Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Invasora é a polícia, não os estudantes"



Novamente, o cartunista Carlos Latuff, reconhecido internacionalmente por suas ilustrações de caráter político, posiciona-se favorável à ocupação da reitoria da USP. Desta vez, além de outra excelente charge, o cartunista nos envia seu apoio por áudio.

Mensagem de apoio do cartunista Carlos Latuff aos estudantes da USP by carloslatuff

Reitoria reconhece mais uma vez a força movimento de ocupação da reitoria da USP contra a PM - Negociação HOJE às 14h30 - ASSEMBLEIA ESTUDANTIL - HOJE - 20H - EM FRENTE À REITORIA

A reitoria, reconhecendo mais uma vez a força do movimento de ocupação da reitoria contra a PM e os processos, marcou nova negociação para hoje, às 14h30. De acordo com posição da última plenária (veja abaixo),

ASSEMBLEIA ESTUDANTIL - HOJE - 20H - EM FRENTE À REITORIA
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PRONUNCIAMENTO OFICIAL SOBRE A AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

Neste sábado, dia 05/11, os representantes da comissão de negociação, eleitos na última assembleia geral dos estudantes da USP, compareceram à audiência de conciliação no Fórum Hely Lopes Meirelles que contou com a presença do Coordenador de Relações Institucionais, Wanderley Messias da Costa, e o Chefe de Gabinete, Alberto Carlos Amadio, representando a reitoria.

Foi determinado o adiamento do prazo de reintegração de posse do prédio da reitoria de hoje (sábado), às 17h, para segunda-feira, dia 07/11, às 23h. Além disso, a reitoria se comprometeu a religar a luz, água e internet, que haviam sido cortados, e até o momento não foram reestabelecidos, e que os representantes dos estudantes presentes na audiência não receberão nenhuma punição.

Consideramos estes termos uma conquista do movimento, que vem se ampliando e ganhando apoio. A decisão da justiça, contrária à execução da reintegração de posse, durante um processo aberto de negociação, mostra que a intransigência nunca foi de nossa parte, e sim da reitoria, que pediu a reintegração de posse, cortou luz, água e internet do prédio antes mesmo de realizar negociações.

Seguimos abertos ao diálogo e dispostos, como desde o início, a negociar. Propomos que a reitoria restabeleça os canais de diálogo e negociação já para a próxima segunda-feira. Por decisão de nossa assembleia anterior, nossa próxima assembleia esta marcada para o dia 9/11. Caso a reitoria se disponha a realizar nova reunião de negociação no dia 7/11, estamos dispostos a antecipar nossa assembleia para este dia para avaliar as propostas da reitoria.

Reafirmamos nossas reivindicações:

- Revogação do convênio USP-PM! Fora PM!
Fim dos processos e perseguições contra estudantes, professores e funcionários!


São Paulo, 5 de novembro de 2011

Estudantes da UEM que neste ano ocuparam a Reitoria e a chamaram de Manuel Gutiérrez apoiam a ocupação da Reitoria da USP


Os estudantes do Movimento Ocupação Manuel Gutiérrez que forjou após a importante luta travada na UEM mandam seu apoio a ocupação da Reitoria da USP e a luta contra a PM.

O apoio dos companheiros é fundamental para unirmos forças para construir um movimento estudantil que  se coloca contra as forças repressivas do estado, contra a PM nas universidades, morros e periferia e contra a repressão e perseguição a todos os lutadores. Assim como é fundamental nos colocarmos  contra a repressão que sofrem hoje os estudantes da UEM com processos civis e perseguições da Reitoria aos lutadores. SE ATACAM UM ATACAM TODOS!

Os combativos estudantes da UEM que saíram na frente no despertar do Movimento Estudantil este ano ocupando a Reitoria contra a precarização da universidade que iniciou o ano com um corte no orçamento feito pelo governo do PSDB, de 38% na verba de custeio das universidades, que para UEM significa 2, 9 milhões, por ampliação e contratação de funcionários para o RU e outras demandas importantes de permanência estudantil como moradia e fim das bolsas trabalho.

A ocupação foi chamada de Manuel Gutiérrez homenageando e denunciando a morte do estudante chileno pela repressão de Piñera, na brava luta dos estudantes chilenos que seguem em luta a mais de quatro meses,  exigindo educação gratuita, de qualidade e para todos já, questionam os pilares da herança pinochetista. A luta dos estudantes chilenos é exemplo aos estudantes da UEM e para nós da Juventude Às Ruas, parte do que somos e queremos construir no Brasil, uma juventude que lute pela educação a serviço da classe trabalhadora e que seja linha de frente nas lutas em curso e em solidariedade ativa aos lutadores.

domingo, 6 de novembro de 2011

Moção de apoio dos estudantes em greve do IFCH Unicamp à Ocupação da Reitoria da USP na luta pelo FORA PM

Momento da votação que aprovou greve estudantil no IFCH/Unicamp.


Nós, estudantes do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, em greve em solidariedade à luta dos funcionários técnico-administrativos da Universidade por isonomia salarial e contra a repressão pela reitoria, decidimos, em Assembléia Geral de 3/11, pelo apoio incondicional à ocupação da Reitoria da USP como método radicalizado legítimo dos estudantes que se mobilizam na luta pela expulsão da PM do campus.

A ruptura da isonomia nas estaduais paulistas, assim como a entrada da PM nos campi universitários, estão a serviço de um mesmo projeto de universidade elitista e racista, baseado na generalização do trabalho precário, na precarização e privatização do ensino, assim como na exclusão da maioria esmagadora dos filhos da classe trabalhadora e do povo pobre da possibilidade de acesso ao ensino universitário. A luta pela isonomia que emerge na Unicamp e pelo FORA PM que emerge na USP são duas batalhas profundamente ligadas dentro de um mesmo combate contra o projeto de universidade implementado pelo governo do estado, o CRUESP e as burocracias acadêmicas.

Entendendo as lutas dos trabalhadores e estudantes da Unicamp, e dos estudantes da USP, como uma só luta para colocar de joelhos esse projeto de universidade anti-democrático e autoritário, nos unimos aos combatentes da USP na luta pela expulsão da PM, que historicamente se provou como ferramenta interventora para reprimir e desativar as lutas dos trabalhadores e estudantes, e manifestamos apoio irrestrito à ocupação da Reitoria da USP contra a repressão policial e sua permanência na universidade.

