Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Rodas: “persona non grata” da repressão e precarização da universidade!

Nas últimas semanas, a USP voltou a ocupar as páginas dos jornais depois que a Faculdade de Direito declarou o REItor Rodas “persona non grata”.Por trás dessa rixa em que diferentes alas da burocracia acadêmica trocam acusações sobre quem destruiu mais a biblioteca e a faculdade, quem levou mais tapetes orientais para seu gabinete, ou da polêmica sobre o Clube das Arcadas, um empreendimento milionário em parceria com estado e empresas, em que até o Centro Acadêmico XI de Agosto está envolvido, está o fato de que, nesse momento, a reitoria prepara um ataque estratégico contra a universidade, que combina privatização, precarização e repressão política.
Primeiro, Rodas precisava impor a presença da polícia no campus. Se utilizou da morte de um estudante da FEA, instaurando um clima de medo junto à mídia. A PM que protagoniza um massacre ao povo negro nas periferias não traz segurança, e sim repressão, como vimos em 2009, quando tentou dissolver uma greve com bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula. A PM hoje faz rondas ostensivas nas ruas e dentro das unidades, aborda e revista trabalhadores e estudantes, e já prendeu estudantes em frente ao espaço estudantil da Poli!
Como parte da repressão ao movimento, Rodas pretende destruir de uma vez por todas o Sintusp, um polo fundamental da resistência a seu projeto elitista e racista de universidade, e expulsar estudantes que estiveram nas lutas. Depois da demissão inconstitucional de Brandão em 2008 por apoiar as lutas dos trabalhadores terceirizados, hoje lança mão de um processo que indica a demissão por justa causa de 4 diretores do Sintusp e duas ativistas! E também a “eliminação” definitiva do estudante Rafael da universidade – já expulso do CRUSP com a ajuda da PM -, por ter participado de mobilizações dos trabalhadores e por permanência estudantil, vagas para todos no Crusp e contra a vigilância policialesca da Coseas. O processo se baseia em um decreto do regimento da universidade datado de 1972, ou seja, que hoje é resgatado das entranhas da Ditadura Militar. Não surpreende que na USP se queira erguer um monumento aos cassados da “Revolução” de 64! 
“Como o PROADE ainda não passou, estamos usando as portarias anteriores...o PROADE é ainda pior do que as portarias” –Waldyr Jorge, Coordenador da COSEAS
Parte do “projeto Rodas” já começa a se implementar. 3 funcionários da Coseas foram demitidos sem “justa causa” nos últimos dias; as demissões ocorrem por reclamações contra as condições degradantes de trabalho nos restaurantes, em base a portarias internas, buscando naturalizar essa prática, que será aprofundada com o PROADE, Programa de Acompanhamento do Desempenho Funcional, que institucionaliza o assédio, a perseguição e as demissões. 
Lembram que em 2010 foi votado o aumento em 85% da verba voltada à terceirização, que já escraviza 4000 trabalhadores na USP? E reduzida a parcela orçamentária para pagamento de funcionários em 10%? Para terceirizar, é preciso demitir. E sabemos que com essas demissões perdemos também qualidade no ensino e no próprio funcionamento da universidade. A precarização do trabalho e do ensino são um processo único, de privatização da universidade.
A USP sobe no ranking da privatização
É com base nesse tipo de trabalho e de repressão que Rodas, o Conselho Universitário e o governo estadual do PSDB alcançaram a excelência dos rankings internacionais tão alardeados pela mídia nos últimos dias. São rankings baseados em critérios produtivistas, que medem a mercantilização da universidade. A USP está é subindo no ranking de policiamento, repressão política, acidentes de trabalho, precarização do ensino e semiescravidão!
O Movimento Estudantil tem um papel a cumprir!
Neste ano houve uma prova de fogo para o ME da USP: a greve das trabalhadoras terceirizadas da União. Essa luta partiu da demanda elementar pelo pagamento de salários atrasados e passou a exigir a efetivação, sem concurso público. Escancarou como a universidade de excelência, tal como o suposto “Brasil Potência” de Jirau, é sustentada por trabalho semiescravo. Abalou a reitoria e seu projeto, e foi um grande apoio para a defesa da universidade contra a privatização e a precarização. Não só impôs à reitoria que passasse por cima de decisão recente do STF, pagando os salários, mas estabeleceu uma situação em que outros terceirizados conquistam suas reivindicações com menos de um dia de paralisação, e reintegram um demitido, mesmo em período de experiência, com a mera ameaça de greve! Em lugar nenhum do país se vê nada parecido!
Esse é o critério central para um balanço de qualquer gestão: que linha política teve diante dessa luta? E, infelizmente, no caso da maioria das entidades estudantis, em particular o DCE, cuja gestão é integrada pelo PSOL, a resposta a essa pergunta é "nenhuma". Não somente nessa questão, mas frente à perseguição de estudantes no CRUSP, às demissões, à PM, a gestão do DCE, que propagandeia sua inserção e amplitude, não colocou essas forças a serviço de nenhum combate coma reitoria. Infelizmente, o ME dá muito menos peso a essa luta real contra a semiescravidão do que a suas campanhas e calendários. E não se trata simplesmente de uma questão de balanço: a crise que avança mundialmente nem bem chega ao Brasil e vemos um novo ativismo operário, com importantes greves nacionais, a que o governo Dilma/PT responde com duros ataques ao direito de greve, como parte de sua agenda de ataques às condições de vida do povo.
Para a nova situação que se abre no mundo, e tendencialmente no Brasil, precisamos também de um novo movimento estudantil, que se ligue profundamente a esses processos, em luta contra o governo, ligue suas bandeiras e demandas às da classe trabalhadora, unifique e radicalize suas lutas.
Por uma grande campanha contra a repressão política e a precarização da universidade!
A tarefa imediata de uma juventude que se coloque nessa perspectiva é pôr em pé imediatamente uma grande campanha em unidade contra a repressão e a precarização!
Fora PM! Revogação dos processos a estudantes, trabalhadores e ao Sintusp! Pelo fim da terceirização, com efetivação sem concurso! Abaixo o PROADE! Abaixo a reforma universitária e a precarização do ensino! Pela dissolução do Conselho Universitário, por uma assembleia estatuinte livre e soberana!
Nas eleições, unificar a esquerda em chapas de combate ao projeto de Rodas!
Aproximam-se as eleições para DCE e Centros Acadêmicos, e há boas chances de que sejam um obstáculo a essa campanha, com cada grupo buscando votos e autoconstrução por fora dessa tarefa urgente.
Nós, da Juventude Às Ruas, queremos que seja diferente. Consideramos os pontos de programa acima como um critério claro, a partir do qual fazemos um chamado a todos os estudantes independentes, aos lutadores do CRUSP que se enfrentam com a repressão da reitoria, coletivos que estão conformando chapas para as diferentes eleições, a discutir a unificação do movimento estudantil combativo em chapas de combate a esse projeto. Chamamos inclusive os setores ligados ao PSOL que estejam dispostos a romper com a linha política que mencionamos acima, e o PSTU, com quem impulsionamos conjuntamente a construção da ANEL, e ainda que tenhamos diferenças importantes, que seguiremos debatendo, acreditamos que não devem ser um obstáculo para discutir a conformação de chapas unificadas, pois consideramos que aqueles que estiverem dispostos a lutar por esses pontos não devem estar em uma disputa despolitizada, mas sim construindo uma grande campanha política, que se expresse também em uma campanha eleitoral militante contra a reitoria!

