Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Construir uma juventude que esteja à altura dos desafios da luta de classes!


2011 foi o ano em que ficou evidente para todxs que o motor da históriahavia de fato crescido a marcha. Já em 2008, as correlações históricas voltarama fazer parte do cotidiano das pessoas, xs analistas diziam que a crise que seestourava com a quebra do Lehman Brothers só era comparada com o crack da Bolsade NY de 1929, e hoje vemos seu caráter estrutural, com o epicentro na Europa,se demonstrando nas tentativas em vão de contenção dos governos e nos ataquesàs condições de vida da classe trabalhadora, como nos anos 30. No final do anopassado, Eric Hobsbawn, importante historiador do séc. XX, comparou osprocessos revolucionários do Oriente Médio e Norte da África com a “Primaverados Povos” de 1848 da Europa – analogia que já se mostrava presente desde queesses processos foram batizados de “Primavera Árabe”.

            Cada vez mais a crisemundial vai dando mostras para a juventude de que esse sistema baseado naexploração e opressão de milhões de jovens em todo o mundo não consegue nosgarantir a menor perspectiva de futuro; o mito lulista-dilmista do “Brasil-potência”com uma melhora gradual nas condições de vida da população já mostram os diascontados. E, quanto mais se encerra a contagem, mais as contradiçõesestruturais, no âmbito econômico e das questões democráticas, da formaçãoatrasada do capitalismo brasileiro vão se pondo a mostra.

            Ao mesmo tempo o levanteda juventude grega, espanhola, italiana e norte-americana, só pra citar algunsexemplos, contra os planos de austeridades (políticas públicas para garantir,mesmo com a crise, os lucros dos banqueiros e empresários por meio do aumentode impostos, aumento do tempo para se aposentar, arrocho salarial, desemprego ecortes de gastos sociais), a luta dos estudantes chilenos pela educação públicae gratuita para todos e a “Primavera Árabe” anunciam mobilizações de massa quenossa geração nunca tinha visto e preenchem nossos corações e mentes com aidéia de Revolução (sendo o Egito o processo mais concreto), colocando um pontofinal na tese burguesa do “fim da história e da classe operária”, fazendomuitos professores, doutores se remoerem ao ver a história transformando suas‘inabaláveis’ teorias em velharias do passado!

            É diante desse cenárioque nos propusemos ao desafio de construir no Brasil uma juventuderevolucionária que partilhe da concepção de que os estudantes cumprem um papeldeterminante na luta de classes quando se ligam a setores amplos da juventude,especialmente dos trabalhadores. Somos jovens que aplicam a análise social e ametodologia marxista na compreensão e ação frente aos fenômenos sociais e que,desde as escolas e universidades queremos estabelecer pólos de produção doconhecimento a serviço da luta dos trabalhadores, nos enfrentando quandonecessário com a ideologia reacionária por parte de professores que só queremensinar a reprodução da ideologia burguesa de exploração e miséria. Somos parteativa nas greves e manifestações e linha de frente nos combates, conscientes deque nossos anseios, sonhos, desejos e reivindicações são muito mais fortes sesomados com os da classe operária.
          
 Foi em vista dessas tarefas queprojetamos há um ano essa juventude que seja capaz de transformar cada lutasocial em uma batalha contra o capitalismo e sua perpetuação. Somos parte dessajuventude que se espalha no Estado de São Paulo, e vem participando ativamenteda luta na USP contra a presença da polícia militar, no Rio de Janeiro e emMinas Gerais, onde fomos linha de frente com os professores, ecetistas ebancários nas duras greves desse ano, mantendo relação com juventudesorganizadas na Argentina e no Chile (desde onde, Bárbara Britto, da ACR –Agrupação Combativa e Revolucionária – veio participar de nossa plenária paracontar a experiência do processo chileno e da participação da juventude noChile), e queremos aqui em Franca construir uma forte juventude que tenha essecaráter, cumpra esse papel apaixonante de fazer a diferença na luta de classese que se prepare para as novas crises, guerras e revoluções que o movimento dasrodas da história volta a fazer surgir no curto horizonte!

          Chamamos a todxs aconhecer e construir a juventude às ruas: juventudeasruas.blogspot.com e leiana íntegra o nosso manifesto!
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O Pinheirinho é do povo!

No último dia 22 de Janeiro, a ocupação de Pinheirinho de São José dosCampos, onde moram mais de 6000 trabalhadores e trabalhadoras desde 2004, foibrutalmente invadida e reprimida por 1800 policiais militares, bombeiros, daTropa de Choque e da Rota para realizar a reintegração de posse da região. Todaa repressão a esses moradores está a serviço de defender os interesses daespeculação imobiliária e do “senhor” Naji Nahas, um especulador da bolsa devalores, condenado em 1989 a 24 anos de prisão por corrupção e lavagem dedinheiro. São responsáveis por esta brutalidade e por suas consequências ogovernador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin e o Prefeito de São José dosCampos Eduardo Cury, ambos do PSDB, assim como o Tribunal de Justiça de SãoPaulo, que legitimou a operação. Eles estão a serviço da burguesia, dos ricos,dos donos de empresas e especuladores e demonstram nesta ação, onde se armou umcenário de guerra, que estão dispostos a matar os moradores, homens, mulheres,crianças, para seguir com sua política à serviço da classe dominante.

Há 8 anos a área do Pinheirinho é habitada e construída por seus moradores.São trabalhadores, jovens, estudantes, crianças, desempregados, aposentados quesão vítimas da especulação imobiliária, vítimas dos governos municipal eestadual, vítimas da polícia, vítimas do salário mínimo de miséria, dosempregos precários, da pobreza. Isso tudo tem nome, e se chama capitalismo.

O governo federal do PT, e seus aliados, também não ficam para trás quandoo assunto é repressão aos pobres e trabalhadores para garantir os lucros dasgrandes empresas construtoras. Vemos isso nas ações levadas a cabo pelo governode Eduardo Paes (PMDB) na reintegração de inúmeras ocupações de moradias nocentro do Rio de Janeiro. É também parte dessa política as Unidades de PolíciaPacificadora (UPP’s) de Sérgio Cabral (PMDB) e do governo federal (PT) que,pela via de inúmeros abusos policiais, pela invasão de casas e violência contraos moradores, garantiram a presença ostensiva da polícia militar nos morros efavelas em favor dos interesses das grandes empreiteiras das obras do PAC, dasOlimpíadas e da Copa do Mundo.

Nesse sentido, defendemos a punição aos responsáveis pelo massacre ao povodo Pinheirinho e a desapropriação imediata do terreno, sem nenhuma indenizaçãoa este especulador e sua corja, e que se organize um plano de Obras Públicasque garanta emprego e moradia e seja organizado pelas entidades e organizaçõesdos trabalhadores e moradores!

Assim como a resistência e ousadia dos trabalhadores garantiu os 8 anos deexistência do Pinheirinho, a resistência e continuidade da Luta por moradia evida deve ser tarefa das mãos destes lutadores. É necessário que a juventudecoloque todas as suas forças em apoio e solidariedade ativa nesta luta, somandoforças em defesa da ocupação do Pinheirinho, pelo direito à moradia  e pelo direito de lutar. Em Franca, nós, dajuventude às ruas, junto de estudantes e de jovens trabalhadores francanos,apoiamos ativamente o povo trabalhador do pinheirinho, inclusive realizando umimportante ato no centro da cidade contra a repressão à ocupação.

*Punição aos responsáveis pela repressão!
* Desapropriação sem indenização da área do pinheirinho!
* Por um plano de obras publicas e moradia digna para todos!

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Na cracolândia e na USP: aos indesejáveis um só método: O porrete!

Após todo processo de luta desencadeado na Universidade de São Paulodurante o fim do ano, cujo estopim foi a tentativa de prisão de 3 estudantes nodia 27 de outubro, seguida de diversos exemplos do papel repressivo da PM nocampus, como a invasão por 400 policiais que coroaram o projeto da reitoria deavançar na militarização da USP, a PM mostra, mais uma vez, aos que duvidaram,a que existe.

