Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sábado, 5 de novembro de 2011

Urgente: às 13h ATO contra a repressão à ocupação da Reitoria da USP



URGENTE: Entidades estão convocando hoje um ato contra a repressão à Ocupação da Reitoria da USP e os estudantes em luta, uma vez que a Reitoria se mantem intransigente e divulgou reintegração de posse a partir das 17h de hoje. Concentração a partir das 13h em frente a Reitoria da USP. DIVULGUEM AMPLAMENTE!

Construir uma grande luta contra a polícia, a repressão e a precarização de Rodas!

DECLARAÇÃO DA JUVENTUDE DA LER-QI | USP

A luta contra a repressão volta a polarizar a universidade!

A USP agora está polarizada pelo movimento contra a PM no campus e contra os processos a estudantes, trabalhadores e SINTUSP. Esse movimento escancarou que a polícia, que massacra o povo pobre nas periferias e executa um genocídio da juventude negra, não vem para proteger, e sim para reprimir, como parte da estratégia de Rodas de destruir a resistência ao seu projeto elitista, racista e privatista de universidade, com a terceirização, demissão em massa via PROADE, fechamento de cursos, precarização do ensino e mercantilização do conhecimento.

Um Ascenso do ME a partir da ocupação da FFLCH

Desde a ocupação da administração da FFLCH, em resposta à repressão brutal da PM aos estudantes com bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula, o movimento recebeu o apoio de importantes intelectuais e entidades, dos trabalhadores em greve da UNICAMP, - aos quais se somaram os estudantes do IFCH! -, construiu um ato com quase mil estudantes contra a repressão, num claro processo de ascensão, que no dia 1/11 culminou em uma assembléia geral com mais de mil estudantes.

“Lideranças Estudantis” negociam com a reitoria, pelas costas do movimento, a desocupação e o fim da mobilização.

Recentemente vazaram na internet documentos em que, no dia seguinte à ocupação da Administração da FFLCH, 28/10, José Clóvis, assessor do gabinete do reitor, informa o Reitor Rodas sobre “reunião realizada hoje com algumas lideranças estudantis na História”:

“Prezado Professor João, (…) fui conversar com os setores organizados do movimento estudantil e professores. Desse encontro surgiram algumas propostas para colocar fim à invasão do prédio da Administração da FFLCH: 1) Os alunos disseram que há dois grupos no interior do movimento sendo um organizado, ligado aos pequenos partidos de esquerda; o outro, composto de ultraradicais que não desejam sair. Porém, se a Congregação for convocada extraordinariamente para segunda-feira (…) e for discutida a invasão, os radicais talvez sintam-se acuados; 2) Para além da crítica à invasão (o que certamente ocorrerá), os alunos entendem que a congregação pode encaminhar ao sr. e ao CO, uma proposta de reforma do Estatuto (…) 3) A proposta deles é que o sr. revogue o convênio com a PM, porém, discuti com eles que isso é pouco provável (…). Uma proposta que acredito a Congregação pode encaminhar e que eles acharam interessante é que um Fórum Permanente de Segurança possa ser constituído com a presença de representantes deles próprios, da PM, de ilustres professores e representantes dos funcionários. (...)”

É um absurdo! Quem são essas “lideranças estudantis”?! Não é muita coincidência que justamente a idéia de "desocupar" a Administração da FFLCH apresentada neste email tenha sido exatamente a mesma proposta que PSOL e PSTU (desocupação) que também por coincidência são lideranças estudantis na FFLCH? Inclusive,em outro documento que está circulando, de 2/6, Waldir Jorge, coordenador da COSEAS, escreve a Amadio, chefe de gabinete, sobre a moradia retomada, citando nomes: “Hoje tive reunião com alunos Adrian e Renan do DCE, (…) há uma grande possibilidade de avançarmos na recuperação desta área. (…) Há uma real vontade deles em acertarmos os ponteiros. Sugiro agendarmos uma reunião (…) e fecharmos mais este pacote de pepino”! Será coincidência que dois dias depois, em pleno domingo, o Conselho de CAs da FFLCH e o DCE tenham se reunido, votado uma exigência à congregação, e um panfleto unificado com as propostas que no dia seguinte foram aprovadas na congregação? Será coincidência que os 5 CAs e o DCE tenham participado como convidados, o que nunca acontece, e inclusive ajudado a propor os professores que negociariam a desocupação, que só começou depois de uma plenária em que o CAHIS aprovou o programa votado na congregação e a proposta de desocupação?! Quem de fato participou dessa reunião com o assessor da Reitoria, e qual o alcance desse esquema nojento não é possível dizer. O fato é que todas as gestões dos CAs da FFLCH e do DCE, integradas por correntes do PSOL e pelo PSTU, levaram a frente essa política, em bloco.