Assembléia Geral do IFCH,
3 de novembro

As universidades inovadoras a serviço do “Brasil potencia”

Escrito por Biro (IFCH) e Flávia (IE) da Unicamp militantes da Juventude Às Ruas


        A universidade, tal qual a gente conhece hoje no Brasil, é um resultado histórico dos interesses da classe dominante em manter-se apropriada do conhecimento e da técnica socialmente produzidos, para fim último de manter sua dominação de classe. Os objetivos fundamentais da universidade burguesa são, separar abruptamente o trabalho manual do trabalho intelectual, transformando os “centros de estudo e pesquisa” em “prisões do saber”; produzir novas técnicas para aperfeiçoar a produção e realização da mercadoria; aperfeiçoar os instrumentos de dominação de classe.

Esse processo tem em seu cerne a contradição de unir a inovação tecnológica com a precarização e semi-escravidão do trabalho, a fim de extrair mais-valia a todo o custo e manter a dinâmica nefasta da acumulação capitalista. Não à toa a inovação vem sendo usada como sinônimo de desenvolvimento pelo governo e pela academia, sendo a terceirização uma das mais importantes inovações das grandes transnacionais a partir dos anos 1980. Entretanto a aparente contradição no fato de que os “pólos de excelência”, como USP e UNICAMP que estão ambas entre as 100 e as 300 melhores universidades do mundo, respectivamente, serem também projetos que terceirizam e semi-escravizam a força de trabalho na limpeza, alimentação, segurança e construção, acaba por revelar, em verdade, não uma contradição, mas duas facetas de um mesmo projeto de universidade burguês que se combinam para ligar-se à “emergência” de um “Brasil potência”. Ou seja, incorporam-se não apenas como parte da maquina pensante deste projeto de país, mas também aplica sobre si mesma suas inovações, entregando-se de corpo e alma ao país da terceirização e do trabalho precarizado.

No capitalismo, entende-se quanto “desenvolvimento” o aprimoramento da técnica dos meios necessários para extração de mais valia da força de trabalho, atendendo a sua necessidade doentia de acumulação de capital. Na etapa do capitalismo imperialista em que vivemos, onde é supremo o capital monopolista, subjugando os demais, os interesses de acumulação do grande capital transnacional são prioridade. Desta maneira este busca na periferia - países semi-coloniais, colônias e dependentes - desenvolver também um novo nicho de valorização e de exploração da produção de mercadoria, apropriando-se do conhecimento das universidades e investindo nestas para mantê-las sob seus interesses - sendo o Brasil, neste processo, um exemplo emblemático, por meio da USP eUNICAMP.

Nesses países atrasados, tal como no Brasil, a universidade revela-se estruturalmente elitista e excludente, desenvolvida pela burguesia para atender os interesses do grande capital internacional e de uma burguesia nacional dependente. Para este fim as universidades brasileiras dedicam-se a produção de inovações e tecnologias e a formação de mão de obra barata e especializada. A subordinação das universidades, quanto centros de concentração e exclusão do conhecimento a serviço do capital, desdobra-se de maneiras distintas a depender dos interesses das frações burguesas que se projetam neste jogo, dando origem a projetos específicos de universidade burguesa para interesses específicos do capital.

O conceito de inovação (em resumo, tudo o que é novo ou significativamente aperfeiçoado para a empresa, um produto ou um processo produtivo, que se estende inclusive aos serviços) passa pela necessidade constante das empresas de valorização do capital em meio ao processo de concorrência cada vez mais intenso com o desenvolvimento do capital monopolista. Este processo dinâmico é endógeno e fundamental ao capitalismo, gerando uma mutação permanente das empresas e instituições, que culmina na concentração do capital e no aprofundamento das assimetrias entre as empresas. A inovação, que tem papel central nesse processo é, segundoSchumpeter, um economista burguês, o “impulso fundamental que inicia e mantém o movimento da máquina capitalista”, isso é “revoluciona a estrutura econômica a partir de dentro, incessantemente destruindo a velha e incessantemente criando uma nova – num fenômeno de ‘destruição criadora’.” Esta teorização burguesa, afogada na ideologia desta mesma classe, que hoje é amplamente difundida e reproduzida na academia com investimentos do governo (como, por exemplo, do BNDES), ilustra a necessidade intrínseca do capital de manter-se constantemente se apropriando da técnica e do conhecimento para renovar e aumentar sua capacidade de acumulação.

Nas universidades a “inovação” tem se tornado a “bola da vez” com inúmeros trabalhos acadêmicos que a legitimam e a difundem ideologicamente, um importante pilar para a reprodução do capital. Esta relação se dá via desenvolvimento de patentes nas universidades as quais são vendidas para empresas. Este atrelamento fornece um ultra-barateamento para o desenvolvimento tecnológico das multinacionais (P&D – Pesquisa e Desenvolvimento, mais barato devido o aproveitamento e investimento em laboratórios de grandes universidades públicas e particulares) e transforma o potencial de produção de conhecimento especializado e de alto nível em grandes chamarizes para investimentos no país. Este negócio leva a um atrelamento intelectual da produção de conhecimento do ponto de vista das universidades públicas, subjugando as diversas linhas de pesquisa às necessidades do mercado: um desvio limpo de dinheiro público para a iniciativa privada.

A UNICAMP é a única universidade no país a oferecer disciplinas na pós-graduação no Instituto de Geociências (1) que tratam exclusivamente da temática da inovação tecnológico-científica. Seu Instituto de Economia é referência nessa área, cujo Núcleo de Estudos em Economia Industrial e Tecnologia – NEIT (2) teve inclusive um dos seus docentes, Prof. Laplane, indicado nesse ano para o cargo de diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicosdo Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (3), cujo ministro, Mercadante (PT), defendeu mestrado no IE orientado pelo próprio Laplane.

Também a UNICAMP é um grande pólo de desenvolvimento de patentes que, por meio de sua agência de inovação (INOVA UNICAMP) e de sua incubadora de empresas de base tecnológica (InCAMP), “estimulam e apóiam a constituição de alianças estratégicas e o desenvolvimento de projetos de cooperação envolvendo empresas e a Unicamp voltadas para a atividade de pesquisa e desenvolvimento para a geração de produtos e processos inovadores” (4). A UNICAMP é central no desenvolvimento e na manutenção dos pólos tecnológicos da RMC (5) envolvendo desde grandes e médias empresas de capital nacional até grandes transnacionais que, atraídas pelo potencial de produção tecnológica e de exploração da mão de obra altamente qualificada e barata que sai desta universidade, se instalam na região (Bosch, Motorola, Medley, DellPetrobrásCPFL, entre outras). 

