Juventude às Ruas!

Fim do massacre ao povo palestino! Fim dos ataques do Estado de Israel à Faixa de Gaza! Palestina LIVRE!!

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Reitoria reconhece mais uma vez a força movimento de ocupação da reitoria da USP contra a PM - Negociação HOJE às 14h30 - ASSEMBLEIA ESTUDANTIL - HOJE - 20H - EM FRENTE À REITORIA

A reitoria, reconhecendo mais uma vez a força do movimento de ocupação da reitoria contra a PM e os processos, marcou nova negociação para hoje, às 14h30. De acordo com posição da última plenária (veja abaixo),

ASSEMBLEIA ESTUDANTIL - HOJE - 20H - EM FRENTE À REITORIA
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PRONUNCIAMENTO OFICIAL SOBRE A AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO

Neste sábado, dia 05/11, os representantes da comissão de negociação, eleitos na última assembleia geral dos estudantes da USP, compareceram à audiência de conciliação no Fórum Hely Lopes Meirelles que contou com a presença do Coordenador de Relações Institucionais, Wanderley Messias da Costa, e o Chefe de Gabinete, Alberto Carlos Amadio, representando a reitoria.

Foi determinado o adiamento do prazo de reintegração de posse do prédio da reitoria de hoje (sábado), às 17h, para segunda-feira, dia 07/11, às 23h. Além disso, a reitoria se comprometeu a religar a luz, água e internet, que haviam sido cortados, e até o momento não foram reestabelecidos, e que os representantes dos estudantes presentes na audiência não receberão nenhuma punição.

Consideramos estes termos uma conquista do movimento, que vem se ampliando e ganhando apoio. A decisão da justiça, contrária à execução da reintegração de posse, durante um processo aberto de negociação, mostra que a intransigência nunca foi de nossa parte, e sim da reitoria, que pediu a reintegração de posse, cortou luz, água e internet do prédio antes mesmo de realizar negociações.

Seguimos abertos ao diálogo e dispostos, como desde o início, a negociar. Propomos que a reitoria restabeleça os canais de diálogo e negociação já para a próxima segunda-feira. Por decisão de nossa assembleia anterior, nossa próxima assembleia esta marcada para o dia 9/11. Caso a reitoria se disponha a realizar nova reunião de negociação no dia 7/11, estamos dispostos a antecipar nossa assembleia para este dia para avaliar as propostas da reitoria.

Reafirmamos nossas reivindicações:

- Revogação do convênio USP-PM! Fora PM!
Fim dos processos e perseguições contra estudantes, professores e funcionários!


São Paulo, 5 de novembro de 2011

Estudantes da UEM que neste ano ocuparam a Reitoria e a chamaram de Manuel Gutiérrez apoiam a ocupação da Reitoria da USP


Os estudantes do Movimento Ocupação Manuel Gutiérrez que forjou após a importante luta travada na UEM mandam seu apoio a ocupação da Reitoria da USP e a luta contra a PM.

O apoio dos companheiros é fundamental para unirmos forças para construir um movimento estudantil que  se coloca contra as forças repressivas do estado, contra a PM nas universidades, morros e periferia e contra a repressão e perseguição a todos os lutadores. Assim como é fundamental nos colocarmos  contra a repressão que sofrem hoje os estudantes da UEM com processos civis e perseguições da Reitoria aos lutadores. SE ATACAM UM ATACAM TODOS!

Os combativos estudantes da UEM que saíram na frente no despertar do Movimento Estudantil este ano ocupando a Reitoria contra a precarização da universidade que iniciou o ano com um corte no orçamento feito pelo governo do PSDB, de 38% na verba de custeio das universidades, que para UEM significa 2, 9 milhões, por ampliação e contratação de funcionários para o RU e outras demandas importantes de permanência estudantil como moradia e fim das bolsas trabalho.

A ocupação foi chamada de Manuel Gutiérrez homenageando e denunciando a morte do estudante chileno pela repressão de Piñera, na brava luta dos estudantes chilenos que seguem em luta a mais de quatro meses,  exigindo educação gratuita, de qualidade e para todos já, questionam os pilares da herança pinochetista. A luta dos estudantes chilenos é exemplo aos estudantes da UEM e para nós da Juventude Às Ruas, parte do que somos e queremos construir no Brasil, uma juventude que lute pela educação a serviço da classe trabalhadora e que seja linha de frente nas lutas em curso e em solidariedade ativa aos lutadores.

sábado, 5 de novembro de 2011

Urgente: às 13h ATO contra a repressão à ocupação da Reitoria da USP



URGENTE: Entidades estão convocando hoje um ato contra a repressão à Ocupação da Reitoria da USP e os estudantes em luta, uma vez que a Reitoria se mantem intransigente e divulgou reintegração de posse a partir das 17h de hoje. Concentração a partir das 13h em frente a Reitoria da USP. DIVULGUEM AMPLAMENTE!

Construir uma grande luta contra a polícia, a repressão e a precarização de Rodas!

DECLARAÇÃO DA JUVENTUDE DA LER-QI | USP

A luta contra a repressão volta a polarizar a universidade!

A USP agora está polarizada pelo movimento contra a PM no campus e contra os processos a estudantes, trabalhadores e SINTUSP. Esse movimento escancarou que a polícia, que massacra o povo pobre nas periferias e executa um genocídio da juventude negra, não vem para proteger, e sim para reprimir, como parte da estratégia de Rodas de destruir a resistência ao seu projeto elitista, racista e privatista de universidade, com a terceirização, demissão em massa via PROADE, fechamento de cursos, precarização do ensino e mercantilização do conhecimento.

Um Ascenso do ME a partir da ocupação da FFLCH

Desde a ocupação da administração da FFLCH, em resposta à repressão brutal da PM aos estudantes com bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula, o movimento recebeu o apoio de importantes intelectuais e entidades, dos trabalhadores em greve da UNICAMP, - aos quais se somaram os estudantes do IFCH! -, construiu um ato com quase mil estudantes contra a repressão, num claro processo de ascensão, que no dia 1/11 culminou em uma assembléia geral com mais de mil estudantes.