Quem não organizou um combate contra a repressão e a reitoria durante todo o ano não começaria a fazer isso votando uma desocupação que pode inclusive ter sido negociada com a burocracia acadêmica para enterrar a mobilização por uma promessa de negociação! Querem negociar reformas, mas não estão dispostos a um combate real para expulsar a PM! Além disso, não querem que nada “atrapalhe” o calendário das eleições estudantis, que transformam em um obstáculo à mobilização. Nós, da Juventude da LER-QI, que compomos chapas junto a independentes nas eleições, queremos ir na contramão dessa tendência, construindo uma campanha eleitoral militante contra a repressão e a precarização de Rodas, e chamamos os estudantes a votarem não somente nos programas, mas em uma prática política que expresse um novo movimento estudantil!

PSOL e PSTU dividem o movimento estudantil deslegitimando seus espaços

Foi como parte desta política que na assembléia de 1/11, após a deliberação da desocupação, em meio a uma votação, a mesa composta por PSOL(DCE) e PSTU(CAELL) declarou unilateralmente o fim da assembléia. Alegam que já estava tarde, que já se havia ultrapassado o horário limite e que havia "confusão". Mas o fato é que a assembléia estava muito cheia, e o horário não havia sido problema até que a posição da mesa foi derrotada na votação entre encaminhar a discussão do “calendário de lutas” ou da proposta de ocupação da reitoria, previamente apresentada na assembléia. Com a votação já realizada e repetida, e a vitória clara do encaminhamento sobre a ocupação da reitoria, PSOL e PSTU decretaram o fim da assembléia e se retiraram!

Então, quase 500 estudantes mantiveram a assembleia legitimamente, num movimento antiburocrático, e decidiram continuar a discussão votando a ocupação da reitoria. Na mesma noite, o prédio da reitoria foi ocupado por centenas de estudantes, que em seguida ratificaram as bandeiras da ocupação da FFLCH, contra a PM e os processos a trabalhadores e estudantes.

Estas organizações políticas tem disseminado uma campanha contra a ocupação dizendo que "não foi legítimo" e que "foi feita uma manobra" para aprovar a ocupação, num falso discurso sobre "democracia estudantil". Coincidentemente é exatamente o mesmo discurso de toda a imprensa e da Reitoria, que estão organizando um operativo repressivo contra esta mobilização, inclusive responsabilizando nominalmente a LER-QI e outras organizações políticas, apagando as centenas de estudantes que votaram e participam dessa ocupação, e nos expondo à repressão. Como disse o professor Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicação e Artes, em coletiva de imprensa apoiando a ocupação "essa é a linguagem da ditadura, dos delatores!". É urgente abrir um debate sobre os métodos e a concepção de movimento estudantil, pois com esse discurso falso o PSOL e o PSTU querem fazer parecer que os que enterram uma luta "democraticamente" são os "democráticos", e os que passam por cima das suas direções mantendo uma assembléia e seguindo a luta são "burocráticos". Uma péssima manobra de inversão de papéis para levar adiante um movimento estudantil anti-burocrático e combativo.

As entidades devem ser instrumentos do movimento, não seus inimigos

O DCE e os CAs são instrumentos de luta dos estudantes. Desgraçadamente estão nas mão de setores que entregam estudantes para a polícia – escoltaram os estudantes até o carro para levá-los à delegacia! – e que podem ter negociado a traição do movimento; e precisam ser retomadas. Por isso, exigimos que as gestões dessas entidades compareçam à assembleia geral de 3/11, em frente à reitoria ocupada, às 20h, para que se esclareça essa situação. É necessário organizar uma Comissão Independente para apurar os fatos e apresentar para todos os estudantes quem são as "lideranças estudantis" que negociaram com a Reitoria pelas costas do movimento a desocupação.

