Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Boletim Especial Calourada - Juventude às Ruas

 


Um primeiro balanço e perspectivas da luta em curso na USP

Mais um ano começa na USP. Milharesde novos estudantes entram na universidade que é não somente a mais disputadano vestibular, mas também a mais mobilizada do país. É uma excelenteoportunidade para que cada novo estudante possa entender o porquê e descobrir arealidade que a mídia, o tucanato e a casta de burocratas que detém o poder nauniversidade nunca vão dizer. Coloca-se uma grande oportunidade para somarforças à difícil luta que há anos vem sendo travada na USP em defesa dauniversidade pública, levada a frente por estudantes, junto aos trabalhadores eum setor de professores que se enfrentam com a ditadura de Rodas. Coloca-se apossibilidade de ser parte da luta que segue aberta contra a polícia nauniversidade, que mostra como a universidade não é uma ilha, pois aqui tambémela cumpre o mesmo papel reacionário que cumpre no Pinheirinho, na chamada“Cracolândia” e em cada lugar onde há luta. Mais que isso, coloca-se apossibilidade de ser parte de um movimento de milhares de jovens que se coloca depé e mostra que, no Brasil que o lulismo tenta apresentar como o “país dofuturo” e do crescimento econômico, há uma juventude que não fica passiva vendoa roda da história girar no Egito, na Grécia, no Estado Espanhol, nos EUA, noChile, e também quer ser sujeito da transformação pela qual está passando omundo frente à crise capitalista.
A luta do ano passado na USP deixouconquistas muito importantes do ponto de vista do fortalecimento damobilização, - que tinha como eixo central a luta pelo Fora PM da USP e pelofim do convênio USP-PM - e que são uma grande base para seguir a luta neste anoe construir uma greve que seja capaz de conquistar as nossas demandas. Fizemosduas ocupações e construímos uma greve que, apesar de não terem sido fortes osuficiente para vencer, geraram um movimento de milhares e milhares deestudantes, que se organizaram num comando de greve com delegados eleitos nabase, que junto aos trabalhadores da USP e seu combativo sindicato, o Sintusp,e de um setor de professores e intelectuais, foram capazes de desgastar Rodas ea burocracia acadêmica, e de gerar um repúdio de massas na USP à PM, aoconvênio e a Rodas. Apesar disso, a reitoria seguiu avançando de maneiradecidida na repressão, inclusive nas férias, aproveitando o esvaziamento dauniversidade, e impôs derrotas táticas para o movimento com sua enorme ofensivarepressiva para tentar calar o movimento pela força. Somado a isso, a reitoriavem com uma política, apoiada no aumento conjuntural da economia que impactapositivamente no orçamento da universidade, de fazer concessões econômicas atrabalhadores e professores para levá-los à passividade frente aos ataques etentar impedir a unidade dos três setores contra a reitoria e o governo doestado. Mas há um importante setor que segue resistindo nas três categorias,com um apoio de massa dos estudantes, principalmente nas faculdades que têmmais tradição de luta, e de milhares de trabalhadores da USP que têm uma amplatradição de luta. Em síntese, a luta em defesa da universidade pública e contrao projeto privatista de universidade ocorre há anos, está em momentos decisivose teve no ano passado mais uma batalha muito importante.
Vejamos quais foram os principaisaspectos que envolveram essa luta que segue em curso e os desafios que nós, daJuventude às Ruas (composta por militantes da Liga Estratégia Revolucionária eindependentes), consideramos os mais importantes e para os quais chamamos atodos a enfrentar conjuntamente conosco como parte da luta por um movimentoestudantil massivo, anti-burocrático, aliado aos trabalhadores, que lute paraderrotar os ataques e passar à ofensiva na luta por uma universidade a serviçodos trabalhadores e do povo pobre, e, como diziam os estudantes do maiofrancês, passar “do questionamento da universidade de classes ao questionamentoda sociedade de classes”.

O que está em jogo na luta em curso na USP

Muito tem sedito acerca da truculência da PM no campus e, em torno disso, aparecempropostas de uma polícia mais humana ou de mudanças no convênio USP-PM. Noentanto, a função social da polícia não é proteger a população. Trata-se dobraço armado da classe dominante para garantir sua propriedade e seusinteresses. Na USP, esses interesses se demonstram pela via de um projetoprivatista de educação.
Oreitor-interventor Rodas, segundo colocado na eleição - ela mesma restrita aoantidemocrático Conselho Universitário (C.O.) - e nomeado arbitrariamente porJosé Serra, representando os projetos da burguesia na USP, veio para manter eaprofundar a privatização da educação e a precarização do trabalho. No ensino,a verba não é dividida sob o critério de uma universidade pública e que,portanto, deveria se voltar às necessidades da população, mas sob os interessesdas grandes empresas que entram na universidade através das fundações privadase das ligações que têm com a casta de professores titulares que compõe oConselho Universitário oligárquico. Aliado a isso, o filtro social dovestibular deixa de fora da universidade pública a maioria da juventude, oriundada classe trabalhadora, e consequentemente a juventude negra; e os poucos quepassam por essa etapa são repelidos da universidade pelas precárias condiçõesde permanência estudantil, falta de moradia ou auxílio para todos, levandomuitos a abandonar a faculdade. No entanto, não são apenas as condições deestudo que são afetadas. Por exemplo, em abril de 2011 estourou o conflito queescancarou a semi-escravidão existente na USP pela via do trabalhoterceirizado. Centenas de trabalhadoras de limpeza da empresa União entraram emgreve por seus salários e seus direitos atrasados, evidenciando a rotina deexploração, assédio moral, e por vezes sexual, nos corredores da universidadeque consta nos rankings das melhores do mundo.
A polícia,portanto, é uma ferramenta para manter a USP a serviço da elite. A reitoria daUSP já vinha em uma ofensiva de repressão com dezenas de processos contraestudantes e trabalhadores por se mobilizarem politicamente, em base a umdecreto da ditadura, de 1972, que ainda vigora na USP, que coloca comoinfrações passíveis de expulsão os ‘’atentados à moral e aos bons costumes’’ e‘’manifestações de cunho político e racial’’. Talvez a reitoria racista da USP,uma universidade da qual uma ínfima porcentagem dos estudantes é negra, considereo Núcleo de Consciência Negra como uma ‘’manifestação racial’’, e por isso osexpulsou do local onde funciona. Também é crime na USP lutar por moradia, eportanto por condições para se manter na universidade, como demonstra aexistência de processos e agora 12 novas prisões políticas e 6 expulsões deestudantes por militarem por permanência estudantil na Moradia Retomada. Nãobastasse, o SINTUSP, sindicato combativo e aliado histórico do movimentoestudantil, teve um de seus diretores, Brandão, demitido inconstitucionalmenteem 2008 e todo o restante da diretoria do sindicato é processada pela USP.
Em 2011 oestudante Felipe Ramos Paiva morreu assassinado no estacionamento da FEA,tragédia que foi usada de forma oportunista pela reitoria como pretexto paracolocar a PM ostensivamente dentro do campus. Numa universidade fechada aoconjunto da população, numa metrópole que concentra as contradições do “Brasilpotência” das enchentes, da miséria e do trabalho precário, a ideologia dasegurança aparece para legitimar a repressão e a PM, que estava na USP nomomento do crime e nada fez para evitar o assassinato. O que a presençaostensiva da polícia fez na USP não foi “proteger", foi abordar estudantespor ‘’olhar feio’’, caminhar pelos corredores abordando professores, estudantese trabalhadores, intimidar a entrada da população da favela São Remo queutiliza serviços oferecidos pela universidade. A prisão de 73 estudantes etrabalhadores que se colocaram em luta contra tantas arbitrariedades e por um projetodistinto de universidade se dá nesses marcos, assim como a prisão de outros 12que viviam na Moradia Retomada. A agressão do estudante negro Nicolas no espaçodo DCE durante as férias demonstra que, além de politicamente repressora, apolícia é racista. Com a presença da PM na USP não foi impedida uma criminosatentativa, também nas férias e logo após o sindicato se colocar na defesa deNicolas, de explosão do Sintusp abrindo o gás do fogão, na verdade,estranhamente provocada por alguém que não arrombou a porta e revirou uma salacom documentos do sindicato sem roubar nada – ao contrário, tudo aponta para aconclusão de que a própria polícia esteja envolvida no atentado.
A PM, pois, estáa serviço de um projeto e de uma classe. A ideologia da “segurança” existe paralegitimar a repressão estrutural à pobreza em um país de enorme desigualdade.Não existe segurança sob o regime de miséria do capitalismo, sem educação,moradia, emprego, saúde, que são as verdadeiras ameaças à vida da maioria dapopulação.

Uma luta queavançou na auto-organização que é necessário retomar e fortalecer paramassificar o movimento

A luta USP doano passado explodiu no dia 27 de outubro, a partir da truculência da PM com 3estudantes que estariam fumando maconha na FFLCH. Centenas de estudantes serebelaram, colocaram a PM para fora, organizaram uma assembleia e votaram aocupação da diretoria da FFLCH, contra a vontade do PSOL (DCE) e do PSTU. Apartir daí a luta só se intensificou. Em poucos dias, na FFLCH havia um apoio massivoe em amplos setores da USP. É então convocada uma assembleia geral com mais de1000 estudantes, na qual o PSOL e o PSTU querem acabar com a luta e com aocupação da FFLCH. Baseando-se em setores conservadores e burocratizando aassembleia, votam o fim da ocupação e, frente a centenas de estudantes quequeriam seguir a luta e votar a ocupação da reitoria, o PSOL e o PSTU implodema assembléia para impedir qualquer votação, com o claro interesse de seguir ocalendário das eleições estudantis. Os estudantes se rebelam, não aceitam,seguem a assembleia e votam a ocupação da reitoria. A universidade ficapolarizada, cursos votam apoio a ocupação, outros contra, o movimento se dividecom uma campanha do PSOL e do PSTU de difamação da ocupação – inclusive comdeclarações e notas públicas denunciando as organizações políticas que estavamna ocupação, entregando para a repressão e fornecendo citações para a imprensadeslegitimar a mobilização diante da opinião pública, facilitando a repressão.A reitoria, frente à divisão do movimento, invade a universidade com um enormeaparato militar e prende 73 lutadores que estavam no momento na ocupação. Masao contrário do que esperava a reitoria, o movimento se expande, e numaassembleia com milhares de estudantes é votada a greve e, por proposta daJuventude Às Ruas a construção de um comando de greve com delegados eleitos nabase, uma votação histórica no movimento estudantil do país, seguindo o exemplodo que há de mais avançado no movimento estudantil internacionalmente. Sãoeleitos mais de 120 delegados a partir das assembleias de base, sendo 1 paracada 20 estudantes em assembleia, mandatados democraticamente e revogáveis.Assim, os estudantes assumiram em suas mãos a greve de forma anti-burocrática,para que nada senão as suas posições devidamente representadas dirijam os rumosda greve, em detrimento ou de uma corrente política hegemônica que decide pelabase via entidades estudantis (como faz o PSOL, e o PSTU se adapta – verpolêmica de estratégias neste mesmo jornal) e de políticas vanguardistas quetendem a desconsiderar as posições dos estudantes nos cursos (MNN, PCO eautonomistas).
Como explicamos, a luta não terminou.Durante as férias o comando perdeu sua vinculação com as assembléias de curso eagora é necessário seguir com o comando de greve submetido às assembleias e aoscursos, ampliando a participação com a eleição de novos delegados querepresentem verdadeiramente as posições dos estudantes em assembleia. Paranós, a política correta é colocar todo peso na construção das assembléias decurso antes da assembléia geral dos estudantes que está marcada para o dia 8/3,pois somente assim podemos retomar uma greve que seja forte e efetiva parabarrar os ataques e passar à ofensiva. Para isso, será necessário combatertambém a política do PSOL e do PSTU que será de boicotar a calourada unificada,o comando e só dar peso para as eleições estudantis, uma vez mais incorrendo noerro de transformar as entidades estudantis no objetivo mais importante,inclusive secundarizando a tarefa de impulsionar a luta e o comando, repetindoos erros que cometeram ano passado. Isso não significa dar as costas para aseleições estudantis, por isso, construímos no ano passado a chapa “27 deoutubro” para o DCE, junto ao MNN, outras organizações e dezenas deindependentes combativos, e chamamos os calouros a retomar a sua construçãoconosco, mas nunca colocando a tática da participação nas eleições à frente danecessidade de impulsionar a luta e a auto-organização.
Dentro de um balanço, é necessárioidentificar os erros do movimento. Na nossa opinião, um deles é que a partir daassembléia que o PSOL e o PSTU implodiram, dividindo e enfraquecendo omovimento para impôr de modo burocrático sua posição, e que acabou por votar aocupação da reitoria - uma medida ofensiva contra inimigos mais fortes, com omovimento enfraquecido por responsabilidade do PSOL e PSTU, que polarizou todaa universidade, era fundamental uma política de se ligar organicamente a basedos cursos e não tratar a ocupação como um fim em si mesmo (como o MNN e o PCO,com o argumento de que gerava “instabilidade” sem se importar que o movimentohavia se dividido profundamente e perdido apoio de setores da base), levantandouma política de auto-organização desde antes e combatendo a política dedifamação do movimento por parte do PSOL e PSTU. Mas não bastava a denúncia,era necessária uma política de exigência de impulsionar novamente assembleiasem comum para definir os rumos da mobilização. Além disso, opinamos que após umasemana, em que a ocupação ganhou apoio em alguns cursos, mas não rompeu o cercona opinião pública, na última assembleia antes da invasão da PM, teria sidomais correto um recuo tático organizado, desocupando a reitoria e votando umaofensiva na base dos cursos para organizar a greve e um comando com delegados.Nós, da Juventude Às Ruas, que víamos que a ocupação não era um fim em simesmo, e lutamos pra que ela não se isolasse da base dos cursos, tambémsuperestimamos suas forças nesse momento, não defendendo a desocupação, queteria evitado a prisão de 73 companheirxs.