Ao contrário do que se poderia imaginar esse processo não é particular da UNICAMP ou USP, mas está ligado a um projeto nacional de estímulo à indústria e financiamento a projetos deinovação.  Os projetos Brasil MAIOR (programa de Dilma para incentivo à competitividade da indústria nacional frente a concorrência externa, lê-se chinesa) e INOVA Brasil (6) (projeto de financiamento à inovação também em parceria com universidades) são bons exemplos disso. Estas iniciativas têm como objetivo estreito alavancar o “desenvolvimento” do Brasil. Este é propagandeado pelo governo e pela mídia burguesa como sinônimo de um passo rumo a um “Brasil potência” e a um país “sem miséria”. No entanto, o que se revela por trás dessa visão ideológica da inovação é o Brasil da semi-escravidão no trabalho terceirizado, da escravidão nas indústrias têxteis da Zara e da Renner, das condições deploráveis de habitação e saúde pública e de uma educação pública sucateada, precarizada além de dependente do capital privado nos casos das grandes universidades públicas, a fim de manter o caráter excludente, elitista destas últimas. Esse é o país da ameaça inflacionária e do super-endividamento da população através do crédito fácil e salário-mínimo miserável, país que hoje, num contexto de crise estrutural do capital, fará seus trabalhadores pagarem pela crise em defesa do capital privado e imperialista. Este é o verdadeiro projeto de país que surge das entranhas das universidades burguesas brasileiras, ao qual seu conhecimento está diretamente associado.

Nesse sentido, São Bernardo do Campo desponta como exemplo de relação umbilical entre as empresas de aviação Dassault  (França) e SAAB (Suécia) que estão na concorrência no processo de licitação do governo federal para a compra de caças, ambas as empresas pretendem ou já construíram  (no caso da SAAB) pólos de desenvolvimento de pesquisa e inovação na área de defesa, segurança, energia, transporte e logística na cidade beneficiado pela prefeitura do petista e ex-sindicalista Luiz Marinho e também pela cooperação com as Universidades UFABC, FEI e Fatec além da parceria com outras transnacionais como VolvoScania (ambas de capital  sueco) e a “brasileira” Vale.

Existem outros tipos de universidades presentes em nosso país, além dos “pólos de excelência” e “centros inovadores” como USP e UNICAMP. Outra delas são as universidades privadas, que são constituídas principalmente por grandes monopólios imperialistas, que criam grandes redes de filiais em todo território nacional e mantêm sua restrição social a partir de mensalidades relativamente altas, tornando-se também uma vigorosa fonte de lucro incentivado pelo governo a partir do PROUNI, isenções ficais e outros estímulos. Este projeto específico tem como principal objetivo, por um lado, a extração de lucro direto utilizando-se do anseio da juventude que busca conhecimento, emprego e qualificação para o mercado de trabalho; por outro lado estas universidades cumprem o papel imperioso para o capitalismo internacional e o projeto desenvolvimentista de Lula e Dilma, criando mão de obra barata e especializada para as grandes empresas transnacionais. Este projeto chega ao cúmulo de ter tal vínculo com estas empresas que fecham e abrem cursos, constroem e destroem campus a depender de suas necessidades e exigências. Outro projeto de universidade em desenvolvimento e em experimentação no Brasil, filhas diretas do projeto de país lulista vigente, são as federais que, inspiradas no projeto de Bolonha, tem sido transformadas, a partir do Enem como vestibular nacional, e do ENADE quanto homogenizador de “qualidade-conteudo”, em um grande distribuidor de conhecimento, gestores e trabalhadores qualificados, para os setores econômicos estratégicos nacionais, pilares do “Brasil potência”. Constituindo-se como uma grande caricatura das contradições deste projeto de país, estas universidades são as mais sucateadas do Brasil e tem se precarizado ainda mais através do REUNE e a necessidade crescente de corte de gastos e a falta de verbas, aprofundando ainda mais a terceirização.

A partir desses exemplos vemos que a inovação vendida como “progresso” está, em verdade, associando-se às universidades a serviço do capital privado imperialista e do Estado burguês, que terceirizam e escravizam. A “inovação”, neste sentido, vem contra a classe trabalhadora aprofundando o projeto burguês de uma universidade elitista e excludente.

Do questionamento da universidade de classe para o questionamento da sociedade de classes. Este é o desafio que a juventude intelectual deve se colocar cotidianamente. Partindo do questionamento da usurpação de sua massa cefálica, para questionar o projeto de país usurpador. Concentrando seu conhecimento para a construção de um projeto de universidade que subverta a atual, cujo conhecimento seja produzido pela classe trabalhadora, juventude e todos os setores oprimidos, respondendo a seus próprios e legítimos interesses históricos.

* Universidade Federal de São Carlos – SP.
(4) Fonte: site INOVA Unicamp, área de atuação disponível em:http://www.inova.unicamp.br/paginas/visualiza_conteudo.php?conteudo=2
Incamp descrição de atividades e atuação detalhada no site da entidade:http://www.incamp.unicamp.br/
Rede paulista de inovação (mais sobre) : http://www.rpinovacao.org.br/sobre.html
(5) Região Metropolitana de Campinas.
(6) Portal FINEP INOVA Brasilhttp://www.finep.gov.br/programas/inovabrasil.asp. O FINEP Inova Brasil é um programa de crédito reembolsável (que precisa ser devolvido) voltado para médias e grandes empresas, que dá apoio de até 90% do valor total do projeto para planos de investimentos estratégicos em inovação, de acordo com a Política de Desenvolvimento Produtivo - PDP, do Governo Federal. Os encargos vão de 4% a 8% e ele funciona em fluxo contínuo, ou seja, não depende de lançamento de editais. O programa possui três linhas de crédito: capital inovador, inovação tecnológica e pré-investimento. As linhas incluem projetos inovadores de natureza tecnológica e que envolvam risco tecnológico, projetos que capacitem as empresas a desenvolver atividades inovativas, projetos de pré-investimento e de engenharia consultiva (incluindo em parcerias com universidades e centros de pesquisa). Fonte:http://www.softsul.org.br/portal/noticia.php?id=2396
O que´e FINEP? FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos é uma empresa pública vinculada ao MCT. Foi criada em 24 de julho de 1967, para institucionalizar o Fundo de Financiamento de Estudos de Projetos e Programas, criado em 1965.  Seu objetivo é "transformar o Brasil por meio da inovação". http://www.finep.gov.br/o_que_e_a_finep/a_empresa.as
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sábado, 5 de novembro de 2011

SEJAMOS O QUE DIZEM DE NÓS: O MELHOR DE 1968 E UMA CORRENTE DE CENTENAS LIGADOS AOS TRABALHADORES E O POVO!


Por Leandro Ventura

Mantenhamos nossas bandeiras altas e ao vento: dizemos o indizível!