No dia 9 de janeiro, Nicolas, jovem negro, estudante de Ciências danatureza da USP foi agredido aos tapas e ameaçado com uma pistola por um destessupostos “policiais preparados” para lidar com um ambiente “comunitário”.

Toda a ação foi filmada e, como era de se esperar, tanto a reação dopolicial - que aos berros dizia que era “Polícia” e não tinha feito nada deerrado nem temia a corregedoria - quanto a posterior abordagem da mídia, emcaracterizar Nicolas como um “suposto” estudante, já eram esperados por aquelesque se enfrentaram com exemplos, truculência e repressão deste tipo por mais de3 meses.

A agressão a Nicolas seguiu um procedimento da PM, que não é exceção nasdivisões de elite dos 400 que invadiram a USP ou dos 100 que entraram naCracolândia, nem nos tão “preparados policiais comunitários”.

A Polícia é uma instituição reacionária, autoritária e violenta, filhadireta da Ditadura Militar. Nas estrelas presentes em seu brasão de armas demais de 181 anos, comemoram a repressão a Canudos - levante Popular organizadoem contraposição à ordem vigente -, às greves operárias de 1917 e comemoram atémesmo o Golpe militar de 1964!

Isto porque seu caráter, a despeito do que dizem os defensores destainstituição essencial para a manutenção da democracia dos ricos, é o caráter deum organismo a serviço de uma classe: a dos patrões. Isso implica que seu principalobjetivo é garantir os interesses e lucros das empresas, a higienização contraos pobres e a efetivação da privatização das universidades.

Não é preciso procurar demais. Basta observar o papel que cumprem nasperiferias de todas as cidades, nos morros cariocas, nos conflitos no campo,nas greves de trabalhadores em que dissolvem piquetes - o que já ocorreu naUSP, durante a greve dos operários Jirau, com professores, etc-, e, nãosurpreendentemente, nas Universidades e Cracolândias por todo o país.

A Reitoria da USP, com seus quadros e monumentos em homenagem à ditaduramilitar visa impor um choque de ordem aos “elementos indesejáveis” na USP, talcomo o Governo do estado impõe sua ordem aos “indesejáveis” da Cracolândia!Demissões, agressões, ameaças com armas de fogo, PM's atacando piquetes degreve de trabalhadores, amordaçando estudantes, etc, são imagens quecaracterizam a USP no último período, sendo os últimos meses exemplos cabaisdisto.

Já está mais do que claro que a presença policial no campus da USP etambém, paulatinamente nos câmpus da UNESP, tem um sentido político erepressivo. É uma encomenda especial do Governo do estado, aplicada pelocarrasco Reitor Rodas, para calar os setores que questionam um projeto deUniversidade racista, elitista - que exclui a maioria da população com seuvestibular, em especial os negros da periferia -, e voltado aos interesses dasgrandes empresas.

Historicamente, um setor de resistência tem se organizado e combatido esteprojeto, no sentido de buscar abrir o debate acerca de que Universidadeprecisamos e a serviço de quem. São calados às balas, bombas e prisões, talcomo os capatazes escravagistas tratavam suas propriedades fugitivas.

Paralelamente a isto, Alckmin e o oficialato da PM prepararam um plano dehigienização social maquiado como “revitalização” da região conhecida comoCracolândia, cujos objetivos obscuros podem muito bem estar a serviço de uma“limpeza social” pré-olímpiadas às custas da opressão e repressão de todos osmoradores da região, vítimas desta miséria de vida que nos impõe o capitalismo.

É necessário avançar na luta por uma Estatuinte que varra das UniversidadesEstaduais Paulistas estes dejetos ditatoriais, debata e decida sobre osobjetivos, problemas e diretrizes da USP, UNESP e Unicamp e que precisa estar aserviço dos trabalhadores: a maioria da população.

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Uma juventude em defesa da Liberdade Sexual

e peladerrocada da moral podre imposta pelo 


capitalismo!

Além das bases econômicas e políticas, é indispensável para o capitalismoque ele tenha bases ideológicas sólidas, para que a sociedade impregne-se ereproduza os preconceitos e a moral cristã conservadora, utilizados parasustentar a exploração e opressão à classe trabalhadora e aos setoresoprimidos. "A ideologia dominante de uma época, é a ideologia da classedominante". O padrão burguês de família-branca heterossexual e religiosa –dá ao capitalismo toda a base moral e ideológica para manter-se edesenvolver-se.

Segundo Reich – importante psicanalista do séc. XX –, a instituiçãofamiliar é um laboratório de oprimidos. A família atua no papel de reguladorada sexualidade, reprodutora do conservadorismo e vigilante da moral. Secompararmos com os jovens da década de 60 – que pregaram a liberação sexual, ouso de anticoncepcionais para as relações sexuais serem prazerosas e nãosomente com fins de reprodução – a juventude em que vivemos dissemina valoresmuito mais atrasados, como a fidelidade monogâmica e a instituição docasamento, que é a primeira instância de reprodução ideológica dos valores, damoral e da tradição dominante e opressora. O desenvolvimento do sistemacapitalista está diretamente ligado com a reprodução dos valores da burguesia eda igreja. Segundo o IBGE cresce o número de casamentos e de casais que sedivorciam e voltam a se casar em seguida. Isso demostra o quanto a conservaçãoda sociedade está ligada com o avanço dos valores do casamento, da família e dapropriedade privada.

Nessa lógica, e dentro de um contexto nacional mais reacionário, vimos oveto do Kit anti-homofobia pelo governo Dilma, do PT, que mesmo dentro dos seuslimites reformistas, daria aos jovens o direito de refletir sobre o exercíciolivre da sua sexualidade e possibilitaria o desenvolvimento de uma educaçãosexual laica.

Nesse sentido, os homossexuais sofrem para assumir sua sexualidade: dentrode suas casas onde o paternalismo familiar oprime o gay por não seguir a lógicamoralista cristã e heteronormativa e levar adiante a tradição familiar; na rua,os ataques homofóbicos são constantes: dados do Grupo-Gay da Bahia mostram queé cometido um crime de ódio anti-homossexual a cada três dias; ao mesmo tempo,deputados como Jair Bolsonaro e a bancada evangélica expressam seu ódio eincitam a violência contra os homossexuais em programas da mídia burguesa quereproduzem o preconceito, e muitos outros exemplos. Tal ambiente possibilita avazão cada vez maior para manifestações de grupos fascistas e nazistas, que sóna Av. Paulista em São Paulo, são responsáveis por uma série de assassinatos eagressões que passam impunes pelo Estado.

Essa opressão tem consequências tanto objetivas quanto subjetivas, nosentido de que impede o desenvolvimento do gay como sujeito dentro de uma sociedadeque não o tolera. A segmentação de setores por parte da ideologia burguesacumpre um papel central e valioso para os capitalistas: ao transmitir para aclasse trabalhadora o lixo ideológico burguês de enxergar o negro, o gay, onordestino e o, em geral, "diferente", como algo repulsivo e queprecisa ser separado, facilita a divisão das fileiras da classe trabalhadora,facilitando o seu ataque pelos chacais insaciáveis do moralismo e do lucro. Damesma forma, cumpre um papel de retirar da consciência dos trabalhadores etrabalhadoras homossexuais, negros, travestis, a confiança em suas própriasforças, não enquanto indivíduos, mas enquanto classe. Retira-lhes o que é maisfundamental: Se enxergarem enquanto sujeitos da transformação social, ao invésde objetos da exploração, domesticando-os e dividindo as fileiras da classe.

A juventude deve se ligar à classe trabalhadora e ofensivamente se levantarcontra todas as formas de opressões a mulher, a população negra e a comunidadeLGBT, aos setores mais oprimidos e explorados. Deve se lançar na missão datransformação ideológica da sociedade, e tomar como tarefa a luta pelo fim daditadura da moral cristã burguesa, transcender as barreiras ideológicasdominantes, indo às ruas para arrancar com as próprias mãos o fim da exploraçãoe opressão em prol dos lucros da elite dominante.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

REItoria da Unicamp acompanha atentamente os ensinamentos de Rodas e Alckmin! Basta de repressão aos lutadores!