O desafio de impulsionar uma grande campanha contra a repressão ligada àdemocratização da universidade
Desde a prisão dos 73 estudantes nareitoria, dizíamos que era preciso colocar sua defesa em primeiro lugar, poisse esse ataque passasse, a reitoria estaria em melhores condições para punir osdemais processados, e o governo para reprimir os movimentos de moradia, porterra, e dos trabalhadores. Os acontecimentos desses meses, infelizmente,confirmaram o que prevíamos. Não tivemos apenas 73 presos políticos, tambémtemos 6 expulsos, 12 outros estudantes presos na luta por permanênciaestudantil, trabalhadores processados e ameaçados de demissão por semobilizarem e uma tentativa de atentado contra a sede do SINTUSP. Esses fatosescancaram qual é a política não apenas da reitoria da USP, mas do governo doestado, para os que lutam ou que atrapalham o andamento dos projetos a serviçoda burguesia. Contra isso devemos levantar uma ampla campanha democráticacontra a repressão, que deve retomar com todo peso a luta para colocar a PMpara fora da USP e pelo fim do convênio USP-PM, construindo uma ampla frenteúnica, superando todo tipo de sectarismo que há entre setores vanguardistascontra uma forte política para intelectuais, professores, etc, e também apolítica mesquinha do PSTU, e principalmente do PSOL, de não defender osperseguidos políticos (talvez porque não há nenhum deles?), pois é um problemade princípio a unificação de todos contra a repressão numa campanhaconsequente, pois está em jogo a defesa da universidade e dos lutadores. Nósseguiremos defendendo incondicionalmente qualquer lutador atacado apesar dasnossas diferenças políticas.
Ao mesmo tempo, a mobilizaçãoestudantil deve avançar em seu programa, não somente contra a repressão, mascontra o projeto a que ela serve. Neste debate necessário e urgente, defendemosque a apropriação do conhecimento não está desligada da estrutura de poder e dequem a dirige, assim como o acesso à universidade interfere no próprioconhecimento produzido. Assim, a luta para impor o Fora Rodas e uma EstatuinteLivre e Soberana que possa dissolver a camarilha que hoje é chamada de“Conselho Universitário”, dando passos para a conformação de um governotripartite com maioria estudantil – expressando desta forma a maioria queexiste na universidade, que são os estudantes – é uma condição necessária paraque a universidade possa se colocar a serviço dos trabalhadores e do povopobre, utilizando assim todo o conhecimento que é produzido a serviço destasnecessidades e avançar para que o conhecimento passe a expressar estes avançosconcretos de democratização, contra a influência das grandes empresas.
Essa luta se liga à defesa de umaverdadeira autonomia universitária. As classes dominantes não podem aceitar queexista um movimento estudantil que questione o papel da polícia nas favelas,que vote em suas assembleias gerais a efetivação dos terceirizados sem concursopublico com salários e direitos iguais aos efetivos, que apoie os métodosradicais de luta dos trabalhadores; não pode aceitar que exista um sindicatoque faça greves e piquetes em defesa de mais verbas para a educação, pelo fimdo vestibular para que o povo pobre possa entrar na universidade, contramedidas de cerceamento da atividade sindical e política na universidade e emdefesa dos trabalhadores terceirizados; sobretudo, não podem aceitar a aliançade um sindicato não corporativo e um movimento estudantil não elitista naprincipal universidade do país, o que seria um "péssimo exemplo" paraos trabalhadores e estudantes fora da universidade. É para impedir que essaaliança siga se desenvolvendo que a reitoria ataca a já frágil autonomiauniversitária.  Mas não é só isso, a luta pela verdadeira autonomiauniversitária passa também pela ruptura da relação do ensino, pesquisa eextensão com os interesses dos capitalistas, para que se possa ter odesenvolvimento da ciência livre das amarras do capital e voltada para osinteresses da população, apontando no sentido da construção de uma universidadea serviço dos trabalhadores e do povo pobre, partindo da visão da universidadee da sociedade dividida em classes, ligando a luta contra a ditadura dentro daUSP, que tem Rodas e seu braço armado como inimigos mais visíveis, com a lutacontra a sociedade capitalista dos monopólios, que só gera sofrimento para asmassas de todo o mundo, como se expressa agora com a crise capitalista. Se noBrasil essa crise ainda não chegou, é apenas uma questão de tempo. Mesmo semela, já estamos vivendo a repressão aos que lutam, porque a burguesia está sepreparando; cabe a nós fazer o mesmo, nos organizando não somente no movimentoestudantil, mas construindo uma forte juventude revolucionária; é para essaperspectiva na USP e fora dela que te chamamos a conhecer e a construir aJuventude às Ruas, uma juventude composta por estudantes e trabalhadores queatua dentro e fora das universidades, em São Paulo, no Rio de Janeiro e emMinas Gerais. Nas universidades, estamos principalmente na USP, Unesp (Marília,Franca e Rio Claro), Unicamp, Fundação Santo André, PUC-SP, UFRJ e UFMG. Entreem contato e se quiser difunda este jornal.

As diferentes estratégias na luta dos estudantes da USP
Como se sabe, omovimento estudantil não é um todo homogêneo. Na USP, há não somente uma sériede correntes políticas que têm distintas concepções de movimento estudantil ede como deve se dar cada luta, o que está ligado às concepções mais de fundo decada organização, mas também uma série de estudantes independentes que, emparte concordam com as posições das correntes políticas, e em parte tem outrasposições, alguns inclusive definindo-se como autonomistas. O debate políticoentre as posições é algo normal no movimento e, ao contrário do que muitasvezes se diz, são essenciais para fazer o movimento avançar, desde que adefinição sobre os rumos do movimento esteja sempre nas mãos dos estudantes quedemocraticamente devem votar os passos a seguir.
A mídia tentousimplificar as posições da USP fazendo uma divisão entre “radicais” e“moderados”, que era não somente uma tentativa de isolar o movimento estudantilcombativo, mas também não expressa as três estratégias fundamentalmente queestavam em disputa na luta da USP, além de que há uma ampla camada deindependentes que não se alinha organicamente com nenhuma delas. Vejamos quaissão estas três estratégias.

O que há de realna divisão entre o que a imprensa chamava de “radicais” e “moderados”?

Em primeirolugar, há um partido que segue a tradição petista tanto nacionalmente como nomovimento estudantil, ainda que com um discurso mais de esquerda, que é o PSOL.Essa é a corrente que tem mais peso nas entidades do movimento estudantil daUSP, sempre atua como freio nas mobilizações, sempre se coloca contra odesenvolvimento do movimento com o argumento de que “não há correlação deforças”, boicota a organização democrática dos estudantes para além das entidades, aradicalização nos métodos, e querem conseguir nas mesas de negociação o quesupostamente é “possível”, que é sempre uma miséria, uma migalha. No anopassado, essa concepção se expressou no boicote desse partido ao comando degreve com delegados eleitos na base, na política de implodir a assembleia queacabou por votar a ocupação da reitoria, na adaptação completa ao senso comumpró “segurança pública” com a defesa de um “plano de segurança alternativo” porfora de questionar o caráter elitista e racista da USP e que não questiona opapel da polícia na universidade. Essa política teve uma das suas expressõesmais deploráveis no dia 27 de Outubro, com o enfrentamento com a PMocorrido na FFLCH. Enquanto centenas de estudantes, que nos orgulhamos de teracompanhado, tentavam impedir a prisão de 3 colegas – em seguida se enfrentandocom a repressão policial -, as gestões do DCE e da maioria dos CAs da FFLCH,dirigidas pelo PSOL, faziam um cordão humano para escoltá-los, em acordo com adireção da faculdade, até o carro que os levou para a delegacia, para emseguida se colocar contra a ocupação da Administração da FFLCH, que defendemose foi aprovada pela maioria dos estudantes, e foi essencial para toda amobilização, que eles não queriam que se desenvolvesse para realizartranquilamente o calendário das eleições estudantis que é o que mais osinteressa. É por isso que a definição de “moderados” para este partidocondiz com a realidade.

Mas não é a toa que a imprensa (eamplos setores do movimento) coloca o PSTU como parte do bloco dos “moderados”.Apesar de que, em geral como partido, e também no movimento estudantil, sempreadotam um discurso mais de esquerda, na sua prática política tem grandes pontosde contato com o PSOL e na própria luta em curso foi assim.  No 27 deoutubro também foram contra a ocupação da FFLCH e nunca denunciaram o cordãohumano do PSOL; juntos com o PSOL implodiram a assembléia que acabou por votara ocupação da reitoria; também dão um peso estratégico para as entidadesestudantis e historicamente não defenderam um comando de greve com delegadoseleitos na base (ainda que na recente luta se relocalizaram pela força domovimento anti-burocrático); também se adaptam à defesa de um “plano desegurança alternativo” e sempre buscam alianças com o PSOL para as eleiçõesestudantis como política permanente e se adaptam a eles em função disso. OPSOL e PSTU reproduzem o discurso de que a USP é insegura, e precisa de maisguarda universitária, mais “bem treinada”, que, na prática, sob essa estruturade poder, seguiria controlada pela reitoria repressora, elitista e racista. Épor estes elementos que o PSTU é colocado no bloco dos “moderados”: porqueapesar do discurso mais de esquerda, não tem uma estratégia para a mobilizaçãodiferenciada do PSOL e se unificou com eles em muitas questões táticas (comosempre), por isso, se dedicam mil vezes mais a atacar o que eles chamam de“ultra” (onde incluem a Juventude às Ruas e a LER-QI) do que o PSOL, que é umfreio ao movimento.

E os que a mídia chamou de “radicais” ou “ultras”?

