Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma carta à sociedade

“Vocês produzem a miséria e nos impedem de chegar a nível social”

De Menos Crime


Nós queremos educação pública, gratuita e de qualidade. Queremos que os métodos de ensino sejam revistos desde suas bases. Queremos que a administração pública seja radicalmente democrática, com o controle das instituições e das próprias fábricas nas mãos dos trabalhadores. Queremos que o trabalhador tenha mais tempo livre, com redução de horas de trabalho sem alteração dos salários. Queremos que as decisões que irão afetar nossas vidas sejam tomadas nós mesmos.

Comissões, reuniões, debates, discussões, tomada de decisões, assembléias. Algo que é permitido apenas à uma elite, que controla o futuro do país. O lobby no Brasil é discreto, mas eficiente. O governo do PT se apóia numa suposta base sólida de amplo respaldo da população, reduzindo a oposição aos setores da direita. Porém, as bases começam a ruir e os trabalhadores, finalmente, apesar de todos os problemas, erguem as cabeças, param de olhar para o chão e passam a enxergar as contradições de um governo “de esquerda” que se apóia não numa base sólida, mas no apodrecido sistema penal-policial. Se baseando nas leis da ditadura, as Forças Armadas são convocadas para reprimir revoltas de trabalhadores.

Qual é a verdadeira quadrilha criminosa? Um grupo de jovens pobres, negros, fora da escola, que desde pequenos estão em tênue equilíbrio entre a vida e a morte, que se reúne para roubar um posto de gasolina e conseguir algumas centenas (com sorte, milhares) de reais, ou um grupo de brancos, ricos, universitários, que se reúnem quando quiserem, que possuem mais de uma casa, motorista, salário de dezenas de milhares de reais por mês, e se negam a aumentar o salário mínimo, assinam o início da privatização das nossas florestas, mantém os torturadores impunes, não revêem uma política de drogas que só aumenta a violência, não punem os seus “colegas” corruptos, e aparecem sorrindo para as câmeras rodeado de guarda-costas? Essa é a hipocrisia do sistema.

Vemos isso com relação à ocupação da USP. Uma parte da mídia vende a ideia de que os “privilegiados” querem manter seus “privilégios” contra os “menos privilegiados” que, por serem “menos privilegiados”, não tem acesso ao “privilégio” da Universidade pública, gratuita e de qualidade, e que está sendo depredada por tais “privilegiados”, num ambiente “privilegiado”... Ou seja, vendendo a ideia de que a Universidade, de fato, deve se manter como um bem escasso, de alto custo, acessível apenas a poucas camadas da sociedade, de preferência apenas à burguesia – e, pior, que os estudantes ocupados defendem ESSE projeto de Universidade!

O comunismo, o socialismo, o anarquismo, o marxismo, etc. passam longe de serem pauta da educação brasileira. O capitalismo ergue-se, imponente, como a solução final para todos os problemas do mundo. O setor privado passa a controlar a comunicação, saúde, educação, transporte, alimentação, limpeza... A lista não tem limites. Às vezes “só” terceirizam partes, seções de instituições públicas, dividindo os trabalhadores e criando vínculos empregatícios por um lado muito tênues (entre empregador-empregado) e por outro muito fortes (empregador-governo). Isso permite que as empresas tercerizadoras (desde a Natura até as empresas de alimentação industriais) operem numa semi-legalidade constante, jogando com as leis trabalhistas e os trabalhadores como quem aposta num cassino.

Na escola de aplicação da USP, uma cartilha ensina sobre a "Propriedade". E ensina as crianças que os países que adotaram a propriedade privada conseguiram superar a miséria, países como EUA, Suécia, Japão, etc., e os que adotaram o socialismo acabaram na miséria, como URSS e Cuba. Nenhuma crítica aos EUA, cuja pobreza só aumenta, nem ao fato de que jornadas de 70h semanais são comuns no Japão, ou que na Suécia... Sei lá, faz frio pra cacete. Nenhuma menção ao fato de que Cuba acabou com o analfabetismo. De que a URSS saltou de um regime arcaico, quase feudal, para uma potência nuclear. Nenhuma menção às diferenças do regime. O grande valor: a "propriedade"!