É preciso massificar a luta contra a repressão a partir da ocupação

Para essa luta, se mostram claramente 3 estratégias. A primeira, que já apontamos, é a estratégia do PSOL e do PSTU. Por outro lado, correntes como o MNN, que se absteve de qualquer luta durante o último ano, e parte dos setores que se reivindicam “autonomistas”, vêm a ocupação como um fim em si, como se fosse o bastante para derrotar a repressão, e por isso não dão um combate real contra a burocracia estudantil, ou seja, contra o apoio que ela tem em um amplo setor de estudantes – não a toa após tudo isso ainda se negavam a criticar as direções e defendiam um chamado a unidade eleitoral com esses partidos! -, além de desligar a luta contra a repressão da luta contra o projeto privatista e precarizante de universidade a que ela serve, e desligar a luta contra a PM da USP da luta contra o massacre protagonizado pela polícia da população nas periferias.

Para nós, por outro lado, é necessário massificar esse movimento, fazê-lo vivo em cada curso, em cada sala de aula, construindo assembléias e paralisações nos cursos, unificar-se com outros setores em luta, como os trabalhadores em luta e as greves na UNICAMP, e buscar aliados, como os professores Chico de Oliveira, Luizito e Souto Maior que declararam seu apoio à imprensa, foram à reitoria ocupada e estão levando suas aulas para lá, desmentindo a campanha da imprensa de que se trata de uma ação isolada, dizendo que “é a continuidade de anos de luta de estudantes e trabalhadores em defesa da universidade”

A luta nas estaduais paulistas continua forte com a greve dos trabalhadores da Unicamp, e agora com a greve dos estudantes do IFCH, também na Unicamp. Não fosse a atuação desta verdadeira burocracia estudantil com a ajuda do PSTU, a ascenção do movimento teria seguido forte, e seria possível já nessa próxima segunda-feira fazer um ato ainda maior. Mas o movimento resistiu as manobras e seguiu adiante com a ocupação da Reitoria e os apoios que já conquistou. Hoje a reitoria já anunciou que quer negociar com o movimento de ocupação. Não retrocederemos, e a assembleia de hoje será fundamental para debater a posição da reitoria, a massificação do movimento e a posição das direções do ME.

Juventude da LER-QI

Fora PM da USP, dos Morros e Periferias!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma carta à sociedade

“Vocês produzem a miséria e nos impedem de chegar a nível social”

De Menos Crime


Nós queremos educação pública, gratuita e de qualidade. Queremos que os métodos de ensino sejam revistos desde suas bases. Queremos que a administração pública seja radicalmente democrática, com o controle das instituições e das próprias fábricas nas mãos dos trabalhadores. Queremos que o trabalhador tenha mais tempo livre, com redução de horas de trabalho sem alteração dos salários. Queremos que as decisões que irão afetar nossas vidas sejam tomadas nós mesmos.

Comissões, reuniões, debates, discussões, tomada de decisões, assembléias. Algo que é permitido apenas à uma elite, que controla o futuro do país. O lobby no Brasil é discreto, mas eficiente. O governo do PT se apóia numa suposta base sólida de amplo respaldo da população, reduzindo a oposição aos setores da direita. Porém, as bases começam a ruir e os trabalhadores, finalmente, apesar de todos os problemas, erguem as cabeças, param de olhar para o chão e passam a enxergar as contradições de um governo “de esquerda” que se apóia não numa base sólida, mas no apodrecido sistema penal-policial. Se baseando nas leis da ditadura, as Forças Armadas são convocadas para reprimir revoltas de trabalhadores.

Qual é a verdadeira quadrilha criminosa? Um grupo de jovens pobres, negros, fora da escola, que desde pequenos estão em tênue equilíbrio entre a vida e a morte, que se reúne para roubar um posto de gasolina e conseguir algumas centenas (com sorte, milhares) de reais, ou um grupo de brancos, ricos, universitários, que se reúnem quando quiserem, que possuem mais de uma casa, motorista, salário de dezenas de milhares de reais por mês, e se negam a aumentar o salário mínimo, assinam o início da privatização das nossas florestas, mantém os torturadores impunes, não revêem uma política de drogas que só aumenta a violência, não punem os seus “colegas” corruptos, e aparecem sorrindo para as câmeras rodeado de guarda-costas? Essa é a hipocrisia do sistema.