Transformar a indignação em um verdadeiro combate à burguesia e seus governos! É preciso se levantar!

A juventude tem um papel histórico a cumprir. Vigiada e punida, privada de educação de qualidade, cultura, arte, relegada aos piores empregos, sem poder exercer livremente sua sexualidade, a juventude, lutando contra tudo isso, pode ser a linha de frente da subversão da moral e da ordem imposta pela burguesia e seus governos.

Mundo afora, a juventude toma as ruas, se enfrentando com a polícia, para arrancar seu direito ao futuro, cada vez mais ameaçado pela crise. É preciso aprender com esses exemplos. O 15-O nasceu por iniciativa do movimento 15-M espanhol, cuja estratégia foi ocupar praças indefinidamente e resistir pacificamente à repressão policial. Os limites disso já começam a ficar claros.
Nesse momento, em que a crise mal chega ao Brasil e já não se vê a mesma estabilidade econômica, política e social dos anos anteriores, e o país é atravessado por greves operárias e um novo ativismo, a juventude precisa reconhecer claramente seus inimigos e seus aliados na luta pelo futuro. Somente em aliança com a classe trabalhadora, produtora de tudo, de modo independente de qualquer setor da burguesia ou de seu Estado, será possível derrubar essa ordem de miséria. Por isso nossa primeira tarefa é ligar nossas bandeiras e demandas às dos trabalhadores em luta, retomando seus métodos de greves e piquetes, fundir nossa mobilização com as greves em curso, como dos trabalhadores dos bancos e dos correios, cuja greve, duramente atacada pelo governo Dilma, acaba de ser encerrada por uma articulação entre o TST e a burocracia sindical do PT/PCdoB, polícia dos patrões no movimento operário.

Por uma educação a serviço da classe trabalhadora!

Um dos centros do 15-O é a reivindicação 10% do PIB para a educação. A educação está em situação de calamidade, e precisa de mais verbas. Mas não à toa os empresários do ensino também reivindicam 10% do PIB parta a educação; sabem que com o modelo atual esse dinheiro vai direto para seus cofres, através de programas com que o governo faz demagogia, como o PROUNI. Por isso, a luta por 10% do PIB para a educação precisa estar ligada à luta pelo livre acesso/fim do vestibular e pela estatização do ensino privado, pelo fim da repressão política e policial que as reitorias impõem a estudantes, trabalhadores e seus sindicatos, por uma educação sem trabalho terceirizados, que os trabalhadores terceirizados sejam incorporados sem concurso público ao quadro de efetivos, pela democratização radical das escolas e do controle sobre a produção de conhecimento nas universidades. Ou seja, ao questionamento de seu conteúdo de classe para que a educação possa ser colocada a serviço dos trabalhadores e da população.

É possível acabar com a corrupção e conquistar uma democracia real nesse sistema?
O governo Dilma se afoga nos escândalos de corrupção e desvios de dinheiro público. Ao mesmo tempo, quem mais capitaliza a luta contra a corrupção hoje é a oposição burguesa do PSDB/DEM. Isso é consequência do fato de que não é possível “limpar” as instituições dessa “democracia” degradada, pois elas próprias são podres, estão a serviço de manter os lucros da burguesia e a miséria da população. Os maiores roubos são legalizados, com a transferência de quase metade do PIB para 10 ou 15 mil grandes investidores que recebem os juros da dívida pública, enquanto as migalhas do governo para milhões de famílias pobres que sustentam essa riqueza com seu sangue não representam um vigésimo desse valor, e são propagandeadas como o “fim da miséria”. Não existe democracia real sob a ditadura do capital!

Brasil: ilusão de prosperidade enquanto continua a super-exploração, a miséria e repressão
Ainda que não tenha estourado grandes lutas de classe como vemos internacionalmente, já surgem algumas rachaduras sob as bases de sustentação do governo Lula/Dilma fundamentado no trabalho precário e que anuncia aos quatro ventos seu plano de cortes bilionários no orçamento dos gastos públicos e avanço das privatizações, como os aeroportos e correios. Para isto o governo Dilma foi duro e atacou os trabalhadores dos correios, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal cortando o ponto dos grevistas e ameaçando demissões.