Nós somos a primeira geração do Brasil democrático, filhos do neoliberalismo, e não estamos contentes com o resultado. A corrupção claramente não terminará enquanto não houver uma mudança radical na estrutura de poder. O coronelismo não acabou. A escravidão não acabou. A “representatividade” que a pequena-burguesia tem em seu altar elege, literalmente, um palhaço, pois é assim que o povo se vê frente à política: como um palhaço fazendo malabarismos num picadeiro, enquanto os empresários, os políticos e a burocracia se sentam na platéia, rindo de nós. Porém, a exploração não é piada. Os malabarismos são com a nossa própria vida. O trabalhador em condições precárias corre risco de vida todo dia de trabalho. E o patrão “corta custos” deixando de comprar equipamento de segurança e pagar treinamento adequado – se morrer um, tem cem na fila pra entrar no lugar mesmo, e que família pobre vai questionar? Nem dentro da USP, a morte de José Ferreira da Silva, trabalhador terceirizado morto durante o exercício de sua função, foi investigada. Pra isso, o aparelho investigativo da polícia não serve.

O Brasil “do futuro” é um Brasil que não tem mais possibilidades de conciliamento. As concessões salariais e pequenos avanços nas leis trabalhistas, num período de crise, não são uma possibilidade para a burguesia. Joga todo seu aparato repressivo contra a população, enquanto Camargo Correia, Odebrecht, OAS, a indústria de telecomunicações, os conglomerados do ensino particular e os pequenos e médios empresários do setor de terceirização seguem com lucros garantidos, baseados na superexploração e precarização do trabalho.

A classe trabalhadora, por sua vez, que tinha depositado suas esperanças nas privatizações, no avanço da tecnologia, no triunfo da ciência, no domínio do homem, vê os governos aprovarem pacotes de austeridade, cortar o orçamento da saúde, educação e segurança social, e reprimir greves de trabalhadores com a ajuda dos aparelhos repressores (polícia, bombeiros, exército). A luta de classes continua. O movimento Ocupa Wall Street, no “ground zero” do imperialismo americano, se questiona: “por que somos 99% da população nas mãos de 1%?”. O povo começa a flexionar os músculos, a criar novamente confiança em suas forças, após décadas de ataque neoliberal. O trabalhador se politiza e passa a se perguntar se há outro caminho.

Que há outro caminho, temos certeza. Vemos no dia a dia opressão, repressão, morte, sofrimento, preconceito, miséria, guerra e violência, no Brasil e no mundo. Está na hora de revolucionar. Às ruas!

Caio Rearte - militante da Juventude ÀS RUAS e estudante de Ciências Sociais da USP

Carlos Latuff: "Todo apoio à ocupação da reitoria da USP pelos estudantes"


Fora PM da USP!

Prof. Luiz Renato Martins apóia Ocupação da USP


Professor Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicação e Artes da USP em apoio à Ocupação da Reitoria e à luta pelo FORA POLÍCIA. Vejam vídeo que a imprensa gravou mas não mostra, legitimando o movimento de ocupação dos estudantes e dando total apoio a esta luta.

Marcelo Pablito, diretor do SINTUSP desmascara reitoria da USP


Marcelo "Pablito" Santos, diretor do Sindicato de Trabalhadores da USP denuncia a Reitoria da Universidade de São Paulo por difamação pública. Vejam vídeo que a imprensa gravou mas não mostra, demonstrando a falácia da Reitoria que diz que a presença da PM na USP foi aprovada "democraticamente" entre todos os setores da universidade.

Bruno Gilga defende ocupação da FFLCH/USP e Fora PM!

Bruno Gilga, da Juventude Às Ruas e estudante da Ciências Sociais da USP, em histórica assembléia com mais de 1.000 estudantes, defendendo a manutenção da ocupação da FFLCH contra a burocracia estudantil do DCE, dirigida pelo PSOL, que contava com o apoio do PSTU. Os setores que rechaçaram a manobra de enterrar a luta pra garantir o calendário das eleições estudantis e não ter que levar até o final o combate a PM na USP, reestabeleceram a assembléia após o PSOL e PSTU se retirarem e votaram a proposta já encaminhada à mesa de ocupação da Reitoria da USP. Fora a PM da USP, dos morros e das favelas! Abaixo o convênio Reitoria da USP e PM! Pela retirada de todos os processos contra estudantes e trabalhadores! Não à expulsão do Núcleo de Consciência Negra! Todo apoio à greve dos trabalhadores e estudantes da Unicamp!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Nota da ocupação da Reitoria da USP: Apoio dos professores Chico de Oliveira e Luis Renato Martins à ocupação


Após declaração à imprensa demonstrando total apoio à ocupação do prédio da reitoria, os professores Chico de Oliveira e Luis Renato Martins, junto a diretores do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e estudantes do movimento de ocupação da reitoria contra a repressão, estão se dirigindo ao prédio da administração da FFLCH para realizar a certificação da integridade do espaço antes de sua desocupação. Em breve, publicaremos uma nota oficial sobre a desocupação do prédio da faculdade.

