triste, mas revolucionária, para que valorizemos os que estão ao nosso lado nessa grande batalha, aqueles que estão ombro a ombro conosco, dedicando suas vidas à essa luta, justamente por essa luta ser o que nos mantém vivos. Pois no limite, na luta pela construção da sociedade comunista, são esses que estarão ao nosso lado até o fim, são os camaradas, os companheiros, os lutadores. Que essa perda nos ensine a sermos mais sensíveis, que nos ensine a desenvolver nossas relações, aprofundar nossas amizades. Que sejamos camaradas por completo, partilhando nossas lutas, nossas alegrias, mas principalmente nossas dores e angústias. Que confiemos plenamente naqueles que caminham conosco nessa jornada, que são aqueles a quem confiaremos a vida nos momentos de luta acirrada, e a quem protegeremos com a vida.
  
Porque tão revolucionário quanto um dia inteiro de intensa militância e estudos, é a pergunta “e aí, como você está?” no final do dia.
  
À todos que tombaram em meio a batalha de viver: PRESENTE! Agora, e sempre!

Camarada Camila: PRESENTE! Agora e sempre!