Em cada editorial de jornal, programa de rádio, e nas páginas das grandes revistas do país, os estudantes da USP em luta são atacados. Acusados de baderneiros, anti-democráticos, sem causa ou de obtusos que seriam contra o avanço “de uma das melhores coisas que aconteceu à humanidade” que foi “a criação da polícia” [1]. Os estudantes da USP, junto ao combativo SINTUSP e intelectuais verdadeiramente críticos resistem e mantém suas bandeiras ao vento e sua ocupação da reitoria da universidade.

O massacre da mídia tem razão de existir. Os estudantes da USP se mostram obtusos e audazes. Desafiam o que tornou-se senso comum. Desafiam a polícia, desafiam a necessidade de existir polícia não só na USP mas também nos morros e favelas. Isto fez Carlos Alberto Sardenberg, comentarista da rádio CBN da Rede Globo, gastar seus minutos em 3/11 a comentar a “confusão dos estudantes da USP” que são contrários tanto a polícia nas universidades como as UPPs no Rio de Janeiro. Sardenberg fala que a confusão dos estudantes é confundir “polícia política, aquela que reprime manifestações políticas, com aquela civil que existe para garantir liberdades, garantir o direito de ir e vir”.
Confusão é a que faz o senhor Sardenberg. Justamente esta liberdade política é que os trabalhadores, os pobres, os negros nas favelas com UPPs afirmam que não existe graças à polícia. Existe toque de recolher, impedimento a reuniões, manifestações e até churrascos. Toda polícia é política, nos morros e periferias ou na USP [2].

A Veja entre todos os meios de comunicação é o que coloca o desafio mais claro aos estudantes da USP. Ela os chama de “rebeldes sem causa” e que estariam “estacionados em 1968” [3]. É com todo o orgulho que devemos assumir a pecha. Os estudantes franceses diziam em 68, “sejamos realistas, peçamos o impossível”. Os jovens da Juventude às Ruas, composta por militantes da LER-QI e independentes, tem contribuído neste mesmo sentido, ao levantar ao vento as bandeiras de fora polícia das periferias e favelas. Estamos dizendo o que é indizível em nossos dias: somos contra a polícia. Exigimos o impossível, somos 68!

Um grande debate de estratégias: a VEJA está correta, trata-se exatamente disto

“Os manifestantes pareçam decididos a acreditar que continuam estacionados em 1968. Ao mesmo tempo em que o retrocesso pairava sobre a USP, a Universidade de Brasília (UnB) dava um exemplo de evolução. Nesta quinta-feira, a Aliança pela Liberdade, única chapa que não era composta por militantes profissionais, alimentados com recursos de partidos políticos, venceu a eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE). As propostas da nova diretoria passam longe da reforma agrária, da destruição do capitalismo global ou da defesa de Fidel Castro. Suas bandeiras são o aumento da segurança, o incentivo a parcerias com fundações privadas e a melhoria na gestão da burocrática instituição de ensino.”, Veja, matéria já citada.

Para a Veja existem os que estão em 68 na USP, nós, com todo o orgulho e aqueles que são modernos, privatistas, defensores da polícia nas universidades e nos morros e favelas que ganharam o DCE da UnB. Não há meio termo. Tudo que está entre estas duas estratégias e estas duas perspectivas de classes é passageiro. Esta polarização de estratégias, de exércitos opostos tende a ser crescentemente a realidade em meio à crise econômica internacional e a necessidade imperiosa da burguesia em fazer de suas instituições de ensino e conhecimento se submeterem aos ditames da valorização do valor, ou, contrariamente tornarem-se barricadas na luta pela completa transformação da sociedade. Em cada país europeu, no Chile, na Colômbia, este embate toma as ruas e entra sala de aula adentro. Como diziam os franceses de 68 em outro slogan famoso “Do questionamento à universidade de classes ao questionamento da sociedade de classes”.

Tudo que não está nestes dois pólos tende a deixar de existir. O PT e PCdoB são implementadores do mesmo projeto dos “liberais” da UnB. Defendem regularizar as universidades privadas, não defendem sua estatização, não defendem a educação pública como um direito de todos através do fim do vestibular. Só discursam diferente. À esquerda do governismo no movimento estudantil temos a esquerda moderada representada sobretudo pelo PSOL e PSTU.

A esquerda moderada contribui ao fortalecimento da nossa antípoda, a direita racista, elitista, privatizadora e militarizadora das universidades e favelas. A esquerda moderada seja pela sua disputa de aparatos como DCEs e CAs como fins em si mesmos (UnB) abre caminho à direita, ou seja por sua atuação prática como fura-greves na USP onde faz o mesmo.

Existe uma estratégia de democratização radical da universidade através do fim do vestibular, um movimento estudantil que se veja como parte dos trabalhadores e do povo lutarem contra a burguesia e seu Estado e por isto se ergue contra a polícia nas universidades e favelas, e o outro que é funcional a burguesia e seu Estado e abre a universidade ao mesmo.

O centrismo do PSTU é um fenômeno transitório. A realidade sempre exige que se coloque num lugar ou outro, com os reformistas ou com os revolucionários. Furar-greve ou ser linha de frente em sua massificação, combatividade. Sua atuação na USP é inequívoca. Formou um bloco com a congregação da FFLCH e o PSOL contra o movimento. A congregação, para quem não conhece, é um órgão absolutamente anti-democrático, de diatadura dos professores, que deixaria Luís XVI e seu “Estados Gerais” parecerem uma coisa de jacobinos. O PSTU colocou seu maior intelectual, Ruy Braga, para ser interlocutor da proposta de desmonte da luta contra a polícia, feita pela congregação a pedido de “lideranças estudantis” como diz um documento da reitoria. Defenderam como vitória suprimir a luta pela retirada da polícia para colocar no lugar colocar uma comissão para “melhorar o convênio”. Querem reformar o irreformável. E querem como parceiros para reformar o irreformável o Núcleo de Estudos contra a Violência (NEV). O NEV é um parceiro-entusiasta das UPPs e porta-voz dos ataques aos que lutam pela democratização da universidade. Dois exemplos: em 2007 os professores da FFLCH deste NEV soltaram nota pública contra esta mesma congregação pela mesma defender (em meias palavras) a ocupação daquele ano e estiveram na linha de frente dos processos que levaram a inconstitucional demissão do dirigente sindical Claudionor Brandão.