Venham para a ocupação da reitoria lutar contra o convênio PM-USP e pela retirada dos processos contra lutadores! 

“Um grupo de estudos de cultura e materialismo histórico tem que tentar entender a conjuntura mundial”

Reproduzimos excertos da entrevista no Jornal Palavra Operária com o professor de Literatura da USP, Daniel Puglia, que participa do grupo de estudos de cultura e marxismo, uma iniciativa da Juventude às Ruas e independentes.

JPO: Qual a importância de um grupo de estudos de cultura e marxismo na Letras?

DP: A importância do estudo e de formar um grupo de pessoas que se interesse pelo materialismo histórico atende algumas preocupações: evitar o sectarismo, dogmatismo e autoritarismo. E aqui estou falando da esquerda.
Em relação à importância do materialismo histórico para a cultura: grande parte da esquerda se apropriou de duas ou três palavras de cartilha do materialismo histórico e a partir daí começou a querer entender como a cultura acontecia. Quando Marx e Engels analisam o que está acontecendo do século XVIII para o XIX, procuram entender as várias manifestações culturais e cientificas em um leque amplo. Espanta muita gente a quantidade de elogios e colocações sérias que Marx e Engels fazem sobre Adam Smith e David Ricardo, nomes importantes da economia clássica. Também olham para os socialistas utópicos franceses e falam: “cabe a nós continuarmos a partir do que eles trouxeram”. Têm muita gente hoje que se arrepia ao ouvir o nome de Kant e Hegel. Mesmo na academia, muitos dos que se reivindicam marxistas falam que Hegel tem que ir pra lata do lixo. Isso é absurdo. Grupos de formação tem que resgatar essa tradição, para não sermos dogmáticos, sectários e parciais. O que não significa dizer que “vale tudo”. Não, ao contrário. Para ter firmeza dos seus princípios tem que conhecer essa tradição.
A cultura tem em si um principio democratizante muito forte pois envolve como as pessoas interpretam e refletem sobre a vida num momento histórico. Então, se temos uma visão muito dogmática da cultura, corremos o risco de pensar que cultura é aquilo que se faz nas altas esferas, só “alta cultura”, é uma visão fetichista.
Um erro é pensar em estudar apenas cultura, sem estudar a vida real das pessoas. Todos nós sentimos que algo está acontecendo. Não é fim do neoliberalismo, pelo contrário. As empresas e bancos americanos estão com muita liquidez, mas não colocam esse dinheiro em circulação: é a maximização do lucro. Os governos resgataram as instituições financeiras e o capital. Há cada vez mais pessoas desempregadas ou subempregadas que não estão consumindo. Um grupo de estudos de cultura e materialismo histórico tem que tentar entender a conjuntura mundial, econômica.
Temos que lidar com um conceito de cultura mais amplo. Muitas vezes se corre o risco de falar nas humanidades algo como: eu sou especializado em Carlos Drummond de Andrade, e aí você se especializa e esquece do mundo. Nem mesmo especialista em Carlos Drummond de Andrade você vai ser, porque em última instância o que aparece na obra dele é o mundo.


JPO: Como o marxismo é tratado na universidade, na academia? Como você vê isso?


DP: O marxismo na academia é compartimentado. Tem uma parte, digamos assim, mais “chique” do marxismo, e a academia ficou com a parte mais “chique” do marxismo. Mas para você ter uma boa noção da leitura da cultura a partir do ponto de vista marxista é importante você não esquecer a economia; para você não esquecer a economia é importante você não esquecer a política; para você não esquecer a política é importante você não esquecer a filosofia. E já está presente no próprio Hegel um desrespeito – no melhor dos sentidos – pela divisão estrita. E tem um pouco do Kant lá atrás que é “ousar saber”.
Uma outra oportunidade de grupos de estudo como esse é da academia olhar pra fora dela. Não adianta não reconhecermos o quanto somos privilegiados e estamos numa ilha, ficar refletindo demasiadamente sobre os problemas dessa ilha, achando que é o universo. Ela não é. Lá fora estão acontecendo outras coisas num outro ritmo, e a gente precisa estar atento a isso. É uma coisa sensível para muitos de nós: a militância real e o engajamento real, eles não acontecem na academia.