Vemos isso com relação à ocupação da USP. Uma parte da mídia vende a ideia de que os “privilegiados” querem manter seus “privilégios” contra os “menos privilegiados” que, por serem “menos privilegiados”, não tem acesso ao “privilégio” da Universidade pública, gratuita e de qualidade, e que está sendo depredada por tais “privilegiados”, num ambiente “privilegiado”... Ou seja, vendendo a ideia de que a Universidade, de fato, deve se manter como um bem escasso, de alto custo, acessível apenas a poucas camadas da sociedade, de preferência apenas à burguesia – e, pior, que os estudantes ocupados defendem ESSE projeto de Universidade!

O comunismo, o socialismo, o anarquismo, o marxismo, etc. passam longe de serem pauta da educação brasileira. O capitalismo ergue-se, imponente, como a solução final para todos os problemas do mundo. O setor privado passa a controlar a comunicação, saúde, educação, transporte, alimentação, limpeza... A lista não tem limites. Às vezes “só” terceirizam partes, seções de instituições públicas, dividindo os trabalhadores e criando vínculos empregatícios por um lado muito tênues (entre empregador-empregado) e por outro muito fortes (empregador-governo). Isso permite que as empresas tercerizadoras (desde a Natura até as empresas de alimentação industriais) operem numa semi-legalidade constante, jogando com as leis trabalhistas e os trabalhadores como quem aposta num cassino.

Na escola de aplicação da USP, uma cartilha ensina sobre a "Propriedade". E ensina as crianças que os países que adotaram a propriedade privada conseguiram superar a miséria, países como EUA, Suécia, Japão, etc., e os que adotaram o socialismo acabaram na miséria, como URSS e Cuba. Nenhuma crítica aos EUA, cuja pobreza só aumenta, nem ao fato de que jornadas de 70h semanais são comuns no Japão, ou que na Suécia... Sei lá, faz frio pra cacete. Nenhuma menção ao fato de que Cuba acabou com o analfabetismo. De que a URSS saltou de um regime arcaico, quase feudal, para uma potência nuclear. Nenhuma menção às diferenças do regime. O grande valor: a "propriedade"!

Nós somos a primeira geração do Brasil democrático, filhos do neoliberalismo, e não estamos contentes com o resultado. A corrupção claramente não terminará enquanto não houver uma mudança radical na estrutura de poder. O coronelismo não acabou. A escravidão não acabou. A “representatividade” que a pequena-burguesia tem em seu altar elege, literalmente, um palhaço, pois é assim que o povo se vê frente à política: como um palhaço fazendo malabarismos num picadeiro, enquanto os empresários, os políticos e a burocracia se sentam na platéia, rindo de nós. Porém, a exploração não é piada. Os malabarismos são com a nossa própria vida. O trabalhador em condições precárias corre risco de vida todo dia de trabalho. E o patrão “corta custos” deixando de comprar equipamento de segurança e pagar treinamento adequado – se morrer um, tem cem na fila pra entrar no lugar mesmo, e que família pobre vai questionar? Nem dentro da USP, a morte de José Ferreira da Silva, trabalhador terceirizado morto durante o exercício de sua função, foi investigada. Pra isso, o aparelho investigativo da polícia não serve.

O Brasil “do futuro” é um Brasil que não tem mais possibilidades de conciliamento. As concessões salariais e pequenos avanços nas leis trabalhistas, num período de crise, não são uma possibilidade para a burguesia. Joga todo seu aparato repressivo contra a população, enquanto Camargo Correia, Odebrecht, OAS, a indústria de telecomunicações, os conglomerados do ensino particular e os pequenos e médios empresários do setor de terceirização seguem com lucros garantidos, baseados na superexploração e precarização do trabalho.

A classe trabalhadora, por sua vez, que tinha depositado suas esperanças nas privatizações, no avanço da tecnologia, no triunfo da ciência, no domínio do homem, vê os governos aprovarem pacotes de austeridade, cortar o orçamento da saúde, educação e segurança social, e reprimir greves de trabalhadores com a ajuda dos aparelhos repressores (polícia, bombeiros, exército). A luta de classes continua. O movimento Ocupa Wall Street, no “ground zero” do imperialismo americano, se questiona: “por que somos 99% da população nas mãos de 1%?”. O povo começa a flexionar os músculos, a criar novamente confiança em suas forças, após décadas de ataque neoliberal. O trabalhador se politiza e passa a se perguntar se há outro caminho.