“Lideranças Estudantis” negociam com a reitoria, pelas costas do movimento, a desocupação e o fim da mobilização.

Recentemente vazaram na internet documentos em que, no dia seguinte à ocupação da Administração da FFLCH, 28/10, José Clóvis, assessor do gabinete do reitor, informa o Reitor Rodas sobre “reunião realizada hoje com algumas lideranças estudantis na História”:

“Prezado Professor João, (…) fui conversar com os setores organizados do movimento estudantil e professores. Desse encontro surgiram algumas propostas para colocar fim à invasão do prédio da Administração da FFLCH: 1) Os alunos disseram que há dois grupos no interior do movimento sendo um organizado, ligado aos pequenos partidos de esquerda; o outro, composto de ultraradicais que não desejam sair. Porém, se a Congregação for convocada extraordinariamente para segunda-feira (…) e for discutida a invasão, os radicais talvez sintam-se acuados; 2) Para além da crítica à invasão (o que certamente ocorrerá), os alunos entendem que a congregação pode encaminhar ao sr. e ao CO, uma proposta de reforma do Estatuto (…) 3) A proposta deles é que o sr. revogue o convênio com a PM, porém, discuti com eles que isso é pouco provável (…). Uma proposta que acredito a Congregação pode encaminhar e que eles acharam interessante é que um Fórum Permanente de Segurança possa ser constituído com a presença de representantes deles próprios, da PM, de ilustres professores e representantes dos funcionários. (...)”

É um absurdo! Quem são essas “lideranças estudantis”?! Não é muita coincidência que justamente a idéia de "desocupar" a Administração da FFLCH apresentada neste email tenha sido exatamente a mesma proposta que PSOL e PSTU (desocupação) que também por coincidência são lideranças estudantis na FFLCH? Inclusive,em outro documento que está circulando, de 2/6, Waldir Jorge, coordenador da COSEAS, escreve a Amadio, chefe de gabinete, sobre a moradia retomada, citando nomes: “Hoje tive reunião com alunos Adrian e Renan do DCE, (…) há uma grande possibilidade de avançarmos na recuperação desta área. (…) Há uma real vontade deles em acertarmos os ponteiros. Sugiro agendarmos uma reunião (…) e fecharmos mais este pacote de pepino”! Será coincidência que dois dias depois, em pleno domingo, o Conselho de CAs da FFLCH e o DCE tenham se reunido, votado uma exigência à congregação, e um panfleto unificado com as propostas que no dia seguinte foram aprovadas na congregação? Será coincidência que os 5 CAs e o DCE tenham participado como convidados, o que nunca acontece, e inclusive ajudado a propor os professores que negociariam a desocupação, que só começou depois de uma plenária em que o CAHIS aprovou o programa votado na congregação e a proposta de desocupação?! Quem de fato participou dessa reunião com o assessor da Reitoria, e qual o alcance desse esquema nojento não é possível dizer. O fato é que todas as gestões dos CAs da FFLCH e do DCE, integradas por correntes do PSOL e pelo PSTU, levaram a frente essa política, em bloco.

Quem não organizou um combate contra a repressão e a reitoria durante todo o ano não começaria a fazer isso votando uma desocupação que pode inclusive ter sido negociada com a burocracia acadêmica para enterrar a mobilização por uma promessa de negociação! Querem negociar reformas, mas não estão dispostos a um combate real para expulsar a PM! Além disso, não querem que nada “atrapalhe” o calendário das eleições estudantis, que transformam em um obstáculo à mobilização. Nós, da Juventude da LER-QI, que compomos chapas junto a independentes nas eleições, queremos ir na contramão dessa tendência, construindo uma campanha eleitoral militante contra a repressão e a precarização de Rodas, e chamamos os estudantes a votarem não somente nos programas, mas em uma prática política que expresse um novo movimento estudantil!

PSOL e PSTU dividem o movimento estudantil deslegitimando seus espaços

Foi como parte desta política que na assembléia de 1/11, após a deliberação da desocupação, em meio a uma votação, a mesa composta por PSOL(DCE) e PSTU(CAELL) declarou unilateralmente o fim da assembléia. Alegam que já estava tarde, que já se havia ultrapassado o horário limite e que havia "confusão". Mas o fato é que a assembléia estava muito cheia, e o horário não havia sido problema até que a posição da mesa foi derrotada na votação entre encaminhar a discussão do “calendário de lutas” ou da proposta de ocupação da reitoria, previamente apresentada na assembléia. Com a votação já realizada e repetida, e a vitória clara do encaminhamento sobre a ocupação da reitoria, PSOL e PSTU decretaram o fim da assembléia e se retiraram!

Então, quase 500 estudantes mantiveram a assembleia legitimamente, num movimento antiburocrático, e decidiram continuar a discussão votando a ocupação da reitoria. Na mesma noite, o prédio da reitoria foi ocupado por centenas de estudantes, que em seguida ratificaram as bandeiras da ocupação da FFLCH, contra a PM e os processos a trabalhadores e estudantes.

Estas organizações políticas tem disseminado uma campanha contra a ocupação dizendo que "não foi legítimo" e que "foi feita uma manobra" para aprovar a ocupação, num falso discurso sobre "democracia estudantil". Coincidentemente é exatamente o mesmo discurso de toda a imprensa e da Reitoria, que estão organizando um operativo repressivo contra esta mobilização, inclusive responsabilizando nominalmente a LER-QI e outras organizações políticas, apagando as centenas de estudantes que votaram e participam dessa ocupação, e nos expondo à repressão. Como disse o professor Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicação e Artes, em coletiva de imprensa apoiando a ocupação "essa é a linguagem da ditadura, dos delatores!". É urgente abrir um debate sobre os métodos e a concepção de movimento estudantil, pois com esse discurso falso o PSOL e o PSTU querem fazer parecer que os que enterram uma luta "democraticamente" são os "democráticos", e os que passam por cima das suas direções mantendo uma assembléia e seguindo a luta são "burocráticos". Uma péssima manobra de inversão de papéis para levar adiante um movimento estudantil anti-burocrático e combativo.