O centrismo mostrou-se o agente do reformismo. O reformismo mostra-se como o que é: um agente da burguesia no movimento operário. O PSOL com sua entrega de estudantes a polícia como ocorreu na USP, mostra que sua escola não é a da Rosa Luxemburgo mas do Noske que dirigiu seu assassinato. Esta é sua escola, mas diferente do velho partido social-democrata alemão estes agentes da burguesia não querem sequer ser um partido do movimento operário, mas um partido da “opinião pública” que vota “em candidatos necessários” como corre seu slogan carioca “PSOL: um partido necessário”. Na USP concretizaram na luta de classes a política de reforma da polícia que defendem – política esta que exige na prática a defesa da polícia e sua ação consciente para garantir o império da lei.

Esta linha de defesa da polícia custa o avanço do movimento na USP mas também custará a vida de sua principal figura pública, Marcelo Freixo. A confiança na polícia o matará. Quem defende sua vida são policiais, que por omissão ou ação tirarão sua vida. As forças policiais são constituidoras das mílicias e infiltradas até a medula pelas mesmas. A morte de Freixo será uma derrota a todos que lutam por direitos humanos no Rio de Janeiro e no país (compartilhando ou não sua política de reforma da polícia e do Estado). Pairará o medo a todos que defendem os direitos humanos nos morros e favelas. Se um deputado, branco, escolarizado com seguranças armados for morto o que poderá ser feito com sem-terra no Pará? [4]

O PSOL com suas posições sobre a polícia e atuação na USP se constitui como uma burocracia. Uma burocracia, que terá inclusive seus mortos. Seus métodos e suas ligação de fura-greves com a reitoria exigem sua derrubada – não são reformáveis (não falo de um ou outro militante) devem ser derrubados. Eles estão mortos ou infelizmente contribuirão para que militantes – inclusive os deles morram – nós defendemos os vivos e vida!

A batalha das batalhas: construir um forte movimento da juventude universitária ligada aos trabalhadores e ao povo

Na UnB e na USP se mostra claramente quais são as necessidades para construir um movimento realmente radical da juventude universitária. As universidades públicas no país são completamente elitista. Com cotas raciais ou sociais ou não, uma ínfima parcela da juventude entra. Com Sisu ou vestibular temos um filtro social. Depois do filtro social um rito de passagem para a elite. Seus trotes obedecem todas as formas clássicas descritas pela antropologia para os ritos de passagem. Todo rito de passagem tem um momento de ruptura para depois ter um de união, onde aqueles que passam pelo mesmo emergem em um novo status. Primeiro são humilhados os brancos de classe média, para depois emergirem, limpos e doutos, não mais como jovens filhos da classe média e a burguesia, mas como doutores, donos da casa grande em meio à senzala geral.

Num sistema universitário como este ou reproduzimos seu elitismo ou somos porta-vozes de sua transformação radical, questionando esta universidade elitista e racista para questionar o capitalismo fora dela também. No caminho desta luta é preciso superar a esquerda moderada mas também estratégias pretensamente radicais mas que são contrárias a um movimento estudantil ligado aos trabalhadores e ao povo. Todos aqueles grupos que não combatem a esquerda moderada e tratam táticas (meios) como uma ocupação como um fim em si mesmo, ou um modo de vida alternativo, são, querendo ou não, funcionais a manter a universidade elitista. Levantar fora polícia da USP sem levantar fora polícia dos morros e favelas é manter os privilégios da elite, é preciso a partir do questionamento à universidade de elite combater todo o elitismo.

Nós precisamos e podemos ter um discurso muito claro para construir um movimento de centenas: “quer combater a polícia, a burguesia e a direita. Quer combater a esquerda moderada (PSOL, PSTU) que nos impede de combater a burguesia e seu Estado, vê que a ultra também impede a criar um movimento massivo de estudantes que se coloque na frente das reivindicações de todo o povo, construamos junto uma fortíssima juventude ombro a ombro.” Nossos objetivos e nossa moral são do melhor da história do movimento estudantil de nosso país. Como diz a Veja – somos 1968 – aspiramos a ser, e superá-lo estrategicamente.

Somos 1968!

Somos 1968 na combatividade da Rua Maria Antônia em São Paulo. Onde os estudantes junto a intelectuais combativos tomaram a universidade e mudaram de cabo a rabo seu funcionamento, aboliram as cátedras, mudaram os currículos e ergueram barricadas para se enfrentar com o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) que tinha seu bunker do outro lado da rua, no Mackenzie. Somos 1968 da Aliança Operária-Estudantil de Osasco e Contagem que expulsou os pelegos dos sindicatos e a partir daí, do movimento operário, teve a audácia de desafiar a ditadura.

Somos 1968 da juventude carioca que não aceitou mais um morto por protestar e buscou hegemonizar a classe média contra a burguesia, buscou as massas, como na Marcha dos Cem Mil no Rio. Somos e seremos mais que 1968. A história avançou. A polarização de estratégias em 1968 era entre o pacifismo de um PCB a procura de uma burguesia progressista, democrática, e diversos guerrilheirismos guevaristas ou maoístas, que queriam por sua vontade isolada fazer uma revolução, e que no caso do maoísmo levava com outros métodos ao mesmo objetivo de um PCB, uma revolução burguesa.

Junto da influência das distintas correntes stalinistas faltava uma política que buscasse as massas, mas fosse revolucionária. O movimento de hoje supera o machismo e a heternormatividade imperante naqueles tempos, onde tudo isto era vendido como “cultura proletária” por estas correntes stalinistas. As questões da sexualidade e do modo de vida estão na ponta da língua, no palpitar dos corpos e nos gritos na rua. A história também mudou com a restauração do capitalismo há muita desconfiança aos partidos e aos socialistas. Mas tampouco o capitalismo triunfou. Mesmo com mais de 1 bilhão de operários novos a ser explorados, o capitalismo entrou em uma crise histórica comparável somente a de 1929.

Somos e seremos mais que 68 pois a crise é outra em nossa época do que aquele que acontecia após o boom do capitalismo no pós-guerra. Nossos tempos nos exigem uma resposta muito superior! Somos e seremos mais porque reivindicamos uma estratégia que esteve ausente em 68 no Brasil como alternativa, o trotskismo. Uma estratégia para que o movimento de massas do proletariado se coloque de forma independente de todas correntes da burguesia e assim possa hegemonizar o conjunto dos oprimidos contra a burguesia e seu Estado.

O combate na ofensiva exige que a construção seja uma prioridade

Nós combatemos na ofensiva. A burguesia na defensiva. Ela quer manter seus postos conquistados. O proletariado, já afirmavam Marx e Engels no Manifesto Comunista, não tem nada a perder fora suas próprias correntes. Esta é forma geral da guerra, independentemente de tal batalha ser defensiva, tal ofensiva, defensiva tática, de campanha, etc.
A ofensiva, ensina o grande teórico prussiano da guerra, Clausewitz, é a forma de guerra de quem tem objetivos maiores – esmagar o capitalismo, libertar a humanidade para que os indivíduos possam se realizar – mas que também implica os maiores riscos. Na ofensiva nos afastamos dos postos de comando, das linhas de transmissão, alimentação. A fricção da máquina aumenta e com isto seus riscos.