A reitoria da Unicamp iniciou o ano de 2012 dando mais uma mostra de sua truculência: no início do mês, em meio às férias letivas, aplicou uma suspensão de 6 meses a cinco estudantes que participaram da ocupação da administração da moradia estudantil no início de 2011, como punição por lutarem por permanência estudantil e também contra a presença da PM naquele espaço. A suspensão implica, inclusive, na perda do direito à moradia. Essa é a mesma reitoria que, no início do ano passado, processou criminalmente 9 trabalhadores que participaram da greve de 2010.
Esse ataque não é isolado à Unicamp, faz parte de todo um projeto que as reitorias e o governo possuem para as Universidades Estaduais Paulistas. O mesmo projeto universitário que pune agora esses estudantes que se colocaram em luta na Unicamp, é o projeto que, no fim do ano passado, eliminou da USP 8 estudantes que também ocuparam e retomaram a moradia, lutando por permanência estudantil. É o mesmo projeto que coloca na USP 400 policiais da tropa de choque e prende 73 pessoas, estudantes e trabalhadores, que se colocavam em luta justamente contra esse projeto e as medidas repressivas que a reitoria utiliza para implementá-lo,que sabota. espiona e persegue o sindicato do trabalhadores da USP, justamente para abrir caminho para seu projeto elitista. A recente prisão dos 12 estudantes que estavam na Moradia Retomada da USP não deixam para dúvidas sobre a escala repressiva impulsionada pelo CRUESP (Conselho de Reitores do Estado de São Paulo) Os reitores deixam bem claro seu recado: estão dispostos a levar adiante essa ofensiva, perseguir e punir todos que se colocarem como obstáculo para a efetivação do projeto privatista de universidade, que faz com que esta esteja cada vez mais a serviço da burguesia, dos grandes empresários e, cada vez menos, da população.  Não admitirão que lutem contra seu modelo de universidade e, para isso, utilizarão de todas as forças, desde a institucional até a policial, para evitar qualquer questionamento.
Mas as reitorias não agem sozinhas, e sim amparadas pelo governo do Estado, o mesmo governo que promoveu, há menos de um mês, o massacre no Pinheirinho, em São José dos Campos, colocando sua polícia assassina e a tropa de choque para desalojar os moradores daquele bairro, trabalhadores que ocuparam aquele terreno abandonado, e agora foram expulsos violentamente de lá. Eles também lutam por moradia digna!
Cabe a juventude, estudantes e trabalhadores, se colocar em luta contra a truculência das reitorias das Universidades Estaduais Paulistas e do governo do Estado. É fundamental que o movimento estudantil impulsione desde as calouradas um amplo processo de mobilização para defendermos aqueles que lutam por uma universidade aberta aos trabalhadores e povo pobre. A aliança entre trabalhadores e estudantes será determinante para enfrentarmos um inimigo que hoje contam com a justiça burguesa e a polícia assassina para impor seus interesses. A partir dessa aliança operário-estudantil, nos articulando com movimento populares, sindicatos, organizações de esquerda e consolidando uma forte mobilização entre as três estaduais paulistas, é que poderemos fazer frente à esse cenário repressivo aos lutadores.  Cabe a juventude sermos o obstáculo da efetivação do projeto de universidade da burguesia, lutando pela sua total subversão! Estaremos ombro a ombro com todos que atuam por esse objetivo, na defesa desses lutadores! 

 - Pelo fim dos processos aos estudantes e trabalhadores das estaduais paulistas!
- Pelo reversão das suspensão dos estudantes da Unicamp que lutaram por moradia!
-Pela construção imediata de 3.300 vagas para moradia estudantil da Unicamp!
- Por uma universidade a serviço da classe trabalhadora e do povo!
- Por moradia digna para todos!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

FUNDAÇÂO SEADE demite 4 por manifestação política contra a reintegração de posse do PINHEIRINHO.


- Danielson, Estudante de Ciências Sociais da USP e militante da Juventude Às Ruas - demitido político do SEADE
 
Em visita a Fundação SEADE na última quinta-feira, enquanto deixava o prédio, o governador Geraldo Alckmin foi questionado sobre a reintegração de posse do Pinheirinho. Palavras como PINHEIRINHO! e ASSASSINO! foram gritadas em mais um momento de insatisfação quanto as recentes medidas repressoras e militarizantes adotadas pelo governo de São Paulo, na USP, na Cracolândia e sobretudo em São José dos Campos. Posto esta manifestação que de modo algum teve o caráter de agredir o governador e sim questioná-lo sobre suas decisões que fogem do diálogo e privilegia o uso da força policial; hoje eu e mais 3 companheiros fomos desligados da Fundação SEADE, por se posicionar politicamente neste dia. O motivo alegado foi que agimos com atos dolosos contra a imagem e reputação da Fundação SEADE, cabe esclarecer que a manifestação foi individual e que jamais feriu ou sequer mencionou o nome da Fundação SEADE.
 
Estes 4 afastamentos foram perpetrados sem qualquer critério e inclusive sem a devida observação da ampla defesa onde em nenhum momento nos foi dada a possibilidade de conhecer os reais motivos e o processo pertinente realizado para tal desfecho, ou seja, mais uma decisão autoritária que não considera as prerrogativas democráticas conquistadas com a constituição de 1988.
 
TODO APOIO AO POVO DO PINHEIRINHO!!! - SOMOS TODOS PINHEIRINHO!.
 
PELO DIREITO DE LIVRE MANIFESTAÇÃO DE PENSAMENTO GARANTIDO PELA CONSTITUIÇÃO.
 
ABAIXO AS DEMISSÕES POR MANIFESTAÇÕES POLÍTICAS! 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Pinheirinho é do povo! Declaração da Juventude Às Ruas acerca da invasão da PM no Pinheirinho



O Pinheirinho é do povo!
No domingo dia 22 de Janeiro a ocupação de Pinheirinho de São José dos Campos onde moram mais de 6000 pessoas desde 2004, foi brutalmente invadida por 1800 policiais, Tropa de Choque, Rota para realizar a reintegração de posse da região. Toda a repressão a esses moradores está a serviço de defender os interesses da especulação imobiliária e do “senhor” Naji Nahas. São responsáveis por esta brutalidade e por suas consequências ainda não divulgadas pelos órgãos do Estado e pela mídia burguesa: o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, do Prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury, ambos do PSDB o do Tribunal de Justiça de São Paulo. Eles estão à serviço da burguesia, dos ricos, dos donos de empresas e especuladores e demonstram nesta ação onde armou-se um cenário de guerra que estão dispostos a matar os moradores, homens, mulheres, crianças, para seguir com sua política à serviço da classe dominante.

O governo tucano do estado de SP e a polícia assassina e racista, assim como faz agora no Pinheirinho, lança mais uma política repressiva no centro da capital paulista aos moradores de rua e dependentes de drogas na Cracolândia, e reprime as mobilizações estudantis, da juventude e dos trabalhadores como tem acontecido na USP.

Há 8 anos a área do Pinheirinho é habitada e construída por seus moradores. São trabalhadores, jovens, estudantes, crianças, desempregados, aposentados que são vítimas da especulação imobiliária, vítimas dos governos municipal e estadual, vítimas da polícia, vítimas do salário mínimo de miséria, dos empregos precários, da pobreza. Isso tudo tem nome, e se chama capitalismo.


Essa mesma política capitalista que vemos efetivada pelo governo de Eduardo Paes (PMDB) na reintegração de inumeras ocupações de moradias no centro do Rio de Janeiro, onde a polícia militar age com a mesma violência e truculência que em São Paulo para garantir o interesse da especulação imobiliária enquanto milhares de famílias são jogadas embaixo das pontes. É também parte dessa política as UPP's de Sérgio Cabral (PMDB) e do governo federal (PT) que, pela via de inumeros abusos policiais, pela invasão de casas e violência contra os moradores garantiram a presença ostensiva da polícia militar nos morros em favor dos interesses das grandes empreiteiras das obras do PAC, das Olimpíadas e da Copa do Mundo.

É desse tipo de especuladores, criminosos como Naji Nahas - condenado em 1989 a 24 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro -, e seus assistentes: governadores, prefeitos municipais e a justiça, que o povo do Pinheirinho vem sendo vítima. Por isso, a unica saída do povo pobre e trabalhador de Pinheirinho é sua organização de maneira independente junto dos demais trabalhadores, jovens e desempregados!