As entidades devem ser instrumentos do movimento, não seus inimigos

O DCE e os CAs são instrumentos de luta dos estudantes. Desgraçadamente estão nas mão de setores que entregam estudantes para a polícia – escoltaram os estudantes até o carro para levá-los à delegacia! – e que podem ter negociado a traição do movimento; e precisam ser retomadas. Por isso, exigimos que as gestões dessas entidades compareçam à assembleia geral de 3/11, em frente à reitoria ocupada, às 20h, para que se esclareça essa situação. É necessário organizar uma Comissão Independente para apurar os fatos e apresentar para todos os estudantes quem são as "lideranças estudantis" que negociaram com a Reitoria pelas costas do movimento a desocupação.

É preciso massificar a luta contra a repressão a partir da ocupação

Para essa luta, se mostram claramente 3 estratégias. A primeira, que já apontamos, é a estratégia do PSOL e do PSTU. Por outro lado, correntes como o MNN, que se absteve de qualquer luta durante o último ano, e parte dos setores que se reivindicam “autonomistas”, vêm a ocupação como um fim em si, como se fosse o bastante para derrotar a repressão, e por isso não dão um combate real contra a burocracia estudantil, ou seja, contra o apoio que ela tem em um amplo setor de estudantes – não a toa após tudo isso ainda se negavam a criticar as direções e defendiam um chamado a unidade eleitoral com esses partidos! -, além de desligar a luta contra a repressão da luta contra o projeto privatista e precarizante de universidade a que ela serve, e desligar a luta contra a PM da USP da luta contra o massacre protagonizado pela polícia da população nas periferias.

Para nós, por outro lado, é necessário massificar esse movimento, fazê-lo vivo em cada curso, em cada sala de aula, construindo assembléias e paralisações nos cursos, unificar-se com outros setores em luta, como os trabalhadores em luta e as greves na UNICAMP, e buscar aliados, como os professores Chico de Oliveira, Luizito e Souto Maior que declararam seu apoio à imprensa, foram à reitoria ocupada e estão levando suas aulas para lá, desmentindo a campanha da imprensa de que se trata de uma ação isolada, dizendo que “é a continuidade de anos de luta de estudantes e trabalhadores em defesa da universidade”

A luta nas estaduais paulistas continua forte com a greve dos trabalhadores da Unicamp, e agora com a greve dos estudantes do IFCH, também na Unicamp. Não fosse a atuação desta verdadeira burocracia estudantil com a ajuda do PSTU, a ascenção do movimento teria seguido forte, e seria possível já nessa próxima segunda-feira fazer um ato ainda maior. Mas o movimento resistiu as manobras e seguiu adiante com a ocupação da Reitoria e os apoios que já conquistou. Hoje a reitoria já anunciou que quer negociar com o movimento de ocupação. Não retrocederemos, e a assembleia de hoje será fundamental para debater a posição da reitoria, a massificação do movimento e a posição das direções do ME.

Juventude da LER-QI

Fora PM da USP, dos Morros e Periferias!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma carta à sociedade

“Vocês produzem a miséria e nos impedem de chegar a nível social”

De Menos Crime


Nós queremos educação pública, gratuita e de qualidade. Queremos que os métodos de ensino sejam revistos desde suas bases. Queremos que a administração pública seja radicalmente democrática, com o controle das instituições e das próprias fábricas nas mãos dos trabalhadores. Queremos que o trabalhador tenha mais tempo livre, com redução de horas de trabalho sem alteração dos salários. Queremos que as decisões que irão afetar nossas vidas sejam tomadas nós mesmos.

Comissões, reuniões, debates, discussões, tomada de decisões, assembléias. Algo que é permitido apenas à uma elite, que controla o futuro do país. O lobby no Brasil é discreto, mas eficiente. O governo do PT se apóia numa suposta base sólida de amplo respaldo da população, reduzindo a oposição aos setores da direita. Porém, as bases começam a ruir e os trabalhadores, finalmente, apesar de todos os problemas, erguem as cabeças, param de olhar para o chão e passam a enxergar as contradições de um governo “de esquerda” que se apóia não numa base sólida, mas no apodrecido sistema penal-policial. Se baseando nas leis da ditadura, as Forças Armadas são convocadas para reprimir revoltas de trabalhadores.

Qual é a verdadeira quadrilha criminosa? Um grupo de jovens pobres, negros, fora da escola, que desde pequenos estão em tênue equilíbrio entre a vida e a morte, que se reúne para roubar um posto de gasolina e conseguir algumas centenas (com sorte, milhares) de reais, ou um grupo de brancos, ricos, universitários, que se reúnem quando quiserem, que possuem mais de uma casa, motorista, salário de dezenas de milhares de reais por mês, e se negam a aumentar o salário mínimo, assinam o início da privatização das nossas florestas, mantém os torturadores impunes, não revêem uma política de drogas que só aumenta a violência, não punem os seus “colegas” corruptos, e aparecem sorrindo para as câmeras rodeado de guarda-costas? Essa é a hipocrisia do sistema.

Vemos isso com relação à ocupação da USP. Uma parte da mídia vende a ideia de que os “privilegiados” querem manter seus “privilégios” contra os “menos privilegiados” que, por serem “menos privilegiados”, não tem acesso ao “privilégio” da Universidade pública, gratuita e de qualidade, e que está sendo depredada por tais “privilegiados”, num ambiente “privilegiado”... Ou seja, vendendo a ideia de que a Universidade, de fato, deve se manter como um bem escasso, de alto custo, acessível apenas a poucas camadas da sociedade, de preferência apenas à burguesia – e, pior, que os estudantes ocupados defendem ESSE projeto de Universidade!