JPO: Como você o papel da intelectualidade e dos estudantes diante dos conflitos operários que estão acontecendo, e também diante do cenário internacional?


DP: Eu acho que a importância de ter esta formação é, em primeiro lugar, não atrapalhar. Porque é muito fácil você ser um revolucionário de sala de aula. Na maior parte do tempo os trabalhadores cerebrais, o público estudantil mais privilegiado, universitário, não necessariamente vai estar na luta de uma maneira progressista. Por outro lado, no que ele vai ter um papel? Com a divisão social do trabalho, alguns grupos sociais recebem um tipo de conhecimento que é vedado à maioria da população. Por outro lado, esta recebe alguns conhecimentos que também são vedados a estes trabalhadores cerebrais “encastelados”. Quando você faz o contato entre eles, aí você ajuda a fazer um intercâmbio de idéias.
Esse é o papel dos estudos, das conversas. Saber que ninguém é tão estúpido que não perceba o seu entorno. Também ninguém é tão especial para ter já o horizonte de todo o futuro da humanidade.

culturaemarxismo.wordpress.com

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lênin na FFLCH e Reinaldo Azevedo de roupão

Não há mais tolos boquiabertos
 esperando a palavra do "mestre".
Dai-nos, camaradas, uma arte nova 
- nova - 
que arranque a República da escória. 
(Maiakovsky – Ordem n°2 ao Exército das Artes)  

Reinaldo Azevedo posando em foto com José Serra

Saiu na mídia em tom de deboche, que os estudantes da FFLCH estavam na suas atividades de ocupação, discutindo além das questões referentes a legalização das drogas, o livroO Estado e a Revolução de Lênin. "Ora, mais estes estudantes! Param a universidade para fumar um banza e ficar conspirando como vão tomar o poder!". Era este o conteúdo de fundo. 

Em alguma poltrona confortável, não muito longe das redações destes grandes jornais, Reinaldo Azevedo (colunista da Revista Veja), no seu blog com ares de publicista moderno atacava na mesma linha - só que bem mais clara - de que está na hora de expulsar e prender não só os estudantes ocupados mais também os malditos professores que não estão chamando a reintegração de posse e capitulam perante os que "vivem no século XIX".

Azevedo escreve de maneira bem mais clara não porque o texto sai no seu blog pessoal, e lá ele faz o que quiser. Ingênuo de quem olha para ele vê simplesmente um intelectual bonachão que quer combinar o chapéu com a casacaantes de sair de casa e fica polemizando com todo mundo para solucionar o seu ego inflado. Representa sim um setor social concentrado da burguesia paulistana que quer varrer do câmpus do Butantã toda organização política em torno do SINTUSP e dos estudantes que lutam contra a universidade elitista que é a USP hoje. 

A presença da polícia militar na universidade para ele não têm nada a ver com a segurança mais sim como forma de intimidação a qualquer tipo de ação e organização destes trabalhadores e estudantes. A USP para estes grandes empresários, que gracejam para Azevedo no lançamento dos seus livros é o laboratório já todo custeado pelos impostos dos trabalhadores onde vão poder economizar milhões. Laboratório não só científico mais político, onde se testa neste momento, por exemplo, até onde as forças repressivas ainda podem se impor a sociedade brasileira, com uma ditadura militar recente que tenta ser apagada a todo custo da memória dos trabalhadores, dos estudantes e da nova intelectualidade que esta se forjando.

Do outro lado os estudantes ocupados, que tem amigos "menos influentes", alguns professores, o SINTUSP e as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da limpeza que estão começando a se levantar contra o regime de semi-escravidão desta USP que está muito longe de estar acima da sociedade. Quem tenta manter a USP longe da sociedade e dos trabalhadores não são os estudantes mas a reitoria e a burocracia acadêmica. Estas querem mantera pólis segura. A elite ali andando de terno e gravata e o restante lá fora, para fora do P1. Se alguém de fora entrar tem de ficar em silêncio e de cabeça baixa pelos corredores, sem conversar com os estudantes e com os outros trabalhadores. (regulamento imposto às trabalhadoras terceirizadas!).