Outra parte desta mesma realidade é a crescente repressão que enfrentam os trabalhadores, sobretudo a juventude. Em nome de um combate ao tráfico – para nós todas as drogas deveriam ser legalizadas – está se militarizando todo o Rio de Janeiro. As UPPs não são um ganho de cidadania. São as botas e armas da polícia cotidianamente reprimindo as festas, as reuniões, impedindo o povo de se organizar ou mesmo de se divertir. É preciso dar uma basta! Por isso a discussão que está colocada é: quais tarefas e qual deve ser a estratégia da juventude nesse novo momento histórico? Neste último mês vários setores saíram em greve, metalúrgicos, bancários, professores, correios tendo que se enfrentar tanto com a política de privatização e precarização do trabalho, como contra as burocracias sindicais, que são verdadeiros policiais dentro da classe operária, cumprindo o único papel de derrotar as greves e passar as políticas dos patrões e governo, sendo esses mesmos ataques que estão na vida da juventude sem emprego, sem uma educação de qualidade, “sem futuro”. Nesse marco, a luta da juventude deve ser em aliança com os trabalhadores, com independência da burocracia, patrões e governo, para de fato construir uma luta unificada contra um projeto de pais que só aprofunda a precariedade da vida!

Por uma juventude revolucionária!
Para impedir que se descarregue sobre nossas costas a crise dos capitalistas, que começa a bater as portas de um Brasil sustentado pela concentração de terras, pelo trabalho precário e terceirizado e pelo capital estrangeiro, é preciso forjar uma juventude que se alie à classe trabalhadora e aos setores mais oprimidos da população, enfrente o aparato repressivo do estado, se organizando com independência de classe, pois só assim arrancaremos nosso direito ao futuro!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

GREVE DE TRABALHADORES NA UNICAMP!


A luta pela isonomia é também contra a repressão e pela  efetivação dos terceirizados!  

Isonomia salarial: direito de receber o mesmo salário, pelo mesmo serviço, tendo o mesmo empregador. Ou, para as reitorias das Universidades Estaduais Paulistas: termo sem nenhum sig­nificado.
No último dia 18, os trabalhadores da Unicamp decidiram que não mais aceitariam esse ataque da reitoria, e deflagraram uma greve por tempo indeterminado, exigindo que a isonomia salarial entre a USP, Unicamp e UNESP seja retomada, tendo como base o salário dos trabalha­dores da USP. Nós, da Juventude às Ruas, nos colocamos desde o primeiro momento ao lado desses trabalhadores em greve, travando junto a eles essa batalha, nos solidarizando com essa luta pela isonomia que, mais do que justa, vem acompanhada de uma luta contra a repressão aos luta­dores, pelo direito de greve (que vem sendo minado a nível federal, vide a greve dos Correios), de lutar por seus direitos. Em seu primeiro dia de greve, os trabalhadores que aderiram à mesma se mostraram cheios de força e ânimo para lutar e convencer os outros trabalhadores que continu­aram em seus postos. Estivemos junto a esses lutadores prestando solidariedade ativa a essa greve, com cartazes de apoio e falas que mostravam que essa luta deve ser uma só, travada com alian­ça entre os trabalhadores e os estudantes, pois sabemos que a reitoria que ataca os salários dos trabalhadores e ataca também seu direito de greve, ao processar criminalmente 9 deles pela greve de 2010, é a mesma reitoria que ataca os estudantes, ao não permitir a permanência dos mesmos na Universidade, devido a falta de moradia, e ainda processa administrativamente os que lutam por esse direito. Ataca também mulheres, jovens, pobres e negros que são diariamente explorados pela terceirização, que lhes impõe a vil precarização da vida!
No mês de setembro, os trabalhadores terceirizados do bandejão também paralisaram contra as péssimas condições de trabalho às quais estão submetidos. Isso mostra a real necessidade da efetiva­ção, sem concurso público, desses trabalhadores, e da necessidade de que os trabalhadores efetivos junto ao STU tomem para si essa luta, que significa lutar pela unidade dos trabalhadores!
Todos esses ataques não são isolados à reitoria da Unicamp. Fazem parte de um projeto de Universidade que está hoje colocado para nós, projeto este de uma universidade elitista que quebra a isonomia salarial dos trabalhadores e os divide entre efetivos e terceirizados; que persegue politicamente e reprime estudantes e trabalhadores que se colocam em luta; que está a serviço não da grande maioria da população, mas sim de uma ínfima minoria, a burguesa detentora do capi­tal, que decide para onde vai todo o conhecimento produzido por esses “centros de excelência”; que impede, utilizando o vestibular, a juventude pobre e negra de estar dentro da universidade para estudar, permitindo a apenas alguns poucos jovens brancos de classe média fazer parte dessa elite intelectual; ou seja, é o projeto de uma universidade que serve apenas aos lucros dos grandes, da burguesia, e que cresce em base ao esmagamento da maioria, da juventude, dos trabalhadores. Queremos que essa universidade que funciona por dentro deste projeto venha abaixo!

Não deixaremos passar nenhum ataque e repressão que possa vir contra a greve que está em curso! Em defesa de uma real aliança operário-estudantil, contra as punições, pela isonomia salarial já, e pela efetivação sem concurso público dos terceirizados! Viva a greve dos trabalhadores da Unicamp! Juventude, estudantes e trabalhadores: ÀS RUAS!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

SURGE A JUVENTUDE ÀS RUAS!

Mais de 150 jovens estudantes e trabalhadores estiveram presentes no dia 9 de outubro na Plenária de lançamento da Juventude As Ruas, composta por militantes da LER-QI e estudantes independentes de diversas universidades de SP, RJ e MG.

Frente aos novos tempos que se abrem marcados pelo avanço da crise capitalista e o desenvolvimento de fenômenos da luta de classes no cenário internacional, somado com incipientes mobilizações de trabalhadores e estudantes na conjuntura nacional, foi colocado o desafio de forjar uma alternativa revolucionária para preparar a juventude a uma nova etapa histórica que começa a se desenvolver, em que a fase de ataques do neoliberalismo, com precarização do trabalho e superexploração, começam a ser questionados pelas mobilizações dos trabalhadores e a juventude, do Oriente Médio à Europa, e também na América Latina, marcada pela luta recente do movimento estudantil chileno. Estes são processos que reafirmam e reatualizam a época de “crises, guerras e revoluções”.