A forma de combate na ofensiva do proletariado e da juventude revolucionária que quer ligar-se a ele na prática e na estratégia, deve recuperar o melhor das ofensivas dos exércitos burgueses em ofensiva.

Tocqueville, um nobre que elogiava os EUA por seu uma democracia aristocrática e criticava duramente a França Revolucionária, escrevia chocado como mesmo pilhando o mundo o exército napoleônico crescia e avançava (era uma revolução política que assumia formas de revolução religiosa em sua palavras em O Antigo Regime e a Revolução). Ele queria dizer que ele ganhava adeptos conforme avançava mesmo que tinha que se alimentar no caminho – se afastava de suas linhas de transmissão, etc.

A forma do proletariado e de uma juventude revolucionária que quer se ligar aos trabalhadores avançar neste mesmo sentido é colocando como eixo em sua atuação a construção! Nossos passos à frente não podem ser com as mesmas forças, mas com forças multiplicadas. Somar combatentes para entrar em maiores e novos combates!

À grandes batalha de construir um movimento de centenas de estudantes universitários ligados aos trabalhadores e o povo! Precisamos ser o que a VEJA nos quer. Sejamos 1968 e o superemos!



[1] Hélio Schwartsman “Polícia e civilização”, editorial da Folha de São Paulo de 2/11.
[2] Para mais sobre o cerceamento de direitos civis elementares nas favelas com UPPs veja entre outros artigos, este “Tal como nos morros e favelas a juventude não tem nada a ganhar com a presença da polícia nas universidades” - http://ler-qi.org/spip.php?article3183.
[3] Os tumultos causados pelos rebeldes sem causa da USP, 28/10/11, ver em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/os-tumultos-causados-pelos-rebeldes-sem-causa-da-usp
[4] Para mais sobre esta discussão ver “O Estado quer Marcelo Freixo e outros lutadores mortos! Por um campanha dos sindicatos, DCEs, movimentos populares! Disponível em: http://www.ler-qi.org/spip.php?article3184

Urgente: às 13h ATO contra a repressão à ocupação da Reitoria da USP



URGENTE: Entidades estão convocando hoje um ato contra a repressão à Ocupação da Reitoria da USP e os estudantes em luta, uma vez que a Reitoria se mantem intransigente e divulgou reintegração de posse a partir das 17h de hoje. Concentração a partir das 13h em frente a Reitoria da USP. DIVULGUEM AMPLAMENTE!

Construir uma grande luta contra a polícia, a repressão e a precarização de Rodas!

DECLARAÇÃO DA JUVENTUDE DA LER-QI | USP

A luta contra a repressão volta a polarizar a universidade!

A USP agora está polarizada pelo movimento contra a PM no campus e contra os processos a estudantes, trabalhadores e SINTUSP. Esse movimento escancarou que a polícia, que massacra o povo pobre nas periferias e executa um genocídio da juventude negra, não vem para proteger, e sim para reprimir, como parte da estratégia de Rodas de destruir a resistência ao seu projeto elitista, racista e privatista de universidade, com a terceirização, demissão em massa via PROADE, fechamento de cursos, precarização do ensino e mercantilização do conhecimento.

Um Ascenso do ME a partir da ocupação da FFLCH

Desde a ocupação da administração da FFLCH, em resposta à repressão brutal da PM aos estudantes com bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula, o movimento recebeu o apoio de importantes intelectuais e entidades, dos trabalhadores em greve da UNICAMP, - aos quais se somaram os estudantes do IFCH! -, construiu um ato com quase mil estudantes contra a repressão, num claro processo de ascensão, que no dia 1/11 culminou em uma assembléia geral com mais de mil estudantes.

“Lideranças Estudantis” negociam com a reitoria, pelas costas do movimento, a desocupação e o fim da mobilização.

Recentemente vazaram na internet documentos em que, no dia seguinte à ocupação da Administração da FFLCH, 28/10, José Clóvis, assessor do gabinete do reitor, informa o Reitor Rodas sobre “reunião realizada hoje com algumas lideranças estudantis na História”:

“Prezado Professor João, (…) fui conversar com os setores organizados do movimento estudantil e professores. Desse encontro surgiram algumas propostas para colocar fim à invasão do prédio da Administração da FFLCH: 1) Os alunos disseram que há dois grupos no interior do movimento sendo um organizado, ligado aos pequenos partidos de esquerda; o outro, composto de ultraradicais que não desejam sair. Porém, se a Congregação for convocada extraordinariamente para segunda-feira (…) e for discutida a invasão, os radicais talvez sintam-se acuados; 2) Para além da crítica à invasão (o que certamente ocorrerá), os alunos entendem que a congregação pode encaminhar ao sr. e ao CO, uma proposta de reforma do Estatuto (…) 3) A proposta deles é que o sr. revogue o convênio com a PM, porém, discuti com eles que isso é pouco provável (…). Uma proposta que acredito a Congregação pode encaminhar e que eles acharam interessante é que um Fórum Permanente de Segurança possa ser constituído com a presença de representantes deles próprios, da PM, de ilustres professores e representantes dos funcionários. (...)”

É um absurdo! Quem são essas “lideranças estudantis”?! Não é muita coincidência que justamente a idéia de "desocupar" a Administração da FFLCH apresentada neste email tenha sido exatamente a mesma proposta que PSOL e PSTU (desocupação) que também por coincidência são lideranças estudantis na FFLCH? Inclusive,em outro documento que está circulando, de 2/6, Waldir Jorge, coordenador da COSEAS, escreve a Amadio, chefe de gabinete, sobre a moradia retomada, citando nomes: “Hoje tive reunião com alunos Adrian e Renan do DCE, (…) há uma grande possibilidade de avançarmos na recuperação desta área. (…) Há uma real vontade deles em acertarmos os ponteiros. Sugiro agendarmos uma reunião (…) e fecharmos mais este pacote de pepino”! Será coincidência que dois dias depois, em pleno domingo, o Conselho de CAs da FFLCH e o DCE tenham se reunido, votado uma exigência à congregação, e um panfleto unificado com as propostas que no dia seguinte foram aprovadas na congregação? Será coincidência que os 5 CAs e o DCE tenham participado como convidados, o que nunca acontece, e inclusive ajudado a propor os professores que negociariam a desocupação, que só começou depois de uma plenária em que o CAHIS aprovou o programa votado na congregação e a proposta de desocupação?! Quem de fato participou dessa reunião com o assessor da Reitoria, e qual o alcance desse esquema nojento não é possível dizer. O fato é que todas as gestões dos CAs da FFLCH e do DCE, integradas por correntes do PSOL e pelo PSTU, levaram a frente essa política, em bloco.