Azevedo usa sua "inteligência" para defender este projeto de universidade, usa sua agudeza provocativa para enriquecer os reis da mina. Centenas de estudantes escolhem o outro lado. Seus corpos e seu conhecimentocontra os exploradores. Discutem nos saguões da FFLCH as verdades mais cruas, estampadas no convívio social ha já alguns milênios e que no século XIX (sem aspas) com o marxismo "tomou corpo didático": 
"De onde vem a necessidade de corpos especiais de homens armados (polícia, exército permanente), separados da sociedade e superiores a ela? Os filisteus da Europa ocidental e da Rússia respondem, muito naturalmente, a essapergunta, por uma ou duas frases colhidas em Spencer ou em Mikhailovsky, e alegam a complicação crescente da vida social, a diferenciação das funções sociais, etc. Essas alegações parecem "científicas" e tranquilizam admiravelmente o bom público, obscurecendo o principal, o essencial: a cisão da sociedade em classes irreconciliavelmente inimigas" - Lênin - O Estado e a Revolução.

 Simples para quem quer ver. A juventude tem de tomar das mãos destes intelectuais de roupão os teclados para denunciar a opressão e exploração do Estado Capitalista! Questionar a universidade de classes para questionar a sociedade de classes!

Todo apoio a ocupação da diretoria da FFLCH!
Abaixo a militarização da USP e das periferias!
Pelo fim dos processos aos estudantes e trabalhadores do SINTUSP!
Por uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!


 Por   Antonio Quiozini - militante da Ler-qi e da Juventude ÀS RUAS


sábado, 29 de outubro de 2011

DA OCUPAÇÃO DA FFLCH/USP – JUVENTUDE ÀS RUAS


Basta da repressão de Rodas! É hora de construir um grande movimento contra o projeto da reitoria!

No dia 27/10, a PM, que há meses revista e prende estudantes e trabalhadores na USP, com justificativas como “ter olhado feio”, tentou prender mais 3 estudantes. Quase mil estudantes se organizaram para impedir, e a PM respondeu com cassetetes, bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula, deixando vários feridos. Em resposta, os estudantes decidiram ocupar a administração da FFLCH, contra a PM e os processos políticos a estudantes e trabalhadores.

Rodas: reprimir para precarizar e privatizar!

Rodas se utilizou da morte de um estudante para consolidar a presença ostensiva da PM no campus, com o pretexto da segurança. Trazer segurança é abrir radicalmente a universidade para que seja ocupada e usufruída pela população, o povo pobre e a juventude negra, que só entra na USP pelo trabalho precário, nunca pra estudar, e que a PM massacra cotidianamente nas periferias. A PM, ao contrário, entra na universidade para mantê-la elitista - dissolvendo greves, como tentou em 2009, e reprimindo aqueles que lutam por uma universidade pública e democrática – e racista, abordando e expulsando prioritariamente jovens negros, o que a reitoria racista combina com a ameaça de molição do Núcleo de Consciência Negra da USP, único espaço que, há décadas, debate a questão negra na universidade. FORA PM!

Além da PM, a reitoria reprime com processos administrativos e criminais que indicam a demissão por justa causa, por participação em atos políticos, de dirigentes do SINTUSP e ativistas – entre eles os únicos votantes contrários à entrada da PM no campus no conselho gestor -, e a eliminação de um estudante por lutar por políticas de permanência estudantil e vagas no CRUSP, se apoiando em um decreto formulado em 1972, durante a vigência do AI-5! REVOGAÇÃO DE TODOS OS PROCESSOS AOS LUTADORES!

A repressão está a serviço da implementação de um ataque estratégico à universidade, com demissões, terceirização e precarização do ensino, privatizando a USP. Rodas implementa esse projeto apoiado em uma estrutura de poder autocrática e em um estatuto da ditadura. Para combater a repressão, é preciso combater o projeto a cujo serviço ela está, e a estrutura de poder que a implementa. FORA RODAS! DISSOLUÇÃO DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO! POR UMA ASSEMBLEIA ESTATUINTE LIVRE E SOBERANA!

O setor dos professores da FFLCH que representam a burocracia universitária, e que sempre estiveram contra o movimento em defesa da universidade, como na greve das trabalhadoras terceirizadas da União por seus salários de miséria atrasados, no dia 27 se puseram a negociar com a PM para que os estudantes assinassem o B.O.. Buscaram a todo custo dividir os estudantes, jogando uns contra os outros. No fim, entregaram os estudantes para a polícia. FORA SANDRA NITRINI, diretora da FFLCH!