André Bof da USP abriu a atividade expressando o papel estratégico que a juventude tem a cumprir na sua aliança com os trabalhadores a partir das principais greves em curso como em Bancários e nos Correios. Reafirmou a necessidade da juventude questionar o projeto de Brasil “Potência” constituido pelo Lulismo e o Petismo no último período, que segue com Dilma, evidenciando-se cada vez mais que sua estrutura se fundamentado ao trabalho precário, a repressão do Estado e sua polícia ao povo negro, o ataque as questões democráticas e a manutenção de uma universidade para atender os interesses dos monopólios e dos grandes capitalistas.

No mesmo sentido Ana Carolina do RJ complementou: “O Movimento Estudantil cumpre um papel determinante na luta de classes, ao passo que se ligue a setores amplos da juventude e dos trabalhadores”, mostrando que a aliança operária-estudantil pode fazer com que os bancários e ecetistas vençam o governo Dilma, superando os entraves postos pela burocracia sindical. Ana Carolina também denunciou o papel da UNE como uma burocracia estudantil incapaz de forjar uma aliança com os trabalhadores, que revelou-se totalmente na recente vinda de Camila Valejo do PC Chileno ao Brasil como parte de um plano para fazer com que as intensas mobilizações estudantis que se desenvolveram no Chile nos últimos meses retrocedam. Além disso, demonstrou como faltou articulação para unificar o recente processo de mobilizações nas Universidades Federais por parte da esquerda, onde tanto o PSOL quanto o PSTU que estão na direção de várias entidades foram incapazes de ao menos chamar um Ato que unificasse as lutas.

Ainda na abertura, falaram os bancários em greve do Movimento 7 de abril que saudaram o agitado plenário e reivindicaram o papel que a Juventude as Ruas vem cumprindo na conformação de uma aliança dos estudantes com os trabalhadores em greve. Expressando-se na seguinte fala de Marco, jovem bancário: “Meu colega disse que é a primeira vez que ele faz greve e nunca tinha visto algo como vê com o pessoal aqui. Eu digo que já fiz greve, três vezes e também nunca tinha visto nada parecido". Pablito, Diretor do SINTUSP e dirigente da LER-QI, também fez uma intervenção retratando o novo momento que passa a categoria de trabalhadores da USP a partir do novo ataque da Reitoria, o PROADE, que mesmo não concretizado já impulsiona uma série de demissões de funcionários em vários setores, para além da abertura de processo administrativo que pede a demissão por justa causa de vários integrantes do Sindicato, como o próprio Pablito.

Julia da USP encerrou a primeira parte da plenária reivindicando que a partir da aliança com os trabalhadores, e a defesa incondicional de sua independência política, a juventude deve ter uma luta intransigente em relação a todas as questões democráticas. Em sua fala disse que o machismo e a homofobia também são formas que a burguesia usa para dividir as fileiras da classe operária, e que é tarefa da juventude lutar contra a ingerência do Estado nos seus corpos e mentes, defendendo o aborto seguro, legal e gratuito e a liberdade sexual.

A segunda parte da Plenária foi aberta a partir de contribuições escritas por estudantes da FSA, da UFRJ e da PUC-SP. O debate se desenvolveu de forma bastante profunda acerca de diversos temas que se colocam para juventude como a legalização das drogas, o combate a indústria cultural, a ditadura da beleza quem oprime sobre tudo às mulheres e principalmente a necessidade de lançar a mão de um programa anti-imperialista e internacionalista, em aliança com os trabalhadores, que lute pelas questões democráticas e pela superação desse regime baseado na opressão e exploração que é o capitalismo.

No final, reforçou-se a necessidade de intervenção nas greves em curso e no combate a burocracia sindical ligada aos interesses do governo. Foi aprovado uma exigência a ANEL e a Oposição de Esquerda da UNE, que ao invés de girar toda a suas forças e aparato a campanhas super-estruturais como o Plebiscito dos 10% do PIB a Educação, por fora dos processos reais da luta de classes, construa atos nacionais em solidariedade a greve dos bancários e dos correios. Desde a Plenária foi chamado a realização de um ato nessa terça feira na Avenida Paulista em SP como parte dessa resposta fundamental que juventude tem que tomar para si.



Foram também aprovadas uma Campanha em Defesa do Sintusp e de todos os lutadores que sofrem repressão, uma declaração de repúdio a homofobia tendo em vista a mais recente agressão que novamente um casal homossexual sofreu na Av. Paulista e também a necessidade de intervir na Semana da Consciência Negra defendendo a auto-determinação do povo negro e o combate a repressão do Estado. Além disso, foi votado a construção de um Ato em Homenagem aos 94 anos da Revolução Russa no mês de novembro na USP, onde será lançado o Manifesto Programático da Juventude ÁS Ruas.

A Plenária se encerrou com uma saudação de Beatriz Bravo, militante da Las Armas de la Crítica e e do PTR (organização irmâ da LER-QI no Chile), relatando como foram os últimos meses de luta pela educação pública e gratuita em combate as heranças pinochetistas no regime Chileno.

Desde já fazemos uma chamados a todos os jovens estudantes e trabalhadores para a construção dessa alternativa revolucionária da juventude, e assumir o desafio apaixonante de conduzir o destino pelas nossas próprias mãos!

sábado, 1 de outubro de 2011

BOLETIM JUVENTUDE ÀS RUAS - RJ - SET-OUT/2011 O Movimento Estudantil desperta novamente!


             Nas ultimas semanas milhares de estudantes saíram em luta contra a precarização da educação em uma serie de ocupações de reitorias e greves nas universidades federais e algumas estaduais. Esse movimento não acontece isoladamente dos outros setores da universidade, e algumas delas trabalhadores e professores também se enfrentaram com as reitorias através de importantes greves. Essas ações concomitantes do movimento estudantil brasileiro ganham uma importância especial nos marcos de umas das mais importantes crises do capitalismo, no qual a juventude vem assumindo um papel central contra os ataques desferidos pelos seus respectivos governos, como o que vem ocorrendo em quase toda União Européia. Esse processo representa um novo despertar de uma juventude que resolveu dar um basta em um ensino e uma vida cada vez mais precarizados.