Quem não organizou um combate contra a repressão e a reitoria durante todo o ano não começaria a fazer isso votando uma desocupação que pode inclusive ter sido negociada com a burocracia acadêmica para enterrar a mobilização por uma promessa de negociação! Querem negociar reformas, mas não estão dispostos a um combate real para expulsar a PM! Além disso, não querem que nada “atrapalhe” o calendário das eleições estudantis, que transformam em um obstáculo à mobilização. Nós, da Juventude da LER-QI, que compomos chapas junto a independentes nas eleições, queremos ir na contramão dessa tendência, construindo uma campanha eleitoral militante contra a repressão e a precarização de Rodas, e chamamos os estudantes a votarem não somente nos programas, mas em uma prática política que expresse um novo movimento estudantil!

PSOL e PSTU dividem o movimento estudantil deslegitimando seus espaços

Foi como parte desta política que na assembléia de 1/11, após a deliberação da desocupação, em meio a uma votação, a mesa composta por PSOL(DCE) e PSTU(CAELL) declarou unilateralmente o fim da assembléia. Alegam que já estava tarde, que já se havia ultrapassado o horário limite e que havia "confusão". Mas o fato é que a assembléia estava muito cheia, e o horário não havia sido problema até que a posição da mesa foi derrotada na votação entre encaminhar a discussão do “calendário de lutas” ou da proposta de ocupação da reitoria, previamente apresentada na assembléia. Com a votação já realizada e repetida, e a vitória clara do encaminhamento sobre a ocupação da reitoria, PSOL e PSTU decretaram o fim da assembléia e se retiraram!

Então, quase 500 estudantes mantiveram a assembleia legitimamente, num movimento antiburocrático, e decidiram continuar a discussão votando a ocupação da reitoria. Na mesma noite, o prédio da reitoria foi ocupado por centenas de estudantes, que em seguida ratificaram as bandeiras da ocupação da FFLCH, contra a PM e os processos a trabalhadores e estudantes.

Estas organizações políticas tem disseminado uma campanha contra a ocupação dizendo que "não foi legítimo" e que "foi feita uma manobra" para aprovar a ocupação, num falso discurso sobre "democracia estudantil". Coincidentemente é exatamente o mesmo discurso de toda a imprensa e da Reitoria, que estão organizando um operativo repressivo contra esta mobilização, inclusive responsabilizando nominalmente a LER-QI e outras organizações políticas, apagando as centenas de estudantes que votaram e participam dessa ocupação, e nos expondo à repressão. Como disse o professor Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicação e Artes, em coletiva de imprensa apoiando a ocupação "essa é a linguagem da ditadura, dos delatores!". É urgente abrir um debate sobre os métodos e a concepção de movimento estudantil, pois com esse discurso falso o PSOL e o PSTU querem fazer parecer que os que enterram uma luta "democraticamente" são os "democráticos", e os que passam por cima das suas direções mantendo uma assembléia e seguindo a luta são "burocráticos". Uma péssima manobra de inversão de papéis para levar adiante um movimento estudantil anti-burocrático e combativo.

As entidades devem ser instrumentos do movimento, não seus inimigos

O DCE e os CAs são instrumentos de luta dos estudantes. Desgraçadamente estão nas mão de setores que entregam estudantes para a polícia – escoltaram os estudantes até o carro para levá-los à delegacia! – e que podem ter negociado a traição do movimento; e precisam ser retomadas. Por isso, exigimos que as gestões dessas entidades compareçam à assembleia geral de 3/11, em frente à reitoria ocupada, às 20h, para que se esclareça essa situação. É necessário organizar uma Comissão Independente para apurar os fatos e apresentar para todos os estudantes quem são as "lideranças estudantis" que negociaram com a Reitoria pelas costas do movimento a desocupação.

É preciso massificar a luta contra a repressão a partir da ocupação

Para essa luta, se mostram claramente 3 estratégias. A primeira, que já apontamos, é a estratégia do PSOL e do PSTU. Por outro lado, correntes como o MNN, que se absteve de qualquer luta durante o último ano, e parte dos setores que se reivindicam “autonomistas”, vêm a ocupação como um fim em si, como se fosse o bastante para derrotar a repressão, e por isso não dão um combate real contra a burocracia estudantil, ou seja, contra o apoio que ela tem em um amplo setor de estudantes – não a toa após tudo isso ainda se negavam a criticar as direções e defendiam um chamado a unidade eleitoral com esses partidos! -, além de desligar a luta contra a repressão da luta contra o projeto privatista e precarizante de universidade a que ela serve, e desligar a luta contra a PM da USP da luta contra o massacre protagonizado pela polícia da população nas periferias.

Para nós, por outro lado, é necessário massificar esse movimento, fazê-lo vivo em cada curso, em cada sala de aula, construindo assembléias e paralisações nos cursos, unificar-se com outros setores em luta, como os trabalhadores em luta e as greves na UNICAMP, e buscar aliados, como os professores Chico de Oliveira, Luizito e Souto Maior que declararam seu apoio à imprensa, foram à reitoria ocupada e estão levando suas aulas para lá, desmentindo a campanha da imprensa de que se trata de uma ação isolada, dizendo que “é a continuidade de anos de luta de estudantes e trabalhadores em defesa da universidade”

A luta nas estaduais paulistas continua forte com a greve dos trabalhadores da Unicamp, e agora com a greve dos estudantes do IFCH, também na Unicamp. Não fosse a atuação desta verdadeira burocracia estudantil com a ajuda do PSTU, a ascenção do movimento teria seguido forte, e seria possível já nessa próxima segunda-feira fazer um ato ainda maior. Mas o movimento resistiu as manobras e seguiu adiante com a ocupação da Reitoria e os apoios que já conquistou. Hoje a reitoria já anunciou que quer negociar com o movimento de ocupação. Não retrocederemos, e a assembleia de hoje será fundamental para debater a posição da reitoria, a massificação do movimento e a posição das direções do ME.

Juventude da LER-QI

Fora PM da USP, dos Morros e Periferias!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma carta à sociedade

“Vocês produzem a miséria e nos impedem de chegar a nível social”

De Menos Crime


Nós queremos educação pública, gratuita e de qualidade. Queremos que os métodos de ensino sejam revistos desde suas bases. Queremos que a administração pública seja radicalmente democrática, com o controle das instituições e das próprias fábricas nas mãos dos trabalhadores. Queremos que o trabalhador tenha mais tempo livre, com redução de horas de trabalho sem alteração dos salários. Queremos que as decisões que irão afetar nossas vidas sejam tomadas nós mesmos.