O comunismo, o socialismo, o anarquismo, o marxismo, etc. passam longe de serem pauta da educação brasileira. O capitalismo ergue-se, imponente, como a solução final para todos os problemas do mundo. O setor privado passa a controlar a comunicação, saúde, educação, transporte, alimentação, limpeza... A lista não tem limites. Às vezes “só” terceirizam partes, seções de instituições públicas, dividindo os trabalhadores e criando vínculos empregatícios por um lado muito tênues (entre empregador-empregado) e por outro muito fortes (empregador-governo). Isso permite que as empresas tercerizadoras (desde a Natura até as empresas de alimentação industriais) operem numa semi-legalidade constante, jogando com as leis trabalhistas e os trabalhadores como quem aposta num cassino.

Na escola de aplicação da USP, uma cartilha ensina sobre a "Propriedade". E ensina as crianças que os países que adotaram a propriedade privada conseguiram superar a miséria, países como EUA, Suécia, Japão, etc., e os que adotaram o socialismo acabaram na miséria, como URSS e Cuba. Nenhuma crítica aos EUA, cuja pobreza só aumenta, nem ao fato de que jornadas de 70h semanais são comuns no Japão, ou que na Suécia... Sei lá, faz frio pra cacete. Nenhuma menção ao fato de que Cuba acabou com o analfabetismo. De que a URSS saltou de um regime arcaico, quase feudal, para uma potência nuclear. Nenhuma menção às diferenças do regime. O grande valor: a "propriedade"!

Nós somos a primeira geração do Brasil democrático, filhos do neoliberalismo, e não estamos contentes com o resultado. A corrupção claramente não terminará enquanto não houver uma mudança radical na estrutura de poder. O coronelismo não acabou. A escravidão não acabou. A “representatividade” que a pequena-burguesia tem em seu altar elege, literalmente, um palhaço, pois é assim que o povo se vê frente à política: como um palhaço fazendo malabarismos num picadeiro, enquanto os empresários, os políticos e a burocracia se sentam na platéia, rindo de nós. Porém, a exploração não é piada. Os malabarismos são com a nossa própria vida. O trabalhador em condições precárias corre risco de vida todo dia de trabalho. E o patrão “corta custos” deixando de comprar equipamento de segurança e pagar treinamento adequado – se morrer um, tem cem na fila pra entrar no lugar mesmo, e que família pobre vai questionar? Nem dentro da USP, a morte de José Ferreira da Silva, trabalhador terceirizado morto durante o exercício de sua função, foi investigada. Pra isso, o aparelho investigativo da polícia não serve.

O Brasil “do futuro” é um Brasil que não tem mais possibilidades de conciliamento. As concessões salariais e pequenos avanços nas leis trabalhistas, num período de crise, não são uma possibilidade para a burguesia. Joga todo seu aparato repressivo contra a população, enquanto Camargo Correia, Odebrecht, OAS, a indústria de telecomunicações, os conglomerados do ensino particular e os pequenos e médios empresários do setor de terceirização seguem com lucros garantidos, baseados na superexploração e precarização do trabalho.

A classe trabalhadora, por sua vez, que tinha depositado suas esperanças nas privatizações, no avanço da tecnologia, no triunfo da ciência, no domínio do homem, vê os governos aprovarem pacotes de austeridade, cortar o orçamento da saúde, educação e segurança social, e reprimir greves de trabalhadores com a ajuda dos aparelhos repressores (polícia, bombeiros, exército). A luta de classes continua. O movimento Ocupa Wall Street, no “ground zero” do imperialismo americano, se questiona: “por que somos 99% da população nas mãos de 1%?”. O povo começa a flexionar os músculos, a criar novamente confiança em suas forças, após décadas de ataque neoliberal. O trabalhador se politiza e passa a se perguntar se há outro caminho.

Que há outro caminho, temos certeza. Vemos no dia a dia opressão, repressão, morte, sofrimento, preconceito, miséria, guerra e violência, no Brasil e no mundo. Está na hora de revolucionar. Às ruas!

Caio Rearte - militante da Juventude ÀS RUAS e estudante de Ciências Sociais da USP

Prof. Luiz Renato Martins apóia Ocupação da USP


Professor Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicação e Artes da USP em apoio à Ocupação da Reitoria e à luta pelo FORA POLÍCIA. Vejam vídeo que a imprensa gravou mas não mostra, legitimando o movimento de ocupação dos estudantes e dando total apoio a esta luta.

Marcelo Pablito, diretor do SINTUSP desmascara reitoria da USP


Marcelo "Pablito" Santos, diretor do Sindicato de Trabalhadores da USP denuncia a Reitoria da Universidade de São Paulo por difamação pública. Vejam vídeo que a imprensa gravou mas não mostra, demonstrando a falácia da Reitoria que diz que a presença da PM na USP foi aprovada "democraticamente" entre todos os setores da universidade.

Bruno Gilga defende ocupação da FFLCH/USP e Fora PM!

Bruno Gilga, da Juventude Às Ruas e estudante da Ciências Sociais da USP, em histórica assembléia com mais de 1.000 estudantes, defendendo a manutenção da ocupação da FFLCH contra a burocracia estudantil do DCE, dirigida pelo PSOL, que contava com o apoio do PSTU. Os setores que rechaçaram a manobra de enterrar a luta pra garantir o calendário das eleições estudantis e não ter que levar até o final o combate a PM na USP, reestabeleceram a assembléia após o PSOL e PSTU se retirarem e votaram a proposta já encaminhada à mesa de ocupação da Reitoria da USP. Fora a PM da USP, dos morros e das favelas! Abaixo o convênio Reitoria da USP e PM! Pela retirada de todos os processos contra estudantes e trabalhadores! Não à expulsão do Núcleo de Consciência Negra! Todo apoio à greve dos trabalhadores e estudantes da Unicamp!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Nota da ocupação da Reitoria da USP: Apoio dos professores Chico de Oliveira e Luis Renato Martins à ocupação


Após declaração à imprensa demonstrando total apoio à ocupação do prédio da reitoria, os professores Chico de Oliveira e Luis Renato Martins, junto a diretores do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e estudantes do movimento de ocupação da reitoria contra a repressão, estão se dirigindo ao prédio da administração da FFLCH para realizar a certificação da integridade do espaço antes de sua desocupação. Em breve, publicaremos uma nota oficial sobre a desocupação do prédio da faculdade.