Nesse sentido, é central levantar a bandeira de desapropriação imediata,  sem nenhuma indenização a este especulador e sua corja e que se organize um plano de Obras Públicas que garante emprego e moradia e seja organizado pelas entidades e organizações dos trabalhadores e moradores!

Assim como a resistência e ousadia dos trabalhadores garantiu os 8 anos de existência do Pinheirinho, a resistência e continuidade da Luta por moradia e vida deve ser tarefa das mãos destes lutadores, arrancadas dos facínoras dos governos!

É necessário que a juventude coloque todas as suas forças em apoio e solidariedade ativa nesta luta, somando forças em defesa da ocupação do Pinheirinho, pelo direito à moradia  e pelo direito de lutar.

Nós da Juventude às ruas fazemos um chamado a toda  a juventude, organizações de esquerda, partidos, movimentos sociais e Oposição de Esquerda da UNE e a UNE para que construamos atos nacionais contra a repressão e em defesa dos lutadores.

 Liberdade imediata aos presos políticos e nenhum processo!

 
Punição aos responsáveis pela repressão!
 
Desapropriação sem indenização da área do pinheirinho!

 
Por um plano de obras publicas e moradia digna para todos!

CENAS DA REPRESSÃO- Um relato da invasão militar do Pinheirinho


CENASDA REPRESSÃO-Um relato da invasão militar doPinheirinho
porAline, estudante de Ciências Sociais da USP e militante daJuventude Às Ruas 


Dia21 de janeiro de 2012 - DIA ANTERIOR À REINTEGRAÇÃODE POSSE
Durantea plenária das 19hs, onde estavam presentes Zé Maria,Eduardo Suplicy, Ivan Valente,  outros parlamentares,diversas entidades, partidos e organizações, juntamentecom toda a comunidade do Pinheirinho, todas as falas feitas seconcentraram em tranquilizar os moradores em relação apossibilidade de uma ação da polícia nacomunidade, dizendo que ela por enquanto não viria eantecipando uma possível vitória.
EduardoSuplicy, durante a plenária, garantiu que a reintegraçãode posse não aconteceria e que no prazo de 3 meses a 2 anosninguém seria tirado dali. Todas as outras falas anunciavam avitória da luta por moradia, confiantes nas medidas judiciaiscontrárias à reintegração pela PM.Todosos que estavam ali presentes foram envolvidos por uma falsa sensaçãode segurança. Todos ali, inclusive nós estudantes.
Emoutra fala, Suplicy relatou a sua última conversa com Cury, oPrefeito de SJC, que afirmou que apesar de não concordar com ainvasão criminosa dos adultos , estava muito preocupado com as4 mil crianças da comunidade, e se comprometeu a garantir oacesso a saúde e educação.
(Umgeneroso gesto de benevolência de um Prefeito que negacotidianamente a essas mesmas crianças o acesso àspoliticas de assistência social do município e vagas emescolas e creches municipais simplesmente por serem moradoras daOcupação de Pinheirinho. O mesmo Prefeito que reconhecea origem nordestina da maioria desses moradores, que promove nacidade a xenofobia e a segregação racial e que,homenageia Bolsonaro com medalha de honra ao mérito.)
Acomunidade comemorou e a plenária acabou depois das 21hs danoite com palavras de ordem que diziam fervorosamente:"A-ha,u-hu! O Pinheirinho é nosso!". Vamos comemorar!

DIA22 de janeiro de 2012...
Por volta das 06hs da manhã, o quefoi dito impossivel 8hs antes, acontece: a tropa de choque surpreendea todos!
"Eue outros três estudantes estávamos dormindo naSecretaria da Ocupação do Pinheirinho. A Secretaria éprimeira casa que fica na frente do portão principal daComunidade. Fogos de artificio dão o sinal! Somos acordados,enquanto eu coloco o cobertor na mochila meus amigos se arrumam esaem. Conforme eu passo pela porta da secretária, vejo umaformação com mais ou menos 20 policiais da tropa dechoque, fortemente armados, adentrando a rua principal da comunidade.No lugar do portão de acesso do lugar, que foi violentamentedestruído, estavam cinco homens da tropa de choque. Osmoradores começam a sair de suas casas para entender o queestava acontecendo, já que havia se tornado rotina a entradade um certo número de policiais armados para intimidar eaterrorizar os moradores. Fiquei ali ao lados dos moradores que saiamde sua casas tentando entender o que era aquilo. Com um celular namão, me dirijo aos cinco policiais da tropa e pergunto o queestava acontecendo, a resposta foi reintegração, eupergunto de quem foi a ordem, ”- CPI.” (sic) é a resposta.(Na verdade não houve CPI alguma. Durante a noite do sábado,enquanto a plenária tranquilizava os moradores, na verdade,estava acontecendo na clandestinidade uma reunião com apresença da Ilustríssima juíza, do Prefeito emais uma terceira pessoa não identificada, que decidiramdesumanamente e em prol de seus interesses privados a reintegraçãode posse imediata e a qualquer custo).
Nesse momento, um policial datropa de choque me pergunta se sou moradora, digo que nao, que eraestudante em luta e neste momento, desarmada e sem oferecerresistencia, o celular que estava na minha mão éarremessado para longe e sou "delicadamente" conduzida pelobraço e convidada a me retirar . Quando saio, observo quetodas as ruas que dão acesso ao Pinheirinho estãositiadas pela  tropa de choque. Na medida em que todos ospoliciais me viam saindo de lá, armas eram apontadas paraminha direção enquanto eles gritavam "Fora, fora,sai, sai, sai agora, vai vai!!!!". A força brutal, aameaça, intimidação e covardia eram naturalmenteutilizados, por  homens altamente armados, assassinos doEstado e dispostos a qualquer coisa. Outros dois estudantes queestavam do lado de fora e alguns moradores que tentaram entrar emPinheirinho para encontrar as famílias, resgatar os filhos, etentar reaver, ao menos, seus documentos pessoais, foram brutalmenteimpedidos. Uma moradora idosa, desesperada por seu filho pequenoestar lá dentro, sozinho, foi espancada por policiais querespondiam com cacetes de borracha à sua necessidade de zelarpela integridade física de seus familiares. Todas as ruas aoredor da Ocupação de Pinheirinho foram sitiadas eatacadas. Algumas famílias da vizinhança, com criançaspequenas, acordaram com bombas sendo jogadas dentro de suas casaspara impedir que elas saíssem para ajudar Pinheirinho. Pessoascomeçaram a se aglomerar na tentativa de ter notíciasde familiares que estavam lá dentro, foram todas atacadas pelatropa de choque com balas de borracha e bombas. Armas eram apontadaspara crianças e para a imprensa local. Os nossos gritos "temcriança aqui, tem criança aqui!" nãocausavam o mínimo de sensibilidade em pessoas que se limitavama vender sua humanidade e a cumprir ordens como um simplesinstrumento do monopólio da violência do estado burguês.