Que há outro caminho, temos certeza. Vemos no dia a dia opressão, repressão, morte, sofrimento, preconceito, miséria, guerra e violência, no Brasil e no mundo. Está na hora de revolucionar. Às ruas!

Caio Rearte - militante da Juventude ÀS RUAS e estudante de Ciências Sociais da USP

Carlos Latuff: "Todo apoio à ocupação da reitoria da USP pelos estudantes"


Fora PM da USP!

Prof. Luiz Renato Martins apóia Ocupação da USP


Professor Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicação e Artes da USP em apoio à Ocupação da Reitoria e à luta pelo FORA POLÍCIA. Vejam vídeo que a imprensa gravou mas não mostra, legitimando o movimento de ocupação dos estudantes e dando total apoio a esta luta.

Marcelo Pablito, diretor do SINTUSP desmascara reitoria da USP


Marcelo "Pablito" Santos, diretor do Sindicato de Trabalhadores da USP denuncia a Reitoria da Universidade de São Paulo por difamação pública. Vejam vídeo que a imprensa gravou mas não mostra, demonstrando a falácia da Reitoria que diz que a presença da PM na USP foi aprovada "democraticamente" entre todos os setores da universidade.

Bruno Gilga defende ocupação da FFLCH/USP e Fora PM!

Bruno Gilga, da Juventude Às Ruas e estudante da Ciências Sociais da USP, em histórica assembléia com mais de 1.000 estudantes, defendendo a manutenção da ocupação da FFLCH contra a burocracia estudantil do DCE, dirigida pelo PSOL, que contava com o apoio do PSTU. Os setores que rechaçaram a manobra de enterrar a luta pra garantir o calendário das eleições estudantis e não ter que levar até o final o combate a PM na USP, reestabeleceram a assembléia após o PSOL e PSTU se retirarem e votaram a proposta já encaminhada à mesa de ocupação da Reitoria da USP. Fora a PM da USP, dos morros e das favelas! Abaixo o convênio Reitoria da USP e PM! Pela retirada de todos os processos contra estudantes e trabalhadores! Não à expulsão do Núcleo de Consciência Negra! Todo apoio à greve dos trabalhadores e estudantes da Unicamp!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Nota da ocupação da Reitoria da USP: Apoio dos professores Chico de Oliveira e Luis Renato Martins à ocupação


Após declaração à imprensa demonstrando total apoio à ocupação do prédio da reitoria, os professores Chico de Oliveira e Luis Renato Martins, junto a diretores do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e estudantes do movimento de ocupação da reitoria contra a repressão, estão se dirigindo ao prédio da administração da FFLCH para realizar a certificação da integridade do espaço antes de sua desocupação. Em breve, publicaremos uma nota oficial sobre a desocupação do prédio da faculdade.

Venham para a ocupação da reitoria lutar contra o convênio PM-USP e pela retirada dos processos contra lutadores! 

“Um grupo de estudos de cultura e materialismo histórico tem que tentar entender a conjuntura mundial”

Reproduzimos excertos da entrevista no Jornal Palavra Operária com o professor de Literatura da USP, Daniel Puglia, que participa do grupo de estudos de cultura e marxismo, uma iniciativa da Juventude às Ruas e independentes.

JPO: Qual a importância de um grupo de estudos de cultura e marxismo na Letras?