Venham para a ocupação da reitoria lutar contra o convênio PM-USP e pela retirada dos processos contra lutadores! 

“Um grupo de estudos de cultura e materialismo histórico tem que tentar entender a conjuntura mundial”

Reproduzimos excertos da entrevista no Jornal Palavra Operária com o professor de Literatura da USP, Daniel Puglia, que participa do grupo de estudos de cultura e marxismo, uma iniciativa da Juventude às Ruas e independentes.

JPO: Qual a importância de um grupo de estudos de cultura e marxismo na Letras?

DP: A importância do estudo e de formar um grupo de pessoas que se interesse pelo materialismo histórico atende algumas preocupações: evitar o sectarismo, dogmatismo e autoritarismo. E aqui estou falando da esquerda.
Em relação à importância do materialismo histórico para a cultura: grande parte da esquerda se apropriou de duas ou três palavras de cartilha do materialismo histórico e a partir daí começou a querer entender como a cultura acontecia. Quando Marx e Engels analisam o que está acontecendo do século XVIII para o XIX, procuram entender as várias manifestações culturais e cientificas em um leque amplo. Espanta muita gente a quantidade de elogios e colocações sérias que Marx e Engels fazem sobre Adam Smith e David Ricardo, nomes importantes da economia clássica. Também olham para os socialistas utópicos franceses e falam: “cabe a nós continuarmos a partir do que eles trouxeram”. Têm muita gente hoje que se arrepia ao ouvir o nome de Kant e Hegel. Mesmo na academia, muitos dos que se reivindicam marxistas falam que Hegel tem que ir pra lata do lixo. Isso é absurdo. Grupos de formação tem que resgatar essa tradição, para não sermos dogmáticos, sectários e parciais. O que não significa dizer que “vale tudo”. Não, ao contrário. Para ter firmeza dos seus princípios tem que conhecer essa tradição.
A cultura tem em si um principio democratizante muito forte pois envolve como as pessoas interpretam e refletem sobre a vida num momento histórico. Então, se temos uma visão muito dogmática da cultura, corremos o risco de pensar que cultura é aquilo que se faz nas altas esferas, só “alta cultura”, é uma visão fetichista.
Um erro é pensar em estudar apenas cultura, sem estudar a vida real das pessoas. Todos nós sentimos que algo está acontecendo. Não é fim do neoliberalismo, pelo contrário. As empresas e bancos americanos estão com muita liquidez, mas não colocam esse dinheiro em circulação: é a maximização do lucro. Os governos resgataram as instituições financeiras e o capital. Há cada vez mais pessoas desempregadas ou subempregadas que não estão consumindo. Um grupo de estudos de cultura e materialismo histórico tem que tentar entender a conjuntura mundial, econômica.
Temos que lidar com um conceito de cultura mais amplo. Muitas vezes se corre o risco de falar nas humanidades algo como: eu sou especializado em Carlos Drummond de Andrade, e aí você se especializa e esquece do mundo. Nem mesmo especialista em Carlos Drummond de Andrade você vai ser, porque em última instância o que aparece na obra dele é o mundo.


JPO: Como o marxismo é tratado na universidade, na academia? Como você vê isso?


DP: O marxismo na academia é compartimentado. Tem uma parte, digamos assim, mais “chique” do marxismo, e a academia ficou com a parte mais “chique” do marxismo. Mas para você ter uma boa noção da leitura da cultura a partir do ponto de vista marxista é importante você não esquecer a economia; para você não esquecer a economia é importante você não esquecer a política; para você não esquecer a política é importante você não esquecer a filosofia. E já está presente no próprio Hegel um desrespeito – no melhor dos sentidos – pela divisão estrita. E tem um pouco do Kant lá atrás que é “ousar saber”.
Uma outra oportunidade de grupos de estudo como esse é da academia olhar pra fora dela. Não adianta não reconhecermos o quanto somos privilegiados e estamos numa ilha, ficar refletindo demasiadamente sobre os problemas dessa ilha, achando que é o universo. Ela não é. Lá fora estão acontecendo outras coisas num outro ritmo, e a gente precisa estar atento a isso. É uma coisa sensível para muitos de nós: a militância real e o engajamento real, eles não acontecem na academia.


JPO: Como você o papel da intelectualidade e dos estudantes diante dos conflitos operários que estão acontecendo, e também diante do cenário internacional?


DP: Eu acho que a importância de ter esta formação é, em primeiro lugar, não atrapalhar. Porque é muito fácil você ser um revolucionário de sala de aula. Na maior parte do tempo os trabalhadores cerebrais, o público estudantil mais privilegiado, universitário, não necessariamente vai estar na luta de uma maneira progressista. Por outro lado, no que ele vai ter um papel? Com a divisão social do trabalho, alguns grupos sociais recebem um tipo de conhecimento que é vedado à maioria da população. Por outro lado, esta recebe alguns conhecimentos que também são vedados a estes trabalhadores cerebrais “encastelados”. Quando você faz o contato entre eles, aí você ajuda a fazer um intercâmbio de idéias.
Esse é o papel dos estudos, das conversas. Saber que ninguém é tão estúpido que não perceba o seu entorno. Também ninguém é tão especial para ter já o horizonte de todo o futuro da humanidade.

culturaemarxismo.wordpress.com

sábado, 29 de outubro de 2011

DA OCUPAÇÃO DA FFLCH/USP – JUVENTUDE ÀS RUAS


Basta da repressão de Rodas! É hora de construir um grande movimento contra o projeto da reitoria!