Chamar dessa forma era parte dapolítica de isolar o movimento estudantil combativo que estava encabeçando aluta. Dentro desse bloco, colocavam desde a Juventude às Ruas e a LER-QI,passando pelo Movimento Negação da Negação, o PCO e um amplo setor deindependentes, incluindo setores que se definem como autonomistas. Mas dentrodeste bloco houve antes, durante e depois do conflito, duas estratégias para aluta e duas concepções de movimento estudantil. Por um lado, estão o MNN, o PCOe um setor autonomista que são a negação mecânica e infantil de parte dospiores problemas do PSOL (e do PSTU). Contra a passividade, defendem a ofensivapermanente, independentemente da correlação de forças ou se há apoio para elasou não, dos estudantes que se envolvem nas “ações exemplares”, fazem um feticheda radicalização nos métodos separado da política, ou seja, um “radicalismo”que tem “perna curta” porque é impossível arrancar conquistas efetivas equalitativas sem um movimento massivo e ligado organicamente à base dosestudantes. Podem até conseguir satisfazer os anseios de alguns estudantescombativos que querem lutar seriamente, mas a negação da política demassificação, da necessidade de saber atuar em frente única com outros setoresnas questões em que houver acordo (mantendo a liberdade de crítica para todosos que atuam em comum) e de um programa profundo de democratização dauniversidade, levará essa vanguarda a se descolar cada vez mais da baseestudantil e as derrotas táticas repressivas que já vieram se implementando vãose aprofundar, avançando o projeto elitista de universidade e impedindo queconquistemos nossas demandas.
Entre os setores vanguardistas, sedestaca a posição do MNN sobre a universidade e seu programa. Essa corrente nãoassume a posição adaptada do PSOL e do PSTU, defendendo mais guarda esegurança. Por outro lado, se coloca contra as demandas de democratização doacesso e do poder, como o fim do vestibular, a permanência estudantil, aassembleia estatuinte. Isso porque não se trataria de defender a universidadepública, nem lutar pra que esteja a serviço dos trabalhadores, mas simdestruí-la a favor do que eles chamam de “território livre”. Essa fraseologiaveste, na verdade, um programa abstrato, que não arma a mobilização paragolpear a universidade elitista e racista hoje existente e abrir espaço paraque os trabalhadores possam ter acesso a ela, para que os que entram possamnela permanecer com permanência estudantil e para que o conhecimento nelaproduzido esteja a serviço da sociedade. Tudo isso para eles seria reformismo:o correto seria destruir tudo e erguer o “território livre”. Para nós se tratade uma adaptação (pela esquerda) ao elitismo da universidade.

Nós da Juventude às Ruas não somos “radicais” nem “ultras”, somosrevolucionários que lutamos por um movimento massivo, anti-burocrático ecombativo com uma estratégia para vencer

Durante o processo de luta, nossacorrente, composta por militantes da LER-QI e independentes, era identificadapela mídia como parte do bloco dos “radicais”, mas na verdade não somentetivemos uma política diferente das outras correntes, com as quais soubemosfazer frente única para fazer o movimento avançar, como ocorreu, mas temosconcepções de fundo bastante diferentes que constituem uma estratégia distintapara a mobilização e para a universidade, como queremos aprofundar em maisalguns elementos de balanço e de perspectivas para além dos que já colocamos.
O PSOL, o PSTU e o PCO sempre secolocaram contra a auto-organização, ou seja, contra os comandos de greve comdelegados eleitos na base, que sempre defendemos como corrente. O PSTU serelocalizou para não se opor ao movimento anti-burocrático. O MNN não fala daauto-organização, salvo em momentos ultra pontuais, mas nunca foi consequentena sua defesa, esteve contra a auto-organização em anos anteriores, e tampoucotem uma visão verdadeiramente democrática, como se expressou na política queteve para o comando de greve nas férias. Para retomar a luta e a greve nesseinício de ano, era importante que a calourada fosse organizada pelos delegadosem luta e pelos CAs, tal como foi feito, defendido por nós, e está correto. Noentanto, nesse período a greve não se manteve, pois as disciplinas seencerraram. O erro que cometemos ao votar a continuidade da “greve” num períodosem aulas – e portanto sem as assembleias – está em que um comando democráticodepende do controle constante das assembleias (que podem revogar delegados quenão estejam representando adequadamente os estudantes de seus cursos). Isso nãoteve piores consequências – até agora – porque com luta política dentro docomando, foi possível evitar com que se tomasse grandes medidas por fora de seumandato (organizar a calourada). Ainda assim, um setor restrito, em particularo MNN, impôs pela via de comissões organizativas sua política à calourada emnome do comando. O caso mais grave é que a festa-protesto da calourada, umamedida de luta, seja garantida contratando trabalho terceirizado para limpeza,como defendeu o MNN; a segurança também será privada, contra tudo o quesignificou o avanço da luta contra a terceirização uma USP e toda tradição demovimento independente, que já fez enormes festivais sem polícia, nem segurançaprivada, velha conhecida nossa da USP, controlada por policiais – foi o quedefenderam juntos o PSOL, PSTU e MNN, o que não surpreende, já que estãoestrategicamente juntos no apoio às greves da PM por “melhores condições detrabalho”; a questão, também aqui, é a completa ausência da independência declasse. Devemos reverter o erro e seguir com o comando de greve submetido àsassembleias e aos cursos, ampliando a participação com a eleição de novosdelegados que representem verdadeiramente os estudantes.
A luta domovimento estudantil da USP tem de ser contra a presença da polícia e pelademocratização da universidade. Também não podemos permitir que as decisõescontinuem sendo tomadas por uma burocracia de professores ligados a grandesempresas: temos de lutar pela dissolução do C.O. e do reitorado, e por umaestatuinte livre e soberana, com representação proporcional de estudantes,professores e funcionários. Somente com essa luta pela democratização radicalda estrutura de poder na universidade, em aliança com os trabalhadores, eatravés da nossa autoorganização, será possível colocar a universidade aserviço, não dos lucros dos monopólios, mas das necessidades da classetrabalhadora e do povo pobre. Luta esta que só poderá ser efetiva com o fim dovestibular, um filtro racista e elitista. 

Declaração de Marcelo Pablitoe Diana Assunção

Como diretores do SINTUSP processados, e dirigentesda LER-QI, queremos dar as boas-vindas aos milhares de calouros que entramna USP. Para isso, no entanto, não podemos deixar de, em primeiro lugar,virar nossas atenções para as dezenas de milhares de jovens que acabam deter seu acesso à universidade pública negado pelo vestibular. Esse é umdos principais exemplosdo elitismo do projeto de universidade que, já hámuitos anos, os diferentes governos do estado, em nome dosgrandes empresários paulistas, vêm, através da reitoria e daburocracia universitária, buscando aprofundar. Nós, da LER-QI, queintegra a Juventude Às Ruas, nos orgulhamos de fazer parte do SINTUSP,pois esse sindicato vem sendo, ao lado do movimento estudantil, linha defrente na defesa dos interesses dos trabalhadores, e também dauniversidade pública. Foi assim em 2000, quando uma greve de mais de 50dias das três categorias impediu a aprovação de um projeto de lei queprevia a cobrança de mensalidades na USP, que agora volta com Rodas. Foramtambém as greves de estudantes e trabalhadores que garantiram o aumento deverbas; a reposição de parte significativa das perdas salariais dedocentes e funcionários; a contratação de mais de 150 docentes paraa FFLCH; a construção de um novo bloco para o CRUSP; a derrubada dosdecretos de Serra contra a autonomia universitária. Há mais de uma décadaa reitoria vem impondo ataques, e somente graças ao movimento, e às grevesda USP, que a imprensa tanto difama, ainda temos uma universidadepública. Mas ela segue sob ameaça, e nos últimos anos Rodas vemimpondo medidas, ameaçando a organização política dos que resistem, eavançando sob a polarização da universidade. Por isso, para seguirdefendendo a universidade, e poder passar à ofensiva, pela transformaçãoda universidade, para que esteja a serviço dos trabalhadores e do povopobre, chamamos todos a construir a Juventude Às Ruas, para atuarem cada mobilização para que ela seja vitoriosa, mas também, mais queisso, pra que sirva à construção de uma juventude revolucionária, ligadaaos trabalhadores, que ajude a fazer com que sejam os capitalistas, e nãonós, jovens e trabalhadores, a pagar por sua crise!


                       

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Construir uma juventude que esteja à altura dos desafios da luta de classes!


2011 foi o ano em que ficou evidente para todxs que o motor da históriahavia de fato crescido a marcha. Já em 2008, as correlações históricas voltarama fazer parte do cotidiano das pessoas, xs analistas diziam que a crise que seestourava com a quebra do Lehman Brothers só era comparada com o crack da Bolsade NY de 1929, e hoje vemos seu caráter estrutural, com o epicentro na Europa,se demonstrando nas tentativas em vão de contenção dos governos e nos ataquesàs condições de vida da classe trabalhadora, como nos anos 30. No final do anopassado, Eric Hobsbawn, importante historiador do séc. XX, comparou osprocessos revolucionários do Oriente Médio e Norte da África com a “Primaverados Povos” de 1848 da Europa – analogia que já se mostrava presente desde queesses processos foram batizados de “Primavera Árabe”.

            Cada vez mais a crisemundial vai dando mostras para a juventude de que esse sistema baseado naexploração e opressão de milhões de jovens em todo o mundo não consegue nosgarantir a menor perspectiva de futuro; o mito lulista-dilmista do “Brasil-potência”com uma melhora gradual nas condições de vida da população já mostram os diascontados. E, quanto mais se encerra a contagem, mais as contradiçõesestruturais, no âmbito econômico e das questões democráticas, da formaçãoatrasada do capitalismo brasileiro vão se pondo a mostra.

            Ao mesmo tempo o levanteda juventude grega, espanhola, italiana e norte-americana, só pra citar algunsexemplos, contra os planos de austeridades (políticas públicas para garantir,mesmo com a crise, os lucros dos banqueiros e empresários por meio do aumentode impostos, aumento do tempo para se aposentar, arrocho salarial, desemprego ecortes de gastos sociais), a luta dos estudantes chilenos pela educação públicae gratuita para todos e a “Primavera Árabe” anunciam mobilizações de massa quenossa geração nunca tinha visto e preenchem nossos corações e mentes com aidéia de Revolução (sendo o Egito o processo mais concreto), colocando um pontofinal na tese burguesa do “fim da história e da classe operária”, fazendomuitos professores, doutores se remoerem ao ver a história transformando suas‘inabaláveis’ teorias em velharias do passado!

            É diante desse cenárioque nos propusemos ao desafio de construir no Brasil uma juventuderevolucionária que partilhe da concepção de que os estudantes cumprem um papeldeterminante na luta de classes quando se ligam a setores amplos da juventude,especialmente dos trabalhadores. Somos jovens que aplicam a análise social e ametodologia marxista na compreensão e ação frente aos fenômenos sociais e que,desde as escolas e universidades queremos estabelecer pólos de produção doconhecimento a serviço da luta dos trabalhadores, nos enfrentando quandonecessário com a ideologia reacionária por parte de professores que só queremensinar a reprodução da ideologia burguesa de exploração e miséria. Somos parteativa nas greves e manifestações e linha de frente nos combates, conscientes deque nossos anseios, sonhos, desejos e reivindicações são muito mais fortes sesomados com os da classe operária.
          
 Foi em vista dessas tarefas queprojetamos há um ano essa juventude que seja capaz de transformar cada lutasocial em uma batalha contra o capitalismo e sua perpetuação. Somos parte dessajuventude que se espalha no Estado de São Paulo, e vem participando ativamenteda luta na USP contra a presença da polícia militar, no Rio de Janeiro e emMinas Gerais, onde fomos linha de frente com os professores, ecetistas ebancários nas duras greves desse ano, mantendo relação com juventudesorganizadas na Argentina e no Chile (desde onde, Bárbara Britto, da ACR –Agrupação Combativa e Revolucionária – veio participar de nossa plenária paracontar a experiência do processo chileno e da participação da juventude noChile), e queremos aqui em Franca construir uma forte juventude que tenha essecaráter, cumpra esse papel apaixonante de fazer a diferença na luta de classese que se prepare para as novas crises, guerras e revoluções que o movimento dasrodas da história volta a fazer surgir no curto horizonte!