Procurando conciliar expansão precária de vagas nas universidades públicas em consonância com os interesses dos tubarões da educação privada, o governo petista - com o consentimento de sua fiel aliada a UNE - implementou sem maiores dificuldades uma série de ataques a educação brasileira, vendidos como concessões. No ensino universitário o PROUNI e o REUNI cristalizam essa ofensiva e o resultado foi: déficit enorme de professores, bolsas miseráveis e que atrasam sempre, falta de estrutura física, falta de bandejões, expansão dos cursos de pós graduação pagos, avanço do regime de terceirização entre trabalhadores.

UNE mais próxima das Reitorias e distante da luta dos estudantes!
A UNE em meio a esses processos se manteve distante. Isso está em perfeita consonância com o que foi seu último congresso, onde reafirmou seus laços com o governo federal, ao invés de armar a juventude para os próximos cenários de impacto da crise no Brasil. A UNE colocou-se ainda mais na contramão da juventude, quando em sua marcha apoiou Camilla Valejo, que no Chile quer retroceder na mobilização para negociar com o governo de Piñera, articulando via Confech (Confederação dos estudantes chilenos) a mediação dos parlamentares brasileiros para o conflito, reivindicando o modelo de educação brasileiro e tentando frear o processo chileno sem a garantia da demanda mínima, educação gratuita para todos.
A educação brasileira não é exemplo para os estudantes chilenos, mas sim o contrário, é a luta não qual nós brasileiros temos que nos inspirar. Esta semana mais uma vez 300 mil saíram novamente às ruas para mostrar a força da mobilização em defesa da educação gratuita, fazendo o governo retroceder na ameaça de finalizar o semestre fazendo com que milhares de estudantes perdessem o ano.
           A educação superior brasileira oferece a maior parte da juventude uma privatizada, com seu potente filtro social do vestibular que aniquila qualquer possibilidade dessa juventude aspirar uma vaga na educação pública.  A UNE defende o PNE do governo e nada diz sobre o corte de R$ 50 bilhões do orçamento e dos mais de 3 bi de corte na educação.

Não parar nas conquistas parciais, continuar em luta em solidariedade ativa aos trabalhadores em luta
Exemplos de luta surgiram em meio a esse conjunto de ocupações, como na UFPR e UFAL onde houve mobilização conjunta dos três setores, na UFF que as demandas estudantis se articularam com as demandas da população de Niterói.  A conquista da quase totalidade das pautas na UFPR, na UEM, na UFF, por exemplo, são conquistas importantes para o movimento estudantil brasileiro. Mas fiquemos atentos aos passos da burocracia acadêmica e do governo, as reitorias cederam, mas não retrocederam de sua política elitista de universidade.
As diversas lutas estudantis que afloram por todo o país – ainda que aconteçam concomitantemente- têm a importante debilidade de se manterem isoladas e desarticuladas entre si, se mantendo num limite das demandas específicas, ainda que justas, e carecendo de um plano de ação político comum que transformasse num movimento político real em defesa da educação, tarefa que cabia, sobretudo as direções destes processos, como o Psol (Oposição de Esquerda da UNE) e PSTU (ala majoritária na ANEL) que nada fizeram para unificar os processos. No RJ mesmo com a ocupação da UFF, atos na UERJ e mobilização na UFRJ, essas mesmas direções nada fizeram para articular estes processos entre si. Não podemos nos contentar em manter as lutas dentro de nossas universidades, a juventude tem que ser contra essa educação elitista, contra a precarização da vida imposta à juventude e a classe trabalhadora que não tem acesso à saúde, salários dignos, moradia, cultura e lazer. A luta pela educação tem que ser a luta pelo fim dos cursos pagos, pelo fim do monopólio privado da educação, estatização das universidades privadas e pelo fim do vestibular, em aliança com os setores luta da classe trabalhadora, como Correios e Bancários.
Os trabalhadores do correio estão em luta em meio ao processo de privatização e profundo ataque feito pelo governo Dilma a seu direito de greve. Além de cortar ponto dos grevistas estão sendo feitas contratações emergenciais para furar a greve. Não podemos permitir! Um ataque como este a uma importante categoria em luta é um empecilho também para nossa luta para conseguir mais verbas para a educação (como quer a campanha dos 10% do PIB para a educação). Isso reforça ainda mais a necessidade de unirmos nossas forças em apoio as categorias em luta.
A Anel que se propõe a reorganizar o movimento estudantil, a oposição de esquerda da UNE e cada estudante em luta tem a responsabilidade de não perder o espírito de luta que desenvolveu nas universidades, para armar um forte movimento que se coloque contra a privatização e em solidariedade ativa aos setores em luta, indo aos piquetes, assembléias, atos para junto impor uma derrota ao governo.

Todo apoio à greve dos Correios! Não à privatização!

Estivemos presentes nos atos e assembleias dos trabalhadores/as dos Correios levando solidariedade aos grevistas que lutam por melhores salários e contra condições precárias de trabalho. Nos colocamos ativamente em apoio à luta contra a privatização dos Correios pelo governo Dilma, contra o corte de ponto e contratação de fura-greves, e por isso juntos gritamos: Atendimento imediato das reivindicações salariais dos trabalhadores! Não ao corte de ponto e contratações de fura-greves! Não à privatização! Abaixo a Medida Provisória 532! Lutemos juntos por um serviço público, 100% estatal e de qualidade, com tarifas reduzidas para a população!

A luta continua! Fortalecer a luta desde a base, com assembléias por unidades e cursos, avançar na luta contra a privatização da universidade e condições de trabalho precárias!