No dia 27/10, a PM, que há meses revista e prende estudantes e trabalhadores na USP, com justificativas como “ter olhado feio”, tentou prender mais 3 estudantes. Quase mil estudantes se organizaram para impedir, e a PM respondeu com cassetetes, bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula, deixando vários feridos. Em resposta, os estudantes decidiram ocupar a administração da FFLCH, contra a PM e os processos políticos a estudantes e trabalhadores.

Rodas: reprimir para precarizar e privatizar!

Rodas se utilizou da morte de um estudante para consolidar a presença ostensiva da PM no campus, com o pretexto da segurança. Trazer segurança é abrir radicalmente a universidade para que seja ocupada e usufruída pela população, o povo pobre e a juventude negra, que só entra na USP pelo trabalho precário, nunca pra estudar, e que a PM massacra cotidianamente nas periferias. A PM, ao contrário, entra na universidade para mantê-la elitista - dissolvendo greves, como tentou em 2009, e reprimindo aqueles que lutam por uma universidade pública e democrática – e racista, abordando e expulsando prioritariamente jovens negros, o que a reitoria racista combina com a ameaça de molição do Núcleo de Consciência Negra da USP, único espaço que, há décadas, debate a questão negra na universidade. FORA PM!

Além da PM, a reitoria reprime com processos administrativos e criminais que indicam a demissão por justa causa, por participação em atos políticos, de dirigentes do SINTUSP e ativistas – entre eles os únicos votantes contrários à entrada da PM no campus no conselho gestor -, e a eliminação de um estudante por lutar por políticas de permanência estudantil e vagas no CRUSP, se apoiando em um decreto formulado em 1972, durante a vigência do AI-5! REVOGAÇÃO DE TODOS OS PROCESSOS AOS LUTADORES!

A repressão está a serviço da implementação de um ataque estratégico à universidade, com demissões, terceirização e precarização do ensino, privatizando a USP. Rodas implementa esse projeto apoiado em uma estrutura de poder autocrática e em um estatuto da ditadura. Para combater a repressão, é preciso combater o projeto a cujo serviço ela está, e a estrutura de poder que a implementa. FORA RODAS! DISSOLUÇÃO DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO! POR UMA ASSEMBLEIA ESTATUINTE LIVRE E SOBERANA!

O setor dos professores da FFLCH que representam a burocracia universitária, e que sempre estiveram contra o movimento em defesa da universidade, como na greve das trabalhadoras terceirizadas da União por seus salários de miséria atrasados, no dia 27 se puseram a negociar com a PM para que os estudantes assinassem o B.O.. Buscaram a todo custo dividir os estudantes, jogando uns contra os outros. No fim, entregaram os estudantes para a polícia. FORA SANDRA NITRINI, diretora da FFLCH!

A gestão do DCE entrega estudantes para a polícia!

A gestão do DCE, dirigida pelo PSOL, após reunião de mais de meia hora a portas fechadas – por um cordão formado entre eles e a guarda universitária! -, se incorporou à política da burocracia universitária que coagia os estudantes a irem para a delegacia, e formou um corredor humano para escoltar os 3 estudantes para dentro da viatura! É um salto na política de não tomar qualquer medida para defender os estudantes perseguidos, tendo uma coexistência pacífica com a implementação do projeto da reitoria, e trabalhando contra a organização do movimento estudantil, deixando de convocar assembleias frente aos ataques de Rodas. Não à toa a ocupação teve que tomar medidas para impedir que essa direção se alçasse sobre o movimento, como impedi-la de assumir responsabilidade pela comunicação. Ainda assim, a gestão do DCE (PSOL) dá entrevistas à imprensa com posições que são suas, e não do movimento! Só faltou defender a instalação na USP das UPPs que o PSOL passou a reivindicar no morro do Alemão!

O DCE é a entidade dos estudantes da USP. Todos os seus recursos, finanças, contatos e diretores devem estar a serviço do movimento de ocupação e das resoluções que os estudantes tomem, sob estrito controle das assembleias. Devem construir os atos e assembleias convocados pelo movimento, e estar a serviço de ganhar apoio e massificar a luta contra a repressão e o projeto de Rodas.

O PSTU, que está na direção de alguns CAs, tem seguido integralmente a política da gestão do DCE, se negado a criticá-la (!), e votado em sua defesa. Chamamos os companheiros do PSTU a romper com essa política de aproximação do PSOL a qualquer custo, e com a defesa da linha da gestão do DCE, para que possa estar efetivamente ao lado da ocupação. Que convoque assembleias de curso de emergência desde as entidades que dirigem, como o CAELL e o CAHIS, para organizar e massificar o movimento nos cursos. O mesmo vale para a gestão do CEUPES, na Ciências Sociais, que teve diretores escoltando estudantes para o a delegacia junto com o DCE!

As estratégias que não combatem a reitoria

Por um lado, a gestão do DCE (PSOL), seguida pelo PSTU, defende uma universidade segura, sem questionar verdadeiramente seu elitismo e falta de democracia, e por isso faz parte de sua estratégia negociar pequenas reformas nos instrumentos de repressão e tratá-las como “vitórias”. Por outro, correntes como o MNN, que se mantiveram completamente ausentes das lutas do último período, como a greve das terceirizadas da União, e parte dos setores que se reivindicam “autonomistas”, vêm a ocupação como um fim em si, como se por si mesma fosse expulsar a PM e revogar os processos, e por isso mesmo não dão um combate real contra a burocracia do DCE, ou seja, contra o apoio que ela tem em um amplo setor de estudantes.

Massificar o movimento a partir da ocupação!

Para servir ao combate à reitoria, a ocupação deve ser, primeiro, um polo para massificar-se num grande movimento em toda a universidade, se ligando aos estudantes nos cursos e nas salas de aula, a partir de assembleias de curso.
Em segundo lugar, unificar-se com outros setores em luta, num movimento estadual, como os trabalhadores da USP - se integrando ao Comitê Unificado contra a Repressão, convocado pelo Sintusp e integrado por dezenas de entidades e intelectuais -, e dando TODO APOIO aos trabalhadores da UNICAMPque estão em greve por isonomia salarial, questionando esse mesmo projeto de universidade, e organizando a convocação de um encontro de estudantes e trabalhadores da três universidades estaduais. E é preciso construí-lo desde a ocupação e as assembleias de curso, votando delegações. Chamamos também a ANEL a impulsioná-lo em todo o estado, bem como o PSOL que está na diretoria do Sindicato dos Trabalhadores e do DCE da UNICAMP , para realizá-lo com a maior urgência, de modo que que sirva para unificar os setores em luta!