A gestão do DCE entrega estudantes para a polícia!

A gestão do DCE, dirigida pelo PSOL, após reunião de mais de meia hora a portas fechadas – por um cordão formado entre eles e a guarda universitária! -, se incorporou à política da burocracia universitária que coagia os estudantes a irem para a delegacia, e formou um corredor humano para escoltar os 3 estudantes para dentro da viatura! É um salto na política de não tomar qualquer medida para defender os estudantes perseguidos, tendo uma coexistência pacífica com a implementação do projeto da reitoria, e trabalhando contra a organização do movimento estudantil, deixando de convocar assembleias frente aos ataques de Rodas. Não à toa a ocupação teve que tomar medidas para impedir que essa direção se alçasse sobre o movimento, como impedi-la de assumir responsabilidade pela comunicação. Ainda assim, a gestão do DCE (PSOL) dá entrevistas à imprensa com posições que são suas, e não do movimento! Só faltou defender a instalação na USP das UPPs que o PSOL passou a reivindicar no morro do Alemão!

O DCE é a entidade dos estudantes da USP. Todos os seus recursos, finanças, contatos e diretores devem estar a serviço do movimento de ocupação e das resoluções que os estudantes tomem, sob estrito controle das assembleias. Devem construir os atos e assembleias convocados pelo movimento, e estar a serviço de ganhar apoio e massificar a luta contra a repressão e o projeto de Rodas.

O PSTU, que está na direção de alguns CAs, tem seguido integralmente a política da gestão do DCE, se negado a criticá-la (!), e votado em sua defesa. Chamamos os companheiros do PSTU a romper com essa política de aproximação do PSOL a qualquer custo, e com a defesa da linha da gestão do DCE, para que possa estar efetivamente ao lado da ocupação. Que convoque assembleias de curso de emergência desde as entidades que dirigem, como o CAELL e o CAHIS, para organizar e massificar o movimento nos cursos. O mesmo vale para a gestão do CEUPES, na Ciências Sociais, que teve diretores escoltando estudantes para o a delegacia junto com o DCE!

As estratégias que não combatem a reitoria

Por um lado, a gestão do DCE (PSOL), seguida pelo PSTU, defende uma universidade segura, sem questionar verdadeiramente seu elitismo e falta de democracia, e por isso faz parte de sua estratégia negociar pequenas reformas nos instrumentos de repressão e tratá-las como “vitórias”. Por outro, correntes como o MNN, que se mantiveram completamente ausentes das lutas do último período, como a greve das terceirizadas da União, e parte dos setores que se reivindicam “autonomistas”, vêm a ocupação como um fim em si, como se por si mesma fosse expulsar a PM e revogar os processos, e por isso mesmo não dão um combate real contra a burocracia do DCE, ou seja, contra o apoio que ela tem em um amplo setor de estudantes.

Massificar o movimento a partir da ocupação!

Para servir ao combate à reitoria, a ocupação deve ser, primeiro, um polo para massificar-se num grande movimento em toda a universidade, se ligando aos estudantes nos cursos e nas salas de aula, a partir de assembleias de curso.
Em segundo lugar, unificar-se com outros setores em luta, num movimento estadual, como os trabalhadores da USP - se integrando ao Comitê Unificado contra a Repressão, convocado pelo Sintusp e integrado por dezenas de entidades e intelectuais -, e dando TODO APOIO aos trabalhadores da UNICAMPque estão em greve por isonomia salarial, questionando esse mesmo projeto de universidade, e organizando a convocação de um encontro de estudantes e trabalhadores da três universidades estaduais. E é preciso construí-lo desde a ocupação e as assembleias de curso, votando delegações. Chamamos também a ANEL a impulsioná-lo em todo o estado, bem como o PSOL que está na diretoria do Sindicato dos Trabalhadores e do DCE da UNICAMP , para realizá-lo com a maior urgência, de modo que que sirva para unificar os setores em luta!

Fora PM, da USP, dos morros e favelas!

É preciso questionar o conteúdo de classe da universidade e se ligar a todos os setores reprimidos pelo Estado, e à juventude que não tem acesso à universidade: nosso “Fora PM!” deve ecoar o grito da juventude pobre massacrada nas periferias, da população violentada pelas UPPs nos morros, dos ambulantes reprimidos no centro, dos trabalhadores assassinados no campo; deve aproveitar as condições da universidade para denunciar o papel cumprido pela polícia, suas milícias e torturadores, que levam adiante um verdadeiro genocídio estatal para conter a insatisfação e as contradições geradas pelo próprio capitalismo.