          Chamamos a todxs aconhecer e construir a juventude às ruas: juventudeasruas.blogspot.com e leiana íntegra o nosso manifesto!
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O Pinheirinho é do povo!

No último dia 22 de Janeiro, a ocupação de Pinheirinho de São José dosCampos, onde moram mais de 6000 trabalhadores e trabalhadoras desde 2004, foibrutalmente invadida e reprimida por 1800 policiais militares, bombeiros, daTropa de Choque e da Rota para realizar a reintegração de posse da região. Todaa repressão a esses moradores está a serviço de defender os interesses daespeculação imobiliária e do “senhor” Naji Nahas, um especulador da bolsa devalores, condenado em 1989 a 24 anos de prisão por corrupção e lavagem dedinheiro. São responsáveis por esta brutalidade e por suas consequências ogovernador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin e o Prefeito de São José dosCampos Eduardo Cury, ambos do PSDB, assim como o Tribunal de Justiça de SãoPaulo, que legitimou a operação. Eles estão a serviço da burguesia, dos ricos,dos donos de empresas e especuladores e demonstram nesta ação, onde se armou umcenário de guerra, que estão dispostos a matar os moradores, homens, mulheres,crianças, para seguir com sua política à serviço da classe dominante.

Há 8 anos a área do Pinheirinho é habitada e construída por seus moradores.São trabalhadores, jovens, estudantes, crianças, desempregados, aposentados quesão vítimas da especulação imobiliária, vítimas dos governos municipal eestadual, vítimas da polícia, vítimas do salário mínimo de miséria, dosempregos precários, da pobreza. Isso tudo tem nome, e se chama capitalismo.

O governo federal do PT, e seus aliados, também não ficam para trás quandoo assunto é repressão aos pobres e trabalhadores para garantir os lucros dasgrandes empresas construtoras. Vemos isso nas ações levadas a cabo pelo governode Eduardo Paes (PMDB) na reintegração de inúmeras ocupações de moradias nocentro do Rio de Janeiro. É também parte dessa política as Unidades de PolíciaPacificadora (UPP’s) de Sérgio Cabral (PMDB) e do governo federal (PT) que,pela via de inúmeros abusos policiais, pela invasão de casas e violência contraos moradores, garantiram a presença ostensiva da polícia militar nos morros efavelas em favor dos interesses das grandes empreiteiras das obras do PAC, dasOlimpíadas e da Copa do Mundo.

Nesse sentido, defendemos a punição aos responsáveis pelo massacre ao povodo Pinheirinho e a desapropriação imediata do terreno, sem nenhuma indenizaçãoa este especulador e sua corja, e que se organize um plano de Obras Públicasque garanta emprego e moradia e seja organizado pelas entidades e organizaçõesdos trabalhadores e moradores!

Assim como a resistência e ousadia dos trabalhadores garantiu os 8 anos deexistência do Pinheirinho, a resistência e continuidade da Luta por moradia evida deve ser tarefa das mãos destes lutadores. É necessário que a juventudecoloque todas as suas forças em apoio e solidariedade ativa nesta luta, somandoforças em defesa da ocupação do Pinheirinho, pelo direito à moradia  e pelo direito de lutar. Em Franca, nós, dajuventude às ruas, junto de estudantes e de jovens trabalhadores francanos,apoiamos ativamente o povo trabalhador do pinheirinho, inclusive realizando umimportante ato no centro da cidade contra a repressão à ocupação.

*Punição aos responsáveis pela repressão!
* Desapropriação sem indenização da área do pinheirinho!
* Por um plano de obras publicas e moradia digna para todos!

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Na cracolândia e na USP: aos indesejáveis um só método: O porrete!

Após todo processo de luta desencadeado na Universidade de São Paulodurante o fim do ano, cujo estopim foi a tentativa de prisão de 3 estudantes nodia 27 de outubro, seguida de diversos exemplos do papel repressivo da PM nocampus, como a invasão por 400 policiais que coroaram o projeto da reitoria deavançar na militarização da USP, a PM mostra, mais uma vez, aos que duvidaram,a que existe.

No dia 9 de janeiro, Nicolas, jovem negro, estudante de Ciências danatureza da USP foi agredido aos tapas e ameaçado com uma pistola por um destessupostos “policiais preparados” para lidar com um ambiente “comunitário”.

Toda a ação foi filmada e, como era de se esperar, tanto a reação dopolicial - que aos berros dizia que era “Polícia” e não tinha feito nada deerrado nem temia a corregedoria - quanto a posterior abordagem da mídia, emcaracterizar Nicolas como um “suposto” estudante, já eram esperados por aquelesque se enfrentaram com exemplos, truculência e repressão deste tipo por mais de3 meses.

A agressão a Nicolas seguiu um procedimento da PM, que não é exceção nasdivisões de elite dos 400 que invadiram a USP ou dos 100 que entraram naCracolândia, nem nos tão “preparados policiais comunitários”.

A Polícia é uma instituição reacionária, autoritária e violenta, filhadireta da Ditadura Militar. Nas estrelas presentes em seu brasão de armas demais de 181 anos, comemoram a repressão a Canudos - levante Popular organizadoem contraposição à ordem vigente -, às greves operárias de 1917 e comemoram atémesmo o Golpe militar de 1964!

Isto porque seu caráter, a despeito do que dizem os defensores destainstituição essencial para a manutenção da democracia dos ricos, é o caráter deum organismo a serviço de uma classe: a dos patrões. Isso implica que seu principalobjetivo é garantir os interesses e lucros das empresas, a higienização contraos pobres e a efetivação da privatização das universidades.

Não é preciso procurar demais. Basta observar o papel que cumprem nasperiferias de todas as cidades, nos morros cariocas, nos conflitos no campo,nas greves de trabalhadores em que dissolvem piquetes - o que já ocorreu naUSP, durante a greve dos operários Jirau, com professores, etc-, e, nãosurpreendentemente, nas Universidades e Cracolândias por todo o país.

A Reitoria da USP, com seus quadros e monumentos em homenagem à ditaduramilitar visa impor um choque de ordem aos “elementos indesejáveis” na USP, talcomo o Governo do estado impõe sua ordem aos “indesejáveis” da Cracolândia!Demissões, agressões, ameaças com armas de fogo, PM's atacando piquetes degreve de trabalhadores, amordaçando estudantes, etc, são imagens quecaracterizam a USP no último período, sendo os últimos meses exemplos cabaisdisto.

Já está mais do que claro que a presença policial no campus da USP etambém, paulatinamente nos câmpus da UNESP, tem um sentido político erepressivo. É uma encomenda especial do Governo do estado, aplicada pelocarrasco Reitor Rodas, para calar os setores que questionam um projeto deUniversidade racista, elitista - que exclui a maioria da população com seuvestibular, em especial os negros da periferia -, e voltado aos interesses dasgrandes empresas.

Historicamente, um setor de resistência tem se organizado e combatido esteprojeto, no sentido de buscar abrir o debate acerca de que Universidadeprecisamos e a serviço de quem. São calados às balas, bombas e prisões, talcomo os capatazes escravagistas tratavam suas propriedades fugitivas.

Paralelamente a isto, Alckmin e o oficialato da PM prepararam um plano dehigienização social maquiado como “revitalização” da região conhecida comoCracolândia, cujos objetivos obscuros podem muito bem estar a serviço de uma“limpeza social” pré-olímpiadas às custas da opressão e repressão de todos osmoradores da região, vítimas desta miséria de vida que nos impõe o capitalismo.

É necessário avançar na luta por uma Estatuinte que varra das UniversidadesEstaduais Paulistas estes dejetos ditatoriais, debata e decida sobre osobjetivos, problemas e diretrizes da USP, UNESP e Unicamp e que precisa estar aserviço dos trabalhadores: a maioria da população.

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Uma juventude em defesa da Liberdade Sexual

e peladerrocada da moral podre imposta pelo 


capitalismo!

Além das bases econômicas e políticas, é indispensável para o capitalismoque ele tenha bases ideológicas sólidas, para que a sociedade impregne-se ereproduza os preconceitos e a moral cristã conservadora, utilizados parasustentar a exploração e opressão à classe trabalhadora e aos setoresoprimidos. "A ideologia dominante de uma época, é a ideologia da classedominante". O padrão burguês de família-branca heterossexual e religiosa –dá ao capitalismo toda a base moral e ideológica para manter-se edesenvolver-se.

Segundo Reich – importante psicanalista do séc. XX –, a instituiçãofamiliar é um laboratório de oprimidos. A família atua no papel de reguladorada sexualidade, reprodutora do conservadorismo e vigilante da moral. Secompararmos com os jovens da década de 60 – que pregaram a liberação sexual, ouso de anticoncepcionais para as relações sexuais serem prazerosas e nãosomente com fins de reprodução – a juventude em que vivemos dissemina valoresmuito mais atrasados, como a fidelidade monogâmica e a instituição docasamento, que é a primeira instância de reprodução ideológica dos valores, damoral e da tradição dominante e opressora. O desenvolvimento do sistemacapitalista está diretamente ligado com a reprodução dos valores da burguesia eda igreja. Segundo o IBGE cresce o número de casamentos e de casais que sedivorciam e voltam a se casar em seguida. Isso demostra o quanto a conservaçãoda sociedade está ligada com o avanço dos valores do casamento, da família e dapropriedade privada.

Nessa lógica, e dentro de um contexto nacional mais reacionário, vimos oveto do Kit anti-homofobia pelo governo Dilma, do PT, que mesmo dentro dos seuslimites reformistas, daria aos jovens o direito de refletir sobre o exercíciolivre da sua sexualidade e possibilitaria o desenvolvimento de uma educaçãosexual laica.

Nesse sentido, os homossexuais sofrem para assumir sua sexualidade: dentrode suas casas onde o paternalismo familiar oprime o gay por não seguir a lógicamoralista cristã e heteronormativa e levar adiante a tradição familiar; na rua,os ataques homofóbicos são constantes: dados do Grupo-Gay da Bahia mostram queé cometido um crime de ódio anti-homossexual a cada três dias; ao mesmo tempo,deputados como Jair Bolsonaro e a bancada evangélica expressam seu ódio eincitam a violência contra os homossexuais em programas da mídia burguesa quereproduzem o preconceito, e muitos outros exemplos. Tal ambiente possibilita avazão cada vez maior para manifestações de grupos fascistas e nazistas, que sóna Av. Paulista em São Paulo, são responsáveis por uma série de assassinatos eagressões que passam impunes pelo Estado.

Essa opressão tem consequências tanto objetivas quanto subjetivas, nosentido de que impede o desenvolvimento do gay como sujeito dentro de uma sociedadeque não o tolera. A segmentação de setores por parte da ideologia burguesacumpre um papel central e valioso para os capitalistas: ao transmitir para aclasse trabalhadora o lixo ideológico burguês de enxergar o negro, o gay, onordestino e o, em geral, "diferente", como algo repulsivo e queprecisa ser separado, facilita a divisão das fileiras da classe trabalhadora,facilitando o seu ataque pelos chacais insaciáveis do moralismo e do lucro. Damesma forma, cumpre um papel de retirar da consciência dos trabalhadores etrabalhadoras homossexuais, negros, travestis, a confiança em suas própriasforças, não enquanto indivíduos, mas enquanto classe. Retira-lhes o que é maisfundamental: Se enxergarem enquanto sujeitos da transformação social, ao invésde objetos da exploração, domesticando-os e dividindo as fileiras da classe.