Fora PM, da USP, dos morros e favelas!

É preciso questionar o conteúdo de classe da universidade e se ligar a todos os setores reprimidos pelo Estado, e à juventude que não tem acesso à universidade: nosso “Fora PM!” deve ecoar o grito da juventude pobre massacrada nas periferias, da população violentada pelas UPPs nos morros, dos ambulantes reprimidos no centro, dos trabalhadores assassinados no campo; deve aproveitar as condições da universidade para denunciar o papel cumprido pela polícia, suas milícias e torturadores, que levam adiante um verdadeiro genocídio estatal para conter a insatisfação e as contradições geradas pelo próprio capitalismo.

Construir uma fração combativa no ME! Por uma campanha militante nas eleições estudantis!

É preciso construir, a partir dessa luta, uma grande fração do movimento estudantil, que se ligue aos trabalhadores, à juventude e aos setores oprimidos para combater a política de Rodas. As eleições estudantis podem jogar contra esse objetivo, levando o ME a campanhas despolitizadas, disputando votos por fora da tarefa urgente de combater a PM, os processos, o PROADE e as demissões, a precarização do ensino, a terceirização e a privatização do conhecimento. Chamamos os estudantes que queiram atuar na contramão dessa tendência a construir conosco chapas de combate ao projeto de Rodas, para levar a frente uma grande campanha militante nas eleições estudantis!

Juventude Às Ruas – LER-QI e independentes

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Rodas: “persona non grata” da repressão e precarização da universidade!

Nas últimas semanas, a USP voltou a ocupar as páginas dos jornais depois que a Faculdade de Direito declarou o REItor Rodas “persona non grata”.Por trás dessa rixa em que diferentes alas da burocracia acadêmica trocam acusações sobre quem destruiu mais a biblioteca e a faculdade, quem levou mais tapetes orientais para seu gabinete, ou da polêmica sobre o Clube das Arcadas, um empreendimento milionário em parceria com estado e empresas, em que até o Centro Acadêmico XI de Agosto está envolvido, está o fato de que, nesse momento, a reitoria prepara um ataque estratégico contra a universidade, que combina privatização, precarização e repressão política.
Primeiro, Rodas precisava impor a presença da polícia no campus. Se utilizou da morte de um estudante da FEA, instaurando um clima de medo junto à mídia. A PM que protagoniza um massacre ao povo negro nas periferias não traz segurança, e sim repressão, como vimos em 2009, quando tentou dissolver uma greve com bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula. A PM hoje faz rondas ostensivas nas ruas e dentro das unidades, aborda e revista trabalhadores e estudantes, e já prendeu estudantes em frente ao espaço estudantil da Poli!
Como parte da repressão ao movimento, Rodas pretende destruir de uma vez por todas o Sintusp, um polo fundamental da resistência a seu projeto elitista e racista de universidade, e expulsar estudantes que estiveram nas lutas. Depois da demissão inconstitucional de Brandão em 2008 por apoiar as lutas dos trabalhadores terceirizados, hoje lança mão de um processo que indica a demissão por justa causa de 4 diretores do Sintusp e duas ativistas! E também a “eliminação” definitiva do estudante Rafael da universidade – já expulso do CRUSP com a ajuda da PM -, por ter participado de mobilizações dos trabalhadores e por permanência estudantil, vagas para todos no Crusp e contra a vigilância policialesca da Coseas. O processo se baseia em um decreto do regimento da universidade datado de 1972, ou seja, que hoje é resgatado das entranhas da Ditadura Militar. Não surpreende que na USP se queira erguer um monumento aos cassados da “Revolução” de 64! 
“Como o PROADE ainda não passou, estamos usando as portarias anteriores...o PROADE é ainda pior do que as portarias” –Waldyr Jorge, Coordenador da COSEAS
Parte do “projeto Rodas” já começa a se implementar. 3 funcionários da Coseas foram demitidos sem “justa causa” nos últimos dias; as demissões ocorrem por reclamações contra as condições degradantes de trabalho nos restaurantes, em base a portarias internas, buscando naturalizar essa prática, que será aprofundada com o PROADE, Programa de Acompanhamento do Desempenho Funcional, que institucionaliza o assédio, a perseguição e as demissões. 
Lembram que em 2010 foi votado o aumento em 85% da verba voltada à terceirização, que já escraviza 4000 trabalhadores na USP? E reduzida a parcela orçamentária para pagamento de funcionários em 10%? Para terceirizar, é preciso demitir. E sabemos que com essas demissões perdemos também qualidade no ensino e no próprio funcionamento da universidade. A precarização do trabalho e do ensino são um processo único, de privatização da universidade.
A USP sobe no ranking da privatização
É com base nesse tipo de trabalho e de repressão que Rodas, o Conselho Universitário e o governo estadual do PSDB alcançaram a excelência dos rankings internacionais tão alardeados pela mídia nos últimos dias. São rankings baseados em critérios produtivistas, que medem a mercantilização da universidade. A USP está é subindo no ranking de policiamento, repressão política, acidentes de trabalho, precarização do ensino e semiescravidão!
O Movimento Estudantil tem um papel a cumprir!
Neste ano houve uma prova de fogo para o ME da USP: a greve das trabalhadoras terceirizadas da União. Essa luta partiu da demanda elementar pelo pagamento de salários atrasados e passou a exigir a efetivação, sem concurso público. Escancarou como a universidade de excelência, tal como o suposto “Brasil Potência” de Jirau, é sustentada por trabalho semiescravo. Abalou a reitoria e seu projeto, e foi um grande apoio para a defesa da universidade contra a privatização e a precarização. Não só impôs à reitoria que passasse por cima de decisão recente do STF, pagando os salários, mas estabeleceu uma situação em que outros terceirizados conquistam suas reivindicações com menos de um dia de paralisação, e reintegram um demitido, mesmo em período de experiência, com a mera ameaça de greve! Em lugar nenhum do país se vê nada parecido!
Esse é o critério central para um balanço de qualquer gestão: que linha política teve diante dessa luta? E, infelizmente, no caso da maioria das entidades estudantis, em particular o DCE, cuja gestão é integrada pelo PSOL, a resposta a essa pergunta é "nenhuma". Não somente nessa questão, mas frente à perseguição de estudantes no CRUSP, às demissões, à PM, a gestão do DCE, que propagandeia sua inserção e amplitude, não colocou essas forças a serviço de nenhum combate coma reitoria. Infelizmente, o ME dá muito menos peso a essa luta real contra a semiescravidão do que a suas campanhas e calendários. E não se trata simplesmente de uma questão de balanço: a crise que avança mundialmente nem bem chega ao Brasil e vemos um novo ativismo operário, com importantes greves nacionais, a que o governo Dilma/PT responde com duros ataques ao direito de greve, como parte de sua agenda de ataques às condições de vida do povo.
Para a nova situação que se abre no mundo, e tendencialmente no Brasil, precisamos também de um novo movimento estudantil, que se ligue profundamente a esses processos, em luta contra o governo, ligue suas bandeiras e demandas às da classe trabalhadora, unifique e radicalize suas lutas.
Por uma grande campanha contra a repressão política e a precarização da universidade!
A tarefa imediata de uma juventude que se coloque nessa perspectiva é pôr em pé imediatamente uma grande campanha em unidade contra a repressão e a precarização!
Fora PM! Revogação dos processos a estudantes, trabalhadores e ao Sintusp! Pelo fim da terceirização, com efetivação sem concurso! Abaixo o PROADE! Abaixo a reforma universitária e a precarização do ensino! Pela dissolução do Conselho Universitário, por uma assembleia estatuinte livre e soberana!
Nas eleições, unificar a esquerda em chapas de combate ao projeto de Rodas!
Aproximam-se as eleições para DCE e Centros Acadêmicos, e há boas chances de que sejam um obstáculo a essa campanha, com cada grupo buscando votos e autoconstrução por fora dessa tarefa urgente.
Nós, da Juventude Às Ruas, queremos que seja diferente. Consideramos os pontos de programa acima como um critério claro, a partir do qual fazemos um chamado a todos os estudantes independentes, aos lutadores do CRUSP que se enfrentam com a repressão da reitoria, coletivos que estão conformando chapas para as diferentes eleições, a discutir a unificação do movimento estudantil combativo em chapas de combate a esse projeto. Chamamos inclusive os setores ligados ao PSOL que estejam dispostos a romper com a linha política que mencionamos acima, e o PSTU, com quem impulsionamos conjuntamente a construção da ANEL, e ainda que tenhamos diferenças importantes, que seguiremos debatendo, acreditamos que não devem ser um obstáculo para discutir a conformação de chapas unificadas, pois consideramos que aqueles que estiverem dispostos a lutar por esses pontos não devem estar em uma disputa despolitizada, mas sim construindo uma grande campanha política, que se expresse também em uma campanha eleitoral militante contra a reitoria!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Terceirizados da USP ocupam predio da reitoria contra atraso no pagamento.