Uma das armas que a população dos arredores dacomunidade possuía, era a câmera de vídeo e ocelular. Qualquer um que tentasse registrar a açãoarbitraria e fascista da tropa de choque era violentamente reprimido.Todas as pessoas eram ameaçadas e obrigadas a retornar paradentro de suas casas. Helicópteros pousavam. A cavalariaavançava. Carros da rota e carros blindados com mais e maispoliciais chegavam. Caminhões do corpo de bombeiros tambémestavam lá para prestar a sua contribuição nomassacre de Pinheirinho. Na medida em que o som de tiros e bombasecoava de dentro da comunidade, chegavam as notícias viacelular para os familiares que estavam lá fora, informaçõescruzadas sobre a possibilidade da existência de mortos entre osmoradores que tentavam resistir, já que foram utilizadas pelapolícia armas de fogo com munição letal. Nãohouve tempo para a resistência organizada, os moradores dePinheirinho, desesperados, tentavam resistir como puderam natentativa de proteger suas famílias, seus pertences, e o seudireito legítimo de lutar pela suas necessidades básicasde sobrevivência, e que lhe são negadas pelo estadoburguês. Enquanto isso, a mídia local e nacional cumpriaa sua função de classe, distorcendo informaçõese só noticiando a defesa dos moradores, retratada comodepredação e criminalizada, sem relatar nenhuma dasviolações dos direitos humanos praticadas massivamentepelos policiais. Foram 5hs de resistência extramuros daOcupação de Pinheirinho, as pessoas eram dispersadas eretornavam revoltadas com as notícias da possiblidade de morteentre os moradores e com a ação violenta e falta dehumanidade da tropa de choque. Algumas horas depois alguns moradorescomeçaram a sair de Pinheirinho com o que podiam carregar,informando que suas casas foram lacradas pela polícia. E alimesmo, nas ruas dos bairros ao redor da comunidade esses moradorescomeçaram a se aglomerar na esperança de poder reaverqualquer coisa. A ação da policia foi atenuada pelachegada da grande mídia. A indignação e asensação de impotência foi enorme. A Zona Sulinteira de SJC parou com o estado de sitio. Foi uma manhã depuro horror e desespero, nunca presenciei algo parecido, a falta dehumanidade me embrulhava o estômago. Vidas estavam sendodestruídas em nome do dinheiro e do poder, o exemplo maisconcreto da luta de classes e do extermínio que a burguesia eo estado promovem cotidianamente na invisibilidade das periferias.

Às4hs da tarde, voltando para casa, avisto tratores e caminhõesse dirigindo para a ocupação, e neste momento me douconta que o massacre de Pinheirinho havia apenas começado".

domingo, 22 de janeiro de 2012

ABAIXO A REPRESSÃO DE ALCKMIN E CURY AO PINHEIRINHO!!!


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Big Brother Brasil 2012: estupro de mulheres é sinônimo de amor para a rede Globo de televisão


Por Adriano Favarim e Clarissa Menezes

Conivência e encobertamento de crime pela rede Globo: após exibição de estupro ao vivo no Big Brother Brasil e da emissora tentar mostrar o estupro como algo consentido, Daniel é expulso do programa por ter “infringido as regras do jogo”.

No dia 15 de janeiro de 2012 foi ao ar a maior inovação da rede Globo de televisão: o estupro ao vivo. Circularam pela internet vídeos que mostram o momento em que Daniel entra debaixo do edredom onde Monique se encontra deitada e durante alguns minutos abusa sexualmente da garota, que permanece imóvel, totalmente desacordada. Após as primeiras manifestações de indignação começarem a circular pelas redes sociais, a emissora tenta retirar os vídeos de circulação da web. Na noite de domingo, na apresentação do programa em rede aberta, a edição do programa faz parecer que toda a situação foi consentida, terminando a exibição com a exclamação de um sorridente Pedro Bial: “o amor é lindo!”.

Além de não ter intercedido para impedir que o crime acontecesse, a emissora, sua direção e produção, agora se valem da lógica machista para encobertar com um véu (no caso, um edredom) de ‘amor’, a sujeira nojenta do crime com o qual foram coniventes! Mas a mídia é podre, e os programas de fofoca também quiseram tirar uma ‘casquinha’ do abuso sofrido pela Monique e ‘sensacionalizaram’ aos quatro ventos o “possível” abuso, cada um tentando abocanhar o maior ponto na corrida pelo IBOPE. Frente a todo esse alarde e a indignação crescente nas redes sociais, na noite do dia 16 de janeiro, o mesmo Pedro Bial da "beleza do amor", anunciou a eliminação do Daniel por ter “infringido as regras do jogo” e só! Em apenas dois dias, a Monique foi violentada por Daniel, Pedro Bial, ‘Boninho’, Sonia Abraão, entre outros...

Enquanto a mídia lucra com a mercantilização da violência à mulher e reproduz a ideologia dominante do machismo, milhares de mulheres são estupradas todos os dias por seus pais e padrastros, irmãos, parentes, amigos, namorados, maridos, com a mesma naturalidade que ocorreu no BBB, e guardam para si a violência, em silêncio, porque o machismo é tão naturalizado, que o homem se sente no direito de violentar, e a mulher se sente envergonhada e culpada por ter sido violentada.

O programa de reality show, Big Brother Brasil, que aliás de reality nada tem, é uma verdadeira exibição de opressões. Para dar ao programa um conteúdo menos alheio à realidade e supostamente mais democrático a emissora tem adotado “cotas” e escolhido em suas edições uma ou outra pessoa chamada hoje de “minorias”, como negros e negras, gays e lésbicas, e uma ou outra mulher fora do padrão estético da ditadura da beleza esbelta, ou que seja bissexual. Na “realidade” da rede Globo, as mulheres e homens têm corpos moldados, esbeltos, malhados. Uma “grande” contribuição para a sociedade presta essa emissora, que faz grande alarde midiático em torno de um programa que nada acrescenta à ninguém, e que é pautado em valores burgueses espúrios, como a competição a todo custo, mostrando relações superficiais e falsas entre os participantes, pois tudo não “passa de jogo” no qual todos querem ganhar.

A mulher enquanto objeto a ser o mais moldado e lustrado da prateleira

Dentro de uma sociedade que sobrevive da repressão sexual, da imposição de valores castos, de uma inibição em forma de tabu acerca da sexualidade e de uma moral voltada para a reprodução e manutenção da família patriarcal monogâmica, a mídia tanto se vale desse recalque sexual da sociedade para lucrar em cima da exploração dos corpos femininos, quanto para reproduzir os valores machistas e sexistas que alimentam essa sociedade sexualmente repressora. Não a toa que, dia-a-dia, nos mais diversos programas, a ditadura da beleza é exposta: seja nos ‘reality shows’, nos programas de auditório, nas novelas, nos programas de fofoca e até nas reportagens de telejornais. Em uma parceria inescrupulosa com as indústrias de cosméticos e com a medicina da beleza.

Na mesma medida que essa exploração gera lucros milionários para esses empresários, reproduz a ideologia de que à mulher não pertence o seu corpo, expropria-se da mulher o seu corpo enquanto totalidade e o seu ser enquanto sujeito e a transformam em partes-objetos a serem degustados: uma bunda, um seio, uma vagina, uma boca, uma coxa, um rebolado, etc. Ao mesmo tempo, a mulher perde todo o seu direito de determinação e se torna a eterna Eva de sua desgraça. A mulher, vítima dessa serpente que é o capitalismo – onde alguns poucos empresários burgueses lucram com a apropriação e exploração sexual do corpo feminino – terminam por serem culpadas do abuso que sofrem, na medida que, nessa empreitada lucrativa, esses mesmos empresário burgueses reproduzem a ideologia opressora machista que permite a continuidade dessa exploração! É hora de transmutarmos essa culpa para os veículos da mídia e as indústrias de cosméticos e da ditadura da beleza que nos exibem como objetos e se valem da nossa utilização enquanto corpos violáveis e disponíveis para lucrarem milhões!

Milhares de mulheres já sofreram abusos sexuais. Muitas na infância, pelo pai, padrasto, tios, parentes próximos ou amigos de familiares. A imposição de uma “ditadura da beleza” é parte do nicho de mercado desses grandes monopólios de comunicações e industrias e é alimentado por estes no ideário de um padrão de beleza pautado na juventude eterna regrada à muitas plásticas, cirurgias e cosméticos, bem como na coisificação da mulher desde a sua mais tenra infância, transformando uma menina em uma mulher, não uma mulher-sujeito, mas desde pequena em uma mulher-objeto.

Além da lucratividade, essa prática gera a reprodução ideológica da própria estrutura social construída na base da moral repressora sexual, que além de criarem mulheres para serem frágeis e submissas, criam homens para serem brutos e violentos que só são capazes de garantir sua satisfação sexual na base da força e da possessão do corpo feminino, aqueles que não conseguem cumprir com sua “obrigação social” de possuir uma mulher se sentem no direito de utilizar da sua força física ou de aproveitar determinada situação (quando a mulher está desorientada ou desacordada, seja pelo álcool, seja pela indução de substancias adicionadas sem seu consentimento, conhecidas como o “boa noite cinderela”) ou relação de poder (como abusos de crianças e adolescentes em geral por parte de familiares) para garantir a sua satisfação sexual.