             Em meio a um novo despertar do Movimento Estudantil nacionalmente com uma série de ocupações de reitorias das universidades federais por mais de três semanas os estudantes da UFRJ lutaram para arrancar da reitoria demandas dos estudantes com relação a assistência estudantil. Na última quinta-feira, 22 de setembro, os estudantes tiveram uma conquista importante, fazendo com que a reitoria prometesse a construção dos restaurantes universitários da Praia Vermelha e unidades isoladas como Centro, Macaé, Xerem. 
         A Reitoria mostrou mais uma vez o descaso com o direito dos estudantes a política de assistência estudantil, mesmo após semanas de negociação e com a garantia de alguns pontos da pauta estudantil, tentou postergar a votação no Consuni dos pontos que não tinha acordo na pauta estudantil, sendo estes exatamente os pontos destacados pelos estudantes referentes a necessidades fundamentais como o piso do salário mínimo das bolsas e indenização por seu atraso e bandejões sem terceirização.  A votação sobre os bandejões só foi encaminhada sob muita pressão das centenas de estudantes presentes.
          Essa conquista é importante, mas devemos ir por mais! Outras pautas fundamentais ainda precisam ser garantidas, como o aumento de 50% no número de bolsas e sua remuneração com piso do salário mínimo e indenização por seu atraso. Todo mês é a mesma coisa, as bolsas chegam a atrasar dias, o que implica em inúmeras dificuldades com alimentação, xerox e transportes e seu valor não condiz com o real custo de vida na cidade do Rio Janeiro. Além disso, só a aprovação do orçamento para os bandejões não garante as construções dos mesmos. A garantia da construção destes bandejões sem terceirização e incorporação dos atuais funcionários nestes quadros é fundamental para os estudantes que defendem uma educação a serviço de toda a classe trabalhadora.
         Não podemos deixar que esta vitória para os estudantes, os bandejões, sejam ao mesmo tempo um ataque aos trabalhadores.  Por isto defendemos que os bandejões não sejam terceirizados, mas com funcionários da própria universidade, que tenham prioridade no orçamento de 2012, sem terceirização e pela incorporação de todos os atuais terceirizados.

Não deixemos que enquanto conquistamos de um lado perdamos do outro! Não à privatização!
         Enquanto a reitoria cede em bandejões, parte fundamental de seu projeto como as terceirizações e a privatização da universidade vai sendo tocada sem questionamento. Não podemos permitir. A COPPE e inúmeras outras unidades, sobretudo no Fundão, têm intermináveis cursos pagos e fundações privadas. Esta realidade impede ainda mais o acesso ao conhecimento e mais que isto, atrela o que é pesquisado aos interesses do mercado. Ao contrário da maioria dos grupos políticos da UFRJ que sequer reconhecem a existência destes cursos – o que uma pesquisa rápida na Internet mostra – acreditamos que essa luta pelo fim dos cursos pagos é para ontem. Nenhum dinheiro para os cursos pagos, transformação das vagas em publicas imediatamente, fim das fundações privadas dentro da universidade.

Como se organizar para avançar?
A luta na UFRJ não acabou! Não podemos deixar que a necessidade de continuar lutando pelas pautas ainda não conquistadas, dilua-se nas eleições de chapa para o DCE. É fundamental que está entidade seja representada por uma chapa de luta, com um programa político anti-governista, pró operário e anti imperialista, mas essa disputa não pode ser feita em detrimento à continuidade e aprofundamento desta luta. Todas as correntes anti-governistas tem que colocar suas forças para arrancar as conquistas que ainda faltam e em solidariedade ativa aos setores da classe trabalhadora que estão em luta, como os Correios, diante do brutal ataque de privatização e corte de pontos, mostrando que a luta por uma educação de qualidade, gratuita e para todos é uma luta em defesa de toda a classe trabalhadora.
Todo espírito de conquista deve permanecer para irmos por mais e arrancarmos as outras pautas, para isso, é de fundamental importância que organizemos desde as bases dos cursos e unidades assembléias para fortalecer nossa organização e espaços democráticos de discussão, onde o conjunto dos estudantes possam se organizar e preparar uma pauta unificada de reivindicações e exigências para os próximos passos, assim como foram feitas no IFCS e no alojamento, resgatando um importante método democrático na UFRJ: as assembléias resolutivas e para encaminhar o movimento.
Nas assembléias do IFCS afirmamos não só que queríamos bandejão em todos campi, mais 50% de bolsas e bolsas que pagassem o salário mínimo e outras reivindicações, como demos passos para que o movimento estudantil levante um programa que questione inclusive a precarização do trabalho na universidade. Votamos que os bandejões sejam com trabalhadores efetivos da universidade e que os trabalhadores terceirizados dos bandejões existentes no Fundão sejam incorporados à universidade. Propusemos isto pois não queremos que uma conquista para os estudantes seja um ataque aos trabalhadores. Infelizmente todos os maiores grupos atuantes no terceiro ato no Consuni não levaram à frente este programa votado pelos estudantes do IFCS, e não questionaram a proposta da reitoria de bandejões terceirizados. Sequer foi organizada uma assembléia para votar nossa aprovação às propostas da reitoria e como continuar o movimento. Precisamos de mais democracia no movimento para que ele avance e continue.
Precisamos de um movimento estudantil que questione a privatização da universidade e seja porta-voz de várias demandas dos trabalhadores e do povo. Chamamos as correntes de oposição ao governo Dilma e à reitoria a serem conseqüentes com o que é votado em assembléia e junto a nós lutarmos pela efetivação de todos terceirizados, contra os cursos pagos, contra a privatização do HU, etc. É preciso superar esta perspectiva do movimento estudantil levantar demandas só dos estudantes. As lutas dos estudantes na UFF contra a Via Orla e Via CEM e na USP em apoio aos terceirizados da União e da BKM mostram não só como é necessário, mas como é possível construir um movimento estudantil que tenha em suas pautas o que vá muito além só do que afeta os estudantes!
Na luta por um movimento estudantil que defenda os interesses dos trabalhadores e do povo sabemos nada podemos esperar da UNE que defende justamente a privatização e terceirizações que “seu” governo aplica, ou de correntes como a Correnteza que apoiaram o atual reitor.  No entanto, vemos na prática política das maiores correntes anti-governistas e independentes da reitoria (maioria da ANEL, Não Vamos pagar Nada, Quem vem com tudo não Cansa) uma não superação deste movimento estudantil encerrado em si mesmo e sem pautar-se, sempre, por uma prática democrática, de assembléias.  
Por isso é necessário construir uma forte corrente estudantil aliada aos trabalhadores, que defenda uma educação gratuita de qualidade e para todos, pelo fim do vestibular e pelo fim dos monopólios privados da educação, pois a maioria da juventude permanece alijada da universidade gratuita e relegada ao ensino pago dos monopólios privados da educação. Que seja porta voz das demandas da população dentro e fora da universidade, denunciando e lutando contra a precarização da vida, que mantém a maioria da população a base de salários precários, saúde miserável, custo de vida caro, educação precária, transportes caros, sem acesso a cultura, lazer e esportes, além da repressão policial que militariza a vidas das pessoas nos morros e favelas, criminalizando a pobreza e naturalizando o assassinato constante da juventude negra e pobre. Que seja linha de frente no combate as opressões, ao machismo, a homofobia, ao racismo e contra a ingerência da Igreja e do Estado sobre nossos corpos e nossa vida. Que se alie a classe trabalhadora em cada luta, cada batalha para golpear esse sistema de miséria e opressão. Nós queremos construir junto a cada estudante uma juventude que se coloque a frente das tarefas de seu tempo.
Para isso temos que unir força com os setores que estão em luta neste momento como a greve nacional dos Correios que a mais de 17 dias, se colocam em luta por melhores condições de salário e trabalho e contra a MP do 532 do Gov. Dilma, que abre para o capital financeiro, preparando para a privatização. A luta em defesa dos trabalhadores doa correios faz parte da luta em defesa da educação gratuita, de qualidade para todos, contra a precarização para privatizar que acontece cotidianamente nas escolas e universidades Precisamos ir às assembléias, atos, organizando- nos junto aos trabalhadores e nas universidades para barrar esse ataque.