Novamente a "Universidade de excelência" (USP) é palco de uma luta dos terceirizados. Contra o não pagamento dos salários, trabalhadores ocupam predio da coordenadoria. Desdo Sindicato dos trabalhadores da USP, e tambem de setores do movimento estudantil, nós da Juventude Às Ruas [LER-QI e independentes] nos colocamos ativamente ao lado dos terceirizados nessa luta!

Efetivação de todos terceirizados, com mesmos salários e direitos que os efetivos! Sem necessidade de concurso público!


Ô Reitoria, vê se me escuta: Uma só classe, uma só luta!


Os trabalhadores terceirizados da jardinagem da USP continuam ocupando o prédio da prefeitura do Campus, e lá permanecerão até que sejam pagos os salários atrasados e os direitos. A guarda universitária que mais cedo agrediu dois companheiros do Sintusp ainda faz peso no prédio, agora deixando os estudantes entrarem no local da ocupação em regime de revezamento. Os estudantes do curso da FFLCH se mobilizaram em apoio à paralisação e agora em Assembléia feita no local tiraram uma comissão pra escrever um material de denúncia à reitoria e apoio aos trabalhadores, e outra para garantir que hajam estudantes no local até a amanhã pra segurança desses trabalhadores em luta. A reitoria tem total responsabilidade nessa situação, quando terceiriza os serviços da Universidade, expondo os trabalhadores a condições de trabalho precárias e semi escravas, e contratando empresas que historicamente não fazem o pagamento em dia, "somem" sem acertar os débitos com os funcionários, etc. O que devemos ter em mente é que não é a primeira e nem será a última vez, enquanto a chamada " Universidade de Excelência" continuar investindo na terceirização dos serviços dentro da Universidade, expondo os trabalhadores a condições de serviço insalubres e salários de fome. É necessário que os Estudantes se unam a Luta desses trabalhadores, dando um apoio orgânico a esse processo, que de novo escancara a sujeira por trás da construção do sistema USP, do "sistema Rodas" de Universidade. E também, pra além da USP, a nossa luta tem que ser contra a terceirização que escraviza, divide, humilha e mata!
Todos ao ato amanhã, as 12hrs, em frente a Prefeitura do Campus.

PELO PAGAMENTO IMEDIATO DOS SALÁRIOS E DIREITOS! PELA EFETIVAÇÃO SEM CONCURSO JÁ! TODO APOIO ESTUDANTIL A LUTA DOS TRABALHADORES TERCEIRIZADOS!