DP: A importância do estudo e de formar um grupo de pessoas que se interesse pelo materialismo histórico atende algumas preocupações: evitar o sectarismo, dogmatismo e autoritarismo. E aqui estou falando da esquerda.
Em relação à importância do materialismo histórico para a cultura: grande parte da esquerda se apropriou de duas ou três palavras de cartilha do materialismo histórico e a partir daí começou a querer entender como a cultura acontecia. Quando Marx e Engels analisam o que está acontecendo do século XVIII para o XIX, procuram entender as várias manifestações culturais e cientificas em um leque amplo. Espanta muita gente a quantidade de elogios e colocações sérias que Marx e Engels fazem sobre Adam Smith e David Ricardo, nomes importantes da economia clássica. Também olham para os socialistas utópicos franceses e falam: “cabe a nós continuarmos a partir do que eles trouxeram”. Têm muita gente hoje que se arrepia ao ouvir o nome de Kant e Hegel. Mesmo na academia, muitos dos que se reivindicam marxistas falam que Hegel tem que ir pra lata do lixo. Isso é absurdo. Grupos de formação tem que resgatar essa tradição, para não sermos dogmáticos, sectários e parciais. O que não significa dizer que “vale tudo”. Não, ao contrário. Para ter firmeza dos seus princípios tem que conhecer essa tradição.
A cultura tem em si um principio democratizante muito forte pois envolve como as pessoas interpretam e refletem sobre a vida num momento histórico. Então, se temos uma visão muito dogmática da cultura, corremos o risco de pensar que cultura é aquilo que se faz nas altas esferas, só “alta cultura”, é uma visão fetichista.
Um erro é pensar em estudar apenas cultura, sem estudar a vida real das pessoas. Todos nós sentimos que algo está acontecendo. Não é fim do neoliberalismo, pelo contrário. As empresas e bancos americanos estão com muita liquidez, mas não colocam esse dinheiro em circulação: é a maximização do lucro. Os governos resgataram as instituições financeiras e o capital. Há cada vez mais pessoas desempregadas ou subempregadas que não estão consumindo. Um grupo de estudos de cultura e materialismo histórico tem que tentar entender a conjuntura mundial, econômica.
Temos que lidar com um conceito de cultura mais amplo. Muitas vezes se corre o risco de falar nas humanidades algo como: eu sou especializado em Carlos Drummond de Andrade, e aí você se especializa e esquece do mundo. Nem mesmo especialista em Carlos Drummond de Andrade você vai ser, porque em última instância o que aparece na obra dele é o mundo.


JPO: Como o marxismo é tratado na universidade, na academia? Como você vê isso?


DP: O marxismo na academia é compartimentado. Tem uma parte, digamos assim, mais “chique” do marxismo, e a academia ficou com a parte mais “chique” do marxismo. Mas para você ter uma boa noção da leitura da cultura a partir do ponto de vista marxista é importante você não esquecer a economia; para você não esquecer a economia é importante você não esquecer a política; para você não esquecer a política é importante você não esquecer a filosofia. E já está presente no próprio Hegel um desrespeito – no melhor dos sentidos – pela divisão estrita. E tem um pouco do Kant lá atrás que é “ousar saber”.
Uma outra oportunidade de grupos de estudo como esse é da academia olhar pra fora dela. Não adianta não reconhecermos o quanto somos privilegiados e estamos numa ilha, ficar refletindo demasiadamente sobre os problemas dessa ilha, achando que é o universo. Ela não é. Lá fora estão acontecendo outras coisas num outro ritmo, e a gente precisa estar atento a isso. É uma coisa sensível para muitos de nós: a militância real e o engajamento real, eles não acontecem na academia.


JPO: Como você o papel da intelectualidade e dos estudantes diante dos conflitos operários que estão acontecendo, e também diante do cenário internacional?


DP: Eu acho que a importância de ter esta formação é, em primeiro lugar, não atrapalhar. Porque é muito fácil você ser um revolucionário de sala de aula. Na maior parte do tempo os trabalhadores cerebrais, o público estudantil mais privilegiado, universitário, não necessariamente vai estar na luta de uma maneira progressista. Por outro lado, no que ele vai ter um papel? Com a divisão social do trabalho, alguns grupos sociais recebem um tipo de conhecimento que é vedado à maioria da população. Por outro lado, esta recebe alguns conhecimentos que também são vedados a estes trabalhadores cerebrais “encastelados”. Quando você faz o contato entre eles, aí você ajuda a fazer um intercâmbio de idéias.
Esse é o papel dos estudos, das conversas. Saber que ninguém é tão estúpido que não perceba o seu entorno. Também ninguém é tão especial para ter já o horizonte de todo o futuro da humanidade.

culturaemarxismo.wordpress.com

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lênin na FFLCH e Reinaldo Azevedo de roupão

Não há mais tolos boquiabertos
 esperando a palavra do "mestre".
Dai-nos, camaradas, uma arte nova 
- nova - 
que arranque a República da escória. 
(Maiakovsky – Ordem n°2 ao Exército das Artes)  

Reinaldo Azevedo posando em foto com José Serra

Saiu na mídia em tom de deboche, que os estudantes da FFLCH estavam na suas atividades de ocupação, discutindo além das questões referentes a legalização das drogas, o livroO Estado e a Revolução de Lênin. "Ora, mais estes estudantes! Param a universidade para fumar um banza e ficar conspirando como vão tomar o poder!". Era este o conteúdo de fundo. 