Não esquecemos a ditadura: assassinatos e tortura!!!

Desde a vitória das eleições de Dilma ao fim de 2010, temos ouvido inúmeras promessas em relação aos crimes cometidos pelo Estado durante a Ditadura Militar, e principalmente, sobre a abertura dos arquivos desse período, onde constam informações essenciais sobre os presos políticos assassinados, torturados ou desaparecidos no Brasil. Foi aprovado recentemente o Projeto de Lei 7376/10 que institui a “Comissão da Verdade”. A versão do governo já era aguada ao impedir que nesta comissão fossem abertos inquéritos que levassem a punição de assassinos e torturadores e eis que o governo para aprová-la sem oposição de ninguém da direita e do exército a fez ainda mais aguada. Em negociações com o DEM (em grande parte os continuadores do partido apoiador da ditadura, a ARENA) o governo vetou que nesta comissão estejam pessoas “envolvidas” com a questão, ou seja os militantes da esquerda que lutaram contra a ditadura.

O ministro da Defesa, Celso Amorim diz que chegou a hora de “virar a página do país”. Querem fazer isto cerceando o direito à verdade e sobretudo impedindo punições. Esta comissão tal como está é um ultraje diante da memória de todos os lutadores que tombaram nas mãos ensanguentadas do Estado, seus comandantes militares e colaboradores civis (Rede Globo, grupo Ultra, vários outros). 

Não podemos ter ilusão nos partidos que compactuaram com quem está sujo de sangue, como o PT e PCdoB, que escolheram estar ao lado dos militares assassinos! Não será possível derrotar as principais forças da direita e escancarar e punir os responsáveis por esses crimes se não depositarmos todas as nossas forças na mobilização da classe trabalhadora, a maior vítima do Regime Militar. É nesse sentido que chamamos as organizações de esquerda como a ANEL, a oposição da UNE, os sindicatos dirigidos pela CSP Conlutas assim como os parlamentares do PSOL como Marcelo Freixo, que possui grande referência junto às organizações de Direitos Humanos, a lutar por um verdadeiro Comitê da Verdade, Memória e Justiça independente e autônomo e pela Punição aos torturadores e assassinos da Ditadura Militar.

Em várias universidades, canteiros de obras trabalhadores precários saem à luta! Apoiemos suas lutas e contribuamos a construir um grande movimento contra precarização do trabalho!

Em todo país os trabalhadores precários e terceirizados tem lutado em seus canteiros de obras, nas universidades e fábricas. São lutas por salário, direitos e segurança no trabalho (coisas elementares como equipamentos de proteção individual, comida não-estragada, etc).

Estas lutas questionam objetivamente o trabalho precário que predomina em todo o país. É uma oportunidade e necessidade que apoiemos estas lutas e ao mesmo contribuamos para que seja uma luta contra a precarização do trabalho. É desde esta perspectiva que algumas lutas que em número de grevistas eram menores que as lutas do Maracanã, Mineirão, Jirau, etc, deram e dão grandes passos para questionar a precarização e terceirização.

Não é só nas grandes obras que trabalhadores precários caem dos andaimes pingentes e morrem em acidentes de trabalho completamente evitáveis. É no cotidiano de nossa universidade também. Queimaduras, doenças ocupacionais nos bandejões, queimaduras por produtos químicos na limpeza devido à falta de luvas e outros equipamentos, etc.

A luta das trabalhadoras da União (limpeza) na USP pelos seus direitos trabalhistas tornou-se uma luta pela incorporação à universidade. Cantando pela universidade “ô estudante, eu limpo o chão, mas sou contra a escravidão” comoveram estudantes que apoiaram a luta, com uma greve estudantil na história em apoio, e junto ao SINTUSP (Sindicato de Trabalhadores da USP) ajudaram a fazer estes trabalhadores invisíveis virarem uma grande discussão e questionamento à universidade e trabalho precário. Esta situação fez intelectuais escreverem como era a “insurreição das vassouras” (e críticas da Veja, óbvio). A reitoria sem estar forçada legalmente cedeu e pagou os direitos que eram obrigação da empresa para tentar fazer sumir este questionamento. Semana passada uma nova luta aconteceu na USP quando os trabalhadores da BKM (jardinagem) ocuparam uma sala por seus direitos, e rapidamente o SINTUSP e os estudantes organizaram um ato em apoio à mesma. Resultado em menos de um dia a reitoria fez o mesmo pagou o que era obrigação da empresa.