A juventude deve se ligar à classe trabalhadora e ofensivamente se levantarcontra todas as formas de opressões a mulher, a população negra e a comunidadeLGBT, aos setores mais oprimidos e explorados. Deve se lançar na missão datransformação ideológica da sociedade, e tomar como tarefa a luta pelo fim daditadura da moral cristã burguesa, transcender as barreiras ideológicasdominantes, indo às ruas para arrancar com as próprias mãos o fim da exploraçãoe opressão em prol dos lucros da elite dominante.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

REItoria da Unicamp acompanha atentamente os ensinamentos de Rodas e Alckmin! Basta de repressão aos lutadores!


A reitoria da Unicamp iniciou o ano de 2012 dando mais uma mostra de sua truculência: no início do mês, em meio às férias letivas, aplicou uma suspensão de 6 meses a cinco estudantes que participaram da ocupação da administração da moradia estudantil no início de 2011, como punição por lutarem por permanência estudantil e também contra a presença da PM naquele espaço. A suspensão implica, inclusive, na perda do direito à moradia. Essa é a mesma reitoria que, no início do ano passado, processou criminalmente 9 trabalhadores que participaram da greve de 2010.
Esse ataque não é isolado à Unicamp, faz parte de todo um projeto que as reitorias e o governo possuem para as Universidades Estaduais Paulistas. O mesmo projeto universitário que pune agora esses estudantes que se colocaram em luta na Unicamp, é o projeto que, no fim do ano passado, eliminou da USP 8 estudantes que também ocuparam e retomaram a moradia, lutando por permanência estudantil. É o mesmo projeto que coloca na USP 400 policiais da tropa de choque e prende 73 pessoas, estudantes e trabalhadores, que se colocavam em luta justamente contra esse projeto e as medidas repressivas que a reitoria utiliza para implementá-lo,que sabota. espiona e persegue o sindicato do trabalhadores da USP, justamente para abrir caminho para seu projeto elitista. A recente prisão dos 12 estudantes que estavam na Moradia Retomada da USP não deixam para dúvidas sobre a escala repressiva impulsionada pelo CRUESP (Conselho de Reitores do Estado de São Paulo) Os reitores deixam bem claro seu recado: estão dispostos a levar adiante essa ofensiva, perseguir e punir todos que se colocarem como obstáculo para a efetivação do projeto privatista de universidade, que faz com que esta esteja cada vez mais a serviço da burguesia, dos grandes empresários e, cada vez menos, da população.  Não admitirão que lutem contra seu modelo de universidade e, para isso, utilizarão de todas as forças, desde a institucional até a policial, para evitar qualquer questionamento.
Mas as reitorias não agem sozinhas, e sim amparadas pelo governo do Estado, o mesmo governo que promoveu, há menos de um mês, o massacre no Pinheirinho, em São José dos Campos, colocando sua polícia assassina e a tropa de choque para desalojar os moradores daquele bairro, trabalhadores que ocuparam aquele terreno abandonado, e agora foram expulsos violentamente de lá. Eles também lutam por moradia digna!
Cabe a juventude, estudantes e trabalhadores, se colocar em luta contra a truculência das reitorias das Universidades Estaduais Paulistas e do governo do Estado. É fundamental que o movimento estudantil impulsione desde as calouradas um amplo processo de mobilização para defendermos aqueles que lutam por uma universidade aberta aos trabalhadores e povo pobre. A aliança entre trabalhadores e estudantes será determinante para enfrentarmos um inimigo que hoje contam com a justiça burguesa e a polícia assassina para impor seus interesses. A partir dessa aliança operário-estudantil, nos articulando com movimento populares, sindicatos, organizações de esquerda e consolidando uma forte mobilização entre as três estaduais paulistas, é que poderemos fazer frente à esse cenário repressivo aos lutadores.  Cabe a juventude sermos o obstáculo da efetivação do projeto de universidade da burguesia, lutando pela sua total subversão! Estaremos ombro a ombro com todos que atuam por esse objetivo, na defesa desses lutadores! 

 - Pelo fim dos processos aos estudantes e trabalhadores das estaduais paulistas!
- Pelo reversão das suspensão dos estudantes da Unicamp que lutaram por moradia!
-Pela construção imediata de 3.300 vagas para moradia estudantil da Unicamp!
- Por uma universidade a serviço da classe trabalhadora e do povo!
- Por moradia digna para todos!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FUNDAÇÂO SEADE demite 4 por manifestação política contra a reintegração de posse do PINHEIRINHO.


- Danielson, Estudante de Ciências Sociais da USP e militante da Juventude Às Ruas - demitido político do SEADE
 
Em visita a Fundação SEADE na última quinta-feira, enquanto deixava o prédio, o governador Geraldo Alckmin foi questionado sobre a reintegração de posse do Pinheirinho. Palavras como PINHEIRINHO! e ASSASSINO! foram gritadas em mais um momento de insatisfação quanto as recentes medidas repressoras e militarizantes adotadas pelo governo de São Paulo, na USP, na Cracolândia e sobretudo em São José dos Campos. Posto esta manifestação que de modo algum teve o caráter de agredir o governador e sim questioná-lo sobre suas decisões que fogem do diálogo e privilegia o uso da força policial; hoje eu e mais 3 companheiros fomos desligados da Fundação SEADE, por se posicionar politicamente neste dia. O motivo alegado foi que agimos com atos dolosos contra a imagem e reputação da Fundação SEADE, cabe esclarecer que a manifestação foi individual e que jamais feriu ou sequer mencionou o nome da Fundação SEADE.
 
Estes 4 afastamentos foram perpetrados sem qualquer critério e inclusive sem a devida observação da ampla defesa onde em nenhum momento nos foi dada a possibilidade de conhecer os reais motivos e o processo pertinente realizado para tal desfecho, ou seja, mais uma decisão autoritária que não considera as prerrogativas democráticas conquistadas com a constituição de 1988.
 
TODO APOIO AO POVO DO PINHEIRINHO!!! - SOMOS TODOS PINHEIRINHO!.
 
PELO DIREITO DE LIVRE MANIFESTAÇÃO DE PENSAMENTO GARANTIDO PELA CONSTITUIÇÃO.
 
ABAIXO AS DEMISSÕES POR MANIFESTAÇÕES POLÍTICAS! 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Pinheirinho é do povo! Declaração da Juventude Às Ruas acerca da invasão da PM no Pinheirinho



O Pinheirinho é do povo!
No domingo dia 22 de Janeiro a ocupação de Pinheirinho de São José dos Campos onde moram mais de 6000 pessoas desde 2004, foi brutalmente invadida por 1800 policiais, Tropa de Choque, Rota para realizar a reintegração de posse da região. Toda a repressão a esses moradores está a serviço de defender os interesses da especulação imobiliária e do “senhor” Naji Nahas. São responsáveis por esta brutalidade e por suas consequências ainda não divulgadas pelos órgãos do Estado e pela mídia burguesa: o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, do Prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury, ambos do PSDB o do Tribunal de Justiça de São Paulo. Eles estão à serviço da burguesia, dos ricos, dos donos de empresas e especuladores e demonstram nesta ação onde armou-se um cenário de guerra que estão dispostos a matar os moradores, homens, mulheres, crianças, para seguir com sua política à serviço da classe dominante.

O governo tucano do estado de SP e a polícia assassina e racista, assim como faz agora no Pinheirinho, lança mais uma política repressiva no centro da capital paulista aos moradores de rua e dependentes de drogas na Cracolândia, e reprime as mobilizações estudantis, da juventude e dos trabalhadores como tem acontecido na USP.

Há 8 anos a área do Pinheirinho é habitada e construída por seus moradores. São trabalhadores, jovens, estudantes, crianças, desempregados, aposentados que são vítimas da especulação imobiliária, vítimas dos governos municipal e estadual, vítimas da polícia, vítimas do salário mínimo de miséria, dos empregos precários, da pobreza. Isso tudo tem nome, e se chama capitalismo.


Essa mesma política capitalista que vemos efetivada pelo governo de Eduardo Paes (PMDB) na reintegração de inumeras ocupações de moradias no centro do Rio de Janeiro, onde a polícia militar age com a mesma violência e truculência que em São Paulo para garantir o interesse da especulação imobiliária enquanto milhares de famílias são jogadas embaixo das pontes. É também parte dessa política as UPP's de Sérgio Cabral (PMDB) e do governo federal (PT) que, pela via de inumeros abusos policiais, pela invasão de casas e violência contra os moradores garantiram a presença ostensiva da polícia militar nos morros em favor dos interesses das grandes empreiteiras das obras do PAC, das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

É desse tipo de especuladores, criminosos como Naji Nahas - condenado em 1989 a 24 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro -, e seus assistentes: governadores, prefeitos municipais e a justiça, que o povo do Pinheirinho vem sendo vítima. Por isso, a unica saída do povo pobre e trabalhador de Pinheirinho é sua organização de maneira independente junto dos demais trabalhadores, jovens e desempregados!

Nesse sentido, é central levantar a bandeira de desapropriação imediata,  sem nenhuma indenização a este especulador e sua corja e que se organize um plano de Obras Públicas que garante emprego e moradia e seja organizado pelas entidades e organizações dos trabalhadores e moradores!

Assim como a resistência e ousadia dos trabalhadores garantiu os 8 anos de existência do Pinheirinho, a resistência e continuidade da Luta por moradia e vida deve ser tarefa das mãos destes lutadores, arrancadas dos facínoras dos governos!

É necessário que a juventude coloque todas as suas forças em apoio e solidariedade ativa nesta luta, somando forças em defesa da ocupação do Pinheirinho, pelo direito à moradia  e pelo direito de lutar.

Nós da Juventude às ruas fazemos um chamado a toda  a juventude, organizações de esquerda, partidos, movimentos sociais e Oposição de Esquerda da UNE e a UNE para que construamos atos nacionais contra a repressão e em defesa dos lutadores.

 Liberdade imediata aos presos políticos e nenhum processo!

 
Punição aos responsáveis pela repressão!
 
Desapropriação sem indenização da área do pinheirinho!

 
Por um plano de obras publicas e moradia digna para todos!

CENAS DA REPRESSÃO- Um relato da invasão militar do Pinheirinho


CENASDA REPRESSÃO-Um relato da invasão militar doPinheirinho
porAline, estudante de Ciências Sociais da USP e militante daJuventude Às Ruas 


Dia21 de janeiro de 2012 - DIA ANTERIOR À REINTEGRAÇÃODE POSSE
Durantea plenária das 19hs, onde estavam presentes Zé Maria,Eduardo Suplicy, Ivan Valente,  outros parlamentares,diversas entidades, partidos e organizações, juntamentecom toda a comunidade do Pinheirinho, todas as falas feitas seconcentraram em tranquilizar os moradores em relação apossibilidade de uma ação da polícia nacomunidade, dizendo que ela por enquanto não viria eantecipando uma possível vitória.
EduardoSuplicy, durante a plenária, garantiu que a reintegraçãode posse não aconteceria e que no prazo de 3 meses a 2 anosninguém seria tirado dali. Todas as outras falas anunciavam avitória da luta por moradia, confiantes nas medidas judiciaiscontrárias à reintegração pela PM.Todosos que estavam ali presentes foram envolvidos por uma falsa sensaçãode segurança. Todos ali, inclusive nós estudantes.
Emoutra fala, Suplicy relatou a sua última conversa com Cury, oPrefeito de SJC, que afirmou que apesar de não concordar com ainvasão criminosa dos adultos , estava muito preocupado com as4 mil crianças da comunidade, e se comprometeu a garantir oacesso a saúde e educação.
(Umgeneroso gesto de benevolência de um Prefeito que negacotidianamente a essas mesmas crianças o acesso àspoliticas de assistência social do município e vagas emescolas e creches municipais simplesmente por serem moradoras daOcupação de Pinheirinho. O mesmo Prefeito que reconhecea origem nordestina da maioria desses moradores, que promove nacidade a xenofobia e a segregação racial e que,homenageia Bolsonaro com medalha de honra ao mérito.)
Acomunidade comemorou e a plenária acabou depois das 21hs danoite com palavras de ordem que diziam fervorosamente:"A-ha,u-hu! O Pinheirinho é nosso!". Vamos comemorar!