Em alguma poltrona confortável, não muito longe das redações destes grandes jornais, Reinaldo Azevedo (colunista da Revista Veja), no seu blog com ares de publicista moderno atacava na mesma linha - só que bem mais clara - de que está na hora de expulsar e prender não só os estudantes ocupados mais também os malditos professores que não estão chamando a reintegração de posse e capitulam perante os que "vivem no século XIX".

Azevedo escreve de maneira bem mais clara não porque o texto sai no seu blog pessoal, e lá ele faz o que quiser. Ingênuo de quem olha para ele vê simplesmente um intelectual bonachão que quer combinar o chapéu com a casacaantes de sair de casa e fica polemizando com todo mundo para solucionar o seu ego inflado. Representa sim um setor social concentrado da burguesia paulistana que quer varrer do câmpus do Butantã toda organização política em torno do SINTUSP e dos estudantes que lutam contra a universidade elitista que é a USP hoje. 

A presença da polícia militar na universidade para ele não têm nada a ver com a segurança mais sim como forma de intimidação a qualquer tipo de ação e organização destes trabalhadores e estudantes. A USP para estes grandes empresários, que gracejam para Azevedo no lançamento dos seus livros é o laboratório já todo custeado pelos impostos dos trabalhadores onde vão poder economizar milhões. Laboratório não só científico mais político, onde se testa neste momento, por exemplo, até onde as forças repressivas ainda podem se impor a sociedade brasileira, com uma ditadura militar recente que tenta ser apagada a todo custo da memória dos trabalhadores, dos estudantes e da nova intelectualidade que esta se forjando.

Do outro lado os estudantes ocupados, que tem amigos "menos influentes", alguns professores, o SINTUSP e as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da limpeza que estão começando a se levantar contra o regime de semi-escravidão desta USP que está muito longe de estar acima da sociedade. Quem tenta manter a USP longe da sociedade e dos trabalhadores não são os estudantes mas a reitoria e a burocracia acadêmica. Estas querem mantera pólis segura. A elite ali andando de terno e gravata e o restante lá fora, para fora do P1. Se alguém de fora entrar tem de ficar em silêncio e de cabeça baixa pelos corredores, sem conversar com os estudantes e com os outros trabalhadores. (regulamento imposto às trabalhadoras terceirizadas!).

Azevedo usa sua "inteligência" para defender este projeto de universidade, usa sua agudeza provocativa para enriquecer os reis da mina. Centenas de estudantes escolhem o outro lado. Seus corpos e seu conhecimentocontra os exploradores. Discutem nos saguões da FFLCH as verdades mais cruas, estampadas no convívio social ha já alguns milênios e que no século XIX (sem aspas) com o marxismo "tomou corpo didático": 
"De onde vem a necessidade de corpos especiais de homens armados (polícia, exército permanente), separados da sociedade e superiores a ela? Os filisteus da Europa ocidental e da Rússia respondem, muito naturalmente, a essapergunta, por uma ou duas frases colhidas em Spencer ou em Mikhailovsky, e alegam a complicação crescente da vida social, a diferenciação das funções sociais, etc. Essas alegações parecem "científicas" e tranquilizam admiravelmente o bom público, obscurecendo o principal, o essencial: a cisão da sociedade em classes irreconciliavelmente inimigas" - Lênin - O Estado e a Revolução.

 Simples para quem quer ver. A juventude tem de tomar das mãos destes intelectuais de roupão os teclados para denunciar a opressão e exploração do Estado Capitalista! Questionar a universidade de classes para questionar a sociedade de classes!

Todo apoio a ocupação da diretoria da FFLCH!
Abaixo a militarização da USP e das periferias!
Pelo fim dos processos aos estudantes e trabalhadores do SINTUSP!
Por uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!


 Por   Antonio Quiozini - militante da Ler-qi e da Juventude ÀS RUAS