Esta força dos trabalhadores efetivos e estudantes apoiando os trabalhadores terceirizados e combatendo a terceirização mostra como podemos dar passos nas universidades para questionar a terceirização e lutar para que todos trabalhadores tenham iguais salários e direitos através da incorporação (sem concurso) às universidades e locais de trabalho. É nesta perspectiva que atuamos na USP, na luta que começou esta semana no bandejão terceirizado da UNICAMP e temos que fazer em cada universidade, fábrica e canteiro de obra do país. Esta luta é também uma luta contra as reitorias que são coniventes e sócias desta precarização do trabalho. 

Querem construir uma cidade contra a juventude, os trabalhadores e o povo!

A Copa do Mundo, as Olimpíadas apareceram nas propagandas eleitorais de Dilma e nas peças de propaganda e editoriais da mídia burguesa como grandes oportunidades para fazer o povo melhorar de vida, ter um grande legado dos eventos, tornar-se um “país de primeiro mundo”. Mas a realidade da juventude, dos trabalhadores e do povo pobre é completamente outra. Repressão sistemática, com diversos episódios de cerceamentos de direitos democráticos elementares, lembremos que 13 pessoas foram presas na manifestação contra a presença de Obama no Rio; que na primeira UPP do Rio, Santa Marta, não só uma rádio comunitária foi fechada, como festas e confraternizações tem hora para acabar a bel prazer da policia militar; que no Complexo do Alemão, a população se manifesta contra as humilhações e o seu cerceamento de direitos, nesta repressão diária perpetrada por soldados do exército brasileiro que são os mesmos que treinaram oprimindo o povo no Haiti. O Rio que avança para os negócios lucrativos de setores da burguesia como o da construção civil (que inclusive realizam obras sem ter que passar por licitações), é o Rio que avança sobre as vozes e corpos da juventude e do povo negro. O Rio que avança na expulsão dos pobres de regiões que tem potencial de aumentar ainda mais a especulação imobiliária como na região portuária, que avança no trabalho precário.


O Haiti ... é aqui!?

“O povo do Alemão é humilhado pelo Exército. Sai o Comando Vermelho, entra o Comando Verde” lia-se num cartaz em protesto de moradores do Alemão. Com estes questionamentos os moradores do Alemão, da Penha, e também nos diversos conflitos que tem estourado em áreas com UPPs, como na Cidade de Deus e na Tijuca, os trabalhadores e os pobres questionam a política repressiva de Dilma, Cabral e Paes e com isto toda esta cidade contra os trabalhadores que está sendo erguida. O questionamento carioca às UPPs tem que servir de alerta aos trabalhadores em todo país, pois Dilma defende que este projeto seja nacionalizado, e quatro UPPs já foram inauguradas em Salvador. Dizemos abaixo as UPPs e fora as tropas brasileiras do Haiti!


As UPPs como um projeto repressivo de cidade


As UPPs são muito mais que uma repressão diária e sistemática. São um projeto de cidade e uma expressão carioca (e agora também soteronapolitana) de que país a burguesia brasileira quer construir/mostrar nos grandes eventos dos próximos anos. Este projeto busca convencer os trabalhadores (e tem conseguido) que é preciso ordem para que exista atendimento a seus direitos, que exista "progresso". É uma expressão armada e ideológica do lema da bandeira nacional. É uma falácia este lema, pois esta ordem não está a serviço dos trabalhadores, está a serviço de sua repressão para continuidade e expansão dos negócios capitalistas, seja na especulação imobiliária, seja na precarização da moradia e transporte como partes constitutivas de ter uma força de trabalho barata (e mais lucrativa).

O Rio de Janeiro já tem um orçamento de guerra, onde os gastos com segurança pública são maiores que os gastos com saúde. Nós opomos frontalmente a esta militarização da cidade, não achamos que será com os braços armados do Estado que os trabalhadores terão melhorias em suas condições de vida. Neste sentido também nos opomos a todos aqueles, que por mais que façam corretas e importantíssimas denúncias sobre a polícia, mílicias, tráfico, entrem no mesmo jogo da burguesia de naturalizar a necessidade dos trabalhadores serem reprimidos pela polícia. Não dizemos "Upps sociais" como Marcelo Freixo (PSOL) porque isto significa tentar enfiar outras coisas mas naturalizar a repressão deste projeto. Dizemos não as UPPs e que lutemos por moradia, educação e saúde para os trabalhadores e o povo. 

"Dilma, Cabral e Paes estão vendendo o Brasil”
 O Rio “maravilha” que quer a burguesia e seus governantes, Cabral e Paes, é um Rio para os grandes negócios e um rolo compressor contra os interesses do povo. O rolo compressor de remoções de ocupações urbanas no centro se combina na privatização da cidade (como parte do projeto Porto Maravilha no qual o governo federal repassou as propriedades para a prefeitura que as jogou para a venda e ainda privatizou todos serviços públicos da área para o consórcio vencedor). Enquanto centenas agonizam dia a dia buscando um leito nos hospitais públicos o que estes mesmos governantes estão fazendo é avançar em sua precarização através de sua privatização via Organizações (supostamente) Sociais.


Fora polícia da Universidades!
Para quem tem dúvidas sobre a "cidadania" que está nos projetos das UPPs, Choque de Ordem, etc.: após fecharem a Rádio Comunitária Santa Marta, agentes da polícia federal levaram o transmissor da Rádio Pulga do IFCS! É a polícia garantindo o monopólio dos meios de comunicação quer calar os meios alternativos de comunicação. Contra a censura às rádios livres! Fora polícia das universidades e dos morros e favelas!