Enfrentar a gigante Globo, as indústrias da beleza e as demais mídias não é tarefa fácil, ainda mais quando esse enfrentamento representa um combate aos pilares que sustentam a manutenção desse sistema social. Não nos espantaria se Monique viesse a público afirmar que foi um ato consentido. Assim como a maioria das mulheres violentadas terminam obrigadas a regressarem de volta às suas casas, caladas, amedrontadas e desmoralizadas.

A luta contra o machismo que é perpetrado diariamente em nossas vidas, desde que nascemos, pela família, pela escola, pela igreja e pela mídia tem que se enfrentar contra a moral sexual que constrói ideologicamente os sujeitos e suas relações. Essa moral propagada e reproduzida, porém, é fruto das necessidades econômicas da sociedade, e hoje, ela emana das bases da sociedade capitalista. Combater seriamente o machismo, o sexismo e a homofobia não é tarefa fácil exatamente porque significa combater tanto o sistema capitalista de produção quanto a sua reprodução moral e de valores.

Nesse sentido não podemos esperar nada dos governos para além de promessas e barganhas de direitos pontuais em troca de acordos políticos. Demonstração disso foi a tímida manifestação da Ministra petista Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres que solicitou ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro que apurasse o caso, enquanto isso, milhares de mulheres continuam sendo abusadas sexualmente e o governo nada faz para atacar o cerne da reprodução dessa lógica social, muito pelo contrário, mantém sua posição contra os mais democráticos direitos da mulher como a legalização ao aborto ou a educação sexual nas escolas em favor do Acordo Brasil-Vaticano pelo ensino religioso! Segundo o jornal O Dia, a polícia foi até o Projac na tarde do dia 16/01 colher depoimento da vítima e do agressor, sendo à noite anunciada por Bial a saída de Daniel por “infringir as regras do programa”. Desde quando a rede Globo possui foro privilegiado? Estupro é crime e devem ser punidos, não somente o Daniel, como a rede Globo, o apresentador, a produção e a direção do programa BBB12 que poderiam ter impedido e não o fizeram, se omitiram, foram coniventes e ainda tentaram transformar o estupro em uma “ linda cena de amor!”.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Na cracolândia e na USP: aos indesejáveis um só metodo; O porrete!


Após todo processo de luta desencadeado na Universidade de São Paulo durante o fim do ano, cujo estopim foi a tentativa de prisão de 3 estudantes no dia 27 de outubro, seguida de diversos exemplos do papel repressivo da Pm no campus, como a invasão por 400 policiais que coroaram o projeto da reitoria de avançar na militarização da USP, a PM mostra, mais uma vez, aos que duvidaram, a que veio.

 
Policial ameaça com arma e agride estudante na USP;
Neste dia 9 de janeiro, Nicolas, jovem negro, estudante deCiências da natureza da Usp foi agredido aos tapas e ameaçado com uma pistolapor um destes supostos “policiais preparados” para lidar com um ambiente“comunitário”.

Toda a ação foi filmada -Aqui- e, como era de se esperar,tanto a reação do policial - que aos berros dizia que era “Polícia” e não tinhafeito nada de errado nem temia a corregedoria- quanto a posterior abordagem damídia, em caracterizar Nicolas como um “suposto” estudante, já eram esperadospor aqueles que se enfretaram com exemplos, truculência e repressão deste tipopor mais de 3 meses.

O que está por detrás da abordagem deste jovem negro,“mal-vestido” e de Dread/Rastafari na Usp?

Nicolas, não coincidentemente foi abordado pelo policialque, naquele momento e em geral, seguiu um procedimento da PM, que não éexceção nas divisões de elite dos 400 que invadiram a USP ou dos 100 queentraram na cracolândia, nem nos tão “preparados policiais comunitários”. Estaé a política do racismo e da discriminação entre “normais” e os “indesejáveis”que norteia a Polícia.

A Pm é uma instituição reacionária, autoritária e violenta,filha direta da Ditadura Militar. Nas estrelas presentes em seu brasão de armasde mais de 181 anos, comemoram a repressão a Canudos - levante Popularorganizado em contraposição à ordem vigente-, às greves operárias de 1917 ecomemoram até mesmo o Golpe militar de 1964.
Isto porque seu caráter, a despeito do que dizem osdefensores desta democracia dos ricos é o caráter de um organismo a serviço deuma classe: a dos patrões.
Isso implica que seu principal objetivo é garantir osinteresses, lucros, empresas, locais de estudos e posses destes grandesmagnatas e senhores, por quais vias forem necessárias.

Não é preciso procurar demais. Basta observar o papel quecumprem nas periferias de todas as cidades, nos morros cariocas, nos conflitosno campo, nas greves de trabalhadores em que dissolvem piquetes- o que jáocorreu na USP, em Jirau, com professores, etc-, e, não surpreendentemente, nasUniversidades e cracolândias por todo o país.

Nicolas, um jovem negro e pobre não poderia ter outrodestino que não ser abordado e agredido tanto pela PM, quanto pela reacionáriaguarda universitária, a serviço da reitoria. Este é o método comum em todas asperiferias e, na Usp, uma universidade pensada, organizada e cujo acesso epermanência são somente acessíveis às camadas mais altas da sociedade, com tais“elementos”, só poderia se expressar o racismo corriqueiro da polícia cujasraízes remetem ao escravagismo do império.

O “indesejável” ao se dirigir ao capataz, tal como uma bestaque se dirige ao ser civilizado, deve ser neutralizado e eliminado paragarantir a manutenção da ordem imposta pela casa grande. Esta é a lógica daditadura militar escravagista e é a serviço disto que está a repressão na USPque conta, hoje, com 73 presos e processados políticos e 6 expulsões porlutarem contra tal projeto.

A Reitoria da USP, com seus quadros e monumentos emhomenagem à ditadura militar visa impor um choque de ordem aos “elementosindesejáveis” na USP, tal como o Governo do estado impõe sua ordem aos“indesejáveis” da Cracolândia!
Há alguns meses a reitoria tentou iniciar a construção de umdito “monumento à REVOLUÇÃO de 64”, comemorando a data memorável do golpe daditadura... Igualmente foram veiculados imagens de quadros de “presidentes”reitores da ditadura Militar, como Gama e Silva, nas salas da reitoria... Nãobastassem estes elementos tão emblemáticos, numerosos são os exemplos deataques aos estudantes e trabalhadores na USP.

Demissões, agressões, ameaças com armas de fogo, PM'satacando piquetes de greve de trabalhadores, amordaçando estudantes, etc, sãoimagens que caracterizam a USP no último período, sendo os últimos mesesexemplos cabais disto.

Já está mais do que claro que a presença policial no campusda USP tem um sentido político e repressivo. É uma encomenda especial doGoverno do estado, aplicada pelo carrasco Reitor Rodas, para calar os setoresque questionam um projeto de Universidade racista, elitista - que exclue amaioria da população com seu vestibular, em especial os negros da periferia-, evoltado aos interesses das grandes empresas.
Historicamente, um setor de resistência tem se organizado ecombatido este projeto, no sentido de buscar abrir o debate acerca de queUniversidade precisamos e a serviço de quem. São calados às balas, bombas eprisões, tal como os capatazes escravagistas tratavam suas propriedadesfugitivas.

Paralelamente a isto, Alckmin e o oficialato da Pmprepararam um plano de higienização social maquiado como “revitalização” daregião conhecida como cracolância, cujos objetivos obscuros podem muito bemestar a serviço de uma “limpeza social” pré-olímpiadas as custas da opressão erepressão de todos os moradores da região, vítimas desta miséria de vida quenos impõe.

Por lá, os métodos são bem parecidos. Não faltam balas,tiros, tapas na cara, ofensas e ameaças.
A PM tem estabelecido uma presença ostensiva contando atémesmo com o aparato da tropa de choque e da cavalaria - verdadeiros “capitãesdo mato”, caçadores de escravos modernos- para garantir que as “vias sejamliberadas” e que, pela “dor e sofrimento”, segundo as palavras do próprio“secretário de defesa da cidadania”, possam “superar” sua situação miserável.