DIA22 de janeiro de 2012...
Por volta das 06hs da manhã, o quefoi dito impossivel 8hs antes, acontece: a tropa de choque surpreendea todos!
"Eue outros três estudantes estávamos dormindo naSecretaria da Ocupação do Pinheirinho. A Secretaria éprimeira casa que fica na frente do portão principal daComunidade. Fogos de artificio dão o sinal! Somos acordados,enquanto eu coloco o cobertor na mochila meus amigos se arrumam esaem. Conforme eu passo pela porta da secretária, vejo umaformação com mais ou menos 20 policiais da tropa dechoque, fortemente armados, adentrando a rua principal da comunidade.No lugar do portão de acesso do lugar, que foi violentamentedestruído, estavam cinco homens da tropa de choque. Osmoradores começam a sair de suas casas para entender o queestava acontecendo, já que havia se tornado rotina a entradade um certo número de policiais armados para intimidar eaterrorizar os moradores. Fiquei ali ao lados dos moradores que saiamde sua casas tentando entender o que era aquilo. Com um celular namão, me dirijo aos cinco policiais da tropa e pergunto o queestava acontecendo, a resposta foi reintegração, eupergunto de quem foi a ordem, ”- CPI.” (sic) é a resposta.(Na verdade não houve CPI alguma. Durante a noite do sábado,enquanto a plenária tranquilizava os moradores, na verdade,estava acontecendo na clandestinidade uma reunião com apresença da Ilustríssima juíza, do Prefeito emais uma terceira pessoa não identificada, que decidiramdesumanamente e em prol de seus interesses privados a reintegraçãode posse imediata e a qualquer custo).
Nesse momento, um policial datropa de choque me pergunta se sou moradora, digo que nao, que eraestudante em luta e neste momento, desarmada e sem oferecerresistencia, o celular que estava na minha mão éarremessado para longe e sou "delicadamente" conduzida pelobraço e convidada a me retirar . Quando saio, observo quetodas as ruas que dão acesso ao Pinheirinho estãositiadas pela  tropa de choque. Na medida em que todos ospoliciais me viam saindo de lá, armas eram apontadas paraminha direção enquanto eles gritavam "Fora, fora,sai, sai, sai agora, vai vai!!!!". A força brutal, aameaça, intimidação e covardia eram naturalmenteutilizados, por  homens altamente armados, assassinos doEstado e dispostos a qualquer coisa. Outros dois estudantes queestavam do lado de fora e alguns moradores que tentaram entrar emPinheirinho para encontrar as famílias, resgatar os filhos, etentar reaver, ao menos, seus documentos pessoais, foram brutalmenteimpedidos. Uma moradora idosa, desesperada por seu filho pequenoestar lá dentro, sozinho, foi espancada por policiais querespondiam com cacetes de borracha à sua necessidade de zelarpela integridade física de seus familiares. Todas as ruas aoredor da Ocupação de Pinheirinho foram sitiadas eatacadas. Algumas famílias da vizinhança, com criançaspequenas, acordaram com bombas sendo jogadas dentro de suas casaspara impedir que elas saíssem para ajudar Pinheirinho. Pessoascomeçaram a se aglomerar na tentativa de ter notíciasde familiares que estavam lá dentro, foram todas atacadas pelatropa de choque com balas de borracha e bombas. Armas eram apontadaspara crianças e para a imprensa local. Os nossos gritos "temcriança aqui, tem criança aqui!" nãocausavam o mínimo de sensibilidade em pessoas que se limitavama vender sua humanidade e a cumprir ordens como um simplesinstrumento do monopólio da violência do estado burguês.

Uma das armas que a população dos arredores dacomunidade possuía, era a câmera de vídeo e ocelular. Qualquer um que tentasse registrar a açãoarbitraria e fascista da tropa de choque era violentamente reprimido.Todas as pessoas eram ameaçadas e obrigadas a retornar paradentro de suas casas. Helicópteros pousavam. A cavalariaavançava. Carros da rota e carros blindados com mais e maispoliciais chegavam. Caminhões do corpo de bombeiros tambémestavam lá para prestar a sua contribuição nomassacre de Pinheirinho. Na medida em que o som de tiros e bombasecoava de dentro da comunidade, chegavam as notícias viacelular para os familiares que estavam lá fora, informaçõescruzadas sobre a possibilidade da existência de mortos entre osmoradores que tentavam resistir, já que foram utilizadas pelapolícia armas de fogo com munição letal. Nãohouve tempo para a resistência organizada, os moradores dePinheirinho, desesperados, tentavam resistir como puderam natentativa de proteger suas famílias, seus pertences, e o seudireito legítimo de lutar pela suas necessidades básicasde sobrevivência, e que lhe são negadas pelo estadoburguês. Enquanto isso, a mídia local e nacional cumpriaa sua função de classe, distorcendo informaçõese só noticiando a defesa dos moradores, retratada comodepredação e criminalizada, sem relatar nenhuma dasviolações dos direitos humanos praticadas massivamentepelos policiais. Foram 5hs de resistência extramuros daOcupação de Pinheirinho, as pessoas eram dispersadas eretornavam revoltadas com as notícias da possiblidade de morteentre os moradores e com a ação violenta e falta dehumanidade da tropa de choque. Algumas horas depois alguns moradorescomeçaram a sair de Pinheirinho com o que podiam carregar,informando que suas casas foram lacradas pela polícia. E alimesmo, nas ruas dos bairros ao redor da comunidade esses moradorescomeçaram a se aglomerar na esperança de poder reaverqualquer coisa. A ação da policia foi atenuada pelachegada da grande mídia. A indignação e asensação de impotência foi enorme. A Zona Sulinteira de SJC parou com o estado de sitio. Foi uma manhã depuro horror e desespero, nunca presenciei algo parecido, a falta dehumanidade me embrulhava o estômago. Vidas estavam sendodestruídas em nome do dinheiro e do poder, o exemplo maisconcreto da luta de classes e do extermínio que a burguesia eo estado promovem cotidianamente na invisibilidade das periferias.

Às4hs da tarde, voltando para casa, avisto tratores e caminhõesse dirigindo para a ocupação, e neste momento me douconta que o massacre de Pinheirinho havia apenas começado".

domingo, 22 de janeiro de 2012

ABAIXO A REPRESSÃO DE ALCKMIN E CURY AO PINHEIRINHO!!!


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Big Brother Brasil 2012: estupro de mulheres é sinônimo de amor para a rede Globo de televisão


Por Adriano Favarim e Clarissa Menezes

Conivência e encobertamento de crime pela rede Globo: após exibição de estupro ao vivo no Big Brother Brasil e da emissora tentar mostrar o estupro como algo consentido, Daniel é expulso do programa por ter “infringido as regras do jogo”.

No dia 15 de janeiro de 2012 foi ao ar a maior inovação da rede Globo de televisão: o estupro ao vivo. Circularam pela internet vídeos que mostram o momento em que Daniel entra debaixo do edredom onde Monique se encontra deitada e durante alguns minutos abusa sexualmente da garota, que permanece imóvel, totalmente desacordada. Após as primeiras manifestações de indignação começarem a circular pelas redes sociais, a emissora tenta retirar os vídeos de circulação da web. Na noite de domingo, na apresentação do programa em rede aberta, a edição do programa faz parecer que toda a situação foi consentida, terminando a exibição com a exclamação de um sorridente Pedro Bial: “o amor é lindo!”.

Além de não ter intercedido para impedir que o crime acontecesse, a emissora, sua direção e produção, agora se valem da lógica machista para encobertar com um véu (no caso, um edredom) de ‘amor’, a sujeira nojenta do crime com o qual foram coniventes! Mas a mídia é podre, e os programas de fofoca também quiseram tirar uma ‘casquinha’ do abuso sofrido pela Monique e ‘sensacionalizaram’ aos quatro ventos o “possível” abuso, cada um tentando abocanhar o maior ponto na corrida pelo IBOPE. Frente a todo esse alarde e a indignação crescente nas redes sociais, na noite do dia 16 de janeiro, o mesmo Pedro Bial da "beleza do amor", anunciou a eliminação do Daniel por ter “infringido as regras do jogo” e só! Em apenas dois dias, a Monique foi violentada por Daniel, Pedro Bial, ‘Boninho’, Sonia Abraão, entre outros...

Enquanto a mídia lucra com a mercantilização da violência à mulher e reproduz a ideologia dominante do machismo, milhares de mulheres são estupradas todos os dias por seus pais e padrastros, irmãos, parentes, amigos, namorados, maridos, com a mesma naturalidade que ocorreu no BBB, e guardam para si a violência, em silêncio, porque o machismo é tão naturalizado, que o homem se sente no direito de violentar, e a mulher se sente envergonhada e culpada por ter sido violentada.

O programa de reality show, Big Brother Brasil, que aliás de reality nada tem, é uma verdadeira exibição de opressões. Para dar ao programa um conteúdo menos alheio à realidade e supostamente mais democrático a emissora tem adotado “cotas” e escolhido em suas edições uma ou outra pessoa chamada hoje de “minorias”, como negros e negras, gays e lésbicas, e uma ou outra mulher fora do padrão estético da ditadura da beleza esbelta, ou que seja bissexual. Na “realidade” da rede Globo, as mulheres e homens têm corpos moldados, esbeltos, malhados. Uma “grande” contribuição para a sociedade presta essa emissora, que faz grande alarde midiático em torno de um programa que nada acrescenta à ninguém, e que é pautado em valores burgueses espúrios, como a competição a todo custo, mostrando relações superficiais e falsas entre os participantes, pois tudo não “passa de jogo” no qual todos querem ganhar.

A mulher enquanto objeto a ser o mais moldado e lustrado da prateleira

Dentro de uma sociedade que sobrevive da repressão sexual, da imposição de valores castos, de uma inibição em forma de tabu acerca da sexualidade e de uma moral voltada para a reprodução e manutenção da família patriarcal monogâmica, a mídia tanto se vale desse recalque sexual da sociedade para lucrar em cima da exploração dos corpos femininos, quanto para reproduzir os valores machistas e sexistas que alimentam essa sociedade sexualmente repressora. Não a toa que, dia-a-dia, nos mais diversos programas, a ditadura da beleza é exposta: seja nos ‘reality shows’, nos programas de auditório, nas novelas, nos programas de fofoca e até nas reportagens de telejornais. Em uma parceria inescrupulosa com as indústrias de cosméticos e com a medicina da beleza.

Na mesma medida que essa exploração gera lucros milionários para esses empresários, reproduz a ideologia de que à mulher não pertence o seu corpo, expropria-se da mulher o seu corpo enquanto totalidade e o seu ser enquanto sujeito e a transformam em partes-objetos a serem degustados: uma bunda, um seio, uma vagina, uma boca, uma coxa, um rebolado, etc. Ao mesmo tempo, a mulher perde todo o seu direito de determinação e se torna a eterna Eva de sua desgraça. A mulher, vítima dessa serpente que é o capitalismo – onde alguns poucos empresários burgueses lucram com a apropriação e exploração sexual do corpo feminino – terminam por serem culpadas do abuso que sofrem, na medida que, nessa empreitada lucrativa, esses mesmos empresário burgueses reproduzem a ideologia opressora machista que permite a continuidade dessa exploração! É hora de transmutarmos essa culpa para os veículos da mídia e as indústrias de cosméticos e da ditadura da beleza que nos exibem como objetos e se valem da nossa utilização enquanto corpos violáveis e disponíveis para lucrarem milhões!