Construir uma fração combativa no ME! Por uma campanha militante nas eleições estudantis!

É preciso construir, a partir dessa luta, uma grande fração do movimento estudantil, que se ligue aos trabalhadores, à juventude e aos setores oprimidos para combater a política de Rodas. As eleições estudantis podem jogar contra esse objetivo, levando o ME a campanhas despolitizadas, disputando votos por fora da tarefa urgente de combater a PM, os processos, o PROADE e as demissões, a precarização do ensino, a terceirização e a privatização do conhecimento. Chamamos os estudantes que queiram atuar na contramão dessa tendência a construir conosco chapas de combate ao projeto de Rodas, para levar a frente uma grande campanha militante nas eleições estudantis!

Juventude Às Ruas – LER-QI e independentes

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Juventude às Ruas ao lado dos trabalhadores da Unicamp em greve, por uma universidade que esteja a serviço dos trabalhadores e do povo pobre!



Há uma semana os trabalhadores da Unicamp decidiram decretar greve contra as políticas de ataque que a Reitoria vinha implementando no último período. Para a Reitoria os trabalhadores não possuem nenhuma importância para o funcionamento da Universidade, e isso se demonstrou quando quebrou o acordo de isonomia salarial (direito de receber o mesmo salário, pelo mesmo serviço, tendo o mesmo empregador) que havia sido firmado concedendo reajustes salariais somente para professores.
Nós, da Juventude às Ruas, nos colocamos desde o primeiro momento ao lado desses trabalhadores em greve, nos solidarizando com essa luta pela isonomia que, mais do que justa, vem acompanhada de uma luta contra a repressão aos lutadores, pelo direito de greve (que vem sendo minado pelo governo Dilma, vide a greve dos Correios), de lutar por seus direitos. Estivemos junto a esses lutadores prestando solidariedade ativa a essa greve, com cartazes de apoio e falas que mostravam que essa luta deve ser uma só, travada com aliança entre os trabalhadores e os estudantes, pois sabemos que a reitoria que ataca os salários dos trabalhadores e ataca também seu direito de greve, ao processar criminalmente 9 deles pela greve de 2010, é a mesma reitoria que ataca os estudantes. Ataca também mulheres, jovens, pobres e negros que são diariamente explorados pela terceirização, que lhes impõe a vil precarização da vida! Uma universidade onde os trabalhadores só possuem espaço para ocupar precárias condições de trabalho!
Expressão disso ocorreu ha pouco tempo quando os trabalhadores terceirizados do bandejão também paralisaram contra as péssimas condições de trabalho às quais estão submetidos. Isso mostra a real necessidade da efetivação, sem concurso público, desses trabalhadores, e da necessidade de que os trabalhadores efetivos junto ao Sindicato dos trabalhadores da Unicamp tomem para si essa luta, que significa lutar pela unidade dos trabalhadores, a exemplo das lutas que tem travado o SINTUSP!
Exigimos por isso em primeiro lugar o imediato atendimento por parte da reitoria da reivindicação da isonomia salarial, sem que isso seja um ataque futuro, como fizeram na USP, oferecendo um plano de carreira que implementava uma série de ataques contra os trabalhadores,  como os que vimos na UNICAMP com G34, estágio probatório e uma série de manobras no sentido de abrir espaço para perseguições, assédio moral e repressão. Não deixaremos passar nenhum ataque e repressão que possa vir contra a greve que está em curso! Em defesa de uma real aliança operário-estudantil, contra as punições, pela isonomia salarial já, e pela efetivação sem concurso público dos terceirizados! Infelizmente na assembléia geral dos estudantes o PSOL (do DCE) e PSTU não tiveram acordo em construir imediatamente um comitê em solidariedade aos trabalhadores! Mas nós vamos continuar dialogando com todos estudantes e com todos os CAs a necessidade de um comitê para organizar nossa solidariedade ativa aos trabalhadores e aumentar a mobilização, discutindo em assembléias nos institutos a possibilidade de paralisar nossas aulas, com alguns indicativos de greve, para colocar todas as nossas forças a serviço dos trabalhadores. ÀS RUAS!