As imagens de terror, armas nos rostos, socos e pontapés edenúncias de execuções sumárias por parte da PM também não faltam, assim comoem todas as periferias e nas lutas populares. A justificativa do senso comum edas ditas “autoridades” é que são viciados e um setor “descontrolado” dasociedade.

As razões de tal repressão, sabemos, advém de que aoscapitalistas é necessário esconder estes pobres miseráveis, os quais são aexpressão mais aguda e mais cruel de um princípio do capitalismo: Ou você“vence” na vida e lucra, ou está abandonado a sua própria sorte por ser umperdedor.
Abandonados, não lhes resta nada além das drogas, damiséria, da prostituição e das ruas.
São a expressão concretizada do destino que o capitalismoreserva a toda civilização. O abandono, isolamento e a miséria.
O Estado, num ato de bondade cívica aplaudido por todos osmeios reacionários, vem lhes dar um presente de ano novo e um “incentivo àcivilização” na forma de lacrimogênio.

Pela Usp, o núcleo de consciência Negra - NCN- cujaresistência perdura há vários anos e tenta ser um contraponto à políticasegregacionista e elitista da Instituição e seus dirigentes “máximos”, tem sidoameaçado de perder sua sede e não ter para aonde ir, para, assim, dar lugar aum projeto de “revitalização” das estruturas...que não incluem o único núcleode Negros!!!

Alguma semelhança?
  
A ditadura Militar, abençoada pelo PSDB e pela Reitoria daUSP tem de acabar!
Não é de se estranhar que a Polícia aja desta maneira. Narealidade, a ação repressiva faz parte de um projeto de Universidade- e deestado- que vira as costas para a maioria trabalhadora da sociedade e buscasubmeter os trabalhadores e estudantes de baixa renda e resistentes a estaelitização.
A terceirização, que estabelece trabalhos exaustivos esalários de miséria, com assédio moral, etc; as demissões que continuam demaneira arbitrária; expulsões de alunos; processos e demissõesinconstitucionais; tudo isto é o exemplo de uma estrutura arcairca eretrógrada, cuja manutenção tem a benção de um governo igualmente autoritário eretrógrado como o do PSDB e sua corja, cujas desocupações de sem-teto,repressão a greves de trabalhadores e a movimentos populares são bem conhecidosde toda a população.

A comunidade Universitária, em nenhuma instância, pode sefazer representar de maneira relevante e, sendo assim, cabe a um pequeno grupode seletos iluminados, todos orbitando a figura do REItor decidir o que, quando,onde e de que maneira se organizar, financiar e estabelecer as prioridades daUSP.

De 100 mil membros da USP, 300 tem poder de decisão. Dos 12milhões de cidadãos de São Paulo, o governo do estado - que transfere Bilhõespara grandes empresas e seus negócios-, através de seu vestibular, permite quetenham acesso à USP apenas 9 mil.
Nenhum deles será da Cracolândia, poucos serão negros e daperiferia e os que forem, certamente, sofrerão com falta de condições paramanter seus estudos, falta de moradia e muita repressão quando lutarem por algoneste sentido...

Recentemente, o movimento estudantil da USP tem se colocadoem pé de questionamento, organizando ações e uma greve para garantir a saída daPM do campus tendo avançado no questionamento da estrutura do acesso e de poderna USP.
É necessário avançar na luta por uma Estatuinte que varra daUSP estes dejetos ditatoriais, debata e decida sobre os objetivos, problemas ediretrizes da USP, que precisa estar a serviço dos trabalhadores: a maioria da população.

Igualmente, só um governo da Usp, baseado em conselhos dosestudantes, trabalhadores e professores, na proporção de sua presença nauniversidade, ligados as organizações dos trabalhadores e movimentos popularesserá capaz de organizar uma Universidade não elitista e que se desprenda daLógica de benefício ao mercado e exclusão da massa de baixa renda queverdadeiramente financia a universidade pública.

Por enquanto, nas imediações do belo campus Butantã, dentrodo circo de operações dos magnatas hipócritas do governo, Nicolas, agredido eameaçado com tapas e uma pistola, é levado a crer que os policiais agressoresserão, supostamente, afastados numa manobra hipócrita que visa maquiar overdadeiro sentido “agressor” da repressão; há poucos metros da Universidade,na favela da São Remo, Cícera, trabalhadora terceirizada, assassinada pela Pmcom um tiro na cabeça, não tem tanta sorte.

Enquando na USP, há a agressão e o suposto “afastamento”, nafavela São Remo, há o corpo negro estirado no chão.

Numa, maqueia-se a segregação social que, inusitadamente, écaptada pelas câmeras, noutra, as câmeras e imagens não resistem ao massacrecotidiano e, por lá, a "autoridade" não tem nada a esconder. É só obom e velho "Mocinho e Bandido": De cinza é "mocinho";qualquer tom de negro, é inimigo. Uma dica da ditadura.

Dois lados da mesma moeda. Duas ações da mesma hipocrisia.Uma ação de classe de costas para a outra. A ação da classe dos que queremeliminar as vozes que distoam, as palavras que discordam e os oprimidos queresistem.

NÃO PASSARÃO!


O projeto em xeque


Rodrigo Silva é estudante de filosofia na UFMG e da JUVENTUDE ÁS RUAS. 

O CHE (Complexo Hidroelétrico) de Belo Monte terá uma capacidade de geração de energia em torno de 11.181 MW. Mesmo estando entre as 10 maiores hidroelétricas do mundo, comparativamente, será um dos investimentos em energia menos eficientes, do jeito em que está no projeto original (e é importantíssimo nos lembrarmos dessa ressalva), e custará em torno de 20 a 30 bilhões de reais, segundo estimativas. Sua capacidade média de geração de energia, a energia firme, como é chamada, será de apenas 4.637 MW. Existem outros cálculos, utilizando outras metodologias (metodologia HydroSim), que ainda nos dão uma perspectiva mais desalentadora, calculando apenas 1.172 MW de energia firme, o que seria aproximadamente apenas 10% de sua capacidade. Apesar de ser o projeto mais caro de todos, produzirá pouco mais energia firme, contando a melhor das hipóteses, do que Tucuruí (4.100 MW), e a metade de Itaipu (8.600 MW). Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, produzirão juntas 4.100 MW. Temos que lembrar, voltando ao assunto dos parênteses, que um dos ajustes realizados no seu projeto para viabilizar sua construção, do ponto de vista ambiental, foi desistir da construção de outra barragem (Babaquara), à montante do projeto em curso, que, se construída, aumentaria o espelho d’água da usina de 440 Km² para 1.225 Km², e ai sim, talvez a usina tivesse uma geração maior de energia. Como nos é alertado pelo estudioso do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Philip Fearnside, é comum nestes casos que promessas antigas sejam esquecidas pelo governo em momentos posteriores. Portanto, em um novo momento de “crise energética”, já programada a partir da ineficiência do projeto atual, e “necessidade de progresso”, como o governo denomina sua justificativa para construir esta usina da morte e derramar dinheiro, poderíamos ver sendo construída essa outra barragem, e maiores danos ainda poderão surgir. Boa parte das condicionantes exigidas para a implantação do projeto que está em andamento não foram cumpridas, e muitos danos já são parte do cotidiano de Altamira. A criminalidade da cidade cresceu em mais de 130%, o inchaço populacional castiga a população, que vê seu custo de vida aumentando rapidamente, suas periferias estão crescendo sem condições básicas de infra-estrutura, além da ineficiência dos serviços públicos, como saúde e educação, em atender sua demanda. E porque tudo isso?