Milhares de mulheres já sofreram abusos sexuais. Muitas na infância, pelo pai, padrasto, tios, parentes próximos ou amigos de familiares. A imposição de uma “ditadura da beleza” é parte do nicho de mercado desses grandes monopólios de comunicações e industrias e é alimentado por estes no ideário de um padrão de beleza pautado na juventude eterna regrada à muitas plásticas, cirurgias e cosméticos, bem como na coisificação da mulher desde a sua mais tenra infância, transformando uma menina em uma mulher, não uma mulher-sujeito, mas desde pequena em uma mulher-objeto.

Além da lucratividade, essa prática gera a reprodução ideológica da própria estrutura social construída na base da moral repressora sexual, que além de criarem mulheres para serem frágeis e submissas, criam homens para serem brutos e violentos que só são capazes de garantir sua satisfação sexual na base da força e da possessão do corpo feminino, aqueles que não conseguem cumprir com sua “obrigação social” de possuir uma mulher se sentem no direito de utilizar da sua força física ou de aproveitar determinada situação (quando a mulher está desorientada ou desacordada, seja pelo álcool, seja pela indução de substancias adicionadas sem seu consentimento, conhecidas como o “boa noite cinderela”) ou relação de poder (como abusos de crianças e adolescentes em geral por parte de familiares) para garantir a sua satisfação sexual.

Enfrentar a gigante Globo, as indústrias da beleza e as demais mídias não é tarefa fácil, ainda mais quando esse enfrentamento representa um combate aos pilares que sustentam a manutenção desse sistema social. Não nos espantaria se Monique viesse a público afirmar que foi um ato consentido. Assim como a maioria das mulheres violentadas terminam obrigadas a regressarem de volta às suas casas, caladas, amedrontadas e desmoralizadas.

A luta contra o machismo que é perpetrado diariamente em nossas vidas, desde que nascemos, pela família, pela escola, pela igreja e pela mídia tem que se enfrentar contra a moral sexual que constrói ideologicamente os sujeitos e suas relações. Essa moral propagada e reproduzida, porém, é fruto das necessidades econômicas da sociedade, e hoje, ela emana das bases da sociedade capitalista. Combater seriamente o machismo, o sexismo e a homofobia não é tarefa fácil exatamente porque significa combater tanto o sistema capitalista de produção quanto a sua reprodução moral e de valores.

Nesse sentido não podemos esperar nada dos governos para além de promessas e barganhas de direitos pontuais em troca de acordos políticos. Demonstração disso foi a tímida manifestação da Ministra petista Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres que solicitou ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro que apurasse o caso, enquanto isso, milhares de mulheres continuam sendo abusadas sexualmente e o governo nada faz para atacar o cerne da reprodução dessa lógica social, muito pelo contrário, mantém sua posição contra os mais democráticos direitos da mulher como a legalização ao aborto ou a educação sexual nas escolas em favor do Acordo Brasil-Vaticano pelo ensino religioso! Segundo o jornal O Dia, a polícia foi até o Projac na tarde do dia 16/01 colher depoimento da vítima e do agressor, sendo à noite anunciada por Bial a saída de Daniel por “infringir as regras do programa”. Desde quando a rede Globo possui foro privilegiado? Estupro é crime e devem ser punidos, não somente o Daniel, como a rede Globo, o apresentador, a produção e a direção do programa BBB12 que poderiam ter impedido e não o fizeram, se omitiram, foram coniventes e ainda tentaram transformar o estupro em uma “ linda cena de amor!”.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Na cracolândia e na USP: aos indesejáveis um só metodo; O porrete!


Após todo processo de luta desencadeado na Universidade de São Paulo durante o fim do ano, cujo estopim foi a tentativa de prisão de 3 estudantes no dia 27 de outubro, seguida de diversos exemplos do papel repressivo da Pm no campus, como a invasão por 400 policiais que coroaram o projeto da reitoria de avançar na militarização da USP, a PM mostra, mais uma vez, aos que duvidaram, a que veio.

 
Policial ameaça com arma e agride estudante na USP;
Neste dia 9 de janeiro, Nicolas, jovem negro, estudante deCiências da natureza da Usp foi agredido aos tapas e ameaçado com uma pistolapor um destes supostos “policiais preparados” para lidar com um ambiente“comunitário”.

Toda a ação foi filmada -Aqui- e, como era de se esperar,tanto a reação do policial - que aos berros dizia que era “Polícia” e não tinhafeito nada de errado nem temia a corregedoria- quanto a posterior abordagem damídia, em caracterizar Nicolas como um “suposto” estudante, já eram esperadospor aqueles que se enfretaram com exemplos, truculência e repressão deste tipopor mais de 3 meses.

O que está por detrás da abordagem deste jovem negro,“mal-vestido” e de Dread/Rastafari na Usp?

Nicolas, não coincidentemente foi abordado pelo policialque, naquele momento e em geral, seguiu um procedimento da PM, que não éexceção nas divisões de elite dos 400 que invadiram a USP ou dos 100 queentraram na cracolândia, nem nos tão “preparados policiais comunitários”. Estaé a política do racismo e da discriminação entre “normais” e os “indesejáveis”que norteia a Polícia.

A Pm é uma instituição reacionária, autoritária e violenta,filha direta da Ditadura Militar. Nas estrelas presentes em seu brasão de armasde mais de 181 anos, comemoram a repressão a Canudos - levante Popularorganizado em contraposição à ordem vigente-, às greves operárias de 1917 ecomemoram até mesmo o Golpe militar de 1964.
Isto porque seu caráter, a despeito do que dizem osdefensores desta democracia dos ricos é o caráter de um organismo a serviço deuma classe: a dos patrões.
Isso implica que seu principal objetivo é garantir osinteresses, lucros, empresas, locais de estudos e posses destes grandesmagnatas e senhores, por quais vias forem necessárias.

Não é preciso procurar demais. Basta observar o papel quecumprem nas periferias de todas as cidades, nos morros cariocas, nos conflitosno campo, nas greves de trabalhadores em que dissolvem piquetes- o que jáocorreu na USP, em Jirau, com professores, etc-, e, não surpreendentemente, nasUniversidades e cracolândias por todo o país.

Nicolas, um jovem negro e pobre não poderia ter outrodestino que não ser abordado e agredido tanto pela PM, quanto pela reacionáriaguarda universitária, a serviço da reitoria. Este é o método comum em todas asperiferias e, na Usp, uma universidade pensada, organizada e cujo acesso epermanência são somente acessíveis às camadas mais altas da sociedade, com tais“elementos”, só poderia se expressar o racismo corriqueiro da polícia cujasraízes remetem ao escravagismo do império.

O “indesejável” ao se dirigir ao capataz, tal como uma bestaque se dirige ao ser civilizado, deve ser neutralizado e eliminado paragarantir a manutenção da ordem imposta pela casa grande. Esta é a lógica daditadura militar escravagista e é a serviço disto que está a repressão na USPque conta, hoje, com 73 presos e processados políticos e 6 expulsões porlutarem contra tal projeto.

A Reitoria da USP, com seus quadros e monumentos emhomenagem à ditadura militar visa impor um choque de ordem aos “elementosindesejáveis” na USP, tal como o Governo do estado impõe sua ordem aos“indesejáveis” da Cracolândia!
Há alguns meses a reitoria tentou iniciar a construção de umdito “monumento à REVOLUÇÃO de 64”, comemorando a data memorável do golpe daditadura... Igualmente foram veiculados imagens de quadros de “presidentes”reitores da ditadura Militar, como Gama e Silva, nas salas da reitoria... Nãobastassem estes elementos tão emblemáticos, numerosos são os exemplos deataques aos estudantes e trabalhadores na USP.

Demissões, agressões, ameaças com armas de fogo, PM'satacando piquetes de greve de trabalhadores, amordaçando estudantes, etc, sãoimagens que caracterizam a USP no último período, sendo os últimos mesesexemplos cabais disto.

Já está mais do que claro que a presença policial no campusda USP tem um sentido político e repressivo. É uma encomenda especial doGoverno do estado, aplicada pelo carrasco Reitor Rodas, para calar os setoresque questionam um projeto de Universidade racista, elitista - que exclue amaioria da população com seu vestibular, em especial os negros da periferia-, evoltado aos interesses das grandes empresas.
Historicamente, um setor de resistência tem se organizado ecombatido este projeto, no sentido de buscar abrir o debate acerca de queUniversidade precisamos e a serviço de quem. São calados às balas, bombas eprisões, tal como os capatazes escravagistas tratavam suas propriedadesfugitivas.

Paralelamente a isto, Alckmin e o oficialato da Pmprepararam um plano de higienização social maquiado como “revitalização” daregião conhecida como cracolância, cujos objetivos obscuros podem muito bemestar a serviço de uma “limpeza social” pré-olímpiadas as custas da opressão erepressão de todos os moradores da região, vítimas desta miséria de vida quenos impõe.

Por lá, os métodos são bem parecidos. Não faltam balas,tiros, tapas na cara, ofensas e ameaças.
A PM tem estabelecido uma presença ostensiva contando atémesmo com o aparato da tropa de choque e da cavalaria - verdadeiros “capitãesdo mato”, caçadores de escravos modernos- para garantir que as “vias sejamliberadas” e que, pela “dor e sofrimento”, segundo as palavras do próprio“secretário de defesa da cidadania”, possam “superar” sua situação miserável.

As imagens de terror, armas nos rostos, socos e pontapés edenúncias de execuções sumárias por parte da PM também não faltam, assim comoem todas as periferias e nas lutas populares. A justificativa do senso comum edas ditas “autoridades” é que são viciados e um setor “descontrolado” dasociedade.

As razões de tal repressão, sabemos, advém de que aoscapitalistas é necessário esconder estes pobres miseráveis, os quais são aexpressão mais aguda e mais cruel de um princípio do capitalismo: Ou você“vence” na vida e lucra, ou está abandonado a sua própria sorte por ser umperdedor.
Abandonados, não lhes resta nada além das drogas, damiséria, da prostituição e das ruas.
São a expressão concretizada do destino que o capitalismoreserva a toda civilização. O abandono, isolamento e a miséria.
O Estado, num ato de bondade cívica aplaudido por todos osmeios reacionários, vem lhes dar um presente de ano novo e um “incentivo àcivilização” na forma de lacrimogênio.

Pela Usp, o núcleo de consciência Negra - NCN- cujaresistência perdura há vários anos e tenta ser um contraponto à políticasegregacionista e elitista da Instituição e seus dirigentes “máximos”, tem sidoameaçado de perder sua sede e não ter para aonde ir, para, assim, dar lugar aum projeto de “revitalização” das estruturas...que não incluem o único núcleode Negros!!!

Alguma semelhança?
  
A ditadura Militar, abençoada pelo PSDB e pela Reitoria daUSP tem de acabar!
Não é de se estranhar que a Polícia aja desta maneira. Narealidade, a ação repressiva faz parte de um projeto de Universidade- e deestado- que vira as costas para a maioria trabalhadora da sociedade e buscasubmeter os trabalhadores e estudantes de baixa renda e resistentes a estaelitização.
A terceirização, que estabelece trabalhos exaustivos esalários de miséria, com assédio moral, etc; as demissões que continuam demaneira arbitrária; expulsões de alunos; processos e demissõesinconstitucionais; tudo isto é o exemplo de uma estrutura arcairca eretrógrada, cuja manutenção tem a benção de um governo igualmente autoritário eretrógrado como o do PSDB e sua corja, cujas desocupações de sem-teto,repressão a greves de trabalhadores e a movimentos populares são bem conhecidosde toda a população.

A comunidade Universitária, em nenhuma instância, pode sefazer representar de maneira relevante e, sendo assim, cabe a um pequeno grupode seletos iluminados, todos orbitando a figura do REItor decidir o que, quando,onde e de que maneira se organizar, financiar e estabelecer as prioridades daUSP.