Comissões, reuniões, debates, discussões, tomada de decisões, assembléias. Algo que é permitido apenas à uma elite, que controla o futuro do país. O lobby no Brasil é discreto, mas eficiente. O governo do PT se apóia numa suposta base sólida de amplo respaldo da população, reduzindo a oposição aos setores da direita. Porém, as bases começam a ruir e os trabalhadores, finalmente, apesar de todos os problemas, erguem as cabeças, param de olhar para o chão e passam a enxergar as contradições de um governo “de esquerda” que se apóia não numa base sólida, mas no apodrecido sistema penal-policial. Se baseando nas leis da ditadura, as Forças Armadas são convocadas para reprimir revoltas de trabalhadores.

Qual é a verdadeira quadrilha criminosa? Um grupo de jovens pobres, negros, fora da escola, que desde pequenos estão em tênue equilíbrio entre a vida e a morte, que se reúne para roubar um posto de gasolina e conseguir algumas centenas (com sorte, milhares) de reais, ou um grupo de brancos, ricos, universitários, que se reúnem quando quiserem, que possuem mais de uma casa, motorista, salário de dezenas de milhares de reais por mês, e se negam a aumentar o salário mínimo, assinam o início da privatização das nossas florestas, mantém os torturadores impunes, não revêem uma política de drogas que só aumenta a violência, não punem os seus “colegas” corruptos, e aparecem sorrindo para as câmeras rodeado de guarda-costas? Essa é a hipocrisia do sistema.

Vemos isso com relação à ocupação da USP. Uma parte da mídia vende a ideia de que os “privilegiados” querem manter seus “privilégios” contra os “menos privilegiados” que, por serem “menos privilegiados”, não tem acesso ao “privilégio” da Universidade pública, gratuita e de qualidade, e que está sendo depredada por tais “privilegiados”, num ambiente “privilegiado”... Ou seja, vendendo a ideia de que a Universidade, de fato, deve se manter como um bem escasso, de alto custo, acessível apenas a poucas camadas da sociedade, de preferência apenas à burguesia – e, pior, que os estudantes ocupados defendem ESSE projeto de Universidade!

O comunismo, o socialismo, o anarquismo, o marxismo, etc. passam longe de serem pauta da educação brasileira. O capitalismo ergue-se, imponente, como a solução final para todos os problemas do mundo. O setor privado passa a controlar a comunicação, saúde, educação, transporte, alimentação, limpeza... A lista não tem limites. Às vezes “só” terceirizam partes, seções de instituições públicas, dividindo os trabalhadores e criando vínculos empregatícios por um lado muito tênues (entre empregador-empregado) e por outro muito fortes (empregador-governo). Isso permite que as empresas tercerizadoras (desde a Natura até as empresas de alimentação industriais) operem numa semi-legalidade constante, jogando com as leis trabalhistas e os trabalhadores como quem aposta num cassino.

Na escola de aplicação da USP, uma cartilha ensina sobre a "Propriedade". E ensina as crianças que os países que adotaram a propriedade privada conseguiram superar a miséria, países como EUA, Suécia, Japão, etc., e os que adotaram o socialismo acabaram na miséria, como URSS e Cuba. Nenhuma crítica aos EUA, cuja pobreza só aumenta, nem ao fato de que jornadas de 70h semanais são comuns no Japão, ou que na Suécia... Sei lá, faz frio pra cacete. Nenhuma menção ao fato de que Cuba acabou com o analfabetismo. De que a URSS saltou de um regime arcaico, quase feudal, para uma potência nuclear. Nenhuma menção às diferenças do regime. O grande valor: a "propriedade"!

Nós somos a primeira geração do Brasil democrático, filhos do neoliberalismo, e não estamos contentes com o resultado. A corrupção claramente não terminará enquanto não houver uma mudança radical na estrutura de poder. O coronelismo não acabou. A escravidão não acabou. A “representatividade” que a pequena-burguesia tem em seu altar elege, literalmente, um palhaço, pois é assim que o povo se vê frente à política: como um palhaço fazendo malabarismos num picadeiro, enquanto os empresários, os políticos e a burocracia se sentam na platéia, rindo de nós. Porém, a exploração não é piada. Os malabarismos são com a nossa própria vida. O trabalhador em condições precárias corre risco de vida todo dia de trabalho. E o patrão “corta custos” deixando de comprar equipamento de segurança e pagar treinamento adequado – se morrer um, tem cem na fila pra entrar no lugar mesmo, e que família pobre vai questionar? Nem dentro da USP, a morte de José Ferreira da Silva, trabalhador terceirizado morto durante o exercício de sua função, foi investigada. Pra isso, o aparelho investigativo da polícia não serve.

O Brasil “do futuro” é um Brasil que não tem mais possibilidades de conciliamento. As concessões salariais e pequenos avanços nas leis trabalhistas, num período de crise, não são uma possibilidade para a burguesia. Joga todo seu aparato repressivo contra a população, enquanto Camargo Correia, Odebrecht, OAS, a indústria de telecomunicações, os conglomerados do ensino particular e os pequenos e médios empresários do setor de terceirização seguem com lucros garantidos, baseados na superexploração e precarização do trabalho.

A classe trabalhadora, por sua vez, que tinha depositado suas esperanças nas privatizações, no avanço da tecnologia, no triunfo da ciência, no domínio do homem, vê os governos aprovarem pacotes de austeridade, cortar o orçamento da saúde, educação e segurança social, e reprimir greves de trabalhadores com a ajuda dos aparelhos repressores (polícia, bombeiros, exército). A luta de classes continua. O movimento Ocupa Wall Street, no “ground zero” do imperialismo americano, se questiona: “por que somos 99% da população nas mãos de 1%?”. O povo começa a flexionar os músculos, a criar novamente confiança em suas forças, após décadas de ataque neoliberal. O trabalhador se politiza e passa a se perguntar se há outro caminho.

Que há outro caminho, temos certeza. Vemos no dia a dia opressão, repressão, morte, sofrimento, preconceito, miséria, guerra e violência, no Brasil e no mundo. Está na hora de revolucionar. Às ruas!

Caio Rearte - militante da Juventude ÀS RUAS e estudante de Ciências Sociais da USP

Carlos Latuff: "Todo apoio à ocupação da reitoria da USP pelos estudantes"


Fora PM da USP!