“A obra pela obra” ou “do nosso bolso para o deles”

Como é lembrado em um dos artigos do painel de especialistas sobre Belo Monte, quando se tem em vista um empreendimento em energia, temos que analisar para onde vai a energia gerada, e qual é a sua necessidade, e, acrescento, não ficar alardeando um suposto progresso e um desenvolvimento que já é papo velho por estas bandas, às custas do sangue e das vidas dos trabalhadores e da população local. Ao observarmos o CHE de Belo Monte sob este aspecto, vemos que, além de relatórios que apontam que investimentos em eficiência energética nos poupariam dessa usina sangrenta, a obra não atende as necessidades energéticas e produtivas da população e dos trabalhadores, mas sim as necessidades das grandes indústrias do alumínio e do ferro, e, por conseguinte, da grande economia mundial, que vê no nosso estado uma das últimas fronteiras de exploração de matéria-prima. Quanto ao ferro, é importante notarmos que, do modo em que o ferro é produzido e vendido (com baixo valor agregado e direto para a China) não é interessante para o Brasil continuar comercializando-o para o exterior, apesar de seu comércio ser um dos sustentáculos da nossa política econômica. Esse ferro deveria, no mínimo, ser revertido para o crescimento da indústria nacional, se alguém quisesse argumentar pelo dito “progresso”. Aliás, perto da quantidade de ferro que alimenta a indústria mundial e só deixa seqüelas para nós, do que adianta falar em “taxa de mineração” e “reverter os lucros da mineração para o estado”, como argumenta a mídia governista da capital? Quanto ao alumínio, vários países já até desistiram da extração mineral da bauxita, pois além de consumir muita energia e gerar poucos empregos, é uma das indústrias mais poluentes que existem, e, além disso, apesar da sua importante para indústrias tecnológicas que não são prioridade da economia nacional, hoje em dia mais de 85% do alumínio produzido é passível de reciclagem. Se os benefícios fossem revertidos para a criação de indústrias que trouxessem benefícios para a população paraense, gerando empregos e nos suprindo nas demandas materiais de um estado tão pobre quanto o nosso, ainda poderíamos entrar nesse debate. Mas com essas perspectivas, quem quer Belo Monte?

                Belo monte é uma obra, que, além de, no seu objetivo final, servir a uma política econômica que não beneficiará a população em geral em nada, é um verdadeiro atentando contra a dita “soberania nacional”, pois essa política econômica de exportação de commodities é a mesma que garante que o Brasil continue numa posição de semi-colônia da economia mundial em termos de produção, e não a falta de energia, como nos é alegado.

Todos esses argumentos, como compromisso com o desenvolvimento, e garantia de energia para a nação, são apenas falácias sustentadas pela mídia e pelos políticos que defendem a obra, todos comprometidos com os que verdadeiramente serão beneficiados com este empreendimento. Camargo Corrêa, Odebrecht, Andrade Gutierrez e outras empreiteiras, seja através de despachantes ou diretamente, serão as únicas beneficiadas por este empreendimento. Todas essas companhias financiaram a campanha eleitoral de Dilma. Assim como nos EUA a indústria bélica financia campanhas presidenciais e exige retornos, aqui acontece o mesmo com as empreiteiras. Como nos esclarece a campanha “Belo Monte: com meu dinheiro não!”, o BNDES irá financiar 80% do custo da obra, à juros baixíssimos, no que é o maior financiamento da história do banco. Um verdadeiro assalto aos nossos bolsos! E tudo isso a custa da população local e dos trabalhadores do país! Fundos trabalhistas, através do BNDES, irão financiar Belo Monte!

Em Belém, por que nos mobilizarmos? E como?

Em primeiro lugar, o desrespeito e abandono estrutural em que se encontra a população de Altamira, além de que os desrespeitos exercidos contra os trabalhadores da obra não são privilégio de Belo Monte. A precarização do trabalho e o desrespeito a população que não tem condições dignas de moradia têm sido a tônica do suposto “desenvolvimento” que vem sendo propagandeado desde o governo Lula. Lembremos que tanto nas obras do PAC, quanto nas obras para a Copa do Mundo, que são geridas pelos mesmos grupos de empreiteiras, casos de trabalho semi-escravo, péssimas condições de trabalho (como em Jirau, onde os trabalhadores atearam fogo no próprio alojamento em forma de protesto), remoção de moradores locais sem cumprimento das condições prévias são recorrentes em todo esse cenário de “desenvolvimento”, que na verdade é apenas um “boom” de obras, financiado pelo nosso bolso e de objetivos duvidosos. Essas empreiteiras são na realidade agentes do trabalho precário no Brasil atual. Se posicionar e organizar-se contra a construção da usina é um passo importante na auto-organização dos trabalhadores. Nesse momento em que capitalistas do mundo inteiro se preparam para a crise mundial, é importante que os trabalhadores da região e a população em geral se organizem para defendermos o que hoje é uma das últimas fronteiras para a grande economia capitalista mundial, a Amazônia. Hoje, com esta crise estrutural, até nos países mais desenvolvidos são oferecidas misérias à classe trabalhadora. Somente a auto-organização dos trabalhadores poderá superar os problemas da região. Não podemos confiar na classe política tradicional, representada pelos veículos regionais de mídia, que não respeitam a população, desinformando-a, e lucram com a exploração do estado, para esta tarefa. Nos colocarmos contra esse projeto é lutar contra esse modelo econômico que garante que, mesmo com tanto capital circulando, com tantos recursos no Estado, que em Belém, metade da população viva em situação precária. Só a luta contra esse modelo poderá oferecer à população do Pará perspectivas de melhoria nos serviços básicos, na moradia, nas condições de trabalho e na educação. Para que nestas condições possam decidir sobre o dito “desenvolvimento”.

Para se porem ao lado da população e dos trabalhadores, os estudantes e jovens devem empreender tarefas de organização e discussão nos seus locais de estudo, se pondo à serviço da classe trabalhadora. Denunciando a situação, se reunindo nas escolas e faculdades para discutir o assunto, a juventude deve ir às ruas para levantar suas vozes e seus braços contra este modelo que não oferece um futuro para a juventude que não seja ilusório, e na realidade extremamente difícil, não só aqui como em todo o resto do mundo. Devemos combater Belo Monte e junto com ela o projeto de país que vem tocando os governos Lula e Dilma, com suas maquiagens e de fundo, lucros como nunca para os capitalistas, e exploração para os trabalhadores e desrespeito às suas lutas e à população em geral. Para isso devemos mirar com bons olhos, e aprender com o exemplo chileno, aonde uma luta que retomou sua força este ano em manifestações contra a construção de cinco barragens no território da população Mapuche, cresceu e se tornou um movimento massivo e apoiado por diversos setores da população que, ocupando escolas e faculdades pela educação gratuita, nas suas maiores manifestações reuniu mais de 500.000 jovens nas ruas, pondo em xeque não só a agressão ao povo indígena, mas o próprio modelo de desenvolvimento proposto pelo governo chileno e os resquícios da política econômica do período ditatorial.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

ABAIXO A INTERVENÇÃO MILITAR DA REITORIA DA USP NO ESPAÇO DOS ESTUDANTES!


Bruno Gilga, estudante de Ciências Sociais da USP

Agora,  na tarde de6a-f., a PM está com 6 viaturas e cerca de 20 policiais, junto à GuardaUniversitária, no Espaço do DCE, retomado pelos estudantes em 2009. Desdeontem, quando "coincidentemente" o espaço virou notícia no Estadão, aPM rondava o espaço dos estudantes, e havia expulsado o acampamento queacontecia ali. Hoje, confiscaram as coisas do DerruBar, espaço socialautoorganizado pelos estudantes, e quiseram fechar o espaço, sem qualquermandato! Dezenas de estudantes se organizaram rapidamente para resistir emantiveram o espaço aberto; até esse momento a PM continua lá.
A reitoria aproveita o período de esvaziamento dauniversidade para atacar a organização dos estudantes e trabalhadores, e nasúltimas semanas já expulsou 8 estudantes por lutarem por mais moradia, tentoudemolir o espaço do Núcleo de Consciência Negra, e agora quer fechar o espaçodos estudantes no DCE Ocupado. Mais uma vez fica claro que a PM - que massacracotidianamente a juventude negra nas favelas, e nesse momento reprime duramenteos moradores de rua no centro da cidade -, não está na USP para protegerninguém, e sim reprimir a organização política de estudantes e trabalhadores egarantir a implementação das medidas do reitor Rodas para aprofundar o caráterelitista e racista da universidade.

FORA PM DA USP!
TOTAL AUTONOMIA DOS ESPAÇOS ESTUDANTIS NA UNIVERSIDADE!
NENHUMA PERSEGUIÇÃO AOS LUTADORES!