De 100 mil membros da USP, 300 tem poder de decisão. Dos 12milhões de cidadãos de São Paulo, o governo do estado - que transfere Bilhõespara grandes empresas e seus negócios-, através de seu vestibular, permite quetenham acesso à USP apenas 9 mil.
Nenhum deles será da Cracolândia, poucos serão negros e daperiferia e os que forem, certamente, sofrerão com falta de condições paramanter seus estudos, falta de moradia e muita repressão quando lutarem por algoneste sentido...

Recentemente, o movimento estudantil da USP tem se colocadoem pé de questionamento, organizando ações e uma greve para garantir a saída daPM do campus tendo avançado no questionamento da estrutura do acesso e de poderna USP.
É necessário avançar na luta por uma Estatuinte que varra daUSP estes dejetos ditatoriais, debata e decida sobre os objetivos, problemas ediretrizes da USP, que precisa estar a serviço dos trabalhadores: a maioria da população.

Igualmente, só um governo da Usp, baseado em conselhos dosestudantes, trabalhadores e professores, na proporção de sua presença nauniversidade, ligados as organizações dos trabalhadores e movimentos popularesserá capaz de organizar uma Universidade não elitista e que se desprenda daLógica de benefício ao mercado e exclusão da massa de baixa renda queverdadeiramente financia a universidade pública.

Por enquanto, nas imediações do belo campus Butantã, dentrodo circo de operações dos magnatas hipócritas do governo, Nicolas, agredido eameaçado com tapas e uma pistola, é levado a crer que os policiais agressoresserão, supostamente, afastados numa manobra hipócrita que visa maquiar overdadeiro sentido “agressor” da repressão; há poucos metros da Universidade,na favela da São Remo, Cícera, trabalhadora terceirizada, assassinada pela Pmcom um tiro na cabeça, não tem tanta sorte.

Enquando na USP, há a agressão e o suposto “afastamento”, nafavela São Remo, há o corpo negro estirado no chão.

Numa, maqueia-se a segregação social que, inusitadamente, écaptada pelas câmeras, noutra, as câmeras e imagens não resistem ao massacrecotidiano e, por lá, a "autoridade" não tem nada a esconder. É só obom e velho "Mocinho e Bandido": De cinza é "mocinho";qualquer tom de negro, é inimigo. Uma dica da ditadura.

Dois lados da mesma moeda. Duas ações da mesma hipocrisia.Uma ação de classe de costas para a outra. A ação da classe dos que queremeliminar as vozes que distoam, as palavras que discordam e os oprimidos queresistem.

NÃO PASSARÃO!


O projeto em xeque


Rodrigo Silva é estudante de filosofia na UFMG e da JUVENTUDE ÁS RUAS. 

O CHE (Complexo Hidroelétrico) de Belo Monte terá uma capacidade de geração de energia em torno de 11.181 MW. Mesmo estando entre as 10 maiores hidroelétricas do mundo, comparativamente, será um dos investimentos em energia menos eficientes, do jeito em que está no projeto original (e é importantíssimo nos lembrarmos dessa ressalva), e custará em torno de 20 a 30 bilhões de reais, segundo estimativas. Sua capacidade média de geração de energia, a energia firme, como é chamada, será de apenas 4.637 MW. Existem outros cálculos, utilizando outras metodologias (metodologia HydroSim), que ainda nos dão uma perspectiva mais desalentadora, calculando apenas 1.172 MW de energia firme, o que seria aproximadamente apenas 10% de sua capacidade. Apesar de ser o projeto mais caro de todos, produzirá pouco mais energia firme, contando a melhor das hipóteses, do que Tucuruí (4.100 MW), e a metade de Itaipu (8.600 MW). Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, produzirão juntas 4.100 MW. Temos que lembrar, voltando ao assunto dos parênteses, que um dos ajustes realizados no seu projeto para viabilizar sua construção, do ponto de vista ambiental, foi desistir da construção de outra barragem (Babaquara), à montante do projeto em curso, que, se construída, aumentaria o espelho d’água da usina de 440 Km² para 1.225 Km², e ai sim, talvez a usina tivesse uma geração maior de energia. Como nos é alertado pelo estudioso do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Philip Fearnside, é comum nestes casos que promessas antigas sejam esquecidas pelo governo em momentos posteriores. Portanto, em um novo momento de “crise energética”, já programada a partir da ineficiência do projeto atual, e “necessidade de progresso”, como o governo denomina sua justificativa para construir esta usina da morte e derramar dinheiro, poderíamos ver sendo construída essa outra barragem, e maiores danos ainda poderão surgir. Boa parte das condicionantes exigidas para a implantação do projeto que está em andamento não foram cumpridas, e muitos danos já são parte do cotidiano de Altamira. A criminalidade da cidade cresceu em mais de 130%, o inchaço populacional castiga a população, que vê seu custo de vida aumentando rapidamente, suas periferias estão crescendo sem condições básicas de infra-estrutura, além da ineficiência dos serviços públicos, como saúde e educação, em atender sua demanda. E porque tudo isso?

“A obra pela obra” ou “do nosso bolso para o deles”

Como é lembrado em um dos artigos do painel de especialistas sobre Belo Monte, quando se tem em vista um empreendimento em energia, temos que analisar para onde vai a energia gerada, e qual é a sua necessidade, e, acrescento, não ficar alardeando um suposto progresso e um desenvolvimento que já é papo velho por estas bandas, às custas do sangue e das vidas dos trabalhadores e da população local. Ao observarmos o CHE de Belo Monte sob este aspecto, vemos que, além de relatórios que apontam que investimentos em eficiência energética nos poupariam dessa usina sangrenta, a obra não atende as necessidades energéticas e produtivas da população e dos trabalhadores, mas sim as necessidades das grandes indústrias do alumínio e do ferro, e, por conseguinte, da grande economia mundial, que vê no nosso estado uma das últimas fronteiras de exploração de matéria-prima. Quanto ao ferro, é importante notarmos que, do modo em que o ferro é produzido e vendido (com baixo valor agregado e direto para a China) não é interessante para o Brasil continuar comercializando-o para o exterior, apesar de seu comércio ser um dos sustentáculos da nossa política econômica. Esse ferro deveria, no mínimo, ser revertido para o crescimento da indústria nacional, se alguém quisesse argumentar pelo dito “progresso”. Aliás, perto da quantidade de ferro que alimenta a indústria mundial e só deixa seqüelas para nós, do que adianta falar em “taxa de mineração” e “reverter os lucros da mineração para o estado”, como argumenta a mídia governista da capital? Quanto ao alumínio, vários países já até desistiram da extração mineral da bauxita, pois além de consumir muita energia e gerar poucos empregos, é uma das indústrias mais poluentes que existem, e, além disso, apesar da sua importante para indústrias tecnológicas que não são prioridade da economia nacional, hoje em dia mais de 85% do alumínio produzido é passível de reciclagem. Se os benefícios fossem revertidos para a criação de indústrias que trouxessem benefícios para a população paraense, gerando empregos e nos suprindo nas demandas materiais de um estado tão pobre quanto o nosso, ainda poderíamos entrar nesse debate. Mas com essas perspectivas, quem quer Belo Monte?

                Belo monte é uma obra, que, além de, no seu objetivo final, servir a uma política econômica que não beneficiará a população em geral em nada, é um verdadeiro atentando contra a dita “soberania nacional”, pois essa política econômica de exportação de commodities é a mesma que garante que o Brasil continue numa posição de semi-colônia da economia mundial em termos de produção, e não a falta de energia, como nos é alegado.

Todos esses argumentos, como compromisso com o desenvolvimento, e garantia de energia para a nação, são apenas falácias sustentadas pela mídia e pelos políticos que defendem a obra, todos comprometidos com os que verdadeiramente serão beneficiados com este empreendimento. Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e outras empreiteiras, seja através de despachantes ou diretamente, serão as únicas beneficiadas por este empreendimento. Todas essas companhias financiaram a campanha eleitoral de Dilma. Assim como nos EUA a indústria bélica financia campanhas presidenciais e exige retornos, aqui acontece o mesmo com as empreiteiras. Como nos esclarece a campanha “Belo Monte: com meu dinheiro não!”, o BNDES irá financiar 80% do custo da obra, à juros baixíssimos, no que é o maior financiamento da história do banco. Um verdadeiro assalto aos nossos bolsos! E tudo isso a custa da população local e dos trabalhadores do país! Fundos trabalhistas, através do BNDES, irão financiar Belo Monte!

Em Belém, por que nos mobilizarmos? E como?

Em primeiro lugar, o desrespeito e abandono estrutural em que se encontra a população de Altamira, além de que os desrespeitos exercidos contra os trabalhadores da obra não são privilégio de Belo Monte. A precarização do trabalho e o desrespeito a população que não tem condições dignas de moradia têm sido a tônica do suposto “desenvolvimento” que vem sendo propagandeado desde o governo Lula. Lembremos que tanto nas obras do PAC, quanto nas obras para a Copa do Mundo, que são geridas pelos mesmos grupos de empreiteiras, casos de trabalho semi-escravo, péssimas condições de trabalho (como em Jirau, onde os trabalhadores atearam fogo no próprio alojamento em forma de protesto), remoção de moradores locais sem cumprimento das condições prévias são recorrentes em todo esse cenário de “desenvolvimento”, que na verdade é apenas um “boom” de obras, financiado pelo nosso bolso e de objetivos duvidosos. Essas empreiteiras são na realidade agentes do trabalho precário no Brasil atual. Se posicionar e organizar-se contra a construção da usina é um passo importante na auto-organização dos trabalhadores. Nesse momento em que capitalistas do mundo inteiro se preparam para a crise mundial, é importante que os trabalhadores da região e a população em geral se organizem para defendermos o que hoje é uma das últimas fronteiras para a grande economia capitalista mundial, a Amazônia. Hoje, com esta crise estrutural, até nos países mais desenvolvidos são oferecidas misérias à classe trabalhadora. Somente a auto-organização dos trabalhadores poderá superar os problemas da região. Não podemos confiar na classe política tradicional, representada pelos veículos regionais de mídia, que não respeitam a população, desinformando-a, e lucram com a exploração do estado, para esta tarefa. Nos colocarmos contra esse projeto é lutar contra esse modelo econômico que garante que, mesmo com tanto capital circulando, com tantos recursos no Estado, que em Belém, metade da população viva em situação precária. Só a luta contra esse modelo poderá oferecer à população do Pará perspectivas de melhoria nos serviços básicos, na moradia, nas condições de trabalho e na educação. Para que nestas condições possam decidir sobre o dito “desenvolvimento”.

Para se porem ao lado da população e dos trabalhadores, os estudantes e jovens devem empreender tarefas de organização e discussão nos seus locais de estudo, se pondo à serviço da classe trabalhadora. Denunciando a situação, se reunindo nas escolas e faculdades para discutir o assunto, a juventude deve ir às ruas para levantar suas vozes e seus braços contra este modelo que não oferece um futuro para a juventude que não seja ilusório, e na realidade extremamente difícil, não só aqui como em todo o resto do mundo. Devemos combater Belo Monte e junto com ela o projeto de país que vem tocando os governos Lula e Dilma, com suas maquiagens e de fundo, lucros como nunca para os capitalistas, e exploração para os trabalhadores e desrespeito às suas lutas e à população em geral. Para isso devemos mirar com bons olhos, e aprender com o exemplo chileno, aonde uma luta que retomou sua força este ano em manifestações contra a construção de cinco barragens no território da população Mapuche, cresceu e se tornou um movimento massivo e apoiado por diversos setores da população que, ocupando escolas e faculdades pela educação gratuita, nas suas maiores manifestações reuniu mais de 500.000 jovens nas ruas, pondo em xeque não só a agressão ao povo indígena, mas o próprio modelo de desenvolvimento proposto pelo governo chileno e os resquícios da política econômica do período ditatorial.